A última grande tertúlia de Lisboa – que marcou culturalmente, politicamente várias décadas portuguesas – teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projectado por Natália Correia.
Nele fizeram-se, desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram presidentes da República, governantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem, de desmesura.
A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como num iate de luxo, navegava-se delirantemente (é uma viagem assim que neste livro se propõe) em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar.
O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado – nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós.
Fernando Dacosta
Ficcionista e autor dramático, formado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, exerceu a actividade profissional de jornalista, na sequência da qual publicou os trabalhos de investigação jornalística Os Retornados Estão a Mudar Portugal (Grande Prémio de Reportagem do Clube Português de Imprensa) e Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo (Prémios Gazeta e Fernando Pessoa). Estreou-se como dramaturgo com Um Jipe em Segunda Mão , peça que, tendo por tema as sequelas da guerra colonial portuguesa, foi distinguida com o Grande Prémio de Teatro da RTP, e editada, em 1983, com o monólogo dramático A Súplica e o diálogo Um Suicídio Sem Importância, volumes a que se seguiriam os trabalhos teatrais Sequestraram o Senhor Presidente (1983) e A Nave Adormecida (1988). Tentado pela maior liberdade de tratamento do espaço e do tempo no registo novelístico, com O Viúvo (Grande Prémio da Literatura do Círculo de Leitores) e Os Infiéis , afirmou-se no domínio da ficção com uma escrita instituída como indagação obsessiva sobre uma portugalidade entrevista num passado recente (O Viúvo ) ou no período dos Descobrimentos (Os Infiéis), e estabelecendo nexos de intertextualidade com outros autores de língua portuguesa que integram ou reflectiram sobre a mitologia do ser português, como Agostinho da Silva, Jaime Cortesão, Antero, Pascoaes, Oliveira Martins, Camões ou Pessoa.
Quais são as partículas elementares da matéria? O que é um bosão? Porque é o de Higgs foi batizado como “partícula de Deus”? Estas são algumas das perguntas a que o físico Carlos Fiolhais responde, a propósito do bosão de Higgs.
António Piedade (AP) – Quais são hoje as partículas elementares da matéria, 100 anos depois do modelo de Rutherford para um átomo, com protões e neutrões num núcleo orbitado por eletrões?
Carlos Fiolhais (CF) – As partículas elementares de matéria são os quarks (que formam os protões e neutrões do núcleo atómico), os eletrões e os neutrinos.
AP – Então o que são bosões?
CF – Bosões são as partículas de campo ou de energia, que asseguram as forças ou interações. As partículas elementares de matéria (quarks, electrões e neutrinos) são, por seu lado, fermiões. Podemos dizer que os fermiões se relacionam graças à troca de bosões: como dois cães que se mantêm unidos porque vão trocando um osso.
De outra forma, bosões são partículas que podem ocupar o mesmo estado de energia, ao contrário dos fermiões, que não podem.
O nome homenageia Bose, um físico indiano que escreveu a Einstein e que Einstein apoiou.
Simulação da colisão entre dois protões na CMS no CERN
Um condensado de bosões é um aglomerado de bosões no mesmo estado. Não há condensados de fermiões, a não ser que estes se associem para formar bosões (é o que acontece, por exemplo, com os eletrões na supercondutividade).
AP – E o que é o bosão de Higgs?
CF – Uma partícula de campo ou de energia, que contrasta com uma partícula de matéria. Foi proposta nos anos 60 por Higgs e outros como unidade (grão ou /quantum) de um campo, o campo de Higgs, necessário para dar massa às partículas de matéria.
Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo – um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade. A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança – e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças – se é que existem – entre o teatro e a vida real.
A autora
Ana Cristina Silva é docente universitária no ISPA-IU. Doutorada em Psicologia da Educação, especializou-se na área da aprendizagem da leitura e da escrita, desenvolvendo investigação neste domínio com obra científica publicada em Portugal e no estrangeiro. Publicou até ao momento sete romances, Mariana, todas as Cartas (2002), A Mulher Transparente (2003), Bela (2005), À Meia Luz (2006), As Fogueiras da Inquisição (2008), A Dama Negra da Ilha dos Escravos (2009) e Crónica do Rei-Poeta Al- Um’Tamid (2010), Cartas Vermelhas (2011, seleccionado como Livro do Ano pelo jornal Expresso e finalista do Prémio Literário Fernando Namora) e O Rei de Monte Brasil (2012, finalista do Prémio SPA/RTP).
Se todos os tontos escrevessem um diário o mundo seria um local mais tranquilo. Não cederia a essa ilusão. Vou só falar do colega reformado com um problema de crédito, o gerente bancário que procurava interferir no processo, as escapadelas no Calçadas e a mulher que desliza em proposta de fim de tarde, tão perturbadora como o próprio pecado. E da minha ambição única de aprender a recitar o rosário.
“Não conhecemos outro romance publicado nos anos mais recentes que descreva ficcionalmente de um modo tão perfeito a radicalidade e banalidade do mal como A Desilusão de Judas, primeiro livro de António Ganhão.” Miguel Real, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Janeiro de 2012
“A Desilusão de Judas de António Ganhão é uma narrativa que funde esferas de naturezas diferentes e que propõe uma verosimilhança bastante assertiva. Conta a história, aparentemente pouco portuguesa, de um serial killer que age com motivações tão inesperadas quanto sigilosas.” do posfácio de Luís Carmelo.
Tudo começou com uma campanha de marketing da marca de preservativos brasileira Olla , que sugeria a implementação do Dia Mundial do Sexo a 6 de setembro de 2008. O dia, que remete para um trocadilho entre o dia 6 e o mês 9, é agora um sucesso que não cai em esquecimento e, pela Internet, corre mesmo um “Manifesto Pelo Dia do Sexo”, que não é ainda oficialmente previsto na constituição brasileira.
Há, nisto tudo, um cinismo obsceno. A opinião pública ocidental borrifa-se para que populações inteiras, sobretudo em África, sejam dizimadas pela fome, tortura, execuções sumárias e êxodo forçado. O fantasma das armas químicas acorda as boas consciências porque a sua volatilidade é uma ameaça real. O destino dos sírios não entra nestes cálculos.
“A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país. É esse o nosso problema.”
Estava a ocorrer-me um excerto de um livro carregado de humor onde é muito evidente a corrupção ao mais alto e ao mais baixo nível. Há uma cadeira de rodas da ajuda humanitária usurpada por um dos personagens que a aluga a outros que queiram dar umas voltinhas. E há o tráfico de armas conectado com os administradores, que são brancos e portugueses. A corrupção grassa no país de alto a baixo?
Não de maneira diferente que grassa noutros casos. É mais descarada. Tal e qual como a escravatura ou a colonização, a corrupção é a continuação de uma relação que tem sempre dois lados. Não há os corruptos de um lado e os honestos do outro. A escravatura foi feita com cumplicidades internas. Havia elites africanas que enriqueceram muito. Esta leitura da história que hoje há é muito simplista. Como há um certo sentimento de culpa dos europeus, ela passa bem. Mas deve ser interrogada, porque criou da parte dos africanos o discurso vitimista, de ser preciso fazer valer na Europa aquilo que perdemos durante séculos.
uma padaria barata 1kg de pão francês (o pão mais popular) custa entre 7 e 15 reais (entre 2,25€ e 4,84€). O casamento de uma noiva da classe alta carioca pode custar entre 1 e 2 milhões de reais (entre 323.000€ e 646.000€), sobretudo se no banquete for servida alface orgânica (1kg custa 300 reais ou 97 €); e um vestido de noiva que se preze fica acima de 20.000 reais (6.500€). O salário mínimo no Brasil este ano é de 678 reais (219€). O salário base de um deputado federal é de R$ 26.723 (8.600€). A percentagem do orçamento federal na educação é 6,1% do PIB. Há 3073 livrarias no Brasil. O crescimento médio do Brasil nos últimos três anos foi 3,7%, o PIB per capita 9.049€, a inflação dos últimos três anos foi de 5,5%. Só em 2011 um actor negro – Lázaro Ramos – protagonizou pela primeira vez uma novela das 8h da Globo, “Insensato Coração”.
A Síria é hoje o terreno mais minado para a manipulação dos factos. Regime e oposição (oposições), aliados e inimigos, participam interesseiramente numa campanha de desinformação destinada a justificar e permitir acções favoráveis a um ou outro lado.
Bashar al-Assad é um ditador cruel e assassino. Se precisar de utilizar, em desespero de causa, armas químicas, utiliza sem hesitações. Os grupos de oposição a Assad são cruéis e assassinos. Se precisarem de provocar um ataque químico (eles têm armas químicas) para instigar uma intervenção internacional, num momento em que militarmente estão quase derrotados, utilizarão as armas sem qualquer hesitação. Se tivessem armas nucleares também as usariam.
Alfredo Barroso é uma cara conhecida dos portugueses pela sua participação regular em diversos programas de análise politica na televisão. Foi durante alguns anos um dos principais estrategas e ideólogos da corrente socialista apelidada soarista, pelo que é um homem com profundo conhecimento dos meandros e teorias politicas. A Crise da Esquerda Europeia é bem mais do que uma cuidada análise sobre as causas que levaram ao declínio dos partidos socialistas como solução governativa, este livro é um texto político que apela a novas soluções, como o abandono da terceira via, e traz a discussão do futuro do socialismo para a praça pública. A Crise da Esquerda Europeia é uma tomada de posição, é um manifesto, é a base de grande parte da discussão do próximo congresso do PS e da Internacional Socialista.
A mentira e a ignorância estão cada vez mais presentes nos ataques às funções sociais do Estado pelos comentadores com acesso privilegiado aos media. É mais um exemplo concreto do pensamento único sem contraditório atualmente dominante nos grandes órgãos de comunicação social. Quem oiça esses comentadores habituais que muitas vezes revelam que não estudaram minimamente aquilo de que falam, poderá ficar com a ideia de que Portugal é um país diferente dos outros países da União Europeia onde o “Estado Social” é insustentável e está próximo da falência por ter garantido aos portugueses uma saúde, uma educação e uma proteção que inclui o sistema de pensões, mais “generosos” do que a dos outros países e que, por isso, é insustentável.
Um dos arautos mais conhecidos dessa tese, não porque seja um estudioso credível mas sim porque tem tido acesso fácil aos media, é Medina Carreira com as suas diatribes periódicas contra o “Estado Social”. Mas antes de confrontarmos o que dizem estes comentadores com os próprios dados oficiais, divulgados até recentemente pelo Eurostat, para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões, interessa desconstruir uma outra grande mentira que tem sido sistematicamente repetida em muitos órgãos de comunicação social sem contraditório o que tem determinado que ela passe, a nível de opinião pública, como verdadeira.
Qualquer homem que tenha poder, tende a abusar do poder que tem. Vai sempre até onde encontra limites. Por isso é que, para cada poder tem de haver um contrapoder. Logo, a cada faculdade de estatuir deve existir um poder de veto. Só pode haver pesos se, ao mesmo tempo, houver uma adequada engenharia de contrapesos. É uma velha ideia que, felizmente, tem diminuído o absolutismo. Porque o problema da democracia não está em sabermos quem manda, mas em como se controla o poder dos que mandam…
Livro recomendado pelo PNL – Plano Nacional de Leitura (para apoio a projetos relacionados com Cidadania para os 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade).
Sinopse:
Esta é a história de uma eleição, na cidade de Cata-vento, em que o vencedor é um cidadão muito especial: o Bicho de sete cabeças. Cada uma das suas cabeças representa uma qualidade indispensável para bem governar Cata-vento, mas na hora da coroação surge um problema, porque só existe uma coroa. Qual das cabeças será a mais importante? Da dúvida surgirá um resultado bem curioso e quem fica a ganhar nesse dia é toda a cidade, porque soube analisar, em conjunto, o problema e encontrar solução para ele.
Através de uma história simples, magistralmente ilustrada por Sandra Serra, este livro leva o leitor a desenvolver a sua capacidade crítica sobre um tema que interessa a todos: a educação para a cidadania.
Conforme afirma Eduardo Marçal Grilo, no Posfácio ao livro, “Esta história (…) é uma dessas que nos encanta e que ainda nos ensina como é importante ser bom, justo, humilde, determinado, honrado, sabedor e imparcial”.
Casas Pardas cartografa Lisboa no final dos anos sessenta, em plena agonia do regime salazarista: crise política e social, rumores das guerras coloniais e dos tumultos estudantis. O Portugal pardacento à espera do terramoto que virá em 1974, enquanto se escreve o caos afetivo em comunidade, por dentro das casas do amor e desamor de Elisa, Mary, Elvira e companhia. Mas Casas Pardas é acima de tudo a casa da língua portuguesa e dos seus vários linguajares, aqui em jubiloso processo de miscigenação com outras falas do mundo, através do grande virtuosismo da escrita de Maria Velho da Costa.
Deste romance fala-nos também Mário de Carvalho: «Casas Pardas é um maravilhoso torvelinho de linguagens, uma evocação concreta e exata de comportamentos sociais de várias classes no final do fascismo, uma revisitação dos lugares da literatura e da poesia (também nas suas vertentes populares), uma polifonia de falas genialmente captadas, uma subversão endiabrada dos processos narrativos e uma prática de jogos de linguagem que lembram o barroco, mas também os grandes efabuladores do século XVIII, como Fielding ou Sterne. A ironia e a réplica acerada pairam em todo o romance, repartido em várias “casas”, pluralidade de focos que centram uma escrita em que passado e presente, a concretude do quotidiano mais trivial, mas também a citação literária de vários graus, ou mesmo a toada infantil, a reflexão às vezes iluminada, de envolto com o paradoxo e a paródia, nos desafiam página a página.»
Casas Pardas esteve recentemente em cena no Teatro Nacional de São João, no Porto, com adaptação e dramaturgia de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas.
Prémio Camões 2002, Maria Velho da Costa (n. 1938) é licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa. Foi leitora do King’s College em Londres, presidente da Associação Portuguesa de Escritores e adida cultural em Cabo Verde. Ficcionista, ensaísta e dramaturga é co-autora com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta de Novas Cartas Portuguesas. A sua escrita
situa-se numa linha de experimentalismo linguístico que viria a renovar a literatura portuguesa nos anos 60 e, como afirmou Eduardo Lourenço, é «de um virtuosismo sem exemplo entre nós».
Publishers, booksellers, and other booklovers have all mixed books with adult beverages at one time or another. One Twin Cities entrepreneur, however, has brewed a potent concoction with the tagline, “Reinventing the Book Club – as a Show,” that’s creating a sustained buzz. Books & Bars, which entered its 10th year this month, is a monthly public book club during which anywhere between 12-200+ participants — 60%-65% female/35%-40% male (depending upon the book being discussed), many of them in that elusive 20-40-year-old age range — eat, drink, and talk about books for 90 minutes while moderator, Jeff Kamin, 42, who performed improv comedy in Los Angeles clubs for four years before moving to Minnesota in 2001, both leads the discussion and entertains the crowd. It’s a heady mixture of intelligent conversation, juicy author and book gossip, and clever witticisms.
Em 25 anos de integração europeia, a fatia média do orçamento familiar dedicada aos tempos livres subiu de 5% para 7%. Ler um livro é atividade pouco praticada por cá, em comparação com outros povos europeus.
Cultura e lazer não são propriamente prioridades para os portugueses. A conclusão é do estudo “25 anos de Portugal Europeu”, coordenado por Augusto Mateus a pedido da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Una mujer publicó un mensaje en el portal financiero de un diario de los Estados Unidos pidiendo consejos sobre la manera idónea de encontrar un marido millonario. Si la situación ya de por si es de risa, lo mejor fue la respuesta que recibió de un hombre que asegura que tiene mucho dinero. Gracias Aleks por el aporte.
Mensaje que escribió la mujer:
”Soy una chica hermosa (yo diría que muy hermosa) de 25 años, bien formada y tengo clase. Quiero casarme con alguien que gane como mínimo medio millón de dólares al año.
¿Tienen en este portal algún hombre que gane 500.000 dólares o más? Quizás las esposas de los que ganen eso me puedan dar algunos consejos.
Estuve de novia con hombres que ganan de 200 a 250 mil, pero no puedo pasar de eso, y 250 mil no me van a hacer vivir en el Central Park West.
Conozco a una mujer, de mi clase de yoga, que se casó con un banquero y vive en Tribeca, y ella no es tan bonita como yo, ni es inteligente.
Entonces, ¿qué es lo que ella hizo y yo no hice? ¿Cómo puedo llegar al nivel de ella?
Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D.Pedro a criar o Brasil – um pais que tinha tudo para dar errado.
Um livro que desvenda os acontecimentos históricos com uma metodologia sem falhar e que se lê com um sorriso nos lábios. O livro 1822 pretende mostrar que país era este que a corte de D. João deixava para trás ao retornar a Lisboa, em 1821. Vai falar do Grito do Ipiranga, das enormes dificuldades do Primeiro Reinado, da abdicação de D. Pedro, em 1831, sua volta a Portugal para enfrentar o irmão, D. Miguel, que havia usurpado o trono, e a morte em 1834.
A “Festa do Teatro” é um momento cultural de relevo na cidade de Setúbal, proporcionando ao público autóctone e aos visitantes momentos de verdadeiro divertimento, de enriquecimento cultural e de crescimento intelectual, em que o teatro assume o papel de dinamizador de redes de difusão, permitindo a interligação de experiências e a movimentação de espectáculos de carácter profissional.
A festa do Teatro tem como objectivo reunir públicos e artistas em torno de diferentes abordagens, artísticas, cénicas e pluridisciplinares, mundos e criações diferentes através da forma de expressão teatral que não estagnam, que vivem na incessante sede da imaginação. Sempre na tentativa de criar novas formas de potenciar a criação, reflectir sobre o que é feito e visões de novos caminhos a trilhar. Como dizia Raul Brandão: “Nós não somos inutilidades num mundo feito, mas os obreiros de um mundo a fazer.”
Num mundo em que a globalização vigente tem dado passos largos para uma normatização sem diferenças da cultura, em que o idêntico e a mimetização se tornam regra esbatendo todo o brilho e riqueza da pluralidade cultural e visões do mundo, a Festa do Teatro oferece uma programação que mostra a variedade do espectro criativo que existe de norte a sul do país e diferentes abordagens além fronteiras, potenciando hábitos de fruição cultural e apostando na formação de públicos e no desenvolvimento da sua capacidade crítica. Procura também esta verve criativa existente nas periferias, sempre pugnando pelo valor artístico e social das produções nela apresentada. Sempre na partilha de novos caminhos e visões, como afirmava Jorge de Sena “A cultura serve para mostrar a nós próprios que somos melhores do que aquilo que pensamos ser!”
De 24 a 31 de Agosto
Programa
“XV FESTA DO TEATRO”
Festival Internacional de Teatro de Setúbal
AGOSTO
24 – 19h00
. Salão Nobre – Sessão de Abertura
O Piano em Pessoa – Armando Nascimento Rosa e António Neves da Silva – entrada livre
22h – Parque do Bonfim
. Que raio de Mundo – Teatro Regional da Serra do Montemuro – M/6
25 – 22h
. Fórum Municipal Luísa Todi | A noite antes da floresta – Teatro
Estúdio Fontenova – M/16
26 – 22h
Auditório da Escola Sebastião da Gama | Branca de Neve / Leitura
Encenada seguida de conversa com a equipa artística – Uma produção de Paulo Lage – M/16
27 -22h
. Fórum Municipal Luisa Todi | Ensaio ou Café dos Artistas – Teatro dos ALOÉS – M/12
28 – 22h
. Casa da Cultura | Um Precipício no Mar – Artistas Unidos- M/12
23h – Casa da Cultura
. Mostra de Curtas-metragens – Experimentáculo –
Entrada livre
29 – 22h
.Fórum Municipal Luísa Todi | A Estalajadeira – Artistas Unidos – M/12
Apresentação conjunta do Fórum Municipal Luisa Todi e Teatro Estúdio Fontenova
30 – 22h
. Auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama | T. 3 – Uma Criação de João de Brito, Wagner Borges e Marta Lapa – M/16
31 – 22h
. Fórum Municipal Luisa Todi | Dos à deux, 2°acto – Dos à Deux / França – M/12
Actividades paralelas:
De 13 a 31 de Agosto .
Café das Artes/Casa da Cultura | Exposição de Fotografia – alusiva a edições anteriores.
De 24 a 31 de Agosto
. Ponto de encontro / (Re)cantos à Festa– Momentos de animação e partilha entre artistas e a comunidade | Café das Artes/Casa da Cultura
Fruto de uma incursão crítica em sua vida e obra, o poeta Tomás Antônio Gonzaga acaba de merecer um justo resgate em publicação da Academia Brasileira de Letras, que em sua coleção “Série Essencial” convida um especialista para discorrer sobre autores que inauguraram as cadeiras da Casa de Machado de Assis.
Coube ao professor, crítico e ensaísta Adelto Gonçalves, um os grandes estudiosos da bibliografia do patrono da Cadeira 37, mergulhar no universo gonzaguiano (nascido no Porto em 1744), buscando nas suas raízes históricas a gênese estética de sua poesia, a partir de sua vida e de seus estudos, divididos entre a infância/juventude na Bahia, Recife e Rio de Janeiro e seu bacharelado em Coimbra.
Nesse livro, que tem a chancela editorial da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o professor Adelto colige alguns de seus melhores poemas, com estudos e comentários que situam a produção do autor do antológico “Marília de Dirceu” no contexto histórico em foram produzidos, na esteira do que já havia publicado em seu Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Ed. Nova Fronteira, Rio, 1999), resultando de sua tese de doutorado na USP.
Depois de publicar Clepsidra e outros poemas, para o qual escreveu o prefácio e fixou o texto, com ilustrações de Rui Campos Matos (Lisboa: Livros Horizonte, 2006), e A imagem e o verbo: fotobiografia de Camilo Pessanha (Macau: Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau e Instituto Português do Oriente, 2005), o pesquisador literário Daniel Pires (1951) acaba de lançar Correspondência, dedicatórias e outros textos, de Camilo Pessanha (Campinas: Editora Unicamp; Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal), que reúne 19 cartas do poeta português que se encontravam parcial ou integralmente inéditas e 59 que estão disseminadas por livros esgotados e por periódicos de difícil acesso. Obra desde já imprescindível para quem se aventurar a escrever sobre Camilo Pessanha (1867-1928), o livro traz ainda uma minuciosa cronologia que avança até 2010, acrescentando obras, teses acadêmicas, filme e exposições realizadas sobre a vida e a obra do poeta. Nos anexos, além de dedicatórias feitas a amigos e admiradores, há dois textos da lavra do funcionário público Camilo Pessanha: um relatório encaminhado ao secretário-geral do Governo de Macau sobre a atividade pedagógica das Irmãs Canossianas na cidade e uma ata secreta do Governo de Macau, que consta de acervo do Arquivo Histórico de Macau. No primeiro documento, Pessanha, presidente de uma comissão nomeada pelo governo, avalia a atuação de uma congregação religiosa na prática educacional. De sua leitura, vê-se a influência e conseqüências em Macau da revolução republicana de 5 de outubro de 1910, depois da deposição da monarquia em Portugal. O segundo documento, de certa maneira, relata o inconformismo do poeta diante da provável execução, se fosse extraditado, de um alto dignitário chinês, Lam-Kua-Si, perseguido pelo vice-rei de Cantão. Como observa Daniel Pires no ensaio que escreveu à guisa de prefácio, em razão da dependência de Macau em relação à China, todas as personalidades portuguesas convocadas a aconselhar o governador diante do pedido feito pelo vice-rei se colocaram a favor da extradição, com exceção de Pessanha, que justificou em separado a sua posição, ainda que não houvesse “decerto bandidos mais bestialmente cruéis do que esse Lam-Kua-Si”, como escreveria mais tarde, em 1912. É que ao poeta repugnava o comportamento indigno dos tribunais chineses bem como os métodos desumanos com que as autoridades do país faziam cumprir a pena, métodos tão abjetos que talvez só concorressem em crueldade com os que seriam praticados pelos esbirros da ditadura militar brasileira de 1964. Eis como Pessanha descreve um deles num prefácio que preparou para o livro Esboço Crítico da Civilização Chinesa, de J. António Filipe de Morais Palha, publicado em Macau em 1912: “(…) Entre os suplícios restaurados havia a sensacional morte de gaiola, em que o paciente era suspenso pelo gasnete, mas de modo a poder apoiar no chão os dedos dos pés, e deixado nessa divertida posição, de equilíbrio instável, até morrer de esgotamento”. Continuar a ler →
O premiado escritor Gonçalo Tavares, que tem mais de 220 traduções de suas obras, em 45 países, abriu as sessões da tarde deste sábado no Litercultura, Festival Literário Curitiba 2013 que começou na sexta e vai até domingo. Para quem considera a literatura de Gonçalo Tavares um tanto fria ele diz que prefere provocar menos surpresas e transmitir emoções mais perenes.
“Não acredito na emoção dos programas de TV em que o apresentador chora. É uma emoção violenta, mentirosa. Cinco minutos depois ele está rindo”, afirmou Gonçalo ao responder uma pergunta do mediador Flávio Stein.
Ao responder uma pergunta sobre seu processo criativo disse que quando escreve não atende telefone. “Para conversar comigo meus pais colocam um bilhete por debaixo da porta. Se nos encontramos, por acaso, na cozinha quando faço um intervalo para um café, eles já nem me dão bom dia. O mundo da escrita para mim é quase hipnótico”. Gonçalo resgatou seu cotidiano para explicar porque acredita que muitas vezes é mais fácil se defender dos inimigos do daqueles que nos amam. O escritor, que está com 43 anos e teve seu primeiro livro publicado em 2001, prefere escrever pela manhã porque considera estar em seu melhor estado de lucidez.
Gonçalo falou em lucidez em mais um momento da sessão, ao abordar a transformação que a literatura pode provocar. “Não penso em alteração, penso em lucidez. Lucidez é perceber o que acontece ao redor. Saber que se foi violento com alguém, perceber isso”, comentou ao se referir ao tema que norteou a conversa “O Bairro e o Reino, o Mal e a Ficção”.
As sessões que aconteceram ao longo da tarde tiveram as presenças dos escritores Miguel Sanches Neto, com mediação de Sidney Rocha. O tema do bate-papo foi “O Escritor como leitor, estratégias e obsessões de leitura de quem produz literatura”.
Em seguida Cristovão Tezza respondeu as perguntas do mediador Christian Schwartz que discutiram o impacto das leitura na formação do leitor e do escritor. Um debate sobre quadrinhos com José Aguiar,Antonio Eder e Fulvio Pacheco abordaram tópicos relacionados a adaptações literárias.
No início da noite Ana Maria Machado, conversou com Sílio Boccanera, num bate-papo intitulado Palavras, palavrinhas, palavrões.
Em comemoração ao Dia Nacional do Escritor, celebrado em 25 de julho, perguntamos a colaboradores, leitores e seguidores do Twitter e Facebook — escritores, jornalistas, professores de literatura —, quais são os melhores livros — de ficção e poesia — da história da literatura brasileira. Discutível como qualquer lista de melhores, esta também não pretende ser abrangente e reflete apenas a opinião dos participantes da enquete. Abaixo, em ordem classificatória, a lista com os 10 livros que obtiveram o maior número de citações.
Memórias Póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis
O mais importante romance brasileiro de todos os tempos. Moderno avant la lettre, revolucionário na forma fragmentária, no tempo narrativo não- linear, no estilo realista-irônico, é ao mesmo tempo um dos mais agudos retratos das elites brasileiras – além de repositório de algumas das passagens mais famosas da literatura em língua portuguesa. Fixação do texto e notas por Marcelo Módolo (professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP). Prefácio de Abel Barros Baptista (doutor em estudos portugueses pela Universidade Nova de Lisboa; professor do Departamento de Estudos Portugueses da Universidade Nova de Lisboa). Prólogo da 4ª. edição por Machado de Assis.
Grande Sertão: Veredas | Guimarães Rosa
Este é o único romance do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Aqui ele utiliza o idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo numa extensa e perturbadora narrativa. Conheça as lembranças desse jagunço em suas desventuras no espaço mítico dos campos gerais e seu impossível amor por Diadorim.
Há na história da literatura uma variedade de escritores que vêm vindo, desde os primórdios da civilização humana, dois tipos de escritores: os que se dizem “sãos”, normais; e os que são definidos como “loucos”, diferentes– em vários matizes, tonalidades e aceitações. Ou rejeições. Os primeiros são os meninos bonzinhos, o primeiro da classe – ou, meramente, o funcionário público da literatura, aquele que, em nosso tempo principalmente, está mais interessado em sua agenda, conta bancária e feiras de livros, de preferência internacionais. A receita de sua ficção – nós os temos aí às toneladas – é a falta de estilo pessoal, vertida em prosa sem pensamento ou sobressalto, engordativa e abundante em enredos complicados (os históricos andam muito em moda), de preferência já votados a polpudas versões telenovelescas ou cinematográficas.
Os segundos : é grande sua variedade, englobados que estão dentro da categoria geral de todos aqueles escritores que vieram vindo, séculos afora, nos vários cantos da Terra, empenhados de modo tão visceralmente doloroso e difícil naquela luta “tão vã”– como dizia o poeta Drummond – a luta pela palavra, pela expressão do estranhamento cotidiano de si, do outro, do universo em que estamos todos metidos. Aqueles para os quais escrever é um imperativo interior que pode levá-los a extremos de satisfação ou de sofrimento, uma arte exigente, implacável, e certamente a mais solitária que existe.
Há mesmo na Inglaterra um curioso monumento, não me lembro em que lugar, “em homenagem ao escritor solitário”– uma enorme cadeira vazia que se levanta para o céu – por entre suas pernas passa a história da humanidade. Homenageia um estranho, atordoado e já raro ser – o “escritor literário” – que, se ainda não extinto hoje, estertora em meio à enxurrada editorial quantitativa despejada cotidianamente sobre sua cabeçapor todos os meios tradicionais ou up-to-date midiáticos, enquanto ele ainda tenta, qual Camões, salvar-se do naufrágio mantendo intacto o manuscrito de um poema, ou de um romance, fora das águas.
Um ser que insiste em estar mergulhado, sempre, na compulsão de uma criação cujo mistério chega a desafiar até mesmo um dos maiores escritores da atualidade, Gabriel Garcia Marques, que pergunta: “Que tipo de mistério é esse, que faz com que o simples desejo de contar histórias se transforme numa paixão, e que um ser humano seja capaz de morrer por essa paixão, morrer de fome, de frio ou do que for, desde que seja capaz de fazer uma coisa que não pode ser vista nem tocada, e que afinal, pensando bem, não serve para nada?”
(É disso que trata meu décimo-terceiro livro, “PROFISSIONAIS DA SOLIDÃO”(artigos sobre literatura), que acaba de ser lançado pela Editora SENAC, de São Paulo – para o qual, gostaria muito esta autora de encontrar também editor em Portugal e em outros países lusófonos…)
E então o rapaz levanta-se, entorta, ligeiramente, mas só ligeiramente a cabecinha para um lado – reminiscências de infância! -, ajeita os seus dois relógios, um em cada pulso, um verde, outro amarelo, esfrega as mãos, simula um auto-abraço, entrelaça os dedos das mãos, começa a andar de um lado para o outro do palco, com frenesim e alguma estudada e ensaiada atitude nervosa e começa a debitar um incompreensível, na sua totalidade, amontoado de palavras.
Dirige-se a um público atordoado – pensa ele – por tantas e singulares afirmações, um público que nem sabe bem onde é que está e o que veio ouvir.
O jovem debitador vomita e defeca palavras que não existem, questiona, ilude, prestidigita, inventa; o jovem debitador apresenta uma energia doentia, é baixote e ágil como um ladrão; forma frases compridíssimas, com mais palavras estrangeiras que portuguesas; tenta convencer em acto desesperado; de tempos a tempos, ergue os braços e incita a plateia a levantar-se e a aplaudir e faz-se de tal maneira insinuante que, num primeiro vislumbre, até confunde. E faz gestos que incitam a plateia a levantar-se, observa, ri-se e manda sentar, de novo! Apreciou a constatação: levantaram-se e baixaram-se a seu comando!
Eu sou quase Deus!
O jovem debitador não diz absolutamente nada. Nada de nada! É de uma banalidade confrangedora. São toneladas de lugares-comuns, resmas de frases feitas, pensamentos cansados, esgotados de tanto ouvidos. É um autómato, uma figura de cera que, se fôr deixada ao sol, derreter-se-à num ápice. Ele não sabe, ele não sente. Não deve ter sangue. A sua proclamada ambição e o seu expresso desejo é que todos os jovens deste desgraçado país trabalhem. E ele existe para nos convencer que, se não trabalham, é porque não querem e que se trabalhassem tinham sucesso garantido! Basta a vontade!! O rapaz é cansativo. Rebenta-nos de cansaço! Fala à velocidade da luz e não dá tréguas. Não tem tempos. Não tem noções. Impõe. Exige! Ordena!
Expulsa! Tudo explode à sua volta! Não! Não quero ouvi-lo nem mais uma fracção de segundo em todo o resto da minha vida!! Irra!
O debitador tem sido recebido em todo o lado. Nas televisões, nas rádios, nos jornais como se de um Messias se tratasse, um espalhador da palavra, um arrebimba-o-malho de certezas e confianças no nada, no zero. Nada! Diz nada! Não há, naquele discurso, nada de coerente, de sábio, de conhecedor. Não há vida. No seu discurso existem todas as sombras de todos os desesperos, de todas as angústias, de todas as incertezas.
O ignóbil disto tudo é o sorriso satisfeito dos que o elegeram para encabeçar um movimento destes: o empreendedorismo jovem! E também daqueles que lhe dão cobertura mediática. É que isto chama audiêêências! Muitas!
No olhar deste rapaz não existe nada a não ser a vontade desmedida de se fazer notado seja de que maneira seja. Um case study, para usar umas das suas muitas lenga-lengas anglo-saxónicas e que passo a dar exemplos:
Mind set, interface, feedback, swaip, pitch, slide, as we speak, expertise, spam, newsletters e desculpem-me os erros, que alguma coisa deve estar mal escrita.
Não existe naquele olhar uma única estrela! Nem um grão de pó de estrela! Não há o desenho do infinito, não há um horizonte de sonho, ainda que possa parecer. Daquele sonho inalcançável, que faz dos homens seres excepcionais. Não há sedas, nem veludos, nem esconderijos secretos, nem absurdos de fantasias! Não há nada que se vislumbre naquele olhar de tão perdido que anda!
Quem visitou São Petersburgo talvez se recorde de ter visto, no Museu Russo – que alberga uma das maiores e mais imponentes colecções de arte russa do mundo – o quadro de Karl Briullov (1799-1852), um dos mais reconhecidos artistas do seu tempo, “A morte de Inês de Castro” (1834). Este encontro inesperado com uma página da história portuguesa na capital cultural da Rússia não deixa certamente de emocionar. Também o registou Fernando Namora, em “Os adoradores do sol” (1971), crónica de viagens à Escandinávia e a São Petersburgo, então Leninegrado. Na mesma obra, escreveu, também “O sol, como a saúde, como a liberdade, só se dá por ele se é escasso. Ou se o perdemos”.
Vêm estas palavras à memória, transmutadas em perguntas, a propósito da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, inaugurada no mesmo Museu Russo em Dezembro de 2012. Que acontece quando se reencontra a liberdade? Ou se adquire uma liberdade que nunca se teve antes?
Retrato de um tempo enquanto meio do artista que o retrata
1985-2000: estes foram os anos das reformas globais do sistema socialista soviético, a “Perestroika”, anos de revoluções profundas e sucessivas em todas as esferas da vida de um país que acabaria por deixar de existir e da dos países que lhe sobreviveram. Recordemos algumas datas fundamentais: em 1985-1990 dá-se o início da liberalização política; surge a imprensa independente, são legalizadas fontes de informação ocidentais, é publicada literatura antes silenciada; fazem-se as primeiras tentativas de reforma da economia planificada; 1989 é o ano da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria; desenrola-se o processo de desintegração da União Soviética, cuja existência cessa oficialmente em 1991, processo que envolveu confrontos com intervenção de forças militares nas ex-repúblicas; entretanto, intensifica-se a crise económica, verifica-se um défice total de produtos de primeira necessidade; em 1992 são levadas a cabo reformas económicas “de choque” de transição para a economia de mercado; a inflação sobe em flecha; em 1993 dá-se uma crise constitucional acompanhada por um conflito armado em Moscovo; em 1994 ocorrem actos terroristas em Moscovo e outra cidades russas, e também no Cáucaso; em 1998 dá-se uma profunda crise económica, com a desvalorização abrupta do rublo e a derrocada do sistema bancário; inúmeros cidadãos perdem as suas poupanças.
Escusado será dizê-lo, foram anos em que o Museu Russo não dispunha de meios para adquirir obras para o seu espólio. Mas foram os anos em que muitas obras que se encontravam nos depósitos foram expostas, de novo ou pela primeira vez. Entre outras, realizam-se no Museu Russo, nos finais dos anos 80, as exposições de Pavel Filonov (1883-1941), Vassili Kandinsky (1866-1944) e “Arte dos anos 1920-1930”, em 1996 a retrospectiva de Vladimir Tatlin (1885-1953) e em 1997-1998 a exposição “Mosteiros Russos: Arte e Tradição”. No vizinho Museu Ermitage, em 1988, acontece a exposição de arte ocidental do século XX “Época de descobertas”. Em 1989, no Parque de Exposições Lenexpo, também em Leninegrado, tem lugar a exposição “Da arte não-oficial à perestroika: 40 anos de underground em Leninegrado”.
Como escreveu Mark Petrov, num dos artigos incluídos no catálogo da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, assistiu-se naquele período ao “enfraquecimento abrupto das funções censório-repressivas dos institutos estatais, chamados a zelar pela cultura na sociedade do socialismo triunfante. (…) A ideologia enquanto sistema de medidas proibitivas deixa de ser factor determinante na organização da vida artística ainda antes da mudança de regime, e depois, durante os anos 90, deixa completamente de existir”.
Por escolha consciente, os mais de 200 artistas representados na presente exposição são artistas que não emigraram até 1985 ou que viviam na Rússia pré- ou pós-soviética na altura em que criaram as obras expostas. O olhar dos artistas que emigraram foi necessariamente influenciado pelas novas circunstâncias em que se encontraram, e talvez pelas expectativas da cultura com que se depararam; por exemplo, verifica-se que a desconstrução e desvalorização do sistema de símbolos soviéticos, quando patente, tem contornos mais suaves nas obras dos artistas que ficaram. Pretendeu-se que a exposição fosse sobretudo reflexo de uma vivência na Rússia em 1985-2000, mostrando os caminhos que foram trilhados como resposta à pergunta que se colocava, também, no plano artístico: que fazer com a nova liberdade?
Pintar a realidade, sem barreiras
E o que é isso de “liberdade”? Um “contra tudo e contra todos” por definição, uma liberdade egoísta e hedonista, ou responsável e com valores? E que valores, agora que “nada é proibido”? Que fazer, quando todos os caminhos, na arte como na vida, são uma possibilidade e não há regras, barreiras ou indicações, como simboliza o “Semáforo”, tela do início da década de 90, de Aleksandre Petrov (n. 1947), com as luzes vermelha, amarela e verde acesas em simultâneo?
Há ainda hábitos de receio: na tela “Autoretrato (com censura interior)” (1988), de Valeri Lukka (n. 1945), há um rosto sem feições definidas e um corpo como uma massa que se desprende, viscosamente, da massa envolvente.
Há o desejo de ironizar com os símbolos do passado soviético – a desconstrução semiótica de um sistema é uma constante da revolução que leva à mudança desse sistema. Na escultura “Lira russa” (1985), de Aleksandre Sokolov (1941-2009), a foice e o martelo transformam-se numa lira, rudimentar e tosca, mas que é, ao mesmo tempo, uma evocação do “Contra-relevo de canto” (1915) de Tatlin – símbolo da arte de vanguarda russa do princípio do século XX que foi inicialmente associada ao regime saído do Golpe Bolchevique de 1917, mas que passaria a ser, a partir dos finais dos anos vinte, arte “non grata”; na tela “Em Pereiaslavle” (1987), de Ekaterina Grigorieva (1928-2010), mulheres conversam numa praça da cidade de Pereiaslavle, levantando um braço num gesto que repete o braço estendido de Lenine na estátua no meio da praça; na paisagem fabril da tela “Levam-no” (1997-1998), de Iuri Chichkov (n. 1940), cinco homems levam em ombros uma estátua de Lenine, o mesmo braço estendido, num cortejo fúnebre, encabeçado por dois músicos de jazz; na tela “Ameixas em calda” (1988), de Oleg Zaika (n. 1963), uma lata de ameixas em calda é elevada à categoria de ícone “Soc-art” (“arte socialista”): trata-se de uma lata “artesanal” e imperfeita, em vez dos contornos bem definidos das latas de sopa Campbell’s de Andy Warhol.
Há o empenho em registar e narrar a realidade: telas realistas e hiper-realistas que não cantam a beleza idealizada do trabalho e das gentes, mas constatam a fealdade do quotidiano, como o bêbado em “Levanta-te, Ivan!” (1997), de Hélio Korjev (1925-2012), as filas intermináveis em “Fila” (1989), de Aleksei Sundukov (n. 1952) ou o desencanto no rosto dos mais velhos em “Velhice feliz” (1988), de Tatiana Nazarenko (n. 1944); que não descrevem celebrações populares solenes, mas momentos de descanso na relva, com vodca e pão com chouriço, sem pompa nem glória, como a tela “Na relva” (1983-85), de Fiodor Kunitzin (n. 1951); que não mostram as virtudes da vida no campo, mas desalento, como em “Jantar na aldeia” (1987-88), de Vladimir Cherbakov (1935-2008) – mãe e filho, pão e um ovo sobre a mesa, cansaço nos olhos da mãe, que deita leite numa chávena, mudez nos olhos do filho, que tudo vê.
Memórias, destroços, metáforas
A realidade rima com desencanto e inquietação: a escultura “Rapto” (1987), de Vladimir Soskiev (n. 1941); a tela de Igor Orlov (n. 1935), “Pressentimento” (1988), uma paisagem, à primeira vista, clássica e harmoniosa, com montes, árvores e casas, uma luz de fim de tarde, mas em que a harmonia logo se quebra, pois que as casas afinal resvalam para um abismo; “À procura de Ícaro” (1990), escultura de Pavel Chimes (n. 1930), em que Ícaro, de asas abertas, jaz, caído, e em cima dele a multidão amontoa-se, olhando para o longe à procura de um sinal, rostos que parecem murmurar “E agora?”; a escultura “Estrela caída” (1991), de Vassili Pavlovski (1932-2009).
Na tela “Recordação do futuro” (1989), de Mark Petrov (1933-2004), encontramos a saudade de ideais por cumprir, expressa nos rostos cinzentos-azulados que se recortam num fundo de referências a heróis de várias épocas, um rosto que olha para o momento presente, outro para o passado, outro para o futuro. Será também esta saudade, com ironia desencantada, que exprime Konstantin Persidski (1954-2008) na tela “O bolo” (1999-2000): a Rússia, simbolizada pela Praça Vermelha em Moscovo, é um enorme bolo coberto de velas, em cima de uma mesa à volta da qual, de pé, em vestes cinzentas e de rostos cinzentos, avidamente uns, tristemente outros, esperam, silenciosamente, a sua fatia, os “proletários e camponeses”, as longas mãos esguias e vazias. Velas que assinalam mais um aniversário do Golpe de Outubro de 1917, ou da mais recente revolução, a “Perestroika”; fatia que, claramente, não lhes chegará ao prato, como realça o contraste da cor – o bolo, cor desmaiada de tijolo, e a envolvente cinzenta da mesa e dos pratos vazios, dos corpos e das faces, do fundo azul de chumbo.
Há toda uma atmosfera de desesperança e abandono: na paisagem cinzenta e branca de neve, cães e corvos na tela “No boulevard” (1983-88), de Nikolai Andronov (1929-1998); nas manchas cinzentas do céu e das asas das aves na tela “O lento voo dos corvos” (1988), de Irina Starzhenetskaya (n. 1943); na tela de Vladimir Chinkarev (n. 1954) “No hospital Skvortzov-Stepanov” (1990), em que a enfermaria de um hospital se transforma em paisagem, também ela cinzenta, onde as paredes e o tecto são como o rio e o céu que prolongam o espaço das camas, a cidade é assim uma enorme enfermaria, um espaço colectivo de sofrimento; na tela “Chá” (1997), de Ludmila Markelova (n. 1959), onde muitas mãos se estendem para um único prato e para um único bule minúsculo, numa mesa em tons vermelhos escuros de amora e malva, visível um único rosto, cor de mostarda; na tela “Outono” (2000), de Serguei Kitchko (n. 1946), onde há maçãs e folhas caídas e caindo nas ervas e em cima de uma velha mesa e duas cadeiras de madeira, chagas abertas na tinta azul, um jarro de água esquecido sobre a mesa.
Há também a solidão: nas telas “Metro” (1986-88), de Gueorgui Koventchuk (n. 1933), em que o túnel das escadas rolantes ressoa em ondas de amarelos e vermelhos, como gritos de Edvard Munch, ou “Era uma vez Zinaida, a bela” (1992), de Vladimir Iachke (n.1948), um retrato de mulher que é uma síntese de Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.
Há o preservar da memória pessoal e íntima – por oposição à memória colectiva – no espaço e nos objectos, como na “Fotografia de recordação” (1984-85), de Erik Bulatov (n. 1933), uma paisagem bucólica em que, recortados como sombras chinesas, mas a vermelho – para que a recordação seja mais vívida? – estão quatro amigos, sentados num banco, talvez para sempre fisicamente longe da paisagem que conserva a memória deles, ou na escultura em ferro fundido e bronze “A sombra da minha Avó” (1999), de Marina Spivak (n. 1955), em que os contornos, como um espectro, de uma figura de mulher, sentada a uma máquina de costura Singer, tão metálicos como a própria máquina, fazem já parte dela.
Há a memória da repressão, traduzida em metáforas na tela “Sombra mortal” (1992), de Boris Sveshnikov (1927-1998), herdeira da arte analítica de Filonov, um mosaico em tons de azul e verde, que é feito, afinal, de caveiras; nesse mosaico há também dois rostos, um deles o rosto da morte, o galo, símbolo da traição, e a dança da morte, no horizonte, como nas cenas finais do filme “O sétimo selo” de Bergman.
Há o sentimento de mudança de uma era: na tela “Movimento dos gelos” (1987), de Victor Ivanov (n. 1924), em que a estética do “estilo austero”, renovação dentro do realismo socialista nos anos 60, faz parte da metáfora, pois veste aqui uma temática não correspondente e cheia de densidade psicológica, há um grupo de homens e mulheres, uma delas com uma criança ao colo, expressivas silhuetas gráficas recortadas na paisagem azul, que observam, imóveis e solenes, a passagem das massas de gelo flutuando no rio depois do inverno.
Há o sentimento de que é preciso começar tudo de novo, e não se sabe como: na tela de Helena Figurina (n. 1955), “Brincadeira na areia” (1988), com referências às telas de Henri Matisse “A dança” e “A música” (a propósito, ambas no Museu Ermitage) mas em amarelos e laranjas, cinco homens-embriões tentam, sem instruções e sem roteiro, (re)construir a realidade a partir da areia, matéria limitada e que se lhes escapa por entre os dedos.
Renascimento
Mas há também esperança no meio dos destroços: na tela “Rapazinho colhendo ameixas” (1999), de Larissa Naumova (n. 1945), um rapazinho, banhado pelo sol da manhã, procura ameixas no meio de um amontoado de troncos de bétula caídos, um bosque branco destroçado em que as ameixas são o único toque de cor, embora triste, e olha para nós, como que surpreendido pela nossa presença, talvez com um pedido mudo de auxílio.
Há curiosidade e amor pela vida: na escultura “É só o começo…” (1989), de Adelaida Pologova (1923-2008), em que uma mulher, engelhada pela idade, tenta caminhar, podem ler-se, na base, os versos finais do poema de Paul Claudel “A resposta do sábio Hsien Yuan”: “Porque é que dizemos que é o fim de tudo, quando, na verdade, é só o começo”.
Há, enfim, renascimento espiritual e religioso, depois do colapso do sistema que, propondo-se moldar o homem novo e livre, perseguiu o Cristianismo, demoliu igrejas e catedrais, arrasou cemitérios. Uma metáfora para este renascimento é a tela de Ivan Uralov (n. 1948), “O anjo da nossa aldeia (Achado)” (1998), harmoniosa como um fresco muito antigo, acentuando a ligação com o passado, onde duas mulheres, perto de um rio, se debruçam sobre a figura de um anjo, que jaz como que numa sepultura – o anjo reencontrado da igreja da aldeia (cada igreja tem um anjo, e o anjo continua nesse lugar, mesmo se a igreja tiver sido destruída).
Alguns artistas escolhem a Paixão de Cristo como tema das suas obras: as telas “Levando a Cruz” (1996), de Serguei Repin (n. 1948), “Crucificação” (1994), de Natália Nesterova (n. 1944) e “Gólgota” (1988), de Evcei Moiceenko (1916-1988).
Também profundamente simbólica é a tela “Ícone novo” (1990), de Ivan Lubennikov (n. 1951). Representa um ícone cujos traços são quase indefinidos, como que apagados, destruídos pelo tempo e pelo abandono. Mas sobre essa forma esfumada aparece claramente recortada uma cruz branca, e ainda outra cruz preta, mais pequena, e outra, e outra, cruzes essas que são, ao mesmo tempo, atributos das vestes dos santos em alguns ícones da Rússia Antiga e referências inequívocas ao suprematismo de Casimir Malevitch. “Ícone Novo” aparece assim como uma metáfora para a regeneração da fé Cristã: a religião renegada renasce, emergindo mesmo através das formas da arte que foi um dia símbolo do sistema que a renegou.
Extremos que se tocam
Em 1985-2000, há também artistas que aparecem como herdeiros do abstraccionismo russo e soviético das três primeiras décadas do século XX. A vanguarda de ontem tansforma-se assim em tradição interrompida, à qual se retorna para expressar uma outra realidade nova. Encontramos, por exemplo, referências ao abstraccionismo expressivo de Kandinsky, na “Composição Nº3” (1990), de Leonid Tkatchenko (n. 1927) e ao construtivismo de Tatlin, no tríptico “Contra-relevo-estéreo” (1993), de Viacheslav Koleitchuk (n. 1941), em que o painel central, “Contra-relevo-estéreo em estilo arcaico”, é uma reinvenção do motivo da cruz.
Salientam-se ainda a renda geométrica dos barcos inquietos na paisagem metafísica verde de Mikhail Shvartzman (1926-1997), na tela “Perturbação” (1985), a perspectiva e a luz pastel da cidade abstracta de Valentin Levitin (n. 1931), evocando os pátios sempre presentes de São Petersburgo, na “Composição” (1990-92), a luz e as sombras nas texturas simultaneamente diáfanas e telúricas na tela “Obra apócrifa” (1999-2000), de Vladimir Dukhovlinov (n. 1950) e a arquitectura do edifício formado pela memória dos textos sucessivamente raspados e reescritos no “Palimpsesto (Deslocamento da haste)” (2000) de Serguei Sergueiev (n. 1953), tela que é mais uma metáfora para o desaparecimento de uma era e o aparecimento de outra.
Uma tradução é sempre uma interpretação, e o descodificar dos vários conteúdos apresentados na exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000” aqui proposto propõe-se ser ponto de partida para a leitura em contexto da mesma exposição. E, porque os extremos se tocam, nas espirais do tempo e das formas, poderá ser ainda ponto de partida para outras reflexões, dramaticamente relevantes no momento presente. “Durante a vida, fui vendo cair o que, em jovem, parecia estar de pedra e cal. Ou me diziam que estava firme como o aço”, diz um dos heróis do romance “A falha” (1998), de Luís Carmelo. Que fizemos com a nossa liberdade? Que fazemos com a nossa liberdade?
Agosto é sinónimo de praia, férias, sol e calor, também de viagens, emoções ao rubro, reencontros e revisitações. Viagens metafóricas; o sol como elemento de esperança. O Teatro Rápido não vai de férias, mantém-se de portas abertas, sendo uma boa opção cultural para o mês de Agosto.
Em Agosto assinalamos as estreias no TR de Alexandre Tavares, que encena Diogo Tavares, num texto de Armando Nascimento Rosa; Duarte Grilo, que já tem pisado o palco do TR BAR com Café Improv, faz a sua estreia em Sala com encenação de José Carlos Garcia. Anna Carvalho está de regresso ao TR ao lado de Marta Prieto e ainda a estreia absoluta no TR de Igor Sampaio ao lado de Isabel Damatta, pela mão de Fernarndo Gomes.
Pelo palco do TR Bar teremos o regresso de Eduardo Gaspar com o hilariante trabalho de “Elas Sou Eu” e ainda a continuidade do PFShortsFest.
Em Agosto o TR interrompe a Programação para a Infância, regressando em Setembro!
De 1 a 31 de Agosto – de 5ª a 2ª
SALA 1 – Cigano de Lisboa
Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00
quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: Armando Nascimento Rosa
Encenação e Cenografia: Alexandre Tavares
Interpretação: Diogo Tavares
Produção: João Pires
SALA 2 – Belo, Feio e Assim Assim
Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05
quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: Adriano Teixeira
Encenação: José Carlos Garcia
Interpretação: Duarte Grilo
Cenografia e Grafismo: Pedro Vercesi
Fotografia de Cena: Luciana Coelho
SALA 3 – Barbona
Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15
quinta a segunda | M/16 | 3€
Texto: Marta Prieto
Encenação e Interpretação: Anna Carvalho e Marta Prieto
Imagem Gráfica, Cenografia e Produção: António Proença Azevedo
Assistência de Produção: Rita Borreccio e Ana Bicker
Espetáculo disponível em em Português; e Italiano (a partir de 17 de Agosto) mediante reserva antecipada para grupos através do 213 479 138 ou tr@teatrorapido.com
SALA 4 – Sol-Ida-Mente… Juntos!
Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25
quinta a segunda | M/12 | 3€
Autor: Tom Lis
Encenação: Fernando Gomes
Interpretação: Igor Sampaio e Isabel Damatta
Produção: Luís de Freitas
Assistência de Produção: João Gouveia
«O livro procura, primeiro, indagar os pilares americanos e europeus da crise financeira de 2007 e das crises subsequentes, ditas de dívida soberana, incluindo o elemento sempre presente das teorias da conspiração sobre a turbação contínua. Depois, debruça-se o escrito sobre o caso português. Salienta alguns traços relevantes, desde o fim do segundo governo de Sócrates às correntes experiências, em torno da adequação aos memorandos de entendimento com a missão internacional de assistência, vulgo troika, e passa em revista domínios que parecem relevantes.»
“Estimados leitores e amigos, encontra-se no prelo e, no início de Setembro, será posta à venda nas livrarias a minha investigação histórica e jornalística com o título: “Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril. Como a União Soviética não quis a revolução socialista em Portugal”.
A Editora D. Quixote lançou-me o desafio de escrever um livro sobre as relações entre o Partido Comunista da União Soviética e o Partido Comunista Português, principalmente em períodos fulcrais como o 25 de Abril e o PREC, e eu aceitei esse desafio. O resultado está nesta obra que vos apresento.
Tentei responder a perguntas como: Que influência teve a União Soviética no 25 de Abril? Conspirou para instaurar uma revolução comunista em Portugal? Qual o papel de Álvaro Cunhal e do PCP na complicada teia política do PREC? Que tipo de relação mantiveram com o Komintern e a URSS de Brejnev? Os comunistas portugueses ajudaram a combater o arqui-rival norte-americano no contexto da Guerra Fria? Teriam os soviéticos e norte-americanos assinado um novo “Tratado de Tordesilhas” em 1975?
Baseando em entrevistas, testemunhos e documentos inéditos, dou resposta a perguntas como: Quem desviou e com que objetivo parte importante dos Arquivos da PIDE, polícia política do regime ditatorial português? Quem colaborou com o PCUS e o KGB da URSS em campanhas de difamação de dissidentes soviéticos?, Quanto custava à União Soviética a fidelidade do PCP, etc.
Esta obra é dirigida a todos aqueles que se interessam tanto pela História de Portugal, como da “Guerra Fria”.
N.B. Os que esperam que este livro seja um ajuste de contas do autor com o seu passado político irão ficar fortemente desiludidos. Factos e apenas factos.” Publicada por José Milhazes in Facebook
Tem desenvolvido, a partir do final dos anos 50, intensa actividade cultural, com textos de intervenção crítica, abordagem e pesquisa histórica, além da participação em colóquios, júris e conferências. Tem investigado e publicado trabalhos acerca da história e a evolução de Lisboa, nas suas múltiplas transformações sociais, políticas, literárias, artísticas e urbanísticas. É também autor de inúmeros outros trabalhos publicados em livros, jornais e revistas a propósito dos Açores. Organizou, em 1988, com o patrocínio da Câmara Municipal da Ribeira Grande, da Presidência da Republica e da Academia Nacional de Belas Artes a I Semana do Barroco, com a intervenção de intelectuais e críticos de renome nacional. O Conselho da Europa associou-se a esta manifestação. Presidiu ao grupo que procedeu à coordenação da informatização e digitalização dos tomos do Inventário Artístico de Portugal do Distrito de Aveiro (Zona Nordeste, Norte e Sul); Distrito de Beja (Zona Norte); Distrito de Coimbra (Cidade e Distrito), Distrito de Évora, Distrito de Leiria, Distrito dePortalegre, Cidade do Porto e Distrito de Santarém. Representante em Portugal e no estrangeiro da Academia Nacional de Belas-Artes no Conselho Europeu das Academias de Belas-Artes, tem representado, igualmente, a Academia, dentro e fora de Portugal, em congressos, seminários, simpósios e outras reuniões de projecção nacional e internacional. Faz parte, desde 1987, dos júris anuais de atribuição dos prémios da Academia Nacional Belas-Artes, José de Figueiredo, Doutor Gustavo Cordeiro Ramos, Aquisição e Investigação. Dirigiu, durante seis anos, a galeria Diário de Notícias, no Chiado. Organizou dezenas de exposições de escultores, pintores e ceramistas. Entre outras destacam-se uma retrospectiva de Barata Feyo, escultura e desenho e outra de João da Silva, com grande destaque na área da medalhística. A carreira profissional de António Valdemar principiou, em 1958, no jornal República colaborando, entretanto, no Diário de Lisboa. Entrou em 1960 para o quadro do Diário de Notícias, esteve ligado ao grupo fundador de A Capital; desempenhou o cargo de chefe de redacção de A Vida Mundial; exerceu de 1968 a 1980 a chefia de redacção, em Lisboa, de O Primeiro de Janeiro, regressando depois ao Diário de Noticias. Desde o noticiário e a reportagem até à entrevista, à crónica e ao artigo de opinião acompanhou os grandes acontecimentos nacionais ocorridos nas últimas décadas. Integrou, o gabinete editorial do Diário de Notícias, leccionou jornalismo no Instituto Politécnico de Santarém; e orientou em vários locais do País outros cursos de Comunicação Social e de Cultura Portuguesa (séculos XIX e XX). Participou durante vários anos no desenvolvimento do programa de incentivo ao livro e à leitura, sendo co-autor com Jacinto Baptista de dois volumes publicados pelo Conselho de Imprensa e pela Alta Autoridade da Comunicação social. Teve um programa diário na RTP2, de 1984 a 1996; foi colaborador permanente do programa ACONTECE da RTP, dirigido por Carlos Pinto Coelho; é colaborador efectivo, desde 2007, do semanárioExpresso, no caderno de arte e cultura ACTUAL.
Nemésio, sem limite de idade, foi editado pelo Clube do Coleccionador e lançado, em 2001, nos Açores (Horta e Angra) no âmbito das manifestações comemorativas do centenário do nascimento do autor de Mau Tempo no Canal.
Reproduz inúmeros autógrafos inéditos e percorre passo a passo os múltiplos aspectos da vida e da obra de Vitorino Nemésio. Para a publicação oficial, da Presidência da República, das Comemorações do 10 de Junho de 2002, efectuadas em Beja, com uma exposição bio-bibliográfica e iconográfica sobre Mariana Alcoforado, escreveu;
As Cinco Cartas do Desassossego.
Acompanhou a última viagem presidencial de Jorge Sampaio ao estrangeiro, sendo o orador oficial na homenagem prestada a Teixeira Gomes em Bougie e o autor do livro e antologia de textos literários de Teixeira Gomes Um Português no Magreb, com prefácios de Jorge Sampaio e Abdelaziz Bouteflika (presidente da República da Argélia). Este livro foi traduzido em árabe por Badr Hassanien, numa edição conjunta do Instituto Camões e da Presidência da República A importância de trabalhos de António Valdemar e/ou a colaboração que prestou a obras de erudição vêm assinaladas na História de Portugal de Veríssimo Serrão e na última edição da História de Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes.
Prémios
José de Figueiredo, por duas vezes, para o melhor estudo na área da história (Chiado: o peso da Memória-1991 e A Cidade dos Sítios-1994); Prémio Júlio César Machado – 1987, para a melhor reportagem ou artigo sobre Lisboa – Cesário Verde em novos manuscritos; Prémio Júlio de Castilho – 1990, para o melhor livro sobre Lisboa Chiado: o Peso da Memória. Tem o grande oficialato das ordens honoríficas portuguesas. Foi condecorado, em 1991, no Dia de Portugal, em Tomar, pelo Presidente da República, Mário Soares com a Ordem de São Tiago; e, em Maio de 2000, pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com o Grande Oficialato da Ordem de Mérito. Também foi condecorado pelo Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso com a Ordem do Rio Branco. Recebeu, em Maio de 2008, a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores atribuída, por unanimidade
Segundo o “Dicionário de História de Portugal” foi Passos Manuel quem fundou a Academia de Belas Artes, referendando os três decretos de 25 de Outubro de 1836, todos relativos à Academia. O primeiro decreto teve por fim criar a Academia, o segundo, colocá-la numa parte do edifício do extinto convento de São Francisco da Cidade, onde ainda hoje existe, e criou uma biblioteca de Belas Artes no mesmo edifício, por último nomeou para os diversos empregos da academia as pessoas constantes duma relação que acompanhava o mesmo decreto.
Esta criação veio no seguimento da Revolução Setembrista e no âmbito de uma alargada reforma do ensino, sendo, desta forma, colocadas em prática as anteriores reformas de Agostinho José Freire. Assim, o então Estado Liberal assume a responsabilidade de centralizar o ensino artístico, anteriormente disperso, sendo-lhe conferido o objectivo de formar os artistas de belas artes e das artes fabris.
A Academia tinha funções honoríficas, culturais e pedagógicas, sendo constituída por docentes proprietários e substitutos, académicos de mérito, académicos honorários e académicos agregados. Entre estes podem-se referir: António Manuel da Fonseca, Joaquim Rafael, André Monteiro da Cruz, Domingos José da Silva, Francisco de Assis Rodrigues, Caetano Aires de Andrade, Benjamin Comte, José da Costa Sequeira, Constantino José dos Reis e José Francisco Ferreira de Freitas.
Inauguração
Inaugurada em 1837, os estatutos da Academia foram elaborados e redigidos por uma comissão presidida pelo tenente-coronel do Real Corpo de Engenheiros João José Ferreira de Sousa, director das Aulas Régias, e da qual faziam parte: Joaquim Rafael, José da Cunha Taborda e André Monteiro da Cruz, pintores, José António do Vale e Francisco Vasques Martins, professores de Desenho, João Maria Feijó e José da Costa Sequeira, arquitectos, Francisco de Assis Rodrigues, escultor, que também era secretário, João Vicente Priaz e Benjamin Comte, gravadores.
Estes estatutos foram posteriormente “corrigidos e adicionados” por uma nova comissão composta por três membros da Academia Real das Ciências: o bispo-conde D. Francisco de S. Luís (posteriormente cardeal Saraiva), Francisco Pedro Celestino Soares e José Cordeiro Feio.
Instalada no antigo convento quinhentista de São Francisco da Ci¬dade, confiscado em 1834 através dos decretos anticlericais, a Academia tinha inicialmente como funções: a formação de novos artistas, a identificação, a classificação, a inventariação, a conservação e o restauro das obras artísticas com o intuito de promover o desenvolvimento das belas artes e dos estudos arquitectónicos, a preparação de exposições e conferências, entre outras.
No reinado de D. Luís, com o decreto de 22 de Março de 1862, a Academia de Belas-Artes passa a ser designada por Academia Real de Belas-Artes, sendo que, em 1881, houve uma reforma no ensino artístico, a qual ratificou algumas inovações curriculares já antes introduzidas, dando-se a separação entre a Escola de Belas-Artes de Lisboa, com fins didácticos, e a Academia Real de Belas-Artes propriamente dita, com fins culturais.
Em 1882, integrada no Conselho de Arte e Arqueologia, surge a Comissão dos Monumentos Nacionais, presidida pelo arquitecto Possidónio da Silva, à qual se seguiram sucessivamente novas comissões, até que, a 9 de Dezembro de 1898, surge uma nova reestruturação organizacional e é criado o Conselho Superior dos Monumentos Nacionais, basicamente com as mesmas competências das comissões anteriores, fazendo parte deste Conselho os inspectores das belas artes de Lisboa e do Porto, os inspectores das Academias das belas artes, o inspector dos serviços de obras públicas, o conservador do museu nacional e os professores de arquitectura das Academias das belas artes. Este Conselho estava incumbido de estudar, classificar e inventariar os monumentos nacionais, de consultar e propor ao Governo as providências necessárias à guarda, conservação, reparação e exposição pública dos monumentos, de instruir, projectar ou propor as respectivas reparações, apropriações, aquisições e destinos do património, bem como de promover a propaganda e o culto público pela conservação e pelo estudo dos monumentos, velando pelos mesmos.
A Academia e a República
Em 1911 a Academia Real de Belas-Artes é extinta pelo Governo Provisório da República, sucedendo-lhe a 29 de Maio de 1911 o Conselho de Arte e Arqueologia (1.ª Circunscrição), com objectivos semelhantes, especialmente na conservação, administração e valorização dos monumentos e museus portugueses, sendo este por sua vez extinto a 7 de Março de 1932.
Com o Decreto n.º 20 977 de 1932, a Academia é restaurada sob o nome de Academia Nacio¬nal de Belas-Artes, por iniciativa do então ministro da Instrução Pública, Gustavo Cordeiro Ramos. Participaram também nesta instituição José de Figueiredo, também fundador do Museu Nacional de Arte Antiga, Reinaldo dos Santos, Raul Lino, José Luciano Freire, Teixeira Lopes, Xavier da Costa, Sousa Lopes, José Pessanha, Afonso Lopes Vieira, entre outros.
A galeria da Academia de Belas¬-Artes formou-se a partir de pinturas e outras obras de arte provenientes dos antigos conventos, maioritariamente da zona Centro e Sul de Portugal, os quais foram extintos em 1834. Pelo facto de se ter reunido este espólio no antigo Convento de São Francisco da Cidade aí foi instalada a Academia, juntamente com a Biblioteca Pública. Devido à falta de instalações as pinturas foram sendo colocadas em salas e corredores. Sousa Holstein reorganizou a galeria em salas para o efeito, sendo estas abertas ao público em 1869.
Os Museus Centrais
Em 1881 Delfim Guedes arrendou o Palácio Pombal, na Rua das Janelas Verdes, hoje Museu de Arte Antiga, com o intuito de se realizar a Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola. Este edifício foi comprado pelo Estado, sendo a sua abertura oficial a 12 de Junho de 1884, sob o nome de Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia, concretizando o objectivo de nele instalar o que então se designava por “Museus Centrais”, ficando entregue à Academia, nessa altura, a direcção e orientação do Museu.
Com a primeira República o Museu deixa de depender da Academia. As colecções de arte moderna foram retiradas do Museu Nacional de Belas-Artes em 1911 para serem instaladas no Convento de São Francisco da Cidade, no então criado Museu Nacional de Arte Contemporânea (actual Museu do Chiado).
Em termos de instalações a Academia permaneceu nos dois pisos inferiores do Convento de São Francisco da Cidade (Decreto de 9 de Maio de 1837), à excepção de toda a zona nascente do mesmo edifício, confinado com a Rua de Serpa Pinto, a qual foi destinada para as instalações do Museu Nacional de Arte Contemporânea, criado nesta data, albergando ainda a Biblioteca Pública e, em 1875, as instalações do Governo Civil de Lisboa.
Prémios e Publicações
A Academia Nacional de Belas-Artes tem diversas actividades, podendo-se destacar, publicações como: “Os Primitivos Portugueses”, “O Manuelino” de Reinaldo dos Santos, de saída periódica o “Inventário Artístico de Portugal” referente à inventariação por distritos de diversas obras distribuídas entre arquitectura, escultura, pintura e artes decorativas, ou uma publicação se¬mestral ou anual, o “Belas artes: revista e boletim da Academia Nacional de Belas Artes”.
A biblioteca da Academia Nacional de Belas-Artes possui milhares de volumes, sendo uma referência na arte portuguesa. A Academia Nacional de Belas-Artes possui também uma galeria de arte, na qual se expõem obras de interesse artístico e histórico.
O sistema de concursos e a atribuição de prémios produziam um elemento dinamizador da progressão da aprendizagem. Desta forma existiram concursos anuais de Desenho incidindo nas áreas do desenho de figura. Os concursos trienais eram realizados para as áreas de arquitectura, escultura e pintura histórica, sendo estas posteriormente articuladas com as exposições, também estas trienais. Mais tarde deu-se a substituição do regime de concursos por um sistema de exames finais no Curso de Desenho.
No seguimento da prática usada no reinado de D. João V e por D. José I, estavam previstas para a Academia de Belas de Lisboa bolsas de estudo para complemento da formação no estrangeiro.
Após um processo de diversos anos de discussão de regulamentos de bolsas, o então Vice-Inspector da Academia de Lisboa, Francisco de Borja Pedro Maria António de Sousa Holstein consegue aprovar, em 1865, o regulamento, sendo que no ano lectivo de 1866/1867 efectuou-se a partida para Paris dos primeiros bolseiros.
Os prémios e bolsas de estudo concedidos anteriormente pela Academia Nacional de Belas-Artes, em cumprimento do Decreto-Lei n.º 28003 de 31 de Agosto de 1937 – prémios Anunciação, Lupi, Ferreira Chaves, Soares dos Reis, José Luciano Freire, Rocha Cabral, Barão de Castelo de Paiva e Júlio Mardel e subsídio de viagem do legado dos Viscondes de Valmor – deixaram de corresponder, pela sua definição, à realidade artística do final do século XX. Assim, segundo o Decreto-Lei n.º 42, de 25 de Janeiro de 1983, e respectivo regulamento, os prémios anuais passaram a ser somente dois – o prémio Investigação e o prémio Aquisição.
A Insígnia
No ano de 1937, pela Portaria n.º 8630 de 20 de Fevereiro, é aprovada a insígnia destinada aos vogais da Academia, a qual é composta por uma medalha dourada, suspensa por um cordão com o respectivo passador. No anteverso da mesma, é figurada uma mulher jovem, realizada ao natural, que representa a Academia, e, em plano afastado, a figura do mármore pentélico do Museu de Atenas, cópia da estátua que Fidias esculpiu para o Parthenon, no reverso figura a legenda “Academia Nacional de Belas-Artes” e uma coluna dórica, adornada com livros e utensílios de escultura, pintura e arquitectura.
A 2 de Dezembro de 1982 foi aprovada, em sessão plenária da Academia, uma Medalha de Mérito abrangendo as classes de ouro, prata e bronze, com vista a galardoar pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, por actos considerados relevantes em prol da vida académica, artística ou cultural.
Em 1982 através do edital n.º 51 da Câmara Municipal de Lisboa, houve uma mudança toponímica do local, passando a designar-se Largo da Academia Nacional de Belas¬-Artes.
A 10 de Fevereiro de 1987 os estatutos da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa foram renovados. Segundo a Portaria n.º 80, de 10 de Fevereiro de 1987, a Academia é uma instituição de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica, sob a tutela da Secretaria de Estado da Cultura.
Ao longo da sua existência a Academia tem-se evidenciado pelo seu apoio à divulgação cultural e à formação de novos intérpretes culturais nas mais diversas áreas, quer através da atribuição de bolsas de estudo, para estudar em Portugal e principalmente no estrangeiro, quer através dos prémios que fomenta anualmente. Os últimos estatutos aprovados para a Academia indicam o mesmo caminho.
175 anos de existência
Prestes a comemorar 175 anos de existência, a Academia Nacional de Belas Artes, situada ao Chiado, em Lisboa, aguarda maior atenção dos poderes públicos para a sua conservação e dos documentos históricos que ali se encontram.
Uma exposição a visitar no torreão poente (antigo Min. do Exército) do Terreiro do Paço. Comissariada por Margarida Magalhães Ramalho e António Mega Ferreira. Como era o quotidiano de Lisboa no tempo da guerra, com milhares de refugiados onde se podem vi os vistos de imensos artista que por cá passaram como Max Ernst, Peggy Guguenheim, Chagal, Gulbenkian entre outros.
Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans que lhe dizia: ” Prof. Einstein, gostaria de ter um filho seu… A minha justificativa baseia-se no facto de eu ser um modelo de beleza, e tendo um filho com o senhor certamente que o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência”. Einstein respondeu: ” Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza.
Através de casos pessoais, a presente narrativa pretende ser a evocação de uma época, de uma fractura na História de Portugal.
Ter-se nascido na ditadura (nas censuras, nas representações), vivdo a revolução (o sonho, a desmesura), contribuído para a Democracia (a liberdade, a diversidade), imergido no neoliberalismo (o lucro, a excendetarização) foram experiências-limite concedidas às gerações que, agora, começam a sair, mal-amadas, de cena. Mal-amadas por míngua de sentimentos, por excesso, ausência, desencontro, receio deles.
É a sua memória, mágoa, sarro, utopia, ousadia que aqui se encenam, nesta versão recriada so Nascido no Estado Novo.Costa Gomes evita a guerra civil
Implacabilidades de Álvaro Cunhal
A morte silenciada de Marcello Caetano
O fenómeno dos Retornados
Premonições de Natália Correia
Agostinho da Silva revela Confidências de Fernando Pessoa
E antevê: a sobrevivência de Portugal, quando a CE bloquear, está em África
Uma nova etapa germinará através da lusofonia.
Fernando Dacosta
Ficcionista e autor dramático, formado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, exerceu a actividade profissional de jornalista, na sequência da qual publicou os trabalhos de investigação jornalística Os Retornados Estão a Mudar Portugal (Grande Prémio de Reportagem do Clube Português de Imprensa) e Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo (Prémios Gazeta e Fernando Pessoa). Estreou-se como dramaturgo com Um Jipe em Segunda Mão , peça que, tendo por tema as sequelas da guerra colonial portuguesa, foi distinguida com o Grande Prémio de Teatro da RTP, e editada, em 1983, com o monólogo dramático A Súplica e o diálogo Um Suicídio Sem Importância, volumes a que se seguiriam os trabalhos teatrais Sequestraram o Senhor Presidente (1983) e A Nave Adormecida (1988). Tentado pela maior liberdade de tratamento do espaço e do tempo no registo novelístico, com O Viúvo (Grande Prémio da Literatura do Círculo de Leitores) e Os Infiéis , afirmou-se no domínio da ficção com uma escrita instituída como indagação obsessiva sobre uma portugalidade entrevista num passado recente (O Viúvo ) ou no período dos Descobrimentos (Os Infiéis), e estabelecendo nexos de intertextualidade com outros autores de língua portuguesa que integram ou reflectiram sobre a mitologia do ser português, como Agostinho da Silva, Jaime Cortesão, Antero, Pascoaes, Oliveira Martins, Camões ou Pessoa.
Nano diálogo
– Estou muito decepcionada contigo, diz ela.
– Recuso comentar as tuas palavras, mas tenho imenso carinho e ternura por ti, diz ele.
– Pois! Mas não chega!
«Gonçalo M. Tavares é um escritor diferente de tudo o que lemos até hoje. Ele tem o dom — como Flann O’Brien, Kafka ou Beckett — de mostrar a forma como a lógica pode servir eficazmente tanto a loucura como a razão.» [The New Yorker]
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro.
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No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) “terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana”.
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes – “o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer”, comenta, a propósito, Nicolau Santos no “Expresso”.
Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
Após ter semi-destruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia – entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.
Uma dica de leitura para os admiradores dos autores russos: Tolstói, a biografia, de Rosamund Bartlett, pesquisadora, tradutora e especialista em literatura russa, autora também da biografia de Anton Tchékhov, é um dos novos lançamentos da Biblioteca Azul.
O livro trata da vida do escritor russo desde a infância, no século XIX (ele nasceu em 1828), até sua morte, em novembro de 1910. Além da vida privada de Tolstói, Rosamund Bartlett se debruça sobre a concepção dos grandes romances do autor: Guerra e Paz (1869) e Ana Karenina (1877); e destrincha os diferentes períodos de sua vida, traçando paralelos com a sociedade russa de sua época.
Não ficam de fora informações pouco conhecidas, como histórias de antepassados que serviram de modelo aos personagens dos seus romances, bem como os amores de juventude, os prejuízos em cassinos e a preocupação de Tolstói com a educação dos jovens russos. Ele fundou escolas e…
Uma Bíblia de mais de 1500 anos foi descoberta na Turquia e causa preocupação ao Vaticano. Isso porque a tal bíblia contém o evangelho de Barnabé, que teria sido um dos discípulos de Cristo que viajava com o apóstolo Paulo e descreve Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica.
O livro teria sido descoberto no ano 2000, e foi mantido em segredo na cidade de Antara. O livro, feito em couro tratado e escrito em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus, tem as páginas negras, por causa da ação do tempo. De acordo com as notícias; peritos avaliaram o livro e garantiram que o artefato é original.
Autoridades religiosas de Teerã insistem que o texto prova que Jesus nunca foi crucificado, não era o Filho de Deus, mas um profeta, e chama Paulo de “Enganador.” O livro também diz que Jesus ascendeu vivo ao céu, sem ter sido crucificado, e que Judas Iscariotes teria sido crucificado em seu lugar. Falaria ainda sobre o anúncio feito por Jesus da vinda do profeta Maomé, que fundaria o Islamismo 700 anos depois de Cristo. O texto prevê ainda a vinda do último messias islâmico, que ainda não aconteceu.
O Vaticano teria demonstrado preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem aos especialistas da Igreja Católica avaliar o livro e seu conteúdo.
Acredita-se que a igreja Católica durante o Concílio da Nicéia tenha feito a seleção dos Evangelhos que fariam parte da Bíblia, suprimindo alguns, dentre deles possivelmente o Evangelho de Barnabé. Há ainda a crença de que existiram muitos outros evangelhos, conhecidos como Evangelhos do Mar Morto.
Milionários são apenas 0,6% da população, mas abocanham doze vezes mais riqueza que 69,3% dos habitantes da Terra. Concentração e consumismo podem tornar civilização insustentável.
O relatório sobre a riqueza global, em 2012, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012) traz um quadro bastante amplo e esclarecedor da distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil.
Mas, evidentemente, existe uma distribuição desigual desta riqueza. Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,184 bilhões de adultos, em 2012, o que representava 69,3% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de US$ 7,3 trilhões, o que representava somente 3,3% da riqueza global de US$ 223 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam somente 3,3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 2.293.
No grupo de riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.
No grupo de riqueza entre cem mil e 1 milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.
Os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total, no mundo. Todavia, este pequeno grupo de pessoas concentrava 39,3% da riqueza mundial, um montante de US$ 87,5 trilhões, o que representava 39,3% da riqueza global. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 3,017 milhões.
O que mais chama a atenção na distribuição da riqueza é que os 29 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam um patrimônio superior a 12 vezes o patrimônio da base de 3,2 bilhões de pessoas. Os dados também mostram que os contingentes intermediários estão crescendo e que a riqueza global aumentou no passado e tende a aumentar nas próximas décadas. Em 2000, na virada do milênio, a riqueza global era de US$ 113,4 trilhões, uma média de US$ 30,7 mil por adulto, em um total de 3,6 bilhões de pessoas na situação de maioridade.
Contudo, todo o montante atual de US$ 223 trilhões de riqueza para 4,6 bilhões de adultos, em 2012, está sustentado em bases frágeis, pois a riqueza do ser humano (em sua forma piramidal) está alicerçada sobre bases naturais degradas pelas atividades antrópicas. A pirâmide da riqueza humana tem crescido e se ampliado sobre uma base de pauperização dos ecossistemas. Não é improvável, que em algum momento, a pirâmide possa afundar por falta de sustentação ecológica ou possa implodir por falta de justiça redistributiva em sua arquitetura social.
Enquanto o capital natural tem sido depredado, a riqueza global (e o consumo) dos seres humanos cresceu cerca de 50% no século 21, passando de uma média per capita de US$ 30,7 mil no ano 2000, para US$ 43,8 mil em 2010 e para US$ 49 mil, em 2012. Todavia, as necessidades e os sonhos humanos são ilimitados e os de baixo da pirâmide aspiram o padrão de consumo daqueles do meio e do topo do status social. Mas é impossível haver um crescimento ilimitado da riqueza material em um planeta finito e a história mostra que, em vários momentos, pirâmides que pareciam sólidas se transformam em castelos de areia.
Não é sem surpresa que os indignados do mundo estão se unindo, se mobilizando e corroendo as estruturas piramidais das sociedades árabes, espanhola, europeia, dos Estados Unidos, etc. Também não é sem surpresa que a indignação tenha chegado ao Brasil, pois existe um mal-estar geral com o modelo de desenvolvimento econômico, com o funcionamento da democracia, com a imobilidade urbana e social e com a relação humanidade/natureza. Evidentemente, este mal-estar aparece de maneira difusa e sem alternativas claras de novos rumos.
Mas o que o mundo precisa não é manter o processo de ampliação da pirâmide da riqueza e do consumo e, sim, construir relações mais horizontais, simples e justas entre as pessoas e entre as pessoas e o meio ambiente.
– José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionaise Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Daniel Deusdado
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Jogar pelo Seguro: António Costa a PM
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Cavaco instalou a derrota final. Esta solução de ‘nem antecipa já nem Governa até ao fim’ é a pior de todas – um Governo de gestão por um ano cuja única missão é reunir com a troika e fazer tudo o que os ‘mercados’ exigirem. Só que a chantagem da “salvação nacional” não basta para unir estes partidos, neste momento, sob coação do presidente.
O problema é o da credibilidade dos líderes. Passos Coelho é apenas o último exemplo desta inconsistência e por isso os portugueses temem tanto António José Seguro. Mas bastaria dois dedos de testa no PS e isto resolvia-se sem se hipotecar o sistema democrático através de uma aliança irrespirável entre PSD, CDS e PS e no qual se entrega o voto de protesto ao PCP e ao Bloco.
Como sair daqui? Seguro foi eleito líder do PS (só Deus sabe porquê…) mas é evidente que o país preferia ter à frente dos socialistas António Costa. Ora, António José Seguro tem uma grande oportunidade de se revelar pela primeira vez um estadista. Basta anunciar que o PS indica António Costa para primeiro-ministro das eleições (sejam elas quando forem).
Se fosse lúcido, Seguro tê-lo-ia feito já na semana passada e acabava de vez com o Governo. Mas o projeto de Seguro não é o país, é o de “Ele” ser primeiro-ministro. Tal como Passos Coelho. Querem entrar na história a todo o custo, apesar dos milhões de vítimas provocadas pela sua ignorância profunda para a função. Seguro pode tentar demonstrar que é competentíssimo no mundo in vitro onde vive, mas há todos os dias alguém a fazer campanha contra o líder do PS: é o líder do PSD. Passos mostra como um jotinha profissional é bom a conquistar distritais e assustador a gerir um Governo real.
Se António José Seguro pusesse o seu ‘ego’ ao largo e por um minuto pensasse nos portugueses, perceberia que António Costa tem mais perfil para o momento que atravessamos. Tem experiência – foi um bom ministro da Justiça, foi um excelente ministro da Administração Interna. Lisboa é uma cidade que ganhou brilho com ele. E tem uma boa rede de ‘inteligência’ capaz de colocar ao seu lado uma equipa séria para pastas essenciais num Governo.
Mais: no contexto em que estamos, seria pacífico e clarificador que o PS não apresentasse Costa à Câmara de Lisboa. Da forma que o PSD está, seria o momento certo para um novo rosto iniciar um ciclo na capital. Aliás, haveria um impulso PS por todo o país com esta credibilização da liderança socialista. Entretanto, António José Seguro poderia liderar o PS neste impasse e depois no Parlamento em apoio ao futuro Governo, ou ficar como vice-primeiro-ministro, ou ser ministro dos Negócios Estrangeiros – enfim, o que quisesse. Com esta decisão os portugueses ficar-lhe-iam gratos e acreditariam que existe algo mais na ambição de Seguro do que, apenas, ligar à família e dizer: “Olá! Já sou primeiro-ministro”.
Um outro ponto essencial de uma estratégia nova: com António Costa o PS poderia ter a ambição de reclamar uma maioria absoluta porque Costa é bem-visto simultaneamente à esquerda e à direita do PS. E com uma provável maioria absoluta do PS terminaria o dogma da “instabilidade”. Um Governo de quatro anos socialista seria melhor do que esta brincadeira a prazo que temos à frente em nome da “estabilidade”. Até os mercados agradeceriam um novo cenário.
Além disso, o risco do regresso às políticas “Sócrates” – a que ficou ligado o PS – ficaria muito mais mitigado porque Costa tem um pensamento próprio enquanto Seguro voga entre os de Costa, os de Sócrates e os que estão a ver para onde as coisas caem.
Insistindo Seguro no seu incontornável “Eu”, as próximas autárquicas podem ter um sentido útil: à exceção de Lisboa, os portugueses que querem votar apenas em protesto (porque não têm certezas sobre os candidatos PS), deveriam votar noutros partidos. É hora de se fazer uma moção de desconfiança a este líder do PS que não percebe a importância do momento que todos estamos a viver e não abre caminho à solução de que os portugueses desesperadamente precisam. Mesmo com austeridade e sacrifícios no futuro, precisaríamos de recomeçar, já, com um Governo decente. Sem Passos, Portas ou Seguro.
Agnes Caroline Thaarup Obel é uma música, cantora e compositora dinamarquesa. Seu primeiro álbum, Philharmonics, foi lançado pela PIAS Recordings em 4 de outubro de 2010 na Dinamarca, Noruega, Alemanha e outros países europeus. Wikipédia
“(?) Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer. (?) O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo. (?) ficar no governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível (?) a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo. (?)”
Não foi o dr. Passos que tomou decisões sem consultar o dr. Portas. Não foi o dr. Passos que desprezou o PS e os parceiros sociais ao longo destes dois anos. Não foi o dr. Passos que viu o seu ministro das Finanças demitir-se dizendo que os objetivos do ajustamento tinham falhado. Não foi o dr. Passos que sempre apoiou o caminho traçado pelo dr. Gaspar. Não foi o dr. Passos que nomeou a dra. Maria Luís contra a opinião do dr. Portas. Não foi o dr. Passos que criou os megaministérios.
(…) o dr. Passos é um estadista. Um estadista mariola, mas um estadista. Agradeçamos esta dádiva dos deuses.
Leitura pública de “Macunaíma no meu Pátio” de Luís Carmelo
18 de Julho, quinta-feira | 18.00 horas
Sala Sophia de Mello Breyner, Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, 68
Entrada livre
“Macunaíma no meu Pátio” é um livro inédito de Luís Carmelo. Baseado na rescrita de Macunaíma de Mário de Andrade, o relato segue as instáveis linhas narrativas do original brasileiro, embora recrie e reinvente tudo o resto: espaço, linguagem, ritmo, mitologias e situações. Escrito em Abril de 2013, a obra, antes ainda de conhecer a sua edição em papel, vai ser apresentada em público em Évora através duma leitura que será levada a cabo pelo próprio autor.
ANTÓNIO COSTA tem o maior gosto em convidar V. Exa. para a sessão em que apresentará publicamente a sua recandidatura à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.
Na mesma sessão serão apresentados os cabeças de lista à Assembleia Municipal de Lisboa e às novas 24 freguesias. Será igualmente apresentado o Mandatário da candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA.
A apresentação pública da Candidatura à CM de Lisboa de ANTÓNIO COSTA.
A presença de todos é importante para a afirmação de apoio a ANTÓNIO COSTA e à candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA, na preparação do futuro da nossa cidade.
Não falte, todos são necessários, porque JUNTOS FAZEMOS LISBOA!
A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, uma das maiores festas de literatura do Brasil, encerrou ontem (07.06) e reuniu durante cinco dias mais de 2o mil pessoas em Paraty, Rio de Janeiro, Brasil. O ponto alto, segundo os coordenadores do evento, foram as discussões políticas pautadas pelas manifestações que tomam o país desde junho.
Para fortalecer e fundamentar ainda mais as discussões sobre o quadro atual brasileiro a festa teve como homenageado Graciliano Ramos, autor pautado por “preocupações políticas na sua obra e pelas implicações do lugar do intelectual no Brasil”, disse o curador da FLIP, Miguel Conde.
Este ano, além da programação principal da FLIP que trouxe uma série de palestras, algumas ligadas diretamente ao escritor, outras com temas mais amplos, eventos paralelos como a Flipinha, dedicada ao público infantil, disputaram olhares e público. Além disso, exposições e shows formaram o cenário cultural desta grande festa.
“ Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”
Do outro lado, tem um enorme vazio, António José Seguro, o homem que não existiu nesta crise, porque eleições antecipadas era a última coisa que queria, em razão inversa das vezes de que falou nelas. À direita aconselham-no a “fazer de morto”, para castrar todas as veleidades de ele fazer qualquer oposição que se veja. É um conselho errado, porque ele está já de há muito morto, não precisa de se “fazer”.
Nunca em toda a minha vida, antes ou depois do 25 de Abril, senti um tão agudo ambiente de “luta de classes”. Os de baixo contra os de cima. os de cima contra os de baixo. Os de cima que fazem de conta que não há os de baixo, não existem, ponto. Os de baixo que se pudessem apanhar os de cima, sem a corte de guarda-costas, os fariam passar um mau bocado. Sem organização, sem instigação, como quem respira.
Em 1974-5, o conflito era de outra natureza, era dominantemente político, e não tinha essa fractura social evidente e agressiva como base. Era sobre liberdade e ditadura, sobre o Portugal do passado mais do que sobre o Portugal do futuro. Com excepção dos retornados, pouca gente sofreu nesses anos, nem mesmo os presos pelos mandatos de captura em branco do Otelo, ou as centenas de MRPP presos. Dez anos bastaram para normalizar a democracia, acabar com os restos do PREC, absorver os retornados, sem feridas permanentes.
Agora as feridas vão ser profundas e vão durar muito tempo. A identidade do país soçobrou dentro da Europa a favor da burocracia de Bruxelas e do directório alemão. Antes era por inconsciência, agora é pela necessidade. Mas, antes e agora, porque a nossa elite dirigente tem em pequena conta o país, não gosta dos portugueses, desconhece a nossa história e tradições, e está dominada por interesses. Não lhes passa pela cabeça que, agora que as pessoas têm que comer terra, talvez escolhesssem comer a mesma terra que comem e vão comer no futuro, sem ter que suportar a tutela arrogante de quem, nos desprezando, nos dá lições de moral e disciplina.
O tecido social está rasgado, o país deslaçado, onde um discurso de guerra civil penetra, fazendo o vizinho dono de um pequeno café, vergado de impostos, voltar-se contra o vizinho professor em vésperas de ser “requalificado”, em vez de olhar para cima, para quem de forma leviana e muitas vezes incompetente, balizado apenas pelo círculo de ferro do nossso establishment, no qual a banca define a pertença e a exclusão, está a conduzir uma operação de empobrecimento colectivo de muitos para salvar a “economia” de poucos. E esses poucos, são os que nos colocaram na situação em que estamos.
Hoje há reacção, reacção de reaccionarismo. Há um acantonamento de emergência com armas e bagagens do lado do governo, preparado para tudo, para ser agressivo, para fazer todas as chantagens (a chantagem teve um papel nesta crise) , a cilindrar tudo e todos à frente. Do outro lado, tem um enorme vazio, Antònio José Seguro, o homem que não existiu nesta crise, porque eleições antecipadas era a última coisa que queria, em razão inversa das vezes de que falou nelas. À direita aconselham-no a “fazer de morto”, para castrar todas as veleidades de ele fazer qualquer oposição que se veja. É um conselho errado, porque ele está já de há muito morto, não precisa de se “fazer”. E está morto do lado deste Navio Fantasma que é o governo.
E depois tem um BE encurralado e sem estratégia, e um PCP, há muito tempo numa posição defensiva, que tem um papel fundamental nos sindicatos (sem a acção sindical de resistência, real ou potencial, ninguém falaria de “cansaço da austeridade” e o governo e a troika teriam ido muito mais longe na criação do país de mão de obra barata e disciplinada que pretendem) , mas é inútil no plano político. Os “indignados” e companhia tem folclore a mais e a actuação pelas redes sociais é no essencial preguiçosa e atentista.
Ou seja, a maioria dos de baixo está entregue à fúria populista e ao desespero.
Há algum tempo uma boa amiga interrogava-se sobre o meu “silêncio político”. Mas dizer o quê? Ontem o Dr. Passos Coelho brindou-nos com mais um dos seus redondos comunicados. A seu lado, Paulo, o irrevogável, Portas, parecia ter envelhecido dez anos e colecionava tiques de nervosismo. Pano de fundo sobre o qual se desenhavam os jograis? Portas, num registo laico, imitou Marcelo, quando este afirmou que “nem se Cristo voltasse à Terra…”. Justificação para uma pirueta de tal dimensão, após uma decisão que até homens como Lobo Xavier e Nobre Guedes criticaram? Mas está bom de ver! – o interesse do País, ou seja, o nosso. Poder reforçado para si e para o CDS/PP no Governo, agora é que chega o desenvolvimento. E se não chegar? Fácil, acusa-se a desaparecida em combate Ministra das Finanças de ter bloqueado as iniciativas da “Nova Política”. (Sim, a que não podia ter sido escolhida e motivou a decisão irrevogável…). Passos Coelho “promoveu e premiou” quem considera tê-lo traído? Fácil, fê-lo pensando no interesse nacional, ou seja, em nós. Manteve-o no mesmo barco e à mão de semear para o passa-culpas eleitoral. E manteve-se Primeiro-Ministro, não vão algumas cabecinhas do PSD avançarem com um nome que não o seu para candidato. (E mesmo assim…). Cavaco já tem mais um prefácio para escrever em 2014 sobre deslealdades sofridas às mãos de Governos, ser avisado uma hora antes da posse da Ministra – entre outras coisas… – deve tê-lo feito pensar que Sócrates não era o único pronto a desconsiderá-lo olimpicamente. Mas e agora? Depois de se ter colado a este Projecto – também no nosso interesse, claro! -, e apesar das consultas e de frases como “seja qual for o Governo…”, vai tirar-lhes o tapete e vencer o seu horror a sair de uma zona de conforto que reduz a presidência a uma figura de estilo? Veremos… A verdade é que tudo isto é trágico para o país, mas nada estimulante como tema de reflexão. Quando muito, estes actores políticos lutam pela sua sobrevivência. Às vezes nem isso – exemplificam apenas como ética e competência deixaram de ser condições obrigatórias para dirigir a Cidade.
Depois do triste dueto de ontem à noite, The song remains the same, como cantaram os Zeppelin 😦
O coração de Lisboa tem novas cores e bate ainda com mais alegria e vitalidade com a abertura da primeira loja própria Havaianas em Lisboa, situada no nº 42 da mítica Rua Garrett, em pleno Chiado.
Eleições não, que as perdemos. Tudo isto porque Paulo Portas se esqueceu dos submarinos e sonhou-se numa coligação com o Seguro.
Não sejam piegas: nem o PS teria maioria absoluta, para alianças à esquerda não está virado e tem de se pasofikar antes, deixem lá o povo ir a votos, dá um governo do arco, provavelmente com menos jotinhas e até com gente que saiba fazer contas. Exactamente o que o país precisa para um ou dois resgates depois ter um governo de esquerda.
A demonização das eleições é um dos traços autoritários mais preocupantes dos dias de hoje. As eleições são apresentadas como sinónimo de um “país que pára”, um acto inútil “porque tudo fica na mesma”, um enorme desperdício de dinheiro a evitar a todo o custo. Ouvindo com atenção os argumentos hostis à possibilidade de eleições imediatas percebe-se que eles não dizem respeito apenas à antecipação de eleições no actual contexto de crise, mas a todas as eleições, às eleições de per si. São, no seu entender, um momento anti-económico e um obstáculo a que o país “trabalhe” e “ande para a frente”. A questão tem a ver com a ideia de que a democracia é uma perturbação inaceitável, ou apenas aceite no limite da condescendência, para um ideal de funcionamento tecnocrático, aplicado por uma burocracia “racional”, a mando de não se sabe de quem.
PS: Os mesmos que se queixam de que, se houver eleições, “o país pára oito meses” (uma patetice sem qualquer correspondência com a realidade), andam há muito a prometer que encurtam os prazos eleitorais na lei, e, de legislatura em legislatura, não tomam nenhuma iniciativa nesse sentido, mantendo prazos e tempos de campanha excessivos.
Lembramos que é já esta sexta-feira, 5 de Julho (depois de amanhã, portanto), às 18h30, que Onésimo Teotónio Almeida apresentará, na Póvoa, na recém-inaugurada sede da Fundação Dr. Luís Rainha, sita à Rua da Alegria, nº. 10 (ali ao pé da Igreja de S. José), o seu mais recente livro, Quando os bobos uivam. A sessão contará com um apontamento musical interpretado à viola, por Bruno Ribeiro.
Onésimo Teotónio Almeida é um dos convidados residentes do Festival Literário Correntes d’ Escritas, imprescindível companhia em qualquer momento.
É preciso muito cuidado em aceitar pelo seu valor facial tudo o que se anda por aí a dizer. O Navio Fantasma vai ser assim, muita mentira, desespero, muito desespero com carreiras e resultados eleitorais. Alguém mentiu a Portas. E vice-versa. Alguém mentiu a Passos Coelho. E vice-versa. Alguém mentiu a Cavaco Silva. Alguém mentiu a todos nós. Alguém mentiu e mente aos portugueses. Já estamos em eleições.
Like Auschwitz you can do it as a pre organised tour that will pick you up from your hotel, or for half the cost you can get there on public transport and do the guided tour there (you have to do a tour, you can’t wander around in the mines by yourself). We caught the 304 bus from near the main station and it got us there in about half an hour. If I remember rightly English tours are every half an hour, though maybe it was every hour?
It will take up half the day, but when Krakow is hovering around 33 degrees you’ll be thankful of the nice cool mines, plus you can lick the walls (seriously!) and replace some of the salts your body lost while sweating outside the day before. Don’t lick the statues though…
We went to Aushwitz because it’s really just something you should do if your in Krakow, you probably won’t enjoy yourself but you owe it to yourself as a human to go. There was a quote on a plaque in the entrance, I forget who it was from, or even it’s exact words (why didn’t I take a photo of it!) but it was basically “we must remember the evil of our past so we will not commit it again in our future”.
I’m not going to go into detail about what the tour entailed or what happened here, you probably already know, and if you don’t, do yourself a favour and read up on it, you could do worse than following the Wikipedia link above.
If you do decide to go when you’re there you will see pamphlets and advertising everywhere for organised tours they will pick you up…
An apartment full of boxes in Carroll Gardens
An art space in Bushwick
A mother and daughter in Central Park
A little house with a white picket fence in the suburbs
* * *
* * *
Such different life paths
From each other, and from mine
Yet New York City is like glue
Where these intersections materialize
We talk about the dance between travel and memory
Each step to both recall and reshape
In Brooklyn, the sidewalks are familiar
Yet with each step I’ve forgotten and let go
* * *
* * *
I once had a chance to live here
The MFA program I did not choose
An alternate timeline, a life in this big city
A much different now
That last line is missing a question mark
As now could be as it is
Or not at all
Living elsewhere, unmarried Walking a path…