Manipulação de fotos têm sido um pilar da fotografia, mesmo antes do advento do Photoshop, mas com o uso onipresente do programa por todos o mundo tornou-se inundado com trabalhos de seriedade questionável e dúvidosa. Felizmente o trabalho de Thomas Barbey nos enche de esperança. Suas peças trazem de volta uma qualidade surreal clássica, talvez porque ele faça seu trabalho a moda antiga – com fotografias de cinema cuidadosamente planejadas com base, seleção de negativos e até um pouco de aerografia.
Anos de viagem e artistas como René Magritte, MC Escher ou Roger Dean inspiraram Barbey a criar suas peças . Seus trabalhos em preto e branco jogam com escala e perspectiva de maneiras que torcem a realidade sem distorcer seus elementos individuais. Simplesmente fantástico!
Entre as duas nádegas
o pávido sulco
tem aroma de áfricas
e de uvas de outubro
Dirias que fora
um silvo de morte
a penetrar toda
a nocturna flora
até hoje intacta
que ainda aí tinhas
Respira Não fales
Murmura Não grites
Que travo
de amoras
Que túnel escuro
Que paz no que sofres
por mais uns minutos
o pescoço vergas
submissa e frágil
tal o de uma
égua que vai beber
água
mas encontra a
lua
E junto da cama
a rosa viúva
com lágrimas brancas
já pede os meus dedos
sacudido apoio
para a viuvez
em que a deixo hoje
Muito mais a
norte os queixumes
calas
E nem gemes Gozas
enquanto te invade
o suco da vara
vertido no sulco
Vê como foi fácil
Respira mais
fundo
Chrys CHRYSTELLO (n. 1949-) é um cidadão australiano que não só acredita em multiculturalismo, como é um exemplo vivo do mesmo. Nasceu no seio duma família mesclada de Alemão, Galego-Português (942 AD), Brasileiro (carioca) do lado paterno e Português e marrano do materno. Publicou aos 23 anos o livro “Crónicas do Quotidiano Inútil, vol. 1” (poesia). Viveu em Timor (1973- 75) e dedicou-se sempre ao jornalismo (rádio, televisão e imprensa). Durante décadas escreveu sobre o drama de Timor Leste enquanto o mundo se recusava a ver essa saga.
Na Austrália esteve envolvido nas instâncias oficiais que definiram a política multicultural daquele país, divulgou a descoberta de vestígios da chegada dos Portugueses (1521-1525, mais de 250 anos antes do capitão Cook) e difundiu a existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português (há quatro séculos).
È ACADÉMICO correspondente da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa). Tem vários livros publicados do ensaio, à crónica e à poesia. Traduziu inúmeras obras de autores açorianos para Inglês. Organiza desde 2001-2002, os Colóquios Anuais da Lusofonia [Bragança; Lagoa, Ribeira Grande e Maia (S. Miguel); Vila do Porto (Sta Maria, Açores), Brasil, Galiza e Macau]. É Editor dos CADERNOS (DE ESTUDOS) AÇORIANOS,publicação trimestral, online, dos Colóquios da Lusofonia, coordenados por Helena Chrystello e Rosário Girão.http://www.lusofonias.net/conteudo/estudos-acorianos/
Num registo tão elitista quanto a elegância o permite, Eduardo Pitta, deixa-nos um relato das suas viagens a Itália na forma de um quase diário. Não são viagens de turismo no seu sentido convencional. O autor recusa entregar-se à multidão, a essa horda de turistas basbaques e ao seu frenesi compulsório, ou à espontaneidade de uma opção de última hora. Este é o percurso estudado de um homem culto. Um percurso destinado a satisfazer o seu gosto pelo requinte, seja por uma paisagem, um apontamento arquitectónico ou uma refeição num restaurante de excelência (onde o preço, obviamente, não é impedimento).
O percurso divide-se por duas cidades, Veneza e Roma.
Da primeira, Eduardo Pitta, afirma: “Veneza é música e é luz”. E descobrimos ser também a sua gastronomia e os locais onde os seus ícones marcaram presença. Os restaurantes merecem um olhar demorado. “O ambiente é glamoroso, distendido, bem-humurado, sentimos que estamos envoltos numa aura de privilégio”. Ou, “caras bonitas, vozear controlado”.
Existe um percurso que é o olhar de Eduardo Pitta e é fácil deixarmo-nos enamorar por ele. Talvez, porque “a intimidade alheia sempre espicaçou os homens”, como refere a propósito da multidão de turistas que visitam o palácio dos Doges. A elegância dos ambientes é depurada como a prova de um grande vinho. Os aromas, a cor, a extensão dos saberes, o registo prolongado da memória, tudo avaliado com a mestria de um entendido, sem o deslumbramento do turista em excursão organizada.
Apontamentos breves são-nos servidos com um impecável sentido de humor. “…um bando de rapazes improvisara uma desastrada versão de Great Bird de Keith Jarrett. A temeridade é um atributo dos inocentes. Eles são jovens e pareciam dispostos a comer os dentes do piano. O poeta teria gostado”.
Quando se trata das suas desilusões é impiedoso, “o Babington’s Tea Room, tornou-se uma decepção: criadas mal resolvidas, pretensioso e caro. As freiras que vi no Vaticano têm melhor astral”.
Este livro é uma “abstracção da realidade”, mas não na sua forma de divertimento simples para consumo imediato, é antes um desafio ao bom gosto, ao grande relato das coisas simples da vida, mas belas. O relato sóbrio de uma certa forma de se estar. Depois de o ler nunca mais a Fontana de Trevi terá o mesmo encanto.
“Quem conhece, sabe do que falo. Quem não conhece, deve ir conferir”. Ou, neste caso, ler.
Há uma manobra em marcha nos escombros da política nacional, às vezes mais camuflada, outras vezes mais descarada, que merece ser seguida com alguma atenção e com não menos preocupação. De resto nem sequer é totalmente inédita, tem antecedentes, que radicam mesmo no limiar do sistema democrático desta Segunda República Constitucional.
A manobra passa por fazer crer que, neste (des)governo Passos Coelho/Paulo Portas há, desde a sua posse, o parceiro bom e o parceiro mau. É um pouco a reediçãoda história do bom ladrão e do mau ladrão. O parceiro mau é o PPD/PSD, o partido maioritário do primeiro-ministro e chefe do bando, do Miguel Relvas oportunista e sinistro manipulador dos bastidores políticos e de Vítor Gaspar, o frio tecnocrata e infiltrado da tróika no executivo nacional onde impõe as receitas da austeridade custe o que custar. O parceiro mau é o da insensibilidade social, que despreza as pessoas, impõe a ditadura das finanças, falha todas as previsões, joga despudoradamente com o desemprego galopante como factor determinante do modelo económico que perfilha, a competitividade externa baseada em baixos salários.
O parceiro bom é o CDS/PP, o partido minoritário de Paulo Portas que se serve do seu cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros para se por a recato nos momentos mais comprometedores, dum ministro da caridadezinha que tenta passar despercebido e distanciar-se dos calamitosos efeitos sociais dos golpes desferidos contra o Serviço Nacional de Saúde, contra a Escola Pública, contra o factor trabalho, contra os direitos mínimos dos desempregados, dos doentes, dos aposentados. O parceiro bom é o que tenta transmitir a imagem do sacrificado, do que está no governo sem prazer e sem benefícios mas por missão, que reconhece os pecados da governação mas se esforça por minimizá-los, que tenta introduzir as boas medidas ou atenuar as más medidas. Preocupa-se com o desemprego mas não domina a pasta da economia, é contra os enormes aumentos de impostos mas não tem nada a ver com a pasta das finanças, empenha-se no fomento das exportações mas vê-se bloqueado pela ineficácia do responsável pela economia, pela avareza do senhor das finanças, pela incompetência do chefe do governo. É contra a marginalização da oposição e dos sindicatos, pelo diálogo aberto, maschoca-se com a arrogância e a inépcia do parceiro maioritário. Apela por uma remodelação profunda do executivo, mas contenta-se com um superficial arranjinho. É muito sensível às carências, às desigualdades, às ruturas sociais, mas não pode levar as críticas às últimas consequências para evitar abrir uma crise política. O parceiro bom intriga nos corredores, lança recados pela comunicação social, deixa pairar ameaças, mas acaba sempre por ceder. Por necessidade. Por patriotismo.
Este é o quadro que se pretende exibir e que tem como principal promotor, obviamente, o CDS/PP e o seu inteligente mentor, Paulo Portas. Nada de novo.
O mais interessante é que o principal destinatário desta mensagem não só se mostra receptivo como até, por sua iniciativa, se encarrega de a alimentar. Também aí, nada de novo. É recorrente, no discurso do PS, a tentativa de demarcar o CDS do PSD, o bom do mau. E não apenas com a intenção de tentar fragilizar a coligação, dividi-la, provocar a rutura. O objectivo é mais longínquo, visa o pós-governo, assegurar o parceiro à direita, no mal-afamado “arco da governação”, quando de novas eleições lhe vier a cair no regaço um poder precário de maioria relativa.
O CDS está na mesma jogada. A sua ambiguidade de parceiro bom num governo péssimo visa assegurar a futura aliança com o PS. A lógica do arco da governação que tanto gosta de proclamar é essa, manter-se como parceiro menor, mas pivot da alternância entre PS e PSD. É este o pilar do maquiavelismo realista de Paulo Portas e já está em marcha.
O eleitorado português tem embarcado neste equívoco e com que preço. Tarda a acordar para a dura realidade, a ver que tem sido este arco da governação que, desde 1976, vem sistematicamente cavando o buraco em que nos vimos enterrando. É um arco em túnel e sem saída.
É um acontecimento histórico o que se está neste momento a passar no Estado Espanhol, onde um movimento de massas se organiza para defender o direito à habitação e conseguiu demonstrar que quando se luta, com tenacidade e persistência, se conseguem vitórias.
Em cada eleitorado aparelhístico há uma pequena Coreia do Norte que ama o seu grande líder.
Esta gente, estas autênticas quadrilhas têm um papel mais pernicioso na política atual que a corte tinha nas monarquias absolutas. Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga.
Estas são páginas do diário de uma menina que carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo demora uma sombra a ficar madura. Páginas feitas de memórias, para leitores de todas as idades.
No último piso do edifício da Casa da Música, as noites de sábado estendem-se quando o restaurante se transforma no Bar Casa da Música, com que partilha o espaço. Entre copos e conversas, num ambiente informal e de certa forma alternativo, dança-se noite dentro ao som das últimas tendências da música electrónica. A programação a cargo de Rui Trintaeum aposta em DJ’s nacionais, sendo que nas noites de Clubbing o bar tem uma dimensão mais internacional.
O espaço tem um ar industrial, com tecto alto e disforme, como o próprio edifício onde se insere, de onde pendem painéis metálicos. Por baixo fica a pista de dança, ao longo do bar propriamente dito onde se destaca a instalação multicolor de Pedro Cabrita Reis. Existe ainda o privilégio de se desfrutar da esplanada exterior, que nos dias mais quentes nos presenteia com uma vista de excelência sobre a cidade, voltada para…
Há muito por explicar em relação ao que se passa exactamente em Portugal e até que ponto os nossos governantes têm optado por mentir ou não sobre os números do défice e sobre as suas opções.
Perante uma afirmação de Mário Soares, por menos do que se está a fazer caiu Carlos de Bragança, a extrema-direita entrou em pânico. O problema desta gente é a noção de impunidade que imaginam protegê-los. Não há impunidade. Nem num ciclo político normal, onde se paga nas urnas, muito menos no golpe de estado que vão orquestrando, que conduz inevitavelmente a outras urnas.
Aquilo que estão a tentar fazer em Portugal falha sempre em democracia, seja porque esta funciona, seja porque deixa mesmo de funcionar.
Por enquanto não apareceu um Manuel Buiça e um Alfredo Costa, ilustres portugueses que sacrificaram a sua vida em combate contra uma ditadura, apenas porque ainda não foi tempo disso. Quem ataca doentes e desempregados com a desfaçatez de saberem que isso não os atinge, quem pensa que a humanidade é uma selva darwinista, arrisca-se a levar com a selva em cima e está a fabricar…
Estão abertas as inscrições para o Curso de Escrita Criativa – nível 1, com António Pacheco e a participação especial de Afonso Cruz. As sessões decorrerão nas instalações do Ginásio Clube Português. Aceda ao link para mais informações.
Portugal não pode ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu, defendeu nesta sexta-feira Maria João Rodrigues, conselheira do presidente da Comissão Europeia, na conferência “Portugal na Balança da Europa e do Mundo”.
Portugal só poderá superar a crise em que se encontra se a União Europeia avançar no sentido de completar a união económica e monetária, defendeu a economista, acrescentando que o Governo português devia apresentar uma proposta nesse sentido nas instâncias europeias.
“Não podemos ter sucesso sem uma mudança do enquadramento europeu”, disse Maria João Rodrigues, acrescentando que a crise está actualmente a gerar níveis de divergência inaceitáveis entre os países da zona euro.
“Já não é um problema de crise financeira e um problema de crise da integração europeia”, declarou Maria João Rodrigues, para quem “o mais urgente é completar a união bancária e normalizar o acesso ao crédito nas empresas dos países da zona euro em situação problemática”
“O modelo português tem de ser mais competitivo, não pela via da compressão de salários mas da criação de produtos de valor acrescentado. Há ajustamentos a fazer mas não podemos pôr em causa funções sociais do Estado”, defendeu.
“O nosso objectivo central é evitar cair na espiral recessiva para consolidar as finanças públicas, o crescimento e o pleno regresso aos mercados. O caso português pode dar um contributo para resolver o problema europeu e temos o capital de contribuição para a construção europeia que nos permitirá ser ouvidos”, afirmou ainda.
No Muito cá de casa, na Casa da Cultura de Setúbal, foi noite de Casanova.
António Mega Ferreira encontrou seis cartas que Casanova escreveu – em francês – a partir de Lisboa, no ano de 1757 (dois anos após o terramoto) e acrescentou-lhes umas brevíssimas notas de rodapé, dando-lhes corpo de livro.
Foi disso e muito mais o que se falou ontem; ou o convidado não fosse o AMF.
A sessão abriu com um interlúdio musical a que se seguiu a leitura parcial de uma dessas cartas, num momento de extrema elegância – digno dos mais nobres salões da corte – abrilhantado pelo ator José Nobre.
Em 1998, afogueado com a insistente pergunta sobre os seus projetos a seguir à Expo 98 (que liderou), AMF respondeu ter como propósito traduzir a “Histoire de ma vie” de Giacomo Casanova. Não o chegou a fazer, mas acrescentou-lhe estas seis cartas.
O romance “Cartas de Casanova, Lisboa 1757”, a que o AMF deu uma forma epistolar (tão ao gosto do séc. XVIII), preenche um hiato de três meses, em que nada é referido na “Histoire de ma vie”.
Casanova só podia ter estado em Lisboa e ter escrito aquelas seis cartas (em francês) que, agora, com brio e desenvoltura de homem de filosofia, AMF, deu ao prelo.
Como sempre, no Muito cá de casa, o José Teófilo brindou-nos com uma noite animada, digna de um renascimento português, onde se falou de literatura e do seu processo criativo, se evocou Bocage…
A classe política decidiu que vivemos em liberdade, e como que por acção de uma varinha mágica, passamos a “viver em liberdade”.
Mas a verdade é que não é porque a classe política “decide” que vivemos em liberdade que, por sua alta recreação, passamos de facto a viver em liberdade. Para que vivamos em liberdade não chega a manipulação sistemática da opinião pública por parte da classe política: é preciso também que a classe política respeite o senso-comum e uma ética racional.
Quando a opinião pública muda tão rapidamente como tem mudado em assuntos tão diversos como a submissão canina e indigna à União Europeia ou ao “casamento” gay, então, ou a opinião não mudou de facto, ou a sociedade não é livre — porque a opinião pública, numa sociedade que seja de facto livre, não muda com a rapidez que tem mudado nos últimos dez anos. Já não vivemos em democracia; e a “liberdade” é apenas aquilo que a classe política quer que seja.
A classe política — tal como Rousseau preconizou mediante o conceito abstracto, abstruso e absurdo de “vontade geral” — “obriga os cidadãos a serem livres”. O povo é obrigado a ser livre em conformidade com o conceito exclusivista de “liberdade” imposto pelas elites.
Os media, as tvs, tratam com o mesmo entusiasmo, todos os acontecimentos que seleccionam como se todos tivessem a mesma importância. A expressão que há uns anos se tentou introduzir na área cultural, “indústria de conteúdos”, que, aliás, desapareceu com a mesma velocidade com que foi introduzida por algumas luminárias industriais, aplica-se com mais propriedade a esta máquina diária de produção de eventos; o que disse fulano é tratado como o que disse sicrano; a crise financeira de Chipre tem a mesma importância da crise financeira do Sporting; a remodelação de dois ministros é tratada como idêntica – como assunto propulsor de discursos – a uma manifestação de um milhão de pessoas; a gritaria da Assembleia de manhã é transposta para uma pequena gritaria à noite em vários canais em simultâneo sobre os mesmos assuntos que foram discutidos à tarde. E todos, mas todos os “acontecimentos” servem para uma tempestade imparável de comentários, debates, entrevistas, seguidas de análises das entrevistas anteriores e assim sucessivamente. Com uma variante: a crise de todos os dias é suspensa todas as segundas-feiras para se juntarem vários grupos de 3 pessoas e falarem de futebol à mesma hora, não de futebol propriamente dito, mas da vária miséria que anda à sua volta, da qual esses programas fazem parte integrante.
O inferno não deve ser muito diferente de tudo isto (somado multiplicado, amplificado e eternizado).
Quanto tudo é equivalente a qualquer outra coisa é o mesmo que qualquer coisa ser equivalente ao nada.
Claro que não é verdade. Mas parece. É uma indústria de “conteúdos” florescente, produtora de um stress síncrono no qual todos participamos (dentro ou fora) com maior ou menor alegria, ou com maior ou menor fúria.
Falta apenas um aspecto a constatar: a arte nunca existe.
editora: Companhia Nacional Editora – Successora de David Corazzi e Justino Guedes
colecção: Viagens Maravilhosas
edição: 2.ª
data: 1889
local: Lisboa
tradução: Manuel Pinheiro Chagas
língua: Português
páginas: 251
estado: usado, em estado razoável. capa a descolar-se do miolo.
O inglês John Gaunt, duque de Lancaster (os portugueses dizem e escrevem Lencastre…) é pretendente ao trono de Castela em virtude do seu casamento com Constança, filha de Pedro-o-Cruel. Já conquistou todo o norte da Galiza e agora muito lhe convém uma aliança com D. JOÃO I, Mestre de Avis, pois este, para garantir a independência de Portugal, está sempre em guerra contra os castelhanos. E a aliança, porque interessa a uma e outra parte, é assinada em 1386 e reforçada em 1387 através de um casamento político: John Gaunt dá a mão da sua primogénita D. Filipa de Lencastre a D. JOÃO I. O casamento realiza-se na Sé do Porto, a 2 de Fevereiro.
Em 14 anos, de 1388 a 1402, D. Filipa dá à luz oito filhos: D. Branca, D. Afonso, D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, D. Isabel, D. João e D…
O chefe da diplomacia portuguesa disse esta quinta-feira que o prazo para a aplicação plena do acordo ortográfico “tem uma diferença de seis meses” entre Brasil e Portugal e sublinhou a importância da afirmação das culturas num mundo globalizado. Leia mais clique aqui
Nascido em 1918, Edmundo Pedro conheceu, desde muito cedo, o significado de palavras como empenhamento cívico e político, ou liberdade. Com 15 anos apenas é condenado a um ano de prisão e à perda de direitos políticos por um período de cinco anos. De novo detido aos 17 anos, é deportado, com o pai, para o Tarrafal, onde permanece durante nove anos.
Em 1958 participa ativamente na campanha presidencial do General Humberto Delgado e, em 1973, a convite de Mário Soares, adere ao Partido Socialista. Entre 1976 e 1987, é deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito membro da Comissão política Nacional do PS em 2009.
Uma vida que traduz “Um Combate pela Liberdade”, título da sua Biografia, cujo III volume será apresentado no próximo sábado, dia 13 de abril, pelas 16h00, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, com a presença do autor. A apresentação estará a…
Ontem abordámos o culto que se gerou em torno da figura de Fernando Pessoa e o elevado preço que. num leilão em Lisboa, atingiram uma secretária e uma máquina de escrever que o poeta usou. E contámos como essa elevada licitação estava relacionada com um livro. Outro livro nos leva a que continuemos hoje com Pessoa – mais propriamente, com a sua correspondência com Armando Cortes Rodrigues,
Do livro “Cartas de autores portugueses”, editado pelos Correios e Telecomunicações de Lisboa, coligidas por José Ribeiro da Fonte, podemos apreciar extractos de cartas de grandes autores portugueses, divididos em: A Carta, Do amor, Da viagem, Da política, Da vida e do mundo e Da arte e do artista.
Aí encontrei algumas de Fernando Pessoa para Armando Côrtes-Rodrigues. Por também ter em minha posse uma carta deste último (para minha mãe Maria Cecília Correia) onde fala sobre a forma como conheceu…
A declaração ao país do primeiro-ministro depois dos absurdos chumbos ao Orçamento faz lembrar esses foliões fora de horas: agora, disse Passos, não haverá aumento de impostos; os cortes serão feitos na despesa do Estado; e Portugal continuará a renegociar os prazos dos empréstimos. Agora. Com um milhão de desempregados. E uma carga fiscal que destroçou a economia interna. E com falhanços sucessivos no défice (o que teria aconselhado a metas muito mais alargadas). Em resumo, agora: com o país a cair aos trambolhões pelo abismo recessivo, uma queda que será agravada pela voragem com que as travessas serão rapadas. Agora é tarde, Inês é morta. O anúncio do primeiro–ministro devia ter sido o seu programa desde o início. Quando ainda existia um país.
MANUEL SAN PAYO, pintor, expõe, individual ou colectivamente, desde 1981, estando a sua criação artística representada em diversas colecções, públicas e privadas.
É licenciado em pintura pela Escola Superior de Belas-Artes e docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.
Manuel San Payo ilustrou o conto “A Caligrafia de um Bárbaro” (capital Montevideu) escrito por JOÃO RICARDO PEDRO que se encontra incluído no livro CONTOS CAPITAIS publicado recentemente pela Parsifal.
A exposição “SÃO FLORES” de MANUEL SAN PAYO está à vista do público na Galeria Monumental em Lisboa – Campo Mártires da Pátria 101 – até ao dia 11 de Maio e posso garantir que não há Primavera mais bela a ser vista e apreciada!!
Na passada segunda-feira, morreu José Luis Sampedro. Cumprindo a vontade do escritor, ficcionista e economista catalão, a família só comunicou a sua morte na terça-feira, dia 9, após o funeral. Tinha 96 anos, mas como se pode confirmar no vídeo que aqui incluímos, o seu raciocínio era límpido .
Em 25 de Outubro de 2012, publiquei um artigo onde relatava a surpresa que, há muitos anos atrás (em 1993!), me produziu a leitura de La sonrisa etrusca. Terminava dando conta da minha intenção de voltar aqui a falar sobre este catalão que, como disse José Saramago, fez da reflexão uma forma de vida. Lamentavelmente, volto a falar dele pela pior das razões.
Eis o link para esse artigo.
E numa entrevista concedida em Dezembro de 2012 onde nos afirma que o sistema capitalista não atravessa uma crise – pura e simplesmente está esgotado:
Estamos a matar o homem europeu, que construiu a civilização mais racional, mais humanista, mais liberal que existiu na terra, que misturou raças, criou a democracia, a vontade popular democrática, criou a Carta dos Direitos Humanos, a Carta dos Direitos da Criança, defendeu os Direitos Ambientais.
Uma Europa de que a última tentativa de ser resgatada foi o projecto de comunidade europeia. E os valores portugueses e europeus estão a ser mortos por uma geração de economistas, que substitui o homem pelo número. Podem dizer que isto é demagógico, mas é a verdade.
[…] Hegel disse que a China estava a dormir há três mil anos, agora é a Europa que ficará a dormir, três mil anos ou mais. Como homem europeu, sinto revolta.
O júri da segunda edição do Prémio de Fotografia “Retratar um Livro”, composto por António Mega Ferreira, Jorge Vaz de Carvalho e João Francisco Vilhena, reuniu no dia 9 de abril e deliberou atribuir o terceiro prémio a Fábio Roque pela fotografia com o título Mensagem:
1.º Prémio a Maria de Lurdes Poças, Jurista, pela fotografia Impressão Estranha:
O 2.º Prémio foi atribuído a Pedro Teixeira Neves,Jornalista , pela fotografia A vida que há em si:
O referendo prometido em 2017 por David Cameron não levará ele à saída definitiva do Reino Unido da União Europeia? “Marianne” imagina as consequências desta política não tão ficção como pode parecer .
Yves Logghe/AP/SIPA
A data foi escolhida com cuidado. O referendo britânico sobre a saída da União Europeia foi fixado para 24 de Abril, dia de São Jorge, festa do Santo padroeiro da Inglaterra que, do alto de seu cavalo, arrasa o dragão do mal. Se as sondagens mais recentes sugerem pouca esperança para os eurófilos, ninguém esperava uma tão clara vitória dos “União Europeia, NÃO”. Cinquenta e oito por cento dos britânicos votaram a favor do divórcio, soltando as amarras para um destino desconhecido.
Os eurocépticos deslocaram-se em massa para votar enquanto que os…
Enquanto a Europa dá sinais de senilidade global ao tentar apropriar-se das poupanças (e da inevitabilidade dos cidadãos terem contas bancárias onde se vêm obrigados a guardar os ordenados que não lhes chegam para as contas do fim do mês) o poder luso perde-se em discursos idiotas destinados a salas vazias proferidos pelo chefe do governo e o Ministro de Estado e das Finanças declara que o acordo com a tróica foi mal equacionado depois da tróica o acusar dos falhanços decorrentes da política do “ir além da própria tróica”.
No meio de todo este descalabro salva-se o Jesuíta que proclama a necessidade de cuidarmos uns dos outros dando a entender que isso não tem a ver com a nossa disponibilidade pontual para cuidar, mas antes com a necessidade permanente de cuidados dos nossos próximos.
O Mundo político está cada vez mais mal frequentado. Talvez a Igreja Católica reabra o caminho da esperança e da solidariedade que os agnósticos do dinheiro esqueceram quando deixaram de entender que nas quatro operações aritméticas está incluída a divisão. LNT
Foi há 2 anos que um grupo de dirigentes políticos impreparados, desgastados por sucessivas derrotas eleitorais e formatados num liberalismo doutrinário, viram no chumbo do PEC IV a possibilidade de precipitação de uma crise política. Com isso conseguiriam também obter cobertura externa para o seu programa, construindo uma poderosa narrativa que os desresponsabilizaria na crise.
O PEC IV não era um passe de mágica nem, tão pouco, inclua as medidas que o PSquisesse aplicar ou que fossem confortáveis para qualquer socialista: não eram. Não são. Eram, todavia e à época, as medidas possíveis de um Governo socialista isolado de uma economia periférica numa Europa guinada à direita, atravessando uma convulsão financeira mundial, com instrumentos limitados por uma integração monetária assimétrica.
O contexto nacional era de progressiva reorganização das forças financeiras e económicas, antecipando uma queda do Governo socialista minoritário. Pouco antes, desde 2008, com o estouro da desregulação mundial e a queda dos gigantes da finança norte-americana, a Comissão Europeia estimulava políticas expansionistas e de investimento público para combater a recessão – o que de facto foi conseguido -, agravando o défice e a dívida de todos os países europeus. A Alemanha, que viu nesta crise a oportunidade histórica de impor a sua hegemonia política e financeira na UE com pesados custos para o projecto europeu, rapidamente percebeu a oportunidade de fortalecer a sua economia estabelecendo os termos de troca nos restantes países e nas instituições europeias.
Desta forma, em relação a outros países, a excepção portuguesa foi a conjugação do pico da crise com a fragilização política do Governo de então, com um Presidente da República hostil e com a gula da banca pelas linhas de recapitalização de um programa de assistência, levando todos os principais banqueiros a uma inédita semana de entrevistas na televisão para forçar uma viragem política no país.
O PEC IV, de facto, permitiria o oxigénio possível até outras medidas por parte do BCE. Atendendo ao que entretanto sabemos de outros países, é bem provável que não tivéssemos chegado a um programa de assistência para toda a economia ou que as condições, nomeadamente de juros, tivessem sido mais vantajosas.
Dois anos volvidos, sabemos o que aconteceu. A direita não podia esperar e a esquerda à esquerda do PS, justiça seja feita, já tinha votado contra todos os anteriores PEC. O resultado foi a crise política e, com isso, a entrada definitiva de Portugal nos radares internacionais. O país foi despojado, os activos públicos foram vendidos a preço de saldo, os custos laborais baixaram pela via salarial, o desemprego disparou, o desespero grassa.
Portugal mergulhou numa tragédia económica e social sem fim à vista, os indicadores sociais recuaram décadas, temos o pior desempenho económico em 40 anos. As ideias dos que nos trouxeram até aqui estão enterradas, mas os resultados das suas políticas vão perdurar décadas.
Só poderemos virar esta página quando percebermos que o que estamos a viver resulta de opções políticas concretas, de programas, de doutrinas, de ideologia, e que o combate pela mudança faz-se também pela consciência muito clara dos momentos e atitudes que definiram a nossa história recente. Na altura, o Secretário-Geral da OCDE afirmava que «no caso de Portugal é sobretudo um problema político auto-infligido». Os números são indesmentíveis:
É por isso que o chumbo do PEC IV é um dos momentos mais marcantes da história portuguesa contemporânea que, por razões diversas, muitos querem ignorar. Infelizmente, quanto mais tempo passa, mais percebemos a sua importância para a definição do nosso futuro colectivo.
Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país
“1. Por despacho do ministro das Finanças, de 8 de Abril de 2013, o Governo decidiu fechar o país e bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. O despacho é uma forma de reacção contra o acórdão do Tribunal Constitucional, como se explica logo na primeira linha. O Governo adopta a política do “quanto pior, melhor”. Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país.
2. Todos sabemos que estamos perante uma situação de crise gravíssima. Mas é justamente nestas situações que se exige clareza nas políticas e nas orientações, cortando o máximo possível em todas as despesas, mas procurando, até ao limite, que as instituições continuem a funcionar sem grandes perturbações. O despacho do ministro das Finanças provoca o efeito contrário, lançando a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático.
3. É um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições. O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de Direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?
4. No caso da universidade, estão também em causa importantes compromissos, nomeadamente internacionais e com projectos de investigação, que ficarão bloqueados, sem qualquer poupança para o Estado, mas com enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro.
Na Universidade de Lisboa saberemos estar à altura deste momento e resistir a medidas intoleráveis, sem norte e sem sentido. Não há pior política do que a política do pior.”
Lisboa, 9 de Abril de 2013 António Sampaio da Nóvoa
Reitor, Universidade de Lisboa
Comunicado do Reitor da Universidade de Lisboa (em formato pdf)
Há várias coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos “credores”, nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.
(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)
O tom revanchista que o governo e os seus defensores assumem depois da decisão do Tribunal Constitucional , – do género “ai não quiseram isto, pois vão levar com muito mais”, – mostra o carácter punitivo que está presente na política da coligação desde o início. A cada revés, e todas as semans há um grave revés, vêm novas ameaças e castigos, em vez de admissão de erros e inversão de caminhos. Como este tom punitivo é dos que melhor “comunica” com toda a gente, mesmo sem precisar de agências nem assessores, o governo está mais uma vez a semear ventos e a colher tempestades.
O Governo já tinha falhado por completo todos os objectivos do memorando, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O governo já estava com dificuldades em “ir aos mercados”, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava a caminho de um segundo resgate, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. O Governo já estava em crise profunda, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional. Todas as crises, económicas, sociais, e políticas já estavam em pleno curso, ANTES da decisão do Tribunal Constitucional.
A decisão do Tribunal Constitucional acelera todos estes processos mas não lhes deu origem. Nasceu deles. Nasceu de um Governo que, apesar de prevenido, mil vezes prevenido, insistiu num Orçamento de Estado assente em medidas ilegais. Bateu no peito cheio de ar e vento, insultando o Deus dos Trovões e levou com um raio em cima.
Pensaram sempre em atacar salários, pensões, reformas, rendimentos individuais e das famílias, serviços públicos para os mais necessitados e nunca em rendas estatais, contratos leoninos, interesses da banca, abusos e cartéis das grandes empresas. Pode-se dizer que fizeram uma escolha entre duas opções, mas a verdade é que nunca houve opção: vieram para fazer o que fizeram, vieram para fazer o que estão a fazer. (José Pacheco Pereira)
O país vive dias amargos. A todo o momento surgem novos confrontos com as forças policiais. D. Carlos escreve a João Franco e incita-o: «seja como for e suceda o que suceder, temos que caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-a) porque aqui mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim… nem tu!»
«Sem luta não há prazer em vencer, e a vitória sem combate, e combate sério, nunca é uma vitória duradoura», declara o monarca.
A contrastar com esta determinação estão as dúvidas que se ouvem por todo o lado.
Até mesmo os grandes partidos do constitucionalismo monárquico procuram manter-se a uma certa distância de João Franco.
Os progressistas de Luciano de Castro e José de Alpoim aconselham reacção enérgica contra a Ditadura, enquanto, por seu turno, os regeneradores marcam uma posição de franca hostilidade ao Governo, com…
Ninety-nine years ago today, the city center in Midtown Manhattan, formerly known as Longacre Square, was officially redubbed “Times Square.”
In April 1904, The New York Times moved its operations to the newly constructed Times Building—then the second tallest building in the city—on 42nd Street at Longacre Square. Times publisher Adolph S. Ochs convinced Mayor George McClellan to build a subway station there and rename the area for his newspaper. (Three weeks later, as if carrying out some bit of genetic code, the first electrified ad appeared on the side of a bank at 46th Street and Broadway.)
The Times modestly published a story about the rededication the following day.
On December 31 of that year, Ochs began the tradition of celebrating New Year’s Eve at Times Square. And three years later, the famous Times Square Ball drop from the roof of the Times Building, known simply today as One Times Square, was added to the annual jamboree.
Here’s a picture of what Times Square looked like way back then:
Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição de Memorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.
Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.
Maquiavel, o escritor e político do Renascimento, autor da obra-prima “O Príncipe”, a bíblia da acção política oportunista e amoral, será apresentado pelo notável jornalista Adelino Gomes,jornalista…
Se a Segunda foi parca, esta Terça-feira, 9 de Abril (aniversário, lembremos, de uma premonitória “chacina” europeia na batalha de La Lys – Flandres, corria o ano de 1918 duma chamada Grande Guerra) irá ser paupérrima, a ponto de o evento de destaque voltar a ser praticamente o mesmo.
Assim, suscita curiosidade a nova actuação do Quarteto Casals no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, pois que, para lá de prosseguir a nobre tarefa de interpretar a integralidade dos Quartetos para Cordas de Schubert (aqui na sua 6ª sessão), junta-lhe a interpretação de duas obras de Boccherini.
Composto (como dissémos ontem) por Vera Martinez, violino, Abel Tomàs, violino, Jonathan Brown, viola e Arnau Tomàs, violoncelo, tem nesta noite a participação adicional do violoncelista Eckart Runge
O alargamento do Governo teria como vantagem uma relativa pacificação do país (ou menos crispação) e uma nova sensibilidade no modo como se cumprem os compromissos com a troika.
São cada vez mais as pessoas que defendem esta solução. Porém, o problema agora não é Sócrates, mas Passos e Seguro.
Passos porque acha (e é verdade) que esse alargamento corresponderia ao seu afastamento da liderança do Governo e, a prazo, do PSD; e assim diz que não desiste.
Seguro, porque entende (e também é verdade) que qualquer colaboração na solução da crise ditaria a prazo o seu afastamento da liderança do PS; e assim diz que só colabora depois de eleições (sabendo que elas não vão existir e que isso se lhe dá mais uns tempos de líder).
Ou seja, estamos reféns de estratégias pessoais que se sobrepõem a estratégias nacionais de superação da grave crise em que nos encontramos.
“O meu pai sempre me disse que quando uma pessoa está a subir deve ir cumprimentando toda a gente porque são os mesmos que há-de encontrar quando começar a descer”
Talvez tenha começado antes. Mas o primeiro sinal em que reparei veio do Vaticano, um sítio rigorosamente inesperado: Francisco. O segundo sinal foi a entrevista de Sócrates. O terceiro, a demissão de Miguel Relvas. E o quarto sinal, forte, foi o Tribunal Constitucional não se ter deixado impressionar por Uma Maioria, Um Governo, Um Presidente, Uma Desgraça e ter feito o que lhe competia enquanto instituição, até com compreensão para com as dificuldades financeiras do país.
Os sinais estão aí. Isto está a mudar não tarda. Esta armadilha ultraliberal da austeridade e do emagrecimento, este recuo civilizacional feito para garantir o modo de vida da estreitíssima minoria sacrificando as vastas maiorias — tudo isso vai mudar em breve.
Não é difícil imaginar que não é para pior que iremos.
CASANOVA EM LISBOA | António Mega Ferreira imaginou uma visita de Casanova a Lisboa. Conta-a neste livro que agora vai apresentar na Casa da Cultura, em Setúbal. A sessão abrirá com a audição de uma faixa musical escolhida pelo autor. O actor José Nobre participa com a leitura encenada de um texto do livro.
Num Domingo, 7 de Abril calmo (e que já se não prevê chuvoso), será contudo prudente continuar a abrigar-nos em “templos da cultura” quais o CCB ou a FCG, com a particularidade de, neste dia, se ouvirem quase só artistas nacionais.
O destaque poderá ir para o concerto que neste Domingo dará, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h, o grupo de interpretação de Música Antiga “Ludovice Ensemble”, que aqui reúne diversos instrumentistas em torno de Miguel Jalôto (órgão e direcção), acompanhado de Hugo Oliveira (barítono).
Criado em 2004 por Fernando Miguel Jalôto e Joana Amorim (na foto), com o objectivo de divulgar o repertório de câmara vocal e instrumental dos séculos XVII e XVIII através de interpretações historicamente informadas, usando instrumentos antigos, o nome de “Ludovice Ensemble”homenageia o arquitecto…
“Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem. Caras chocadas e aturdidas, perante os cadáveres esqueléticos dos judeus que estavam na fila para uma incineração interrompida.
A capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos. O povo alemão assistiu ao desaparecimento dos seus 600 mil judeus sem dar por isso. Viu desaparecerem os médicos, os advogados, os professores, os músicos, os cineastas, os banqueiros, os comerciantes, os cientistas, viu a hemorragia da autêntica aristocracia intelectual da Alemanha. Mas em 1945, perante as cinzas e os esqueletos dos antigos vizinhos, ficaram chocados e surpreendidos.
Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre. Todos vimos um povo sob uma chantagem, violando os mais básicos princípios da segurança jurídica e do estado de direito. Vimos como o governo Merkel obrigou os cipriotas a escolher, usando a pistola do BCE, entre o fuzilamento ou a morte lenta. Nos governos europeus ninguém teve um só gesto de reprovação. A Europa é hoje governada por Quislings e Pétains.
A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.”
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
Eric Clapton, guitar and vocals; Ray Cooper, drums and percussion; James Hooker, keyboard; Kenny Jones, drums; Andy Fairweather Low, guitar, keyboard and vocals; Fernando Saunders, bass and vocal; Chris Stainton, keyboard; Charlie Watts, drums; Steve Winwood, vocals, keyboard and mandolin; Bill Wyman, bass; Jeff Beck, guitar and vocals; Tony Hymas, keyboard; Ronnie Lane, vocals; Jimmy Page, guitar; Simon Phillips, drums.
Resumo : Já se contam cinco anos de crise na Europa e, no entanto, as suas ruas estão basicamente a manterem-se calmas . O que é que explica isso? Quanto tempo é que a situação vai assim continuar
“No centro da crise, está o grande desafio de redefinir o contrato social para salvaguardar a sustentabilidade do modelo social europeu..”
“Certo, Benoit. O problema é que os líderes europeus e as suas instituições parecem querer redefinir o contrato de forma que pelo menos metade dos cidadãos europeus esteja contra ou não confiam neles seja para o que que seja tido como necessário para ser feito. . Assim debaixo de uma crise de três frentes, a crise da dívida, a crise bancária e a crise da dívida soberana…
Nos próximos dias 10, 11 e 12 de MAIO vai acontecer o IX ARRAIAL DA DO ANDRÈ DA TROMPETE DO NINHOU, ou seja, a 9ª Edição do FESTIVAL DE JAZZ DE MINDE.
É um festival internacional, considerado um dos maiores festivais de jazz e blues do país, com destaque para um dos mais consagrados contrabaixistas do mundo: AVISHAI COHEN que irá estar pela primeira vez em Portugal.
OTIS GRAND é outro dos internacionais e grande bluesman de Inglaterra, e a prestigiada orquestra italiana COLOURS JAZZ ORCHESTRA, que já foi dirigida por Maria Schneider.
10 MAIO – 22h – BLUES
MESSIAS & THE HOT TONES
OTIS GRAND (Inglaterra)
THE BLACK MAMBA
11 MAIO – 22h – JAZZ
MÁRIO DELGADO GUITAR ZHERO
COLOURS JAZZ ORCHESTRA (Itália)
12 MAIO – 18h – BIG JAZZ
“BANDA A DESIGNAR”
AVISHAI COHEN (Israel)
Pode consultar toda a informação com bilheteira on-line em WWW.JAZZMINDE.COM.
CONVIDE OS SEUS AMIGOS (em Convidar Amigos), PARTILHE e ajude-nos a DIVULGAR este evento, pois iremos oferecer bilhetes a quem mais colaborar.
JUNTA-TE A NÓS, e todos juntos faremos um GRANDE FESTIVAL.
OBRIGADO, e ATÉ JAAAZZZZZZZ!!!!
Já há muitos anos que a Agência Florestal do Japão aconselha à sociedade nipónica o “banho” florestal como prática de relaxamento.
O contacto com a natureza reduz os níveis de adrenalina e cortisol no organismo, substâncias que se encontram aumentadas durante o stress e ansiedade.
Mas esta prática também poderá reduzir o risco de cancro.
A prática do “Shinrinyoku” (passeio pela floresta) é aconselhada por muitos médicos japoneses como prevenção de problemas de saúde.
Recentemente, a sociedade Internacional da Natureza e Medicina Florestal (Infom), sedeada no Japão, foi mais longe: dado que o stress é um dos factores que diminui a produção de “natural killer celles”, decidiram fazer a sua medição sanguínea ao fim de três dias de passear num bosque.
As “natural killer cells” (células exterminadoras naturais) são um tipo de glóbulos brancos responsáveis, em parte, no nosso corpo pelo combate às infecções virais e às células tumorais responsáveis…