Love Field, Dallas, Texas, USA: President Kennedy wades into a crowd of well-wishers and supporters after a parking lot speech at the Texas Hotel in Fort Worth, the morning of November 22, 1963. This image is from JFK: The Day that Changed Everything. (JFK Library/Cecil Stoughton)
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«Há um perigo de uma destruição identitária de Portugal» | José Gil, filósofo
«Veremos fim do programa de ajustamento mas não é uma luz ao fundo do túnel», disse, defendendo que o que o preocupa é o estado em que esta «governação» deixou o país.
«Há um perigo de uma destruição identitária de Portugal. Os portugueses estão desligados cada vez mais à comunidade, estão cada vez mais desligados do seu passado, da sua história, do seu território, porque são obrigados a isso. Estamos dormentes, temos que acordar absolutamente».
Vaticano Exclusão e desigualdade “provocarão a explosão”
O papa Francisco alertou hoje que a exclusão e a desigualdade social “provocarão a explosão” da violência, no primeiro documento maior do seu pontificado, onde denuncia um sistema económico mundial injusto.
“Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade social, na sociedade e entre vários povos, será impossível erradicar a violência. Acusamos os pobres […] da violência, mas, sem igualdade de oportunidades, as diferentes formas de agressão e de guerra encontrarão terreno fértil que, tarde ou cedo, provocará a explosão”, escreveu o papa na exortação apostólica “Evangelii Gaudium” (A Alegria do Evangelho em português).
O documento de 142 páginas, o primeiro do género do seu pontificado, dá orientações sobre a nova evangelização, na sequência da assembleia sinodal de outubro de 2012, e, num sentido mais lato, apresenta o programa e as ideias pessoais do papa.
No documento, Francisco critica o sistema económico mundial, que considera não apenas “injusto na sua raiz”, mas que “mata” porque faz predominar a lei do mais forte.
“Como o mandamento de ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, hoje temos que dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade. Essa economia mata”, disse o papa.
O papa considerou revoltante que “não seja notícia a morte de frio de um idoso na rua e que o seja uma queda de dois pontos na bolsa” de valores.
“Isso é exclusão”, exclama o papa, que denuncia a “atual cultura do descartar”.
É uma cultura que não só “deita fora a comida quando há gente que passa fome”, como “considera o ser humano um bem de consumo, que se pode usar e logo descartar”.
“Já não se trata simplesmente do fenómeno dos excluídos e explorados, mas de serem considerados restos”, afirma o papa argentino.
Jorge Bergoglio critica também aqueles que “continuam a defender as teorias que sustentam que todo o crescimento económico, favorecido pela liberdade de mercado, consegue por si só maior igualdade e inclusão social no mundo”.
Segundo o papa, “vivemos na idolatria do dinheiro” à qual se junta “uma corrupção ramificada e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais”.
A par da crise financeira, segundo o papa, há “uma profunda crise antropológica que nega a primazia do ser humano e o substitui por outros ídolos”.
O papa lamenta que enquanto “os ganhos de poucos crescem exponencialmente”, os da maioria estejam “cada vez mais longe do bem-estar dessa minoria feliz”.
Este desequilíbrio social, continua o papa, “provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira” e que estão a negar “o direito de controlo dos Estados, responsáveis por velar pelo bem comum”.
Por isso, o papa dirige-se aos líderes políticos para lhes pedir “uma reforma financeira que não ignore a ética” e para que encarem “este desafio com determinação e visão de futuro”.
“O dinheiro deve servir e não governar”, sentencia o papa, assegurando que apesar de “amar a todos, ricos e pobres” tem a obrigação “de recordar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los”.
Numa outra passagem do longo texto, o papa considera que, apesar de ser tão denegrida, a política “é uma das formas mais importantes de caridade”
“Peço ao senhor que nos ofereça mais políticos a quem doa a verdade da vida dos pobres”, disse.
GENERAL VO NGUYEN GIAP (1911-2013) | CLAUSEWITZ NO VIETNAME
Morreu em Outubro passado, com 102 anos de idade, um dos mais extraordinários generais de todos os tempos, e sem dúvida o mais extraordinário general do século XX: Vo Nguyen Giap.
Nascido numa família de agricultores da província de Quang Binh, Giap aderiu em 1925, com 14 anos apenas, a um movimento de resistência clandestino. Em 1934 ingressou no Partido Comunista. Sofreu uma repressão feroz. A cunhada foi guilhotinada, a sua mulher foi condenada a prisão perpétua e morreu na prisão. Os carrascos assassinaram também o seu pai e duas irmãs. Preso em 1939, conseguiu fugir para a China onde se juntou a Ho Chi Minh. Foi na China que recebeu orientação para formar, do nada, um verdadeiro exército de libertação.
Giap foi jornalista, licenciado em História, professor doutorado em Economia pela Universidade de Hanói, e desempenhou o cargo de ministro da Defesa. Mas nunca teve formação militar académica, ele que refinou o conceito de «Guerra popular prolongada, dividida em três fases: defesa estratégica, guerrilha e contra-ofensiva».
Ainda hoje, passadas quatro décadas sobre a derrota que os EUA sofreram no Vietname, os generais e estrategistas militares norte-americanos têm dificuldade em admiti-lo. Mas, o certo é que Vo Nguyen Giap – pequeno professor de História, intelectual e militante político, autodidacta da guerra e conhecedor profundo das campanhas militares de Napoleão – tornou-se, por actos e vitórias, num dos maiores cabos-de-guerra, não apenas do sangrento século XX, mas também de toda a História.
Foi Giap que desfez o mito da «inultrapassável potência das tropas americanas», desmentindo a crença segundo a qual uma força militar poderosíssima, com armamento sofisticado e ultramoderno, só poderia conduzir à vitória. Giap possuía as características que Carl von Clauzewitz atribui ao génio militar: a capacidade de transcender as regras do momento através da inovação e a importância atribuída às forças morais – a coragem, a resolução, a audácia, a perseverança – ao incutir nas suas tropas, nos seus guerrilheiros e na população em geral, uma fé inquebrantável na causa pela qual combatiam.
Na notável biografia intitulada Victory at Any Cost – The Genius of Viet Nam’s General Vo Nguyen Giap, publicada em 1997 pelo historiador norte-americano Cecil B. Currey, um dos maiores especialistas da história militar contemporânea, fica provado com toda a evidência que não foi por acaso que as forças combatentes criadas a partir do zero, preparadas e dirigidas por Giap durante 35 anos (1940-1975): ajudaram a varrer as forças japonesas da Indochina (1945); venceram as tropas francesas, ao fim de oito anos de combates, na decisiva batalha de Dien Bien Phu (1954); e derrotaram meio milhão de soldados norte-americanos, bem como a sofisticada parafernália de bombardeiros B-52 e de Rolling Thunder, sentando os EUA à mesa das negociações, depois da ofensiva do Tet (1968), e impondo-lhes a retirada, no final das negociações de Paris (1973).
Giap não era apenas magistral em organização e logística, como admitem alguns generais norte-americanos. Era também magistral em táctica e estratégia, como sublinha Currey. Conhecia tão bem as forças inimigas como conhecia as suas próprias forças. Era capaz de aprender com os seus próprios erros e derrotas. Era hábil e flexível a combater e a vencer inimigos muito superiores e muito diversificados. Combatia de uma maneira defensiva até que um equilíbrio fosse atingido e depois enfrentava os seus inimigos com exércitos massivos capazes de os derrotar. Com sabedoria e perspicácia, concentrava os seus homens e o seu material sobre o centro de gravidade do inimigo. E vencia!
Noções cruciais de Clausewitz (1780-1831) passaram do papel à prática, no Vietname, graças ao génio político e militar de Giap. «Clausewitz teria estado do seu lado», admite Cecil B. Currey. Agora que está na moda considerar Clausewitz ultrapassado, basta reler os capítulos 6 (Extensão dos meios de defesa) e 26 (O povo em armas) do Livro VI (A Defensiva), da obra-prima que é Da Guerra, para perceber a actualidade de Carl von Clausewitz.
Imperativo ético
A expressão “imperativo democrático”, tão do agrado do Presidente Eanes, deu lugar em 2013 ao “imperativo ético” do cidadão Ramalho Eanes que elegeu a ética como bússola dos valores que devem orientar o caminho da sociedade portuguesa nestes “tempos difíceis”.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/eanes-chorou-e-apelou-ao-imperativo-etico=f842900#ixzz2lqNJT1YG
José Pacheco Pereira na Aula Magna em “defesa da nossa Pátria amada”
Roberto Merrill: “Rendimento Básico Incondicional elimina a armadilha da pobreza”
Roberto Merrill é porta-voz para Portugal da iniciativa de petição que pretende levar o Parlamento Europeu a discutir a introdução do Rendimento Básico Incondicional (RBI), uma prestação do Estado que seria dada todo o cidadão, empregado ou desempregado. Merrill é investigador do Grupo de Teoria Política do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho e também investigador convidado na Universidade Católica de Louvain. Ao Dinheiro Vivo, explicou e defendeu o conceito que transformaria a sociedade.
Atirar um partido para o meio da esquerda | Por Ana Sá Lopes in “Jornal i”
Rui Tavares foi corajoso quando decidiu avançar com a formação de um novo partido. A acusação feita ao eurodeputado de que está a construir uma nova formação eleitoral só para ser reeleito para o Parlamento Europeu devia ter terminado no dia em que se soube que Tavares recusou integrar as listas do PS. Convenhamos que se o objectivo de Rui Tavares fosse estritamente pessoal, seria cumprido com muito maior eficácia com um simples “sim” à proposta de acolhimento nas listas europeias dos socialistas. Rui Tavares teria o seu problema pessoal resolvido – continuaria tranquilamente a ser deputado europeu, com as facilidades inerentes à integração numa lista do partido que previsivelmente sairá vencedor das eleições europeias.
Mas Rui Tavares não queria, afinal, simplesmente continuar deputado europeu. Ao avançar para a constituição de um partido, ao atirar qualquer coisa para “o meio da esquerda”, optou pela intervenção dura e de alto risco. Ao trocar a certeza de uma eleição fácil nas listas do PS pela disponibilidade para trazer um novo protagonista ao sistema (com todos os riscos de insucesso que a ideia comporta), Rui Tavares mostra que defende algo maior do que “o seu lugar em Estrasburgo”, o mimo que lhe tem sido dirigido pelos opositores – de esquerda, claro.
Avançar para a constituição de um novo partido de esquerda é um projecto difícil e corajoso – num tempo em que o antipartidarismo floresce – embora a desagregação do Bloco de Esquerda possa facilitar a tarefa. Se se juntar parte da “esquerda alegre” que se foi desiludindo com o PS e com o Bloco de Esquerda, à vez, pode haver eleitorado disponível para ser captado por um novo partido.
No entanto, o partido Livre ainda não tem programa e não pode ficar sustentado única e exclusivamente na figura de Rui Tavares e mais duas ou três antigas figuras do Bloco ou do PS. Da reunião deste fim-de-semana ainda não se pode extrair grandes conclusões, com a excepção de que o novo partido vai optar por fórmulas mais abertas de organização (em contra- -ponto com os restantes partidos cada vez mais fechados) e que é “europeísta”, seja lá o que isso for hoje em dia, e que recusa firmemente sair do euro. Mas isto ainda não é um programa para chegar às massas. Os fundadores do partido Livre têm ainda de descobrir respostas para perguntas que o eleitorado lhes vai fazer – como podemos lutar contra a austeridade sem ser através de slogans? O caminho é duro, mas a coragem é de assinalar.
http://www.ionline.pt/iopiniao/atirar-partido-meio-da-esquerda/pag/-1 … (FONTE)
LIVRE – Liberdade, Esquerda, Europa, Ecologia | Declaração de Princípios aprovada na reunião de 16 de novembro de 2013
Há cem anos a Europa mergulhou na primeira guerra de um século trágico. Portugal não ficou imune a essa história. Hoje a Europa arrisca-se a falhar na sua promessa de prosperidade partilhada, democracia e direitos fundamentais para todos. Portugal não ficará imune a tal falhanço.Esta é uma história que responsabiliza todos os cidadãos.
É na consciência das difíceis escolhas que esta crise nos coloca que decidimos fundar um partido político assente nos quatro pilares das liberdades e direitos cívicos; da igualdade e da justiça social; do aprofundamento da democracia em Portugal e da construção de uma democracia europeia; e da ecologia, sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente.
MAINSTREAM | José Goulão
Mainstream, ao contrário do que rezam certas definições académicas, não é uma cultura de maiorias, de massas, de moda. É um círculo elitista, fechado, dentro do qual se passa tudo o que nos diz respeito sem que tenhamos nada a ver com isso.
Mainstream define a ordem dominante e o resto, incluindo os que julgam pertencer-lhe, seguidores bem comportados, é simples macaqueação.
Mainstream é a política única, a permitida, uma união nacional com as suas alas liberais, é a suserania dos mercados, a sociedade das pessoas virtuais onde nem só da farda de marca vivem as aparências mas também das excentricidades diletantes, são os jornais de referência, as televisões que dão ao público o que o público quer, a literatura de grandes superfícies e lojas de conveniência, os opinion makers, os comentadores oficiais com chancela política e outros que são também oficiais mas sem chancela política almejando que lhes seja concedida, os que ocupam as franjas folclóricas de marginalidade para compor o ramalhete plural e que, começando normalmente por professores dos trabalhadores e do irredentismo democrático, acabam como chefes dos patrões, frequentadores de Bilderberg e compreensivos para com o papel da espionagem ao serviço do poder.
Mainstream é, hoje, a ordem neoliberal com os seus satélites, que giram enquanto forem necessários, é a lei de violar as leis, o direito de atacar os direitos humanos em nome dos direitos humanos, de subverter a democracia em nome da democracia, de governar à direita e à esquerda desde que estejam dentro do mesmo centro, o culto da corrupção e do amiguismo se tudo se passar no interior do círculo dos escolhidos, a selecção natural da competitividade onde só cabem os paquidermes do negócio.
Mainstream é uma ditadura do faz-de-conta porque não se pratica aquilo que diz praticar-se, não se disse aquilo que se disse, jamais se escuta a voz dissonante, raramente se fala verdade em nome da verdade, nunca se faz em benefício do ser humano o que se cria e desenvolve em seu nome.
A ditadura do mainstream é a mais perigosa, porque tarda a ser identificada por aqueles que lhe estão submetidos enquanto age conscientemente para os deformar.
Story of Stuff | Completo e legendado em português
Défice Democrático em colóquio.

A Associação cívico-política + D = Democracia em Movimento e o Dr. Nelson Carvalho vão levar a cabo, numa iniciativa conjunta, um colóquio com o mote: “Défice democrático – representação, participação, reforma do sistema político?”.
Serão oradores o Dr. André Freire, o Dr. José Gusmão, a Dra. Luísa Mesquita e o Dr. Pedro Mourão.
Estão todos convidados a estarem presentes neste que é um espaço de debate aberto.
Vai ser no dia 30 de novembro (sábado), entre as 15.30 e as 18.30 na sala da Assembleia Municipal, na Ex-Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
O estacionamento é gratuito.
Salvar a Europa em dez anos | Projecto Ulisses
Este é o tempo necessário para implementar um novo plano de desenvolvimento e crescimento dos países do Sul da Europa. É o que consideram os eurodeputados que estão na génese do Projeto Ulisses.
(…)
Ler mais: http://visao.sapo.pt/salvar-a-europa-em-dez-anos=f756332#ixzz2kEoUGPcE
Projecto Ulisses | Apresentação de Rui Tavares
Habermas no país das desigualdades estruturais | GUSTAVO CARDOSO in Jornal Público
O título deste artigo tem algumas semelhanças com o título da obra de Hergé,Tintin no país dos sovietes, mas a semelhança termina aí. Jurgen Habermas não é um repórter personagem de banda desenhada, mas sim um filósofo e sociólogo, e ao contrário de Hergé, que não esteve na Rússia quando desenhou essa primeira obra do seu herói Tintin, Habermas esteve na passada semana em Lisboa e conhece bem o nosso país, a Alemanha e a Europa.
Le monde du tittytainment
Le mot tittytainment a été utilisé pour la première fois par l’idéologue néolibéral Zbigniew Brzezinski en 1995 lors d’une réunion de la Fondation Gorbatchev. Le 27 septembre, la ville de San Francisco a vu affluer 500 personnes qui devaient suggérer une politique globale pour le nouveau siècle.
Parmi les participants, on pouvait compter Mikhaïl Gorbatchev, Margaret Thatcher, George H. W. Bush, Bill Gates et Zbigniew Brzezinsk (conseiller pour la sécurité nationale auprès de Jimmy Carter de 1977 à 1981).
Ce jour-là, la plupart des congressistes à l’hôtel Fairmont sont parvenus à la conclusion suivante : au nouveau millénaire, 20 % de la population active suffira à faire fonctionner l’économie mondiale et 80 % de la population restante sera superflue.
Adriano Moreira (sobre Portugal) | com Anabela Mota Ribeiro
Estamos na iminência de uma revolução em Portugal, justamente porque esses que apontou, juntos, já são capazes de dar um murro na mesa?
Tenho admirado a maneira ordeira e não-partidária com que as reacções se têm verificado. Mas penso que a população portuguesa atingiu o limite da pressão fiscal. Quando vemos os suicídios, as mães que se atiram da janela com os filhos para não os deixar cá, quando as coisas chegam a estes extremos, lembro-me disto: a fome não é um dever constitucional. Sabido isto, a inquietação aumenta dia-a-dia. Não preciso de dizer mais palavras.
Ler mais: http://anabelamotaribeiro.pt/67950.html (FONTE)
Citando Aldous Huxley
A Identidade de um País | José Pacheco Pereira
Tenho muita dificuldade em discutir o que é que é a identidade de um país. Portugal é um país pequeno (mesmo quando teve uma dimensão imperial), periférico. Para chegar a qualquer sítio onde havia, como diria Eça de Queirós, “civilização”, tinha que se passar por Espanha. Esse carácter paroquial e periférico é muito acentuado pela pobreza.
O facto de ser um país pequeno e pobre também significa que somos todos primos uns dos outros. Estamos todos uns em cima dos outros. Ou estamos todos a ocupar um lugar para o qual há dez candidatos. Temos muita inveja socializada, falta de espírito crítico, dificuldade em respirar liberdade.
Ler mais: http://anabelamotaribeiro.pt/67397.html … (FONTE)
Francisco Louçã | Entrevista com Viriato Teles
Prof. universitário, deputado e dirigente do Bloco de Esquerda. Tinha 17 anos em 25 de Abril de 1974 e vivia em Lisboa.
Os amigos gabam-lhe a afabilidade, o sentido de humor, a clareza do discurso, a boa educação. Os adversários vêem nele um político frio e calculista. Mas todos lhe reconhecem a inteligência superior, a competência política, a combatividade. É o único dirigente político a quem os correlegionários tratam pelo diminutivo: o Chico, o camarada que dirige sem precisar de ser secretário-geral ou presidente. Um entre iguais, porém diferente de todos os outros.
O que resta da extrema-esquerda de 74-75 está hoje maioritariamente encaixado nos gavetões do poder de alterne: uns foram ministros, outros esperam vir a ser, e os que optaram por ficar de fora estão regra geral esquecidos e silenciados. Francisco Louçã é um sobrevivente, e é mais do que isso: é também o responsável pelo abanão político que nos últimos anos do século XX evitou o marasmo absoluto em que ameaçava afundar-se a Esquerda portuguesa.
Ler mais: http://www.viriatoteles.com/net/livros/contas-a-vida/francisco-louca (FONTE)
Miguel Real versus André Barata | A Arte de Sonhar: o V Império
Citando Luís Salgado de Matos
(…) temos hoje uma dívida pública de cerca de 125% do PIB. Porque não nos emprestam mais, abaixo de 7% ao ano? Vejamos o caso do Reino Unido: a sua dívida pública é 170% do PIB e consegue que lhe emprestem a 2% ao ano. Apesar de em termos relativos a dívida britânica ser muito maior do que a nossa, os britânicos conseguem empréstimos a baixo juro e nós não. (…)
http://oeconomistaport.wordpress.com/2013/10/29/o-oe-2014-e-as-verdades-da-economia/ … (FONTE)
Filósofo Habermas alerta para exigência dos cidadãos de uma “democracia directa”
O filósofo alemão Jurgen Habermas afirmou hoje, em Lisboa, que no mundo ocidental há uma apatia e um distanciamento em relação aos políticos e há uma exigência, por parte dos cidadãos e grupos de protesto, de uma democracia direta.
A convite da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito de uma conferência internacional sobre educação, o teórico alemão, de 84 anos, falou sobre democracia na Europa, sobre a “transnacionalização” democrática perante a crise na zona euro.
O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho? | Anselm Jappe in “Jornal Público”
No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho.
O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.
Pour sortir de la crise, Oxford propose une nouvelle mondialisation | par Sophie Fay – Le Nouvel Observateur
A l’occasion du colloque “Réinventons l’Europe” organisé par “Le Nouvel Observateur” à Bruxelles vendredi 11 octobre, Pascal Lamy a vendu la mèche. Invité de la table ronde “Adieu croissance, adieu prospérité”, l’ancien directeur général de l’OMC a été interpellé sur les solutions pour ramener la croissance et faire rentrer l’argent plus vite dans les caisses des Etats sans recourir à davantage d’austérité. Soudain, son regard bleu s’est éclairé. “Regardez attentivement les propositions de la Commission Oxford Martin pour les générations futures que j’ai présidée”, a-t-il lancé mystérieux. Ces propositions ont été rendues publiques le 16 octobre à Londres.
La Commission Oxford Martin pour les Générations futures, kezaco ? Au départ, il y a d’abord l’Oxford Martin School, un groupe de recherche interdisciplinaire réunissant plus de 300 universitaires à Oxford, mis sur pied pour réfléchir aux grands enjeux du 21ème siècle. Ce groupe, dirigé par Ian Goldin, a décidé de mettre sur pied une Commission de très haut vol pour sérier les défis de long terme les plus importants et surtout tenter d’imaginer la meilleure forme d’organisation mondiale pour les relever.
La feuille de route de la Commission était claire : faire des propositions concrètes pour sortir la gouvernance mondiale du blocage qui empêche d’avancer sur des sujets aussi cruciaux que le réchauffement climatique ou l’harmonisation fiscale. Les experts n’ont pas manqué de créativité, en s’inspirant des politiques mondiales qui ont donné des résultats (comme la lutte contre le sida) et en tirant les leçons de celles qui ont échoué (comme la lutte contre la surpêche).
Citando António Costa | “Não se combate a crise com um país dividido”
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, aproveitou a cerimónia dos 103 anos da Implantação da República, este sábado, para deixar vários recados ao Governo.
Tal como no seu discurso de vitória na noite das eleições autárquicas, há quase uma semana, António Costa falou do estado do país.
“Não se combate a crise com um país dividido, descrente e desconfiado do futuro”, afirmou, defendendo ser hora de construir “uma estratégia nacional que promova a competitividade, construída na cooperação e no diálogo” com os parceiros sociais e todos os agentes económicos.
Aludindo aos vários chumbos do Tribunal Constitucional e às críticas de que o Governo PSD/CDS-PP tem sido alvo, de secundarizar a democracia, o autarca socialista sublinhou que “a crise não se vence vendendo os anéis, mas fortalecendo os dedos”, devendo ser esta “uma ocasião para fazermos o exame à nossa consciência democrática”, “porque todos juntos fazemos Portugal”.
“A crise deve ser combatida com as regras e os instrumentos da democracia, com o esforço e a convicção de todos, com visão estratégica e não com impulsos”, afirmou Costa, reforçando: “A crise tem de ser combatida na convicção de que não há contradição entre democracia e desenvolvimento económico e também não há contradição entre crescimento e consolidação financeira. Pelo contrário: são objectivos complementares, que se reforçam reciprocamente”.
Virando-se depois para a cidade, Lisboa, Costa referiu-se ao processo de reorganização administrativa do território, afirmando que as autarquias foram grandes impulsionadoras da poupança.
“Nós fizemos a nossa parte. As freguesias de Lisboa vão iniciar novos mandatos com novos desafios. Cabe agora ao Estado fazer o que lhe cabe”, afirmou, defendendo o poder dos municípios sobre o policiamento do trânsito e os transportes públicos.
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=124609#.UlE3jhvEI5U.facebook (FONTE)
DEVASTAÇÃO | por Maria João Cantinho in “Facebook” (título nosso)
O que se está a passar, neste país, a todos os níveis, é devastador. Ainda ontem me confirmaram que os investigadores que não tenham um vínculo institucional serão obrigados a sair dos centros de investigação. Lembro algumas coisas essenciais:
1. Alguns são bolseiros (os privilegiados), mas muitos nem isso. Estão, com habilitações como mestrados, doutoramentos e pós-doutoramentos, desempregados e sem nada à vista. Um país que é incapaz de absorver pessoas altamente habilitadas é uma caricatura.
2. Não pertencendo aos centros de investigação, eles ficarão impossibilitados de fazer qualquer actividade que contribua para o seu currículo, actividades que lhes permitiriam, eventualmente, abrir caminho.
3. Não ganham dinheiro, não são pagos, trabalham de borla, apenas pela possibilidade de realizar actividades para enriquecimento curricular. E muitos alimentam a dinâmica dos centros pela sua maior disponibilidade.
4. Que explicação encontrar para este absurdo?
Golpe Anunciado na Grécia
A Grécia caiu no caos. Um golpe de Estado militar, que instale “um governo interino sob garantia das forças armadas”, é anunciado para breve por uma unidade de reservistas das forças especiais, via um blog. O Parlamento Europeu encomenda um relatório sobre a situação e “descobre” que a Grécia desliza para a desordem económica, social e política.
O episódio da operação policial contra a “Aurora Dourada” um partido político neo-nazi representado no Parlamento e, agora, acusado de ser uma associação criminosa é o epifenómeno que trouxe para a ribalta o que ninguém queria ver.
O governo grego determinou já uma investigação ao blog que divulgou o apelo ao golpe de Estado. Esta não é, porém, a primeira vez que esta unidade militar assume posições duras. Quando da visita a Atenas de Angela Merkel, homens desta unidade apareceram em uniforme a protestar contra a presença de Merkel.
Esta unidade militar também acusa o governo de Antonis Samaras de ser um governo ilegal por ter violado a Constituição ao não fornecer aos seus cidadãos os previstos e adequados serviços de saúde, educação, justiça e segurança…
Observadores consideram que esta unidade representa apenas a ponta do iceberg militar pois a sua posição de “reservistas” e de “forças especiais” permite-lhes uma liberdade de manobra que não está ao alcance da hierarquia militar.
A Europa começa agora a perguntar se a democracia grega está em perigo quando os gregos acham que a democracia na Grécia já não existe e que do actual caos alguma ordem vai ter de emergir…
O Guardian regista os factos:
Grécia: Manifesto Militar Quer Fecho das Fronteiras e Controlo de Capitais
Manifesto do Exército grego em quinze pontos, divulgado este fim de semana, exige o fecho das fronteiras e o controlo do movimento de capitais. O “manifesto em 15 pontos” foi revelado na televisão francesa por Guillaume Dard e Jacques Sapir. Este último sublinha, aliás, que desde há um ano que discretamente o FMI e o Banco Mundial alertam a Europa para os riscos de grave derrapagem na Europa do Sul, Portugal incluído (apesar de sermos o Oeste da Europa, há quem goste nos meter no sul…).
Ler mais:
Uma original acção da ONG International Children’s Fund no Dia Mundial da Criança
The Lost Choir – Mad World
SIRIA
Síria | Trapalhada | Eduardo Pitta
Em Moscovo, Putin, o imperador, espera para ver.
Há, nisto tudo, um cinismo obsceno. A opinião pública ocidental borrifa-se para que populações inteiras, sobretudo em África, sejam dizimadas pela fome, tortura, execuções sumárias e êxodo forçado. O fantasma das armas químicas acorda as boas consciências porque a sua volatilidade é uma ameaça real. O destino dos sírios não entra nestes cálculos.
Ler mais:
O Brasil e o seu mito | António Pinto Ribeiro in BUALA
uma padaria barata 1kg de pão francês (o pão mais popular) custa entre 7 e 15 reais (entre 2,25€ e 4,84€). O casamento de uma noiva da classe alta carioca pode custar entre 1 e 2 milhões de reais (entre 323.000€ e 646.000€), sobretudo se no banquete for servida alface orgânica (1kg custa 300 reais ou 97 €); e um vestido de noiva que se preze fica acima de 20.000 reais (6.500€). O salário mínimo no Brasil este ano é de 678 reais (219€). O salário base de um deputado federal é de R$ 26.723 (8.600€). A percentagem do orçamento federal na educação é 6,1% do PIB. Há 3073 livrarias no Brasil. O crescimento médio do Brasil nos últimos três anos foi 3,7%, o PIB per capita 9.049€, a inflação dos últimos três anos foi de 5,5%. Só em 2011 um actor negro – Lázaro Ramos – protagonizou pela primeira vez uma novela das 8h da Globo, “Insensato Coração”.
Ler mais:
Síria | José Pacheco Pereira
A Síria é hoje o terreno mais minado para a manipulação dos factos. Regime e oposição (oposições), aliados e inimigos, participam interesseiramente numa campanha de desinformação destinada a justificar e permitir acções favoráveis a um ou outro lado.A Crise da Esquerda Europeia | Alfredo Barroso
Alfredo Barroso é uma cara conhecida dos portugueses pela sua participação regular em diversos programas de análise politica na televisão. Foi durante alguns anos um dos principais estrategas e ideólogos da corrente socialista apelidada soarista, pelo que é um homem com profundo conhecimento dos meandros e teorias politicas. A Crise da Esquerda Europeia é bem mais do que uma cuidada análise sobre as causas que levaram ao declínio dos partidos socialistas como solução governativa, este livro é um texto político que apela a novas soluções, como o abandono da terceira via, e traz a discussão do futuro do socialismo para a praça pública. A Crise da Esquerda Europeia é uma tomada de posição, é um manifesto, é a base de grande parte da discussão do próximo congresso do PS e da Internacional Socialista.
SERÁ VERDADE QUE PORTUGAL FOI OBRIGADO A PEDIR O EMPRÉSTIMO À “TROIKA” PORQUE NÃO TINHA DINHEIRO PARA PAGAR SALÁRIOS E PENSÕES? | Eugénio Rosa (economista)
A mentira e a ignorância estão cada vez mais presentes nos ataques às funções sociais do Estado pelos comentadores com acesso privilegiado aos media. É mais um exemplo concreto do pensamento único sem contraditório atualmente dominante nos grandes órgãos de comunicação social. Quem oiça esses comentadores habituais que muitas vezes revelam que não estudaram minimamente aquilo de que falam, poderá ficar com a ideia de que Portugal é um país diferente dos outros países da União Europeia onde o “Estado Social” é insustentável e está próximo da falência por ter garantido aos portugueses uma saúde, uma educação e uma proteção que inclui o sistema de pensões, mais “generosos” do que a dos outros países e que, por isso, é insustentável.
Um dos arautos mais conhecidos dessa tese, não porque seja um estudioso credível mas sim porque tem tido acesso fácil aos media, é Medina Carreira com as suas diatribes periódicas contra o “Estado Social”. Mas antes de confrontarmos o que dizem estes comentadores com os próprios dados oficiais, divulgados até recentemente pelo Eurostat, para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões, interessa desconstruir uma outra grande mentira que tem sido sistematicamente repetida em muitos órgãos de comunicação social sem contraditório o que tem determinado que ela passe, a nível de opinião pública, como verdadeira.
Comunicação social e poder político
Tenho, como se sabe, há muito uma visão crítica da comunicação social e da sua relação com o poder. Essa relação é bipolar: incorpora com facilidade a linguagem do poder e assume-se retoricamente como contrapoder. Nenhuma das duas atitudes é particularmente saudável para aquela que deve ser a sua função essencial, que, por bizarro que pareça, tem de ser lembrada: informar-nos. Não é educar-nos, nem industriar-nos, nem mobilizar-nos, nem recrutar-nos. É informar-nos e, se o fizer com eficácia, tudo o resto vem daí.
Nuno Rogeiro | A Corda do Enforcado – Análise política das crises (2007-2013)
«O livro procura, primeiro, indagar os pilares americanos e europeus da crise financeira de 2007 e das crises subsequentes, ditas de dívida soberana, incluindo o elemento sempre presente das teorias da conspiração sobre a turbação contínua. Depois, debruça-se o escrito sobre o caso português. Salienta alguns traços relevantes, desde o fim do segundo governo de Sócrates às correntes experiências, em torno da adequação aos memorandos de entendimento com a missão internacional de assistência, vulgo troika, e passa em revista domínios que parecem relevantes.»
«TIRO DE MISERICÓRDIA» – por FERNANDO DACOSTA * in jornal «i»
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro.
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No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) “terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana”.
Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.
Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes – “o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer”, comenta, a propósito, Nicolau Santos no “Expresso”.
Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.
Após ter semi-destruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia – entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.
* Publicado no jornal «i» em 25/Julho/2013
A incrível pirâmide da desigualdade global | José Eustáquio Diniz Alves
Milionários são apenas 0,6% da população, mas abocanham doze vezes mais riqueza que 69,3% dos habitantes da Terra. Concentração e consumismo podem tornar civilização insustentável.
Por José Eustáquio Diniz Alves, no EcoDeabte
O relatório sobre a riqueza global, em 2012, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012) traz um quadro bastante amplo e esclarecedor da distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil.
Mas, evidentemente, existe uma distribuição desigual desta riqueza. Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,184 bilhões de adultos, em 2012, o que representava 69,3% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de US$ 7,3 trilhões, o que representava somente 3,3% da riqueza global de US$ 223 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam somente 3,3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 2.293.
No grupo de riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.
No grupo de riqueza entre cem mil e 1 milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.
Os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total, no mundo. Todavia, este pequeno grupo de pessoas concentrava 39,3% da riqueza mundial, um montante de US$ 87,5 trilhões, o que representava 39,3% da riqueza global. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 3,017 milhões.
O que mais chama a atenção na distribuição da riqueza é que os 29 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam um patrimônio superior a 12 vezes o patrimônio da base de 3,2 bilhões de pessoas. Os dados também mostram que os contingentes intermediários estão crescendo e que a riqueza global aumentou no passado e tende a aumentar nas próximas décadas. Em 2000, na virada do milênio, a riqueza global era de US$ 113,4 trilhões, uma média de US$ 30,7 mil por adulto, em um total de 3,6 bilhões de pessoas na situação de maioridade.
Contudo, todo o montante atual de US$ 223 trilhões de riqueza para 4,6 bilhões de adultos, em 2012, está sustentado em bases frágeis, pois a riqueza do ser humano (em sua forma piramidal) está alicerçada sobre bases naturais degradas pelas atividades antrópicas. A pirâmide da riqueza humana tem crescido e se ampliado sobre uma base de pauperização dos ecossistemas. Não é improvável, que em algum momento, a pirâmide possa afundar por falta de sustentação ecológica ou possa implodir por falta de justiça redistributiva em sua arquitetura social.
Enquanto o capital natural tem sido depredado, a riqueza global (e o consumo) dos seres humanos cresceu cerca de 50% no século 21, passando de uma média per capita de US$ 30,7 mil no ano 2000, para US$ 43,8 mil em 2010 e para US$ 49 mil, em 2012. Todavia, as necessidades e os sonhos humanos são ilimitados e os de baixo da pirâmide aspiram o padrão de consumo daqueles do meio e do topo do status social. Mas é impossível haver um crescimento ilimitado da riqueza material em um planeta finito e a história mostra que, em vários momentos, pirâmides que pareciam sólidas se transformam em castelos de areia.
Não é sem surpresa que os indignados do mundo estão se unindo, se mobilizando e corroendo as estruturas piramidais das sociedades árabes, espanhola, europeia, dos Estados Unidos, etc. Também não é sem surpresa que a indignação tenha chegado ao Brasil, pois existe um mal-estar geral com o modelo de desenvolvimento econômico, com o funcionamento da democracia, com a imobilidade urbana e social e com a relação humanidade/natureza. Evidentemente, este mal-estar aparece de maneira difusa e sem alternativas claras de novos rumos.
Mas o que o mundo precisa não é manter o processo de ampliação da pirâmide da riqueza e do consumo e, sim, construir relações mais horizontais, simples e justas entre as pessoas e entre as pessoas e o meio ambiente.
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José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionaise Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Jogar pelo Seguro: António Costa a PM, por Daniel Deusdado
Daniel Deusdado
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Jogar pelo Seguro: António Costa a PM
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Cavaco instalou a derrota final. Esta solução de ‘nem antecipa já nem Governa até ao fim’ é a pior de todas – um Governo de gestão por um ano cuja única missão é reunir com a troika e fazer tudo o que os ‘mercados’ exigirem. Só que a chantagem da “salvação nacional” não basta para unir estes partidos, neste momento, sob coação do presidente.
O problema é o da credibilidade dos líderes. Passos Coelho é apenas o último exemplo desta inconsistência e por isso os portugueses temem tanto António José Seguro. Mas bastaria dois dedos de testa no PS e isto resolvia-se sem se hipotecar o sistema democrático através de uma aliança irrespirável entre PSD, CDS e PS e no qual se entrega o voto de protesto ao PCP e ao Bloco.
Como sair daqui? Seguro foi eleito líder do PS (só Deus sabe porquê…) mas é evidente que o país preferia ter à frente dos socialistas António Costa. Ora, António José Seguro tem uma grande oportunidade de se revelar pela primeira vez um estadista. Basta anunciar que o PS indica António Costa para primeiro-ministro das eleições (sejam elas quando forem).
Se fosse lúcido, Seguro tê-lo-ia feito já na semana passada e acabava de vez com o Governo. Mas o projeto de Seguro não é o país, é o de “Ele” ser primeiro-ministro. Tal como Passos Coelho. Querem entrar na história a todo o custo, apesar dos milhões de vítimas provocadas pela sua ignorância profunda para a função. Seguro pode tentar demonstrar que é competentíssimo no mundo in vitro onde vive, mas há todos os dias alguém a fazer campanha contra o líder do PS: é o líder do PSD. Passos mostra como um jotinha profissional é bom a conquistar distritais e assustador a gerir um Governo real.
Se António José Seguro pusesse o seu ‘ego’ ao largo e por um minuto pensasse nos portugueses, perceberia que António Costa tem mais perfil para o momento que atravessamos. Tem experiência – foi um bom ministro da Justiça, foi um excelente ministro da Administração Interna. Lisboa é uma cidade que ganhou brilho com ele. E tem uma boa rede de ‘inteligência’ capaz de colocar ao seu lado uma equipa séria para pastas essenciais num Governo.
Mais: no contexto em que estamos, seria pacífico e clarificador que o PS não apresentasse Costa à Câmara de Lisboa. Da forma que o PSD está, seria o momento certo para um novo rosto iniciar um ciclo na capital. Aliás, haveria um impulso PS por todo o país com esta credibilização da liderança socialista. Entretanto, António José Seguro poderia liderar o PS neste impasse e depois no Parlamento em apoio ao futuro Governo, ou ficar como vice-primeiro-ministro, ou ser ministro dos Negócios Estrangeiros – enfim, o que quisesse. Com esta decisão os portugueses ficar-lhe-iam gratos e acreditariam que existe algo mais na ambição de Seguro do que, apenas, ligar à família e dizer: “Olá! Já sou primeiro-ministro”.
Um outro ponto essencial de uma estratégia nova: com António Costa o PS poderia ter a ambição de reclamar uma maioria absoluta porque Costa é bem-visto simultaneamente à esquerda e à direita do PS. E com uma provável maioria absoluta do PS terminaria o dogma da “instabilidade”. Um Governo de quatro anos socialista seria melhor do que esta brincadeira a prazo que temos à frente em nome da “estabilidade”. Até os mercados agradeceriam um novo cenário.
Além disso, o risco do regresso às políticas “Sócrates” – a que ficou ligado o PS – ficaria muito mais mitigado porque Costa tem um pensamento próprio enquanto Seguro voga entre os de Costa, os de Sócrates e os que estão a ver para onde as coisas caem.
Insistindo Seguro no seu incontornável “Eu”, as próximas autárquicas podem ter um sentido útil: à exceção de Lisboa, os portugueses que querem votar apenas em protesto (porque não têm certezas sobre os candidatos PS), deveriam votar noutros partidos. É hora de se fazer uma moção de desconfiança a este líder do PS que não percebe a importância do momento que todos estamos a viver e não abre caminho à solução de que os portugueses desesperadamente precisam. Mesmo com austeridade e sacrifícios no futuro, precisaríamos de recomeçar, já, com um Governo decente. Sem Passos, Portas ou Seguro.
ANTÓNIO COSTA | Pavilhão de Portugal | Apresentação de Candidatura à Câmara Municipal de Lisboa | Quinta-feira, 18 de Julho de 2013, 18 horas
Pala do Pavilhão de Portugal
| ANTÓNIO COSTA tem o maior gosto em convidar V. Exa. para a sessão em que apresentará publicamente a sua recandidatura à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Na mesma sessão serão apresentados os cabeças de lista à Assembleia Municipal de Lisboa e às novas 24 freguesias. Será igualmente apresentado o Mandatário da candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA. A apresentação pública da Candidatura à CM de Lisboa de ANTÓNIO COSTA. A presença de todos é importante para a afirmação de apoio a ANTÓNIO COSTA e à candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA, na preparação do futuro da nossa cidade. Não falte, todos são necessários, porque JUNTOS FAZEMOS LISBOA! |
Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” (Papa Francisco)
“ Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”
(Papa Francisco)
O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira in “Abrupto”
Do outro lado, tem um enorme vazio, António José Seguro, o homem que não existiu nesta crise, porque eleições antecipadas era a última coisa que queria, em razão inversa das vezes de que falou nelas. À direita aconselham-no a “fazer de morto”, para castrar todas as veleidades de ele fazer qualquer oposição que se veja. É um conselho errado, porque ele está já de há muito morto, não precisa de se “fazer”.
“Silêncio Político”? | Júlio Machado Vaz in Facebook
Há algum tempo uma boa amiga interrogava-se sobre o meu “silêncio político”. Mas dizer o quê? Ontem o Dr. Passos Coelho brindou-nos com mais um dos seus redondos comunicados. A seu lado, Paulo, o irrevogável, Portas, parecia ter envelhecido dez anos e colecionava tiques de nervosismo. Pano de fundo sobre o qual se desenhavam os jograis? Portas, num registo laico, imitou Marcelo, quando este afirmou que “nem se Cristo voltasse à Terra…”. Justificação para uma pirueta de tal dimensão, após uma decisão que até homens como Lobo Xavier e Nobre Guedes criticaram? Mas está bom de ver! – o interesse do País, ou seja, o nosso. Poder reforçado para si e para o CDS/PP no Governo, agora é que chega o desenvolvimento. E se não chegar? Fácil, acusa-se a desaparecida em combate Ministra das Finanças de ter bloqueado as iniciativas da “Nova Política”. (Sim, a que não podia ter sido escolhida e motivou a decisão irrevogável…). Passos Coelho “promoveu e premiou” quem considera tê-lo traído? Fácil, fê-lo pensando no interesse nacional, ou seja, em nós. Manteve-o no mesmo barco e à mão de semear para o passa-culpas eleitoral. E manteve-se Primeiro-Ministro, não vão algumas cabecinhas do PSD avançarem com um nome que não o seu para candidato. (E mesmo assim…). Cavaco já tem mais um prefácio para escrever em 2014 sobre deslealdades sofridas às mãos de Governos, ser avisado uma hora antes da posse da Ministra – entre outras coisas… – deve tê-lo feito pensar que Sócrates não era o único pronto a desconsiderá-lo olimpicamente. Mas e agora? Depois de se ter colado a este Projecto – também no nosso interesse, claro! -, e apesar das consultas e de frases como “seja qual for o Governo…”, vai tirar-lhes o tapete e vencer o seu horror a sair de uma zona de conforto que reduz a presidência a uma figura de estilo? Veremos… A verdade é que tudo isto é trágico para o país, mas nada estimulante como tema de reflexão. Quando muito, estes actores políticos lutam pela sua sobrevivência. Às vezes nem isso – exemplificam apenas como ética e competência deixaram de ser condições obrigatórias para dirigir a Cidade.
Depois do triste dueto de ontem à noite, The song remains the same, como cantaram os Zeppelin 😦
Apenas a hipocrisia subiu uma oitava…
O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira in “Abrupto”
A demonização das eleições é um dos traços autoritários mais preocupantes dos dias de hoje. As eleições são apresentadas como sinónimo de um “país que pára”, um acto inútil “porque tudo fica na mesma”, um enorme desperdício de dinheiro a evitar a todo o custo. Ouvindo com atenção os argumentos hostis à possibilidade de eleições imediatas percebe-se que eles não dizem respeito apenas à antecipação de eleições no actual contexto de crise, mas a todas as eleições, às eleições de per si. São, no seu entender, um momento anti-económico e um obstáculo a que o país “trabalhe” e “ande para a frente”. A questão tem a ver com a ideia de que a democracia é uma perturbação inaceitável, ou apenas aceite no limite da condescendência, para um ideal de funcionamento tecnocrático, aplicado por uma burocracia “racional”, a mando de não se sabe de quem.O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira
É preciso muito cuidado em aceitar pelo seu valor facial tudo o que se anda por aí a dizer. O Navio Fantasma vai ser assim, muita mentira, desespero, muito desespero com carreiras e resultados eleitorais. Alguém mentiu a Portas. E vice-versa. Alguém mentiu a Passos Coelho. E vice-versa. Alguém mentiu a Cavaco Silva. Alguém mentiu a todos nós. Alguém mentiu e mente aos portugueses. Já estamos em eleições.
http://abrupto.blogspot.pt/2013/07/o-navio-fantasma-2.html … (FONTE)
Badalona, primeira cidade espanhola a declarar ilegítima a sua dívida
Terça-feira, 25 de Junho, vivemos um momento histórico: a cidade de Badalona, a pedido da moção apresentada em colaboração com o Grupo de Auditoria da Dívida de Badalona, é a primeira em todo o Estado (catalão e espanhol) a declarar ilegítima parte de sua dívida, reconhecendo que foi constituída sem responder aos interesses dos cidadãos. A moção foi apresentada pelo grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona em conjunto com ICV-EUiA, e foi apoiado por OIC e PSC, com a abstenção do PP. Especificamente, são declarados ilegítimos os juros dos empréstimos ICO, que o BCE cobra aos bancos a 1% e estes emprestam aos municípios a 5% ou mais para pagar fornecedores. A aprovação desta moção representa uma mudança de paradigma, uma vez que nenhuma administração pública havia declarado antes uma dívida como ilegítima.
O grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona interveio ontem na Assembleia Municipal para denunciar a perversão do mecanismo da dívida e identificar o golpe que envolve a dívida ilegítima contraída nas costas dos cidadãos e contra os interesses destes. As instituições financeiras que fizeram empréstimos ao Conselho Municipal de Badalona no âmbito do Plano de Pagamento de “Proveedores” estabeleceram juros de 5,54% em 2012, apesar de terem recebido esse dinheiro com juros inferiores a 1% do Banco Central Europeu (entidade pública). Este empréstimo ICO representa um benefício para as instituições financeiras envolvidas de cerca de 2.098.000 em cada ano. Lembramos que este é dinheiro público que passa para mãos privadas, portanto consideramos e denunciamos que este sistema de financiamento é perverso, injusto e facilita a ditadura financeira e, portanto, exigimos uma Auditoria Cidadã da Dívida para estabelecer que parte é ilegítima e nos recusarmos a pagar. Denunciamos também que a democracia foi sequestrada pelos mercados financeiros, como foi evidenciado com a reforma do artigo 135 da Constituição, realizada em tempo recorde em Agosto de 2011 pelo PSOE e o PP, que estabeleceram a obrigação de pagar dívida acima de qualquer outra intervenção ou gasto social.
Depoimento de Fernando Teixeira dos Santos na TVI em 2013.06.26
1. Fizemos a correcção orçamental de 2005-2007, concluindo-a com êxito um ano antes do acordado com a UE.
2. Respondemos à crise mundial com uma política orçamental expansionista, tal como os restantes países, e em aplicação da decisão tomada pelo Conselho Europeu.
3. Fomos atingidos pela crise grega, pela hesitação europeia em responder-lhe, pela queda da Irlanda e pela mudança de orientação franco-alemã.
4. Preparámos com o apoio explícito da chanceler alemã um programa de consolidação, o PEC-4, que não implicava a perda de soberania associada ao resgate internacional.
5. O chumbo desse PEC pelo Parlamento português, eis o que nos conduziu aos braços da troika e ao resgate.
6. Sim, o primeiro-ministro de então resistiu tanto quanto pôde ao pedido de resgate, porque tinha a plena intuição política do que ele significaria.
7. O erro principal do actual Governo foi ter pretendido ir além do próprio memorando de entendimento com a troika.
Internacionalização da Amazônia | CRISTÓVAM BUARQUE, Brasil
Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
“Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
“Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.”
“Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
“Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
“Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
“Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA.
Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
“Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.
” Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!
How Austerity Has Failed by Martin Wolf in “The New York Review of Books”
Austerity has failed. It turned a nascent recovery into stagnation. That imposes huge and unnecessary costs, not just in the short run, but also in the long term: the costs of investments unmade, of businesses not started, of skills atrophied, and of hopes destroyed.
What is being done here in the UK and also in much of the eurozone is worse than a crime, it is a blunder. If policymakers listened to the arguments put forward by our opponents, the picture, already dark, would become still darker.
How Austerity Aborted Recovery
Austerity came to Europe in the first half of 2010, with the Greek crisis, the coalition government in the UK, and above all, in June of that year, the Toronto summit of the group of twenty leading countries. This meeting prematurely reversed the successful stimulus launched at the previous summits and declared, roundly, that “advanced economies have committed to fiscal plans that will at least halve deficits by 2013.”
Ler mais:
http://www.nybooks.com/articles/archives/2013/jul/11/how-austerity-has-failed/?pagination=false
MADUREZAS | José Teófilo Duarte in “BlogOperatório”
O homem foi apresentado como coisa nunca vista. Um professor de primeira linha com créditos internacionais. Até houve quem o achasse mal empregado num governo tão manhoso. Desconfio sempre de super-homens. Prefiro pessoas normais. Com formação eficaz, é claro, mas sem o síndroma da salvação e espírito de sacrificada missão pela Pátria. E não me tenho dado mal com esses cuidados. O professor Maduro tomou o lugar do desfalecido animicamente Relvas e daí para cá não pára. Vai a todo o lado, diz a tudo que sim, que conhece, que resolve, e agora resolveu comunicar como se não houvesse amanhã. Como se o problema do governo fosse o mal diagnosticado por um outro professor, o inefável Marcelo – tudo se resume a problemas de comunicação -. e não às políticas restritivas e ameaçadoras dos cidadãos praticadas por estes políticos de pacotilha. O azougado ministro fala pelos cotovelos. Anda ansioso. Quer sempre falar mais. Tornou-se um fala-barato anunciador de inexistências. Já deve ter percebido que o governo está prestes a cair. De maduro.
http://www.blogoperatorio.blogspot.pt/ … (FONTE)
Discurso de Dilma Roussef
A greve | José Pacheco Pereira in “Público” 15 junho 2013
Não é pela “defesa da escola pública”, nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa. É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer. (José Pacheco Pereira)
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O que está em causa para o Governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos, sem direitos nem justificações, a aplicar a esses trabalhadores. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa, numa altura em que uma parte do Governo pende para uma espécie de gotterdammerung revanchista e vingativo, de que as medidas ilegais como a recusa do pagamento do subsídio de férias pela lei em vigor são um exemplo. Não é porque não tenha dinheiro, é porque quer mostrar que é o Governo que decide as regras do jogo e não os tribunais e as leis. Qualquer consideração pelas pessoas envolvidas, não conta.
O Governo sabe que a sua legitimidade é contestada sem hesitações por muita gente, e pretende ultrapassar com um exercício de autoridade essa enorme fragilidade. Por isso, a greve dos professores é muito mais relevante do que o seu significado como conflito profissional, e é também por isso que o Governo, aproveitando o deslaçamento que tem acentuado na sociedade com o seu discurso de divisão, usa pais e alunos para a combater. Não é líquido que não possa ter resultados, até porque os sindicatos não têm conseguido ter um discurso límpido e claro, e os professores que se mobilizaram quase a 100% contra Maria de Lurdes Rodrigues, por causa da avaliação, estão hoje muito mais encostados à parede e enfraquecidos.
O medo dos despedimentos é muito perturbador no actual contexto de crise social, em que quem perde o trabalho nunca mais o vai recuperar. Por isso, a greve dos professores, como a greve dos funcionários públicos, é pelo emprego, em primeiro lugar, em segundo lugar e em último lugar. É também contra a imposição unilateral de condições de trabalho e horários no limite do aceitável. Mas o emprego é hoje o bem mais precioso e mais ameaçado. Aliás, o aumento do horário de trabalho é também uma medida para facilitar o desemprego.
Os sindicatos são um instrumento vital de resistência social em tempos como os de hoje, e é ridículo e masoquista ver alguns professores a “esnobarem” dos sindicatos quando mais precisam deles. No entanto, isto não pode fazer esconder que os sindicatos estão longe de estarem à altura do momento que o mundo laboral está a atravessar. É aliás aqui que os efeitos mais perniciosos da dependência partidária do movimento sindical português mais se manifesta, quer para a CGTP, quer para a UGT.
Num momento em que existe uma ofensiva em primeiro lugar contra os funcionários públicos e, depois, contra qualquer forma de resistência organizada dos trabalhadores, ou seja, também contra os sindicatos e os direitos laborais, substituir uma acção próxima dos mais atingidos por uma tentativa de lhe dar cobertura com slogans políticos é um erro que se paga caro.
Não adianta virem usar slogans, como seja a “defesa da escola pública”, apresentando-os como a principal razão de luta dos professores. Em casa em que não há pão, ninguém se mobiliza por abstracções, mobiliza-se pelo pão. É verdade que o Governo é contra a “escola pública”, mas o seu objectivo fundamental nestes dias é despedir funcionários públicos, incluindo os professores, para garantir os cortes permanentes da despesa pública a que se comprometeu, em grande parte porque, ao ter deprimido a economia no limite do aceitável, não tem outro modo de controlar o défice. Se o escolhe fazer nos mais fracos e dependentes da sua vontade, como sejam os funcionários públicos, é relevante, mas até por isso é a balança de poder que está em causa nas próximas greves.
A utilização de uma linguagem estereotipada pode ser muito confortável do ponto de vista ideológico, mas funciona como entrave quer à mobilização profissional, quer à mais que necessária mobilização da sociedade. Não é pela “defesa da escola pública”, nem por qualquer objectivo assim definido programaticamente, que a greve pode ter sucesso, em particular face à ofensiva governamental que conta com muito mais apoio na comunicação social do que se pensa. É pela condição do trabalho, pelo emprego, que, no actual contexto, são muito menos egoístas do que podem parecer. É, aliás, também nesse terreno que os funcionários públicos e os professores podem e devem “falar” com todos os outros trabalhadores do sector privado, porque aí os seus objectivos são comuns.
O que parece que os sindicatos têm vergonha de enunciar é o seu papel de defesa de um grupo profissional, como se os objectivos laborais não fossem objectivos nobres de per si, ainda mais na actual tentativa de criar uma sociedade “empreendedora”, assente na força de poucos contra o valor e a dignidade do trabalho de muitos. A incapacidade que tem a esquerda de enunciar objectivos firmes no âmbito destes valores, substituindo-os por uma retórica abstracta, acaba por resultar numa falsa politização que se torna num instrumento espelhar do mesmo discurso de divisão que o Governo faz. Ainda estou à espera que alguém me explique por que razão não se diz preto no branco, sem bullshit, que a greve é justificada pela simples motivo que nenhum grupo profissional numa sociedade democrática, seja empregado de uma empresa, ou do Estado, pode aceitar que se lhe torne o despedimento trivial, por decisões que são de proximidade (os chefes imediatos), e que não têm que ser justificadas a não ser por uma retórica vaga de “reestruturação”, um outro nome para cortes cegos e pela linha da fraqueza dos “cortados”.
E também não se diz, sem bullshit, que não é fácil manter a calma e a civilidade quando se tem que defrontar do lado das negociações pessoas que mentem quanto for preciso, e que estão apenas a ver se meia dúzia de mentiras ou ambiguidades servem para passar a tempestade e voltar à acalmia que precisam para fazerem tudo aquilo que hoje dizem que não vão fazer. Os mesmos que, nos últimos dois anos, tudo prometeram e nada cumpriram e que ainda há poucos meses juravam em público que nada disto iria acontecer. Ou seja, gente não fiável, de quem se pode esperar tudo e cujo discurso nas suas ambiguidades deliberadas está a ser feito para que tudo seja possível. Em Agosto ou em Setembro, passada a vaga de conflitualidade social, vão ver como milhares de pessoas vão para a “requalificação”, como o aumento dos horários de trabalho vai servir para tornar excedentária muita gente e como, sejam professores ou contínuos, todos vão estar no mesmo barco do olho da rua.
Eu continuo a achar que a decência mobiliza muito mais do que a “escola pública” e que tem a enorme vantagem de toda a gente perceber quase de imediato o que é. E tem ainda a vantagem de ser fácil explicar, e de ser fácil de compreender por toda a gente, que é indecente o que se está a fazer aos funcionários públicos e aos professores. E assim socializar o mesmo tipo de revolta que muitos dos actuais alvos do Governo sentem, porque ela não é diferente da que tem muitos milhões de portugueses. Digo bem, milhões. Não é coisa de somenos.
NOTA: à data em que escrevo, não sei ainda quais vão ser os resultados dos encontros entre o ministério e os professores, mas, sejam quais forem, o contexto é este. No actual momento da sociedade portuguesa, ou se ganha ou se perde. Não há meio termo.
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Aliaa Elmahdy, en torse à Allah
PORTRAIT A l’heure du procès des Femen à Tunis, rencontre avec la jeune Egyptienne, féministe et athée, qui a posé nue sur son blog.
(Aliaa Elmahdy, le 6 juin 2012, à Paris. Photo Guillaume Herbaut Institute.)
Elle est nue. Elle porte seulement des bas noirs à pois un peu grossiers, des ballerines et un chouchou. Hormis des petites pointes de rouge, la photo est en noir et blanc, pas très belle, mais là n’est pas l’enjeu. Aliaa Elmahdy ne sourit pas, elle regarde l’objectif, sérieuse. Fin octobre 2011, la jeune Egyptienne poste cette image sur son blog. La place Tahrir est toujours en ébullition. Elle se présente comme étudiante en communication, «athée», «individualiste», et explique qu’elle se bat«contre une société de violence, de racisme, de sexisme, de harcèlement sexuel et d’hypocrisie». Sur Twitter, elle affirme qu’il n’y aura pas de révolution politique sans changement radical des mentalités.
Très vite, cette photo est reprise sur les réseaux sociaux. Une montagne de critiques s’abat sur la jeune féministe dans tout le monde arabe. Aliaa Elmahdy doit se cacher, avant d’être invitée à une conférence en mars 2012 en Suède et d’y rester, par sécurité. Elle a à peine 20 ans.
Un an et demi plus tard, nous la rencontrons à Paris, au Lavoir moderne, dans le XVIIIe arrondissement. Ce lieu abrite depuis quelques mois le camp de base des Femen. Le mouvement d’origine ukrainienne l’a contactée, l’Egyptienne a été séduite, les a rejointes. En décembre, à Stockholm, dans la neige, elles ont manifesté complètement nues pour protester contre la nouvelle constitution égyptienne. «La charia n’est pas une constitution», a-t-elle écrit sur son corps.
A Paris, elle est venue apporter son soutien à Amina et aux activistes européennes incarcérées à Tunis, dont le procès reprend ce mercredi. Avec neuf autres militantes, elle a parodié une prière devant l’ambassade de Tunisie, s’allongeant sur un tapis de revendications, proclamant «Amina Akhbar». Le slogan «There will be million of us»était peint sur son torse, «Nous serons des millions».
Quelques heures après, la blogueuse égyptienne s’est changée, s’est recoiffée et a mis du rouge à lèvres pour la photo. Si son corps est devenu un symbole, sa parole reste mystérieuse. Aliaa s’exprime rarement. Elle n’aime pas les journalistes. «A chaque fois, mes propos sont modifiés. On me fait dire ce que je n’ai pas dit», regrette la jeune femme. Elle baisse les yeux, cela l’énerve. Encore aujourd’hui, elle ne voulait pas répondre. Elle ne l’a fait qu’à la demande d’Inna Shevchenko, la leader des Femen. Leurs deux personnalités semblent opposées. Là où l’activiste ukrainienne est une experte médiatique, volubile et charismatique, Aliaa est timide, bute parfois sur les mots en anglais, donne l’impression de refuser une célébrité qui lui est tombée dessus. Et pourtant, estime Inna : «Nous avons dû toutes les deux quitter notre pays pour nos idées. Nous nous sommes immédiatement comprises, c’est devenu un membre de la famille.»
Aliaa se méfie, pèse chacun de ses mots. Du coup, cela se termine souvent par une phrase lapidaire : «Je veux pouvoir faire autre chose que de répondre aux journalistes.» On lui dit que cette timidité dans le verbe surprend alors qu’elle est capable de manifester, nue, dans la rue, devant une nuée de photographes. La blogueuse hésite : «Je ne sais pas, il existe peut-être en moi les deux opposés.»
De sa jeunesse à Héliopolis, quartier plutôt chic du grand Caire, cette fille unique ne garde que de mauvais souvenirs. «J’ai eu une enfance très difficile, se souvient-elle. Mon père, ingénieur, officier à la retraite, me battait pour un oui ou pour un non.» Sa mère est comptable. Elle ne leur parle plus. Son esprit critique, elle l’explique simplement :«Adolescente, j’ai commencé à réfléchir. Les hommes n’aiment pas les femmes, on a l’impression que c’est un crime d’en être une. Mon corps m’appartient, et ils ne le comprennent pas.» Elle ne sait pas encore si la révolution en Egypte changera les mentalités, n’en est pas certaine. Ce n’est pas qu’une question de personnes au pouvoir, mais une manière profonde de vivre ensemble en société. «Les gens ont pris l’habitude de s’oppresser mutuellement, parfois ce sont des femmes contre d’autres femmes. Elles peuvent être très sexistes», regrette Aliaa.
Les agressions régulières, place Tahrir et ailleurs, ne la surprennent pas.«Le viol n’est pas une question de désir sexuel, il est utilisé par les hommes pour maintenir leur pouvoir. Comme le port du voile, ce sont des outils de domination», analyse-t-elle. Lorsqu’elle publie ses photos, les gens l’insultent sur son blog et dans la rue, la menacent de mort. Elle est obligée de changer régulièrement d’appartement puis se terre chez un ami, à Alexandrie. Elle devient l’ennemi des salafistes. Mais, aussi, de certains féministes et révolutionnaires, qui jugent que son action est trop radicale et pas assez argumentée, qu’elle est contre-productive, que l’Egypte n’est pas prête, que c’est une manière occidentale de protester. Ce discours résonne avec les attaques contre Amina, lâchée elle aussi par la société civile. Le même schéma se reproduit : quand des femmes réclament le droit d’utiliser leurs corps comme bon leur semble, on dit d’elles qu’elles sont instrumentalisées, psychologiquement fragiles, trop jeunes pour réfléchir.
Les rares soutiens sont venus de quelques proches et de l’étranger. Son ancien compagnon, Kareem Amer, militant libertaire connu, l’a défendue. «Elle fait ce qu’elle veut. Elle utilise la photo pour délivrer un message aux salafistes et aux Egyptiens : “Mon corps n’est pas honteux”», nous avait-il expliqué à l’époque, fièrement.
A Londres, la militante féministe iranienne Maryam Namazie a publié en ligne un calendrier de nus pour la soutenir. «Amina et Aliaa représentent un nouveau mouvement de la libération de la femme, et, dans ce combat face au voile et à l’islam, la nudité représente un enjeu important», s’enthousiasme-t-elle.
Dans les prochains mois, Aliaa Elmahdy ne sait pas trop ce qu’elle va faire, à part continuer de protester. Elle habite dans un petit village près de Göteborg, dans un foyer pour réfugiés politiques. Elle reçoit une bourse du gouvernement pour se mettre à niveau en suédois. «Si je réussis les tests, je voudrais reprendre mes études, entrer dans une école de cinéma pour faire des films où je défendrais mes idées, les droits des femmes et la liberté de chacun de faire ce qu’il veut.» Elle n’oublie pas l’Egypte, même si elle sait qu’elle n’est pas prête d’y revenir : «J’ai gardé des contacts là-bas, je voudrais participer à l’ouverture d’une maison d’accueil pour femmes en danger.»
Elle sourit, un peu. Elle s’enfonce dans son fauteuil. Des gens passent pour une répétition, d’autres se réunissent pour une réunion. Ici, personne ne la remarque. Elle ne «regrette pas». Révolution ou non, elle «aurait posté les photos». Après, et bien, après, on verra. Si la liberté le veut.
En 6 dates
Novembre 1991 Naissance. Octobre 2011 Poste des photos d’elle nue sur son blog. Mars 2012 Fuit en Suède. Décembre 2012Première action avec les Femen. Juin 2013 Manifeste à Paris en soutien à Amina. Aujourd’hui Au tribunal de Tunis, audience des Femen européennes venues protester contre l’incarcération d’Amina.
http://www.liberation.fr/monde/2013/06/11/aliaa-elmahdy-en-torse-a-allah_910074 … (FONTE)
Pobres niños ricos: las claves de los colegios de elite, por Jaime Retamal
Una a una se concatenaban las críticas del cura Berríos. No se apilaban como frases dichas al azar que le venían a sus respuestas como vienen las ocurrencias
de un no se qué lugar mental. Tampoco se trataba de ideas sueltas, lanzadas, ‘disparadas’ a la bandada como dijo el obispo de San Bernardo (qué peor metáfora pudo elegir ese vicario Opus Dei), menos como parte de un juego metodológico de pensar a viva voz como quien piensa en medio de una lluvia de ideas. No. No se trató de eso. Se trató de una genuina reflexión crítica, de ideas tejidas al hilo de la experiencia en el barro, en la población, en la calle, concatenadas en el duro hierro de las cadenas con las que la pobreza amarra día a día a miles de familias chilenas.
Las críticas del cura Berríos son, en efecto, fruto de un largo pensamiento y una profunda meditación respecto al destino actual de nuestra sociedad. Y fue una crítica de clases para las clases, en particular para las élites. Tal vez eso pudo escandalizar, que se hablara de clases y se les apuntara con el dedo a las élites, que de un tiempo a esta parte, por su particular fundamentalismo religioso, están todas en ‘camino a la santidad’, sus hijos e hijas son todos unos ‘ángeles’, y en cada familia hay una o dos vocaciones a la vida religiosa que, endogámica, no hace sino reduplicar el círculo ‘virtuoso’ de la ‘santidad’.
¿De cuándo acá escandalizarse porque los jesuitas les hablan críticamente a las élites y al poder? ¿Qué no están para eso, para formarlos, educarlos y enseñarles a servir a la sociedad? El punto, ya histórico y sociológico, es que hace tiempo las élites eligieron para formarse, educarse y servir a la sociedad el mensaje cómodo, de bergere, que les ofrecen los Opus Dei y los Legionarios de Cristo; los de Schoenstatt y ahora los Sodalicios; un mensaje mucho más centrado en la lógica del individualismo rampante y consumista que crítica Berríos, que en la lógica del servicio y la justicia social que profetiza con su misión en el Congo, Ruanda o Burundi. Por eso causó tanto impacto, porque la fuerza del mensaje de un cura con overol contrasta y es mucho más evidente que el oro y la plata, que el crítico obispo chileno del Opus, posa en su cruz pectoral o en su anillo señorial.
Es así como se deben de leer las críticas que vienen de los obispos de Schoenstatt (Manuel Camilo Vial) o del Opus (Juan Ignacio González): primero, como las de quienes pretenden fidelizar a sus huestes laicas y religiosas en su afán educativo-pedagógico; segundo, como la estrategia comunicacional de trivializar a quienes con su crítica pueden entronizar dudas o dividir el tan cómodo, rentable y lucrativo catolicismo de la élite chilena; y tercero, como una nueva defensa de la élite en su totalidad contra la calle, que con su racionalidad de equidad, igualdad y justicia social, corroe el ejercicio consumista de la clase alta, y deja al desnudo su particular ideología de clase dominante sobre lo social y lo político, es decir, sobre su ejercicio ‘caritativo’, ‘santo’ y ‘católico’, ese que va desde las donaciones ‘caritativas’ a las Universidades, hasta el ‘bien’ hecho, un viernes al mes, dando pan y porotos a —¿cómo les dicen?— ‘personas en situación de calle’, el rostro de Cristo en los más pobres.
Es lo que indignó a este verdadero “cura de la calle”, el cura Berríos: esa ‘pobre niña rica’ que había aprendido en su escuela y por su formación a quejarse, con tono existencial y hasta las lágrimas, por un Dios que permite la pobreza, mientras no reflexionaba —no era capaz de hacerlo— que ella y sus padres acumulaban, ‘acaparaban’, en sus refrigeradores el 90 % de la torta de las riquezas. La queja por ese modelo educativo y de formación de élites, es evidente.
El ‘pobre niño rico’ va a la escuela. Los que serán formados con el núcleo duro del mensaje ‘opusdeista’ y ‘legionarista’ van al Colegio Los Andes, al Colegio Cordillera, al Colegio Everest, al Colegio Tabancura, al Colegio Cumbres, al Colegio Highlands. Los otros ‘pobres niños ricos’ nacidos en familias más ‘liberales’ irán a otros ‘colegios que marcan’, denominación de origen dada por El Mercurio a todos esos colegios en los que la élite chilena inscribe a sus hijos: los Grange, los Saint George, los Santiago College, los Verbo Divino, los Colegio Alemán. En cada uno de ellos, para asegurar aún más el cierre social, pagarán cuotas de incorporación que sin ningún problema pueden superar los 3 millones de pesos; matrículas incluso por sobre los 300 mil pesos, y mensualidades también por sobre ese precio. Todo esto en nombre de la libertad de enseñanza, los derechos a una educación de calidad, y no sé que otra justificación espuria que oculta el verdadero sentido de estas verdaderas ‘madrazas talibanas’ del neoliberalismo de élite y del conservadurismo de élite chileno.
El ‘pobre niño rico’ más que valores, aprende virtudes, hábitos con los cuales ordenar su vida y que le aseguran —ahí está la cuestión— que la vida efectivamente tiene un orden, la ley natural, que debe cumplir en el nombre de Dios. Son virtudes que le permitirán hacer frente a este mundo que sólo le ofrece distracciones en su camino a la santidad, un mundo lleno de erotismo, condones y pastillas anticonceptivas, un mundo que consume violencia y odio contra la excelencia y el trabajo bien hecho, un mundo sin templanza ni disciplina, en el que los valores de la familia se han perdido.
En el Reglamento del Colegio Cordillera se afirma que la disciplina es “la virtud que facilita el dominio de sí mismo para ajustar la propia conducta a las exigencias del trabajo y de la convivencia de la vida escolar”. Y sigue: “en consecuencia, es posible decir que en un colegio normalmente ‘no existen problemas de disciplina’ sino que hay algunos alumnos con problemas…”. Sólo en apariencia y sólo una mirada ingenua lee aquí ‘autonomía’, pues lo que verdaderamente hay es que la mente y la conducta, la inteligencia y el comportamiento, se debe ‘ajustar’ a un dominio ya establecido, indiscutible y hasta eterno, un orden natural preestablecido que se aprende sin discutirlo, y que por si alguna razón un joven no se ‘adecua’ y ‘ordena’ a él será tratado individualmente para que lo entienda. Eso no es disciplina, es formación de hábitos, virtudes, habitus como gustaba decir Bourdieu.
Sin embargo, esos hábitos que aprende no son los únicos. Hay uno que es fundamental y fue al que apuntó el cura de la calle, el cura Berríos: el ‘pobre niño rico’ aprende desde la infancia a ‘no soltar la teta’. Fue en octubre del año 2005, cuando se produjo el escándalo, tanto como éste y del cual se habló ampliamente a propósito de una memorable entrevista de la periodista Claudia Álamo en La Tercera a Felipe Lamarca, quien dijo sin tapujos que “Chile no va a cambiar mientras la élites no suelten la teta. Y creo que va a ser muy difícil que las élites políticas y económicas se decidan a soltarla”. Las élites no sueltan y no soltarán la teta y eso lo aprende desde que es un ‘pobre niño rico’, es su principal habitus —¡qué descubrimiento!— no soltar la teta.
De todo esto hay evidencias, por cierto. La extraordinaria socióloga María Angélica Thumala publicó hace años (2007, Debate) una potente investigación en el libro “Riqueza y Piedad. El catolicismo de la élite económica chilena”, y hace muy poco (2013, UDP) viene de publicar “El error de Milton Friedman. Justificaciones religiosas y morales de la empresa en Chile”, capítulo aparecido en el libro “Adaptación. La empresa chilena después de Friedman”. La gran conclusión a la que podemos llegar leyendo ambas investigaciones es más o menos la misma ¿por qué la élite chilena se ‘opusdeizó’ y ‘legionarizó’? Dicho a lo Lamarca, porque le ‘tocaron la teta’, porque desde los 60 la Iglesia construyó un argumento que cuestionó, desde las condiciones estructurales de la pobreza en Chile, el habitus individualista y acaparador de las élites, siendo la Reforma Agraria el momento en el que su identidad católica se fracturó con el poder eclesiástico: “La Iglesia dejó de ser el refugio espiritual y moral conocido por la élite y se transformó en una entidad crítica, politizada y amenazante”; no obstante, es lo que queremos decir, en los 80 la élite chilena encuentra refugio a su identidad fracturada, pues “en esa década se consolidó la popularidad de movimientos religiosos como el Opus Dei y Los Legionarios de Cristo, que restablecieron la vitalidad de la relación con la Iglesia y legitimaron las opciones de vida cuestionadas durante los años 60”.
Y hoy se está produciendo en la élite empresarial chilena lo que Thumala llama ‘el error de Milton Fierdman’, pues mientras el economista pensaba que una empresa no debe contaminarse con justificaciones extraeconómicas, lo que encontramos en Chile es el caso de que son precisamente las justificaciones ético-religiosas conservadoras las que alimentan el éxito empresarial: “Según esta narrativa, la economía de libre mercado es la que mejor desarrolla los talentos individuales y la humanidad plena, pues la propiedad privada, la libertad para innovar y el trabajo por incentivos promueven la creatividad[…] en suma, el logro emerge no sólo como una motivación legítima, sino como una obligación moral”. El error del viejo Friedman consistió en no considerar la variable weberiana del ethos religioso como acicate del individualismo, la ganancia y el lucro empresarial, es decir, como motores del libre mercado y del crecimiento económico.
Una pequeña y última evidencia de dos trabajos. La extraordinaria tesis presentada en la Universidad de Chile por la socióloga Elisa Giesen Flaskamp titulada “Sobre la elite chilena y sus prácticas de cierre social”, y el capítulo escrito por el sociólogo Omar Aguilar Dinero “Educación y moral: el cierre social de la elite tradicional chilena”, publicado en el libro “Notables, tecnócratas y mandarines”. Elementos de sociología de las elites en Chile (2011, UDP). Usando más o menos la misma base empírica, ambos sociólogos indagan en la auto comprensión que la elite tiene de sí misma y advierten –no sin cierta ingenuidad optimista- la posibilidad de permear su cierre moral conservador tradicional individualista por la vía del compromiso social, pero Aguilar es también cauto –y un tanto cínico- al concluir su capítulo con una respuesta de un entrevistado de la elite: “La clase a la que yo pertenezco, la clase privilegiada tradicional, aristocrática[…], va a haber siempre esa clase y en todos los países[…] y es imposible ir contra ello, porque es parte de la naturaleza humana”. Cito lo de Aguilar pues es importante, debemos entender que las expresiones y el ejemplo del cura Berríos son amenazantes también por ello, porque el jesuitismo tiene mucho más para mostrar en términos de trabajo social, compromiso social y pies en el barro que el ‘opusdeismo’ o ‘legionarismo’ individualizante.
En fin. Un gran suspiro y que quede claro, se es ‘pobre niño rico’ hasta la muerte o ‘la teta no se suelta’ porque Dios no lo quiere, así lo aprenden en sus escuelas, así lo desarrollan en sus empresas. En ese escenario, ya debiésemos empezar a preguntarnos qué son esas escuelas y colegios de elite, para qué están y cómo hemos llegado a ello. Las tres preguntas que pido prestado a Hannah Arendt a propósito del totalitarismo.
JAIME RETAMAL
Facultad de Humanidades de la Usach
“Necesitamos una gran crisis y las naciones aceptarán el Nuevo Orden Mundial” | David Rockefeller
David Rockefeller en una cena con embajadores de la ONU: “Estamos al borde de una transformaciónglobal. Todo lo que necesitamos es una gran crisis y las naciones aceptarán el Nuevo Orden Mundial”.
El magno objetivo de estas sagas de banqueros internacionales lo enunció perfectamente uno de sus máximos exponentes, David Rockefeller: “De lo que se trata es de sustituir la autodeterminación nacional, que se ha practicado durante siglos en el pasado, por la soberanía de una elite de técnicos y de financieros mundiales”.
David Rockefeller fue el conspirador mundial por excelencia, el Rey de los cenáculos ocultos. A sus órdenes trabajaron los agentes secretos de la CIA, el MI6, el MOSSAD y especialmente la INTERPOL, que es obra suya.
Ningún medio de comunicación masivo se atrevería jamás a desvelar los planes secretos de Rockefeller y sus amigos. Siempre guardaron un sospechoso silencio en torno a las secretas actividades de las dinastías de banqueros norteamericanos: los Morgan, los Davison, los Harriman, los Khun Loeb, los Lazard, los Schiff o los Warburg y, por supuesto, los Rockefeller.
En 1991, en referencia al informe del Centro para el Desarrollo Mundial, David Rockefeller confesó: “estamos agradecidos con el Washington Post, el New York Times, la revista Time, y otras grandes publicaciones cuyos directores han acudido a nuestras reuniones y han respetado sus promesas de discresión (silencio) durante casi 40 años. Hubiera sido imposible para nosotros haber desarrollado nuestro plan para el mundo si hubieramos sido objeto de publicidad durante todos estos años”.
El excéntrico y supuestamente filantrópico David Rockefeller, que tiene ya casi un siglo de vida, es sin duda el personaje más trepidante y controvertido de esta casta de usureros a la que nos referimos. Muy pronto, cuando los diarios anuncien su fallecimiento, tendremos ocasión de conocer su insólita biografía. Descubriremos datos que nos apabullarán.
El fundador de la dinastía Rockefeller fue el abuelo de David, de nombre John Davison Rockefeller, descendiente de judíos alemanes llegados a EEUU en 1733. Junto con la saga de los Morgan y el grupo bancario Warburg-Lehman-Kuhn&Loeb, constituyó el triunvirato plutocrático del llamado Eastern Establishment. Su imperio económico se gestó durante los años de la Guerra de Secesión (1861-1865) que enfrentó a los terratenientes esclavistas del sur con los comerciantes e industriales del norte y que se saldó con 600.000 muertos.
Los grandes triunfadores de aquella guerra fueron cuatro familias oligárquicas, los Vanderbilt, los Carnegie, los Morgan y los Rockefeller, que se beneficiaron del conflicto como proveedores de bienes y servicios y acrecentaron su imperio económico después con la concentración monopolista que sucedió a la contienda, llegando a controlar en 1880 el 95% de la producción petrolera norteamericana. La fortuna de los Vanderbilt se diluyó con el tiempo, la de los Carnegie fue en parte succionada por los Morgan, y la de los Rockefeller se dispersó entre los muchos y mal avenidos descendientes del viejo John Davison, petrolero y banquero, fundador de la Standard Oil y del Chase National Bank, luego denominado Chase Manhattan Bank, cuya emblemática sede en Nueva York fue el primer edificio construido en Wall Street. El Chase se convirtió en un pilar central en el sistema financiero mundial, siendo el Banco principal de las Naciones Unidas, y llegó a tener 50.000 sucursales repartidas por todo el mundo. Los presidentes del Banco Mundial John J. McCloy, Eugene Black y George Woods trabajaron en el Chase anteriormente. Otro presidente, James D. Wolfensohn, también fue director de la Fundación Rockefeller.
David Rockefeller, el más famoso de la saga, es nieto del mítico John Davison Rockefeller e hijo de John D. Rockefeller junior, que se casó con la hija de Nelson Aldrich, líder de la mayoría republicana en el Senado y al que se le conoció como “gerente de la nación”. La madre de David era una enamorada de la pintura y por iniciativa suya se construyó el Museo de Arte Moderno (MOMA) de Nueva York, ubicado en la mansión en la que nació David y sus hermanos.
David, el menor de seis hermanos, todos ya fallecidos, tuvo también seis hijos y diez nietos que, junto a los hijos y nietos de sus hermanos, forman el actual clan Rockefeller.
David Rockefeller, banquero y petrolero como su padre y su abuelo, trabajó en los servicios secretos durante la II Guerra Mundial y abrió el camino para la creación de la ONU en 1945, cuya sede principal se encuentra en un terreno donado por él en Nueva York. Se codeó con los principales mandatarios del siglo XX. Dirigió los lobbys más poderosos del mundo, como el CFR, el Club de Bilderberg y la Comisión Trilateral.
Como buenos banqueros sin escrúpulos, los Rockefeller apoyaron y financiaron a los nazis alemanes. Incluso se permitieron reescribir la historia. La Fundación Rockefeller invirtió 139.000 dólares en 1946 para ofrecer una versión oficial de la II Guerra Mundial que ocultaba la realidad acerca del patrocinio de los banqueros internacionales con el régimen nazi, que también obtuvo los favores de su empresa más emblemática: la Standard Oil. Las iniciativas de esta Fundación, que también ha financiado grupos como los Hare Krishna o los rosacruces de AMORC, son a veces sorprendentes.
David es hermano del que fuera Senador, Gobernador de Nueva York y vicepresidente de EEUU (con Gerald Ford, tras la dimisión de Nixon) Nelson Rockefeller, que heredó de su abuelo materno la vocación política.
En 1962 Nelson declaró: “los temas de actualidad exigen a gritos un Nuevo Orden Mundial, porque el antiguo se derrumba, y un nuevo orden libre lucha por emerger a la luz… Antes de que podamos darnos cuenta, se habrán establecido las bases de la estructura federal para un mundo libre”.
David Rockefeller, al que el presidente Carter le ofreció dirigir la Reserva Federal (declinó a favor de su amigo Volcker), se rodeó de lugartenientes tan poderosos como Henry Kissinger, Zbigniew Brzezinski, Lord Carrington y Etienne Davignon, que también merecen ser citados aquí.
Abraham ben Elazar, más conocido como Henry Kissinger, es considerado como uno de los cerebros del Nuevo Orden Mundial. De origen judío-alemán, empezó como asesor de Nelson Rockefeller en los años 50, ostentó altas responsabilidades en la Administración en los años 60 y 70, con Kennedy, Jhonson, Nixon y Ford. Llegó a ser Vicepresidente de los Estados Unidos con Ford, secretario personal de Nixon, Jefe del Consejo Nacional de Seguridad y del Departamento de Estado, y Ministro de Asuntos Exteriores en repetidas ocasiones.
Colaboró estrechamente con David Rockefeller en el elitista Consejo de Relaciones Exteriores, del que fue presidente. Del CFR han salido desde entonces todos los presidentes de los Estados Unidos excepto Ronald Regan, cuyo equipo estuvo formado mayoritariamente por miembros del CFR. También pertenece a la Comisión Trilateral, el Club de Bilderberg y otras organizaciones de la órbita Rockefeller. Su compañía de consulting Kissinger Associates, tiene como clientes a Estados deudores y a multinacionales acreedoras.
El polaco Zbigniew Brzezinski, casado con una sobrina del que fuera Presidente de la República Checoslovaca Eduard Benes, fue reclutado por Rockefeller en 1971. Llegó a ser Consejero de Seguridad Nacional del gobierno de los Estados Unidos durante la Administración Carter, pero ya con anterioridad había sido nombrado director de la Comisión Trilateral, a la que él mismo definió como “el conjunto de potencias financieras e intelectuales mayor que el mundo haya conocido nunca”.
Afirma que: “la sociedad será dominada por una elite de personas libres de valores tradicionales que no dudarán en realizar sus objetivos mediante técnicas depuradas con las que influirán en el comportamiento del pueblo y controlarán con todo detalle a la sociedad, hasta el punto que llegará a ser posible ejercer una vigilancia casi permanente sobre cada uno de los ciudadanos del planeta”. En otro momento dijo: “esta elite buscará todos los medios para lograr sus fines políticos tales como las nuevas técnicas para influenciar el comportamiento de las masas, así como para lograr el control y la sumisión de la sociedad”. Ni siquiera George Orwell, autor de la terrorífica novela “1984”, lo hubiera expresado mejor.
En una entrevista publicada por el New York Times el 1 de agosto de 1976, Brzezinski afirmaba que “en nuestros días, el Estado-nación ha dejado de jugar su papel”. En cierta ocasión pronosticó “el ocaso de las ideologías y de las creencias religiosas tradicionales”.
Brzezinski es especialista en métodos de control social, sus ensayos publicados dibujan un horizonte orwelliano en el que el Gran Hermano vigila y controla permanentemente a cada individuo. Predijo la existencia de gigantes bases de datos donde se almacenan ingentes cantidades de información sobre cada ciudadano (como la que tienen los servicios de inteligencia españoles en El Escorial, Madrid), la instalación masiva de cámaras de vigilancia en las calles y edificios (que ya es un hecho en todas las ciudades del mundo), la generalización de satélites espía de increíble precisión (como los que usan las tropas de EEUU desde la Guerra del Golfo) y la puesta en funcionamiento de documentos de identidad electrónicos (como lo son los modernos pasaportes y carnés de identidad, que contienen un microchip con abundante información del propietario).
La fascinación de Brzezinski por la tecnología aplicada al control social encaja perfectamente con los planes de la elite plutocrática, que ya ha desarrollado nuevos y espeluznantes artilugios, como el microchip subcutáneo con localizador que pretenden hacer obligatorio para toda la población mundial y que sustituiría, unificándolos, a los actuales carnés de identidad, pasaportes, tarjetas de crédito, carnés de conducir, tarjetas de la Seguridad Social, etc., posibilitando la desaparición del dinero físico.
Otro invento terrible que ya nos tiene preparado la elite ha sido diseñado por la compañía estadounidense Nielsen Media Research en colaboración con el Centro de Investigación David Sarnoff (organismo controlado por el CFR y la Sociedad Pilgrims). Se trata de un dispositivo que, una vez instalado en el televisor, permite observar e identificar desde una estación de seguimiento a los espectadores sentados frente a la pequeña pantalla. Este dispositivo evoca “el ojo que todo lo ve”, el Horus egipcio que aparece en los billetes de dólar. El “ojo que todo lo ve” no es sólo un recurso literario en la novela de Orwell 1984. Ya existen millones de cámaras instaladas en carreteras, calles, empresas y locales públicos, y millones de webcam en hogares de todo el mundo. Sin contar con los modernos sistemas operativos del monopolio Microsoft, como el Windows Media, que rastrea sin cesar todos nuestros movimientos a través de la red y permite leer nuestros correos privados de Outlook, el estado de nuestras cuentas corrientes cuando accedemos a la web de nuestro Banco, las palabras clave que utilizamos en los buscadores como Google y el contenido de las páginas que visitamos en Internet.
Lord Carrington, cuyo verdadero nombre es Peter Rupert, fue ministro británico en sucesivos gobiernos, miembro destacado del RIIA (el equivalente al CFR en Gran Bretaña) y de la Sociedad Fabiana, Secretario general de la OTAN, directivo del Barclays Bank y del Hambros Bank y, a partir de 1989, presidente del siniestro Club de Bilderberg.
El cuarto lugarteniente Rockefeller y Secretario General del Club de Bilderberg es el vizconde Etienne Davignon. Su currículum lo dice todo: presidente y fundador de la European Round Table (Mesa Redonda de Industriales, lobby de las multinacionales europeas), ex vicepresidente de la Comisión Europea, miembro de la Trilateral y del Center for European Policy Studies, ministro belga de Exteriores, presidente de la Asociación para la Unión Monetaria en Europa, primer presidente de la Agencia Internacional de Energía, presidente de la Société Générale de Belgique, presidente de Airholding, vicepresidente de Suez-Tractebel, administrador de Kissinger Associates, Fortis, Accor, Fiat, BASF, Solvay, Gilead, Anglo-american Mining, entre otras corporaciones.
Extracto del libro GOBIERNO MUNDIAL, de Esteban Cabal.
http://www.redprisma.org/latam/index.php/transgenicos/
3761-necesitamos-es-una-gran-crisis-y-las-naciones-aceptaran-el-nuevo-orden-mundial … (FONTE)
MECANISMOS DE MANIPULAÇÃO QUE FUNCIONAM | José Pacheco Pereira in “Público”
JOSÉ PACHECO PEREIRA | “Eles” (os funcionários públicos) são uma parte de “nós”
…
“A razão pela qual o povo português parece ser mais “paciente” resulta muito simplesmente de que muitos têm medo de perder ainda mais do que o que já estão a perder. E como o discurso da divisão deixa cada um sozinho na sua fábrica, na sua escola, na sua repartição, o medo ainda é eficaz. Mas o medo é destrutivo da sociedade e da democracia, e dá saída apenas para o desespero, o momento em que as pessoas percebem que já não há mais a perder. E nessa altura o seu desespero não se verá apenas em manifestações da CGTP ou dos “indignados”.
Uma das razões por que prefiro mesmo o desconhecido e o arriscado à situação presente, como sejam eleições antecipadas sem grandes expectativas, é que prefiro um tumulto que abra espaço político a uma situação nova, à continuidade de uma governação que é uma forma muito pior de tumulto, é a destruição de um país em que a condição de ser português não significa nada, porque já não existem laços comunitários em que nos reconheçamos.”
“Deus não morreu, ele se tornou dinheiro” | Giorgio Agamben
“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro”, afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà.

Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin (Foto: Arquivo)
Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, foi definido pelo Times e pelo Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.
Segundo ele, “a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governabilidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas”. Assim, “a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afima Agamben.
A tradução é de Selvino J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC [e tradutor de três das quatro obras de Agamben publicadas pela Boitempo].
“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.
Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
A crise econômica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?
A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema econômico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado. Eu disse “nós, europeus”, pois me parece que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido, ele, como hoje aparece como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda econômico, mas talvez consista nisso, no fato de que o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história e o passado têm um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.
O passado não é, pois, apenas um patrimônio de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi. Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, a Sicília, sob este ponto de vista é exemplar) têm com relação às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim, da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com as autopistas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.
Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o esnobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimônias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar a todo conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua sendo humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida.
A sua obra mais conhecida, Homo Sacer, pergunta pela relação entre poder político e vida nua, e evidencia as dificuldades presentes nos dois termos. Qual é o ponto de mediação possível entre os dois pólos?
Minhas investigações mostraram que o poder soberano se fundamenta, desde a sua origem, na separação entre vida nua (a vida biológica, que, na Grécia, encontrava seu lugar na casa) e vida politicamente qualificada (que tinha seu lugar na cidade). A vida nua foi excluída da política e, ao mesmo tempo, foi incluída e capturada através da sua exclusão. Neste sentido, a vida nua é o fundamento negativo do poder. Tal separação atinge sua forma extrema na biopolítica moderna, na qual o cuidado e a decisão sobre a vida nua se tornam aquilo que está em jogo na política.
O que aconteceu nos estados totalitários do século XX reside no fato de que é o poder (também na forma da ciência) que decide, em última análise, sobre o que é uma vida humana e sobre o que ela não é. Contra isso, se trata de pensar numa política das formas de vida, a saber, de uma vida que nunca seja separável da sua forma, que jamais seja vida nua.
O mal-estar, para usar um eufemismo, com que o ser humano comum se põe frente ao mundo da política tem a ver especificamente com a condição italiana ou é de algum modo inevitável?
Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência. As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”.
O estado de exceção, que o senhor vinculou ao conceito de soberania, hoje em dia parece assumir o caráter de normalidade, mas os cidadãos ficam perdidos perante a incerteza na qual vivem cotidianamente. É possível atenuar esta sensação?
Vivemos há decênios num estado de exceção que se tornou regra, exatamente assim como acontece na economia em que a crise se tornou a condição normal. O estado de exceção – que deveria sempre ser limitado no tempo – é, pelo contrário, o modelo normal de governo, e isso precisamente nos estados que se dizem democráticos. Poucos sabem que as normas introduzidas, em matéria de segurança, depois do 11 de setembro (na Itália já se havia começado a partir dos anos de chumbo) são piores do que aquelas que vigoravam sob o fascismo. E os crimes contra a humanidade cometidos durante o nazismo foram possibilitados exatamente pelo fato de Hitler, logo depois que assumiu o poder, ter proclamado um estado de exceção que nunca foi revogado. E certamente ele não dispunha das possibilidades de controle (dados biométricos, videocâmeras, celulares, cartões de crédito) próprias dos estados contemporâneos. Poder-se-ia afirmar hoje que o Estado considera todo cidadão um terrorista virtual. Isso não pode senão piorar e tornar impossível aquela participação na política que deveria definir a democracia. Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmeras não é mais um lugar público: é uma prisão.
A grande autoridade que muitos atribuem a estudiosos que, como o senhor, investigam a natureza do poder político poderá trazer-nos esperanças de que, dizendo-o de forma banal, o futuro será melhor do que o presente?
Otimismo e pessimismo não são categorias úteis para pensar. Como escrevia Marx em carta a Ruge: “a situação desesperada da época em que vivo me enche de esperança”.
Podemos fazer-lhe uma pergunta sobre a aula que o senhor deu em Scicli? Houve quem lesse a conclusão que se refere a Piero Guccione como se fosse uma homenagem devida a uma amizade enraizada no tempo, enquanto outros viram nela uma indicação de como sair do xeque-mate no qual a arte contemporânea está envolvida.
Trata-se de uma homenagem a Piero Guccione e a Scicli, pequena cidade em que moram alguns dos mais importantes pintores vivos. A situação da arte hoje em dia é talvez o lugar exemplar para compreendermos a crise na relação com o passado, de que acabamos de falar. O único lugar em que o passado pode viver é o presente, e se o presente não sente mais o próprio passado como vivo, o museu e a arte, que daquele passado é a figura eminente, se tornam lugares problemáticos. Em uma sociedade que já não sabe o que fazer do seu passado, a arte se encontra premida entre a Cila do museu e a Caribdis da mercantilização. E muitas vezes, como acontece nos templos do absurdo que são os museus de arte contemporânea, as duas coisas coincidem.
Duchamp talvez tenha sido o primeiro a dar-se conta do beco sem saída em que a arte se meteu. O que faz Duchamp quando inventa o ready-made? Ele toma um objeto de uso qualquer, por exemplo, um vaso sanitário, e, introduzindo-o num museu, o força a apresentar-se como obra de arte. Naturalmente – a não ser o breve instante que dura o efeito do estranhamento e da surpresa – na realidade nada alcança aqui a presença: nem a obra, pois se trata de um objeto de uso qualquer, produzido industrialmente, nem a operação artística, porque não há de forma alguma uma poiesis, produção – e nem sequer o artista, porque aquele que assina com um irônico nome falso o vaso sanitário não age como artista, mas, se muito, como filósofo ou crítico, ou, conforme gostava de dizer Duchamp, como “alguém que respira”, um simples ser vivo.
Em todo caso, certamente ele não queria produzir uma obra de arte, mas desobstruir o caminhar da arte, fechada entre o museu e a mercantilização. Vocês sabem: o que de fato aconteceu é que um conluio, infelizmente ainda ativo, de hábeis especuladores e de “vivos” transformou o ready-made em obra de arte. E a chamada arte contemporânea nada mais faz do que repetir o gesto de Duchamp, enchendo com não-obras e performances em museus, que são meros organismos do mercado, destinados a acelerar a circulação de mercadorias, que, assim como o dinheiro, já alcançaram o estado de liquidez e querem ainda valer como obras. Esta é a contradição da arte contemporânea: abolir a obra e ao mesmo tempo estipular seu preço.
Sobre o autor
Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin. Deu cursos em várias universidades europeias e norte-americanas, recusando-se a prosseguir lecionando na New York University em protesto à política de segurança dos Estados Unidos. Foi diretor de programa no Collège International de Philosophie de Paris. Mais recentemente ministrou aulas de Iconologia no Istituto Universitario di Architettura di Venezia (Iuav), afastando-se da carreira docente no final de 2009. Sua obra, influenciada por Michel Foucault e Hannah Arendt, centra-se nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente, política. Entre seus principais livros destacam-se Homo sacer (2005), Estado de exceção (2005), Profanações (2007), O que resta de Auschwitz (2008) e O reino e a glória (2011), os quatro últimos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.
Hoy se celebra la cumbre anual del Club Bilderberg “que necesita hacerse con el control de toda la alimentación y para ello necesitan destrozar toda la economía mundial para poder reducir la población mundial”, aseguró a RT Daniel Estulin.
Alrededor de 150 personas, incluidos políticos, miembros de la realeza, banqueros, multimillonarios y empresarios, asisten a la reunión de los más influyentes del mundo en Watford, al norte de Londres.
“El progreso y el desarrollo de la sociedad es directamente proporcional a la densidad de población. Si hay progreso en el desarrollo tecnológico, somos muchos más, habrá más riqueza, más personas y menos comida para todos. Y para que David Rockefeller, que es una metáfora del poder, pueda comer, nosotros de alguna forma tendríamos que desaparecer”, explicó el autor de una serie de libros sobre el Club Bilderberg
“Y esto es uno de los principales puntos de los que están hablando en la esfera de los problemas de la alimentación. No están buscando una forma de solucionar el problema, todo lo contrario: asegurarse de que matan a cuantas más personas mejor”, destacó.
El Club Bilderberg quiere hacerse con Irán
“El Club Bilderberg es una cinta transportadora para guerra, cualquiera, con Irán u otras: es un elemento importante que al mismo tiempo puede vender armas y mantequilla a todos los miembros de cualquier tipo de conflicto”, señaló Daniel Estulin.
“Irán obviamente es un punto de lanza para el tema de Oriente Medio. Es una potencia regional que tiene muchísimo petróleo y obviamente ha sido alguna forma de poder para la élite mundial. El siguiente paso será Rusia y obviamente [Irán] es imprescindible para potencias y dentro de eso podemos hablar sobre el Club Bilderberg y decisiones que se toman allí, que quieren de alguna forma desestabilizar Irán como sea”, concluyó.
Bilderberg apunta a Rusia y a China
A la pregunta sobre sí el Bilderberg pretende impulsar el crecimiento mundial más allá de los BRICS Estulin destacó que es importante comprender que con “BRICS estamos hablando de Brasil, Rusia, India, China, aunque la ‘B’ no es de Brasil, sino más bien el Imperio británico que completamente controla Brasil a través del grupo Inter-Alpha, grupo financiero vinculado a la reina de Inglaterra, obviamente, que impulsa cualquier tipo de crecimiento económico que no incluye estas naciones”, dijo Estulin.
“Es imprescindible porque el objetivo final es de alguna forma reducir la población mundial a un número mucho más manejable para la élite mundial debido a la falta de comida y de agua, es hacerse con el control de potencias como Rusia y China. En ese sentido el objetivo no es tanto el gobierno mundial, nunca existió como concepto, sino más bien un concepto de empresa mundial, o sea potencias o poderes fácticos financieros con muchísimo más poder que cualquier Gobierno en la tierra”, destacó.
“Las guerras del futuro se librarán con las tecnologías”
Uno de los temas anunciados de la cumbre del Club Bilderberg es el cambio del paradigma de la sociedad: las tecnologías del futuro, opina el periodista y el investigador.
“Las guerras del futuro se librarán no con armas, sino con la tecnología del futuro. Un teléfono, un ‘smartphone’, cualquiera tiene más tecnología que las naves espaciales que llegaron a la Luna en los años sesenta”, explicó Estulin.
“Es decir, si tú puedes hacerte con el control de la tecnología del futuro, puedes controlar el mundo entero en todas sus manifestaciones porque todo lo que nos rodea es una tecnología en un estado puro y por eso tienes Google Amazon, las empresas como Microsoft y Apple que están en todas estas reuniones. Y obviamente empresas como Google son un aparato imprescindible de la seguridad nacional de EE.UU. cuyo objetivo no tiene nada que ver con ofrecer servicios sino con el control total y absoluto”, concluyó.
Texto completo en: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/96628-bilderberg-2013-estulin
O ESTADO MORREU | por Maria José Morgado
Trabalho num serviço de aplicação repressiva da lei criminal onde as pessoas têm gosto em servir o interesse público e a justiça penal. Desde que começou a aplicação do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro — o PAEF — que a dignidade, a resistência e a eficiência continuam a ser valores que opomos à desvalorização cega e ao sofrimento enquanto política de gestão da máquina administrativa. Vamos substituindo a degradação das contas públicas de um Estado laxista por um Estado fantasma e impotente. O Estado é a raiz do mal, pois matemos o Estado. E com quê? Com mais Estado cobrador, num totalitarismo atípico deslizante.
Sinto esse fantasma todos os dias. A moralização na gestão das finanças públicas desfigurou-se de tal forma que fez ricochete num PAEF sem a bússola de valores intangíveis como a justiça, justiça fiscal e segurança social. Perdeu-se o objetivo de uma administração pública qualificada e motivada.
Os resultados da execução orçamental do último trimestre não são mais do que uma radiografia deste mal. Porquê?
Porque só um Estado sem função fica encarcerado no financiamento direto com base quase exclusiva nas receitas do IRS que representam 39,1% do crescimento da receita e dos impostos diretos que representam 22,3% do mesmo crescimento. No meio da tempestade fiscal que nos atravessa regista-se uma subida raquítica da receita fiscal de 3,3 milhões de euros — no aumento crescente do sofrimento das pessoas depois da destruição de empresas e de trabalho.
Neste cenário, além da dita ida aos mercados, ainda assim financiada a juros predadores, os únicos pilares financiadores do Estado são afinal o habitual grupo de pessoas, cada vez mais afunilado. Efeito de boomerang da austeridade sem metas de reorganização de um Estado, de uma justiça e de uma máquina administrativa que funcionem. Situações desta natureza pulverizam todas as funções de autoridade, equidade, segurança jurídica, proteção da sociedade e respeito pelos valores sociais e económicos.
A corrupção, em parceria com a fraude fiscal, tende a medrar no túnel das quimioterapias orçamentais. Basta cruzar aqueles dados com os resultados oficiais do programa de combate à fraude e à evasão fiscal do ano de 2011: os processos-crime por combate à fraude representam 9,45%, por combate à fraude qualificada 2,69% e por abuso de confiança fiscal 84,74%. Os resultados do combate à fraude fiscal são insignificantes numa justiça focada quase exclusivamente no ataque aos impostos diretos em falta. O mesmo estigma.
Sem reformas administrativas efetivas, sem qualificação da função pública, sem respeito pelas funções públicas substantivas, sem estímulos, sem Estado com função resta-nos o medo, a perigosa anemia da autoridade com a paralisia dos serviços administrativos públicos. Um Estado sem função pendurado na guilhotina do défice?
Despojos de um Estado velho e apodrecido incapaz de se proteger da tempestade e de construir um novo com a ajuda dos seus melhores. Um Estado que morreu.
Faz hoje 60 anos – Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os paises que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda
O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essêncial da dívida.
A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.
O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.
O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substantial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divída para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.
O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.
A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.
O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situacao de carência durante a qual só se pagaram juros.
Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores – e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.
Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, “trocando por miúdos”, significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.
EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA – concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.
Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais
Marcos Romão, jornalista e sociólogo, 27 de Fevereiro de 2003.
Outro artigo sobre o Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs:http://auditoriaciudadana.net/2013/02/27/aprendiendo-de-la-historia-como-irlanda-y-grecia-perdonaron-la-deuda-alemana-2/
Eleições antecipadas | Provedor de Justiça
O provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa defende, em entrevista à Antena 1, a realização de eleições antecipadas no mesmo dia das eleições autárquicas, considerando que a situação do País está bloqueada e que tudo está nas mãos de Paulo Portas.
Em defesa de Lobo Xavier e Pacheco Pereira | Pedro Silva Pereira
“Testemunhei que a Comissão Europeia e o BCE não queriam que Portugal fizesse um pedido de assistência financeira, igual ao grego e ao irlandês, e estavam empenhados na aprovação do PEC IV”.
Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, ao Público (1-4-2012)
Vítor Gaspar sentiu-se atingido por Lobo Xavier e Pacheco Pereira terem reconhecido, com honestidade, que a verdadeira razão que levou Portugal a ter de pedir ajuda externa foi o assalto ao poder lançado pela direita com a rejeição do PEC IV, que tinha recebido o apoio do BCE e dos nossos parceiros europeus.
A resposta de Gaspar insiste na falsificação da história.
O ministro das Finanças aproveitou a sua ida ao Parlamento para responder aos comentadores da direita na Quadratura do Círculo e contrapor que o Governo socialista devia ter pedido ajuda externa mais cedo. Acontece que a historieta de Vítor Gaspar não tem qualquer fundamento na verdade histórica: Lobo Xavier e Pacheco Pereira é que têm razão.
Em primeiro lugar, Gaspar passa ao lado do argumento principal de Lobo Xavier e Pacheco Pereira, que se refere à própria necessidade do pedido de ajuda: se havia uma garantia formal (escrita) de apoio do BCE e da Comissão Europeia ao PEC IV, a aprovação desse PEC podia ter evitado o pedido de ajuda externa, garantindo junto dos mercados financeiros uma protecção do BCE análoga à que é dada a outros países poupados a um resgate. Podemos todos especular sobre o que teria acontecido se essa solução tivesse sido adoptada, o que não podemos é adulterar a história: a alternativa ao resgate existia, tinha apoio europeu e foi rejeitada. Como confirmou Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, ao Público (1-4-2012): “Testemunhei que a Comissão Europeia e o BCE não queriam que Portugal fizesse um pedido de assistência financeira, igual ao grego e ao irlandês, e estavam empenhados na aprovação do PEC IV”.
Sendo estes os factos, a conclusão de Lobo Xavier e Pacheco Pereira está certa: o pedido de ajuda externa não era uma inevitabilidade, foi, isso sim, uma escolha das lideranças do PSD e do CDS que, na ânsia de chegarem ao poder, optaram por rejeitar o PEC IV e desprezar o apoio europeu, mesmo sabendo as consequências dramáticas que isso iria ter junto dos mercados financeiros.
Em qualquer caso, Vítor Gaspar também não tem razão quanto ao ‘timing’ do pedido de ajuda. Comecemos por recordar as datas: o “chumbo” do PEC IV foi anunciado por Passos Coelho na noite de 11 de Março de 2011. A partir daí, tudo se passou rapidamente: a votação no Parlamento teve lugar a 23 de Março (provocando a imediata demissão do Governo) e o pedido de ajuda foi apresentado menos de 15 dias depois, a 6 de Abril. Tudo em menos de um mês.
Quem queira sustentar que o pedido de ajuda externa devia ter sido formulado antes da crise política, isto é, antes de Março, tem de recordar o que o próprio PSD dizia no mês de Fevereiro. E o que dizia Eduardo Catroga era isto: “Não defendo, nas actuais condições de acesso, o recurso ao FEEF em parceria com o FMI, porque as experiências da Grécia e da Irlanda correram muito mal” (v. Diário Económico, 21-2-2012). O próprio Passos Coelho também era contra: “Portugal só deve encarar uma solução externa quando as condições forem racionalmente vantajosas. Portugal não tem uma dívida sustentável mas o tipo de financiamento do FMI ou do FEEF também não o é”. E acrescentou um argumento bombástico: “Se Portugal recorresse ao tipo de ajuda da Irlanda ou da Grécia, dentro de dois ou três anos não estaríamos em condições de cumprir” (Lusa, 10-2-2011).
Estes factos históricos chegam e sobram para provar que Vítor Gaspar não tem razão: nem o pedido de ajuda externa foi apresentado “demasiado tarde”, nem era sequer inevitável dado que a Europa apoiava outra solução. Mas as declarações de Passos Coelho, feitas um mês antes do “chumbo” do PEC IV, mostram que o líder do PSD provocou uma crise política com plena consciência das graves consequências para o País de um pedido de ajuda externa naquelas circunstâncias. Como ele próprio disse, com um tipo de ajuda como o concedido à Irlanda ou à Grécia, “dentro de dois ou três anos não estaríamos em condições de cumprir”. Mas isso era no tempo em que Vítor Gaspar não era ministro das Finanças e Passos Coelho ainda acertava nas previsões.
Pedro Silva Pereira, Jurista
MENSAGEM ENVIADA AO ENCONTRO DA AULA MAGNA | José Pacheco Pereira in “Abrupto”
Caro Presidente Mário Soares,
Não podendo estar presente nesta iniciativa, apoio o seu objectivo de contribuir para combater a “inevitabilidade” do empobrecimento em que nos querem colocar, matando a política e as suas escolhas, sem as quais não há democracia. Gostaria no entanto de, por seu intermédio, expressar com mais detalhe a minha posição.
A ideia de que para alguém do PSD, para um social-democrata, lhe caem os parentes na lama por estar aqui, só tem sentido para quem esqueceu, contrariando o que sempre explicitamente, insisto, explicitamente, Sá Carneiro disse: que os sociais democratas em Portugal não são a “direita”. E esqueceu também o que ele sempre repetiu: de que acima do partido e das suas circunstancias, está Portugal.
Não. Os parentes caem na lama é por outras coisas, é por outras companhias, é por outras cumplicidades, é por se renegar o sentido programático, constitutivo de um partido que tem a dignidade humana, o valor do trabalho e a justiça social inscritos na sua génese, a partir de fontes como a doutrina social da Igreja, a tradição reformista da social-democracia europeia e o liberalismo político de homens como Herculano e Garrett. Os que o esquecem, esses é que são as más companhias que arrastam os parentes para a lama da vergonha e da injustiça.
Não me preocupam muito as classificações de direita ou de esquerda, nem sequer os problemas internos de “unidade” que a esquerda possa ter. Não é por isso que apoio esta iniciativa. O acantonamento de grupos, facções ou partidos, debaixo desta ou daquela velha bandeira, não contribui por si só para nos ajudar a sair desta situação. Há gente num e noutro espectro político, preocupada com as mesmas coisas, indignada pelas mesmas injustiças, incomodada pelas desigualdades de sacrifícios, com a mesma cidadania activa e o mesmo sentido de decência que é o que mais falta nos dias de hoje.
A política, a política em nome da cidadania, do bom governo, e da melhoria social, é que é decisiva. O que está a acontecer em Portugal é a conjugação da herança de uma governação desleixada e aventureira, arrogante e despesista, que nos conduziu às portas da bancarrota, com a exploração dos efeitos dessa política para implementar um programa de engenharia cultural, social e política, que faz dos portugueses ratos de laboratório de meia dúzia de ideias feitas que passam por ser ideologia. Tudo isto associado a um desprezo por Portugal e pelos portugueses de carne e osso, que existem e que não encaixam nos paradigmas de “modernidade” lampeira, feita de muita ignorância e incompetência a que acresce um sentimento de impunidade feito de carreiras políticas intra-partidárias, conhecendo todos os favores, trocas, submissões, conspirações e intrigas de que se faz uma carreira profissionalizada num partido político em que tudo se combina e em que tudo assenta no poder interno e no controlo do aparelho partidário.
Durante dois anos, o actual governo usou a oportunidade do memorando para ajustar contas com o passado, como se, desde que acabou o ouro do Brasil, a pátria estivesse à espera dos seus novos salvadores que, em nome do “ajustamento” do défice e da dívida, iriam punir os portugueses pelos seus maus hábitos de terem direitos, salários, empregos, pensões e, acima de tudo, de terem melhorado a sua condição de vida nos últimos anos, à custa do seu trabalho e do seu esforço. O “ajustamento” é apenas o empobrecimento, feito na desigualdade, atingindo somente “os de baixo”, poupando a elite político-financeira, atirando milhares para o desemprego entendido como um dano colateral não só inevitável como bem vindo para corrigir o mercado de trabalho, “flexibilizar” a mão de obra, baixar os salários. Para um social-democrata poucas coisas mais ofensivas existem do que esta desvalorização da dignidade do trabalho, tratado como uma culpa e um custo não como uma condição, um direito e um valor.
Vieram para punir os portugueses por aquilo que consideram ser o mau hábito de viver “acima das suas posses”, numa arrogância política que agravou consideravelmente a crise que tinham herdado e que deu cabo da vida de centenas de milhares de pessoas, que estão, em 2013, muitas a meio da sua vida, outras no fim, outras no princípio, sem presente e sem futuro.
Para o conseguir desenvolveram um discurso de divisão dos portugueses que é um verdadeiro discurso de guerra civil, inaceitável em democracia, cujos efeitos de envenenamento das relações entre os portugueses permanecerão muito para além desta fátua experiência governativa. Numa altura em que o empobrecimento favorece a inveja e o isolamento social, em que muitos portugueses tem vergonha da vida que estão a ter, em que a perda de sentido colectivo e patriótico leva ao salve-se quem puder, em que se colocam novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, contribuintes da segurança social contra os reformados e pensionistas, pobres contra remediados, .permitir esta divisão é um crime contra Portugal como comunidade, para a nossa Pátria. Este discurso deixará marcas profundas e estragos que demorarão muito tempo a recompor.
O sentido que dou à minha participação neste encontro é o de apelar à recusa completa de qualquer complacência com este discurso de guerra civil, agindo sem sectarismos, sem tibiezas e sem meias tintas, para que não se rompa a solidariedade com os portugueses que sofrem, que estão a perder quase tudo, para que a democracia, tão fragilizada pela nossa perda de soberania e pela ruptura entre governantes e governados, não corra riscos maiores.
Precisamos de ajudar a restaurar na vida pública, um sentido de decência que nos una e mobilize. Na verdade, não é preciso ir muito longe na escolha de termos, nem complicar os programas, nem intenções. Os portugueses sabem muito bem o que isso significa. A decência basta.
José Pacheco Pereira in Abrupto
http://abrupto.blogspot.pt/2013/05/mensagem-enviada-ao-encontro-da-aula.html … (FONTE)
ASSALTO CHINÊS ARRASA PENTÁGONO in “Inteligência Económica”
Um desastre total! Como revela o Washington Post, Pequim roubou tudo o que havia para roubar de segredos nos mais secretos recantos do Pentágono. As unidades militares chinesas de hackers assaltaram, nos últimos anos, o Pentágono como nunca acontecera e ficaram na posse dos planos das armas mais secretas dos EUA: todo o programa do F-35, o caça de nova geração e o mais caro da história, mas também a nova versão do F-18 Super Hornet, o helicóptero UH-60, o transporte híbrido V-22 Osprey (a meio caminho entre o avião e o héli), os futuros navios de defesa de costa da US Navy, uns revolucionários trimarans, as tecnologias e planos de defesa anti-míssil (Patriot e Aegis), os radares mais avançados… enfim, todos os sitemas de armas vitais, resultado de décadas de investimento em pesquisa e desenvolvimento e nque constituem o coração da supremacia americana. Para além do acesso às tecnologias, este roubo significa também que Pequim pode sabotar os sistemas de armas americanos ou, dito de outro modo, “so just like in the movie Independence Day, in theory Chinese hackers could use electronic warfare to give F-35 weapons systems a cold, make them sick, and essentially inoperable… Attacks would be expected to include denial of service, data corruption, supply chain corruption, traitorous insiders, kinetic and related non-kinetic attacks at all altitudes from underwater to space. U.S. guns, missiles, and bombs may not fire, or may be directed against our own troops”. Um desastre total que durou uma década: “entre 1999 e 2009, as portas estiveram abertas para a espionagem chinesa”.
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O auge do capitalismo de Estado
Se a América do Sul ainda aspira alcançar o desenvolvimento industrial, a inclusão social e a integração regional como processos duradouros e sustentáveis, a região não terá mais alternativa que subir à nova onda desenvolvimentista e abandonar as premissas privatizadoras do passado.
Eduardo Crespo*
Há alguns meses, na revista ‘The Economist’, está sendo debatida uma tendência internacional que a publicação nomeia com manchetes do tipo: “A ascensão do capitalismo de Estado”; “A volta da mão visível”; “A era do livre mercado chegou ao fim”; “O Leviatã está de volta”. E a melhor de todas: “O retorno da história”. Outras publicações como ‘Business Week’, ‘Financial Times’ e ‘Foreign Affairs’ fizeram eco do intercâmbio. Além disso, vários livros dedicados a esse tema já são best-sellers. Como acontece atualmente com tantos outros assuntos, o que motiva este debate é a ascensão econômica chinesa e as sérias interrogações que esse processo apresenta ao discurso econômico dominante das últimas décadas.
Fica complicado ao pensamento liberal interpretar um mundo cada dia mais permeado pela economia chinesa e pelas asiáticas em geral. Trata-se de organizações híbridas que combinam formas de propriedade incompatíveis com o paradigma dominante. Destas formas, a mais subversiva e irritante é a empresa pública. No período 2003-2010, um terço de todo o investimento estrangeiro direto registrado nas economias emergentes foi executado por empresas estatais e a porcentagem continua crescendo. Estas companhias ganham licitações para obras de infraestrutura em todos os continentes e simultaneamente adquirem, muitas vezes com a ajuda de fundos soberanos do Estado, empresas privadas estrangeiras.
No ranking das 2000 maiores empresas do mundo que a revista ‘Forbes’ publica se incorporaram 120 empresas estatais de 2004 até 2009. São estatais as 13 maiores companhias de petróleo e gás do mundo, avaliadas por suas reservas.
A China
Ao contrário do que proclama o pensamento econômico dominante, as elevadas taxas de investimento chinesas não encontram sua explicação na idílica frugalidade da “ética confucionista”, mas nas decisões de seus organismos estatais e empresas públicas que são responsáveis por aproximadamente 50% do total. As empresas públicas e mistas, por outra parte, representam cerca da metade do Produto Bruto não agrícola do país. A companhia estatal chinesa típica atua em escala global sem desatender critérios de rentabilidade privados, cotiza em Bolsa e é administrada por uma gestão profissionalizada. Os melhores graduados das universidades chinesas são majoritariamente monopolizados por estas corporações.
Excetuando o caso dos recursos naturais, onde está em jogo a apropriação de rendas, a ascensão deste capitalismo de Estado não coincide nesta ocasião com um assalto ao sector privado. O avanço destas companhias, ao contrário do que pregoa o discurso dominante, impulsiona o investimento e sustenta a inovação privada. Neste “novo capitalismo”, as empresas de particulares se integram nas redes que têm por centro instituições estatais como universidades, centros de investigação pública, forças armadas. O capitalismo chinês é uma formação social pragmática que ainda preserva várias ferramentas das economias “socialistas”, como a capacidade de planejamento com base em planos quinquenais. O pai do “modelo”, Deng Xiaoping, resumiu com maestria em sua célebre frase: “Não importa se o gato é branco ou preto, desde que possa caçar ratos”.
Ainda que os rasgos desse “modelo” sejam mais acentuados na China que em outros países, suas características fundamentais vão ganhando terreno em várias outras regiões do planeta, esboçando uma tendência mundial.
Estamos diante de uma mudança de época. Esta polêmica sobre o “modelo” chinês, ou asiático, não é equiparável às pequenas discórdias sobre questões fiscais ou cambiais que entretiveram a maioria dos economistas ocidentais nas últimas décadas. Tampouco se refere a uma mera questão distributiva. Este debate diz respeito a conceitos fundamentais como o Estado e o Mercado. Também põem em tela de juízo, depois de muito tempo na imprensa dominante mundial, os pilares que sustentam a riqueza das nações e a ascensão destas na escala do poder geopolítico mundial.
As críticas que alguns editores opõem a estas formas de capitalismo nas publicações referidas são verdadeiros monumentos à tenacidade ideológica. Em termos empíricos, é pouco o que podem objetar ao dinamismo chinês. As velhas alusões à corrupção e ao clientelismo estatais soam pouco críveis em vista dos escândalos associados com a última crise internacional e do insolente aumento da desigualdade que acompanhou as políticas neoliberais em todo o planeta. Não se pode reivindicar a transparência de um regime social que só favorece uma minoria.
Em termos teóricos, também não se sustenta a tese de que as empresas públicas absorvem recursos que seriam mais bem utilizados pelo setor privado. Como no idílico mundo da ortodoxia prevalece o pleno emprego, todo recurso utilizado em uma determinada atividade necessariamente é retirado das outras. No mundo real, pelo contrário, todo novo recurso que se emprega em uma atividade contribui para empregar outros recursos em outras atividades.
Os Estados Unidos
As peculiaridades da experiência asiática obrigam a repensar a relação Estado-mercado em todas as latitudes. Nos debates sobre modelos de desenvolvimento é comum que se aponte os Estados Unidos como um próspero contraexemplo de laissez faire e de intervenção estatal mínima. Entretanto, quando se realiza um escrutínio mais exigente, surgem evidências suficientes para afirmar que o Estado norte-americano pratica a política industrial mais ambiciosa e exaustiva do mundo.
O complexo militar-industrial-científico-acadêmico deste país domina a fronteira científica internacional desde a criação da Big Science (“ciência maior” ou “ciência em grande escala”), a complexa rede institucional que vincula a defesa nacional com a investigação básica e com as companhias industriais. Entre suas principais conquistas estão adaptar os resultados da investigação fundamental para transformá-los em tecnologia civil com destino comercial. Esta densa rede de universidades, laboratórios e centros de investigação, que operam junto a entidades civis e militares, é uma herança da Segunda Guerra Mundial e seus empreendimentos tecnológicos colossais, como o célebre Projeto Manhattan, do qual surgiram as primeiras bombas atômicas. Suas atividades depois se estenderam sobre o conjunto da economia (e da política) norte-americana mediante o financiamento decreto ou indireto de toda a atividade científica considerada estratégica.
Desde o pós-guerra fica difícil – se não impossível – identificar algum setor competitivo da economia estadunidense que não tenha surgido desta malha institucional. Convidamos o leitor a perguntar-se: quais são as inovações básicas desenvolvidas em exclusividade pelo setor privado? Neste caso, a particularidade dos Estados Unidos não é que a ingerência do Estado ali seja maior ou menor que em outros países, mas que invariavelmente são empresas privadas as que acabam colhendo os frutos comerciais do impulso público à inovação. Os analistas que falam de um estado mínimo nos Estados Unidos parecem não advertir que o aparato militar norte-americano está presente em quase todos os cantos do planeta.
O Leviatã nos Estados Unidos não volta. Ele nunca foi embora.
A América do Sul
Durante o auge neoliberal, ao contrário, as elites da América do Sul, em diferentes graus, aceitaram desmantelar as instituições desenvolvimentistas. Inclusive no país aonde o desenvolvimentismo chegou mais longe, no Brasil, Fernando Henrique Cardoso, em um discurso de 1994 às vésperas de assumir como presidente declarou que chegava para terminar com a “Era Vargas”. Esta etapa se estendeu dos anos 30 até a crise da dívida externa dos anos 80 e se distinguiu por uma generalizada “intromissão” estatal na economia e pela criação de grandes empresas e organismos públicos. Vinte anos depois é forçoso perguntar-se: o que seria da economia brasileira sem a Petrobras, a Vale, a Embraer, a Embrapa e o BNDES, todas elas criações dessa era de desenvolvimentismo estatal que devia ser sepultada?
E, no caso argentino, as perguntas não são diferentes. Além de tudo aquilo que temos como um presente da natureza, que novas atividades devemos à iniciativa privada desde que começaram a soprar os ventos privatizadores? Inclusive o mesmíssimo pacote tecnológico do boom exportador argentino, a soja transgênica e o herbicida todo terreno, não foram gestado por nossos irritados agricultores, mas por um provedor do exército estadunidense, beneficiário do programa nacional ianque.
É relevante enfatizar que a importância da ingerência pública nunca se refere a um dilema entre empresários maus contra Estado bom. Trata-se de uma questão de velocidades. Os grandes saltos que o desenvolvimento capitalista impõe, como a inovação fundamental, ou a superação do subdesenvolvimento por um país ou uma região, requerem tarefas hercúleas, que se são deixadas ao arbítrio da iniciativa privada, ou demandam séculos para serem executadas ou jamais são concluídas.
Haveriam florescido a comunicação por satélite, a energia nuclear, os computadores ou a Internet em um mundo organizado por sinceros admiradores de Vargas Llosa?
Cabe interrogar-se pelas tarefas pendentes na América do Sul. Se ainda aspira alcançar o desenvolvimento industrial, a inclusão social e a integração regional como processos duradouros e sustentáveis, a região não terá mais alternativa que subir à nova onda desenvolvimentista e abandonar as premissas privatizadoras do passado que ainda continuam pesando nas interpretações e nas políticas que são executadas (ou que se deixam de executar) no presente.
Ao contrário, se optarmos por continuar na direção (mais cômoda) que impõe o “mercado”, o mais provável é que sigamos avançando, mas a passo de tartaruga, como provedores de matérias-primas para o capitalismo de Estado que nos arrasta da Ásia.
* Graduado em ciência política e em economia na Universidade de Buenos Aires (UBA) e professor da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro.
Tradução: Liborio Júnior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22104 … (FONTE)
Cavaco Silva e o insulto do cronista | Ferreira Fernandes in “Diário de Notícias”
“Uma coisa é chamar-lhe “burlesco” ou “cómico” ou qualquer outra palavra similar, tanto essas palavras estão – infelizmente, mas é assim – conotadas com os políticos. Mas o que o cronista disse ontem fere o homem público no âmago do que ele faz, desqualifica-o na sua função: “Sozinho, completamente sozinho, o dr. Cavaco Silva conseguiu arruinar a Presidência da República. A Presidência da República não tem hoje autoridade, influência ou prestígio”, foi dito por Vasco Pulido Valente, ontem, e publicado no Público.”
Ler mais:
A lição de Friedman in “Inteligência Económica” | Geopolitical Journey: Europe, the Glorious and the Banal
A câmara de Sagres tem a obrigação de dar a melhor medalha municipal (se não tem, invente) ao nosso amigo George Friedman. O patrão da Stratfor (e um dos mais brilhantes analistas do presente e antecipadores de futuro) acaba de voltar a colocar Sagres no mapa global e, como é costume, fá-lo de modo brilhante e absolutamente singular. Friedman, que recentemente nos visitou, dá uma magistral lição aos Portugueses (e ao Mundo) e este seu texto deveria ser de estudo obrigatório nas nossas escolas de Politica, Geopolítica e Relações Internacionais. Registo.
Ler texto integral aqui:
Holanda pode provocar o colapso do euro
A bolha imobiliária estourou, o país está em recessão, o desemprego sobe e a dívida dos consumidores é 250% do rendimento disponível. O grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente começa a provar o amargo da sua própria receita. Por Matthew Lynn, El Economista
Artigo | 13 Maio, 2013 – 20:57
A Holanda começa a provar o amargo da austeridade que o seu ministro das Finanças quer aplicar em toda a Europa. Foto By Rijksoverheid.nl [CC0], via Wikimedia Commons
Que país da zona euro está mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infetado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.
Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Atualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.
Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser otimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro.
Matthew Lynn é diretor executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Publicado originalmente em El Economista, republicado em Jaque al Neoliberalismo.
Citando André Macedo in “Diário de Notícias”
(…) O antigo e o atual primeiros-ministros encontram-se no avião. Têm duas horas de viagem pela frente. Podiam falar. Além dos embates televisivos, será que alguma vez se sentaram sozinhos e trocaram ideias? Não haverá até benefícios mútuos e coletivos? Não há aqui um dever político de relacionamento? Um protocolo que se deve manter até quando tudo arde? Eu diria que sim. Há uma obrigação de convivência institucional que, a acontecer, nos tornaria a todos um pouco mais cooperantes e, por isso, confiantes. Não é hipocrisia, é um dever de salubridade. Num país onde há cada vez menos confiança nos políticos, onde é tudo reduzido a escaramuças partidárias, pobreza e vingança, havia naquele voo de Paris uma oportunidade qualquer de normalidade – já nem digo de grandeza – que não se concretizou. Um à frente, outro atrás; um no presente, o outro no passado; ambos com o futuro incerto, como nós. Nem em business nem em económica, Portugal viaja no porão.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3221955 … (FONTE)
Antecipe, Paulo Portas, e… salvar-se-à in “Inteligência Económica”
– “O cenário saído destas eleições é o pior possível, o Paulo está condenado a ir para o Governo e, nas condições em que vai, ele sabe perfeitamente que isso é suicídio… E não pode fugir a ir para o governo e nem a fazer a coligação. Com estes resultados, um acordo de incidência parlamentar está fora de questão e o único aliado possível é o PSD. São, de facto, os piores entre os possíveis, estes resultados.”
Ler mais:
http://inteligenciaeconomica.com.pt/ … (FONTE)
Sérgio Sousa Pinto entrevistado por São José Almeida e Nuno Sá Lourenço, no Jornal Público.
«O problema de credibilidade não é uma invenção do meu espírito, resulta dos estudos de opinião. É incompreensível que, em face das políticas que vêm sendo impostas ao país, os estudos de opinião reflictam um crescimento tão modesto do PS. A minha preocupação tem menos a ver com essa circunstância, que já de si merece reflexão, mas com o facto de eu temer que, uma vez que haja eleições e haja uma alteração do poder em Portugal, o PS não esteja em condições para protagonizar uma verdadeira alternativa. Considero que se o PS não for bem-sucedido, não trouxer uma ruptura, uma alteração corajosa em relação ao que temos, corremos o risco de que se esgotem as soluções disponíveis na Segunda República, porque não vejo para onde poderá o eleitorado português transferir a sua esperança. […] As nossas elites várias vezes na História falharam ao país… Não quero adiantar essa reflexão sobre as elites, mas há uma coisa curiosa que posso dizer: ao longo da minha vida, frequentei universidades muito boas, algumas de elite, escolas privadas… O sítio onde eu vejo menos alta-burguesia, verdadeira burguesia, onde eu vejo menos burguesia é na Assembleia da República. Isto diz muito sobre onde é que está o poder.»
http://daliteratura.blogspot.pt/2013/05/citacao-444.html … (FONTE)
” O Movimento das Forças Armadas e as sereias”
…. O antigo Regime, filho de um golpe militar que cedo se desviou do seu inicial neutralismo ordeiro para se converter num dos pilares da nova ordem antidemocrática, soube cultivar com cuidados de jardineiro babilónico a lisonja hiperbólica ao Exército redentor. Esta orgia de louvores foi durante dezenas de anos prato obrigatório e sem resistência. Não houve oposição cívica,eleitoral ou militante que o regime defunto não exorcizasse,cobrindo-se de alto a baixo com referência TABU ao papel do Exército na instauração do Estado Novo. Manobra óbvia e repelente, nunca a oposição a soube neutralizar com êxito. Nem era daquelas que, de fora, se neutralizam, como se viu. Foi o lisonjeado que acabou por se enjoar de tanto suspeito mel. Mundo à parte no seio da Nação, embora sua emanação primitiva, o Exército, ajudado pela prática histórica africana, acabou por compreender o papel da lisonja cultivada ou da auto-idolatria em que o Fascismo o instalara para melhor o utilizar e subsistir. A idolatria aberrante e ritual não o engrandecia, COMPROMETIA-O e ISOLAVA-O dos interesses globais do nosso Povo. Todos os seus valores de referência, sentido do interesse nacional, culto da generosidade activa e da isenção pessoal, coragem física e moral eram subtilmente desviados dos seus fins próprios para encarecimento de uma obra baseada em princípios opostos. Nunca houve entre nós uma tentativa mais bem lograda para corromper uma instituição através das suas próprias virtudes do que aquela que o Estado Novo, com constância digna de melhor fim e conivência de uma boa parte da hierarquia militar, filtrada por disposições maquiavélicas, soube levar a cabo, para mal da Nação e desespero dos seus cidadãos ávidos de liberdade……..
in EDUARDO LOURENÇO (1975) – OS MILITARES E O PODER seguido de O Fim de Todas as Guerras e a Guerra Sem Fim. Gradiva (ed)(2013),146
É O MOMENTO DE AGIR por José Loureiro dos Santos* in “Público”
Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.José Pacheco Pereira | (…) o caminho para a desobediência civil | In blog “ABRUPTO”
Hoje é um dia em que a politiquice, a pura coreografia política, a ilusão, o dolo, vão atingir limites de insulto a todos os portugueses que estão a empobrecer. Esta dança entre Passos Coelho e Portas (e deliberadamente escrevo antes de Portas falar) é a utilização da comunicação social e de alguns truques demasiado conhecidos para “todos se sairem bem”, com o objectivo de nos distrair e enganar. É corrrupção das mentes, tão grave quanto a dos bolsos, é exactamente tudo aquilo que desagrega velozmente uma democracia. Metáforas habilidosas, recursos semânticos de um autor de títulos de soundbyte, frases que pretendem ser virais, desculpas apresentadas como vitórias, imagem, imagem, imagem, vaidade, vaidade, vaidade. E pequenez disfarçada de esperteza.O Cidadão Lúcido em Vez do Consumidor Irracional | José Saramago
Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.
José Saramago
1994 – Cadernos de Lanzarote
A geopolítica | Jorge Nascimento Rodrigues
“Em momentos de bloqueio, só uma decisão geopolítica nos safa…” Claro, a geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo. Até para a entrada na Europa da então CEE… Em 1985, não percebemos (o então embaixador em Bonna, Ernâni Lopes, percebeu-o, porém, muito bem, tal como Mário Soares) que só pela porta da geopolítica nos deixaram entrar nessa Europa. Meia-dúzia de anos depois (pós-queda do muro e implosão da URSS) já não nos teriam deixado entrar… Nós temos uma das mais interessantes e importantes situações geopolíticas da Europa e do Atlântico, não temos, porém, tido nas últimas décadas a inteligência e o conhecimento (nem sequer a dimensão simbólica…) para a saber potenciar e usar as suas imensas ‘vantagens comparativas’. A geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo… E terá de voltar a sê-lo.
Jorge Nascimento Rodrigues
1º de Maio, Festa do Trabalho
1er mai, Fête du Travail
Les dieux avaient condamné Sisyphe à rouler sans cesse un rocher jusqu’au sommet d’une montagne d’où la pierre retombait par son propre poids. Ils avaient pensé avec quelque raison qu’il n’est pas de punition plus terrible que le travail inutile et sans espoir.
Albert Camus, Le Mythe de Sisyphe
En image – Sisyphe roulant éternellement son rocher, Abel de Pujol, 1819
O medo está ao leme por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES in “Diário de Notícias”
O Presidente da República leu no 39.º Aniversário do 25 de Abril o mais aporético e contraditório discurso da história da III República. Denunciou a incompetência da troika, mas saudou o doloroso cumprimento do seu insensato programa pelo esforçado povo português. Apelou a uma mudança do rumo da Europa, mas concordou com a tese do Governo que condena a nação a carregar a albarda dos credores até ao fim dos tempos. O discurso de Cavaco, com as suas oscilações de 180º, é um raro exemplo do medo como política pública. O País está à deriva, pois quem toma decisões está paralisado pelo pânico, em estado quimicamente puro. A única maneira de a História ser benevolente para com Cavaco Silva, o político que deu rosto a todos os pecados e omissões da III República, é a de ela nunca ser escrita. Seria a benevolência do esquecimento, resultante do desaparecimento de Portugal como sujeito histórico, como lugar onde a aventura da vida comum se cristaliza em memória. Será essa a esperança do Presidente?
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3188363 … (FONTE)
Era uma vez os intelectuais | António Guerreiro
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Numa das suas últimas crónica, no “Público”, fazendo uma crítica feroz deste Governo, J. Pacheco Pereira evocava “os intelectuais” e a tarefa que Emerson lhes atribuía: anular o destino, pelo pensamento. Pacheco Pereira é suficientemente lúcido, culto e conhecedor da história para não cair na nostalgia pelos intelectuais universais do tempo das visões do mundo, a que muita gente se abandona ciclicamente. Ele sabe muito bem que esse intelectual universal, que desempenhou um papel tão importante no final do século XIX e princípio do século XX, deu lugar a uma outra figura a que Foucault chamou o “intelectual específico”, com outro significado político. Mas o facto de evocar a obrigação do antigo intelectual – recordando também os erros e os crimes de que este foi autor ou cúmplice – mostra que se tornou inevitável, em certas circunstâncias, revisitar esta figura depositada nas caves da história, quando as circunstâncias reclamam mais do que escritores, artistas e filósofos que se limitam a gerir as regras autónomas do seu próprio campo.
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Como mostra Bauman num livro sobre a “decadência dos intelectuais”, estes passaram de legisladores modernos a intérpretes pós-modernos, e a elite intelectual é hoje um grupo social que se ocupa preferencialmente de si ou, na melhor das hipóteses, do sector específico a que pertence. Assim, a cultura já não pode ter uma função crítica relativamente à sociedade, pondo em confronto valores e modos de vida, na medida em que se tornou um mero sector ‘produtivo’, rendido às argúcias teológicas da mercadoria como fetiche. Sob administração de burocratas e comissários políticos que só pensam em termos de consenso, este território inofensivo luta apenas para se manter e reproduzir. A sua tarefa é fazer a síntese total, onde tudo é compatível com tudo, e não a cesura crítica que “anula o destino”.
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Atual, Portugal, 1.12.2012.
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GIRO DO HORIZONTE – O PARCEIRO BOM DO ARCO DA GOVERNAÇÃO – por Pedro de Pezarat Correia
Há uma manobra em marcha nos escombros da política nacional, às vezes mais camuflada, outras vezes mais descarada, que merece ser seguida com alguma atenção e com não menos preocupação. De resto nem sequer é totalmente inédita, tem antecedentes, que radicam mesmo no limiar do sistema democrático desta Segunda República Constitucional.
A manobra passa por fazer crer que, neste (des)governo Passos Coelho/Paulo Portas há, desde a sua posse, o parceiro bom e o parceiro mau. É um pouco a reediçãoda história do bom ladrão e do mau ladrão. O parceiro mau é o PPD/PSD, o partido maioritário do primeiro-ministro e chefe do bando, do Miguel Relvas oportunista e sinistro manipulador dos bastidores políticos e de Vítor Gaspar, o frio tecnocrata e infiltrado da tróika no executivo nacional onde impõe as receitas da austeridade custe o que custar. O parceiro mau é o da insensibilidade social, que despreza as pessoas, impõe a ditadura das finanças, falha todas as previsões, joga despudoradamente com o desemprego galopante como factor determinante do modelo económico que perfilha, a competitividade externa baseada em baixos salários.
O parceiro bom é o CDS/PP, o partido minoritário de Paulo Portas que se serve do seu cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros para se por a recato nos momentos mais comprometedores, dum ministro da caridadezinha que tenta passar despercebido e distanciar-se dos calamitosos efeitos sociais dos golpes desferidos contra o Serviço Nacional de Saúde, contra a Escola Pública, contra o factor trabalho, contra os direitos mínimos dos desempregados, dos doentes, dos aposentados. O parceiro bom é o que tenta transmitir a imagem do sacrificado, do que está no governo sem prazer e sem benefícios mas por missão, que reconhece os pecados da governação mas se esforça por minimizá-los, que tenta introduzir as boas medidas ou atenuar as más medidas. Preocupa-se com o desemprego mas não domina a pasta da economia, é contra os enormes aumentos de impostos mas não tem nada a ver com a pasta das finanças, empenha-se no fomento das exportações mas vê-se bloqueado pela ineficácia do responsável pela economia, pela avareza do senhor das finanças, pela incompetência do chefe do governo. É contra a marginalização da oposição e dos sindicatos, pelo diálogo aberto, maschoca-se com a arrogância e a inépcia do parceiro maioritário. Apela por uma remodelação profunda do executivo, mas contenta-se com um superficial arranjinho. É muito sensível às carências, às desigualdades, às ruturas sociais, mas não pode levar as críticas às últimas consequências para evitar abrir uma crise política. O parceiro bom intriga nos corredores, lança recados pela comunicação social, deixa pairar ameaças, mas acaba sempre por ceder. Por necessidade. Por patriotismo.
Este é o quadro que se pretende exibir e que tem como principal promotor, obviamente, o CDS/PP e o seu inteligente mentor, Paulo Portas. Nada de novo.
O mais interessante é que o principal destinatário desta mensagem não só se mostra receptivo como até, por sua iniciativa, se encarrega de a alimentar. Também aí, nada de novo. É recorrente, no discurso do PS, a tentativa de demarcar o CDS do PSD, o bom do mau. E não apenas com a intenção de tentar fragilizar a coligação, dividi-la, provocar a rutura. O objectivo é mais longínquo, visa o pós-governo, assegurar o parceiro à direita, no mal-afamado “arco da governação”, quando de novas eleições lhe vier a cair no regaço um poder precário de maioria relativa.
O CDS está na mesma jogada. A sua ambiguidade de parceiro bom num governo péssimo visa assegurar a futura aliança com o PS. A lógica do arco da governação que tanto gosta de proclamar é essa, manter-se como parceiro menor, mas pivot da alternância entre PS e PSD. É este o pilar do maquiavelismo realista de Paulo Portas e já está em marcha.
O eleitorado português tem embarcado neste equívoco e com que preço. Tarda a acordar para a dura realidade, a ver que tem sido este arco da governação que, desde 1976, vem sistematicamente cavando o buraco em que nos vimos enterrando. É um arco em túnel e sem saída.
15 de Abril de 2013
Andaluzia decreta função social da propriedade e expropria bancos
É um acontecimento histórico o que se está neste momento a passar no Estado Espanhol, onde um movimento de massas se organiza para defender o direito à habitação e conseguiu demonstrar que quando se luta, com tenacidade e persistência, se conseguem vitórias.
(…)
Portugal não pode ter êxito sem mudança no enquadramento europeu | Maria João Rodrigues
Portugal não pode ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu, defendeu nesta sexta-feira Maria João Rodrigues, conselheira do presidente da Comissão Europeia, na conferência “Portugal na Balança da Europa e do Mundo”.
Portugal só poderá superar a crise em que se encontra se a União Europeia avançar no sentido de completar a união económica e monetária, defendeu a economista, acrescentando que o Governo português devia apresentar uma proposta nesse sentido nas instâncias europeias.
“Não podemos ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu”, disse Maria João Rodrigues, acrescentando que a crise está actualmente a gerar níveis de divergência inaceitáveis entre os países da zona euro.
“Já não é um problema de crise financeira e um problema de crise da integração europeia”, declarou Maria João Rodrigues, para quem “o mais urgente é completar a união bancária e normalizar o acesso ao crédito nas empresas dos países da zona euro em situação problemática”
“O modelo português tem de ser mais competitivo, não pela via da compressão de salários mas da criação de produtos de valor acrescentado. Há ajustamentos a fazer mas não podemos pôr em causa funções sociais do Estado”, defendeu.
“O nosso objectivo central é evitar cair na espiral recessiva para consolidar as finanças públicas, o crescimento e o pleno regresso aos mercados. O caso português pode dar um contributo para resolver o problema europeu e temos o capital de contribuição para a construção europeia que nos permitirá ser ouvidos”, afirmou ainda.
http://www.publico.pt … (FONTE)
A opressão para-totalitária da classe política em relação ao povo | Orlando Braga in “Perspectivas”
A classe política decidiu que vivemos em liberdade, e como que por acção de uma varinha mágica, passamos a “viver em liberdade”.
Mas a verdade é que não é porque a classe política “decide” que vivemos em liberdade que, por sua alta recreação, passamos de facto a viver em liberdade. Para que vivamos em liberdade não chega a manipulação sistemática da opinião pública por parte da classe política: é preciso também que a classe política respeite o senso-comum e uma ética racional.
Quando a opinião pública muda tão rapidamente como tem mudado em assuntos tão diversos como a submissão canina e indigna à União Europeia ou ao “casamento” gay, então, ou a opinião não mudou de facto, ou a sociedade não é livre — porque a opinião pública, numa sociedade que seja de facto livre, não muda com a rapidez que tem mudado nos últimos dez anos. Já não vivemos em democracia; e a “liberdade” é apenas aquilo que a classe política quer que seja.
A classe política — tal como Rousseau preconizou mediante o conceito abstracto, abstruso e absurdo de “vontade geral” — “obriga os cidadãos a serem livres”. O povo é obrigado a ser livre em conformidade com o conceito exclusivista de “liberdade” imposto pelas elites.
O Inferno de Dante capitalista e pós-moderno | António Pinho Vargas
Os media, as tvs, tratam com o mesmo entusiasmo, todos os acontecimentos que seleccionam como se todos tivessem a mesma importância. A expressão que há uns anos se tentou introduzir na área cultural, “indústria de conteúdos”, que, aliás, desapareceu com a mesma velocidade com que foi introduzida por algumas luminárias industriais, aplica-se com mais propriedade a esta máquina diária de produção de eventos; o que disse fulano é tratado como o que disse sicrano; a crise financeira de Chipre tem a mesma importância da crise financeira do Sporting; a remodelação de dois ministros é tratada como idêntica – como assunto propulsor de discursos – a uma manifestação de um milhão de pessoas; a gritaria da Assembleia de manhã é transposta para uma pequena gritaria à noite em vários canais em simultâneo sobre os mesmos assuntos que foram discutidos à tarde. E todos, mas todos os “acontecimentos” servem para uma tempestade imparável de comentários, debates, entrevistas, seguidas de análises das entrevistas anteriores e assim sucessivamente. Com uma variante: a crise de todos os dias é suspensa todas as segundas-feiras para se juntarem vários grupos de 3 pessoas e falarem de futebol à mesma hora, não de futebol propriamente dito, mas da vária miséria que anda à sua volta, da qual esses programas fazem parte integrante.
O inferno não deve ser muito diferente de tudo isto (somado multiplicado, amplificado e eternizado).
Quanto tudo é equivalente a qualquer outra coisa é o mesmo que qualquer coisa ser equivalente ao nada.
Claro que não é verdade. Mas parece. É uma indústria de “conteúdos” florescente, produtora de um stress síncrono no qual todos participamos (dentro ou fora) com maior ou menor alegria, ou com maior ou menor fúria.
Falta apenas um aspecto a constatar: a arte nunca existe.
António Pinho Vargas
Miguel Real | Nova Teoria do Mal
Estamos a matar o homem europeu, que construiu a civilização mais racional, mais humanista, mais liberal que existiu na terra, que misturou raças, criou a democracia, a vontade popular democrática, criou a Carta dos Direitos Humanos, a Carta dos Direitos da Criança, defendeu os Direitos Ambientais.
Uma Europa de que a última tentativa de ser resgatada foi o projecto de comunidade europeia. E os valores portugueses e europeus estão a ser mortos por uma geração de economistas, que substitui o homem pelo número. Podem dizer que isto é demagógico, mas é a verdade.
[…] Hegel disse que a China estava a dormir há três mil anos, agora é a Europa que ficará a dormir, três mil anos ou mais. Como homem europeu, sinto revolta.
Miguel Real, in Nova Teoria do Mal
Pode ser | Luís Novaes Tito
Enquanto a Europa dá sinais de senilidade global ao tentar apropriar-se das poupanças (e da inevitabilidade dos cidadãos terem contas bancárias onde se vêm obrigados a guardar os ordenados que não lhes chegam para as contas do fim do mês) o poder luso perde-se em discursos idiotas destinados a salas vazias proferidos pelo chefe do governo e o Ministro de Estado e das Finanças declara que o acordo com a tróica foi mal equacionado depois da tróica o acusar dos falhanços decorrentes da política do “ir além da própria tróica”.
No meio de todo este descalabro salva-se o Jesuíta que proclama a necessidade de cuidarmos uns dos outros dando a entender que isso não tem a ver com a nossa disponibilidade pontual para cuidar, mas antes com a necessidade permanente de cuidados dos nossos próximos.
O Mundo político está cada vez mais mal frequentado. Talvez a Igreja Católica reabra o caminho da esperança e da solidariedade que os agnósticos do dinheiro esqueceram quando deixaram de entender que nas quatro operações aritméticas está incluída a divisão.
LNT
http://barbearialnt.blogspot.pt/2013/03/pode-ser.html … (FOTO)
PEC IV, dois anos depois | Tiago Barbosa Ribeiro
Foi há 2 anos que um grupo de dirigentes políticos impreparados, desgastados por sucessivas derrotas eleitorais e formatados num liberalismo doutrinário, viram no chumbo do PEC IV a possibilidade de precipitação de uma crise política. Com isso conseguiriam também obter cobertura externa para o seu programa, construindo uma poderosa narrativa que os desresponsabilizaria na crise.
O PEC IV não era um passe de mágica nem, tão pouco, inclua as medidas que o PSquisesse aplicar ou que fossem confortáveis para qualquer socialista: não eram. Não são. Eram, todavia e à época, as medidas possíveis de um Governo socialista isolado de uma economia periférica numa Europa guinada à direita, atravessando uma convulsão financeira mundial, com instrumentos limitados por uma integração monetária assimétrica.
O contexto nacional era de progressiva reorganização das forças financeiras e económicas, antecipando uma queda do Governo socialista minoritário. Pouco antes, desde 2008, com o estouro da desregulação mundial e a queda dos gigantes da finança norte-americana, a Comissão Europeia estimulava políticas expansionistas e de investimento público para combater a recessão – o que de facto foi conseguido -, agravando o défice e a dívida de todos os países europeus. A Alemanha, que viu nesta crise a oportunidade histórica de impor a sua hegemonia política e financeira na UE com pesados custos para o projecto europeu, rapidamente percebeu a oportunidade de fortalecer a sua economia estabelecendo os termos de troca nos restantes países e nas instituições europeias.
Desta forma, em relação a outros países, a excepção portuguesa foi a conjugação do pico da crise com a fragilização política do Governo de então, com um Presidente da República hostil e com a gula da banca pelas linhas de recapitalização de um programa de assistência, levando todos os principais banqueiros a uma inédita semana de entrevistas na televisão para forçar uma viragem política no país.
O PEC IV, de facto, permitiria o oxigénio possível até outras medidas por parte do BCE. Atendendo ao que entretanto sabemos de outros países, é bem provável que não tivéssemos chegado a um programa de assistência para toda a economia ou que as condições, nomeadamente de juros, tivessem sido mais vantajosas.
Dois anos volvidos, sabemos o que aconteceu. A direita não podia esperar e a esquerda à esquerda do PS, justiça seja feita, já tinha votado contra todos os anteriores PEC. O resultado foi a crise política e, com isso, a entrada definitiva de Portugal nos radares internacionais. O país foi despojado, os activos públicos foram vendidos a preço de saldo, os custos laborais baixaram pela via salarial, o desemprego disparou, o desespero grassa.
Portugal mergulhou numa tragédia económica e social sem fim à vista, os indicadores sociais recuaram décadas, temos o pior desempenho económico em 40 anos. As ideias dos que nos trouxeram até aqui estão enterradas, mas os resultados das suas políticas vão perdurar décadas.
Só poderemos virar esta página quando percebermos que o que estamos a viver resulta de opções políticas concretas, de programas, de doutrinas, de ideologia, e que o combate pela mudança faz-se também pela consciência muito clara dos momentos e atitudes que definiram a nossa história recente. Na altura, o Secretário-Geral da OCDE afirmava que «no caso de Portugal é sobretudo um problema político auto-infligido». Os números são indesmentíveis:
É por isso que o chumbo do PEC IV é um dos momentos mais marcantes da história portuguesa contemporânea que, por razões diversas, muitos querem ignorar. Infelizmente, quanto mais tempo passa, mais percebemos a sua importância para a definição do nosso futuro colectivo.
http://oportugalfuturo.blogspot.pt/2013/03/pec-iv-dois-anos-depois.html … (FONTE)
Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa | 9 de Abril de 2013 | António Sampaio da Nóvoa
Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país
“1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.
2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.
3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?
4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro.
Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.”
Lisboa, 9 de Abril de 2013
António Sampaio da Nóvoa
Reitor, Universidade de Lisboa
Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa (em formato pdf)
O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO (5) | José Pacheco Pereira
Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)
José Pacheco Pereira
O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO (3) | José Pacheco Pereira
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional , – do género “ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais”, – mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início. A cada revés, e todas as semans há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos. Como este tom punitivo é dos que melhor “comunica” com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
José Pacheco Pereira
http://abrupto.blogspot.pt/2013/04/o-material-tem-sempre-razao-3-o-tom.html … (FONTE)
O MATERIAL TEM SEMPRE RAZÃO (1) | José Pacheco Pereira
O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O governo já estava com dificuldades em “ir aos mercados”, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava a caminho de um segundo resgate, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava em crise profunda, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
“União Europeia morreu em Chipre” | VIRIATO SOROMENHO MARQUES – DN 26-03-2013
“Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida.
A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.
Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains.
A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”
Jacques Delors redoute une «génération perdue» européenne
Dans une lettre ouverte, l’ancien président de la Commission européenne Jacques Delors et l’ancien Commissaire Antonio Vitorino proposent un triple pacte pour garantir la croissance et sortir l’Europe de la crise. Ils craignent une « génération perdue ».
Depuis maintenant cinq ans, le drapeau européen est en berne. Crise économique, croissance nulle ou négative, taux de chômage qui ne cesse d’augmenter, budgets plombés, déficits affolants… Des mesures doivent être prises et c’est au niveau national comme européen. Tous embarqués dans un même bateau qui coule… Pour Jacques Delors, ancien président de la Commission qui a notamment mené les Européens jusqu’au traité de Maastricht et à la monnaie unique, il y a urgence à agir. « Si la croissance ne se décrète pas, elle peut être durablement affaiblie lorsqu’on bafoue quelques principes élémentaires, qui forment autant de pactes à respecter ». Il explique son triple pacte publié par le Huffington Post comme suit :
1. Stabilité et « confiance » financière
Il faut « consolider le pacte de confiance financier ». Selon lui, l’Europe a un grand besoin de consolider et restructurer son système bancaire. Prenant exemple sur la crise chypriote, elle-même de nature bancaire, et sur la manière dont elle a été gérée, il insiste sur la nécessité de garder un lien de confiance entre les banques et ses clients. Or, celui-ci a été mis à mal par la proposition de taxer les épargnants.
« Les autorités européennes ont commis une erreur d’appréciation en approuvant le principe d’une taxation de l’ensemble des dépôts placés dans les banques chypriotes, et pas seulement des plus importants d’entre eux. Elles ont su corriger cette erreur, qui a malheureusement affecté le pacte de confiance conclu entre les banques et leurs clients, au point de nourrir la crainte de l’extension d’un tel procédé à d’autres pays que Chypre ».
« Le fait de mettre à contribution les déposants les plus riches dans des cas extrêmes (comme à Chypre) ne saurait par ailleurs constituer un précédent, comme l’a rappelé la BCE. Il est en tout cas crucial que de telles décisions soient expliquées et assumées de manière claire et que leur caractère exceptionnel soit souligné à chaque fois : c’est aussi sur ce point que les autorités européennes et nationales ont été prises en défaut dans le cas chypriote »
Delors prône la mise en place d’une véritable union bancaire européenne. Au mécanisme de supervision des banques sous l’égide de la BCE qui est actuellement en train de se mettre en place, il explique qu’il est nécessaire de créer un mécanisme européen de garantie des dépôts et de résolution des crises bancaires.
2. Rigueur budgétaire « réaliste »
Pour ce faire, il faut selon lui appliquer le Pacte de stabilité de manière plus réaliste. La notion de déficit structurel, comme appliquée pour le budget belge, a ses faveurs. « Elles ont ainsi utilement ouvert la voie à l’octroi d’un délai plus réaliste pour le retour en dessous du seuil de 3 % de déficit pour des pays comme le Portugal ou la France, en tenant compte des efforts déjà engagés. Ces reports dans le temps ont avant tout des vertus conjoncturelles, puisqu’ils permettent de ne pas asphyxier la demande, et donc la croissance ».
Cela doit aussi conduire les autorités européennes « à s’engager dans la création d’un Fonds d’amortissement des dettes (…) Aider les pays européens à se délester ensemble de leur « vieille dette » contribuerait sans nul doute à conforter leurs perspectives de croissance, tout en redonnant espoir à leurs citoyens ».
3. Pacte pour la jeunesse
« La crise actuelle fait de nombreuses victimes, en particulier chez les jeunes : ils pourraient à terme former une « génération perdue », aussi bien pour l’UE que pour ses pays, alors même que la place qui leur est accordée est cruciale dans l’Europe vieillissante. Si mettre en œuvre un « pacte européen pour la jeunesse » n’est pas une idée inédite, c’est donc plus que jamais une urgence ».
Il pointe trois initiatives : l’initiative pour l’emploi des jeunes, la mise en place d’une « garantie européenne pour la jeunesse », permettant à l’UE d’aider ses États membres à offrir une formation ou un emploi à tous leurs jeunes ; enfin les programmes de mobilité de type « Erasmus », qui aident efficacement les jeunes Européens à se doter de compétences linguistiques et transversales, et dont il faut encore accroître le financement.
FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS | Tomás Vasques
FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (1). | «Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado – e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos.»
Ferreira Fernandes, no DN.
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FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (2).«No ano em que soubemos que uma quadrilha de amigos do Presidente não paga o que deve ao BPN e temos nós de pagar por eles, milhares de milhões, as pessoas escolhem odiar Sócrates.»
Clara Ferreira Alves, no Expresso.
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FRASES SOLTAS, MAS ENTRE PONTOS FINAIS (3).«Para memória futura: que fique registado que muita e boa gente defendeu, sem pudor, que José Sócrates devia ser silenciado para sempre.»
Miguel Sousa Tavares, no Expresso.




























