Quatro Cantos do Mundo – Lançamento

QC_eventoQuatro Cantos do Mundo é uma viagem ao planeta Terra, ao seu lado mais profundo, desconhecido e misterioso. Um devaneio literário como lhe chama a autora, uma viagem por locais físicos, percorridos pelo olhar irrequieto da nossa imaginação. Recantos apenas acessíveis a um devir poético. São quatro contos entregues a um narrador que nos chega do infinito universo, ele próprio viajante das estrelas e que nos fala a partir do ponto de vista das crianças ou dos jovens. Só a curiosidade de um coração puro vence o medo do desconhecido e só uma mente livre do peso do bem e do mal consegue escutar a voz pela qual a natureza nos fala. Então, todas as viagens se tornam possíveis.

Este livro vai ser apresentado por CARLOS FIOLHAIS, físico, professor universitário, divulgador da ciência e ensaísta português. É um dos cientistas e divulgadores de ciência portugueses mais conhecidos em Portugal e no mundo.

Leituras por ANDRÉ GAGO.

Que ninguém falte! Leia a recensão no Acrítico – leituras dispersas.

Nunca me Encontrarão

Nunca me Encontrarão

Charles Boxer arruinou a sua vida familiar. Primeiro o exército, depois a polícia, seguindo-se missões de alto risco de resgate de vítimas de rapto. A ex-mulher e a filha aprenderam a viver sem ele à medida que o seu trabalho o foi levando a lugares de onde nenhum homem regressa ileso.

A tentativa de reconstruir um relacionamento com Amy, a sua filha adolescente, não tem sido fácil. Mas Boxer só percebe a que ponto as coisas chegaram quando Amy desaparece, provocando os pais com as últimas palavras do seu bilhete: «NUNCA ME ENCONTRARÃO.»

Porque não querem receber as notícias que todos os pais temem, Charles Boxer e Mercy Danquah aceitam o desafio. No entanto, depois de ter passado anos a localizar vítimas de rapto, Boxer sabe que, às vezes, o desaparecido não quer ser encontrado. E conhece o inferno que isto traz para as famílias – não está vivo nem morto, simplesmente desapareceu. Agora que o perigo lhe bateu à porta, Charles Boxer tem de desvendar o caso mais difícil em que alguma vez trabalhou.

Segredos de Amor e Sangue

Segredos de Amor e Sangue

Um livro que marca o regresso de Francisco Moita Flores à época em que Diogo Alves, o célebre galego que matava no Aqueduto das Águas Livres, era o grande protagonista do crime em Lisboa.

Moita Flores traz de volta o célebre criminoso como pretexto para reconstruir a Lisboa popular dos anos trinta do século XIX, um tempo em que a cidade se despia dos antigos trajes pré-liberais e dava os primeiros passos no Liberalismo emergente. Marcado pela violência e pela pobreza, este romance é uma história de ternura e de paixão, num tempo agreste, onde a força da Paixão e das Letras se impõe à voracidade da guerra e do crime, num país que tinha uma população com noventa por cento de analfabetos.

Uma obra fascinante sobre um momento pouco conhecido da História portuguesa.

Cláudio e Constantino

Cláudio e Constantino

Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes, é uma novela rústica em paradoxos – tem família em Voltaire e na Condessa de Ségur, mas também em Sterne, em Proust, na tradição romântica, nas Mil e Uma Noites… É um texto que usa um dispositivo ficcional paródico e humorístico para apresentar e brincar com alguns dos paradoxos clássicos da história da Filosofia. Dito assim, parece um romance filosófico, mas não… É sobretudo uma ficção que propõe um universo utópico, afectuoso e leve onde dois irmãos se deparam a cada momento com as grandes e pequenas questões que o conhecimento do mundo permanentemente lhes coloca.

Dizem que Sebastião, João Rebocho Pais

Dizem que Sebastião

Sebastião Breda, vice-presidente de uma multinacional, workaholic e quarentão abastado, percebe um belo dia que a vida lhe tem passado ao lado e decide remediar a solidão convidando uma colega para um jantar romântico. O problema é que a sua bagagem não vai além de estratégias de venda e planos de marketing – e o arraso que leva de Margarida à mesa do restaurante é humilhação bastante para que o seu coração acabe a pregar-lhe um valente susto. O médico recomenda-lhe então um ano de descanso, e Sebastião resolve aproveitá-lo a cultivar-se, fazendo, numa livraria da Baixa, um amigo que lhe dá bons conselhos e sentando-se junto às estátuas dos escritores espalhadas pelas praças e jardins de Lisboa, que, eloquentes à sua maneira, o iluminam sobre os mais diversos assuntos, entre eles, evidentemente, a questão feminina. Um ano depois, não se pode dizer que Sebastião seja o mesmo homem.

Dizem Que Sebastião é uma homenagem aos livros e ao que podemos aprender com eles até sobre nós próprios.

Amanhã nas livrarias.

Dois Hotéis em Lisboa, David Leavitt

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Uma história de amor na Lisboa dos anos 1940.

Dois casais de forasteiros travam conhecimento na lisboeta e cosmopolita pastelaria Suíça. Estamos no ano de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, e Lisboa fervilha com milhares de refugiados – que esperam pelo visto e pela possibilidade de viagem para a América –, espiões e membros da realeza europeia.

Pete e Julia Winters são expatriados americanos burgueses que viviam em Paris; Edward e Iris Freleng são americanos também, mas mais ricos, sofisticados e boémios. Por coincidência, estão todos hospedados no Hotel Francfort, em Lisboa, mas não no mesmo.

É num ambiente de tensão e de total insegurança em relação a tudo, e em especial ao futuro, que a ligação entre os dois homens se desenvolve, acabando por se tornar num arrebatado relacionamento amoroso.

Um romance maravilhosamente escrito, com um forte pendor sexual e político.

A Rainha Descalça, Ildefonso Falcones

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Uma história de amizade, paixão e vingança que une a voz de duas mulheres pela liberdade.

No mês de janeiro de 1748, uma mulher negra deambula pelas ruas de Sevilha. Atrás de si deixou um passado de escravatura em Cuba, um filho que nunca mais tornará a ver e uma grande viagem de barco até à costa de Espanha. Caridad já não tem um dono que lhe dê ordens, mas também não tem onde dormir quando se cruza com Milagros Carmona, uma jovem cigana de Triana por cujas veias corre o sangue da rebeldia e a arte dos da sua raça.

As duas mulheres tornam-se inseparáveis e, entre sarabandas e fandangos, a cigana confessa à sua nova amiga o amor que sente pelo arrogante Pedro García, de quem a separam antigos ódios familiares. Pela sua parte, Caridad esforça-se por calar o sentimento que brota em seu coração por Melchor Vega, o avô de Milagros.

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AS LUZES DE SETEMBRO

LuzesChega agora ao fim a trilogia da Neblina, com o tão aguardado último romance de Carlos Ruiz Zafón, autor best-seller do The New York Times.

A encerrar esta memorável série, um extraordinário romance deste autor
universal que irá manter o leitor agarrado à história.

Um livro fascinante de intriga, fantasia , mistério e amor. Com reviravoltas inesperadas que prendem do princípio ao fim, e escrito com a mestria deste grande autor: uma narrativa elegante cheia de pormenores.

Uma história de aventura e mistério para jovens dos 9 aos 99 anos.

Gonçalo M. Tavares | Histórias Falsas

bis-historias-falsas(…) Obcecado pela procura era excessivo na rapidez com que passava pelas coisas. Julieta era bela; ele aproximou-se e «dois animais se entenderam», isto é, apaixonaram-se, juraram o amor; e no dia seguinte acordaram. Ela embevecida. Ele, com tédio.
(…) Apaixonara-se por Julieta como antes se apaixonara por outras, e como depois se apaixonaria ainda por objectos, coisas, acontecimentos.
Em Julieta foi diferente, as mulheres como os deuses: nunca se cansam do amor. (…)

As Leis da Fronteira

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As Leis da Fronteira confirma Javier Cercas como uma das figuras indispensáveis da narrativa contemporânea.

No próximo dia 23 de maio chega às livrarias nacionais o mais recente livro de Javier Cercas, um dos mais conceituados autores espanhóis da atualidade. As Leis da Fronteira é uma impetuosa história de amor e desamor, de enganos e violência, de lealdades e traições, de enigmas por resolver e de vinganças inesperadas.

No verão de 1978, com Espanha a sair ainda do franquismo e sem ter entrado definitivamente na democracia, quando as fronteiras sociais e morais parecem mais porosas do que nunca, um adolescente chamado Ignacio Cañas conhece por acaso Zarco e Tere, dois delinquentes da sua idade, e esse encontro mudará para sempre a sua vida. Trinta anos mais tarde, um escritor recebe o encargo de escrever um livro sobre Zarco, transformado nessa altura num mito da delinquência juvenil da Transição. O que acaba por encontrar não é a verdade concreta de Zarco, mas uma verdade imprevista e universal, que nos diz respeito a todos.

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O Pecado de Porto Negro, de Norbeto Morais

O Pecado de Porto NegroEm Porto Negro, capital da ilha de São Cristóvão, toda a gente conhece Santiago Cardamomo, o bom malandro que trabalha na estiva, tem meio mundo de amigos e adora mulheres, de preferência feias, raramente passando uma noite sozinho. O seu sucesso junto do sexo oposto enche, aliás, de inveja aqueles a quem a sorte nunca bateu à porta, sobretudo o enfezado Rolindo Face, que há muito alimenta esperanças no amor de Ducélia Trajero –a filha que o patrão açougueiro guarda como um tesouro. Mas eis que, no dia em que ensaiava pedir a sua mão, assiste sem querer a um pecado impossível de perdoar que acabará por alterar a vida de um sem-número de porto-negrinos, entre os quais a da própria mãe; a de um foragido da justiça que vive um amor escondido para se esquecer do passado; a de Cuménia Salles, a dona do Chalé l’Amour, a mais afamada casa de meninas da cidade; ou a de Chalila Boé, um mulato adamado que, nas desertas horas da madrugada, se perde pelo porto à procura do amor.

Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio

Retrato de RapazFarto do descaminho de Giacomo, o pai vem deixá-lo ao estúdio de banho tomado, mas ainda com andrajos e piolhos, para que o artista que exuma cadáveres e constrói máquinas voadoras o endireite e faça dele seu criado. A beleza do rapaz impressiona Leonardo, que logo pensa nele para um anjo, concluindo porém que lhe assentam melhor corninhos de diabrete, e assim o rebaptizando como Salai. Serão, de resto, os pecadilhos do rapaz que o farão cair nas boas graças do amo e o elevarão à categoria de aprendiz sem engenho mas com descaramento para emitir opiniões, borrar a pintura, traficar pigmentos e até surripiar desenhos. E, num jogo de pequenas traições mútuas, vai-se criando entre Salai e o pintor uma cumplicidade que os aproximará como se fossem pai e filho.

Retrato de Rapaz é uma novela fulgurante sobre a relação entre mestre e discípulo, nem sempre isenta de drama e decepção, e sobre a criatividade de um artista genial em tudo, mesmo na gestão dos seus afectos.

Contos Vagabundos

A Porto Editora publica Contos Vagabundos, de Mário de Carvalho, uma compilação de contos de diversas origens, perspetivas e estilos, onde o realismo do dia a dia se cruza com o mundo da fantasia e do absurdo, pleno de ironia e sátira.

Esta nova edição inclui uma parte dos contos anteriormente publicados no Nas palavras de Urbano Tavares Rodrigues, «Mário de Carvalho escreve um português de matriz clássica, em que por vezes o vernáculo está ao serviço da ironia ou mesmo de efeitos desabaladamente cómicos. Tal sucede em muitos destes contos, que são ou pequenas maravilhas de non sens ou alucinantes relatos de hiper-realismo alentejano».

Este livro está inserido no Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário, como sugestão de leitura.

Através da Chuva, de Miguel Gullander

Através da ChuvaTendo perdido a maior parte do seu tempo de vida encarcerado num estranho coma, o senhor Svart desperta em Estocolmo com um único objectivo: ver uma palanca negra gigante no coração de Angola. Por coincidência, uma ONG contrata-o como consultor de um projecto de desenvolvimento rural. Encontrar a palanca negra gigante é uma das propostas. Partindo para África, o criptozoólogo sueco confronta-se com o seu passado não resolvido e a suspeita de que as coordenadas da realidade estão alteradas. Amores abandonados, convicções traídas e um arqui-inimigo dos tempos revolucionários reaparecem-lhe durante a viagem. Na sufocante circularidade da sua busca e fuga, o senhor Svart descobre que talvez ainda não tenha despertado do pesadelo.

Quando fores mãe, vais ver

Quando fores maeNo primeiro domingo de maio celebra-se o Dia da Mãe e, como nascemos sem o respetivo manual de instruções, aqui deixo uma sugestão para este dia. Uma leitura indispensável a todas as mães e a todos os filhos. Quando fores mãe, vais ver é um livro de Ana Saragoça, editado pela Planeta.

O Das Culturas falou com a autora.

– Como surgiu a ideia deste livro?
A ‘mãe’ da ideia foi a Ana Maria Pereirinha, editora da Planeta Manuscrito, que pretendia um livro bem humorado sobre as ‘mães à portuguesa’ e os ditos comuns a grande parte delas. Depois de ter visto A Mãe da Noiva, uma micropeça que escrevi para o Teatro Rápido, achou que eu era a pessoa certa para elaborar o conceito. Como alentejana e filha de alentejana, pareceu-me bem enriquecê-lo com um capítulo de ditos usados na minha família há gerações.

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É a Guerra


guerraÉ a Guerra
, Aquilino Ribeiro

Prefácio de Mário Cláudio

No ano em que se assinala o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, a Bertrand Editora reedita É a Guerra, o diário de Aquilino Ribeiro, composto na fase inicial do conflito, em Paris, onde o autor então residia.

Um retrato pessoal e íntimo de Aquilino Ribeiro sobre um dos mais importantes acontecimentos da História mundial recente, com a qual a Bertrand dá continuidade à publicação das obras do grande escritor português. O livro integra também um conjunto de edições através do qual a Bertrand revisita a Primeira Guerra Mundial e o contexto em que a mesma se desenrolou.

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Exposição, de Jonathan Coe

Exposição

Em 1958, vive-se na Europa um clima de optimismo e modernidade. Em Bruxelas, prepara-se a maior exposição mundial do século XX, uma oportunidade histórica para unir todas as nações no pós-guerra. O governo inglês debate-se com a imagem que quer projectar do país. Um desnorte que talvez explique a decisão de enviar Thomas para a Bélgica. A sua missão: assegurar o bom funcionamento do pavilhão britânico.

Mal chega, o ingénuo Thomas pensa ter aterrado de cabeça num admirável mundo novo. Em Londres, a sua vida é convencional. Em Bruxelas, longe da família e do escritório soturno, rodeado de mulheres atraentes e disponíveis, sente-se livre pela primeira vez. Mas a Guerra Fria está ao rubro, o pavilhão ganhou uma alarmante vida própria e há dois homens de gabardina e chapéu constantemente no seu caminho.

 

Amar Numa Língua Estrangeira, de Andrea Jeftanovic

Amar Numa Língua Estrangeira

Alex e Sara conhecem-se num avião. Falam línguas diferentes, ex­cepto quando se beijam – e acabam por beijar-se na sala de trans­ferências do aeroporto antes de rumarem a destinos opostos. Sabem ao chegar a casa que, enquanto iam no ar, houve um terrível atentado. Telefonam-se. Escrevem-se. Exilam-se do mundo real sentados ao computador e vivem uma paixão tecnológica e sensual que resiste ao tempo e aos contratempos: desde logo, a língua es­trangeira, que os torna mais vulneráveis do que a língua do beijo; mas também a subida do preço do petróleo, o choque inevitável de culturas que gera paranóia e solidão e, por fim, a notícia devastado­ra de um tumor nas radiografias de Alex.

O mapa deste amor é uma geografia humana, porque tratar de um doente é sempre um acto de solidariedade e compaixão, mas também desumana, porque cada viagem de reencontro coincide com mais um atentado e o terror acaba por invadir a intimidade dos amantes.

O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O Leopardo

A Dom Quixote orgulha-se de publicar a edição definitiva deste romance brilhante e intemporal, com prefácio e notas de Gioacchino Lanza Tomasi, filho adotivo de Lampedusa, que nos conta a história da primeira publicação e das várias edições que se seguiram. Revela-nos também passagens que foram omitidas pelos editores italia­nos iniciais.

Romance histórico situado na segunda metade do século xix, O Leopardo conta a fascinante história de uma aristocracia siciliana decadente e moribunda, ameaçada pela aproximação da revolução e da democracia. O enredo dramático e a riqueza dos comentários, o contínuo entrelaçar de mundos públicos e privados e, sobretudo, a compreensão da fragi­lidade humana impregnam O Leopardo de uma particular beleza melancólica e de um raro poder lírico, fazendo dele uma das obras-primas da literatura.

AQUELE CASAL | carlos drummond de andrade

 

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Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
– Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
– Como assim?
– Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
– É a moda.
– Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
– Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
– Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
– Que é que tem as maneiras, os gestos?

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Prémios Novos – As Primeiras Coisas

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Bruno Vieira Amaral, com o seu romance estreia As Primeiras Coisas, vence a segunda edição dos Prémios Novos. Este evento criado por Fernando Alvim tem por objetivo premiar talentos portugueses com menos de 35 anos, reconhecendo o seu protagonismo, atividade e mérito em diferentes áreas da cultura, ciência ou sociedade.

BVA_NPAs primeiras coisas são a memória de um tempo e de um bairro e das vidas que nele aconteceram. A força da escrita de Bruno Vieira Amaral confere-lhes uma autenticidade que cresce para além das páginas deste romance. Este prémio junta-se ao Livro do Ano atribuído pela revista Time Out Lisboa.

Leia a recensão completa no Acrítico, leituras dispersas.

A segunda edição dos Prémios Novos conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e com o patrocínio oficial da Licor Beirão.

As Aventuras de Ngunga, de Pepetela

As Aventuras de Ngunga

Escrito em 1972, numa época em que Angola vivia ainda sob o jugo colonial, esta é a história de um jovem guerrilheiro do MPLA, de carácter determinado e recto, que se faz homem aprendendo a pensar pela própria cabeça. Uma história pungente e terna que não deixará nenhum leitor indiferente.

Escreve o autor a dada altura: “Se Ngunga está em todos nós, que esperamos então para o fazer crescer? Como as árvores, como o massango e o milho, ele crescerá dentro de nós se o regarmos. Não com água do rio, mas com acções. Não com água do rio, mas com a que Uassamba em sonhos oferecia a Ngunga: a ternura.

Cristina Carvalho na Alemanha

Numa iniciativa promovida pelo Instituto Camões e a exemplo de algumas06_6 visitas que já efetuou noutras Universidades da Europa, a escritora Cristina Carvalho estará em Berlim, Hamburgo e Leipzig, na Alemanha, entre os dias 5 e 9 de Maio, para um encontro com alunos de escolas e universidades.

Ao Das Culturas afirmou:

“O meu contacto com alunos estrangeiros é tão reconfortante como as conversas que tenho com alunos portugueses. Todos querem saber, todos interrogam. E fazem o mesmo tipo de perguntas que me são feitas aqui em Portugal, “como é ser escritora”, “como aparecem as ideias para escrever um livro”, “o que gosta mais de escrever”, “descreva-nos o seu dia a dia enquanto escritora a tempo inteiro”, etc, etc, ou seja, a curiosidade é universal. Da minha parte, enquanto surgirem os convites e sempre que eu possa, lá estarei, aqui, ali, mais longe, mais perto, mas sempre com orgulho e esperança de poder ser útil a todos os que me procuram.”

Cristina Carvalho, Abril 2014

KingsKings College, Londres, Março de 2013

Conheça alguns dos títulos da autora no Acrítico – leituras dispersas.

Mas é Bonito, de Geoff Dyer

«O único livro sobre jazz que alguma vez recomendei aos meus amigos. Uma pequena joia.» Keith Jarrett

A partir do modo como ouve a música de Charles Mingus, Thelonious Monk, Bud Powell, Art Pepper, Chet Baker, entre outros, e a partir de uma série de fotografias de músicos e formações, Geoff Dyer improvisa e ficciona oito variações como se fossem, cada uma delas mas também em conjunto, um romance.

Cético quanto à validade das contribuições da crítica musical para o desenvolvimento do jazz, Geoff Dyer resolveu «inventar» um género que servisse de porta de entrada a este universo em que não é possível destrinçar a obra artística da vida de quem a criou: um registo fluido entre a ficção e biografia, entre a crítica e o relato impressionista. Partindo de factos, de entrevistas e de fotografias, Dyer improvisa e cria, não como um escritor, mas como um músico de jazz, como alguém que sucumbiu à magia desta forma espontânea.

Baptista-Bastos editado na Bulgária

BB

A prestigiosa editora Ferrago Print, de Sófia, Bulgária, vai publicar o romance de Baptista-Bastos Viagem de um Pai e de um Filho pelas Ruas da Amargura, em tradução de Sidónia Poljarieva, professora e investigadora de literatura portuguesa.
Esta obra é a quarta do autor editada naquele país, depois de As Palavras dos Outros, Cão Velho entre Flores e O Cavalo a Tinta-da-China.
De salientar, igualmente, que o romance Cão Velho entre Flores foi, há anos, o livro mais requisitado na Biblioteca Municipal de Sófia.

 

Uma Outra Voz – Prémio Leya 2013

Uma Outra Voz

João José Mariano Serrão foi um republicano convicto que contribuiu decisivamente para a elevação de Estremoz a cidade e o seu posterior desenvolvimento. Solteiro, generoso e empreendedor como poucos, abriu lojas, cafés e uma oficina, trouxe a electricidade às ruas sombrias e criou um rancho de sobrinhos a quem deu um lar e um futuro. É em torno deste homem determinado, mas também secreto e contido, que giram as cinco vozes que nos guiam ao longo deste livro., numa viagem que é a um tempo pessoal e colectiva, porque não raro as estórias dos narradores se cruzam com momentos-chave da Baseado em factos reais, Uma Outra Voz é uma ficção que nos oferece uma multiplicidade de olhares sobre a mesma paisagem, urdindo a história de uma família ao longo de um século através das revelações de cada um dos seus membros, numa interessante teia de complementaridade.

Livro Vencedor do Prémio Leya 2013

Citando Luísa Franco

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O cemitério onde repousarei conterá, por baixo, a lava primitiva da ilha e, por cima, as escorrências milenárias vivas da sua erosão, transformadas em pedra negra. Assentarei definitivamente entre dois deuses naturais – a lava de pedra e a terra da vida -, como se assentasse no colo de deus, protegida pelos seus braços e o seu hálito. Não preciso de outro deus, chega-me a Montanha. Entendo o Espírito Santo como o Espírito da Montanha, sempre presente na ilha, modelando-a geograficamente e modelando o viver dos homens em torno do mar. A Montanha é o meu Espírito Santo, a morada da minha alma, em vida e na morte.

A Montanha e o Titanic, de Luísa Franco (edição de Miguel Real)

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Sempre o Diabo, Donald Ray Pollock

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«Isto é o grau máximo da crueza que a ficção americana pode atingir. É uma experiência inesquecível.» San Francisco Chronicle

«Tentem imaginar uma rixa de bêbados entre um Hemingway rústico e um Raymond Carver estimulado a anfetaminas.» Daily Telegraph

Localizado no sul rural do Ohio e da Virginia, Sempre o Diabo segue um elenco de magnéticas e bizarras personagens, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até aos anos 60: Willard Russell – veterano atormentado pela carnificina no Pacífico Sul –, que não consegue salvar a sua bonita mulher, Charlotte, da morte agonizante de um cancro, apesar do sangue sacrificial que derrama sobre o tronco das orações. Carl e Sandy Henderson, a equipa de marido e mulher assassinos em série, rolando pelas autoestradas da América, em busca de modelos para fotografar e exterminar. Roy, o pregador tratador de aranhas, e o seu sócio, Theodore, deficiente e exímio guitarrista. No meio de tudo isto, Arvin Eugene Russell, o filho órfão de Charlotte, que cresce e se transforma num homem bom, mas também violento à sua maneira.

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Os ficheiros Snowden, de Luke Harding

O livro revelação sobre Edward Snowden

Os Ficheiros Snowden desvenda informações autênticas e desconhecidas sobre o homem mais procurado do mundo 4 de abril é o dia em que chega a Portugal, numa edição da Porto Editora, Os Ficheiros Snowden, o livro de Luke Harding sobre o homem que despoletou a polémica e a suspeita global sobre a segurança e a privacidade de todos os cidadãos. Esta história, verídica e tão entusiasmante como um bom romance de espionagem, revela todo o percurso de Edward Snowden, desde que divulgou ao The Guardian as suas informações sobre a Agência de Segurança Nacional americana, em Hong Kong, até ao seu exílio na Rússia, onde está ainda hoje.

A perseguição de que Snowden foi vítima, o controlo americano sobre os cidadãos de todo o mundo e as escutas ilegais a altos representantes do Brasil, França, Alemanha e Indonésia são alguns dos assuntos tratados neste livro, onde também se faz referência a Portugal, aquando da passagem aérea de Snowden pelo país.

 

PERFUMES de Philippe Claudel

Um inventário que marca uma vida.

Perfumes é mais recente livro de Philippe Claudel.

A 4 de abril, a Sextante Editora publica o novo livro de Philippe

Claudel, Perfumes, onde cada um dos curtos capítulos é dedicado a um perfume da vida quotidiana. Organizados por ordem alfabética, os cheiros da infância, do passado e do presente, os mais delicados e os mais agressivos, têm um papel interventivo na história do narrador deste livro, que reconhece nos odores os acontecimentos marcantes a que assistiu, experiências ou pessoas que conheceu, e que despoletam emoções escondidas.

Escritor e realizador premiado, Philippe Claudel fez, aquando da escrita de Perfumes, uma retrospetiva da sua própria vida, e defende por isso que este será o seu livro mais íntimo. No catálogo da Sextante Editora está também o seu romance anterior, A investigação.

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Citando Ana Luísa Amaral

Sobre a colcha branca, o seu corpo não voava, como podia acontecer em literatura: estava só estendido, em dor. E mesmo assim, em dor, dava-se à carícia.

Do Branco ao Negro – Branco, o conto de Ana Luísa Amaral.

Este belíssimo e pungente conto abre este livro com a cor branca. Todas as demais cores são luz distorcida, sonegada à sua pureza original. O amor vive-se em entrega e não conhece fronteiras entre seres. Uma ilustração de Rita Roquette de Vasconcellos remata com um apontamento gráfico de grande sensibilidades toda a beleza deste conto, captando a tranquilidade de um momento de despedida. A certeza que a vida se aceita como um dom e a saudade dura o tempo exato da memória que se desvanece. O fim também encerra a cor branca.

sobre o livro

Queda, de Jeff Abbott

Novo thriller do autor é uma corrida pela vida.

Depois de livros como Pânico, Medo e Colisão, chega às livrarias, no dia 25 de março, Queda, o novo thriller de Jeff Abbott, que marca a entrada deste autor bestseller na Porto Editora.

«Sinuoso, repleto de reviravoltas, surpreendente» (USA Today), este é o terceiro livro do autor protagonizado por Sam Capra, agora um ex-agente da CIA que procura viver tranquilamente, mas que entrará numa corrida de cinco dias pela sua vida, num enredo pleno de ação e suspense ininterrupto.

Com já vinte anos de carreira e 13 thrillers publicados, Jeff Abbott tem sido presença assídua nas listas de nomeados para prémios de literatura policial e de suspense: esteve nomeado três vezes para o Mystery Writers of America’s Edgar Allan Poe Award e duas vezes para o Anthony Award, atribuído pela World Mystery Conference.

Para Isabel, de Antonio Tabucchi

Para Isabel

Como definir uma história como esta? À primeira vista poderia parecer um romance fantástico, mas talvez fuja a todas as definições possíveis. Tabucchi deu-lhe um subtítulo: “um mandala”, mas na realidade, segundo critérios ocidentais, trata-se afinal de uma investigação, uma busca que parece conduzida por um Philip Marlowe metafísico.

Mas nesta investigação espasmódica e peregrina, à metafísica vem juntar-se um conceito muito terreno na vida: sabores, lugares, cidades, imagens que estão ligadas ao nosso imaginário, aos nossos sonhos, mas também à nossa experiência quotidiana.

O leitor português reconhece neste livro uma geografia familiar (Lisboa, Barcelos, Cascais e a Arrábida), mas a acção desloca-se também para o Extremo Oriente (Macau), para a Suíça e para a Itália. E esses mesmos lugares surgem-nos então, através do olhar de Antonio Tabucchi, surpreendentemente transfigurados.

Nas livrarias a 25 de Março

O Segredo do Hidroavião

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No dia 16 de Julho de 1948, o hidroavião Miss Macau fazia mais uma viagem entre Macau e Hong Kong. Entre os passageiros embarcados estava um grupo de chineses que haveria de tentar sequestrar o hidroavião, fazendo com que este se despenhasse nas águas do mar, matando tripulação e passageiros. O único sobrevivente seria assassinado anos depois, junto à porta da cadeia, após a sua libertação. Por que razão?

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Cidades da Noite Vermelha William S. Burroughs

Um viciado em ópio perde-se na selva; homens fazem guerra a um império de mutantes; um jovem e belo pirata confronta-se com a sua execução; e a população mundial está infetada por uma epidemia radioativa. Estas histórias ligam-se através de uma narrativa maior de mutilação e caos.

A ação desenvolve-se em dois planos, fazendo-nos navegar entre o século XVIII, em que a atuação de um grupo de piratas se rege pelos «Artigos» do capitão James Mission (que antecederam em cem anos os princípios da Revolução Francesa), e o século XX, em que um detetive investiga o desaparecimento e a morte ritual de um rapaz.

Em Cidades da Noite Vermelha, William S. Burroughs satiriza duramente as sociedades modernas, através de uma história de sexo, drogas, doença e aventura.

Novo romance de Teolinda Gersão

PassagensPassagens é um livro de celebração da vida, dos seus desafios e das suas complexidades.

A Sextante Editora publica, a 21 de março, Passagens, o novo romance de Teolinda Gersão, um livro que começa com um cenário de luto, mas que é, na verdade, um olhar penetrante sobre a vida e a sua complexidade, através de personagens de quatro gerações de uma família.

Por meio de diferentes vozes abordam-se grandes temas universais, como o amor, o sexo, a vida em comum, com os seus encontros e desencontros, o nascimento das novas gerações, o decurso do tempo e a morte, que não é mais do que uma passagem.

Teolinda Gersão é a convidada da próxima edição do Porto de Encontro, sessão que se realiza no dia 23 de março, às 17:00, na Biblioteca Almeida Garrett, e que conta com a participação de Nuno Carinhas e José Carlos Tinoco.

Os Memoráveis, de Lídia Jorge

Os Memoráveis

Em 2004, Ana Maria Machado, repórter portuguesa em Washington, é convidada a fazer um documentário sobre a Revolução de 1974, considerada pelo embaixador americano à época em Lisboa como um raro momento da História.

Aceite o trabalho, regressa a Portugal, contrata dois antigos colegas, e os três jovens entrevistam vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, revisitando os mitos da Revolução de Abril.

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A Sétima Porta, de Richard Zimler

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Depois de A Sentinela e O Último Cabalista de Lisboa, a Porto Editora publica, a 7 de março, A Sétima Porta, um dos quatro romances de Richard Zimler inspirados nos manuscritos do cabalista Berequias Zarco que o autor encontrou em Istambul.

Com a Alemanha dos anos 30 como pano de fundo, a história deste livro é protagonizada por Sophie Riedesel, uma jovem ariana, católica e com um forte carácter. À sua volta, encontramos diversas personagens, umas mais caricatas, outras mais frágeis, e ainda as que, a seu tempo, serão consideradas de “raça impura”. Com a ascensão de Hitler ao poder, ela vai lutar contra a perseguição de que os seus amigos e família são vítimas e revoltar-se contra os que, sem força, se juntam ao regime.

CIDADE PROIBIDA – Lançamento no Teatro da Politécnica

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Sete anos depois da primeira publicação, regressa finalmente às livrarias Cidade Proibida, um romance desassombrado que retrata com intensidade e mestria o universo gay, o prazer erótico e a transgressão.

«É difícil ler um bom livro em que se fala livre e fulgurantemente de sexo, do prazer erótico e da transgressão. Eduardo Pitta fá-lo com a mestria de um grande narrador.» Helena Vasconcelos

 

A não perder!

 

Prémio Literário Casino da Póvoa 2014

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Manuel Jorge Marmelo venceu o Prémio Literário Casino da Póvoa 2014, no valor de 20.000€, com o romance Uma Mentira Mil Vezes Repetida, publicado em 2011 pela Quetzal.

O júri, constituído por Isabel Pires de Lima, Carlos Quiroga, Patrícia Reis, Pedro Teixeira Neves e Sara Figueiredo Costa, escolheu a obra de uma lista de quinze finalistas e de um total de 180 obras a concurso.

O prémio será entregue no próximo sábado, dia 22, na sessão de encerramento da 15ª edição do festival literário Correntes d’Escritas.

Uma Mentira Mil Vezes Repetida recebeu o aplauso unânime da crítica aquando da publicação. A atribuição deste prémio é um reconhecimento pela extraordinária qualidade deste livro mas também a consagração do percurso literário de Manuel Jorge Marmelo.

 

Do Branco ao Negro

Do branco ao negro é uma coletânea sobre a diversidade, onde a cor é elo de ligação.

A Sextante Editora publica, a 21 de fevereiro, Do branco ao negro, uma coletânea de doze contos coordenada pela jornalista São José Almeida e ilustrada por Rita Roquette de Vasconcellos, onde cada história tem por base uma cor.

São de diferentes origens e estilos as autoras que participam neste livro: Ana Luísa Amaral, Ana Zanatti, Clara Ferreira Alves, Eugénia de Vasconcellos, Elgga Moreira, Lídia Jorge, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Raquel Freire, Rita Roquette de Vasconcellos, São José Almeida e Yvette Centeno. Cada uma conta, neste livro, uma história em homenagem aos que vão perdendo a sua capacidade de as contar, uma vez que os direitos de autor revertem na íntegra para a Associação Alzheimer Portugal.

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No Harém de Kadhafi

Hoje, 7 de fevereiro, sob a chancela Albatroz, é publicado No Harém de Kadhafi, um livro que relata na primeira pessoa a história de uma das escravas sexuais de Muammar Kadhafi, escrito pela mão da grande repórter do Le Monde Annick Cojean.

Surpreendente e inquietante, este é um testemunho atual de Soraya, uma rapariga capturada aos 15 anos pelo então Chefe de Estado da Líbia. Neste livro, ela revela os crimes que viveu e testemunhou até conseguir fugir do quartel-general de Bab Al-Azizia.

Annick Cojean conheceu Soraya logo após a morte de Kadhafi, em Trípoli, e foi ela a confidente de uma história e de um tempo sobre os quais a Líbia ainda não quer falar.

 

O Estranho Caso de Sebastião Moncada

O autor de Uma Fazenda em África regressa com romance passado nas Guerras Liberais. Hoje, no ECI, é lançado o novo romance de João Pedro Marques, O Estranho Caso de Sebastião Moncada.

Combinando intriga, crimes e paixões no tempo das Guerras Liberais, este é o novo livro do autor que, com Uma Fazenda em África, um dos bestsellers de 2012, publicado pela Porto Editora, se guindou ao primeiro plano do romance histórico português.

Para além das personagens ricas e da trama misteriosa, o rigor histórico a que o autor já nos habituou completa este livro surpreendente e permite-nos conhecer melhor os primeiros passos da guerra civil portuguesa e o Cerco do Porto de 1832.

Hoje no El Corte Inglés, no restaurante, piso 7, pelas 18:30. A apresentação estará a cargo da historiadora Maria de Fátima Bonifácio.

 

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto

Era Bom

Mário de Carvalho convoca-nos num dos seus romances mais interventivos

A Porto Editora publica, no dia 7 de fevereiro, Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto, um romance marcante de Mário de Carvalho, o primeiro onde o autor coloca em evidência o seu descontentamento para com a sociedade, a política, o elitismo ideológico, a burocracia.

Protagonizado por dois filhos da Revolução de Abril, este é um livro que faz uma crítica social mordaz, mas bem-humorada, e que nos questiona sobre se «a realidade é muito abusadora». Logo no início do romance, fica a advertência:

Este livro contém particularidades irritantes para os mais acostumados. Ainda mais para os menos. Tem caricaturas. Humores. Derivações. E alguns anacolutos.

 

Edgar – Poe(mas) em estórias de Eduíno de Jesus | Onésimo Teotónio Almeida

Está a circular por aí uma preciosa colecção de pequenos volumes vestidos de capas divinalmente desenhadas por um poeta chamado Eduardo Bettencourt Pinto que, na lonjura de Vancouver, sempre me pareceu o açoriano mais plantado nas ilhas que nem sequer lhe foram berço. Eduardo Bettencourt Pinto deu em editor de preciosidades e fez questão de primar conseguindo para cada volume uma apresentação gráfica correspondente. Depois de A Sagração do Amor, de Anabela Mimoso, e de Aubrianne, do próprio Eduardo Bettencourt Pinto, surge-nos a surpresa de Edgar, de Eduíno de Jesus.

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Citando Bruno Vieira Amaral

As primeiras coi

“Da mãe, os filhos só vêem o que é mãe. Só conhecem a mãe. A mãe é sopa e o cheiro dos refogados. A mãe é a mão que esfrega as costas no banho, que escova o cabelo enriçado, que seca o cabelo molhado, a mão que afaga, que estraga. A boca que sopra a sopa, que sopra a ferida. Os filhos são os parasitas da mãe. Comem-lhe o coração que cresce da noite para o dia para que nunca lhes falte o pão-coração. O que é que a mãe quer? A mãe não quer nada. Quem tem mãe, tem tudo, diz a quadra, e quem é tudo não precisa de nada.”

Excerto de uma nota de rodapé do livro As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral, Quetzal.

 

Cidade Proibida – nas livrarias.

CidadeProib

No ginásio que frequentava havia quem conhecesse Lisboa, uma cidade, diziam, «cheia de sol e de moscas», onde os bares fecham «praticamente de manhã» e as pessoas «vão de carro
à mercearia da esquina». Num bar de Old Compton Road também lhe disseram que os rapazes portugueses eram bonitos e, por norma, cooperantes.
– Cooperantes como? Como em Marrocos?
– Não é a mesma coisa. Os magrebinos são insistentes. Os portugueses empatam, raramente sorriem, preferem ser seduzidos… Quando estão no ponto, vale tudo.
– E são mesmo bons…?
– Gorgeous!

Eduardo Pitta revela-nos, numa linguagem áspera, sem nunca perder a elegância, uma realidade que muitas das vezes nos passa ao lado, ou não, mas que insistimos em não reparar, como se nos fosse proibido ver. Quando acreditávamos que certos tabus haviam caído em desuso, eis que, em pleno retrocesso civilizacional, assistimos ao regresso de todas as fobias. O jogo institucional dos capados impõe a sua visão de uma sociedade homofóbica.

O mais que fez (o gato Teddy) foi esperar três dias. Assim que intuiu o carácter definitivo da mudança, urinou sem complacência na porta do quarto do dono. Passava a ser o macho da casa.

Todos temos os nossos rituais de afirmação, mais ou menos exuberantes.

Cidade Proibida de Eduardo Pitta chega hoje, quarta-feira, às livrarias. Leitura obrigatória.

Citando John Wolf

Um porta-chaves que não é uma coisa nem outra. Porque a ranhura é um perigo. Parece insignificante, mas já vi muitos e bons homens desaparecerem por esse buraco que anunciam como fenda, a passagem estreita de um gargalo mentiroso. Daqui a umas horas, quando regressarem a casa, dirão algo que soa a absurdo: que nunca tinham ouvido falar. Que nunca tinham estado na presença de um homem que se revisita sem despudor. Que nunca poderiam imaginar uma língua cumprida à risca, instruída por problemas de consciência.

Contagem Descrente é o mais recente livro de John Wolf, um pungente testemunho de quem não se conforma. Numa lucidez verbalizada, estamos perante um ato de rebelião, um acordar de consciências mas só para não descrentes.

leia mais no Acrítico – Leituras dispersas.

Cidade Proibida – Eduardo Pitta

CidadeProib

Sete anos depois da primeira publicação, regressa finalmente às livrarias Cidade Proibida, um romance desassombrado que retrata com intensidade e mestria o universo gay, o prazer erótico e a transgressão.

Uma história de amor e sexo passada em Lisboa, entre um filho de muito boas famílias, da melhor sociedade lisboeta, e um inglês que aqui trabalha como professor.
Com a homossexualidade como pano de fundo, Eduardo Pitta retrata neste romance singular uma Lisboa de privilegiados, onde o amor ocupa um lugar sempre periclitante.

Esta edição da Planeta chega às livrarias no próximo dia 23 de Janeiro.

Eduardo Pitta Nasceu em 1949. É poeta, escritor, ensaísta e crítico. Tem poemas, contos e ensaios publicados em revistas de Portugal, Brasil, Espanha, França, Itália, Colômbia, Inglaterra e Estados Unidos.
É colunista da revista LER, crítico literário da revista Sábado e autor do blogue Da Literatura.
Tudo sobre o autor em www.eduardopitta.com

Muito Cá de Casa com Agualusa

Agualusa2Quando a água cobre todo o planeta e a temperatura sobe, o homem é expulso da terra. E para onde vai o homem quando perde o chão? VAI PARA O CÉU.
Esta sexta-feira, na Casa da Cultura de Setúbal, foi noite de Agualusa. Quando lhe foi dada a palavra, usou-a como uma balsa salva-vidas, dessas que entram no seu mais recente romance, A Vida no Céu. Elevou-se, então, aos céus e convidou-nos a acompanhá-lo. Tranquilo, dotado de um sentido de equilíbrio, típico dos nefelibatas, Agualusa falou com desassombro, não evitando as perguntas do “politicamente incorreto”, ciente que o poder, em qualquer parte do mundo, não lê. Apenas se incomoda com as entrevistas.

O seu discurso tem o tom aveludado da escrita que imprimiu a este romance. Escritor do mundo, Agualusa, lança sobre a vida um olhar rico de experiência, temperado pela multiculturalidade de quem vive entre três países e o resto do mundo. O escritor, nas suas palavras, transformou-se em caixeiro-viajante dos livros, com todo o seu lado enriquecedor.
Foi uma sessão com a sala a transbordar, pessoas a assistir de pé, algumas à porta. Embarcámos nesta aventura e estendemos o nosso olhar sobre as lonjuras apenas possíveis de alcançar nas grandes planícies africanas. Fomos todos nefelibatas por uma noite.

Agualusa na Casa da Cultura de Setúbal

Agualusa

José Eduardo Agualusa vai estar hoje à noite no casarão da cultura setubalense. “Depois que o mundo acabou fomos para o céu”. Assim começa o seu mais recente livro. Um livro que fala de umas cidades que circulam nos céus. A vida na Terra torna-se impossível. A humanidade encontra a solução nos ares. “A Vida no Céu” é um belíssimo romance. E vai dar uma bonita conversa com o autor. Digo eu, que estou com os pés bem assentes na terra.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete, Ler de Carreirinha e BlogOperatório.

 

Citando Cristina Carvalho

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(…) Por esta altura do dia em que já era noite, os teus pais dormiam, todos dormiam em todo o lado excepto tu que pé ante pé e com dedos de veludo abrias a porta da rua e deixavas entrar esse rapaz. Ele tinha subido a escada quase invisível e no maior silêncio. Entrava. Não havia o menor ruído, nem beijos, nem afagos, nada! Deslizavam, então, para a cozinha e fechavas a porta. Um risco! A vida era arriscada! Uma aventura de ovos mexidos com rodelas de chouriço e os restos do pão do jantar. Esfomeados! Vocês andavam esfomeados! Havia o risco do cheiro das rodelas do chouriço a fritar na pequena frigideira, havia o risco do ruído produzido pelos maxilares a triturar o pão já ressequido, o risco dos ovos a ser partidos, o risco do garfo a bater os ovos, o risco da vontade de comer, o risco da vontade de beijar, o risco da vontade de tu mexeres no corpo dele, o risco da vontade dele mexer no teu corpo, o risco dos dois corpos, o risco do desejo, o risco de o conter, o risco de o não conter, o risco do risco. A tua vida era um risco.

Cristina Carvalho em “ANA DE LONDRES” – publicado por Parsifal. No PNL (Plano Nacional de Leitura) para o ensino secundário (10º, 11º e 12º anos)

Leia a recensão no Acrítico- leituras dispersas.

 

Citando Ana Saragoça

Quando fores mae

Se engolires a pastilha, morres.

E de repente – glup! – engoli a porcaria da pastilha. Senti-a nitidamente descer-me o esófago e chegar-me ao estômago, cada vez mais comprida e rarefeita, colando-se-me às entranhas e paralisando-as. Nem tive força para gritar: ergui a cabeça de supetão e fiquei a olhá-las às duas, a minha mãe e a minha avó, de agulhas em movimento e a terem conversas insignificantes, sem fazerem a mínima ideia de que dentro de momentos EU IA MORRER! Tive tanta pena delas… Comecei a imaginar os seus choros e gritos, o meu funeral num caixãozinho branco (sim, com a minha idade as crianças iam a velórios e funerais e estavam familiarizadas com tudo aquilo), o cortejo infindável de vizinhos e amigos, os soluços, o meu enterro na campa onde já estava o meu avô…
Foi uma surpresa imensa encontrar-me viva e na minha cama na manhã seguinte. E passaram anos até voltar a atrever-me a comer uma pastilha.

Quando Fores Mãe, Vais Ver, de Ana Saragoça

Leia mais sobre este livro no Acrítico – Leituras dispersas.

Citando Sónia Cravo

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Os olhos dela espelham um misto de nervos e humilhação e desordem. É um derrame infinito, é um desejo quase constante de estar noutro lugar qualquer, sinta embora que, nesta vida, há muito a suportar.
É uma vontade imensa de beber, beber também por isto. A governanta, sentada ao seu lado, está em silêncio; arruma a caixa de costura.
– Estou a … – balbucia Lia.
– Vou para o escritório, chama-me quando o jantar estiver pronto – interrompe Custódio, cortando pela raiz o que quer que ela fosse dizer.

Deste Lado do Mar Vermelho, de Sónia Cravo

Este é um livro sobre o medo. O medo da loucura, da normalidade, do segredo, o medo do medo. Neste livro existe um cão que se chama Pide e que é espancado. Este livro não é sobre o medo, é sobre a possibilidade de renascermos. (Acrítico – Leituras dispersas)

 

 

A Misteriosa Mulher da Ópera

A Misteriosa Mulher da ÓperaA Misteriosa Mulher da Ópera by Afonso Cruz

Quantas mortes pode sofrer uma mulher? Uma mulher que regressa, ainda que num estranho jogo de espelhos ou de memória, é uma mulher que se torna múltipla de si. Este livro, um quase policial, abre com o Roda que mantém a mãe, já cadáver, deitada na cama. Roda também se esqueceu do rosto da mulher por quem se apaixonou. Desesperadamente procura encontrá-la, já não consegue ser feliz, pois não reconhece a cara da felicidade mesmo que passe por ela na rua.

A misteriosa mulher da Ópera, mais do que um rosto esquecido por Roda, é uma má tradução de uma história que alguém já não está disposto a viver: a segunda oportunidade que, acontecendo, é repudiada. Tudo, afinal, se resume a viver uma vida boa.

Ler mais em Acrítico – leituras dispersas

O Zelota

frenteK_ZELOTAO livro de Reza Aslan, O Zelota: A Vida e o Tempo de Jesus de Nazaré, vai ser adaptado ao cinema. A produtora Lionsgate adquiriu os direitos de adaptação da polémica biografia que mostra o lado mais humano e político de Jesus.

Após uma entrevista concedida à Fox News que se tornou viral nas redes sociais, Reza Aslan, um académico muçulmano de 41 anos, viu disparar o interesse no seu livro, catapultando-o para o top do New York Times e garantindo a venda dos direitos para dezenas de países. A notícia da adaptação ao cinema é o corolário dessa onda de atenção mediática em redor do livro. De acordo com um dos produtores, Aslan “escreveu um livro notável que consegue trazer o mundo antigo para o nosso tempo.”

O Zelota: A Vida e o Tempo de Jesus de Nazaré será publicado pela Quetzal em fevereiro de 2014.

Mia Couto | O Fio das Missangas

Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
— Dói-te alguma coisa?
—Dói-me a vida, doutor.
O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:
— E o que fazes quando te assaltam essas dores?
— O que melhor sei fazer, excelência.
— E o que é?
— É sonhar.

Mia Couto in O fio das missangas

Mia

O maior de todos os romancistas | Lev Tolstoi

«Guerra e Paz» narra a invasão da Rússia por Napoleão e os efeitos que o acontecimento teve na vida da aristocracia, dos militares e da população envolvida no conflito.
A maior parte dos oficiais era originária das famílias nobres e as separações e perigos da guerra tornavam mais intensas todas as relações pessoais e, em particular, as amorosas.
Os hábitos sociais, as relações sentimentais e o declínio de algumas das mais importantes famílias de Petersburgo e Moscovo são apresentados com distanciamento ou irónica ternura.
Neste romance surgiram algumas das mais perduráveis personagens da literatura, o íntegro príncipe Andrei, o insólito Pierre Bezúkhov e a fascinante Natacha Rostova, que se tornaria indispensável para qualquer um deles.
Com esta obra e a sua apresentação em mosaico de grandes painéis da vida russa onde se movimentam centenas de personagens num período de convulsões militares, Tolstoi realizou o seu desígnio de se confrontar com o Homero da “Ilíada” e da “Odisseia”.

«O maior de todos os romancistas — que outra coisa poderíamos dizer do autor de “Guerra e Paz”!» [Virginia Woolf]

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Contagem Descrente – John Wolf

JohnWolf

“O manual de instruções de uma passadeira de fitness ganha vida e questiona as intenções do utente, a ligeireza da perda de peso por oposição à profundidade da vida.

Um bombista suicida gay que decide arrasar com o quartel e o general traiçoeiro − o fundamentalismo político ou religioso cede lugar às razões de peito, de paixão e do amor. O encontro marcado de mulheres que procuram resolver diferendos antigos, mal-entendidos de café. As mulheres envolvidas na discussão chamam-se todas Sofia. São todas umas Sofias. Saíram-nos cá umas Sofias. A triste figura de um quarentão, bonacheirão que não consegue emancipar-se da mãezinha. Quando um dia ganha a coragem para o fazer, entorna ainda mais o caldo: agarra-se à saia da madrinha” – estes são alguns dos territórios por onde viajam os personagens e as narrativas irónico-filosóficas de John Wolf. O vai e vem entre a terra e os céus balança o leitor entre várias dimensões, gerando náuseas ou felicitações.

Lançamento no dia 12.

As Primeiras Coisas – Biblioteca do Barreiro

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Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crónicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, uma viagem de autocarro, as manhãs de Domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados: a Humanidade inteira arde no Bairro Amélia.

Este sábado na Biblioteca Municipal do Barreiro coma presença do autor.

leia as primeiras páginas aqui.

A Filha das Flores, de Vanessa da Mata

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Vanessa da Mata estreia-se na literatura com este romance A Filha das Flores.

A sua escrita tem um lado incomum, um registo que vai muito para além do linguarejar típico brasileiro: são palavras moradoras de construções de versos e de desvios tontos que dão direções a novos significados. Tem a sonoridade de imprevisíveis metáforas que invocam a arte de poetas sensíveis, e atesta a eficácia com que domina o lado oficinal da literatura. Estamos perante uma escrita trabalhada, séria, testemunho do empenho oficinal de quem não se importa de molhar o vestido pelo avesso no suor.

leia mais no Acrítico – leituras dispersas

Infravermelho, de Nancy Huston

InfravermelhoA Sextante Editora publica o mais recente romance da escritora canadiana Nancy Huston, Infravermelho, onde, no decurso de uma semana, acompanhamos a vida de uma fotógrafa que procura captar as fragilidades da sociedade e das relações. Através da escrita perspicaz e inteligente da autora, a protagonista deste romance examina um mundo governado por homens, esclarecendo-nos sem piedade a respeito das relações que o dominam. Um livro brilhante, com uma abordagem sensual e libertadora face aos contornos que regem a sociedade atual.

Hoje nas livrarias.

Leia as primeiras páginas aqui.

Book Loving Girls | Portraits of Women and Their Favorite Book

Aquilo a que chamamos o mundo ocidental, e particularmente a Europa, estarão sempre em dívida para com a cultura grega. Parece-me legítimo ver na Odisseia o primeiro romance europeu, matriz de todos os outros, e a sua (re)leitura tem-me acompanhado há muitas décadas.

Ulisses é um arquétipo do ser humano em viagem pela vida, e qualquer um se pode identificar com ele, sem medo de cair no pecado da hubris. Daí a persistência e a ressurreição do mito, nas várias literaturas, em diferentes épocas, até à actualidade.

Na Odisseia Ulisses é um homem que considera a vida mortal suficientemente atractiva tal como é, e não aceita trocá-la por nada, nem mesmo pela imortalidade. É portanto uma figura positiva, de afirmação, e a Odisseia é a história de um amor feliz. Ulisses quer voltar, e volta, para casa. Para a mulher amada. Viajante, navegador, homem de perigos e situações-limite, conquistador de cidades, (a ele se deve, na tomada de Tróia, o estratagema do cavalo), sabe usar a inteligência e a racionalidade, mas também a intuição e a astúcia, é capaz de recuar e pensar, mas também de rapidamente captar e apreender novas situações a que se adapta.

Ler mais: http://booklovingirls.tumblr.com/post/67259859568/aquilo-a-que-chamamos-o-mundo-ocidental-e

Teolinda

Teolinda Gersão – 7 de Outubro de 2013

Ana de Londres, de Cristina Carvalho no PNL

cc“ANA DE LONDRES” – Edições Parsifal – 2013

Livro incluído no PNL (Plano Nacional de Leitura) como leitura recomendada para os 10º, 11º e 12º anos

Sufocantes, excitantes, únicos e inesquecíveis os anos 60 do século XX. De louca e arriscada travessia.
Em Portugal, vivia-se na ditadura. Londres, um sonho. Londres, o grito de alegria, tudo é novo, nada visto, único, longe, longe, distante de tanto mal!
1961 – Portugal iniciava a Guerra do Ultramar oferecendo a morte como certa a milhares e milhares de rapazes. Nessa altura, a Europa passou de miragem a ponto de esconderijo. E por aqui, mais valia suportar uma ausência de mistério e de segredos, sabendo que eles estavam por aí espalhados, do que sabê-los, em pesadelo, uns mortos, outros perdidos e estropiados nas matas desconhecidas.
Então, eram as mães e os pais e as namoradas e as amigas e as vizinhas e todos, todos sem excepção que procuravam empurrá-los para um outro destino. A angústia, a espera, o desespero eram as expressões do nosso quotidiano, em cada aldeia, em cada cidade, nos bairros, nas ruas, nos prédios, em cada patamar de todos os prédio.
Ana, apaixonada Ana não aguentou a separação, ela em Campo D’Ourique, o seu namorado em Londres. Contra os pais, tristes pais, amedrontados e incrédulos, Ana luta pela sua independência e por um amor que se recusa a perder. Londres é já ali. É só apanhar o comboio.
Foi o que fez.
Este livro conta a história de uma rapariga, de tantas e tantos adolescentes que em plena ditadura portuguesa, num pequeno país a agonizar, sem interesses, sem cultura, sem esperança, sombrio e serôdio de costumes, nada tinha a oferecer. Desaparecer, foi para muitos, a única vida possível.

Cristina Carvalho em “Ana de Londres”

Prefácio de Miguel Real

Capa e ilustrações do interior de Manuel San-Payo

Sobre o Ana de Londres aqui no Acrítico – leituras dispersas

 

Citando Sónia Cravo

Sónia CravoA instituição que acolhia jovens do sexo masculino em situações transitórias estava em obras. Na horta, entre alfaces e couves, um jovem com uma enxada ao ombro, apontada para a terra. A sua expressão de estátua impressionou o homem. Hirto e quieto como um espantalho. Não se via mais ninguém. Durante a conversa com o director, Custódio sentiu a imagem do jovem a rodeá-lo, qual milhafre a voar em círculos largos na sua cabeça. Quando saiu, o espectro reapareceu na horta a dormir em pé, exactamente no mesmo sítio. Custódio fixou-o, olhou-o intensamente, mas não lhe percebeu qualquer reacção. Que fazia ali aquele rapaz?

– Anda a caçar toupeiras. Vai para ali ao nascer do sol e fica assim, diz que não se pode mexer, que elas sentem as vibrações. É ele quem cuida da horta. É um bom rapaz, fino e trabalhador.

Deste Lado do Mar Vermelho, de Sónia Cravo, Estampa.

Na escrita da Sónia Cravo somos surpreendidos por personagens insólitos, saídos de um lugar escuso da sua imaginação, tão sólidos que nos parecem sempre ter existido, como se revíssemos neles algo familiar.

Sónia Cravo nasceu em 1977, em Espanha, de pais portugueses. Era criança quando a família regressou a Portugal. Em 2011, o livro Na Senda da Memória assinalou a sua estreia literária.
Divide o tempo entre Aveiro e um pequeno lugar nos arredores, onde cava terra com o mesmo prazer com que escreve.

Leia mais sobre Deste Lado do Mar Vermelho no Acrítico – Leituras dispersas.

O filho, de Michel Rostain

O FilhoO primeiro livro de Michel Rostain, O filho, não pretende ser sobre a morte, é antes dedicado à vida. Nas livrarias a a partir de hoje, este romance dá voz a um filho que, após partir, observa o seu pai enquanto este o procura conhecer melhor e entender a sua morte. Apesar de ficção, O filho surgiu como um exercício para o autor ultrapassar o seu
próprio luto.

O resultado surpreendeu os leitores e a crítica, valendo-lhe o Prémio Goncourt para Primeiro Romance 2011.
O filho é um romance íntimo e enternecedor que nos ajuda a perceber que a vida pode dar origem a memórias felizes.

A Filha das Flores, de Vanessa da Mata

planoK_filha_flores_abstrRomance de estreia de uma das grandes
figuras da música popular brasileira, chega hoje às livrarias.

A Filha das Flores, romance de estreia de Vanessa da Mata, revela uma
hábil criadora de cenários e de personagens, além de uma superior
destreza linguística capaz de maravilhar todas as cores da língua
portuguesa.

Giza cresce numa pequena cidade brasileira e ajuda, com o seu trabalho,
num negócio de flores muito especial, gerido por Florinda e Margarida que
a tratam como irmã.

Aos 18 anos, Giza apaixona-se por Tito, mas Florinda apressa-se a pôr
um fim à sua paixão.

À medida que Giza vai crescendo, a vila parece ir diminuindo, o que faz
com que ela comece a procurar novos territórios e encontre a «Vila» – um
bairro periférico, detestado pela população em geral. Aí faz novos amigos
que a iniciam na história secreta daquele lugar que se revela estar ligada
à sua própria origem.

 

Citando Ana Saragoça

Ana SaragozaA evolução darwiniana parece ter atingido o seu auge: nunca como hoje o polegar oponível foi tão importante, nunca até agora atingira a destreza que elas ostentam a enviar mensagens de texto. Em compensação, a linguagem parece ter regredido aos tempos pré-históricos. As conversas fazem-se com meia dúzia de vocábulos básicos, e a escrita eliminou as vogais, transformando-se numa amálgama quase checa de «X», «W» e «k».

“Todos os dias são Meus”, de Ana Saragoça – Editorial Estampa

Ana Saragoça nasceu em Viana do Alentejo em 1966. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa e formou-se como atriz pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Em paralelo com a carreira teatral, trabalhou sempre como tradutora, atividade que exerce a tempo inteiro desde 2002. Participou em várias antologias de contos, e, em 2012, Todos os Dias São Meus, o seu primeiro romance (Editorial Estampa), bem como A Mãe da Noiva, o seu primeiro texto para teatro, estreado em Outubro no Teatro Rápido. Em 2013, estreou as peças Não Sou Eu, És Tu, no Teatro Rápido e Sem Rede, pela Companhia de Teatro Chão de Oliva, tendo lançado ainda o livro Quando fores Mãe Vais Ver (Editorial Planeta Manuscrito).

 

Citando Vanessa da Mata

Vanessa-da-MataO céu dali é mais bonito, mais largo e profundo do que em qualquer outro lugar. Enquanto um contava a saga da luta entre os dois seres gigantes – a noite e o dia -, vez por outra eu contava a minha versão: «Nossa Senhora borda o maior céu para nós, em um tecido que não se anuncia em acabar. É como se existisse um céu para cada noite e para cada lugar, para nos fazer companhia. Nossa Senhora nos deu este. O dia não morre, ela apenas o tapa para dormirmos num tecido grosso e milenar. Os furinhos no pano velho fazem com que a luz o atravesse e não nos deixe totalmente no breu .»

A Filha das Flores, de Vanessa da Mata – Quetzal (nas livrarias a dia 15)

Vanessa da Mata nasceu no Mato Grosso, em 1976. É uma compositora e cantora galardoada com um Grammy. Lançou quatro álbuns, e as suas canções «Ai, Ai, Ai», «Boa Sorte» e «Amado» ocuparam, sucessivamente, o primeiro lugar do top brasileiro. Vanessa da Mata participou num programa da MTV e foi considerada uma das 25 mulheres mais criativas, em 2007. A Filha das Flores é o seu primeiro romance.

Citando Richard Zimler

Sentinela“Ernie fazia-me festas no cabelo. A minha gratidão por esse simples carinho era tão grande que abarcava quarenta anos do nosso passado comum e tinha ainda espaço para o momento presente. Endireitei-me na cadeira e deixei que os braços delgados e fortes de Ernie me enlaçassem, pois agora estava certo de que eu era feito de coisas que nunca tinha desejado – coisas partidas a que não continuaria agarrado.”

A Sentinela, de Richard Zimler, é um policial surpreendente, lúcido e corajoso. Mais do que abordar a realidade portuguesa atual, Zimler deixa-nos um retrato profundo do ser humano, das suas fragilidades e do seu lado indizível. O caminho iniciático para a idade adulta, esse precipitar em poços profundos, donde somos resgatados pela luz de se ser único na vida de alguém.

Prémio PEN Clube de Narrativa 2012

TravessaO romance de estreia de João Bouza da Costa, Travessa
d’Abençoada, acaba de ser agraciado com o Prémio P.E.N. de
Narrativa para o ano de 2012.

Travessa d’Abençoada é um romance que acompanha os diversos
protagonistas e acontecimentos que têm lugar numa travessa típica de
Lisboa, durante 24 horas.

Aquando da publicação deste livro, em janeiro de 2012, o crítico
literário Miguel Real escreveu no Jornal de Letras: «Lamentamos que
não exista já o Prémio Literário Cidade de Lisboa, Travessa
d’ Abençoada merecia-o em absoluto, retrato em perfeição da nova
Lisboa habitada por um cidadão cosmopolita, universalista e tolerante,
não já a antiga capital imperial e africanista ou colonialista, não já a
Lisboa heroica e épica propagada pelo Estado Novo, pesada de
edifícios majestáticos, antes moderna e europeia carregada de idosos
(as doenças e a solidão da terceira idade retratadas no romance), de
casais pobres e ricos (o novo condomínio de luxo em contraste com as
casas envelhecidas dos prédios de reboco à vista), de pessoas
diferentes (a criança autista), de estrangeiros (a mulher do tradutor),
de vícios (a agonia dos drogados), de maquiavelismo (o empreiteiro
reles que atormenta o “Orelhas” para ele abandonar a casa), numa
mistura de tradição (os frangos assados o fado as roupas das
senhoras velhas…) com rock e música erudita, onde se ouve ao
mesmo tempo um refrão clássico e um verso de Rilke.»

Breve tratado sobre a felicidade como doença | Paulo José Miranda

“o medo comporta-se no organismo humano como um alienígena; o organismo humano não consegue sintetizar o medo; o medo é um organismo independente dentro do organismo humano; nada o sintetiza, nada o assimila, nada o expele; o medo não é um produto do cérebro humano ou de qualquer órgão; o medo é uma outra vida dentro de nós.O medo entra em nós pela incapacidade de aceitar os outros; o medo é o outro dentro de nós, o outro que não se quer; o medo é como que a solidificação da incompreensão dentro de um humano.”
Paulo José Miranda – [breve tratado sobre a felicidade como doença]

O Carteiro de Fernando Pessoa

carteiro«Concordou em fazer-se passar por Fernando Pessoa, apreciando-se depois em frente do espelho no quarto: o bigode postiço, contido e severo, os óculos que lhe davam um ar digno e harmonizado com a sofisticação própria dos intelectuais; e, por fim, enfiado na cabeça, o estimável chapéu preto, que lhe acrescentava respeito e culta superioridade. Semelhante na compostura e privilegiado na aparência, assim estava o carteiro Bernardo com a sua boa inspiração, a projectar ilusões e a permitir excitações libidinosas à senhora Ofélia.»

«O Carteiro de Fernando Pessoa», de Fernando Esteves Pinto.

À venda nas livrarias.

Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade – Prémio LeYa 2013

Foto Gabriela Ruivo Trindade

Reuniu ontem e hoje o júri do Prémio Leya, a que concorreram este ano quatrocentos e noventa e um originais, oriundos da Alemanha, Angola, Brasil, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné-Bissau, Itália, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Portugal, Reino Unido e Suécia.

O júri deliberou atribuir o Prémio ao romance «Uma Outra Voz», de Gabriela Ruivo Trindade.

O júri destaca a consistência do projecto narrativo que procura, através de várias gerações, e com o foco em personagens de grande força, sobretudo femininas, retratar a transformação da sociedade e dos modelos de vida numa cidade de província, no Alentejo. Merece destaque a originalidade com que o autor combina o individual e o colectivo, bem como a inclusão da perspectiva do(s) narrador(es) no desenho cuidado de um universo de vastas implicações mas circunscrito à esfera do mundo familiar ao longo de um século de História. Também a exploração ficcional de registo diarístico e a inclusão da fotografia dão um sinal de modernidade formal a esta obra premiada por maioria do júri.

Continuar a ler

Prémio Urbano Tavares Rodrigues 2013

16003705O Rei do Monte Brasil, de Ana Cristina Silva é o vencedor do Prémio Literário de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues, iniciativa conjunta da FENPROF e SECRE, e que se refere a obras publicadas por docentes em 2012.
 Este é um livro sobre dois homens caídos em desgraça. Dois homens que sofreram uma derrota pela posse de uma mesma terra, embora um deles tenha saído vencedor sobre o outro.
A escrita da Ana Cristina Silva precisa dessa imensidão do olhar, dos grandes espaços e do desassombro de mentes poderosas.
Neste livro, Gungunhana encontrou o seu lugar entre os grandes reis da nossa história.

Regicídios Que Mudaram a História, de Américo Faria

84015c_bf3fc6f4547ee1733a9746682eb4e7e5.jpg_srz_348_548_75_22_0.50_1.20_0.00_jpg_srzAo longo da História da Humanidade, senhores de gloriosas nações e incontável poder viram a sua liderança tragicamente abalada pela insatisfação de um povo revoltado, subjugada pelo poder de outro império ou cobiçada por um familiar ambicioso.
Do louco Tibério, de Roma, ao mais sensato Gustavo III, da Suécia, passando pelos apaixonados Alexandre e Draga, da Sérvia, pelo irascível Paulo I, da Rússia, ou por D. Carlos, apaixonado por oceanografia, Regicídios que Mudaram a História apresenta ao leitor o destino trágico de reis e imperadores cuja morte trouxe um novo rumo à vida do seu país.
Viagem empolgante pelos principais atentados reais verificados ao longo dos tempos, Regicídios que Mudaram a História é uma obra indispensável para todos os que se interessam pelos acontecimentos que marcaram a Humanidade.

Um lançamento das Edições Parsifal para este Outubro.

O bom e o mau ladrão

publico_fotoO Evangelho segundo Jesus Cristo, de 1991, abre com a descrição da cena do Calvário. O autor observa um quadro.

O primeiro personagem é o bom ladrão, de caracóis louros (como os anjos), semblante arrependido e sofrido. Saramago reconhece-lhe “uma dor que não remite”. Mais “retíssimo” será o mau ladrão, esse a quem o autor reconhece um “sofrimento agónico” e, portanto, mais puro, isento da trapaça de “fingir acreditar, a coberto de leis divinas e humanas, que um minuto de arrependimento basta para resgatar uma vida inteira de maldade”. A escrita de Saramago reveste-se deste olhar lúcido, um olhar que percorre, que perscruta o interior da alma humana e por vezes se detém num pensamento, para de seguida retomar o seu caminho. Parágrafos extensos que se demoram, presos à ideia que vão expondo, como se fossem adivinhando o fascínio que despertam no leitor.

Como narrador, Saramago aproxima-se da postura deste mau ladrão, sendo que, entre o bom e mau, “não há nenhuma diferença… pois o Bem e o Mal não existem em si mesmos, cada um deles é somente a ausência do outro.”

“Deus na obra de Saramago” é o primeiro tema para as Tertúlias de Lisboa.

A dimensão de Deus

Diálogo entre Deus e Caim. Deus interpela Caim:

“Que sabes tu do coração de job, Nada, mas sei tudo do meu e alguma coisa do teu, respondeu caim, Não creio, os deuses são como poços sem fundo, se te debruçares neles nem mesmo a tua imagem conseguirás ver, Com o tempo todos os poços acabam por secar, a tua hora também há-de chegar. O senhor não respondeu, mas olhou fixamente caim e disse, O teu sinal na testa está maior, parece um sol negro a levantar-se do horizonte dos olhos, Bravo, exclamou caim batendo as palmas, não sabia que fosses dado à poesia, É o que eu digo, não sabes nada de mim. Com esta magoada declaração deus afastou-se e, mais discretamente que à chegada, sumiu-se noutra dimensão.”

Caim, de José Saramago

As diversas dimensões onde Deus se some são um mistério para os homens.

Mais aqui, em breve.

A Segunda Morte de Anna Karenina

acsHOJE NAS LIVRARIAS

O mais recente romance da Ana Cristina Silva já disponível nas livrarias.

Cada livro que se escreve é uma tentativa de aproximar a voz individual das personagens e do autor à voz comum e desta maneira criar uma espécie de intimidade com o leitor. Hoje sai para as livrarias a Segunda Morte de Anna Karenina e estou um pouco nervosa porque não sei se a intimidade desejada será conseguida.

Ana Cristina Silva no Facebook

 

Debaixo de Algum Céu – Nuno Camarneiro

Num prédio as vidas arrumam-se como livros numa estante. São histórias fechadas em si mesmas, ou nem tanto, porque as histórias têm tendência de ir por onde não devem.

São as personagens incertas que habitam aquele prédio à beira do mar. Delas não conhecemos o seu passado, também não iremos conhecer o seu futuro. Afinal, “uma história são pessoas num lugar por algum tempo.”

A escrita de Camarneiro é de uma grande coerência literária, desdobra-se em imagens de grande beleza poética, arranca estes personagens ao seu quotidiano, aos seus pensamentos, à intimidade da sua casa. São gente com paredes à volta. Têm todos um pouco uns dos outros, sem contudo o saberem ou se darem a conhecer. São como o padre que resgata o Menino Santo e o apresenta à sua Igreja. “O farol aceso cumpre a luz aos barcos que dela carecem.”

(ler mais em Acrítico – Leituras dispersas)

O Chalet das Cotovias, de Carlos Ademar

Tudo o que tem de ser feito. Eis a moral indispensável ao bem da nação, a que ditou os comportamentos privados, públicos e policiais. Em plena sedimentação do Estado Novo, nos anos 30, acontece um crime perpetrado na figura de um advogado da praça Lisboeta. Fosse um mendigo, um marçano ou um empregado do comércio e os alicerces do regime não estariam ameaçados.

Os vícios privados das figuras regradas do regime não estariam em causa.

Os estratos sociais, os vícios privados e o que tinha de ser feito, surgem aqui numa narrativa que nos prende à sua leitura. Um registo sóbrio sem ideias pré-concebidas, sem endeusamentos dos que não alinhavam com o regime e uma versão torpe dos que o serviam. Quem servia, também se servia.

Quando vivemos tempos em que as classes ociosas se reúnem para brincar aos pobrezinhos, a leitura deste livro torna-se indispensável. Tudo isto aconteceu. Não estamos muito longe de que volte a acontecer.

(ler mais no Acrítico – leituras dispersas)

A Instalação do Medo, de Rui Zink

Houve tempos, ainda recentes, em que a humanidade parecia ter-se libertado do medo. Foi preciso então intervir. Os Estados começaram a instalar o medo de forma profissional e ao domicílio.

São os medos infantis e os medos adultos. O medo do desemprego, das convulsões dos mercados, da doença, das epidemias virais, da violência, da taxas de juro, do terrorismo e, finalmente, o medo que guardamos em nossas casas. O medo de cada um, não formatado, não homologado. O medo de contrafação.

A instalação do medo é um processo e já o estamos a viver. Ele precisa da nossa adesão e “é uma categoria”. Para o nosso bem e pelo futuro dos que já não têm futuro. Afinal, fomos nós que pedimos tempos neomedievais. A bem da nação.

(ler mais em Acrítico – leituras dispersas)

Agosto, de Rubem Fonseca

Existe na escrita de Rubem Fonseca um lado negro, uma crítica social que se torna intemporal. O Brasil de todos os tempos retratado num ritmo forte, em histórias de miséria humana que atravessam todas as classes sociais. Uma lista interminável de personagens sem que o leitor se perca. Vidas que se entrecruzam, como se o Brasil fosse um espaço exíguo, como aquelas celas da delegacia que Mattos insiste em ir esvaziando. Talvez o seu erro tenha sido o de julgar encontrar na lei os limites para uma sociedade em degradação.

«Um policial não pode gostar de poesia. Ele tem outros cadáveres com que se preocupar.»

(ler mais no Acrítico – leituras dispersas)

“O Bicho de sete cabeças – História de uma eleição democrática” | Carmen Zita Ferreira

Livro recomendado pelo PNL – Plano Nacional de Leitura (para apoio a projetos relacionados com Cidadania para os 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade).
Carmen

Sinopse:

Esta é a história de uma eleição, na cidade de Cata-vento, em que o vencedor é um cidadão muito especial: o Bicho de sete cabeças. Cada uma das suas cabeças representa uma qualidade indispensável para bem governar Cata-vento, mas na hora da coroação surge um problema, porque só existe uma coroa. Qual das cabeças será a mais importante? Da dúvida surgirá um resultado bem curioso e quem fica a ganhar nesse dia é toda a cidade, porque soube analisar, em conjunto, o problema e encontrar solução para ele.
Através de uma história simples, magistralmente ilustrada por Sandra Serra, este livro leva o leitor a desenvolver a sua capacidade crítica sobre um tema que interessa a todos: a educação para a cidadania.
Conforme afirma Eduardo Marçal Grilo, no Posfácio ao livro, “Esta história (…) é uma dessas que nos encanta e que ainda nos ensina como é importante ser bom, justo, humilde, determinado, honrado, sabedor e imparcial”.

Casas Pardas | Maria Velho da Costa

Maria_Velho_CostaCasas Pardas cartografa Lisboa no final dos anos sessenta, em plena agonia do regime salazarista: crise política e social, rumores das guerras coloniais e dos tumultos estudantis. O Portugal pardacento à espera do terramoto que virá em 1974, enquanto se escreve o caos afetivo em comunidade, por dentro das casas do amor e desamor de Elisa, Mary, Elvira e companhia. Mas Casas Pardas é acima de tudo a casa da língua portuguesa e dos seus vários linguajares, aqui em jubiloso processo de miscigenação com outras falas do mundo, através do grande virtuosismo da escrita de Maria Velho da Costa.
Deste romance fala-nos também Mário de Carvalho: «Casas Pardas é um maravilhoso torvelinho de linguagens, uma evocação concreta e exata de comportamentos sociais de várias classes no final do fascismo, uma revisitação dos lugares da literatura e da poesia (também nas suas vertentes populares), uma polifonia de falas genialmente captadas, uma subversão endiabrada dos processos narrativos e uma prática de jogos de linguagem que lembram o barroco, mas também os grandes efabuladores do século XVIII, como Fielding ou Sterne. A ironia e a réplica acerada pairam em todo o romance, repartido em várias “casas”, pluralidade de focos que centram uma escrita em que passado e presente, a concretude do quotidiano mais trivial, mas também a citação literária de vários graus, ou mesmo a toada infantil, a reflexão às vezes iluminada, de envolto com o paradoxo e a paródia, nos desafiam página a página.»
Casas Pardas esteve recentemente em cena no Teatro Nacional de São João, no Porto, com adaptação e dramaturgia de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas.

Prémio Camões 2002, Maria Velho da Costa (n. 1938) é licenciada em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa. Foi leitora do King’s College em Londres, presidente da Associação Portuguesa de Escritores e adida cultural em Cabo Verde. Ficcionista, ensaísta e dramaturga é co-autora com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta de Novas Cartas Portuguesas. A sua escrita
situa-se numa linha de experimentalismo linguístico que viria a renovar a literatura portuguesa nos anos 60 e, como afirmou Eduardo Lourenço, é «de um virtuosismo sem exemplo entre nós».

Ana de Londres, de Cristina Carvalho

Ana de LondresNos anos 60, Portugal vive a angústia de ver partir a sua juventude para a guerra. Fechado sobre si mesmo, é um país triste e retrógrado que contrasta com a explosão de vida na Europa.

Neste ambiente, Ana, com dezoito anos, não consegue realizar os seus sonhos. Contra a vontade dos pais que a empurravam para um futuro que não desejava, confiante no amor, parte para Londres. Na capital inglesa, planeia uma nova vida, independente e livre junto de quem mais ama, João Filipe, que fugira da Guerra Colonial. Mas estará Ana preparada para enfrentar tantas e tão intensas transformações?

Cristina Carvalho, escritora que a cada novo livro confirma uma originalidade admirável, surpreende com Ana de Londres, memória de uma juventude que escolheu a emancipação e ousou libertar-se das amarras de uma sociedade redutora. Uma obra intensa, ilustrada com a visão talentosa do pintor Manuel San-Payo e com um esclarecedor prefácio de Miguel Real, este livro apresenta não só um retrato impressionista de um tempo histórico que deixou profundas marcas individuais e colectivas na sociedade portuguesa, como constitui o retrato de uma geração que não teve medo de viver.

Nas livrarias a 5 de Setembro. Um livro das Edições Parsifal.

A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov

Este é o primeiro romance escrito em inglês por Vladimir Nabokov, também ele de origem russa. Provavelmente, tal como Sebastian Knight, lhe aconteceu ficar “escarlate quando, por algum defeito de elocução, um ouvinte mais obtuso não compreendia bem uma frase sua.”

Advinha-se um lado autobiográfico nesta obra. Nabokov não entrega o papel de narrador a Sebastian Knight, mas a uma terceira pessoa; não um completo estranho, mas um seu meio-irmão. Estabelecendo assim um triângulo de cumplicidades. Talvez Nabokov se tenha desdobrado nos dois personagens: Sebastian e o seu meio-irmão, o narrador do livro.

Ler mais em Acrítico – leituras dispersas

Um Rapaz a Arder – Casa da Cultura de Setúbal

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Está um rapaz a arder
em cima de um muro,
as mãos apaziguadas.
Arde indiferente à neve que o encharca.

Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar.
Nunca ninguém lhe apagou esse lume.

(Archote Glaciar, EP 1998)

Ontem, na Casa de Cultura de Setúbal, as conversas muito cá de casa, receberam Eduardo Pitta e o seu livro mais recente Um Rapaz a Arder. O ator José Nobre interpretou poemas do autor com tal força que se convenceu, a dada altura, ter repetido dois versos. Atentos, a sala e o autor, tranquilizaram-no. Não, estava perfeito.

Eduardo Pitta falou-nos de Moçambique e das razões da sua saída, do seu livro, da sua poesia, dos escritores que foi conhecendo, de alguns livros que vieram a propósito, do Meio, do nosso retrocesso social. Sempre com uma impecável elegância, sem saudosismos serôdios e com um saudável sentido de humor. Não se furtou às questões identitárias que abordou com a naturalidade de quem fala de si e das memórias de um percurso de vida.

Da audiência vieram perguntas, que o Cidade Proibida se encontra esgotado – o único romance do autor, escrito numa linguagem desabrida e crua. Fátima Medeiros da livraria Culsete quis saber da escrita do “eu” e das suas concessões à ficção. Abordou ainda a clareza da obra ensaísta do autor.

Não houve fogo, mas ninguém apagou este rapaz a arder.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete e BlogOperatório.

O Suplente – dia 3 de Julho na FNAC

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Este livro fala-nos da dor da perda. Da dor para a qual não existe um suplente no banco, pronto a entrar para repor o equilíbrio. Este livro não é sobre futebol.

Com um impecável sentido de humor e não menos brilhante sentido de observação, Rui Zink mostra-nos como os portugueses discorrem dobre os fatos fundamentais da sua vida com o recurso a frases feitas. Como se estas frases fossem um arremedo para a nossa falta de cultura. Uma incultura que nos impede de refletir ou de nos expressarmos pelas nossas próprias palavras.

O autor confidencia-nos ser uma pessoa dividida entre a pulsão artística e a intervenção cívica. Este livro é uma proposta assertiva que se mantém pertinente treze anos após a primeira edição.

 

Um rapaz a arder na Casa da Cultura de Setúbal

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“Um rapaz a arder” de Eduardo Pitta, vai ser o tema das conversas Muito Cá de Casa a decorrerem esta sexta, dia 28, pelas 22:00 na Casa da Cultura de Setúbal.

Eduardo Pitta, poeta, romancista, crítico literário e ensaísta vai apresentar o seu último livro. As memórias de um percurso de vida de 1975 a 2001 que acompanham os principais eventos do nosso tempo, balizados entre a independência de Moçambique e o 11 de Setembro de 2001. Tudo sem saudosismo e com a elegância de um relato depurado, o essencial de um olhar estranho ao Meio.

O ator José Nobre participa com a leitura de excertos de “Um rapaz a arder” e de alguns poemas do autor. António Ganhão, do site PNet Literatura, colocará algumas perguntas e tentará moderar a conversa entre os presentes.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete e BlogOperatório.

O Suplente, de Rui Zink

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É um romance sobre a dor maior que é a perda de um filho e a acção que isso exerce nos que ficam. Um livro sobre pessoas e o grau de humanidade que nelas habita. Ou não.

Rui Zink e António Jorge Gonçalves, o autor do romance e o autor das ilustrações de O SUPLENTE, falam do trabalho conjunto e do que há de novo nesta edição que saltou agora para o terreno de jogo. Falarão de muitas coisas MENOS de futebol. O SUPLENTE não é sobre futebol. É outra coisa, que não esbanja meios e devia provocar manifestações. É escrita a sério. À Rui Zink.

 (texto retirado do convite da editora)