CIMEIRA DOS BRICS em Nova Deli

O BRICS encerrou sua cúpula em Nova Déli com uma mensagem que Washington certamente não ignora: os países do bloco decidiram aprofundar o uso de moedas locais no comércio e nos investimentos e avançar na integração dos seus sistemas de pagamentos. 

A declaração aprovada pelos líderes não anunciou uma moeda comum do BRICS. A estratégia escolhida foi outra, mais gradual e talvez mais difícil de combater: fazer com que Brasil, China, Rússia, Índia e os demais integrantes consigam negociar cada vez mais entre si sem precisar recorrer ao dólar em todas as operações. O documento fala em interoperabilidade dos sistemas de pagamentos e em liquidação de comércio e investimentos usando moedas locais. 

E aqui está o ponto mais importante: o BRICS não precisa criar uma nova moeda amanhã para reduzir o espaço ocupado pelo dólar. Se os países ampliarem o comércio em reais, yuans, rublos, rúpias e outras moedas nacionais, criando mecanismos próprios para realizar esses pagamentos, a dependência da moeda norte-americana pode ser reduzida operação por operação.

O dólar não foi derrubado em Nova Déli. Mas o BRICS deixou claro que não pretende continuar dependendo dele da mesma maneira. E essa mudança, silenciosa e gradual, pode ser muito mais relevante do que uma manchete anunciando uma moeda nova.

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