Miguel Real
Sintrense, Miguel Real, professor do ensino secundário e investigador no CLEPUL – Centro de Literatura de Expressão Portuguesa da Faculdade de Letras de Lisboa, publicou os romances A Voz da Terra (2005), O Último Negreiro (2006), O Último Minuto na Vida de S. (2007), O Sal da Terra (2008), A Ministra (2009) e Memórias Secretas da Rainha D. Amélia (D. Quixote), e os ensaios O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (2005), O Último Eça(2006), Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa(2007), Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa(2008) e Padre António Vieira e a Cultura Portuguesa(2008) na editora Quidinovi, bem como os ensaios A Morte de Portugal (2007, Campo das Letras), Matias Aires. As Máscaras da Vaidade (2008, Setecaminhos) e José Enes, Filosofia, Açores e Poesia (2009). Publicou também, em 2003, o romance Memórias de Branca Dias, sobre a primeira mulher a praticar cultos judaicos no Brasil, a primeira “mestra de meninas” (professora) e a primeira senhora de engenho do Pernambuco (Temas e Debates), levada à cena pelo Cendrev, de Évora, em 2008, com representação de Rosário Gonzaga e encenação de Filomena Oliveira.
No teatro, sempre em co-autoria com Filomena Oliveira, para além da dramaturgia deMemorial do Convento, de Saramago, encenado por Joaquim Benite, e de nova dramaturgia para cinco actores, em cena no Convento de Mafra, escreveu as peças Os Patriotas, sobre a Geração de 70 (Europress), O Umbigo de Régio e Liberdade, Liberdade, esta última sobre os presos políticos durante o regime do Estado Novo, e 1755 O Grande Terramoto (Europress), levado à cena no Teatro da Trindade, Lisboa, entre Abril e Julho de 2006. A peça, Vieira – O Céu na Terra, representada nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, no Verão de 2008, teve encenação de Filomena Oliveira e produção do Teatro Nacional D. Maria II.
Recebeu os Prémios Revelação Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio de romance Ler/Círculo de Leitores, o Prémio de Romance Fernando Namora, o Prémio Jacinto do Prado Coelho e, com Filomena Oliveira, o Grande Prémio de Teatro da Sociedade Portuguesa de Autores 2008 com a peça Uma Família Portuguesa, representada no teatro Aberto, em Lisboa, em 2010, com encenação de Cristina Carvalhal.
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Autores no blog “Das Culturas”
No Fly Zone. Unlimited Mileage | Cristina Guerra Contemporary Art
Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013
Museu Coleção Berardo | Belém | Lisboa
O Museu Coleção Berardo apresenta a exposição No Fly Zone dedicada a um conjunto de artistas da nova cena angolana. Ela é não só sinal de uma nova vida que Angola experimenta depois da descolonização e da guerra, como define um posicionamento num quadro problematizador sobre as heranças culturais e a sua redefinição, as migrações dos conflitos e o seu feedback, o lugar do artista e da sua produção num mundo que continuamente extravasa os limites do seu conhecimento e reconhecimento e se experimenta, agora por estes novos protagonistas.
Este aspeto é tanto mais pertinente quanto o presente histórico que vivemos assiste a uma profunda e radical alteração das coordenadas tradicionais dos lugares recorrentes da atenção prestada à produção artística.
Pedro Lapa
Diretor Artístico
No Fly Zone. Unlimited Mileage é um projeto concebido e desenhado por Fernando Alvim, Simon Njami e Suzana Sousa. Com os artistas Binelde Hyrcan, Edson Chagas, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Paulo Kapela, Yonamine.
Mesa-redonda com Fernando Alvim, Simon Njami, Suzana Sousa e Pedro Lapa
01.02.2013, 18h00, auditório (piso -1)
Entrada gratuita sujeita ao número de lugares disponíveis.
Sem marcação prévia.
FILOSOFIA POLÍTICA – Multiplicam-se as tomadas de posição contra o plano arrasador do FMI
Para António Arnaut as propostas do FMI são “uma subversão do regime democrático e constitucional”. O secretário-geral da CGTP afirma que o plano “confirma o falhanço absoluto das políticas de implementação do memorando da troika”. Também já criticaram o plano a Fenprof, a ordem dos médicos e o sindicato independente, a associação de oficiais das forças armadas, a associação sindical da polícia, a UGT, o movimento de utentes da saúde, PS, PCP, PEV e Bloco.
ARTIGO | 9 JANEIRO, 2013 – 16:05
SPA recusa acordo devido às posições do Brasil e Angola
De acordo com um comunicado do Conselho de Administração da SPA, a entidade afirma que vai “continuar a utilizar a norma ortográfica antiga nos documentos e comunicação escrita com o exterior”.
A entidade sustenta que “este assunto não foi convenientemente resolvido e encontra-se longe de estar esclarecido, sobretudo depois do Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico, e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor” das novas regras. […]
Perante estas posições daqueles países, a SPA considera que “não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica, quando o Brasil, o maior país do espaço lusófono, e Angola, tomaram posições em diferente sentido”.
A noite das mulheres cantoras, de Lídia Jorge
Este livro começa com uma noite mágica, um reencontro de mulheres que atuaram num grupo musical dos anos 80, as mulheres cantoras. Nessa noite mágica, surge o momento perfeit
o com o voo de João Lucena em direção a Solange, “lembras-te de mim?”. O livro nasce aqui. Toda a narrativa serve este único propósito, o de explicar a magia desse encontro, todas as emoções, o segredo que começa por se insinuar e termina em traição, a descoberta do amor. O império minuto.
Em cada um de nós existe uma noite especial que não faz parte do dia, que nasce da evocação da nossa vida. É aí que vamos buscar todo o seu sentido, tal como sair dos sonhos significa encontrar tudo no seu lugar.
New York Taxi No. 1
Felicidario
Felicidário is a collaboration between a group of creatives who’s mission is to complete 365 illustrations of what the definition of happiness may be for everyone as they move into the latter years of their lives. The illustrations are by Afonso Cruz, André Letria and Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque and Yara Kono.
APRENDE QUE NÃO HÁ DISTÂNCIA PARA A AMIZADE
Depois de algum tempo aprende a diferença (a subtil diferença), entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar as suas derrotas com a cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio. Depois de algum tempo aprende que o Sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam! E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e…
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Liv Tyler by Mark Abrahams
Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000: Que farei com esta liberdade? | Ana Luísa Simões Gamboa em São Petersburgo
Vêm estas palavras à memória, transmutadas em perguntas, a propósito da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, inaugurada no mesmo Museu Russo em Dezembro de 2012. Que acontece quando se reencontra a liberdade? Ou se adquire uma liberdade que nunca se teve antes?
Retrato de um tempo enquanto meio do artista que o retrata
1985-2000: estes foram os anos das reformas globais do sistema socialista soviético, a “Perestroika”, anos de revoluções profundas e sucessivas em todas as esferas da vida de um país que acabaria por deixar de existir e da dos países que lhe sobreviveram. Recordemos algumas datas fundamentais: em 1985-1990 dá-se o início da liberalização política; surge a imprensa independente, são legalizadas fontes de informação ocidentais, é publicada literatura antes silenciada; fazem-se as primeiras tentativas de reforma da economia planificada; 1989 é o ano da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria; desenrola-se o processo de desintegração da União Soviética, cuja existência cessa oficialmente em 1991, processo que envolveu confrontos com intervenção de forças militares nas ex-repúblicas; entretanto, intensifica-se a crise económica, verifica-se um défice total de produtos de primeira necessidade; em 1992 são levadas a cabo reformas económicas “de choque” de transição para a economia de mercado; a inflação sobe em flecha; em 1993 dá-se uma crise constitucional acompanhada por um conflito armado em Moscovo; em 1994 ocorrem actos terroristas em Moscovo e outra cidades russas, e também no Cáucaso; em 1998 dá-se uma profunda crise económica, com a desvalorização abrupta do rublo e a derrocada do sistema bancário; inúmeros cidadãos perdem as suas poupanças.
Escusado será dizê-lo, foram anos em que o Museu Russo não dispunha de meios para adquirir obras para o seu espólio. Mas foram os anos em que muitas obras que se encontravam nos depósitos foram expostas, de novo ou pela primeira vez. Entre outras, realizam-se no Museu Russo, nos finais dos anos 80, as exposições de Pavel Filonov (1883-1941), Vassili Kandinsky (1866-1944) e “Arte dos anos 1920-1930”, em 1996 a retrospectiva de Vladimir Tatlin (1885-1953) e em 1997-1998 a exposição “Mosteiros Russos: Arte e Tradição”. No vizinho Museu Ermitage, em 1988, acontece a exposição de arte ocidental do século XX “Época de descobertas”. Em 1989, no Parque de Exposições Lenexpo, também em Leninegrado, tem lugar a exposição “Da arte não-oficial à perestroika: 40 anos de underground em Leninegrado”.
Como escreveu Mark Petrov, num dos artigos incluídos no catálogo da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, assistiu-se naquele período ao “enfraquecimento abrupto das funções censório-repressivas dos institutos estatais, chamados a zelar pela cultura na sociedade do socialismo triunfante. (…) A ideologia enquanto sistema de medidas proibitivas deixa de ser factor determinante na organização da vida artística ainda antes da mudança de regime, e depois, durante os anos 90, deixa completamente de existir”.
Por escolha consciente, os mais de 200 artistas representados na presente exposição são artistas que não emigraram até 1985 ou que viviam na Rússia pré- ou pós-soviética na altura em que criaram as obras expostas. O olhar dos artistas que emigraram foi necessariamente influenciado pelas novas circunstâncias em que se encontraram, e talvez pelas expectativas da cultura com que se depararam; por exemplo, verifica-se que a desconstrução e desvalorização do sistema de símbolos soviéticos, quando patente, tem contornos mais suaves nas obras dos artistas que ficaram. Pretendeu-se que a exposição fosse sobretudo reflexo de uma vivência na Rússia em 1985-2000, mostrando os caminhos que foram trilhados como resposta à pergunta que se colocava, também, no plano artístico: que fazer com a nova liberdade?
Pintar a realidade, sem barreiras
E o que é isso de “liberdade”? Um “contra tudo e contra todos” por definição, uma liberdade egoísta e hedonista, ou responsável e com valores? E que valores, agora que “nada é proibido”? Que fazer, quando todos os caminhos, na arte como na vida, são uma possibilidade e não há regras, barreiras ou indicações, como simboliza o “Semáforo”, tela do início da década de 90, de Aleksandre Petrov (n. 1947), com as luzes vermelha, amarela e verde acesas em simultâneo?
Há ainda hábitos de receio: na tela “Autoretrato (com censura interior)” (1988), de Valeri Lukka (n. 1945), há um rosto sem feições definidas e um corpo como uma massa que se desprende, viscosamente, da massa envolvente.
Há o desejo de ironizar com os símbolos do passado soviético – a desconstrução semiótica de um sistema é uma constante da revolução que leva à mudança desse sistema. Na escultura “Lira russa” (1985), de Aleksandre Sokolov (1941-2009), a foice e o martelo transformam-se numa lira, rudimentar e tosca, mas que é, ao mesmo tempo, uma evocação do “Contra-relevo de canto” (1915) de Tatlin – símbolo da arte de vanguarda russa do princípio do século XX que foi inicialmente associada ao regime saído do Golpe Bolchevique de 1917, mas que passaria a ser, a partir dos finais dos anos vinte, arte “non grata”; na tela “Em Pereiaslavle” (1987), de Ekaterina Grigorieva (1928-2010), mulheres conversam numa praça da cidade de Pereiaslavle, levantando um braço num gesto que repete o braço estendido de Lenine na estátua no meio da praça; na paisagem fabril da tela “Levam-no” (1997-1998), de Iuri Chichkov (n. 1940), cinco homems levam em ombros uma estátua de Lenine, o mesmo braço estendido, num cortejo fúnebre, encabeçado por dois músicos de jazz; na tela “Ameixas em calda” (1988), de Oleg Zaika (n. 1963), uma lata de ameixas em calda é elevada à categoria de ícone “Soc-art” (“arte socialista”): trata-se de uma lata “artesanal” e imperfeita, em vez dos contornos bem definidos das latas de sopa Campbell’s de Andy Warhol.
Há o empenho em registar e narrar a realidade: telas realistas e hiper-realistas que não cantam a beleza idealizada do trabalho e das gentes, mas constatam a fealdade do quotidiano, como o bêbado em “Levanta-te, Ivan!” (1997), de Hélio Korjev (1925-2012), as filas intermináveis em “Fila” (1989), de Aleksei Sundukov (n. 1952) ou o desencanto no rosto dos mais velhos em “Velhice feliz” (1988), de Tatiana Nazarenko (n. 1944); que não descrevem celebrações populares solenes, mas momentos de descanso na relva, com vodca e pão com chouriço, sem pompa nem glória, como a tela “Na relva” (1983-85), de Fiodor Kunitzin (n. 1951); que não mostram as virtudes da vida no campo, mas desalento, como em “Jantar na aldeia” (1987-88), de Vladimir Cherbakov (1935-2008) – mãe e filho, pão e um ovo sobre a mesa, cansaço nos olhos da mãe, que deita leite numa chávena, mudez nos olhos do filho, que tudo vê.
Memórias, destroços, metáforas
A realidade rima com desencanto e inquietação: a escultura “Rapto” (1987), de Vladimir Soskiev (n. 1941); a tela de Igor Orlov (n. 1935), “Pressentimento” (1988), uma paisagem, à primeira vista, clássica e harmoniosa, com montes, árvores e casas, uma luz de fim de tarde, mas em que a harmonia logo se quebra, pois que as casas afinal resvalam para um abismo; “À procura de Ícaro” (1990), escultura de Pavel Chimes (n. 1930), em que Ícaro, de asas abertas, jaz, caído, e em cima dele a multidão amontoa-se, olhando para o longe à procura de um sinal, rostos que parecem murmurar “E agora?”; a escultura “Estrela caída” (1991), de Vassili Pavlovski (1932-2009).
Na tela “Recordação do futuro” (1989), de Mark Petrov (1933-2004), encontramos a saudade de ideais por cumprir, expressa nos rostos cinzentos-azulados que se recortam num fundo de referências a heróis de várias épocas, um rosto que olha para o momento presente, outro para o passado, outro para o futuro. Será também esta saudade, com ironia desencantada, que exprime Konstantin Persidski (1954-2008) na tela “O bolo” (1999-2000): a Rússia, simbolizada pela Praça Vermelha em Moscovo, é um enorme bolo coberto de velas, em cima de uma mesa à volta da qual, de pé, em vestes cinzentas e de rostos cinzentos, avidamente uns, tristemente outros, esperam, silenciosamente, a sua fatia, os “proletários e camponeses”, as longas mãos esguias e vazias. Velas que assinalam mais um aniversário do Golpe de Outubro de 1917, ou da mais recente revolução, a “Perestroika”; fatia que, claramente, não lhes chegará ao prato, como realça o contraste da cor – o bolo, cor desmaiada de tijolo, e a envolvente cinzenta da mesa e dos pratos vazios, dos corpos e das faces, do fundo azul de chumbo.
Há toda uma atmosfera de desesperança e abandono: na paisagem cinzenta e branca de neve, cães e corvos na tela “No boulevard” (1983-88), de Nikolai Andronov (1929-1998); nas manchas cinzentas do céu e das asas das aves na tela “O lento voo dos corvos” (1988), de Irina Starzhenetskaya (n. 1943); na tela de Vladimir Chinkarev (n. 1954) “No hospital Skvortzov-Stepanov” (1990), em que a enfermaria de um hospital se transforma em paisagem, também ela cinzenta, onde as paredes e o tecto são como o rio e o céu que prolongam o espaço das camas, a cidade é assim uma enorme enfermaria, um espaço colectivo de sofrimento; na tela “Chá” (1997), de Ludmila Markelova (n. 1959), onde muitas mãos se estendem para um único prato e para um único bule minúsculo, numa mesa em tons vermelhos escuros de amora e malva, visível um único rosto, cor de mostarda; na tela “Outono” (2000), de Serguei Kitchko (n. 1946), onde há maçãs e folhas caídas e caindo nas ervas e em cima de uma velha mesa e duas cadeiras de madeira, chagas abertas na tinta azul, um jarro de água esquecido sobre a mesa.
Há também a solidão: nas telas “Metro” (1986-88), de Gueorgui Koventchuk (n. 1933), em que o túnel das escadas rolantes ressoa em ondas de amarelos e vermelhos, como gritos de Edvard Munch, ou “Era uma vez Zinaida, a bela” (1992), de Vladimir Iachke (n.1948), um retrato de mulher que é uma síntese de Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.
Há o preservar da memória pessoal e íntima – por oposição à memória colectiva – no espaço e nos objectos, como na “Fotografia de recordação” (1984-85), de Erik Bulatov (n. 1933), uma paisagem bucólica em que, recortados como sombras chinesas, mas a vermelho – para que a recordação seja mais vívida? – estão quatro amigos, sentados num banco, talvez para sempre fisicamente longe da paisagem que conserva a memória deles, ou na escultura em ferro fundido e bronze “A sombra da minha Avó” (1999), de Marina Spivak (n. 1955), em que os contornos, como um espectro, de uma figura de mulher, sentada a uma máquina de costura Singer, tão metálicos como a própria máquina, fazem já parte dela.
Há a memória da repressão, traduzida em metáforas na tela “Sombra mortal” (1992), de Boris Sveshnikov (1927-1998), herdeira da arte analítica de Filonov, um mosaico em tons de azul e verde, que é feito, afinal, de caveiras; nesse mosaico há também dois rostos, um deles o rosto da morte, o galo, símbolo da traição, e a dança da morte, no horizonte, como nas cenas finais do filme “O sétimo selo” de Bergman.
Há o sentimento de mudança de uma era: na tela “Movimento dos gelos” (1987), de Victor Ivanov (n. 1924), em que a estética do “estilo austero”, renovação dentro do realismo socialista nos anos 60, faz parte da metáfora, pois veste aqui uma temática não correspondente e cheia de densidade psicológica, há um grupo de homens e mulheres, uma delas com uma criança ao colo, expressivas silhuetas gráficas recortadas na paisagem azul, que observam, imóveis e solenes, a passagem das massas de gelo flutuando no rio depois do inverno.
Há o sentimento de que é preciso começar tudo de novo, e não se sabe como: na tela de Helena Figurina (n. 1955), “Brincadeira na areia” (1988), com referências às telas de Henri Matisse “A dança” e “A música” (a propósito, ambas no Museu Ermitage) mas em amarelos e laranjas, cinco homens-embriões tentam, sem instruções e sem roteiro, (re)construir a realidade a partir da areia, matéria limitada e que se lhes escapa por entre os dedos.
Renascimento
Mas há também esperança no meio dos destroços: na tela “Rapazinho colhendo ameixas” (1999), de Larissa Naumova (n. 1945), um rapazinho, banhado pelo sol da manhã, procura ameixas no meio de um amontoado de troncos de bétula caídos, um bosque branco destroçado em que as ameixas são o único toque de cor, embora triste, e olha para nós, como que surpreendido pela nossa presença, talvez com um pedido mudo de auxílio.
Há curiosidade e amor pela vida: na escultura “É só o começo…” (1989), de Adelaida Pologova (1923-2008), em que uma mulher, engelhada pela idade, tenta caminhar, podem ler-se, na base, os versos finais do poema de Paul Claudel “A resposta do sábio Hsien Yuan”: “Porque é que dizemos que é o fim de tudo, quando, na verdade, é só o começo”.
Há, enfim, renascimento espiritual e religioso, depois do colapso do sistema que, propondo-se moldar o homem novo e livre, perseguiu o Cristianismo, demoliu igrejas e catedrais, arrasou cemitérios. Uma metáfora para este renascimento é a tela de Ivan Uralov (n. 1948), “O anjo da nossa aldeia (Achado)” (1998), harmoniosa como um fresco muito antigo, acentuando a ligação com o passado, onde duas mulheres, perto de um rio, se debruçam sobre a figura de um anjo, que jaz como que numa sepultura – o anjo reencontrado da igreja da aldeia (cada igreja tem um anjo, e o anjo continua nesse lugar, mesmo se a igreja tiver sido destruída).
Alguns artistas escolhem a Paixão de Cristo como tema das suas obras: as telas “Levando a Cruz” (1996), de Serguei Repin (n. 1948), “Crucificação” (1994), de Natália Nesterova (n. 1944) e “Gólgota” (1988), de Evcei Moiceenko (1916-1988).
Também profundamente simbólica é a tela “Ícone novo” (1990), de Ivan Lubennikov (n. 1951). Representa um ícone cujos traços são quase indefinidos, como que apagados, destruídos pelo tempo e pelo abandono. Mas sobre essa forma esfumada aparece claramente recortada uma cruz branca, e ainda outra cruz preta, mais pequena, e outra, e outra, cruzes essas que são, ao mesmo tempo, atributos das vestes dos santos em alguns ícones da Rússia Antiga e referências inequívocas ao suprematismo de Casimir Malevitch. “Ícone Novo” aparece assim como uma metáfora para a regeneração da fé Cristã: a religião renegada renasce, emergindo mesmo através das formas da arte que foi um dia símbolo do sistema que a renegou.
Extremos que se tocam
Em 1985-2000, há também artistas que aparecem como herdeiros do abstraccionismo russo e soviético das três primeiras décadas do século XX. A vanguarda de ontem tansforma-se assim em tradição interrompida, à qual se retorna para celebrar e expressar uma outra realidade nova. Encontramos, por exemplo, referências ao abstraccionismo expressivo de Kandinsky, na “Composição Nº3” (1990), de Leonid Tkatchenko (n. 1927) e ao construtivismo de Tatlin, no tríptico “Contra-relevo-estéreo” (1993), de Viacheslav Koleitchuk (n. 1941), em que o painel central, “Contra-relevo-estéreo em estilo arcaico”, é uma reinvenção do motivo da cruz.
Salientam-se ainda a renda geométrica dos barcos inquietos na paisagem metafísica verde de Mikhail Shvartzman (1926-1997), na tela “Perturbação” (1985), a perspectiva e a luz pastel da cidade abstracta de Valentin Levitin (n. 1931), evocando os pátios sempre presentes de São Petersburgo, na “Composição” (1990-92), a luz e as sombras nas texturas simultaneamente diáfanas e telúricas na tela “Obra apócrifa” (1999-2000), de Vladimir Dukhovlinov (n. 1950) e a arquitectura do edifício formado pela memória dos textos sucessivamente raspados e reescritos no “Palimpsesto (Deslocamento da haste)” (2000) de Serguei Sergueiev (n. 1953), tela que é mais uma metáfora para o desaparecimento de uma era e o aparecimento de outra.
…
Uma tradução é sempre uma interpretação, e o descodificar dos vários conteúdos apresentados na exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000” aqui proposto propõe-se ser ponto de partida para a leitura em contexto da mesma exposição. E, porque os extremos se tocam, nas espirais do tempo e das formas, poderá ser ainda ponto de partida para outras reflexões, dramaticamente relevantes no momento presente. “Durante a vida, fui vendo cair o que, em jovem, parecia estar de pedra e cal. Ou me diziam que estava firme como o aço”, diz um dos heróis do romance “A falha” (1999), de Luís Carmelo. Que fizemos com a nossa liberdade? Que fazemos com a nossa liberdade?
Ana Luísa Simões Gamboa, em São Petersburgo
MARILYN MONROE’S UNFORGETTABLE
O dever supremo de qualquer escritor | Pedro Guilherme-Moreira in “Facebook”
O dever supremo de qualquer escritor – de qualquer pessoa – é trabalhar para perceber com a maior clareza possível a sua mediocridade, e só perante um slêncio lúcido, mais ou menos prolongado, recomeçar. E há-de, mesmo que em glória aparente – sempre passageira – voltar a calar-se e a ler e a aprender e a trabalhar com muito afinco, novamente na percepção da sua mediocridade, e a mediocridade é tão móvel como a excelência, e nada tem de casual, como a excelência. E só quando lhe for claro que não faz nada de absoluto poderá fechar a primeira linha. E então sentirá que está esfomeado e juntar-se-á à – rara – alcateia de esfomeados que perora no monte, os que não clamam nada para si além da sobrevivência, tendo presente que não é próprio do lobo comer outros lobos para a alcançar. O escritor deve ser a fera pura, as balas hão-de ser balas, o jogo limpo. Caça-se a matéria do conhecimento, novo ou velho, não a mancha do par. Chegou a hora de nos erguermos acima da merda necessária. Desta mediocridade. Porque até para matar a fome é preciso lucidez.
A uma senhora que me pediu versos | Machado de Assis
Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.
Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.
Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas.
Os sóis e as luas
Creio bem que Deus os fez
Para outras vidas.
SERVIÇO LEBRE | tertúlia de ebooks | novo serviço aos autores. Serviço de promoção e divulgação de novos títulos.
Portal Casa Comum | Fundação Mário Soares
Editorial
2 de Janeiro de 2013

Estamos hoje a iniciar uma nova etapa do projeto construído, desde 1996, no âmbito do Arquivo Mário Soares, a que muitos outros fundos documentais se juntaram entretanto.
Concebido como um projeto de salvaguarda, tratamento e disponibilização pública de documentação histórica relevante, desde o início que a vertente digital foi um elemento fulcral deste projecto – basta atentar em que, logo em 1997, foram colocados acessíveis na internet numerosos documentos e, desde aí, não cessou de crescer essa componente de serviço público.
Hoje, volvidos cerca de 16 anos, chegou o momento de abrir na internet uma nova plataforma, que congrega fundos documentais de diferentes instituições e países e permite o seu cruzamento, abrindo acrescidas oportunidades ao público em geral e aos investigadores.
Trata-se de uma plataforma em língua portuguesa, especialmente vocacionada para servir instituições dos países da CPLP e que, estamos em crer, pode abrir novas e profícuas perspetivas de desenvolvimento dos trabalhos de preservação da Memória Histórica nos nossos países, solidificando as ações de cooperação entretanto desenvolvidas.
No próximo dia 11 de Janeiro de 2013, será formalmente apresentado o portal casacomum.org, dando assim a conhecer as suas potencialidades e as realidades já inscritas nesta nova plataforma eletrónica.
FONTE: http://www.casacomum.org/cc/
Mia Couto in “Antes de Nascer o Mundo”
Modelo não identificada
Prémio Literário Casino da Póvoa divulga finalistas
Já são conhecidos os oito finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, atribuído no âmbito da 14ª edição do Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, que irá realizar-se entre 21 e 23 de fevereiro de 2013.

São os seguintes:
A Terceira Miséria, Hélia Correia, Relógio D’ Água
As Raízes Diferentes, Fernando Guimarães, Relógio d’Água
Caminharei Pelo Vale da Sombra, José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim
Como se desenha uma casa, Manuel António Pina, Assírio & Alvim
De Amore, Armando Silva Carvalho, Assírio & Alvim
Em Alguma Parte Alguma, Ferreira Gullar, Ulisseia
Lendas da Índia, Luís Filipe Castro Mendes, Dom Quixote
Negócios em Ítaca, Bernardo Pinto de Almeida, Relógio D’Água
Marilyn Monroe | Seven Year Itch
Carolina di Monaco by Helmut Newton
HELMUT NEWTON
De nacionalidade australiana, Helmut Newton nasceu em Berlim no dia 31 de outubro de 1920.
Depois de participar, durante a segunda grande guerra, do exército australiano, em 1957 transferiu-se para Paris onde iniciou, profissionalmente, a atividade de fotógrafo.
Fotógrafo de moda e de nus femininos, colaborou com as mais importantes revistas de moda, entre as quais “VOGUE”, “ELLE”, “QUEEN”, “STERN”, “PLAYBOY”. A partir de 1981 passou a residir em Montecarlo.
Devemos reconhecer em Newton o maestro incontestável do “beauty” e de um erotismo personalíssimo. Ele mesmo diz: “Eu sou superficial, as minhas imagens não são profundas, não sou um fotógrafo engajado, amo tudo que é artificial, belo, divertido. O bom gosto é a anti-moda, a anti-foto, a anti-mulher, o anti-erotismo! A vulgaridade é vida, diversão, desejo de reações extremas.”
O ambiente dominante nas suas fotos são as praias da moda, os halls ou quartos de grandes hotéis. O seu erotismo é a exaltação da superficialidade, levada a extremas consequências, mas mesmo assim de grande efeito plástico.
Suas modelos são exatamente o oposto das de Hamilton,delicadas e frágeis,enquanto as de Newton são frias, austeras e inquietantes.
Um grande, um único, com certeza, da fotografia erótica.
Entre as obras publicadas lembramos, “White Woman”, “Sleepless Nights”e “Big Nudes”.
Morre em Los Angeles, em um incidente estradal, no dia 23 de Janeiro de 2004.
Fotografia a preto e branco | Irwin Klein
David Bowie o Camaleão completa hoje 65 anos | in “Facebook”
Falar de David Bowie é falar de um génio, e deveria ser quase como falar de um Deus.
De facto , música de Bowie deve, sem dúvida , ser considerada genial , dado a sua incontornável contribuição artística e inovadora, produzida única e exclusivamente pela sua mente brilhante e criativa.
A extinta revista britânica Melody Maker, nomeou ” Ziggy Stardust “, como o melhor disco dos anos 70, e ele com certeza figura na maior parte das listas dos melhores álbuns da história.
Toda a lenda criada em torno de “Ziggy Stardust” é justa.
Neste álbum , Bowie utilizou toda a sua apurada imaginação e senso estético para criar o personagem do rock star alienígena , que vinha do espaço para salvar a Terra.
O disco reúne algumas das composições mais famosas de Bowie como “Starman”, Sufragette City” e a homônima “Ziggy Stardust”, e se tornou um verdadeiro marco do chamado glam rock. Pouco tempo depois, Bowie assassinaria seu personagem em pleno palco. Era o fim de uma verdadeira febre que tomou de assalto a Inglaterra e, posteriormente, o mundo.
Enganou-se quem profetizou que a morte de “Ziggy Stardust” era o fim de Bowie.
O camaleão estava vivo , e ainda tinha muito para dar à musica no futuro …
Guterres na Gulbenkian in “Sol”
O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados António Guterres e o constitucionalista e professor catedrático jubilado Gomes Canotilho são desde hoje administradores da Fundação Gulbenkian.
Os dois novos membros não executivos substituem no cargo Eduardo Lourenço e André Gonçalves Pereira que atingiram o limite dos seus mandatos em Setembro passado.
Segundo a nota oficial da Gulbenkian, o ex-primeiro ministro António Guterres não receberá qualquer remuneração pelo o cargo, que só aceitou depois de expressamente autorizado pelo Secretário-geral das Nações Unidas.
O Conselho de Administração da Gulbenkian é presidido por Artur Santos Silva e integra os administradores executivos Diogo de Lucena, Isabel Mota, Eduardo Marçal Grilo, Teresa Gouveia e Martin Essayan. O outro membro não executivo é o antigo presidente da Fundação Rui Vilar.
joana.f.costa@sol.pt
A 2013 Reading Challenge | Austenprose’s Pride and Prejudice Bicentenary Challenge
So if you didn’t know already, Jane Austen is my favorite author. In fact my top two favorite books of all time (Pride and Prejudice and Persuasion) were both written by her. The year 2013 marks the 200th anniversary of Pride and Prejudice! It’s no surprise that Austen’s novels are still popular and relevant 200 years later. She wrote stories filled with themes that are relevant no matter what time period you live in. She is, in one word, timeless.
To mark this anniversary, Austenprose is hosting the Pride and Prejudice bicentenary challenge and I’m happy to announce my participation! I’m signing up at the “aficionada” level which requires I read/watch 9-12 books/movies relating to Pride and Prejudice. It’s safe to say that I’m going to blow through this challenge.
If you’re interested in joining yourself, you can find all the pertinent details here. Good…
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Curso de escrita criativa – B-Learning – Porto (6 de Abril a 15 de Junho) – Versão de 10 semanas | Docente: Luís Carmelo
Curso de escrita criativa – B-Learning – Porto (6 de Abril a 15 de Junho)- Versão de 10 semanas
CONTEÚDOS:
Bloco 1 – Descrição/Seleccionar, ordenar, singularizar.
Bloco 2 – Descrição/Pontos de vista.
Bloco 3 – Descrição/Impressionismo e expressionismo.
Bloco 4 – Descrição/ Paisagens e ambientes.
Bloco 5 – Narração/Matéria e circunstâncias.
Bloco 6 – Narração/Os pontos de vista narrativos.
Bloco 7 – Narração/Exposição, complicação, clímax e desfecho.
Bloco 8 – Figurações e funções.
Bloco 9 – Poética/Expressão poética, metáfora e autoreferencialidade.
Bloco 10 – Poética/O eixo das similaridades e a questão do ritmo.
COMPETÊNCIAS A INTERIORIZAR:
1 – Aprofundar de modo muito pragmático as potencialidades plásticas oferecidas pela língua portuguesa.
2 – Optimizar a expressão individual, através da indagação experimental e da exploração dos materiais linguísticos.
3 – Incorporar e aplicar dispositivos que optimizarão a eficácia nas áreas da descrição, da narração e da poética.
4 – Estimular a expressão estética, aliando dados técnicos à natureza codificadamente literária.
PREÇO: 252 €
Ver aqui: http://www.escritacriativaonline.com/artigo.asp?cod_artigo=180849
ISABEL PINHEIRO expõe no Porto, na GALERIA OLGA SANTOS, Pr. da República, 168 a partir 11 de Janeiro. Opening 11 Janeiro pelas 21,30h
Concurso Blogs do ano 2012 | organização do blog AVENTAR | O blog DAS CULTURAS concorre
O Clube de Leitores vai concorrer novamente a Blog do Ano, numa votação levada a cabo pelo Aventar
“O Aventar organiza pela segunda vez um concurso de blogues com o objectivo de promover e divulgar o que de mais interessante se faz na blogosfera portuguesa e de língua portuguesa, e demonstrando a sua diversidade.
É organizado em duas fases de apuramento, a primeira aberta a todos os que queiram participar e a segunda constituída pelos 5 mais votados de cada categoria.”
O Clube de Leitores volta a marcar presença na edição deste ano. Desta feita numa só categoria: Livros / Literatura / Poesia.
FONTE: http://www.blogclubedeleitores.com/2013/01/o-clube-de-leitores-vai-concorrer.html
MATT MULLICAN | A Single Line | Christina Guerra Contemporary Art
17/1 às 22:00 até 27/2 às 20:00
Matt Mullican for this 4th show at Christina Guerra Contemporary Art proposes a simple concept of a single drawn line as the common Architecture that binds the works in his upcoming show.
In the 1970’s Mullican’s Exhibitions could all be read as giant maps describing the relationship of subject to Sign to Art to World to Elements. For this show he brings back this device in order to bind and illustrate recent pictures and objects.
The single line is also a way of redefining what is possible in relationship to his earlier exhibitions at the gallery. Most of the work will be modest in scale and everything will be displayed on a line on the wall.
The line is syntax, structure, context and in a way it represents ‘linear thought’. Recently in an exhibition in Switzerland titled “Who Feels the Most Pain” Mullican used a drawn line to connect pictures of different media. Everything from Rubbings, notes, paintings, objects, models flags were incorporated and laid out all in a row. The thinking being that one understands the image of a man in a photograph in a different way than one understands a drawing of a man on a piece of paper.
The subjects of the pictures displayed on the line will include; Art, Society, Worship, Sex, Gods, Men and Women, Dreams, Work, Identity, Experience, War, Love, Truth, Beauty, Subject, Sign, World, Element, Brain, Cosmology, Coffee Cup, Notebook.
The forms of the pictures displayed will include photo’s, Xeroxes, rubbings, lightboxes, collages, drawings, paintings, etc.
Pictures on the line could also be displayed in groups as in displaying a book.
The artist will be present.
Matt Mullican (b. Santa Monica, CA, 1951) lives and works in Berlin and New York. Important exhibitions include “Organizing the World,” Haus der Kunst, Munich; “12 by 2,” Institut d’Art Contemporain, Villeurbanne, France; Kröller Müller Museum, Otterlo, the Netherlands; STUK Kunstencentrum, Leuven, Belgium; “Pictures Generation: 1974-1984”, Metropolitan Museum of Art, NY, USA; “Matt Mullican: A Drawing Translates the Way of Thinking”, The Drawing Center, NY, USA.
convite exposição | Pedaços de Nós | Kika e Joni exposição a dois
Os Convencidos da Vida | Alexandre O’Neill
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(…) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida – da sua, claro – para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal… sempre foi. ”
Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”
Ônibus reflete a beleza do sol, e a felicidade da cidade maravilhosa! Photo by FABIO MINDUIM
Architecture for Dogs
Com a devida vénia ao autor.
‘Architecture for Dogs’ is a collaboration between some of the worlds game changing Architects and lovely looking dogs with some pretty out there results. If you see one you’d really like for your dog you can download the blueprints and make it at home, although some look ridiculously difficult to build. Have a look at the site for videos of each design and 3d animations of the construction.
O LIVRO É… O Nome da Morte | Ep. 01
Publicado às 19/12/2012
Neste episódio, falamos sobre o livro O Nome da Morte do Escritor Klester Cavalcanti, e conversamos com a escritora Brigitte Caferro no lançamento de seu primeiro livro, Do meu íntimo mais íntimo.
O livro é… será um espaço para indicação e discussão de obras literárias, de todos os gêneros e nacionalidades. Toda quarta-feira postaremos um novo vídeo com dicas, entrevistas e informações sobre o mundo literário.
O livro é… é uma produção independente da Caixote TV.
Ficha Técnica:
Apresentação – Anderson Jader
Câmeras e Edição – Priscilla Miquilussi
Neste episódio contamos com o apoio da Poetria Livros e Arte.
Curta nossa página no Face: http://www.facebook.com/olivroe
Les Miserables 25th Anniversary | Master of the House
Zangada? | Shanaz Shirin Rahman
a natureza e a mulher
Arte de Rua | street art in paris & in the marketplace
Texto sobre a morte | Ana Cristina Leonardo in “Facebook”
Agora leia-se este texto sobre a morte. É só um exemplo. E, por favor, não me lixem.
“Uma ocasião uma jornalista perguntou a Vinicius de Morais se tinha medo da morte.
O poeta respondeu com um sorriso:
– Não, minha filha. Tenho saudades da vida.
De tempos a tempos esta frase de Vinicius regressa-me à ideia. Penso: de que terei saudades, eu? Maça-me morrer porque se fica defunto muito tempo. Estou certo que o meu pai anda chateadíssimo no cemitério, sem livros, sem música, sem oportunidades para ser desagradável. O meu avô, tão diferente do filho, já deve ter feito montes de amigos por lá, todos a comerem percebes à volta de uma mesa grande. E o meu tio Eloy joga às cartas com os outros, a sorrir de satisfação quando lhe saem naipes bons. Costumava inchar na cadeira, a olhar para eles, repetindo
– Muito bem, senhores oficiais
da mesma maneira que, se as coisas corriam mal, se lamentava
– Há muitos anos que sou beleguim e nunca vi uma coisa assim
e vejo-o daqui, sem uma prega, elegantíssimo. A minha tia Madalena lê livros grossos, a minha tia Bia ensina piano e eu sinto medo de não haver papel, nem caneta, nem amigos, nem mulheres. Mas, voltando a Vinicius de Morais, de que terei saudades? De acordar de manhã, no verão, rodeado de cheiros que zumbem? Do mar em Vila Praia de Âncora? Dos cães ferrugentos de Colares e dos seus olhos lamentosos? Da Beira Alta? Da Beira Alta sem dúvida, e do juiz que se gabava de parar o pensamento. Dos gatos que ao fecharem os olhos cessam de existir e se transformam em almofadas de sofá? Da minha filha Isabel ao levá-la a um museu para lhe encher de amor pela beleza os tenros neurónios:
– Estás a gostar?
– Acho um bocado aborrecente
e não tive coragem de dizer que também acho os museus um bocado aborrecentes. Não ligava muito aos quadros, ou antes não ligava um pito aos quadros mas, na época de eu criança, havia escarradores cromados, a cada dez telas, que me interessavam muitíssimo. O problema é que nunca soube cuspir em condições. Ainda hoje não sei cuspir decentemente e, não estou a brincar, envergonho-me disso. No transporte para o liceu sempre admirei os cavalheiros que tiravam um lenço muito bem dobrado da algibeira, o abriam numa lentidão preciosa, puxavam a alma dos pulmões, depositavam-na no lenço num gorgolejo de ralo, competente, profundo, examinavam a alma com satisfação, tornavam a dobrar o lenço e faziam o resto do trajecto com ela nas calças. Talvez seja por isso que nem lenço uso: quando me acho fungoso luto comigo mesmo para não limpar o nariz na manga: a maior parte das vezes consigo. Vou ter saudades daqueles que se assoam com dignidade e estrondo e dos outros, mais comuns, detentores de um poder de síntese que, desgraçadamente, me falta. Passa uma rapariga e eles, logo
– És muita boa
numa concisão admirável, a acotevelarem um sócio distraído
– Viste?
O sócio já só apanha a rapariga ao longe mas concorda por solidariedade
– Chega o verão e descascam-se logo
e o do poder de síntese remata
– Todas umas putas
que é um ponto final que não admite acrescentos, ei-las catalogadas em definitivo, de modo que se passa aos méritos da cerveja preta que, além de acabar com a sede, é óptima para tirar nódoas, seja na camisa, seja no estômago
– Até limpam as úlceras
limpam as úlceras e amortecem o presunto:
– Se as pessoas mamassem uma preta a meio da tarde ninguém adoecia.
Segue-se a inspecção da sola do sapato
– Olha-me para a porcaria deste buraco aqui
e um discurso acerca das fragilidades e misérias do cabedal. Terei saudades disto? Do senhor da mercearia ao pé de mim vou ter de certeza. Está sempre sozinho na loja, atrás do balcão, educadíssimo. Se lhe comprar um maço de cigarros e disser
– Obrigado
responde de imediato
– Obrigado somos nós (…)”
Petali di Seta | °° Golden Dreams, my lovelies! ° | Alain Delon
Petali di Seta com Milla Jovovich
°° Christy Turlington °° | com Chary Giles Aldana
Fotografia de mulher a preto e branco
Flamenco Spanish Guitar. Excellent !!! Enjoy This Acoustic Amazing Gypsy…
Clara Ferreira Alves sobre a inutilidade de Cavaco | vídeo
A Cortina dos Dias de Alfredo Cunha | fotografia
Alguns dos mais importantes acontecimentos da história de Portugal e do mundo foram fotografados por Alfredo Cunha e podem agora ser apreciados no livro A Cortina dos Dias, da Porto Editora.O trabalho do fotojornalista está em destaque, este domingo na Notícias Magazine. Em baixo a imagem que esteve na origem da chamada geração rasca, se calhar agora à rasca.
Dita Von Teese | Photo Credit Scott Nathan Photography
J’ Adore La Mode
Sequin skirt — com Globo Arte
LIVIO GRASSO & ART — com Globo Arte
BIG – Phoenix Observation Tower
Com a devida vénia ao autor.
Copenhagen and New York based Architects BIG’s (Bjarke Ingels Group) design for a mixed use Observation Tower in Phoenix, Arizona. Influenced by Frank Lloyd Wright’s Guggenheim Museum rotunda, the tower marks a pin in the city to provide a new identity to the sky line. The oversize lollipop like structure towers 130 meters above the city consisting of a reinforced concrete and an open-air spiral sphere.
Com a devida vénia ao autor.
O Clube do Filme (em inglês: The Film Club) é um livro do escritor canadense David Gilmour (homônimo do guitarrista do Pink Floyd), lançado em 2007, que trata da educação dada pelo próprio autor a seu filho adolescente, trocando a escola regular pelo compromisso de assistir três filmes por semana. Traduzido e lançado no Brasil em 2009 pela Editora Intrínseca, o livro foi o oitavo mais vendido no Brasil, naquele ano, na categoria “Não-ficção“, conforme levantamento da revista Veja.
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RAINER WERNER FASSBINDER
Com a devida vénia ao autor.
Muito antes de “Matrix” ou “Avatar”, Rainer Werner Fassbinder apresentou esta história que nos remete para a possibilidade de realidades paralelas.
Depois da II Guerra Mundial, da ameaça nuclear e dos grandes avanços tecnológicos, o cinema, se já pensara a ideia de homem-máquina nos seus alvores (de Georges Méliès a Fritz Lang, que o fizera de forma sublime em “Metropolis”), após essa experiência limite do terror, volta a interrogar-se sobre as fronteiras do progresso e as suas implicações em filmes como “2001 – Odisseia no espaço” (Stanley Kubrick, 1968), “Laranja mecânica” (Stanley Kubrick, 1971), “Solaris” (Andrei Tarkovsky, 1972) ou “Blade runner” (Ridley Scott, 1982).
É neste plano que parece, em grande medida, enquadrar-se também “O mundo no arame”, longa metragem de 1973 de um dos grandes realizadores alemães do pós-guerra, Rainer Werner Fassbinder, a partir de agora disponível em dvd, na espantosa edição restaurada que já tinha iluminado as salas…
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José Pacheco Pereira na Revista Sábado
«O ano de 2013 vai ser o ano da viragem que dará razão ao Governo e às folhas de Excel. No fundo, sabemos todos que a Microsoft não teria um software tão famoso, se ele não funcionasse. Ao lado do Excel, as previsões da oposição são feitas com as cartas do Tarot e vendo os programas da Maya.
Dizem que as coisas estão muito mal, mas não estão tão mal como isso. Vejam os manifestantes do 15 de Setembro. São contra o governo? Não, foram contra a TSU, um “erro de comunicação” identificado pelo professor Marcelo e rapidamente corrigido. Para além disso, os mesmos manifestantes são contra as greves e contra os funcionários públicos. Estão os pobres urbanos a favor da revolução? Enganam-se, já os viram a falar contra a greve dos transportes quando as televisões os procuram nas estações? Por eles, acabava o direito á greve já amanhã, juntando-se a Ferraz da Costa numa diatribe sobre o excesso de indisciplina nas empresas públicas e a libertinagem permitida pela Constituição. O Salazar é que os punha na ordem.
Estão os jovens indignados? Estão, estão, contra aqueles que por tornarem “rígido” o “mercado do emprego”, ocupam os empregos enquanto eles são “precários”. Vejam lá se eles vão às manifestações da CGTP? Não vão, porque eles leem blogues, e sabem que os sindicalistas querem continuar a ser “sanguessugas” dos nossos impostos, a ganhar sem trabalhar. Para além disso, os jovens sabem muito bem que o estado não vai garantir-lhes as reformas no futuro e, por isso, para que é que têm que estar a pagar hoje as reformas milionárias acima dos 1300 euros? Os velhos que se cuidem, porque estão a prejudicar os mais novos, como disse o senhor Primeiro-ministro aos jovens da JSD, cheios de confiança nos seus “projectos de futuro” e de carreira. No fundo, sabem que são os “seus” que estão no poder.
Há gente zangada nos restaurantes, nos professores, nos trabalhadores das diversões, nos polícias, nos médicos, nas forças armadas? Não se iludam, são apenas grupos corporativos que estão a perder os privilégios que tinham e a ter que pagar impostos que nunca pagaram. Aliás, são os poderosos que mais estão contra este governo. É o lóbi dos restaurantes que não quer passar facturas, todos representantes de um sector sem interesse para a economia exportadora que queremos construir. Militares? Isso são os restos do PREC e um anacronismo que é preciso corrigir. Já acabamos com o Serviço Militar Obrigatório, agora para que é que são precisas as forças armadas a não ser como uma polícia “pesada” anti-motim? São como os juízes do Tribunal Constitucional, um grupo que julga em causa própria, para defender as suas chorudas reformas, mesmo que para isso tenha que matar a economia. Aliás os verdadeiros inimigos do governo são gente sem valor que se habituou toda a vida a viver do estado e que está apenas a defender a sua reforma atacando vilmente este corajoso governo. Não é Bagão Félix?
Falam contra os bancos e acusam o governo de lhes dar tudo o que pode? Esquerdismo à Louçã, porque a saúde do sistema financeiro é fundamental para a nossa economia e os bancos fazem a sua parte. Há quem coloque o dinheiro no estrangeiro e em offshores? É apenas a natural expressão do receio que tiveram com a bancarrota de Sócrates, a quem apoiaram apenas por engano. No fundo estão a comportar-se racionalmente como deve fazer o grande capital. E a verdade é que, à medida que os seus nomes aparecem no “Monte Branco”, portam-se como devem e pagam os seus impostos. Não é muito, mas eles percebem bem como este governo está ao serviço dos “interesses da economia”, que são também os seus. Tudo gente patriótica.
Só uns intriguistas é que podem dizer que o governo não cumpre contractos com os trabalhadores, ao mesmo tempo que é mole com os offshores e respeitador dos contratos blindados das PPPs. É verdade que muitos dos seus autores, – da blindagem,- estão no governo ou trabalham para o governo nas grandes firmas de advogados e consultadoria, mas isso é porque são competentes e confiáveis. Foram-no antes e são-no hoje. O que é que queriam, que o governo os colocasse á margem, com tudo o que eles sabem e podem? Intrigas e inveja.
2013 vai ser o ano do pensamento positivo, vai mostrar que o optimismo é a melhor atitude a ter na vida. Há crise, sim senhor, mas nós aguentamos. Os portugueses no meio de grandes dificuldades em ajustar-se vão cortar no supérfluo, deixar de comer bifes, lavar só metade dos dentes, e ir ao hospital quando já estão de maca. No fim, vamos chegar vivos. Vamos aguentar. Vamos continuara a dar mostras de civismo e das qualidades de paciência que tornaram o “bom povo português” um exemplo que a Europa segue com carinho e inveja. Na Europa, também tudo está mudar. O país e Vítor Gaspar tem um prestígio incalculável, que é o melhor asset para Portugal. Ele é a Merkel, o Schauble, o Draghi, o Trichet a debitarem elogios e a aprenderem muito connosco. Não cumprir o défice deixou de ser muito importante. Vamos fazer duas ou três emissões com sucesso em 2013, pequenas, a vários prazos, prudentes, e depois os alemães vão colocar-nos a mão por baixo e defender-nos dos mercados, porque com esse sucesso, já podemos ser apoiados pelo BCE. Foi o que nos prometeram, para podermos apresentar a saída da troika como um grande trunfo político. Esperemos que resulte. O resto não interessa, mesmo que isto não seja bem voltar aos mercados, mas só a cabeça negra da oposição dirá isso. E não me venham com tretas sobre a sustentabilidade, porque sustentáveis só temos que ser até ao “que se lixem as eleições”. Depois a culpa passa outra vez para o PS.
Com a saída da troika o governo pode aparecer aos olhos dos eleitores como tendo cumprido o memorando “que outros assinaram”, e, retomado a “soberania” nacional, que “outros perderam”. É verdade que continuamos a ser obrigados a fazer a mesma política mesmo sem a troika, mas deixam-nos uma pequena folga para haver eleições sem ser em estado de calamidade. A troika zela pelos seus e o Pacto Orçamental está lá sempre para por na ordem as tentações keynesianas. Para além disso, como disse Passos Coelho, os números vão ser tão baixos que alguma vez têm que subir.
Vamos continuar a confiar nos dois partidos corajosos que nos vão retirar da bancarrota para onde nos atirou o Sócrates. Vejam a inteligência de Portas, a teimosia convicção de Passos Coelho, a tenacidade de Relvas contra a campanha miserável que lhe fazem, o saber profundo de Vítor Gaspar, a lealdade daqueles deputados que, contra ventos e marés, votam tudo o que é preciso, a fidelidade quase canina dos propagandistas, bloguistas amigos, também assessores, também a trabalhar com os gabinetes nas agências de comunicação e imagem, um serviço muito importante para não haver “falhas de comunicação”. E se as há, é porque não contratam os serviços que deviam, os especialistas nessa arte de “persuasão” que as almas danadas da oposição chamam de manipulação.
Eles sim são homens de princípios. E se estão surpreendidos pelo “canino” na fidelidade, é porque desprezam o melhor amigo do homem, ali, a dar a dar, e que ladra e morde quando é preciso. Fazem-nos muita falta neste tempo de crise, em que, aparentemente solitários, os homens que nos governam, têm consigo a maioria silenciosa dos melhores portugueses e os seus cães. Pensamento positivo, que o pior já passou.
MAS, HÁ UM PEQUENO PROBLEMA…
É que não acredito numa linha do que está escrito antes.»
Test your IQ
« I like to open the doors of the human brain » – Philippe Starck
Biography by Jasper Eder
Whenever we discover an object or a place designed by Philippe Starck, we enter a world of wall-to-wall imagination, surprises and fabulous fantasy.
For more than three decades, this unique and multifarious creator, designer and architect has been a part of our daily lives by creating unconventional objects, whose purpose is to be “good” before being beautiful; iconic destinations, that take the members of his “cultural tribe” out of themselves and, most importantly, towards something better.
His father, an inventor and aeronautic engineer, gave the young Philippe Starck the desire to create and the capacity to dream.
Several years and several prototypes later, he was commissioned to work for President François Mitterrand. This was also when he began designing furniture for leading Italian and international firms.
Philippe Starck designs his hotels and restaurants in the same way a director makes a film. He develops scenarios that will lift people out of the everyday and into an imaginative and creative mental world. His hotels have become timeless icons and have added a new dimension to global cityscape.
Through Philippe Starck’s concept of “democratic design” – increase the quality objects at lower prices so that more people can enjoy the best – he
Norman Foster + Partners
Oscar Niemeyer
Álvaro Siza Vieira
Frank Lloyd Wright Foundation
João Paciência
Cyrano De Bergerac (1990) Cyrano’s Death scene
PORN IN THE WOODS – DEVON DUNHILL CLAPP AT et al projects
Com o devido respeito pelo autor.
«O cadáver adiado»
De Leonel Vicente
O Acordo Ortográfico não ficará incólume e as suas regras serão revistas e modificadas. Ninguém esconde no Brasil esta necessidade de revisão e correcção, tão cultural, social e politicamente sentida que está na base do adiamento decretado. Se as regras vão ser modificadas, e quanto a este ponto não pode subsistir qualquer espécie de dúvida, será um absurdo absoluto que se mantenha a veleidade de as aplicar em Portugal na sua forma presente. Não se pode querer contestar oficial ou, sequer, oficiosamente a existência de três grafias, nada menos de três, como resultado grotesco de uma tentativa sem pés nem cabeça de uniformização delas em todos os países que falam português: a brasileira, a angolana e moçambicana e a irresponsável que é a portuguesa. Torna-se imperativo o reconhecimento oficial de que a única ortografia que está em vigor em Portugal é a que já vigorava antes das desastrosas pantominas que…
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Epiphany/Three Kings Day
Com o devido respeito pelo autor.
Once again, I’m ashamed to say that I was in my late twenties before I ever even know this holiday existed (commemorating the day when the three kings presented their gifts to the baby Jesus). Here’s how they celebrate it here.
You knew it. You knew there had to be one. You were right; they have a special pastry. Every holiday here seems to have its own special pastry and this is not exception. It is a ring of buns, one of which contains small plastic kings. If you get that roll, you win a crown and the right to tell everyone what to do for the rest of the day. Carolers dressed as three kings also roam the streets singing (known as Star Singing).
Who doesn’t love a great loaf of bread? Before we moved, we would sometimes go to our neighborhood’s French bakery and buy a nice…
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Luís Bunuel
Sexo sem pecado é como ovo sem sal.
LUIS BUÑUEL – 1900 – 1983
Dulce Maria Cardoso em destaque no Brasil
O Retorno, de Dulce Maria Cardoso, posicionou-se entre os melhores livros de 2012 no Brasil, de acordo com a selecção do jornal O Globo. A lista é constituída por 15 títulos, incluindo não-ficção e autores estrangeiros. Entre os restantes selecionados, encontram-se Solidão continental, de João Gilberto Noll, e Formas do Nada, de Paulo Henrique Britto.
Design: a poética em estado bruto
Neste livro Luís Carmelo fala-nos do design e da sua relação profunda e perene com a ilusão humana, com o sonho, mas com um sonho em que se pode tocar.
O design começou por ser a pele dos objectos a forma exterior visível e texturada para passar a ser ergonómico, uma pele que é o prolongamento da nossa pele. Tornando-se presente em todos os objectos, evidenciando-se para além da sua forma ou da sua função, acabou por integrar o nosso olhar sobre todas as coisas, como “uma hipnose com os pés na terra.”
“No tempo das narrativas orgânicas e axiais, tudo apontava para âncoras particularmente fixas (heróis mitológicos, o nome de Deus, os valores ideológicos, tanto faz). Agora, os signos apontam para os signos, os sinais para os sinais e os avisos para os avisos.”
Neste livro existe um percurso pela história do design, pelas suas propostas, por alguns objectos que marcaram o autor e até pelas redes sociais, por “esses instrumentos de inscrição expressiva como o Facebook e o Twitter que passaram a traduzir, como nenhuns outros, este renovado design baseado na fórmula vintage “Think small”.
No entanto alerta-nos para o facto de “apeado da eficácia, o design morre, mumifica…”
“Nem sempre o design se dirige para o casamento entre a estética e a eficácia. Muitas vezes reentra num jogo que apenas visa o próprio jogo.” Um ardil de sedução, uma astúcia que propõe a quem o use uma descoberta, um empenho, um entrar nesse jogo, “aspira sobretudo ao logro de quem o use.”
Este livro leva-nos a descobrir o design sobre uma perspectiva apaixonada, numa narrativa poética. “Um novo Deus em cena a escrever direito por linhas muito subtis.”
John Locke: o direito de resistir à tirania by Irene Pimentel
«But if a long train of abuses, prevarications and artifices, all tending the same way, make the design visible to the people, and they cannot but feel, what they lie under, and whither they are going, ‘tis not to be wondered, that they should then rouse themselves, and endeavour to put the rule into such hands, which may secure to them the ends for which government was at first enacted». (Second Treatise, Chapter 19).
Machado de Assis – Brasil
Machado de Assis (Joaquim Maria M. de A.), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor deO Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.
Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência. Foi criado no morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858, era revisor e colaborador no Correio.
10 jan | 18h30 | Lisboa (LeYa na Buchholz): Isabel Jonet e Luís Palha da Silva são os convidados da 4.ª sessão de “Os livros que Influenciaram os Líderes”
ISABEL JONET E LUÍS PALHA DA SILVA SÃO OS CONVIDADOS DA PRÓXIMA SESSÃO DE “OS LIVROS QUE INFLUENCIARAM OS LÍDERES”
Quinta-feira, 10 de janeiro, 18h30 – Livraria LeYa na Buchholz, Lisboa (Marquês de Pombal)
Realiza-se no próximo dia 10 de janeiro, pelas 18h30, na livraria LeYa na Buchholz, em Lisboa, a quarta sessão do ciclo “Os livros que influenciaram os líderes” – uma iniciativa do grupo editorial Leya e da revista “Executive Digest” que consiste em promover encontros entre líderes portugueses para que partilhem com o público os livros e autores que mais os influenciaram ao longo das suas vidas.
A próxima sessão sentará frente a frente, e em torno dos livros, Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, e Luís Palha da Silva, Vice-Presidente da Galp Energia. A conversa será moderada por José Prata, editor da Lua de Papel. A participação é livre.
As concorridas sessões anteriores deste ciclo de encontros já reuniram Luís Paulo Salvado (Novabase) e Carlos Liz (Apeme), Carlos Coelho (Ivity) e Paulo Morgado (Capgemini), e João Costa (PepsiCo Bebidas Iberia) e Fernando Neves de Almeida (Boyden Portugal).
A livraria LEYA NA BUCHHOLZ fica situada na Rua Duque de Palmela, nº4, em Lisboa (ao Marquês de Pombal).
Depardieu : “La Russie est une grande démocratie”
Dans une lettre aux médias russes, l’acteur fait une grande déclaration d’amour à son pays d’accueil.
L’acteur français Gérard Depardieu a confirmé jeudi avoir fait une demande de passeport russe et s’est dit ravi qu’elle ait été acceptée par le président Vladimir Poutine, qui lui a accordé plus tôt dans la journée la citoyenneté, dans une lettre diffusée par une chaîne de télévision russe.
“Oui, j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée. J’adore votre pays, la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains”, a déclaré l’acteur de 64 ans dans cette lettre diffusée en français par la chaîne russe Pervyi Kanal.
Voici l’intégralité de la lettre de Gérard Depardieu :
“Oui j’ai fait cette demande de passeport et j’ai le plaisir qu’elle ait été acceptée.
J’adore votre pays la Russie, ses hommes, son histoire, ses écrivains.
J’aime y faire des films où j’aime tourner avec vos acteurs comme Vladimir Mashkov.
J’adore votre culture, votre intelligence.
Mon père était un communiste de l’époque, il écoutait Radio Moscou ! C’est aussi cela, ma culture.
En Russie il y fait bon vivre. Pas forcément à Moscou qui est une mégapole trop grande pour moi.
Je préfère la campagne, et je connais des endroits merveilleux en Russie.
Par exemple, il y a un endroit que j’aime, où se trouve le Gosfilmofond, dirigé par mon ami Nikolai Borodachev.
Au bord des forêts de bouleaux, je m’y sens bien.
Et je vais apprendre le russe.
J’en ai même parlé à mon président, François Hollande. Je lui ai dit tout cela.
Il sait que j’aime beaucoup votre président Vladimir Poutine et que c’est réciproque.
Et je lui ai dit que la Russie était une grande démocratie, et que ce n’était pas un pays où un Premier ministre traitait un citoyen de minable.
J’aime bien la presse, mais c’est aussi très ennuyeux, car il y a trop souvent une pensée unique.
Par respect pour votre président, et pour votre grand pays, je n’ai donc rien à ajouter.
Si je veux ajouter encore sur la Russie, une prose qui me vient à l’esprit…
Que dans un pays aussi grand on n’est jamais seul,
Car chaque arbre, chaque paysage portent en nous un espoir.
Il n’y a pas de mesquinerie en Russie, il n’y a que des grands sentiments.
Et derrière ces sentiments beaucoup de pudeur.
Dans votre immensité, je ne me sens jamais seul,
Slova Rossii !!
Spasibo !”
FONTE: http://www.lepoint.fr/societe/depardieu-je-vais-apprendre-le-russe-03-01-2013-1608322_23.php
Danuta – lupadesign, comunicação, ilustração e ideias
Lisboa e Cervantes by Manuel S. Fonseca in “Escrever é Triste”
Prometido aqui ao Henrique, cumpro. Num excesso de zelo, proponho mesmo tradução audaciosa. Camões tinha morrido pouco tempo antes. Esta era a Lisboa que os olhos do português tinham visto. Viam-na agora, assim, deslumbrados, os olhos de Cervantes:
Ao cabo destes ou poucos mais dias, ao amanhecer de um, disse um grumete, do cimo da gávea principal, donde ia descobrindo terra:
– Alvíssaras, meus senhores! Alvíssaras peço e alvíssaras mereço. Terra! Terra! E melhor seria dizer: Céu! Céu! Porque é sem dúvida a Lisboa que chegamos.
A notícia arrancou lágrimas ternas e alegres aos olhos de todos, especialmente aos de Ricla, dos dois Antónios e aos de sua filha Constanza, porque lhes pareceu terem chegado à terra prometida porque tanto ansiavam.
António lançou-lhe os braços ao pescoço, dizendo:
– Sabes agora, minha bárbara, o modo como hás-de servir a Deus, com uma relação mais copiosa, ainda que não diferente, da que te ofereço eu; verás os ricos templos onde é adorado; verás ao mesmo tempo as cerimónias católicas com que o servem e como a caridade cristã atingiu o cume. Aqui, nesta cidade, verás como os muitos hospitais são os verdugos da doença que destroem, e aquele que neles perde a vida, rodeado pela eficácia de infinitas indulgências, ganha a do Céu. Aqui, o amor e a honestidade dão-se as mãos e passeiam juntos; a cortesia não deixa que se pavoneie a arrogância, nem a valentia que se acerque a cobardia. Todos os seus moradores são agradáveis, são corteses, são liberais e são enamorados, porque são discretos. A cidade é a maior da Europa e a de melhores maneiras; nela se descarregam as riquezas do Oriente e daqui se espalham para todo o universo. O porto é de grande capacidade e encerra não somente uma multidão de navios, mas florestas móveis de árvores que os mastros das naus formam. A formosura das mulheres espanta e apaixona. A galhardia dos homens pasma, como eles dizem. Esta é, enfim, a terra que ao Céu presta santo e generosíssimo tributo.
Miguel Cervantes, “Libro Tercero de los Trabajos de Persiles y Sigismunda, Historia Setentrional”
FONTE: http://www.escreveretriste.com/page/2/
Felicidário – 365 ideias para menores de 65
Se é difícil definir a felicidade aos 20, aos 30 e aos 40, imaginem aos 60 ou aos 70. Foi por isso que nasceu o Felicidário. O Felicidário é um calendário e também é uma espécie de dicionário com 365 definições práticas de felicidade. Aos 65, a felicidade é arrumar as botas e fazer crochet, é gozar o dolce fare niente ou fazer aquilo que nunca se fez? Todos os dias, durante um ano, o Felicidário sugere uma nova ideia de felicidade para maiores de 65 anos.
No Felicidário, a felicidade não tem idade e é ilustrada por Afonso Cruz, André Letria e Ricardo Henriques, André da Loba, Aka Corleone, Bernardo Carvalho, Carolina Celas, Irmão Lucia, Julio Dolbeth, Madalena Matoso, Maria Imaginário, Tiago Albuquerque e Yara Kono.
O Felicidário é um projecto da Associação Encontrar+se em parceria com aLintas.
Ver aqui: http://felicidario.encontrarse.pt
SOU EXU by Jorge Amado
Read more: http://sociologias-cultura.blogspot.com/2011/12/um-olhar-sobre-jorge-amado.html#ixzz2GwqHoCba
O que sobra das nossas Forças Armadas não vai servir para nada by JPP in “Abrupto”
Mulheres vencem em todas as categorias de prémio literário no Reino Unido in “Diário Digital”
Pela primeira vez na história do prémio literário britânico Costa Book Awards, mulheres venceram em todas as categorias. Cada vencedor por categoria recebe 5 mil libras.
A romancista Hilary Mantel recebeu o prémio de melhor romance com «Bring up the Bodies», que já lhe tinha dado o prémio Man Booker e o National Book Award na categoria de Autor do Ano.
A escritora Mary Talbot e o seu marido Bryan Talbot -veterano da BD – receberam o prémio de melhor biografia com o romance gráfico «Dotter of her Father’s Eyes», a biografia da filha de James Joyce, Lucia, que se entrelaça com as memórias da relação perturbada da autora com o seu pai, o académico especialista em Joyce, James S. Atherton.
A jornalista e escritora Francesca Segal recebeu o prémio de melhor primeira obra com «The Innocents», que se passa numa comunidade judia em Londres.
A poeta escocesa Kathleen Jamie recebeu o prémio de poesia pela sua antologia «The Overhaul» e o prémio da literatura infantil foi para a escritora e ilustradora Sally Gardner por «Maggot Moon».
No próximo dia 29, numa cerimónia em Londres, será anunciado o livro do ano.
Professor Roberto, hoje às 18 horas
Exposição – Museu d’Aguarela Roque Gameiro – Minde
Bolas de Neve em Janeiro no Teatro Rápido
| “Bolas de neve, Dalila. Bolas de neve. Toda a gente as causa vida fora. Atos particulares, aparentemente inocentes, que rebolam ladeira abaixo, arrastando um conjunto futuro de eventos. Às vezes, de crescente maléfico. E a Dalila, ao longo da vida, já causou muitas bolas de neve.” Uma mulher presa num mundo imaginário sem fim, é confrontada com as suas ações, promessas, ou simples reações que afetam a vida de outros, mesmo sem ter noção disso.SALA 1 – Bolas de Neve Horário das sessões: 18h00 / 18h25/ 18h50/ 19h15/ 19h40/ 20h05 de quinta a segunda | M/12 | 3€Texto Susana Romana Encenação Bernardo Gomes de Almeida Interpretação Ana Varela e Ricardo de Sá |
Nemesis de Philip Roth por Urbano Tavares Rodrigues
A atmosfera fétida deste romance onde o pânico da poliomelite, dos micróbios, do contágio avassala populações inteiras de cidades e campos de jogos, mostra-nos um Philip Roth que sai dos seus registos habituais para mergulhar no horror.
O herói é um simples monitor de exercícios ginásticos, que vê fugir-lhe a rapariga pela qual se apaixonou para um jovem doente que ele ampara como se seu filho fosse e que, ainda todo lacerado pelo mal que o afetou, recusa por sua vez o amor dela, superaltruísta, nestas circunstâncias.
O herói firme, mas apagado, que é Buck Cantor glorifica-se, no final do romance, como lançador de dardo.
Um inesperado romance de Philip Roth, fora dos seus registos habituais.
FONTE: http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=31115
Dennis Mecham, Audrey Hepburn, Keith Richards, Lauren Bacall
Pinturas by Clotilde Fava
CRISTINA CARVALHO em “MARGINAL”
(…) Desgraça era já quase não ser nem mulher nem nada. Desgraça era continuar assim seca, humilhada, inútil! Quantas vezes em noites mais quentes, o Aníbal coxo a soprar um fino fio de respiração pelas narinas, dormindo sossegadamente e ela em sufoco desesperado a encostar-se muito às suas pernas tesas, praticamente paralíticas. E encostava-se tanto e tanto e tanto e tanto e tanto que chegava a magoar-se e a sentir-se mal, subiam-lhe náuseas pelo peito acima, não queria tocar-lhe em mais lado nenhum embora lhe apetecesse muito e tinha uma resposta preparada «Que queres? Devia estar a sonhar, algum pesadelo…»
CRISTINA CARVALHO em “MARGINAL” – livro (romance) a aparecer no próximo mês de Fevereiro publicado por Planeta Manuscrito – Portugal
António Paiva
António Paiva, nasceu a 21 de Março de 1959, em Santo André, Vila Nova de Poiares, uma vila situada entre a Serra da Lousã e o Rio Mondego. Cresceu na aldeia de Travasso, concelho de Penacova.
Por lá estudou e pastoreou até à idade de 18 anos, a partir daí foi para a cidade de Coimbra, onde prosseguiu os estudos e iniciou a sua vida profissional. No ano de 2000 decidiu rumar à bela ilha da Madeira, onde residiu até Março de 2010. Em Abril de 2010 fixou a sua residência no Seixal, tendo como cenário dos seus dias a magnífica Baía do Seixal e o rio Tejo.
Apesar de a escrita o acompanhar desde muito cedo. Só em finais de Agosto de 2006, surge a publicação do seu primeiro livro de poemas, “Juntando as Letras”. Em Maio de 2007, é editado o seu segundo livro, “Janela do Pensamento”, uma compilação de poemas e prosa poética. Quase a terminar o ano, em Outubro de 2007, nasce mais um livro de poemas e prosa poética, intitulado “Navegando nas Palavras”. No ano de 2008 fez parte de um grupo de onze autores, que lavraram e assinaram as páginas do livro, “Leituras Soltas”, uma edição conjunta da Fnac e da editora O Liberal, lançado a 13 de Dezembro.
Abril de 2009 é editado o seu primeiro livro exclusivamente em prosa “Pedaços de Vida e Fantasia”. Em Outubro do mesmo ano é editado o seu livro “70 poemas por um sorriso”. Em Abril de 2010 edita de novo em prosa “Livro Imperfeito”. Maio de 2011, “À Conversa Com Alves Redol & As Sequelas” saiu da gaveta para habitar as páginas de um livro.
Obras colectivas em que participou:
Leituras Soltas – 2008, Antologia Poético-Literária 7 Pecados – 2010, Colectânea Arte Pela Escrita III – 2010, Antologia de Poesia Contemporânea Entre o Sono e o Sonho Volume III – Chiado Editora, 2012..
Prefácios a obras de outros autores: Brisas do Mar, de Vanda Paz, Novembro de 2008. Pedaços do Meu Sentir, de Vítor Cintra, Maio de 2009, Uma Prosa… Um Verso, da escritora brasileira Ibernise Maria, Novembro de 2009, Águas de Ternura, de António MR Martins, Março de 2011.
Em Dezembro de 2007, O Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, confere-lhe o Diploma de Honra e Mérito ao Escritor.
Página pessoal:
http://www.antoniopaiva.net
VIAGEM NO PASSADO POR CAUSA DO PRESENTE por José Pacheco Pereira in “Abrupto”
Leitores do PÚBLICO elegem Afonso Cruz, ALT-J e Moonrise Kingdom como os melhores do ano
Há dois nomes portugueses entre os melhores do ano para os leitores do PÚBLICO. Afonso Cruz, que venceu de forma inequívoca a votação para eleger o melhor livro de 2012, com Jesus Cristo Bebia Cerveja. Miguel Gomes ficou em segundo nas preferências dos leitores para o cinema, com o muito aplaudido Tabu.
As escolhas foram feitas online em três votações separadas ao longo de quatro dias – entre dia 28 de Dezembro e o último dia do ano –, a partir de três listas com 50 livros, 50 discos e 50 filmes pré-seleccionados pelos jornalistas e críticos do PÚBLICO.
Jesus Cristo Bebia Cerveja (Alfaguara) venceu com 19% dos votos na Literatura, à frente de A Piada Infinita de David Foster Wallace (Quetzal) e de 1Q84 de Haruki Murakami (Casa das Letras), que amealharam respectivamente 10% e 9% dos votos. O resultado desafia as escolhas do ípsilon, que não incluíam nem Afonso Cruz nem Murakami (à frente ficaram, além de Foster Wallace em terceiro, O Bom Soldado de Švejkde Jaroslav Hašek em primeiro e Já Então a Raposa Era o Caçador de Herta Müller em segundo).
No cinema, Tabu foi, para os críticos do PÚBLICO, o filme do ano. Mas os leitores que participaram na votação preferiram Moonrise Kingdom (14%), de Wes Anderson. O filme de Miguel Gomes ficou em segundo (13%) e Vergonha, de Steve McQueen, em terceiro (11%). Estes dois também fizeram parte dopódio no ípsilon.
À lista de 50 filmes levada a votos, os leitores acrescentaram, no espaço para comentários, muitos outros títulos. Entre os mais citados encontram-seAmigos Improváveis (Olivier Nakache e Eric Toledano), Cloud Atlas (irmãos Wachowski), Looper – Reflexo Assassino (Rian Johnson), Os Vingadores(Joss Whedon) e Temos de Falar Sobre Kevin (Lynne Ramsay).
Nos discos, Tame Impala é consensual entre críticos e leitores: Lonerism é um dos melhores do ano. Só muda a posição na tabela, do primeiro lugar para o segundo (8%). Para os leitores, o melhor disco de 2012 foi An Awesome Wavede ALT-J (10%). The xx é o terceiro nome no topo da lista, com Coexist, com o mesmo resultado de Tame Impala (8%).
A escolha do disco do ano foi a que mais participação gerou. E mais sugestões de novos títulos para a lista: Desfado de Ana Moura, Wrecking Ball de Bruce Springsteen, Shields de Grizzly Bear e Confess de Twin Shadow foram alguns dos álbuns de que os leitores mais sentiram falta na votação.
FONTE: (HUGO TORRES) – http://www.publico.pt/cultura/noticia/leitores-do-publico-elegem-afonso-cruz-altj-e-moonrise-kingdom-como-os-melhores-do-ano-1579128?fb_action_ids=466955423341536&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%22466955423341536%22%3A514911288529710%7D&action_type_map=%7B%22466955423341536%22%3A%22og.recommends%22%7D&action_ref_map=%5B%5D
Antonio Negri. “Não há saída para a crise. A guerra tornou-se uma possibilidade”
Antonio Negri, conhecido por Toni Negri, é um pensador e activista italiano. É autor de uma vasta obra em que o pensamento político radical se mistura com a filosofia de Espinosa. Foi dirigente da organização de extrema-esquerda Poder Operário. Esteve preso. É nome cimeiro da corrente marxista autonomista.
Num dos seus muitos livros, Antonio Negri fala de Kairòs, o momento em que Deus toca na história; este filósofo italiano que nasceu em Pádua em 1933 já viu muitas vezes a história ser feita. E pagou o preço por isso. Acusado, por “arrependidos”, de ser o mentor ideológico das Brigadas Vermelhas, esteve preso. A Itália assustada com o terrorismo de extrema-direita e de extrema-esquerda precisava de exorcizar os seus fantasmas, mesmo que isso significasse acusar falsamente. Tem uma vasta obra escrita, em que se destaca, depois da sua libertação da prisão, “O Império”, escrito com o norte-americano Michael Hardt. Esteve em Lisboa para falar de manifestações e dos novos manifestos que aí vêm.
A crise a que assistimos hoje é uma crise normal ou é uma crise extraordinária que pode levar a uma ruptura?
É uma crise ligada a uma transformação profunda da ordem política, das condições tecnológicas da produção, e sobretudo devida à globalização. É este processo que está na base da crise, mas sem as transformações tecnológicas a globalização financeira não teria sido possível. Sem a forma como se trabalha a informática e a comunicação, a mobilidade e a flexibilidade de todas as forças produtivas seriam impossíveis. A globalização económica e a transformação informática são as duas faces de uma mesma moeda. Esta mutação é acompanhada pela passagem ao capitalismo financeiro em que o capital financeiro se torna o veio fundamental da globalização. É em torno da finança que se organizam os mecanismos de comando desta sociedade globalizada. Esse processo não se faz sem problemas. A transformação do universo financeiro dá aos mercados a possibilidade de mudar as estruturas políticas. Assistimos ao declínio relativo soft, mas real, da potência norte- -americana e ao nascimento de uma nova polaridade: a China. E ao mesmo tempo à crise do bloco europeu. Tudo isso contribui uma crise que é global.
Mas é uma crise profunda?
É uma crise muito profunda, extremamente profunda. No caso da Europa, ela não é capaz de gerir com uma organização adequada as transformações políticas inerentes à globalização. Não tem instrumentos políticos que lhe permitam defrontar a crise global, e por outro lado há uma crise financeira. Nesse campo, as instituições e os instrumentos financeiros europeus não foram capazes de resistir à pressão anglo-americana. E isso é perigoso porque as tornou integradas com as práticas dos capitalistas americanos que desencadearam a crise. Temos portanto uma crise que é provocada, em certa medida, por nós mesmos, europeus, que não conseguimos sair desta crise. Estou muito pessimista.
Está em Lisboa para participar numa iniciativa internacional sobre manifestações e manifestos. Observamos na Europa e no mundo um tempo de emergência de tumultos e de revoltas. Acha que elas podem ter sentido e conduzir-nos a uma modificação estrutural da situação? O seu amigo Slavoj Zizek costuma dizer que um dos problemas desta época é que acreditamos mais na possibilidade de uma catástrofe ou de uma invasão alienígena que na simples possibilidade da mudança de um modo de produção…
A questão posta nestes termos pode ter a mesma resposta que deu Zizek. O problema é que talvez os termos da proposição não estejam correctos. As pessoas são diferentes daquilo que a gente imaginava. Hoje a transformação das classes subalternas, que são aquelas que teriam interesse numa revolução, são extraordinariamente profundas. Há uma ligação cada vez mais plena, pelo menos nos países desenvolvidos, entre o velho proletariado e uma classe média enormemente empobrecida. E isso determina dificuldades profundas, de linguagem e de instrumentos de comunicação em torno dos protestos, mas sobretudo de projecto. Mas há elementos revolucionários em si: a indignação, e não falo especificamente do movimento dos indignados, e a consciência cada vez mais profunda e forte de que a ordem democrática inventada no século xviii e concretizada de uma forma global após a queda da União Soviética não é qualquer coisa que se possa confrontar com a ordem mundial que agora se impôs. Há uma crise política que alimenta reflexões e movimentos extraordinariamente poderosos. A crise está lá: à direita e à esquerda. A crise da representação política está presente em toda a Europa.
Em Itália temos o governo dos tecnocratas…
Em Itália atingiu-se o grotesco. É sempre assim, os italianos são sempre demasiado inteligentes de forma que conseguem sempre fazer as coisas na forma pior. É evidente em Itália que a democracia já não existe. O que sobra é uma espécie de ditadura comissária, como se define nos tratados que eu estudava quando era jovem. Percebia-se, lendo Friedrich Carl, que a ditadura romana não era igual a uma ditadura como a de Mussolini, mas era um regime que procurava a ordem do bem-estar de uma nação, através da entrada de uma vontade exterior na resolução de uma crise anterior e interna.
Na sua obra põe o acento da mudança, não nas condições económicas existentes, mas na tradição do “operaismo” italiano, na acção de quem trabalha.
No “operaismo” damos mais importância ao movimento: mais importância ao trabalho vivo em relação ao trabalho morto e à condição institucional. Mas não esquecemos essa parte, até porque há sempre acção e resistência. Hoje estou convencido que o grande problema é que a relação entre acção institucional e realidade social é uma relação quebrada. Podemos retomar, num sentido diferente, a célebre fórmula de Mao de que “um se partiu em dois”. O problema não é somente dos proletários que têm dificuldades ou dos movimentos de indignação, é também criado pela nova ordem financeira. Há uma ordem financeira que movimenta muitas vezes mais capital que aquele que corresponde à produção de bens e serviços. Neste quadro, o keynesianismo já não funciona, não pode funcionar a nível nacional, e a nível global não tem interlocutores como os sindicatos. Tudo aquilo que representava a velha lógica fordista da produção não pode existir numa relação globalizada. Qual é a regra pela qual o capitalismo financeiro deseja desenvolver-se? Vivemos o risco de ver desencadear uma guerra. Nestas condições, em que não há uma saída objectiva para a crise, a guerra tornou-se uma possibilidade.
Uma guerra no Irão seria uma escapatória possível para a actual crise económica?
Não acredito que a guerra vá ser decidida porque há uma crise. Acredito que a crise pode determinar a guerra. A conflitualidade é sempre depois. Tenho medo. Vi no outro dia o primeiro-ministro israelita dizer que “a guerra estava muito longe”, logo os meus receios de que esteja próxima podem ser fundados [risos].
Nos seus trabalhos rompe com a lógica tradicional dos pensadores associados ao comunismo: a existência de uma classe de vanguarda e de um partido de vanguarda. Defende uma mudança que venha de baixo…
Já não há vanguardas da classe operária.
A pergunta que lhe queria fazer é como pode acontecer uma mudança de baixo feita por uma multidão de singularidades. Como pode uma massa de diferentes criar uma espécie de sentido para criar algo de novo?
É preciso ter atenção. Não é verdade que sejam todos diferentes. É verdade que a Primavera egípcia parece nada ter que ver com o movimento de Madrid e que a luta dos subúrbios de Paris ou de Londres nada têm que ver com o movimento do Occupy Wall Street, mas é também verdade outra coisa que é a existência de um efeito de imitação extremamente poderoso. E ao falar de efeito de imitação não estou a abordar alguma coisa de simbólico: os efeitos de imitação nas bolsas mundiais são elementos fundamentais para perceber a crise em que vivemos. Por seu turno, não podemos explicar os movimentos e as revoluções de 1848 sem abordar os efeitos de imitação, mesmo numa altura em que os meios de comunicação social eram embrionários, como não podemos explicar 1968 sem eles. Devemos por isso ser prudentes nessa análise. É verdade que a força de trabalho que era composta pelo proletariado se transformou radicalmente. Nisso entraram a comunicação e o conhecimento. A comunicação não é apenas que nós dois podemos comunicar. É o facto de nós dois podermos produzir juntos através da comunicação, da informação e do saber. Actualmente assistimos a um mundo em que há formas comuns que se foram consolidando. Por exemplo, o comum da dívida. Hoje em dia se fizermos uma análise de tipo humano da exploração, vai encontrar no cimo, não o homem explorado, mas o homem endividado. E o homem endividado está dentro de uma rede, e está numa rede que pode tomar consciência do peso da dívida e revoltar-se. Há outras redes, como a dos homens “mediatizados”, aqueles que são alienados da comunicação. Mas aqui também é possível ver instrumentos de comunicação que podem determinar uma subjectividade alienada transformar-se em forças enormes de revolta. E há o homem “securizado”. Todos os governos de direita fazem um apelo evidente a isso. A procura de segurança é uma necessidade que encontra campo nas pessoas perante uma insegurança crescente. Uma ordem mantida pelo medo. E há ainda o problema do homem representado, representado de que forma? Chegamos aos absurdos mais inimagináveis: a corte suprema americana deu a autorização de serem anónimos aos que contribuem com fundos para as campanhas dos candidatos. Significa que a riqueza enquanto tal assume o papel fundamental na escolha da classe dirigente. Entramos no reino da pura loucura.
Aparentemente, apesar do efeito de contágio, os movimentos produzem resultados diferentes: os indignados marcham por uma democracia real, a Primavera Árabe levou ao triunfo do fundamentalismo islâmico e o discurso da insegurança faz subir a extrema- -direita em toda a Europa…
Julgo que abordou aqui um problema fundamental que é a forma como podemos utilizar uma mesma situação. Como sabe, há, por exemplo, uma teoria que parte de Maquiavel que é democrática e há uma teoria que parte do mesmo autor que é contra as mudanças. O jogo está sempre aí. E é necessário saber jogá–lo. Estou extremamente pessimista, e não sobretudo pela sorte da herança de Maquiavel, mas pelo destino da humanidade (risos). Honestamente, hoje chegámos a um ponto em que, como dizia o velho Karl Marx, as forças produtivas e as relações de produção estão numa contradição profunda.
Mas essa contradição não tem aparentemente um sujeito histórico que a cavalgue.
Estou convencido que essa força é o trabalho cognitivo. As forças que trabalham na informação e na comunicação, não falo obviamente dos jornalistas [risos]. É, por exemplo, a luta nas universidades e a criação de uma nova subjectivação. Hoje os instrumentos não são os partidos. De direita ou de esquerda, os partidos estão completamente afectados pela crise da representação.
Defende que se devem recusar as eleições e a escolha de representantes democrática?
Para mim, vivemos um momento de existência de um poder constituinte que reinvente radicalmente as instituições que nos permitem viver juntos. Não sei quem as vais reinventar. Acho que não devemos resolver esse problema em Wall Street. O dinheiro deve assumir um poder constituinte ou são os de baixo que devem fazê-lo? Quem vai ganhar?
Em 2009, na sua intervenção no colóquio internacional sobre a ideia do comunismo, defendeu a multiplicação das acções da multidão contra o Estado, a vivência de uma militância comum e a criação de novas instituições…
É evidente que todo o movimento de subjectivação só pode partir de subjectividades que tenham mudado. As mudanças começam pela alteração da singularidade e é preciso fazê-las. Não há um qualquer partido comunista que as faça por nós. Eu venho de uma família de tradição comunista, em que vi gerações de pessoas decididas a fazer as coisas. Somente assim é possível produzir subjectivações que se tornem reais. Depois o problema é que de facto vivemos numa situação que é revolucionária. Mas dizer isso não significa que haja uma revolução. Quando Marx começou a escrever “O Capital”, em 1858, dizia “assistimos à crise mais bela”, era uma crise terrível, que lhe permite entender as leis exteriores ao capital, que são aquelas que decorrem da luta de classes. Estamos numa situação parecida, entramos num mundo novo, no qual ninguém sabe o que se passará. A consciência desta ruptura em que “um se dividirá em dois” está hoje presente.
Assistimos um pouco por toda a Europa à destruição das empresas públicas. No entanto, faz na sua obra uma distinção radical entre serviços públicos e bens comuns, tendo uma apreciação negativa daquilo que é público. Defende os serviços públicos neste contexto de destruição do Estado social?
Vou dizer-lhe claramente. Em Itália fizemos um referendo para impedir a privatização das águas. Foram 28 milhões de italianos que votaram contra a privatização da água, e neste momento o governo, com o apoio da Europa, decide privatizar a água enquanto nós, os 28 milhões, lutamos para que a água fosse um bem comum. Não só a água, mas tudo aquilo que existe em torno dela deve ser gerido de uma forma democrática. Há 28 milhões de pessoas que votaram isso e agora querem-nos impor uma água privada mascarada de pública. Considero que o público não é mais que uma garantia do privado. Hoje em dia o público não é mais que a manutenção da ordem pública para dar aos privados, numa relação de subordinação, os bens comuns e a exploração das coisas. O público foi sempre nas democracias capitalistas alguma coisa que servia os interesses privados. Parecia existir apenas numa outra correlação de forças, num tempo em que a revolução soviética e o medo da União Soviética, e as lutas de classes nos países ocidentais determinaram essa existência. Uma existência que era mais forte em nossa casa, porque estávamos mais perto dos soviéticos, e bastante menos forte no Texas, que estavam mais longe da União Soviética [risos].
Falava nos movimentos universitários, mas assiste-se em Portugal a um processo em que cada vez é mais caro estudar no ensino superior.
Por todo lado tanto vemos a privatização falir como trinfar. Estive no Chile, e aí há um forte movimento antineoliberal com uma fortíssima capacidade de subjectivação. Na América Latina assiste-se a uma verdadeira revolução nos últimos 20 anos. Esta irreversibilidade do caudilhismo, a ruptura da dependência económica com os países do Norte. No Brasil foi instituído o rendimento mínimo garantido. Eram coisas inimagináveis há décadas. Ontem estive com uns amigos e eles diziam que a Biblioteca Nacional portuguesa está quase sem dinheiro. E eu dizia-lhes: “Porque não pedem aos brasileiros?” A manutenção do património da língua portuguesa é também do interesse deles. E não é irrealista, mas se eu dissesse há 20 anos que o Brasil estava em condições de dar dinheiro a Portugal ninguém me acreditaria.
Em Portugal seria mais provável ser privatizado para os chineses comprarem [risos]…
Ai, também é necessário ser prudente. Nunca se sabe o que se passa na China. A definição do capitalismo chinês exige rigor. Ali o poder das empresas públicas é gigantesco. E é preciso perceber que toda a crise cíclica do capitalismo global, que nos engloba a nós e a eles, vai necessariamente repercutir-se na China e acerbar contradições. Até porque os chineses não são carneiros. São pessoas.
Há mais de uma década escreveu “o Império”, com Michel Hardt, e aí defendia que havia uma espécie de desaparecimento da soberania dos estados. Mudou de opinião com este recrudescimento das potências nacionais: as guerras dos Estados Unidos, o aparecimento da China, a imposição da vontade alemã na Europa, etc.?
Mudámos e não mudámos. É evidente que não houve uma constitucionalização do império, mas também é evidente que mesmo os poderes nacionais fortes, como a China e a Alemanha, estão completamente subordinadas ao mercado. E esse mercado não tem pátria, apesar dos esforços chineses e americanos. Dito de outra forma, o soft power americano é isso, é a transposição do poder político para o poder financeiro. Estamos a viver essa forma do declínio americano que é clássica: já se tinha passado em Espanha há séculos, aconteceu com o Reino Unido há uma centena de anos.
Pensa que é possível que os EUA percam a hegemonia político-militar?
Do ponto de vista militar isso é totalmente evidente. Os EUA perderam todas as guerras em que se têm metido. Não sei se têm a capacidade de vencer o Irão. Os israelitas também perderam a última guerra em que se meteram no Líbano. É preciso ser realista, eles não são a grande potência que as pessoas imaginam. Há 20 anos, quando escrevíamos “O Império”, tivemos conhecimento de um livro de Joseph Nye em que se falava do conceito de soft power. O autor era colega do Michael Hardt e ficamos fascinados pela sua tese, em que ele dizia com todas as letras que a grande potência americana tinha de certa forma terminado. Neste momento está a fazer lobbying em Washington a vender o presidente. Foi assim que passaram do governo à governança, e esta não se faz com os porta-aviões, mas com o poder financeiro e as agência de notação.
Participou em 2009 numa conferência internacional com o desafio de discutir uma nova ideia de comunismo. Nela estiveram presentes dezenas de pessoas, entre os quais Badiou, Rancière ou Hardt. Há uma convergência entre filósofos diferentes a este ponto?
Há grandes diferenças, mas isso não significa nada. Aquilo que é importante é que voltámos a conseguir estar juntos para falar do comunismo.
Há algum futuro numa palavra que nos dias de hoje está contaminada por regimes como a Coreia do Norte e a China?
Eu sou contra o estalinismo desde que nasci. Estive preso porque os comunistas italianos me deixaram ir para a prisão. Nunca joguei esta ambiguidade. Para mim a ideia de comunismo é a que tinham o meu pai e os meus irmãos, a vontade de construir uma sociedade em que a igualdade é fundamental, em que não haja patrões, sobretudo patrões idiotas [risos]. Eu nasci durante o fascismo. Tinha 12 anos quando o fascismo caiu e não foi bom viver nesses tempos.
Viveu grande parte do século xx e a sua transição para o xxi. Tem esperança?
Sou pessimista porque tenho medo. Vejo o que há, mas da outra parte sinto a potência deste século de reiventar, talvez não o comunismo, certamente não o comunismo soviético, mas o comum. É preciso reinventar as formas em que teremos a capacidade de nos dirigir a nós mesmos.
FONTE: http://www.ionline.pt/mundo/antonio-negri-nao-ha-saida-crise-guerra-tornou-se-uma-possibilidade
Corja Maldita de Pedro Almeida Vieira por Miguel Real
O classicismo e a transgressão
Miguel Real, in Jornal de Letras – 28-07-2010
A recente publicação de dois bons romances históricos, «Crónica do Rei-Poeta, Al-Mu’tamid», de Ana Cristina Silva (ACS), e Corja Maldita, de Pedro Almeida Vieira (PAV), vieram revelar quanto este género literário, não perdendo qualidades estéticas, se adapta e convive com diferentíssimas estruturas narrativas, sejam clássicas, sejam modernas (ou pós-modernas).
Com efeito, se a forma em que é vazado aduz um suplemento de interesse literário ao romance histórico, provocando no leitor, porventura, uma superior comoção estética, também é verdade que este tipo de romance, como o policial, vive sobretudo do seu conteúdo, isto é, da qualidade da história factual narrada. Neste sentido, os romances acima referidos são alimentados por um vivo manancial investigativo de fontes históricas e uma selecção de acontecimentos que lhe garantem uma qualidade acima da habitual no romance histórico português recente, que pulula (e polui) as estantes das livrarias.
Outra coisa não seria de esperar face à qualidade dos anteriores romances dos dois autores, de que destacamos, de ACS, «As Fogueiras da Inquisição» (2008) e «A Dama Negra da Ilha dos Escravos» (2009), e, de PAV, «Nove Mil Passos» (2004), «O Profeta do Castigo Divino» (2005) e «A Mão Esquerda de Deus» (2009).
Assim, se ambos os romances se assemelham quanto ao escrúpulo documental de verdade e ao rigor analítico dos acontecimentos, diferem fortemente, no entanto, quanto ao seu estatuto formal. «Crónica do Rei-Poeta, Al-Mu’tamid», sem se subordinar em absoluto à cronologia, é dotado de uma estrutura clássica, desenvolve a intriga em círculos concêntricos e opera uma ligação harmónica e umbilical entre o plano da história das taifas árabes no sul da Península Ibérica ao longo do século X e XI e o plano da fabulação sobre a vida de Al-Mu’tamid, de tal modo os entrelaçando e fundindo que se tornam indistinguíveis no corpo do texto.
ACS relança neste livro o seu habitual estilo reflexivo e explicativo, de evidente cariz psicológico, no qual, mais do que a descrição de costumes físicos e sociais pertinentes aos reinos árabes inimigos dos cristãos, sobrelevam características psicológicas, como a angústia e a autenticidade da existência.
Um evidente psicologismo é explicitado na relação de Al-Mu’tamid com o pai, com a memória do filho morto, na relação com os poderes organizativos das cidades (Sevilha, Silves, Córdova), na relação com o próprio Islão e com a necessidade de desbloqueamento dos radicalismos políticos, na relação com a poesia e com a morte.
Romance filosófico, nele preside a interrogação individual sobre o sentido da vida. Vocacionado para a espiritualidade poética, Al-Mu’tamid vê-se forçado a obedecer à força da hereditariedade, assumindo a realeza no tempo da investida para Sul de D. Afonso VI (avô de D. Afonso Henriques).
ACS integra com mestria este conflito psicológico, fulcro central e raiz da totalidade do romance, no conflito histórico da luta entre emires muçulmanos e os reis cristãos após o desmembramento do califado de Córdova em inúmeras taifas. De relevar que pela primeira vez ACS trabalha – e bem – com narradores masculinos, Al-Mu’tamid e o seu escravo, já que tanto nos dois romances acima referidos quanto em «Mariana, todas as cartas» (sobre Mariana Alcoforado, 2003), «A Mulher Transparente» (sobre violência doméstica, 2004) e «Bela» (sobre Florbela Espanca, 2005) os narradores são femininos e em «À Meia-Luz» (2006) o narrador é neutro quanto ao género.
Face ao romance de ACS, Pedro Almeida Vieira evidencia uma absoluta transgressão estética, uma verdadeira ousadia literária, intercalando a história factual da expulsão dos jesuítas de Portugal, Espanha, França e a extinção da Ordem de Jesus, relatada com o máximo rigor histórico, com capítulos fantasiosos intitulados «Interludium», descrevendo diálogos entre padre Gabriel Malagrida e o Diabo.
Acentuando a estranheza de «Corja Maldita», contesta-se nestes capítulos a versão histórica «oficial» da expulsão e extinção da Companhia de Jesus, não raro desmontando e desmascarando o que nos capítulos ordinários se acabara de afirmar.
Metaficção historiográfica que enuncia ficcionalmente as diversas interpretações possíveis sobre a extinção dos jesuítas, «Corja Maldita» intenta, assim, não se submeter à univocidade da ciência histórica. Digamos ser esta a primeira (mas não original) heterodoxia do romance.
A segunda inovação face à obra anterior do autor – uma verdadeira transgressão -, reside na abolição total da categoria de tempo por via da introdução, na página 159, do autor, ele mesmo, em carne e osso ficcionais (em conjunto com a alusão do verdadeiro narrador, o Diabo, «a um jovem e promissor escriba, aquele português nortenho de frases bombásticas contra as reticências» – valter hugo mãe, como é evidente), enviado especial a Madrid para relatar os motins acontecidos entre os dias 24 e 26 de março de 1766, seguidos do comentário jornalístico de Mário Ladeira Pevide e da reportagem de Valério Piedade Mira de 25 de março de 1767.
O que nuns capítulos se constitui como relato histórico torna-se, noutros, uma narrativa transhistórica, o narrador omnipotente de uns capítulos é contestado noutros, o autor é chamado a intervir, garantindo a veracidade dos factos, relatando-os em forma de reportagem e comentário jornalísticos, a integridade do tempo cronológico é violentada e, no final, lido o romance, tudo se conjuga e harmoniza, não ao modo transparente da leitura de um romance histórico clássico, subjugado à veracidade dos factos e à continuidade do tempo, mas segundo o prazer simultâneo da compreensão racional e da sensibilidade emotiva do leitor, que aceita integrar-se no jogo ficcional criado por PAV, isto é, penetrar no seio de uma arte lúdica que nada intenta provar senão manifestar-se como jogo. Eis o campo da estética.
Miguel Real
FONTE: http://pedroalmeidavieira.com/?p/333//3121/683/
The Beatles – Unplugged [Full Album]
Just when you thought that everything that could be said that was new, fresh, or unusual about the Beatles}’ later history was already out there, along comes The Beatles: Unplugged, a bootleg CD so good that the folks at Apple and EMI ought to be kicking themselves for not thinking of it first. This disc (which is sort-of subtitled “The Kinfaun-Session,” referring to George Harrison’s Esher home) pulls together the 23 songs that Harrison, John Lennon, and Paul McCartney recorded as works-in-progress at Harrison’s home in May of 1968. Most of what’s here was eventually heard either on The Beatles [White Album surfacing with new lyrics as &”A Jealous Guy,” etc.) or B-sides (&”What’s the New Mary Jane”), and on various bootlegs. What makes this presentation better than most is that it’s part of that “digipak” bootleg series that’s been coming out of Europe since late 2000 and generally knocking listeners out with its quality. The production here is a match for any legitimate release, not just in sound quality but also the care that went into the selection, order, and editing of the tapes; there’s some hiss here and there, to be sure, and a few tracks are close to overload on the sound, but there’s nothing here that will make you jump to lower the volume or skip to the next cut — in fact, chances are most of the songs here will get repeated more than once. It’s a lot like listening to an “unplugged” version of The Beatles (even re-creating The Beatles [White Album on this disc — just to cite one example — is as good as the released one, only brighter, and, if you will, bouncier, as the trio has unbridled fun with the lyric, the beat, and the rhymes without the need to pump up the wattage or the seriousness of it all; if the finished song is {John Lennon’s message to the world about politics, hate, and manipulation of the Beatles, this is his handwritten draft of that message, with all of his momentary digressions and mental edits left in. McCartney and Harrison’s songs are just as well represented, and the only thing missing is a contribution by Ringo Starr, who didn’t participate in these recordings. The curious element is that it’s the hard-rocking songs — &”Yer Blues” and &”Back in the USSR” — that come off the best, even though they’re the most different from the finished versions; the demo of &”Ob-La-Di, Ob-La-Da” is just as entertaining, as the trio plunges headfirst into reggae armed with just their guitars and some good intentions. As the notes point out, whatever stresses the group may have been experiencing as a formal entity, the three guitarists had some productive and harmonious sessions and they still sounded as cool, creative, and cutting edge as they ever did. As bonus cuts, the makers have added &”Helter Skelter” from a studio run-through, and thrown on &”Spiritual Regeneration,” the Beatles/Beach Boys ode to the Maharishi (which segues into the Beatles’ birthday greeting to Mike Love) and a somewhat less-entertaining, informal, acoustic medley of traditional songs, all tracks recorded in India. Bruce Eder, Rovi
0:00 Intro
0:15 Cry Baby Cry
2:42 Child of Nature
5:25 The Continuing Story of Bungalow Bill
8:15 I’m So Tired
11:24 Yer Blues
15:00 Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
18:00 What’s the New Mary Jane
20:39 Revolution
24:49 While My Guitar Gently Weeps
27:29 Circle
29:47 Sour Milk Sea
33:22 Not Guilty
36:36 Piggies
38:42 Julia
42:47 Blackbird
45:02 Rocky Raccoon
47:49 Back in the U.S.S.R
50:50 Honey Pie
52:54 Mother Nature’s Son
55:09 Ob-La-Di, Ob-La-Da
58:08 Junk
1:00:46 Dear Prudence
1:05:27 Sexy Sadie
1:07:52 Spiritual Regeneration
1:10:22 Spiritual Christmas
John Butler “Ocean” Rothbury”
Cleo Laine – Just The Way You Are – original Bruno Mars 2011
Vicente Freitas
Biografia em breve.





















































































