Numas termas, sete pessoas em busca da felicidade envolvem-se e afastam-se ao ritmo de uma «valsa» orquestrada por Milan Kundera com o seu habitual humor. Ruzena, uma bela enfermeira, Klima, um músico de jazz, Jakub, antigo militante e vítima das depurações, o doutor Skreta, diretor dos serviços de ginecologia das termas, e Bertlef, o americano, são algumas das personagens que durante cinco dias se debatem nesta Valsa do Adeus, construída com o rigor de um romance clássico e fruto de uma rara capacidade de síntese e do forte poder inventivo que caracterizam as obras do autor.
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Se Eu Fosse Chão, de Nuno Camarneiro
Num grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue.
Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de Se Eu Fosse Chão – diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas – contam histórias a quem as queira escutar.
Bairro Ocidental, de Manuel Alegre
50 anos depois de Praça da Canção, a Dom Quixote edita Bairro Ocidental, de Manuel Alegre, um livro em que, tal como no primeiro, o poeta afirma a sua confiança na força da palavra poética.
Tal como há 50 anos, a poesia de Manuel Alegre seduz o leitor não só pela qualidade e o inesperado da linguagem mas também pela força que recebe de raízes que mergulham no presente histórico.
Tal como em Praça da Canção, também em Bairro Ocidental o poeta vem dizer-nos que é necessária e urgente a nossa Libertação, título do poema com que termina o primeiro segmento do livro.
Assim Nasceu Portugal, de Domingos Amaral
Na Páscoa de 1126, em Viseu, o príncipe Afonso Henriques conhece uma bela rapariga galega, de seu nome Chamoa Gomes, por quem se apaixona perdidamente. Contudo, sua mãe, Dona Teresa, regente do Condado Portucalense, irá proibir aquele casamento, pois Fernão Peres de Trava, seu amante, não admite que o príncipe se enlace com sua sobrinha Chamoa. A fúria de Afonso Henriques é imensa. Zangado com a mãe, arma-se a si próprio cavaleiro, na Catedral de Zamora; recusa prestar vassalagem ao novo rei de Leão, Castela e Galiza, o seu primo Afonso VII; e começa a liderar os portucalenses de Entre Douro e Minho, entre os quais Egas Moniz e seu irmão Ermígio, que vivem revoltados com a influência do Trava e as decisões de Dona Teresa.
Cresce a convulsão no Condado Portucalense e todos são arrastados por ela. Nobres e almocreves, amigos e conselheiros, mulheres e trovadores, pais e filhos, envolvem-se num conflito sangrento, que terminará com a inevitável batalha de São Mamede, em Guimarães.
História da Literatura Europeia, uma nova e fundamental disciplina | Adelto Gonçalves
Distinguir História da Literatura de História Literária é tarefa das mais difíceis porque, muitas vezes, ambos os termos podem parecer sinônimos, mas esse é um ledo engano em que muitos historiadores costumam escorregar. Assim, História da Literatura seria a sequência de narrativas, autores, estilos literários e teorizadores de poéticas literárias, enquanto História Literária constituiria a disciplina que estuda a Literatura de um ponto de vista histórico. Ou ainda a compreensão da Literatura através dos seus contextos (políticos, econômicos, culturais).
Feitas estas distinções, Maria Luísa Malato, professora de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica Geral da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mestre e doutora em Literatura Comparada, partiu para compor História da Literatura Europeia: uma introdução aos Estudos Literários (Lisboa, Quid Júris, 2008), que desde o seu lançamento há sete anos tem constituído livro de referência na área e presença obrigatória na bibliografia dos cursos de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica nas universidades portuguesas.
Aliás, alguma editora brasileira deveria celeremente também publicar esta obra para que cumpra o mesmo caminho nas faculdades de Letras das universidades brasileiras, especialmente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), pois seria um complemento imprescindível ao que se lê em Literatura Comparada (São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000), da professora Sandra Nitrini.
Até porque os países de língua espanhola e portuguesa tomaram como modelo outras literaturas europeias, sobretudo a francesa, ainda que, a partir de certo momento no século XX, a literatura norte-americana tenha se tornado para os literatos desta parte do globo um novo polo de atração. Seja como for, é impossível estudar as literaturas do Brasil e dos países da América hispânica sem levar em conta as suas ligações com as diversas literaturas do continente europeu.
Hanns e Rudolf, de Thomas Harding
«Um thriller incrível, um crime inenarrável e uma história essencial.» John Le Carré
Maio, 1945. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a primeira equipa britânica de investigação de crimes de guerra é reunida para caçar os oficiais nazis responsáveis pelas maiores atrocidades alguma vez vistas.
Um dos principais investigadores é o tenente Hanns Alexander, um judeu alemão que serve no Exército Britânico. Rudolf Höss é o seu alvo – como Kommandant de Auschwitz, não só foi o responsável pelo assassinato de mais de um milhão de pessoas, como também quem aperfeiçoou o programa de extermínio em massa idealizado por Hitler.
Obra Poética de Sophia de Mello Breyner Andresen
Chega hoje às livrarias a nova edição de Obra Poética, o livro que reúne toda a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, seguindo e atualizando os critérios de fixação de texto adotados nas edições anteriores, graças ao cuidado trabalho de Maria Andresen Sousa Tavares e Carlos Mendes de Sousa, que assinam, respetivamente, o prefácio e a Nota de Edição. O presente volume inclui ainda uma parte com vários poemas inéditos que integram o espólio da autora, em depósito na Biblioteca Nacional de Portugal.
Como diz Maria Andresen Sousa Tavares, no Prefácio a esta edição, há «poetas mais peritos, mais cultistas, mais destros e liricamente sofisticados, mais modernos, mais antimodernos e pós-modernos, melhores pensadores. Mas aqui há uma força. Uma força muito raramente atingida. Há o vislumbre de um excesso não muito cauteloso, umas vezes iluminado, outras vezes rouco (“às vezes luminoso outras vezes tosco”). Mas há, sobretudo, o poder de uma simplicidade difícil de enfrentar, por vezes inconfortável, não pela dificuldade conceptual, mas porque a simplicidade é a coisa mais complexa e, neste caso, a mais difícil, porque nem sempre oferece o flanco ao diálogo, quando busca o “dicível” do esplendor e do terror […].»
O Livro dos Camaleões, de José Eduardo Agualusa
Um ditador africano, muito respeitado em Portugal, escreve a sua biografia. Um famoso marinheiro maltês visita São Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa. Um antropólogo descobre-se nu e indefeso diante de uma mulher. Uma zebra persegue um escritor. Uma virgem perde a cabeça.
Neste O Livro dos Camaleões cruzam-se personagens em busca de uma identidade, ou em trânsito de identidade, atravessando diversas épocas, do século XIX aos nossos dias, e diversas geografias, das savanas do Sul de Angola às ruidosas ruas do Rio de Janeiro.
Algumas destas personagens são arrancadas à realidade ou inspiradas em figuras reais. Não se trata de saber onde termina a realidade e começa a ficção. Trata-se de questionar a própria natureza do real.
O meteorologista, de Olivier Rolin
A Sextante Editora publica o mais recente romance de Olivier Rolin, O meteorologista, um relato surpreendente da história real de Alexei Vangengheim, um homem que, como muitos outros, perdeu o controlo sobre o seu destino e foi enviado para um dos primeiros gulags no Norte da Rússia, após ser alvo de uma denúncia de oposição ao regime.
Anos mais tarde, Olivier Rolin encontrou as cartas de Alexei para a filha – que vêm fac-similadas nesta edição – e decidiu investigar esta emotiva história que, como o próprio afirma, não é tão longínqua como poderíamos pensar.
Olivier Rolin vai estar em Portugal de 7 a 9 de maio para participar na 1ª edição do Festival Encontradouro, em Sabrosa.
O Espião de D. João II – Pêro da Covilhã
Pêro da Covilhã, o formidável espião de D. João II, injustamente esquecido pelos historiadores e quase desconhecido dos portugueses, é uma personagem histórica invulgar, cujas acções tiveram enorme repercussão no xadrez político da Europa. Escudeiro do rei, que o escolhia para as missões mais secretas e arriscadas, era dotado de qualidades e talentos excepcionais: memória fotográfica, extraordinária aptidão para aprender línguas, mestria na arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, capacidade de adaptação ao imprevisto, perícia no manejo de todas as armas do seu tempo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, ideais cavaleirescos da Demanda, da Aventura e do culto da Mulher e do Amor.
A autora convida-nos a acompanhar Pêro da Covilhã na sua longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mediterrâneo, Mar Vermelho, Arábia, Pérsia, costas do Índico, Calecut, África Oriental e Etiópia, e descobrir lugares, povos e culturas nunca antes vistos por um ocidental, cujos costumes lhe eram completamente estranhos.
Diário da Abuxarda – 2007-2014
Abrangendo os anos de 2007 a 2014, Diário da Abuxarda é uma leitura fascinante sobre o correr do tempo, em que notas sobre o dia-a-dia alternam com considerações sobre factos políticos, viagens, amigos, família, literatura ou arte, sempre com a lucidez e a ironia subtil que tornam Marcello Duarte Mathias um caso ímpar na escrita diarística em Portugal.
(…) «No fundo, fui toda a vida um flâneur – sorte, a minha! – e se estas páginas algum mérito têm é essa atenção simultaneamente empenhada e distraída com que olho o tempo e o mundo à minha volta. E cá vou ficando à espera do que tarda em chegar: uma verdade em forma de conclusão.»
Marcello Duarte Mathias
Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho
Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Um romance trepidante, finalista do Prémio Leya 2014, que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História.
E Todavia, de Ana Luísa Amaral
A Assírio & Alvim publica o mais recente livro de poesia de Ana Luísa Amaral, E Todavia. A vida, o amor, pequenos episódios do quotidiano, equações e somas imperfeitas — o êxtase da leitura – percorrem este livro que surge 25 anos depois do primeiro livro da autora, Minha senhora de quê.
O lançamento deste livro ocorrerá no próximo dia 14 de maio, na livraria Bertrand Chiado, em Lisboa, com apresentação a cargo de Lídia Jorge e leitura de poemas pela autora e por Pedro Lamares.
No catálogo da Assírio & Alvim consta o livro Escuro, cujos direitos de publicação estão já vendidos para o Brasil, Espanha e México.
O Poeta de Pondichéry, de Adília Lopes
A partir do dia 24 de abril chega às livrarias a novíssima edição de O Poeta de Pondichéry, na colecção Assirinha, dedicada à literatura infantojuvenil. Partindo de uma enigmática personagem de Jacques le Fataliste, de Diderot, este livro de Adília Lopes tem sido, no conjunto da sua obra, um dos mais traduzidos e estudados, em Portugal e no estrangeiro, e surge agora numa edição que deliciará miúdos e graúdos com os desenhos mordazes e surpreendentes de Pedro Proença.
Choriro, ou o retrato de um povo, por Ungulani Ba Ka Khosa
A extraordinária história do rei branco Nhabezi é o ponto de partida de Ungulani Ba Ka Khosa em Choriro, romance que a Sextante Editora publica a 24 de abril. Baseando-se em factos reais, o escritor faz neste livro (cujo título significa choro ou luto, na língua local) um retrato valioso do vale do Zambeze no século XIX, representativo da identidade moçambicana, antes do despontar do colonialismo mercantil. Em destaque está o reinado de Nhabezi, ou antes Luís António Gregódio, um líder carismático que marcou a História de Moçambique. Com Choriro, o autor diz ter procurado «resgatar a alma de um tempo, a voz que não se grudou aos discursos dos saberes».
Ungulani Ba Ka Khosa, que exerce atualmente as funções de diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco e é secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, vai estar brevemente em Portugal para participar na 85ª Feira do Livro de Lisboa.
Dom Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes
A imortal história do Cavaleiro da Triste Figura que, acompanhado pelo seu fiel escudeiro, Sancho Pança, atravessa montes e vales, lutando contra moinhos de vento e cavaleiros imaginários em nome da justiça. Retrato do anti-herói, Dom Quixote, o fidalgo enlouquecido, representa a capacidade de transformação do homem em busca dos seus ideais.
Escrito no século XVII, é um livro intemporal que continua a fascinar sucessivas gerações de leitores em todo o mundo. Repleto de aventuras e situações fantásticas, com um imaginário único, que marcou a história da literatura, este é muito mais do que um romance de cavalaria. Pelo contrário, ao satirizar os romances de cavalaria, em voga na época, Dom Quixote afirma-se como o clássico fundador do romance moderno. O humor, as digressões e reflexões, a oralidade nas falas e a metalinguagem marcaram o fim da Idade Média na literatura.
A sua importância é tal que as figuras de Dom Quixote e de Sancho Pança são talvez visualmente familiares a mais pessoas em todo o mundo do que qualquer outra personagem literária.
Eu não Venho Fazer um Dircurso
Eu não Venho Fazer Um Discurso é a terceira frase do texto que, aos dezassete anos, Gabriel García Márquez leu aos seus colegas do liceu de Zipaquirá e é também o título que escolheu para este livro onde se reúnem todos os textos que escreveu para ler em público. Em 1972, afirmou na cerimónia de entrega do Prémio Rómulo Gallegos por Cem Anos de Solidão que havia duas coisas que tinha prometido a si mesmo nunca fazer: «receber um prémio e pronunciar um discurso».
Mas, dez anos depois, recebeu o Prémio Nobel, e teve de fazer o discurso mais importante da sua vida de escritor. Desde então, este género tornou-se essencial para a sua carreira como autor cuja presença era solicitada em todo o mundo.
Perante ouvintes tão variados como companheiros de secundária, reis e presidentes, militares, cineastas, jovens admiradores, ou colegas jornalistas e escritores, García Márquez aborda, entre inúmeros temas, a sua vocação, a paixão pelo jornalismo, a inquietação perante o perigo da proliferação nuclear, a proposta para simplificar a gramática, os problemas da sua terra colombiana ou a lembrança emocionada de amigos escritores como Julio Cortázar e Álvaro Mutis, entre outros.
Bichos – Edição Comemorativa – 75 anos
Uma nova edição que assinala os 75 anos de uma obra que tem acompanhado várias gerações de leitores. Sobre este livro, dirigindo-se ao leitor, Miguel Torga escreveu o seguinte no prefácio:
(…) «És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes».
TABULA RASA | FESTIVAL LITERÁRIO DE FÁTIMA
Joaquim Pessoa – a página oficial
Uma oportunidade de acompanhar a obra de Joaquim Pessoa, poeta, letrista e artista plástico.
«… julgo que a poesia tem, também, a obrigação de palpar o mundo, de estar atenta aos sintomas e ajudar ao diagnóstico.»
Joaquim Maria Pessoa (Barreiro, 22 de fevereiro de 1948), conhecido por Joaquim Pessoa, é um poeta, artista plástico, publicitário e estudioso de arte pré-histórica português.
Cifra, de Mai Jia
Um dos livros do ano. Um dos mais aclamados livros da última década e um bestseller internacional.
Os números escondem palavras e segredos. Escondem a ordem e a desordem do mundo – bem como comunicações militares e códigos que ninguém consegue decifrar. Até aparecer este homem.
Neste seu romance de estreia, Mai Jia revela o misterioso mundo da unidade 701, uma secretíssima agência de inteligência chinesa, cujo único propósito é decifrar códigos.
Combinando brilhantemente o mistério e a tensão de um thriller de espionagem com as nuances de uma profunda observação psicológica e as qualidades mágicas de uma fábula chinesa, Cifra revela-nos na criptografia a chave do coração humano.
Um livro misterioso e fascinante que apresenta Mai Jia como um dos maiores e mais populares escritores da China dos nossos dias, e que conquistou o reconhecimento internacional.
50 anos da Praça da Canção – Itália
Manuel Alegre viaja amanhã para Itália onde, primeiro em Vicenza e depois em Pádua, participará em duas sessões comemorativas dos 50 anos da Praça da Canção.
Suite Francesa, de Irène Némirovsky
Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta.
Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes, Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte.
O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial.
Para que não te percas no bairro, de Patrick Modiano
O mais recente romance do Nobel da Literatura 2014.
Várias décadas passaram desde que Jean Daragane, em criança, viveu em Saint-Leu-la-Forêt. Agora, sexagenário, escritor, mal pensa nisso. Leva uma existência solitária, o telefone raramente toca, praticamente não escreve. Até que acontece um «quase nada». Como que uma picada de inseto, que a princípio parece muito leve. Esse «quase nada» é o aparecimento de uma velha agenda telefónica onde figura o nome de Guy Torstel. Arrastado para o passado, para a Paris dos anos 1950 e 1960, Daragane vai-se confrontar com a memória de Annie Astrand, que foi para ele uma espécie de mãe e, mais tarde, talvez uma amante…
Depois de O horizonte, As avenidas periféricas e Dora Bruder, todos eles muito bem recebidos pelos leitores e críticos literários, este é o quarto romance do Nobel da Literatura 2014 no catálogo da Porto Editora.
TABULA RASA | FESTIVAL LITERÁRIO DE FÁTIMA
Fantasia para dois coronéis e uma piscina, de Mário de Carvalho
Nova edição do romance de Mário de Carvalho premiado pelo PEN Clube.
A Porto Editora publica, Fantasia para dois coronéis e uma piscina, de Mário de Carvalho, romance agraciado com o Prémio PEN Clube Português Ficção 2003 e com o Grande Prémio de Literatura ITF/DST.
Neste livro, protagonizado por dois coronéis reformados do Exército, ex-combatentes da Guerra Colonial, Mário de Carvalho faz, como nos tem vindo a habituar, uso da sátira para promover uma reflexão sobre a sociedade portuguesa do início do século XXI – questionando mesmo, no final do livro, se «Há emenda para este país?». Sobre Fantasia para dois coronéis e uma piscina, o crítico literário Pedro Mexia escreveu: «foi provavelmente o melhor romance português publicado em 2003. […] Coisa rara na ficção portuguesa, cada página provoca o desejo da releitura: mas da releitura imediata, para saborear a prosa, a graça e a inteligência. Este é um livro brilhante, com momentos geniais. Portugal não tem uma dezena de escritores assim. Por favor, estimem-nos.»
Herberto Helder ( 1930 – 2015 ) – por Cristina Carvalho
Herbe
rto Helder foi, é considerado um dos poetas maiores da segunda metade do século XX em Portugal. Personalidade misteriosa, aparentemente misantropo, seguramente avesso a prémios, aplausos e encontros, viveu e trabalhou por essa Europa fora, sempre desenhando a sua literatura poderosa em numerosas obras, livros de poesia e prosa.
Nos verdes anos frequentou o Café Gelo, onde paravam os poetas surrealistas e artistas de variados contornos. Que se saiba, frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e na Faculdade de Letras, o curso de Filologia Românica, sem ter terminado nenhum destes propósitos.
Judith Teixeira – Poesia e Prosa
“Com esta edição, propositadamente publicada no ano em que se comemora o primeiro centenário do Orpheu, pretende-se combater uma certa amnésia cultural marcada pelo género nas letras portuguesas, arquivar o longo ‘processo disciplinar’ desta pioneira, e desvendar materiais inéditos, no intuito de confirmar o lugar de comprovada importância simbólica ocupado por Judith Teixeira no palco modernista português.”
da introdução de Cláudia Pazos Alonso
Nascida em 1888, tal como Fernando Pessoa, e contemporânea de Florbela Espanca, outra mulher a quem quiseram aplicar o rótulo de “poetisa”, Judith Teixeira rompeu corajosamente com o padrão do silenciamento das mulheres no contexto de Portugal das anées folles, para se tornar um sujeito activo, que desvendou o corpo feminino sem pejo. Esta edição traz a lume cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita, além de reunir cinco obras de poesia e prosa que a autora publicou em vida. No seu conjunto, o presente volume permite-nos situar devidamente esta escritora no lugar que lhe pertence por direito próprio, ou seja, em plena vanguarda modernista.
O Que Não Pode Ser Salvo, de Pedro Vieira
Um triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul. Uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence; um rapaz que luta para sair do meio devorador em que nasceu; um miúdo burguês, canhestro, com uma família de fachada; e um quarto elemento que completa o elenco de uma tragédia contemporânea de ressonâncias clássicas: história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center. O Que Não Pode Ser Salvo é também o retrato dos males sociais e culturais que afligem um país enfraquecido pela crise económica e pela falência dos valores.
Pedro Vieira nasceu em Lisboa, em 1975, cidade onde escreve, desenha e vive. Trabalha como consultor na empresa Booktailors, como guionista no Canal Q das Produções Fictícias, como ilustrador na revista LER – e como português entre os escombros.
As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
“Se o meu livro As Cidades Invisíveis continua a ser para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido reunir numa única representação todas as minhas reflexões, experiências e conjecturas.”
Assim se refere o próprio Italo Calvino – um dos escritores mais importantes e estimulantes da segunda metade do século xx – a este livro surpreendente, em que a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana.
As Terras Devastadas, de Stephen King
O livro 3 da série A Torre Negra.
Neste terceiro volume da série de culto, Roland prossegue com a sua demanda pela Torre Negra, mas agora já não está sozinho. Treinou Eddie e Susannah, que entraram no Mundo Médio em momentos diferentes no livro anterior, à velha maneira dos pistoleiros. Mas o seu ka-tet ainda não está completo. Falta escolher um terceiro elemento: alguém que já esteve no Mundo Médio, um menino que morreu não uma, mas duas vezes, mas que continua vivo. Os quatro do ka-tet, unidos pelo destino, terão de fazer uma longa viagem até às terras devastadas e à cidade destruída de Lud, que fica para além delas. Pelo caminho, encontrarão a fúria de um comboio, que pode muito bem ser o seu único meio de fuga…
O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë
Único romance de Emily Brontë, publicado em 1847, um ano antes da sua morte, O Monte dos Vendavais foi considerado lúgubre e chocante pelos padrões de meados do século XIX. No entanto, esta história sombria de paixão e vingança, ambientada nas charnecas solitárias do Norte da Inglaterra, provou ser um dos clássicos mais duradouros da literatura inglesa. A turbulenta e tempestuosa história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff abrange duas gerações: desde o tempo em que Heathcliff, um rapaz grosseiro e estranho, é adoptado pelo patriarca da família Earnshaw – o senhor do Monte dos Vendavais –, passando pelo casamento de Cathy com Edgar Linton e a terrível vingança de Heathcliff, até à morte de Cathy, anos mais tarde, e à eventual união dos herdeiros das famílias Earnshaw e Linton.
Uma das mais maravilhosas histórias de amor de todos os tempos, O Monte dos Vendavais permanece hoje tão comovente e convincente como quando foi publicado pela primeira vez.
A Vida Amorosa de Nathaniel P. – Adelle Waldman
Nathaniel (Nate) Piven é uma estrela em ascensão. O seu primeiro livro vai ser publicado por uma editora importante, a sua reputação como crítico literário é irrepreensível, as mulheres adoram-no. Vive em Brooklyn há alguns anos, mas em termos sociais é como se tivesse acabado de chegar. Com estrondo. Nate deveria, pensamos, estar feliz.
Mas ele é demasiado obsessivo para se limitar a apreciar a vida. Uma noite, ao sair de casa, Nate é (mais uma vez) vítima desse campo minado de ex-amantes que é Nova Iorque. Entre acusações e tentativas de fuga, ele prevê (corretamente) que “a noite acabará como tantas outras, em lágrimas”. Mas essa é também a noite em que conhece Hannah Leary. Como ele, Hannah vai ter a sua obra publicada por uma editora de renome. Nate fica fascinado. Ela é atraente, culta e sofisticada. Melhor do que todas as outras. Uma mulher, acredita, à sua altura. Hannah é já o objeto do seu desejo. Será também aquilo que ele realmente quer?
Veio Depois a Noite Infame, de Margarida Palma
Lisboa, 1921.Vivem-se ainda as sequelas da Grande Guerra e os temores causados pela Revolução Russa, mas sente-se sobretudo o descrédito dos políticos, responsáveis por uma crise sem fim à vista que mergulha o País na miséria e acende, por todo o lado, focos de violência. O assunto é tema de conversa em casa do advogado viúvo Eugénio Furtado – o «palacete» onde reside com as irmãs e a sua bela e encantadora filha Madalena –, mas também no prédio ao lado, do qual são inquilinos um casal de aristocratas russos refugiados, um velho fidalgo monárquico, uma prima de Eugénio e a famosíssima Elisa, actriz de grande talento mas reputação duvidosa, que organiza continuamente festas e jantares.
Com um riquíssimo leque de personagens – republicanos convictos e saudosos do rei, devotos de Fátima e ateus, aristocratas, burgueses e populares –, Margarida Palma parte do microcosmos de um bairro lisboeta para nos dar conta de como se vivia e amava em Portugal no mais violento período da I República.
Má Luz, de Carlos Castán
Jacobo e o narrador são velhos companheiros que partilham afinidades literárias, filosóficas e, sobretudo, vitais, como o álcool, as noitadas, a solidão insuportável e o amor às mulheres. Porém, quando Jacobo aparece morto à facada na sua casa de Zaragoza, o amigo decide apropriar-se da vida dele, como se essa fosse a única possibilidade que lhe resta de fugir da sua. E, assim, conhece a bela e enigmática Nadia, junto de quem empreenderá uma investigação obsessiva para esclarecer o assassinato de Jacobo.
Má Luz é uma ficção melancólica, sensual e romântica sobre o desejo e a busca de um sentido para a vida, mas é também uma espécie de thriller intenso e vertiginoso que se lê em absoluta tensão da primeira à última página.
Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.
Cavaleiro Andante, de Almeida Faria
O último volume da Tetralogia Lusitana em edição revista e aumentada.
Chega às livrarias, no próximo dia 20 de fevereiro, Cavaleiro Andante, o quarto e último volume da Tetralogia Lusitana de Almeida Faria, numa nova edição revista pelo autor. Esta edição conta com um prefácio de Eduardo Lourenço e um texto de Hélia Correia e inclui ainda nova correspondência entre duas das suas principais personagens: uma carta escrita por João Carlos a Marta, dez anos depois, e um e-mail de Marta a João Carlos, com data de 1 de janeiro de 2015.
De Lisboa ao Alentejo, de Roma e Milão a Veneza, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Pula a Luanda, de uma onírica ilha de Madagáscar a um imaginário Comboio Fantasma, da Aldeia Aérea a uma viagem ao Centro da Terra, as figuras já conhecidas dos leitores d’A Paixão (publicado pela primeira vez há 50 anos), de Cortes e Lusitânia vagueiam, viajam, divagam em secretas demandas entre delírio e lucidez, entre ilusões e desejos, desilusões e novos desejos, nas incertezas e nos riscos de mil novecentos e setenta e cinco, durante apenas dois meses mas dois meses decisivos, divididos entre a esperança e o perigo.
Elogio da Dialéctica | Bertold Brecht
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o mau começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos!
Quem ainda está vivo não diga: nunca!
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí algo que o retenha, liberte-se!
E nunca será: ainda hoje.
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
Operação Negócios Privados, de Paulo Reis
«Durante cerca de uma hora, Pedro Baltazar e Jorge Oliveira debruçaram-se sobre os segredos do Grupo Privado de Negócios. À medida que a informação ia correndo, o Velho foi-se apercebendo da verdadeira dimensão e poder do grupo. Quando Jorge Oliveira lhe explicou os detalhes do arranque do grupo, concluiu que havia ali algo de profundamente estranho.»
Pedro Baltazar, o Velho, como é conhecido nos meios da secreta, tem contas antigas a ajustar com a verdade. Mas hoje, a verdade esconde-se de tantas maneiras, e sob tantas camadas de informação cuidadosamente injectada, que parece impossível sequer de localizar.
Desde a operação em curso às ramificações do fundamentalismo islâmico que actua em Portugal, à «toupeira» a que é preciso dar caça dentro dos próprios Serviços de Segurança e Informação, o Velho é posto à prova em várias direcções.
O Fotógrafo e a Rapariga, de Mário Cláudio
Com O Fotógrafo e a Rapariga, conclui Mário Cláudio uma trilogia dedicada às relações entre pessoas de idades muito diferentes, iniciada em 2008 com Boa Noite, Senhor Soares – que recria o microcosmo do Livro do Desassossego, trazendo para a cena um aprendiz que trabalha no mesmo escritório de Bernardo Soares – e continuada em 2014 com Retrato de Rapaz – fascinante relato da vida atribulada de um discípulo no estúdio do grande Leonardo da Vinci.
No presente volume, os protagonistas são o britânico Charles Dodgson, que se celebrizou com o pseudónimo Lewis Carroll com que assinou, entre outros, o clássico Alice no País das Maravilhas, e Alice Lidell, a rapariga que o inspirou, posando provocadoramente para os seus retratos e alimentando as suas fantasias.
Nas livrarias a 24 de Fevereiro
A Casa das Rosas, de Andréa Zamorano
Esta é a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período
épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha pelas eleições diretas, marco no combate pela democracia), vão transportar o leitor para um mundo
onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam. Ao longo desta história, haverá uma mãe desaparecida, um vestido de noiva, um detetive solitário, um
jardineiro que sabe demais, um deputado poderoso, um perfume de rosas, uma fuga através da cidade, um animal que fala, um fantasma que aparece e
desaparece, um poeta mexicano que só mais tarde irá surgir nos livros de Roberto Bolaño. E um final empolgante e inesperado.
A estreia de uma autora que cruza as culturas (e ortografias) de uma mesma língua.
A poesia reunida de Rui Pires Cabral
A Assírio & Alvim publica, a 13 de fevereiro, Morada, o livro que reúne todos os livros de poesia de Rui Pires Cabral, à exceção dos volumes de poemas-colagens que apareceram nos anos mais recentes. Inclui ainda Evasão e Remorso — um conjunto de poemas que ainda não havia sido publicado em livro — e uma secção final com alguns textos dispersos e inéditos.
Este livro inclui ainda alguns desenhos de Daniela Gomes e a capa parte de uma colagem de Martin Copertari.
Nas livrarias a partir do dia 13.
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DE QUE SERVIRIA
Aquilo que somos não é aparente,
não podemos explicar o sofrimento
de onde procede este amor.
Mas eu não vim para te dizer
como as sombras mistificam
o mundo: não me perguntes nada.
Tu já és a causa por detrás da máquina
dos dias, se eu for por essa terra fora
será para chamar por ti.
O Morcego, de Jo Nesbo
O inspector Harry Hole, da Brigada Anticrime de Oslo, é enviado numa missão a Sydney, na Austrália, para investigar um homicídio. Deve colaborar com as autoridades locais, mas tem instruções para se manter longe de sarilhos. A vítima é uma norueguesa de 23 anos, em tempos uma celebridade televisiva no seu país.
Harry não consegue ser um simples espectador e, à medida que se envolve na investigação, trava amizade com um dos detectives responsáveis pelo caso. Juntos concluem que estão a lidar com o último de vários homicídios por resolver e, pelo padrão, estar na presença de um psicopata que actua ao longo do país. Prestes a descobrir a identidade do assassino, Harry começa a temer que ninguém esteja a salvo, principalmente as pessoas envolvidas na investigação… e os seus receios transformam-se no seu mais profundo pesadelo.
Primeiro livro da série Harry Hole
Nas livrarias a 10 de Fevereiro
Um Homem e o Seu Cão, de Thomas Mann
Um Homem e o Seu Cão é a comovente história da relação de Thomas Mann com o seu perdigueiro alemão. Desde o primeiro encontro, numa quinta, Mann conta como gradualmente começa a amar este animal inteligente, leal e cheio de energia. Durante os seus passeios diários, Mann começa a compreender e apreciar Bauschan enquanto ser vivo, testemunha o seu prazer em caçar lebres e esquilos e as suas meticulosas inspeções a pedras, galhos e folhas húmidas. Mann reflete sobre a vida interior do animal e maravilha-se com a facilidade com que ele confia totalmente em si. pondo a sua vida nas mãos do dono.
Os dois desenvolvem uma compreensão mútua com o passar do tempo, mas Mann ganha também consciência de uma divisão intransponível que os separa. E, como em todas as relações, existem momentos de tensão, frustração ou desilusão, mas que são sempre superados por uma ligação íntima, profunda e de grande amizade entre os dois.
Uma história encantadora de amizade entre um homem e um cão.
Cristina Carvalho no Casino das Letras
Cristina Carvalho foi a primeira escritora convidada do segundo ciclo O Casino das Letras, uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Autores e do Casino Figueira.
Aqui, neste vídeo, à conversa com a investigadora Teresa Carvalho.
Com Um Sonho na Bagagem, de Maria José de Lancastre
Com um Sonho na Bagagem é em primeiro lugar o relato de uma viagem que Luigi Pirandello fez a Portugal em Setembro de 1931. O pretexto foi o convite para participar, na qualidade de hóspede de honra, no V Congresso da Crítica Dramática e Musical que António Ferro organizou em Lisboa com a extravagante e engenhosa ideia de o tornar «itinerante», de modo a destacar Portugal na ribalta da imprensa internacional.
O livro de Maria José de Lancastre, fruto de cuidadosas pesquisas em arquivos públicos e privados e rico em documentos inéditos, relata um importante acontecimento cultural hoje esquecido onde, paradoxalmente, se debateu a liberdade de opinião e a independência da crítica num país que estava à beira da ditadura. A viagem de Pirandello, aparentemente ocasional, torna-se assim um acontecimento relevante e, para além de um encontro entre duas culturas, é também motivo de uma análise comparada entre duas poéticas e duas visões da vida geograficamente e linguisticamente distantes, mas substancialmente e intrinsecamente contíguas.
Praça da Canção, de Manuel Alegre
Publicado pela primeira vez em Janeiro de 1965, Praça da Canção, o primeiro livro de Manuel Alegre, escrito no exílio, marcou várias gerações de leitores e, para além disso, contribuiu de forma decisiva para o derrube da ditadura, sendo considerado, portanto, um símbolo da luta pela liberdade.
50 anos depois, a Dom Quixote assinala esta efeméride com a publicação de um livro emblemático, prefaciado por José Carlos de Vasconcelos, que o descreve assim: “Praça da Canção, de Manuel Alegre, há muito ultrapassou as fronteiras da literatura para assumir uma dimensão simbólica ou mesmo mítica (…) Os versos de Praça da Canção andaram, desde sempre, de boca em boca, de mão em mão, de coração em coração, em simultâneo singular expressão individual de um poeta e vigorosa voz coletiva de um povo.”
O Último Europeu, de Miguel Real
Em 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que mentalmente.
Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade.
Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.
Trova do vento que passa | Manuel Alegre
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio – é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Versão integral do poema escrito em 1963 e incluído no livro Praça da Canção (1965). A versão musicada por António Portugal e cantada por Adriano Correia de Oliveira é um excerto, com a primeira e as duas últimas quadras.
Desamparo, de Inês Pedrosa
A saga de uma mulher que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos de idade e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa.
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes. Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.
Um Crime na Exposição, de Francisco José Viegas
Porto Editora publica nova edição do romance de Francisco José Viegas passado na Expo’98.
No dia 23 de janeiro, chega às livrarias a nova edição de Um Crime na Exposição, o romance de Francisco José Viegas que tem como cenário a Expo’98. Esta trama policial, protagonizada pela famosa dupla de detetives Jaime Ramos e Filipe Castanheira, foi inicialmente publicada em folhetim semanal nas páginas do Diário de Notícias, e viu a sua primeira publicação integral ainda em 1998.
Francisco José Viegas é autor de uma vasta obra, de diferentes géneros, tendo sido agraciado em 2005 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo romance Longe de Manaus, já publicado pela Porto Editora.
A ridícula ideia de não voltar a ver-te, de Rosa Montero
A ridícula ideia de não voltar a ver-te é «um livro sobre a vida, apaixonado e alegre, sentimental e brincalhão», diz a autora O mais recente livro de Rosa Montero nasceu durante o luto pelo seu marido, após ler o diário de Marie Curie, que havia passado por um processo semelhante. Contudo, A ridícula ideia de não voltar a ver-te está longe de ser sombrio – é antes uma celebração à vida, e é publicado pela Porto Editora no dia 23 de janeiro.
Aclamado pela crítica e pelos seus pares, A ridícula ideia de não voltar a ver-te foi considerado o melhor livro de memórias pelos leitores do jornal El País, apesar de ser um livro desprendido de género: não é um romance, nem ensaio, nem biografia, embora englobe a visão mais íntima e pessoal da escritora. Original e autêntico, reúne histórias, lembranças, fotografias e hashtags.
Rosa Montero vai estar em Lisboa de 28 a 30 de janeiro para contactos com a comunicação social.
Maria Isabel Fidalgo
E Deus criou o homem e inquietou-lhe os olhos. E Deus criou a mulher e deu-lhe a extensão da água e uma fiada de violetas na bainha do azul. E Deus criou o dia que fosse três vezes três. Depois Deus escondeu-se onde O procurasses. E foi maravilhoso!
Maria Isabel Fidalgo, dando os parabéns a uma grande amiga, in Facebook
Alegria Breve, de Vergílio Ferreira
No ano em que se comemoram os 50 anos sobre a primeira publicação de Alegria Breve, a Quetzal disponibiliza uma nova edição deste importante marco da narrativa vergiliana.
«Ganharei o jogo? Perco sempre. Porque tentar ainda? Ganhar uma vez. Uma vez só. Às vezes penso: ganhar uma vez e não jogar mais. Esqueceria as derrotas, a memória do homem é curta. E no entanto… Começo a sentir-me bem, perdendo. Quer dizer: começo a não sentir-me mal. A capela de S. Silvestre já não brilha. Mas ainda se vê bem. É triste o entardecer, boiam coisas mortas na lembrança, como afogados. Uma nuvem clara passa agora não sobre o monte de S. Silvestre, mas sobre o outro, o pico d’El-Rei. É um pico menos aguçado, forma um redondo de uma cabeça. Há quanto tempo já lá não vais? Para o lado de trás, vê-se o sinal de uma aldeia (aldeia?), um sinal breve, trémulo, branco. Quando se olha, o tempo é imenso, e a distância — a vida é frágil e temos medo. Dou xeque duplo, vou-te comer a torre, Padre.»
Nas livrarias a 16 de Janeiro.
António Gedeão no AJA
A Aja Lisboa vai evocar António Gedeão. Uma exposição elaborada para a Galeria da Casa Da Cultura | Setúbal, e mostrada por lá no segundo mês de vida da Casa, vai agora estar nas bonitas instalações da Associação José Afonso em Lisboa. Vão lá estar também a escritora Cristina Carvalho, a declamadora Eugénia Alves e o cantor Samuel Quedas. É no próximo domingo, dia 11. Apareçam.
José Teófilo Duarte www.blogoperatorio.blogspot.com
NOCTURNO, o romance de Chopin – em braille

“NOCTURNO, o romance de Chopin”, de Cristina Carvalho, publicado por Sextante / Porto Editora, recomendado no Plano Nacional de Leitura (PNL) para o ensino secundário encontra-se agora – desde hoje – disponibilizado em braille na Biblioteca Nacional de Portugal para leitores invisuais.
Depois da edição em audiolivro, leitura com duração de 4 horas e 57 minutos pela escritora Maria Manuel Viana, chega-nos numa outra forma de acessibilidade. Também está disponibilizado como livro digital.
Sinopse
Como um piano solitário em que o artista desenha os quadros musicais de melodias e harmonias com timbres, ritmos e tempos diversos, assim foi desenhado este romance polícromo, tecido de amores e paixões, que conta a vida de Chopin, desde o seu nascimento em 1 de Março de 1810, na Polónia, até à sua morte, em 17 de Outubro de 1849, em Paris. Uma história feita de subtilezas, paixões intensas, escuras intrigas, vivências e amizades sinceras, presenças e saudades.
Raimundo – Conto I | Cole©tivo Nau | Cristina Drios
“…ter mundo para onde ir quando está farta disto.” Para que serve conhecer muito mundo se não conseguimos evadir-nos? Cristina Drios inicia esta participação do Cole©tivo Nau no Das Letras. Um folhetim que tem como ponto de partida o Raimundo que, dizem, conhecia muito mundo.
A um ritmo quinzenal, Raimundo virá até nós na voz dos autores do Cole©tivo Nau. Encontro marcado no Das Letras.
Saiba mais aqui.
NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER | Ary dos Santos

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
O Natal é quando um Homem quiser!
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
ARY DOS SANTOS
FLORBELA ESPANCA
Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;
Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!
E abrir os braços e viver a vida:
– Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!
E, acabada a tarefa… em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!
Bluebird
Bluebird é uma animação de um poema de Charles Bukowski, criada por Monika Umba, estudante de Cambrigde School of Art. Sobe esta animação, Marina Franconeti escreveu o seguinte:
Com uma perfeição visual muito bem desenvolvida pela artista, a trilha de poucas notas dá o toque melancólico que soa na leitura. Os personagens possuem um corpo meio rígido, parecem feitos de recortes de jornal. Por isso, tem algo de cotidiano neles. O pássaro e o azul, os grandes protagonistas da animação, dão o tom aos eventos e brilham pela imagem, trazendo à vida a magia do poema.
O Meu Irmão – Prémio LeYa 2014
Em O Meu Irmão, considerado pelo júri, de forma unânime, o melhor original apresentado este ano a concurso, o narrador, um professor universitário de meia-idade, passa férias com o irmão deficiente numa pequena casa de família situada numa aldeia abandonada no interior de Portugal. O isolamento força-o a rememorar a vida em comum com o irmão, em particular porque os acontecimentos mais recentes podem pôr em causa o seu relacionamento. No fim desvenda-se o mistério.
Recordando as palavras do júri no dia da atribuição do Prémio, o livro aborda um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e humor, o desconforto de quem vive este problema.
Um Circo que Passa, de Patrick Modiano
Um Circo que Passa revela bem o estilo de Patrick Modiano, fortemente marcado pela Guerra, pelos anos 40 e pela sua própria infância.
A polícia, os bares duvidosos e as ruas de uma cidade simultaneamente amiga e inimiga – é nesta Paris dos anos 60 que acompanhamos a fuga e as deambulações de um casal à procura do amor. Uma história que tem como narrador Jean, e em que toda a acção gira em torno do seu relacionamento, aos dezassete anos, com a misteriosa Gisèle.
Ambos têm muito a esconder um do outro. Partilham, porém, os mesmos sonhos.
Domingos de Agosto, de Patrick Modiano
Em Domingos de Agosto entramos num fascinante labirinto de mistérios. Por que motivo o narrador fugiu das margens do Marne com Sylvia para se esconderem num obscuro quarto de Nice? Qual a origem do diamante Cruz do Sul, que Sylvia arrasta consigo como uma promessa e uma maldição?
De que morreu o popular ator Aimos? Quem é Villecourt? Quem são os Neal, esse estranho casal cujo carro ostenta uma matrícula diplomática?
E por que estão tão interessados em Sylvia, no narrador e no Cruzeiro do Sul? Ao longo das páginas deste misterioso romance, onde se cruzam todos estes enigmas, nasce uma história de amor que exala um fascínio que irá dominar o leitor por muito tempo.
Citando Rubem Fonseca
Quando terminei o curso primário, arranjei um emprego para ajudar a minha mãe. De bicicleta eu fazia a entrega de produtos de beleza de uma firma que não tinha loja, só anunciava pela internet. O nome era Slim Beauty, acho que é assim que se escreve, é inglês, creio que significa beleza e magreza. Mas quando eu tocava a campainha das casas para entregar os pacotes, as mulheres que abriam a porta estavam cada vez mais gordas.
Amálgama, de Rubem Fonseca – Sextante.
Leia a nota de imprensa aqui.
Meninas, de Maria Teresa Horta
Do fabuloso monólogo de Lilith num paradisíaco ventre materno, primeiro conto deste volume, até «Estrela», que fecha o livro, numa violenta, mas irresistível, história de abuso sexual paterno que leva a filha ao suicídio, Maria Teresa Horta traça, num português sumptuoso, ao longo de trinta e dois contos, uma vasta e belíssima galeria de meninas. Quase todas negligenciadas, quando não abandonadas e maltratadas, entregam-se à magia ou à leitura salvadoras. É assim com Beatriz, à beira do abismo no Faial, com Laura, abandonada pela mãe em «Eclipse», com Branca, perseguida pela madrasta e o pai, com Maria do Resgate, que abre a porta aos anjos na falta da mãe, com Rute, ladra «sem culpa» de uma rosa apaixonante. Mas também com a infância de personagens históricas como a sanguinária condessa húngara Erzsébet, com a rebelde Carlota Joaquina, inconformada com um destino que não quis, a seduzir e a enfeitiçar o pintor Maella, autor do seu retrato oficial, ou literárias como Katie Lewis, apaixonada pela leitura e assim retratada por Edward Burne-Jones, a gerar o fascínio de Oscar Wilde.
A Viagem do Elefante – em BD
José Saramago em BD
João Amaral adapta para banda desenhada A Viagem do Elefante.
No dia 21 de novembro, a Porto Editora publica um livro surpreendente: A Viagem do Elefante, romance de José Saramago, adaptado para banda desenhada por João Amaral. Resultado de um trabalho de quase três anos, este livro, que tem a particularidade de ser narrado pelo Nobel português, relata a viagem do elefante Salomão, um presente do rei D. João III para o arquiduque Maximiliano da Áustria, de Lisboa até Viena, guiado pelo indiano Subhro.
Como diz Pilar del Río, no prefácio que escreveu para este livro, «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso».
Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.
Vila Algarve, de Francisco Duarte Azevedo
Este romance conta a história de um homem – um branco, português, de uma família de retornados a Portugal com a descolonização – que regressa à cidade onde viveu a sua infância e juventude.
A cidade é a mesma, e é outra – chama-se Maputo. Na alterada geografia poucos marcos se mantêm: uma amizade, os fantasmas que lhe povoam a solidão, e a Vila Algarve.
Nove Mil Passos, de Pedro Almeida Vieira
Um livro narrado por Francisco d’Ollanda, ou melhor pelo seu espírito, já que o narrador está morto, num tom cheio de humor, que nos relata as peripécias que o seu ser imaterial vai acompanhando.
Francisco d’Ollanda foi o primeiro arquitecto e visionário a quem D. João III pediu estudos para a construção de um aqueduto que abastecesse de água a cidade de Lisboa e aqui conta, quase dois séculos depois, como se processou todo o estudo, adjudicação e construção do Aqueduto das Águas Livres, já no reinado de D. João V.
Ficamos a saber tudo sobre os seus construtores e as tramóias, as intrigas, as traições, os golpes de génio que vão fazendo andar de um para outro dos arquitectos e engenheiros que ficaram com o seu nome ligado ao fabuloso monumento.
O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón
Com um estilo deslumbrante e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo à Barcelona de o Cemitério dos Livros Esquecidos para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos, onde o encantamento dos livros, a paixão e a amizade se conjugam num romance magistral.
Na turbulenta Barcelona dos anos de 1920, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe a proposta de um misterioso editor para escrever um livro como nunca existiu, em troca de uma fortuna e, talvez, de muito mais.
O Leopardo, de Jo Nesbo
Perturbado com os acontecimentos que levaram à detenção do Boneco de Neve, o inspector Harry Hole refugia-se em Hong Kong onde as únicas regras a que obedece são as que lhe são impostas na sordidez das salas de ópio. Enquanto isso, em Oslo, num inverno excepcionalmente ameno, a Polícia depara-se com o brutal assassino de duas mulheres.
Sem pistas, sem perceber que arma do crime seria capaz de provocar os ferimentos que apresentavam, e com a investigação num impasse, só lhe esta encontrar Harry Hole e convencê-lo a colaborar.
Com o pai gravemente doente no hospital, Harry Hole acaba por regressar à Noruega. Não tenciona trabalhar na investigação mas o instinto leva a melhor quando a Polícia encontra uma terceira vítima num parque da cidade, violentamente assassinada. Quando consegue desvendar a ligação entre as vítimas, Harry Hole percebe que está a lidar com um psicopata que, tal como O Boneco de Neve, o vai levar ao limite das suas capacidades.
Prémio Literário Fernando Namora 2013
As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral vence o prémio literário Fernando Namora 2013.
Neste romance, somos convidados a reviver um país suburbano, pobre e bairrista, que o dinheiro, injetado pela União Europeia, parecia ter resgatado de forma definitiva. Um país onde frases deste tipo fazem todo o sentido: o doutor Santos era médico, de especialidade indeterminada, ou ainda, Diógenes nasceu completo de dedos. Hoje, não é só o Bruno desempregado que regressa ao Bairro Amélia e à sua realidade degradada, é todo um país que é violentamente atirado para a sua periferia europeia. Um país, onde uma minoria de privilegiados deita um olhar crítico e estende o dedo acusatório: falta aí o Olímpio.
Leia a recensão completa em Acrítico, leituras dispersas.
O Rei Pálido, de David Foster Wallace
O romance inacabado do autor de A Piada Infinita.
O aborrecimento. Se há alguém capaz de escrever um grande romance sobre este tema é certamente David Foster Wallace: o aborrecimento e os seus efeitos sobre o espírito.
Em A Piada Infinita, explorava o entretenimento e o prazer – que obliteram a dor; aqui, em O Rei Pálido, Wallace leva até às últimas consequências a observação e o estudo da tristeza, da monotonia, do tédio. E, para isso, não poderá haver ambiente mais natural e propício do que a Autoridade Tributária, um centro regional de processamento de IRS algures no Midwest.
O Rei Pálido foi publicado postumamente e editado a partir dos manuscritos encontrados – doze capítulos prontos e outros ainda em construção –, seguindo-se as anotações do autor ou apenas a lógica interna do texto.
Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão
Publicado pela primeira vez em 1984, o livro e diário Os guarda-chuvas cintilantes – Cadernos I, de Teolinda Gersão, regressa às livrarias no dia 7 de novembro, com chancela da Sextante Editora. A propósito deste livro, José Emílio Nelson defende que «Teolinda Gersão escreve “a forma inteira” das inquietações contemporâneas num tempo difícil de definir. Os guarda-chuvas cintilantes, livro “sobre tudo”, cintilante entre dois planos de redação oximora (racional/irracional, a um tempo), exemplo de contestação e exemplar alternativa à noção de ficção, vulgarizada por obras contemporâneas menores».
A Sextante Editora havia já publicado, em 2013, As águas livres, o segundo volume dos Cadernos da autora.
A dimensão simbólica oscila entre um sentido lúdico e um sentido fantástico, mas também incide sobre o domínio sobrenatural das coisas e dos seres. Ultrapassar fronteiras de territórios mentais aparentemente incomunicáveis é operação que constantemente se pratica neste livro. Maria Alzira Seixo
Lugar Caído no Crepúsculo, de João de Melo
O que nos acontece depois da morte? É esta a pergunta implícita ao longo das páginas deste romance. Um livro que impõe a vida, em protesto contra a tragédia da morte humana, recusando-se a aceitar o silêncio e a escuridão do desconhecido e do sagrado: os mistérios acreditados pela fé de muitos, mas não pela angústia dos que questionam o Além.
Com uma abordagem distinta dos conceitos tradicionais, e numa escrita marcada pelo realismo fantástico, João de Melo humaniza a imagética cristã, conferindo-lhe uma realidade mais próxima do mundo e da vida.
Uma viagem pela vida e pelo Além em que o leitor é guiado por diversos narradores: vozes comprometidas, trágicas, cómicas, que narram a excepção e a realidade do Homem no nosso mundo.
O Exército Furioso, de Fred Vargas
O Exército Furioso foi premiado com o International Dagger Award.
Fred Vargas é uma das mais importantes escritoras francesas atuais, sendo um nome incontornável quando se fala dos grandes escritores de policiais do momento. Depois de Um lugar Incerto e A Terceira Virgem, a Porto Editora publica o seu mais recente romance, O Exército Furioso.
Este livro, que chega às livrarias nacionais a 31 de outubro, foi distinguido em 2013 com o International Dagger Award, atribuído pela Crime Writers’ Association do Reino Unido, sendo já a quarta vez que a autora recebe este prémio. Em todo o mundo, os livros de Fred Vargas venderam mais de 10 milhões de exemplares e estão traduzidos para 35 países.
SINOPSE
Uma lenda medieval ensombra a pequena cidade de Ordebec, na região francesa da Normandia: uma horda de cavaleiros mortos, descarnados, sem braços nem pernas, o Exército Furioso, erra à noite por um trilho na floresta, espalhando o terror entre os habitantes. Segundo reza a lenda, o exército de mortos-vivos vem anunciar a morte aos pecadores e, regra geral, os eleitos são os habitantes mais odiados: os assassinos e os ladrões.
A Filha do Papa, de Dario Fo
Filha de um papa, três casamentos, um marido assassinado, um filho ilegítimo… tudo em apenas trinta e nove anos, em pleno Renascimento.
A vida de Lucrécia Borgia foi realmente incrível e merece, sem dúvida alguma, ser contada. Tentaram-no escritores, filósofos, historiadores, e, recentemente, foram-lhe dedicadas séries televisivas de sucesso, tanto em Itália como no estrangeiro. Agora, Dario Fo, Prémio Nobel, afastando-se das reconstituições escandalosas ou puramente históricas, revela-nos num romance magistral, o único escrito pelo autor, toda a humanidade de Lucrécia, libertando-a dos clichés de mulher dissoluta e incestuosa e inserindo-a no contexto histórico e na vida quotidiana da sua época. Assim, ante os nossos olhos desfila o fascínio das cortes renascentistas, com o papa Alexandre VI – o mais corrupto dos pontífices –, o diabólico irmão Cesare, os maridos de Lucrécia – perseguidos, mortos, humilhados – e os seus amantes, acima de todos Pietro Bembo, com o qual partilhava o amor pela arte e, em especial, pela poesia e pelo teatro. Todos peões dos impiedosos jogos de poder. Uma verdadeira academia do nepotismo e do obsceno, entre festas e orgias.
Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.
Amálgama, de Rubem Fonseca
A Sextante Editora publica o novo livro de contos de Rubem Fonseca, Amálgama. Aqui, reencontramos o estilo único do maior contista brasileiro em histórias onde residem a crueza, o erotismo, a violência, a velocidade narrativa, o clima noir. Ao longo de 32 contos e dois surpreendentes poemas, somos confrontados com personagens e situações unidas pela tristeza, pela dor, pela raiva, pelo fracasso, pela ternura e pelo amor, uma verdadeira amálgama de vidas que se constroem e se destroem num instante.
Rubem Fonseca é um dos maiores escritores lusófonos da atualidade e, nos últimos anos, considerado por muitos como o principal candidato ao primeiro Prémio Nobel da Literatura brasileiro. A Sextante Editora tem já publicados seis livros deste consagrado autor.
O LIVRO
Um assassino de anões que reflete sobre o amor; um homem que mata gatos e cães mas tem pudor em proferir palavras torpes; um rapaz que odeia gente má e usa a sua bicicleta como instrumento da justiça; vários escritores frustrados. No mais recente livro de Rubem Fonseca, os contos e alguns poemas – pungentes, intrigantes, secos como um soco – perambulam pela cidade.
O Exército Iluminado, de David Toscana
Ignacio Matus é um professor que, ano após ano, insiste em transmitir aos alunos a vergonha nacional que constituiu a perda do estado mexicano do Texas para os Estados Unidos da América, o que leva à sua expulsão do estabelecimento de ensino.
Ferido no seu patriotismo, decide criar um exército no qual se alistam crianças deficientes, que sai da cidade de Monterrey com a missão de atravessar o rio Bravo para recuperar o Texas e, com ele, a dignidade nacional.
Ao chefiar este louco plano militar, Ignacio Matus revela um antiamericanismo que se deve não só à perda do território mexicano, mas também à firme convicção de que um atleta norte-americano lhe arrebatou a glória nas Olimpíadas de Paris.
Romance inquietante, irónico e comovente, onde os fracassos das personagens os transformam em verdadeiros heróis, O Exército Iluminado ilustra o génio literário de David Toscana, confirmando-o como um dos mais originais escritores dos nossos dias.
Pão e Vinho, de Paulo Moreiras
Com crise ou sem ela, o pão e o vinho nunca faltaram na mesa dos Portugueses, fazendo parte da sua matriz identitária; nas últimas décadas, tornaram-se até produtos de culto, multiplicando-se pelo País fora as padarias que vendem pães de todo o tipo e os produtores de vinho que oferecem verdadeiros elixires a que ninguém resiste.
O presente livro aborda as origens destes dois elementos tão típicos da nossa gastronomia, mas vai muito mais longe, resgatando do património etnográfico as tradições a eles associadas.
Adivinhas, provérbios, superstições, contos e lendas, manifestações religiosas e culturais, apontamentos sobre o seu uso na culinária, bem como um sem-número de curiosidades divertidas e inesperadas, compõem uma obra irresistível sobre a história do pão e do vinho que tantas vezes se confunde, afinal, com a da nossa existência e sobrevivência.
Caminho Como Uma Casa Em Chamas
A Conversa de Bolzano, de Sándor Márai
A Conversa de Bolzano — mais uma das obras-primas do grande escritor húngaro — é um romance sensual e repleto de suspense sobre o sedutor mais famoso do mundo e o encontro que o irá mudar para sempre. Em 1756, Giacomo Casanova escapa de uma prisão veneziana e ressurge na pequena cidade de Bolzano. Aqui, Giacomo recebe um visitante indesejado: o envelhecido, mas ainda temível, duque de Parma, que anos antes o havia derrotado num duelo por uma dama deslumbrante chamada Francesca, tendo-lhe poupado a vida sob a condição de que não voltasse a vê-la. Agora, o duque está casado com Francesca — e intercetou uma carta de amor do seu antigo rival. Ao invés de matar Casanova de imediato, o duque faz-lhe uma oferta surpreendente, que é lógica, perversa e irresistível.
Transformando um episódio histórico numa brilhante exploração ficcional sobre a ligação entre desejo e morte, A Conversa de Bolzano é outra prova de que Sándor Márai é uma das vozes mais marcantes do século xx.
Afonso Reis Cabral – Prémio LeYa 2014
O júri do Prémio LeYa, reunido ontem e hoje em Alfragide, deliberou por unanimidade distinguir a obra O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral.
O livro premiado trata de um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas, podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e de humor, o desconforto de quem vive este problema.
Novas edições de Eugénio de Andrade
Limiar dos Pássaros e Memória Doutro Rio são as duas novidades da Assírio & Alvim Dois livros de Eugénio de Andrade regressam às livrarias, no dia 17 de outubro: Limiar dos Pássaros e Memória Doutro Rio, com prefácios de Pedro Eiras e Fernando Guimarães, respetivamente.
Limiar dos Pássaros foi publicado, pela primeira vez, em 1976, e divide-se em três partes: «Limiar dos Pássaros», «Verão sobre o Corpo» — um conjunto de textos em prosa — e «Rente à Fala». Estas partes estruturam o livro e estabelecem entre si uma continuidade que permite associálas musicalmente a três andamentos de uma mesma obra.
Da Rosa Fixa, de Maria Velho da Costa
Publicado pela primeira vez em 1978, Da Rosa Fixa, de Maria Velho da Costa, ganha uma nova edição, que agora se apresenta profundamente revista e com um prefácio de Jorge Fernandes da Silveira. Este livro chega às livrarias no dia 17 de outubro, com a chancela Assírio & Alvim.
«Os livros de amor são escritos com uma exterioridade absoluta. Partilham a surpreendente resposta do vegetal à respiração que aflore, ao acto do derrame de águas, indirecto. População de agrários hortícolas e floreiros, há que aguardar aqui com a gentileza tersa do felino que caça levitando sobre folhas, a ameaça tão leve.»
Algumas páginas deste livro estão disponíveis aqui.
Poesia Presente, de António Ramos Rosa
A antologia Poesia Presente, de António Ramos Rosa, é lançada hoje, às 18:00, na Biblioteca Nacional de Portugal.
TÁBULA RASA | A negação contemporânea da natureza humana | Steven Pinker
Steven Pinker é um dos mais respeitados nomes da ciência cognitiva e dos estudos da linguagem aplicados à neurociência. Seus ensaios têm grande aceitação na comunidade acadêmica e também no público em geral. Em Tábula rasa, Pinker enfrenta o debate “natureza versus criação”.
O autor ataca três dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental: a idéia de que a mente de um recém-nascido é uma “tábula rasa” a ser preenchida pelos pais e pela sociedade; a concepção de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e a crença de que a alma imaterial dotada de livre-arbítrio é a única responsável pelas ações do indivíduo.
O autor descreve a evolução histórica dessas três idéias, originadas respectivamente das concepções de John Locke, de Rousseau e da religião. Pinker demonstra como elas se estabeleceram de forma inquestionável até comporem uma espécie de “doutrina oficial”, que hoje influencia não só a criação dos filhos, mas também a vida política.
Pinker recorre a autores como Darwin, Kant, Shakespeare e até a personagens dos quadrinhos, como Calvin e Haroldo, para defender a idéia de uma natureza humana alicerçada na biologia. Segundo essa concepção, o ser humano nasce equipado com um conjunto de informações genéticas que direciona o seu desenvolvimento. Em cada indivíduo, a natureza humana, regida pela biologia, sofre influências da cultura e da sociedade – e é da interação de ambas que resultam personalidade e comportamento.
“Arrebatador, erudito e divertido – e muito persuasivo” – Time
“Um livro extraordinário: claro, implacável e empolgante” – The Washington Post
A Festa da Insignificância, de Milan Kundera
Lançar luz sobre os problemas mais sérios e, ao mesmo tempo, não proferir uma única frase séria, estar fascinado pela realidade do mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, evitar qualquer realismo, eis A Festa da Insignificância, o novo romance de Milan Kundera, 13 anos depois do anterior, no qual o autor coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea Os que conhecem os livros de Kundera sabem que a intenção de incorporar uma parte de «não-sério» num romance não é de todo inesperada. Em A Imortalidade, Goethe e Hemingway passeiam juntos por vários capítulos, conversando e divertindo-se.
E, em A Lentidão, Vera, a esposa do autor, diz a seu marido: «Sempre me disseste que um dia querias escrever um romance em que nenhuma palavra fosse a sério… Só quero avisar-te: cuidado, os teus No entanto, em vez de prestar atenção, Kundera realiza finalmente na plenitude o seu velho sonho estético neste romance, que pode ser visto como um resumo surpreendente de toda a sua obra.
LIÇÃO DE CAVALARIA
Amigo Francisco: Lendo seu monólogo, ou melhor, seu diálogo consigo mesmo, sobre lição de cavalaria, me senti, de repente, encantado, ou seja, de início, achei mesmo que eu não passava de um cavalo, depois estive meditando, e, como cavalo não medita, acho, cheguei à conclusão que sou, no mínimo, um centauro; afinal, todos nós temos um pouco de centauro, não é mesmo?
E já que estamos comemorando os quatrocentos anos do D. Quixote. E como D. Quixote é, na verdade, um centauro, pois não existe D. Quixote sem parte de homem e parte de cavalo, assim como não existe D. Quixote sem Sancho Pança. Mas antes da personagem genial de Cervantes vamos matutar um pouco sobre os centauros…
Na mitologia grega, eram eles a personificação das forças naturais. Centauro era um animal fabuloso que habitava as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens das zonas agrestes da Grécia. Segundo a lenda, era filho de Ixíon e de Nefele, deusa das nuvens, ou então de Apolo e Hebe. A estória mitológica dos centauros está quase sempre associada a episódios de barbárie. Convidados para o casamento de Pirito, rei dos lápitas, os centauros, enlouquecidos pelo vinho, tentaram raptar a noiva, desencadeando-se ali uma terrível batalha. O episódio está retratado nos frisos do Partenon e foi um motivo freqüente nas obras de arte pagãs e renascentistas. Os centauros também teriam lutado contra Hércules que os teria expulsado do cabo Mália. Contudo, nem todos os centauros apareciam caracterizados como selvagens. Um deles, Quirão, foi instrutor e professor de Aquiles, Heráclito, Jasão e outros heróis, entre os quais Esculápio. Entretanto, enquanto grupo, foram eles notórias personificações da violência, como se vê em Sófocles. Continuar a ler
O HOMEM QUE ERA SALAZAR
O que faria Salazar hoje? O autor do presente conto, que não o assina, pois não deseja que, à semelhança do que aconteceu com o actor da história original, o confundam com o personagem principal, espera que não vejam este trabalho com o sentimento de alguém que faz a apologia do salazarismo e do Estado Novo.
Deseja tão-somente que se faça hoje uma reflexão dos 40 anos de democracia que já temos, sem esquecer os 40 anos de poder que foi dado a Salazar.
É nesta intersecção histórica em que nos encontramos que devemos imaginar como seria Portugal se, tal como aconteceu no caso real de Pedro Montoya, aparecesse por aí novamente o ditador Salazar.
Citando Giuseppe Tomasi di Lampedusa
Não somos cegos, caro padre, somos apenas homens. Vivemos numa realidade movediça a que tentamos adaptar-nos tal como as algas se vergam sob os empurrões do mar. À Santa Madre Igreja foi explicitamente prometida a imortalidade; a nós, enquanto classe social, não. Para nós, um paliativo que prometa durar cem anos equivale à eternidade. Poderemos talvez preocupar-nos pelos nossos filhos, ou até pelos netinhos; mas para além do que possamos ter a esperança de acariciar com estas mãos não temos obrigações; e eu não posso preocupar-me com o que serão os meus eventuais descendentes no ano de 1960.
A Igreja, sim, tem de tratar disso, porque está destinada a não morrer. No seu desespero está implícito o conforto. E julgais que, se pudesse agora ou se puder no futuro salvar-se com o nosso sacrifício, ela não o faria? É claro que o faria, e faria bem.
O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, D. Quixote.
(diálogo entre o príncipe de Salina e o seu confessor, o padre Pirrone, na expectativa do desembarque na Sicília das tropas piemontesas lideradas pelo general Garibaldi, em 1860).
Leia mais em Acrítico, leituras dispersas.
Grande Prémio APE – Mário de Carvalho
A Liberdade de Pátio, venceu hoje o Grande Prémio APE de Conto Camilo Castelo Branco, na sua 22ª edição. É já a segunda vez que o escritor Mário de Carvalho recebe este prémio.
Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Grande Prémio do Conto destina-se a galardoar uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa.
Em A Liberdade de Pátio, Mário de Carvalho oferece-nos, na sua inconfundível escrita, um conjunto de narrativas curtas onde o insólito, a sua invulgar capacidade de observação e um apurado sentido de humor, são o fio condutor que nos prende à leitura.
Sobre este livro leia mais em Acrítico, leituras dispersas.
Amarrada à Tua Mão, de José Fialho Gouveia
Sara cresceu, deixou de ser criança e arrumou a sua velha boneca dentro de uma caixa. Tornou-se jornalista, mas sente-se desanimada com a vida e a profissão, até porque lhe sobra cada vez menos tempo para dedicar à filha. Um desabafo com Vasco, o marido, leva-os a empreender uma viagem à infância e aos sonhos que acalentavam antes de se tornarem adultos. Será que ainda irão a tempo de os cumprir?
Entretanto, também a Boneca dá a conhecer o que foi a sua vida e a forma como se sente hoje, fechada numa arrecadação, sem sequer uma janela por onde ver o mundo.
Amarrada à Tua Mão é uma peça de teatro intercalada de canções compostas por Manuel Paulo, mas é, além disso, um texto profundamente actual e oportuno, fundamental para compreendermos a vertigem da sociedade contemporânea e o seu impacto nas nossas vidas.
António Lobo Antunes
Ver: Amor, de David Grossman
Na década de 1950, em Israel, Momik, um rapazinho de nove anos, filho de judeus sobreviventes do Holocausto nazi, interpreta à sua maneira os silêncios e os fragmentos de conversas dos adultos sobre o que viveram na terra «de Lá». Convencido de que a «Besta nazi» é, literalmente, um monstro horrendo, resolve atraí-la à cave de sua casa para poder domesticá-la com a ajuda do avô Anshel Wasserman, que aparentemente ficou louco num campo de concentração.
Já adulto, e agora romancista, Momik recria literariamente a história de Bruno Schulz (1892-1942), escritor polaco morto por um soldado nazi no gueto de Drohobycz. Na variante inventada por Momik, porém, Schulz foge para Danzig e atira-se ao mar do Norte, em cujas profundezas vive uma aventura fantástica e alegórica.
Narrado a várias vozes, fundindo géneros e estilos, o romance Ver: Amor percorre de modo não linear praticamente todo o século xx, tendo como núcleo a experiência indizível do Holocausto.
Nas livrarias a 30 de Setembro
A maior flor do mundo, de José Saramago
Porto Editora publica A maior flor do mundo, de José Saramago.
A maior flor do mundo, livro para crianças de José Saramago, publicado originalmente em 2001, termina com uma questão: se as histórias para crianças fossem de leitura obrigatória para os adultos, seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar? Porque esta é, sem dúvida, uma obra sublime e de leitura obrigatória, a Porto Editora publica uma nova edição deste livro, com as ilustrações originais (e premiadas) de João Caetano, já disponível nas livrarias.
Em A maior flor do mundo, Saramago estabelece um imaginativo jogo com o leitor, transformando-se em personagem. Começa assim: «As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas.
A Peregrinação do Rapaz Sem Cor, de Haruki Murakami
Nos seus dias de adolescente, Tsukuru Tazaki gostava de ir sentar-se nas estações a ver passar os comboios. Agora, com 36 anos feitos, é engenheiro de profissão e projecta estações, mas nunca perdeu o hábito de ver chegar e partir os comboios. Lá está ele na estação central de Shinjuku, ao que dizem «a mais movimentada do mundo», incapaz de despregar os olhos daquele mar selvagem e turbulento «que nenhum profeta, por mais poderoso, seria capaz de dividir em dois».
Leva uma existência pacífica, que talvez peque por ser demasiado solitária, para não dizer insípida, a condizer com a ausência de cor que caracteriza o seu nome. A entrada em cena de Sara, com o vestido verde-hortelã e os seus olhos brilhantes de curiosidade, vem mudar muita coisa na vida de Tsukuru. Acima de tudo, traz a lume uma história trágica, que a memória teima em não esquecer.
Um romance marcadamente intimista sobre a amizade, o amor e a solidão dos que ainda não encontraram o seu lugar no mundo.
Nas livrarias a 30 de Setembro
Os Luminares, de Eleanor Catton
Simultaneamente um thriller e um romance histórico, este é um livro original e inovador: original pelos temas que traz – um mistério por resolver em 1866 na cidade de Hokitika, Nova Zelândia, que reagrupa o destino de doze personagens – e inovador pela estrutura reinventada dos romances vitorianos.
A corrida ao ouro, o tráfico de ópio, a prostituição e a expiação do passado de cada uma das personagens, além de um grandioso mistério por resolver, relevam a singularidade desta obra, iluminada por referências astrológicas, chaves simbólicas orientadoras do destino das personagens. Surpreendente e viciante, trata-se de ficção ao mais alto nível literário. Este romance de Eleanor Catton é incontornável, tendo sido reconhecido com o Man Booker Prize 2013.
O Organista, de Lídia Jorge
Antes do princípio, ao vazio chegou um órgão. Com esse órgão, o vazio encheu-se de música, e o Criador, atraído pelo som, resolveu tocar ele mesmo o extraordinário instrumento. Então a música passou a ser invenção e revelação, e a cada sopro do órgão apareceram o cosmos, o tempo, os primeiros seres vivos e, por fim, o homem e a mulher, tal como os conhecemos, criados pelo Organista.
Esta é uma prodigiosa fábula sobre a criação do Universo e a relação dos homens com Deus, pela mão de uma escritora que dispensa apresentações.
Um livro em edição bilingue, português e inglês, que será publicado poucos dias antes de mais uma edição do Escritaria, em Penafiel, que este ano homenageia a autora de O Dia dos Prodígios.
Nas livrarias a 30 de Setembro



































