Os Interessantes, de Meg Wolitzer

Os Interessantes

Numa noite de verão de 1974, seis adolescentes encontram-se num campo de férias e planeiam uma amizade para toda a vida. Jules, Cathy, Jonah, Goodman, Ethan e Ash ensaiam a atitude cool que (esperam) os defina como adultos. Fumam erva, bebem vodka, partilham os seus sonhos. E, juram, serão sempre Os Interessantes.

Décadas mais tarde, a amizade mantém-se embora tudo o resto tenha mudado. Jules, que planeava ser atriz, resignou-se a ser terapeuta. Cathy abandonou a dança. Jonah pôs de lado a guitarra para se dedicar à engenharia mecânica. Goodman desapareceu. Apenas Ethan e Ash se mantiveram fiéis aos seus planos de adolescência. Ethan criou uma série de televisão de sucesso e Ash é uma encenadora aclamada. Não são apenas famosos e bem-sucedidos, têm também dinheiro e influência suficientes para concretizar todos os seus sonhos.

Mas qual é o futuro de uma amizade tão profundamente desigual? O que acontece quando uns atingem um extraordinário patamar de sucesso e riqueza, e outros são obrigados a conformar-se com a normalidade?

Nas livrarias a 2 de Setembro

PORQUE É QUE NÃO VALE MUITO A PENA TER ESPERANÇA … | José Pacheco Pereira

jppereira… como no Inferno quando se entra pela porta maldita e se deixa a dita esperança à entrada. Agosto é um bom mês para percebermos tudo. Milhares e milhares de jovens que não lêem um livro, passam o mês em festivais no meio do lixo, do pó, da cerveja e dos charros. Milhares e milhares de adultos vão meter o corpo na água e na areia, sem verdadeira alegria nem descanso. Outros muitos milhares de jovens e adultos nem isto podem fazer porque não tem dinheiro. No interior, já que não há correios, nem centros médicos, nem tribunais, proliferam as capitais, da chanfana, do caracol, do marisco, do bacalhau, dos enchidos, da açorda, as “feiras medievais” de chave na mão, as feiras de tudo e mais alguma coisa desde que não sejam muito sofisticadas. Não é uma Feira da Ciência, nem Silicon Valley.

As televisões, RTP, SIC e TVI “descentralizam-se” e fazem arraiais com umas estrelas pimba aos saltos no palco, mais umas “bailarinas”, nem sequer para um grande público. Incêndios este ano há pouco, pelo que não há imagens fortes, ficamos pelo balde de água. Crimes violentos “aterrorizam” umas aldeias de nomes entre o ridículo e o muito antigo, que os jornalistas que apresentam telejornais com tudo isto gostam de repetir mil vezes. Felizmente que já começa outra vez a haver futebol, cada vez mais cedo. O governo, com excepção das finanças e dos cortes contra os do costume, não governa, mas isso é o habitual.

A fina película do nosso progresso, cada vez mais fina com a crise das classes ascendentes, revela à transparência todo o nosso ancestral atraso, ignorância, brutalidade, boçalidade, mistura de manha e inveja social. No tempo de Salazar falava-se do embrutecimento dos três f: futebol, Fátima e fado. Se houvesse Internet acrescentar-se-ia o Facebook como o quarto f. Agora não se pode falar disso porque parece elitismo. Áreas decisivas do nosso quotidiano hoje não são sujeitas à crítica, porque se convencionou que em democracia não se critica o “povo”.

Agosto é um grande revelador e um balde de água fria em cima da cabeça para aparecer na televisão ou no You Tube. Participar num rebanho, mesmo que por uma boa causa, podia pelo menos despertar alguma coisa. Nem isso, passará a moda e esquecer-se-á a doença. Pode ser que para o ano a moda seja meter a cabeça numa fossa séptica, a favor da cura do Ebola.

Assim não vamos a lado nenhum. Como muito bem sabem os que não querem que vamos a qualquer lado.

http://abrupto.blogspot.pt/2014/08/versao-da-porque-e-que-nao-vale-muito.html … (FONTE)

MATERIAIS DIVERSOS | OFERTA DE EMPREGO – PRODUTOR/A EXECUTIVO/A | produção e difusão

header_logoA Materiais Diversos é uma associação cultural sem fins lucrativos que tem como missão incentivar a investigação e experimentação artísticas e sensibilizar o público para as artes performativas, com especial enfoque na dança. Integra a rede europeia de apoio ao desenvolvimento coreográfico europeu Open Latitudes, bem como a Rede de Estruturas de Dança nacional. No quadriénio 2013-2016, a MD é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal/Secretário de Estado da Cultura – DGArtes e pelos os Municípios de Alcanena, Torres Novas e Cartaxo, domiciliada no espaço Alkantara (Lisboa) e em Minde (Alcanena). A actividade da MD desenvolve-se em três eixos: Produção e difusão de projectos associados; Festival Materiais Diversos; e Programação Regular nos Municípios de Torres Novas e Cartaxo. O/a produtor/a executivo/a irá integrar o núcleo de difusão e produção, dedicado aos projectos associados dos criadores Filipa Francisco, Lander Patrick, Marcelo Evelin, Sofia Dias & Vítor Roriz. O/a produtor/a representará a Materiais Diversos na sua relação com os criadores e os seus colaboradores e com parceiros de difusão, nomeadamente estruturas de acolhimento. Deverá estabelecer e manter relações harmoniosas entre todas as partes, respeitando as necessidades específicas de cada projecto/artistas em difusão e as condições acordados com a estrutura de acolhimento.

Continuar a ler →

A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea

capa_faquir

Hilariante, mordaz, um sucesso mundial traduzido para 36 países.

Estreia de Romain Puértolas é o maior fenómeno da literatura francesa atual.

A crítica foi unânime, também o foram os milhares de leitores: A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea, romance de Romain Puértolas, foi a grande surpresa da literatura francesa atual e chega finalmente às livrarias nacionais no dia 1 de setembro, numa edição Porto Editora.

Uma «pérola de humor» (Livres Hebdo), este é «o livro mais divertido do momento e, como se isso não bastasse, uma reflexão profunda sobre o destino dos imigrantes ilegais» (Radio RTL). Trata-se de uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor efervescente, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.

Romain Puértolas estará em Lisboa nos dias 10 e 11 de setembro e disponível para entrevistas.

 

A banalização do fascismo | Rui Bebiano in Blog “A Terceira Noite”

auschwitz
Quando oiço dizer que vivemos, em Portugal e nesta complicada Europa que nos cabe, «pior que no tempo do fascismo», ocorrem-me três argumentos contra uma afirmação tão imperfeita e perigosa. Em primeiro lugar, ninguém que tenha vivido ou conheça de forma cabal o tempo e a experiência dos fascismos que envenenaram o século passado, fazendo dos Estados aparelhos de coação e não de garantia dos direitos fundamentais, é incapaz de proferir em consciência uma afirmação dessa natureza. Em segundo lugar, estabelecer uma comparação que incide de forma particularmente negativa sobre o presente é prova de um claro desconhecimento da História, pois nenhum dos conflitos e formas de opressão pelos quais passamos hoje, sobretudo no mundo industrializado e nas suas contíguas periferias, se compara, em escala e na brutalidade, com aqueles que cruzaram as décadas em que os fascismos se impuseram. Em terceiro lugar, quem o diz vive provavelmente no terreno nebuloso de um wishful thinking feito de enormes simplificações, com recurso às quais pensa agudizar contradições e desta forma prover as «condições objetivas» para impor mudanças julgadas redentoras, necessariamente ilusórias. No fundo, quem de tudo isto beneficia são de facto os novos fascismos, agora mais insidiosos e apurados nos seus métodos, que pelo efeito de banalização que uma tal afirmação provoca vão podendo desbravar caminho. Desta maneira, em vez de se baterem pela defesa dos direitos alcançados em décadas de lutas pela democracia e pelo bem-estar, muitos cidadãos desenvolvem uma consciência política feita essencialmente de ressentimento, que acaba por isolá-los, desmobilizando-os de facto e colocando-os à mercê dos algozes. À noite, nas suas casas, adormecem narcotizados, tentando esquecer um mundo que os atemoriza e não compreendem.

Rui Bebiano

http://aterceiranoite.org/2014/08/26/a-banalizacao-do-fascismo/ … (FONTE)

FOTO: Auschwitz

A mansa revolta da dor | José António Barreiros in Blog “A Revolta das Palavras”

Hugo_Simberg_-_The_Wounded_Angel_-_Google_Art_Project
Há um momento na vida em que a tirania mansa esgota a paciência e atiça o fogo da revolta. E a revolta não é mansa e gera o mal que se faz sofrer a partir do mal que se sofreu. E há sempre as vítimas sem razão.
Mas há um momento em que a violência brutal, que nos chega como quotidiana, já está para além da capacidade de a suportar.

Quando era miúdo não conseguia ver filmes que se diziam para a minha idade porque havia um nó na garganta, de dor, que me sufocava e as lágrimas contidas a tal ponto que os olhos pareciam implodir. Era uma forma, ouvia dizer, de, por esse meio, nos educarem a sensibilidade, gerando na nossa afectividade em formação, os bons sentimentos. E havia o cão que, morrendo, deixava o menino sozinho e o rapaz que, porque órfão, nunca seria menino. E a vida era um Natal gélido e faminto vivido do lado de cá da vidraça.

E depois era a mágoa dos amores quando ainda eram apenas ternuras inconsequentes, o medo dos adultos e da sua violência castigadora, os remorsos pelo tanto que se poderia ter feito ou por outra forma. E o pecado. E o dia em que as coisas de que gostávamos e as pessoas que amávamos começavam a morrer.
Hoje já não há muito disso que aleijou a alma. Torná-mo-nos adultos. Atentos ao mundo, há, porém, o que nos chega pelas notícias: a selvajaria das guerras entre povos e o mesmo povo, a cruel violência no seio da própria família. E, na dança macabra dos fins de festa, há a estupidez acéfala dos embriagados pela futilidade, a indiferença que nasce pela banalização do horror. Que não magoa menos.

Confesso que sinto de novo a surgir essa até agora longínqua incapacidade de suportar.
Quando, porque nascido em Malanje, me chegaram, tinha eu doze anos, os primeiros sinais da violência feroz que se tornou em guerra, vinda da revolta indígena na Baixa de Cassanje, mais a violência feroz da retaliação e a ferocidade angustiante do medo, quando, tudo tornado pavor e insónia, a ingenuidade infantil quebrou estilhaçada em cacos, senti que se me franqueara do mundo o horrível e o feio. E tentei encontrar então uma razão que ao menos me desse a paz de uma explicação.

Hoje, como insecto estonteado ante a luz, dói-me só de ouvir e dói também constatar que evito saber. Não nasce aí o regresso à inocência, sim o enfrentar o espelho acusador da má consciência.
É que foi este, afinal, o mundo que criámos e deixámos que surgisse.
Há um momento na vida em que a tirania mansa esgota a paciência e atiça o fogo da revolta. E a revolta é connosco mesmo por causa daquilo em que nos tornámos.

José António Barreiros

http://revoltadaspalavras.blogspot.pt/2014/08/a-mansa-revolta-da-dor.html … (FONTE)

Foto: Hugo Simberg | The Wounded Angel | Google Art Project

O povo da televisão | ANTÓNIO GUERREIRO in Jornal Público

O povo da televisão — e esse é o segredo da sua telegenia — coincide quase sempre com os pobres, os deserdados, os excluídos, os que não têm acesso aos centros do poder. Mas a televisão não concede ao seu povo existência política. Pelo contrário, retira-lha e despolitiza-o, mesmo quando ele surge enquadrado num contexto ou num motivo políticos.

O espírito popular desapareceu”, escreveu Pasolini num dos seus textos de crítica e resistência ao presente. Quarenta anos depois, esta proposição tornou-se um axioma, mas de onde se ausentou o sentido que tinha para Pasolini: o de uma catástrofe. Desapareceu o espírito popular, mas os vários canais portugueses de televisão insistem, quase sem excepção, em construir um povo que não existe, mas cujo simulacro — pensam eles, os “produtores de conteúdos” televisivos — é telegénico que se farta e tem aquela qualidade tão apreciada pelos construtores de mentiras: o “efeito de real”. Trata-se daqueles programas, reportagens e concursos frequentados por pessoas que são submetidas à deformação pelos próprios apresentadores, repórteres e entertainers para satisfazer os ditames televisivos do expressionismo grotesco. O povo construído pela televisão é degenerado, ridículo, monstruoso. E os seus criminosos construtores têm nomes publicamente conhecidos e sucesso alargado: são as Júlias, as Luísas, os Joões, os Manueis e os seus directores de programas, produtores, chefes, empresários, até ao topo da hierarquia. Há o “povo” que vem aos estúdios dos programas da televisão (quase sempre um “povo” suburbano que já conhece bem os códigos da televisão e sabe imitá-los); e há o povo que a televisão visita no seuhabitat natural, geralmente os recantos profundos do país onde se vai em busca de arquétipos. Um e outro são descaradas mentiras, falsas construções que deformam até à degradação. Qualquer que seja o sentido da palavra, tenha ela um sentido sociológico e político ou aponte na direcção utópica da criação artística para a qual há sempre “um povo que falta”, existe mais “povo” em qualquer filme de Pedro Costa (um povo que vem, isto é, venturo, como o nome de Ventura) do que em todos os programas de televisão. O povo da televisão — e esse é o segredo da sua telegenia — coincide quase sempre com os pobres, os deserdados, os excluídos, os que não têm acesso aos centros do poder. Mas a televisão não concede ao seu povo existência política. Pelo contrário, retira-lha e despolitiza-o, mesmo quando ele surge enquadrado num contexto ou num motivo políticos. Quantas vezes não assistimos já às câmaras a fazerem um zoom sobre as mãos encarquilhadas, ou qualquer outra parte do corpo, do indivíduo do “povo” que se queixa de uma qualquer decisão — ou da ausência dela — dos governantes? Nesse momento, a pessoa é espoliada do seu estatuto político e ganha uma espécie de qualidade étnica. Já alguém deu por a televisão fazer um grande plano das mãos de um ministro? Já alguém viu, na televisão, as mãos de Marcelo Rebelo de Sousa a não ser como instrumentos de gesticulação expressivo-didáctica? O povo da televisão não é representado como sujeito minoritário do populus, do corpo de todos os cidadãos. É visto, antes, como espécie castiça de um parque natural que fica longe, muito longe, da Comporta. Deste modo, este povo que a televisão reconstrói e deforma à medida das suas exigências tem alguns pontos de coincidência com o povo do populismo. Mas há uma diferença fundamental: o populismo dirige-se à classe geralmente excluída da política e que, por isso, não tem privilégios de sujeito político constitutivo, reclamando que essa classe é o único poder legítimo, é uma parte do populus, do povo como categoria política, detentor da soberania, que deve funcionar como a totalidade da comunidade. A televisão, pelo contrário, quer tudo muito bem arrumado nos seus lugares e que não se quebre a harmonia estabelecida no parque natural do povo.

António Guerreiro

http://publico.pt/culturaipsilon/ … (FONTE)

Em defesa de Lobo Xavier e Pacheco Pereira | Pedro da Silva Pereira

Pedro-Silva-PereiraVítor Gaspar sentiu-se atingido por Lobo Xavier e Pacheco Pereira terem reconhecido, com honestidade, que a verdadeira razão que levou Portugal a ter de pedir ajuda externa foi o assalto ao poder lançado pela direita com a rejeição do PEC IV, que tinha recebido o apoio do BCE e dos nossos parceiros europeus.

A resposta de Gaspar insiste na falsificação da história.

Continuar a ler →

Festival Materiais Diversos 2014 | Apresentação | 1 de Setembro – 18h00 – Fábrica de Cultura – Minde

materiais
O Festival Materiais Diversos decorre de 18 a 27 de Setembro e temos muito gosto em convidá-lo/a para a conferência de imprensa do próximo dia 1 de Setembro, às 18h00, na Fábrica de Cultura, em Minde. Queremos partilhar consigo os pormenores desta programação de Dança, Teatro e Música que preencherá durante duas semanas Minde, Torres Novas, Alcanena e Cartaxo com uma nova vida.

A 6.ª edição do FMD\2014 será a mais internacional apresentada até hoje. Mas terá também dois espectáculos desenvolvidos com a comunidade e um conjunto de actividades paralelas como conferências, workshops, cinema e DJs.

A conferência terá a presença do director artístico do FMD\2014, Tiago Guedes, e de artistas do Festival.
Por favor, confirme a sua presença até 29 de Agosto através deste email ou contacte:
Assessoria de Imprensa – Tiago Mansilha
(+351) 91 558 66 35
tiago.mansilha@materiaisdiversos.com

Historiquement, les Israéliens et les Arabes sont cousins | Natalie Portman

Natalie_Portman_251Lettre de Natalie Portman aux éditeurs du Harvard Crimson

Natalie Portman est cette célèbre actrice israélo-américaine que ses premiers succès, dans Léon, de Luc Besson et Star Wars (La Menace fantôme) n’ont pas empêchée d’être diplômée de très réputée Université d’Harvard. Etudiante engagée, elle réagit, en avril 2002, à un article de Faisal Chaudry sur le conflit israélo-palestinien et fait connaître, au travers du Harvard Crimson, ses positions sur un sujet qui la touche et la préoccupe particulièrement. Un message de paix trop rarement lu par ces temps de guerre continue.

Aux éditeurs :

Faisal Chaudry a écrit sur le désir qu’ont les Américains et les Israéliens de « reconstruire le système idéologique » de l’actuel Moyen-Orient, avant d’en déduire et de mettre en scène de manière inventive une opposition entre « blancs » et « bruns » (Op-Ed, « Une idéologie de l’Oppression », 11 avril). A un moment, Chaudry compare même cette situation à l’Apartheid. C’est une déformation des faits étant donné que la plupart des Israéliens et des Palestiniens sont impossibles à distinguer physiquement.

Le gouvernement israélien lui-même est composé d’un grand nombre de Juifs séfarades dont certains sont originaires de pays Arabes. Le chef du personnel des armées, le ministre de la défense (qui est le nouveau leader du parti travailleur), le ministre des finances et le président d’Israël sont tous « bruns. » Chacun devrait se faire une idée de la ressemblance physique entre Arabes et Israéliens en examinant cette semaine la couverture de Newsweek sur laquelle une jeune kamikaze palestinienne de 18 ans et sa victime israélienne de 17 ans auraient pu passer pour jumelles.

Historiquement, les Israéliens et les Arabes sont cousins. Tant que nous n’aurons pas accepté le fait que nous sommes les constituants d’une même famille, nous serons prisonniers d’une erreur si nous pensons qu’une perte pour un « camp » – ou, comme Chaudry l’appelle, une « couleur » – n’est pas une perte pour l’ensemble de l’espèce humaine.

Scandaleuse et erronée, la dénonciation est une tactique infantile qui méprise la responsabilité de chacune des parties concernées, c’est-à-dire, en plus d’Israël et des autorités Palestinienne, l’Europe, les Nations Arabes et les Etats-Unis.

Nous devons avoir honte de chaque acte de violence et pleurer chaque enfant comme s’il était le nôtre. Je prie pour la sûreté de tous ceux qui sont dans cette région et j’espère que nous parviendrons un jour à utiliser les spécificités humaines de langage et d’empathie plutôt que des technologies militaires ou de propagande pour résoudre ce conflit.

Natalie Portman | 12 avril 2002

http://www.deslettres.fr/lettre-natalie-portman-aux-editeurs-du-harvard-crimson-historiquement-les-israeliens-les-arabes-cousins/ … (FONTE)

Trompete | ANA BEATRIZ MENEZES GANHA CONCURSO EM LONDRES

ana beatriz menezes 200A jovem trompista Ana Beatriz Menezes venceu o 1º Prémio no concurso “International Horn Society Premier Soloist Competition”, em Londres. Os concorrentes foram seleccionados através de gravação, currículo e carta de recomendação. Apenas cinco concorrentes conseguiram chegar a final, que decorreu perente um júri de trompistas como Froydis, Jeffery Nelson e Susan McCullough.

Ana Beatriz Menezes nasceu em Minde, em Abril de 1992. Frequenta actualmente o Mestrado em Ensino da Música, com a especialização em Trompa, na Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação do professor Paulo Guerreiro.

Continuar a ler →

O Homem que fez tudo

001

Com a Ditadura Militar, instaurada na sequência do golpe de 28 de Maio de 1926, Carlos Botelho Moniz assume a liderança da Câmara de Setúbal, cargo que desempenhará até 1930.

Alinhado politicamente com o novo regime e contando com o apoio dos comandos militares locais, Botelho Moniz, que conhece a realidade sociológica da cidade – com uma matriz fortemente operária de cariz ideológico libertário -, decide seguir uma estratégia de não afrontamento com as associações de classe. Para o efeito não hesita em tomar medidas populistas, em contraciclo com os afetos ideológicos da Ditadura Militar.

Junto do novo poder, ainda não totalmente consolidado, insinua-se como instrumento de pacificação da antiga “Barcelona portuguesa”, conseguindo apoios e ajuda financeira para os seus projetos. Apresenta-se como líder de um grupo de cidadãos que à margem da política conseguiu aquilo que aos políticos nunca foi possível. O discurso protofascista contra a incompetência dos “políticos” face à capacidade realizadora dos técnicos era bem evidente.

Continuar a ler →

Fernando, em Pessoa – com José Nobre

Pessoa02José Nobre recria Fernando Pessoa no Café das Artes, no próximo dia 29 pelas 23:30, na casa da Cultura de Setúbal. O Das Culturas quis saber mais.

Que Fernando, em Pessoa, é este? Um último heterónimo?

É o próprio, o ortónimo. Pensei primeiramente em ‘compor’ um Álvaro de Campos e dizer a ‘Tabacaria’, mas depois achei mais interessante ser o Fernando, ele mesmo, em Pessoa, a ler, não só a ‘Tabacaria’ como outros escritos de outros heterónimos. Torna a experiência mais rica.

A envolvência cénica do ‘Café das Artes’ convida à descontração, como concebeu este espetáculo?

Claro que é um espetáculo muito descontraído, contrariando um pouco a essência tímida e angustiada do poeta. Aqui o Sr. Fernando sai do armário, ou por outra, vasculha poemas no seu famoso baú e trá-los à luz do presente, compara-os, estabelece pontes entre alguns e conclui que andou dizendo as mesmas coisas durante toda a sua vida, usando diferentes vozes.

Continuar a ler →

Citando Mário Cláudio

Retrato de Rapaz

Se se curava de afeiçoar os lábios de uma excelsa cortesã, uma dessas que retinham o direito de se sentar à mesa ducal, pelando uma laranja com as unhas rebrilhantes de óleo de amêndoas doces, o impulso de Salai tendia a representá-los carnudos de incontida sensualidade. E quando se tratava de suspender sobre uma paisagem de montanhas longínquas um inconsútil véu de neblina, logo ele o transformava numa nuvem pardacenta, e ameaçadora de borrasca. Cabia pois ao pintor mitigar-lhe os deletérios ímpetos da juventude, significados na busca do que se afirma intenso em prejuízo do que se mostra ameno, coisa que tão-só os génios desprovidos de idade, sobrepondo-se às contingências do tempo, são capazes de contrariar. E um tal extravio dos sentidos, ou um afogadilho assim da vontade, revelava-se na selecção das cores que o jovem empregava, investindo nesse apetite dos extremos que orienta a conduta dos adolescentes de sempre.

Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio, D. Quixote

leia a recensão no Acrítico – leituras dispersas.

Por uma esquerda recomposta | André Barata in “jornal i”

winstonPara a esquerda ser alternativa, é indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência e imprescindível constituírem-se veículo de um programa político.

A recomposição da esquerda portuguesa está na ordem do dia. Uma esquerda antiausteritária que se queira consequente não pode satisfazer-se com o papel de protesto. Por bem que cumpra esta função, se ao protesto não se seguir nenhuma mudança, se dele nada se esperar além da catarse da rua, então é justo concluir que o protesto serve sobretudo de válvula de escape ao descontentamento social, com benefício exclusivo, na ressaca do dia, para a própria política de austeridade, cuja continuidade se vê assim mais bem assegurada.

Também não basta a desmontagem argumentativa da austeridade, dos três ângulos, social, político e económico, por que tem sido feita: a) Fazer a demonstração, do ponto de vista social, de como a austeridade naturaliza a desigualdade, impinge a precariedade como normalidade social e instala no quotidiano das pessoas o medo da incerteza sobre o futuro próximo, recusando-lhes a capacidade de projectarem as suas vidas. b) Deixar claro, do ponto de vista político, como a dívida se substitui de facto ao soberano e como a precariedade restitui ao poder político atributos de um absolutismo que não conceberíamos há alguns anos atrás. c) Fazer evidência de como, do ponto de vista económico, a austeridade não resulta, em nada diminui a dívida soberana, antes transforma-a em dívida eterna, que nos subjugará social, política e economicamente por décadas.

Tornar consequentes estas vocações de protesto e de desmontagem argumentativa, exige à esquerda antiausteritária que encontre uma terceira vocação: mostrar-se alternativa credível de poder face à austeridade que nos governa. Sem esta vocação, a esquerda portuguesa, por empenhada e brilhante que seja, nulifica todos os seus esforços. E para a esquerda antiausteritária ser alternativa, é tão indispensável vontades políticas alcançarem uma convergência real como é imprescindível constituírem-se veículo de um programa político. Em poucas palavras: uma alternativa política para uma política alternativa.

Se a recomposição da esquerda for mais do que um espectro e servir para fechar este triângulo – protesto, argumentação, alternativa – far-se-á um pouco de história, pois desde que há democracia em Portugal nunca a esquerda à esquerda do PS teve ambições de governar. Mas, outra governação valerá a pena se, além disso, consumar a oportunidade histórica para uma recomposição da própria ideia de esquerda. Não deve preocupar à esquerda apenas as suas dificuldades em convergir, mas também de se renovar ideologicamente a sua capacidade propositiva. Não é certamente esse o caso de uma esquerda refugiada no patriotismo em extremidade peninsular ou, ainda, na nostalgia do regresso ao passado do escudo. Propor é fundamentalmente projectar, com linhas de futuro como horizonte. E pelo menos dois eixos merecem futuro:

1. Quando nos citam pela enésima vez a espirituosa frase de Churchill sobre a que considerou ser a pior forma de governo à excepção de todas as outras, fica bem explicado por que a democracia liberal é inaceitavelmente tímida, com eleitores postos à margem sempre que não há eleições, a democracia europeia resumida a um clube de chefes de governo, a democracia nacional a um clube de partidos, a democracia partidária a um clube de dirigentes. É preciso a esquerda reivindicar-se mais radicalmente democrata e bater-se pela inclusão plena das comunidades no processo político.

2. Hoje não restam dúvidas que a social-democracia, assente no Estado social e na função redistributiva das transferências sociais está a falhar maciçamente. As desigualdades aumentam por toda a parte, a concentração de riqueza também, mau grado as transferências sociais tradicionais. Pior ainda: mau grado o empobrecimento da sociedade. É preciso a esquerda propor-se a mais do que remediar, a jusante do ciclo económico, a desigualdade. Assumindo que as sociedades mais iguais fazem melhor, é preciso complementar as políticas redistributivas, radicalizando-as com políticas de pré-distribuição, que façam da igualdade força geradora de prosperidade económica.

Filósofo, dirigente do Livre

Citando Thomas Jefferson

1) “Os bancos são mais perigosos para a nossa liberdade que os exércitos com armas.”
Thomas Jefferson

2) Quando as pessoas temem o governo, isso é tirania. Quando o governo teme as pessoas, isso é liberdade.
Thomas Jefferson

3) A árvore da liberdade deve ser regada de quando em quando com o sangue dos patriotas e dos tiranos. É o seu adubo natural.
Thomas Jefferson

Thomas_Jefferson_by_Rembrandt_Peale,_1800

Minde | Cursos de revitalização de línguas ameaçadas | Entre 11 e 15 de agosto e 18 e 23 de Agosto

mimderico_top1
Dois cursos internacionais de verão dedicados à programação informática para línguas sem recursos digitais e à documentação e revitalização de línguas ameaçadas vão decorrer, no mês de agosto, em Minde, Alcanena, anunciou hoje a organização.

A escola de verão “Codificação para comunidades linguísticas” vai trabalhar na criação de respostas para a falta de hardware em línguas ameaçadas (por exemplo, teclados) e software (para transliteração e completação de texto, por exemplo) “para que os mais diversos idiomas possam ser utilizados no dia-a-dia sob recursos adequados”, disse à Lusa a presidente do Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS).

Segundo Vera Ferreira, “das cerca de 7.000 línguas faladas atualmente no mundo uma língua morre, em média, por mês”, o que se deve, segundo a linguista, a uma “forte tendência de aprender e usar apenas as principais línguas, como inglês, alemão e francês, especialmente nas comunicações eletrónicas”.

O objetivo da escola de verão “é dar às pessoas a capacidade de usar a sua língua materna na comunicação eletrónica de todos os dias”, enfatizou, lembrando que o minderico, língua em extinção em Minde, tem hoje cerca de 100 falantes ativos, dos quais apenas 24 são falantes fluentes.

“É um exemplo de uma língua que está ameaçada e que necessita de novas ferramentas que a protejam e defendam, mantendo-a e expandindo-a por novas vias de comunicação”, disse.

A decorrerem entre os dias 11 e 15 de agosto e 18 e 23 de agosto, os cursos vão decorrer na Quinta da Malgueira, em Minde, e vão contar com a participação de mais de 70 alunos, investigadores e professores de países como o Japão, Austrália, Camarões, Índia, Noruega, Nigéria, Alemanha, Islândia e Estados Unidos da América.

Uma Outra Voz, de Gabriela Ruivo Trindade

Um romance a várias vozes, cada uma narrando uma história pessoal, todas encadeadas a partir da mudança de protagonista, ou de uma morte ou de outra perda qualquer. Cada nova voz surge quando a outra se cala para sempre. A vida que deixamos por viver carrega uma dor que se transmite. As vozes dão-lhe expressão, corpo e alimentam a narrativa deste romance numa estrutura invulgar tecida com inegável sensibilidade.

A história de uma família ao longo de um século; podia resumir-se este romance desta forma, porque tudo o mais não fará justiça a esta obra ou à escrita de Gabriela Ruivo Trindade. Um livro que convida a demorar-nos numa frase, a reler toda uma extensa passagem, descobri-la como um refrão cantado numa voz que não nos cansamos de escutar. Encontramos aqui a magia das histórias de encantar, da oralidade vertida numa escrita cuidada e trabalhada com enlevo e o relato lúcido de toda a solidão com que conseguimos preencher a nossa vida.

…entregar-me nos braços da morte como quem enrola um velho cobertor de que já conhece o cheiro.

leia a recensão completa no Acrítico – leituras dispersas.

Construtores do caos | VIRIATO SOROMENHO MARQUES in “Diário de Notícias”

O caso GES-BES tem suscitado uma pergunta simples: como foi possível que gravíssimas práticas fraudulentas tivessem escapado durante anos à vigilância das autoridades de regulação, incluindo à vigilância da troika sobre o setor bancário? A resposta é tão dura quanto simples: nos últimos 30 anos muitos governos (de direita e de esquerda) foram responsáveis pela criação dos alçapões e das opacidades que transformaram o sistema financeiro europeu (e mundial) num campo minado onde aventureiros põem em perigo a segurança de milhões de pessoas. Em 1933, em plena Grande Depressão, o Congresso dos EUA produziu uma lei (Glass-Steagall Act) que restaurou a confiança no sistema financeiro: separou e protegeu os bancos comerciais, face aos bancos de investimento. Por outras palavras: os bancos que recebiam as poupanças dos depositantes e que emprestavam às empresas na economia real não podiam fazer operações especulativas com produtos financeiros. Durante décadas essa higiénica distância permitiu prosperidade económica, a par de visibilidade e eficácia no trabalho dos reguladores. Contudo, o lóbi financista, embalado pelo mantra do neoliberalismo, não descansou enquanto não meteu no bolso os governos e os parlamentos necessários para misturar tudo de novo. Em 1999, o Congresso americano revogou a lei de 1933, regressando à promiscuidade especulativa. Por todo o lado, incluindo a UE, as leis “liberalizaram-se”, no sentido de criar obscuridade, onde antes havia transparência. Criaram-se condições para mascarar a exposição da poupança das famílias, no labirinto arriscado das ações, das obrigações e de uma miríade de derivados toxicamente imaginativos. Os políticos que se queixam dos banqueiros deveriam ter vergonha. O caos habita nas leis que eles próprios assinaram. Seria interessante saber como e porquê…

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4051730&seccao=Viriato+Soromenho+Marques&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco … (FONTE)

Tudo num fósforo | Rui Tavares in jornal Público

Rui TavaresNo início do século passado havia um homem chamado Ivar Kreuger, sueco de nacionalidade, que se especializou inicialmente em produzir fósforos.

Na raiz da sua fortuna havia uma inovação: os fósforos de segurança vermelhos, que conhecemos hoje, superiores aos anteriores de fósforo amarelo que podiam acender-se sozinhos acidentalmente. A procura e utilização de fósforos era naqueles tempos praticamente fixa, o que tornava aquele mercado muito apetecível como monopólio.

A outra parte da história é que, após a I Guerra Mundial, havia países para reconstruir e alguns que eram independentes pela primeira vez. Ivar Kreuger viu aí uma oportunidade. Era fácil para ele fazer um empréstimo soberano à Polónia, por exemplo, em troca do monopólio dos fósforos naquele país. E depois era fácil usar esse monopólio para subir o preço dos fósforos, uma vez que toda a gente precisava deles e não havia como substituí-los de maneira prática. Kreuger seria reembolsado duas vezes: pelos estados e pelos consumidores.

Continuar a ler →

Perdidos | VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

Viriato Soromenho MarquesPara onde quer que nos voltemos, os sinais de que Portugal é hoje um país à deriva são manifestos.

Com a saída da troika tornou-se ainda mais evidente que o Governo não tinha qualquer agenda que não fosse fazer a dobragem para português, por vezes com erros dolosos de tradução, das exigências dos nossos credores. Confundindo os efeitos com as causas, a austeridade falhou. Depois de três anos de destruição da economia, do emprego, dos direitos sociais, depois de a própria troika, através do FMI e da Comissão Europeia, ter admitido erros de conceção no memorando (algo que o Governo nunca fez com seriedade e de forma escrita), o País mergulha em cheio num novo turbilhão, que destrói ainda mais a confiança no sistema financeiro.

As causas da doença prevalecem sempre sobre os seus sintomas. Se o Governo emudece, deixando-se humilhar (e ao País) no processo da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou sacudindo os ombros perante o que parecem ser graves erros de gestão na TAP, do lado da oposição, o debate interno no PS desnuda um abismo entre o excesso de pompa retórica e a escassez de ideias alternativas operacionais. Ser oposição de esquerda não dispensa, antes exige o esforço de pensar. É verdade que ainda não temos petardos a rebentar nas ruas, como na I República, mas há algo de profundamente violento no modo como o improviso, a ausência de conhecimento e reflexão, ou a pura sanha destruidora (veja-se a “política de ciência”, desenhada com bazuca), tomaram conta dos destinos do País. Estamos no deserto, sem bússola. As nações também podem morrer de sede. Quando lhes falta a promessa líquida do futuro.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4050049&seccao=Viriato+Soromenho+Marques&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco … (FONTE)

Tenho uma Cassandra dentro mim | Pedro Bidarra in “Dinheiro Vivo”

Os estudos que li nos anos 90 sobre a reputação de Portugal no mundo – sobretudo na Europa e mundo anglo-saxónico, o mundo dos mercados – indicavam que o país era simpático, tradicional e hospitaleiro; características potenciadoras de estima mas não de respeito.

Nos estudos que mais tarde fiz na BBDO, em 2004/5, explorando a reputação de Portugal em dimensões geradoras de respeito, as conclusões foram mais ou menos as esperadas: Portugal continuava a ser um país patusco e estimado mas nada de suficientemente relevante e gerador de respeito por cá se fazia ou produzia. Nas dimensões que alimentam sentimentos de respeito por marcas, instituições ou nações, como a inovação, a competência, a produtividade, a riqueza, o poder, a influência, Portugal não aparecia considerado.
Com estas crises, apesar de termos mais notoriedade no mundo (até Obama disse que os Estados Unidos não eram Portugal), temos vindo a acentuar as mesmas características. Não vislumbro, no horizonte da minha vida, nada que possa voltar a fazer Portugal crescer nesse eixo. Até porque a nossa principal contribuição para o mundo, à parte de jogadores de futebol, é irrelevância.

Continuar a ler →

Entrevista a Adriano Moreira, Por Isabel Tavares | “Sou contra o neoliberalismo repressivo em que vivemos” in Jornal i

2 - IMG_7510O que aconteceu foi que os valores instrumentais foram, a pouco e pouco, substituindo na hierarquia os valores fundamentais. O êxito passou a ser a recompensa, o credo do mercado passou a substituir o credo dos valores, com a filosofia de que a iniciativa privada em liberdade é responsável pelo progresso e pela abundância, quando uma coisa não é incompatível com a outra. A crise que vivemos, que é ocidental e geral, mostra que o credo do mercado passou a ter uma vida independente do credo dos valores, e essa é a correcção que deve ser feita.

 

O líder histórico do CDS acredita que Portugal tem duas saídas: uma é a CPLP, a outra é o mar e a plataforma continental estendida
Histórico do CDS, faz 92 anos em Setembro e mantém a genica e as ideias como se a idade não pesasse. Adriano Moreira, estadista, ex-deputado e antigo ministro do Ultramar, recebeu o i no seu gabinete na Academia das Ciências de Lisboa, no dia em que a Guiné Equatorial entrou para a CPLP. Um erro, na sua opinião. Uma conversa que deu a volta ao mundo.

Continuar a ler →

Ou a finança ou o povo | JORGE BATEIRA in Jornal ionline

KeynesUma saída progressista para a crise que estamos a viver requer um apertado controlo dos capitais de curto prazo, como há pouco fez a Islândia e, quando a zona euro tiver sido desmantelada, a criação de um arranjo cooperativo do tipo “moeda comum”, com taxas de câmbio flexíveis e domesticação da banca, como defendia Keynes na conferência de Bretton Woods.

Continuar a ler →

BISCATES | “Sobre o Bloco de Esquerda” | por Carlos de Matos Gomes in “A Viagem dos Argonautas”

carlosdematosgomesEm 25 de novembro de 2011 o Centro de Estudos Sociais (CES) da universidade de Coimbra organizou um colóquio sobre João Martins Pereira (JMP), um dos mais argutos pensadores políticos da esquerda portuguesa. Participei nesse colóquio com um texto sobre as esquerdas, intitulado “A esquerda e o poder”, que me parece ainda servir para dizer o que penso sobre a crise do BE, que é, para mim, um sintoma da crise da esquerda europeia, mais do que um caso de habitual guerrilha de fações dentro de um grupúsculo, ou de vaidades pessoais, como alguns o apresentam.

A grande questão no centro da crise do BE é, para mim, o seu posicionamento relativamente ao poder. Dizia JMP na nota inicial de um artigo que citei, na Revista Critica de Ciências Sociais de Maio de 1985: “entendo que um projeto político tem de comportar uma concepção de organização da sociedade, a expressão mais ou menos coerente de uma ideologia de classe, ou de grupo de interesses sociais homogéneo e uma intenção/projeto de luta pela conquista e pelo exercício do poder, a fim de dar corpo à organização social proposta.”

Tal como a João Martins Pereira, o poder, a sua conquista e o seu exercício parece-me ser o centro da acção politica.Há quem pense assim no BE e o afirme e quem não pense e não o diga, refugiando-se num discurso maximalista de poder total e de classe – ditadura do proletariado, ou perto disso, ou de açãocentrada na denúncia e de protesto. Estas duas visões deixaram de ser compatíveis dentro do BE.

Continuar a ler →

Máscaras de Salazar, de Fernando Dacosta

Fernando Dacosta, acreditado como correspondente da imprensa internacional, transforma-se, por via da dona Maria, em assíduo de S. Bento, e consequentemente num quase confidente de Salazar. O autor não se assume como um homem da situação. Não fui eu quem escolheu a época do Salazarismo para existir, desabafa.

Salazar está aqui neste livro por inteiro, mais em lenda do que em relato histórico, e através do testemunho de Fernando Dacosta entramos na intimidade possível, nas suas máscaras e nas máscaras do próprio autor.

Leia mais em Acrítico – leituras dispersas.

Uma Cidade Internacional para a Literatura? | José Jorge Letria

Há alguns meses, Le Monde des Livres publicou um interessante e inesperado manifesto, assinado por 33 escritores de várias nacionalidades, propondo, com base num conceito abrangente e inovador, a criação de uma Cidade Internacional da Literatura. O manifesto, que não prescreveu nem caiu no esquecimento, é assinado, entre outros, por Paul Auster (Estados Unidos da América), Javier Cercas (Espanha), Peter Esterházy (Hungria), Pierre Bayard, Pierre Michon, Nancy Huston, Ersi Sotiropoulos (Grécia) e Alberto Manguel (Canadá).

Continuar a ler →

Campo Santo, de W. G. Sebald

Campo-SantoPublicado logo após o acidente que vitimou Sebald, em 2001, este volume reúne textos sobre uma estada na Córsega. Aí, uma vez instalado num pequeno hotel, à semelhança do «método» utilizado noutras obras para aceder aos caminhos da memória – coletiva e individual –, dá longos passeios solitários pela ilha. Estas são, portanto, as notas de um viajante do tempo, na sua contínua busca pelo sentido profundo da História.

Ao conjunto de textos sobre a Córsega, segue-se uma série de pequenos ensaios literários sobre Nabokov, Kafka e Chatwin, entre outros.

W.G. Sebald nasceu em 1944 em Wertach, na Alemanha. Viveu desde 1970 em Norwich, no Reino Unido, onde foi docente de Literatura Alemã. Prosador e ensaísta, é autor de livros que marcaram a literatura contemporânea, como Os Anéis de Saturno, Austerlitz, Os Emigrantes ou História Natural da Destruição, entre outros, tendo sido galardoado com os prémios literários Mörike, Heinrich-Böll, Heinrich-Heine e Joseph Breitbach.

Continuar a ler →

O esboço e a obra-prima.

A inocência do olhar permite ver no esboço a obra-prima que ainda não foi criada. O artista Telmo Pieper recria, em obras de arte digital, os seus desenhos de infância. Os desenhos de quando tinha 4 anos de idade funcionam, vinte anos mais tarde, como esboço das suas obras. Saiba mais aqui.

Visite a página oficial de Telmo Pieper.

A Terceira Revolução Industrial

Terceira Revolu‹ção Industrial

Como a nova era da informação mudou a energia, a economia e o mundo.

O preço da energia e dos alimentos está a subir, a taxa de desemprego continua elevada, o mercado imobiliário afundou-se, o nível de dívida dos consumidores e dos governos é crescente e a recuperação económica está a abrandar. Diante da perspetiva de um segundo colapso da economia global, o mundo está desesperado por um plano económico sustentável que nos oriente rumo ao futuro.

Jeremy Rifkin demonstra como a tecnologia, a Internet e as energias renováveis estão a fundir-se de maneira a criar uma poderosa terceira Revolução Industrial. Paralelamente, Rifkin descreve o modo como os cinco pilares da terceira Revolução Industrial irão criar milhares de empresas e milhões de postos de trabalho, inaugurando uma reordenação fundamental de relações humanas que irá alterar a forma como conduzimos os nossos negócios, governamos a sociedade ou educamos as nossas crianças.

Continuar a ler →

A arrogância do futebol brasileiro | Fernando da Mota Lima

Alguém teve acaso a curiosidade de ler as frases escritas na fachada dos ônibus das seleções participantes da Copa do Mundo? O que atraiu minha curiosidade foi ver na quarta-feira numa reportagem do Jornal Nacional, ainda sobre a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha, a que escolheram para o ônibus da seleção brasileira: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Cotejei-a com as das demais seleções. Quase todas invocam o espírito de orgulho nacional, unidade nacional, exaltação mítica da nação, espírito competitivo e guerreiro, valores enfim previsíveis em um contexto de competição esportiva entre nações.

Continuar a ler →

VERBO — Deus como interrogação na poesia portuguesa

VerboA Assírio & Alvim publica uma antologia poética organizada por José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia.

Tem o título Verbo — Deus como interrogação na poesia portuguesa, porque Deus existe, na poesia como na vida, em modo interrogativo, mesmo para quem tem fé. Esta não é uma antologia para crentes ou para não-crentes, é uma antologia de poesia que dá exemplos de um tema, de um motivo, de uma obsessão, exemplos portugueses, numa época que também nos deu Claudel, Eliot, Luzi ou Milosz, poetas com uma questão, com uma pergunta que nunca está respondida.

Este livro reúne poemas de Vitorino Nemésio, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, José Bento, Ruy Belo, Cristovam Pavia, Pedro Tamen, Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão, Adília Lopes e Daniel Faria.

Continuar a ler →

Njinga, Rainha de Angola

Njinga, Rainha de Angola, juntou angolanos alguns actores angolanos e portugueses na rodagem do filme e estreia hoje nas salas de cinema portuguesas. Fazem parte do elenco os actores Erica Chissapa, Ana Santos, Sílvio Nascimento, Miguel Hurst, Jaime Joaquim e Orlando Sérgio. O argumento é assinado por Joana Jorge, a produção executiva fica a cargo de Coréon Dú, Sérgio Neto e Renato Freitas e a realização pertence a Sérgio Graciano. O filme pode ser visto no Centro Comercial Colombo, Cascais Shopping e no Dolce Vita.

saiba mais aqui

Grandes Soberanos Destronados, de Américo Faria

K_SoberanosDestronados_altaAo longo da História da Humanidade e desde tempos imemoriais, muitos são os exemplos de reis e imperadores que são forçados a abdicar da sua governação. Insatisfação popular, revoltas familiares, intrigas palacianas ou simples desistência pessoal estão na base de grandes mudanças nos destinos de nações e de impérios.

Do aguerrido D. Sancho II, de Portugal, ao ponderado D. Pedro II, do Brasil, do feroz Vitélio, de Roma, ao tranquilo Leopoldo, da Bélgica, entre muitos outros soberanos, este livro apresenta os motivos e descreve as façanhas que levaram às suas deposições.

Numa viagem memorável por diversas épocas e civilizações, Grandes Soberanos Destronados é um livro essencial a todos os amantes das grandes mudanças que marcaram a História da Humanidade.

Continuar a ler →

II ARRUADA – Culsete

AssombrasdeD.JoãoII_conviteÉ já na próxima 5.ª feira, 10 de julho, às 18:30, que será lançado na Culsete o livro AS SOMBRAS DE D. JOÃO II, da autoria de Jorge Sousa Correia.

A obra será apresentada por Sandra Araújo e Elsa Santos.

Esta apresentação está incluída no programa da II Arruada de livros Culsete. Venha descobrir um pouco mais da vida deste rei tão ligado a Setúbal.

Esperamos por si.

A Ilha dos Espíritos, de Camilla Läckberg

A Ilha dos EspíritosErica e Patrik sobreviveram ao trágico final de A Sombra da Sereia, mas não saíram incólumes desses terríveis eventos. Ainda a recuperar, Patrik regressa à esquadra depois de uma baixa prolongada. Mal se sentou na secretária viu-se envolvido numa nova investigação. Mats Sverin, um antigo colega de liceu de Erica, foi encontrado morto em casa com uma bala na cabeça. Mas ninguém tem nada a dizer dele.

Por onde passou deixou boas recordações e todos parecem concordar que era um jovem simpático, apesar de nada deixar transparecer da sua vida E é este o grande desafio de Patrik: chegar à verdade por detrás das aparências. Mais uma vez vai contar com a inesperada ajuda de Erica para descobrir o horror que esconde a sinistra ilha de Gråskär, a ilha dos espíritos, onde se refugiou uma antiga namorada de Mats com o filho…

Contos Maravilhosos, de Hermann Hesse

Contos MaravilhososPoucos leitores parecem estar cientes de que Hermann Hesse, o autor de romances épi­cos como O Lobo das Estepes ou Siddharta, escreveu igualmente magníficos textos de prosa poética. Esta colectânea reúne os contos mais emblemáticos da obra do autor, onde se inclui Os Dois Irmãos (Die beiden Brüder), o seu pri­meiro trabalho em prosa, escrito quando Hesse tinha apenas dez anos.

São pequenas histórias, em linguagem sim­ples mas plenas de simbolismo e referências filosóficas, que remetem para um mundo além da efabulação. A experiência como elemento unificador do homem e do universo, a busca de harmonia e unidade do indivíduo no seu confronto com o mundo são temas que per­passam estes contos onde habitam a fantasia e a visão mágica dos seres e da Natureza.

Instituto Económico Alemão defende perdão da dívida para os países sul europeus

Numa entrevista à Agência Bloomberg, o presidente do Instituto alemão IFO considera que o alívio da dívida é essencial para retomar o crescimento económico.

Dá como exemplo a crise financeira asiática de 1997, que foi resolvida com recurso a perdão de parte da dívida.

O prestigiado economista diz que o alívio parcial é um assunto que deve ser discutido e negociado em conjunto com os vários países, numa altura em que o peso da dívida está em níveis quase insuportáveis.
chopp-ponto_chic-divulgacao

Velejando para Bizâncio | William Buttler Yeats

Aquela não é terra para velhos. Gente
jovem, de braços dados, pássaros nas ramas
— gerações de mortais — cantando alegremente,
salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas,
peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente
tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente.
Ao som da música sensual, o mundo esquece
as obras do intelecto que nunca envelhece.

Um homem velho é apenas uma ninharia,
trapos numa bengala à espera do final,
a menos que a alma aplauda, cante e ainda ria
sobre os farrapos do seu hábito mortal;
nem há escola de canto, ali, que não estude
monumentos de sua própria magnitude.
Por isso eu vim, vencendo as ondas e a distância,
em busca da cidade santa de Bizâncio.

Ó sábios, junto a Deus, sob o fogo sagrado,
como se num mosaico de ouro a resplender,
vinde do fogo santo, em giro espiralado,
e vos tornai mestres-cantores do meu ser .
Rompei meu coração, que a febre faz doente
e, acorrentado a um mísero animal morrente,
já não sabe o que é; arrancai-me da idade
para o lavor sem fim da longa eternidade.

Livre da natureza não hei de assumir
conformação de coisa alguma natural,
mas a que o ourives grego soube urdir
de ouro forjado e esmalte de ouro em tramas,
para acordar do ócio o sono imperial;
ou cantarei aos nobres de Bizâncio e às damas,
pousado em ramo de ouro, como um pássaro,
o que passou e passará e sempre passa.

Amor – Pois que é Palavra Essencial | Carlos Drummond de Andrade

Amor — pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro de vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstracção que se faz carne,
a ideia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no húmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, quais estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade, [O Amor Natural]

Uma experiência | Fiodor Dostoievski

Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saísses de lá. Está lá tudo! “Estou muito bem aqui sozinho!”. Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: ‘Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!”. Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.

Fiodor Dostoievski 

muro-com-pedra-1

Sophia de Mello Breyner | “A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda”

sophiabreyner“1 – A ARTE deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade. Mas não é só a liberdade individual do artista que importa. Sabemos que quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Há sempre uma profunda e estrutural unidade na liberdade. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro.

2 – NÃO PENSO que exista uma arte para o povo. Existe sim uma arte para todos à qual o povo deve ter acesso porque esse acesso lhe deve ser possibilitado através dos meios de comunicação. Primeiro os “aedos” cantaram no palácio dos reis gregos “o canto venerável e antigo”. Era uma arte profundamente aristocrática. Depois os rapsodos cantaram esse mesmo canto na praça pública. E Homero, foi, como se disse, o educador da Grécia. Isto é: a cultura foi posta em comum. E por isso os gregos inventaram a democracia. A política começa muito antes da política.

Continuar a ler →

Coreógrafo Tiago Guedes escolhido para novo director do Rivoli

tiago guedesO coreógrafo e bailarino Tiago Guedes é o vencedor do concurso público para encontrar o futuro director do Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Campo Alegre. A decisão foi conhecida ao final do dia desta terça-feira, mas a Câmara do Porto não a quis comentar por estarem ainda a correr prazos decorrentes do concurso.

Dos quatro candidatos admitidos à segunda fase do concurso público, só três propostas foram consideradas. Por ordem classificativa ficaram, assim, ordenados, Tiago Guedes, José Luis Ferreira e Ana Figueira. A proposta de Pedro Jordão foi excluída por não conter a assinatura digital essencial à aceitação do processo.

Na primeira fase do concurso, Tiago Guedes já se destacara dos restantes candidatos, obtendo quase o dobro da pontuação conseguida, na altura, pelo segundo classificado, o director do S. Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, José Luis Ferreira. Contudo, o arranque da segunda fase previa que as pontuações previamente alcançadas não contassem para a avaliação final, partindo os candidatos em igualdade de circunstâncias.

Ver mais: http://www.publico.pt/local/noticia/coreografo-tiago-guedes-escolhido-para-novo-director-do-rivoli-1661246?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=
Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

II Arruada – Culsete

Arruada IIbAmanhã, 4 de Julho, a partir das 18:00, esperamos por si na Culsete, para a inauguração da II ARRUADA DE LIVROS.

A animação estará a cargo do TAS – Teatro de Animação de Setúbal, que apresentará UMA MÃO CHEIA DE…, com Célia David, Sónia Martins e Susana Brito.
Depois da apresentação SERÁ OFERECIDO UM LIVRO a todos os que tenham estado presentes desde o início na inauguração.

Às 21:30 apresentamos uma sessão de cinema mudo ao ar livre, com o filme A QUIMERA DO OURO, de Charles Chaplin, programada por Leonardo Silva.
Apareça. Contamos consigo.

Sophia de Mello Breyner Andresen | A Salgueiro Maia

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi “Fiel à palavra dada á ideia tida”
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse.

( Sophia de Mello Breyner Andresen )

II ARRUADA – Culsete de 4 a 13 de julho

Arruada2014_A3_v3

A Culsete vai realizar entre 4 e 13 de Julho a II ARRUADA DE LIVROS, uma atividade livreira de promoção do livro, que contará com diversos eventos de animação e mediação da leitura e não só. Como pode ver no programa que anexamos, teremos encontros de poesia, lançamentos e apresentação de livros, uma homenagem ao poeta Miguel de Castro, palestras sobre temas diversos, uma noite de cinema, além dos momentos musicais e da tarde especialmente dirigida às crianças.

Um programa de deixar todos com água na boca. Os nomes dos participantes falam por si.

Continuar a ler →

Lettre de Charles de Gaulle à sa mère | L’Allemagne se redressant deviendra plus arrogante, et finalement ne nous paiera pas à beaucoup près ce qu’elle nous doit.

Ma chère Maman,

Voici donc la paix signée. Il reste à la faire exécuter par l’ennemi, car tel que nous le connaissons, il ne fera rien, il ne cédera rien, il ne paiera rien, qu’on ne le contraigne à faire, à céder, à payer, et non pas seulement au moyen de la force, mais bien par la dernière brutalité. C’est le seul procédé à employer à son égard. Ses engagements sont une fumée, sa signature une mauvaise plaisanterie. Heureusement nous tenons, et il nous faut absolument garder, la rive gauche du Rhin. Les motifs d’y demeurer ne manqueront certes pas, car je ne crois pas une seconde à des paiements sérieux d’indemnités de la part de l’Allemagne. Non pas certes qu’elle ne puisse payer, mais parce qu’elle ne le veut pas. Nous allons donc nous heurter de suite à toute cette science de chicanes gémissantes, de délais prolongés, d’entêtements sournois, qui est la plus claire aptitude de cette race. Nous avons éprouvé cette science à mainte occasion, et notamment à propos de chacun des articles du traité d’armistice qu’il fallut plusieurs interventions impatientées du maréchal Foch pour faire exécuter à peu près.

Seulement nous n’allons plus avoir à brandir d’épée flamboyante, avec nos troupes démobilisées, et celles de nos alliés rentrées chez elle. Au fur et à mesure des années, l’Allemagne se redressant deviendra plus arrogante, et finalement ne nous paiera pas à beaucoup près ce qu’elle nous doit. Il faut craindre du reste que nos alliés ne soient d’ici à très peu de temps nos rivaux et ne se désintéressent de notre sort. La rive gauche du Rhin devra donc nous rester.

ENTREVISTA | Francisco Bethencourt | “O império português é talvez o mais flexível a gerir populações coloniais até ao século XVIII”

Francisco Bethencourt faz uma história do racismo no mundo ocidental. É uma obra surpreendente, publicada em inglês, e que traz à historiografia portuguesa uma ambição temática a que não estamos habituados.
858359
O historiador português Francisco Bethencourt, que publicou o livro Racisms: from the crusades to the twentieth century (Princeton University Press), não é, definitivamente, um saudosista do luso-tropicalismo do sociólogo e ensaísta brasileiro Gilberto Freyre. Não defende que o império colonial português tenha sido menos racista do que impérios como o britânico.

O seu livro, ao convocar um tema como o racismo e ao fazer uma história comparativa, vai ao coração das sociedades coloniais e à gestão dessas populações. Como é que se deve lidar com a intensa miscigenação no Brasil dos portugueses com a população indígena e com os escravos africanos, consequência de uma reduzida emigração de mulheres portuguesas logo desde o início da colonização? Porque é que esta população de raça mista ganhou muito mais privilégios sociais e políticos do que no império britânico? Porque é que na América do Norte no século XIX a raça mista desapareceu das classificações raciais e posteriormente passou a ser possível ser apenas branco ou preto? Por que razão, ao contrário, no fim do período colonial no Brasil a nomenclatura racial chegou a ter 150 categorias?

LER TUDO: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-imperio-portugues-e-talvez-o-mais-flexivel-a-gerir-populacoes-coloniais-ate-ao-seculo-xviii-1660324

Citando Gabriela Ruivo Trindade

Uma Outra Voz

Um completo estranho, o meu corpo. Às vezes parece-me que tenta falar comigo, mas não entendo patavina do que diz. Chego a acreditar que me roubaram o antigo corpo ou o deitei fora. Talvez o tenha despido, como quem arranca o pijama de manhã, e me tenha enfiado noutro. Usado, ainda por cima. Gasto, velho e com defeito.

O ventre é o meu pólo sul. Para lá não existe nada. Ou talvez devesse dizer: o ventre é uma espécie de fim do mundo. Uma falha geológica gigantesca que separasse uma península do continente e a lançasse, errante, no coração do oceano. Eu sou o que sobra desse continente desmembrado; o resto partiu, levado na corrente marítima, não sei para onde.

O resto. As pernas, os pés e o baixo-ventre; tudo o que fica abaixo do umbigo. Aliás, se não visse todos os dias as minhas pernas, pensaria que mas tinham amputado. Se não visse o tubo da algália, a sua extremidade a desembocar naquele saco em que se vai acumulando o líquido amarelo que (dizem) é a minha urina; se a enfermeira não viesse todos os dias baixar-me as calças em movimentos lentos e pacientes, abrir-me a fralda, retirar cuidadosamente o tubo de borracha em volta do pénis, depois virar-me de lado com a ajuda de dois auxiliares e lavar-me o rabo como se fosse um bebé, juraria que não tenho sexo, nem cu; que nem sequer cago, pois nem sinto a merda agarrada às nádegas, aos pêlos; eu deitado em cima da minha própria merda, um bebé de vinte e quatro anos. Queria ao menos vomitar o nojo. Mas nem isso. Arrancaram-me as tripas, os pulmões, o coração. Talvez só me reste o cérebro.

Uma Outra Voz, Gabriela Ruivo Trindade, prémio Leya 2013.

O Fim da Civilização Atual, segundo a NASA

planeta-terra-02-64172Um estudo da NASA prevê o fim da atual civilização, afirmando que, o mundo tal como o conhecemos, não vai durar mais que algumas décadas.

A conclusão deste estudo patrocinado pela NASA refere que a civilização industrial se está a aproximar do fim, devido à exploração não sustentável de recursos energéticos e à desigualdade económica e social.
Financiado pela NASA e divulgado pelo jornal britânico The Guardian, o estudo assegura que a atual civilização industrial está condenada a desaparecer nas próximas décadas por razões que, para os críticos observadores da dinâmica civilizacional não serão surpreendentes – surpreendente é, isso sim, o facto de ser a própria NASA a assumir o impacto social generalizado das assimetrias socio-económicas e de desenvolvimento… isto porque as razões apontadas para esta conclusão consistem no reconhecimento da existência de uma exploração não sustentável dos recursos energéticos e numa insustentável desigualdade na distribuição da riqueza.

O grupo de investigadores liderados pelo matemático Safa Motesharri estudaram os fatores que levaram ao declínio das antigas civilizações e concluíram que o “processo de progresso e declínio das civilizações é, na verdade, um ciclo recorrente ao longo da história”, cita o The Guardian. Os investigadores estudaram a dinâmica homem-natureza das várias civilizações que desapareceram ao longo dos séculos e identificaram os fatores (população, clima, água, agricultura e energia) que melhor explicam o declínio civilizacional e que configuram contribuir de forma decisiva para determinar o risco do fim da atual civilização, uma vez que podem levar ao colapso civilizacional quando, ao convergirem, geram “uma exploração prolongada dos recursos energéticos” – com evidente influência no clima e no equilíbrio ecológico. Além disso, a “a estratificação económica da sociedade em elites e massa” é outro dos problemas que contribuem para o fim de um ciclo. Segundo os investigadores, estes fenómenos sociais desempenharam, ao longo dos anos, um “papel central no processo do colapso civilizacional”, constituindo-se também como fatores que vão levar a atual sociedade industrial ao fim.

A título de comentário desta notícia que já tem uns meses, resta dizer que, afinal!, a capacidade humana de percepção, compreensão, adaptação e reajustamento é muito mais reduzida do que desejaríamos e que a nossa competência global de sobrevivência não revela nenhum dote eficaz para a garantir!… Aliás, se assim não fosse, como poderíamos justificar e aceitar que uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, assente em estruturas económicas e financeiras interdependentes internacionalmente, integre, sem efetivos esforços de correção, a fome, a guerra, a violação das mulheres, os maus tratos a crianças e idosos, a violência social, a pobreza, o desemprego, a degradação do respeito pelos Direitos Humanos, a destruição dos serviços públicos de saúde, educação e proteção social ou que, por exemplo, num pequeno país europeu como Portugal, todos os dias, 80 famílias deixem de poder pagar as prestações da casa, aumentando, exponencial e potencialmente, o número de pessoas sem abrigo ou cada vez mais expostas à vulnerabilidade da exploração multifacetada da economia paralela?!

LER MAIS AQUI:

http://www.leituras.eu/out.php?u=http%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fsociedade%2Fciencia%2Fnasa-preve-que-planeta-esta-beira-do-colapso-11917406

Ana María Matute (1925-2014), por Cristina Carvalho

Ana-María-Matute

MORREU hoje aos 88 anos, na sua casa em Barcelona, uma das maiores escritoras da actualidade, a catalã ANA MARIA MATUTE.

Reconhecida e aclamada em todo o mundo, foi a terceira mulher a receber o Prémio Cervantes pela sua obra literária e também inúmeros prémios literários internacionais, tendo sido por três vezes proposta e candidata ao Prémio Nobel de Literatura.

Conhecia-a pessoalmente e apresentei-a em Lisboa, em 2011, no Instituto Cervantes.
Escreveu romances sobre a infância e para a juventude; interpretou todos os mitos dos rituais de passagem dos adolescentes à idade adulta, incluiu o sobrenatural e a fantasia e aprofundou essa necessidade de fantasia na vida dos seres humanos.
A morte de ANA MARIA MATUTE deixa-me, profundamente, triste. Por várias razões.

Cristina Carvalho, escritora. Retirado do facebook.

O Das Culturas já havia publicado um texto de Cristina Carvalho sobre Ana María Matute e o seu universo literário.

Setúbal – Exposição Regional de 1930

Setubal 03

Numa cidade em crise social e económica profunda, com o movimento operário praticamente esmagado, realiza-se a grande exposição regional de 1930. Setúbal rende-se ao esplendor da ordem e do progresso da Ditadura Militar. Albérico Afonso Costa, no seu livro Setúbal Sob a Ditadura Militar, deixa-nos um testemunho precioso desse tempo. A Barcelona portuguesa, do movimento operário, veste uma capa cosmopolita e burguesa.

«A ideia de que esta exposição era uma obra inspirada no Governo da Ditadura Nacional e nos novos credos ideológicos perpassa no discurso jornalístico: “A Exposição Regional de Setúbal não é uma feira de amostras banal, confusa, irregular – características estas que se topam dezenas de vezes em certames do mesmo género. É uma grande afirmação económica. É um índice precioso de riqueza de uma região. Mas é, principalmente, uma obra organizada com método, ordem e disciplina” »

Continuar a ler →

Bem Hajam! – Apontamentos de Viagem à Arménia

Bem Hajam!

Poucos escritores foram confrontados com tantas das tragédias em massa do século XX como Vassili Grossman, e é provável que este seja lembrado, acima de tudo, pela terrível clareza com que escreveu sobre o Holocausto, a Batalha de Stalinegrado e a Grande Fome da Ucrânia. No entanto, Bem Hajam! ‒ Apontamentos de Viagem à Arménia, mostra-nos um Grossman muito diferente, notável pela sua ternura, pelo seu entusiasmo e sentido de humor. Este é, de longe, o seu livro mais pessoal e intimista, dotado de um ambiente de espontaneidade absoluta, em que Grossman parece estar simplesmente a conversar com o leitor acerca das suas impressões sobre a Arménia – as suas montanhas, igrejas antigas, gentes e costumes –, enquanto, ao mesmo tempo, examina os seus pensamentos e estados de espírito.

Diários

Diários

Os diários de George Orwell (1931-1949) dão a conhecer a vida do escritor que marcou o pensamento político do século xx. Escritos ao longo da sua carreira, os onze diários que sobreviveram – sabe-se que haverá outros dois da sua permanência em Espanha guardados nos arquivos da NKVD em Moscovo – registam as suas viagens de juventude entre os mineiros e os trabalhadores migrantes, a ascensão dos regimes totalitários, o horrível drama da Segunda Guerra Mundial, bem como os acontecimentos que inspiraram as suas obras-primas: O Triunfo dos Porcos e 1984.

As entradas de carácter pessoal reportam um dia-a-dia muitas vezes precário, a trágica morte da sua primeira mulher, e o declínio de Orwell, vítima de tuberculose.

Um volume tão importante para conhecer Orwell como a autobiografia que nunca viria a escrever.

Viajar en el tiempo se convierte en una realidad?

Investigadores de Australia declaran que los fotones pueden moverse a través del tiempo. Físicos simulan el envío de partículas de luz cuántica al pasado por primera vez en la historia.
4c4c7e8f1f55325b9f26838037502ca3_article
Un grupo de investigadores de la Universidad de Queensland, en Australia, simularon cómo dos fotones viajando en el tiempo interactúan, lo que sugiere que podría ser posible saltar a través del tiempo al menos a nivel cuántico, informa ‘DailyMail’.

El estudio, dirigido por el estudiante de doctorado Martin Ringbauer, utilizó fotones, partículas individuales de luz, para simular las partículas cuánticas que viajan a través del tiempo. En la simulación, el equipo de investigación examinó dos posibles resultados de un experimento con un fotón viajando en el tiempo.

El ‘fotón uno’ viajaría a través de un agujero de gusano (también conocido como puente de Einstein-Rosen) hacia el pasado e interactuaría con su versión anterior. El ‘fotón dos’ viaja a través del espacio-tiempo normal, pero interactúa con un fotón que se ha quedado atascado en un bucle de tiempo de un agujero de gusano, conocido como curva cerrada de tipo tiempo.

La simulación del comportamiento del ‘fotón dos’ permitió investigar el comportamiento del ‘fotón uno’ y los resultados revelaron que el viaje en el tiempo podría ser posible en un nivel cuántico.

Sin embargo, se desconoce si esta misma simulación podría demostrar la posibilidad de viajar en el tiempo de partículas más grandes o grupos de partículas como átomos, indica la revista científica ‘The Speaker’.

Texto completo en: http://actualidad.rt.com/ciencias/view/131909-viaje-tiempo-realidad

Gostas do que Vês?

Gostas do que Vês

Natália e Cecília não se conhecem. São duas mulheres jovens muito diferentes, uma introvertida e amargurada, a outra confiante e determinada. Mas têm a irmaná-las o excesso de peso – e, apesar de cada uma lidar com ele à sua maneira, fugindo do espelho ou assumindo o corpo, a verdade é que nem sempre é fácil viver numa sociedade com os cânones de beleza instituídos e na qual se convive diariamente com o preconceito.

Natália está convencida de que não merece ser feliz; Cecília, pelo contrário, numa atitude desafiante, defende a beleza das suas curvas e o seu direito à felicidade, independentemente da diferença e da discriminação social.

Num mundo em que se mascara a felicidade com plásticas e dietas loucas, Rute Coelho construiu uma história realista e surpreendente sobre a forma como podemos e devemos assumir o nosso corpo, aprendendo a gostar dele através das mudanças necessárias.

Amanhã nas livrarias.

Citando Woody Allen

Woody_Allen2Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num “spa” de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois – “Voilà!” – desapareço num orgasmo.

Lettre du Général de Gaulle au Président du Conseil Paul Reynaud

Laissez-moi dire sans modestie que je suis le seul capable de commander ce corps qui sera notre suprême ressource.

De-gaulle-radio

Quelques jours avant l’appel du 18 juin, et d’écrire l’une des plus glorieuses pages de l’histoire de France, le général de Gaulle s’adressait une dernière fois au Président du Conseil, Paul Reynaud. Dernière tentative avant l’inéluctable ou mise au clair de ses idées, voici l’une des dernières lettres du général de Gaulle avant de devenir le sauveur de la France et le héros de la seconde guerre mondiale.

Monsieur le Président,

Nous sommes au bord de l’abîme et vous portez la France sur votre dos. Je vous demande de considérer ceci :

1. Notre première défaite provient de l’application par l’ennemi de conceptions qui sont les miennes et du refus de notre commandement d’appliquer les mêmes conceptions.

2. Après cette terrible leçon, vous qui, seul, m’aviez suivi, vous êtes trouvé le maître, en partie parce que vous m’aviez suivi et qu’on le savait.

3. Mais une fois devenu le maître, vous nous abandonnez aux hommes d’autrefois. Je ne méconnais ni leur gloire passée ni leurs mérites de jadis. Mais je dis que ces hommes
d’autrefois – si on les laisse faire – perdront cette guerre nouvelle.

4. Les hommes d’autrefois me redoutent parce qu’ils savent que j’ai raison et que je possède le dynamisme pour leur forcer la main. Ils vont donc tout faire aujourd’hui comme hier – et peut-être de très bonne foi – , pour m’empêcher d’accéder au poste où je pourrais
agir avec vous.

5. Le pays sent qu’il faut nous renouveler d’urgence. Il saluerait avec espoir l’avènement d’un homme nouveau, de l’homme de la guerre nouvelle.

6. Sortez du conformisme, des situations « acquises », des influences d’académie. Soyez Carnot, ou nous périrons. Carnot fit Hoche, Marceau, Poreau.


7. Venir près de vous comme irresponsable ? Chef de cabinet. Chef d’un bureau d’étude ? Non ! J’entends agir avec vous, mais par moi-même. Ou alors, c’est inutile et
je préfère commander !

8. Si vous renoncez à me prendre comme sous-secrétaire d’Etat, faites tout au moins de moi le chef – non point seulement d’une de vos quatre divisions cuirassées – mais bien du corps cuirassé groupant tous ces éléments.

Laissez-moi dire sans modestie, mais après expérience faite sous le feu depuis vingt jours, que je suis le seul capable de commander ce corps qui sera notre suprême ressource. L’ayant inventé, je prétends le conduire.

Général de Gaulle

Razia

Razia

Espécie de antologia do mal-dizer, Razia é um jogo de culpas disforme como um espelho de ver monstros. Para rir muito a sério.

«A culpa é dos autores desses textos que contaminam o pensar do homem-comum. Como se o homem-comum quisesse sempre algo mais, quisesse sempre ser mais do que é. Quem é que lhes disse, a esses intelectuais que escrevem esses textos idealistas, que eles são necessários? Eles que vão mas é trabalhar, que isso de escrever nunca foi trabalho, como toda a gente sabe. Criador que eu saiba só há um. Parem de inventar.»

 

Palestra “Stop ao uso e abuso de drogas” | 26 de junho às 18h30 | na Biblioteca de Alcanena

Para assinalar o Dia Internacional da Luta Contra o Abuso e Tráfico de Drogas, a Biblioteca Municipal de Alcanena promove uma Palestra, dia 26 de junho a partir da 18…h30. Esta iniciativa conta com o apoio do Centro de Saúde de Alcanena e com a Guarda Nacional Republicana.

A droga é uma das principais causas de morte entre os jovens Europeus. Estima-se que morreram mais de 70,000 pessoas na Europa por “overdose” na primeira década do século 21.

Para mais informações é favor contactar a Biblioteca através do 249891207.

Cartaz_STOP ao use e abuso de DROGAS

As três sílabas do nosso remorso | BAPTISTA-BASTOS

BaptistaBastos2013Vivemos de felicidades pequeninas, e inventamos esses instantes com a intuição secreta de que são precários e fugazes. Pouco temos a que nos pegar. Os amigos ou aqueles que estimamos vão-se embora, para outros sítios ou para sempre, encerrando o anel que parecia ligar-nos. Agarramo-nos, com o desespero de quem nada tem a perder e nada tem a ganhar, ao gosto de uma palavra, a um sonho ou, até, a um jogo de futebol, criando a ilusão de que somos felizes. Mas é sempre uma felicidade pequenina, e nós sabemo-lo com a noção dessa fatalidade irrevogável. Fomos alguma vez grandes? Inculcam-nos a ideia de que sim. Mas grandes para quem? Fomos nas caravelas, criámos um leito de nações deitando-nos com tudo o que era mulher. Talvez a nossa grandeza resida aí: no gosto e no apreço pela mulher.

Continuar a ler →

Lançamento do livro “Puramente Simples” de Bruno Dias | 28 de Junho de 2014 | na Biblioteca Municipal de Alcanena

Puramente Simples_Bruno Dias

Lançamento do livro “Puramente Simples” de Buno Dias – 28 de Junho de 2014 – na BMA
No dia 28 de Junho, às 15H00, terá lugar o lançamento do livro “Puramente Simples” de Bruno Dias, na Biblioteca Municipal Dr. Carlos Nunes Ferreira de Alcanena. A apresentação será feita pelo Sr. Vicente Batalha.

Para mais informações é favor contactar a Biblioteca através do 249891207

Quatro Cantos do Mundo – Lançamento

QC_eventoQuatro Cantos do Mundo é uma viagem ao planeta Terra, ao seu lado mais profundo, desconhecido e misterioso. Um devaneio literário como lhe chama a autora, uma viagem por locais físicos, percorridos pelo olhar irrequieto da nossa imaginação. Recantos apenas acessíveis a um devir poético. São quatro contos entregues a um narrador que nos chega do infinito universo, ele próprio viajante das estrelas e que nos fala a partir do ponto de vista das crianças ou dos jovens. Só a curiosidade de um coração puro vence o medo do desconhecido e só uma mente livre do peso do bem e do mal consegue escutar a voz pela qual a natureza nos fala. Então, todas as viagens se tornam possíveis.

Este livro vai ser apresentado por CARLOS FIOLHAIS, físico, professor universitário, divulgador da ciência e ensaísta português. É um dos cientistas e divulgadores de ciência portugueses mais conhecidos em Portugal e no mundo.

Leituras por ANDRÉ GAGO.

Que ninguém falte! Leia a recensão no Acrítico – leituras dispersas.

Correntes d’Escritas fora de tempo | Póvoa do Varzim

ceO Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim, reabriu as portas depois de um longo processo de recuperação. Em Fevereiro do próximo ano, será aí o palco das Correntes d’Escritas, mas quem puder estar pela Póvoa no próximo dia 18 de Junho, às 21:30, poderá acompanhar uma mesa fora de tempo das Correntes. Os participantes serão Ana Luísa Amaral, Gastão Cruz, Lídia Jorge e Manuel Jorge Marmelo, todos autores distinguidos com o Prémio Literário Casino da Póvoa/ Correntes d’Escritas, moderados por Carlos Quiroga. O tema é tirado de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett: “Há livros, e conheço muitos, que não deviam ter título, nem o título é nada neles”. A entrada, como de costume, é gratuita.

http://www.cm-pvarzim.pt/areas-de-atividade/povoa-cultural/cine-teatro-garrett/programa-reabertura-1

José Pacheco Pereira | Bloquear, bater contra uma parede, chegar a um beco sem saída…

portugal-bandeiraComo é que não há bloqueio se numa sondagem a sério, as eleições, apenas 27% votou nos dois partidos do governo, nos dois sublinhe-se, e em sondagens mais precárias, mas todas coincidentes, mais de 60% dos portugueses querem Costa à frente do PS e pouco mais de 18% querem Seguro? Com este estado de opinião e voto, como é que a maioria dos portugueses se pode sentir representada pelos partidos que se reivindicam do “arco da governação”?
(…)
Se a vida fosse a ideal, o PSD mudaria de liderança, mas, mais importante que tudo, deixaria para trás esta continuada traição ao seu programa, à sua génese, ao seu papel histórico (…)

http://www.publico.pt/politica/noticia/bloquear-bater-contra-uma-parede-chegar-a-um-beco-sem-saida-1639798?page=-1

Herberto e os cálculos editoriais | António Guerreiro in Jornal Público

agHerberto Helder é um poeta voluntariamente retirado dos palcos onde a “vida literária” se exibe e se representa. Não é uma regra monástica, é uma atitude que manifesta certamente algo que é de uma ordem pessoal, privada. Mas é ao mesmo tempo uma regra de defesa da autonomia da obra, condição para que esta seja lida sem a interferência de quaisquer ruídos de fundo. Uma sociologia literária empírica e imediata dá-lhe toda a razão: no acesso e até na legitimação da obra literária acumularam-se as intereferências dos factores externos, extra-literários. Porém, o impoluto poeta Herberto Helder foi, desde há algum tempo, atraiçoado por uma lógica editorial que apela ao valor e ao fetichismo da mercadoria. E isso verificou-se com toda a evidência no ano passado, quando se assistiu a uma corrida pouco edificante para a aquisição de Servidões. Numa semana, venderam-se cinco mil exemplares, como se se tratasse de um produto de especulação financeira. Os livros de Herberto Helder entravam assim numa bolsa de valores que nada tem a ver com as leis da consagração de um escritor. O anúncio de que não haverá uma segunda edição justificam a corrida, se aceitarmos que o produto ganhou valor de provinciano prestígio e de falsa raridade. E assim se criou, de maneira artificial e que nenhuma sociologia da literatura conseguirá explicar, a ideia de que a oferta era escassa para tanta procura. O resultado é conhecido: muitos leitores de poesia, e do Herberto Helder em particular (aqueles que justificariam todos os cuidados especiais na edição e na comercialização do livro), ficaram arredados da corrida. De repente, a única justificação para o livro não ter reedições ou não ter uma tiragem que satisfizesse a procura (uma justificação que só pode ser a preservação da autonomia literária) ruía por todos os lados e o livro entrava num tráfico comercial que se assemelhava ao de um produto financeiramente rentável. A acção repete-se agora de maneira ainda mais sofisticada: anuncia-se o livro só com uma semana de antecedência, aparentemente para evitar a corrida especulativa. Mas, ao mesmo tempo, escolhe-se o momento da Feira do Livro, que é quando a editora mais vende directamente ao público. Tudo está preparado para que o editor venda nas suas próprias redes de livrarias e através dos seus canais de comercialização, de modo a que o livro nem chegue — ou apenas em número reduzido — às pequenas livrarias. Além disso, contra tudo aquilo a que o autor nos habituou, explora-se da maneira mais despudorada uma relação fetichista: o livro traz um CD (espantemo-nos), onde o ouvimos a ler cinco poemas; tem uma sobrecapa de papel luxuoso a imitar papel de embrulho onde se reproduz a assinatura e a caligrafia do poeta. Diz uma “Nota do Editor”: “Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor. A sobrecapa da presente edição evoca essse hábito, reproduzindo a sua caligrafia.” Correi, senhores, antes que esgotem as metonímias do corpo do poeta, impressas em capa dura e papel de embrulho enriquecido. E já que era alta a maré de generosidade metonímica porque é que não acrescentaram à embalagem tão demagogicamente volumosa, como gostam os coleccionadores de literatura-bibelot, um pêlo púbico do autor, em homenagem ao “Anjo Príapo” e à “Nossa Senhora Côna” que são invocados no primeiro poema? Que sabemos nós da participação do autor neste processo? Nada que nos permita dizer mais do que isto: o poeta impoluto fica perigosamente exposto.

http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=335600 … (FONTE)

TEATRO DA MALAPOSTA | THE MONKEY | encenação de John Mowat e interpretação de Maria de Vasconcelos

the_monkey_feb_2014_by_roger_rossell_08

 THE MONKEY
baseado n’Um Relatório a uma Academia de Franz Kafka
TEATRO DA MALAPOSTA
11 e 12 de Julho às 21:30

THE MONKEY é uma história cheia de humor sobre uma macaca que é capturada em África e que depois de baleada, acorda no porão do navio da empresa alemã Hagenback, dentro de uma pequena jaula. O desespero e a necessidade de encontrar uma saída para a sua situação cativa levam-na a observar e a imitar aqueles seres estranhos que a rodeiam e acaba ela própria por se transformar num ser humano… Essa é a sua saída.
THE MONKEY surge da vontade de criar um espectáculo trágico e cómico que nos faça sorrir e pensar sobre a nossa condição, através da história de uma macaca desesperada por encontrar uma saída e que para sobreviver se junta à Humanidade. Uma Macaca-Mulher que luta pela sua sobrevivência, mesmo que isso lhe custe a sua Liberdade. Esta Macaca-Mulher depois de uma extraordinária carreira nos Music Hall, dá conferências aos Humanos sobre o seu incrível processo de evolução.
O texto de Kafka, Relatório a uma Academia, foi escrito em 1917 e continua extremamente atual, cheio de humor, poesia e profundidade.
THE MONKEY fala-nos de Identidade, Integração, Liberdade e de Sobrevivência.
Uma história de ficção que retrata de uma forma realista o momento presente da Humanidade.
Escolhi o caminho da Humanidade. Eu não tive outra saída, a Liberdade não me estava destinada como escolha. | THE MONKEY

Encenação: John Mowat
Interpretação: Maria de Vasconcelos
Música Original: Pere Cabaret
Desenho de Luz: Jochen Pasternacki
Assistência coreográfica: Pere Cabaret e Ruy Malheiro
Figurino: Roseane Rocha
Cartaz: Luís Covas
Fotografias: Tânia Araújo (MEF – Movimento de Expressão Fotoráfica) e Roger Rossell
Com o Apoio de: Inimpetus – Escola de Atores
Agradecimentos: Anaísa Raquel, Andreya Silva, Aurora Morais, Carole Garton, Montse Bonet, Paulo Ferro, Pedro Barão e Sergio Fernandes

Depois de ter estreado em Lisboa em Junho de 2013, na Inimpetus, o espectáculo viajou em Novembro passado para Barcelona (Sala Fénix). Já em Janeiro de 2014 foi apresentado na Acker Stadt Palast em Berlim e regressou a Barcelona em Março (desta vez para se apresentar no Mercat Vell de Mollet del Vallès). E agora é a vez de Lisboa voltar a receber este espectáculo, para apenas duas apresentações do espectáculo no Teatro da Malaposta.

TEATRO DA MALAPOSTA
11 e 12 de Julho às 21:30
Rua Angola, Olival Basto

Duração: 60 minutos
Maiores de 12 anos

Mais informações em: http://mariavascoactriz.wix.com/maria-de-vasconcelos
http://www.malaposta.pt
Bilhetes: 7,5€ a 5€
Reservas: 219383100 – info@malaposta.pt

NOTA BIOGRÁFICA DE MARIA DE VASCONCELOS

Começou em 2000 com António Rama . Desde então trabalhou com diversos encenadores e companhias, entre eles, John Mowat, Nuno Pino Custódio e Filipe Crawford.
Fez o curso de interpretação para Teatro na Escuela Internacional Berty Tovyas – Estudis de Teatre, em Barcelona, com pedagogia de Jaques Lecoq, especializando-se na área do teatro do Gesto e do teatro Físico.
Na sua formação artística destaca Agnès Limbos, Jesús Jara, Ferrucio Soleri, Montserrat Bonet, Berty Tovías, John Mowat e Yoshi Oida.
Desde 2008 que se dedica a projetos de criação própria sendo co-autora de:
A Terra dos Imaginadores: http://www.youtube.com/watch?v=wdeRhwOMfnI
Onni – Objecto Náutico Não Identificado: http://www.youtube.com/watch?v=7BufAwHsbck&feature=related
Abundância: http://vimeo.com/79982351#
Garota Portuga Procura: http://www.youtube.com/watch?v=5TuyxbkZ_Qc
Die kleinen Lämmer, espetáculo para Bebés: http://www.youtube.com/watch?v=FWpQE5lEx-E&hd=1
THE MONKEY: http://www.youtube.com/watch?v=uBSSvSp5L4M&hd=1
Dinamizou projectos de intervenção social e de educação pela arte destacando parcerias com CCB, Culturgest, Pim Teatro, T.M. Maria Matos, Estabelecimento Prisional de Évora e foi Doutora Palhaça da Associação Remédios do Riso.
Foi professora de Teatro do Gesto e de Improvisação na Escola Inimpetus de 2008 a 2013 e de 2011 a 2013 dirigiu o Projeto “O Teatro vai à Escola”, em Lisboa.
Vive em Berlim desde Setembro de 2013 onde trabalha como actriz apresentando os espectáculos Die kleinen Lämmer e THE MONKEY.

link: https://dasculturas.com/wp-content/uploads/2014/06/monkeys.pdf

Carlos Zorrinho | O PS, as primárias e o País (artigo publicado hoje no Expresso)

PS-Carlos-Zorrinho-1Retirado do mural do Facebook de Carlos Zorrinho

O PS, as primárias e o País (Artigo Publicado hoje no Jornal Expresso)

O tempo é um dos principais ingredientes da dinâmica política. Sobretudo em democracia os ciclos políticos tendem a ser fundamentais nas lógicas de alternância e de alternativa. O Partido Socialista estava a viver até 27 de Maio um ciclo político natural. Um Secretário-geral eleito e reconfirmado em Congresso, conduziu o Partido à vitória nas eleições autárquicas e nas eleições europeias e preparava-se para fechar o ciclo, disputando a liderança do Governo.

Os ciclos políticos, como praticamente tudo em política, são passíveis de alteração e disruptura. A partir da análise dos resultados das eleições europeias, reconhecidos militantes socialistas colocaram nos órgãos de Partido e fora deles a questão de saber se a incapacidade do PS em captar à abstenção uma significativa parte dos descontentes com a governação, obtendo um resultado abaixo das expetativas, deveria ser motivo para forçar a quebra dum ciclo político natural de liderança, pela primeira vez na história do PS.

Do meu ponto de vista, os fatos alegados são importantes, merecem reflexão, mas não são suficientes para interromper um ciclo natural de liderança. Por isso votarei no Secretário-geral em exercício nas primárias de 28 de Setembro.

Dito isto, imposta olhar em frente. A arte da política também é transformar dificuldades em oportunidades. Se o PS tem um problema de mobilização dos eleitores então está chegado o momento de contribuir para o resolver e as eleições primárias podem dar um forte impulso no reforço da ligação do partido à sociedade.

Para isso as candidaturas têm que respeitar a grandeza e a importância do PS na sociedade portuguesa. Devem competir por ideias e por propostas e não devem ceder a nenhuma tentação de menosprezar a história do partido ou de lavar “roupa suja” enquanto as pessoas esperam ver soluções concretas para os seus problemas.

O desafio à liderança do PS escancarou o partido perante a sociedade. Se as pessoas gostarem do que lhe for mostrado podemos estar perante a abertura de um novo ciclo de reforço da participação política e da democracia em Portugal.

Neste contexto a responsabilidade dos potenciais candidatos a Primeiro-Ministro é enorme, e qualquer eventual excesso de um dos lados não justifica a resposta nos mesmos termos da outra parte.

Olho por olho, dente por dente será neste caso uma tática suicida em que todos perderão, dentro e fora do PS.

Com naturalidade, quem souber manter uma postura de Estado e combater pela elevação das propostas é quem levará a melhor e retomará o caminho da disputa pela governação do País, espero que com um exército ainda mais forte e motivado.

O território da vingança e do ressabiamento é pura areia movediça. Quem lá entrar suicida-se politicamente e com isso enfraquece um dos principais esteios da democracia portuguesa. Comigo ninguém contará para isso.

The Beat Hotel

Beat-Hotel-2

A poesia da Beat Generation foi o motivo para a festa. Festa que aterrou em grande delírio naquele palco do Teatro do Bairro. André Gago convoca os protagonistas: Allen Ginsberg, Gregory Corso, Lawrence Ferlinghetti, William S. Burroughs, Jack Kerouac. Mas o fantasma de Jim Morrison passou por lá sem ser anunciado. Aliás, os fantasmas daquela gente toda andaram por ali num reboliço. As diferenças misturaram-se em saudável convívio. André Gago deu voz e corpo a um projecto que evoca os recitais que abriam os concertos dos grupos urbanos de referência na vida cultural de Nova Iorque e São Francisco nos anos cinquenta do século passado. Foi há bocadinho. Há coisas que não morrem. Ficam. Pairam. Charles Bukowski conta histórias destes extraordinários eventos no livro Mulheres, por exemplo. É por lá que afiança que a literatura aperfeiçoa a realidade.

André Gago e seus companheiros de performance — André Sousa Machado, Edgar Caramelo, Fausto Ferreira, Tiago Inuit e Vj Pedro Blanc — fizeram isso neste magnífico espectáculo: aperfeiçoaram uma realidade que conhecemos dos relatos escritos e de um ou outro registo gravado. Mas fizeram esta abordagem com apetites de contemporaneidade. A interpretação de André Gago é soberba. André é um actor soberbo.

Foi no Teatro do Bairro, no Bairro Alto, que testemunhei este recital único. Mas eles vão andar por aí. Não os percam de vista.

José Teófilo Duarte – blogOpertório

Citando Albert Camus

Le rôle de l’écrivain, du même coup, ne se sépare pas de devoirs difficiles. Par définition, il ne peut se mettre aujourd’hui au service de ceux qui font l’histoire : il est au service de ceux qui la subissent. Ou, sinon, le voici seul et privé de son art. Toutes les armées de la tyrannie avec leurs millions d’hommes ne l’enlèveront pas à la solitude, même et surtout s’il consent à prendre leur pas. Mais le silence d’un prisonnier inconnu, abandonné aux humiliations à l’autre bout du monde, suffit à retirer l’écrivain de l’exil, chaque fois, du moins, qu’il parvient, au mi-lieu des privilèges de la liberté, à ne pas oublier ce silence et à le faire retentir par les moyens de l’art.
[Discours de Suède]

camus

ramblin’ on my mind | autor: Robert Johnson | versões

Lyrics | Robert Johnson

I got ramblin’, I got ramblin’ on my mind
I got ramblin’, I got ramblin’ all on my mind
Hate to leave my baby, but you treats me so unkind

I got mean things, I got mean things all on my mind
Little girl, little girl, I got mean things all on my mind
Hate to leave you here, babe, but you treats me so unkind

Runnin’ down to the station, catch the first mail train I see
(spoken: I think I hear her comin’ now)
Runnin’ down to the station, catch the old first mail train I see
I got the blues about Miss So-and-So and the child got the blues about me

And I’m leavin’ this mornin’, with my arm’ fold’ up and cryin’
And I’m leavin’ this mornin’, with my arm’ fold’ up and cryin’
Hate to leave my baby, but she treats me so unkind

I got mean things, I’ve got mean things on my mind
I got mean things, I got mean things all on my mind
I got to leave my baby, well, she treats me so unkind

O Essencial dos Mundiais Para Ler em 90 Minutos

O Essencial dos Mundiais para Ler em 90 Minutos

«É de Jorge Valdano a frase que resume melhor aquilo de que se fala quando se fala de campeonato do mundo de futebol: “Bem-vindos ao mês em que todos os dias são domingo.”

…É fácil passar-se em cinco segundos da Itália fascista de 1934 à Coreia febril de 2002, usando como ponte apenas o nome do equatoriano Byron Moreno. Tão fácil como percorrer nas oito letras da palavra Gaetjens a distância que separa o Haiti de Belo Horizonte. Ou como gastar uma hora de debate animado a dissecar os 12 segundos com que Maradona arrasou o Império Britânico.

Todos estes seriam rumos possíveis para 90 minutos de conversa. Ou para um livro que pretende apresentar-lhe nessa hora e meia (mais descontos…) os nomes e momentos essenciais de uma história actualizada de quatro em quatro anos mas reescrita a cada frase começada por “lembram-se daquele golo/falhanço/roubo/gajo?” Mas escolhemos outro caminho. Um que começa e acaba no melhor golo de sempre, sendo estes dois golos tão diferentes como a água e a cerveja.»

O fascínio pelo PCP | ADELINO FORTUNATO | Jornal Público

Jeronimo de Sousa_zorateO PCP enquadra as mobilizações e acaba por esgotá-las num ponto em que nada mais resta senão a indignação contida.

A subida de votação nas europeias e uma aparente coerência do discurso de tom crítico em relação ao euro estão a dar ao PCP uma oxigenação política que há muito não sentia. Observadores de vários quadrantes não se cansam de elogiar o desempenho da CDU.

O caso não é para menos, considerando o acréscimo de mais de 35000 votos em relação a 2009, num contexto marcado pela abstenção e pelas ameaças populistas, e considerando que o PCP não costuma tirar partido da volatilidade eleitoral e das transferências interpartidárias, uma vez que a sua arma principal reside no efeito fidelidade de uma base de votantes fixa.

Continuar a ler →

Eusébio Como Nunca se Viu

Eusébio Como Nunca se Viu

Aqui está Eusébio como não se imagina. Em imagens nunca antes vista de intimidade e cumplicidade. E em histórias que são espantos: as sovas da mãe; o cauteleiro maneta que lhe mudou o destino; a camisola de Chico Buarque a fugir da ditadura; o trompetista que sonhara ser presidente dos EUA e que exigiu vê-lo; a PIDE aos tiros no lar onde vivia; a mala com 500 contos em notas que o pôs numa praia com os sapatos escondidos; a ideia de o raptarem antes do Mundial de 1966; os guarda-costas que não o largaram depois de mulheres se atirarem a uma piscina; o curto-circuito que não o matou no banho, mas matou um companheiro; os vistos que lhe negaram para levar o coração a Moscovo e a Maputo; o Benfica a desculpar-se por ele escapar, sorrateiro, à inauguração da Ponte sobre o Tejo. E em tanto, tanto mais… Eis Eusébio na fotobiografia que faltava!

Nunca me Encontrarão

Nunca me Encontrarão

Charles Boxer arruinou a sua vida familiar. Primeiro o exército, depois a polícia, seguindo-se missões de alto risco de resgate de vítimas de rapto. A ex-mulher e a filha aprenderam a viver sem ele à medida que o seu trabalho o foi levando a lugares de onde nenhum homem regressa ileso.

A tentativa de reconstruir um relacionamento com Amy, a sua filha adolescente, não tem sido fácil. Mas Boxer só percebe a que ponto as coisas chegaram quando Amy desaparece, provocando os pais com as últimas palavras do seu bilhete: «NUNCA ME ENCONTRARÃO.»

Porque não querem receber as notícias que todos os pais temem, Charles Boxer e Mercy Danquah aceitam o desafio. No entanto, depois de ter passado anos a localizar vítimas de rapto, Boxer sabe que, às vezes, o desaparecido não quer ser encontrado. E conhece o inferno que isto traz para as famílias – não está vivo nem morto, simplesmente desapareceu. Agora que o perigo lhe bateu à porta, Charles Boxer tem de desvendar o caso mais difícil em que alguma vez trabalhou.

Segredos de Amor e Sangue

Segredos de Amor e Sangue

Um livro que marca o regresso de Francisco Moita Flores à época em que Diogo Alves, o célebre galego que matava no Aqueduto das Águas Livres, era o grande protagonista do crime em Lisboa.

Moita Flores traz de volta o célebre criminoso como pretexto para reconstruir a Lisboa popular dos anos trinta do século XIX, um tempo em que a cidade se despia dos antigos trajes pré-liberais e dava os primeiros passos no Liberalismo emergente. Marcado pela violência e pela pobreza, este romance é uma história de ternura e de paixão, num tempo agreste, onde a força da Paixão e das Letras se impõe à voracidade da guerra e do crime, num país que tinha uma população com noventa por cento de analfabetos.

Uma obra fascinante sobre um momento pouco conhecido da História portuguesa.

Cláudio e Constantino

Cláudio e Constantino

Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes, é uma novela rústica em paradoxos – tem família em Voltaire e na Condessa de Ségur, mas também em Sterne, em Proust, na tradição romântica, nas Mil e Uma Noites… É um texto que usa um dispositivo ficcional paródico e humorístico para apresentar e brincar com alguns dos paradoxos clássicos da história da Filosofia. Dito assim, parece um romance filosófico, mas não… É sobretudo uma ficção que propõe um universo utópico, afectuoso e leve onde dois irmãos se deparam a cada momento com as grandes e pequenas questões que o conhecimento do mundo permanentemente lhes coloca.

Dizem que Sebastião, João Rebocho Pais

Dizem que Sebastião

Sebastião Breda, vice-presidente de uma multinacional, workaholic e quarentão abastado, percebe um belo dia que a vida lhe tem passado ao lado e decide remediar a solidão convidando uma colega para um jantar romântico. O problema é que a sua bagagem não vai além de estratégias de venda e planos de marketing – e o arraso que leva de Margarida à mesa do restaurante é humilhação bastante para que o seu coração acabe a pregar-lhe um valente susto. O médico recomenda-lhe então um ano de descanso, e Sebastião resolve aproveitá-lo a cultivar-se, fazendo, numa livraria da Baixa, um amigo que lhe dá bons conselhos e sentando-se junto às estátuas dos escritores espalhadas pelas praças e jardins de Lisboa, que, eloquentes à sua maneira, o iluminam sobre os mais diversos assuntos, entre eles, evidentemente, a questão feminina. Um ano depois, não se pode dizer que Sebastião seja o mesmo homem.

Dizem Que Sebastião é uma homenagem aos livros e ao que podemos aprender com eles até sobre nós próprios.

Amanhã nas livrarias.