OS NOVOS VAMPIROS | Tomás Vasques

Onde estão as televisões e os jornalistas quando não há incêndios? Fazem reportagens sobre a floresta? Entrevistam quem as devia limpar? Questionam o governo e demais autoridades sobre o assunto? Não. Passam horas à procura de um suspiro do Ronaldo ou em programas de “entretenimento”, onde sacam dinheiro em chamadas telefónicas a idosos e em outras idiotices. As televisões e os jornalistas, por incompetência e desleixo na informação e investigação, são dos maiores responsáveis pelos fogos nas florestas. E depois, caem sobre a desgraça, a dor e o sofrimento como vampiros. O exemplo de Judite de Sousa, ontem à noite, em estilo “noite de gala”, junto de um cadáver (certamente que não era de um seu familiar próximo) a debitar palavras como se estivesse no Coliseu, a entregar os óscares da TVI, serve por todos.

Retirado do Facebook | Mural de Tomás Vasques

RECORDAR O ANO DA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO | Maria Isabel Fidalgo

Faz hoje sete anos que José Saramago resolveu juntar-se a Blimunda, a sete-luas e a Baltasar, o sete-sóis. E também ao padre Bartolomeu de Gusmão. E a Scarlatti. Não sei qual o espaço onde habitam, mas ressoa a música, a passarola flutua e as vontades desprendem-se leves.
Por cá, a terra continua a arder.

Retirado do Facebook | Mural de Maria Isabel Fidalgo

QUEREM ACABAR COM OS FOGOS…? | Herlander Fernandes

Fazer o Cadastro Predial e ordenar a floresta, parecem ser as duas únicas coisas ainda não tentadas pelos sucessivos governos desde há décadas…
Os milhões de hectares ardidos desde há 20 ou 30 anos, tiveram um custo para o país muito superior aos custos necessários à realização daquelas duas tarefas…
Um país com Cadastro Predial pode organizar o seu território, sem ele, nunca será possível fazê-lo.
Fazer o Cadastro Predial e ordenar a floresta, criariam milhares de postos de trabalho e um considerável incremento no PIB por via das actividades florestais (atente-se na Finlândia por exemplo…).
Poupavam-se o ambiente e a destruição da economia por via dos fogos…
Perdiam-se os negócios ligados aos fogos, como os aviões e a madeira barata…
Mas, sobretudo, evitavam-se estas tragédias humanas de dimensão indescritível.

Políticos que nos governam e têm governado, oiçam por favor o que vos dizemos: nenhuma vida tem preço…, saiam da vossa zona de conforto, abandonem as palavras de circunstância e ajam, mas ajam bem desta vez, por favor.

Retirado do Facebook | Mural de Herlander Fernandes

Nouvelle Librarie Française | R. Pinheiro Chagas 50B, Lisboa (ao Saldanha)

http://nlf-livraria.com 

Ouverte depuis mai 2004 et installée à Lisbonne entre la Fondation Gulbenkian et la place Saldanha (à 50 mètres de son ancienne adresse de l’Institut français du Portugal) la NLF -Nouvelle Librairie Française- est la seule librairie généraliste française au Portugal.

Un lieu unique où vous trouverez une sélection de plus de 10 000 ouvrages privilégiant l’actualité éditoriale de langue française en sciences humaines, littérature, jeunesse ; un choix très diversifié de bandes dessinées et un rayon consacré au monde lusophone.

Temos novela, falta um Molière | Carlos Matos Gomes

Em Portugal não há doentes imaginários. Em Portugal é considerado um insulto dizer a alguém que ele está com boa saúde. Ou que parece estar. A resposta é uma lista de achaques e de consultas marcadas para várias especialidades atirada à cara do energúmeno que ousou tal ofensa à doença. Os portugueses têm o maior armário da casa cheio de caixas de remédios. Acredito que muitos portugueses foram à escola apenas para lerem as bulas dos medicamentos. O medicamento é sagrado.
É, pois, compreensível a luta de vida ou morte dos edis e outros chefes locais para a sua terra albergar a sede da Agência Europeia do Medicamento. Oferecer a oportunidade dos eleitores se aviarem de pílulas e xaropes mesmo ali e por conta da Europa é eleição garantida. Ter farmacêuticos, analistas, médicos, aviadores de receitas vindos de Londres ao pé da nossa porta levará, com certeza, muitos dos nossos compatriotas a aprender línguas estrangeiras.
As eleições autárquicas, além das curas para as doenças, puxam sempre pelos brios regionais. O Porto quer a Agência em nome da descentralização – Biba o Porto e o Norte! Coimbra quer a Agência porque é o Centro e tem universidade. Aguarda-se a todo o momento que Vila Real, a Guarda, Viseu, Santarém e Beja apresentem as suas candidaturas em nome do Interior sempre preterido e despovoado em favor do Litoral. Têm todas as cidades a vantagem de bons ares, especialmente a transmontana Vila e a beirã Guarda. E haverá ainda que atender as zonas fronteiriças de Chaves, Vilar Formoso, Elvas, que poderiam servir os dois países vizinhos.
Temos novela, falta um Molière.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Pós-verdade e Pós-democracia | André Barata, Filósofo | In “O Jornal Económico”

O que se verifica hoje é a condescendência com a mentira e, na medida inversa, a verdade em perda do seu valor facial. Aqui se joga, de forma preocupante, o valor da própria democracia.

Falamos de pós-verdade, mas, por detrás do que se diz, que significado tem uma palavra que se tornou tão ubíqua? Muitas vezes a palavra nova hegemónica em vez de responder, na verdade, cala a pergunta. A maneira como se nomeia é aqui já um ponto de vista, que mais depressa pode contribuir para um juízo de legitimação conformada do que para uma apresentação do problema.

A mudança tem sido notada entre aqueles que, de forma mais presente no espaço público, especialmente políticos, evocam factos mais pelo seu poder de persuasão do que pelo que possam ter de verdade. Depressa apontamos Trump, claro, a quem devemos, sem grande exagero, o mais impressionante processo de banalização da mentira na história da representação política democrática – ainda que  não faltem antecedentes em regimes políticos que tiveram como ponto comum, no mínimo, a rejeição da democracia.  A diferença é que a coisa já não se coloca, como no passado, em termos de manipulação e usurpação da verdade por quem detém o monopólio do poder. O que se verifica hoje é a condescendência com a mentira e, na medida inversa, a verdade em perda do seu valor facial. Aqui se joga, de forma preocupante, o valor da própria democracia.
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Dimanche 29 décembre 1929 | Petite Ophélinha | Fernando Pessoa

Fernando Pessoa (13 juin 1888 – 30 novembre 1935) est un écrivain, poète et polémiste portugais trilingue dont les vers légendaires et la prose poétique ont permis l’apparition du modernisme au Portugal. Il tombe follement amoureux d’une certaine Ophélie, qu’il a sacrifiée à ses écrits. Il rompra avec elle une première fois en 1920 car, lui écrit-il, « Mon destin appartient à une autre loi dont vous ne soupçonnez même pas l’existence ». Dans cette lettre, proche de la fin de leur relation, la prévalence de son travail sur sa relation est perceptible.

Dimanche 29 décembre 1929

Petite Ophélinha,

Comme je ne voudrais pas que vous disiez que je ne vous ai pas écrit parce que je ne vous ai effectivement pas écrit, je vous écris. Ce ne sera pas seulement une ligne, comme je vous l’ai promis, mais ce ne seront pas plusieurs non plus. Je suis malade, en grande partie en raison d’une série de préoccupations et de contrariétés que j’ai eues hier. Si vous ne voulez pas croire que je suis malade, évidemment vous ne le croirez pas. Mais je vous prie de ne pas me dire que vous ne me croyez pas. Il me suffit déjà d’être malade : il n’est pas nécessaire en plus que vous en doutiez ou que vous me demandiez des comptes sur ma santé comme si elle dépendait de ma volonté ou que je sois obligé de rendre des comptes à quelqu’un de quoi que ce soit.

Ce que je vous ai dit à propos du fait d’aller à Cascais (Cascais signifiant un endroit quelconque en dehors de Lisbonne, mais pas loin, cela peut vouloir dire Cintra ou Caxias) est rigoureusement vrai : vrai du moins quant à mes intentions. Je suis arrivé à l’âge où l’on atteint la maîtrise parfaite de ses propres qualités et où l’intelligence a le maximum de force et de dextérité possibles. Il est donc temps de réaliser mon œuvre littéraire, en achevant certaines choses, en regroupant certaines autres, en écrivant celles qui sont à écrire. Pour finir cette œuvre, j’ai besoin de tranquillité et d’un certain isolement. Je ne peux, malheureusement pas, abandonner les bureaux où je travaille (je ne le peux évidemment pas, parce que je n’ai pas de rentes), mais je peux, en consacrant aux tâches de ces bureaux deux jours par semaine (les mercredis et les samedis) avoir pour moi, à moi, les cinq autres jours. Là surgit cette fameuse histoire de Cascais.

Toute ma vie future dépend de ce que je puisse ou non le faire et le faire vite. Du reste, ma vie tourne autour de mon œuvre littéraire — qu’elle soit ou qu’elle puise être bonne ou mauvaise. Tout le reste a pour moi un intérêt secondaire ; il y a des choses, bien sûr, que j’aimerais avoir, d’autres dont il m’est égal qu’elles arrivent ou n’arrivent pas. Il faut que tous ceux qui ont affaire à moi soient persuadés que je suis comme cela, et exiger de moi les sentiments, par ailleurs très dignes, d’un homme vulgaire et banal, c’est tout comme exiger de moi que j’aie des yeux bleus et des cheveux blonds. Et me traiter comme si j’étais un autre n’est pas la meilleure façon de garder mon affection. Il vaut mieux, dans ce cas, traiter un autre qui soit comme ça, et dans ce cas il faut « s’adresser à quelqu’un d’autre » ou quelque chose dans ce genre.

J’aime beaucoup — vraiment beaucoup — la petite Ophélia. J’apprécie beaucoup — énormément — sa nature et son caractère. Si je me marie un jour, je ne le ferai qu’avec vous. Reste à savoir si le mariage, le foyer (ou quelque autre façon dont on l’appelle) sont des choses qui se concilient avec ma vie de Pensée. J’en doute. Pour le moment, et au plus tôt, je veux organiser cette vie de Pensées et de travail qui m’est personnelle. Si je n’arrive pas à l’organiser, il est évident que je ne penserai même pas à songer  à me marier. Si je l’organise de telle sorte que le mariage me semble encombrant, il est évident que je ne me marierai pas. Mais il est probable qu’il n’en sera pas ainsi. Le futur — et il s’agit d’un futur proche — le dira.

Voilà ce que j’avais à vous dire et, par hasard, c’est la vérité. Adieu, petite Ophélia. Dormez, mangez et ne perdez pas trop de poids.

Votre très dévoué,

Fernando

Charlie Chaplin | Luzes da Cidade (City Lights)

Sinopse:

Um vagabundo (Charles Chaplin) impede um homem rico (Harry Myers), que está bêbado, de se matar. Grato, ele o convida até sua casa e se torna seu amigo. Só que ele esquece completamente o que aconteceu quando está sóbrio, o que faz com que o vagabundo seja tratado de forma bem diferente. Paralelamente, o vagabundo se interessa por uma florista cega (Virginia Cherrill), a quem tenta ajudar a pagar o aluguel atrasado e a restaurar a visão. Só que ela pensa que seu benfeitor é, na verdade, um milionário.

O Ti Aurélio | Joaquim António Ramos

O Tio Aurélio representa a antítese daquela frase feita de que marinheiro tem uma mulher em cada porto por onde costuma atracar. Muitas vezes até uma família, porque quando se passa muitos dias no mar sem fêmea à vista – nos tempos em que marinheiro não era profissão também de mulher – a urgência da carne na chegada a terra firme, por cujas docas se rebolavam mulheres apetitosas e disponíveis, não se compadecia com precauções nem meias tintas. Brancas, pretas, mulatas, cabritas, de olhos pretos como a noite ou dum azul dinamarquês. Não havia marujo português que não tivesse a fama de ter mulher e filhos em Vigo, Roterdão e Hamburgo, se a rota era para norte, ou no Funchal, no Mindelo e na Cidade do Cabo, se a rotina da navegação aproava para a costa leste de África ou para as Índias.
O Tio Aurélio cozia redes de xávega, sentado nos areais da Nazaré, fosse Inverno ou Verão, camisa de xadrez e barrete preto, calças pela canela apertadas com atilhos, sempre de beata ao canto da boca. Já há anos que não ia ao mar, que isso é tarefa para gente nova e destemida, como ele fora em tempo. Sim, o tio Aurélio já fora uma estampa de homem, forte e desempenado e, nos seus tempos áureos, fizera rebolar por baixo de si, na clandestinidade duma barraca de pano corrido ou no quarto dum hotel tolerante, mulheres suecas, francesas, dinamarquesas, inglesas ou doutras nacionalidades menos vulgares, que visitavam a Nazaré atraídas pela propaganda oficial das agências turísticas. Mas também excitadas por aquela lenda que se espalhara em surdina, da boca para o ouvido, por entre as turistas dessa Europa inteira : “ Ah, les hommes de Nazaré…, “, “Oh, dear, the men from Nazaré!”, suspiravam francesas e inglesas, de olhos saudosos e peito arfante, para as amigas, quando regressavam a casa. As suecas e dinamarquesas não imagino como suspiram, nunca lhes aprendi a fala! Mas imagino que diriam a mesma coisa, que a linguagem da paixão é universal.

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Miguel Real, filósofo: “a nossa elite é canina na obediência e macacóide face ao estrangeiro” | In jornal de Leiria

Ensaísta, romancista e escritor preconiza teorias sobre as maleitas que nos afligem e o caminho para a lucidez. “Somos um povo que acredita que, sem a cunha, sem o Euromilhões e sem Fátima não consegue passar da mediania”, afirma

Costuma dizer que uma das coisas que o aborrecem é a falta de cuidado de alguns escritores ao escrever romances históricos. Por contraste, para os seus livros, admite fazer sempre trabalhos de preparação e pesquisa exaustivos…

Um romance histórico exige uma grande investigação. Se for passado no Brasil, que é o caso do meu livro A Guerra dos Mascates [2011], implica uma ida lá e não basta “apanhar as frutas no Pão de Açúcar”, que é o que vejo que muitos fazem. Tem de se ir ao Pernambuco, à Bahia ou, no caso de se escrever sobre o padre António Vieira, a Belém do Pará, ou ao Maranhão. Tem de se investigar nos arquivos históricos de lá, porque há sempre uma série de circunstâncias que os livros de história dos investigadores não têm. Tem de se contactar com a população e apanhar o léxico da zona, com todos os lindíssimos aspectos semânticos do Pernambuco ou Maranhão. Aborrece-me imenso ler um romance histórico e ver erros clamorosos por, justamente, não ter sido feita a investigação. Um dos últimos que vi está num romance passado em São Tomé, onde um escravo negro diz ao seu senhor que “ficou gelado” quando viu a sua ama a fazer determinada coisa. Ficou… “gelado”. Isto passa-se no século XVI em São Tomé! Ficar “gelado” é absolutamente impossível. O leitor nem se apercebe porque o gelo é uma realidade dos século XX e XXI e tem gelo em casa todos os dias e não acha desconforme, mas quem é crítico literário e também autor, vê que há ali algo oco. Noutro romance que li há pouco, Vasco da Gama chega à Índia e o samorim de Calecute “oferece-lhe” uma cadeira para se sentar. Não havia cadeiras, na Índia do século XVI. Há tronos onde só o samorim se senta e as restantes pessoas sentam-se no chão, sentam-se em escanos – pequenos banquinhos -, sentam-se em almofadas, mas não há cadeiras. Ninguém vai dar cadeiras a Vasco da Gama para se sentar… ele teria, obrigatoriamente, de falar de pé, em frente ao samorim. Isto acontece não por falta de qualidade dos romancistas, mas por preguiça mental, falta de tempo e de dinheiro para ir aos locais. O autor tem de ser como um investigador da universidade. A ausência de investigação é, muitas vezes, compensada pela retórica. Muitas vezes, os autores são professores e escrevem bem, mas isso não chega para fazer um bom romance.

No seu livro o Último Europeu: 2284, faz uma série de previsões futuristas. Também fez um trabalho de pesquisa, mas virado para o futuro. Onde se inspirou para prever materiais e novos modos de interacção interpessoal?
Tinha escrito um romance sobre o terramoto de 1755 [A Voz da Terra] e constatei que tudo o que havia em Lisboa, nesse ano, hoje não existe, a não ser a pedra e restantes elementos da natureza. Não existia plástico, nem as formas de comunicação actuais – estradas e caminho- de-ferro -, electricidade, telefonia, televisão, etc. Daqui a 250 anos, no meu livro, não há carros, as estradas são uma espécie de tapetes rolantes e as pessoas já não comunicam oralmente, mas mentalmente, usando um cérebro novo, que se chama hipercórtex. Desenho uma sociedade com base em ciência que não existe hoje e que torna o Homem feliz. Mas isto acontece apenas numa parte da Europa onde vive apenas uma minoria de 100 milhões. No resto, onde vivem 400 milhões, vive-se o caos. É um cenário de utopia que vive, lado-a-lado, com a distopia.

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Cansaço | Álvaro de Campos, in “Poemas” | Heterónimo de Fernando Pessoa

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

ANGELISMO | Francisco Seixas da Costa in Jornal “Negócios”

Na língua portuguesa, a expressão é raramente utilizada. Angelismo é uma atitude de inocência ou credulidade, que descarta, ingenuamente, motivações mais interesseiras. Ao atentar na onda de loas com que foram recebidas as últimas declarações de Ângela Merkel sobre a Europa, claramente sugerindo a Alemanha como impulsionador de um processo de autonomização em matéria de defesa e segurança, perguntei-me se não estaríamos a embarcar num novo «angelismo», desta vez com etimologia derivada de Ângela e já não de anjos. Mas, no segundo seguinte, também me interroguei sobre que outras alternativas estão disponíveis no mercado de alianças.

Donald Trump, na brutalidade de muitas das suas posturas, tem a curiosa vantagem de tornar as coisas muito simples, por mais complexas que elas sejam. A nova América projeta uma agenda de afirmação nacional de interesses com imensa transparência, descurando deliberadamente a retórica acomodatícia de que, por muitos anos, se alimentou o «politicamente correto» das relações internacionais. Trump diz ao que vem: o relacionamento externo da «sua» América far-se-á exclusivamente nos termos que melhor corresponderem aos seus objetivos nacionais. E di-lo «alto e bom som», para óbvios efeitos internos, com isso reduzindo muitas das hipóteses de recuo ou compromisso.

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O “mundo ocidental” acabou | Paulo Querido

Bem, alguma virtude Trump tinha de ter: deixámo-nos de terrorismozinhos e entrámos em guerra aberta. O “mundo ocidental” acabou. A lógica agora é outra. A Europa pode dar as mãos a Putin e acertar contas com o bloco russo, que para vencer Hitler injetou milhões de litros de sangue na Segunda Guerra Mundial contra o fascismo (mas quem ficou com os louros foram os EUA, thanks Hollywood). E alinhar estratégias de abertura com o bloco asiático, principal interessado no que conta: globalização humana, prosperidade via comércio.

Do lado dos béras estão os donos da civilização moribunda, que é a do petróleo e do século passado, e os seus capatazes militares, os trumps que exploraram o voto da América interior moribunda para a sua cruzada contra a civilização.

Isto em português simples e antes que o desenho se acabe de formar.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

O homem é um ser perverso | Carlos Vale Ferraz

Texto- síntese da comunicação de Carlos Vale Ferraz para a Sessão “Palavra de Escritor” do Grupo 3 de Oeiras da Amnistia Internacional – Biblioteca Operária Oeirense, 30 Março 2017
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No dia 30 de Março falei na seção de Oeiras da Amnistia Internacional. Escolhi o tema da perversidade do homem, que estas dignas organizações tentam minimizar. Deixo aqui alguns tópicos, um pouco à laia de informação sobre o inimigo que enfrentam.
«O homem é um gorila lúbrico e feroz» escreveu Hipólito Taine, um positivista francês do século XIX, que tentava compreender o homem à luz de três fatores determinantes, o meio ambiente, raça e momento histórico. À luz destes factores não temos motivos para nos congratularmos com a evolução da nossa espécie. Utilizei esta citação no meu primeiro romance «Nó Cego». No romance que irá sair em Setembro/Outubro mantenho-me céptico quanto natureza do homem. Kant considerava os cépticos como nómadas, e como vigilantes da razão. Tenho sido nómada do espírito e procurado ser mais céptico que asséptico. Não ser asséptico é, para mim, não acreditar na bondade do homem, mas que o bem existe e que se opõe ao mal. Estou fora da moda que tudo relativiza. De que o mal é fruto do meio. Nos meus romances responsabilizo as minhas personagens. Não gosto de coitadinhos. Também recuso a leitura das grandes religiões sobre a bondade intrínseca do homem, por ele ter sido criado à semelhança de Deus e Deus não poder ser mau. Pode, como se verifica pelas suas criações. Não estou mal acompanhado. A má opinião sobre a humanidade é antiga. A natureza humana em Platão é degenerada, mas ele considerava que a degeneração podia ser travada através do uso da razão e pela contemplação do Sumo Bem pelo homem. Discordo desta parte. É a inteligência e a razão que tornam o homem um ser perverso.

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(…) as coisas da bola (…) | José Teixeira

O meu pai António nunca leu um jornal desportivo – lá em casa lia-se o “Século” de manhã e o “Diário de Lisboa” à tarde, e as coisas da bola eram-lhe indiferentes, até incomodativas. Nas férias, em São Martinho, eu ia-lhe buscar os jornais à papelaria na “rua dos cafés” e ele dava-me dinheiro para que eu também comprasse “A Bola”, que saía 3 vezes por semana. Ele achava piada (ou seja, bem) que eu lesse jornais, eu queria-os pelos nomes do ciclismo, do “Tour” e também da “Vuelta”, com os quais decorávamos as caricas para os “grandes prémios” nas pistas de praia, e também pelas notícias de Deus Nosso Senhor Vítor Damas, do Yazalde, do Nelson, do Marinho e Manaca, do Dinis e Bastos e Alhinho, e depois do Fraguito (sempre) de meias-caídas, também do Carlos Lopes, Aniceto Simões, Nelson Albuquerque, da belíssima Conceição Alves, Jorge Theriaga, Manuel Brito, Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Xana e Livramento e tantos outros.

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Poesia | Inês Salvador | José Luiz Sarmento Ferreira

Escrevem umas coisas que não entendem, sombreadas de palavreado arcaico e de aqui e ali, na tentativa falhada da vida em vernáculo, uma pífia imagem pornográfica e acham que estão a escrever poesia. As massas gostam. As lasanhas, as carbonaras, as pizzas e os raviolis, gostam. A gordura gosta do pífio. Os azeiteiros comem à mesma mesa. Alfabetizamos, a literacia não se cumpriu. Já os restaurantes italianos expandiram bem. Um alfabetismo obeso, sem educação do gosto. Por complexo, se não se entende é arte, se for estrangeiro é melhor.
Para as estrangeiras há um lote crescente de prestáveis moços a oferecer serviços. Um atropelo à circulação. Sou portuguesa e não estou de férias, não parecendo. Parecendo, estes moços são poesia pífia.
Os Miseráveis de Victor Hugo e os grotescos de Dickens, um scanner social.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

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Comentáro ao texto supra de José Luiz Sarmento Ferreira:

Há um mito nórdico sobre a origem da má poesia. A história pode ser encontrada na recolha feita por Neil Gaiman. Como dá muitas voltas, não a vou resumir aqui. Destaco apenas o final: Odin, tendo roubado o hidromel da poesia ao gigante que o tinha guardado e não o partilhava com ninguém, transforma-se em águia e voa para a residência dos deuses, onde Thor e os outros, que entretanto se tinham dedicado à construção de tonéis, estão à sua espera. O gigante espoliado persegue-o, também transformado em águia. Chegado a Aasgard, morada dos Aesir, Odin regurgita o hidromel para os tonéis; e é por isso que os homens têm hoje o dom da poesia. Mas a história tem uma coda: pouco antes de chegar a Aasgard, Odin solta pelo ânus uma bufa monumental e fétida que vai bater em cheio no bico e nos olhos do seu perseguidor. Este, desorientado, volta para trás e vai-se lavar no tonel que tanto se tinha esforçado por guardar mas está agora vazio. A água suja dessa lavagem ainda está no tonel do gigante. E é assim que sabemos ainda hoje, sempre que ouvimos um mau poema, com rimas forçadas, métrica coxa, léxico impreciso, ideias feitas ou metáforas despropositadas, de que tonel bebeu o poeta.

AÇORDAS, SOPAS DE PÃO E MIGAS (1) | António Galopim de Carvalho

Açorda é uma herança directa da presença muçulmana neste “Garb-Al-Andaluz, antre Tejo e Odiana”, durante os séculos VII a XIII, onde se confeccionava a “ath thurda”, um alimento constituído por pedaços de pão mergulhados num caldo, mas não esmigalhados e amassados. Segundo o mestre da gastronomia, Alfredo Saramago, este tipo de alimentos, à base de ervas aromáticas, alho, azeite, pão e água quente, veio de um tempo pré-romano, atravessou os cinco século de ocupação romana, tendo sido os árabes que, durante outros cinco séculos de presença, a fixaram e lhe deram a importância que teve entre eles e ainda tem entre nós constituindo um dos nossos pratos mais regionais.

Para os alentejanos, o termo migas designa um alimento igualmente à base de pão, mas embebido num caldo e, a seguir, esmigalhado e amassado. Este tipo de confecção, embora mais espapaçado, é aquilo que, em Lisboa e noutras regiões do país, impropriamente, se chama “açorda”. Cozinhadas a partir de múltiplas receitas, variando de lugar para lugar, as “açordas de marisco”, que percorrem o litoral, do Minho ao Algarve, são, na realidade, migas. Dando satisfação a numerosos apreciadores, temos, ainda a “açorda com ovas de sável”, que se faz no Ribatejo, confecção com lugar cimeiro na gastronomia portuguesa. Umas e outras estão mais de acordo com as nossas migas, inclusivé as de batata, também elas esmigalhadas e amassadas.
Assinale-se que o termo migas radica no étimo latino, “mica”, que significa migalha, partícula, o mesmo que deu nome aos minerais conhecidos por micas, a branca (moscovite) e a preta (biotite).
Consciente desta realidade cultural dos alentejanos, o poeta João de Vasconcelos e Sá, avô do nosso fadista Pinto Basto, cantou, na revista musical, “Palhas e Moinhas” levada à cena, em 1939, no teatro Garcia de Resende, em Évora, a diferença entre os usos destas duas palavras no Alentejo e fora dele.
«Terra de grandes barrigas
onde só há gente gorda.
Às sopas chamam açorda
à açorda chamam-lhe migas. »

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(…) numa rotação lasciva e desafiadora (…) | Inês Salvador

Tanto se está a falar da Madonna, pois vou contar uma história. Há uns anos, e já lá vão uns quantos, fui parar à área VIP da Moda Milão para assistir a um desfile “reservado”. Às tantas, todas as atenções estavam viradas para alguém que acabava de entrar, mas que de tão ladeada de seguranças, uns moços gigantes africanos muito bem-apessoados, mal se conseguia perceber logo quem era. O círculo de seguranças foi abrindo até deixar ver a pequena figura de uma mulher de pele branca, muito branca, muitíssimo branca, branca como ninguém quer ser, da cor das folhas de papel, das paredes caiadas. da neve e do açúcar. A pele imaculada, mas apertada para os pululantes tendões que se debatiam a cada passo com as veias azuladas da cartografia do tónus. O olhar, mais que os olhos, imparáveis mas lentos, numa rotação lasciva e desafiadora, que tudo parecia notar. Era a Madonna. Sorria, sorria sempre, parecia ver-nos a todos, parecia sorrir a todos. Firme e certeira, sentou-se no lugar que lhe estava reservado. A Madonna viu o desfile, nós vimos a Madonna.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

“AI PORTUGAL, PORTUGAL!” | Francisco Seixas da Costa

Roubei o título a uma canção de Jorge Palma, neste dia de alegria e boa música, com a consciência de que a letra conclui pela questão “… de que é que tu estás à espera?”. A um país fazem falta momentos como estes, uma difusa ideia de que tudo está a correr bem, de que os astros se conjugaram para fazer sorrir as pessoas, de que Portugal está na moda. E, na verdade, está, de uma certa forma, e isso é bom e deve ser aproveitado – no plano material e naquilo que isso possa induzir no bem-estar das pessoas que por cá vivem. Nestes tempos de alguma euforia, parecerá quase sacrílego (e em coro com malévolos e ácidos cultores da desgraça) alertar, conta o vento dominante, dizer que tudo isto são boas ondas passageiras, que a realidade de fundo permanece, neste que é, de há muito, o país mais pobre da Europa ocidental, emissor de gente para o mundo, pela incapacidade de lhe proporcionar futuro onde nasceu. Gozemos bem estes dias, embora o passado nos venha ensinando, desde há séculos, que temos uma endémica incapacidade para sustentar os nossos episódios de sucesso e uma insuperável dificuldade em cavalgá-los para construir um futuro sereno, próspero, que venha a evitar novos ciclos de depressão e angústia, como os que, ainda há pouco, atravessámos. O melhor serviço que poderíamos prestar a nós mesmos, nestes dias de euforia e de otimismo, seria tomar a decisão de nos organizarmos definitivamente para a mudança, para o rigor, para a disciplina, para a não perda de tempo, para a pontualidade, para o respeito pelos outros, para o fim do xicoespertismo, para que esta não fosse mais uma “alegria breve”, para usar o termo cunhado, para outra realidade, por Virgílio Ferreira. Mas, se calhar, se viéssemos um dia a mudar, não seríamos nós, dirão alguns. Provavelmente, é neste eterno ser ou não ser – glórias e derrotas, euforias e depressões, do “agora é que é!” ao “não vale a pena!” – que, afinal, está a graça (e a desgraça) deste país.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

O Papa do exemplo | Daniel de Oliveira in jornal “Expresso”

Não sendo a Igreja Católica uma instituição democrática, o Papa percebeu que a adesão popular à sua liderança era indispensável para reformar e purificar a Igreja. De tal forma que, num tempo de desconfiança nas instituições democráticas, ele consegue concentrar em si a simpatia que falta aos líderes políticos. Fosse Bergoglio um verdadeiro político e poderia ser acusado de “populismo”, como está na moda escrever-se. E será, se isso apenas implicar responder, como é suposto a Igreja fazer, ao sofrimento dos mais pobres e abandonados, não apenas através do trabalho social, mas através de gestos, imagens, símbolos. Este é, sem qualquer dúvida, o seu Papa. A quem oferece o seu exemplo de despojamento e coragem. E a sua mensagem política é radical, como é sempre a mensagem profética. Numa história carregada de contradições, o Papa Francisco escolheu, nas muitas igrejas que há na Igreja, a Igreja libertadora à Igreja castigadora, a Igreja dos pobres à Igreja do poder. Eu, não crente desde sempre e dificilmente convertível, deposito imensa esperança na Igreja do exemplo que este Papa nos promete. Sei que não sou o único. E sei que uma igreja que se quer universal não se dirige apenas aos seus.

Retirado do Facebook | Mural de Daniel de Oliveira

FÁTIMA | Francisco Seixas da Costa

Como ateu, tenho a minha opinião formada, desde há muito e em definitivo, sobre Fátima – a qual creio ser fácil de presumir. Essa leitura (certa ou errada) tem a montante um esforço de racionalidade, que é natural em quem não foi “tocado pela fé”. Não me recordo de alguma vez ter discutido o tema de Fátima com crentes, porque sempre entendi que me situava num plano diverso, e irreconciliável, no tocante à interpretação do fenómeno. Mas que fique claro: respeito sinceramente quem acredita no “milagre” de Fátima, como matéria de fé.

Serve isto para dizer que, sendo embora “de outra freguesia”, acho de uma grande insensatez o debate que aí vejo, envolvendo figuras da igreja, sobre se o que se passou há um século, em Fátima, foi uma “visão” ou uma “aparição”. São reflexões sobre os factos que, em alguns casos, relevam da procura de uma certa racionalidade. Ora Fátima ou é uma matéria estrita de fé ou não é – e aqui tudo muda de figura. Posso estar enganado, mas ao enveredar por estas “technicalities”, a igreja católica abre um caminho fácil à contestação de Fátima. Se segue por esta via, com facilidade podem ser trazidos à colação textos de Tomás da Fonseca, de Mário de Oliveira e até de Fina da Armada, entre muitos outros. É isso que querem? Eu aconselharia a que, quem acredita, continuasse no registo cândido da Virgem que apareceu aos pastorinhos sobre uma azinheira. E ponto.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

França: o grande perturbador europeu | Carlos Matos Gomes in “Medium.com”

Gostar da França não me impede de ler a sua história sem arrebatamentos e olhar para as suas grandes figuras com a distância a que nos devemos colocar de quem nos vê como alimento, ou como combustível para a fornalha dos seus egos.

Não posso influenciar as eleições francesas, mas as eleições francesas influenciam-me. Os perigos do ricochete conferem-me o direito à opinião. As falsas promessas do nacionalismo francês que estão à venda na segunda volta das eleições francesas constituem a maior ameaça para mim e para a Europa. Isto porque o nacionalismo francês é, tem sido sempre, a causa das grandes catástrofes da Europa.

A França e o nacionalismo francês são o maior perturbador Europeu.

Ao contrário do que a historiografia francesa, os seus brilhantes pensadores têm querido e conseguido impingir como verdade, o principal perturbador europeu é a França e não a Alemanha, ou a Prússia, ou o império austro-húngaro. É por a França ser o trouble maker europeu que as eleições para a presidência da República Francesa são tão importantes para os europeus.

Napoleão, a estrela quase anã do nacionalismo francês, era um oportunista, antes de ser um tático militar, era um videirinho com a única ambição de subir na vida. Escreveu numa carta à irmã: Como o nosso pai se orgulharia do que nós conseguimos! “ Voilá. Rodeou-se de pequenos escroques — que serão os seus generais, os seus marechais. Tipos, como ele, capazes de tudo para se promoverem. O nacionalismo francês tem estas raízes de obscuros trepadores sociais, violentos e sem escrúpulos. A família Le Pen é um típico produto desta França de pequenos negociantes, de pequenos traficantes, de pequenos criminosos. A biografia da maioria dos generais e marechais de Napoleão é a de faquistas de esquina, corruptos como intendentes, corajosos fisicamente quando se trata de salvar a pele, incultos e com fé no chefe, enquanto ele lhes garantir o direito ao saque. A única grandeza dos nacionalistas franceses está nos dourados e nas plumas dos uniformes com que disfarçam a sua cupidez.

Ter um sargento da cavalaria napoleónica arvorado em general, ou marechal, de espada desembainhada e cavalos à carga a dirigir a França não augura nada de bom.

O nacionalismo francês, com estas origens napoleónicas, provocou a guerra contínua na Europa desde 1796, quando Bonaparte marcha para a campanha de Itália, até à derrota em 1815, em Waterloo. Em 1870 nova guerra nacionalista contra os alemães por causa da Alsácia-Lorena (guerra franco-prussiana), depois a I Grande Guerra, a derrota na II Guerra Mundial, a humilhação da Indochina, a arrogância racista que terminou com a derrota na Argélia…

A vitória do nacionalismo francês termina sempre com uma guerra e com uma derrota.

A família Le Pen é herdeira desse negro passado, sempre com o engodo de restituir a grandeza da França, e afirmar a superioridade dos franceses!

Há sempre crentes para estes saldos de promessas! No domingo saberemos quantos!

Carlos Matos Gomes | 1946; militar na reforma, historiador in Medium.com

Argélia | Formação Profissional

Empresas de Formação Credenciadas ou Formadores Diplomados para:

Pedreiros
Canalizadores
Eletricistas
Ladrilhadores
Azulejadores
Carpinteiros de limpos e toscos
Carpinteiros de acabamentos
Pintores de Construção Civil
Técnicos / Condutores de Obra
Técnicos de Topografia
Técnicos de Medições e Orçamentos
Técnicos de Energias Renováveis
Técnicos de Instalações AVAC
Técnicos de Instalações Elétricas

Exige-se domínio da língua francesa – Formação a prestar em Argel, Argélia.

Respostas com CV para: Vítor Coelho da Silva, viplano@hotmail.com

Behind the Image: David Hurn’s Beatlemania | in “Magnum”

David Hurn reveals the story and the process behind an iconic image of The Beatles’ Ringo Starr

In 1964 The Beatles starred in the feature film A Hard Day’s Night. Blurring the lines between the reality of their pop-star status and fiction, the film follows several days in the life of the group as they navigate television appearances and record label executives. Coming at the height of ‘Beatlemania’ the screaming fans depicted in the film were mirrored by the hoards of fanatic young girls that would await the band at all of their public appearances. David Hurn, following a tradition of Magnum photographers working on film sets, took this photograph of fans eyeing Ringo Starr on the moving train, where the film was primarily shot.

The Behind the Image series uncovers the untold stories that lie behind some of the most-well known images by Magnum photographers. Here, we speak to Magnum photographer and judge of the 2017 LensCulture and Magnum Photography Awards David Hurn to discuss the sequence of events that led to the surreal moment, and what might have happened had he not taken that shot.

What is happening in this photograph?
The photograph was shot in 1964 during the making of the film A Hard Days Night, a film staring The Beatles. Ringo Starr (Richard Starkey, MBE), is sitting in the carriage of an old-fashioned train. Fans have invaded the train and are looking through the outside window.

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Wil Prado: estréia tardia, mas auspiciosa | Adelto Gonçalves

                                                           I

Escrito em tom coloquial e próximo ao de um diário íntimo, o romance Sob as Sombras da Agonia (Lisboa, Chiado Editora, 2016) marca a estréia no gênero (tardia, mas auspiciosa) do jornalista, contista, cronista e crítico literário Wil Prado (1952). Saudado com entusiasmo por romancistas experientes e consagrados, como Raduan Nassar (Prêmio Camões de 2016) e João Almino, o livro demorou anos para sair à luz e traz flagrantes influências dos anos 70, época em que o boom da ficção latino-americana conquistou corações e mentes da geração de futuros escritores nascida nos anos 50.

Essa constatação é avalizada pelo jornalista e poeta Salomão Sousa na apresentação que escreveu para este livro de seu antigo colega de redação no Correio do Planalto na Brasília daqueles anos, na qual observa que Sob as Sombras da Agonia não se trata de um romance de formação, “mas de crítica social, descendente de Graciliano Ramos e de Dostoiévski e de outros mestres que lidam com o questionamento da realidade”.

O livro sai a uma época propícia porque denuncia o quanto a alta burguesia é capaz de fazer para manter o seu status, manipulando a vida e o futuro dos “humilhados e ofendidos”, na expressão dostoievskiana, desde a utilização das pessoas humildes como mercadorias até o assalto aos cofres públicos para utilizar para fins inconfessáveis recursos provenientes dos impostos pagos pela população e que deveriam ser aplicados na construção de hospitais, escolas, rodovias e outras obras de infraestrutura (sem superfaturamento).

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Vazios europeus | Carlos Matos Gomes in “Incomunidade”

As aldeias abandonadas de Espanha e de Portugal são um dos resultados do vazio do projecto europeu do pós-guerra. São simultaneamente reais e simbólicas. As aldeias vazias do pós-guerra recordam-me o castelo templário do Almourol, isolado e vazio no meio do Tejo, junto a Tancos e à Barquinha onde nasci.

Em Portugal, após o inevitável fim das impossíveis soberanias coloniais – inevitável porque contra a ordem mundial imposta pelos vencedores da II Guerra e impossível porque contra os objectivos finais do colonialismo de lucrar com a exploração barata de matérias-primas e a transformação em produtos de alto valor –, restou um vazio disfarçado com o objectivo nacional da integração europeia. O novo desígnio. A bebedeira foi curta, mas provocou uma ressaca profunda. Hoje vivemos a ressaca do vazio que, por um lado, criámos e, por outro, encontrámos.

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Fomos sempre tão amigos dos pretinhos | FERNANDA CÂNCIO | in Diário de Notícias

17/04/2017 

A piedosa fábula do “colonialismo português de rosto humano” é uma falsidade histórica. Ver Marcelo repeti-la no lugar do crime é uma vergonha.

odo o indígena válido das colónias portuguesas fica sujeito, por esta lei, à obrigação moral e legal de, por meio de trabalho, prover ao seu sustento e de melhorar sucessivamente a sua condição social.” Este é o artigo primeiro do Regulamento Geral do Trabalho dos Indígenas nas Colónias Portuguesas, de 1914. O segundo esclarece que o indígena que não trabalhe sem para isso ter motivo “de força maior” será condenado (é mesmo esta a expressão) a trabalho.

É certo que se estabelece que este deve ser pago e nunca “superior às suas forças”, mas igualmente se diz que os indígenas não podem despedir-se e que se fugirem serão capturados e castigados – condenados a mais trabalho. E, no artigo 47.º, lê-se: “Pelo facto do contrato celebrado perante a autoridade pública, os patrões recebem os poderes indispensáveis para, quando e enquanto a autoridade o não possa fazer por si própria, assegurarem o cumprimento das obrigações aceites pelos serviçais ou a repressão legítima da falta desse cumprimento. No exercício desse poder ser-lhes-á permitido prender os serviçais que (…) se recusarem a trabalhar (…), [assim como] evitar que cometam faltas e empregar os meios preventivos necessários para os desviar da embriaguez, do jogo, e de quaisquer vícios e maus costumes que lhes possam causar grave dano físico ou moral.” Esta “necessidade” é explicada no preâmbulo do decreto: “Preciso é (…) pôr nas mãos dos patrões direitos sem os quais não é possível manter a disciplina.” Para tal, é-lhes permitido terem uma milícia nas suas propriedades. E o regulamento específico para Moçambique, do ano anterior, prevê que usem “os meios possíveis” para “melhorar a educação” aos indígenas, “corrigindo-os moderadamente, como se eles fossem menores”. Prescreve também o luxo de um dia de repouso semanal, mas para ser gozado no local de trabalho, do qual o “serviçal” só se pode ausentar por quatro horas. Ainda assim, estes regulamentos falam de contratos “livres” e “voluntários” e proíbem grilhetas e algemas – não fosse alguém confundir o regime com o da escravatura.

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The Digital Mind | How Science is Redefining Humanity | Arlindo Oliveira

Following the release in the US,  The Digital Mind, published by MIT Press,  is now available in Europe, at an Amazon store near you (and possibly in other bookstores). The book covers the evolution of technology, leading towards the expected emergence of digital minds.

Here is a short rundown of the book, kindly provided by yours truly, the author.

New technologies have been introduced in human lives at an ever increasing rate, since the first significant advances took place with the cognitive revolution, some 70.000 years ago. Although electronic computers are recent and have been around for only a few decades, they represent just the latest way to process information and create order out of chaos. Before computers, the job of processing information was done by living organisms, which are nothing more than complex information processing devices, created by billions of years of evolution.

Computers execute algorithms, sequences of small steps that, in the end, perform some desired computation, be it simple or complex. Algorithms are everywhere, and they became an integral part of our lives. Evolution is, in itself, a complex and long- running algorithm that created all species on Earth. The most advanced of these species, Homo sapiens, was endowed with a brain that is the most complex information processing device ever devised. Brains enable humans to process information in a way unparalleled by any other species, living or extinct, or by any machine. They provide humans with intelligence, consciousness and, some believe, even with a soul, a characteristic that makes humans different from all other animals and from any machine in existence.

But brains also enabled humans to develop science and technology to a point where it is possible to design computers with a power comparable to that of the human brain. Artificial intelligence will one day make it possible to create intelligent machines and computational biology will one day enable us to model, simulate and understand biological systems and even complete brains with unprecedented levels of detail. From these efforts, new minds will eventually emerge, minds that will emanate from the execution of programs running in powerful computers. These digital minds may one day rival our own, become our partners and replace humans in many tasks. They may usher in a technological singularity, a revolution in human society unlike any other that happened before. They may make humans obsolete and even a threatened species or they make us super-humans or demi-gods.

How will we create these digital minds? How will they change our daily lives? Will we recognize them as equals or will they forever be our slaves? Will we ever be able to simulate truly human-like minds in computers? Will humans transcend the frontiers of biology and become immortal? Will humans remain, forever, the only known intelligence in the universe?

Arlindo L. Oliveira | Presidente do Instituto Superior Técnico

APCL – Associação Portuguesa dos Críticos Literários | Manuel Frias Martins

A APCL está no Facebook desde 6 de Abril de 2017. Os nossos princípios podem ser sintetizados da seguinte maneira. 1) Acreditamos na promoção da leitura, bem como na compreensão e construção dos sentidos do humano através da literatura. 2) Entendemos a actividade crítica como comentário de textos considerados artísticos, independentemente da situação de comunicação que desencadeia e/ou particulariza esse comentário. 3) Valorizamos a heterogeneidade litigante do conhecimento.

(Manuel Frias Martins)

https://web.facebook.com/associacaodecriticos

DiEM25 | Estamos a ficar políticos!

No passado fim-de-semana foi o 60ª aniversário da EU. Num palco em Roma, repleto de líderes progressistas de toda a Europa, revelámos o nosso New Deal Europeu, um programa económico para salvar a Europa de si mesma.

Além disto, para surpresa de grande parte dos meios de comunicação social mundiais fizemos um convite público a atores políticos, movimentos e grupos em toda Europa para levar este New Deal Europeu a votação.

É isso mesmo: um ano após a participação na conversa global sobre como salvar a EU, estamos agora a organizar-nos para o fazer acontecer!

(Se não conseguiste estar presente no nosso magnífico encontro em no Teatro Itália de Roma – vê  este vídeo)

Vítor, temos muito trabalho nos próximos meses, visto que caminhamos para uma nova fase. Enquanto membros do DiEM25 temos todos de discutir como atrair a mais vasta aliança de democratas por detrás do New Deal Europeu, e torná-lo realidade.

Depois, a 25 de Maio, juntar-nos-emos novamente em Berlin no Teatro Volksbühne local de nascimento do DiEM25’s) onde iremos anunciar o quadro de referência para levar o trabalho do nosso movimento para as atuais políticas da união.

Este é o nosso movimento. Precisamos de tantas vozes e propostas quanto possível para trazer a mudança à Europa. Por favor junta-te a esta discussão fulcral e guia o DiEM25 para esta nova fase entusiasmante.

Obrigada e carpe DiEM25!

Luis Martín
DiEM25 Coordenador de Comunicação

PS – Como as eleições presidenciais francesas – essenciais para o futuro da EU – estão ao dobrar da esquina, tivemos uma discussão animada (liderada pelos nossos membros franceses) sobre a qual deverá ser a nossa posição a esse respeito. Vê este documento informativo para saber mais sobre as conclusões e decide a posição do DiEM25 mediante votação (a votação termina à meia noite de dia 11 de Abril!).

Mas afinal o que assinaram em Roma há 60 anos? | Rui Tavares in “Jornal Público”

A UE é um dos mais livres e iguais espaços de cidadania. Isso já não é coisa pouca e deveria aconselhar-nos a cuidar da sua preservação e aprofundamento.

O atual Tratado da União Europeia foi negociado num convento belga. A primeira versão, que mais tarde seria tantas vezes emendada até ao Tratado de Lisboa, foi terminada no início de 1957. Escolheu-se um local e uma data — Roma, 25 de março — para a sua assinatura por três presidentes e três monarcas dos seis países fundadores da UE.

Tomadas estas decisões, um funcionário da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi metido num comboio a partir do Luxemburgo. Levava com ele o texto do tratado e as máquinas de mimeografia que então se usavam para imprimir as cópias que seriam solenemente assinadas em Itália. Mas quando chegou à fronteira da Suíça este primeiro eurocrata ouviu um barulho na sua carruagem que prenunciava o pior. Sem que ninguém se tivesse lembrado disso, havia então uma lei suíça que determinava que as carruagens de mercadorias e as de passageiros fossem separadas e seguissem caminhos diferentes. O pobre homem lá perdeu um tempo precioso a localizar as máquinas de mimeografia e chegou à capital italiana já muito próximo da data da assinatura do tratado.

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“Deus-Dará” | Alexandra Lucas Coelho | por André Barata

“Deus-Dará”, da Alexandra Lucas Coelho, é um grande romance, dos melhores que li em alguns anos entre autores de Portugal, tão bom que demorará a entrar, muito além da boa prosa jornalística que imediatamente nos conta uma boa história, muito além da imediatidade, e do circo todo ele cheio de pressa, do reconhecimento, das críticas, dos prémios.

Há grandes romances de várias espécies. O da Alexandra exemplifica aquela espécie de romance que consegue capturar a singularidade de um tempo que foi vivido por muitos de uma geração. Evitarei as comparações, mas o próprio romance trá-las nos seus intertextos. Esta geração, que é bastante a minha, em que tantos se acharam a viajar oportunidades fora, teve muitos no Brasil que se surpreenderam a experiência de não serem aí verdadeiramente estrangeiros, mas aí conhecerem em muitos aspectos a experiência do que trazemos de estrangeiros em nós mesmos, desde logo como portugueses, imperialistas escravistas que pouca memória guardam de o ter sido, como falantes a reencontrarem-se na sua própria língua apesar de quase emigrados nela, e como testemunhas de um país continental de tantas maneiras e a tantas escalas vertiginoso.

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Avec espoir et célébration | Avaaz

Quelque chose de fantastique vient de se produire. Le “Trump” des Pays-Bas, Geert Wilders, vient d’être battu aux élections, alors qu’il était en tête de la course électorale jusqu’au dernier moment!

Wilders avait promis de faire fermer toutes les mosquées, de faire sortir les Pays-Bas de l’Union européenne et d’interdire le Coran. Après Trump et le Brexit, le monde entier avait les yeux rivés sur les Pays-Bas: l’extrême-droite allait-elle poursuivre sa terrifiante trajectoire?

Mais en fin de compte, le peuple néerlandais a voté pour l’espoir au lieu de la haine. La marée de politiques fascisantes commence enfin à refluer! Notre mouvement était au coeur de cet effort: de quelle manière?

20 000 manifestants, 500 km en bus, une vidéo virale visionnée 5 millions de fois, une annonce publicitaire vue par 300 000 personnes, et tout un mouvement uni contre la haine.

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a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france | Inês Salvador

Em tempos, sempre que chegava a Primavera chegava o francês para passar uma temporada em casa da minha então vizinha de cima. Era a época em que o colchão da vizinha rangia das molas todas as noites. Caiam objectos, soltavam-se ais e gemidos, a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france com a bastilha a ser tomada várias vezes pela noite dentro. De manhã, calhava-me encontrar o francês no elevador e na circunstancial conversa lá arriscava “vacances?”, “oui”, respondia ele lascivo e meio desgrenhado de sorriso morno, como se a revolução ainda lhe estivesse no pêlo. Uma temporada, uma manhã, encontrei o francês no elevador e soltei o tradicional camarada de circunstância “vacances?”, “comme ci comme ça” foi tudo o que disse à procura de um ponto onde assentar os olhos. Nunca mais vi o francês.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Os caridosos nunca deixarão os pobres sair da pobreza | Inês Salvador

Cilinha sabia que de tudo que sabia o que mais lhe valia era a beleza da juventude. Foi no tempo da revolução, era eu ainda muito miúda. Muito miúda era o disfarce do tempo com que rematava a existência. Nunca poderia ter muita idade, se tudo o que sabia lhe vinha de ter de sido muito miúda a todo o tempo de todas as datas. Mas muito miúda já não lhe servia. Sempre que dizia muito miúda sentia os olhos interlocutores percorrerem-lhe o socalco das rugas. Os caridosos nunca deixarão os pobres sair da pobreza, diz-me a minha intuição. Cilinha passou a fazer da longevidade da própria vida um oráculo, uma bola de cristal que consultava por intuição. Cilinha nunca envelheceu. Morreu bela e jovem, como um vampiro da vida.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Prémios | Carlos Matos Gomes

Prémios. Por muito que me custe, passo o dia e parte da noite a ouvir notícias sobre os bancos. Notícias de milhões, o BES e grupo de forcados associados torrou 10 mil milhões, o BPN do pobre Oliveira e Costa e família de amigos de Cavaco Silva, de 6 a 8 mil milhões, o BANIF de oque e amigos, um pouco menos, a Caixa um 3 ou 4 mil milhões de imparidades, o Montepio, o BCP, o BPI … Do que oiço e ouvi, todos os conselhos de administração, conselhos fiscais, mesas de assembleias gerais destas e doutras desnatadeiras receberam chorudos prémios de gestão… O Ministério Público não se interessa em saber se foi incompetência ou corrupção, a doutora Cristas, toda bem disposta diz que era de confiar e assinava de cruz, com os pés dentro de água e a pele a luzir de bronzeador. O público, como nas touradas grita Bravo e Olé!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

“Aos homens que nunca foram meninos” | Ana Catarina Mendes

Passaram 75 anos desde que Soeiro Pereira Gomes dedicou aos homens que nunca foram meninos “Os Esteiros”, pensando em todos aqueles a quem foi roubado o direito a ser criança, o direito a frequentar a escola, o direito a uma cidadania plena com igualdade de oportunidades.

Três quartos de século depois, continua a ser necessário pensar nos que, por muitas razões, não tiveram acesso à educação em quantidade e qualidade necessárias para a sua plena inserção. A igualdade de oportunidades é um desígnio para uma sociedade inclusiva e democrática!

Para lá de todos os défices de que tanto se fala, o grande e silencioso défice estrutural da nossa sociedade é o défice das qualificações. Um défice que o anterior Governo não quis combater porque na sua visão de Direita a segunda oportunidade educativa não era uma prioridade. Um défice social que nunca preocupou o PSD ou o CDS e que é tão ou mais importante reduzir quanto o défice orçamental.

Relançar a educação e formação de adultos é cumprir mais um compromisso que o PS assumiu com os portugueses.

Esta é a razão de ser do programa Qualifica: estratégia de educação e formação de adultos que combina reconhecimento, validação e certificação de competências com formação complementar obrigatória ajustada a cada caso.

A grande ambição da educação e formação de adultos é o combate à desigualdade pela falta de qualificações e competências. Mas, é também suprir um défice social e pagar uma dívida da democracia para os cidadãos que não tiveram oportunidade de estudar.

Acompanhei e privei com muitos que, por falta de condições económicas, não puderam estudar. Gente capaz, inteligente, culta e autodidata que procurou nas bibliotecas o acesso gratuito a livros para aprender mais, nos amigos ajuda para sonhar com outro mundo, na força da vida de trabalho crescer como cidadão. Mas sempre com a tristeza de não ter frequentado os bancos da escola…Dar novas oportunidades a quem foi excluído do sistema de ensino é uma dívida da sociedade democrática, porque os “homens que nunca foram meninos” merecem e porque a exclusão escolar é ainda um problema do presente.

SECRETÁRIA-GERAL-ADJUNTA DO PS

le désir de quelque chose

Quand un individu rencontre sa moitié, le couple se perd dans un océan d’amour, amitié et intimité… ce sont les personnes qui passent leur vie ensemble ; pourtant, ils ne savent pas expliquer ce qu’ils veulent l’un de l’autre. Car le désir intense que tous deux ont pour l’autre ne semble pas être le désir de l’amour physique, mais le désir de quelque chose que l’âme de tous les deux il souhaite ne peut exprimer.

La fin de l’ivoire | Marigona Uka – Avaaz

Nous sommes sur le point d’éradiquer les éléphants de la surface de la Terre. Leur situation est si grave que certains naissent désormais sans défenses, en un ultime coup de poker au grand jeu de l’évolution pour survivre à la cruauté humaine.

Pour la première fois, la Chine, le plus grand importateur d’ivoire au monde, a annoncé une interdiction de l’ivoire. Aujourd’hui, si nous sommes assez nombreux, nous pouvons amener l’Europe, le premier exportateur mondial, à suivre son exemple!
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A incompatibilidade do nacionalismo com a democracia | Carlos Matos Gomes

A utilização do velho truque de Nero, de lançar fogo a Roma e acusar os cristãos, pelos jovens neofascistas do movimento “Nova Portugalidade” a propósito de uma conferência/comício de Jaime Nogueira Pinto numa faculdade, trouxe o tema da relação do nacionalismo com a democracia à actualidade. Jaime Nogueira Pinto sabe de história e de política. Conhece a teoria e a prática. Jaime Nogueira Pinto sabe da incompatibilidade entre nacionalismo e democracia, mas sabe também que com verdades, como dizia um júnior do partido popular, não se ganham eleições. Na atual fase da história aqui em Portugal é conveniente afirmar exactamente o contrário, a compatibilidade entre nacionalismo e democracia. O caminho faz-se caminhando e chegará o tempo de retirar a máscara e chamar à ditadura democracia orgânica.
Passe a redundância, o nacionalismo é incompatível com a democracia porque o nacionalismo se baseia em conceitos incompatíveis com a democracia. O nacionalismo baseia-se no conceito da superioridade. Os nacionalistas defendem a superioridade do seu grupo e logo a inferioridade dos outros. O nacionalismo defende a desigualdade entre grupos. A democracia defende a igualdade. A afirmação da superioridade causa naturais reacções nos que são considerados inferiores. Daí a violência dos nacionalistas. A superioridade só pode ser imposta pela força. O nacionalismo defende a violência. Mas a violência só pode ser eficaz se for dirigida e executada pelos mais fortes. O nacionalismo defende a desigualdade interna, daí os corpos especiais e os privilégios e os direitos das elites.

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O grande abandono | José Pacheco Pereira in Jornal “Público”

Eles sabem que o CDS, o PSD, o PS os abandonaram à sua sorte, estão-se literalmente borrifando para as “causas fracturantes” do Bloco de Esquerda, e a “linguagem de pau” do PCP não os mobiliza. Eles esperam no seu fel – até um dia.

Na semana passada a televisão portuguesa fez várias notícias sobre a recepção de refugiados yazidis sírios e iraquianos e as condições que lhes estão a ser preparadas por algumas organizações, autarquias e o próprio Estado. Mostrava-se o interior de uma casa que ia ser entregue a uma família refugiada, e as condições em que iam recomeçar a sua vida em Portugal. Estava a ver essas imagens num café e restaurante popular, onde várias mulheres trabalham na cozinha. Conheço-as pessoalmente – é gente que tem um salário mínimo e que trabalha em muito más condições, num local quente e acanhado, durante imensas horas. Não são estatisticamente pobres, mas são pobres. Têm salário, têm uma profissão, precária que seja, têm famílias e filhos, são umas novas e outras de meia-idade, mas são pobres.

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FUNDEC | INTRODUÇÃO À REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS DE BETÃO ARMADO

A FUNDEC – Associação para a Formação e o Desenvolvimento em Engenharia Civil e Arquitectura, tem o prazer de anunciar a V. Exa(s). o curso “INTRODUÇÃO À REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS DE BETÃO ARMADO”, agendado para os dias 20 e 21 de Março, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, com coordenação do Prof. Fernando Branco, do Prof. João Gomes Ferreira e do Prof. João Ramôa Correia.

Em anexo envia-se o Programa, que detalha os destinatários, objectivos e conteúdos, e a Ficha de inscrição.

Coordenação: Prof. Fernando Branco (IST), Prof. João Gomes Ferreira (IST) e Prof. João Ramôa Correia (IST)

Data: 20 e 21 de Março de 2017

Horário: 9h00 às 18h00

Local de realização: IST – DECivil, Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa

Custo: 500€ + IVA 23% (615€)

Informações adicionais poderão ser solicitadas.

“Poensia”, florinhas e gatinhos | Inês Salvador

Imagino que o máximo que pode acontecer naqueles perfis que estão numa relação, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão solteiros, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão numa união de facto, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão outra vez numa relação, eventualmente outra vez com alguém, outra vez não especificam, depois “poensia”, florinhas, gatinhos, coisinhas lindinhas e outra vez gatinhos e pouco mais, que mais não especificam, se houver um golpe de estado ou coisa que o valha, não especificam e alteram a relação para “é complicado”.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Porque o lugar da mulher é na revolução | Carla Manuela Mendes

Não, hoje não é dia para frases lamechas. Não é dia para oferecer flores (podem oferecer noutros dias), não é dia para realçar as mulheres belas, recatadas e do lar. Não é dia de colocar a mulher num pedestal e deixá-la cair no dia seguinte. A emancipação da Mulher não passa por unhas de gel, campanhas de marketing ou oferta de electrodomésticos para proveito dos companheiros ou maridos. Hoje é dia de não deixar cair no esquecimento as lutas travadas pelas mulheres ao longo da História. Hoje é dia de homenagear as mulheres anónimas que, em cenários de guerra, fome, violência, lutam diariamente por um mundo mais justo e igualitário. Hoje é dia de fazer sentir aos homens que temos um percurso comum, somos diferentes mas devemos ter direitos iguais. O dia também é deles porque podem contribuir e juntar-se à nossa luta. O dia também é de alerta para algumas mulheres que, inconscientemente, moldadas por modelos sociais, aceitam e reproduzem cenários machistas. As mulheres sustêm o mundo, sonham-no e constroem-no contra todo o tipo de limitações e condicionamentos. Saibamos honrar a luta das que nos antecederam porque nada é garantido e ainda há muita luta a travar. Saibamos ser orgulhosamente mulheres: inteligentes, sensíveis, lutadoras, sonhadoras, assertivas, conquistadoras. Porque o lugar da mulher é na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Carla Manuela Mendes

o dia da mulher | inês salvador

Fofinhos, talvez dizer-vos que hoje é dia da mulher, não é dia dos namorados, portanto, flores e florzinhas, bombons e pinchavelhos e almocinhos coisinhos… Enfim. Se o dia da mulher tem simbolismo e serventia, não é de certeza a de mais uma xaropada de objetificação do feminino.
Moças, não se passem por tolinhas por um molho de nabiças com pétalas. Amanhã está tudo na mesma, a pilha de roupa continua a ser a mesma para passar a ferro e no fim do mês a folha de ordenado não mente.
Sobre os presentes que se dão às mulheres, que os presentes insistem em ter destinatário no género, lembro-me de um programa que passou na tv há uns anos, em que um casal, cada programa um casal diferente, um homem e uma mulher, duas personalidades conhecidas, seguiam de carro conversando sobre as coisas dos homens e das mulheres e das relações entre eles. Tipicamente, os homens compareciam ao programa com flores para oferecer à mulher. Num dos programas, o casal convidado foi a Julie Sergent e o Otelo Saraiva de Carvalho, e o que o Otelo ofereceu à Julie Sergent foi um saco de alheiras.
Está bem, está bem, o Otelo e blá-blá, mas é nesta e noutras que se vê quem é capaz de alinhar na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

a luta de invejas | josé adelino maltez

“…o PSD não consegue ser pós-cavaquista; enquanto o PCP continua retro-cunhalista; o CDS, amarrado ao pós-moderno reaccionário; e o BE a indignar-se, com devoção, ao socialismo catedrático. Daí que o verbo Portugal continue a ser substituído pelo nacionalismo patriotorreca, que alguns psicopatas sentenciadores vão conjugando, em pretérito de revisionismo histórico, enquanto a partidocracia persiste na autoclausura reprodutiva, entre uma direita que convém à esquerda, a da mera oposição empírico-analítica ao fantasma do inimigo, para que este, em preconceito, acirre o pensamento RGA, o da nostalgia da revolução por cumprir, onde o Maio 68 continua a algemar a libertação de Abril. Todos com historiografias do caixote de lixo das ideologias, neste país dominado por enjoados manhosos, que sonham instrumentalizar a luta de invejas, pela tradicional subversão a partir do aparelho de Estado.” (JAM, 2 de janeiro de 2012, in DN)

Retirado do Facebook | Mural de José Adelino Maltês

Da auto-indulgência | Inês Salvador

Pessoas que não são gordas, estão é fortes, e não é fácil que enfraqueçam, derivado a passar fraqueza, porque são largas de ossos. Homens que não são gordos, têm é barriga… Se tirarem a barriga… Mas não tiram, e assim se mantém infinitamente magros com barriga, a mesma barriga que até já esteve maior, no verão passado, por exemplo, quase a fazer crer que já nem é barriga, mas apenas o umbigo que cresceu em metamorfose definitiva. E quase não comem, não comem nada, toda aquela carga é que se lhes foi colando aos ossos como um injusto bónus desta passagem pelo mundo que é vida.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Santana | La Flaca

En la vida conoci mujer igual a la Flaca
Coral negro de la Habana, tremendisima mulata
Cien libras de piel y hueso, cuarenta kilos de Salsa
En la cara dos soles que sin palabras hablan
Que sin palabras hablan

La Flaca duerme de dia, dice que asi el hambre engaña
Cuando cae la noche baja a bailar a la Tasca
Y bailar y bailar, y tomar y tomar
Una cerveza tras otra pero ella nunca engorda
Pero ella nunca engorda

Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Aunque solo uno fuera

Mojé mis sabanas blancas, como dice la canción
Recordando las caricias que me brindó el primer día
Y enloquezco de ganas de dormir a su ladito
Porque Dios que esta flaca a mi me tiene loquito
O-oh, a mi me tiene loquito

Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Aunque solo uno fuera

Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Por un beso de la Flaca daria lo que fuera
Por un beso de ella, aunque solo uno fuera
Como nena ven, quiero que te muevas y sentir tu piel

Quelle est, selon vous, l’oeuvre littéraire qui parle le mieux des femmes ? | Gallimard

Réponse partial

Madame Bovary pour sa modernité. L’auteur décrit si bien la femme qu’elle semble intemporelle. Le décor a certes changé mais pas les inspirations, pas les idéaux et la soif d’exister pour soi et non à travers l’homme. Quoi ses amants? Qui n’en a pas ou du moins qui n’en a pas eu l’intime pensée?

[Commentaire de Antonio Giuseppe Satta]

Retirado do Facebook | Mural de Gallimard

Ci-dessous, Virginia Woolf (1882-1941) photographiée par George Charles Beresford en 1902.

wolf

Arrival of the Fittest: why are biological systems so robust? | Arlindo L. Oliveira | in Digital Minds

arrivalIn his 2014 book, Arrival of the Fittest, Andreas Wagner addresses important open questions in evolution: how are useful innovations created in biological systems, enabling natural selection to perform its magic of creating ever more complex organisms? Why is it that changes in these complex systems do not lead only to non-working systems? What is the origin of variation upon which natural selection acts?

Wagner’s main point is that “Natural selection can preserve innovations, but it cannot create them. Nature’s many innovations—some uncannily perfect—call for natural principles that accelerate life’s ability to innovate, its innovability.”

In fact, natural selection can apply selective pressure, selecting organisms that have useful phenotypic variations, caused by the underlying genetic variations. However, for this to happen, genetic mutations and variations have to occur and, with high enough frequency, they have to lead to viable and more fit organisms.

In most man-made systems, almost all changes in the original design lead to systems that do not work, or that perform much worse than the original. Performing almost any change in a plane, in a computer or in a program leads to a system that either performs worst than the original, or else, that fails catastrophically. Biological systems seem much more resilient, though. In this book, Wagner explores several types of (conceptual) biological networks: metabolic networks, protein interaction networks and gene regulatory networks.

Each node in these networks corresponds to one specific biological function: in the first case, a metabolic network, where chemical entities interact; in the second case, a protein interaction network, where proteins interact to create complex functions; and in the third case, a gene regulatory network, where genes regulate the expression of other genes. Two nodes in such networks are neighbors if they differ in only one DNA position, in the genotype that encodes the network.

He concludes that these networks are robust to mutations and, therefore, to innovations. In particular, he shows that you can traverse these networks, from node to neighboring node, while keeping the biological function unchanged, only slightly degraded, or even improved. Unlike man-made systems, biological systems are robust to change, and nature can experiment tweaking them, in the process creating innovation and increasingly complex systems. This how the amazingly complex richness of life has been created in a mere four billion years.

In Digital Minds 

Arrival of the Fittest: why are biological systems so robust?

O festim | Carlos Matos Gomes

Os bárbaros da bola! Os nazismos (é de nazismo que se trata quando enfrentamos a cultura do ódio, da violência – dos Trumps e das Le Pen, do holandês, ou do hungaro, de que só sei pelos ecos das alarvidades de superioridade da sua raça) tem base de apoio visível e aplaudida. O caso é este, um jogador de futebol, Torres, do Atletico de Madrid sofreu uma falta violenta de um adversário e caiu inanimado no campo do Corunha. Teme-se o pior. A claque do Corunha canta e insulta. O jogador Torres é sujeito a manobras de reanimação que não se sabe se resultam e é retirado do campo. As claques berram.

O árbitro recomeça o jogo – the show must go on – os jogadores arrastam-se até aos 90 minutos. Os treinadores incentivam os jogadores como os donos incentivam os cães de luta. O árbitro entende que o jogador Torres é responsável pela interrupção e prolonga o jogo durante mais 7 minutos (até podia dar-se o feliz acaso de um jogador do Atlético, por qualquer razão emocional dar uma cabeça num adversário! Seria a apoteose.)

O festim continuou. Lembra o jornalista do El Pais: perante a insensatez do árbitro, os jogadores, os dirigentes, os treinadores, alguém com alguma higiene mental podiam ter mandado colocar a bola no centro do campo e esperar que o homem do apito apitasse, tivesse um reflexo de sensatez. Nada. A matilha tinha os focinhos no sangue. É esta a base de apoio do que por aí anda a levantar muros…

mexico

Fronteira dos EUA com o México

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Speedy Gonzalez | Carlos Matos Gomes

O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Com a ideia do genial Trump levantar um muro entre o México e os Estados Unidos já alguém perguntou ao fanático Rasputine que o aconselha ou à madame que lhe trata da imagem o que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Ele pode passar o muro? Fica retido? É deportado? O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Já alguém se lembrou do Speedy Gonzalez?

speedy

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Para lá da «Geringonça» | André Freire | Lançamento terça-feira, dia 07/03, às 18h30m

Lançamento do livro Freire, André (2017), Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa, Lisboa, Contraponto. Prefácio do primeiro-ministro, António Costa.
Por Ana Catarina Mendes, Secretária-geral Adjunta do PS e Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, & Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE (*).
Terça-feira, dia 07/03, às 18h30m, na livraria Bertrand do shopping Picoas Plaza.

andre

L’histoire des Arabes en Algérie | Ibn Khaldoun

algerie_0-png-200L’Algérie n’a pas subi de conquête ou de colonie de peuplement arabe, et que, les Algériens, même ceux parlant l’arabe algérien ( en réalité un mélange de l’arabe classique et du berbère), sont dans leur totalité des Berbères.

(Ce texte est inspiré du volume N° 5 de l’histoire des Berbères par l’auteur Ibn Khaldoun. l’histoire des Berbères a été écrit en 13 volumes (29.000 pages) par le même auteur).
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Le débat secouant la société algérienne sur la question cruciale de l’identité arabe ou berbère de l’Algérie nécessite un retour à la source de ce clivage. L’origine en est, bien entendu, l’expansion arabe en Afrique du nord. Certains affirment que les Arabes n’ont jamais conquis l’Algérie, d’autres se revendiquent une origine arabe justifiant ainsi l’identité arabe de l’Algérie. Qu’en est-il en réalité? Afin de répondre à cette question, deux périodes, marquées par deux mouvements d’expansion majeurs, doivent être prises en considération : La période de la première expansion et celle ayant trait à la seconde, celle les Béni-hillals

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Gente que sai da barraca… | Inês Salvador

salvador-200Receio que hajam muitos mais joãos bragas do que se supõe… Desde logo entre as mulheres que acham que os bons homens escasseiam porque andam a virar para o outro lado, o lado do inimigo, entenda-se, e os homens que suspeitando-se que o outro é do lado do inimigo das mulheres se afastam, não se dê o caso de serem confundidos ou aquilo ser alguma doença que se pegue e não tenha cura, “diz que quem experimenta já não volta”, mais a segurança social que andamos todos a pagar a gentes de outras raças para passarem o dia no mc donald’s sem fazer nada, mais as casas em lisboa que estão caríssimas por causa dos turistas – orgulhosamente sós é que estávamos bem – e do lobby dos moços do lado do inimigo das mulheres que controlam as zonas históricas, e mais as mulheres independentes que só por isso já correm o risco de reputação duvidosa, o que nos homens é mérito de campeão, para elas é “subir na horizontal”, ainda que mais mal pagas que eles, elas não podem ser inteligentes, o que elas têm de ser é “boas”, “boazonas”, casadas ou comprometidas, alto lá com as liberdades e violência doméstica – física e psicológica – a dar com um pau, e eles têm sempre de ganhar mais que elas e serem mais espertos para se sentirem seguros da sua macheza, “ao homem português a dependência da mulher é erotizante”, disse mais ou menos assim a Agustina, e quem mais ataca as mulheres são as outras mulheres, e esta é a ordem natural das coisas… E assim, sucessivamente, uma enormidade de disparates que se ouvem, vêem e observam, nesta democracia sem democratas, de pequenos pides coscuvilheiros, moralistas e invejosos da vida dos outros, genuínos amantes da liberdade, desde que não sejam contrariados. Gente que sai da barraca, mas a barraca nunca há-de sair deles.
Sim, este é um dos posts mais fofinhos que já publiquei e não me digam que não andam no mesmo país que eu e não ouvem o mesmo que eu oiço.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

(título garbosamente escolhido por VCS)

Londres | A velha aliança e a oliveira secular | Carlos Matos Gomes

oliveira02Sou completamente a favor. Podemos ter muitas razões de queixa dos ingleses, mas devemos-lhe muito mais. Os cruzados ingleses auxiliaram Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros. Não é pouca coisa não termos de andar nas ruas de camisa de dormir, de estarmos proibidos de salpicões, febras, presuntos e principalmente de sandes de coiratos antes de ir à bola. As mulheres devem dar graças por poderem guiar automóveis e tomar banhos de sol na praia. Também foram cruzados ingleses que estiveram na conquista de Silves, que permitu nos anos 70 a vinda dos ingleses e inglesas para Albufeira e para o 7 e 1/2. Devemos-lhe a melhor rainha da história, Felipa de Lencastre. As empresas de caminhos de ferro, de telefones, de transportes publicos, a industria do textil do algodão, a derrota dos franceses, até as colónias lhes devemos. Devemos-lhe o Churchill ter tratado Salazar como o pobre diabo que ele era na segunda guerra… devemos-lhe o barão de Forrester, que inventou o vinho do Porto… eu devo-lhes ter tido um MG… aos vinte anos… até as aventuras hípicas de uma égua de 7/8 de sangue inglês. Por mim, tudo isto e algo mais que é do foro privado vale uma oliveira secular, que, tenho a certeza, os ingleses a tratarão muito bem.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Zeca Afonso | Traz outro amigo também

Amigo maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
Em toda a parte todo o mundo tem
Em toda a parte todo o mundo tem
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Os meus dias e a rotina | Inês Salvador

salvador-200Aos meus dias nunca nada de extraordinário pontua, ou melhor, é sempre uma espécie de extraordinária rotina. Por exemplo, ontem fui ao final do dia ao shopping. A um daqueles shoppings muito grandes onde há de tudo, desde pessoas a comprar casacos de dois mil euros a outras que andam a cravar tabaco na área da restauração. E era mesmo para a área da restauração que eu ia, jantar qualquer coisa com amigos e colegas. Sabe-nos sempre bem, depois de um dia de trabalho, aquele exercício de andar a tourear mesas em faenas triunfantes e poses de capote até chifrarmos uma mesa em que caibamos todos, de tabuleiro na mão, enquanto a sopa arrefece e a salada aquece. Logo que entrei no shopping, a preparar-me para a corrida, que a lide ia ser difícil, dirigi-me a uma caixa multibanco para levantar uns trocos do que me pinga das offsuores, que a vida é mais transpirar. E foi então que desatei aos gritos. Aos gritos. E não parava de gritar. Uma mão humana acenava-me de dentro do ecran do multibanco, uma mão masculina a querer dizer-me alguma coisa insistia em gesticular na minha direção de dentro do ecran do multibanco. Estava um homem preso dentro da caixa do multibanco. Fez-se logo ali um ajuntamento de gente a saber o que se passava com a moça, que era eu, e logo a seguir sai de detrás da parede um homem sorridente a dizer-me que tivesse calma, que era da manutenção e estava a tentar dizer-me para não usar a máquina. Pronto, não passou disto e tudo se acalmou. A parte chata foi ter de aturar os que entraram de manutenção ao serviço de me consolar, “imagino o susto que apanhou”. Por cada susto que se apanha, há sempre vinte pessoas que imaginam o susto que os outros apanharam. Isto, pelas estatísticas de estudos norte-americanos ainda não realizados.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salavador

(Título inventado na hora por Vítor Coelho da Silva – Inês, desculpe-me, mas era necessário)

Let’s open TheGreekFiles! | DiEM25 | Yanis Varoufakis

Today we’re launching #TheGreekFiles, a targeted campaign on EU transparency, one of the key values of our movement.

Here’s Yanis explaining the campaign in three minutes. Or read on below.

Deep in a vault in the headquarters of the European Central Bank (ECB) lie #TheGreekFiles, a legal opinion about the ECB’s role in snuffing out the Athens Spring in 2015.

If released, these documents could send shockwaves across Europe. And as a European taxpayer, you paid for them. But the ECB’s boss, ex-Goldman Sachs head Mario Draghi, says you can’t see them!

So former Greek Finance Minister Yanis Varoufakis and MEP Fabio de Masi, together with a broad alliance of politicians and academics, have announced they will file a mass freedom of information request to the ECB to uncover #TheGreekFiles once and for all.

If Mario says no, they’ll take the campaign to the next level, and consider all options – including legal action – to make this vital information public.

How can you help?

  1. Sign and share our Change.org petition
  2. Visit #TheGreekFiles campaign page to learn more about this action, including why its success is vital for our Union’s future
  3. Share this campaign with your contacts and through social media using #TheGreekFiles hashtag
  4. Contribute to DiEM25, so that we can continue this fight for as long as it takes.

We must all throw light on the lawfulness and propriety of ECB decision-making – starting with this case – to give European democracy a chance, as well as to make the ECB less vulnerable to power politics.

Will you, Vítor, join this campaign and add your name to our struggle?

YES, I want to help unlock #TheGreekFiles!

Carpe DiEM25!
Luis Martín
DiEM25 Communications Coordinator

Dmitri Hvorostovsky | Bright Is the Night

Ночь светла. Над рекой
Тихо светит луна.
И блестит серебром
Голубая волна.
Темный лес Там в тиши
Изумрудных ветвей
Звонких песен своих
Не поет соловей.
Под луной расцвели
Голубые цветы.
Они в сердце моем
Пробудили мечты.
К тебе грезой лечу,
Твое имя шепчу.
Милый друг, нежный друг,
По тебе я грущу.
Ночь светла. Над рекой
Тихо светит луна.
И блестит серебром
Голубая волна.
В эту ночь при луне
На чужой стороне,
Милый друг, нежный друг,
Помни ты обо мне.

Light is the Night. The moon is
Shining quietly over the river.
And there is silver moonshine
On the blue wave.
The forest is dark. The nightingale isn’t singing
Loudly its songs
On the emerald-green branches
Of the silent trees.
The blue flowers
Are in full bloom in the moonshine.
They have awakened dreams
In my heart.
I’m flying to you in my dreams,
Whispering your name.
My sweetheart, my darling,
I’m longing for you.
My darling, I’m still longing
For you this night.
My sweetheart, my darling,
I recall you in the moonlight ,
this night, still loving you
As much as always.
My sweetheart, my darling,
Remember me
Over there, in your homeland,
In the moonlight, this night.
My sweetheart, my darling,
Remember me…

David Bowie | Absolute Beginners

I’ve nothing much to offer
There’s nothing much to take
I’m an absolute beginner
But I’m absolutely sane
As long as we’re together
The rest can go to hell
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true

Nothing much could happen
Nothing we can’t shake
Oh, we’re absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you’re still smiling
There’s nothing more I need
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
But if my love is your love
We’re certain to succeed

If our love song
Could fly over mountains
Sail over heartaches
Just like the films
If there’s reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true

Dia Mundial do Gato, Neco da minha rua | Inês Salvador

ines-200Na minha rua mora o Neco. O Neco é um gato. O Neco tem um dono, que é o dono do Neco e esta história começa todos os dias ao fim da tarde quando o dono do Neco vai passear o Neco à rua. O Neco passeia de trela pela rua como passeiam os cães. Não, não é assim que começa esta história, isso era dantes. Recomecemos a história. Os cães agora é que passeiam de trela pela rua como passeia o Neco. Assim pensa o Neco, todos os cães são gatos como ele e ele é o gato mais importante de todos. O Neco é o centro do mundo em desfile triunfante. Suave e firme, ondulante e negro, segura-nos com as esmeraldas que carrega nos olhos. Jaguar ou pantera, todo o mundo é dele. Primeiro os cães, e eles que se aproximem e que o adorem, para deles se afastar e ficar sozinho mais à frente. O Neco, que sabe tudo, deste e doutros mundos, sabe que ser o mais importante de todos é um lugar solitário e que da solidão dessa importância não pode vacilar. Segue-o o dono, na mera função de segurar a trela que o liga ao mundo. A trela é aparente. Um engodo que ilude todos, porque o Neco faz o que quer. Conhece-nos a todos, sabe quem somos e onde moramos, que lugar ocupamos na rua dele. E então espera-nos, escorrega-nos pelas pernas, depois pelas mãos, a salvar-nos do impulso de o querermos para sempre. Atiça-nos as esmeraldas com a promessa de voltar, se ele quiser, quando ele quiser. É ele que manda. Tem as verduras da frutaria para ver, e isso agora interessa-o mais. Vai cheirá-las a todas, indagar-lhes a forma, perscrutar as que estão debaixo, o que estiver escondido vai ser revelado. Tem uma rua para redescobrir todos os dias como se fosse a primeira vez. No cabeleireiro já o esperam, sabe-se desejado. O Neco é um sedutor, sabe tudo das pequenas grandes coisas das mulheres. Acaricia-lhes os pés, as mãos, conhece-lhes o verniz e a laca, certifica o champô e o penteado que se desenha no espelho. O Neco, se não fosse o gato mais importante do mundo, teria um cabeleireiro só para estar entre as mulheres, matreiro, de soslaio estudado, a todas garante serem as mais belas. Ser desejado é a sua profissão e na escola de condução também há expediente. O Neco, que sabe todos os códigos, talvez queira tirar a carta. De carro já anda, livre e solto, contra as normas, faz do dono motorista. De pêlo de veludo negro brilhante como seda, apresenta-se junto ao carro que sabe que é o seu. Aguarda a abertura da porta e entra para ficar à janela. O Neco gosta de passear de carro como um rei gosta de ver o seu reino. Atento e majestoso, vê para ser visto. É natural que todos o olhem, é a obrigação deles e, mesmo que não fosse, não poderiam resistir-lhe. É assim que arrasta o dono para a esquina onde se põem os dois num longo cigarro de fumaça contemplativa de quem passa, de tudo o que passa e se passa. O Neco já sabia tudo, está só a mostrar ao dono o tal segredo que é só deles. Se o mundo acabar é daquela esquina que o Neco vai ver. E depois do mundo acabar é naquela esquina que o Neco e o dono vão estar. Na esquina indestrutível do mistério que os une. Ali, indestrutíveis um do outro. E quando perguntamos ao dono como é aquilo possível, ouvimos-lhe na voz o Neco, suave e firme, ondulante de veludo e seda, e é “com todo o tempo do mundo” que nos responde. Todo o tempo do mundo é o tempo do amor, do sonho do amor, do amor de sonho. Do amor que fez do Neco o rei da nossa rua e guardião dos nossos sonhos.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Rolling Stones | Angie

Angie, Angie
When will those clouds all disappear?
Angie, Angie
Where will it lead us from here?
With no lovin’ in our souls and no money in our coats
You can’t say we’re satisfied
But Angie, Angie
You can’t say we never tried

Angie, you’re beautiful
But I hate that sadness in your eyes
Angie, I still love you baby
Remember all those nights we cried
All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear
Angie, Angie
Where will it lead us from here? Yeah

All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Hate that sadness in your eyes
But Angie, I still love you baby
Everywhere I look I see your eyes
There ain’t a woman that comes close to you
Come on baby dry your eyes
But Angie, Angie
Ain’t it good to be alive
Angie, Angie, you can’t say we never tried.