“Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” | Papa Francisco

“Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”

(Papa Francisco)

“É preciso ensinar a compreensão humana” – Edgar Morin

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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“A política é a luta pela felicidade humana” | Pepe Mujica

Não há nada melhor que me possam oferecer do que uma grande inspiração. Viver inspirado não tem preço, é a maior riqueza que podemos ter, é ter um motor de combustão para a felicidade em estado puro.

Eu lembro-me da primeira vez que o conheci. Foi em 2016. Eu tinha sido convidado para fazer parte de um painel que iria comentar, num cinema da Casa das Artes no Porto, o documentário “Human” de Yann Arthus-Bertrand. Talvez o melhor documentário que já vi na vida (está disponível no Youtube). Chorei, ri-me, mas acima de tudo, senti. Senti isso que nem sem sempre sabemos bem o que é: ser, humano. Ainda para mais, foi na antevéspera da minha ida para a Rep. Centro-Africana em missão. Depois desta injecção poderosa de humanismo era impossível partir mais inspirado. Todo o documentário nos apresenta pessoas, na sua maioria ilustres desconhecidos, absolutamente inspiradoras, mas houve um que se tornou um dos meus “gurus espirituais” até hoje: Pepe Mujica.

“Se não és feliz com pouco, não és feliz com nada.”

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Mário Soares – 6.º aniversário da sua morte (Texto atualizado) | por Carlos Esperança

Foram homens notáveis os líderes dos partidos que moldaram a arquitetura do regime. Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, representando cada um interesses de classe divergentes e visões diferentes do mundo, constituíram uma plêiade de políticos à altura dos heroicos capitães de Abril.

As circunstâncias fazem os homens, mas há homens que ajustam as circunstâncias e se projetam na História dos povos. Soares é um exemplo paradigmático.

Mário Soares foi, nos seus defeitos e virtudes, à semelhança de Churchill, Roosevelt ou De Gaulle, um político de dimensão internacional e a figura que deixou maiores marcas nesta segunda República que devemos ao MFA.

Combatente antifascista, sofreu perseguições, prisões e exílios até se tornar o homem de Estado e a grande referência da República nascida em 25 de Abril de 1974.

Todos os democratas acabaram por votar nele, pelo menos uma vez. A sua dimensão de Estadista e o amor à liberdade fizeram dele o alvo dos afetos e dos ódios que perduram na ignóbil petição à Assembleia da República, certamente assinada pela escória fascista, a pedir aos deputados a recusa do seu nome na toponímia de um aeroporto.

É também por isso que, tendo estado tantas vezes do lado oposto ao seu, sinto o dever patriótico de lhe render a mais viva homenagem no 1.º aniversário da sua morte.

Mário Soares, republicano, laico e democrata, foi o maior vulto desta segunda República Portuguesa.

Luís Vaz de Camões e Os Lusíadas | Um passeio pela História | por João Luis Gomes

Filho de Simão Vaz de Camões, e Ana de Sá, da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524, e era descendente de Vasco Pires de Camões, um trovador galego, guerreiro e fidalgo, que se mudara para Portugal em 1370. Camões teve uma boa e sólida educação, e ainda jovem teria recebido um sólida educação nos moldes clássicos da época, dominando latim, literatura e história e tendo recebido grande parte da sua formação na Universidade de Coimbra.

Camões era um conhecido boémio frequentador da corte de D. João III, onde era reconhecido como poeta lírico, enquanto ao mesmo tempo se envolvia, segundo a tradição, em amores com damas da nobreza e, possivelmente, plebeias também, pois a sua vida boémia levava-o a frequentar frequentemente as tavernas de Lisboa. Reza a história que por conta de amor frustrado, autoexilou-se no Norte de África, alistando-se como soldado em Ceuta onde ficou dois anos e onde perdeu o olho direito numa batalha.

Posteriormente decide partir para a India, comprovado por um documento datado de 1550 em que o dá como alistado para viajar: “Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses… entre os homens de armas”.

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Vaginas | Tiago Salazar

Dado o sucesso lúdico do último assunto – o pénis – por justiça antónima trago hoje à liça o cunos, também conhecido por cona, ou ainda fenda, vulva ou greta, que tem o seu garbo. Há um autor inultrapassável que discreteou com elegância e humor de uma estirpe clássica sobre vários tipos de conas imaginárias, de sua graça Juan Manuel de Prada. Perante ele me vergo apondo somente uma breve reflexão sobre a íntima unidade da mulher.

A meio das suas reflexões inauditas (por exemplo, o capítulo sobre as conas das mulheres sonâmbulas) entendeu Juan (justamente) descrever a cona da sua namorada. Não o farei exaustivamente, como o fez o autor basco, por respeito à sua dona, dizendo apenas que quem vê caras poderá ver conas, se tiver olho para isso. É como o tamanho e espessura do polegar masculino, que dita a envergadura e formato do dito.

Interessam-me as redundâncias das conas e as suas infinitas possibilidades. A cona, a quem os exegetas das mulheres chamam o mais belo dos moluscos, sendo o clitóris o berbigão, é um mundo aquático. Talvez aqui resida a sua maior dádiva, permitindo, como a natação, inúmeras variantes encorpadas. Entre o boiar e a mariposa, o mergulho encarpado e a remada de bruços, há todo um manancial de formas de a abordar.

O pénis e a cona juntos, na justa e devida medida do encaixe habilitado, são como a harmonia dos corpos celestes. Não se pode ser demasiado macho a abordar uma cona, tal como não deve uma mulher (resumindo este micro ensaio ao campo heterossexual) tratar o pénis com ímpetos de lenhadora. Para asseverar da importância da cona no território da felicidade conta-se a história de um anão adulto que gritou alto a palavra CONA no meio de uma tribuna de crianças a quem pediam um vocábulo sinónimo de alegria, celebrando assim o seu entusiasmo pela felicidade de estar vivo, apesar da sua baixa condição. O anão tinha-se escapado para o meio do coro infantil durante uma visita presidencial e face à interrogação requerida ditou o que lhe ia na alma. Como um amante feliz.

António Costa Pinto: “O dilema da direita é o mesmo dilema da esquerda até agora” | in Tejomag

António Costa Pinto um dos três investigadores do livro The Oxford Handbook Of Portuguese Politics comenta em entrevista ao TejoMag o sistema partidário em Portugal nos últimos 50 anos. Nesta edição conjunta com Pedro Magalhães e Jorge Fernandes, os três investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, integram uma coleção de análise sobre as democracias do mundo. O foco do estudo incide na “dinâmica” mais recente de mudanças de partidos e da cultura política eleitoral.

Marta Roque em Política 2 de janeiro 2023

Como é que surgiu esta ideia deste livro com a Oxford University?

A Oxford University Press a maior editora científica e académica no mundo aceitou uma proposta feita pelo jovem cientista político Jorge Fernandes, por Pedro Magalhães e minha. Os três do Instituto de Ciências Sociais para integrar uma vastíssima coleção de análise sobre as democracias do mundo.

É uma obra sobre a democracia portuguesa que tem mais de 40 autores, a maior parte dos quais são cientistas políticos, economistas políticos historiadores, e faz um balanço da democracia portuguesa concentrando-se na dinâmica mais recente de mudanças de partidos, mudanças na cultura política eleitoral.

Em que é que a nossa democracia se distingue em termos de regime partidário de outras do norte da Europa?

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FILOSOFIA DO PÉNIS | Tiago Salazar

O título da crónica merecerá a vossa atenção. Acompanhado dos seus parceiros de carcela, o pénis diz muito de um homem. O meu pai é um velho adorador dos feitos do seu falo, e assim cresci debaixo da exortação do pénis como uma apologia de Adónis. Cedo deduzi que nada mexe tanto com a confiança do que a funcionalidade exemplar de um pénis.

Pode-se vivissecar a conduta de um homem pela sua relação com o pénis. Conheci um sujeito que para aumentar a dimensão do seu membro atava uma guita envolta num tijolo e deixava-se estar nesses preparos indo a correr medir o suposto crescimento do dito após as sevícias auto-infligidas. Esse ciliciar penoso leva à corrida de poções milagrosas, para aumentar o que a natureza não forneceu, como o famoso creme de carqueja e manjerico que se diz ter contribuído para a demografia de Al-Hama ao tempo dos árabes.

Quem não enverga um pénis digno de registo socorre-se da importância do seu manejo para consolo de quem o frequenta. Agradece a condescendência perante o desempenho. São por regra tipos aplicados, que dão o litro. Conheci outro sujeito que se queixava de borregar no acto por ter um aparelho desmedido cujo real poder vistoso só acontecia diante de uma garganta funda.

Há coisas que só acontecem aos homens, como olhar de viés para os membros dos companheiros de duche ou caserna. Diz-se que a visão do próprio pénis é enviesada como tudo o que se reflecte num espelho. Podemos ajuizar da conduta de um político pelo que fará com o seu pénis. Luis Buñuel ao ver-se impotente declarou ter-se enfim libertado do tirano. Dou agora a palavra às senhoras, pois nada mais me ocorre.

Um romance histórico e de atmosfera onírica | É como se pode definir “A Pele do Soldado”, terceira experiência de Helio Brasil no gênero | por Adelto Gonçalves

    I
            Um romance histórico que tem como pano de fundo a Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito armado ocorrido na América Latina, mas que não toma partido nem exalta possíveis feitos heroicos ou extraordinários, limitando-se a reconstituir personagens anônimos, sentimentos e fatos provocados por desejo, ódio e amor. Tudo isso é o que o leitor irá encontrar em A Pele do Soldado (Rio de Janeiro, Editora Mauad X, 2022), o mais recente livro do arquiteto e professor universitário Helio Brasil (1931), dono de uma obra literária que começou a ser publicada tarde, quando o autor já tinha 64 anos, mas que começa a se tornar vasta e significativa, seguindo um caminho semelhante ao do memorialista mineiro Pedro Nava (1903-1984), que começou a publicar quando já estava com 69 anos, e da poeta goiana Cora Coralina (1889-1985), que estreou em livro aos 65 anos.

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PELÉ é o único jogador que ultrapassou os limites da lógica | Johan Cruyff

🇳🇱Cruyff: “Pelé é o único jogador que ultrapassou os limites da lógica”.

🇬🇧Ferguson: “Pelé é o melhor jogador de todos os tempos”.

🇦🇷Di Stefano: “Pelé era melhor que Messi e Cr7″.

🇩🇪Franz Beckenbauer: “Pelé é o melhor jogador de todos os tempos, é o jogador mais completo que já vi”.

🇦🇷Menotti: “Quando falarmos de futebol a Pelé não o ponhas nunca porque Pelé é de outro planeta. É uma mistura de Cruyff, Maradona, Di Stefano e Leo Messi.”

🇦🇷Gatti: “A Pelé tem que separá-lo, depois pode falar dos outros”.

🇦🇷Basile: “Pelé foi o melhor jogador que vi jogar, não vi nada parecido”.

🇧🇷Rivelino: “Para o meu Pelé é de outro mundo”.

🇫🇷Just Fontaine: “Quando vi Pelé jogar, soube que devia pendurar as botas”.

🇬🇧Bobby Charlton: “Às vezes sinto que o futebol foi inventado para este jogador mágico”.

🇬🇧Bobby Moore: “Pelé foi o jogador mais completo que já vi. Magia no ar. Rápido e poderoso, corria mais do que qualquer outro jogador. Parecia um gigante dentro do campo. Equilíbrio perfeito e visão impossível.”

🇧🇷Ronaldo: “Concordo com todos que Pelé tem sido o melhor e o maior”.

🇦🇷Maradona: “Pelé pode ser o melhor de todos os tempos”.

🇵🇹Cristiano Ronaldo: “Pelé só haverá um no mundo”.

🇮🇹 Tarciso Burnigch, zagueiro italiano que marcou Pelé na final da Copa dos anos 70. Pensei: “É feito de carne e osso, como eu.” Eu estava errado.”

🇮🇹Fachetti, zagueiro italiano na Copa México de 1970: “Subimos juntos, fora de tempo, a cabecear uma bola. Eu era mais alto e mais impulso. Quando desci no chão, olhei para cima, perplexo. Pelé ainda estava lá, em cima, acenando a bola. Parecia que podia ficar no ar o tempo que quisesse.”

🇫🇷Platini: “Está Pelé o homem e depois Pelé o jogador de futebol, e jogar como Pelé é jogar como Deus”.

A última dança do rei ⚽🏆⬇️

ZELENSKY ARMADILHADO POR MOSCOVO E WASHINGTON | Por Thierry Meyssan, Rede Voltaire, 22/11/2022 – via Estátua de Sal

A evolução da relação de forças no campo de batalha ucraniano e o trágico episódio do G20 em Bali marcam uma viragem da situação. Se os Ocidentais continuam a acreditar na vitória próxima sobre Moscovo, os Estados Unidos iniciaram já negociações secretas com a Rússia. Eles aprestam-se a deixar cair a Ucrânia e em deitar as culpas exclusivamente a Volodymyr Zelensky. Tal como no Afeganistão, o despertar será brutal.

Conversando, há cerca de dez dias em Bruxelas, com um chefe de bancada de deputados que diria de mente aberta, escutei-o dizer-me que o conflito ucraniano era decerto complexo, mas que a coisa mais saliente era que a Rússia tinha invadido esse país. Respondi-lhe observando que o Direito internacional obrigava a Alemanha, a França e a Rússia a aplicar a Resolução 2202, o que Moscovo , sozinho, havia feito. Prossegui lembrando-lhe a responsabilidade de proteger as populações em caso de falha do próprio governo.

Ele cortou-me a palavra e perguntou-me : « Se o meu governo se queixar da sorte dos seus cidadãos na Rússia e atacar esse país, achará isso normal? ». Sim, respondi-lhe, se tiver uma Resolução do Conselho de Segurança. Você tem alguma? Apanhado de surpresa, ele mudou de assunto. Por três vezes, perguntei-lhe se podíamos abordar a questão dos « nacionalistas integralistas » ucranianos. Por três vezes, ele recusou. Despedimo-nos com cortesia.

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Camarón de la Isla e Tomatito | Malaga 1990 completo

Elwes pez del Tiétar

Qué decir? De Tomatito: Su pulgar, su expresividad, a veces gozando, a veces penando… Gran flamenco. Maestro de maestros. Pa’quitarse el sombrero. De Camarón: Poco puedo añadir que no se haya dicho ya… Puro, el más grande. Capaz de llorar por bulerías y de sonreír por soleá. Inspiración y orgullo. Gracias a los dos Josés por darnos el mejor concierto flamenco de la historia (y que Paco me perdone por mis palabras) ️

Whisner Fraga: contos perpassados por sentimento de revolta | por Adelto Gonçalves

                                                                        I
Depois de lançar, em 2020, O que devíamos ter feito, contos (Editora Patuá), o romancista, contista, poeta e crítico literário Whisner Fraga (1971) chega ao seu décimo-segundo livro com Usufruto de demônios (Ofícios Terrestres Edições, 2022), em que se mantém fiel ao gênero, depois de experiências bem-sucedidas em outras modalidades textuais.
A obra, composta por 64 narrativas curtas, a maioria com menos de uma página, todas escritas em letra minúscula, mas com uma linguagem sensível e poética, é uma das primeiras a ter como pano de fundo o trágico período da pandemia de coronavírus (covid-19) em que estão presentes “o horror, o negacionismo, o isolamento social e a perplexidade ante o cinismo fascista”, como observa o poeta, professor e crítico literário Gabriel Morais Medeiros, mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no posfácio que escreveu para este livro.
Como já ressaltou o jornalista e escritor Hugo Almeida, nesta coletânea, “atravessa os contos um sopro de revolta, por vezes recheada de candura”, mas sem deixar de manifestar o inconformismo diante da indiferença e do deboche dirigido aos mortos pelas autoridades da época, especialmente o principal mandatário, que sempre ficou indiferente ao genocídio que ocorria com a proliferação da peste e a falta de vacinas e pronto-atendimento às vítimas, como se lê na narrativa que leva por título “ele acompanha aviões”:
“(…) é como se setecentas mil pessoas tivessem sido apagadas – e se fossem vinte boeing deletados de suas rotas, em um único dia?, cadentes, se tornassem quebra-cabeças em pastos?, será que assim eles se comoveriam?”

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Luzes da Cidade | Charlie Chaplin | in Pensamientos De cine

Charlie Chaplin dirigiu esta terna história de amor, não isenta de uma certa amargura e tristeza. Esse filme é imperdível… Sua inocência, seu senso de humor, sua ternura, sua expressão corporal, irrepetível… Este é um dos seus filmes mais celebrados e também um dos mais adoráveis.

Luzes da cidade é um filme de 1931 escrito e dirigido por Charles Chaplin. Uma obra-prima hoje em dia, mas que na sua época veio em um momento muito inoportuno. O cinema sonoro começava a ganhar a batalha do cinema mudo. Os atores de repente podiam ser ouvidos, as atrizes cantavam e os diálogos enchiam a tela.

A beleza do cinema mudo começava a languidecer perante uma revolução imparável. Mas Chaplin soube resolver o problema adicionando à sua história muda, música ao vivo para tornar a sua maior realismo. Música composta por: Charles Chaplin, José Padilla Sánchez, Alfred Newman, Arthur Johnston. Chaplin fazia magia.

Vivemos tempos convulsos, mas isso não é novidade. No filme o protagonista mostra que os pobres sempre o foram, sempre estiveram lá, no meio de uma sociedade alheia à sua existência. O ator interpreta um vagabundo que, uma noite qualquer, se encontra no lugar certo e hora e coincide com um bilionário que influenciará o futuro do seu destino. Mas não é ele que vai mudar sua vida… uma existência na qual não há apenas motivações é interrompida pelo aparecimento de uma bela florista. O pobre vagabundo fica apaixonado por ela e mal repara num detalhe importante: ela é cega.

O resto é história, uma história que se espera, claro que sim. Agora sabemos tudo. Mas nessa época todas as histórias de amor estavam por inventar, restavam ilusões, propósitos de ser melhores e ainda se podia encontrar o amor ao virar qualquer esquina. E quando você a vê, todo esse tempo, esses valores e sonhos renascem por algumas horas.

A coisa mais fascinante das Luzes da cidade é a força nos olhos de Virgínia Cherill, essa florista cega que é capaz de trancar tantas emoções num olhar fixo, no vazio, no infinito.

Pensamientos De cine

Uma guerra a leste que estilhaçou no resto do mundo. Veja “A Arte da Guerra” | Francisco Seixas da Costa

“A Arte da Guerra”, o podcast sobre política internacional que semanalmente faço com o jornalista António Freitas de Sousa, para o “Jornal Económico”, leva a cabo, nesta sua última edição em 2022, um balanço do ano, que tem a invasão russa da Ucrânia como natural centro da análise.

As figuras mundiais destacadas são, como não podia deixar de ser, os líderes russo, ucraniano, chinês e americano.

Klassik Open Air 2021 mit Sierra | Costello | Filończyk | Repušić | NDR Radiophilharmonie

Sopranistin Nadine Sierra, Tenor Stephen Costello und Bariton Andrzej Filończyk.

Hannover Klassik Open Air 2021 00:00 Giuseppe Verdi: Ouvertüre (Sinfonia) 00:20 zur Oper “La Forza del Destino” Gaetano Donizetti: “Regnava nel silenzio” 08:48 aus der Oper “Lucia di Lammermoor” Gioacchino Rossini: “Largo al factotum” 17:55 aus der Oper “Il barbiere di Siviglia” Gaetano Donizetti: “Caro elisir! … Esulti pur la barbara” 23:09 aus der Oper “L’elisir d’amore” Giuseppe Verdi: Ballabile (Ballettmusik) 32:32 aus der Oper “Otello” Giuseppe Verdi: “Di provenza il mar, il suol” 39:30 aus der Oper “La Traviata” Giuseppe Verdi: “É strano! – Sempre libera degg’io” 44:19 aus der Oper “La Traviata” Giacomo Puccini: “O Mimì, tu più non torni” 55:20 aus der Oper “La Bohème” Giacomo Puccini: Intermezzo (3. Akt) 1:00:30 aus der Oper “Manon Lescaut” Giacomo Puccini: “E lucevan le stelle” 1:06:44 aus der Oper “Tosca” Emmanuel Chabrier: España 1:11:52 Rhapsodie für Orchester Georges Bizet: “La fleur que tu m’avais jetée” 1:19:37 aus der Oper “Carmen” Charles Gounod: “Je veux vivre” 1:24:38 aus der Oper “Roméo et Juliette” Jules Massenet: “Manon! Sphinx étonnant” 1:09:30 aus der Oper “Manon”

Nadine Sierra, Sopran

Andrzej Filończyk, Bariton Stephen Costello, Tenor Ivan Repušić, Dirigent

NDR Radiophilharmonie

Mitschnitt vom 21. August 2021, Hannover Klassik Open Air, Maschpark Hannover

2022 à la minute  –  On my own | Carlos Matos Gomes

Gosto mais da frase em inglês — on my own — do que em português: só comigo.

A minha intenção ao escrever este texto sobre o ano de 2022 é a mesma dos solitários que fazem desenhos na areia: entreterem-se enquanto falam consigo próprios. Depois, quem passa olha, se lhe apetecer acrescenta, apaga, ou distorce. E segue o seu caminho. A nova maré levará a obra. O desenhador irá olhar o vazio para lá do horizonte.

Bom ano de 2023.

Personalidades portuguesas:

– Marta Temido, a sua equipa e o SNS. A frágil ministra, juntamente com o seu sereno secretário de Estado, enfrentaram o mais poderoso e desapiedado gangue do planeta: o dos industriais e comerciantes da saúde. Os Serviços Nacionais de Saúde são uma ofensa inadmissível para os mercadores dos medicamentos, dos hospitais e clinicas, dos laboratórios e fábricas de equipamentos. Marta Temido e o seu secretário, mais da Diretora Geral da Saúde enfrentaram-nos. Se tivessem a mais pequena sombra no seu currículo, nas suas vidas privadas estariam entregues aos bichos, aos liberais! E nós, os cidadãos, com eles.

– Os “uberistas”, sejam os condutores de automóveis sejam os distribuidores de comida às costas que respondem às app e aos Tm. São os novos escravos, sem esquecer os importados para os trabalhos agrícolas. Eles antecipam o futuro das sociedades ditas desenvolvidas, e neoliberais, a par dos “colaboradores” em teletrabalho e dos robôs.

Personalidades Internacionais:

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O que acho do Pedro Nuno Santos? | por Sófia Smirnov

Oque acho do Pedro Nuno Santos? Querem mesmo saber? Gosto do Pedro Nuno, mais jovem, determinado, sem papas na língua nem medo de fugir ao politicamente correto e às regras impostas por uma seita há décadas, uma rede de influências e favores que minou toda a classe política e não há exceções, da esquerda à direita, a anormalidade do panorama político é atroz.

Inteligente, estratega e com experiência política tem mais peso do que possa parecer. Gosto de pessoas com carácter e sem medo e Pedro Nuno Santos é isso mesmo, corajoso e destemido. Falhou, quando entrou no esquema e vícios do próprio partido, nomeadamente ao apoiar a nomeação da mulher como chefe de gabinete do secretário de Estado Duarte Cordeiro. Atenção que tal não é por não considerar Ana Catarina Gamboa como competente. A questão não é essa. A questão prende-se com a ética. Há 30 anos, quando entrei no mercado de trabalho e numa empresa que exigia ética, não era permitido que familiares trabalhassem nas mesmas áreas, por questões que me parecem lógicas. Nada tem a ver com a competência ou com a incapacidade das pessoas conseguirem separar interesses pessoais da ética profissional. Há pessoas e pessoas e ninguém é igual. Tem a ver com probabilidades e, a probabilidade dessa ética ser corrompida, é substancialmente maior quando há relações pessoais. O que temos visto, não só no Governo como no próprio PS, é um absurdo de influências e cunhas entre familiares e amigos. Eu, pessoalmente, se ocupasse algum cargo político, não quereria ninguém da minha família por perto, por uma questão, não só de imparcialidade, como para não me colocar numa situação de fragilidade perante a opinião pública que, no fundo, é o eleitorado. Faz-me confusão, toda esta anormalidade, não só na política como na comunicação social, como na sociedade em geral. Acho, inclusive, que vamos pagar toda esta anormalidade cara, aliás, já a estamos a pagar.

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A superação da dissidência, a desobediência e o regresso dos velhos totalitarismos | por Carlos Matos Gomes

A Liberdade é para mim o valor supremo. É a Liberdade que me permite ser eu. Mas apenas posso sobreviver em sociedade, o que impõe limites à minha liberdade. Vivo e vivi a lutar por me libertar, sabendo que estarei sempre preso, mas bato-me para esticar ao máximo a corda que me limita. Cheguei à conclusão (já não era sem tempo) que passei a existência como um prisioneiro que pensou constantemente em planos de fuga, e se relacionou com os outros presos e os guardas de modo a garantir a maior liberdade possível. Descobri à minha custa o segredo de conseguir equilibrar forças numa sociedade violenta. Nada de novo. Desde a antiguidade que primeira tarefa dos chefes é assegurar a obediência dos seus subordinados. Tentei e tento superar os riscos da dissidência, da desobediência. Nunca recebi um louvor por comportamento exemplar. Não me orgulho, mas sinto-me bem por ter superado a minha dissidência e, antes do tudo o mais, aprendi a distinguir os profetas da submissão por debaixo do tropel dos gritos e dos arrepelos dos cabelos. Os movimentos de extrema-direita que estão a sair da terra como os cogumelos do estrume gritam muito, mas nada mais pretendem que um regime de submissos. A insubmissão é hoje a defesa contra a berraria dos serventuários dos poderosos.

Max Weber, o sociólogo alemão, afirmou que a finalidade do poder é “a imposição da vontade de uma pessoa ou instituição sobre os indivíduos, mesmo contra resistências”. O poder é independente da aceitação dos sujeitos, mas aprendi que a utilização da força é o mais oneroso e traiçoeiro dos meios de obter um domínio e o menos fiável. Recrutar vendedores de felicidade e ilusionistas é muito mais eficaz.

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Maria Callas sings “Casta Diva” (Bellini: Norma, Act 1)

The great Maria Callas performs an aria from her signature role, Bellini’s druid priestess Norma, with the Orchestre de l’Opera National de Paris and Georges Sebastian. Recorded live at the Palais Garnier on the 19th of December 1958, this concert marked the soprano’s debut at the Paris Opera, a major social event for Parisians and for which Callas donned her most elegant couture and a million dollars’ worth of jewelry. The official Maria Callas website: http://www.maria-callas.com/

Günther Anders | ′′ A obsolescência do homem ′′ 1956

′′Para sufocar antecipadamente qualquer revolta, não deve ser feito de forma violenta. Métodos arcaicos como os de Hitler estão claramente ultrapassados. Basta criar um condicionamento coletivo tão poderoso que a própria ideia de revolta já nem virá à mente dos homens. O ideal seria formatar os indivíduos desde o nascimento limitando suas habilidades biológicas inatas…

Em seguida, o acondicionamento continuará reduzindo drasticamente o nível e a qualidade da educação, reduzindo-a para uma forma de inserção profissional. Um indivíduo inculto tem apenas um horizonte de pensamento limitado e quanto mais seu pensamento está limitado a preocupações materiais, medíocres, menos ele pode se revoltar. É necessário que o acesso ao conhecimento se torne cada vez mais difícil e elitista…. que o fosso se cave entre o povo e a ciência, que a informação dirigida ao público em geral seja anestesiada de conteúdo subversivo.

Especialmente sem filosofia. Mais uma vez, há que usar persuasão e não violência direta: transmitir-se-á maciçamente, através da televisão, entretenimento imbecil, bajulando sempre o emocional, o instintivo. Vamos ocupar as mentes com o que é fútil e lúdico. É bom com conversa fiada e música incessante, evitar que a mente se interrogue, pense, reflita.

Vamos colocar a sexualidade na primeira fila dos interesses humanos. Como anestesia social, não há nada melhor. Geralmente, vamos banir a seriedade da existência, virar escárnio tudo o que tem um valor elevado, manter uma constante apologia à leveza; de modo que a euforia da publicidade, do consumo se tornem o padrão da felicidade humana e o modelo da liberdade.

Assim, o condicionamento produzirá tal integração, que o único medo (que será necessário manter) será o de ser excluído do sistema e, portanto, de não poder mais acessar as condições materiais necessárias para a felicidade.

O homem em massa, assim produzido, deve ser tratado como o que é: um produto, um bezerro, e deve ser vigiado como deve ser um rebanho. Tudo o que permite adormecer sua lucidez, sua mente crítica é socialmente boa, o que arriscaria despertá-la deve ser combatido, ridicularizado, sufocado…

Qualquer doutrina que ponha em causa o sistema deve ser designada como subversiva e terrorista e, em seguida, aqueles que a apoiam devem ser tratados como tal ′′

O suicídio da social-democracia — onde está a Internacional Socialista? | Carlos Matos Gomes

Minhas amigas e meus amigos, com antecipadas desculpas por este texto fora de moda e de época. Os tempos de celebrações são de esquecimento e despreocupação. O mundo andará sem nós. Não parece fazer sentido falar da morte ou da hibernação, ou da hasta mais ou menos pública, ou de OPA mais ou menos hostil,  de uma certa ideia de governo dos povos, simpática, por sinal, e agradável, como é, ou foi a social democracia europeia no pós-guerra. 

Dentro de dias teremos um ano novo no calendário. O impasse em que estamos não terminará com a mudança de folha. Os meus desejos sinceros de Bom Ano Novo não têm, infelizmente, o poder de alterar a realidade. Este texto não apresenta boas notícias, e não é por eu ser um pessimista, mas porque estou como o homem velho no cimo da montanha de que falava Nietzsche em Assim Falava Zaratustra, vejo os vales e as nuvens no horizonte. Um Bom Ano e desculpem o incómodo. Há com certeza leituras mais animadoras e mais adequadas à época. Que raio de lembrança: a cataplesia da social-democracia no Natal!

Mas, boas festas para todos.

Carlos Matos Gomes


As burguesias: industriais, proprietários de bens de raiz, de rendimentos palpáveis, comerciantes regionais, altos funcionários foram o motor das sociedades capitalistas e demoliberais que tomaram o poder na Europa após as revoluções dos séculos XVIII em França, na Inglaterra e na Alemanha e no século XX na Rússia. Foram as classes médias europeias (as burguesias) que decidiram o colonialismo para se apropriarem das matérias-primas de África e que estiveram na origem de duas guerras mundiais.

O colonialismo e a Segunda Guerra estão na raiz da atual ordem no mundo. O colonialismo resultou das necessidades de matérias primas pela indústria da revolução industrial e a Segunda Guerra resultou das respostas das burguesias nacionais aos movimentos operários (os camponeses transformados em operários — proletários) que geraram o complexo fenómeno que por facilidade designamos comunismo. O nazismo foi uma resposta ao comunismo, a outra foi a social-democracia — os católicos referem a democracia cristã e a encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII e publicada em 1891, mas esta é mais uma “orientação” para limitar a exploração gerada pelo liberalismo capitalista do que para alterar a ordem social e a hierarquia das classes.

(Adivinho o comentário: compara o nazismo à social-democracia! — não, o que quero dizer é que o mesmo problema (no caso a revolta dos proletários) pode originar diferentes soluções políticas e que reconhecer a diversidade de opções é a base do pluralismo. Depois há soluções melhores, piores e péssimas.)

Partindo desses pressupostos, chegamos ao artigo de Alexis Corbiére no Nouvelle Observateur, L’Obs para os amigos e ao artigo de Novembro: Porque não sou social-democrata.

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FALECIMENTO | Eterna Saudade, Nélida Piñon (1937 – 2022)

Nelida Pinon at Nantes 2013 1st May 2013 Picture by Mathieu Bourgois/Writer Pictures NO FRANCE

Nélida Piñon, nascida no Rio de Janeiro numa família originária da Galiza, faleceu hoje em Lisboa, no Hospital CUF Descobertas.

Autora amada por nós, seus editores há mais de duas décadas, é considerada um ícone da grande literatura de língua portuguesa, internacionalmente reconhecida e premiada.

Expoente máximo da literatura brasileira que escreveu de um modo fulgurante, expressando os sonhos de todo o Brasil e as grandes questões da literatura com a cultura e a sociedade.

Humanista, generosa, interventiva, uma artista do pensamento, teve uma voz firme contra a censura e a ditadura no Brasil. Feminista, afrontou com coragem os modelos tradicionais, celebrando e escrevendo a liberdade de pensar.

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Ninguém gosta de ser exposto como corno | por Carlos Matos Gomes

A verdade explosiva e a” sabedoria popular: Ninguém gosta de ser exposto como corno. À primeira todos caem… à segunda só os parvos…”

A declaração de Angela Merkel de que os acordos de Minsk entre os EUA, a UE e a Rússia a propósito de uma relação de confiança que garantisse a segurança da Rússia e a neutralidade da Ucrania foi uma vigarice para ganhar tempo e tramar a Rússia é politicamente mortal.

Mesmo com muito boa vontade, nenhum líder russo vai num futuro próximo estabelecer um acordo com qualquer destas entidades, desde logo para os seus concidadãos não o acusaram de otário, de estupido, de ingénuo, de se deixar cornear pela segunda vez.

Angela Merkel forneceu argumentos ao regime de Putin para não negociar, de ir até onde entender na neutralização da Ucrânia, de impor as suas condições sem concessões!

Nenhum líder europeu, americano ou ucraniano desmentiu Angela Merkel: todos assumiram a armadilha que tinham preparado a título de um acordo.

Todos os estados sabem que os acordos existem para serem violados, mas uma coisa é saber, outra é uma das partes vir para a praça pública ufanar-se e humilhar o traído, que foi o que Angela Merkel fez.

A partir de agora quem confiará em qualquer tratado ou acordo assinado pelos estados que estiveram em Minsk? Que político na China, na Índia, na Amérrica latina se exporá a ver-se na posição do chifrudo a quem os chico-espertos entretiveram enquanto lhe preparavam o assassinato?

A imagem dos enganos é do grande Vilhena e de um livro sobre a Vigarice e a Batota.

Amílcar Cabral e a Ordem da Liberdade  |  a visão do futuro de Marcelo Rebelo de Sousa

Dia 10 de Dezembro, no âmbito de uma visita a Cabo Verde para participar na cerimónia de doutoramento Honoris Causa a título póstumo de Amílcar Cabral, o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou com o colar da Ordem da Liberdade o fundador do PAIGC, o partido independentista da Guiné e Cabo Verde.

A Ordem da Liberdade é uma ordem honorífica portuguesa, criada após o 25 de Abril de 1974, que se destina a distinguir serviços relevantes prestados na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação do Homem e à causa da liberdade. A Ordem da Liberdade pode ser atribuída a entidades portuguesas e estrangeiras.

Amílcar Cabral cumpre com distinção os requisitos. Apenas por curiosidade, à data da morte e durante toda a sua vida, Amílcar Cabral foi oficialmente cidadão da República Portuguesa! Mais, foi um cidadão da luta pela dignidade de todos os povos do mundo, em particular dos que estiveram sujeitos ao domínio do colonialismo. No pós-Segunda Guerra Mundial, como resultado da nova ordem internacional, da perda de centralidade da Europa, da emergência de novos valores entre os povos do mundo, impôs-se o Movimento Descolonizador como novo paradigma e o colonialismo foi considerado pela Assembleia Geral das Nações Unidas um crime contra a humanidade!

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O deserto está repleto de coisas | João Gomes

Queria falar-vos de esperança, deixando que apenas palavras doces e ternas surgissem no amargor da realidade diária do presente. Nós, humanos, precisamos tanto de palavras positivas, como de pão para a boca, para a digestão de ideias felizes. Mas apetece-me calar a minha voz, emudecer, fazer o meu destino mais próximo dos silêncios, deixar essa esperança em mim aparecer, sem me sentir desumano, demente. Os olhos vêem os gestos que me apetece oferecer, mas os rostos escondem-se no trapo colorido e o gesto esmorece. As minhas mãos já só praticam tarefas simples e sem bravura. Nos dias que nascem frios, as noites morrem ainda mais frias.

Pergunto a mim próprio se sou uma pessoa feliz e o que me falta para, verdadeiramente, o ser. Descubro que nada me falta e apenas falta a forma de me compreender. Um deserto não é, verdadeiramente, um vazio. O deserto está repleto de coisas. Só precisamos de as saber encontrar e usufruir daquilo que até um deserto pode oferecer. Antes mesmo de nele temermos morrer e a esperança é uma palavra que nunca se completa, se não for atravessada como um deserto que enfrentamos, buscando o que pode conter. E basta encontrar nele uma flor, uma simples e terna flor, para valer a pena a aventura da travessia ou ver a esperança acontecer.

João Gomes

(2021)

A corrupção dos valores começa na nossa casa | por Carlos Matos Gomes

Miguel Sousa Tavares publicou um excelente texto sobre a corrupção no Parlamento Europeu, neste caso envolvendo a eurodeputada grega Eva Kaili, a propósito de subornos feitos pelo Qatar. Este meu texto é uma adaptação do texto de Simon Tisdall, do The Guardian, que reforça a ideia de estarmos a assistir à corrupção por dentro dos regimes de democraca representativa e de Estado de Direito.

O texto de Simon Tisdall começa com uma provocação:

Boas notícias para os autocratas do mundo — a mesquinhez (corrupção e cupidez) da UE é um grande golpe contra a democracia. Artigo de Simon Tisdall (The Guardian)

O escândalo do Qatargate (que envolve a eurodeputada grega Eva Kaili) mostra como a corrupção interna e o tráfico de influência e podem corroer a confiança pública. A democracia é uma planta vulnerável, facilmente negligenciada e enfraquecida por parasitas. Ela enfrentou ataques abertos, às vezes letais, em 2022, de autocratas em lugares tão distantes quanto Estados Unidos, Brasil, China, Rússia, Irão e a Turquia. No entanto, quando a democracia é silenciosamente corrompida e subvertida por dentro — esse é o verdadeiro assassino. O caso da eurodeputada grega está nesta categoria, de inimigo interno, de cancro insidioso. Se provada, a corrupção no Parlamento Europeu constituirá uma enorme traição à confiança pública.

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Moacir Amâncio: poemas que captam sensações | por Adelto Gonçalves

   “Câmara Escuro” reúne 65 peças que reafirmam a maturidade poética do autor


                                                           I
            Depois de alguns anos sem publicar livros de poesia, Moacir Amâncio reaparece com Câmara Escuro (São Paulo, Editora Hedra, 2022), que reúne 65 poemas que reafirmam a sua maturidade poética e mostram que, “às vezes, precisamos baixar os olhos para ver, e de pequenos deslocamentos para achar um outro modo de estar onde estamos”, como observa Roberto Zular, professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), no texto de capa que escreveu para este livro. E acrescenta: “Um livro que, enfim, faz das sombras um mote para redimensionar o caminho da iluminação”.
            De fato, o leitor não vai encontrar aqui poemas que possam servir de exemplo perfeito para o conceito estabelecido pelo professor Massaud Moisés (1928-2018) segundo o qual a poesia é a expressão do “eu” por meio de metáforas, como aquela famosa frase de Fernando Pessoa (1888-1935) em que o poeta contempla o silêncio feminino e nele descortina uma nau: “o teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas”.  Nestes poemas curtos, que não se confundem com haicais, a metáfora literária tem objetivo estético, procurando reproduzir beleza ou emoção estética.
Ou seja, as palavras procuram reproduzir, através de uma figura de linguagem, fenômenos provocados por uma condição neurológica, estabelecendo uma experiência sinestésica, que se dá por via sensorial ou cognitiva.

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A NATO E AS ORIGENS DA GUERRA NA UCRÂNIA | Embaixador americano John Matlock Jr

Artigo publicado pelo embaixador americano John Matlock Jr., em fevereiro deste ano, recordando o erro que foi a desnecessária expansão da NATO para leste e o perigo extremo de um confronto com a Rússia a que nos poderia – pode levar a situação na Ucrânia.

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Após a queda da União Soviética, eu disse ao Senado que a expansão nos levaria até onde estamos hoje.

Jack F. Matlock Jr. , Embaixador

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Hoje enfrentamos uma crise evitável entre os Estados Unidos e a Rússia que era previsível, intencionalmente precipitada, mas pode ser facilmente resolvida pela aplicação do bom senso.

Mas como chegamos a este ponto?

Permitam-me, como alguém que participou das negociações que acabaram com a Guerra Fria, trazer um pouco da história para lidar com a crise atual.

Todos os dias nos dizem que a guerra pode ser iminente na Ucrânia. As tropas russas, dizem-nos, estão se concentrando nas fronteiras da Ucrânia e podem atacar a qualquer momento. Os cidadãos americanos estão sendo aconselhados a deixar a Ucrânia e os dependentes da equipe da embaixada americana estão sendo evacuados. Enquanto isso, o presidente ucraniano alertou contra o pânico e deixou claro que não considera uma invasão russa iminente. Vladimir Putin negou que tenha qualquer intenção de invadir a Ucrânia. Sua exigência é que cesse o processo de inclusão de novos membros na OTAN e que a Rússia tenha a garantia de que a Ucrânia e a Geórgia nunca serão membros.

O presidente Biden se recusou a dar tal garantia, mas deixou claro sua disposição de continuar discutindo questões de estabilidade estratégica na Europa. Enquanto isso, o governo ucraniano deixou claro que não tem intenção de implementar o acordo alcançado em 2015 para submeter as províncias de Donbass na Ucrânia com um alto grau de autonomia local – um acordo com Rússia, França e Alemanha que os Estados Unidos endossaram.

Essa crise era evitável?

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Mozart – Música Clássica para Estimular o Cérebro

Mozart – Música Clássica para Estimular o Cérebro Tracklist: Divertimento in D major, K. 136 “Salzburg Symphony No. 1” 00:00 I. Allegro 02:59 II. Andante 06:38 III. Presto Divertimento in F major, K. 138 “Salzburg Symphony No. 3” 08:30 I. Allegro 11:09 II. Andante 13:55 III. Presto Metamorphose String Orchestra Conductor: Pavel Lyubomudrov

Eine Kleine Nachtmusik, K. 525 15:57 I. Allegro 21:55 III. Minuetto 24:18 IV. Rondò Opole Philharmonic Orchestra Conductor: Werner Stiefel

27:28 Rondò in D Major, K. 485 (live recording) Piano: Vadim Chaimovich

Flute and Harp Concerto in C Major, K. 299 34:09 I. Allegro 44:36 II. Andantino 52:44 III. Rondò. Allegro Harp: Ursula Mazurek Opole Philarmonic Orchestra Conductor: Silvano Frontalini

Piano Sonata No. 10 in C Major, K. 330 (live recording) 1:03:19 I. Allegro moderato 1:07:56 II. Andante cantabile 1:14:32 III. Allegretto Piano: Vadim Chaimovich

1:18:32 Lucio Silla, K. 135: Ouverture Opole Philharmonic Orchestra Conductor: Alexandr Tracz

Flute Concerto No. 1 in G Major, K. 313 1:27:00 I. Allegro maestoso 1:36:02 III. Rondò – Minuetto Flute: Ubaldo Rosso Opole Philarmonic Orchestra Conductor: Silvano Frontalini

Piano Sonata No. 12 in F Major, K. 332 (live recording) 1:43:47 I. Allegro 1:51:15 II. Adagio 1:56:47 III. Allegro assai Piano: Vadim Chaimovich

Era uma noite fria. Esticando as mãozitas para a lareira a criança aquecia-se | João Gomes

Era uma noite fria. Esticando as mãozitas para a lareira a criança aquecia-se. A sopa e os doces haviam-lhe aconchegado a fome e a mãe cirandava pela cozinha, arrumando a loiça. Sentia o encosto do gato, aninhado ao seu lado. No conforto do fogo, nem percebia a ausência do pai, ausente no trabalho. Era a noite de Natal e o pai tinha a missão de conduzir comboios, transportando as pessoas para todo o lado. Já era hábito ser assim. No Natal anterior tinha ficado com o pai, enquanto a mãe não chegava do hospital, onde era enfermeira. O gato, esse estava sempre presente. E que sorte ela tinha por o ter sempre aninhado, junto de si e à lareira. Cresceria percebendo que os Natais eram com a mãe ou o pai, enquanto não tivesse a sua própria família. Ainda não sabia que profissão queria ter. Mas certamente não seria enfermeira ou maquinista. Desejaria trabalhar em algo que lhe permitisse estar com os filhos, nas noites de Natal. E casaria, certamente, com alguém que assumisse um trabalho qualquer, desde que ficasse com ela e os filhos, um gato e um cão, numa lareira quente. Era essa a prenda que mais desejava para o futuro. As outras prendas tinham-se tornado uma consolação para as noites de uma certa solidão.

João Gomes

Até amanhã!

Arte de Paul Delvaux, Solitude, 1955

José Tolentino Mendonça vence Prémio Ilídio Pinho

Lisboa, 14 de dezembro de 2022

José Tolentino Mendonça é o vencedor da primeira edição do Prémio Ilídio Pinho, atribuído pela Fundação Ilídio Pinho, no valor de cem mil euros. Este é o maior prémio pecuniário atribuído em Portugal e exclusivamente português. A distinção é atribuída a personalidades que trabalhem «na promoção e defesa dos valores universais da portugalidade», sendo o júri composto pelos presidentes das Câmaras Municipais de Lisboa, do Porto e de Vale de Cambra, e pelos reitores das Universidades do Porto, de Aveiro, Católica e de Trás-os-Montes. A entrega do prémio terá lugar na próxima segunda-feira, 19 de dezembro.

O Cardeal José Tolentino Mendonça estará este domingo no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, para um encontro com leitores, a propósito do livro Metamorfose Necessária. Reler São Paulo. O livro será apresentado, a partir das 16h00, por José Rui Teixeira, numa sessão com entrada livre. Já na passada sexta-feira, dia 9, o autor da Quetzal esteve com os leitores de Lisboa, num encontro na Fundação Calouste Gulbenkian, que contou com a participação de António Feijó, Teresa Bartolomei e Ângela Barreto Xavier. Estas são as primeiras apresentações de José Tolentino Mendonça para os seus leitores portugueses desde 2018, aquando do lançamento de O Elogio da Sede.

Desde então mudou-se para Roma, onde foi responsável pela Biblioteca e Arquivos do Vaticano, tendo sido, em setembro passado, nomeado prefeito do novo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, pelo Papa Francisco. 


Para mais informações, contacte o Gabinete de Comunicação da Quetzal:
Vânia Custódio | E-mail: vania.custodio@bertrand.pt

Então a Europa também é corrupta? | Pedro Tadeu | in DN

s suspeitas de corrupção que atingem o Parlamento Europeu e levaram a justiça belga a propor uma prisão preventiva para uma vice-presidente da instituição, a grega Eva Kaili, suscitam-me, para já, muitas mais perguntas do que propriamente conclusões.

A investigação, que levou à descoberta de pacotes de dinheiro escondido em casas de vários políticos europeus, no valor 1 milhão e 500 mil euros, suspeita, diz a imprensa, que o governo do Qatar subornou essas pessoas em troca de “favores políticos”.

Ora a primeira pergunta que me veio à cabeça, e para a qual não vi resposta em lado algum, é esta: de que “favores” estamos a falar?

Era apenas a aprovação, que estava em marcha e agora foi suspensa, de entrada na União Europeia de qatarenses com passaporte, sem necessidade da formalidade dos vistos? Foi alguma coisa relacionada com o Mundial de Futebol? Com as moções e tomadas de posição sobre Direitos Humanos e de trabalhadores no Qatar? Sobre a aprovação de projetos que, de alguma forma, beneficiassem o governo e as empresas do Qatar?

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DO INÚTIL | Tiago Salazar

Que adianta ao meu íntimo mundo pessoal, e mesmo a vós, meus assíduos, se vos disser que sempre preferi o Messi ao Ronaldo, tal como o Barça ao Real Madrid. Prefiro a arte subtil e o sentido do artista que, embora sobredotado, nunca deixa de trabalhar para o colectivo que o admira. No relvado, entre colegas, e nas bancadas pasmadas, sem celebrar o golo como um vaidoso toureiro pavoneia o cravar da farpa (Messi não foi visto a fazer manguitos aos holandeses derrotados).

E depois, quase tudo em Messi me devolve a aura de Diego Armando que é inultrapassável, mas viu nele o legado alvi celeste e lhe passou o ceptro. E o rei negão que me desculpe. A Messi, bailarino de tango, só lhe falta o sentido dramático de um fadista.

Fotos selecionadas por vcs

Messi vai à montanha, a crónica do dia na Tribuna | Bruno Vieira Amaral

“Talvez o que me irrite em Messi seja a persistência do génio, a forma metódica, maníaca, como não desperdiçou uma gota do talento com que nasceu, como, ao fim de quase décadas no topo, por lá se mantém sem um ano sabático, sem uma reforma antecipada que lhe permitiria o regresso triunfal, sem uma pausa, apenas um ligeiro declive após a saída do Barcelona.

Irrita-me porque a perfeição perfeita, infalível, é absolutamente desumana, desinteressante, vazia. É como um Deus todo-poderoso, infinito e imortal. Maradona era um deus grego, com o seu génio e mau génio, irascível e abrasivo, sanguíneo e sentimental. Sentíamo-nos abençoados por vê-lo e, lá no fundo, sentíamos que também ele precisava de nós. Era de carne e osso.

Messi é um deus abstrato, uma ideia. Sem rosto e sem história. Indiferente ao tempo, invulnerável. Como escrevia um amigo na ressaca de mais uma exibição fulgurante, ele faz aos 35 anos o que fazia aos vinte. É o mesmo jogador que sempre foi. Não se reinventou e nem sequer se aperfeiçoou porque tudo o que ele é agora já era quando começou.

O próprio tempo, ofendido com a audácia, tentou derrotá-lo, pondo-lhe um croata de vinte anos ao caminho, e Messi dobrou o tempo e o pobre croata com uma dança vertiginosa, como um parapsicólogo dobra colheres com o poder da mente. É o Alfa e o Ómega, não tem começo nem terá fim.

Bem, parece que terá um fim pois anunciou que a final será o seu último jogo com a seleção argentina. Mas o fim não lhe foi imposto pelo tempo, pela decadência. Foi ele que o decidiu. Estará aqui o seu gesto de húbris? Terá despertado finalmente a fúria dos outros deuses que guardaram para o fim a sua vingança? Lembro que, em 2006, Zinedine Zidane, outro génio, esteve a minutos de sair banhado com a glória suprema, embora para ele repetida, de campeão do mundo. E bastou um gesto para o condenar.

Talvez a explicação para a persistência do génio de Messi, para a sua assombrosa longevidade, seja mais simples: ao contrário de outros – Pelé, Maradona, Zidane, Ronaldinho – não foi campeão do mundo quando era jovem. E essa única, mas enorme, lacuna manteve o fogo vivo. Quando os outros já tinham descido a montanha, Messi continuava a imaginar o que haveria lá no cimo e, aos 35 anos, pôs-se uma última vez a caminho. No próximo domingo ou desce sem a revelação ou volta com o rosto transfigurado por se ter aproximado da presença divina. E não me admirava que no cimo do monte Horeb não estivesse uma sarça ardente, mas um espelho.”

Retirado do Facebook | Mural de Bruno Vieira Amaral

XANANA GUSMAO | por AS Curvelo-Garcia

De seu nome José Alexandre Gusmão, nasceu em Laleia, Manatuto, Timor-Leste, então colónia portuguesa, em 20 de junho de 1946. Frequentou um colégio jesuíta, nos arredores de Dili. Aos 15 anos saiu do colégio, por motivos financeiros da sua família, continuando os estudos numa escola noturna e exercendo diversas profissões não qualificadas. Durante o governo português em Timor-Leste, de 1966 a 1968, foi funcionário do Departamento de Silvicultura e Agricultura. Em 1968 foi incorporado no exército português, onde esteve durante três anos, conforme o que se passava na altura com todos os jovens em Portugal e nas suas colónias: Portugal mantinha a guerra colonial em diversas frentes!

Em 1971, ingressou numa organização nacionalista encabeçada por José Ramos-Horta; até 1974, esteve ativamente envolvido em protestos pacíficos dirigidos ao sistema colonial. Em 1974, quando o governo português promoveu a descolonização de Timor-Leste, tornou-se membro da ASDT (Partido Social-Democrata de Timor-Leste), mais tarde transformado na FRETILIN (Frente Revolucionária para a Independência de Timor-Leste). Integrou o Comité Central da FRETILIN. Em 1975 uma intensa luta interna

ocorreu entre duas fações rivais no Timor Português. Xanana Gusmão envolveu-se profundamente com a FRETILIN, tendo sido preso e encarcerado pela fação rival, a União Democrática Timorense (UDT), em meados de 1975. A Indonésia começou

imediatamente uma campanha de desestabilização, e frequentes incursões no Timor Português foram realizadas a partir de Timor Ocidental indonésio. No final de 1975, a FRETILIN ganhou o controlo do Timor Português e Xanana foi libertado, sendo

conduzido ao cargo de secretário de imprensa dentro da organização. Em 28 de novembro de 1975, foi declarada a independência do Timor Português como “República

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Na Ucrânia, os EUA estão nos arrastando para a guerra com a Rússia | John Pilger | in The Guardian

| Este artigo tem mais de 8 anos |

O papel de Washington na Ucrânia, e seu apoio aos neonazistas do regime, tem enormes implicações para o resto do mundo.

Toleramos a ameaça de outra guerra mundial em nosso nome? Por que permitimos mentiras que justifiquem esse risco? A escala de nossa doutrinação, escreveu Harold Pinter, é um “ato de hipnose brilhante, até mesmo espirituoso e altamente bem-sucedido”, como se a verdade “nunca tivesse acontecido mesmo enquanto estava acontecendo”.

Todos os anos, o historiador americano William Blum publica seu “resumo atualizado do registro da política externa dos EUA”, que mostra que, desde 1945, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles democraticamente eleitos; interferiu grosseiramente nas eleições em 30 países; bombardeou as populações civis de 30 países; armas químicas e biológicas usadas; e tentou assassinar líderes estrangeiros.

Em muitos casos, a Grã-Bretanha tem sido um colaborador. O grau de sofrimento humano, e muito menos de criminalidade, é pouco reconhecido no Ocidente, apesar da presença das comunicações mais avançadas do mundo e, nominalmente, do jornalismo mais livre. Que as vítimas mais numerosas do terrorismo – o “nosso” terrorismo – são muçulmanos, é indizível. Esse jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi alimentado como uma arma da política anglo-americana (Operação Ciclone no Afeganistão) é suprimido. Em abril, o Departamento de Estado dos EUA observou que, após a campanha da Otan em 2011, “a Líbia se tornou um refúgio seguro para terroristas“.

O nome do “nosso” inimigo mudou ao longo dos anos, do comunismo para o islamismo, mas geralmente é qualquer sociedade independente do poder ocidental e ocupando um território estrategicamente útil ou rico em recursos, ou simplesmente oferecendo uma alternativa à dominação dos EUA. Os líderes dessas nações obstrutivas são geralmente violentamente deixados de lado, como os democratas Muhammad Mossedeq no Irã, Arbenz na Guatemala e Salvador Allende no Chile, ou são assassinados como Patrice Lumumba na República Democrática do Congo. Todos estão sujeitos a uma campanha de difamação da mídia ocidental – pense em Fidel Castro, Hugo Chávez, agora Vladimir Putin.

O papel de Washington na Ucrânia é diferente apenas em suas implicações para o resto de nós. Pela primeira vez desde os anos Reagan, os EUA ameaçam levar o mundo à guerra. Com a Europa Oriental e os Bálcãs agora postos militares avançados da Otan, o último “estado-tampão” que faz fronteira com a Rússia – a Ucrânia – está sendo dilacerado por forças fascistas desencadeadas pelos EUA e pela UE. Nós, no Ocidente, estamos agora apoiando neonazistas em um país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

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Turquia vs Irão

TURQUIA

População 79.814.871
Orçamento$ 20.000.000.000
Mão-de-obra425000
Aeronaves1057
Lutadores205
Helicópteros474
Ataque de helicópteros107
Frota156
Porta-aviões0
Submarinos12
Armas nucleares0

Informações

A Turquia (em turco: Türkiye, pronunciado: [ˈtyrcije]), cujo nome oficial é República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti, pronunciado: [ˈtyrcije d͡ʒumˈhurijeti] (escutar )), é um país euro-asiático que ocupa toda a península da Anatólia, no extremo ocidental da Ásia, e se estende pela Trácia Oriental (também conhecida como Rumélia), no sudeste da Europa. É um dos seis estados independentes cuja população é maioritariamente turca. Faz fronteira com oito países: a noroeste com a Bulgária, a oeste com a Grécia, a nordeste com a Geórgia, a Arménia e o enclave de Naquichevão do Azerbaijão, a leste com o Irão e a sudeste com o Iraque e a Síria. O mar Mediterrâneo e o Chipre situam-se a sul, o mar Egeu a sudoeste-oeste e o mar Negro a norte. O mar de Mármara, o Bósforo e o Dardanelos (que juntos formam os Estreitos Turcos) demarcam a fronteira entre a Trácia e a Anatólia e separam a Europa da Ásia.Os turcos começaram a migrar para a área que é atualmente a Turquia (“terra dos turcos”) no século XI. O processo foi acelerado pela vitória do Império Seljúcida sobre o Império Bizantino, na Batalha de Manziquerta. Os turcos seljúcidas constituíram um poderoso reino na Anatólia nos 150 anos seguintes, o Sultanato de Rum, que governou grande parte da Anatólia até às invasões mongóis, em meados do século XIII. A decadência do sultanato seljúcida deu origem à independência e expansão política e militar de uma série de beilhiques (principados muçulmanos), entre eles o dos otomanos, que viriam a absorver os restantes beilhiques e a criar o Império Otomano, que no seu auge, nos séculos XVI e XVII, se estendia desde o Sudeste da Europa ao Sudoeste da Ásia e Norte da África. Após o Império Otomano ter entrado em colapso, na sequência da derrota na Primeira Guerra Mundial, os seus territórios foram ocupados pelos aliados vitoriosos.

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CONVERSA DE 1H20M | recomendo vivamente, para entendermos com precisão o que aí vem! Notável conversa entre dois indivíduos notáveis! ——————————————————————– Pepe Escobar e Elias Jabbour: o Brasil, a China, a Rússia e o mundo multipolar

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Marcelo dá recado à UE e recorda que há outros focos de guerra | in Notícias ao Minuto

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a paz tem um significado concreto, salientando que “não há paz sem desenvolvimento, sem justiça económica e social, sem liberdade”.

O Presidente da República considerou hoje que a União Europeia esteve em “autocontemplação” e “continua a não saber encontrar maneira de se relacionar com África”, relembrando que, além da Ucrânia, há outros focos no mundo que ameaçam a paz.

Marcelo Rebelo de Sousa assumiu esta posição na Igreja de São Domingos, em Lisboa, onde inaugurou, em conjunto com a ministra da Defesa Nacional, uma mostra expositiva alusiva à vigília da Capela do Rato, que começou em 30 de dezembro de 1972, e participou numa conversa sobre o tema “A Paz é Possível: afirmação impossível?”, organizada pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de abril.

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AMIGA | Florbela Espanca

Deixa-me ser a tua amiga, Amor;
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho…
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho…

Beija-mas bem!… Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos
Os beijos que sonhei pra minha boca!…

Florbela Espanca

AMAR | Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui… além…

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…

Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder… pra me encontrar…

Florbela Espanca, em “Charneca em Flor”

SER POETA | Florbela Espanca

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…

É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda gente!

Florbela Espanca, em “Charneca em Flor”

Avram Noam Chomsky | por El Centenario Y La Literatura

No dia 7 de dezembro nasce Avram Noam Chomsky, um linguista, filósofo, politólogo e ativista americano de origem judaica. É professor emérito de linguística no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e uma das figuras mais destacadas da linguística do século XX, graças aos seus trabalhos em teoria linguística e ciência cognitiva.

Também é reconhecido pelo seu ativismo político, caracterizado por uma forte crítica ao capitalismo contemporâneo e à política externa dos EUA. Ele é considerado um pensamento socialista libertário. O New York Times chamou-o “o mais importante dos pensadores contemporâneos”.

Propôs a gramática generativa, disciplina que colocou a sintaxe no centro da pesquisa linguística. Com isso mudou a perspectiva, programas e métodos de pesquisa no estudo da linguagem. Sua linguística é uma teoria da aquisição individual da linguagem e tenta explicar as estruturas e princípios mais profundos da linguagem. Postulou um aspecto bem definido de inatismo na aquisição da linguagem e da autonomia da gramática (sobre os outros sistemas cognitivos), bem como a existência de um «órgão da língua» e de uma gramática universal.

Opôs-se fortemente ao empirismo filosófico e científico e ao funcionalismo em favor do racionalismo cartesiano. Todas estas ideias colidiram frontalmente com as tradicionais das ciências humanas, o que fez múltiplas adesões, críticas e polêmicas que acabaram por o tornar um dos autores mais citados. Destaca a sua contribuição para o estabelecimento das ciências cognitivas a partir da sua crítica ao comportamento de Skinner e das gramáticas de estados finitos, que pôs em causa o método baseado no comportamento do estudo da mente e a linguagem que dominou nos anos Cinquenta.

Sua abordagem naturalista no estudo da linguagem influenciou a filosofia da linguagem e da mente (veja Harman e Fodor). É o descobridor da hierarquia de Chomsky, uma classificação de linguagens formais de grande importância na teoria da computadores.

Também é conhecido pelo seu ativismo político e pelas suas críticas à política externa dos EUA e de outros países, como Israel. Chomsky, que dissocia completamente a sua atividade científica do seu ativismo político, descreve-se como simpatizante do anarcosindicalismo (é membro do sindicato IWW). Chomsky é considerado uma figura influente no seu país de origem e no mundo.

Retirado do Facebook | Mural de El Centenario Y La Literatura

Como os poderosos nos manipulam | por Carlos Matos Gomes

Como os poderosos nos manipulam. Um exemplo prático:

O que importa

A velha referência ao Titanic: O navio afunda-se, mas a orquestra continua a tocar. A Europa vive um tempo de catástrofe anunciada. Tal como nas cidades, perante evidências meteorológicas de chuvas e ventos devia estar a preparar-se, a limpar valetas, a reforçar defesas, a acumular reservas, a elaborar planos de emergência para sobreviver. Nada disso. Ler jornais ajuda a perceber o que, na verdade preocupa as pessoas.

O Reino Unido, ou Inglaterra, é considerado um espaço habitado por povos que  desenvolveram obras materiais e do pensamento das mais importantes na história da humanidade, desde a Magna Carta ao escrito de Adam Smith sobra as causas da riqueza das nações, do teatro de Shakespeare à Utopia de Thomas More, da caldeira a vapor ao conceitos de imperialismos e colonialismo, o Reino Unido foi a cabeça de um dos maiores impérios do planeta, foi o centro da Europa e do Mundo, deteve a primeira moeda de troca universal, a libra, impôs o sistema de horas com o centro em Inglaterra, meridiano de Greenwich, a língua de entendimento planetário, produziu físicos como Newton, filósofos como Hobbes.  São apenas exemplos do que os ingleses produziram. Os ingleses viveram momentos dramáticos, a revolução de Cromwell, a guerra das rosas, a independência dos Estados Unidos, a guerra anglo-boer, a independência da Índia, a intervenção nas duas grandes guerras do século XX, o conflito na Irlanda do Norte…

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ENTREVISTA EXCLUSIVA A MIGUEL ESTEVES CARDOSO: “SEM O PRAZER, É TUDO UMA ESTUCHA” | por JOÃO PEDRO GEORGE | in VISÃO

Entrevista exclusiva a Miguel Esteves Cardoso: “Sem o prazer, é tudo uma estucha”

Aos 67 anos, é um dos mais brilhantes retratistas de Portugal, país que ama, mas no qual identifica uma paralisante resignação e uma falta de sentido de humor. Numa rara e longa conversa, conduzida pelo escritor João Pedro George, falou de tudo – da infância, dos prazeres da vida, da escrita, de política

Há muitas pessoas que têm o costume de fazer listas com as coisas que gostariam de fazer antes de morrer: passear num balão, participar num safari, saltar de para-quedas, montar um elefante, ficar representado num busto, ver a Aurora Boreal, flutuar no Mar Morto, declamar Herberto Helder numa reunião de empresários, ir ao supermercado de pijama. A mim, o que mais gozo me daria, antes de morrer, era uma coisa muito mais insensata: conversar com o Miguel Esteves Cardoso. Consegui-lo tornou a minha vida realmente magnífica. Por isso, estou-lhe grato. Grato no duplo sentido de agradecido e agradado.

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Saúde – o maior negócio do mundo | por Carlos Matos Gomes

O senso comum considera o negócio da guerra o maior negócio do mundo. Não é. O maior negócio do mundo é o da Saúde. O segundo é o do “infoentertainment” (a manipulação pelo entretinimento) e a guerra é o terceiro. Esta hierarquia faz todo o sentido: todos os humanos querem ser saudáveis, viver mais e melhor; a mais eficaz (custo-eficácia) atividade para dominar uma sociedade é a manipulação da sua opinião; por fim, porque se não obedecemos a bem obedecemos a mal: a guerra.

No sistema político dominante – o do capitalismo neoliberal – é evidente que o maior negócio tem de ser dominado pelas oligarquias. Os serviços públicos e tendencialmente gratuitos de saúde são uma heresia “comunista”.

Já agora, o envolvimento da Europa (UE e Reino Unido) na guerra na Ucrânia que os Estados Unidos provocaram, teve também como finalidade destruir o modelo social europeu – assente em serviços públicos – e substituí-lo pelo capital privado, das grandes multinacionais que vigora nas Américas, onde se tens dinheiro vais para o hospital, se não tens vais para a morgue.

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A decadência da sociedade ocidental | por António Jorge

A Europa Ocidental, é hoje uma realidade sem futuro, por ser um tipo de sociedade desumana que é dirigida por mentirosos e psicopatas políticos-sociais criminosos ao serviço de quem os usa.

A palavra Democracia tão abusivamente utilizada, é apenas propaganda feita para iludir e enganar idiotas e propagandistas pagos pelo sistema.

Só não vê quem não quer… onde está o futuro… que não se vê… mesmo com óculos graduados?

– Basta-nos ver o que não devíamos ter de ver… os programas televisivos idiotizados, vazios de interesse cultural e social, para perceber a realidade a que chegamos.

Não se trata de um desabafo circunstancial… ou de critica política, nem de uma noite mal dormida… Não tive nenhum pesadelo… mas acordado e a pensar que tipo de sociedade é esta?

Empurram-nos para a guerra, sem ninguém se meter com nós e justificado por traições e mentiras feitas contra os povos da Europa Ocidental, através de comissários políticos que ninguém elegeu em nome do povo ordeiro… que como carneiros seguem a caminho do matadouro e enganados por tanta mentira sórdida à solta.

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