Moz na Diáspora | DOMINAÇÃO E CONTRADOMINAÇÃO

Vladimir Putin ocupa hoje um papel que muita gente não gosta de admitir, mas sente na prática: o de freio da ordem imperial. Não porque seja um santo, nem porque aja por altruísmo puro, mas porque, no tabuleiro real do poder global, alguém precisa dizer “não” quando o império decide avançar sem limite. E, gostem ou não, esse alguém tem sido Putin.

Desde o fim da Guerra Fria, o mundo foi empurrado para uma lógica de obediência. Países inteiros passaram a viver sob vigilância, pressão econômica, sanções seletivas, espionagem política e chantagem financeira. A regra era simples: ou você se alinha, ou vira alvo. O problema é que essa lógica só funciona quando ninguém reage. Putin reagiu. E, ao reagir, mudou o jogo.

Não é exagero dizer que muitos países só conseguiram manter um mínimo de soberania porque existe hoje um polo de poder que confronta diretamente as ordens imperiais. Sem essa resistência, intervenções “humanitárias” virariam rotina, governos seriam derrubados por conveniência estratégica e recursos naturais continuariam sendo sugados sob o discurso da democracia seletiva. A tranquilidade global, paradoxalmente, passou dUE depender do equilíbrio do medo, não da boa vontade.

A DOMINAÇÃO

Putin não controla o mundo. Mas impede que ele seja controlado por um só centro. E isso, no cenário atual, faz dele uma figura central da ordem global, não como árbitro moral, mas como contrapeso real. Quando existe alguém capaz de impor custo às aventuras imperiais, a escalada desacelera. Não por ética, mas por cálculo.

É por isso que ele incomoda tanto. Não porque seja imprevisível, mas porque limita. Limita a espionagem desenfreada, limita a expansão automática, limita a ideia de que alguns países nasceram para mandar e outros para obedecer. Sem esse limite, a “ordem internacional” seria apenas um nome elegante para dominação permanente.

No fim, a pergunta não é se Putin é o herói do planeta. Ele não é. A pergunta é outra, bem mais desconfortável: quem estaria no lugar dele se ele não existisse? Porque a história recente mostra que, quando ninguém freia o império, o mundo não fica mais seguro.

Fica apenas mais silencioso… até explodir.

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