Ucrânia : a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (3) A guerra Rússia / EUA começou em 2012 ? O “caso” BRICS! | por Joffre Justino

Amigos meus a maioria das lusas Esquerdas a maioria no campo da família PS e BE defendem a toda a força que sou putinista ( enfim pior que russofilo pior que sovietista) e tudo porque me preocupo em perceber este cenário de “estupida guerra” russo-ucraniana e tirar ilações sobre a mesma

Na realidade há que ver a realidade como ela é e não com rosáceos óculos de ideologias manipuladas como os papparazianos nos impingem nos media ditos “ocidentais”

Vivemos até 24 de fevereiro uma globalização selvática e não democrática mas que permitiu abrir mentes ao outro via o turismo que nos ligou num processo que integrou  biliões de Pessoas algo nunca visto

Não sou putinista nem russofilo mas também não sou ucranianista e garantidamente não tenho qualquer simpatia por Biden Stoltenberg Leyden ou Scholtz mas o mesmo já não digo de Macron e dos que se esforçam por travar a expansão da guerra

Entretanto tenho acompanhado a lenta evolução para a redução do papel do Império único ( à Roma) estadunidense e do dólar que se pode dizer ter surgido em força com o nascimento do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics que pretende a  multipolarização financeira global

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Fundo de Reserva (FR) criado pelo grupo de países que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia, a RPChina e a África do Sul (BRICS), aparecem aquando da realização do Sétima Reunião de Cimeira  do G20, em Los Cabos no México, em 2012, com a aquiescência de cinco chefes de governos dos países acima que, fora da cimeira  do G20, debateram a viabilidade de criação do NBD e do FR do BRICS), para juntos poderem atuar de forma coordenada na criação do NBD.

Foi o agravamento das crises então vividas e do fracasso das poucas  medidas face à globalização selvática e da dificuldade no acesso a fontes de financiamento internacional para o incentivar do desenvolvimento económico e social, no período de recessão que todos vivemos  a par da imposição  e das divergências surgidas na adoção de políticas neoliberais, via as instituições financeiras pro estadunidenses, levando a  prejuízos económicos globais e agravando as desigualdades impondo  elevados custos sociais que encaminharam os BRICS para esta solução que fez renascer a perspetiva de um Não Alinhamento vivido no pós II Guerra Mundial

Desta forma e com uma análise técnica minuciosa sobre as possibilidades reais de criação do NBD, ficou acordado na cimeira dos BRICS, realizada em Durban, na África do Sul, em 27 de março de 2013, que se criava o NBD

E foi no primeiro dia da Sexta Cimeira  dos BRICS, em Fortaleza, a 15 e 16 de Julho de 2014,  que nasce o NBD constituído com um investimento inicial de 50 biliões de dólares e sede permanente em Shangai , o  centro financeiro mais importante da RPChina.

O NBD pretendia  a promoção de projetos de investimento de capital, capazes de gerar o desenvolvimento social sustentável e a expansão económica global nos variados setores produtivos e a PR do Brasil, Dilma Rousseff, a  15 de julho de 2014, após a sessão plenária da Sexta Cimeira  do BRICS, explicou o modelo   rotativo a cada cinco anos dos cargos e a organização de três importantes funções administrativas no NBD: a primeira, a presidência do banco, será encabeçada inicialmente por um representante da Índia; a segunda, a presidência do conselho de administração ficará sob a responsabilidade de um representante do Brasil; a terceira, a presidência do conselho de governadores, formado por ministros dos cinco países do BRICS, ficará a cargo de um representante indicado pela Rússia com o Centro Regional Africano do banco ou o escritório regional do NBD, a ficar na África do Sul, seguindo o princípio da rotatividade de cinco anos e, depois de transcorridos esse tempo, passará a estar localizado no Brasil

… daí o golpe de Cunha e Temer sob a alçada idiota da CPLP contra Dilma e depois com a ilegal e imoral prisão de Lula?

Curiosamente já foi dito e escrito que este processo lançado pela RPChina e Rússia que conduz à  desdolarização no comércio multilateral,só  beneficia o euro mas com estas venais e ou frágeis lideranças como temos visto um que se dane o euro  trocado de olhos fechados pela estadunidense NATO

Mas relevemos que a diplomacia da RPChina  e o Banco Central da Rússia já mostraram que “a participação do yuan no comércio bilateral entre a China e a Rússia passou de 3,1% em 2014 para 17,5% em 2020” um sinal claro do fim de festa imperial estadunidense

De qualquer forma a moeda dominante será  ainda o dólar, mas com os BRICS a quererem  adotar uma cesta de moedas regionais para intensificar o intercâmbio comercial e financeiro e esse surgimento de uma cesta de moedas tenderá a ser o ensaio de um processo de desdolarização da economia global  e o processo de construção de um novo modelo monetário com maior representação e gerando uma outra via na globalização

Perante tal a criação do NBD, uma alternativa à governança financeira do FMI e do Banco Mundial, teve desde o início  a resistência dos EUA, que habituado à  sua hegemonia, desde  a II Guerra Mundial,teme a perda de poder  do seu dólar.

mais de 50 governos que pretende  a abertura de mercados internacionais, no nicho do setor de serviços como a água e alimentação, a saúde, a educação, as comunicações, os transportes, as telecomunicações, o comércio electrónico, os serviços financeiros, etc., e assim  conseguir uma maximização sem restrições de lucros para as grandes corporações multinacionais.

Note-se que este TISA enquadra  vários tratados comerciais em negociação nos quais um grupo de países liderados pelos EUA que procura consolidar o mercado das suas empresas e a sua esfera de poder comercial, financeiro e político.

Nesse enquadramento os mais significativos são o Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio e o Investimento (TTIP) e o Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Económica (TPP) com o primeiro entre os EUA e a UE  alcunhado de NATO económica e o segundo é entre os Estados Unidos e vários países do Pacífico na linha da concorrência direta geo estratégica coma RPChina

O mais significativo é o TISA, com 50 países, entre os quais EUA o Canadá a UE, a Austrália, o Japão, entre outros países asiáticos, e vários latino-americanos como a Colômbia, a Costa Rica, o México, o Panamá, o Peru, o Paraguai e o Uruguai, 68% do comércio de serviços a nível global sendo de realçar a exclusão de países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apesar da  RPChina tenha pedido, sem sucesso, para se incorporar no TISA, enfim à vista a intenção de concorrência económica com os BRICS  e outros do Pacífico liderados pela China.

Do outro lado do lado russo chinês um dirigente deste ultimo país  Zhang Hanhui, afirmou que “… o uso do yuan tem suas vantagens e ajuda a promover um caminho de diversificação no sistema de pagamentos internacionais, revelando uma verdadeira sinergia entre a Rússia e a China” e que “o aumento do comércio entre os dois países em moedas nacionais representa um dos principais pilares da cooperação financeira bilateral e contribui para a construção de um sistema monetário internacional mais flexível e resiliente”.

A RPChina não perde nunca há anos uma oportunidade para reafirmar a sua estreita aliança geopolítica com Moscovo “a China considera a Rússia um parceiro prioritário e está pronta para cooperar com ela, para aumentar ainda mais a participação das trocas em moeda nacional” e os dados publicados pelo Banco Central da Rússia também corroboram as afirmações da diplomacia chinesa já que esta principal instituição financeira da Federação russa afirma “a participação do comércio entre a China e a Rússia trocada em euros aumentou de 0,7% em 2018 para 37,6% no primeiro trimestre de 2019. Por fim, o estoque de pagamentos chineses em rublos, mesmo se significativamente menor, atingiu 9,6% no primeiro trimestre de 2019, ante 6,8% em 2018. Essa tendência acompanha um enfraquecimento gradual do dólar no comércio bilateral, com a participação do dólar caindo de 97,1% em 2014, para 45,7% no início de 2019”, relata o Banco Central da Rússia e o ministro russo, Lavrov, durante uma visita  a Pequim, declarou ao Tass: “Precisamos trabalhar para uma espécie de independência dos sistemas de pagamentos ocidentais, para reduzir inclusive o risco de sanções econômicas, pela diminuição do uso do dólar, que ao manter seu domínio, retarda o desenvolvimento de outros países”.

Já a construção do Fundo de Reservas (FR) dos BRICS pretende  criar uma rede de proteção mutua e um acordo para o estabelecimento de um Arranjo de Contingente de Reservas (Contingency Reserve Arrangement), para combater o risco da volatilidade das finanças internacionais

Esta rede de proteção foi estimada em 100 bilhões dólares, com 41 bilhões oriundos da China, 18 bilhões pelo Brasil, Rússia e Índia e 5 bilhões pela África do Sul pelo que a RPChina, com 61% do PIB nominal e 45% da população do BRICS terá  um papel dominante  na manutenção das reservas da rede de proteção dos BRICS.

O Fundo de Reservas dos BRICS é um acordo intergovernamental, e não uma instituição como o NBD, pois as reservas permanecem sob administração e controle dos bancos centrais dos países signatários e estas só poderão ser desembolsadas em ambientes  de extrema necessidade, de acordo com procedimentos a serem estabelecidos, como nos casos de agravamento de uma crise financeira que possa pôr em risco a estabilidade económica de um dos países membros, principalmente quando esses países passam por problemas de endividamento e agravamento no balanço comercial pelo que cedo veremos a Federação Russa a ir ao FR dada a guerra na Ucrânia e ao isolamento global em que se meteu

Este FR dos BRICS mostra  a necessidade de criar mecanismos de regulação financeira para criar  um ambiente mais equilibrado para a governança financeira, para pôr em causa o  clima de instabilidade que tem afetado as diferentes esferas da economia global e representa uma iniciativa complementar para a construção de uma rede de segurança financeira adicional aos arranjos financeiros multilaterais, essencial para  períodos de crise e de instabilidade financeira.

A criação do FR dos BRICS é pois uma iniciativa de caráter político, com um forte significado técnico, económico e financeiro, não sendo um elemento substitutivo dos mecanismos de regulação financeira existentes, pois  os BRICS são membros do FMI, do Banco Mundial e do G20 sendo natural que o FR dos BRICS venha à cooperar com FMI ou com Banco Mundial.

A não ser claro que esta guerra seja transportada para o campo financeiro como tudo parece indicar…

Escreve para Joffre Antonio Justino

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