Author Archives: Das Culturas
Notre Dame de Paris 1956 | french | Anthony Quinn and Gina Lollobrigida
Um livro de pano nas mãos … talvez minha a memória mais antiga | Paulo Dentinho
Os professores são sempre um atelier do futuro

É talvez minha a memória mais antiga, ela com um livro de pano nas mãos, insistindo comigo para tentar ler aquela história para crianças. Era o tempo das primeiras letras, e essa mulher extraordinária procurava trazê-las ao meu conhecimento, enredando ardilosamente a minha curiosidade infantil na trama de uma história de coelhos feitos gente… A minha avó Angelina foi a minha primeira professora. Era então reitora de um liceu de Lisboa, o Rainha Leonor.
Depois, tive muitos outros professores. Alguns foram bons, outros muito bons, houve vários medíocres, um ou outro verdadeiramente mau.
Comigo, para sempre, tenho o Virgilio Ferreira, a Euridice, a Miriam… Afinal, eu sou eles todos, porque todos eles fizeram também de mim o que sou. Foram, para o melhor e para o pior, verdadeiros “andaimes” onde me construí adulto.
Os professores são sempre um atelier do futuro… Não perceber isto é não perceber o seu papel na sociedade, em qualquer sociedade!
A Euridice disse, naquela primeira aula do primeiro ano de Filosofia no liceu de Faro, “o objectivo desta disciplina é chegarem ao fim do ano com muito mais dúvidas do que aquelas que hoje têm”. O jornalista que sou nunca esqueceu essas palavras…
Aquário Vasco da Gama | Dafundo, Algés, Lisboa | por António Saraiva

No Aquário Vasco da Gama, que depende da Marinha Portuguesa, ao contrário do Oceanário e Lisboa, não vão muitos turistas, nacionais ou estrangeiros.
Infelizmente, poucas pessoas sabem a importância que o Aquário Vasco da Gama, pelo imenso trabalho que lá se desenvolve, mesmo com péssimas condições de trabalho e tanques, e equipamento altamente degradado.
É nesse Aquário que se reproduzem, em tanques adequados, mas a necessitar com urgência de obras de manutenção, muitas espécies de peixes, que depois são colocados nos rios portugueses, entre muitos outros os endémicos ruivacos do Oeste.

Compreendo que, no Planetário, tenham efectuado obras profundas e de elevado custo monetário, não só porque a ciência avançou mas também porque, para a Marinha, que gere o Museus da Marinha, o Aquário Vasco da Gama e o Planetário, são, em parte sustentados pelos dinheiros pagos pelos turistas.
Deve por estar velho e caduco, mas já nasci velho porque ao longo dos meus 79 anos, houve sempre muitas coisas que nunca entendi.
Continuar a lerPuccini: Madama Butterfly, “Un bel di vedremo” | Asmik Grigorian
Asmik Grigorian and Sergey Polyakov | Manon Lescaut act4
Rússia vai pôr militares em regiões anexadas e perto da Finlândia | História de Patrícia Cunha in LUSA

Moscovo, 17 jan 2023 (Lusa) – O ministro da Defesa da Rússia anunciou hoje um aumento do número de militares para 1,5 milhões, a criação de uma unidade do exército na fronteira com a Finlândia e agrupamentos nas regiões ucranianas anexadas.
“O Presidente russo, Vladimir Putin, decidiu aumentar o número de efetivos das forças armadas para 1,5 milhões de militares”, afirmou Sergei Shoigu, numa reunião do seu ministério, alegando que “só é possível garantir a segurança militar do Estado e proteger novas entidades federadas e instalações críticas se se fortalecer as principais componentes estruturais das forças armadas”.
Segundo a agência oficial russa TASS, as forças armadas russas contam atualmente com dois milhões de efetivos, dos quais 1.150.628 são militares.
O número de militares aumentou depois da entrada em vigor de um decreto de Vladimir Putin, a 01 de janeiro, que obrigou 137.000 pessoas a incorporar as forças armadas.
Shoigu sublinhou que vão acontecer, entre 2023 e 2026, “mudanças de grande escala na composição das forças armadas, [com] um aumento do número de militares e uma alteração na divisão militar-administrativa da Rússia”.
Estas mudanças implicam a criação de dois novos distritos militares, em Moscovo e em Leninegrado, e de grupos de forças armadas nos territórios das “novas entidades constituintes” da Rússia, ou seja, nas regiões ucranianas de Kherson, Zaporijia, Donetsk e Lugansk, anexadas em setembro, adiantou o ministro.
FOTO: Russian Government meeting© Fornecido por Lusa
Messi ou Maradona: Lionel Scaloni elege o melhor

Entrevistado pela estação de rádio espanhola COPE, o treinador argentino Lionel Scaloni escolheu o melhor entre Lionel Messi e Diego Armando Maradona: “Se eu tivesse de escolher um entre estes dois seria Leo. Tenho uma ligação especial com ele. Ele é o melhor jogador de todos os tempos, embora Maradona também fosse obviamente fantástico.”
Para marcar os 40 anos da geração do mimeógrafo | por Adelto Gonçalves
Coletânea reconstitui os primeiros passos da criação do grupo Picaré e traz depoimentos e poemas dos participantes

I
Para assinalar a passagem da quarta década da aparição de um movimento literário e artístico que marcou época não apenas no Litoral paulista mas em boa parte do Estado e até do País, o poeta Raul Christiano organizou a Coletânea Picaré – 40 anos de Poesia & Artes (Santos, Realejo Livros, 2022), que, além de uma longa introdução que contextualiza o surgimento daquele grupo, traz depoimentos e peças poéticas de 38 dos 57 ativistas que fizeram parte daquela multiação literária.
Ativista cultural, Christiano foi, em 1979, ao lado de Rafael Marques Ferreira, à época recém-ingressados na Faculdade de Comunicação (Facos) da Universidade Católica de Santos (UniSantos), um dos fundadores do grupo Picaré, que encerrou suas atividades em 1983, e um dos participantes ativos das chamadas gerações do mimeógrafo e da poesia marginal nos anos 1970 e 1980.
Como observa Christiano na introdução, o movimento Picaré tentou romper com o academicismo, sem deixar de manter uma política de boa vizinhança com escritores e entidades literárias já estabelecidas. Não se pode esquecer que, à época, o Brasil vivia sob os rigores de uma ditadura militar (1964-1985), marcada pela repressão às liberdades democráticas, com censura, perseguição política, torturas e mortes, inclusive com a presença disfarçada de agentes dos órgãos repressores nas salas de aulas da Facos. Mas, ao mesmo tempo, aquela seria uma época de muit a curtição e desbunde, especialmente em São Paulo, a partir da ação de jovens que fizeram das pichações e grafites o espaço para as suas manifestações artísticas e políticas.
Mandatarios de México, EUA y Canadá ofrecen mensaje conjunto en Palacio Nacional | Cimeira da América do Norte
Fotografias | Sofia Loren


1º » Asmik Grigorian: La Traviata (Highlights) | 2º » CONCIERTO ASMIK GRIGORYAN
PERÚ | FRANCESCO PETROZZI | “La educación de nuestros hijos”
ARTURO PÉREZ-REVERTE | Estão a apagar a História dos planos curriculares dos jovens

“O problema que há hoje na Europa, em Espanha e em Portugal é que estão a apagar a História dos planos curriculares dos jovens, e estes crescem sem saber História. Se não se conhece a História, não se tem ferramentas para se conhecer o presente. Somos o que somos porque fomos o que fomos no passado, e Espanha e Portugal não se explicam sem todos esses séculos de memória. Não ensinar a História aos jovens, não os levar a museus onde vejam quadros, a origem de onde tudo vem, é condená-los à orfandade, e, quando alguém é órfão, qualquer um pode dizer que é seu pai, é esse o perigo. Um órfão é muito manipulável. Estamos a criar gerações de órfãos, e isso é muito triste e muito perigoso.”
MOZART’S LETTERS

* Mozart wrote nearly 650 compositions – According to Kochel’s counting ( 1863 ) REQUIEM IN D Minor is the 626 piece Mozart composed.
* Over and above this activity he also found time to pen more than 1200 letters, making him one of the most prolific writers of his era.
Numerous love letters to his wife Constanze, his father Leopold, his sister Nannerl, his friend composer Joseph Haydn …, have come down to us.
– He loved to play with words, not only in his native German but in French and occasionally Italian as well.
Mozart wielded words as easily as he did musical notes.
Sometimes he played with the words themselves. For example, he often jokingly signed letters Trazom Gnagflow, his name in retrograde.
– Mozart’s letters show he knew his worth as a musical genius even though he always came up empty handed i job hunts:
Continuar a lerDeunice Maria Andrade | Gigantes de nós mesmos

Perséfone Diana
Plantar a cântaros
amiúde renovar a terra,
purificar recantos,
expatriar o nativo bárbaro.
Colher a palavra grave,
pausar o silêncio,
cantar a brandura,
ouvir a paroxítona,
entender o teor enclaustrado.
Continuar a lerFOTOGRAFIA | Marilyn Monroe | by Jack Cardiff
This was the favorite photo of Arthur Mille

Pinturas | Henri Matisse ” Meditation” 1920

4Eduarda Vieira, Ana Cravo e 2 outras pessoas
Pinturas | Henri Matisse (French, 1869–1954) | Woman Seated in an Armchair, 1920 | Philadelphia Museum of Art

1Viktor Stuart
Pinturas | Jean Metzinger | Table by a window, 1917

Tamara de Lempicka, Portrait of Suzy Solidor (Portrait de Suzy Solidor) , 1933, Oil on wood panel.
Pinturas | Pablo Picasso | Seated Woman in a Garden 1938

O povo português na arte de Álvaro Cunhal | in vermelho.org.br | por Cezar Xavier

Faz 17 anos que perdemos o revolucionário Álvaro Cunhal. Além de seu legado no coração do povo português, seu humanismo estético está na arte deixada para apreciação. 14/06/2022
Faz 17 anos que o mundo perdeu Álvaro Cunhal, em 13 de junho de 2005. Ainda que um gigante revolucionário do povo português, Cunhal também era um poeta, sempre refletindo sobre arte, mesmo no cárcere, onde não deixou de expressar-se por meio de desenhos. Desta forma, olhar para seus sinuosos desenhos dramáticos e sombrios, retratando seu Portugal sob a ditadura de Salazar, é uma forma de evocar sua luta. Mesmo na escuridão da prisão, enxergava a realidade de seu povo melhor que aqueles que estavam fora dela. A liberdade nem sempre está na possibilidade de ir e vir.
Dez anos sem a presença inspiradora de Álvaro Cunhal
O amigo e camarada Rogério Ribeiro relata de quando acompanhou-o em viagens na apresentação do seu livro A arte, o artista e a sociedade. “Era comovente ver o seu entusiasmo quando propunha à plateia que ouvisse um pequeno trecho gravado. Uma voz feminina, cantando, elevava-se como uma lâmina aguda ganhando o silêncio da sala, numa breve melodia de rara beleza pela extensão e pela qualidade e timbre da voz. Depois perguntava: Sabem o que ouviram? Não é uma diva, é uma camponesa de Trás-os-Montes num canto de trabalho”.
Álvaro Cunhal, uma vida de luta pela liberdade e o socialismo
Continuar a lerPINTURA | Georgy Kurasov

Actriz | Jane Russel
Ernestine Jane Geraldine Russell (21 de junho de 1921 – 28 de fevereiro de 2011) foi uma atriz, cantora e modelo norte-americana. Ela foi um dos principais símbolos sexuais de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950. Ela estrelou em mais de 20 filmes.
Russell mudou-se do Meio-Oeste para a Califórnia, onde teve seu primeiro papel no cinema em The Outlaw (1943), de Howard Hughes. Em 1947, Russell mergulhou na música antes de retornar aos filmes. Depois de estrelar em vários filmes na década de 1950, incluindo Gentlemen Prefer Blondes (1953), Russell retornou novamente à música enquanto completava vários outros filmes na década de 1960.
Russell se casou três vezes, adotou três filhos e, em 1955, fundou o Waif, o primeiro programa internacional de adoção. Ela recebeu vários elogios por suas realizações no cinema. Sua mão e pegadas foram imortalizadas no pátio do Teatro Chinês de Grauman. Uma estrela com seu nome foi colocada na Calçada da Fama de Hollywood.
https://en.wikipedia.org/wiki/Jane_Russell

TIAGO SALAZAR | FILOSOFIA DOS ESCRITOS | Escrever, tal como uma prática oratória, é sacudir, é agitar as águas chocas do charco, é animar a criança interna
Como bem disse ontem a minha muy estimada editora, Maria Do Rosário Pedreira, devia estar ocupado do meu próximo romance e dos vindouros, no lugar de gastar tempo e engenharia a criar posts. Acontece que estes posts nascem num ápice, são quase escrita automática, e mesmo quando me ponho a jeito de censores e púdicos, se os temas abordados chocalham os badalos, as mamas e os intestinos, não há espiga. Escrever, tal como uma prática oratória, é sacudir, é agitar as águas chocas do charco, é animar a criança interna, é remeter os leitores para as interrogações de quem está por detrás da prosa, poema ou post. Já agora, se não for pedir muito, comprem os meus livros. São 17 editados e mais um no prelo. Este. Aceitam-se encomendas.

Verdi : Rigoletto (Chorégies d’Orange : Nadine Sierra / Amélie Robbins / Leo Nucci / Alain Guingal) | 2h09m49s
Diário de Notícias | 09-01-2023

Dia de recordar Simone de Beauvoir (9 de janeiro de 1908 -14 de abril de 1986) | Bertrand Livreiros
Conhecida como ícone feminista, Simone de Beauvoir foi escritora, ativista, professora, socióloga e filósofa (apesar de nunca se ter considerado como tal). Tendo escrito sobre os mais variados assuntos, desde romances a ensaios, é pelo livro O Segundo Sexo, um verdadeiro tratado sobre a condição da mulher ao longo da História, que é mais conhecida. Neste, escreveu uma das suas ideias mais célebres, marcada pela sua teoria existencialista de que a existência antecede a essência: Não se nasce mulher, torna-se mulher.
Sugestão: O Segundo Sexo – vol. 1
Disponível aqui: bit.ly/segundo_sexo_

The Beatles Bronze Statue | in Liverpool | de Obraz života
De Mestre Álvaro Cunhal | desenho [pintura], mulher com cântaro

Händel: Núria Rial, Philippe Jaroussky
Fillide: Núria Rial, soprano Aminta: Philippe Jaroussky, countertenor
DEMOCRACIA | José Manuel Correia Pinto

É hoje do conhecimento geral que a entrada da União Europeia na guerra na Ucrânia, a mando dos Estados Unidos, está destruindo as economias dos países europeus, principalmente dos mais desenvolvidos, com efeitos devastadores nos demais dada a íntima ligação das suas economias. É um mal que não se cura com o tempo. Pelo contrário, tornar-se-á tanto mais grave quanto mais tempo passar .
Este alinhamento da União Europeia e dos seus Estados membros com a política americana levou a que os custos da guerra não apenas em armamento, em si brutais, mas também nos auxílios da mais diversa natureza, sejam, sem retorno econômico, suportados pelos europeus. Se a isto juntarmos as consequências decorrentes da estúpida política das sanções “decretadas” pela União Europeia e respectivos Estados membros contra Russia, cujos efeitos devastadores recaem sobre os próprios Estados Europeus sancionadores, temos aquilo a que se pode chamar a mais perfeita auto-destruição de uma zona de conforto e bem estar invejável aos olhos da esmagadora maioria da população deste planeta que pelas mais variadas razões e causas não pode gozar de idêntica situação
Se a isto ainda acrescentarmos a inoperância da fúria sancionatória contra os seus destinatários bem como o seu efeito reflexo positivo para a política imperialista americana que por esta via reforça a seu poder hegemónico sobre um dos seus principais concorrentes a nível mundial e se nos lembrarmos que todas estas consequências eram previsíveis e antecipaveis, como se demonstra por uma simples consulta ao que nas redes sociais se foi escrevendo sobre o assunto antes iniciada a guerra bem como logo que se começaram a esboçar as principais linhas políticas norteadores da política europeia, a pergunta que inevitavelmente terá de ser feita é esta:
Quem autorizou os governantes europeus a actuar no sentido indicado? Como se pode legítimar uma política de tão funestas consequências para os povos europeus?
A resposta é aparentemente muito simples: mediante a criação de um clima emocional orquestrado por toda a comunicação social apoiada em falsas ou unilaterais notícias e imagens bem como pelo massacre diário de comentadores imbuídos das mais diversas fobias com vista a criação e exploração emocional de um ambiente maniqueísta como fonte legitimadora substitutiva da vontade popular
A isto se chama DEMOCRACIA , tida, neste ocidente em que a UE se integra, como conceito valorativo impositivo universal
“Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” | Papa Francisco

“Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”
(Papa Francisco)
Pablo Picasso | Mother and Child, 1905 | Rose period, sketch and study

“É preciso ensinar a compreensão humana” – Edgar Morin

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.
Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.
Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:
Continuar a ler“A política é a luta pela felicidade humana” | Pepe Mujica

Não há nada melhor que me possam oferecer do que uma grande inspiração. Viver inspirado não tem preço, é a maior riqueza que podemos ter, é ter um motor de combustão para a felicidade em estado puro.
Eu lembro-me da primeira vez que o conheci. Foi em 2016. Eu tinha sido convidado para fazer parte de um painel que iria comentar, num cinema da Casa das Artes no Porto, o documentário “Human” de Yann Arthus-Bertrand. Talvez o melhor documentário que já vi na vida (está disponível no Youtube). Chorei, ri-me, mas acima de tudo, senti. Senti isso que nem sem sempre sabemos bem o que é: ser, humano. Ainda para mais, foi na antevéspera da minha ida para a Rep. Centro-Africana em missão. Depois desta injecção poderosa de humanismo era impossível partir mais inspirado. Todo o documentário nos apresenta pessoas, na sua maioria ilustres desconhecidos, absolutamente inspiradoras, mas houve um que se tornou um dos meus “gurus espirituais” até hoje: Pepe Mujica.
“Se não és feliz com pouco, não és feliz com nada.”
Continuar a lerMário Soares – 6.º aniversário da sua morte (Texto atualizado) | por Carlos Esperança

Foram homens notáveis os líderes dos partidos que moldaram a arquitetura do regime. Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, representando cada um interesses de classe divergentes e visões diferentes do mundo, constituíram uma plêiade de políticos à altura dos heroicos capitães de Abril.
As circunstâncias fazem os homens, mas há homens que ajustam as circunstâncias e se projetam na História dos povos. Soares é um exemplo paradigmático.
Mário Soares foi, nos seus defeitos e virtudes, à semelhança de Churchill, Roosevelt ou De Gaulle, um político de dimensão internacional e a figura que deixou maiores marcas nesta segunda República que devemos ao MFA.
Combatente antifascista, sofreu perseguições, prisões e exílios até se tornar o homem de Estado e a grande referência da República nascida em 25 de Abril de 1974.
Todos os democratas acabaram por votar nele, pelo menos uma vez. A sua dimensão de Estadista e o amor à liberdade fizeram dele o alvo dos afetos e dos ódios que perduram na ignóbil petição à Assembleia da República, certamente assinada pela escória fascista, a pedir aos deputados a recusa do seu nome na toponímia de um aeroporto.
É também por isso que, tendo estado tantas vezes do lado oposto ao seu, sinto o dever patriótico de lhe render a mais viva homenagem no 1.º aniversário da sua morte.
Mário Soares, republicano, laico e democrata, foi o maior vulto desta segunda República Portuguesa.
Luís Vaz de Camões e Os Lusíadas | Um passeio pela História | por João Luis Gomes

Filho de Simão Vaz de Camões, e Ana de Sá, da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524, e era descendente de Vasco Pires de Camões, um trovador galego, guerreiro e fidalgo, que se mudara para Portugal em 1370. Camões teve uma boa e sólida educação, e ainda jovem teria recebido um sólida educação nos moldes clássicos da época, dominando latim, literatura e história e tendo recebido grande parte da sua formação na Universidade de Coimbra.
Camões era um conhecido boémio frequentador da corte de D. João III, onde era reconhecido como poeta lírico, enquanto ao mesmo tempo se envolvia, segundo a tradição, em amores com damas da nobreza e, possivelmente, plebeias também, pois a sua vida boémia levava-o a frequentar frequentemente as tavernas de Lisboa. Reza a história que por conta de amor frustrado, autoexilou-se no Norte de África, alistando-se como soldado em Ceuta onde ficou dois anos e onde perdeu o olho direito numa batalha.
Posteriormente decide partir para a India, comprovado por um documento datado de 1550 em que o dá como alistado para viajar: “Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses… entre os homens de armas”.
Continuar a lerVaginas | Tiago Salazar

Dado o sucesso lúdico do último assunto – o pénis – por justiça antónima trago hoje à liça o cunos, também conhecido por cona, ou ainda fenda, vulva ou greta, que tem o seu garbo. Há um autor inultrapassável que discreteou com elegância e humor de uma estirpe clássica sobre vários tipos de conas imaginárias, de sua graça Juan Manuel de Prada. Perante ele me vergo apondo somente uma breve reflexão sobre a íntima unidade da mulher.
A meio das suas reflexões inauditas (por exemplo, o capítulo sobre as conas das mulheres sonâmbulas) entendeu Juan (justamente) descrever a cona da sua namorada. Não o farei exaustivamente, como o fez o autor basco, por respeito à sua dona, dizendo apenas que quem vê caras poderá ver conas, se tiver olho para isso. É como o tamanho e espessura do polegar masculino, que dita a envergadura e formato do dito.
Interessam-me as redundâncias das conas e as suas infinitas possibilidades. A cona, a quem os exegetas das mulheres chamam o mais belo dos moluscos, sendo o clitóris o berbigão, é um mundo aquático. Talvez aqui resida a sua maior dádiva, permitindo, como a natação, inúmeras variantes encorpadas. Entre o boiar e a mariposa, o mergulho encarpado e a remada de bruços, há todo um manancial de formas de a abordar.
O pénis e a cona juntos, na justa e devida medida do encaixe habilitado, são como a harmonia dos corpos celestes. Não se pode ser demasiado macho a abordar uma cona, tal como não deve uma mulher (resumindo este micro ensaio ao campo heterossexual) tratar o pénis com ímpetos de lenhadora. Para asseverar da importância da cona no território da felicidade conta-se a história de um anão adulto que gritou alto a palavra CONA no meio de uma tribuna de crianças a quem pediam um vocábulo sinónimo de alegria, celebrando assim o seu entusiasmo pela felicidade de estar vivo, apesar da sua baixa condição. O anão tinha-se escapado para o meio do coro infantil durante uma visita presidencial e face à interrogação requerida ditou o que lhe ia na alma. Como um amante feliz.
António Costa Pinto: “O dilema da direita é o mesmo dilema da esquerda até agora” | in Tejomag

António Costa Pinto um dos três investigadores do livro The Oxford Handbook Of Portuguese Politics comenta em entrevista ao TejoMag o sistema partidário em Portugal nos últimos 50 anos. Nesta edição conjunta com Pedro Magalhães e Jorge Fernandes, os três investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, integram uma coleção de análise sobre as democracias do mundo. O foco do estudo incide na “dinâmica” mais recente de mudanças de partidos e da cultura política eleitoral.
Marta Roque em Política 2 de janeiro 2023
Como é que surgiu esta ideia deste livro com a Oxford University?
A Oxford University Press a maior editora científica e académica no mundo aceitou uma proposta feita pelo jovem cientista político Jorge Fernandes, por Pedro Magalhães e minha. Os três do Instituto de Ciências Sociais para integrar uma vastíssima coleção de análise sobre as democracias do mundo.
É uma obra sobre a democracia portuguesa que tem mais de 40 autores, a maior parte dos quais são cientistas políticos, economistas políticos historiadores, e faz um balanço da democracia portuguesa concentrando-se na dinâmica mais recente de mudanças de partidos, mudanças na cultura política eleitoral.
Em que é que a nossa democracia se distingue em termos de regime partidário de outras do norte da Europa?
Continuar a lerPintura | Georgy Kurasov
Georgy Kurasov nasceu em 1958 na URSS, no que era então Leningrado. Ele ainda vive e trabalha no mesmo lugar, mas agora o país é a Rússia e a cidade é chamada de St. Petersburgo.

FILOSOFIA DO PÉNIS | Tiago Salazar

O título da crónica merecerá a vossa atenção. Acompanhado dos seus parceiros de carcela, o pénis diz muito de um homem. O meu pai é um velho adorador dos feitos do seu falo, e assim cresci debaixo da exortação do pénis como uma apologia de Adónis. Cedo deduzi que nada mexe tanto com a confiança do que a funcionalidade exemplar de um pénis.
Pode-se vivissecar a conduta de um homem pela sua relação com o pénis. Conheci um sujeito que para aumentar a dimensão do seu membro atava uma guita envolta num tijolo e deixava-se estar nesses preparos indo a correr medir o suposto crescimento do dito após as sevícias auto-infligidas. Esse ciliciar penoso leva à corrida de poções milagrosas, para aumentar o que a natureza não forneceu, como o famoso creme de carqueja e manjerico que se diz ter contribuído para a demografia de Al-Hama ao tempo dos árabes.
Quem não enverga um pénis digno de registo socorre-se da importância do seu manejo para consolo de quem o frequenta. Agradece a condescendência perante o desempenho. São por regra tipos aplicados, que dão o litro. Conheci outro sujeito que se queixava de borregar no acto por ter um aparelho desmedido cujo real poder vistoso só acontecia diante de uma garganta funda.
Há coisas que só acontecem aos homens, como olhar de viés para os membros dos companheiros de duche ou caserna. Diz-se que a visão do próprio pénis é enviesada como tudo o que se reflecte num espelho. Podemos ajuizar da conduta de um político pelo que fará com o seu pénis. Luis Buñuel ao ver-se impotente declarou ter-se enfim libertado do tirano. Dou agora a palavra às senhoras, pois nada mais me ocorre.
Um romance histórico e de atmosfera onírica | É como se pode definir “A Pele do Soldado”, terceira experiência de Helio Brasil no gênero | por Adelto Gonçalves

I
Um romance histórico que tem como pano de fundo a Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito armado ocorrido na América Latina, mas que não toma partido nem exalta possíveis feitos heroicos ou extraordinários, limitando-se a reconstituir personagens anônimos, sentimentos e fatos provocados por desejo, ódio e amor. Tudo isso é o que o leitor irá encontrar em A Pele do Soldado (Rio de Janeiro, Editora Mauad X, 2022), o mais recente livro do arquiteto e professor universitário Helio Brasil (1931), dono de uma obra literária que começou a ser publicada tarde, quando o autor já tinha 64 anos, mas que começa a se tornar vasta e significativa, seguindo um caminho semelhante ao do memorialista mineiro Pedro Nava (1903-1984), que começou a publicar quando já estava com 69 anos, e da poeta goiana Cora Coralina (1889-1985), que estreou em livro aos 65 anos.
Nova Guerra Fria | Pepe Escobar | 13-12-2022
Pepe Escobar: The West is PARALYZED in Ukraine But Can’t Shake War Addiction | 02-01-2023
Pepe Escobar: O Ocidente está PARALISADO na Ucrânia, mas não consegue se livrar do vício da guerra
PELÉ é o único jogador que ultrapassou os limites da lógica | Johan Cruyff

Cruyff: “Pelé é o único jogador que ultrapassou os limites da lógica”.
Ferguson: “Pelé é o melhor jogador de todos os tempos”.
Di Stefano: “Pelé era melhor que Messi e Cr7″.
Franz Beckenbauer: “Pelé é o melhor jogador de todos os tempos, é o jogador mais completo que já vi”.
Menotti: “Quando falarmos de futebol a Pelé não o ponhas nunca porque Pelé é de outro planeta. É uma mistura de Cruyff, Maradona, Di Stefano e Leo Messi.”
Gatti: “A Pelé tem que separá-lo, depois pode falar dos outros”.
Basile: “Pelé foi o melhor jogador que vi jogar, não vi nada parecido”.
Rivelino: “Para o meu Pelé é de outro mundo”.
Just Fontaine: “Quando vi Pelé jogar, soube que devia pendurar as botas”.
Bobby Charlton: “Às vezes sinto que o futebol foi inventado para este jogador mágico”.
Bobby Moore: “Pelé foi o jogador mais completo que já vi. Magia no ar. Rápido e poderoso, corria mais do que qualquer outro jogador. Parecia um gigante dentro do campo. Equilíbrio perfeito e visão impossível.”
Ronaldo: “Concordo com todos que Pelé tem sido o melhor e o maior”.
Maradona: “Pelé pode ser o melhor de todos os tempos”.
Cristiano Ronaldo: “Pelé só haverá um no mundo”.
Tarciso Burnigch, zagueiro italiano que marcou Pelé na final da Copa dos anos 70. Pensei: “É feito de carne e osso, como eu.” Eu estava errado.”
Fachetti, zagueiro italiano na Copa México de 1970: “Subimos juntos, fora de tempo, a cabecear uma bola. Eu era mais alto e mais impulso. Quando desci no chão, olhei para cima, perplexo. Pelé ainda estava lá, em cima, acenando a bola. Parecia que podia ficar no ar o tempo que quisesse.”
Platini: “Está Pelé o homem e depois Pelé o jogador de futebol, e jogar como Pelé é jogar como Deus”.
A última dança do rei ![]()
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Verdi – Don Carlo – CORO – Teatro San Carlo – 2022
ZELENSKY ARMADILHADO POR MOSCOVO E WASHINGTON | Por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 22/11/2022 – via Estátua de Sal

A evolução da relação de forças no campo de batalha ucraniano e o trágico episódio do G20 em Bali marcam uma viragem da situação. Se os Ocidentais continuam a acreditar na vitória próxima sobre Moscovo, os Estados Unidos iniciaram já negociações secretas com a Rússia. Eles aprestam-se a deixar cair a Ucrânia e em deitar as culpas exclusivamente a Volodymyr Zelensky. Tal como no Afeganistão, o despertar será brutal.
Conversando, há cerca de dez dias em Bruxelas, com um chefe de bancada de deputados que diria de mente aberta, escutei-o dizer-me que o conflito ucraniano era decerto complexo, mas que a coisa mais saliente era que a Rússia tinha invadido esse país. Respondi-lhe observando que o Direito internacional obrigava a Alemanha, a França e a Rússia a aplicar a Resolução 2202, o que Moscovo , sozinho, havia feito. Prossegui lembrando-lhe a responsabilidade de proteger as populações em caso de falha do próprio governo.
Ele cortou-me a palavra e perguntou-me : « Se o meu governo se queixar da sorte dos seus cidadãos na Rússia e atacar esse país, achará isso normal? ». Sim, respondi-lhe, se tiver uma Resolução do Conselho de Segurança. Você tem alguma? Apanhado de surpresa, ele mudou de assunto. Por três vezes, perguntei-lhe se podíamos abordar a questão dos « nacionalistas integralistas » ucranianos. Por três vezes, ele recusou. Despedimo-nos com cortesia.
Continuar a lerLa España es grande !!! Sin palabras fantástico te llega al alma ! Escucha los 4 videos a continuación !
El Barrio Concierto En Directo Palau De La Musica De Barcelona | 32m33s
Concierto de Camarón de la Isla en Montreux | 55m27s
Duvay Grabalos
Quien lo vio en directo..entendera la grandeza de su cante…era capaz de emociona a miles de personas solo con su voz…
Soy Gitano | Camarón de La Isla, Tomatito e otros
Music video by Camarón De La Isla, Tomatito performing Soy Gitano. © 2018 Fondation du Festival de Jazz de Montreux, Under licence from Eagle Rock Entertainment Ltd. to Universal Music Spain S.L.U.
Camarón de La Isla, Tomatito, Moraito Chico, Morenito de Illora e Charo Manzano
O Bicho | Manuel Bandeira | in Pensador
Camarón de la Isla e Tomatito | Malaga 1990 completo
Elwes pez del Tiétar
Qué decir? De Tomatito: Su pulgar, su expresividad, a veces gozando, a veces penando… Gran flamenco. Maestro de maestros. Pa’quitarse el sombrero. De Camarón: Poco puedo añadir que no se haya dicho ya… Puro, el más grande. Capaz de llorar por bulerías y de sonreír por soleá. Inspiración y orgullo. Gracias a los dos Josés por darnos el mejor concierto flamenco de la historia (y que Paco me perdone por mis palabras) ️
Whisner Fraga: contos perpassados por sentimento de revolta | por Adelto Gonçalves

I
Depois de lançar, em 2020, O que devíamos ter feito, contos (Editora Patuá), o romancista, contista, poeta e crítico literário Whisner Fraga (1971) chega ao seu décimo-segundo livro com Usufruto de demônios (Ofícios Terrestres Edições, 2022), em que se mantém fiel ao gênero, depois de experiências bem-sucedidas em outras modalidades textuais.
A obra, composta por 64 narrativas curtas, a maioria com menos de uma página, todas escritas em letra minúscula, mas com uma linguagem sensível e poética, é uma das primeiras a ter como pano de fundo o trágico período da pandemia de coronavírus (covid-19) em que estão presentes “o horror, o negacionismo, o isolamento social e a perplexidade ante o cinismo fascista”, como observa o poeta, professor e crítico literário Gabriel Morais Medeiros, mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no posfácio que escreveu para este livro.
Como já ressaltou o jornalista e escritor Hugo Almeida, nesta coletânea, “atravessa os contos um sopro de revolta, por vezes recheada de candura”, mas sem deixar de manifestar o inconformismo diante da indiferença e do deboche dirigido aos mortos pelas autoridades da época, especialmente o principal mandatário, que sempre ficou indiferente ao genocídio que ocorria com a proliferação da peste e a falta de vacinas e pronto-atendimento às vítimas, como se lê na narrativa que leva por título “ele acompanha aviões”:
“(…) é como se setecentas mil pessoas tivessem sido apagadas – e se fossem vinte boeing deletados de suas rotas, em um único dia?, cadentes, se tornassem quebra-cabeças em pastos?, será que assim eles se comoveriam?”
Luzes da Cidade | Charlie Chaplin | in Pensamientos De cine
Charlie Chaplin dirigiu esta terna história de amor, não isenta de uma certa amargura e tristeza. Esse filme é imperdível… Sua inocência, seu senso de humor, sua ternura, sua expressão corporal, irrepetível… Este é um dos seus filmes mais celebrados e também um dos mais adoráveis.
Luzes da cidade é um filme de 1931 escrito e dirigido por Charles Chaplin. Uma obra-prima hoje em dia, mas que na sua época veio em um momento muito inoportuno. O cinema sonoro começava a ganhar a batalha do cinema mudo. Os atores de repente podiam ser ouvidos, as atrizes cantavam e os diálogos enchiam a tela.
A beleza do cinema mudo começava a languidecer perante uma revolução imparável. Mas Chaplin soube resolver o problema adicionando à sua história muda, música ao vivo para tornar a sua maior realismo. Música composta por: Charles Chaplin, José Padilla Sánchez, Alfred Newman, Arthur Johnston. Chaplin fazia magia.
Vivemos tempos convulsos, mas isso não é novidade. No filme o protagonista mostra que os pobres sempre o foram, sempre estiveram lá, no meio de uma sociedade alheia à sua existência. O ator interpreta um vagabundo que, uma noite qualquer, se encontra no lugar certo e hora e coincide com um bilionário que influenciará o futuro do seu destino. Mas não é ele que vai mudar sua vida… uma existência na qual não há apenas motivações é interrompida pelo aparecimento de uma bela florista. O pobre vagabundo fica apaixonado por ela e mal repara num detalhe importante: ela é cega.
O resto é história, uma história que se espera, claro que sim. Agora sabemos tudo. Mas nessa época todas as histórias de amor estavam por inventar, restavam ilusões, propósitos de ser melhores e ainda se podia encontrar o amor ao virar qualquer esquina. E quando você a vê, todo esse tempo, esses valores e sonhos renascem por algumas horas.
A coisa mais fascinante das Luzes da cidade é a força nos olhos de Virgínia Cherill, essa florista cega que é capaz de trancar tantas emoções num olhar fixo, no vazio, no infinito.

PELÉ | JOHAN CRUYFF

Uma guerra a leste que estilhaçou no resto do mundo. Veja “A Arte da Guerra” | Francisco Seixas da Costa
“A Arte da Guerra”, o podcast sobre política internacional que semanalmente faço com o jornalista António Freitas de Sousa, para o “Jornal Económico”, leva a cabo, nesta sua última edição em 2022, um balanço do ano, que tem a invasão russa da Ucrânia como natural centro da análise.
As figuras mundiais destacadas são, como não podia deixar de ser, os líderes russo, ucraniano, chinês e americano.
António Zambujo & Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento – trago alentejo na voz (letra)
President Vladimir Putin Delivers New Year Address to the Nation | Putin faz discurso de Ano Novo
Klassik Open Air 2021 mit Sierra | Costello | Filończyk | Repušić | NDR Radiophilharmonie
Sopranistin Nadine Sierra, Tenor Stephen Costello und Bariton Andrzej Filończyk.
Hannover Klassik Open Air 2021 00:00 Giuseppe Verdi: Ouvertüre (Sinfonia) 00:20 zur Oper “La Forza del Destino” Gaetano Donizetti: “Regnava nel silenzio” 08:48 aus der Oper “Lucia di Lammermoor” Gioacchino Rossini: “Largo al factotum” 17:55 aus der Oper “Il barbiere di Siviglia” Gaetano Donizetti: “Caro elisir! … Esulti pur la barbara” 23:09 aus der Oper “L’elisir d’amore” Giuseppe Verdi: Ballabile (Ballettmusik) 32:32 aus der Oper “Otello” Giuseppe Verdi: “Di provenza il mar, il suol” 39:30 aus der Oper “La Traviata” Giuseppe Verdi: “É strano! – Sempre libera degg’io” 44:19 aus der Oper “La Traviata” Giacomo Puccini: “O Mimì, tu più non torni” 55:20 aus der Oper “La Bohème” Giacomo Puccini: Intermezzo (3. Akt) 1:00:30 aus der Oper “Manon Lescaut” Giacomo Puccini: “E lucevan le stelle” 1:06:44 aus der Oper “Tosca” Emmanuel Chabrier: España 1:11:52 Rhapsodie für Orchester Georges Bizet: “La fleur que tu m’avais jetée” 1:19:37 aus der Oper “Carmen” Charles Gounod: “Je veux vivre” 1:24:38 aus der Oper “Roméo et Juliette” Jules Massenet: “Manon! Sphinx étonnant” 1:09:30 aus der Oper “Manon”
Nadine Sierra, Sopran
Andrzej Filończyk, Bariton Stephen Costello, Tenor Ivan Repušić, Dirigent
NDR Radiophilharmonie
Mitschnitt vom 21. August 2021, Hannover Klassik Open Air, Maschpark Hannover
Pintura | Álvaro Cunhal

2022 à la minute – On my own | Carlos Matos Gomes

Gosto mais da frase em inglês — on my own — do que em português: só comigo.
A minha intenção ao escrever este texto sobre o ano de 2022 é a mesma dos solitários que fazem desenhos na areia: entreterem-se enquanto falam consigo próprios. Depois, quem passa olha, se lhe apetecer acrescenta, apaga, ou distorce. E segue o seu caminho. A nova maré levará a obra. O desenhador irá olhar o vazio para lá do horizonte.
Bom ano de 2023.
Personalidades portuguesas:
– Marta Temido, a sua equipa e o SNS. A frágil ministra, juntamente com o seu sereno secretário de Estado, enfrentaram o mais poderoso e desapiedado gangue do planeta: o dos industriais e comerciantes da saúde. Os Serviços Nacionais de Saúde são uma ofensa inadmissível para os mercadores dos medicamentos, dos hospitais e clinicas, dos laboratórios e fábricas de equipamentos. Marta Temido e o seu secretário, mais da Diretora Geral da Saúde enfrentaram-nos. Se tivessem a mais pequena sombra no seu currículo, nas suas vidas privadas estariam entregues aos bichos, aos liberais! E nós, os cidadãos, com eles.
– Os “uberistas”, sejam os condutores de automóveis sejam os distribuidores de comida às costas que respondem às app e aos Tm. São os novos escravos, sem esquecer os importados para os trabalhos agrícolas. Eles antecipam o futuro das sociedades ditas desenvolvidas, e neoliberais, a par dos “colaboradores” em teletrabalho e dos robôs.
Personalidades Internacionais:
Continuar a lerCharlie Chaplin | La Felicità esiste
«La felicità… Esiste, le dico.
– Dove?
– Senta. Da ragazzo mi lamentavo sempre con mio padre perché non avevo giocattoli.
Lui mi diceva: questo (si indica la testa) è il più grande giocattolo del creato, è qui il segreto della felicità….»
Charlie Chaplin

Juliette Binoche | Actriz
A elegância e a classe no Futebol | Franz Beckenbauer + Johan Cruyff + Rei Pelé


Aida Garifullina I Capuleti e i Montecchi – Oh! quante volte ti chiedo by Bellini, Operalia
Tamara de Lempicka, The Straw Hat (Le chapeau de paille), 1930, Oil on wood panel.

Casta Diva, («Norma», Bellini) — Olga Peretyatko
Flower Duet (Lakme, Delibes) — Olga Peretyatko & Elina Garanča
Vivaldi – Bajazet – Elina Garanča
Ingmar Bergman | Actriz sueca

O que acho do Pedro Nuno Santos? | por Sófia Smirnov

Oque acho do Pedro Nuno Santos? Querem mesmo saber? Gosto do Pedro Nuno, mais jovem, determinado, sem papas na língua nem medo de fugir ao politicamente correto e às regras impostas por uma seita há décadas, uma rede de influências e favores que minou toda a classe política e não há exceções, da esquerda à direita, a anormalidade do panorama político é atroz.
Inteligente, estratega e com experiência política tem mais peso do que possa parecer. Gosto de pessoas com carácter e sem medo e Pedro Nuno Santos é isso mesmo, corajoso e destemido. Falhou, quando entrou no esquema e vícios do próprio partido, nomeadamente ao apoiar a nomeação da mulher como chefe de gabinete do secretário de Estado Duarte Cordeiro. Atenção que tal não é por não considerar Ana Catarina Gamboa como competente. A questão não é essa. A questão prende-se com a ética. Há 30 anos, quando entrei no mercado de trabalho e numa empresa que exigia ética, não era permitido que familiares trabalhassem nas mesmas áreas, por questões que me parecem lógicas. Nada tem a ver com a competência ou com a incapacidade das pessoas conseguirem separar interesses pessoais da ética profissional. Há pessoas e pessoas e ninguém é igual. Tem a ver com probabilidades e, a probabilidade dessa ética ser corrompida, é substancialmente maior quando há relações pessoais. O que temos visto, não só no Governo como no próprio PS, é um absurdo de influências e cunhas entre familiares e amigos. Eu, pessoalmente, se ocupasse algum cargo político, não quereria ninguém da minha família por perto, por uma questão, não só de imparcialidade, como para não me colocar numa situação de fragilidade perante a opinião pública que, no fundo, é o eleitorado. Faz-me confusão, toda esta anormalidade, não só na política como na comunicação social, como na sociedade em geral. Acho, inclusive, que vamos pagar toda esta anormalidade cara, aliás, já a estamos a pagar.
Continuar a lerA superação da dissidência, a desobediência e o regresso dos velhos totalitarismos | por Carlos Matos Gomes

A Liberdade é para mim o valor supremo. É a Liberdade que me permite ser eu. Mas apenas posso sobreviver em sociedade, o que impõe limites à minha liberdade. Vivo e vivi a lutar por me libertar, sabendo que estarei sempre preso, mas bato-me para esticar ao máximo a corda que me limita. Cheguei à conclusão (já não era sem tempo) que passei a existência como um prisioneiro que pensou constantemente em planos de fuga, e se relacionou com os outros presos e os guardas de modo a garantir a maior liberdade possível. Descobri à minha custa o segredo de conseguir equilibrar forças numa sociedade violenta. Nada de novo. Desde a antiguidade que primeira tarefa dos chefes é assegurar a obediência dos seus subordinados. Tentei e tento superar os riscos da dissidência, da desobediência. Nunca recebi um louvor por comportamento exemplar. Não me orgulho, mas sinto-me bem por ter superado a minha dissidência e, antes do tudo o mais, aprendi a distinguir os profetas da submissão por debaixo do tropel dos gritos e dos arrepelos dos cabelos. Os movimentos de extrema-direita que estão a sair da terra como os cogumelos do estrume gritam muito, mas nada mais pretendem que um regime de submissos. A insubmissão é hoje a defesa contra a berraria dos serventuários dos poderosos.
Max Weber, o sociólogo alemão, afirmou que a finalidade do poder é “a imposição da vontade de uma pessoa ou instituição sobre os indivíduos, mesmo contra resistências”. O poder é independente da aceitação dos sujeitos, mas aprendi que a utilização da força é o mais oneroso e traiçoeiro dos meios de obter um domínio e o menos fiável. Recrutar vendedores de felicidade e ilusionistas é muito mais eficaz.
Continuar a lerTamara de Lempicka: Uma coleção de 154 pinturas
Kees van Dongen: A collection of 290 works
Maria Callas sings “Casta Diva” (Bellini: Norma, Act 1)
The great Maria Callas performs an aria from her signature role, Bellini’s druid priestess Norma, with the Orchestre de l’Opera National de Paris and Georges Sebastian. Recorded live at the Palais Garnier on the 19th of December 1958, this concert marked the soprano’s debut at the Paris Opera, a major social event for Parisians and for which Callas donned her most elegant couture and a million dollars’ worth of jewelry. The official Maria Callas website: http://www.maria-callas.com/
LIONEL MESSI | A PERFEIÇÃO | e com ele PELÉ e MARADONA no pódium.
Requiem – Mozart KV 626 Gregory Carreño Simon Bolivar Orchestra of Venezuela
Simon Bolivar Symphony Orchestra of Venezuela Simon Bolivar National Youth Choir of Venezuela Samia Ibrahim, Soprano Katiuska Rodriguez, Mezzo-Soprano Robert Giron, Tenor Alvaro Carrillo, Bass-Baritone Gregory Carreño, Conductor
Vivaldi – Gloria. Collegium, Tel-Aviv Soloists, Barak Tal, Revital Raviv, Alon Harari
Arturo Pérez-Reverte

Günther Anders | ′′ A obsolescência do homem ′′ 1956

′′Para sufocar antecipadamente qualquer revolta, não deve ser feito de forma violenta. Métodos arcaicos como os de Hitler estão claramente ultrapassados. Basta criar um condicionamento coletivo tão poderoso que a própria ideia de revolta já nem virá à mente dos homens. O ideal seria formatar os indivíduos desde o nascimento limitando suas habilidades biológicas inatas…
Em seguida, o acondicionamento continuará reduzindo drasticamente o nível e a qualidade da educação, reduzindo-a para uma forma de inserção profissional. Um indivíduo inculto tem apenas um horizonte de pensamento limitado e quanto mais seu pensamento está limitado a preocupações materiais, medíocres, menos ele pode se revoltar. É necessário que o acesso ao conhecimento se torne cada vez mais difícil e elitista…. que o fosso se cave entre o povo e a ciência, que a informação dirigida ao público em geral seja anestesiada de conteúdo subversivo.
Especialmente sem filosofia. Mais uma vez, há que usar persuasão e não violência direta: transmitir-se-á maciçamente, através da televisão, entretenimento imbecil, bajulando sempre o emocional, o instintivo. Vamos ocupar as mentes com o que é fútil e lúdico. É bom com conversa fiada e música incessante, evitar que a mente se interrogue, pense, reflita.
Vamos colocar a sexualidade na primeira fila dos interesses humanos. Como anestesia social, não há nada melhor. Geralmente, vamos banir a seriedade da existência, virar escárnio tudo o que tem um valor elevado, manter uma constante apologia à leveza; de modo que a euforia da publicidade, do consumo se tornem o padrão da felicidade humana e o modelo da liberdade.
Assim, o condicionamento produzirá tal integração, que o único medo (que será necessário manter) será o de ser excluído do sistema e, portanto, de não poder mais acessar as condições materiais necessárias para a felicidade.
O homem em massa, assim produzido, deve ser tratado como o que é: um produto, um bezerro, e deve ser vigiado como deve ser um rebanho. Tudo o que permite adormecer sua lucidez, sua mente crítica é socialmente boa, o que arriscaria despertá-la deve ser combatido, ridicularizado, sufocado…
Qualquer doutrina que ponha em causa o sistema deve ser designada como subversiva e terrorista e, em seguida, aqueles que a apoiam devem ser tratados como tal ′′
O suicídio da social-democracia — onde está a Internacional Socialista? | Carlos Matos Gomes

Minhas amigas e meus amigos, com antecipadas desculpas por este texto fora de moda e de época. Os tempos de celebrações são de esquecimento e despreocupação. O mundo andará sem nós. Não parece fazer sentido falar da morte ou da hibernação, ou da hasta mais ou menos pública, ou de OPA mais ou menos hostil, de uma certa ideia de governo dos povos, simpática, por sinal, e agradável, como é, ou foi a social democracia europeia no pós-guerra.
Dentro de dias teremos um ano novo no calendário. O impasse em que estamos não terminará com a mudança de folha. Os meus desejos sinceros de Bom Ano Novo não têm, infelizmente, o poder de alterar a realidade. Este texto não apresenta boas notícias, e não é por eu ser um pessimista, mas porque estou como o homem velho no cimo da montanha de que falava Nietzsche em Assim Falava Zaratustra, vejo os vales e as nuvens no horizonte. Um Bom Ano e desculpem o incómodo. Há com certeza leituras mais animadoras e mais adequadas à época. Que raio de lembrança: a cataplesia da social-democracia no Natal!
Mas, boas festas para todos.
Carlos Matos Gomes
As burguesias: industriais, proprietários de bens de raiz, de rendimentos palpáveis, comerciantes regionais, altos funcionários foram o motor das sociedades capitalistas e demoliberais que tomaram o poder na Europa após as revoluções dos séculos XVIII em França, na Inglaterra e na Alemanha e no século XX na Rússia. Foram as classes médias europeias (as burguesias) que decidiram o colonialismo para se apropriarem das matérias-primas de África e que estiveram na origem de duas guerras mundiais.
O colonialismo e a Segunda Guerra estão na raiz da atual ordem no mundo. O colonialismo resultou das necessidades de matérias primas pela indústria da revolução industrial e a Segunda Guerra resultou das respostas das burguesias nacionais aos movimentos operários (os camponeses transformados em operários — proletários) que geraram o complexo fenómeno que por facilidade designamos comunismo. O nazismo foi uma resposta ao comunismo, a outra foi a social-democracia — os católicos referem a democracia cristã e a encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII e publicada em 1891, mas esta é mais uma “orientação” para limitar a exploração gerada pelo liberalismo capitalista do que para alterar a ordem social e a hierarquia das classes.
(Adivinho o comentário: compara o nazismo à social-democracia! — não, o que quero dizer é que o mesmo problema (no caso a revolta dos proletários) pode originar diferentes soluções políticas e que reconhecer a diversidade de opções é a base do pluralismo. Depois há soluções melhores, piores e péssimas.)
Partindo desses pressupostos, chegamos ao artigo de Alexis Corbiére no Nouvelle Observateur, L’Obs para os amigos e ao artigo de Novembro: Porque não sou social-democrata.
Continuar a lerLionel Messi – The Greatest of All Time – Official Movie (REUPLOAD) | INULTRAPASSÁVEL | É DIVINO!
FALECIMENTO | Eterna Saudade, Nélida Piñon (1937 – 2022)

Nélida Piñon, nascida no Rio de Janeiro numa família originária da Galiza, faleceu hoje em Lisboa, no Hospital CUF Descobertas.
Autora amada por nós, seus editores há mais de duas décadas, é considerada um ícone da grande literatura de língua portuguesa, internacionalmente reconhecida e premiada.
Expoente máximo da literatura brasileira que escreveu de um modo fulgurante, expressando os sonhos de todo o Brasil e as grandes questões da literatura com a cultura e a sociedade.
Humanista, generosa, interventiva, uma artista do pensamento, teve uma voz firme contra a censura e a ditadura no Brasil. Feminista, afrontou com coragem os modelos tradicionais, celebrando e escrevendo a liberdade de pensar.
Continuar a ler21-12-2022 | Boas Festas | Boas Entradas

Ninguém gosta de ser exposto como corno | por Carlos Matos Gomes

A verdade explosiva e a” sabedoria popular: Ninguém gosta de ser exposto como corno. À primeira todos caem… à segunda só os parvos…”
A declaração de Angela Merkel de que os acordos de Minsk entre os EUA, a UE e a Rússia a propósito de uma relação de confiança que garantisse a segurança da Rússia e a neutralidade da Ucrania foi uma vigarice para ganhar tempo e tramar a Rússia é politicamente mortal.
Mesmo com muito boa vontade, nenhum líder russo vai num futuro próximo estabelecer um acordo com qualquer destas entidades, desde logo para os seus concidadãos não o acusaram de otário, de estupido, de ingénuo, de se deixar cornear pela segunda vez.
Angela Merkel forneceu argumentos ao regime de Putin para não negociar, de ir até onde entender na neutralização da Ucrânia, de impor as suas condições sem concessões!
Nenhum líder europeu, americano ou ucraniano desmentiu Angela Merkel: todos assumiram a armadilha que tinham preparado a título de um acordo.
Todos os estados sabem que os acordos existem para serem violados, mas uma coisa é saber, outra é uma das partes vir para a praça pública ufanar-se e humilhar o traído, que foi o que Angela Merkel fez.
A partir de agora quem confiará em qualquer tratado ou acordo assinado pelos estados que estiveram em Minsk? Que político na China, na Índia, na Amérrica latina se exporá a ver-se na posição do chifrudo a quem os chico-espertos entretiveram enquanto lhe preparavam o assassinato?
A imagem dos enganos é do grande Vilhena e de um livro sobre a Vigarice e a Batota.
Amílcar Cabral e a Ordem da Liberdade | a visão do futuro de Marcelo Rebelo de Sousa

Dia 10 de Dezembro, no âmbito de uma visita a Cabo Verde para participar na cerimónia de doutoramento Honoris Causa a título póstumo de Amílcar Cabral, o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou com o colar da Ordem da Liberdade o fundador do PAIGC, o partido independentista da Guiné e Cabo Verde.
A Ordem da Liberdade é uma ordem honorífica portuguesa, criada após o 25 de Abril de 1974, que se destina a distinguir serviços relevantes prestados na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da liberdade. A Ordem da Liberdade pode ser atribuída a entidades portuguesas e estrangeiras.
Amílcar Cabral cumpre com distinção os requisitos. Apenas por curiosidade, à data da morte e durante toda a sua vida, Amílcar Cabral foi oficialmente cidadão da República Portuguesa! Mais, foi um cidadão da luta pela dignidade de todos os povos do mundo, em particular dos que estiveram sujeitos ao domínio do colonialismo. No pós-Segunda Guerra Mundial, como resultado da nova ordem internacional, da perda de centralidade da Europa, da emergência de novos valores entre os povos do mundo, impôs-se o Movimento Descolonizador como novo paradigma e o colonialismo foi considerado pela Assembleia Geral das Nações Unidas um crime contra a humanidade!
Continuar a lerO deserto está repleto de coisas | João Gomes

Queria falar-vos de esperança, deixando que apenas palavras doces e ternas surgissem no amargor da realidade diária do presente. Nós, humanos, precisamos tanto de palavras positivas, como de pão para a boca, para a digestão de ideias felizes. Mas apetece-me calar a minha voz, emudecer, fazer o meu destino mais próximo dos silêncios, deixar essa esperança em mim aparecer, sem me sentir desumano, demente. Os olhos vêem os gestos que me apetece oferecer, mas os rostos escondem-se no trapo colorido e o gesto esmorece. As minhas mãos já só praticam tarefas simples e sem bravura. Nos dias que nascem frios, as noites morrem ainda mais frias.
Pergunto a mim próprio se sou uma pessoa feliz e o que me falta para, verdadeiramente, o ser. Descubro que nada me falta e apenas falta a forma de me compreender. Um deserto não é, verdadeiramente, um vazio. O deserto está repleto de coisas. Só precisamos de as saber encontrar e usufruir daquilo que até um deserto pode oferecer. Antes mesmo de nele temermos morrer e a esperança é uma palavra que nunca se completa, se não for atravessada como um deserto que enfrentamos, buscando o que pode conter. E basta encontrar nele uma flor, uma simples e terna flor, para valer a pena a aventura da travessia ou ver a esperança acontecer.
(2021)
A corrupção dos valores começa na nossa casa | por Carlos Matos Gomes

Miguel Sousa Tavares publicou um excelente texto sobre a corrupção no Parlamento Europeu, neste caso envolvendo a eurodeputada grega Eva Kaili, a propósito de subornos feitos pelo Qatar. Este meu texto é uma adaptação do texto de Simon Tisdall, do The Guardian, que reforça a ideia de estarmos a assistir à corrupção por dentro dos regimes de democraca representativa e de Estado de Direito.
O texto de Simon Tisdall começa com uma provocação:
Boas notícias para os autocratas do mundo — a mesquinhez (corrupção e cupidez) da UE é um grande golpe contra a democracia. Artigo de Simon Tisdall (The Guardian)
O escândalo do Qatargate (que envolve a eurodeputada grega Eva Kaili) mostra como a corrupção interna e o tráfico de influência e podem corroer a confiança pública. A democracia é uma planta vulnerável, facilmente negligenciada e enfraquecida por parasitas. Ela enfrentou ataques abertos, às vezes letais, em 2022, de autocratas em lugares tão distantes quanto Estados Unidos, Brasil, China, Rússia, Irão e a Turquia. No entanto, quando a democracia é silenciosamente corrompida e subvertida por dentro — esse é o verdadeiro assassino. O caso da eurodeputada grega está nesta categoria, de inimigo interno, de cancro insidioso. Se provada, a corrupção no Parlamento Europeu constituirá uma enorme traição à confiança pública.
Continuar a lerMoacir Amâncio: poemas que captam sensações | por Adelto Gonçalves

“Câmara Escuro” reúne 65 peças que reafirmam a maturidade poética do autor
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Depois de alguns anos sem publicar livros de poesia, Moacir Amâncio reaparece com Câmara Escuro (São Paulo, Editora Hedra, 2022), que reúne 65 poemas que reafirmam a sua maturidade poética e mostram que, “às vezes, precisamos baixar os olhos para ver, e de pequenos deslocamentos para achar um outro modo de estar onde estamos”, como observa Roberto Zular, professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), no texto de capa que escreveu para este livro. E acrescenta: “Um livro que, enfim, faz das sombras um mote para redimensionar o caminho da iluminação”.
De fato, o leitor não vai encontrar aqui poemas que possam servir de exemplo perfeito para o conceito estabelecido pelo professor Massaud Moisés (1928-2018) segundo o qual a poesia é a expressão do “eu” por meio de metáforas, como aquela famosa frase de Fernando Pessoa (1888-1935) em que o poeta contempla o silêncio feminino e nele descortina uma nau: “o teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas”. Nestes poemas curtos, que não se confundem com haicais, a metáfora literária tem objetivo estético, procurando reproduzir beleza ou emoção estética.
Ou seja, as palavras procuram reproduzir, através de uma figura de linguagem, fenômenos provocados por uma condição neurológica, estabelecendo uma experiência sinestésica, que se dá por via sensorial ou cognitiva.
A NATO E AS ORIGENS DA GUERRA NA UCRÂNIA | Embaixador americano John Matlock Jr

Artigo publicado pelo embaixador americano John Matlock Jr., em fevereiro deste ano, recordando o erro que foi a desnecessária expansão da NATO para leste e o perigo extremo de um confronto com a Rússia a que nos poderia – pode levar a situação na Ucrânia.
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Após a queda da União Soviética, eu disse ao Senado que a expansão nos levaria até onde estamos hoje.
Jack F. Matlock Jr. , Embaixador
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Hoje enfrentamos uma crise evitável entre os Estados Unidos e a Rússia que era previsível, intencionalmente precipitada, mas pode ser facilmente resolvida pela aplicação do bom senso.
Mas como chegamos a este ponto?
Permitam-me, como alguém que participou das negociações que acabaram com a Guerra Fria, trazer um pouco da história para lidar com a crise atual.
Todos os dias nos dizem que a guerra pode ser iminente na Ucrânia. As tropas russas, dizem-nos, estão se concentrando nas fronteiras da Ucrânia e podem atacar a qualquer momento. Os cidadãos americanos estão sendo aconselhados a deixar a Ucrânia e os dependentes da equipe da embaixada americana estão sendo evacuados. Enquanto isso, o presidente ucraniano alertou contra o pânico e deixou claro que não considera uma invasão russa iminente. Vladimir Putin negou que tenha qualquer intenção de invadir a Ucrânia. Sua exigência é que cesse o processo de inclusão de novos membros na OTAN e que a Rússia tenha a garantia de que a Ucrânia e a Geórgia nunca serão membros.
O presidente Biden se recusou a dar tal garantia, mas deixou claro sua disposição de continuar discutindo questões de estabilidade estratégica na Europa. Enquanto isso, o governo ucraniano deixou claro que não tem intenção de implementar o acordo alcançado em 2015 para submeter as províncias de Donbass na Ucrânia com um alto grau de autonomia local – um acordo com Rússia, França e Alemanha que os Estados Unidos endossaram.
Essa crise era evitável?
Continuar a lerMozart – Música Clássica para Estimular o Cérebro
Mozart – Música Clássica para Estimular o Cérebro Tracklist: Divertimento in D major, K. 136 “Salzburg Symphony No. 1” 00:00 I. Allegro 02:59 II. Andante 06:38 III. Presto Divertimento in F major, K. 138 “Salzburg Symphony No. 3” 08:30 I. Allegro 11:09 II. Andante 13:55 III. Presto Metamorphose String Orchestra Conductor: Pavel Lyubomudrov
Eine Kleine Nachtmusik, K. 525 15:57 I. Allegro 21:55 III. Minuetto 24:18 IV. Rondò Opole Philharmonic Orchestra Conductor: Werner Stiefel
27:28 Rondò in D Major, K. 485 (live recording) Piano: Vadim Chaimovich
Flute and Harp Concerto in C Major, K. 299 34:09 I. Allegro 44:36 II. Andantino 52:44 III. Rondò. Allegro Harp: Ursula Mazurek Opole Philarmonic Orchestra Conductor: Silvano Frontalini
Piano Sonata No. 10 in C Major, K. 330 (live recording) 1:03:19 I. Allegro moderato 1:07:56 II. Andante cantabile 1:14:32 III. Allegretto Piano: Vadim Chaimovich
1:18:32 Lucio Silla, K. 135: Ouverture Opole Philharmonic Orchestra Conductor: Alexandr Tracz
Flute Concerto No. 1 in G Major, K. 313 1:27:00 I. Allegro maestoso 1:36:02 III. Rondò – Minuetto Flute: Ubaldo Rosso Opole Philarmonic Orchestra Conductor: Silvano Frontalini
Piano Sonata No. 12 in F Major, K. 332 (live recording) 1:43:47 I. Allegro 1:51:15 II. Adagio 1:56:47 III. Allegro assai Piano: Vadim Chaimovich
John Travolta & Olivia Newton John – Summer Nights (Grease)
MELHOR ATAQUE DA HISTÓRIA | Programa HISTÓRICO com: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
PEPE EXPLICA PORQUE PELÉ AINDA É INCOMPARÁVEL
José Macia, o Pepe, explica porque o Rei Pelé ainda é inigualável como o melhor de todos os tempos. Foi o atleta mais completo a ter jogado futebol no planeta Terra.




