Carta aberta a Nuno Crato pede para revogar Acordo Ortográfico por Rita Pimenta in Jornal Público

Documento subscrito por mais de 200 pessoas contesta “nova ortografia” e revela disparidades na aplicação do acordo.

É uma carta aberta e é um estudo comparativo sobre as disparidades na aplicação do Acordo Ortográfico. O documento já chegou ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato. O objectivo é revogar o acordo.

Depois de o Governo brasileiro ter adiado por três anos a obrigatoriedade de aplicação do Acordo Ortográfico (AO) – para 1 de Janeiro de 2016 –, um grupo de cidadãos portugueses enviou uma carta aberta ao ministro da Educação e Ciência com “um estudo comparativo das incongruências ortográficas existentes entre o texto do AO90 e vários vocabulários e dicionários”.

Ler mais aqui: http://www.publico.pt/cultura/noticia/carta-aberta-a-nuno-crato-pede-para-revogar-acordo-ortografico-1580172

A Desilusão de Judas

Não conhecemos outro romance publicado nos anos mais recentes que descreva ficcionalmente de um modo tão perfeito a radicalidade e banalidade do mal como A Desilusão de Judas, primeiro livro de António Ganhão.”
Miguel Real, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Janeiro de 2012

Downton Abbey Power Rankings

bluestockings magazine's avatarBluestockings Magazine

As the new Mad Men season aired last spring, Grantland writer Mark Lisanti wrote “Power Rankings” for each weekly episode, ranking the top ten most powerful characters that really held their own, characters that had the nerve do something bold and unprecedented. I set out to do the same with America’s new favorite period piece television obsession Downton Abbey, a Masterpiece Theater series created by Julian Fellowes. The series depicts the lives of the British aristocratic Crawley family and their servants at their country estate, Downton Abbey. Seasons one and two are set between April 1912 and December 1919, during which great world events shape the lives of the people at Downton and the British social hierarchy in general. These events include the sinking of the Titanic, WWI and the Spanish influenza epidemic.

The series begins with Lord Robert Crawley, head of the Downton estate, receiving news of the…

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O Estado | Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

Difícil é mudar o Estado.
A cultura do Estado.
A eficiência do Estado.
O mérito do Estado.
Até porque o Estado está capturado não só por grupos de interesses empresariais, mas também por um grupo que não mudou nada, rigorosamente nada durante a austeridade: os partidos políticos.
Antes e depois da troika, os partidos da governação são mesas redondas de distribuição de poder e de dinheiro.
E não vão abdicar da inércia que perpetua essa distribuição.

09 Jan, 2013 Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

Miguel Real

Miguel Real

Miguel Real

Sintrense, Miguel Real, professor do ensino secundário e investigador no CLEPUL – Centro de Literatura de Expressão Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa, publicou os romances A Voz da Terra (2005), O Último Negreiro (2006), O Último Minuto na Vida de S. (2007), O Sal da Terra (2008), A Ministra (2009) e Memórias Secretas da Rainha D. Amélia (D. Quixote), e os ensaios O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (2005), O Último Eça(2006), Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa(2007), Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa(2008) e Padre António Vieira e a Cultura Portuguesa(2008) na editora Quidinovi, bem como os ensaios A Morte de Portugal (2007, Campo das Letras), Matias Aires. As Máscaras da Vaidade (2008, Setecaminhos) e José Enes, Filosofia, Açores e Poesia (2009). Publicou também, em 2003, o romance Memórias de Branca Dias, sobre a primeira mulher a praticar cultos judaicos no Brasil, a primeira “mestra de meninas” (professora) e a primeira senhora de engenho do Pernambuco (Temas e Debates), levada à cena pelo Cendrev, de Évora, em 2008, com representação de Rosário Gonzaga e encenação de Filomena Oliveira.

No teatro, sempre em co-autoria com Filomena Oliveira, para além da dramaturgia deMemorial do Convento, de Saramago, encenado por Joaquim Benite, e de nova dramaturgia para cinco actores, em cena no Convento de Mafra, escreveu as peças Os Patriotas, sobre a Geração de 70 (Europress), O Umbigo de Régio e Liberdade, Liberdade, esta última sobre os presos políticos durante o regime do Estado Novo, e 1755 O Grande Terramoto (Europress), levado à cena no Teatro da Trindade, Lisboa, entre Abril e Julho de 2006. A peça, Vieira – O Céu na Terra, representada nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, no Verão de 2008, teve encenação de Filomena Oliveira e produção do Teatro Nacional D. Maria II.
Recebeu os Prémios Revelação Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio de romance Ler/Círculo de Leitores, o Prémio de Romance Fernando Namora, o Prémio Jacinto do Prado Coelho e, com Filomena Oliveira, o Grande Prémio de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores 2008 com a peça Uma Família Portuguesa, representada no teatro Aberto, em Lisboa, em 2010, com encenação de Cristina Carvalhal.

No Fly Zone. Unlimited Mileage | Cristina Guerra Contemporary Art

BerardoQuarta-feira, 30 de Janeiro de 2013

Museu Coleção Berardo | Belém | Lisboa

O Museu Coleção Berardo apresenta a exposição No Fly Zone dedicada a um conjunto de artistas da nova cena angolana. Ela é não só sinal de uma nova vida que Angola experimenta depois da descolonização e da guerra, como define um posicionamento num quadro problematizador sobre as heranças culturais e a sua redefinição, as migrações dos conflitos e o seu feedback, o lugar do artista e da sua produção num mundo que continuamente extravasa os limites do seu conhecimento e reconhecimento e se experimenta, agora por estes novos protagonistas.
Este aspeto é tanto mais pertinente quanto o presente histórico que vivemos assiste a uma profunda e radical alteração das coordenadas tradicionais dos lugares recorrentes da atenção prestada à produção artística.

Pedro Lapa
Diretor Artístico

No Fly Zone. Unlimited Mileage é um projeto concebido e desenhado por Fernando Alvim, Simon Njami e Suzana Sousa. Com os artistas Binelde Hyrcan, Edson Chagas, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Paulo Kapela, Yonamine.

Mesa-redonda com Fernando Alvim, Simon Njami, Suzana Sousa e Pedro Lapa
01.02.2013, 18h00, auditório (piso -1)
Entrada gratuita sujeita ao número de lugares disponíveis.
Sem marcação prévia.

FILOSOFIA POLÍTICA – Multiplicam-se as tomadas de posição contra o plano arrasador do FMI

Para António Arnaut as propostas do FMI são “uma subversão do regime democrático e constitucional”. O secretário-geral da CGTP afirma que o plano “confirma o falhanço absoluto das políticas de implementação do memorando da troika”. Também já criticaram o plano a Fenprof, a ordem dos médicos e o sindicato independente, a associação de oficiais das forças armadas, a associação sindical da polícia, a UGT, o movimento de utentes da saúde, PS, PCP, PEV e Bloco.
ARTIGO | 9 JANEIRO, 2013 – 16:05

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/multiplicam-se-tomadas-de-posi%C3%A7%C3%A3o-contra-o-plano-arrasador-do-fmi/26218

Basta

SPA recusa acordo devido às posições do Brasil e Angola

Leonel Vicente's avatarMemória Virtual

De acordo com um comunicado do Conselho de Administração da SPA, a entidade afirma que vai “continuar a utilizar a norma ortográfica antiga nos documentos e comunicação escrita com o exterior”.

A entidade sustenta que “este assunto não foi convenientemente resolvido e encontra-se longe de estar esclarecido, sobretudo depois do Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico, e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor” das novas regras. […]

Perante estas posições daqueles países, a SPA considera que “não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica, quando o Brasil, o maior país do espaço lusófono, e Angola, tomaram posições em diferente sentido”.

(Diário de Notícias)

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A noite das mulheres cantoras, de Lídia Jorge

Este livro começa com uma noite mágica, um reencontro de mulheres que atuaram num grupo musical dos anos 80, as mulheres cantoras. Nessa noite mágica, surge o momento perfeit
o com o voo de João Lucena em direção a Solange, “lembras-te de mim?”. O livro nasce aqui. Toda a narrativa serve este único propósito, o de explicar a magia desse encontro, todas as emoções, o segredo que começa por se insinuar e termina em traição, a descoberta do amor. O império minuto.

Em cada um de nós existe uma noite especial que não faz parte do dia, que nasce da evocação da nossa vida. É aí que vamos buscar todo o seu sentido, tal como sair dos sonhos significa encontrar tudo no seu lugar.

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Felicidario

Mark's avatarsurface & surface

Felicidario - surface and surfaceFelicidário is a collaboration between a group of creatives who’s mission is to complete 365 illustrations of what the definition of happiness may be for everyone as they move into the latter years of their lives. The illustrations are by Afonso Cruz, André Letria and Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque and Yara Kono.

www.felicidario.encontrarse.pt

via swiss miss

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APRENDE QUE NÃO HÁ DISTÂNCIA PARA A AMIZADE

brumasdesintra - Maria Elvira Bento's avatarbrumasdesintra

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Depois de algum tempo aprende a diferença (a subtil diferença), entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar as suas derrotas com a cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio. Depois de algum tempo aprende que o Sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam! E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e…

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Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000: Que farei com esta liberdade? | Ana Luísa Simões Gamboa em São Petersburgo

Semáforo, início do anos 90, óleo sobre tela, Aleksandre Petrov

Semáforo, início do anos 90, óleo sobre tela, Aleksandre Petrov

Quem visitou São Petersburgo talvez se recorde de ter visto, no Museu Russo – que alberga uma das maiores e mais imponentes colecções de arte russa do mundo – o quadro de Karl Briullov (1799-1852), um dos mais reconhecidos artistas do seu tempo, “A morte de Inês de Castro” (1834). Este encontro inesperado com uma página da história portuguesa na capital cultural da Rússia não deixa certamente de emocionar. Também o registou Fernando Namora, em “Os adoradores do sol” (1971), crónica de viagens à Escandinávia e a São Petersburgo, então Leninegrado. Na mesma obra, escreveu, também “O sol, como a saúde, como a liberdade, só se dá por ele se é escasso. Ou se o perdemos”.
Vêm estas palavras à memória, transmutadas em perguntas, a propósito da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, inaugurada no mesmo Museu Russo em Dezembro de 2012. Que acontece quando se reencontra a liberdade? Ou se adquire uma liberdade que nunca se teve antes?

Retrato de um tempo enquanto meio do artista que o retrata

1985-2000: estes foram os anos das reformas globais do sistema socialista soviético, a “Perestroika”, anos de revoluções profundas e sucessivas em todas as esferas da vida de um país que acabaria por deixar de existir e da dos países que lhe sobreviveram. Recordemos algumas datas fundamentais: em 1985-1990 dá-se o início da liberalização política; surge a imprensa independente, são legalizadas fontes de informação ocidentais, é publicada literatura antes silenciada; fazem-se as primeiras tentativas de reforma da economia planificada; 1989 é o ano da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria; desenrola-se o processo de desintegração da União Soviética, cuja existência cessa oficialmente em 1991, processo que envolveu confrontos com intervenção de forças militares nas ex-repúblicas; entretanto, intensifica-se a crise económica, verifica-se um défice total de produtos de primeira necessidade; em 1992 são levadas a cabo reformas económicas “de choque” de transição para a economia de mercado; a inflação sobe em flecha; em 1993 dá-se uma crise constitucional acompanhada por um conflito armado em Moscovo; em 1994 ocorrem actos terroristas em Moscovo e outra cidades russas, e também no Cáucaso; em 1998 dá-se uma profunda crise económica, com a desvalorização abrupta do rublo e a derrocada do sistema bancário; inúmeros cidadãos perdem as suas poupanças.
Escusado será dizê-lo, foram anos em que o Museu Russo não dispunha de meios para adquirir obras para o seu espólio. Mas foram os anos em que muitas obras que se encontravam nos depósitos foram expostas, de novo ou pela primeira vez. Entre outras, realizam-se no Museu Russo, nos finais dos anos 80, as exposições de Pavel Filonov (1883-1941), Vassili Kandinsky (1866-1944) e “Arte dos anos 1920-1930”, em 1996 a retrospectiva de Vladimir Tatlin (1885-1953) e em 1997-1998 a exposição “Mosteiros Russos: Arte e Tradição”. No vizinho Museu Ermitage, em 1988, acontece a exposição de arte ocidental do século XX “Época de descobertas”. Em 1989, no Parque de Exposições Lenexpo, também em Leninegrado, tem lugar a exposição “Da arte não-oficial à perestroika: 40 anos de underground em Leninegrado”.
Como escreveu Mark Petrov, num dos artigos incluídos no catálogo da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, assistiu-se naquele período ao “enfraquecimento abrupto das funções censório-repressivas dos institutos estatais, chamados a zelar pela cultura na sociedade do socialismo triunfante. (…) A ideologia enquanto sistema de medidas proibitivas deixa de ser factor determinante na organização da vida artística ainda antes da mudança de regime, e depois, durante os anos 90, deixa completamente de existir”.
Por escolha consciente, os mais de 200 artistas representados na presente exposição são artistas que não emigraram até 1985 ou que viviam na Rússia pré- ou pós-soviética na altura em que criaram as obras expostas. O olhar dos artistas que emigraram foi necessariamente influenciado pelas novas circunstâncias em que se encontraram, e talvez pelas expectativas da cultura com que se depararam; por exemplo, verifica-se que a desconstrução e desvalorização do sistema de símbolos soviéticos, quando patente, tem contornos mais suaves nas obras dos artistas que ficaram. Pretendeu-se que a exposição fosse sobretudo reflexo de uma vivência na Rússia em 1985-2000, mostrando os caminhos que foram trilhados como resposta à pergunta que se colocava, também, no plano artístico: que fazer com a nova liberdade?

Pintar a realidade, sem barreiras

E o que é isso de “liberdade”? Um “contra tudo e contra todos” por definição, uma liberdade egoísta e hedonista, ou responsável e com valores? E que valores, agora que “nada é proibido”? Que fazer, quando todos os caminhos, na arte como na vida, são uma possibilidade e não há regras, barreiras ou indicações, como simboliza o “Semáforo”, tela do início da década de 90, de Aleksandre Petrov (n. 1947), com as luzes vermelha, amarela e verde acesas em simultâneo?
Há ainda hábitos de receio: na tela “Autoretrato (com censura interior)” (1988), de Valeri Lukka (n. 1945), há um rosto sem feições definidas e um corpo como uma massa que se desprende, viscosamente, da massa envolvente.
Há o desejo de ironizar com os símbolos do passado soviético – a desconstrução semiótica de um sistema é uma constante da revolução que leva à mudança desse sistema. Na escultura “Lira russa” (1985), de Aleksandre Sokolov (1941-2009), a foice e o martelo transformam-se numa lira, rudimentar e tosca, mas que é, ao mesmo tempo, uma evocação do “Contra-relevo de canto” (1915) de Tatlin – símbolo da arte de vanguarda russa do princípio do século XX que foi inicialmente associada ao regime saído do Golpe Bolchevique de 1917, mas que passaria a ser, a partir dos finais dos anos vinte, arte “non grata”; na tela “Em Pereiaslavle” (1987), de Ekaterina Grigorieva (1928-2010), mulheres conversam numa praça da cidade de Pereiaslavle, levantando um braço num gesto que repete o braço estendido de Lenine na estátua no meio da praça; na paisagem fabril da tela “Levam-no” (1997-1998), de Iuri Chichkov (n. 1940), cinco homems levam em ombros uma estátua de Lenine, o mesmo braço estendido, num cortejo fúnebre, encabeçado por dois músicos de jazz; na tela “Ameixas em calda” (1988), de Oleg Zaika (n. 1963), uma lata de ameixas em calda é elevada à categoria de ícone “Soc-art” (“arte socialista”): trata-se de uma lata “artesanal” e imperfeita, em vez dos contornos bem definidos das latas de sopa Campbell’s de Andy Warhol.
Há o empenho em registar e narrar a realidade: telas realistas e hiper-realistas que não cantam a beleza idealizada do trabalho e das gentes, mas constatam a fealdade do quotidiano, como o bêbado em “Levanta-te, Ivan!” (1997), de Hélio Korjev (1925-2012), as filas intermináveis em “Fila” (1989), de Aleksei Sundukov (n. 1952) ou o desencanto no rosto dos mais velhos em “Velhice feliz” (1988), de Tatiana Nazarenko (n. 1944); que não descrevem celebrações populares solenes, mas momentos de descanso na relva, com vodca e pão com chouriço, sem pompa nem glória, como a tela “Na relva” (1983-85), de Fiodor Kunitzin (n. 1951); que não mostram as virtudes da vida no campo, mas desalento, como em “Jantar na aldeia” (1987-88), de Vladimir Cherbakov (1935-2008) – mãe e filho, pão e um ovo sobre a mesa, cansaço nos olhos da mãe, que deita leite numa chávena, mudez nos olhos do filho, que tudo vê.

Memórias, destroços, metáforas

A realidade rima com desencanto e inquietação: a escultura “Rapto” (1987), de Vladimir Soskiev (n. 1941); a tela de Igor Orlov (n. 1935), “Pressentimento” (1988), uma paisagem, à primeira vista, clássica e harmoniosa, com montes, árvores e casas, uma luz de fim de tarde, mas em que a harmonia logo se quebra, pois que as casas afinal resvalam para um abismo; “À procura de Ícaro” (1990), escultura de Pavel Chimes (n. 1930), em que Ícaro, de asas abertas, jaz, caído, e em cima dele a multidão amontoa-se, olhando para o longe à procura de um sinal, rostos que parecem murmurar “E agora?”; a escultura “Estrela caída” (1991), de Vassili Pavlovski (1932-2009).
Na tela “Recordação do futuro” (1989), de Mark Petrov (1933-2004), encontramos a saudade de ideais por cumprir, expressa nos rostos cinzentos-azulados que se recortam num fundo de referências a heróis de várias épocas, um rosto que olha para o momento presente, outro para o passado, outro para o futuro. Será também esta saudade, com ironia desencantada, que exprime Konstantin Persidski (1954-2008) na tela “O bolo” (1999-2000): a Rússia, simbolizada pela Praça Vermelha em Moscovo, é um enorme bolo coberto de velas, em cima de uma mesa à volta da qual, de pé, em vestes cinzentas e de rostos cinzentos, avidamente uns, tristemente outros, esperam, silenciosamente, a sua fatia, os “proletários e camponeses”, as longas mãos esguias e vazias. Velas que assinalam mais um aniversário do Golpe de Outubro de 1917, ou da mais recente revolução, a “Perestroika”; fatia que, claramente, não lhes chegará ao prato, como realça o contraste da cor – o bolo, cor desmaiada de tijolo, e a envolvente cinzenta da mesa e dos pratos vazios, dos corpos e das faces, do fundo azul de chumbo.
Há toda uma atmosfera de desesperança e abandono: na paisagem cinzenta e branca de neve, cães e corvos na tela “No boulevard” (1983-88), de Nikolai Andronov (1929-1998); nas manchas cinzentas do céu e das asas das aves na tela “O lento voo dos corvos” (1988), de Irina Starzhenetskaya (n. 1943); na tela de Vladimir Chinkarev (n. 1954) “No hospital Skvortzov-Stepanov” (1990), em que a enfermaria de um hospital se transforma em paisagem, também ela cinzenta, onde as paredes e o tecto são como o rio e o céu que prolongam o espaço das camas, a cidade é assim uma enorme enfermaria, um espaço colectivo de sofrimento; na tela “Chá” (1997), de Ludmila Markelova (n. 1959), onde muitas mãos se estendem para um único prato e para um único bule minúsculo, numa mesa em tons vermelhos escuros de amora e malva, visível um único rosto, cor de mostarda; na tela “Outono” (2000), de Serguei Kitchko (n. 1946), onde há maçãs e folhas caídas e caindo nas ervas e em cima de uma velha mesa e duas cadeiras de madeira, chagas abertas na tinta azul, um jarro de água esquecido sobre a mesa.
Há também a solidão: nas telas “Metro” (1986-88), de Gueorgui Koventchuk (n. 1933), em que o túnel das escadas rolantes ressoa em ondas de amarelos e vermelhos, como gritos de Edvard Munch, ou “Era uma vez Zinaida, a bela” (1992), de Vladimir Iachke (n.1948), um retrato de mulher que é uma síntese de Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.
Há o preservar da memória pessoal e íntima – por oposição à memória colectiva – no espaço e nos objectos, como na “Fotografia de recordação” (1984-85), de Erik Bulatov (n. 1933), uma paisagem bucólica em que, recortados como sombras chinesas, mas a vermelho – para que a recordação seja mais vívida? – estão quatro amigos, sentados num banco, talvez para sempre fisicamente longe da paisagem que conserva a memória deles, ou na escultura em ferro fundido e bronze “A sombra da minha Avó” (1999), de Marina Spivak (n. 1955), em que os contornos, como um espectro, de uma figura de mulher, sentada a uma máquina de costura Singer, tão metálicos como a própria máquina, fazem já parte dela.
Há a memória da repressão, traduzida em metáforas na tela “Sombra mortal” (1992), de Boris Sveshnikov (1927-1998), herdeira da arte analítica de Filonov, um mosaico em tons de azul e verde, que é feito, afinal, de caveiras; nesse mosaico há também dois rostos, um deles o rosto da morte, o galo, símbolo da traição, e a dança da morte, no horizonte, como nas cenas finais do filme “O sétimo selo” de Bergman.
Há o sentimento de mudança de uma era: na tela “Movimento dos gelos” (1987), de Victor Ivanov (n. 1924), em que a estética do “estilo austero”, renovação dentro do realismo socialista nos anos 60, faz parte da metáfora, pois veste aqui uma temática não correspondente e cheia de densidade psicológica, há um grupo de homens e mulheres, uma delas com uma criança ao colo, expressivas silhuetas gráficas recortadas na paisagem azul, que observam, imóveis e solenes, a passagem das massas de gelo flutuando no rio depois do inverno.
Há o sentimento de que é preciso começar tudo de novo, e não se sabe como: na tela de Helena Figurina (n. 1955), “Brincadeira na areia” (1988), com referências às telas de Henri Matisse “A dança” e “A música” (a propósito, ambas no Museu Ermitage) mas em amarelos e laranjas, cinco homens-embriões tentam, sem instruções e sem roteiro, (re)construir a realidade a partir da areia, matéria limitada e que se lhes escapa por entre os dedos.

Renascimento

Mas há também esperança no meio dos destroços: na tela “Rapazinho colhendo ameixas” (1999), de Larissa Naumova (n. 1945), um rapazinho, banhado pelo sol da manhã, procura ameixas no meio de um amontoado de troncos de bétula caídos, um bosque branco destroçado em que as ameixas são o único toque de cor, embora triste, e olha para nós, como que surpreendido pela nossa presença, talvez com um pedido mudo de auxílio.
Há curiosidade e amor pela vida: na escultura “É só o começo…” (1989), de Adelaida Pologova (1923-2008), em que uma mulher, engelhada pela idade, tenta caminhar, podem ler-se, na base, os versos finais do poema de Paul Claudel “A resposta do sábio Hsien Yuan”: “Porque é que dizemos que é o fim de tudo, quando, na verdade, é só o começo”.
Há, enfim, renascimento espiritual e religioso, depois do colapso do sistema que, propondo-se moldar o homem novo e livre, perseguiu o Cristianismo, demoliu igrejas e catedrais, arrasou cemitérios. Uma metáfora para este renascimento é a tela de Ivan Uralov (n. 1948), “O anjo da nossa aldeia (Achado)” (1998), harmoniosa como um fresco muito antigo, acentuando a ligação com o passado, onde duas mulheres, perto de um rio, se debruçam sobre a figura de um anjo, que jaz como que numa sepultura – o anjo reencontrado da igreja da aldeia (cada igreja tem um anjo, e o anjo continua nesse lugar, mesmo se a igreja tiver sido destruída).
Alguns artistas escolhem a Paixão de Cristo como tema das suas obras: as telas “Levando a Cruz” (1996), de Serguei Repin (n. 1948), “Crucificação” (1994), de Natália Nesterova (n. 1944) e “Gólgota” (1988), de Evcei Moiceenko (1916-1988).
Também profundamente simbólica é a tela “Ícone novo” (1990), de Ivan Lubennikov (n. 1951). Representa um ícone cujos traços são quase indefinidos, como que apagados, destruídos pelo tempo e pelo abandono. Mas sobre essa forma esfumada aparece claramente recortada uma cruz branca, e ainda outra cruz preta, mais pequena, e outra, e outra, cruzes essas que são, ao mesmo tempo, atributos das vestes dos santos em alguns ícones da Rússia Antiga e referências inequívocas ao suprematismo de Casimir Malevitch. “Ícone Novo” aparece assim como uma metáfora para a regeneração da fé Cristã: a religião renegada renasce, emergindo mesmo através das formas da arte que foi um dia símbolo do sistema que a renegou.

Extremos que se tocam

Em 1985-2000, há também artistas que aparecem como herdeiros do abstraccionismo russo e soviético das três primeiras décadas do século XX. A vanguarda de ontem tansforma-se assim em tradição interrompida, à qual se retorna para celebrar e expressar uma outra realidade nova. Encontramos, por exemplo, referências ao abstraccionismo expressivo de Kandinsky, na “Composição Nº3” (1990), de Leonid Tkatchenko (n. 1927) e ao construtivismo de Tatlin, no tríptico “Contra-relevo-estéreo” (1993), de Viacheslav Koleitchuk (n. 1941), em que o painel central, “Contra-relevo-estéreo em estilo arcaico”, é uma reinvenção do motivo da cruz.
Salientam-se ainda a renda geométrica dos barcos inquietos na paisagem metafísica verde de Mikhail Shvartzman (1926-1997), na tela “Perturbação” (1985), a perspectiva e a luz pastel da cidade abstracta de Valentin Levitin (n. 1931), evocando os pátios sempre presentes de São Petersburgo, na “Composição” (1990-92), a luz e as sombras nas texturas simultaneamente diáfanas e telúricas na tela “Obra apócrifa” (1999-2000), de Vladimir Dukhovlinov (n. 1950) e a arquitectura do edifício formado pela memória dos textos sucessivamente raspados e reescritos no “Palimpsesto (Deslocamento da haste)” (2000) de Serguei Sergueiev (n. 1953), tela que é mais uma metáfora para o desaparecimento de uma era e o aparecimento de outra.

Uma tradução é sempre uma interpretação, e o descodificar dos vários conteúdos apresentados na exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000” aqui proposto propõe-se ser ponto de partida para a leitura em contexto da mesma exposição. E, porque os extremos se tocam, nas espirais do tempo e das formas, poderá ser ainda ponto de partida para outras reflexões, dramaticamente relevantes no momento presente. “Durante a vida, fui vendo cair o que, em jovem, parecia estar de pedra e cal. Ou me diziam que estava firme como o aço”, diz um dos heróis do romance “A falha” (1999), de Luís Carmelo. Que fizemos com a nossa liberdade? Que fazemos com a nossa liberdade?

Ana Luísa Simões Gamboa, em São Petersburgo

O dever supremo de qualquer escritor | Pedro Guilherme-Moreira in “Facebook”

O dever supremo de qualquer escritor – de qualquer pessoa – é trabalhar para perceber com a maior clareza possível a sua mediocridade, e só perante um slêncio lúcido, mais ou menos prolongado, recomeçar. E há-de, mesmo que em glória aparente – sempre passageira – voltar a calar-se e a ler e a aprender e a trabalhar com muito afinco, novamente na percepção da sua mediocridade, e a mediocridade é tão móvel como a excelência, e nada tem de casual, como a excelência. E só quando lhe for claro que não faz nada de absoluto poderá fechar a primeira linha. E então sentirá que está esfomeado e juntar-se-á à – rara – alcateia de esfomeados que perora no monte, os que não clamam nada para si além da sobrevivência, tendo presente que não é próprio do lobo comer outros lobos para a alcançar. O escritor deve ser a fera pura, as balas hão-de ser balas, o jogo limpo. Caça-se a matéria do conhecimento, novo ou velho, não a mancha do par. Chegou a hora de nos erguermos acima da merda necessária. Desta mediocridade. Porque até para matar a fome é preciso lucidez.

Portal Casa Comum | Fundação Mário Soares

Editorial
2 de Janeiro de 2013
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Estamos hoje a iniciar uma nova etapa do projeto construído, desde 1996, no âmbito do Arquivo Mário Soares, a que muitos outros fundos documentais se juntaram entretanto.
Concebido como um projeto de salvaguarda, tratamento e disponibilização pública de documentação histórica relevante, desde o início que a vertente digital foi um elemento fulcral deste projecto – basta atentar em que, logo em 1997, foram colocados acessíveis na internet numerosos documentos e, desde aí, não cessou de crescer essa componente de serviço público.
Hoje, volvidos cerca de 16 anos, chegou o momento de abrir na internet uma nova plataforma, que congrega fundos documentais de diferentes instituições e países e permite o seu cruzamento, abrindo acrescidas oportunidades ao público em geral e aos investigadores.
Trata-se de uma plataforma em língua portuguesa, especialmente vocacionada para servir instituições dos países da CPLP e que, estamos em crer, pode abrir novas e profícuas perspetivas de desenvolvimento dos trabalhos de preservação da Memória Histórica nos nossos países, solidificando as ações de cooperação entretanto desenvolvidas.
No próximo dia 11 de Janeiro de 2013, será formalmente apresentado o portal casacomum.org, dando assim a conhecer as suas potencialidades e as realidades já inscritas nesta nova plataforma eletrónica.

FONTE: http://www.casacomum.org/cc/

Mia Couto in “Antes de Nascer o Mundo”

Mia Couto

Mia Couto

‎- Pai, a mãe morreu?
– Quatrocentas vezes.
– Como?
– Já vos disse quatrocentas vezes: a vossa mãe morreu, morreu toda, faz de conta que nunca esteve viva.
– E está enterrada onde?
– Ora, está enterrada em toda parte.

MIA COUTO, in “Antes de Nascer o Mundo” (ou Jesusalém).

Prémio Literário Casino da Póvoa divulga finalistas

Já são conhecidos os oito finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, atribuído no âmbito da 14ª edição do Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que irá realizar-se entre 21 e 23 de fevereiro de 2013.
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São os seguintes:
A Terceira Miséria, Hélia Correia, Relógio D’ Água
As Raízes Diferentes, Fernando Guimarães, Relógio d’Água
Caminharei Pelo Vale da Sombra, José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim
Como se desenha uma casa, Manuel António Pina, Assírio & Alvim
De Amore, Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim
Em Alguma Parte Alguma, Ferreira Gullar, Ulisseia
Lendas da Índia, Luís Filipe Castro Mendes, Dom Quixote
Negócios em Ítaca, Bernardo Pinto de Almeida, Relógio D’Água

HELMUT NEWTON

De nacionalidade australiana, Helmut Newton nasceu em Berlim no dia 31 de outubro de 1920.
Depois de participar, durante a segunda grande guerra, do exército australiano, em 1957 transferiu-se para Paris onde iniciou, profissionalmente, a atividade de fotógrafo.
Fotógrafo de moda e de nus femininos, colaborou com as mais importantes revistas de moda, entre as quais “VOGUE”, “ELLE”, “QUEEN”, “STERN”, “PLAYBOY”. A partir de 1981 passou a residir em Montecarlo.
Devemos reconhecer em Newton o maestro incontestável do “beauty” e de um erotismo personalíssimo. Ele mesmo diz: “Eu sou superficial, as minhas imagens não são profundas, não sou um fotógrafo engajado, amo tudo que é artificial, belo, divertido. O bom gosto é a anti-moda, a anti-foto, a anti-mulher, o anti-erotismo! A vulgaridade é vida, diversão, desejo de reações extremas.”
O ambiente dominante nas suas fotos são as praias da moda, os halls ou quartos de grandes hotéis. O seu erotismo é a exaltação da superficialidade, levada a extremas consequências, mas mesmo assim de grande efeito plástico.
Suas modelos são exatamente o oposto das de Hamilton,delicadas e frágeis,enquanto as de Newton são frias, austeras e inquietantes.
Um grande, um único, com certeza, da fotografia erótica.
Entre as obras publicadas lembramos, “White Woman”, “Sleepless Nights”e “Big Nudes”.
Morre em Los Angeles, em um incidente estradal, no dia 23 de Janeiro de 2004.

Helmut Newton

Helmut Newton

David Bowie o Camaleão completa hoje 65 anos | in “Facebook”

Falar de David Bowie é falar de um génio, e deveria ser quase como falar de um Deus.
De facto , música de Bowie deve, sem dúvida , ser considerada genial , dado a sua incontornável contribuição artística e inovadora, produzida única e exclusivamente pela sua mente brilhante e criativa.
A extinta revista britânica Melody Maker, nomeou ” Ziggy Stardust “, como o melhor disco dos anos 70, e ele com certeza figura na maior parte das listas dos melhores álbuns da história.
Toda a lenda criada em torno de “Ziggy Stardust” é justa.
Neste álbum , Bowie utilizou toda a sua apurada imaginação e senso estético para criar o personagem do rock star alienígena , que vinha do espaço para salvar a Terra.
O disco reúne algumas das composições mais famosas de Bowie como “Starman”, Sufragette City” e a homônima “Ziggy Stardust”, e se tornou um verdadeiro marco do chamado glam rock. Pouco tempo depois, Bowie assassinaria seu personagem em pleno palco. Era o fim de uma verdadeira febre que tomou de assalto a Inglaterra e, posteriormente, o mundo.
Enganou-se quem profetizou que a morte de “Ziggy Stardust” era o fim de Bowie.
O camaleão estava vivo , e ainda tinha muito para dar à musica no futuro …

David Bowie , fotografado por Helmut Newton.

David Bowie , fotografado por Helmut Newton.

Guterres na Gulbenkian in “Sol”

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados António Guterres e o constitucionalista e professor catedrático jubilado Gomes Canotilho são desde hoje administradores da Fundação Gulbenkian.
Os dois novos membros não executivos substituem no cargo Eduardo Lourenço e André Gonçalves Pereira que atingiram o limite dos seus mandatos em Setembro passado.

Segundo a nota oficial da Gulbenkian, o ex-primeiro ministro António Guterres não receberá qualquer remuneração pelo o cargo, que só aceitou depois de expressamente autorizado pelo Secretário-geral das Nações Unidas.

O Conselho de Administração da Gulbenkian é presidido por Artur Santos Silva e integra os administradores executivos Diogo de Lucena, Isabel Mota, Eduardo Marçal Grilo, Teresa Gouveia e Martin Essayan. O outro membro não executivo é o antigo presidente da Fundação Rui Vilar.

joana.f.costa@sol.pt

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A 2013 Reading Challenge | Austenprose’s Pride and Prejudice Bicentenary Challenge

Kimberly (Reflections of a Book Addict)'s avatarReflections of a Book Addict

pride-prejudice-bicentenary-challenge-2013-x-200So if you didn’t know already, Jane Austen is my favorite author. In fact my top two favorite books of all time (Pride and Prejudice and Persuasion) were both written by her.  The year 2013 marks the 200th anniversary of Pride and Prejudice!  It’s no surprise that Austen’s novels are still popular and relevant 200 years later.  She wrote stories filled with themes that are relevant no matter what time period you live in.  She is, in one word, timeless.

To mark this anniversary, Austenprose is hosting the Pride and Prejudice bicentenary challenge and I’m happy to announce my participation!  I’m signing up at the “aficionada” level which requires I read/watch 9-12 books/movies relating to Pride and Prejudice.  It’s safe to say that I’m going to blow through this challenge.

If you’re interested in joining yourself, you can find all the pertinent details here.  Good…

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Curso de escrita criativa – B-Learning – Porto (6 de Abril a 15 de Junho) – Versão de 10 semanas | Docente: Luís Carmelo

Curso de escrita criativa – B-Learning – Porto (6 de Abril a 15 de Junho)- Versão de 10 semanas

CONTEÚDOS:

Bloco 1 – Descrição/Seleccionar, ordenar, singularizar.
Bloco 2 – Descrição/Pontos de vista.
Bloco 3 – Descrição/Impressionismo e expressionismo.
Bloco 4 – Descrição/ Paisagens e ambientes.
Bloco 5 – Narração/Matéria e circunstâncias.
Bloco 6 – Narração/Os pontos de vista narrativos.
Bloco 7 – Narração/Exposição, complicação, clímax e desfecho.
Bloco 8 – Figurações e funções.
Bloco 9 – Poética/Expressão poética, metáfora e autoreferencialidade.
Bloco 10 – Poética/O eixo das similaridades e a questão do ritmo.
COMPETÊNCIAS A INTERIORIZAR:
1 – Aprofundar de modo muito pragmático as potencialidades plásticas oferecidas pela língua portuguesa.
2 – Optimizar a expressão individual, através da indagação experimental e da exploração dos materiais linguísticos.
3 – Incorporar e aplicar dispositivos que optimizarão a eficácia nas áreas da descrição, da narração e da poética.
4 – Estimular a expressão estética, aliando dados técnicos à natureza codificadamente literária.

PREÇO: 252 €

Ver aqui: http://www.escritacriativaonline.com/artigo.asp?cod_artigo=180849

Das Culturas

O Clube de Leitores vai concorrer novamente a Blog do Ano, numa votação levada a cabo pelo Aventar

“O Aventar organiza pela segunda vez um concurso de blogues com o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa, e demonstrando a sua diversidade.

É organizado em duas fases de apuramento, a primeira aberta a todos os que queiram participar e a segunda constituída pelos 5 mais votados de cada categoria.”

O Clube de Leitores volta a marcar presença na edição deste ano. Desta feita numa só categoria: Livros / Literatura / Poesia.

FONTE: http://www.blogclubedeleitores.com/2013/01/o-clube-de-leitores-vai-concorrer.html

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MATT MULLICAN | A Single Line | Christina Guerra Contemporary Art

17/1 às 22:00 até 27/2 às 20:00

Matt Mullican for this 4th show at Christina Guerra Contemporary Art proposes a simple concept of a single drawn line as the common Architecture that binds the works in his upcoming show.

In the 1970’s Mullican’s Exhibitions could all be read as giant maps describing the relationship of subject to Sign to Art to World to Elements. For this show he brings back this device in order to bind and illustrate recent pictures and objects.

The single line is also a way of redefining what is possible in relationship to his earlier exhibitions at the gallery. Most of the work will be modest in scale and everything will be displayed on a line on the wall.

The line is syntax, structure, context and in a way it represents ‘linear thought’. Recently in an exhibition in Switzerland titled “Who Feels the Most Pain” Mullican used a drawn line to connect pictures of different media. Everything from Rubbings, notes, paintings, objects, models flags were incorporated and laid out all in a row. The thinking being that one understands the image of a man in a photograph in a different way than one understands a drawing of a man on a piece of paper.

The subjects of the pictures displayed on the line will include; Art, Society, Worship, Sex, Gods, Men and Women, Dreams, Work, Identity, Experience, War, Love, Truth, Beauty, Subject, Sign, World, Element, Brain, Cosmology, Coffee Cup, Notebook.

The forms of the pictures displayed will include photo’s, Xeroxes, rubbings, lightboxes, collages, drawings, paintings, etc.
Pictures on the line could also be displayed in groups as in displaying a book.

The artist will be present.

Matt Mullican (b. Santa Monica, CA, 1951) lives and works in Berlin and New York. Important exhibitions include “Organizing the World,” Haus der Kunst, Munich; “12 by 2,” Institut d’Art Contemporain, Villeurbanne, France; Kröller Müller Museum, Otterlo, the Netherlands; STUK Kunstencentrum, Leuven, Belgium; “Pictures Generation: 1974-1984”, Metropolitan Museum of Art, NY, USA; “Matt Mullican: A Drawing Translates the Way of Thinking”, The Drawing Center, NY, USA.

FONTE: https://www.facebook.com/events/329991550447266/

MATT

Os Convencidos da Vida | Alexandre O’Neill

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.

Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.

Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(…) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.

Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.

Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida – da sua, claro – para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal… sempre foi. ”

Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”

Architecture for Dogs

Com a devida vénia ao autor.

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‘Architecture for Dogs’ is a collaboration between some of the worlds game changing Architects and lovely looking dogs with some pretty out there results.  If you see one you’d really like for your dog you can download the blueprints and make it at home, although some look ridiculously difficult to build. Have a look at the site for videos of each design and 3d animations of the construction.

www.architecturefordogs.com

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O LIVRO É… O Nome da Morte | Ep. 01

Publicado às 19/12/2012
Neste episódio, falamos sobre o livro O Nome da Morte do Escritor Klester Cavalcanti, e conversamos com a escritora Brigitte Caferro no lançamento de seu primeiro livro, Do meu íntimo mais íntimo.

O livro é… será um espaço para indicação e discussão de obras literárias, de todos os gêneros e nacionalidades. Toda quarta-feira postaremos um novo vídeo com dicas, entrevistas e informações sobre o mundo literário.

O livro é… é uma produção independente da Caixote TV.

Ficha Técnica:
Apresentação – Anderson Jader
Câmeras e Edição – Priscilla Miquilussi

Neste episódio contamos com o apoio da Poetria Livros e Arte.

Curta nossa página no Face: http://www.facebook.com/olivroe

Texto sobre a morte | Ana Cristina Leonardo in “Facebook”

Agora leia-se este texto sobre a morte. É só um exemplo. E, por favor, não me lixem.
“Uma ocasião uma jornalista perguntou a Vinicius de Morais se tinha medo da morte.
O poeta respondeu com um sorriso:
– Não, minha filha. Tenho saudades da vida.
De tempos a tempos esta frase de Vinicius regressa-me à ideia. Penso: de que terei saudades, eu? Maça-me morrer porque se fica defunto muito tempo. Estou certo que o meu pai anda chateadíssimo no cemitério, sem livros, sem música, sem oportunidades para ser desagradável. O meu avô, tão diferente do filho, já deve ter feito montes de amigos por lá, todos a comerem percebes à volta de uma mesa grande. E o meu tio Eloy joga às cartas com os outros, a sorrir de satisfação quando lhe saem naipes bons. Costumava inchar na cadeira, a olhar para eles, repetindo
– Muito bem, senhores oficiais
da mesma maneira que, se as coisas corriam mal, se lamentava
– Há muitos anos que sou beleguim e nunca vi uma coisa assim
e vejo-o daqui, sem uma prega, elegantíssimo. A minha tia Madalena lê livros grossos, a minha tia Bia ensina piano e eu sinto medo de não haver papel, nem caneta, nem amigos, nem mulheres. Mas, voltando a Vinicius de Morais, de que terei saudades? De acordar de manhã, no verão, rodeado de cheiros que zumbem? Do mar em Vila Praia de Âncora? Dos cães ferrugentos de Colares e dos seus olhos lamentosos? Da Beira Alta? Da Beira Alta sem dúvida, e do juiz que se gabava de parar o pensamento. Dos gatos que ao fecharem os olhos cessam de existir e se transformam em almofadas de sofá? Da minha filha Isabel ao levá-la a um museu para lhe encher de amor pela beleza os tenros neurónios:
– Estás a gostar?
– Acho um bocado aborrecente
e não tive coragem de dizer que também acho os museus um bocado aborrecentes. Não ligava muito aos quadros, ou antes não ligava um pito aos quadros mas, na época de eu criança, havia escarradores cromados, a cada dez telas, que me interessavam muitíssimo. O problema é que nunca soube cuspir em condições. Ainda hoje não sei cuspir decentemente e, não estou a brincar, envergonho-me disso. No transporte para o liceu sempre admirei os cavalheiros que tiravam um lenço muito bem dobrado da algibeira, o abriam numa lentidão preciosa, puxavam a alma dos pulmões, depositavam-na no lenço num gorgolejo de ralo, competente, profundo, examinavam a alma com satisfação, tornavam a dobrar o lenço e faziam o resto do trajecto com ela nas calças. Talvez seja por isso que nem lenço uso: quando me acho fungoso luto comigo mesmo para não limpar o nariz na manga: a maior parte das vezes consigo. Vou ter saudades daqueles que se assoam com dignidade e estrondo e dos outros, mais comuns, detentores de um poder de síntese que, desgraçadamente, me falta. Passa uma rapariga e eles, logo
– És muita boa
numa concisão admirável, a acotevelarem um sócio distraído
– Viste?
O sócio já só apanha a rapariga ao longe mas concorda por solidariedade
– Chega o verão e descascam-se logo
e o do poder de síntese remata
– Todas umas putas
que é um ponto final que não admite acrescentos, ei-las catalogadas em definitivo, de modo que se passa aos méritos da cerveja preta que, além de acabar com a sede, é óptima para tirar nódoas, seja na camisa, seja no estômago
– Até limpam as úlceras
limpam as úlceras e amortecem o presunto:
– Se as pessoas mamassem uma preta a meio da tarde ninguém adoecia.
Segue-se a inspecção da sola do sapato
– Olha-me para a porcaria deste buraco aqui
e um discurso acerca das fragilidades e misérias do cabedal. Terei saudades disto? Do senhor da mercearia ao pé de mim vou ter de certeza. Está sempre sozinho na loja, atrás do balcão, educadíssimo. Se lhe comprar um maço de cigarros e disser
– Obrigado
responde de imediato
– Obrigado somos nós (…)”

A Cortina dos Dias de Alfredo Cunha | fotografia

Alguns dos mais importantes acontecimentos da história de Portugal e do mundo foram fotografados por Alfredo Cunha e podem agora ser apreciados no livro A Cortina dos Dias, da Porto Editora.O trabalho do fotojornalista está em destaque, este domingo na Notícias Magazine. Em baixo a imagem que esteve na origem da chamada geração rasca, se calhar agora à rasca.Imagem

BIG – Phoenix Observation Tower

Com a devida vénia ao autor.

Mark's avatarsurface & surface

BIG - Phoenix observation tower - surface and surfaceCopenhagen and New York based Architects BIG’s (Bjarke Ingels Group) design for a mixed use Observation Tower in Phoenix, Arizona. Influenced by Frank Lloyd Wright’s Guggenheim Museum rotunda, the tower marks a pin in the city to provide a new identity to the sky line. The oversize lollipop like structure towers 130 meters above the city consisting of a reinforced concrete and an open-air spiral sphere.

www.big.dk

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Com a devida vénia ao autor.

Fernando Nogueira da Costa's avatarBlog Cidadania & Cultura

Clube do Filme - exemplos

O Clube do Filme (em inglês: The Film Club) é um livro do escritor canadense David Gilmour (homônimo do guitarrista do Pink Floyd), lançado em 2007, que trata da educação dada pelo próprio autor a seu filho adolescente, trocando a escola regular pelo compromisso de assistir três filmes por semana. Traduzido e lançado no Brasil em 2009 pela Editora Intrínseca, o livro foi o oitavo mais vendido no Brasil, naquele ano, na categoria “Não-ficção“, conforme levantamento da revista Veja.

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RAINER WERNER FASSBINDER

Com a devida vénia ao autor.

RUI M S CARVALHO's avatarMASCARA DE CERA

capa-rainer-werner-fassbinder-o-mundo-no-arameMuito antes de “Matrix” ou “Avatar”, Rainer Werner Fassbinder apresentou esta história que nos remete para a possibilidade de realidades paralelas.
Depois da II Guerra Mundial, da ameaça nuclear e dos grandes avanços tecnológicos, o cinema, se já pensara a ideia de homem-máquina nos seus alvores (de Georges Méliès a Fritz Lang, que o fizera de forma sublime em “Metropolis”), após essa experiência limite do terror, volta a interrogar-se sobre as fronteiras do progresso e as suas implicações em filmes como “2001 – Odisseia no espaço” (Stanley Kubrick, 1968), “Laranja mecânica” (Stanley Kubrick, 1971), “Solaris” (Andrei Tarkovsky, 1972) ou “Blade runner” (Ridley Scott, 1982).

É neste plano que parece, em grande medida, enquadrar-se também “O mundo no arame”, longa metragem de 1973 de um dos grandes realizadores alemães do pós-guerra, Rainer Werner Fassbinder, a partir de agora disponível em dvd, na espantosa edição restaurada que já tinha iluminado as salas…

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José Pacheco Pereira na Revista Sábado

«O ano de 2013 vai ser o ano da viragem que dará razão ao Governo e às folhas de Excel. No fundo, sabemos todos que a Microsoft não teria um software tão famoso, se ele não funcionasse. Ao lado do Excel, as previsões da oposição são feitas com as cartas do Tarot e vendo os programas da Maya.

Dizem que as coisas estão muito mal, mas não estão tão mal como isso. Vejam os manifestantes do 15 de Setembro. São contra o governo? Não, foram contra a TSU, um “erro de comunicação” identificado pelo professor Marcelo e rapidamente corrigido. Para além disso, os mesmos manifestantes são contra as greves e contra os funcionários públicos. Estão os pobres urbanos a favor da revolução? Enganam-se, já os viram a falar contra a greve dos transportes quando as televisões os procuram nas estações? Por eles, acabava o direito á greve já amanhã, juntando-se a Ferraz da Costa numa diatribe sobre o excesso de indisciplina nas empresas públicas e a libertinagem permitida pela Constituição. O Salazar é que os punha na ordem.

Estão os jovens indignados? Estão, estão, contra aqueles que por tornarem “rígido” o “mercado do emprego”, ocupam os empregos enquanto eles são “precários”. Vejam lá se eles vão às manifestações da CGTP? Não vão, porque eles leem blogues, e sabem que os sindicalistas querem continuar a ser “sanguessugas” dos nossos impostos, a ganhar sem trabalhar. Para além disso, os jovens sabem muito bem que o estado não vai garantir-lhes as reformas no futuro e, por isso, para que é que têm que estar a pagar hoje as reformas milionárias acima dos 1300 euros? Os velhos que se cuidem, porque estão a prejudicar os mais novos, como disse o senhor Primeiro-ministro aos jovens da JSD, cheios de confiança nos seus “projectos de futuro” e de carreira. No fundo, sabem que são os “seus” que estão no poder.

Há gente zangada nos restaurantes, nos professores, nos trabalhadores das diversões, nos polícias, nos médicos, nas forças armadas? Não se iludam, são apenas grupos corporativos que estão a perder os privilégios que tinham e a ter que pagar impostos que nunca pagaram. Aliás, são os poderosos que mais estão contra este governo. É o lóbi dos restaurantes que não quer passar facturas, todos representantes de um sector sem interesse para a economia exportadora que queremos construir. Militares? Isso são os restos do PREC e um anacronismo que é preciso corrigir. Já acabamos com o Serviço Militar Obrigatório, agora para que é que são precisas as forças armadas a não ser como uma polícia “pesada” anti-motim? São como os juízes do Tribunal Constitucional, um grupo que julga em causa própria, para defender as suas chorudas reformas, mesmo que para isso tenha que matar a economia. Aliás os verdadeiros inimigos do governo são gente sem valor que se habituou toda a vida a viver do estado e que está apenas a defender a sua reforma atacando vilmente este corajoso governo. Não é Bagão Félix?

Falam contra os bancos e acusam o governo de lhes dar tudo o que pode? Esquerdismo à Louçã, porque a saúde do sistema financeiro é fundamental para a nossa economia e os bancos fazem a sua parte. Há quem coloque o dinheiro no estrangeiro e em offshores? É apenas a natural expressão do receio que tiveram com a bancarrota de Sócrates, a quem apoiaram apenas por engano. No fundo estão a comportar-se racionalmente como deve fazer o grande capital. E a verdade é que, à medida que os seus nomes aparecem no “Monte Branco”, portam-se como devem e pagam os seus impostos. Não é muito, mas eles percebem bem como este governo está ao serviço dos “interesses da economia”, que são também os seus. Tudo gente patriótica.

Só uns intriguistas é que podem dizer que o governo não cumpre contractos com os trabalhadores, ao mesmo tempo que é mole com os offshores e respeitador dos contratos blindados das PPPs. É verdade que muitos dos seus autores, – da blindagem,- estão no governo ou trabalham para o governo nas grandes firmas de advogados e consultadoria, mas isso é porque são competentes e confiáveis. Foram-no antes e são-no hoje. O que é que queriam, que o governo os colocasse á margem, com tudo o que eles sabem e podem? Intrigas e inveja.

2013 vai ser o ano do pensamento positivo, vai mostrar que o optimismo é a melhor atitude a ter na vida. Há crise, sim senhor, mas nós aguentamos. Os portugueses no meio de grandes dificuldades em ajustar-se vão cortar no supérfluo, deixar de comer bifes, lavar só metade dos dentes, e ir ao hospital quando já estão de maca. No fim, vamos chegar vivos. Vamos aguentar. Vamos continuara a dar mostras de civismo e das qualidades de paciência que tornaram o “bom povo português” um exemplo que a Europa segue com carinho e inveja. Na Europa, também tudo está mudar. O país e Vítor Gaspar tem um prestígio incalculável, que é o melhor asset para Portugal. Ele é a Merkel, o Schauble, o Draghi, o Trichet a debitarem elogios e a aprenderem muito connosco. Não cumprir o défice deixou de ser muito importante. Vamos fazer duas ou três emissões com sucesso em 2013, pequenas, a vários prazos, prudentes, e depois os alemães vão colocar-nos a mão por baixo e defender-nos dos mercados, porque com esse sucesso, já podemos ser apoiados pelo BCE. Foi o que nos prometeram, para podermos apresentar a saída da troika como um grande trunfo político. Esperemos que resulte. O resto não interessa, mesmo que isto não seja bem voltar aos mercados, mas só a cabeça negra da oposição dirá isso. E não me venham com tretas sobre a sustentabilidade, porque sustentáveis só temos que ser até ao “que se lixem as eleições”. Depois a culpa passa outra vez para o PS.

Com a saída da troika o governo pode aparecer aos olhos dos eleitores como tendo cumprido o memorando “que outros assinaram”, e, retomado a “soberania” nacional, que “outros perderam”. É verdade que continuamos a ser obrigados a fazer a mesma política mesmo sem a troika, mas deixam-nos uma pequena folga para haver eleições sem ser em estado de calamidade. A troika zela pelos seus e o Pacto Orçamental está lá sempre para por na ordem as tentações keynesianas. Para além disso, como disse Passos Coelho, os números vão ser tão baixos que alguma vez têm que subir.

Vamos continuar a confiar nos dois partidos corajosos que nos vão retirar da bancarrota para onde nos atirou o Sócrates. Vejam a inteligência de Portas, a teimosia convicção de Passos Coelho, a tenacidade de Relvas contra a campanha miserável que lhe fazem, o saber profundo de Vítor Gaspar, a lealdade daqueles deputados que, contra ventos e marés, votam tudo o que é preciso, a fidelidade quase canina dos propagandistas, bloguistas amigos, também assessores, também a trabalhar com os gabinetes nas agências de comunicação e imagem, um serviço muito importante para não haver “falhas de comunicação”. E se as há, é porque não contratam os serviços que deviam, os especialistas nessa arte de “persuasão” que as almas danadas da oposição chamam de manipulação.

Eles sim são homens de princípios. E se estão surpreendidos pelo “canino” na fidelidade, é porque desprezam o melhor amigo do homem, ali, a dar a dar, e que ladra e morde quando é preciso. Fazem-nos muita falta neste tempo de crise, em que, aparentemente solitários, os homens que nos governam, têm consigo a maioria silenciosa dos melhores portugueses e os seus cães. Pensamento positivo, que o pior já passou.

MAS, HÁ UM PEQUENO PROBLEMA…
É que não acredito numa linha do que está escrito antes.»

« I like to open the doors of the human brain » – Philippe Starck

Biography by Jasper Eder

Whenever we discover an object or a place designed by Philippe Starck, we enter a world of wall-to-wall imagination, surprises and fabulous fantasy.
For more than three decades, this unique and multifarious creator, designer and architect has been a part of our daily lives by creating unconventional objects, whose purpose is to be “good” before being beautiful; iconic destinations, that take the members of his “cultural tribe” out of themselves and, most importantly, towards something better.

His father, an inventor and aeronautic engineer, gave the young Philippe Starck the desire to create and the capacity to dream.
Several years and several prototypes later, he was commissioned to work for President François Mitterrand. This was also when he began designing furniture for leading Italian and international firms.

Philippe Starck designs his hotels and restaurants in the same way a director makes a film. He develops scenarios that will lift people out of the everyday and into an imaginative and creative mental world. His hotels have become timeless icons and have added a new dimension to global cityscape.

Through Philippe Starck’s concept of “democratic design” – increase the quality objects at lower prices so that more people can enjoy the best – he

Philippe Starck

Philippe Starck

«O cadáver adiado»

De Leonel Vicente

Leonel Vicente's avatarMemória Virtual

O Acordo Ortográfico não ficará incólume e as suas regras serão revistas e modificadas. Ninguém esconde no Brasil esta necessidade de revisão e correcção, tão cultural, social e politicamente sentida que está na base do adiamento decretado. Se as regras vão ser modificadas, e quanto a este ponto não pode subsistir qualquer espécie de dúvida, será um absurdo absoluto que se mantenha a veleidade de as aplicar em Portugal na sua forma presente. Não se pode querer contestar oficial ou, sequer, oficiosamente a existência de três grafias, nada menos de três, como resultado grotesco de uma tentativa sem pés nem cabeça de uniformização delas em todos os países que falam português: a brasileira, a angolana e moçambicana e a irresponsável que é a portuguesa. Torna-se imperativo o reconhecimento oficial de que a única ortografia que está em vigor em Portugal é a que já vigorava antes das desastrosas pantominas que…

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Epiphany/Three Kings Day

Com o devido respeito pelo autor.

Schwingen In Switzerland's avatarschwingeninswitzerland

Once again, I’m ashamed to say that I was in my late twenties before I ever even know this holiday existed (commemorating the day when the three kings presented their gifts to the baby Jesus).  Here’s how they celebrate it here.

You knew it. You knew there had to be one. You were right; they have a special pastry.   Every holiday here seems to have its own special pastry and this is not exception.  It is a ring of buns, one of which contains small plastic kings.  If you get that roll, you win a crown and the right to tell everyone what to do for the rest of the day.  Carolers dressed as three kings also roam the streets singing (known as Star Singing).

Who doesn’t love a great loaf of bread?  Before we moved, we would sometimes go to our neighborhood’s French bakery and buy a nice…

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Dulce Maria Cardoso em destaque no Brasil

O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, posicionou-se entre os melhores livros de 2012 no Brasil, de acordo com a selecção do jornal O Globo. A lista é constituída por 15 títulos, incluindo não-ficção e autores estrangeiros. Entre os restantes selecionados, encontram-se Solidão continental, de João Gilberto Noll, e Formas do Nada, de Paulo Henrique Britto.

Design: a poética em estado bruto

Neste livro Luís Carmelo fala-nos do design e da sua relação profunda e perene com a ilusão humana, com o sonho, mas com um sonho em que se pode tocar.

O design começou por ser a pele dos objectos a forma exterior visível e texturada para passar a ser ergonómico, uma pele que é o prolongamento da nossa pele. Tornando-se presente em todos os objectos, evidenciando-se para além da sua forma ou da sua função, acabou por integrar o nosso olhar sobre todas as coisas, como “uma hipnose com os pés na terra.”

“No tempo das narrativas orgânicas e axiais, tudo apontava para âncoras particularmente fixas (heróis mitológicos, o nome de Deus, os valores ideológicos, tanto faz). Agora, os signos apontam para os signos, os sinais para os sinais e os avisos para os avisos.”
Neste livro existe um percurso pela história do design, pelas suas propostas, por alguns objectos que marcaram o autor e até pelas redes sociais, por “esses instrumentos de inscrição expressiva como o Facebook e o Twitter que passaram a traduzir, como nenhuns outros, este renovado design baseado na fórmula vintage “Think small”.

No entanto alerta-nos para o facto de “apeado da eficácia, o design morre, mumifica…”
“Nem sempre o design se dirige para o casamento entre a estética e a eficácia. Muitas vezes reentra num jogo que apenas visa o próprio jogo.” Um ardil de sedução, uma astúcia que propõe a quem o use uma descoberta, um empenho, um entrar nesse jogo, “aspira sobretudo ao logro de quem o use.”

Este livro leva-nos a descobrir o design sobre uma perspectiva apaixonada, numa narrativa poética. “Um novo Deus em cena a escrever direito por linhas muito subtis.”

John Locke: o direito de resistir à tirania by Irene Pimentel

A citação de Thomas Jefferson (Declaração de Independência dos EUA, 1776), feita por
José Gomes André, no blogue «Delito de Opinião» (08.09.12), levou-me a reler parte dos Dois Tratados sobre o Governo (1689), de John Locke (1632-1704), filósofo que os actuais neo-liberais tanto gostam de citar (está em inglês, porque não encontrei uma boa tradução portuguesa).

«Whenever the power that is put in any hands for the government of the people, and the protection of our properties, is applied to other ends, and made use of to impoverish, harass or subdue them to the arbitrary and irregular commands of those that have it; there it presently becomes tyranny, whether those that thus use it are one or many». (Second Treatise, Chapter 18).

«But if a long train of abuses, prevarications and artifices, all tending the same way, make the design visible to the people, and they cannot but feel, what they lie under, and whither they are going, ‘tis not to be wondered, that they should then rouse themselves, and endeavour to put the rule into such hands, which may secure to them the ends for which government was at first enacted». (Second Treatise, Chapter 19).

Para Locke, o governo civil legítimo é instituído pelo consentimento explícito dos governados, que decidem transferir para ele, por acordo, o seu direito de executar a lei de natureza e de julgar seu próprio caso. Estes são os poderes que são dados ao governo central e que legitimam a função do sistema da justiça dos governos. Todavia, a transferência dos direitos naturais para o Estado, representada pelo pacto originário, é parcial. Ao ingressar no estado civil, os indivíduos renunciam a um único direito: o de fazer justiça pelas suas próprias mãos. Conservam todos os outros, principalmente o direito à propriedade, que já nasceria perfeita no estado de natureza, fruto de uma acção natural – o trabalho -, que não dependeria do reconhecimento alheio.
Dado que, no estabelecimento do governo civil, o consentimento universal é necessário para dar forma a uma comunidade política e que uma vez concedido não pode ser retirado, alguns fazem uma leitura da comunidade política lockeana enquanto uma entidade estável. No entanto, outros observam que existe, em Locke, o direito a resistir ao governo ilegítimo. Nas circunstâncias de um governo ilegítimo, que viole a vida, a liberdade e a propriedade do povo, a rebelião é legítima. Para Locke, todo o poder político legítimo deriva somente do consentimento dos governados que confiam as suas «vidas, liberdades, e posses» à comunidade como um todo, expressa esta maioritariamente pelo seu corpo legislativo. Mas a comunidade política como um todo pode ser dissolvida (e uma nova pode ser formada) sempre que haja uma mudança fundamental nos membros da legislatura ou uma violação das leis. O soberano que, contrariando o poder supremo por ele representado, desrespeita a lei, perde o direito à obediência, «pois que não devem os membros [do corpo político] obediência senão à vontade pública da sociedade».
Locke admite assim o direito de insurreição em determinadas circunstâncias: «Se um governo subverte os fins para os quais foi criado e se ofende a lei natural, então pode ser deposto». Na visão de Locke, a possibilidade de revolução é uma das características de qualquer sociedade civil bem formada. A causa mais provável da revolução é o abuso do poder pelo próprio governo: quando a sociedade interfere erradamente nos interesses de propriedade dos cidadãos, estes têm de se proteger retirando-lhe o consentimento (Segundo Tratado, § 222).Ocorre uma usurpação quando alguém se apodera pela força daquilo a que outro tem direito ou prejudica o bem público. Quando são cometidos grandes erros na governação de uma comunidade, só a rebelião mantém uma promessa de restauração dos direitos fundamentais (Segundo Tratado, § 225).
Quem é o juiz disso quando tal ocorre? Só o povo pode decidir, segundo Locke, pois que a existência mesmo da ordem civil depende do seu consentimento (Segundo Tratado, § 240). Locke conclui que, «se em alguns casos é permitido resistir, nem toda resistência aos príncipes é rebelião», sendo por isso muito importante saber quando é lícito desobedecer. O direito de resistência não constitui perigo para os governantes justos e numa sociedade civil política justa, não é possível que um ou mais homens perturbem um governo se o interesse colectivo não estiver em risco. Só quando os malefícios da tirania atingem a maioria da sociedade, então existe o direito à resistência contra a força ilegal. São os tiranos que são os verdadeiros rebeldes e, dessa forma, os malefícios que resultarem da resistência aos verdadeiros rebeldes não podem ser creditados aos defensores da própria liberdade. Se o fim do governo é o bem da humanidade, não pode haver tolerância à tirania.
FONTE:  http://irenepimentel.blogspot.pt/2012/10/john-locke-o-direito-de-resistir-tirania.html
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Machado de Assis – Brasil

Machado de Assis (Joaquim Maria M. de A.), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor deO Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.

Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência. Foi criado no morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858, era revisor e colaborador no Correio.

Machado de Assis

Machado de Assis

10 jan | 18h30 | Lisboa (LeYa na Buchholz): Isabel Jonet e Luís Palha da Silva são os convidados da 4.ª sessão de “Os livros que Influenciaram os Líderes”

ISABEL JONET E LUÍS PALHA DA SILVA SÃO OS CONVIDADOS DA PRÓXIMA SESSÃO DE “OS LIVROS QUE INFLUENCIARAM OS LÍDERES”

Quinta-feira, 10 de janeiro, 18h30 – Livraria LeYa na Buchholz, Lisboa (Marquês de Pombal)

Realiza-se no próximo dia 10 de janeiro, pelas 18h30, na livraria LeYa na Buchholz, em Lisboa, a quarta sessão do ciclo “Os livros que influenciaram os líderes” – uma iniciativa do grupo editorial Leya e da revista “Executive Digest” que consiste em promover encontros entre líderes portugueses para que partilhem com o público os livros e autores que mais os influenciaram ao longo das suas vidas.

A próxima sessão sentará frente a frente, e em torno dos livros, Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, e Luís Palha da Silva, Vice-Presidente da Galp Energia. A conversa será moderada por José Prata, editor da Lua de Papel. A participação é livre.

As concorridas sessões anteriores deste ciclo de encontros já reuniram Luís Paulo Salvado (Novabase) e Carlos Liz (Apeme), Carlos Coelho (Ivity) e Paulo Morgado (Capgemini), e João Costa (PepsiCo Bebidas Iberia) e Fernando Neves de Almeida (Boyden Portugal).

A livraria LEYA NA BUCHHOLZ fica situada na Rua Duque de Palmela, nº4, em Lisboa (ao Marquês de Pombal).

Depardieu : “La Russie est une grande démocratie”

Dans une lettre aux médias russes, l’acteur fait une grande déclaration d’amour à son pays d’accueil.

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L’acteur français Gérard Depardieu a confirmé jeudi avoir fait une demande de passeport russe et s’est dit ravi qu’elle ait été acceptée par le président Vladimir Poutine, qui lui a accordé plus tôt dans la journée la citoyenneté, dans une lettre diffusée par une chaîne de télévision russe.

“Oui, j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée. J’adore votre pays, la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains”, a déclaré l’acteur de 64 ans dans cette lettre diffusée en français par la chaîne russe Pervyi Kanal.

Voici l’intégralité de la lettre de Gérard Depardieu : 

“Oui j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée.

J’adore votre pays la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains.

J’aime y faire des films où j’aime tourner avec vos acteurs comme Vladimir Mashkov.

J’adore votre culture, votre intelligence.

Mon père était un communiste de l’époque, il écoutait Radio Moscou ! C’est aussi cela, ma culture.

En Russie il y fait bon vivre. Pas forcément à Moscou qui est une mégapole trop grande pour moi.

Je préfère la campagne, et je connais des endroits merveilleux en Russie.

Par exemple, il y a un endroit que j’aime, où se trouve le Gosfilmofond, dirigé par mon ami Nikolai Borodachev.

Au bord des forêts de bouleaux, je m’y sens bien.

Et je vais apprendre le russe.

J’en ai même parlé à mon président, François Hollande. Je lui ai dit tout cela.

Il sait que j’aime beaucoup votre président Vladimir Poutine et que c’est réciproque.

Et je lui ai dit que la Russie était une grande démocratie, et que ce n’était pas un pays où un Premier ministre traitait un citoyen de minable.

J’aime bien la presse, mais c’est aussi très ennuyeux, car il y a trop souvent une pensée unique.

Par respect pour votre président, et pour votre grand pays, je n’ai donc rien à ajouter.

Si je veux ajouter encore sur la Russie, une prose qui me vient à l’esprit…

Que dans un pays aussi grand on n’est jamais seul,
Car chaque arbre, chaque paysage portent en nous un espoir.
Il n’y a pas de mesquinerie en Russie, il n’y a que des grands sentiments.
Et derrière ces sentiments beaucoup de pudeur.

Dans votre immensité, je ne me sens jamais seul,

Slova Rossii !!

Spasibo !”

 

FONTE:  http://www.lepoint.fr/societe/depardieu-je-vais-apprendre-le-russe-03-01-2013-1608322_23.php

Lisboa e Cervantes by Manuel S. Fonseca in “Escrever é Triste”

Pro­me­tido aqui ao Hen­ri­que, cum­pro. Num excesso de zelo, proponho mesmo tra­du­ção auda­ci­osa. Camões tinha mor­rido pouco tempo antes. Esta era a Lis­boa que os olhos do por­tu­guês tinham visto. Viam-na agora, assim, des­lum­bra­dos, os olhos de Cervantes:

Lisboa

Lisboa

Ao cabo des­tes ou pou­cos mais dias, ao ama­nhe­cer de um, disse um gru­mete, do cimo da gávea prin­ci­pal, donde ia des­co­brindo terra:

– Alvís­sa­ras, meus senho­res! Alvís­sa­ras peço e alvís­sa­ras mereço. Terra! Terra! E melhor seria dizer: Céu! Céu! Por­que é sem dúvida a Lis­boa que chegamos.

A notí­cia arran­cou lágri­mas ter­nas e ale­gres aos olhos de todos, espe­ci­al­mente aos de Ricla, dos dois Antó­nios e aos de sua filha Cons­tanza, por­que lhes pare­ceu terem che­gado à terra pro­me­tida por­que tanto ansiavam.

Antó­nio lançou-lhe os bra­ços ao pes­coço, dizendo:

– Sabes agora, minha bár­bara, o modo como hás-de ser­vir a Deus, com uma rela­ção mais copi­osa, ainda que não dife­rente, da que te ofe­reço eu; verás os ricos tem­plos onde é ado­rado; verás ao mesmo tempo as ceri­mó­nias cató­li­cas com que o ser­vem e como a cari­dade cristã atin­giu o cume. Aqui, nesta cidade, verás como os mui­tos hos­pi­tais são os ver­du­gos da doença que des­troem, e aquele que neles perde a vida, rode­ado pela efi­cá­cia de infi­ni­tas indul­gên­cias, ganha a do Céu. Aqui, o amor e a hones­ti­dade dão-se as mãos e pas­seiam jun­tos; a cor­te­sia não deixa que se pavo­neie a arro­gân­cia, nem a valen­tia que se acer­que a cobar­dia. Todos os seus mora­do­res são agra­dá­veis, são cor­te­ses, são libe­rais e são ena­mo­ra­dos, por­que são dis­cre­tos. A cidade é a maior da Europa e a de melho­res manei­ras; nela se des­car­re­gam as rique­zas do Ori­ente e daqui se espa­lham para todo o uni­verso. O porto é de grande capa­ci­dade e encerra não somente uma mul­ti­dão de navios, mas flo­res­tas móveis de árvo­res que os mas­tros das naus for­mam. A for­mo­sura das mulhe­res espanta e apai­xona. A galhar­dia dos homens pasma, como eles dizem. Esta é, enfim, a terra que ao Céu presta santo e gene­ro­sís­simo tri­buto. 

Miguel Cer­van­tes, “Libro Ter­cero de los Tra­ba­jos de Per­si­les y Sigis­munda, His­to­ria Setentrional”

Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes

FONTE:  http://www.escreveretriste.com/page/2/

Felicidário – 365 ideias para menores de 65

Se é difícil definir a felicidade aos 20, aos 30 e aos 40, imaginem aos 60 ou aos 70. Foi por isso que nasceu o Felicidário. O Felicidário é um calendário e também é uma espécie de dicionário com 365 definições práticas de felicidade. Aos 65, a felicidade é arrumar as botas e fazer crochet, é gozar o dolce fare niente ou fazer aquilo que nunca se fez? Todos os dias, durante um ano, o Felicidário sugere uma nova ideia de felicidade para maiores de 65 anos.

No Felicidário, a felicidade não tem idade e é ilustrada por Afonso Cruz, André Letria e Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque e Yara Kono.

O Felicidário é um projecto da Associação Encontrar+se em parceria com aLintas.

Ver aqui:  http://felicidario.encontrarse.pt

Ilustrada por Afonso Cruz

Ilustrada por Afonso Cruz

SOU EXU by Jorge Amado

Não sou preto, branco ou vermelho
Tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou exu!
mando e desmando,
traço e risco
faço e desfaço.
estou e não vou
tiro e não dou.
sou exu.
Passo e cruzo
Traço, misturo e arrasto o pé
Sou reboliço e alegria
Rodo, tiro e boto,
Jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher
Sou das praias, e da maré.
ocupo todos os cantos.
sou menino, avô, maluco até
posso ser João, Maria ou José
Sou o ponto do cruzamento.
durmo acordado e ronco falando
corro, grito e pulo
faço filho assobiando
sou argamassa
De sonho carne e areia.
sou a gente sem bandeira,
o espeto, meu bastão.
o assento? O vento!..
sou do mundo, nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
Pelos chifres da nação
Sou exu.
sou agito, vida, acção
sou os cornos da lua nova
a barriga da rua cheia!…
Quer mais? Não dou,
Não tô mais aqui!

Read more: http://sociologias-cultura.blogspot.com/2011/12/um-olhar-sobre-jorge-amado.html#ixzz2GwqHoCba

O que sobra das nossas Forças Armadas não vai servir para nada by JPP in “Abrupto”

O que sobra das nossas Forças Armadas não vai servir para nada – A “refundação do Estado” vai atingir ainda mais as Forças Armadas, o que é facilitado pela nula empatia dos governantes vindos das “jotas” pela instituição militar e pela crescente deslegitimação da própria existência de forças militares. Como a cada corte elas se tornam mais frágeis, aparecem cada vez como mais inúteis, e perdem razões de existência. Um dia, quando Portugal precisar de concorrer a um comando estratégico para os nossos interesses nacionais, ou defender a nossa ZEE, vai ver o que lhe falta, mas será tarde.

 

Mulheres vencem em todas as categorias de prémio literário no Reino Unido in “Diário Digital”

Pela primeira vez na história do prémio literário britânico Costa Book Awards, mulheres venceram em todas as categorias. Cada vencedor por categoria recebe 5 mil libras.

A romancista Hilary Mantel recebeu o prémio de melhor romance com «Bring up the Bodies», que já lhe tinha dado o prémio Man Booker e o National Book Award na categoria de Autor do Ano.
A escritora Mary Talbot e o seu marido Bryan Talbot -veterano da BD – receberam o prémio de melhor biografia com o romance gráfico «Dotter of her Father’s Eyes», a biografia da filha de James Joyce, Lucia, que se entrelaça com as memórias da relação perturbada da autora com o seu pai, o académico especialista em Joyce, James S. Atherton.

A jornalista e escritora Francesca Segal recebeu o prémio de melhor primeira obra com «The Innocents», que se passa numa comunidade judia em Londres.

A poeta escocesa Kathleen Jamie recebeu o prémio de poesia pela sua antologia «The Overhaul» e o prémio da literatura infantil foi para a escritora e ilustradora Sally Gardner por «Maggot Moon».

No próximo dia 29, numa cerimónia em Londres, será anunciado o livro do ano.

Diário Digital

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