Poema | Blowin’ In The Wind | Bob Dylan

“Blowin’ In The Wind”

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must the cannon balls fly
Before they’re forever banned?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, and how many years can a mountain exist
Before it is washed to the sea?
Yes, and how many years can some people exist
Before they’re allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head
And pretend that he just doesn’t see?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Yes, and how many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, and how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, and how many deaths will it take ‘til he knows
That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind.

Bob Dylan | Just Like a Woman

Just Like a Woman
Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev’rybody knows
That Baby’s got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl
Queen Mary
She’s my friend
Yes, I believe I’ll go see her again
Nobody has to guess
That Baby can’t be blessed
Till she sees finally that she’s like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls
She takes just like a woman, yes
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl
It was raining from the first
And I was dying there of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what’s worse
Is this pain in here
I can’t stay in here
Ain’t it clear that
I just can’t fit
Yes, I believe it’s time for us to quit
But when we meet again
Introduced as friends
Please don’t let on that you knew me when
I was hungry and it was your world
Ah, you fake just like a woman, yes, you do
You make love just like a woman, yes, you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl
Compositores: Bob Dylan
Letras de Just Like a Woman © Bob Dylan Music Co.

Lettres à Anne (1962-1995) | François Mitterrand

francois

Les lettres de celui qui fut deux fois président de la République nous dévoilent des aspects totalement inconnus d’un homme profondément secret que chacun croyait connaître.

En 1962, un homme politique français de quarante-six ans rencontre à Hossegor, chez ses parents, une jeune fille de dix-neuf ans. La première lettre qu’il lui adresse le 19 octobre 1962 sera suivie de mille deux cent dix-sept autres qui se déploieront, sans jamais perdre de leur intensité, jusqu’en 1995, à la veille de sa mort.
Deux lettres, parmi des centaines, témoignent de la constance de cet amour.
15 novembre 1964 : « Je bénis, ma bien-aimée, ton visage où j’essaie de lire ce que sera ma vie. Je t’ai rencontrée et j’ai tout de suite deviné que j’allais partir pour un grand voyage. Là où je vais je sais au moins que tu seras toujours. Je bénis ce visage, ma lumière. Il n’y aura plus jamais de nuit absolue pour moi. La solitude de la mort sera moins solitude. Anne, mon amour.»
Et la correspondance prend fin le 22 septembre 1995 : « Tu m’as toujours apporté plus. Tu as été ma chance de vie. Comment ne pas t’aimer davantage?»

Croyances historiques, réalités religieuses | Régis Debray

regis

[Hors série Connaissance] Allons aux faits. Croyances historiques, réalités religieuses – Régis Debray. « C’est à renverser de vétustes perspectives qu’invite ce récapitulatif, dérangeant comme un réveille-matin.»

« En me donnant un micro pour deux séries d’interventions, l’une sur l’histoire, l’autre sur la religion, France Culture m’a permis de résumer et clarifier les travaux que je mène depuis maintes années sur diverses affaires temporelles et spirituelles.
Je ne saurais assez remercier sa directrice Sandrine Treiner de m’avoir ainsi donné l’occasion d’apporter ma petite pierre à l’édifice des Lumières, sous l’égide de la devise : “Rendre la Raison populaire”.
Vaste programme, qui exige d’inquiéter nombre de lieux communs, ce qui n’est jamais plaisant. Pourquoi? Parce que nous nous berçons de mots, toujours les mêmes, et que ces mots nous trompent.
L’histoire? Elle est censée nous découvrir la réalité des choses : elle nous dorlote avec de fausses croyances. Les religions? Elles sont censées nous raconter des blagues : bombes et couteaux nous découvrent de rudes vérités. Et si l’opium du peuple n’était pas là où l’on pensait? »

Régis Debray sera :
– le 19 octobre à 8h30 sur France Info pour l’émission “8h30 – Aphatie”
– le 19 octobre encore, à 22h40, sur France 2 dans “Hier, Aujourd’hui, Demain”

O Nobel de Literatura e Bob Dylan | Fernando Tordo

tordo-paiAssim como se toda a gente lê-se à brava, e principalmente em Portugal, vai de acabar com o resto do Bob Dylan e alegar que parece mentira que continuem a embirrar com o Lobo Antunes. Ainda há apenas um dia, um político que num determinado momento se demitiu de primeiro-ministro – enxovalhado também por todos os famosos “matemáticos ” portugueses por não saber fazer contas – viu-se içado como bandeira da eficácia, do conhecimento, da bondade, da experiência, enfim, o homem certo no lugar certo. Ainda foi no meu tempo de vida que vi um cantautor ser laureado Prémio Nobel da Literatura. E depois? Qual é a tão extraordinária surpresa? O malandro do Saramago não escrevia tão mal que nem sequer sabia o que era pontuação? Francamente. Andam 3 milhões de portugueses a ler tudo de fio a pavio do Lobo Antunes e agora vêm com aquele gajo da gaita dizer que o tipo é bom a escrever? Cantigas? Mas o que é essa merda?

Retirado do Facebook | Mural de Fernando Tordo

Bob Dylan | Nobel Prize for Literature | by Joan Baez

baez

The Nobel Prize for Literature is yet another step towards immortality for Bob Dylan. The rebellious, reclusive, unpredictable artist/composer is exactly where the Nobel Prize for Literature needs to be.

His gift with words is unsurpassable. Out of my repertoire spanning 60 years, no songs have been more moving and worthy in their depth, darkness, fury, mystery, beauty, and humor than Bob’s. None has been more of a pleasure to sing. None will come again.

Joan Baez

(photo credit: Ken Regan)

“Iracema” | Resumo e análise do livro de José Alencar | in “Guia do Estudante”

alencar-250Escrito em prosa poética, esse romance é um dos principais representantes da vertente indianista do movimento romântico e traça uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira

A narrativa de Iracema estrutura-se em torno da história do amor de Martim por Iracema.

Diferentemente do que ocorre em outros romances de José de Alencar, como O Guarani, o enredo de Iracema é aberto a interpretações. A relação entre Martim e Iracema significa a união entre o branco colonizador e o índio, entre a cultura européia, civilizada, e os valores indígenas, apresentados como naturalmente bons. É uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira.

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Tapada de Mafra | Cristina Carvalho

tapada-200Este livro divide-se em cinco partes distintas,

O Sagrado

O Dia Intervalo

A Noite

O Fogo e o Renascer

Existe um rapaz que um dia conheceu, num passeio de fim de semana, a Tapada de Mafra. Desde então nunca mais deixou de lá ir. Conheceu todas as aves, conversou com muitos animais, trepou às árvores mais altas, viajou na noite acompanhado de um dos seus maiores amigos, o bufo real Elvis; enfrentou os mistérios da floresta nocturna e diurna, percorreu caminhos, cercados, colinas e vales, decifrou e aprendeu a conhecer e a distinguir plantas e flores, os sons dos ribeiros, as vozes da mata. Percebeu as quatro estações, distinguiu o dia da noite, os sinais da noite, as movimentações dos astros, as manhas dos bichos maiores. Compreendeu a complexidade da vida e aproximou-se da morte no dia em que a Tapada de Mafra ardeu quase completamente, no ano de 2003, num dos maiores incêndios jamais vistos até então. Uma sucessão de histórias todas relacionadas com a floresta e seus habitantes, desde o brilho fantástico de uma nuvem de pirilampos à majestade do mais secreto lobo; desde a suave canção do riacho à força do trovão absoluto. O rapaz aprendeu a conhecer e a estimar o planeta Terra, esse ponto de luz que vibra e estremece entre outros milhares de pontos de luz no firmamento visível. Aquele onde nasceu e onde vai morrer.

As fotografias são de Nanã Sousa Dias

Capa e ilustrações de Teodora Boneva

Dia de lançamento a anunciar.

Homens Bons | Arturo Pérez-Reverte

arturoArturo Pérez-Reverte nasceu no ano de 1951 em Cartagena.
Licenciado em Ciências Políticas e Jornalismo, trabalhou durante doze anos no jornal Puebloe nove nos serviços informativos da Televisão Espanhola (TVE), sendo especialista em temas de terrorismo, tráficos ilegais e conflitos armados.
Foram muitos os prémios que ganhou na área da reportagem, nomeadamente o Prémio Astúrias de Jornalismo pela cobertura para a TVE da guerra da ex-Jugoslávia.
Há já alguns anos, este jornalista de profissão dedica-se exclusivamente à literatura.

SINOPSE

Na Europa do século XVIII, dois homens viajam em segredo. A sua missão? Levar para Espanha algo proibido: os 28 volumes da Enciclopédia Francesa de D’Alembert e Diderot. A delicada tarefa está nas mãos do bibliotecário don Hermógenes Molina e do almirante don Pedro Zárate, membros da Real Academia Espanhola. Mas estes dois académicos estão longe de imaginar as peripécias que os aguardam…

Da Madrid de Carlos III à Paris libertina e pré-revolucionária, com os seus cafés e tertúlias filosóficas, don Hermógenes e don Pedro embarcam numa intrépida aventura, repleta de heróis e vilãos, intrigas e incertezas. Com o rigor a que já nos habituou – e baseando-se em acontecimentos e personagens reais, Arturo Pérez-Reverte transporta-nos para a magnífica era do Iluminismo, quando a ânsia de liberdade derrubava a ordem estabelecida, e dá-nos a conhecer os heroicos homens que quiseram mudar o mundo com os livros.

Um romance sobre fé e razão, Teologia e Ciência, sombra e luz.

RODOLFO MIGUEZ GARCIA GARCIA | ONDE MORRE O QUARTO MARIDO?

rodolfo-200Ficou viúvo ainda novo, mas não por muito tempo. Tempo não lhe
faltava para procurar novo compromisso, já que outros não tinha. Tinha
debaixo de olho a antiga namorada que ficara viúva. Viúva já por três vezes,
murmurava-se em segredo. Em segredo o namoro foi rápido, que a paixão
fora forte. Forte suspeita pairava quanto ao destino do quarto marido. Marido
e mulher oficializam o acto e juntam os pertences. Pertences de três maridos
que fazem pequena fortuna. Fortuna maior é a do quarto que a agora não
viúva, agora ambiciona. Ambiciona ser de novo viúva, rica, poderosa e dispor
de tudo. Tudo por amor diz ela, tudo por dinheiro diz a vizinhança. Vizinhança que faz apostas sobre a duração do dito. Dito isto vão de viagem,
longa viagem que acaba sem regresso para ele. Ele, o quarto marido acaba
por morrer, e sem explicação, no quarto de núpcias.

Rodolfo Miguez Garcia  in “A Audiência Escreveu Um Crime”

De la Musique | Álvaro de Campos, in “Poemas”

Ah, pouco a pouco, entre as árvores antigas,
A figura dela emerge e eu deixo de pensar…

Pouco a pouco, da angústia de mim vou eu mesmo emergindo…

As duas figuras encontram-se na clareira ao pé do lago….

… As duas figuras sonhadas,
Porque isto foi só um raio de luar e uma tristeza minha,
E uma suposição de outra coisa,
E o resultado de existir…

Verdadeiramente, ter-se-iam encontrado as duas figuras
Na clareira ao pé do lago?
( … Mas se não existem?…)
… Na clareira ao pé do lago?…

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

banco17

O coito | Natália Correia

 

nataliaJá que o coito – diz Morgado –

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

de cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! –

uma vez. E se a função

faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

(Natália Correia – 3 de Abril de 1982 )

Retirado do Esquerda.Net

Estávamos em 1982 e a Assembleia da República debatia a despenalização do aborto. O então deputado do CDS, João Morgado, argumentou: «O acto sexual é para ter filhos». Natália Correia (na altura deputada eleita pelo PPD) subiu à tribuna para responder com um poema muito original. As gargalhadas obrigaram à interrupção dos trabalhos. O esquerda.net reproduz esta jóia da literatura portuguesa.

AS FABULOSAS HISTÓRIAS DA TAPADA DE MAFRA | Cristina Carvalho

tapada-200Nas livrarias a partir de 22 de Setembro

(…) Sou a maior ave de rapina nocturna do mundo inteiro! E a mais bela! E a mais silenciosa no voo!
No dia em que nasci, nesse dia em que o ovo estalou e o céu se abriu num todo claro e imenso consegui, por fim, espreitar a medo, cá para fora. Eu vivia, por essa altura, num emaranhado de babas gelatinosas e mal podia ser distinguido. Era um bico, apenas. Um bico aberto à sede e à fome. Neste mesmo dia em que apareci no mundo, nasceu também o meu adorado amigo. Eu fui um pássaro. Ele foi um homem.

(…) Logo que nasci, fiquei ali, meio fora, meio dentro da casca do meu ovo branco a piar, a piar num alvoroço doido de penas e líquidos gelatinosos que bordavam todo o redondo do ninho. E ouvia muito bem o potente som que a minha mãe emitia, aquele Hooooo Hooooo prolongado, suave e, ao mesmo tempo, poderoso e quente. Conseguia ouvir o som da minha mãe ainda que ela estivesse bastante longe, a caçar para me alimentar. Depois, já muito de noite, ela chegava com pequenos ratos pendurados no bico que largava perto de mim. Quando eu ainda era muito pequeno e sem forças, ela segurava o ratico e ali ficávamos, eu a petiscar o bicho e ela a segurá-lo para que eu me alimentasse devidamente.
(…)

Cristina Carvalho – excerto de “AS FABULOSAS HISTÓRIAS DA TAPADA DE MAFRA” – publicado por Sextante / Porto Editora.

Num Estado Livre | V.S. Naipaul

naipaulUm dos romances maiores de Naipaul. Duro, mas cheio de compaixão. Este livro começa por contar a história de um criado indiano em Washington, que adquire a cidadania americana, mas que sente já não fazer parte do grande fluxo da vida. Segue-se a história do caribenho de origem asiática em Londres: está perturbado, preso por homicídio, mas nunca saberá onde se encontra. A terceira e principal narrativa desloca-se para África, para um país ficcional parecido com o Uganda ou o Ruanda. As personagens centrais são dois ingleses, que no passado sentiam África como um continente libertador, que entretanto o deixara de ser. Em tempo de conflitos tribais, no meio de uma grande insegurança, os dois terão de empreender uma longa viagem.

A CULTURA E A REINVENÇÃO DA EUROPA | Fernando Paulouro Neves in “Notícias do Bloqueio”

palouroNa contingência das grandes crises, quando o horizonte de esperança parece diluir-se na descrença e no cepticismo, pouca coisa resta à “matéria dos sonhos” que a humanidade tece, para a humana respiração dos povos, a não ser voltar-se para aqueles valores (onde a cultura tem peso decisivo) que, por serem comuns à intemporalidade, não se perdem na efemeridade dos dias.

Na restrita janela onde estamos e se pode olhar o rumor do mundo, surge então a cultura como um fogo primordial, na sua dimensão libertadora das consciências, pão elementar do pensamento, força de um imaginário capaz de desfazer mitos, que acontecem sempre que o homem já não cabe na realidade e fica preso a atavismos. A projeção da cultura sobre as palavras e as coisas é a fonte de um pensamento com tal grau de racionalidade que até é capaz, como alguém disse, de tornar Sísifo feliz.

Não poucas vezes, foi a olhar para dentro desta ideia que se abriram caminhos de dignidade humana, conquistas irreversíveis de marca social, na obstinada recusa da negação do homem, que é a soma daqueles crimes contra a humanidade com a sua nomenclatura de valas comuns, com os seus cemitérios ao luar de gente que foi tratada como gado, com os holocaustos que foram muitas mortes de Deus (e da própria poesia!) ou com os gulagues, tudo infernos domesticados, inscritos na vida colectiva como fatalidades cirúrgicas — como agora se diz dos bombardeamentos! — organizadas pela História.

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A história de Pedro e Inês em cordel por Francisco Maciel Silveira | Adelto Gonçalves

   pedro-ines - 200                                                       I

            Quem não conhece a secular história de Pedro e Inês? Provavelmente, as novas gerações não a conheçam muito bem, mas, com certeza, já ouviram a expressão “agora Inês é morta” que equivale a dizer “agora é tarde demais”. Por isso, não custa nada dizer que é possível encontrar essa história em várias obras literárias, desde Fernão Lopes (1385-1459), cronista e guarda-mor da Torre do Tombo de 1418 a 1454, passando pelo poeta Sá de Miranda (1481-1558), até chegar ao grande Luís de Camões (ca.1524-1580).

Trata-se da história da infeliz Inês de Castro (1325-1355), nobre galega que foi para Portugal como aia de dona Constança Manuel, futura esposa de dom Pedro I (1320-1367), de Portugal. Se há uma história de amor marcante na História de Portugal, como a de Romeu e Julieta, tragédia do poeta inglês William Shakespeare (1564-1616), essa é a do amor proibido entre o infante d. Pedro e Inês de Castro.

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So Long, Marianne | Leonard Cohen

Um hino ao Amor | Rest in Peace Marianne Ihlen
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Come over to the window, my little darling,
I’d like to try to read your palm.
I used to think I was some kind of Gypsy boy
before I let you take me home.
Now so long, Marianne, it’s time that we began
to laugh and cry and cry and laugh about it all again.

Well you know that I love to live with you,
but you make me forget so very much.
I forget to pray for the angels
and then the angels forget to pray for us.

Now so long, Marianne, it’s time that we began …

We met when we were almost young
deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
as we went kneeling through the dark.

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

Your letters they all say that you’re beside me now.
Then why do I feel alone?
I’m standing on a ledge and your fine spider web
is fastening my ankle to a stone.

Now so long, Marianne, it’s time that we began …

For now I need your hidden love.
I’m cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

Oh, you are really such a pretty one.
I see you’ve gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
to wash my eyelids in the rain!

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

 

Poeta de Jequié participa de encontro na Colômbia e lança livro | Valdeck Almeida de Jesus

val - 200O XIV Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia e o II Parlamento Jovem acontecem de 24 a 27 de agosto de 2016, em Cartagena das Índias, organizados pela Associação de Escritores da Costa. A Bahia terá o poeta jequieense Valdeck Almeida de Jesus representando o Projeto Fala Escritor e a União Baiana de Escritores – UBESC. O jornalista fará lançamento internacional e leituras de seu livro “Ruta 66: Amores y Dolores de un poeta” (Editora Galinha Pulando, 2011), ilustrado por Daiane dos Santos, traduzido pela venezuelana Gladys Mendía e prefaciado pelo poeta angolano Walter “S”, que apontou nos textos da obra questões sociais, perplexidades da vida, sonhos e realidades cruas de amores, dores e sofrimentos. “Ruta 66” faz alusão ao ano de nascimento do poeta e à Rodovia 66 americana que tem importância histórica, turística e cultural. Amores e dores do poeta são retratadas em poemas e ilustrações, retratando uma verdadeira viagem ao mundo romântico e íntimo de Valdeck Almeida.

Os dois encontros de escritores contam com vasta programação que inclui lançamentos de livros, recitais poéticos, leituras de trabalhos literários, bate papos, debates, além de almoços regados a muita alegria, poesia e literatura. Escritores de 16 países vão render homenagens a Jack London (Estados Unidos), Rubén Darío (Nicarágua) e Alfonso Bonilla Naary (Colômbia), no centenário da morte dos dois primeiros e no centenário de nascimento do último. Como em anos anteriores, o Parlamento continua com sua política de reconhecer o importante e significativo aporte de escritores e escritoras do continente e do país para as letras universais.

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Em defesa da literatura | Ana Cristina Pereira Leonardo

anacristinaleonardo-cvTema: as personagens. As personagens diferenciam-se das pessoas por serem ficcionais enquanto as pessoas são reais: Anna Karénina/ Tolstoi/, Macbeth/ Shakespeare, Quixote/ Cervantes, Madame Bovary/ Flaubert, Bartleby/ Melville, Sherlock Holmes/ Conan Doyle, Dâmaso Salcede/ Eça de Queirós, Quina/ Agustina Bessa-Luís, Palma Bravo/ Cardoso Pires, Rapaz/ Dinis Machado, Myra/ Maria Velho da Costa… e assim sucessivamente, como disse João César Monteiro que, sendo uma pessoa, ninguém poderá negar que seja uma personagem.
O que é, porém, mais real? Karénina ou Tolstoi? Shakespeare ou Macbeth? Holmes ou Doyle? Jorge Luis Borges, outro que tanto tem de pessoa como de personagem, escreveu uns versos maravilhosos (talvez os mais maravilhosos) sobre a condição humana: “Yo, que tantos hombres he sido, no he sido nunca / aquel en cuyo abrazo desfallecía Matilde Urbach”. Quem foi Matilde Urbach? E Borges, saberemos mesmo quem foi Borges? “Na realidade não tenho a certeza que exista. Sou todos os autores que li, toda a gente que conheci, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei, todos os meus antepassados”, disse de si próprio o argentino.
Se o mundo, e não só o paraíso, for uma biblioteca a tender para o infinito, o que nos distinguirá de Medeia, Pierre Ménard ou Holden Caulfield? Alguém que tenha sido formado a ler livros tenderá a dizer que muito pouco (e a tentação de olhar, por exemplo, para os políticos da UE como personagens, no caso terciárias, torna-se tentadora, senão inevitável).
Avaliar as pessoas de acordo com a sua densidade enquanto personagens leva-nos a estabelecer hierarquias assentes em outros critérios que não os da mera simpatia: o que é, por exemplo, um Dijsselbloem tecnocrata ao lado de um Erdoğan ditador? Quem imagina um romance dedicado a Passos Coelho? A Maria de Belém? Uma novela sobre Cavaco Silva? Assunção Cristas ao lado de Catherine Earnshaw?! Isilda Pegado ao lado de D. Patrocínio das Neves?! Ou vice-versa: Felicidade de Noronha ao lado de Zita Seabra?! O tédio!
Não se trata, ter-se-á percebido, de simples escolhas políticas. Octogenário, Norman Mailer ficcionou os primeiros anos de Hitler no romance “The Castle in the Forest”. Foi criticado: “One can’t forbid artists from dealing with Hitler but art will never achieve an understanding of the phenomenon”. Mas se não chegarmos lá pela arte, como sobreviver ao fenómeno da realidade?

Retirado do Facebook | Mural de Ana Cristina Pereira Leonardo

KATEB YACINE | 929-1989 | Dictionnaire amoureux de l’Algérie | Malek Chebel

Kateb - 200Il est le seul algérien à s’être constitué un nom qui demeure indissociable de la culture de son pays, un patronyme que nul ne peut ignorer car, que l’on dise Kateb, ou Yacine, et à fortiori Kateb Yacine, chacun sait de qui on parle.

Son livre le plus célèbre, est un livre testament, dont le titre emblématique est Nejma ,parut au seuil en 1956. C’est un livre différent de ses autres ouvrages, à la foi en raison de sa structure complexe, en miroir, de ses fulgurances et de sa progression décalée. Livre utérin par excellence, livre de pensées complexes et de projection collectives livre d’encre et de sang. Nejma, dont le nom renvoie à une éventuelle cousine, ne cessera d’interroger l’Algérie à laquelle il s’identifie par le genre et dont il transposera le projet existentiel au plan de l’esthétique romanesque.
Dans ce capharnaüm du lendemain de la seconde guerre mondial, là bas, dans la colonie encore docile, Kateb sera durement affecté par les émeutes du 8 mai 1945, à Sétif, là même où la révolution algérienne allait prendre son envol.
D’un côté, la joie des indigènes apprenant la libération de la France valait adhésion explicite : de l’autre les tirailleurs rentrés au Bled commirent un pêcher de lèse-majesté en réclamant avec véhémence que l’on tint au plus haut niveau de l’Etat, les promesses faites au moment où on les enrolait en vue de sauver la patrie menacée par les allemands.

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Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

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Poème XV

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas.
On dirait que tes yeux se sont envolés,
et on dirait qu’un baiser t’a clos la bouche

Comme toutes les choses sont remplies de mon âme,
tu émerges des choses pleine de mon âme.
Papillon de rêve, tu ressembles à mon âme
et tu ressembles au mot : mélancolie.

J’aime quand tu te tais et que tu es comme distante.
Et tu es comme plaintive, papillon que l’on berce.
Et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas:
laisse-moi me taire avec ton silence.

Laisse-moi aussi te parler avec ton silence,
clair comme une lampe, simple comme un anneau.
Tu es comme la nuit, silencieuse et constellée.
Ton silence est d’étoile, si lointain et si simple.

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
distante et dolente, comme si tu étais morte.
Un mot alors, un sourire suffisent,
et je suis heureux, heureux que ce ne soit pas vrai.

Pablo Neruda

Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

Corps d’une femme (poème 1)

escuro07 - 545

Corps de femme, blanches collines, cuisses blanches,
l’attitude du don te rend pareil au monde.
Mon corps de laboureur sauvage, de son soc
a fait jaillir le fils du profond de la terre.

je fus comme un tunnel. Déserté des oiseaux,
la nuit m’envahissait de toute sa puissance.
pour survivre j’ai dû te forger comme une arme
et tu es la flèche à mon arc, tu es la pierre dans ma fronde.

Mais passe l’heure de la vengeance, et je t’aime.
Corps de peau et de mousse, de lait avide et ferme.
Ah! le vase des seins! Ah! les yeux de l’absence!
ah! roses du pubis! ah! ta voix lente et triste!

Corps de femme, je persisterai dans ta grâce.
Ô soif, désir illimité, chemin sans but!
Courants obscurs où coule une soif éternelle
et la fatigue y coule, et l’infinie douleur.

Pablo Neruda

O Amor | Gonçalo M. Tavares

 luzes-da-cidade - 200
Se chovesse (sempre) trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
e as nuvens no céu se repetissem na cor,
na forma, na velocidade, e na lentidão;
e se o sol permanecesse robusto e alto, constante
como o último andar de um edifício (bem construído),
de calor assim assim mas repetindo assim assim
de calor da véspera;
se o mau e o bom tempo fossem uma linha única,
paralela aos dias; se o verão e o inverno
em vez de dois fossem um,
como uma pedra é um, e uma árvore é um,
se, enfim, quem amas permanecesse amado por ti,
hoje exactamente como ontem,
e daqui a trinta anos exactamente como hoje;
então não existiria o tempo,
e os relógios de pulso seriam pulseiras ruidosas,
mecânicas de mais para estarem tão próximas da mão
capaz de tocar com leveza.
E se não há tempo
…………………….  não podemos trair.
Gonçalo M. Tavares
em “1”

O Teu Riso | Pablo Neruda

olhos 08 - 200

 

 

 

 

 

 

 

 

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.

Pablo Neruda, in “Poemas de Amor de Pablo Neruda

Ciumes | Almada Negreiros

036-isabella-rossellini-theredlist - 200Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam sêde, não n’o acordem ao beber.

 
Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d’elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo.

De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.

De repente viu-se cego – os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas…

– Sabes? Uma andorinha…

E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos.

Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina!

Almada Negreiros, in ‘Frisos – Revista Orpheu nº1’

Retrato de uma dama | T.S. Eliot

depreto

Entre a fumaça e a neblina de uma tarde de Dezembro,
Aí tens montada a cena — como deverá ser vista —
Assim: “Pertence a ti toda esta tarde”;
E quatro círios na penumbra da sala,
Quatro anéis de luz no teto a coroar nossas cabeças,
Uma atmosfera de tumba de Julieta
Propícia a que tudo se diga, ou a que nada se enuncie.
Digamos que estivéssemos a ouvir o derradeiro polonês
A transmitir os Prelúdios com a ponta de seus dedos e cabelos.
“Tão íntimo este Chopin que julgo deveria sua alma
Ressuscitar apenas entre amigos,
Uns dois ou três, talvez, que sequer lhe roçariam o viço
Polido e arranhado nesta sala de concertos.”
— E de fato as conversas deslizam de mansinho
Entre veleidades e suspiros a custo reprimidos
Em meio a tíbios timbres de violinos
Acompanhados de arcaicos cornetins
E principiam.
“Não sabeis o quanto eles significam para mim, meus amigos,
E como é raro, estranho e raro, encontrar
Numa vida feita de tanto entulho, tanto resto e retalho
(Pois na verdade o odeio… sabes? Não és cego!
Como és vivo e subtil!),
Um amigo que possui tais qualidades,
Que possui e oferece
Tais qualidades sobre as quais arde a amizade.
O quanto importa que te diga isto
— Sem tais amizades — a vida, que cauchemar!

Entre os volteios dos violinos
E as arietas
Dos ásperos cornetins
Um obscuro tantã em meu cérebro começa
Absurdamente a percutir o seu prelúdio,
Obstinada salmodia:
No mínimo, uma estrita “nota imprecisa”.
— Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada,
Admiremos os monumentos,
Falemos sobre os fatos mais recentes,
Acertemos nossos relógios pelos relógios das praças.
E sentemo-nos então, por meia hora, a beber nossa cerveja.

II

Agora que florescem os lilases,
Um vaso de lilases tem ela em seu quarto
E um deles trança entre os dedos enquanto fala.
“Ah, meu caro, não sabes, não sabes
O que é a vida, tu, que a subjugas em tuas mãos”
(Lentamente a retorcer o talo de um lilás);
“Deixas que de ti a vida flua, deixas que ela flua
E cruel é a juventude, e nenhum remorso tem
E sorri perante aquilo que sequer consegue ver.”
Sorrio, claro está.
E continuo a tomar chá.
“Mas com aqueles poentes de Abril, que de algum modo recordam
Minha vida já sepulta, e Paris na primavera,
Sinto uma paz infinita, e vejo o mundo
Esplêndido e jovem afinal.”
A voz retorna como a insistente atonia
De um violino quebrado numa tarde de agosto:
“Sempre estou certa de que entendes
Meus sentimentos, sempre certa de que os sentes,
Certa de que, na outra borda do abismo, alcances tua mão.
És invulnerável, não tens o calcanhar de Aquiles.
Vais em frente e, quando triunfas, podes dizer: aqui muitos falharam.
Mas que tenho eu, que tenho eu, meu caro,
Para dar-te que possas receber de mim?
Amizade e simpatia apenas
De quem já quase chega ao fim da vida.
Estarei sentada aqui servindo chá aos amigos…”
Ponho meu chapéu: como posso, pusilânime, exigir satisfações
Por haver ela dito o que me disse?
Me encontrarás todas as manhãs nos jardins públicos
A ler histórias em quadradinhos e a página desportiva.
Em particular, anoto:
Uma condessa inglesa sobe ao palco,
Um grego é morto num bailado polonês,
Outro acusado de desfalque bancário confessou.
Mantenho minha postura
E mantenho-me controlado
Salvo se um realejo, a martelar mecânico uma escala,
Repisa uma cediça canção familiar
Com o aroma de jacintos a fluir pelo jardim
Relembrando coisas que alguém já desejou.
Estarão certas ou erradas tais ideias?

III

Cai a noite de Outubro; regressando como outrora,
Excepto por uma leve sensação de estar inquieto,
Galgo os degraus e giro a maçaneta da porta
E sinto como se houvesse subido de quatro as escadas.
“Com que então viajas? E quando voltas?
Ora, que pergunta mais tola!
Dificilmente o saberias.
Hás de achar muito o que aprender lá fora.”
Caiu-me lento o sorriso entre objectos antigos.
“Poderás talvez escrever-me?”
Por um segundo subiu-me o sangue à cabeça
Como se assim eu calculasse este momento.
“Tenho-me surpreendido com frequência ultimamente
(Mas nossos princípios ignoram sempre nossos fins!)
Por jamais nos havermos tornado amigos.”
Senti-me como quem sorrisse, e ao voltar percebi,
De repente, sua vítrea expressão.
Perdi todo o controle; e em trevas na verdade mergulhamos.
“Eu disse o mesmo para todos, todos os nossos amigos,
Estavam todos certos de que nossos sentimentos
Poderiam conjugar-se tão intimamente!
Eu mesma dificilmente o entendo.
Deixemos que isto fique agora à sua sorte.
Escreverás, de quando em vez.
E talvez nem demores tanto a fazê-lo.
Estarei sentada aqui, servindo chá aos amigos.”
E devo então trocar de forma a cada instante
Para dar-lhe afinal uma expressão… dançar, dançar
Como faria um urso bailarino,
Tagarelar como um papagaio, rilhar os dentes como um bugio.
Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada.
Bem! E se ela morresse numa tarde qualquer,
Numa tarde enevoada e cinzenta, num encardido e róseo crepúsculo;
Se ela morresse e me deixasse aqui sentado, a caneta entre os dedos.
A névoa a cair sobre os telhados;
Por um momento me perco em dúvidas,
Já que não sei o que sentir ou se o entendo,
Se sou um sábio ou simplesmente um tolo, cedo ou tarde…
Não colheria ela algum lucro, afinal?
Essa melodia culmina com uma “agonia de outono”
E já que aqui falamos de agonia
— Algum direito a sorrir eu teria?

T.S. Eliot

 

Pablo Neruda | J’aime la mansuétude

J’aime la mansuétude et lorsque j’entre
sur le seuil d’une solitude
j’ouvre les yeux et les remplis
de la douceur de sa paix.

J’aime la mansuétude par-dessus toutes
les choses de ce monde.

Je trouve dans la quiétude des choses
un chant immense et muet.
Et tournant les yeux vers le ciel
je trouve dans les tremblements des nuages,
dans l’oiseau qui passe et le vent
la grande douceur de la mansuétude.

Modotti 052 - 545

Ton rire | Pablo Neruda

 

warda01 - 150

 

 

 

 

 

Tu peux m’ôter le pain,
m’ôter l’air, si tu veux:
ne m’ôte pas ton rire.

Ne m’ôte pas la rose,
le fer que tu égrènes
ni l’eau qui brusquement
éclate dans ta joie
ni la vague d’argent
qui déferle de toi.

De ma lutte si dure
je rentre les yeux las
quelquefois d’avoir vu
la terre qui ne change
mais, dès le seuil, ton rire
monte au ciel, me chercha
et ouvrant pour moi toutes
les portes de la vie.

A l’heure la plus sombre
égrène, mon amour,
ton rire, et si tu vois
mon sang tacher soudain
les pierres de la rue,
ris : aussitôt ton rire
se fera pour mes mains
fraîche lame d’épée.

Dans l’automne marin
fais que ton rire dresse
sa cascade d’écume,
et au printemps, amour,
que ton rire soit comme
la fleur que j’attendais,
la fleur guède, la rose
de mon pays sonore.

Moque-toi de la nuit,
du jour et de la lune,
moque-toi de ces rues
divagantes de l’île,
moque-toi de cet homme
amoureux maladroit,
mais lorsque j’ouvre, moi,
les yeux ou les referme,
lorsque mes pas s’en vont,
lorsque mes pas s’en viennent,
refuse-moi le pain,
l’air, l’aube, le printemps,
mais ton rire jamais
car alors j’en mourrais.

Pablo Neruda

 

Uma Viagem à Índia | Gonçalo M. Tavares in “Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura”

GMT - 200O autor de “Uma Viagem à Índia”, Gonçalo M. Tavares, conta que a ideia desta obra “partiu da ideia de responsabilidade em relação ao passado”. Acrescentando que, para si, “o que diferencia o homem e o bicho é esta capacidade de memória das gerações anteriores”. “Esta ideia de conservar a memória”, precisou.

Admitiu a “aproximação amorosa” em relação a ‘Os Lusíadas’ e acrescenta que deseja “deixar sinais para gerações futuras”.

“Uma Viagem à Índia” (ed. Caminho) é um livro que, segundo o escritor, pede uma mudança de posição do leitor por obrigar este a arranjar uma nova posição para ler e pela possibilidade de ler fragmentos, a possibilidade de “abrir ao acaso e ler”.

O livro começou a ser escrito em 2003 e a sua revisão final demorou um ano.

VER AQUI :  http://www.snpcultura.org/vol_uma_viagem_a_india.html

(Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

Noite da Literatura Europeia | 4 de junho | Lisboa, zona do Carmo/Trindade

noite - 200A Noite da Literatura Europeia apresenta, no dia 4 de junho, em plenas Festas de Lisboa, o serão literário mais popular da capital lisboeta. Organizada por vários institutos culturais europeus sediados em Lisboa e pelas embaixadas representativas, a Noite da Literatura Europeia decorre, mais uma vez, a um sábado, das 19h às 24h, em vários espaços emblemáticos da zona do Carmo/Trindade.
Durante este serão, terão lugar leituras, por 14 atores portugueses, de excertos de obras de 10 escritores europeus. As sessões, de entrada livre, têm a duração de 10 a 15 minutos e repetem-se de meia em meia hora, para o público poder assistir a todas as sessões nos diversos espaços da Noite da Literatura Europeia.

Nesta que é a quarta edição da noite mais literária de Lisboa, há prosa e poesia para todos os gostos dos autores Andrés Trapiello (Espanha), Ann Cotten (Áustria), Bruno Vieira Amaral (Portugal), Dimitris Dimitriadis (Grécia), Filippo Tuena (Itália), Jakub Řehák (República Checa), Léonora Miano (França), Nicolae Prelipceanu (Roménia), Thees Uhlmann (Alemanha) e Tove Jansson (Finlândia) 
As sessões de leitura decorrem em locais como a Sala de Extrações da Lotaria da Santa Casa da Misericórdia, o Teatro da Trindade Inatel, ou ainda o Vertigo Café, entre outros espaços, onde atores como Paulo Pires, Mónica Calle ou Pedro Lima vão dar voz, com alma e inspiração, às palavras dos dez autores europeus.

A Noite da Literatura Europeia é uma iniciativa organizada pela EUNIC Portugal, uma rede de institutos culturais e embaixadas, com o patrocínio da Representação da Comissão Europeia em Portugal.

DONNA SUMMER state of independence | Eu Nunca Guardei Rebanhos, por Alberto Caeiro/Fernando Pessoa

Da série:  um poema, uma música!  Ouvir… e ler!  Experiência interessante!

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Do livro “O Guardador de Rebanhos”

Querem uma Luz Melhor que a do Sol! | Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”

Ah querem uma luz melhor que a do sol!

Querem campos mais verdes que estes!

Querem flores mais belas que estas que vejo!

A mim este sol, estes campos, estas flores contentam-me.

Mas, se acaso me descontento,

O que quero é um sol mais sol que o sol,

O que quero é campos mais campos que estes prados,

O que quero é flores mais estas flores que estas flores —

Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

 

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”

sol

BREVE ESTUDO SOBRE O POETA IVAN JUNQUEIRA | por Glauber de Oliveira

   Ivan Junqueira  Partindo da idéia de que poesia é algo muito subjetivo, logo é muito difícil dizer o que é, muitas vezes, grandemente bom ou grandemente ruim, vem-se aqui falar de um poeta brasileiro de produção poética (e também ensaística) consolidada, por já ter muitos livros publicados, além do fato de já haver falecido.

Enfim o que se pretende aqui é fazer uma súmula da produção poética deste autor, percorrendo todos os seus livros de poesia, no que se pôde ler obviamente, e tentando localizar devidamente o lugar de Ivan Junqueira dentro da poesia brasileira (e talvez, até além disso).

Comecemos pelo seu livro “Os mortos”, que segundo um crítico literário que agora foge à memória, seria um livro pronto a ser publicado, àquela época (precisamente 1964). Algo que parece ser característico da poesia de Ivan Junqueira e vai percorrendo todos os seus livros de poesia é uma amena poesia. Para ser mais claro, citem-se seus versos: “Minha mãe chorando no fundo da noite / Apunhalou o sono de Deus”. Esse poema é do seu livro “Os mortos”. O tema metafísico, divino é muito presente na     poesia de Ivan Junqueira, inclusive pelo fato da morte já ser fato presente muito cedo na sua vida (fala-se de seus parentes), muito parecido com Manuel Bandeira (poeta muito prezado pelo Ivan) aliás, (infelizmente não se tem o dado confirmado da morte precoce dos seus parentes, mas recorda-se isso de uma de suas entrevistas dadas).

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Poema | Sophia de Mello Breyner Andresen

ha mulheres

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
… Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Afrodite | Maria Isabel Fidalgo

Estátua_de_Afrodite_4Não negues o estio
as acácias abrem-se para as mãos
e Afrodite lava-se na fonte fria
junto ao parthénon.
Entra pela manhã
colhe a flor rosácea da luz
e desliza devagar
sobre a carícia das rosas
no ventre da água.

Solta os cabelos aos vendavais
do fogo
e morre sobre as brasas
que os deuses colhem.

maria isabel fidalgo

HISTÓRIAS EM PONTO DE CONTAR | MARIA ALBERTA MENÉRES e ANTÓNIO TORRADO | AMADEO DE SOUZA – CARDOSO

amadeo

HISTÓRIAS EM PONTO DE CONTAR – 20 desenhos de AMADEO DE SOUZA – CARDOSO

MARIA ALBERTA MENÉRES e ANTÓNIO TORRADO escreveram este livro, lançado em Portugal pela editora ASSÍRIO E ALVIM

Se na maior parte dos casos as ilustrações servem de complemento ao texto, nestas Histórias em Ponto de Contar a situação é a inversa. Assim, o ponto de partida para a narrativa são os vinte desenhos de Amadeo de Souza – Cardoso, ligados pelo texto que, como se adverte desde o início, não quer limitar aquilo que vemos, mas apenas fornecer uma interpretação possível. Para saborear tantas vezes quantas a imaginação quiser.

UM LIVRO ABSOLUTAMENTE LINDO !

 

Ma très chère Clemmie chérie | Winston Churchill & Clementine Churchill

w - 200RÉSUMÉ

Fin stratège, orateur hors pair, brillant politicien et homme de lettres prolifique – couronné par le prix Nobel de littérature en 1953 –, Winston Churchill fut l’une des grandes figures du xxe siècle. En 1908, il épousa Clementine Hozier, avec laquelle il échangea des milliers de lettres, notes et télégrammes.
Cet ouvrage présente un choix de correspondance en temps de guerre, offrant un aperçu incomparable, non seulement de la vie personnelle du couple, mais aussi de leurs jugements sur la politique et les personnalités du moment, ainsi que sur le cours de deux conflits mondiaux. On y lit leurs espoirs, leurs ambitions, leurs déceptions. S’y révèle également la grande implication de Clementine – « Clemmie » – dans la carrière de son mari, et son rôle de conseillère avisée. Enfin, on y découvre – et c’est le fondement même de ce dialogue épistolaire qui dura cinquante-six ans – le lien d’amour indéfectible qui unissait ces deux êtres.

UM POEMA DE IVO MACHADO

ivo machado - 200

 

 

 

 

Como as raparigas têm segredos,
contas maternas,
náuseas, momentos de crescer
de amor e rosas.
Que sei das palavras?
Num eléctrico a caminho de Massarelos cruzaram as janelas
— jocosas, incontidas, reforçadas —
trazendo a frescura da hortelã
com vernáculos
conduzindo-me de mansarda
em mansarda
como rio ao âmago da condição humana.
As palavras não se querem incensadas
nem ingénuas,
mas cruas,
iluminadas
como o azul da insónia nas janelas.
O que sei, porém, das palavras?

in A Cidade Desgovernada, Porto, 2016

Retirado do Facebook – Mural de Vítor Quelhas

LES RÊVES | Jean Cocteau

” Les rêves sont la littérature du sommeil. Même les plus étranges composent avec des souvenirs. Le meilleur d’un rêve s’évapore le matin. Il reste le sentiment d’un volume, le fantôme d’une péripétie, le souvenir d’un souvenir, l’ombre d’une ombre.”

(Le Mystère laïc – Jean Cocteau)

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Húmus | Festival Literário de Guimarães

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Têm início, esta semana, as atividades do primeiro Festival Literário de Guimarães. Húmus celebra a vida e obra de Raul Brandão, no 150.º aniversário do seu nascimento, e levará ao município de Guimarães uma programação recheada de oficinas, exposições, conversas com escritores e outras atividades para todas as idades em vários espaços do município, que vão culminar num festival, a realizar de 7 a 12 de março de 2017. O Húmus é uma iniciativa da Câmara Municipal de Guimarães com produção executiva a cargo da Booktailors.

Para mais informações sobre a programação do festival, contacte: comunicacao@booktailors.com

Carlos Drummond de Andrade | “A bunda, que engraçada”

seda

 

 

 

 

 

 

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.

Guerra e Paz, 10 anos | Manuel S. Fonseca

A Guerra e Paz nasceu a 10 de Abril de 2006. Faz hoje 10 anos anos de vida. Lembrei-me de escrever uma carta aberta à Imprensa. Os jornais e os livros são irmãos de armas. Vivem juntos a mesma crise, a crise da leitura popular prolongada.
Juntos podem criar futuro.

Carta Aberta à Imprensa
de um irmão mais velho

agustinaSena - 200Querida Irmã Imprensa,

Obrigado. Com que outra palavra poderia começar esta carta de amor e respeito? Repito, obrigado.

Eu, Guerra e Paz, já ando de braço dado contigo há dez anos. A 10 de Abril de 2006, na sessão do meu nascimento, na Fundação Gulbenkian, estávamos juntos, jornais, rádios, televisões e livros. Estreámo-nos com um novo livro de Agustina, Fama e Segredo na História de Portugal, que ainda não sabíamos que seria o último da nossa grande autora. E, ao lado de Agustina, estava outro livro, a lição ética, cívica e de sabedoria que é a Correspondência entre Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner.

Continuar a ler aqui:  ESCREVER É TRISTE

Madame Bovary, por Cristina Vittoria, en Zenda

Cristina Vittoria tiene 23 años. Graduada en Educación Infantil, es actriz de doblaje, locutora de anuncios publicitarios y modelo de fotografía. Lectora empedernida, incapaz de imaginar un mundo sin libros, su sentido del humor y su talento hacen posible esta sección en la que pasa revista a los personajes femeninos más destacados de la literatura.

Festival Literário da Madeira | Anselmo Borges

anselmo borges - 200Anselmo Borges é colunista do Diário de Notíciassobre questões de actualidade religiosa e filosófica e uma das grandes autoridades portuguesas em matéria de Religião. Teólogo, Filósofo e Professor universitário, estudou Teologia na Pontificia Università Gregoriana, de Roma, e Ciências Sociais na École des Hautes Études, de Paris. É doutorado em Filosofia pela Universidade de Coimbra.

É autor de uma vasta obra, da qual destacamos os seguintes títulos: ‘Religião: Opressão ou Libertação?’ (Campo das Letras, 2004), ‘Religião e Diálogo Inter-Religioso’ (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010), ‘Corpo e Transcendência’ (Edições Almedina, 2011); ‘Janela do (In)finito: Deus e o Sentido da Existência’ (Gradiva Publicações, S.A. 2011).

Enquanto coordenador, destacamos os seguintes títulos: ‘E Deus Criou a Mulher’ (Nova Delphi, 2011), ‘Quem foi/Quem é Jesus Cristo’ (Gradiva, 2013) e ‘Deus ainda tem Futuro?’ (Gradiva, 2014).

Venha ouvi-lo, em Abril, no Teatro Municipal Baltazar Dias

Retirado do Facebook com a devida vénia.

Marilyn Monroe | Um je-ne-sais-quoi! | 25 fotografias

É uma das melhores fotografias de Marilyn Monroe. Tem na sua essência um pormenor que a distingue de todas as outras: a luz está no cabelo e na roupa como se a vida fosse um círculo perfeito entre o Outro e nós, uma elipse em que a beleza não é tida nem achada. É fotografar aquilo que nos lê no regresso da luz. (José Tavares)

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Alexandre Herculano | Aniversário do seu Nascimento | 28-03-2016

aelxandre herculanoNo dia em que passa mais um aniversário sobre o nascimento de Alexandre Herculano, saúdo-vos com o magnífico busto do historiador, romancista e poeta, que me acompanha na livraria alfarrabista.
O seu olhar sábio, segreda-me dia a dia, uma vida plena de dedicação pelo estudo e pela investigação, pelas causas que abraçou, por tanto que nos legou.
Herculano não foi só o introdutor da elaboração científica da história ou um dos fundadores do romantismo em Portugal. Não foi apenas um lutador da causa liberal contra o regime miguelista, nem se limitou a ser Bibliotecário-Mor das Bibliotecas da Ajuda e das Necessidades, ou um notável historiador e romancista do seu tempo.
Alexandre Herculano foi, acima de tudo, um homem probo e honrado, que soube retirar-se a tempo e no tempo certo, recolhendo-se na sua Quinta de Vale de Lobos, aqui, em pleno Ribatejo, longe das intrigas palacianas e dos políticos de pacotilha.

Como ele, aprendi a ser “mais monge que missionário”.
Sem necessidade de mosteiro ou de convento. Bastando-me o mundo dos livros.

Um abraço do,
Adelino Correia-Pires 

ORIGINAL AQUI:  BLOG DOUTRO TEMPO

O Deputado da Nação, de Manuel da Silva Ramos e Miguel Real | 30 de Março – 18h30

miguel real - silva ramos

Umbelino Damião nasceu pobre. Ainda jovem, emigrou para Paris, onde viveu o Maio de 1968, andou pelo Brasil fugido de Faustina, uma compatriota por ele tomada de amores, e combateu em Moçambique, na Guerra Colonial. De regresso a Lisboa, sem trabalho, decide abrir um bordel, frequentado pela alta sociedade, onde conhece o futuro presidente do Partido. Por essa razão, decide entrar na política, sendo deputado durante várias legislaturas. Fora do Hemiciclo, faz negócios pouco transparentes com autarcas e chineses e inventa um creme de leite de burra que faz rejuvenescer as mulheres.

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Páscoa | Maria Isabel Fidalgo

maria isabel fidalgo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um caudal de água fria
numa margem do olhar
uma friagem vítrea na carne
um farricoco quaresmal
em procissão de enterro.
Gorjeia uma ave no ar esquivo
e medito um rio azul de azul
um verde numa aguarela
perto da lonjura. Ou perto de Ti
porto para a distância.
De todos os barcos onde naveguei sobram-me remos
mas nenhum atravessa de sol a varanda fria
onde penduro o que ainda recende a flor por abrir.
Na Páscoa árida do ser um Cristo ressuscitado
vem redondo de morte. Branco na cruz
o seu corpo de arcanjo agoniza espalmado
no círculo do poema onde o sepultaram
por toda a eternidade.

maria isabel fidalgo

 

Tempo da Descoberta | Joaquim António Ramos

tempo da descoberta - quitó

Joaquim António Ramos tem 65 anos e vive em Azambuja, onde nasceu, e a cuja Câmara presidiu durante 12 anos.

Licenciado em Economia, foi professor universitário, responsável, durante mais de duas décadas, pelo sector de Ambiente do Município de Lisboa, consultor de diversas empresas de estudos ambientais e desenvolveu vários projectos, nacionais e internacionais, nessa mesma área.

Foi durante dois mandatos coordenador do Comité de Ambiente das Eurocities, sediado em Bruxelas.

Em 2005 publicou a sua primeira obra literária, “ Contos Semibreves”.

O Grande Chef Caseiro Na Mão de Deus | Miguel Calado Lopes

O grande chefe caseiro

«A história de um pobre desgraçado levado a tribunal pelas suas “ex” que o acusam de ser um engordador em série e exigem que ele lhes pague as curas de emagrecimento. Eis o “lead”: Sebastião dos Santos percebeu que estava em maus lençóis quando o seu psiquiatra se riu no momento em que lhe confessou sofrer de uma crise de masculinidade. “Não se preocupe, tenho o consultório cheio”. A sua vida a complicou-se ainda mais quando três antigas namoradas entraram na sala do tribunal a rebentarem pelas costuras e o acusaram de ser um serial fattner, um engordador em série. No entanto, o advogado de Defesa do réu puxou de uma arma secreta em pleno julgamento e acusou as três mulheres de conluio para uma muito bem orquestrada vingança de carácter sexual. Antes de proferir a sentença, a juíza Lourença, dotada de uma estranha beleza macilenta, toma conhecimento da infidelidade do seu marido, fica a saber que o réu é fortemente atraído por uniformes e recebe uma carta anónima que revela as desventuras amorosas do Sebastião. A atribulada e divertida história de um pobre desgraçado perdido num mundo cada vez mais feminino.»

Fronteira regressa a Castelo Branco entre os dias 7 e 9 de abril.

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A quarta edição do Fronteira — Festival Literário de Castelo Branco acaba de ser anunciada. Numa edição em que irão debater-se antagonismos e cumplicidades entre a ficção e a poesia, nas letras como na música, cabe a autores como Manuel Alegre, Matilde Campilho, José Eduardo Agualusa,Inês Pedrosa, Nuno Júdice ou Luís Represas o papel de paladinos de uma ou outra facção. Ou até de ambas.

Da programação do Fronteira 2016 fazem parte mesas de debate, lançamentos de livros, apresentações e homenagens, ficção e poesia maldita, histórias contadas em verso, visitas às escolas e uma feira do livro, com os limites entre prosa e poesia a marcarem o tom do Festival.

Entre os dias 7 e 9 de abril, o Festival Literário de Castelo Branco regressa para discutir as fronteiras entre prosa e poesia, mantendo um pé de cada lado. Será o prosador um poeta sem capacidade de síntese? Será o poeta um prosador com tiques de preguiça? Uma embaixada de autores munidos de passaporte literário estão preparados para ensaiar as respostas a estas perguntas.

Acompanhe as novidades na página de facebook do Fronteira.
Pode consultar a programação completa no press kit disponível aqui.

Para mais informações:
comunicacao@booktailors.com

O Fronteira — Festival Literário de Castelo Branco é uma iniciativa da Câmara Municipal de Castelo Branco, com produção executiva da Booktailors — Consultores Editoriais.

Pequeno ensaio sobre a coisificação | Domingos da Mota

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E tu que és mulher de corpo Inteiro,

quiçá fisicamente apelativa,

como pede e cobiça, sobranceiro,

quem pretende explorar-te, em carne viva

(condição do anúncio que sugere,

para quem se quiser candidatar,

que seja bem mais coisa que mulher,

um objecto pronto a funcionar),

tu que sendo quem és, ao fim e ao cabo,

se queres que tratem com decoro,

pois não vendes a alma ao diabo

nem toleras abuso ou desaforo,

contesta, replica, repudia

quem assim te abocanha e avalia.

 

Domingos da Mota

 

Direito e Justiça | Adelto Gonçalves | por Anderson Braga Horta

adeltoO estudo da história pátria é válido, entre outras razões, pelas implícitas no imperativo do oráculo, que o vai buscar nas palavras do sábio: Nosce te ipsum. Encarar nossas mazelas, mergulhar em suas origens, traçar o seu perfil diacrônico – eis o caminho ideal para compreendê-las, lutar contra elas, transcendê-las.

Na trilha de investigações como as de Stuart B.Schwartz relativas à Bahia dos séculos XVII e XVIII, António Manuel Hespanha (Portugal dos seiscentos), Arno e Maria José Wehling (Rio de Janeiro, de 1751 a 1808), entre outras, Adelto Gonçalves lança uma obra de importância no campo dos estudos histórico-jurídicos entre nós: Direito e Justiça em Terras d’El-Rei na São Paulo Colonial – 1709-1822 (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), que enfoca especialmente “as atribuições e funções dos juízes ordinários, vereadores, juízes de fora, provedores, corregedores e ouvidores no período …. por meio da descrição dos casos mais significativos ocorridos à época, contribuindo assim para um diagnóstico (ainda que incompleto) da estrutura judiciária”.

O livro é fruto de pesquisas nos manuscritos da capitania de São Paulo, do Arquivo Histórico Ultramarino, de Lisboa, via microfilmes depositados no Arquivo do Estado, a par de outros documentos, como as Atas da Câmara Municipal de São Paulo. Mas o tema já pertencia ao âmbito de interesse do autor, que também o é do premiado Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (lembremos que o cantor de Marília era ouvidor em Vila Rica), bem como de Bocage: o Perfil Perdido (o pai do poeta foi juiz de fora e depois ouvidor na Metrópole).

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O Rio Com Regresso – Ensaios Camilianos | Maria Alzira Seixo

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Este conjunto de estudos é constituído por dez ensaios que analisam individualmente aspectos bastante diversos, mas todos eles importantes, da obra de um dos maiores prosadores da literatura portuguesa, Camilo Castelo Branco. Nele se encontram de igual modo tratados temas mais amplos, como o lugar da novela camiliana no panorama histórico-literário português ou a problemática do feminino na obra do escritor, e tópicos mais aprofundados que dizem respeito a um determinado texto, como a análise da personagem Maria Moisés da novela homónima do segundo volume das Novelas do Minho. Este é, pois, um livro que tanto pode interessar aos apreciadores da obra do escritor, como também a todos aqueles que se dedicam ao estudo da ficção no geral e de aspectos da teoria da narrativa e do romance em particular.

A Noite não é eterna | Ana Cristina Silva

acsilva - 200A Roménia, sob o jugo do ditador Nicolae Ceausescu, atravessa um dos piores períodos da sua história, com a sua população a enfrentar a fome e dominada pelo terror. Seguindo as orientações do Presidente para a criação de um exército do povo no qual os soldados seriam treinados desde crianças, Paul, um ambicioso funcionário do partido, decide levar de casa o filho de três anos e entregá-lo aos cuidados do Estado. Quando a mãe se apercebe do desaparecimento do pequeno Drago, o desespero já não a abandonará, bem como o firme desejo de acabar com a vida do marido.
Correndo riscos tremendos, Nadia não desistirá, porém, de procurar o menino, ainda que para isso tenha de forjar uma nova identidade, de fazer falsas denúncias, de correr os orfanatos cujas imagens terríveis chocaram o mundo e até de integrar uma rede que transporta clandestinamente crianças romenas seropositivas para o Ocidente. Mas será que o seu sofrimento pode ser apaziguado enquanto Paul for vivo? Enquanto o ditador for vivo?

“CONTOS IMPERFEITOS” | Cristina Carvalho

contos imperfeitos(…)
Os guilros são os donos deste mundo. Os guilros elevam-se até às gárgulas do Mosteiro, lá no alto, nos pináculos. As gárgulas riem-se às gargalhadas, assobiam, cantarolam e velam, velam sempre por detrás das suas carantonhas malévolas lembrando que o diabo existe, lembrando as pessoas que o diabo toma muitas formas. Gárgulas e guilros conhecem o mundo.
As gárgulas aparam a água que escorre dos céus; os guilros dessedentam-se nessas águas para poderem esvoaçar, sôfregos, à volta de outras raparigas que, por sua vez, dançam na praça e enlouquecem os homens, seja isto ontem ou hoje ou amanhã.
Depois, de repente, inesperadamente, começam a debandada na direcção da serra que existe por detrás das casas, por detrás das árvores, na direcção da serra presente ao longe. Abandonam o Mosteiro. A terra treme.
Sempre aos gritos desvairados, esvoaçando pelos céus agora escurecidos, os guilros desaparecem. Deixam um rasto de incompreensão, de susto, de trevas.
Cheira ao pó da eternidade. Depois, a porta pesadíssima, enorme do Mosteiro fecha-se sobre mim que ainda continuo sentada ali nas lajes em frente. Permaneço na mesma posição há centenas e centenas de anos. Tal como as vozes e os gestos dos pedreiros indiferentes ao desenrolar dos tempos.
Para eles é que vão os meus murmúrios. Para os construtores das gárgulas de todos os templos.

Cristina Carvalho – excerto de “OS GUILROS E AS GÁRGULAS DO MOSTEIRO”, conto incluído no livro “CONTOS IMPERFEITOS”, uma publicação de Arquivo – Bens Culturais em Fevereiro de 2016

O mundo dos homens sob o olhar feminino | Adelto Gonçalves

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A história da rivalidade entre dois irmãos é tão velha quanto a Humanidade. A Bíblia nos conta a história de Caim e Abel, os dois filhos de Adão, criados e educados da mesma maneira, mas com caráter e personalidades diferentes. E a de Esaú e Jacó, história dos filhos de Isaque e Rebeca, que inspirou Machado de Assis (1839-1908) a escrever um romance sobre a rivalidade entre irmãos gêmeos, tendo a mãe no centro da disputa. Recentemente, ainda na literatura brasileira, Milton Hatoum (1952) publicou Dois irmãos (2000), excepcional romance que relata um drama familiar em cujo centro estão dois filhos de imigrantes libaneses, os gêmeos Yaqub e Omar.

O tema serve agora para a escritora Eltânia André lançar o seu primeiro romance, Para fugir dos vivos (São Paulo, Editora Patuá, 2015). Mas, ao contrário dos romances citados, aqui se trata de um mundo exclusivamente masculino que é visto detidamente por um olhar feminino. E essa é a grande diferença.

Como se sabe, nos dias de hoje, é difícil encontrar um escritor que, por mais genial que seja, construa imagens insólitas, que não sejam conhecidas. Já as escritoras costumam escrever de maneira distinta, têm imagens completamente novas, constituem janelas para outro mundo, outra sensibilidade e outra forma de ver as coisas. E isso se constata exatamente quando uma autora compõe personagens masculinos. É exatamente o caso de Para fugir dos vivos.

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Uma visão polifônica do primeiro Saramago | Adelto Gonçalves

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No prólogo que escreveu para O jardim dos caminhos que se bifurcam (1941), Jorge Luis Borges (1899-1986) refere-se à “escrita de notas sobre livros imaginários”, a uma época em que já havia publicado o conto “A aproximação a Almotásim” (1935), que constitui um pseudo-ensaio ou uma resenha ou recensão de um suposto livro publicado em Bombaim três anos antes. Para “enganar” seus leitores e futuros estudiosos de sua obra, dotara o livro imaginário de um editor real e um prefácio que teria sido escrito por um escritor real, mas tanto o autor como o livro, seu enredo e detalhes de alguns capítulos eram de sua inteira invenção.

Mais de 70 anos depois, o professor Francisco Maciel Silveira, se não foi tão longe, lançou um livro, Exercícios de caligrafia literária: Saramago Quase (Curitiba, Editora CRV, 2012), que segue nessas pegadas, pelo menos em parte, ao reunir ensaios que parecem ficções e que seriam de diferentes autores, todos preocupados em desvendar a obra ficcional e o teatro da primeira fase de José Saramago (1922-2010) como autor. Em outras palavras: o ensaísta recorre ao conceito de polifonia utilizado por Mikhail Bakhtin (1895-1975) no estudo da obra de Fiodor Dostoievski (1821-1881) para reunir vozes e pontos de vistas conflitantes a respeito da obra saramaguiana.

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Pedro Almeida Maia | Comunicado de Imprensa

PressRelease_006 RGB_Small - 200O escritor açoriano Almeida Maia anuncia uma tripla reedição dos seus primeiros trabalhos para o mercado internacional, além de um uno novo romance em 2016. Atualmente a residir entre Coimbra e Barcelona, e após um revés editorial que levou as obras “Bom Tempo no Canal”, “Capítulo 41” e “Nove Estações” a esgotarem na origem, o autor aposta nos mercados de expressão portuguesa além-fronteiras, sobretudo o Brasil, além das comunidades luso-descendentes dos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido. As versões em papel, com capas renovadas pelo designer Miguel Maia, já estão disponíveis na Alemanha, Itália, Espanha, México, Índia, Japão, e brevemente na China, Holanda e Austrália.

Licenciado em Psicologia e mestrando em Psicologia do Trabalho, das Organizações e dos Recursos Humanos, Pedro Almeida Maia foi vencedor dos prémios literários Letras em Movimento 2010 e Discover Azores 2014, além de selecionado para a Mostra LABJOVEM 2014, considerado o Escritor do Ano 2014 pelo Correio dos Açores e de integrar o Plano Regional de Leitura dos Açores nos últimos anos.

O autor e cronista anuncia também um novo romance. O título, as datas e outros detalhes serão anunciados em breve.

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Racismo é crime e devemos combatê-lo todo dia… | Valdeck Almeida de Jesus

Racismo_eh_Crime_valdeck (1)“Um dia um homem branco me falou, que no Brasil não tem branco… mas quando olho em todo canto, eu vejo o branco dominando…”

Giovane Sobrevivente
Poeta e Ativista Cultural

Posso começar este texto com as afirmações “sou racista, sexista, machista, homofóbico, gordofóbico, xenófobo, intolerante religioso…”, pois vivo em um país de desigualdades e de discriminações e aprendi na infância, na adolescência e juventude, através do discurso dominante, inconscientemente, a negar a existência dessas desigualdades e discriminações. Também posso começar o mesmo texto dizendo que estou em processo de educação ao participar de debates, mesmo quando fico somente ouvindo, calado; quando vou a eventos onde se discute a desconstrução de toda e qualquer forma de discriminação e dou, apenas, pequenas contribuições.
Nesse sentido convido a todos os brancos e brancas, meus conhecidos ou não, a se irmanarem num grande debate sobre a humanidade negra, pra fazer um exame de consciência sobre o assunto, expor suas ideias e pensamentos, participar da luta contra os privilégios. É hora de cada um dos privilegiados começar a abrir corações e espaços de poder para que o debate seja posto, incluindo, certamente, recortes de raça, gênero e expressão sexual. Cito aqui grupos que poderão se sentir incluídos nesse chamado: juízes, advogados, delegados, deputados, senadores, vereadores, gestores públicos, governantes, prefeitos, presidentes, comando das polícias, jornalistas, escritores, artistas, empresários etc.
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“O acto sexual é para ter filhos – diz ele” | Natália Correia

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Já que o coito — diz Morgado —
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou — parca ração! —

uma vez. E se a função
faz o órgão — diz o ditado —
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

Natália Correia
(resposta a João Morgado, deputado da bancada parlamentar do CDS,
no debate sobre a legalização do aborto, no dia 3 de Abril de 1982)

O Bicho-de-Sete-Cabeças | História de uma eleição democrática | de Carmen Zita Ferreira com Ilustração de Sandra Serra

o bicho de sete cabecas - 150Livro com uma pedagogia recomendável a todos os adultos….
Um livro fantástico e de uma pedagogia incrivel. De facto o livro é recomendável para alunos que tenham formação civica mas sinceramente, este livro deve ser lido por todos os patrões, directores, executivos, politicos.. quem tem um cargo de chefia devia ler e interiorizar a mensagem deixada pela autora, de forma a que consiga fazer a diferença.

Renascer | Maria Isabel Fidalgo

O tempo nos devora
e pouco se demora
em nós a primavera
mas há sempre uma ilha
e a linfa vacilante
entre a música e a luz
no caudal ligeiro
que a corrente leva.
Bom é jorrar na margem
que se julgava estagnada
um jato de água
que devolve à paisagem
o encanto da vertigem
um alento de tempo
que ficou suspenso
no pulsar da aragem.

maria isabel fidalgo

(Running along the beach- Joaquin sorolla )

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SITUAÇÃO ACTUAL DA LIVRARIA ESPAÇO ULMEIRO | Balanço nº1:28/2/2016

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1. Foi inesperada e reconfortante a reacção ao nosso “alerta” sobre a real possibilidade de encerramento da Livraria passados quase 47 anos sobre o seu início na Av. do Uruguai, 13A, em Lisboa, (Benfica). Agradecemos a todas e a todos os que nos visitaram.
Hoje acreditamos um pouco mais na possibilidade do “milagre” do renascimento deste projecto livreiro e editorial.

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Lettre de Vladimir Nabokov à Véra | “Je t’aime, je te veux, j’ai insupportablement besoin de toi…”

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Vladimir Nabokov (1899-1977), sulfureux écrivain d’origine russe et américain d’adoption, est notamment connu pour ses romans Lolita (1955), La Méprise (1934) ou Feu Pâle (1962). Il rencontre Vera Slonim en mai 1923 et fait d’elle sa dactylo et sa traductrice avant de l’épouser en 1925. En plus de lui dédier la quasi-totalité de ses œuvres, Nabokov lui adresse également des lettres d’amour d’une rare beauté.

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Correntes d’Escritas distinguido pelo Ministério da Cultura

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Póvoa de Varzim, 24.02.2016

A Sessão Oficial de Abertura do 17º Correntes d’Escritas decorreu, esta manhã, no Casino da Póvoa, com a presença do Ministro da Cultura, João Soares. Como habitualmente, foram anunciados os vencedores dos Prémios Literários 2016 e lançada a Revista Correntes d’Escritas 15, dedicada a António Lobo Antunes.

O Ministro da Cultura, assumindo-se como um “homem do livro”, revelou que foi “com enorme entusiasmo e imenso prazer” que aceitou participar no Correntes d’Escritas. Reconheceu o “trabalho notável” que é desenvolvido pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim ao longo dos últimos 17 anos, transformando o Correntes no “maior evento ibero-americano de literatura”. João Soares destacou o papel de Manuela Ribeiro, organizadora do Encontro, e por isso fez questão de lhe entregar a Medalha de Mérito do Ministério da Cultura nesta cerimónia.

João Soares transmitiu que “o Correntes d’Escritas tornou a Póvoa conhecida do Cabo Bojador até ao estreito de Magalhães, pelo menos. De facto, tornou-se um festival internacional de grande prestígio para toda a literatura ibero-americana”.

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Cristóvão Colon – Nobre Português | Fernando Branco

cristovaocolonSinopse

Em Setembro de 1476, na costa do Algarve, ocorreu uma batalha naval entre uma frota luso-francesa e outra genovesa.

Na batalha, segundo a biografia de C. Colon, este salva-se a nado e chega à costa portuguesa, onde começa então a vida conhecida do Almirante. Na mesma batalha, o cronista real Rui de Pina, refere por outro lado, apenas o desaparecimento de um capitão naval, fidalgo português.Este facto suscitou-me alguma suspeição e levou-me a realizar uma longa investigação histórica sobre a vida daquele fidalgo luso.Neste livro, depois de se analisar as mais de cinquenta coincidências encontradas entre a vida do fidalgo e a de C. Colon, deixa-se ao leitor a decisão sobre quem foi de facto este nobre português e… sobre a hipótese de o poder confirmar.

Ver aqui:  Chiado Editora

A biblioteca de Eco e os cinco minutos de jazz | Francisco Louçã in Blog “Tudo Menos Economia”

francisco louca02 - 200As evocações homenegeatórias a Umberto Eco destacaram o filósofo que devolveu a curiosidade à filosofia, o escritor que se divertiu com os seus romances (havia nele um Salgari que nunca escondeu e que norteou a sua busca das terras incógnitas) e o homem cívico que compreendeu que a força de Berlusconi era só a nossa fraqueza, nossa, dos cidadãos desprotegidos perante o tumulto comunicacional e a perda de identidades que a pós-moderna cosmologia impõe. A vertigem do efémero era o ódio de Eco, como se pode compreendê-lo. Eco, como, entre nós, Eduardo Lourenço ou João Martins Pereira, ou Augusto Abelaira, ou Urbano Tavares Rodrigues, era o Montaigne de um tempo novo que ainda brande a modernidade contra o culto do flash, da cosmética e do pronto-a-vestir que dá conforto às transumâncias ideológicas.

Por isso mesmo, a biblioteca era a sua vida. Mas não qualquer biblioteca. Sem labirintos, como a do Nome da Rosa, embora talvez com esconderijos, porque os há sempre, uma biblioteca pessoal não deve ter mais de trinta mil livros, dizia Eco para si mesmo. É muito livro, não sei se ele os pensava poder ler todos, mais os que lá não estão e passam por nós. Na verdade, ler esses livros não é a medida de um bibliotecário, é simplesmente viver com eles, com o gosto da novidade, com o espírito do coleccionador, com o fascínio das ideias escondidas: quando lemos um bom livro nunca terminamos de o ler.

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O Beijo de Klimt na Síra | Tiago Aires

O Beijo de Klimt está no Velvedere na Áustria.
Não sei se alguma vez terá visitado Damasco
sem ser pela mão virtual de Tamman Azzam.
Não nego a mão do artista apenas o espaço.

O Beijo dourado nas paredes neutras do museu
atrai os olhares digitais do mundo moderno
e nada me diz do mundo que é o seu.
Neste aqui as flores parecem mais verdadeiras
no caos das pedras (que perderam morada
que parecem ter fugido ou pedido asilo
quando da destruição não se espera nada)
e o abraço mais sentido.

A tragédia de tudo isto é não passar de arte
e não veja mais do que uma morada morta
quem passar por aquela parte.

Tiago Aires

La Souveraineté du People | Guillaume Erner | Gallimard

gallimard01 - 200[Le Débat]

La souveraineté du people – Guillaume Erner. La meilleure façon de saisir une société, c’est de comprendre ses obsessions. La nôtre est obsédée par la célébrité.

Ce livre cherche à comprendre pourquoi, et comment, la notoriété est devenue un objectif suprême. À cet égard, il s’est produit plus qu’une évolution : une révolution. Comment le narcissisme a-t-il pu ainsi triompher de l’humilité? Certes, jadis, la gloire était encensée. Mais la célébrité n’est pas la gloire, les people ne sont pas des héros. Tenter de saisir cette rupture, c’est saisir la nature de notre époque.
Pourquoi les people suscitent-ils autant d’attrait? Leur présence dépasse aujourd’hui de loin la presse spécialisée. Ils ont envahi Internet, et même les journaux les plus sérieux se penchent aujourd’hui sur leur sort. Alors que les people ne sont célèbres que pour leur célébrité, l’attention dont ils bénéficient ne cesse de croître. Cet essai vise à comprendre un tel paradoxe. Pour ce faire, il convoque un univers bien éloigné de celui de Nabilla et de Justin Bieber : celui des sociologues qui, de Weber à Simmel, se sont attachés à expliquer la modernité. Car les people constituent le parfait résumé de notre époque. Comprendre le rôle qu’ils jouent auprès de nos contemporains permet de mieux comprendre notre société. Ce nouveau culte de la célébrité pour elle-même révèle la condition des anonymes, depuis l’individualisme contemporain jusqu’au consumérisme. À travers le people, c’est le peuple qui est éclairé.

Lisez les premières pages : bit.ly/211fkhR

O controlo das oposições e a instauração do Estado Novo | SALAZAR, tempos difíceis | Arnaldo Madureira

salazar - 200Com o propósito de contribuir para um melhor conhecimento da ditadura que ainda hoje continua a exercer uma forte atração sobre muitos portugueses, este estudo foca-se nos acontecimentos que decorreram entre o início de 1934 e o começo da Guerra Civil Espanhola, em Julho de 1936. Trata-se de uma análise pormenorizada de um período fundamental para a afirmação do Estado Novo, pelo controlo das oposições e pela implementação das primeiras políticas de fomento económico-sociais.

Arnaldo Madureira é economista , professor universitário e investigador do período que cobre o Estado Novo. É sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Prémio Autores SPA/RTP 2016

romance modigliani - 200Cristina Carvalho nomeada para o Prémio Autores 2016, na categoria de LITERATURA – Melhor Livro de Ficção Narrativa – pela sua obra “O Olhar e a Alma” publicado por Planeta.

O vencedor será conhecido no dia 22 de MARÇO no decorrer da Gala Prémio Autores SPA/RTP 2016, no Teatro Nacional D.Maria II.

A Gala será transmitida em directo pela RTP 2.