“Beijo o meu rival, mas é para o sufocar.”
Racine
Racine

O nosso ENCONTRO IMAGINÁRIO nº 50 (JÁ!?), tem forte ambiência cultural.Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), o nosso grande poeta, filósofo, muitas vezes comparado com Luís de Camões será o anfitrião de Louise Brooks (Cherryvale, 14 de novembro de 1906 — Rochester, 8 de agosto de 1985) , uma atriz, modelo e bailarina norte-americana, célebre pelo seu corte de cabelo liso e curto, que lançou como moda e se tornou um ícone dos anos 20. O diretor da Cinemateque Française, Henri Langlois, fez a declaração que se tornaria eterna: “Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks”. E o ultimo convidado é Pablo Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), pintor, escultor, poeta…
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(…) O antigo e o atual primeiros-ministros encontram-se no avião. Têm duas horas de viagem pela frente. Podiam falar. Além dos embates televisivos, será que alguma vez se sentaram sozinhos e trocaram ideias? Não haverá até benefícios mútuos e coletivos? Não há aqui um dever político de relacionamento? Um protocolo que se deve manter até quando tudo arde? Eu diria que sim. Há uma obrigação de convivência institucional que, a acontecer, nos tornaria a todos um pouco mais cooperantes e, por isso, confiantes. Não é hipocrisia, é um dever de salubridade. Num país onde há cada vez menos confiança nos políticos, onde é tudo reduzido a escaramuças partidárias, pobreza e vingança, havia naquele voo de Paris uma oportunidade qualquer de normalidade – já nem digo de grandeza – que não se concretizou. Um à frente, outro atrás; um no presente, o outro no passado; ambos com o futuro incerto, como nós. Nem em business nem em económica, Portugal viaja no porão.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3221955 … (FONTE)
Uma “animação original” através de intervenções criativas de 100 artistas e eventos culturais em mais de dez locais emblemáticos de Abrantes são as propostas da iniciativa “180 Creative Camp”.
Ler aqui:
http://www.oribatejo.pt/abrantes-acolhe-campo-criativo-com-mais-de-100-artistas-em-julho/
A história de Portugal, na versão do Estado Novo, estava reduzida a uma versão muito simplificada, ao nível da ladainha popular, apropriada à sua divulgação por um povo analfabeto.
Dos reis, já muito se sabia se conhecêssemos os seus cognomes: D. Afonso Henriques, o conquistador; D. Dinis, o lavrador; D. João II, o príncipe perfeito.
Uma história de fácil apreensão e que contribuía de forma eficaz para a construção da identidade do homem novo português.
Salazar, em entrevista a António Ferro, defende como prioridade sobre o ensinar toda a gente a ler, a formação das elites que enquadradas pelas massas atacariam os verdadeiros problemas do país.
Para o povo, o ensino da história numa versão infantilizada era mais do que suficiente. As elites formavam-se nas universidades, aí se cuidaria da nossa história.
Dear fans of Lisbon, Portugal.
I wanted to express my regret for not being able to make the show at JazzMinde on Sunday. The band and I got stuck in Toulouse, France due to the aircraft not arriving in time. I was very disappointed and felt horrible about it. Thanks for understanding and let’s do it very soon.
Yours truly, Avishai Cohen
– “O cenário saído destas eleições é o pior possível, o Paulo está condenado a ir para o Governo e, nas condições em que vai, ele sabe perfeitamente que isso é suicídio… E não pode fugir a ir para o governo e nem a fazer a coligação. Com estes resultados, um acordo de incidência parlamentar está fora de questão e o único aliado possível é o PSD. São, de facto, os piores entre os possíveis, estes resultados.”
Ler mais:
http://inteligenciaeconomica.com.pt/ … (FONTE)
João de Melo
Hoje, no Âmbito Cultural do El Corte Inglés foi dia de Crime e Castigo. O último livro de Pedro Almeida Vieira foi apresentado por Francisco Teixeira da Mota.
O jurista alertou-nos para o facto de no século XVIII, no Ancien Régime, não existir na justiça uma ideia de socialização, de ação preventiva ou punição proporcional ao crime praticado.
O castigo refletia o estatuto de quem era atingido, sendo assumido como uma celebração do poder instituído, arbitrário, com confissões arrancadas à base da tortura e sendo aplicado de forma quase ritual. A ideia da reparação do mal causado ou da reintegração do condenado eram inexistentes à época.
Pedro Almeida Vieira reconheceu que o seu livro aborda a maldade humana e de como, pontualmente, podemos incorrer em retrocessos civilizacionais. Apesar da brutalidade de alguns castigos, o autor confessa o imenso prazer que lhe deu escrever este livro. Um livro sobre crimes e castigos num país onde o povo não é tão sereno como parece.
Um convite para uma exposição sobre a Cidade de Lisboa, abre o caminho para um diálogo interior, pretexto para o personagem se revelar através das suas memórias que se fundem com a história dos locais dessa vivência. Lisboa, cidade criada por Ulisses, oferece essa dimensão onírica e intemporal.
Podia ser outra cidade qualquer, mas só esta foi criada por Ulisses.
(in Acrítico)
«O problema de credibilidade não é uma invenção do meu espírito, resulta dos estudos de opinião. É incompreensível que, em face das políticas que vêm sendo impostas ao país, os estudos de opinião reflictam um crescimento tão modesto do PS. A minha preocupação tem menos a ver com essa circunstância, que já de si merece reflexão, mas com o facto de eu temer que, uma vez que haja eleições e haja uma alteração do poder em Portugal, o PS não esteja em condições para protagonizar uma verdadeira alternativa. Considero que se o PS não for bem-sucedido, não trouxer uma ruptura, uma alteração corajosa em relação ao que temos, corremos o risco de que se esgotem as soluções disponíveis na Segunda República, porque não vejo para onde poderá o eleitorado português transferir a sua esperança. […] As nossas elites várias vezes na História falharam ao país… Não quero adiantar essa reflexão sobre as elites, mas há uma coisa curiosa que posso dizer: ao longo da minha vida, frequentei universidades muito boas, algumas de elite, escolas privadas… O sítio onde eu vejo menos alta-burguesia, verdadeira burguesia, onde eu vejo menos burguesia é na Assembleia da República. Isto diz muito sobre onde é que está o poder.»
http://daliteratura.blogspot.pt/2013/05/citacao-444.html … (FONTE)
Bela homenagem…

…. O antigo Regime, filho de um golpe militar que cedo se desviou do seu inicial neutralismo ordeiro para se converter num dos pilares da nova ordem antidemocrática, soube cultivar com cuidados de jardineiro babilónico a lisonja hiperbólica ao Exército redentor. Esta orgia de louvores foi durante dezenas de anos prato obrigatório e sem resistência. Não houve oposição cívica,eleitoral ou militante que o regime defunto não exorcizasse,cobrindo-se de alto a baixo com referência TABU ao papel do Exército na instauração do Estado Novo. Manobra óbvia e repelente, nunca a oposição a soube neutralizar com êxito. Nem era daquelas que, de fora, se neutralizam, como se viu. Foi o lisonjeado que acabou por se enjoar de tanto suspeito mel. Mundo à parte no seio da Nação, embora sua emanação primitiva, o Exército, ajudado pela prática histórica africana, acabou por compreender o papel da lisonja cultivada ou da auto-idolatria em que o Fascismo o instalara para melhor o utilizar e subsistir. A idolatria aberrante e ritual não o engrandecia, COMPROMETIA-O e ISOLAVA-O dos interesses globais do nosso Povo. Todos os seus valores de referência, sentido do interesse nacional, culto da generosidade activa e da isenção pessoal, coragem física e moral eram subtilmente desviados dos seus fins próprios para encarecimento de uma obra baseada em princípios opostos. Nunca houve entre nós uma tentativa mais bem lograda para corromper uma instituição através das suas próprias virtudes do que aquela que o Estado Novo, com constância digna de melhor fim e conivência de uma boa parte da hierarquia militar, filtrada por disposições maquiavélicas, soube levar a cabo, para mal da Nação e desespero dos seus cidadãos ávidos de liberdade……..
in EDUARDO LOURENÇO (1975) – OS MILITARES E O PODER seguido de O Fim de Todas as Guerras e a Guerra Sem Fim. Gradiva (ed)(2013),146
Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.
A Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés (7º piso), em Lisboa, acolhe dia 14 (terça-feira) às 18:30, o lançamento do mais recente livro do Pedro Almeida Vieira. A apresentação desta obra estará a cargo do advogado Francisco Teixeira da Mota.Apareça, o convite está feito..
VAMOS LÁ PARTILHAR ESTE EVENTO DA MINHA VILA, OKAY?
Avishai Cohen no IX Festival de Jazz de Minde. Pedro Micaelo é o boss, os anfitriões são os Mindericos…
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=649687&tm=4&layout=121&visual=49
As remotas ilhas Diomedes, no estreito de Bering, são separadas por uma faixa de água que fica congelada durante boa parte do ano, permitindo a passagem a pé entre elas. A Grande Diomedes, ou Ratmanov, é o ponto mais oriental da Rússia, e a Diomedes Menor, ou Pequena Diomedes, é o território mais a oeste dos Estados Unidos. Como, durante a Guerra Fria, os nativos das ilhas não podiam circular entre elas, a área ficou conhecida como “Cortina de Gelo”.
Após o final da Segunda Guerra Mundial, todos os nativos da ilha russa de Grande Diomedes foram transferidos para o continente, e somente na Pequena Diomedes se manteve um minúsculo povoado, que até hoje permanece e, com suas poucas dezenas de habitantes, é considerado um dos locais mais isolados do planeta.

No estreito de Bering, a oeste, a Grande Diomedes, ou Ratmanov; a leste, a Diomedes Menor. Entre Rússia e Estados Unidos, apenas 4 quilômetros
O que torna as Diomedes ainda mais interessantes é que exatamente entre as duas ilhas passa a Linha Internacional de Mudança de Data, criando uma diferença de fusos horários de nada menos de 24 horas, numa distância de 4 quilômetros. Na Grande Diomedes é o dia seguinte à data da Diomedes Menor.
Existe há anos um projeto de construção de uma ponte intercontinental que passaria pelas duas ilhas e ligaria o Alasca ao Extremo Oriente russo.
Hoje é um dia em que a politiquice, a pura coreografia política, a ilusão, o dolo, vão atingir limites de insulto a todos os portugueses que estão a empobrecer. Esta dança entre Passos Coelho e Portas (e deliberadamente escrevo antes de Portas falar) é a utilização da comunicação social e de alguns truques demasiado conhecidos para “todos se sairem bem”, com o objectivo de nos distrair e enganar. É corrrupção das mentes, tão grave quanto a dos bolsos, é exactamente tudo aquilo que desagrega velozmente uma democracia. Metáforas habilidosas, recursos semânticos de um autor de títulos de soundbyte, frases que pretendem ser virais, desculpas apresentadas como vitórias, imagem, imagem, imagem, vaidade, vaidade, vaidade. E pequenez disfarçada de esperteza.
O tema do Repórter do Kiribati é a verdade, o que tratando-se de uma obra sobre um jornalista (John Slide) deixa logo antever um fino sentido de humor.
Desde o início que o autor considera ser este um “excepcional romance!”, uma “obra-prima”, crença que a meio do livro já vai em “tendencial obra-prima” ou mesmo “romance de grande fôlego”, para, na página 189, já ser referido apenas como um “romance”. Este tipo de considerações, em que o livro é muito rico, oferece-nos a possibilidade de uma leitura alternativa.
Com efeito, vivemos tempos em que todos os escritores dão cursos de escrita criativa. Este Repórter de Kiribati é um fabuloso manancial de técnicas para a escrita de um romance que seja uma obra-prima ou, no mínimo, um romance de grande fôlego ou até, apenas, um romance. O livro está dividido em capítulos temáticos: As personagens, Os locais, Namoro casamento e uniões de fato, etc…
O leitor encontrará neste Repórter do Kiribati a feliz coincidência de ler um romance muito bem conseguido, repleto de sentido de humor e, simultaneamente, dispor de um manual de escrita criativa. Depois de o ler qualquer um estará preparado para escrever um bom romance ou, em alternativa, assassinar uma boa história que poderia dar um bom romance, quiçá uma obra-prima. Atreva-se.
(in Acrítico)
“Nos teus mais doces lábios ficam os meus livres do pecado”
William Shakespeare
Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.
José Saramago
1994 – Cadernos de Lanzarote
emoções, dos sentimentos, da ética cristã confrontada com a realidade social. Uma filosofia que, inspirada em Sócrates, e, pese embora a sua vertente teológica, viria a ter uma forte incidência em movimentos do século XX, tais como o Existencialismo e o Pós-Modernismo. Cruzando as fronteiras da filosofia, teologia, psicologia e literatura, tornou-se uma figura de grande influência para o pensamento contemporâneo. Entre a sua obra destacamos Três discursos edificantes…View original post mais 169 palavras

O professor Fernando Rosas apresentou o seu último livro “Salazar e o Poder – A arte de saber durar”, na Casa da Cultura de Setúbal.
Segundo o autor, o livro divide-se em três partes: o que pensava Salazar sobre a política (caindo o mito que Salazar vivia acima das questões políticas), como chegou ao poder e finalmente como conseguiu manter-se no poder durante tantos anos.
O paralelismo com a situação actual era inevitável. Fernando Rosas citou o “Eu não fui eleito para coisíssima nenhuma” de Vítor Gaspar para ilustrar o primeiro degrau de entendimento da política por parte do Estado Novo. Para Salazar o primeiro nível político era o da governança que era técnico e devia ser confiado aos técnicos, dispensando-se a participação dos cidadãos (que não tinham de ser ouvidos) ou dos seus representantes (o parlamento não se devia preocupar com este tipo de assuntos).
Também Vítor Gaspar se considera um “técnico em exercício” fazendo o que é preciso para o bem da nação, mesmo que esta nação não o entenda e, até mesmo, rejeite em uníssono essas políticas – esquecendo-se que, em democracia, o governo é uma emanação da vontade popular expressa nas urnas.
Foi uma lição de história, estruturada, bem fundamentada e com sentido de humor que assistimos ontem na Casa da Cultura de Setúbal.
“Em momentos de bloqueio, só uma decisão geopolítica nos safa…” Claro, a geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo. Até para a entrada na Europa da então CEE… Em 1985, não percebemos (o então embaixador em Bonna, Ernâni Lopes, percebeu-o, porém, muito bem, tal como Mário Soares) que só pela porta da geopolítica nos deixaram entrar nessa Europa. Meia-dúzia de anos depois (pós-queda do muro e implosão da URSS) já não nos teriam deixado entrar… Nós temos uma das mais interessantes e importantes situações geopolíticas da Europa e do Atlântico, não temos, porém, tido nas últimas décadas a inteligência e o conhecimento (nem sequer a dimensão simbólica…) para a saber potenciar e usar as suas imensas ‘vantagens comparativas’. A geopolítica sempre foi o nosso às de trunfo… E terá de voltar a sê-lo.
Jorge Nascimento Rodrigues
Uma Tragédia Intemporal
Rei Lear é, provavelmente, a mais paradigmática obra de Shakespeare. Muito mais que um drama, é uma tragédia. Lear, senhor de enorme sageza e exímio na arte de governar, que tinha ganho com saber e experiência, acaba vítima das suas paixões, da egomania. Cego pela vaidade pessoal decide a sua sucessão o que desencadeia uma tragédia de complexa magnitude em que chocam violentamente o amor, a amizade, a frontalidade, a coragem, a generosidade, a gratidão, o perdão, a hipocrisia, o egoísmo, a traição, a perfídia, a ambição. Uma densa rede de inter-relacionamentos, sociais e psicológicos, magnificamente descrita pelo génio de Shakespeare com profundo sentido crítico da época, fazendo brilhar o que é melhor e o que vale a pena no comportamento humano. Ver no palco ou na versão cinematográfica de Kurosawa, Ran, é experiência excepcional. Mas ler esta “tradução” portuguesa do Rei Lear é usufruir o…
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A year after it launched a pilot program making new ebooks available to some libraries, Big 6 publisher Hachette announced Wednesday that it will make its entire catalog of over 5,000 ebooks available to libraries nationwide as of May 8.
New ebooks will be available to libraries at the same time as the print edition. For new ebooks, Hachette is charging libraries three times the price of the “primary” print book. One year after publication, the price of an ebook will drop to 1.5 times the price of the print book. Hachette defines “primary” book price as “the highest-price edition then in print. The ebooks can be checked out an unlimited number of times (with each ebook only available to one patron at a time), and the library does not have to buy a new copy after a year. The publisher says it will review its pricing policy annually.
Hachette…
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1er mai, Fête du Travail
Les dieux avaient condamné Sisyphe à rouler sans cesse un rocher jusqu’au sommet d’une montagne d’où la pierre retombait par son propre poids. Ils avaient pensé avec quelque raison qu’il n’est pas de punition plus terrible que le travail inutile et sans espoir.
Albert Camus, Le Mythe de Sisyphe
En image – Sisyphe roulant éternellement son rocher, Abel de Pujol, 1819
Esta entrevista é transcrita, com a devida vénia, do site INCOMUNIDADE. Agradecemos a Henrique Prior, a Paulo Silva, ao INCOMUNIDADE e ao Coronel Vasco Lourenço. A foto é da autoria de Armando Isaac.
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Cubram-me com organza,
um pouco de seda preta nos seios já desnudados
e muitas rendas a condizer,
por favor,
de preferência pretas!
Não me digam vozes
que desconheço
nem pérolas ou diamantes
que jamais sentirei.
Eis-me aqui,
finalmente nua,
finalmente serva
perante o céu,
perante o inferno,
ou pior,
perante vós somente
e coisa nenhuma!
Cubram-me com a gentileza de mimos,
por obséquio!
Sim!
Quero rendas pretas, sedas finas, carícias que me faltaram,
já que não poderei ter os diamantes!
Quero o meu fado!
Somente o meu alegre e triste fado!
O meu fado tão mal cantado!
Aquele que o povo cantarolava quando saia do trabalho, ou enquanto laborava,
em qualquer lado!
Aquele que eu sempre cantei e me fez muito feliz enquanto tive a coragem de ser eu e de ser povo, e que me fez sentir Eu no meio da minha cidade e do meu mundo…
Quero-o soletrado em jeito de poesia no baixar do meu caixão
o meu fado, a minha poesia.
Apenas isto!
Mas, tenham a gentileza
de me cobrir toda a nudez
nesta derradeira orgia manifesta
Tão exposta!
Que terá sido feito de mim?
Sabereis vós?
Vós que hoje me acompanhais, ter-me-eis conhecido algum dia?
Soubestes porventura da minha agonia um só instante?
Desculpai-me o mau aspecto, a palidez do rosto,
a falta de maquilhagem,
esta falta de cuidado…
Não me digam mais
desafios ou maré alta,
nem tão pouco,
término!
A propósito,
quem disse que eu queria coroas de flores?
São uma fortuna,
e sinceramente para mim
são uma ofensa!
Será que nada mais vos mereço
que uma bela, ornamentada e encomendada coroa de flores?
Que tal um punhado de sementes lançadas à terra do meu chão
para depois poderem florir ao vento, e às primeiras chuvas de Outono?
Que tal uma roseira?
Ai, que excentricidade – dirão vós!
Será que nem depois de morta deixará de ter caprichos?
Não é nada disso, meus queridos ,
só porque belas flores
de encomenda – tanto que sempre as desejei –
tive sede, tive fome tantas vezes!
Mordia-lhes a cor de as querer!
No auge da minha miséria, olhava-as e sorria-lhes nas montras das floristas, ansiando que alguém me oferecesse nem que fosse um botão de rosa num dia especial – mas ninguém o fazia.
Porque tendes que me dar agora, belas rosas,
as mais rubras rosas,
as mais puras rosas?!
Porquê,
Para que as quero eu
quando tão prostrada estou
neste profundo exílio de mim?
Vós, afinal não sois como os hipócritas, certo!
Vivi a vida inteira amando-vos sem flores,
agora, deixai-me ir embora, sem elas também.
Inundai-me de luar.
Quero o meu longo vestido de noiva negro,
ao qual tantos sorriram,
sobre mim.
Embrulhai-me nele, entre papoilas, hinos, fotografias velhas
e vento norte…
Cubram-me com a fúria dos amantes traídos
e todas as flores silvestres.
Cubram-me com a poesia,
quero os mais belos poemas
Os eleitos!
Colocai-os como um terço sagrado entre as minhas mãos!
Que capricho o meu,
o de uma morta!
Não vos pedirei mais nada, prometo!
Não acreditais, é verdade!
Juro!
Juro por tudo o que existe de mais sagrado!
Exijo-vos a Palavra de meu Aba Pai.
Porque agora até posso jurar pelo Divino e pelo sagrado já que efectivamente estou morta, porque em princípio não irei morrer outra vez, certo! E, também não tenho que estar com medo que alguma coisa me caia em cima, porque na realidade, por aquilo que ainda estou a sentir agora já morta é observar-vos muito chorosos sem poder falar ou me expressar de forma alguma. Será que é isto a tão famigerada morte, ou eu estou apenas eufórica com esta nova situação na minha vida e me esteja a dar para isto, para o sentido de humor, coisa que no meu caso, penso que nunca foi o meu atributo principal, nem sequer gostava de grandes piadas, no entanto, agora neste momento aqui onde me colocaram tão bem arranjadinha dentro disto a que sempre se chama de caixão, digamos que ao ver o espectáculo de outro prisma, estou a achar uma certa graça.
A observação de vós.
A sala onde decorre o meu velório não é muito espaçosa, talvez daí se explique a tremente necessidade da entrada e saída de pessoas. Somente algumas permanecem. São os familiares mais próximos, entre eles estão os meus pais. E, perante meu corpo já sem vida, continuam sem se falar, num ódio que permanece há mais de vinte anos, e, que só a morte de um deles conseguirá apagar. Como não tive mais irmãos, somos só nós ali, os três como há mais de vinte anos isso não acontecia, nós somente, separados pelas circunstâncias da vida que torna os homens incompreensíveis e impotentes uns para com os outros por muito que se amem – como foi o caso. Mas, por mais bizarro e triste que seja, eu, ali, no meu caixão, com a beleza que a violência da morte não tinha conseguido apagar totalmente, consegui a minha grande façanha, o meu sonho de adolescente, voltar a ver os meus pais juntos, unidos, ao lado um do outro, no mesmo banco, ainda que fosse de uma simples capela mortuária que acolhia a semente única do grande amor que haviam vivido e jurado na juventude, e que havia feito a alegria de um casamento – ver nascer, crescer um filho para depois o ver morrer – não deveria haver dor pior no coração humano.
Quis abraçá-los, dizer-lhes uma vida inteira de palavras que nunca consegui dizer a nenhum, por mais que os tivesse amado, embora de maneiras bem diferentes. O ódio de um para com o outro que inevitavelmente recaíra sobre mim, tornava tudo o que eu tivesse vontade de fazer ou falar, numa autêntica impossibilidade, e eu apenas sofria, e sofri até estar aqui bem aconchegadinha neste branco bordado a cetim, lindo, com flores tão bonitas por todos os lados.
Somente o meu amor por ambos foi o elo espiritual que os uniu ainda em vida e hoje finda aqui comigo, mas estou finalmente liberta e feliz.
Célia Moura – Excerto de I Cap. “Orgias” – Contos
Imagem – Annamaria Kowalsky
Ele diz:
-Vou magoar-te.
Ela diz que sabe.
Ele diz também que às vezes as mulheres gritam. Que as Chinesas gritam. Mas que só magoa uma vez na vida, e para sempre.
Neste livro existe uma palavra a partir da qual se ergue toda a história. Essa palavra é «criança», a criança. A paixão de um adulto por uma menina. A palavra criança enche este relato de inocência.
Um chinês adulto apaixona-se por uma menina. É rico e ocioso. Dedica-se às mulheres, ao jogo e a fumar ópio. “Não fazer nada é uma profissão. Muito difícil.” Um ambiente dócil e intencionalmente indolente, sem julgamentos. Era comum os chineses gostarem “das meninas pequenas”.
(in Acrítico)
> 25.08.2013
KW Institute for Contemporary Art (Berlim)
No seu primeiro projecto como curadora do KW – Instituto de Arte Contemporânea, em Berlim, Ellen Blumensteinanalisa o potencial da instituição. Durante quatro meses revela o que KW deseja ser, o que poderia ser e o que, eventualmente, será. Com Relaunch, Blumenstein testa a viabilidade destas ideias in situ: quais os interesses do público? o que o inspira e impressiona? que tipo de projectos (ainda) não podem ser concretizados, seja por razões financeiras ou por dificuldades externas, internas, políticas ou outras?
Inicialmente, o espaço de KW estará, simultaneamente, vazio e transbordante: vazio, porque não estará patente nenhuma exposição de arte, no sentido tradicional; transbordante, porque o seu potencial futuro será estabelecido e os conteúdos programáticos começam a assumir forma, mesmo que, em alguns casos seja apenas na imaginação do visitante.
O programa de actividades propaga-se, literalmente, por todo o edifício – da entrada…
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Neste livro, como uma página em branco, confiou-se uma cidade a cada escritor. Trinta escritores para trinta contos, para trinta capitais, um mundo de Contos Capitais.
São histórias que crescem dentro de nós, espreitando o momento em que se soltam e ganham vida própria.
Tantos e tantos outros contos a reinventar outras tantas capitais, a atrever-se na sua escrita e na forma de ilustrar essas narrativas. A experiência capital de cada escritor. Com este livro a Parsifal estreou-se como editora. Está de parabéns.
(mais in Acrítico)
Maravilha!
Nada mais verdadeiro.
O lado interdito e incómodo do nosso corpo liberta-se pela palavra. Maria Teresa Horta resgata-o num banquete de partilha onde o amor assume o seu lado carnal. As palavras são esse corpo desvendado sem falsos pudores. Onde o poema se despe e se deita ao nosso lado. Poesia maior e de maioridade que resgata para todo o sempre a mulher (poeta) de qualquer laivo de menoridade; morreram as poetizas, nasceu a poesia completa, com o seu lado homem e o seu lado mulher.
(in acrítico)
“Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.
Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.
Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.
Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.”
Gonçalo M Tavares (de “O Senhor Brecht”)
O Presidente da República leu no 39.º Aniversário do 25 de Abril o mais aporético e contraditório discurso da história da III República. Denunciou a incompetência da troika, mas saudou o doloroso cumprimento do seu insensato programa pelo esforçado povo português. Apelou a uma mudança do rumo da Europa, mas concordou com a tese do Governo que condena a nação a carregar a albarda dos credores até ao fim dos tempos. O discurso de Cavaco, com as suas oscilações de 180º, é um raro exemplo do medo como política pública. O País está à deriva, pois quem toma decisões está paralisado pelo pânico, em estado quimicamente puro. A única maneira de a História ser benevolente para com Cavaco Silva, o político que deu rosto a todos os pecados e omissões da III República, é a de ela nunca ser escrita. Seria a benevolência do esquecimento, resultante do desaparecimento de Portugal como sujeito histórico, como lugar onde a aventura da vida comum se cristaliza em memória. Será essa a esperança do Presidente?
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3188363 … (FONTE)
“Eu, por exemplo, só tenho por amigos aqueles que possuem senso de humor. Não importa serem ricos, pobres, doutos ou ignorantes. Interessa o espírito fantástico, o amor da pirueta, e o espírito diligente e capaz de riso. O riso, essa bênção deixada aos homens quando os anjos selaram as portas do paraíso, é o que me liga seriamente às pessoas.”
Agustina Bessa-Luis
1.
Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,
E aquilo que eu presumir também presumirás,
Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.
Descanso e convido a minha alma,
Deito-me e descanso tranqüilamente, observando uma haste da relva de verão.
Minha língua, todo átomo do meu sangue formado deste solo, deste ar,
Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais o mesmo e seus pais também o mesmo,
Eu agora com trinta e sete anos de idade, com saúde perfeita, dou início,
Com a esperança de não cessar até morrer.
Crenças e escolas quedam-se dormentes
Retraindo-se por hora na suficiência do que não, mas nunca esquecidas,
Eu me refugio pelo bem e pelo mal, eu permito que se fale em qualquer casualidade,
A natureza sem estorvo, com energia original.
2.
Casas e cômodos cheios de perfumes, prateleiras apinhadas de perfumes,
Eu mesmo respiro a fragrância…
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