DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES | José Gabriel Pereira Bastos

É chegada a altura de ir para além das tradicionais formas de acção e organização (estilhaçadas temática, religiosa e ideologicamente) e de nos unirmos EM REDE, á escala nacional, internacional e mundial, como PARTIDÁRIOS DE UM MUNDO MELHOR, em Amor, Respeito, Paz e Solidariedade.

Somos muitos mais do que pensamos, somos quase todos. Só falta que nos organizemos à escala mundial e corramos democraticamente com os Grandes Opressores Criminosos a quem temos vindo a delegar a competência de nos representarem à escala nacional e europeia.

Os nossos inimigos são os Aparelhos de Estado, sobretudo os Aparelhos Bancários e Militares, associados a organizações secretas, mafiosas e criminais que se ocultam noutros aparelhos, como os Judiciais e policiais.

A estratégia do PODER MAFIOSO é “dividir-nos, para reinar sobre nós”. A nossa estratégia contra o Poder Mafioso (parcialmente secreto, parcialmente controlando a organização e os programas dos Aparelhos Escolares e Universitários e controlando os Media, para nos alienarem), deve UNIR-NOS À ESCALA MUNDIAL para lhes retirarmos o Poder Maligno, de forma pacífica e democrática. A MAIORIA SOMOS NÓS, GENTE BOA DE TODO O MUNDO.

A DIVERSIDADE É UMA FORÇA VITAL A RESPEITAR.

Vamos confederar a Diversidade da Gente Boa que quer um Mundo Melhor. Eu estarei na primeira linha. Convosco.

Chega de ‘manifestações’ e de discursos. Vamos finalmente organizar-nos, construir o CADERNO REIVINDICATIVO, e impô-lo, através de Referendos?

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Ginja de Óbidos (Liqueur Ancestrale)

Le Fruit ( griotte – cerise à chair très acidulée )

La création de liqueurs à base de fruits remonte à un lointain passé ainsi qu´à des rîtes et endroits ancestraux, où elles étaient utilisées à des fins médicinales où pour la guérison de certaines maladies.

Il est difficile d´établir avec précision l´origine de l´apparition de la ginja (Griotte). O pense qu´elle serait originaire de l´Asie Mineure, des marges de la mer caspienne, et petit à petit elle à fait son apparition dans les différents pays de la méditerranée grâce aux routes commerciales.

Dans l´Ethnographie Portugaise, José Leite Vasconcelos, mentionne que Pline l´Ancien (Siècle 1er après Jésus Christ), célèbre écrivain romain, qui loua les Ginjas (Griottes) de la Lusitanie. Le Portugal, dans sa région de l´Ouest, plus précisément dans la municipalité de óbidos, grâce à son microclimat, possède les meilleures griottes Sylvestres d´Europe.

La Liqueur

Également connue sous le nom de « Ginjinha de óbidos », la liqueur possède une forte saveur, intensément parfumée à la saveur aigre-douce des griottes. de couleur rouge foncée, la liqueur possède deux variétés distinctes : la liqueur simple ainsi que celle avec des fruits, parfois aromatisée à la vanille où avec un bâton de cannelle.

Son origine remonterait au XVIIème siècle, de confection conventuelle, un moine aurait tiré partie des grandes quantités de fruits existantes dans la région, procédant au raffinement de cette liqueur bien connue. La formule fut peu à peu répandue, étant ensuite confectionnée de façon traditionnelle, fait maison, par les habitants de óbidos, fiers de faire connaitre aux illustres visiteurs la meilleure des Ginjas. Composée à l´aide d´un peu d´alcool où acide, la ginja est le produit par excellence de la Ville qui cède sa réputation à la nuit de óbidos.

Camarada Salazar | Tiago Salazar

A motivação é um aspecto intrigante quando pensamos em validar (ou dispensar) um indivíduo. Por exemplo, o borrego manso do PSD, notório arrivista molecular, ao fantasiar (digamos assim) dados do seu percurso curricular num tempo de acesso fácil ao mais ínfimo e sórdido detalhe, põe a sua cabeça no cepo. Quem quer os laranjas mantidos no chão da sua peçonha ainda a tresandar, agradece. Quem pratica o ofício do humorismo, regozija-se. Quem se preocupa com o valor dos animais políticos, entristece-se. Por estes e por outros, se ensombra qualquer alma hoje dedicada com honestidade ao ofício mais nobre da civilização, a Política.

Hoje, para que se saiba sem intermediários, juntei oficialmente os trapinhos com a única força política viril, diria mesmo entumescida, na qual leio, vejo, oiço e sinto capacidades frontais e acções consistentes onde habitem as palavras liberdade, coragem, frontalidade e integridade. Não me movem o oportunismo, a avença, a agremiação de mais leitores. Não tenho aspirações a grande mufti ou a discursar perante tribunas de plebeus sanguinários.

Agrada-me doravante ser chamado de Camarada Salazar, erguer os copos com um líder assertivo de nome de índio, ter na linhagem de fundadores um escritor, artista e pensador dos mais combativos e brilhantes que o país conheceu e seguir uma tradição antiga, onde o mote sem dogma é trabalhar para o bem comum e não para o benefício de alguns.

P.S. Para que conste dia 3 de Abril, às 18h, no Centro de Trabalho Vitória, na Av. da Liberdade, 170, Lisboa, serão homenageados os escritores-camaradas Rui Nunes e Modesto Navarro, há 50 anos dedicados aos combates políticos e literários.

Tiago Salazar

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

Reacção desesperada de Governos Ocidentais | José Gabriel Pereira Bastos

Está a ser fascinante a reacção desesperada de governos Ocidentais (e de seguidores dessa religião política) à vitoria da aliança Síria-Rússia, que vai gorar as fantasias de dominação imperialista Anglo-Americana, começada com a Guerra Iraque-Irão, paga por Anglo-Americanos e continuada com a invasão do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e da Síria, com liquidação de dois velhos aliados que convinha que não pudessem contar a História (Sadam Hussein, pago para atacar o Irão, e Kadhafi, que financiou Governos Europeus periclitantes, como agora dizem que Putin financiou Trump, é, pelos vistos, um hábito de falsificação das Democracias Eleitorais falsificadas em que vivemos).

Abater Assad era a nova obsessão, para dividir a Síria (como fizeram no Iraque) e arranjar um Governo para entregar aos Sunitas que tinham expulso do governo do Iraque, entregue por eles (Anglo-Americanos) aos Xiitas, nas suas já habituais manipulações de engenharia política, sempre falhadas e com péssimos resultados (enormes instabilidades e destruições, e milhões de mortos e refugiados em fuga para dentro da UE, dividindo-a e pondo-a na mão de Erdogan, o novo Imperador Turco que tinha sonhado invadir a Europa com as suas dezenas de milhões de muçulmanos e foi, por isso, rejeitado e desrespeitado pela UE).

No FB corre uma petição histérica da Avaaz querendo que os Jogos Olímpicos na Rússia sejam alvo de bloqueio ‘Ocidental’ e Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico vem, com um raciocínio paranóide, acusar a Rússia da agressão que o ‘Ocidente’ patrocinou e ainda quer teimosamente vencer.e propor esse bloqueio aos Jogos Olímpicos (a inveja, mesmo política, é uma das maiores motivações dos obsessivos, não aguentam que outros brilhem).

Nunca, como é óbvio, um Governo Russo liquidaria ex-expiões com veneno de origem russa na véspera de eleições russas que estavam mais do que ganhas. A Inglaterra dispunha da fórmula química daquele veneno e só se nunca viram filmes de espionagem é que não conhecem a manobra de fazer o mal e a caramunha, imputando ao opositor um crime feito pelos seus próprios Serviços Secretos.(contra um ex-espião duplo, que atraiçoou dois Estados).

José Gabriel Pereira Bastos

Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos

SOBREIRO PORTUGUÊS | António Galopim de Carvalho

Esta magnífica árvore, situada em Águas de Moura, no concelho de Palmela, foi eleita ontem, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a árvore europeia de 2018.
Esta árvore, plantada há 234 anos, “foi já descortiçada mais de 20 vezes e está classificada como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e inscrita no Livro de Recordes do Guinness como “o maior sobreiro do mundo”.

António Galopim de Carvalho

Retirado do Facebook | Mural de António Galopim de Carvalho

Constituição | Artigo 271.º

Constituição: Artigo 271.º

Responsabilidade dos funcionários e agentes

1. Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas ações ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a ação ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.

2. É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que atue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.

3. Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.

4. A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.

DiEM25 na Grécia | Novo Partido Político

A última semana foi histórica. Lançamos a primeiro lista transnacional para participar nas eleições na Europa.

Desde então recebemos uma enchente de mensagens de apoio dos apoiantes do DiEM25! E foram disparados tiros de aviso aos políticos do “status quo” e aos seus trolls espalhados pelos media. Estão a ficar preocupados e fazem bem em estar.

A nossa estratégia para os dois meses seguintes divide-se em duas partes:

  • No nosso Movimento: Vamos continuar a crescer e a fortalecer o nosso movimento para que consigamos chamar a atenção dos cidadãos da UE. Vamos também expandir o número de ativistas e voluntários e manter a pressão sobre o sistema político europeu.
  • Na nossa Ala eleitoral: Vamos continuar a contruir uma força política progressiva e transnacional que possa apoiar e eleger os candidatos que não são financiados pelos suspeitos do costume, o que dará peso político real às nossas políticas.

Vítor, se estás em Atenas, ou podes vir até cá, por favor junta-te a nós dia 26 de Março quando iremos lançar o MeRA25, , a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia.

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MINDE | Parreirais dos Moquinhos | Turismo Rural

Os Parreirais dos Moquinhos estão estrategicamente localizados no centro da Vila de Minde e no Coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A menos de uma hora de Lisboa, a 2 qulilómetros das grutas de Mira d’Aire e a minutos da cidade de Fátima.
Nos Parreirais dos Moquinhos irá encontrar uma decoração que funde modernidade, cultura e tradição.
Dispõe de Internet (wireless), tv cabo, estacionamento.

Contactos:

EMAIL: parreiraisdosmoquinhos@gmail.com

FACEBOOK (vídeo):  https://www.facebook.com/147298785341436/videos/1893547380284/

Ver mais … clicar em baixo

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Poema | José Gomes Ferreira

Vem hoje um cheiro tão bom lá de fora do mundo!
Um cheiro a esponsais de primavera
com deusas de astros na fronte
e enlaces de folhas de hera
no cabelo voado…

(Ah! se eu encontrasse a ponte
que vai para o outro lado!)

José Gomes Ferreira

in Antologia Poética, Porto Editora, 197

 

Retirado do Facebook | Mural de Vítor Quelhas

RACISMO NO PAÍS DOS BRANCOS COSTUMES | Joana Gorjão Henriques, comentário de Bárbara Bulhosa

“Este livro não é um ensaio, nem quer produzir uma teoria. O que estas histórias expõem é a forma desabrida como o racismo se incrustou na nossa sociedade, com consequências graves, ao ponto de permitir que um professor catedrático goze publicamente com um colega por causa do seu nome, que um senhorio recuse alugar a casa a alguém apenas por ser afrodescendente, e que um banqueiro se dê ao luxo de colocar um currículo de lado por a candidata ser negra. Estas são histórias de hoje, em Portugal.”

Retirado do Facebook | Mural de Bárbara Bulhosa

Christianity as default is gone | the rise of a non-Christian Europe

Figures show a majority of young adults in 12 countries have no faith, with Czechs least religious

Europe’s march towards a post-Christian society has been starkly illustrated by research showing a majority of young people in a dozen countries do not follow a religion.

The survey of 16- to 29-year-olds found the Czech Republic is the least religious country in Europe, with 91% of that age group saying they have no religious affiliation. Between 70% and 80% of young adults in Estonia, Sweden and the Netherlands also categorise themselves as non-religious.

The most religious country is Poland, where 17% of young adults define themselves as non-religious, followed by Lithuania with 25%.

70% of young people in the UK identify with no religion
How 16- to 29-year-olds self-identify, %

In the UK, only 7% of young adults identify as Anglican, fewer than the 10% who categorise themselves as Catholic. Young Muslims, at 6%, are on the brink of overtaking those who consider themselves part of the country’s established church.

The figures are published in a report, Europe’s Young Adults and Religion, by Stephen Bullivant, a professor of theology and the sociology of religion at St Mary’s University in London. They are based on data from the European social survey 2014-16.

Religion was “moribund”, he said. “With some notable exceptions, young adults increasingly are not identifying with or practising religion.”

The trajectory was likely to become more marked. “Christianity as a default, as a norm, is gone, and probably gone for good – or at least for the next 100 years,” Bullivant said.

But there were significant variations, he said. “Countries that are next door to one another, with similar cultural backgrounds and histories, have wildly different religious profiles.”

59% of young people in the UK never attend religious services
Frequency of attendance, outside of special occasions, 16- to 29-year-olds

The two most religious countries, Poland and Lithuania, and the two least religious, the Czech Republic and Estonia, are post-communist states.

The trend of religious affiliation was repeated when young people were asked about religious practice. Only in Poland, Portugal and Ireland did more than 10% of young people say they attend services at least once a week.

In the Czech Republic, 70% said they never went to church or any other place of worship, and 80% said they never pray. In the UK, France, Belgium, Spain and the Netherlands, between 56% and 60% said they never go to church, and between 63% and 66% said they never pray.

Among those identifying as Catholic, there was wide variation in levels of commitment. More than 80% of young Poles say they are Catholic, with about half going to mass at least once a week. In Lithuania, where 70% of young adults say they are Catholic, only 5% go to mass weekly.

Nearly two-thirds of young people in the UK never pray
Frequency of prayer, outside of religious services, 16- to 29-year-olds

According to Bullivant, many young Europeans “will have been baptised and then never darken the door of a church again. Cultural religious identities just aren’t being passed on from parents to children. It just washes straight off them.”

The figures for the UK were partly explained by high immigration, he added. “One in five Catholics in the UK were not born in the UK.

“And we know the Muslim birthrate is higher than the general population, and they have much higher [religious] retention rates.”

In Ireland, there has been a significant decline in religiosity over the past 30 years, “but compared to anywhere else in western Europe, it still looks pretty religious”, Bullivant said.

“The new default setting is ‘no religion’, and the few who are religious see themselves as swimming against the tide,” he said.

“In 20 or 30 years’ time, mainstream churches will be smaller, but the few people left will be highly committed.”

VER GRÁFICOS AQUI:

https://www.theguardian.com/world/2018/mar/21/christianity-non-christian-europe-young-people-survey-religion?CMP=share_btn_fb

O Bufo | Jorge Alves

Quando era miúdo, no tempo da Outra Senhora, havia uma figura sinistra em que se apoiava o regime – o bufo. Nada havia pior do que um bufo, nem mesmo um pide. Um pide era um pide, dava a cara. Já lhe bastava ser pide. Um bufo não. Escondia-se nas sombras, como rato de esgoto que era, e denunciava aos pides qualquer raio de sol que vislumbrasse. Mesmo as crianças sabiam que uma bufa era mau, mas que um bufo era um nojo. Ai daquele que fizesse queixinhas de outro, tinha logo um acidente traumatológico. E depressa deixava de andar a treinar para bufo. Nunca pensei que quase meio século depois do 25 de Abril voltássemos ao tempo dos bufos. Qualquer um pode hoje denunciar outrem inventando o que quer que seja. Senhores magistrados, o vizinho do 5º direito cheira a chulé! Pimba, lá vai um batalhão de judites ao 5º direito com um alguidar cheio de água com creolina, esfregão de arame e sabão azul e branco! Pior: o bufo de hoje é um rato sem focinho, um rato anónimo. E há lá coisa pior do que um queixinhas anónimo? Um queixinhas já é suficientemente mau. Anónimo é mil vezes pior. É como receber uma carta anónima. Ao longo da minha vida só recebi uma. E chegou. Tinha acabado de ser premiado pelo JN devido a uma reportagem na guerra da Bósnia e que só eu sei quanto me custou a fazer quando recebi a tal carta. Sem remetente, claro. Supostamente enviada por um coleguinha despeitado. E lá estava – que eu era este e aquele, uma nulidade do jornalismo, um falso, um pobretana, um miserável zé-ninguém que aspirava a um lugar ao sol a todo o custo. Confesso que me custou a engolir. Foi como ter levado um soco no estômago. Fiquei sem acção, incapaz de reagir. Reagir a quê e contra quem se a carta era anónima? Fiquei ali a lê-la e a relê-la, sentindo como cada palavra era injusta e a molhar as páginas com as lágrimas que me caíam. Lágrimas de revolta, de raiva por não poder obrigar a engolir cada letra a quem as tinha tão cobardemente escrito. Voltámos ao mesmo – à denúncia cobarde e miserável, à denúncia anónima. Num Estado de direito não deveria haver lugar à denúncia anónima. Dirão alguns que quem o faz fá-lo por medo. Não aceito. Uma democracia com medo não é uma democracia. É uma merdocracia. Dirão outros que sim, que há medo. Medo dos mafiosos que regem este quintal mal-amanhado e pior frequentado e dos caceteiros e pistoleiros que os caciques têm a soldo, saídos desta ou daquela claque. Pois é simples – prendam-se os mafiosos e os caciques, caceteiros e pistoleiros. Acabe-se com as claques, essas escolas de bandidos. Só não o fazem porque não querem. Porque não interessa. Mas enquanto não o fizerem não me venham dizer que vivemos em democracia. Porque isto assim não passa de uma bufaria. E uma bufaria é um nojo.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

Engenheiros sem lei? | Fernando Santo

Boa noite. Embora antigo, recomenda-se a leitura deste artigo do ex- Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Engº Fernando Santo

Direito de resposta – Sol, 23-02-2008

Na edição de IG de Fevereiro do Jor­nal SOL, foi publicado um artigo sob o título Engenheiros sem lei, da au­toria de Margarida Davim, que jus­tifica um esclarecimento, pois os en­genheiros sempre tiveram lei

Percebemos que a onda de elei­ções na Ordem dos Arquitectos e a divergência quanto às posições que alguns têm defendido a propósito da revisão do Decreto 73/73, que re­gula a qualificação profissional dos técnicos que podem subscrever pro­jectos, sirva de bandeira eleitoral, mas os engenheiros não servem para alimentar a visão corporativa de alguns arquitectos que preten­dem ignorar a lei e as directivas co­munitárias em vigor.

Devo confessar que tenho uma elevada estima pela classe profissional dos arquitectos, mas a visão corpo­rativa de uma parte não pode afir­mar-se contra direitos e competências reconhecidas, desde há séculos, a outros profissionais. Contrariamente ao título da referida notícia a engenharia está reco­nhecida em Portugal desde 1647, através de um decreto de D. João IV sendo uma das mais antigas enge­nharias da Europa. Foram os enge­nheiros que projectaram a Baixa de Lisboa, após o terramoto de 1755, desde o Plano Geral, passando pelos projectos de arquitectura, até às ino­vadoras estruturas de madeira para resistirem aos sismos. Há séculos que os engenheiros elaboram projectos que incluem ar­quitectura e engenharia. Mais re­centemente, em 1973, o célebre De­creto 73/73 veio reafirmar que os engenheiros civis tinham compe­tência para elaborar projectos de ar­quitectura.

Também a Directiva Arquitectura, de Agosto de 1985, esta­belece que os engenheiros civis de Portugal, Itália e Grécia podem ela­borar projectos de arquitectura no espaço europeu.Por cá, uma linha de orientação da Ordem dos Arquitectos entendeu usar como bandeira a reclamação do direito à arquitectura, tendo apre­sentado, na Assembleia da Repúbli­ca, uma petição assinada por 35.000 cidadãos, reclamando o direito ex­clusivo à arquitectura para arqui­tectos, excluindo todos os outros pro­fissionais, independentemente da di­mensão ou complexidade dos projectos. Não está sequer definido o que se entende por projecto de ar­quitectura, para deixar todo o espa­ço de interpretação alargado.

Como se tratava da primeira ini­ciativa legislativa de cidadãos, a As­sembleia de República colocou em primeiro lugar a vertente política, acabando por aprovar a petição, que passou a ser o Projecto de Lei mais corporativo produzido em Portugal após a Revolução de AbrilNão passa pela cabeça dos enge­nheiros reclamar na Assembleia da República o direito à engenha­ria, mas também não necessita­ríamos de andar pelas ruas a pe­dir assinaturas de favor, pois so­mos mais de 43.000.Antes da petição, já a Ordem dos Engenheiros havia entregue uma proposta ao Governo, em Dezembro de 2004, em que aceitava o princípio da arquitectura para arquitectos, sal­vaguardando determinadas situa­ções reconhecidas ao longo das últi­mas décadas e o disposto na própria Directiva Arquitectura. Aversão que foi apresentada pelo Governo à As­sembleia da República, após a peti­ção, não só ignorou o reconheci­mento desses direitos a nível euro­peu, como divide as obras em duas partes: os edifícios, com projectos de arquitectura, e o resto. O resto são simplesmente as obras de engenha­ria civil designadas como tal em todas as classificações europeias e na­cionais e que, em Portugal, repre­sentam tão-somente o sector das obras públicas, que valem mais de 50% de todo o sector da construção! Até parece que a simples designação de engenharia civil é incómoda. Quanto à diferenciação dos projec­tos de engenharia, nas suas diferen­tes especialidades, nem uma palavra! Para tornar ainda mais corpora­tivo o Projecto de Lei, os arquitectos também podem assumir responsabilidades nas áreas de engenharia. Estamos perante um Projecto de Revisão do Decreto 73/73, feito para agradar a uma classe profissional, remetendo as restantes para plano secundário. A obsessão de alguns vai tão longe que ainda não perceberam que a arquitectura não é uma “deu­sa” exclusivamente atingida por quem tem uma formação superior de 5 anos, pois fora dessa exigência não querem permitir que alguém possa produzir um risco, nem que seja para um depósito enterrado.

Chamamos a isto a criação de mer­cados protegidos.Contrariamente, na engenharia, temos engenheiros com formação superior de 5 anos, engenheiros técnicos com formação de 3 anos e técnicos de nível médio, como são, entre outros, os Agentes Téc­nicos de Arquitectura e de Enge­nharia. Felizmente que todos exis­tem, são necessários, e trabalham de forma complementar, importando apenas diferenciar as competências, de acordo com a com­plexidade das intervenções. A exclusão não faz parte do nosso vocabulário e julgo que também não será aceite pelos Deputados que, cer­tamente, perceberam o erro que co­meteram ao aprovarem a referida petição de cidadãos. Nesta fase esta­rão, com toda a certeza, a tentar pro­duzir uma Lei que introduza os ne­cessários equilíbrios, que respeite a legislação comunitária e o exercício profissional de muitos técnicos. Era só o que faltava que um Pro­jecto de Alterações no interior de um edifício Pombalino, ou com paredes resistentes, tivesse que ser obriga­toriamente assinado por um arqui­tecto, quando a questão essencial, neste exemplo, é a própria seguran­ça estrutural do edifício! Se nada se alterar no Projecto de Lei, serão aprovados muitos disparates de vi­são corporativa Ao contrário de alguns, que que­rem ver aprovado o disparate rapi­damente, nós não temos pressa. Se já esperámos 34 anos após a publi­cação do 73/73, então que se espere mais algum tempo, para que o re­sultado final seja o justo equilíbrio entre todas as profissões e o interes­se público. Penso que será esse o in­teresse do país, que, naturalmente, se sobrepõe ao interesse de alguns.

Fernando Santo – Ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros (Sol, 23-02-2008)

Engenheiros sem lei?

COMUNICADO DA CÂMARA MUNICIPAL DE ALCANENA | ESTRADA SERRA SANTO ANTÓNIO / MINDE

A Câmara Municipal de Alcanena, reunida a 19 de março, reforça a deliberação tomada a 8 de janeiro de 2018, considerando as informações técnicas que reportam o grau de perigosidade do troço sujeito a corte de trânsito e a informação da Proteção Civil (Bombeiros Voluntários de Minde) que referem a existência regular de acidentes vários no referido troço.

Lamentamos o “vandalismo “que tem ocorrido no local, de destruição das estruturas e sinalética colocada no local pela Câmara Municipal.

Lamentamos, ainda mais, os constrangimentos pessoais e/ou económicos que a situação (provisória) possa causar.

A deliberação tomada tem como principal objetivo “SALVAGUARDAR A PROTEÇÃO DE PESSOAS E BENS”.

A Câmara Municipal de Alcanena tinha já assumido o compromisso de reabilitar este troço de estrada no ano 2018, estando a diligenciar todos os procedimentos, para que essa intervenção ocorra no mais curto espaço de tempo, prevendo iniciar os trabalhos no mês de abril de 2018.

Agradecemos a compreensão de todos, pois a segurança das pessoas encontra-se em primeiro lugar na tomada das nossas decisões.

Os trompetistas não voam | Raquel Serejo Martins

Escolheu um vestido que não usava há muito tempo,
demasiadas flores, demasiados botões,
botões pequeninos de madrepérola,
demorou a enfiar os botões dentro das casas,
quase o mesmo tempo que demora a sair de casa,
mora num quinto andar sem elevador,
sentada ao espelho no toucador,
mas antes pôs um disco a tocar no gira-discos,
demorou a acertar com agulha
demorou até o Chet Baker começar a cantar
you make me smile with my heart
your looks are laughable
unphotographable,
um rapaz do seu tempo, da sua criação,
são do mesmo mês e do mesmo ano
Dezembro de 1929, morreu tão novo,
caiu da janela de um quarto de hotel em Amesterdão,
os trompetistas não voam,
ainda hoje não se sabe se acidente,
pensava, enquanto o ouvia cantar,
but don’t change a hair for me
not if you care for me
enquanto de nariz enfiado no espelho,
cataratas, miopia, pintava os lábios,
primeiro rosa, depois vermelho,
porque o rosa, mesmo com óculos, invisível aos seus olhos,
depois nos olhos passou um lápis-lazúli,
nas maçãs dos rosto um tom de avelã,
deu uma segunda demão nas cores,
do guarda-jóias um o colar de pérolas e os brincos em par,
comoveu-se com a sua vaidade,
estava feliz como há muito tempo não estava,
estava feliz sem saber porquê,
depois escolheu os sapatos,
tem dois pares de sapatos,
parecem mais pantufas que sapatos,
os joanetes nos pés não suportam sapatos,
agora que tem pés de pato, pensa e sorri,
e é com esse sorriso sai para a rua,
vai ao café, senta-se na sua mesa,
longe da porta e de correntes de ar,
sem pedir trazem-lhe um bolo de arroz,
uma chávena de chá, pacotinho de açúcar nenhum, diabetes,
e como se ele estivesse sentado ao seu lado,
ele está sempre ao seu lado, namoram um bocadinho,
todos os dias namoravam um bocadinho,
stay little Valentine, stay
each day is Valentine’s Day
o tempo de um bolo de arroz, de uma chávena de chá,
namoram até que, sem discrição,
uma menina na mesa ao lado aponta o dedo e pergunta,
aquela senhora a falar sozinha é um palhaço,
e, sem ter tocado no bolo de arroz, ele desaparece,
ela que estava feliz, fica desmedidamente triste,
porque a tristeza consegue ser mais triste quando já foi alegria.

©rsm | Raquel Serejo Martins

Donna al caffè, Antonio Donghi,1931

Retirado do Facebook | Mural de Raquel Serejo Martins

DiEM25 | Sê candidato ao Colectivo Nacional Francês ou Holandês

Os nossos membros estão preparados para os próximos passos no desenvolvimento do nosso movimento, neste caso para estabelecer Coletivos Nacionais em dois outros países: França e Holanda

De acordo com os Princípios Organizadores , o Coletivo Nacional deverá ter entre 16 a 18 membros que ficariam responsáveis pelas seguintes tarefas de coordenação:

Melhorar a comunicação das políticas e atividades do DiEM25 a nível nacional

Comunicar os pontos de vista dos membros na Europa e ao Coletivo Coordenador

Fornecer instalações e recursos aos membros locais e CEDs (grupos locais)

Gerar políticas nacionais e regionais em harmonia com a Agenda Progressista do DiEM25 para a Europa

Angariar fundos

Conectar o DiEM25 a outros atores políticos e civis em coordenação com o Coletivos Coordenador

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Capitães da Areia | Paulo Fonseca nas Filipinas, em Borakay.

Estive agora com Deus….
Estava imponente,
no limiar de um rochedo curvilíneo….
Sua graça transbordava doçura.
Derramou Divindade
em canivetes salgados
que rebentam diariamente na areia….
Cantou epopeias aos ventos….
Fez-me transbordar de emoção.
Mil rouxinóis melados
largam pegadas de azáfama
no carrocel da míngua.
Deus apontou-lhes o dedo,
apadrinhando a sinfonia…
Transbordo trôpego
na plateia das vidas,
destas aves perdidas.
Foi Deus que apontou o caminho….
Estrada da emoção,
não tem nada que enganar…
Petizes,
felizes,
na primavera da vida…
Não aprenderam,
ainda,
o inverno da morte….
da tortura,
má sorte….
ser parido
em favela,
em bote…
Sorrisos, ingénuos,
fervilham…
A fome
que dói,
não existe…
Tão triste…
Chilream
produtos de sonho….
esculturas,
pulseiras,
mergulhos,
entulhos medonhos….
Tanta esperança Divina
corre nesta vida varina….
Preferem dinheiro ou comer ?
<<eat is better, sir>>….
Ah….
afinal o sorriso é um papel….
uma força heróica
de mel….
Dentes de leite
aguçam
de anseio…
Sentem-se e comam.
<<You choose>>….
Oh…
<<We choose sir ?>>
<<Yes, you choose>>….
Festa na areia,
Capitães em sentido…
Comer….
Bocas pequenas
salivam sonhos de vida…
Ai Deus….
Milhões de petizes
riem
por não saberem chorar…
Milhões de corações
arrefecem
por não saberem amar…
Milhões de sorrisos
aquecem
por conhecerem o mar….
e os sonhos,
sentidos,
contidos….
Ameias do curral,
ao luar….
Oh Deus imponente,
rezo sorridente…
Alma ardente
te venera,
na espera….
bocas parecem rir….
a carpir….
Oh Deus,
emocionei-me e chorei….
a sorrir….

Paulo Fonseca

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Marcelo: “Alma árabe é o fundo da alma portuguesa” | por Carlos Matos Gomes

Num texto anterior, a propósito deste título escrevi que Marcelo age no espaço público com a lógica da máquina de discos. Toca (diz) o que o cliente quer ouvir. Primeira questão, simpatizo com Marcelo e entendo que ele é um descompressor social. Faz de interlúdio entre momentos de tensão. Terá a sua agenda, mas a descompressão de tensões é uma boa atitude. Dito isto e quanto ao título, este coloca 2 pontos que rejeito: o conceito de “alma” para significar uma identidade social – alma árabe, alma lusitana… – tenho as mais sérias dúvidas sobre o conceito de identidade nacionais – e no caso de uma identidade árabe mais ainda – árabe é um conceito demográfico/geográfico (os naturais da Arábia) que surge muitas vezes associado a um conceito religioso – islamismo. Entre um persa e um egípcio, entre um turco e um indiano – todos islâmicos, mas de várias fações – sunitas, xiitas, ismaelitas vão diferenças que não permitem falar em alma comum. Não há nenhuma alma árabe. Nem mesmo na arábia saudita onde a dinastia dos petroleiros vive em casamento de conveniência com os clérigos wabitas. Quanto a alma árabe, o que quer dizer Marcelo?
Segue-se a outra questão, a segunda – a da alma – que é a do proselitismo religioso. Marcelo é religioso – crente Católico – , mas fundamentalmente crente em que o que salva o homem da sua dolorosa vida é a fé num deus que lhe levará alma a um paraíso eterno. Ora o presidente de uma república pode acreditar num paraíso do Além, mas o seu dever é agir sobre a realidade.
Repito, reconhecendo o mérito de Marcelo Rebelo de Sousa na descompressão social e na agressividade que o antecessor causou, entendo que é criticável, escusado e contraproducente Marcelo entrar na lógica da fé contra a razão que tão maus resultados tem dado. ao longo da história da humanidade. Marcelo é católico, mas isso é lá com ele. O facto de ser católico não o deve levar a defender o princípio da crença num deus como caminho para a felicidade, porque é historicamente falso e arrasta seguidores para essa ilusão. Ora, com esta afirmação Marcelo está a vender a ilusão que todos somos, afinal, boas almas. É um discurso para crentes pobres de espírito.

Retirado do Facrbook | Mural de Carlos Matos Gomes

http://expresso.sapo.pt/politica/2018-03-16-Marcelo-Alma-arabe-e-o-fundo-da-alma-portuguesa#gs.c5cUuZw

Pensar fora da caixa ou seja fora do “economês” da troika | José Pacheco Pereira in jornal “Público”

Estamos tão viciados na maneira de pensar ao modo da troika que não somos capazes de colocar as prioridades no sítio certo.

Aquilo que talvez mais distinga a possibilidade de se poder andar para a frente num país como Portugal é a capacidade de sair do pensamento, do vocabulário, do argumentário, da política e mesmo da filosofia dos anos da troika e da herança ainda demasiado viva e poderosa do “economês” da troika. Os anos de lixo que vivemos são–nos apresentados como tendo sido um período de resistência “reformista”, quase heróico, após a bancarrota, atravessando todas as dificuldades e conseguindo no fim “sair” sem consequências de maior e ainda por cima “mais bem preparados” para o futuro imediato, “permitindo” a “coragem” “passista” a recuperação “costista”. Teria sido um período de “verdade” da nossa economia e sociedade, uma espécie de limpeza lustral de tudo aquilo que nos tinha “afundado” na bancarrota, o Estado, o despesismo, o “viver acima das suas posses”, os excessos sindicais, o crescimento da função pública, o “socialismo”, a “social-democracia”, e a corrupção BES-Sócrates, e uma sociedade de “direitos adquiridos”, ou em que os mais velhos exploravam “injustamente” os mais novos, porque tinham reformas e pensões.

Eu quase que tenho que pôr todas as palavras entre aspas para indicar que o seu uso é ideológico, e sem qualquer correspondência com a realidade, e que remetem para um universo orwelliano de manipulação das palavras e das ideias. Nem houve reformas, o que houve foi um “brutal aumento de impostos” de que ainda não saímos, nem podemos sair, visto que ele é a coluna vertebral do cumprimento das chamadas “regras europeias”. Nem houve qualquer “recuperação” estrutural da nossa economia, muito menos resultante das “reformas” laborais que tornaram ainda mais desigual a relação entre patrões e trabalhadores, nem houve qualquer diminuição do peso do Estado na economia, bem pelo contrário. E pagou-se um preço caro na institucionalização à margem da vontade popular e da Constituição, de uma servidão a uma certa política europeia, com perda de poderes dos parlamentos e de soberania.

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Já não se pode dizer nada! – as armadilhas do politicamente correcto | Carlos Matos Gomes in blog “Incomunidade”

É na parte do mundo onde os habitantes podem expressar-se mais livremente, na Europa Ocidental e nas Américas, que mais forte é o sentimento de alguns assuntos não deverem ser referidos, ou não serem referidos em determinados termos, ou abordados por certos pontos de vista por serem politicamente incorretos.

É politicamente incorreto afirmá-lo, mas o Politicamente Correto (PC) é, em grande medida, um fenómeno urbano importado por contágio da cultura anglosaxónica. Uma moda mais do que uma justa luta contra graves situações de violação de direitos fundamentais. As situações criticáveis existem, mas não são o alvo das críticas politicamente corretas. O politicamente correto não resulta de faltas, mas de excessos.

O PC segue o princípio da anedota dos 3 escuteiros que foram necessários para realizar a boa ação de ajudar uma velha (sacrilégio, não existem velhos na novalíngua do PC, mas idosos, ou seniores!) a passar uma rua, porque a senhora (senhora também não é muito politicamente correto, denota machismo subtil) não precisava de ajuda, não queria passar e porque assumia a sua idade.

As vítimas que o PC elege são por norma das que menos necessitam de proteção e de inserção, ou porque não necessitam mesmo – caso de mulheres adultas, informadas, autónomas dispondo de meios consideráveis de defesa e afirmação, ou porque recusam a inclusão e defendem a sua especificidade – caso de comunidades étnicas, como os ciganos, ou porque, como os machos islâmicos no ocidente, pretendem impor a sua lei.

O PC não assenta na lógica, mas no preconceito, rejeita a universalidade dos valores essenciais. Em Roma seria um direito reservado aos patrícios, em Atenas apenas à minoria privilegiada dos cidadãos livres. Para o PC, como para os patrícios romanos, os bárbaros não têm direitos. Têm costumes!

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Trilogia da Inquisição | Richard Zimler

Para quem quer conhecer os efeitos das perseguições aos judeus e cristãos-novos em Portugal e Goa, eis 3 romances sobre gerações diferentes da família Zarco. Acho a nova edição da “Goa ou o guardião da aurora” muito bonita! (Caso tenha amigos que estariam interessados nestes livros, agradeço que divulgue.) 

La Femme Algérienne | Leila Tilmatine

Si je dis oui, je suis une pute
Si je dis non, je suis une frigide
Si je dis je ne sais pas, je suis une hystérique
Si je ne dis rien, je fais l’idiote pour passer du bon temps
Si je tombe amoureuse, je suis une pauvre naïve
Si je ne tombe pas amoureuse, je suis une connasse froide
Si je sors avec une seule personne, je suis une conne
Si je sors avec plusieurs personnes, je suis une salope
Si je regarde les hommes, une chaudasse
Si je ne les regarde pas, je dois être lesbienne
Si je parle trop, on ne m’écoute pas
Si je ne parle pas, c’est parce que je n’ai aucune idée de rien
Si je ne sors pas, je suis ennuyeuse
Si je sors trop, je suis une fêtarde
Si je dis la vérité, on ne me croit pas
Si je mens, je suis comme toutes les autres
Si je parle de sexe, je suis insatiable
Si je n’en parle pas, c’est qu’on ne m’a pas baisé comme il faut
Si je suis intelligente, je fais peur
Si je suis bête, je ne sers à rien
Si je n’appelle pas, on me réclame
Si j’appelle, on ne me répond pas
Si je suis sérieuse, je suis aigrie
Si je souris, je suis facile
Si je veux qu’on soit amis, l’amitié entre les deux sexes n’existe pas
Si je veux plus qu’une amitié, c’est que je n’ai rien compris
Si je ne joue pas les allumeuses, je fais ma sainte ni touche
Si je ne le fais pas, je suis peu féminine
Si je suis bonne au lit, c’est que je m’en suis levée plusieurs
Si je suis tranquille, ce que j’ai pas été assez baisée
Si je veux me marie, je suis restée à une autre époque
Si je ne veux pas me marier, je fais ma libérale
Si je suis dépendante, je n’ai pas de personnalité
Si je suis indépendante, je suis prête à marcher sur les autres
Si je drague quelqu’un, je suis une mangeuse d’homme
Si je ne le fais pas, je suis une momie
Si je suis avec un vieux, j’en veux à son argent
Si je suis avec un petit jeune, c’est parce que je peux le dominer
Si je m’habille bien, c’est que je veux chauffer tout le monde
Si je suis habillée simplement, surement qu’un peu plus arrangée je serais bonne
Si je suis jolie, je suis surement creuse
Si je suis moche, on ne me calcule pas
Et tu sais quoi ? Les gens diront toujours quelque chose parce qu’ils doivent justifier leur lâcheté et leur insécurité

Leila Tilmatine 

Retirado do Facebook |  Mural de Leila Tilmatine 

«Jardim das Pichas Murchas», São Tomé, Lisboa, Foto (e texto) da revista Timeout,15-3-2018.

Jardim das Pichas Murchas

Não é um jardim e não tem nada de murcho ou que possa murchar. Mas em tempos este pequeno largo na Rua de São Tomé, perto do Castelo, juntava a terceira idade do bairro em plena contemplação. Ora um calceteiro, de seu nome Carlos Vinagre, começou a chamar aquele sítio o jardim das pichas murchas, dada a quantidade de sistemas reprodutores ociosos que se sentavam naqueles bancos. O nome pegou, e nem mesmo uma tentativa da junta de mudar o nome demoveu os populares da zona que defenderam sempre este topónimo.», Timeout dixit.

Retirado do Facebook | Mural de André Freire

Biographie de Jürgen Habermas réalisée par Stefan Müller-Doohm

[Hors série Connaissance] Découvrez la biographie de Jürgen Habermas  réalisée par Stefan Müller-Doohm

Sans conteste, Jürgen Habermas est l’un des derniers intellectuels majeurs au niveau international. «Défenseur de la modernité» et conscience publique de la République fédérale», il est aussi un éminent penseur de l’Europe.

Par ses monographies et nombreux articles, recueillis en volumes, traduits dans plus de quarante langues, il s’est acquis, en tant que philosophe, uneréputation mondiale et, en tant qu’auteur, il a reçu un écho qui excède de loin le monde académique. Un tel constat conduirait aisément à en inférer que sa biographie devrait au fond être celle de son œuvre. Mais si cette vie fascine, c’est qu’elle ne peut aucunement se résumer à une pile de livres savants.
En effet, Habermas a toujours plus quitté l’espace protégé de l’univers académique pour endosser le rôle du polémiste pugnace, et peser de cette façon sur l’histoire des mentalités de l’Allemagne et de l’Europe. Aussi l’ouvrage de Stefan Müller-Doohm, à qui l’on doit déjà une biographie d’Adorno, noue-t-il deux trames : d’une part la description des allers-retours sinueux entre activité professionnelle principale et activité seconde, et d’autre part l’interdépendance entre les évolutions de la pensée du philosophe et les interventions de l’intellectuel public dans le contexte de son temps.

L’action conjuguée de la réflexion philosophique et de l’intervention intellectuelle, qui caractérise l’activité de Jürgen Habermas, explique que cette biographie soit celle tant d’une vie que d’une œuvre en devenir perpétuel.

Traduit de l’allemand par Frédéric Joly

Feuilletez les premières pages de ce livre ici : http://bit.ly/2FsWxGX

 Retirado do Facebook | Mural de Gallimard

Poema | INVICTUS | William Ernest Henley | Poema de Inspiração de Nelson Mandela in Revista Pazes

Willian Ernest Henley, ao escrever o poema abaixo, jamais sonharia que os seus versos poderiam inspirar um homem com grandeza de Nelson Mandela a suportar, por vinte e sete anos, o cativeiro, condenado por sua luta contra o apartheid.

INVICTUS

William Ernest Henley

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

——

INVICTO

William Ernest Henley

Da noite escura que me cobre,
Como uma cova de lado a lado,
Agradeço a todos os deuses
A minha alma invencível.

Nas garras ardis das circunstâncias,
Não titubeei e sequer chorei.
Sob os golpes do infortúnio
Minha cabeça sangra, ainda erguida.

Além deste vale de ira e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos ameaçadores,
Encontram-me sempre destemido.

Não importa quão estreita a passagem,
Quantas punições ainda sofrerei,
Sou o senhor do meu destino,
E o condutor da minha alma.

Declamado por Alan Bates – 2 vídeos – em inglês sem e com tradução – ver ambos

“Invictus”: o poema que inspirou Nelson Mandela em seus 27 anos de de prisão

Maria | by Jorge Alves

Nem sempre as coisas mais sofisticadas são as mais preciosas. Olhos que revelam a transparência da alma, a serenidade, uma pureza quase mística, não têm preço. Deixo-vos com aquele que, apesar de simples, é o meu trabalho preferido – “Maria”. Agradeço-vos a paciência por terem apreciado e criticado os trabalhos feitos nos últimos anos e que ao longo destes dias aqui apresentei. Mais haveria para mostrar, mas por agora fiquemo-nos por aqui. Não estão esquecidos os convites para realizar uma exposição. Virá a seu tempo. Até lá, acalentado pela força que muitos me deram, vou continuar a trabalhar nesta vertente. Prometo voltar ao assunto lá mais para o fim do ano. Mais uma vez obrigado a todos. Boa terça-feira.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

Os Óscares e as orgias romanas do império | Carlos Matos Gomes in blog “Media”

Tenho muita dificuldade em compreender a subserviência dos europeus aos Óscares.

É certo que é a sagração dos deuses do Olimpo do Império.

É certo que é a marcha triunfal dos vendedores do Império!

É certo que é o anúncio feito pelos senadores do Império do que nos vão dar a comer nos próximos tempos!

É certo que são aqueles os falsos heróis do Império da Marvel que nos vão salvar e aqueles os bandidos de cartão da Disney de que nos vamos vingar.

É certo que são aqueles corpos das vestais apenas translucidamente cobertos que nos vão povoar os sonhos, embora este ano a moda seja a de cheira mas não comas.

É certo que são aqueles os ditos de inteligência que nos farão rir do Trump que nos impingiram.

É certo que são aquelas luzes que nos vão encadear!

É certo que são aquelas as verdades dos filmes que nos vão moldar.

É certo que serão aqueles os sons que nos entrarão pelos ouvidos e as certezas que nos cegarão os olhos.

É certo que será aquela a droga que nos entrará pelas veias e nos levará para outros mundos.

É certo que serão aqueles sorrisos brilhantes de dentaduras postiças dos patrícios que nos levarão a empenhar-nos para pagar as coroas dentárias sobre as nossas cáries.

É certo que será aquele o silicone que dará forma às ancas e aos seios das deusas e matronas do não me toques que te tramo e também aos implantes capilares das carecas dos patrícios obesos que pagam às “gajas” que este ano os vão acusar de as apalparem.

É certo que é aquela a orgia e o bacanal em que os que vivem à custa das nossas tristezas se riem de nós e nós gostamos de pagar para se rirem de nós.

É certo que nós, os europeus em particular, já tínhamos a experiência dos romanos se apropriarem das obras dos gregos, do pensamento dos gregos, da arquitetura dos gregos, das tragédias dos gregos, mas os atenienses não celebravam com os romanos as suas próprias derrotas, o seu aviltamento.

Sendo tudo isso certo, resta durante a madrugada europeia, o espetáculo de subserviência, de reconhecimento de servidão, de menoridade, de aplauso da boçalidade, de exaltação do plástico sob diversas formas, das ideias às fatiotas, ao botox, das causas do ano aos gritinhos do Oh my God dos chamados ao palco.

Nas primeiras páginas surgem — chocantes — as fotografias das saturnais dos Óscares que nos vendem armas e Trumps, guerras e pastores bíblicos.

Não seria possível a nós, como aos atenienses da antiguidade, manifestar algum recatado desprezo, ou indiferença, já que temos de servir de público e de mercado no espectáculo emitido a partir do coliseu de Hollywood?

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Livros de cabeceira de grandes escritores | Virginia Woolf

Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski

Virginia Woolf era famosa por suas opiniões fortes – mesmo que as vezes fossem impopulares. Woolf fazia críticas sem piedade a autores que considerava ruins ou mornos, mas também elogiava na mesma intensidade. Na sua opinião, Fiódor Dostoiévski é “obviamente o melhor autor de todos os tempos”. Desta forma, ela cita duas obras do escritor como seus livros de cabeceira. Um deles é Crime e castigo, o qual Woolf indica para aqueles que querem conhecer a obra de Dostoiévski.

Os irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski

Apesar da linguagem de Os irmãos Karamazov ser mais complexa e densa do que de Crime e castigo, Virginia Woolf aponta o livro como o seu favorito de todas as épocas. A obra é elogiada por resumir toda a criatividade de Dostoiévski, no qual ele expõe todas a suas “malditas” questões existenciais que tanto o atormentaram – como a degradação moral da humanidade.

Afrin | para Hussein Habasch – Kurdish Poet | por Maria João Cantinho

Afrin

Para Hussein Habasch

Dizem que o pesadelo dos soldados do Estado Islâmico
é ser morto por uma mulher,
dizem que não terão as 72 virgens
nesse paraíso sonhado que os espera.

E elas, peshmerga, enfrentando a morte,
olhos de tigre, saltam-lhes ao caminho como demónios
livres e sem véus, implacáveis,
elas que, no amor e nos filhos, respiram a ternura
e a salvação.

Ceylan matou-se com a última bala de que dispunha,
talvez tivesse tido medo nessa hora,
mas o tempo não é para medos nem delongas
e Ceylan também não sabe ser heroína
que isso é para as ocidentais plasmadas
No tédio das suas vidas vazias,
entregues à contemplação de miragens,
criadas pelos que vendem a morte
em longínquas paragens.

Arin fez-se explodir, para não cair em mãos inimigas,
O seu corpo matou tantos quanto pôde,
em nome de um povo, que só na alma e no coração
conhece a sua pátria, ardendo
no olhar das suas crianças, quietas,
à espera do futuro, que silva entre as balas
e o sangue, as vísceras dos seus mortos.

Em Afrin, só a morte canta,
só ela floresce, petrificando,
diante da nossa indiferença gelada, muda.

Maria João Cantinho

Retirado do Facebook | Mural de Maria Cantinho

“A rapariga de azul” | Johannes Vermeer

Sou absolutamente apaixonado pela escola seiscentista holandesa. Especialmente por Vermeer, cujo traço, jogo de cores e realismo me impressionam vivamente. Muito à frente do seu tempo, o mestre socorria-se de técnicas surpreendentes, inclusive de instrumentos ópticos para aperfeiçoar este ou aquele detalhe, que servia de ponto de gravidade para todo o quadro, envolto em luz e sombras. Surpreendentemente, ou talvez não, a sua extraordinária obra nunca foi reconhecida em vida. Vermeer, o anti-herói, morreu pobre, mas a sua obra perdurou. Deixo-vos hoje com uma singela homenagem a esse fantástico mestre – “A rapariga de azul”, lápis-aguarela sobre cartolina.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

TIBETE | o novo romance de Silas Corrêa Leite | E quando você não quiser mais ser gente?

O novo romance do escritor Silas Corrêa Leite, lançado ao final do ano passado pela Editora Jaguatirica, RJ, vem bem a calhar, tendo em vista o tenebroso momento em que se resta o Planeta Terra, e particularmente o Brasil também em crise sem precedentes históricos, em que há uma falência generalizada de valores e estruturas sociais, terrivelmente depondo com o que deveria ser o público fito ético-plural-comunitário da  sociedade nesses tempos de falta de qualidade de vida e de uma convivência humana de baixíssimo nível. Fugir seria a melhor estratégia? Loucos escrevem. Céu ou inferno moram nos desfechos?  O personagem principal do livro, nesse contexto todo relata sobre as tormentas de um ex-escritor marcado, com altos e baixos na vida, mas, afinal evoluído socialmente falando, e que num estranho súbito momento, um bendito dia saca que não é feliz; avalia que o que conquistou não o satisfaz, quando conclui que “vencer na vida” não é tudo, não significa nada, não faz sentido, e, parafraseando Caetano veloso se questiona: tudo o que conquistou, a que será que se destina? Fechamento de ciclo.

De cara resolve pular fora do sistema, da redoma de infernos que é seu meio conturbado. Larga tudo e vai em busca de um lugar para chamar de céu, um infinito particular que seja. Quer um canto para se esconder de ser gente, de ver gente, se tratar de si, se reconciliar, cavar uma trilha, um buraco, antes que faça uma besteira… Estresse e paranoia de finalmente se descobrir sendo uma coisa que não quis ao final de tudo, passando da idade do lobo.

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O orador falante | Fernando Venâncio

É um pretexto. Mas pode servir. A Revista do penúltimo “Expresso” inseria um artigo de Henrique Raposo sobre Vasco Pulido Valente, de quem prepara uma biografia. No sábado passado, o semanário incluiu uma réplica de Diogo Ramada Curto ao artigo de Raposo. E eu, que, vai para 30 anos, me ocupei do célebre cronista, tenho esta marginália (mas, bom, tome o seu tempo, e deguste relaxado), de novo aqui oferecida ao mundo.
*
Há duzentos anos, a prosa não prestigiava ninguém. Altas, garantes de fama, eram a poesia e a oratória. Tinha de ser poeta ou orador quem, por essa altura, quisesse andar nas bocas do mundo. Bocage e o padre Macedo correspondiam-se publicamente em verso. Filinto ritmava torturadamente os seus ensaios. E as multidões iam, em dia de santo, ouvir quantos, dos púlpitos, se excediam em sonoridade e arredondamentos.
Alinhar parágrafos, como suficientemente mostravam umas poucas de novelas alegóricas e ‘exemplares’, era ofício menor. A ele se entregavam os historiadores, os criadores de leituras edificantes, os autores de compêndios, os de memórias (assim se designava, por então, os ensaios), os ditantes de boas maneiras. Gente séria, mas dificilmente citável. Sobretudo, se se exceptuar o bilioso Macedo, que também polemizava em prosa, gente que a ninguém divertia. Para recreio, para descontracção, a literatura marcava encontro nos templos ou nos saraus.
Meio século mais tarde, por 1830, esse estado de coisas, no essencial, mantinha-se. Se novidade havia, eram as traduções de novelas francesas. Traduções péssimas, de efabulações de pacotilha, mas que no seu conjunto afiançavam uma movimentação editorial nada despicienda. Era patente: a prosa conservava-se um exercício sem especial magia, e não admira que os manuais a considerassem um subdomínio da eloquência. Nos casos mais felizes, a prosa discursava.

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Simplement | Malika Mellal

Simplement parler sans titre
Me laisser aller sans filtre
Aussi t’écouter comme tu aimerais
Sans rien interpréter ni imaginer
Être nous même simplement
Sans peur ni jugement
Ouvre toi n’ai pas peur de moi
Chez moi il n’existe aucune loi
Oublies tes préjugés qui te retiennent
Pour libérer une parole saine
Partager est libérateur
J’aurai les mots réparateurs
Pour te guérir et que tu respires
Tu peux parler sans réfléchir
Je saurai faire le tri dans tes pensées
Même livrées brouillées
Écoutes moi à ton tour
Me livrer sans détours
Construire cette complicité
Si chèrement convoitée
Quand deux âmes se reconnaissent
Ce n’est que bonheur en liesse
Si tu te mettais en danger
Rien ne me ferais hésiter
Je serai sûrement violente
Mais je ne serai jamais mante
Aucunes libertés sacrifiées
Ou volontés d’enfermer
Deux âmes sœurs luttant en cœur
Qui ne compteraient pas les heures
Pour chaque fois refaire le monde
De tout ces sentiments qui nous inondent.
Alors pourquoi hésites tu encore ?
Viens ne reste pas dehors.

Malika Mellal 01 /2018
Copyright@mellalmalika

Retirado do Facebook | Mural de Malika Mellal

QUEM TEM MEDO DE FRANCISCO LOUÇÃ? | Francisco Seixas da Costa

Sinto por aí um certo mal-estar com a proeminência pública de Francisco Louçã, seja pela presença regular na comunicação social (imprensa, rádio e televisão), seja pelos lugares que ocupa no Banco de Portugal e no Conselho de Estado. Pena é que não se destaque, com igual nota, a sua atividade académica, em que, por um indiscutível mérito próprio, chegou ao topo da carreira letiva, com amplo reconhecimento dos seus pares. Louçã é, além disso, autor de uma bibliografia muito assinalável, também publicada no estrangeiro.

Esta atitude anti-Louçã – chamemos as coisas pelos nomes – apoia-se num pouco subliminar juízo de “ilegitimidade”. Porque as ideias políticas de Louçã são minoritárias, dar-lhes relevo não tem o menor sentido e representa uma injustificável cedência de espaço ao Bloco de Esquerda – é esta a “lógica” do raciocínio.

Ora Louçã tem todo o direito de pensar o que pensa. Não concordo com muitas coisas que ele defende, sentir-me-ia mesmo pouco confortável se algumas das suas ideias fossem levadas à prática, nomeadamente nos temas europeus. Mas reconheço que o seu pensamento tem uma indiscutível racionalidade e coerência, mesmo quando ataca aquilo que eu próprio penso. E fá-lo com uma inteligência e uma preparação intelectual muito raras.

Num país em que o pensamento económico dominante é um ecoado por um “coro” que papagueia uma linha quase uniforme, difundindo um “template” que surge vendido como verdade indiscutível nas salas das nossas universidades (isto sabe-se?), de que algum “jornalismo” económico é apenas um subproduto para “dummies”, fico muito feliz pelo facto de poder existir, com visibilidade nacional, um contraditório, mediático e não só, feito por alguém com a estatura de Francisco Louçã.

Francisco Seixas da Costa 

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

Onésimo Teotónio Almeida | designado pelo Presidente da República para presidir às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas | por Nuno Costa Santos

Ao saber que Onésimo Teotónio Almeida foi designado pelo Presidente da República para presidir às comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, sinto de imediato tratar-se de um gesto naturalíssimo, da mais inteira justiça. Se há alguém que tem pensado Portugal de um modo original e persistente é o autor de “Rio Atlântico” e “Viagens na Minha Era”. Não é que, depois de uma vida académica intensa, com continuada produção intelectual e um reconhecimento crescente por cá (demorou mas chegou), precisasse disso. Mas é justo e faz sentido.

“A Obsessão da Portugalidade”, o seu último livro, ajuda-nos a perceber o que somos e como nos pensamos – em várias tradições. Faz críticas e elogios e um dos elogios maiores vai para Eduardo Lourenço, entretanto destratado por alguns elementos das ciências sociais, que vê como um pensador de síntese, de grande poder intuitivo, situado entre “o sentimento” de Pascoaes e “a razão” de António Sérgio.

Inspirado em Lourenço defende, nesse mesmo livro, algo elementar mas pouco formulado: a única coisa que une os portugueses é Portugal. E que cada português constrói Portugal à sua maneira, para além de quaisquer constrangimentos impostos – sem que isso apague um sentimento de pertença que de quando em quando emerge.

Sente-se que Onésimo, aos 71 anos, está mais apaziguado com um certo Portugal. E que, apesar de manter as críticas ao vícios nacionais, como o de se falar muito e se fazer pouco, como o de ser impossível debater aqui sem descambar no insulto, como o de nos mantermos deslumbrados com termos estrangeiros e modalidades fáceis de tratar o turismo, vê uma nova abertura no país, o fim de um longo período de oco e vaidoso ensimesmamento.

O país que valoriza também é o país dos pequenos territórios, das regiões, das localidades, das pequenas cidades e vilas. Os lugares onde se vive e os lugares de onde se veio. Disse, em entrevista: por muito que se queira ser global, “a ligação à terra em que se vive, mas sobretudo aquela em que se passam os anos formativos da vida, acaba por emoldurar um pano de fundo que afeta, mais ou menos intensamente, os seres humanos para toda a sua vida”. E isso em Onésimo acontece com Portugal, em geral, e com os Açores, em particular.
(Uma nota, por fim. Dado o sentido de humor de Marcelo e Onésimo, imagino que os serões pós-cerimónia merecerão ser depois consagrados em livro. Já deverá haver movimentações editoriais).

Nuno Costa Santos

Retirado do Facebook | Mural de Nuno Costa Santos

 

Migas de Marisco | António Galopim de Carvalho

A expressão “migas de marisco” é, em nossa opinião, mais correcta do que a bem conhecida açorda de marisco, de que há muitas versões por todo o país, dando razão a Maria de Lourdes Modesto (1982), quando refere a infinidade de variantes que cada receita comporta. A “açorda” de marisco da nossa casa é a melhor de todas, no dizer dos filhos, familiares e demais amigos. É uma gentileza que compensa todo o tempo necessário à sua confecção.

Cozem-se, em pouca água e durante um tempo mínimo, os camarões e uma dezena de caranguejos. À parte, cozem-se lulas pequenas ou chocos, bem limpos de tinta e peles. À parte, numa panela tapada, abrem-se amêijoas e mexilhões, comprados já limpos de areia e depurados. Se incluir lagosta coza-a também à parte. Tenha-se em atenção que apenas os camarões não perdem qualidade como congelados. Assim, todos os restantes ingredientes têm de ser necessariamente frescos (lulas, chocos, bivalves e crustáceos). Corta-se pão caseiro (alentejano ou de tipo saloio) com dois ou três dias, em fatias tão finas quanto o consinta o jeito de quem o corta.

Descasque os camarões deixando uma dezena deles intactos. As cascas dos camarões juntamente com os caranguejos cozidos são depois bem pisados. O pisado obtido é, de seguida, diluído num pouco da respectiva água de cozedura e coado por uma peneira fina ou num pano e aí bem espremido. O caldo resultante desta operação, muito rico em paladar, mistura-se com a dita água de cozedura.

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VLADIMIR VASILIEV | GOD OF THE DANCE

Танцует Владимир Васильев / Vladimir Vasiliev performs 1. A. Крейн. «Лауренсия» / Laurencia by A. Krein 2. Н. Черепнин. «Нарцисс» / Narcissus by N. Tcherepnin – 0:53 3. Л. Минкус. «Дон Кихот» / Don Quixote by L. Minkus(1969) – 5:14 4. С. Баласанян. «Лейли и Меджнун» / Leyli and Majnun by S. Balasanyan – 6:45 5. Р. Щедрин. «Конёк-Горбунок» / The Little Humpbacked Horse by R. Shchedrin – 9:15 6. С. Слонимский. «Икар» / Icarus by S. Slonimsky – 10:43 7. A. Адан. «Корсар» / Le Corsaire by A. Adam – 12:53 8. C. Прокофьев. «Ромео и Джульетта» / Romeo and Juliet by S. Prokofiev – 15:03 9. Ф. Дзеффирелли. Сцена из фильма «Травиата» / Scene from La Traviata by F. Zeffirelli – 21:42 10. Л. Минкус. «Дон Кихот» / Don Quixote by L. Minkus(1972) – 25:07 11. А. Хачатурян. «Спартак» / Spartacus by A. Khachaturian – 27:22 12. П. Чайковский. «Щелкунчик» / The Nutcracker by P. Tchaikovsky – 37:07 Все дуэты совместно с Екатериной Максимовой и Ниной Тимофеевой(Корсар)/ All duets together with Ekaterina Maximova and Nina Timofeeva(Le Corsaire) Официальный сайт артиста http://vasiliev.com Большой Балет – XX век / Bolshoi Ballet – XX сentury

Cláudio Torres: “D. Afonso Henriques não conquistou Lisboa aos mouros, foi aos cristãos”

O arqueólogo, especialista em cultura islâmica, desfaz vários mitos da História. Defende que não houve invasões muçulmanas em massa na Pensínsula Ibérica.

Cláudio Torres olha para o buraco no tecto, por onde entra a pouca luz do sol de Inverno, e exclama: “Foi aqui que tudo começou”. O “aqui” é a cisterna medieval, junto ao castelo de Mértola.

“Quando cá vim pela primeira vez, em 1976, trazido pelo presidente da Câmara, o Serrão Martins, meu aluno de História na Faculdade de Letras de Lisboa, havia uma grande figueira junto a este buraco. Espreitei lá para dentro, aquilo estava cheio de lixo, e logo na altura apanhei vários cacos de cerâmica islâmica”.

Sentado no que resta das paredes de uma casa com 900 anos, Cláudio Torres aponta para o terreiro junto ao castelo: “Os miúdos costumavam vir para aqui brincar. Havia hortas, assavam-se galinhas, namorava-se às escondidas. Em 40 anos, mudámos isto: já desenterrámos o bairro almóada do século XII, o baptistério do século VI e o palácio episcopal. Se continuarmos a escavar, vamos encontrar o fórum romano”.

Hoje com 78 anos, Cláudio Torres anda a escavar Mértola desde 1976. O arqueólogo instalou-se em definitivo com a mulher e as filhas na vila alentejana em 1985. Fundador e director do Campo Arqueológico de Mértola (trabalho que lhe valeu, em 1991, o Prémio Pessoa), é um dos mais conceituados investigadores da civilização islâmica no Mediterrâneo.

Em entrevista à SÁBADO, a propósito da edição 711 (o ano, segundo a História, que marca o início do domínio islâmico na Península Ibérica), o arqueólogo aproveita para desfazer vários mitos das invasões muçulmanas e da reconquista.

Com tantas e tão interessantes informações, decidimos dividir a entrevista em três partes, a publicar hoje e nos próximos dois dias. Na primeira, o arqueólogo aborda o que aconteceu realmente em batalhas como Covadonga e Poitiers (tidas como decisivas para travar o avanço muçulmano), assim como as conquistas de Coimbra e de Lisboa.

Na segunda parte, Cláudio Torres explica como era o actual território português em 711, fala da corrida ao ouro em Mértola e do grande contraste entre as gigantescas e opulentas cidades do sul e as urbes miseráveis como Paris e Londres, feitas de casas de madeira e ruas de lama.

Por fim, o arqueólogo aborda o seu percurso pessoal, as aventuras políticas no PCP, as prisões pela PIDE, a fuga de Portugal para Marrocos num barco a motor, o exílio na Roménia e em Budapeste e ainda o que Portugal poderá fazer para combater os radicais islâmicos do Daesh.

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Cheminée adorée | Malika Mellal

Cheminée adorée

Belle cheminée belle adorée
Qui ne cesse de brûler
Pour son beau bûcheron
Qui l’a élue âtre de sa maison
Elle aimerait parfois des fleurs
Offertes par son joli cœur
Galant et homme habile
Il lui dessine des jonquilles
Elle aimerait des friandises
Il met une bûche et attise
“Je suis l’âtre de ta maison
Ton ardente liaison
Qui réchauffe ton cœur
Les soirs de torpeur”
Il aimerait qu’elle comprenne
Que matin et soir il se démène
Pour que jamais ne s’éteigne
Le feu de sa douce sienne.
“Flamme de mon cœur
De quoi as tu peur?
Je peins à foison
Fleurs et bonbons
Pour que tes braises bleues
Crépitent d’un feu joyeux
Je débite stères après stères
Que ton cœur jamais ne désespère
Elle se réjouit, elle a compris
Que chacun se nourrit et vit
De leurs arts bien accomplis
D’amour et de mots qui se délient
Mais jamais dans le déni.
C’est pour cela que les feux
Ont un parfum délicieux
Mélange sucré boisé
D’amour subtilement délié.

Malika Mellal 15 février 2018

Clin d’oeil suite au post de Hocine Ziani

Utroba Cave | Bulgaria | 3000 anos

Utroba Cave 

Nas montanhas Rhodope, na Bulgária. Esculpido à mão há mais de 3000 anos (?), Foi redescoberto em 2001.

Os arqueólogos levantam a hipótese de que um altar construído no final da caverna, com cerca de 22 m de profundidade, ou o colo do útero ou o útero.
Ao meio dia, a luz penetra no templo através de uma abertura no teto, projetando uma imagem de um falo no chão.

Quando o sol está no ângulo direito, no final de fevereiro ou início de março, o falo cresce mais e atinge o altar, fertilizando simbolicamente o útero antes da semeadura das culturas de primavera.

Manual de Ciência Política | José Adelino Maltez

Chegou-me hoje a versão final do “Manual de Ciência Política”. Talvez saia do prelo, dentro de um mês. Tinha o dever de o editar: “O autor deste manual, apesar de uma manifesta conceção do mundo e da vida, não quer converter qualquer leitor, ou aluno, mas apenas peregrinar pelos tópicos fundamentais da coisa pública, embora invoque os seus mestres-pensadores, aqueles que o provocam neste caminho de procura da verdade, incluindo os da segunda metade do século XX, quase todos mortos no dobrar do milénio. Assim se confirma como os professores, quando se julgam na madura idade, isto é, no pleno exercício da liberdade académica, não passam de avôs de si mesmos, quando invocam aqueles inspiradores que lhes ensinaram a caminhar, das anteriores gerações. Nihil sub sole novi…Daí que não ocultemos autores malditos, de fascistas a comunistas, de reacionários a progressistas, marcados pelos sobressaltos autoritários e totalitários da primeira metade do século XX. Contudo, sempre começamos por dizer que a doutrinação missionária não cabe à universidade, mas sim às seitas que, dos seus púlpitos ou das suas redes sociais, podem diabolizar…”

José Adelino Maltez

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

encomendas: ISCSP: editorial@iscsp.ulisboa.pt

combien vous vendez les oeufs ?

Elle a demandé : ” combien vous vendez les oeufs ?”
Le vieux vendeur a répondu : 5 Da l’oeuf, madame “.
Elle a dit : “je vais prendre 6 oeufs pour 25 Da- ou je pars”.
Le vieux vendeur a répondu : ” venez les prendre au prix que vous souhaitez. Peut-être, c’est un bon début parce que je n’ai pas pu vendre un seul oeuf aujourd’hui “.

Elle a prit les oeufs et s’est écartée de la sensation qu’elle a gagné. Elle est entrée dans sa voiture élégante et est allée dans un restaurant élégant avec son amie. Elle et son amie ont demandé ce qu’elles voulaient. Elles ont mangé un peu et ont laissé beaucoup de ce qu’elles ont demandé. Alors elle a payé l’addition. Le compte coûtait 4000Da/ -. elle a donné 5000Da / – et a demandé au propriétaire du restaurant de garder la monnaie….

Cet incident pourrait avoir semblé assez normal au propriétaire, mais très douloureux pour le vendeur d’œufs pauvre..

Le but est,
Pourquoi avons-nous toujours montré que nous avons le pouvoir quand nous achetons des nécessiteux ? Et pourquoi sommes-nous généreux avec ceux qui n’ont même pas besoin de notre générosité ?

Une fois j’ai lu quelque part :

” mon père avait l’habitude d’acheter des biens simples de pauvres à des prix élevés, même s’il n’avait pas besoin d’eux. Parfois, il payait plus pour eux. J’étais inquiet pour cet acte et je lui ai demandé pourquoi il fait ça ? Alors mon père répondit : “C’ est une charité enveloppée dans la dignité, mon fils”