Ucrânia: a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (2) | por Joffre Justino

“No creo en brujas, pero que las hay, las hay” 

O interesse Russo, estadunidense, Uesino/Alemanha/ França nunca foi tema escondido e merece uma reflexão atenta por aqueles que como eu estão cansados de ver os jogos palacianos nas grandes e médias potências terminarem em cenário de guerra planeta fora imposto por essas grandes e médias potências 

Hoje vivemos mais uma entre tantas guerras localizadas havendo no caso desta guerra ucraniana a particularidade de ser “uma guerra entre brancos” ( em Angola há um antigo dichote “são brancos que se entendam” ) e ser uma guerra na parcela europeia da Eurasia 

Sendo eu um cidadão que nos seus 71 anos viveu de 1961 a 2002 em ambiente de guerra e nela envolvido ou contra ela ( 1961/74) ou a apoiar os povos sofredores que procuram uma pacífica Independência ( 1975/2002) tenho de assumir uma significativa repulsa que sempre tive para com as guerras aprendido da pior forma numa viagem feita à Baixa do Cassange em Angola local onde o exército colonial português abriu a porta à guerra pela independência em vez de a abrir às negociações para uma Independência 

           “ A guerra é o maior fracasso da humanidade e ninguém em sã consciência pode deixar de condená-la. Não há como apoiar a destruição de vidas humanas, a separação de famílias e os dramas dos refugiados que a guerra acarreta. A operação militar russa que deu início a mais uma guerra neste século ainda tem um agravante. Ela nos traz de volta a ameaça nuclear e a sensação de impotência diante das grandes disputas geopolíticas pelo poder. E nos traz também uma pergunta incômoda: quem devemos condenar pela guerra? ( Régis Richael Primo da Silva, Devemos condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia? GGN) 

A citação acima é muito do que me angustia por mais este cenário de guerra morte deslocalização violenta das e dos cidadãos que acompanhamos mais uma vez via as tvês num oficial discurso que me faz em muito lembrar o suicida discurso salazarento onde o ditador em voz de cana rachada e no sofá sentado gritou algo como ‘para Angola em força” exasperado por ter perdido o espaço colonial Indiano 

Vamos ver como são as economias dos países envolvidos pois por aí descobriremos os jogos de interesse envolvidos e que nos cercam sendo que para muitos de nós nos cerca sem termos sequer o o direito à uma livre receção da informação 

Vejamos então , a começar a economia ucraniana o que permitirá até perceber a lógica de castigo desta invasão russa à Ucrânia que mais que matar destrói tecnologia nascida ao tempo da URSS e sustentada via as relações com a Federação Russa deixando para depois da invasão um país desestruturado 

E por tal obviamente especialmente dependente restando um país com um forte potencial agrícola e pouco mais!

Mas será essa somente a razão da invasão? 

Vejamos por ora, como primeiro caso,  a, 

Economia Ucrânia 

A economia do pós II guerra  da Ucrânia foi desenvolvida como parte integrante da economia maior da União Soviética na linha da auto denominada divisão internacional do trabalho mesmo ficando com uma parcela menor 16% na década de 1980 dos fundos de investimento da União Soviética e produzindo uma proporção maior de bens com um preço definido mais baixo, ( ah a divisão “marxista leninista” Internacional do trabalho) a Ucrânia produzia uma parte maior da produção total no setor industrial  com 17% e nos subsetores agrícolas com 21% da economia soviética. 

O certo é que esta transferência de riqueza da Ucrânia para o centro da URSS, , representou quinto do seu rendimento nacional, e financiou o desenvolvimento económico também  de outras Repúblicas Socialistas Soviéticas mas estabilizou a economia ucraniana no mercado soviético sem ter de sofrer a concorrência exacerbada planetária 

Além disso na verdade a Ucrânia sendo uma subpotencia no seio soviético beneficiou das conquistas de mercados feitas pelos exércitos soviéticos onde ela era parte forte como Angola e os restantes PALOP 

Findo o regime sovietista a economia ucraniana sentiu a forte pressão da economia mundo sem knowhow capaz de a ela responder depois de 70 anos dd economia estatista e correlacionado com outras idênticas economias estatistas e por isso no início da sua fase independentista a mesma  contraiu-se numa profunda desaceleração econômica, maior do que a de algumas das outras antigas repúblicas sovietistas  perdendo 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, com taxas de  inflação de cinco dígitos gerando uma enorme dificuldade vivencial para a maioria da população. 

Convivendo com a crise espalhada por toda a URSS a  vida quotidiana na Ucrânia tornou-se uma luta, principalmente para aqueles que vivem com rendimentos fixos, levando os cidadãos compensarem-se  fazendo com mais da metade dos ucranianos a regressaram à auto produção ao cultivo da sua própria alimentação comida, a manterem dois ou três empregos e muitos adquiriam necessidades básicas por meio de uma economia de troca direta.

Só em 1996 é que a Ucrânia retomou uma relativa  estabilidade económica  com a inflação a regressarem para níveis geriveis  ​​e a um lento crescimento e no início do século XXI, a economia começou a ver a economia crescer mais aceleradamente, e de novo  por via do aumento dos laços com a Rússia. 

No início do século XXI, sobretudo  jovens ucranianos residentes do oeste rural do país, partiram para descobrirem  oportunidades de emprego no exterior gerando alguma escassez  de recursos humanos na Ucrânia, e a fazerem com que as remessas dos emigrantes  ucranianos passassem a representar cerca de 4% do PIB do país.

Lamentavelmente a economia voltou a contrair-se significativamente em 2014 entrecruzada  com uma crise política que levou ao derrube do governo do pró-russo de Victor Yanukovich por entre um ambiente de violência gerada pelo conflito nazis germanofilos e ucranianos russofilos que levou a Rússia a anexar a Crimeia por via de um referendo e a apoiar limitadamente independentistas na região de Donbass contra os nazistas do batalhão Anzov crise que se manteve até hoje gerando 14 mil mortos até um cessar-fogo entre o governo ucraniano e as forças apoiadas pela Rússia obtido em fevereiro de 2015 

Os seus solos ricos e um clima favorável, fazem com que a produção agrícola da Ucrânia seja invejável com uma produção de cereais  e batatas entre as mais altas da Europa e situando-se entre os maiores produtores mundiais de beterraba sacarina e óleo de girassol e com setor pecuário a não deslustrar  do setor agrícola

A maior parcela de solos negros do mundo é

na zona de estepe florestal da Ucrânia torna-os  excepcionais  para o cultivo de trigo e beterraba sacarina, uma importante cultura industrial  e para além do trigo , a Ucrânia produz  cevada (principalmente para ração animal), milho (milho, para ração), grãos de leguminosas (também ração), aveia, centeio, painço, trigo sarraceno e arroz (irrigado, na Crimeia).

A Ucrânia é detentora de recursos minerais e complementares em altas concentrações e muito próximos uns dos outros com reservas de minério de ferro localizadas nas proximidades de Kryvyy Rih, Kremenchuk, Bilozerka, Mariupol e Kerch. a base da grande indústria de ferro e aço da Ucrânia e minérios de manganês a maior do mundo localizada perto de Nikopol carvão  betuminoso e antracito usado para coque a serem extraídos na região de Donets. 

As minas de carvão da Ucrânia estão entre as mais profundas da Europa com os riscos resultantes desta profundidade a contribuir para o aumento dos níveis de metano pois as explosões relacionadas ao metano já mataram muitos  mineiros ucranianos.

A exploração de petróleo e gás natural na Ucrânia levou à criação de um extenso sistema de transporte via condutos e a exportação pela URSS  de gás no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, fez surgir dois oleodutos na Ucrânia para levar gás para a Europa Oriental e Ocidental da Sibéria e Orenburg na Rússia e o petróleo do campo petrolífero de Dolyna, no oeste da Ucrânia, é canalizado a cerca de 65 km para uma refinaria em Drohobych, assim como o petróleo dos campos no leste da Ucrânia que é canalizado para uma refinaria em Kremenchuk o que fez aparecerem  linhas de petróleo com 1.100 km para fornecer petróleo do oeste da Sibéria às refinarias em Lysychansk, Kremenchuk, Kherson e Odessa, e um outro segmento de 675 km do Druzhba que atravessa o oeste da Ucrânia para fornecer petróleo siberiano a outros países europeus. 

Tal justifica do por si a importância para a Rússia mas as disputas entre a Ucrânia e a Rússia levaram ao cortar temporario do seu fornecimento o que afeta negativamente a Ucrânia e a União Europeia, que depende do gás e do petróleo desses oleodutos.

A indústria também  é um setor importante da economia ucraniana, tanto em produtividade e receita obtida com produtos fabricados no país a incluirem metais ferrosos, equipamentos de transporte e outros tipos de máquinas pesadas, uma variedade de produtos químicos, produtos alimentícios e outros bens.

A Ucrânia tem uma importante indústria de metais ferrosos e está entre os maiores produtores de aço do mundo com ferro fundido, aço laminado e tubos de aço a serem  produzidos principalmente na regiao de Donets o coração industrial do país.

A produção de camiões,  automóveis, locomotivas ferroviárias e vagões de carga, embarcações marítimas, turbinas hidroeléctricas e térmicas a vapor e gás e geradores elétricos a construção residencial e industrial a procura de  equipamentos de elevação e transporte e outras máquinas para a construção civil com dezenas de fábricas, em Kharkiv, Odessa, Lviv e Kherson, a  produzirem uma grande variedade de equipamentos agrícolas. 

A Ucrânia surge assim  como um produtor de armas com tradições apesar dos hipotéticos esforços desde 1991 para converter as instalações de defesa em produção não militar. 

A indústria ucraniana de equipamentos químicos, que produzia um terço da antiga produção soviética, situa-se em Kiev, Sumy, Fastiv e Korosten incluindo a coqueificação e a fabricação de produtos de coque, bem como a fabricação de fertilizantes minerais, ácido sulfúrico, fibras sintéticas, soda cáustica, petroquímicos, produtos químicos fotográficos e pesticidas.

Uma hipótese 

Surge-nos pois esta primeira hipótese – a rejeição da ligação à Federação Russa terá gerado uma reação de anulamento do knowhow e da tecnologia adquirida / desenvolvida no contexto imperial russo / sovietista / russo e daí o pouco interesse nas negociações nas cidades na capital no que a restante comunidade internacional venha a dizer ou fazer 

E claro o afastamento da RPChina de um tal projeto culturalmente pouco a ver com a super estrutura deste país um país dois sistemas o mais antigo império do Mundo que até desistiu de ser a potência que daria novos mundos ao mundo ( iniciou a Expansão e suspendeu-a dando oportunidade aos portugueses e espanhóis e aos Templários enfim ) para agora gerar a Rota do Cinto e da Seda 

E dramaticamente em tempo de Guerra de Gelo! 

Enfim… veremos pois muito falta ainda viver! … e se a hipótese estiver certa falta saber como viverá Putin o depois! 

Czar que é, não louco não ditador czar absolutista como o foi foi Joao o II que reinou Portugal 

Nada disto por ora tem a ver com uma guerra liberal versus iliberal há-os dos dois lados só que em diversas cambiantes e estruturações cultural / ideológicas! 

Joffre Justino

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