E DEPOIS ? | Maria Helena Ventura QUANDO O SILÊNCIO FALAR

Depois os vencidos

dormirão sobre os corpos

já mortos

e a vida dos que ficam

será uma canção

entrecortada pelo soluço

irreprimível.

E na moldura dos olhos

ficarão as penas

de aves abatidas

feitas legenda de guerra

repetida

na circulação sanguínea.

A tristeza habitará

para sempre

o coração das horas

num pulsar de crónica agonia

e as marés da vida

hão-de espumar o tempo

no desassossego.

Aonde param os entes queridos

embalados nas canções

de seda?

Dorme menino

que um dia foste o anjo

da mãe desfeita em prantos

de tormenta.

A vida flui?

Os automóveis

correm para lugar nenhum

que incertos todos os rumos

se tornam

no desenho circular

do desalento.

E as flores amarelas

da antiga Primavera

por entre o trigo verde

cedo se farão sangue

nos ocasos mornos

da agonia.

Crianças nascerão

adultas destilando lágrimas

das mulheres sós

a música trará

o acorde de lamentações

e e o amor

o amor viciado de máximas

profanações

será um fio de ouro

destilado da tristeza

fermentada sob a pele.

Ninguém pode sair ileso

do ódio desferido

como bomba

contra as entranhas da Terra.

Ninguém merece

o indigno ónus

da loucura

que fere gerações.

Tempo de se fazer a paz…

A PAZ.

Maria Helena Ventura – QUANDO O SILÊNCIO FALAR

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