Bluebird

Bluebird é uma animação de um poema de Charles Bukowski, criada por Monika Umba, estudante de Cambrigde School of Art. Sobe esta animação, Marina Franconeti escreveu o seguinte:

Com uma perfeição visual muito bem desenvolvida pela artista, a trilha de poucas notas dá o toque melancólico que soa na leitura. Os personagens possuem um corpo meio rígido, parecem feitos de recortes de jornal. Por isso, tem algo de cotidiano neles. O pássaro e o azul, os grandes protagonistas da animação, dão o tom aos eventos e brilham pela imagem, trazendo à vida a magia do poema.

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Njinga, Rainha de Angola

Njinga, Rainha de Angola, juntou angolanos alguns actores angolanos e portugueses na rodagem do filme e estreia hoje nas salas de cinema portuguesas. Fazem parte do elenco os actores Erica Chissapa, Ana Santos, Sílvio Nascimento, Miguel Hurst, Jaime Joaquim e Orlando Sérgio. O argumento é assinado por Joana Jorge, a produção executiva fica a cargo de Coréon Dú, Sérgio Neto e Renato Freitas e a realização pertence a Sérgio Graciano. O filme pode ser visto no Centro Comercial Colombo, Cascais Shopping e no Dolce Vita.

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Homenagem a Hitchcock.

An animated tribute to the films of Alfred Hitchcock, featuring nods to “The Man Who Knew Too Much (1956),” “The 39 Steps,” “Vertigo,” “The Birds,” “North by Northwest,” “Strangers on a Train,” “Rear Window,” and “Psycho.”

Music Credits:
“North by Northwest (Prelude)” by Bernard Herman
“Funeral March of a Marionette” by Charles Gounod

Mais sobre Tim Luecke.

 

A Seta – André Sardet e Mayra Andrade

A Seta é o tema de André Sardet, interpretado em parceria com Mayra Andrade, composto para a banda sonora do filme Sei Lá.

Sei Lá é baseado no livro com o mesmo título de Margarida Rebelo Pinto, publicado em 1999. Joaquim Leitão realiza e Tino Navarro é o produtor.

Do elenco fazem parte Leonor Seixas, Ana Rita Clara, Patrícia Bull, Gabriela Barros, António Pedro Cerdeira, Pedro Granger, Rui Unas e Rita Pereira.

O enredo aborda a vida de uma mulher de 30 anos que tenta recompor-se de um desgosto amoroso.

Remembering the artist Robert De Niro, Sr.

Pai De Niro

Robert De Niro, Sr. fez parte da afamada New York School of artists. Teve sucesso no início de sua carreira durante os anos de 1940 e 50, em Nova Iorque. A sua pintura misturava estilos abstratos e expressionistas e chegou a fazer parte da amostra “Art of this Century” de Peggy Guggenheim Gallery e a sua obra foi objeto de crítica na imprensa especializada em arte.
Mas seu sucesso foi de curta duração, com o seu trabalho a ser eclipsado primeiro pelos pintores expressionistas abstratos e mais tarde com o surgimento da Pop Art . O artista é recordado neste filme pelo seu filho Robert De Niro, não tendo a sua condição homossexual sido iludida.

Segundo Eduardo Pitta, no Da Literatura: “Se A Bronx Tale (1993) foi uma homenagem discreta ao progenitor, Remembering the artist… não esconde nada. A HBO comprou os direitos, e o filme, com a duração de 40 minutos, vai ser distribuído para todo o mundo a partir de Junho. Robert De Niro Sr. (1922-1993) esteve casado pouco mais de um ano, e o filho vem agora explicar porquê.”

sobre o filme

Memória dos Campos

“Memória dos Campos” é conhecido como o documentário nunca visto de Alfred Hitchcock sobre o Holocausto. A película, realizada em 1945 para mostrar aos alemães as atrocidades nazis e vetada pelos aliados devido à brutalidade das suas imagens, está finalmente pronta para ser mostrada ao público.

Em 1945, Alfred Hitchcock ficou em choque. O “mestre do suspense” ficou tão horrorizado ao ver as imagens da chegada das tropas aliadas aos campos de concentração, no fim da Segunda Guerra Mundial, que ficou uma semana sem conseguir voltar aos estúdios. Em seguida, empenhou-se na produção do filme, que editaria as imagens chocantes para mostrar aos alemães a dimensão dos horrores do Holocausto.

Leia mais aqui. Também está disponível uma impressionante versão do filme de Hitchcock.

 

Lettre de François Truffaut à Jean-Luc Godard : « Selon moi tu te conduis comme une merde ».

Membres emblématiques de La Nouvelle Vague, après avoir fait les beaux jours desCahiers du Cinéma, Jean-Luc Godard, célèbre pour A Bout de Souffle, Le Mépris ou La Chinoise, et François Truffaut, réalisateur des 400 Coups  allaient éprouver un jour les affres de la rupture de leur si belle amitié. En 1973, une lettre d’insulte, faisant état de divergences irréconciliables, du gentil et doux François Truffaut sera le détonnant final de leur relation.

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Mai-juin 1973

Jean-Luc.

Pour ne pas t’obliger à lire cette lettre désagréable jusqu’au bout, je commence par l’essentiel : je n’entrerai pas en co-production dans ton film. Deuxièmement, je te retournerai ta lettre à Jean-Pierre Léaud : je l’ai lue et je la trouve dégueulasse. C’est à cause d’elle que je sens le moment venu de te dire, longuement, que selon moi tu te conduis comme une merde.

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DocLisboa 2013

DL13-cartaz-175x250A-AFA 11ª edição do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema vai exibir 244 filmes de 40 países, somando um total de 123 longas e 121 curtas-metragens.
Este ano, o festival conta com 46 filmes portugueses, 42 primeiras obras, 36 estreias mundiais, 5 internacionais e 1 europeia.

Um colectivo de realizadores anónimos sírios, os confrontos do verão passado no Egipto, os movimentos sociais na Turquia e no Brasil e a lei contra a propaganda gay na Rússia são algumas das realidades abordadas na secção que o Doclisboa estreou no ano passado.

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José e Pilar, um filme de Miguel Gonçalves Mendes

 Este filme acompanha o dia-a-dia do casal José Saramago e Pilar del Rio, mostrando-nos o processo criativo do livro a “A Viagem do Elefante”. Momentos do cotidiano, ponteados pelas reflexões de José Saramago, enquanto Pilar, como uma abelhinha, vai cuidando do dia-a-dia do casal, da agenda de Saramago e do próprio Saramago.

Existe uma forte união entre os dois, sem que um apague o outro. Disso mesmo nos dá conta o filme, mostrando Pilar nas suas próprias iniciativas, em diversas conferências e presenças na comunicação social.

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NY Portuguese Short Film Festival | May 31 and June 1, 2013 in New York and Lisbon

Logo_NYPSFF'13-228x228The NY Portuguese Short Film Festival – III Edition will take place on May 31 and June 1, 2013 in New York and Lisbon. On June 21 the Festival premieres in London. 

Venues and Schedules

New York – Tribeca Cinemas, May 31 and June 1, 7.30 pm – Get tickets!
Lisbon – Teatro do Bairro, May 31 and June 1, 10.30 pm

London – Dalston Roof Park, June 21, 9 pm
The NY Portuguese Short Film Festival in UK is a partnership between Arte Institute and The Portuguese Conspiracy (TPC).
Opening Doors: 7 pm
Portuguese wines, beers & TPC platters
Screening: 9.00 pm
Tickets: http://theportugueseconspiracy.com/
Official Selection 2013
May 31
“M” by Joana Bartolomeu
“The Buffalo Kid” by Pedro Marnoto Pereira
 “VIL” by António Pinhão Botelho
“System Failure” (Falha do Sistema) by José Miguel Moreira
“Forever” (Para Sempre) by Pedro Resende
June 1
“The Sun Always Rises on the Same Side” (O Sol Nasce Sempre do Mesmo Lado) by Nuno Matos
“Rhoma Acans – Gypsy Eyes” by Leonor Teles
“Entropy” (Entropia) by Renata Ramos
Playday (Dia de Jogo) by Victor Santos
“Here Rests My Home“ (Aqui Jaz A Minha Casa) by Rui Pilão
“The Lamp and the Fan” (O Candeeiro e a Ventoinha) by Filipe Fonseca
“Under” (Sob) by Nuno Prudêncio
Guest Short Film (May 31): “The World Falls Apart (And Still People Fall in Love)”
(O Mundo Cai aos Bocados (e ainda assim as pessoas apaixonam-se)) by Henrique Pina and Francisco Baptista.
NY Portuguese Short Film Festival – III Edition is made possible in part with public funds from the Fund for Creative Communities, supported by New York State Council on the Arts and administered by Lower Manhattan Cultural Council.
NY Portuguese Short Film Festival – III Edition is made possible in part with public funds from the Manhattan Community Arts Fund, supported by the New York City Department of Cultural Affairs in partnership with the City Council and administered by Lower Manhattan Cultural Council.
Camões – Instituto da Cooperação e da Língua supports the Festival.

Trailer de ”Melancolia” Legendado

Trailer legendado do filme ”Melancolia”, com Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg. Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skarsgård) estão celebrando seu casamento em uma festa suntuosa na casa de sua irmã (Charlotte Gainsbourg) e cunhado (Kiefer Sutherland). Enquanto isso, o planeta, Melancolia, está se dirigindo em direção à Terra. Direção de Lars Von Trier.

Com a devida vénia à Autora.

brumasdesintra

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No filme África Minha (uma jóia de Sydney Pollack), há uma parte em que MerylStreep, que encarna na tela a personagem da escritora dinamarquesa Karen Blixten, na sua angustiada aventura (no Quénia) com a plantação de café (criada pelo marido sem o seu consentimento) que, desde o início, tinha tudo para não ter um resultado brilhante, derivado à escassez de água na zona e à altitude em que fora plantado.Tentando salvar esse investimento onde fora aplicado todo o seu dinheiro, Karen faz de tudo o que humanamente é possível, pensando triunfar contrariando a Natureza. Com a ajuda dos muitos empregados da fazenda, consegue ter uma reserva -uma espécie de lago artificial- com água desviada de um rio próximo.

Durante uns tempos a plantação é regada e, no seu tempo, os bagos de café começam a formar-se. Tudo parecia correr bem até uma madrugada em que a reserva de água, desviada do seu curso se revolta e salta vencendo (sem esforço) a barreira de sacos, pedras e areia que a aprisionava. Todos lutavam para travar essa fúria da Natureza mas aí, completamente esgotada, Karem põe um pé sobre uma rocha e, encharcada, exausta, diz:

Chega. Parem. Não adianta

Derrotada, olha para a água rebelde que quebra todas as barreiras e, vitoriosa, sai (saudosa) ao encontro de um leito que lhe pertence.

Esta água nunca deixou de viver em Mombaça! (Maria Elvira Bento)

 

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Downton Abbey Power Rankings

Bluestockings Magazine

As the new Mad Men season aired last spring, Grantland writer Mark Lisanti wrote “Power Rankings” for each weekly episode, ranking the top ten most powerful characters that really held their own, characters that had the nerve do something bold and unprecedented. I set out to do the same with America’s new favorite period piece television obsession Downton Abbey, a Masterpiece Theater series created by Julian Fellowes. The series depicts the lives of the British aristocratic Crawley family and their servants at their country estate, Downton Abbey. Seasons one and two are set between April 1912 and December 1919, during which great world events shape the lives of the people at Downton and the British social hierarchy in general. These events include the sinking of the Titanic, WWI and the Spanish influenza epidemic.

The series begins with Lord Robert Crawley, head of the Downton estate, receiving news of the…

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Com a devida vénia ao autor.

Cidadania & Cultura

Clube do Filme - exemplos

O Clube do Filme (em inglês: The Film Club) é um livro do escritor canadense David Gilmour (homônimo do guitarrista do Pink Floyd), lançado em 2007, que trata da educação dada pelo próprio autor a seu filho adolescente, trocando a escola regular pelo compromisso de assistir três filmes por semana. Traduzido e lançado no Brasil em 2009 pela Editora Intrínseca, o livro foi o oitavo mais vendido no Brasil, naquele ano, na categoria “Não-ficção“, conforme levantamento da revista Veja.

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RAINER WERNER FASSBINDER

Com a devida vénia ao autor.

MASCARA DE CERA

capa-rainer-werner-fassbinder-o-mundo-no-arameMuito antes de “Matrix” ou “Avatar”, Rainer Werner Fassbinder apresentou esta história que nos remete para a possibilidade de realidades paralelas.
Depois da II Guerra Mundial, da ameaça nuclear e dos grandes avanços tecnológicos, o cinema, se já pensara a ideia de homem-máquina nos seus alvores (de Georges Méliès a Fritz Lang, que o fizera de forma sublime em “Metropolis”), após essa experiência limite do terror, volta a interrogar-se sobre as fronteiras do progresso e as suas implicações em filmes como “2001 – Odisseia no espaço” (Stanley Kubrick, 1968), “Laranja mecânica” (Stanley Kubrick, 1971), “Solaris” (Andrei Tarkovsky, 1972) ou “Blade runner” (Ridley Scott, 1982).

É neste plano que parece, em grande medida, enquadrar-se também “O mundo no arame”, longa metragem de 1973 de um dos grandes realizadores alemães do pós-guerra, Rainer Werner Fassbinder, a partir de agora disponível em dvd, na espantosa edição restaurada que já tinha iluminado as salas…

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Depardieu : “La Russie est une grande démocratie”

Dans une lettre aux médias russes, l’acteur fait une grande déclaration d’amour à son pays d’accueil.

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L’acteur français Gérard Depardieu a confirmé jeudi avoir fait une demande de passeport russe et s’est dit ravi qu’elle ait été acceptée par le président Vladimir Poutine, qui lui a accordé plus tôt dans la journée la citoyenneté, dans une lettre diffusée par une chaîne de télévision russe.

“Oui, j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée. J’adore votre pays, la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains”, a déclaré l’acteur de 64 ans dans cette lettre diffusée en français par la chaîne russe Pervyi Kanal.

Voici l’intégralité de la lettre de Gérard Depardieu : 

“Oui j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée.

J’adore votre pays la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains.

J’aime y faire des films où j’aime tourner avec vos acteurs comme Vladimir Mashkov.

J’adore votre culture, votre intelligence.

Mon père était un communiste de l’époque, il écoutait Radio Moscou ! C’est aussi cela, ma culture.

En Russie il y fait bon vivre. Pas forcément à Moscou qui est une mégapole trop grande pour moi.

Je préfère la campagne, et je connais des endroits merveilleux en Russie.

Par exemple, il y a un endroit que j’aime, où se trouve le Gosfilmofond, dirigé par mon ami Nikolai Borodachev.

Au bord des forêts de bouleaux, je m’y sens bien.

Et je vais apprendre le russe.

J’en ai même parlé à mon président, François Hollande. Je lui ai dit tout cela.

Il sait que j’aime beaucoup votre président Vladimir Poutine et que c’est réciproque.

Et je lui ai dit que la Russie était une grande démocratie, et que ce n’était pas un pays où un Premier ministre traitait un citoyen de minable.

J’aime bien la presse, mais c’est aussi très ennuyeux, car il y a trop souvent une pensée unique.

Par respect pour votre président, et pour votre grand pays, je n’ai donc rien à ajouter.

Si je veux ajouter encore sur la Russie, une prose qui me vient à l’esprit…

Que dans un pays aussi grand on n’est jamais seul,
Car chaque arbre, chaque paysage portent en nous un espoir.
Il n’y a pas de mesquinerie en Russie, il n’y a que des grands sentiments.
Et derrière ces sentiments beaucoup de pudeur.

Dans votre immensité, je ne me sens jamais seul,

Slova Rossii !!

Spasibo !”

 

FONTE:  http://www.lepoint.fr/societe/depardieu-je-vais-apprendre-le-russe-03-01-2013-1608322_23.php

Raging bull-Memorable movie moments

Raging bull remains a masterpiece of cinemotagraphy,style and acting. Director martin scorsese believed it to be his last film and so he spent overtime editing it and getting every minute right. It really shows.

In this memorable moment, Jake la motta is facing his long time rival Sugar ray robinson for the title. While he begins to fight well at first, troubles in his personal life begin to haunt him and he allows sugar ray robinson to pummel him with no regard for his health or his title. The most memorable parts of this moment is Jake defiance towards the end as he mocks sugar ray for not being able to knock him down, the short sharp shots that almost represent the different punches and the pace of the fight and the imagery as the blood pours from the ropes right at the end.

Special mention should also go to both robert de niro and joe pesci who gave amazing performances, especially de niro who put on vasts amounts of weight to become the older overweight la motta towards the end of the film.

Morreu Joaquim Benite (1943-2012) por Lauro António in Blog “Lauro António apresenta”

Morreu um amigo. Quando assim é, difícil se torna sequer falar. Fomos muito próximos durante muito tempo. Ambos críticos, eu de cinema, ele de teatro, no “Diário de Lisboa”. Lá pelos anos 60. Ambos apaixonados pelo que escrevíamos. Fizemos depois carreiras diversas, mas lado a lado. Ambos apaixonados pelo que fazíamos. Acompanhei a sua actividade sempre com redobrado interesse, pela qualidade das suas propostas, mas também com o olhar de amigo que gosta de ver o amigo afirmar-se por mérito próprio. Sei que ele me seguia com igual emoção. A emoção que nos unia quando nos encontrávamos, aqui e ali, no Famafest que eu dirigia em Famalicão, onde fez parte do Júri Internacional em 2010, ano em que foi igualmente homenageado, no Teatro Municipal de Almada que dirigia e onde encenava espectáculos que ficarão na nossa recordação, no Festival que superiormente dirigia, um dos melhores da Europa no campo do teatro. Benite partiu mas o seu trabalho, consistente e coerente, a sua alegria de viver, o seu forte abraço, esses ficarão, triste consolação numa carreira brilhante que se finou. Que o exemplo não se cale. Por isso aqui fica um abraço para a Teresa, os filhos e também para o Rodrigo, seu assistente durante anos.
Perguntaram-lhe se achava que ficaria na História. Respondeu: “Os encenadores nunca ficam na história. Só os escritores, como o Shakespeare. Sabe, acho que vale a pena viver para nos divertirmos. Lutar por coisas, para cumprir missões, não. O teatro é um sinal de civilização que está na origem da sociedade. Até nos animais. Quando chego a casa, o meu cão faz uma dança que parece egípcia, pá. São rituais de representação. Mas o teatro não tem missão nenhuma. É uma coisa que as pessoas fazem porque gostam e as outras vêem porque lhes dá prazer”.
É tudo verdade. Mas ficarás na História, claro!

Nota do Teatro Municipal de Almada:

O encenador Joaquim Benite, director do Teatro Municipal de Almada e do Festival de Almada, faleceu esta noite, na sequência de complicações respiratórias motivadas por uma pneumonia. O fundador da Companhia de Teatro de Almada preparava a estreia absoluta em Portugal de Timão de Atenas, de Shakespeare, que representaria o seu regresso à actividade após um período de ausência dos palcos por motivo de doença. O País perde assim um dos seus mais prestigiados encenadores, ligado ao movimento de renovação do Teatro português no período que antecedeu e que se seguiu à Revolução de 1974.
Joaquim Benite nasceu em Lisboa em 1943. Começou a trabalhar como jornalista, aos 20 anos, no jornal República. Posteriormente fez parte da redacção do Diário de Lisboa e foi chefe de redacção dos jornais O séculoO diário. Foi crítico de teatro no Diário de Lisboa e em diversas revistas e publicações.
Em 1971 fundou o Grupo de Campolide e estreou-se na encenação com O avançado centro morreu ao amanhecer, de Agustin Cuzzani. Com a peça Aventuras do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança, de António José da Silva, ganhou, no ano seguinte, o Prémio da Crítica para o melhor espectáculo de teatro amador.
Em 1976, no Teatro da Trindade, transformou o Grupo de Campolide em companhia profissional. Em 1978 asua companhia instala-se em Almada, cidade de onde não mais sairia, e que transformou num dos principais focos teatrais do País, cujo expoente máximo será porventura o Festival de Almada, criado em 1984, e que em 2013 terá a sua 30ª edição. Em 1988, Joaquim Benite inaugura o primeiro Teatro Municipal dessa cidade, e em 2005 é finalmente concluído o projecto do novo Teatro Municipal de Almada — num edifício da autoria de Manuel Graça Diase Egas José Vieira —, que se tornou num dos principais teatros do País.
Tendo criado mais de uma centena de espectáculos, Joaquim Benite foi responsável pela estreia em teatro de José Saramago, de quem dirigiu A noite (1979) e Que farei com este livro? (1980 e 2007). Encenou ainda obras de Shakespeare, Molière, Brecht, Lorca, Bulgakov, Camus, Adamov, Gogol, Beckett, Albee, Neruda, Thomas Bernhard, Sanchis Sinisterra, Antonio Skármeta, Pushkin, Peter Schaffer, Marguerite Duras, Dias Gomes, Nick Dear, O’Neill, Marivaux, Feydeau, Almeida Garrett, Gil Vicente, Raul Brandão, entre muitos outros.
Entre os seus últimos trabalhos contam-se: Que farei com este livro, de José Saramago(2007); as óperas A clemência de Tito, de Mozart (2008), O doido e a morte(2008) e A rainha louca (2011), de Alexandre Delgado; O presidente, de Thomas Bernhard (2008);Timon de Atenas, de Shakespeare (Festival de Mérida, 2008); A mãe, de Brecht (2010); Tuning, de Rodrigo Francisco (2010); Troilo e Créssida, de Shakespeare (2010); e Hughie e Antes do pequeno-almoço, de Eugene O’Neill (2010).
Entre os numerosos prémios e distinções com que foi distinguido, Joaquim Benite foi agraciado com as Medalhas de Ouro dos Municípios de Almada e da Amadora, e as Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura e Mérito Distrital do Governo Civil de Setúbal. Foi-lhe também atribuído o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique; os graus de Cavaleiro e Oficial da Ordem das Artes e das Letras de França; e o grau de Comendador da Ordem do Mérito Civil de Espanha.
FONTE:  http://lauroantonioapresenta.blogspot.pt/2012/12/morreu-joaquim-benite-1943-2012-morreu.htmlJoaquim benite