Os terriveis massacres de Batepá em São Tomé, Pidjiguiti, na Guiné, Baixa do Cassange, em Angola, Mueda e Wiriamu, em Moçambique, são pontos negros e dolorosos da nossa presença em África.
Exprimiram o ódio do regime colonial e ditatorial contra os Povos Africanos suprimindo qualquer ideia de Liberdade e Libertação mesmo antes de começar a luta armada e das violentas reações contra as populações brancas, indefesas e colocadas entre dois fogos.
Foram em geral os desencadeadores da guerra injusta que se seguiu.
Esta é a herança mais dramática do fascista Salazar e da Ditadura Fascista a que algumas almas cobardemente piedosas chamam de Estado Novo, e que muitos por aqui incensam ou simplesmente toleram.
Que seja um Presidente oriundo das Direitas, onde se acoitam todos os saudosistas da ditadura, ainda por cima filho de um ex ministro da ditadura a resgatar a Honra da Nação e do Povo Português perante aqueles Povos Irmãos, revela uma dimensão de Homem e Estadista muito rara nos tempos que correm.
Obrigado Presidente Marcelo.
Rodrigo Sousa e Castro
Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro
Creio que foi o sorriso,
0 sorriso foi quem abriu aporta.
Era um sorriso com
muita luz
lá dentro, apetecia entrar nele,
tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele
sorriso.
Correr, navegar, morrer
naquele sorriso.
Eugénio de Andrade
Le sourire
Je crois que ce fut le sourire,
le sourire, lui, qui ouvrit la porte.
C’était un sourire avec
beaucoup de lumière
à l’intérieur, il me plaisait
d’y entrer,
de me dévêtir,
de rester
nu
à l’intérieur de ce sourire.
Evanildo da SilveiraDe São Paulo para a BBC Brasil
Há 418 anos, em 17 de fevereiro de 1600, uma quinta-feira ensolarada, Roma presenciou um espetáculo dantesco. Centenas de pessoas lotaram o Campo dei Fiori (Campo das Flores), uma praça no centro da cidade, para assistir à morte na fogueira de Giordano Bruno, por ordem da Santa Inquisição.
O padre, filósofo, místico, poeta, autor de peças de teatro, nascido Filippo Bruno em 1548 em Nola, no reino de Nápoles, pagava com a vida pela ousadia de ter desafiado a Igreja e discordado das ideias então vigentes, entre as quais a de que a Terra era o centro do universo.
A sentença havia sido proferida oito dias antes pelo papa Clemente 8 depois de sete anos de julgamento, durante os quais Bruno negou-se diversas vezes a renunciar às suas ideias e arrepender-se. Fez mais. Conta-se que, enquanto ardia na fogueira, ainda teve forças para virar o rosto a um crucifixo que alguém lhe havia mostrado.
No livro As Sete Maiores Descobertas Científicas da História, os irmãos David Eliot e Arnold Brody contam que a história desse desfecho trágico, mas mais ou menos previsível para a época, começou a ser escrita em 1575, quando Bruno leu textos proibidos do filósofo holandês Desidério Erasmo (1466-1536), o que lhe valeu o primeiro processo de excomunhão.
É provável, dizem, que o temperamento inquieto e contestador de Giordano Bruno o tivesse levado por si só à fogueira, mas ter lido Erasmo ajudou a marcá-lo como herege. Na verdade, desde cedo ele mostrou tendências heterodoxas. Ainda noviço, ele atraiu atenção pela originalidade de seus pontos de vista e por suas exposições críticas das doutrinas teológicas então aceitas.
Se já foi definido pelo poeta e professor Affonso Romano de Sant´Anna, doutor em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, como o mais português dos poetas brasileiros, Álvaro Alves de Faria (1942) também pode ser considerado um dos romancistas mais criativos da geração de 1940 na Literatura Brasileira. Prova disso é o romance O Tribunal (Taubaté-SP: Editora LetraSelvagem, 2015), escrito e publicado em 1971 à época do regime militar (1964-1985) e que constitui “um testemunho fidedigno da resistência da cidadania contra um regime ditatorial e a demonstração surpreendente da capacidade humana de superação diante das mais angustiantes situações”, na definição do editor e escritor Nicodemos Sena, autor do texto de apresentação deste livro.
Texto que foge à classificação de novela ou romance, O Tribunal, primeira incursão do poeta na ficção, é uma prosa poética em tom de confissão – não fosse seu autor extremamente lírico – que surpreende ainda hoje o leitor, ao mostrar “uma personagem que avança pelos meandros de uma selva escura, através das barbáries e miséria, lutando pela consolação desse sentimento positivo”, como escreveu o crítico Geraldo Galvão Ferraz (1941-2013) no prefácio preparado para a segunda edição desta obra publicada em 1976.
Como o bancário Josef K., de O Processo, de Franz Kafka (1883-1924), a personagem de Faria se vê diante de uma acusação absurda, que foge à luz da razão, ou seja, a de ter atropelado um tanque, o que lhe rende uma condenação à pena máxima. E, como a personagem de Kafka, sente-se como um inseto diante da brutalidade e insensibilidade de “um tribunal criado apenas para condenar”.
Terceiro romance de Nicodemos Sena (1958), A Mulher, o Homem e o Cão (Taubaté-SP, Editora LetraSelvagem, 2009) não só confirma o talento do seu autor como, ao lado de seus livros anteriores, é, desde a sua publicação, obra de referência para o estudo temático da vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos) na Literatura Brasileira. Por seu estilo ímpar, o autor já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos (1892-1953), Mário de Andrade (1893-1945), Érico Veríssimo (1905-1975), Guimarães Rosa (1908-1967) e João Ubaldo Ribeir o (1941-2014), e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005) e o peruano José María Arguedas (1911-1969).
A exemplo do que fez Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, com a figura de Riobaldo, o personagem-narrador de A Mulher, o Homem e o Cãofala diante de um suposto ouvinte sobre as suas vivências no meio da floresta amazônica, discorrendo histórias fantásticas, com ele ocorridas e com sua família, que estão perpassadas por mitos regionais e bíblicos. Em outros momentos, o narrador-personagem, cujo nome não se conhece, reproduz para o seu suposto ouvinte o que a esposa lhe contara sobre um diálogo que tivera com um homem desconhecido, que seria o “coisa ruim”, uma criatura fantástica e camaleônica que acaba por gerar os conflitos quer perpassam o romance.
Na verdade, como diz o protagonista-narrador logo no início da narrativa, ele, a mulher e seu menino (que, como as crianças-personagens de Graciliano Ramos em Vidas Secas, não tem nome) – e também o cão que apareceu depois – viveram uma vida feliz em meio aos mistérios da selva, até que algo de estranho aconteceu, ou seja, o aparecimento de uma criatura diabólica, de voz doce e melodiosa, que teria atraído para a água do rio a sua esposa com propostas soezes.
Por vocação e missão dei por mim, nos meus 25 anos de vida sacerdotal, a trabalhar pastoralmente no âmbito do pensamento e da cultura. Se há lugar em que a Igreja se assemelha a um hospital de campo – para retomar a imagem mais do que oportuna do papa Francisco –, é precisamente este, onde as perguntas são exigentes e contínuas, as procuras de sentido são intensas, por vezes extremas, na sua vulnerabilidade, e a fome de Deus é, sim, latente, mas também se oculta sob uma dor humana nem sempre confessada, um grande vazio, muito sofrimento, em conflito e em solidão no modo de se confrontar com a vida ou com a fé. Por isso, quem trabalha no sector da cultura não pode ser uma simples pessoa de gabinete ou gestor de sacristia. Apesar de trabalhar há muitos anos numa universidade, vejo-me, com efeito, como um padre de estrada, dado que a cultura, na sua fantástica e dramática vitalidade, é isto: é estar no meio da estrada, é o desarmante espaço aberto da vida. A cultura é um extraordinário motor de procura, no qual a complexa ansiedade do viver está sempre presente. Um território que não é fácil, mas é apaixonante. E este campo pastoral ensinou-me o valor da escuta.
A escuta é já, por si, um modo de cuidar, uma maneira de se ocupar das feridas do coração humano. Um sacerdote não deve ser necessariamente um megafone. Muitas vezes aquilo que Deus lhe pede é ser uma humilde antena. Não tem de seguir diretamente para Jerusalém sem olhar nem para a direita nem para a esquerda, indiferente aos dramas dos outros. Muitas vezes, o que Deus lhe pede é que seja o Bom Samaritano de plantão. O amor de Cristo pelos humanos é um amor sem reservas, é uma misericórdia que nos abre à vastidão, baseando-se nos pontos de partida já existentes, ainda que frágeis e insuficientes no turbilhão da vida. A pastoral deve tentar ser uma arte da hospitalidade. Só quem está disposto a escutar as perguntas até ao fim pode dar respostas. Se há coisa que eu aprendi ao trabalhar no campo da cultura é o significado espiritual da sede. Agradeço a Deus todos os dias por isso. Há muita sede no coração humano. O coração, podemos dizer, é um interminável reservatório de sede. Sede de amor. Sede de verdade. Sede de reconhecimento. Sede de razões de viver. Sede de um refúgio. Sede de novas palavras e de novas formas. Sede de justiça. Sede de humanidade autêntica. Sede de infinito. E Jesus identificou-se com os sedentos. Uma das suas últimas palavras na cruz foi «tenho sede» (João 19, 28). A sede torna-se assim uma interpretação necessária não só para chegar ao coração humano, mas também para compreender o mistério de Deus.
Quando o Santo Padre quis falar comigo para que colaborasse nos Exercícios da Quaresma, disse-lhe que eu sou apenas um pobre padre, e é a verdade. Ele encorajou-me a partilhar da minha pobreza. Veio então à minha mente propor um ciclo de meditações muito simples sobre a sede, intitulado “Elogio da sede”. A sede é um tema bíblico, elaborado muitas vezes pela tradição cristã, e ao mesmo tempo é um mapa real, muito concreto, que nos ajuda a ficarmos sintonizados com a vida de todos os dias. Interessa-me sobretudo uma espiritualidade do quotidiano.
José Tolentino Mendonça In Avvenire
Trad.: SNPC
Imagem: amenic181/Bigstock.com
Publicado em 15.02.2018
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Gosto deste Senhor; um homem de grande espiritualidade, filósofo, homem de extensíssima cultura. Humano, que entende os humanos. Um Cristão. (VCS)
A l’origine, des tribus nomades vivant dans les déserts de la péninsule arabique s’unissent sous l’influence d’un homme, le prophète Muhammad. Par la suite, ce peuple parvient à conquérir un large empire, ce qui l’amène à se rapprocher d’un grand nombre de civilisations différentes. Bagdad devient ainsi la capitale intellectuelle de son époque et accueille les savant étrangers de toutes les disciplines. De nombreux traités de référence en chirurgie, botanique, mathématiques et astronomie voient le jour. Mais les luttes intestines et les invasions successives affaiblissent peu à peu l’empire des califes jusqu’à sa disparition.
1. Em 2015 deu-se uma viragem histórica em Portugal: pela primeira vez na história da nossa democracia a esquerda entendia-se para formar uma maioria que sustentasse um governo. Ganhou a representação democrática: temos uma democracia mais plural, com mais configurações parlamentares disponíveis e sem nenhum partido excluído, por definição, da esfera governativa. O nosso sistema político tem hoje dois pólos distintos, o que promove a dialética entre visões diferentes da sociedade, facilita a escolha do eleitorado e torna mais difícil a emergência de extremismos.
Ganhou também o país: Este Governo e esta maioria estão a mostrar que é possível viver melhor em Portugal e a imprimir mudanças profundas nas políticas públicas. O que estamos a fazer na política orçamental e de rendimentos, na trajetória do salário mínimo, no alargamento de direitos e mínimos sociais, na recuperação dos serviços públicos ou na diversificação do financiamento da segurança social é mesmo diferente do que um Governo apoiado numa maioria de direita faria.
Ganhou, por fim, o PS: com esta solução governativa, aumentou a sua autonomia estratégica. Não está impedido de procurar compromissos alargados em áreas específicas (como as de soberania), mas deixou de estar obrigado a governar com a direita.
C’était un pays très agréable à vivre, mais les gens étaient tellement paresseux que, lorsque le président leur ordonna de défendre les frontières, ils ne firent rien d’autre que bâiller. Ils furent envahis.
A leur tour, les envahisseurs commencèrent à devenir paresseux et, un jour, lorsque le nouveau président ordonna que les hommes aillent défendre les frontières, tous se mirent à bâiller. Ils furent eux aussi envahis.
Une fois encore, les envahisseurs devinrent rapidement paresseux et, lorsque pour la troisième fois un nouveau président ordonna que les hommes aillent assurer la défense des frontières, tous se mirent à bâiller. Une fois de plus, ils furent envahis. Le pays était de plus en plus peuplé.
Ce phénomène se répéta jusqu’à ce que tous les peuples – même ceux venus de l’autre bout de la terre – aient envahi ce pays, avant d’être envahis à leur tour. Il ne restait plus personne nulle part : tout le monde se pressait dans ce pays agréable.
C’est alors que le nouveau président résolu d’ordonner l’invasion du reste du monde : puisqu’il était complètement vide, le monde était donc à sa merci. Cependant, tous les hommes se mirent à bâiller.
Alors le président (sans rien remarquer) s’avança, seul.
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Gonçalo M. Tavares (Autor)
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UM PAÍS AGRADÁVEL
Era um país muito agradável para viver, mas as pessoas eram tão preguiçosas que, quando o presidente ordenou que defendessem as fronteiras, eles não faziam nada além de bocejar. Eles foram invadidos.
Por sua vez, os invasores começaram a tornar-se preguiçosos, e um dia, quando o novo presidente ordenou que os homens fossem e defendessem as fronteiras, todos começaram a bocejar. Eles também foram invadidos.
Mais uma vez, os invasores rapidamente tornaram-se preguiçosos e, quando, pela terceira vez, um novo presidente ordenou que os homens fossem à defesa das fronteiras, todos começaram a bocejar. Mais uma vez, eles foram invadidos. O país estava cada vez mais povoado.
Este fenômeno foi repetido até que todos os povos – mesmo aqueles do outro lado da terra – invadiram este país, antes de serem invadidos por sua vez. Não havia ninguém em qualquer lugar: todos estavam apressando-se para este país agradável.
Foi então que o novo presidente resolveu ordenar a invasão do resto do mundo: uma vez que estava completamente vazio, o mundo estava, portanto, à sua mercê. No entanto, todos os homens começaram a bocejar.
Então, o presidente (sem nada perceber) avançou sozinho.
Cómo decir que me parte en mil
Las esquinitas de mis huesos,
Que han caído los esquemas de mi vida
Ahora que todo era perfecto.
Y algo más que eso,
Me sorbiste el seso y me desciende el peso
De este cuerpecito mío
Que se ha convertido en río.
De este cuerpecito mío
Que se ha convertido en río.
Me cuesta abrir los ojos
Y lo hago poco a poco,
No sea que aún te encuentre cerca.
Me guardo tu recuerdo
Como el mejor secreto,
Que dulce fue tenerte dentro.
Hay un trozo de luz
En esta oscuridad
Para prestarme calma.
El tiempo todo calma,
La tempestad y la calma,
El tiempo todo calma,
La tempestad y la calma.
Siempre me quedará
La voz suave del mar,
Volver a respirar la lluvia que caerá
Sobre este cuerpo y mojará
La flor que crece en mi,
Y volver a reír
Y cada día un instante
Volver a pensar en ti.
En la voz suave del mar,
En volver a respirar la lluvia que caerá
Sobre este cuerpo y mojará
La flor que crece en mi,
Y volver a reír
Y cada día un instante
Volver a pensar en ti.
Cómo decir que me parte en mil
Las esquinitas de mis huesos,
Que han caído los esquemas de mi vida
Ahora que todo era perfecto.
Y algo más que eso,
Me sorbiste el seso
Y me desciende el peso
De este cuerpecito mío
Que se ha convertido en río.
Siempre me quedará
La voz suave del mar,
Volver a respirar la lluvia que caerá
Sobre este cuerpo y mojará
La flor que crece en mi,
Y volver a reír
Y cada día un instante
Volver a pensar en ti.
En la voz suave del mar,
En volver a respirar la lluvia que caerá
Sobre este cuerpo y mojará
La flor que crece en mi,
Y volver a reír
Y cada día un instante
Volver a pensar en ti.
Un dernier instant
Juste un petit moment
Je veux lui parler et la voir
Lui dire je t’aime et au revoir
Laissez moi juste cet instant
Faites que j’arrive à temps
Avant qu’on l’emmène
Dans sa dernière demeure
Je suis si loin d’elle, j’ai peur
Attendez moi ! Je ne suis qu’à un pas
Après ce voyage interminable enfin me voilà
J’essaie de me frayer un chemin jusqu’à elle
Elle est là toute à moi son corps si frêle
Des femmes crient ! prient ! Je faiblis
Je m’approche d’elle et supplie.
Elle est belle ! Elle dort ? Réveille toi !
Je suis là ! Regarde moi ! Parle moi !
Mes larmes coulent ! On me somme d’arrêter !
Celles-ci ne doivent pas violer sa nouvelle virginité.
Elle sourit ! Elle paraît heureuse
Je lui murmure des mots sous les cris des pleureuses.
Nous sommes réunies pour la dernière fois
Trois générations, trois femmes, un seul lien
Traversé tant de tempêtes et d’émois
Ensemble fortes, main dans la main
Elle m’a transmis tant de valeurs et de foi
Je suis là pour ce dernier instant
Ce tout dernier moment
Ils couvrent son corps d’un drapeau
La montent au plus haut
Sous les youyous et les cris
Les hommes s’empressent dans le bruit
Comme dans une course ils font vite
Je les poursuis dans cette fuite
Ils m’arrêtent , m’empêchent de les suivre
Elle part , sans elle continuer à vivre
Je dois faire comme elle, avoir du courage
Indépendante, fière, savoir tourner une page
Ce dernier moment,ce dernier instant
Elle est partie toute vêtue de blanc.
Malika mellal
Pour Azouzou ma grand mère qui est partie
Mercredi 31 janvier 2018
Toutes les lettres d’amour sont ridicules.
—
Toutes les lettres d’amour sont
Ridicules.
Elles seraient pas lettres d’amour si elles étaient pas
Ridicules.
J’ai écrit aussi, à mon époque, lettres d’amour,
comme celles-là,
ridicules.
Les lettres d’amour, s’il y a de l’amour,
doivent être
Ridicules.
Mais, en fin du compte,
Juste les gens qui ont jamais écrit
Lettres d’amour
sont
ridicules.
Qu’elle était bonne, l’époque où j’écrivais les lettres d’amour
sans me rendre compte
qu’elles étaient si ridicules.
La vérité, aujourd’hui ce sont mes mémoires
de ces lettres d’amour,
qui sont ridicules.
(Tous les mots quétaines,
comme les sentiments quétaines,
sont naturellement ridicules)
—— Álvaro de Campos – hétéronyme de Fernando Pessoa (PORTUGAL)
Jay Yanagawa ——————– A woman is an eternal dream, mystery and a muse. I like glamour woman’s portraiture with dreamy, elegant and sensual twist. The beauty of a woman is a power; a smile is its sword. Intelligence is sexy, Spiritual awareness is powerful, Self-love makes you invincible. Happiness is what makes you pretty. Period. Happy people are beautiful. They become like a mirror and they reflect happiness. Elegance is a glowing inner peace. Grace is an ability to give as well as to receive and be thankful. Mystery is a hidden laugh always ready to surface! Glamour only radiates if there is a sublime courage and bravery within: glamour is like the moon; it only shines because the sun is there.
11 dias e 10 noites
De 30 de abril a 10 de maio de 2018
Mínimo 20 participantes
Quarto Duplo: 2 450 € por pessoa
Quarto Single: 2 940 € por pessoa
Programa:
30 de Abril de 2018 – Partida de Lisboa
Comparência no aeroporto de Lisboa três horas antes da partida do voo. Assistência nas formalidades de embarque e partida em avião com destino a Teerão via Istambul. Refeições a bordo.
01 de Maio de 2018 –Teerão
Chegada ao aeroporto internacional de Teerão. À chegada ao hotel em Teerão teremos algum tempo para repousar antes de iniciar a visita à capital iraniana. A nossa tour com a visita ao Palácio de Golestan, palácio do século XVIII e XIX, da dinastia Qajar. De seguida, iremos maravilhar-nos com a preciosa coleção de joias dos 2500 anos da monarquia iraniana no Museu das Joias do Banco Central do Irão.
O almoço será no Restaurante Dizi (restaurante de comida tradicional).
À tarde ainda iremos ainda visitar o Museu de Arte Antiga, onde poderemos observar a gloriosa arqueologia do Irão desde a pré-história até à época islâmica.
O jantar será num restaurante moderno em Teerão.
O ‘pensamento ocidental’ academizado é Imperialista (alinha como ‘sua história’ uma longa história de Impérios, do binómio Grécia-Roma aos Impérios Ibéricos, franceses (napoleónicos), russos e anglo-americanos, listando as tentativas falhadas do eixo italo-germano (herdeiro do Sacro Império), Otomano, Austro-húngaro,e Japonês.
No Ensino Academizado (oficioso), esta compulsão à repetição está associada ao ensino combinado da filosofia, da teologia, do direito e da história – e, mais recentemente, da ‘ciência política’, e das ‘Ciências da Gestão’, inventadas pelos Americanos, à saída da Primeira e da segunda Guerras Mundiais -, seis não-ciências, entre si articuladas (na verdade, são apenas uma, a Grande Não-Ciência Retórica do Suprematismo, da Dominação Exploradora e do Roubo Legalizado), ideologicamente orientadas para promover o Suprematismo arcaizante, com os seus valores sexistas, racistas, retoricamente intelectualistas,,coloniais, classistas e Imperialistas, ao serviço da acumulação militar de tesouros, territórios, recursos e escravos (ou trabalhadores precários), da putificação das mulheres excedentárias (as não-esposas) e da promoção dos empobrecimentos e dos genocídios convenientes.
O Suprematismo é Fálico, empola fantasmaticamente a Ìmago Paterna Divinizada (o Deus Único, Útero Infinito do qual tudoo que existe saíu, no Big Bang Genesíaco e Grande Phallus celeste, fecundador de Maria), colocada em perigo pelo Édipo e pelos Revolucionários, heróis dramáticos da Grande Luta Fálica entre “o Bem e o Mal” (quem é quem, o Diabo que escolha, porque “quem se lixa é o mexilhão”, a começar pelas mulheres, pelos trabalhadores precários, pelos ‘desempregados’ e pelos étnicos).
Pourquoi Dieu permet-il
que les mères s’en aillent?
La mère est sans limite,
c’est le temps sans cadran,
la lueur qui résiste
lorsque souffle le vent
et que la pluie s’abat,
velours dissimulé
dans une peau ridée,
c’est l’eau pure, l’air pur,
c’est la pure pensée.
Mourir advient à ce
qui est bref et qui passe
sans laisser nulle trace.
La mère, dans sa grâce,
elle est éternité.
Quelle idée vient à Dieu
– ô mystère profond –
un jour de l’enlever?
Si j’étais Roi du Monde,
une loi je ferais:
Mère ne meurt jamais,
mère près de son fils
toujours rester devra
et lui, quand bien vieux même,
petit demeurera
comme grain de maïs.
Les anges ne s’y sont pas trompés
Comme janvier ouvre l’année
Toi aussi tu symbolise la clé
Tu es la clé de la liberté
La liberté d’une vie passionnée
La clé du secret d’aimer
Aussi blonde qu’un épi de blé
Blé porte bonheur symbolisé
Un regard bleu pour inviter
Les voyageurs et les opprimés
Ton sourire charmeur à souhait
Pour réparer les cœurs brisés
Et recueillir les âmes blessées
Marie la clé de tant de secrets
Le secret des âmes connectées
Le secret des temps oubliés
Où les éléments étaient des divinités
Secret de guérisseuse aux remèdes cachés
Marie esprit éveillé d’une douce fée
Mélange surprenant de force et de fragilité
Orchestrés par une infinie tendresse et une grande féminité
Tes mots savamment pesés, délivrés
Avec respect , humour et spontanéité
Marie sirène de l’île aux secrets
Je suis heureuse d’être des privilégiés
De ton monde de liberté.
Nous y voilà ,encore un soir,
Où je me fais happée par le noir.
Mes jambes commencent à trembler
Ma gorge serrée toute nouée
Je sens monter la nausée
Je réfléchis, rassemble mes esprits
Je veux comprendre, je fais le tri
Saleté d’angoisse et son mépris!
Vite une belle image
Pour qu’elle me soulage
Un doux parfum
Pour éveiller mon entrain
La peur m’envahit, me tétanise
Comment me défaire de son emprise?
Toujours happée par le noir
À mon grand désespoir encore ce soir
L’angoisse que j’essaye de dompter
Sait si bien me mater.
Nous nous battons depuis si longtemps!
Je ne sais plus la situer dans le temps
Elle me lessive, veut ma peau !
Je connais ô que trop son égo !
Vite, il faut que j’imagine un rêve
Pour pouvoir avoir une trêve
Je connais son prix et son mépris
Cette harpie qui veut ma vie
Je tiens bon, bientôt l’horizon!
Je m’extirpe de ce puit sans fond
À bout de souffle ,mais là.
La victoire est pour moi
Je sais qu’elle reviendra
Comme à chaque fois
Prendre un bout de moi .
Nous avons informé Carlos Matos Gomes de l’idée, encore en cours de développement, d’une Biennale littéraire entre l’Algérie et le Portugal. En réponse, nous avons reçu un soutien enthousiaste qu’il avait l’intention de transmettre avec le texte que nous avons pris la liberté de publier. Dans une approche historique succincte, claire et brillante, elle justifie cette « rencontre » de deux peuples amis, réunissant des intellectuels algériens et portugais, des femmes et des hommes de culture des deux pays, des écrivains, des poètes et des historiens. Essayons !
(vítor coelho da silva)
——
Les relations séculaires entre le Portugal, la péninsule ouest et du Maghreb, sont connues historiquement. Ce sont de très fortes relations culturelles entre ces deux régions, les rives de la Méditerranée, la langue de la poésie et de la littérature en général, de la science aux arts et aux sciences. Mais comme ces relations sont si anciennes et si profondes, elles sont également présentes et essentielles pour les peuples de la Méditerranée occidentale, en l’occurrence les Portugais et les Algériens.
Nous partageons les préoccupations de nos peuples, avec leur développement dans le respect de leurs idiosyncrasies culturelles, avec la paix et la liberté, avec des équilibres régionaux, avec des mouvements démographiques et migratoires. Nous partageons les espoirs et les risques.
La culture, sous tous ses aspects, est peut-être le moyen le plus facile et le plus amical de promouvoir des relations harmonieuses entre les peuples. Grâce à la culture, nous pouvons aborder toutes les différences et trouver les meilleurs domaines de compréhension.
Ces derniers temps, les changements provoqués par l’issue de la Seconde Guerre mondiale ont eu un impact décisif sur l’histoire de l’Algérie et du Portugal. Dans son discours au Cap, les vents de changement prononcés par le Premier Ministre anglais, Harold Macmillan, ont apporté avec eux le mouvement décolonisant. Pour l’Algérie ces temps nouveaux signifiaient la lutte pour l’indépendance de la France, réalisée à travers une guerre de grande violence, d’un nouveau type, la guerre subversive. L’Algérie serait le tour confortable de la guérilla et les dirigeants politiques des mouvements d’indépendance des colonies portugaises, et la base de quelques dirigeants en Afrique qui, par le refus du gouvernement de la dictature portugaise de Salazar, ont dû se battre pour leur libération du colonialisme. Mais ce serait également le port de l’abri des opposants et des démocrates portugais qui, en Algérie, ont combattu la dictature coloniale.
Pour la littérature portugaise avec des références à la guerre coloniale, au colonialisme et à la décolonisation, le lien avec l’Algérie prend tout son sens. Après tout, c’était en Algérie que la guérilla des mouvements indépendantistes s’est formée – PAIGC, le FRELIMO, le MPLA, qui les ont servis de matière première pour leurs œuvres. C’était en Algérie que les théories de la guérilla et contre-guérilla ont été développées. C’était Algérie qu’en grande partie la politisation de l’armée portugaise est développée. C’est ainsi que le 25 avril 1974, avec la Révolution des Œillets, a renversé la dictature et a promu la décolonisation. Également, l’Algérie a été la terre des exilés de l’opposition portugaise comme le général Humberto Delgado, la grande figure de l’opposition à la dictature, Manuel Alegre, ainsi que combattant de la liberté, journaliste à Radio Alger, Voix de la Liberté, un écrivain et poète du mérite, Fernando Piteira Santos, historien et journaliste, parmi tant d’autres. Mais encore celle des intellectuels des anciennes colonies et leaders politiques comme Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Viriato da Cruz ou Aquino de Bragança.
C’est également en Algérie où se sont déroulés les échanges des prisonniers portugais remis par les mouvements à la Croix-Rouge internationale et les pourparlers de reconnaissance de l’indépendance de la Guinée-Bissau.
En bref, l’Algérie est le point nodal des combattants de la liberté, les intellectuels qui combinent la pensée, la culture et l’action pour atteindre les objectifs de la liberté et le respect de la dignité des peuples, écrivains de la littérature portugaise, de la fiction et de la recherche historique de la seconde moitié du XXème siècle.
Il est logique de réunir aujourd’hui des intellectuels portugais et algériens, des hommes et des femmes de la culture des deux pays, des écrivains, des poètes, des historiens pour relancer les relations entre ces deux peuples amis.
Il est donc possible de faire cette rencontre de bonne volonté pour le bien du Portugal et l’Algérie.
“O país deve um agradecimento a Passos Coelho” | Jorge Moreira da Silva, ex-ministro do Ambiente e actual director-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE, militante do PPD/PSD.
Não, o país não lhe deve nada. E para ilustrar a minha opinião, volto a colocar um texto que escrevi, imediatamente a seguir à “ida” do governo Passos Coelho/Paulo Portas:
UM GOVERNO INDIGENTE
Chegou ao fim o mais indigente, indecente, miserável, cobarde e ignóbil governo alguma vez existente em Portugal, considerando mesmo os governos de antes de Abril de 1974, uma vez que nem Salazar nem Marcelo Caetano tomaram alguma vez, medidas tão lesivas, e atentatórias à dignidade do povo como Passos Coelho e Paulo Portas tomaram.
Tendo como alibi o memorando assinado com a Troika, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas alimentou-se convenientemente das ideias neoliberalistas europeias ( de clara e evidente inspiração Alemã) que paulatinamente foi colocando em práctica, através de um senso comum conservador , implementando primeiro, um fascismo politico que meticulosamente e criteriosamente, foi substituindo depois por um fascismo social.
A dispensa e subversão de quaisquer ideais democráticos, foi total e completa. A ética politica, já de si muito debilitada, acabou por ser completamente aniquilada.
Fazendo da austeridade a regra de vivência principal, pior ainda, transformando a austeridade numa ideologia politica, o governo de Passos Coelho e Paulo Portas subverteu a sociabilidade humana, matou a noção de comunidade, destruiu o elo humano que ligava os cidadãos, e promoveu uma perfeita selvajaria social.
Ce que moi je pense du monde?
Va-t-on savoir ce que je pense du monde?
Si je tombais malade, j’y penserais.
Quelle idée je me fais des choses?
Quelle est mon opinion sur les causes et les effets?
Qu’ai-je médité sur Dieu et l’âme
Et sur la création du monde? Je n’en sais rien.
Pour moi, penser à cela c’est fermer les yeux.
Et ne pas penser. C’est tirer les rideaux
De ma fenêtre (qui d’ailleurs n’a pas de rideaux).
Le mystère des choses?
Va-t-en savoir ce qu’est le mystère!
L’unique mystère est qu’il y en ait qui pensent au mystère.
Qui se tient au soleil et ferme les yeux
Commence à ne plus savoir ce qu’est le soleil,
Et à penser maintes choses pleines de chaleur,
Mais il ouvre les yeux et voit le soleil,
Et voilà qu’il ne peut plus penser à rien,
Parce que la lumière du soleil vaut mieux que les pensées
De tous les philosophes et de tous les poètes.
La lumière du soleil ne sait pas ce qu’elle fait
Et pour cela elle n’est pas erronée, elle est commune et bonne.
Métaphysique? Quelle métaphysique ont ces arbres-là?
Celle d’être verts et touffus et d’avoir des branches
Et celle de donner des fruits à leur heure, ce qui ne nous fait pas penser
A nous-mêmes, qui ne savons pas faire attention.
Mais quelle meilleure métaphysique que la leur,
Qui est de ne pas plus savoir pourquoi ils vivent,
Que de savoir qu’ils ne le savent pas?
——
extrait “Le gardeur de troupeaux” dans le recueil Poèmes païens, traduction M.Chandeigne, P.Quillier et M.A Camara Manuel
It is not true that words do not count
The caressing words,
scratch
And sometimes killed.
Then there are those who are missing,
It does not arrive,
These are bad for not speaking …
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados
das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Alberto Caeiro
Retirado do Facebook | Mural de Sónia Soares Coelho
Demos conhecimento a Carlos Matos Gomes da ideia, ainda em projecto, da realização de uma Bienal Literária entre Argélia e Portugal. Em resposta, recebemos entusiasmado apoio que entendeu transmitir com o texto que tomamos a liberdade de publicar. Numa sucinta, clara e brilhante resenha histórica, justifica esta “reunião” de dois povos amigos, juntando intelectuais argelinos e portugueses, mulheres e homens de cultura de ambos os países, escritores, poetas e historiadores. Vamos tentar!
São historicamente conhecidas as antiquíssimas relações entre Portugal, o ocidente peninsular e o Magreb, são fortíssimas as relações culturais entre estas duas regiões, das margens do Mediterrâneo, da língua à poesia e à literatura em geral, da ciência às artes e às ciências. Mas, sendo tão antigas e tão profundas estas relações, elas são também atuais e essenciais aos povos do Mediterrâneo Ocidental, no caso, aos portugueses e argelinos.
Partilhamos preocupações com os nossos povos, com o seu desenvolvimento no respeito pelas suas idiossincrasias culturais, com a paz e a liberdade, com equilíbrios regionais, com movimentos demográficos e migratórios. Partilhamos esperanças e riscos.
A cultura, em todas as suas vertentes, é, porventura, o mais fácil e amigável meio de promover relações harmoniosas entre povos. Através da cultura podemos abordar todas as diferenças e encontrar as melhores zonas de entendimento.
Nos tempos mais recentes, as alterações provocadas pelo desfecho da Segunda Guerra Mundial causaram um impacto decisivo na história da Argélia e na de Portugal. Os ventos da mudança de que falou o primeiro-ministro inglês Harold Macmillan no discurso na cidade do Cabo, trouxeram com eles o movimento descolonizador. Para a Argélia estes novos tempos significaram a luta pela independência da França, conseguida através de uma guerra de grande violência, de novo tipo, a guerra subversiva. A Argélia seria o regaço acolhedor dos guerrilheiros e dos líderes políticos dos movimentos independentistas das colónias portuguesas, dos poucos que em África, pela recusa do governo da ditadura portuguesa de Salazar, tiveram de combater pela sua libertação do colonialismo, mas seria também o porto de abrigo dos oposicionistas e democratas portuguesas que na Argélia lutaram contra a ditadura colonial.
Para a literatura portuguesa com referências à guerra colonial, ao colonialismo e à descolonização faz pois o maior sentido a ligação à Argélia. Afinal foi na Argélia que se formaram os guerrilheiros dos movimentos independentistas – PAIGC, FRELIMO, MPLA, que lhes serviram de matéria prima para as suas obras, foi na Argélia que se desenvolveram as teorias da guerrilha e da contra-guerrilha, foi da Argélia que veio em boa parte da politização dos militares portugueses que em 25 de Abril de 1974, com a Revolução dos Cravos, derrubariam a ditadura e promoveriam a descolonização. Foi ainda na Argélia que estiveram exilados oposicionistas portugueses como o general Humberto Delgado, a grande figura da oposição à ditadura, Manuel Alegre, além de lutador pela liberdade, de jornalista na Rádio Argel, a Voz da Liberdade, um escritor e poeta de mérito, Fernando Piteira Santos, historiador e jornalista, entre tantos outros. Mas ainda intelectuais das antigas colónias e dirigentes políticos como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Viriato da Cruz ou Aquino de Bragança.
Foi ainda na Argélia que se procederam as trocas de prisioneiros portugueses entregues pelos movimentos à Cruz Vermelha Internacional, foi na Argélia que se realizaram as conversações para o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau.
Em suma, os lutadores pela liberdade, os intelectuais que conjugaram o pensamento, a cultura e a ação para conquistarem os objectivos de liberdade e respeito pela dignidade dos povos, os escritores quer da literatura portuguesa de ficção, quer a de investigação histórica da 2ª metade do século XX têm a Argélia como ponto nodal.
Faz pois todo o sentido reunir hoje intelectuais portugueses e argelinos, homens e mulheres da cultura de ambos os países, escritores, poetas, historiadores para revivificarem as relações entre dois povos amigos.
Assim seja possível concretizar esta reunião de boas vontades a bem de Portugal e da Argélia.
Com os melhores cumprimentos
Carlos Matos Gomes
Nous avons informé Carlos Matos Gomes de l’idée, encore en cours de développement, d’une Biennale littéraire entre l’Algérie et le Portugal. En réponse, nous avons reçu un soutien enthousiaste qu’il avait l’intention de transmettre avec le texte que nous avons pris la liberté de publier. Dans une approche historique succincte, claire et brillante, elle justifie cette « rencontre » de deux peuples amis, réunissant des intellectuels algériens et portugais, des femmes et des hommes de culture des deux pays, des écrivains, des poètes et des historiens. Essayons !
(vítor coelho da silva)
——
Les relations séculaires entre le Portugal, la péninsule ouest et du Maghreb, sont connues historiquement. Ce sont de très fortes relations culturelles entre ces deux régions, les rives de la Méditerranée, la langue de la poésie et de la littérature en général, de la science aux arts et aux sciences. Mais comme ces relations sont si anciennes et si profondes, elles sont également présentes et essentielles pour les peuples de la Méditerranée occidentale, en l’occurrence les Portugais et les Algériens.
Nous partageons les préoccupations de nos peuples, avec leur développement dans le respect de leurs idiosyncrasies culturelles, avec la paix et la liberté, avec des équilibres régionaux, avec des mouvements démographiques et migratoires. Nous partageons les espoirs et les risques.
La culture, sous tous ses aspects, est peut-être le moyen le plus facile et le plus amical de promouvoir des relations harmonieuses entre les peuples. Grâce à la culture, nous pouvons aborder toutes les différences et trouver les meilleurs domaines de compréhension.
Ces derniers temps, les changements provoqués par l’issue de la Seconde Guerre mondiale ont eu un impact décisif sur l’histoire de l’Algérie et du Portugal. Dans son discours au Cap, les vents de changement prononcés par le Premier Ministre anglais, Harold Macmillan, ont apporté avec eux le mouvement décolonisant. Pour l’Algérie ces temps nouveaux signifiaient la lutte pour l’indépendance de la France, réalisée à travers une guerre de grande violence, d’un nouveau type, la guerre subversive. L’Algérie serait le tour confortable de la guérilla et les dirigeants politiques des mouvements d’indépendance des colonies portugaises, et la base de quelques dirigeants en Afrique qui, par le refus du gouvernement de la dictature portugaise de Salazar, ont dû se battre pour leur libération du colonialisme. Mais ce serait également le port de l’abri des opposants et des démocrates portugais qui, en Algérie, ont combattu la dictature coloniale.
Pour la littérature portugaise avec des références à la guerre coloniale, au colonialisme et à la décolonisation, le lien avec l’Algérie prend tout son sens. Après tout, c’était en Algérie que la guérilla des mouvements indépendantistes s’est formée – PAIGC, le FRELIMO, le MPLA, qui les ont servis de matière première pour leurs œuvres. C’était en Algérie que les théories de la guérilla et contre-guérilla ont été développées. C’était Algérie qu’en grande partie la politisation de l’armée portugaise est développée. C’est ainsi que le 25 avril 1974, avec la Révolution des Œillets, a renversé la dictature et a promu la décolonisation. Également, l’Algérie a été la terre des exilés de l’opposition portugaise comme le général Humberto Delgado, la grande figure de l’opposition à la dictature, Manuel Alegre, ainsi que combattant de la liberté, journaliste à Radio Alger, Voix de la Liberté, un écrivain et poète du mérite, Fernando Piteira Santos, historien et journaliste, parmi tant d’autres. Mais encore celle des intellectuels des anciennes colonies et leaders politiques comme Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Viriato da Cruz ou Aquino de Bragança.
C’est également en Algérie où se sont déroulés les échanges des prisonniers portugais remis par les mouvements à la Croix-Rouge internationale et les pourparlers de reconnaissance de l’indépendance de la Guinée-Bissau.
En bref, l’Algérie est le point nodal des combattants de la liberté, les intellectuels qui combinent la pensée, la culture et l’action pour atteindre les objectifs de la liberté et le respect de la dignité des peuples, écrivains de la littérature portugaise, de la fiction et de la recherche historique de la seconde moitié du XXème siècle.
Il est logique de réunir aujourd’hui des intellectuels portugais et algériens, des hommes et des femmes de la culture des deux pays, des écrivains, des poètes, des historiens pour relancer les relations entre ces deux peuples amis.
Il est donc possible de faire cette rencontre de bonne volonté pour le bien du Portugal et l’Algérie.
Começamos o ano novo com notícias entusiasmantes: se os nossos membros o aprovarem o DiEM25 poderá participar pela primeira vez em eleições já em Março!
Após o voto por parte de todos os membros em Novembro passado foi ativada uma “vertente eleitoral” que permitiria levar a agenda progressista do DiEM25 às urnas por toda a Europa. O nosso grupo local (CED) de Amesterdão iniciou o processo e registou lá um partido político.
Aqui está como o fizeram:
De acordo com o procedimento descrito na proposta relativa à vertente eleitoral e após consulta com o Coletivo de Coordenação (CC) do DiEM25, o CED -Amsterdão realizou várias reuniões no mês passado para discutir a sua potencial participação potencial nas eleições municipais deste ano (Março de 2018).
Depois de perguntarem aos membros locais se concordavam em levar o DiEM25 às urnas, o CED- Amesterdão entrou em contato com o CC para continuar a consulta quando às próximas etapas, a saber: registar o DiEM25 como um partido político (o prazo para se registar para as eleições municipais foi 27 de dezembro) e começar a elaborar o programa, a lista de candidatos e a proposta geral que os membros do DiEM25 em todos os cantos da Europa terão de votar.
Claro que o registo de um partido político não significa que o DiEM25 vá definitivamente participar em qualquer concurso eleitoral. Este é apenas um primeiro passo!
Assim, o CED Amesterdão apresentará em breve a sua proposta completa e buscará o apoio dos nossos membros através dos nossos procedimentos habituais de votação interna.
No final de 2017, delineámos as nossas conquistas até o momento, bem como o nosso desejo de tornar 2018 no ano em que nos preparamos para enfrentar os poderes instalados de forma direta. E enquanto as eleições para o Parlamento Europeu de 2019 continuam a ser o foco principal da nossa ala eleitoral, estamos muito entusiasmados, orgulhosos e encorajados pela iniciativa do CED Amesterdão de levar a nossa luta ao seu município: uma luta de baixo para desafiar os poderes instalados e transformar Amesterdão numa uma cidade rebelde!
Comment te dire je t’aime
Toi qui de mon cœur est l’emblème
Mon amour mon homme
Ton bonheur mon dogme
Tes bras mes remparts
Ton sourire mon phare
Ton plaisir ma croisade
Tes réveils mes aubades
Ta passion mon addiction
Ta chaleur ma perdition
Aucun mot n’est assez puissant
Pour dire ce que je ressens
À chacun de tes regards
Ce sont toutes mes pensées qui s’égarent
Un seul de tes baisers
Mon corps entier se met à trembler
Au son de ta voix
Tous mes sens sont en emoi
Ton corps ma terre d’amarrage
Mon amour y a fait ancrage
Aucune tempête ne peut m’y éloigner
Tout mon être est prêt à la braver
Je t’aime , je t’aime, je t’aime
De cet amour qui traverse le temps
Et qui ne va qu’en s’intensifiant
Même tes démons je les ai domptés
Jamais ils ne pourront m’effrayer
Ni silences ni absences
Deux cœurs en cadence
T’aimer la quête que je me suis fixée
Rien ne pourra m’y déroger
Tu guides délicieusement mes jours
Enflamme mes nuits de ton amour
Mon homme,ma maison
Mon rêve de fabuleux horizons
La romancière Leïla Slimani, Prix Goncourt 2016, affirme n’être ni «une petite chose fragile», ni «une victime». Et réclame «le droit de ne pas être importunée», sa liberté.
Marcher dans la rue. Prendre le métro le soir. Mettre une minijupe, un décolleté et de hauts talons. Danser seule au milieu de la piste. Me maquiller comme un camion volé. Prendre un taxi en étant un peu ivre. M’allonger dans l’herbe à moitié dénudée. Faire du stop. Monter dans un Noctambus. Voyager seule. Boire seule un verre en terrasse. Courir sur un chemin désert. Attendre sur un banc. Draguer un homme, changer d’avis et passer mon chemin. Me fondre dans la foule du RER. Travailler la nuit. Allaiter mon enfant en public. Réclamer une augmentation. Dans ces moments de la vie, quotidiens et banals, je réclame le droit de ne pas être importunée. Le droit de ne même pas y penser. Je revendique ma liberté à ce qu’on ne commente pas mon attitude, mes vêtements, ma démarche, la forme de mes fesses, la taille de mes seins. Je revendique mon droit à la tranquillité, à la solitude, le droit de m’avancer sans avoir peur. Je ne veux pas seulement d’une liberté intérieure. Je veux la liberté de vivre dehors, à l’air libre, dans un monde qui est aussi un peu à moi.
Je ne suis pas une petite chose fragile. Je ne réclame pas d’être protégée mais de faire valoir mes droits à la sécurité et au respect. Et les hommes ne sont pas, loin s’en faut, tous des porcs. Combien sont-ils, ces dernières semaines, à m’avoir éblouie, étonnée, ravie, par leur capacité à comprendre ce qui est en train de se jouer ? A m’avoir bouleversée par leur volonté de ne plus être complice, de changer le monde, de se libérer, eux aussi, de ces comportements ? Car au fond se cache, derrière cette soi-disant liberté d’importuner, une vision terriblement déterministe du masculin : «un porc, tu nais». Les hommes qui m’entourent rougissent et s’insurgent de ceux qui m’insultent. De ceux qui éjaculent sur mon manteau à huit heures du matin. Du patron qui me fait comprendre à quoi je devrais mon avancement. Du professeur qui échange une pipe contre un stage. Du passant qui me demande si «je baise» et finit par me traiter de «salope». Les hommes que je connais sont écœurés par cette vision rétrograde de la virilité. Mon fils sera, je l’espère, un homme libre. Libre, non pas d’importuner, mais libre de se définir autrement que comme un prédateur habité par des pulsions incontrôlables. Un homme qui sait séduire par les mille façons merveilleuses qu’ont les hommes de nous séduire.
Je ne suis pas une victime. Mais des millions de femmes le sont. C’est un fait et non un jugement moral ou une essentialisation des femmes. Et en moi, palpite la peur de toutes celles qui, dans les rues de milliers de villes du monde, marchent la tête baissée. Celles qu’on suit, qu’on harcèle, qu’on viole, qu’on insulte, qu’on traite comme des intruses dans les espaces publics. En moi résonne le cri de celles qui se terrent, qui ont honte, des parias qu’on jette à la rue parce qu’elles sont déshonorées. De celles qu’on cache sous de longs voiles noirs parce que leurs corps seraient une invitation à être importunée. Dans les rues du Caire, de New Delhi, de Lima, de Mossoul, de Kinshasa, de Casablanca, les femmes qui marchent s’inquiètent-elles de la disparition de la séduction et de la galanterie ? Ont-elles le droit, elles, de séduire, de choisir, d’importuner ?
J’espère qu’un jour ma fille marchera la nuit dans la rue, en minijupe et en décolleté, qu’elle fera seule le tour du monde, qu’elle prendra le métro à minuit sans avoir peur, sans même y penser. Le monde dans lequel elle vivra alors ne sera pas un monde puritain. Ce sera, j’en suis certaine, un monde plus juste, où l’espace de l’amour, de la jouissance, des jeux de la séduction ne seront que plus beaux et plus amples. A un point qu’on n’imagine même pas encore.
Elle porte son éventail
Pour cacher ses failles
Il la protège délicatement
Des étés brûlants
Du rouge qui monte aux joues
Par sa dentelle fine et floue
Il est son étendard
Les jours de grands soirs.
Il cache ses lèvres ourlées
Rosies par les baisers
Elle l’agite nerveusement
Quand son désir se fait ardent
Il la pare joliment l’été,Il est son allié
Il cache sa peur,son envie d’aimer
Il la protège avec pudeur
De l’amour dont elle se meurt
La dame à l’éventail
Ne vient pas du sérail
Elle est l’amour naissant et enivrant
Elle est la femme d’antan
On l’a tous fantasmée
Les belles nuits d’été
Héroïne de romance
De nos souvenirs d’enfance.
Malika Mellal
Une de mes œuvres d’après la toile de Gustav Klimt
“la dame à l’éventail”
Trois millénaires de confessions
Tu gardes le sceau des religions
Bénédiction de toutes les terres
De toutes patries tu es la mère
Chère Palestine bénie de Dieu
De toutes croyances tu es le lieu
Théâtre des miracles divins
Ton histoire enseigne le bien
Terre des livres et des prophètes
Terre convoitée et si parfaite
Chère Palestine bénie de Dieu
Sur ta terre les hommes ont mis le feu
Sans se soucier des Ecrits de Dieu
Des sacrilèges des plus odieux
Les enfants tués en sont de ceux
Il faudra bien rendre des comptes
Terre profanée par tant de honte
Du sang d’innocents qui coule sans fin
Un peuple exterminé pour ses biens
L’homme qui imagine n’y être pour rien
N’a jamais cru au sacre divin
Palestine terre de tous les liens
Sonnera un jour l’heure de la fin
Une terre sainte ne peut être souillée
Sans que Dieu ne le fasse payer
À tous ces enfants valeureux
Que l’on empêche d’être heureux
Bientôt viendra la fin du malheur
Et plus jamais vous n’aurez peur
Dieu est grand et omniscient
La libération est un divin serment.
Elïna Garanča – Victor Herbert, Les feuilles mortes. Arte Lounge Produite par la télé ARTE LONGUE, dans ce récitatif télévisé,
accompagné au piano par Victor Herbert dans l’ambiance jeune et bon enfant d’un café-concert Elïna ma sublime déesse du bel canto s’est muée en reine des chansons classiques avec une étonnante souplesse vocale en harmonie de la mimétique en tous genres des caractères et tempéraments: une magistrale démonstration de son étonnant talent de polyglotte autodidacte dans des chansons françaises, des lieder allemands et des songes anglais.
Dans son interprétation des « Les feuilles mortes » de Jacques Prévert, un grand classique pathétique de la chanson française, Elïna Garança n’a rien à envier aux meilleurs chansonniers et chansonnière francophones natifs de naguère avec son brio lyrique d’une grande aisance : les basses et les médianes feutrées des couleurs d’une délicate douceur féminine de sa voix, son élocution française impeccable, surprend et émerveille les jeunes du public décontracté. Peter, son « Cavalier de Prose » enchanté.
—
Dans l’aria « Ah quel diner ! » de l’opérette « La Perichole » de Jacques Offenbach, accompagné de son jeune et jovial pianiste Victor Herbert à la touche pittoresque digne de l’ambiance enjouée, Elïna galvanise son jeune public décontracté jusqu’à l’extase par le passage du lyrisme pathétique au lyrisme comique avec une parfaite mimique du chant bachique d’une joyeuse fêtarde saoulée. Si ce n’était pas de l’exquise comédienne la maîtrise parfaite de ses gestes évocatrices et l’euphonie des lallations volubiles finement articulées d’ivrogne en goguette de sa voix adaptée aux plus incroyables variations du genre vocale, un spectateur superficiel aurait pu croire se trouver en présence de cette drôlesse d’Elïna, chantante devant le piano avec un grand coup de champagne dans le nez pour de vrai. Peter, son « Cavalier de Prose » enchanté.
Sendo certo que grande número dos meus leitores são professores que ensinam geologia nas nossas escolas, julgo ser oportuno facultar-lhes textos que digam muito mais e de outros ângulos do que os estereotipados e acríticos manuais de ensino.
É uma verdade indiscutível que o professor deve saber muito para além do nível exigível aos seus alunos. Só assim poderá envolvê-los na beleza dos temas que tem por missão ensinar. Essa beleza existe e é necessário destacá-la se quisermos motivar quem tem por dever de cidadania, aprender, ou seja, os estudantes.
Marcados por um ensino livresco, tantas vezes desinteressante e fastidioso, são muitos os que frequentaram Geologia e que, terminada esta fase das suas vidas, atiraram para o caixote do esquecimento o pouco que lhes foi ministrado sem entusiasmo nem beleza, que equiparo a um adestramento dos a acertarem nas perguntas dos exames. Praticamente, nada mais do que isto.
Foi o que se passou com a generalidade dos nossos adultos no activo, sejam eles juristas, economistas, militares ou marinheiros, poetas, romancistas ou jornalistas, vendedores de automóveis ou jogadores de futebol.
Se o ensino desta disciplina não for acompanhado por uma componente cultural, que sabemos existir, e prática, no sentido de a ligar ao quotidiano, tudo o que a escola lhe forneceu esfuma-se, ou deixa uma recordação de algo desinteressante.
Assim, é meu propósito dar início a uma série de textos (numerados: 1, 2, 3, etc.), por agora, alusivos às rochas sedimentares.
Gostaria que este projecto abrangesse o maior número possível de docentes e, nesse sentido, conviria que os leitores dessem dele conhecimento aos seus colegas, numa cadeia que seria bom pudesse abarcar o nosso universo escolar.
Na imagem: camadas de calcário no Jurássico do Cabo Mondego.
António Galopim de Carvalho
Textos retirados do Facebook | Mural de António Galopim de Carvalho
Bernini shows Pluto’s rippling muscles to convey incontestable strength. His power is emphasized by the sculptor’s decision to show the god’s hands clutching at Proserpina’s waist and thigh so forcefully that her skin bulges between the gaps in his fingers like dough. To drive home the physical and emotional intensity of the scene, he renders a single tear on her cheek.
«Entre o final de oitocentos e os anos 1930, Yeats experimentou vários modos poéticos: do simbolismo ao neo-realismo, do folclore ao esoterismo, terminando num modernismo inesperadamente acutilante. Esta nova tradução, de Frederico Pedreira, mais extensa do que outras disponíveis, permite acompanhar de perto essa viagem.» [Pedro Mexia, E, Expresso, 2/12/17]
Retirado do Facebook | Mural de Maria João Cantinho
La partida de ajedrez de Napoleón v.s. Madame de Rémusat, obra del pintor húngaro Sándor Badacsonyi. La posición del tablero corresponde al momento en que Napoleón mira para el otro lado después de dar el mate con 14.Dd3 a la bella dama desnuda.
La partie d’échecs de Napoléon V.S. Madame de rémusat, oeuvre du peintre hongrois sándor badacsonyi. La position du tableau correspond au moment où Napoléon regarde de l’autre côté après avoir donné le mat avec 14. D3 à la belle dame nue.
Das melhores coisas que 2017 nos trouxe. Com tradução de Francisco Luís Parreira, uma excelente introdução e aparato crítico.
Considerado o mais antigo poema da humanidade (4000 anos), aqui se fala da lendária figura de Gilgames (noutras traduções aparece Gilgamesh) e da sua procura de imortalidade. Embora não seja a primeira tradução portuguesa – já há uma de Pedro Tamen, a partir de uma tradução inglesa de N. K. Sandars.
Maria João Cantinho
Retirado do Facebook | Mural de Maria João Cantinho
A declaração unilateral de independência da Catalunha de Espanha é uma sequência pícara. A literatura espanhola tem uma tradição de obras e autores pícaros, desde o clássico Lazarillo de Tormes,de sus fortunas y adversidades, de autor anónimo a La vida del Buscón, de Quevedo, de Alonso moço de muchos amos, de Jeronimo de Alcalá, ao D. Quijote, de Cervantes, a autores mais modernos como Alejandro Swa, cego e louco, que inspirou a figura de Max Estrella a Valle-Inclán, a Pedro Galvez. Puigdemont e a sua declaração de independência e de república das Ramblas acederam neste final de ano às glórias deste subgénero literário em que o protagonista, o pícaro, é quase sempre um humilde arrivista, um anti-herói, um anti-cavaleiro errante numa «epopeia de fome». Uma personagem que sobrevive graças aos enganos e vigarices e vive na ilusão de uma subida na escala social, o seu verdadeiro ideal.
A declaração de independência de Puigdemont a 27 de outubro de 2017, na sala do parlamento catalão, nas Ramblas, é um ato pícaro. Aproveitando a ocasião, os parlamentares presentes declararam também a fundação de uma «República Catalã independente». A cerimónia de apresentação urbi et orbidestas duas cruciais decisões decorreu, como foi possível ver nas reportagens televisivas, num ambiente de velório, com os libertadores da Catalunha e pais fundadores da República de facies de clandestinos, comprometidos, a beberem um copo de espumante, enquanto no exterior subia aos céus um fogo de artifício de arraial de pobre pueblo ao seu santo patrono.
Há quase dois anos juntámo-nos com o logo DiEM25 para desafiar políticas antigas, para quebrar com o TINA (“There Is No Alternative”) a um nível pan-Europeu, para tornar a democratização da UE um projeto radical, realista e uno.
EVO MORALES: CARA A CARA COM OS COLONIZADORES ANTIGOS E ATUAIS DA AMÉRICA DO SUL em 22/12/2016
Discurso do Presidente da Bolivia aos Chefes de Estados da Europa
“Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião. Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos. Aqui, pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.
O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.
O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens, ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamento e também posso reclamar juros.
Inspirados na reforma de Martinho Lutero, o New Weather Institute e o Rethinking Economics propõem 33 teses para revolucionar o pensamento econômico.
É possível abalar os alicerces da ortodoxia econômica como Lutero abalou a Igreja Católica?
Na celebração dos 500 anos do repto lançado por Martinho Lutero à hierarquia da Igreja Católica, o New Weather Institute e o movimento Rethinking Economics, com o apoio de um largo espectro de economistas, acadêmicos e cidadãos, lançam um desafio ao ensino de economia baseada na visão dominante e convocam a mobilização por uma Nova Reforma consubstanciada nas 33 Teses para a Reforma da Economia.
O lançamento das Teses foi realizado no University College London em associação com a The Economists Society of University College London e o Institute for Innovation and Public Purpose.
Participaram do lançamento, entre outros, Victoria Chick (UCL), David King (assessor científico do governo britânico), Andrew Simms (University of Sussex) e Kate Raworth (Oxford University).
Lei a seguir o manifesto:
33 teses para uma reforma da economia
O mundo enfrenta pobreza, desigualdade, crise ecológica e instabilidade financeira.
Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia.
Caro leitor:
– Compraria para seu uso um automóvel integralmente fabricado por um engenheiro mecânico numa oficina do seu bairro?
– Viajaria numa companhia aérea não certificada?
– Concordaria que se vendesse carne sem um controlo das condições higiénicas do local de abate dos animais e do local de venda?
– Tomaria os medicamentos produzidos por um farmacêutico numa farmácia não certificada?
– Beberia água da rede pública de uma cidade onde aquela não fosse objeto permanente de análises que confirmassem a sua qualidade?
Não se incomode se ficou na dúvida da resposta que daria a alguma das questões porque coletivamente já todos decidimos que tais atos não são possíveis, a não ser em situações muito excecionais.
Todas essas atividades são regulamentadas e os processos de certificação e controlo da qualidade do que adquirimos ou utilizamos são há muito percebidos como necessários e assumidos como eficazes.
Agora pense se compraria ou alugaria uma casa para viver se a única garantia de segurança estrutural (em palavras simples, de que o teto não lhe cai em cima da cabeça) lhe fosse dada pelo engenheiro civil que assinou o projeto.
A resposta é simples na esmagadora maioria dos casos: Sim.
Efetivamente quase todos compramos ou alugamos casa apenas com base nessa garantia. Não só não existe, em geral, nenhum processo adicional de controlo de qualidade de que nos possamos valer, como ainda, a maioria das pessoas dá como adquirido que esse processo existe e que portanto todas as construções são, por natureza, seguras.
Tal sensação de segurança leva a que nos preocupemos com a qualidade e o padrão dos azulejos, com o tipo de madeira, com as loiças sanitárias, mas não com a segurança estrutural. Como sociedade, também instituímos, entre outras, a obrigatoriedade de certificação energética e de qualidade do ar, mas não manifestamos preocupação com a segurança estrutural.
Felizmente, no nosso país a engenharia civil sempre se regeu por padrões de qualidade que, se devidamente cumpridos, nos dão uma garantia implícita de segurança, pelo menos quando não existem fatores imprevisíveis.
Entre esses fatores, os sismos são dos que mais nos deveriam preocupar.
Infelizmente, são eles que, noutros locais, tornam evidente a diferença entre um bom e um mau projeto e construção e fazem também a diferença entre continuar a ter uma casa ou ser (ou já não ser) dono de um monte de destroços.
Como cidadão, mas também como engenheiro civil e como projetista de estruturas, muito agradeceria que alguém pudesse, ainda que numa base aleatória, analisar os meus atos de engenharia. A bem de uma cultura de qualidade do que utilizamos, em que as construções não podem ser um ativo despiciente.
Tu ne sais pas ce que ça fait quand un sein durcit sous la caresse de tes doigts , non tu ne sais pas ….
Tu ne connais pas cette sensation divine quand un téton pointe pour toi , non tu ne connais pas …
Tes lèvres assoiffées de plaisir n’ont jamais goûté à la douceur de la soie , non elles ne l’ont pas …
Ton regard ignore la splendeur d’un galbe arrondi qui s’offre à toi , non il ne connait pas ….
Aucune femme amoureuse n’a frémi de désir sous l’emprise de tes bras , non je ne le pense pas …..
Pauvre diable que la chair renie et qui vient se venger sur moi , Vénus en pierre qui ne se défend pas ….
Moi femme fontaine qui te rappelle ton pitoyable état , toi homme aride qui ne suscite aucun émoi ….
Moi arrogante de beauté dans la chaleur et le froid , toi mesquin de laideur dans ta rage de forçat ….
Crois tu que sous tes coups barbares tu me tueras ? Penses tu qu’en me brisant la femme mourra ?
Sous d’autres mains d’artistes ma poitrine renaîtra , mon visage sourira et la femme vibrera .
À nous l’extase de l’amour et la joie ; à toi la torture de la haine et l’effroi .
Je suis la vie , Ain Fouara.
A life performance of the Dutch group “the Analogues” of the complete Sgt Pepper album; They tried to make the sound identical to the album (only the vocals ofcourse not); they travelled the world to find the same instruments as the Fab4 used for the album; The result is in my opinion fantastic.
Notre amour n’est-il pas une véritable demeure céleste ?
L’allemand Ludwig Van Beethoven, né le 17 décembre 1770 et décédé le 26 mars 1827, précurseur du romantisme dans la musique, est le compositeur de multiples symphonies, concertos et sonates. Mais outre la trace importante qu’il a laissée dans la création musicale en occident, il fut aussi un amant passionné : celui dont Haydn dit qu’il est « un homme qui a plusieurs têtes, plusieurs cœurs, plusieurs âmes » écrit ces trois lettres enflammées à quelques heures d’intervalle, adressée à une femme inconnue, mais dont il semble très épris.
6 et 7 juillet 1812
Le 6 juillet dans la matinée
Mon ange, mon tout, mon moi. – Aujourd’hui quelques mots seulement, et même au crayon (le tien). – Ce n’est que jusqu’à demain que j’ai une demeure ; quelle fâcheuse perte de temps que tout cela. Pourquoi ce profond chagrin, quand la nécessité se prononce – Notre amour peut-il exister ailleurs que dans l’immolation, dans le renoncement à tout avoir ? Peux-tu y changer quelque chose, au fait que tu ne m’appartiens pas tout entière, que je suis pas entièrement à toi ? – Ah ! mon Dieu, que ton regard s’étende à la belle nature et que ton âme y trouve la quiétude puisqu’il faut que ce soit – L’amour exige tout et il a bien raison. Ainsi en est-il de moi avec toi et de toi avec moi – mais tu oublies trop à la légère que tu dois vivre pour moi et pour toi. Si nous étions complètement unis, tu n’éprouverais pas, ni moi non plus, ce sentiment douloureux – […] Aujourd’hui non plus je ne puis te faire part des observations que j’ai faites sur ma vie durant ces derniers jours – Si nos coeur étaient toujours étroitement liés l’un à l’autre, je n’irais certes pas nourrir de pareilles pensées. Mon serin est rempli de tant de choses à te dire – Hélas ! – il y a des moments où je trouve que le langage n’est encore absolument rien – Rassérène-toi – demeure mon cher, mon unique trésor, mon tout comme je le suis pour toi. Le reste, ce sont les cieux qui doivent nous l’envoyer, quelle que doive être et sera notre destinée –
Cornucópia rosada
de carne palpitante…
com neurónios, comandada
puro arbítrio, caminhante…
Permeável,
errante…
de louca, saudável…
humana,
impura,
insaciável…
A sina de vegetar
no plástico colorido…
sonho
de fermentar,
coração desabrido…
existência singela
tic-tac, tic-tac
imaginação
arrepio
frustração,
solslaio trôpego
de brio…
espiral,
depressão…
Canto mudo,
epopeia vertiginosa,
papel representado,
entrudo assolapado,
efémero carnaval
que se replica…
movediço
ritual
passeio de triste
que ri,
que resiste,…
falsete
de glória refinada,
faísca que levita
folclore cosmopolita,
conto de fada,…
festa ensombrada
sob a nuvem
de uma história que emociona…
vida traçada,
remela empoeirada,
susto,
calhandro
que fervilha,
robusto…
dança destemperada,
silêncio,
batucada,
ritmo que saliva
na estrada
ofegante…
Povo que lavas no Rio,
com a cabeça entre as orelhas,
Sangue vivo, sempre em desafio,
Obediente Balhelhas…