Cosmopolitismo das diferenças | André Barata

andre_barata_200Cada vitória da integração e da convivialidade é uma derrota da exclusão e uma derrota do ódio do excluído. Integração e convivialidade sob um pressuposto claro: o do direito igual a ser como se prefere ser conjugado com o reconhecimento da reciprocidade universal a esse direito no espaço comum partilhado. Cosmopolitismo das diferenças — é disto que precisamos para desarmadilhar a tentação da radicalização e deixar a pregar para as paredes os fundamentalistas. Conviver com burkinis livremente vestidos não é uma cedência. É uma vitória contra dois obscurantismos: o dos fundamentalistas e o do laicismo persecutório que, sem ceder a comparações, também se obceca com mulheres e com o que elas vestem.

Retirado do Facebook | Mural de André Barata

Is there life out there? | Arlindo L. Oliveira in “Digital Minds”

As reported in an article in the journal Nature, Proxima Centauri (pictured), the star nearest to our sun, has an Earth sized planet, orbiting the “Goldilocks” zone (not too hot, not too cold).

The recently discovered planet orbits the mother star in 11 days, an orbit much smaller and much closer to its sun than the orbit of the Earth. However, since Proxima Centauri is a red dwarf, it is much cooler than our sun, which makes this orbit to be just the right size. The planet, named Proxima Centauri b, weights between 1.3 and 3 times the Earth, which makes it likely that it may be a rocky planet. The distance to the star makes it possible that it may exhibit liquid water.

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This combination of factors makes it the planet most likely to help us obtain additional information about the possible existence of life outside of Earth. Earth based instruments, such as the European Southern Observatory, ESO, an array of telescopes in the Atacama desert, in Chile, will be able to obtain additional information.

ESO was involved in the discovery of Proxima Centauri b, and likely to play an important role in the discovery of further information about this planet that, in astronomical terms, lies tantalising close to Earth, at “only” 4.2 light-years. Sending a spacecraft out to that planet may also be a possibility, albeit a very challenging one.

The challenges involved in obtaining further information about this planet are significant, but not unsurmountable, as the Economist reports. In a few years, we may have some better answers to Fermi’s famous question, “Where are they?”, referring to the possibility of extra-terrestrial life.

Arlindo L. Oliveira

Is there life out there?

SISMOS | Competências e conhecimentos dos Engenheiros Civis | Engº Carlos Mineiro Aires, Bastonário da Ordem dos Engenheiros

Mineiro Aires - 200Face às declarações que ontem foram prestadas pela Coordenadora do Grupo Sísmica da Ordem dos Arquitetos, a Ordem dos Engenheiros (OE) entende, por razões de confiança pública, clarificar o seguinte:

1.    O cálculo e o conhecimento do comportamento estrutural e resistente dos edifícios é exclusivo dos engenheiros civis que detêm conhecimentos adequados para o efeito;

2.    Outros profissionais, salvo exceções que desconheçamos, não possuem por norma conhecimentos suficientes e habilitantes para esse efeito;

3.    Isso mesmo foi reconhecido pela Sra. Arquiteta Alice Tavares, quando, em duas ocasiões, se refere certamente aos engenheiros (sublinhado nosso):

“Temos uma boa legislação em relação à construção nova, mas em termos do processo de reabilitação as situações estão omissas e, portanto, fica muito dependente da competência do técnico”,
“uma falta de técnicos também sensibilizados que devem procurar especialistas nesta área para determinadas situações, principalmente no edificado mais antigo”

4.    A posição da OE que ontem também foi ouvida, divulgada sobretudo pela Antena 1, TSF e RTP on-line ficou clara no título de uma das notícias: A Ordem dos Engenheiros lança o alerta: em todo o país, os edifícios antigos que estão a ser reabilitados não precisam de ter regras de construção anti-sísmica. A Ordem reclama urgência na alteração da situação, que é permitida pela própria lei.

Nestes termos, a Ordem dos Engenheiros que representa uma profissão indissociável da profissão de arquiteto, entende prestar este esclarecimento e, simultaneamente, manifestar a sua permanente disponibilidade para contribuir para as soluções dos problemas.

Nesta oportunidade também manifestamos o nosso voto de pesar e a nossa solidariedade para com as famílias das vítimas e todos os cidadãos que foram afetados pelo violento sismo de Amatrice e manifestamos o nosso apoio a todos os engenheiros italianos, cujo conhecimento e experiência neste domínio enaltecemos.

Lisboa, 25 de agosto de 2016

O Bastonário
Carlos Mineiro Aires

Devaneios e veraneios | Ana Cristina Pereira Leonardo

anacristinaleonardo-cvConhecido pelos seus aforismos, o inclassificável Karl Kraus deixou obra literalmente de peso. Na última (publicada parcialmente em 1934 como resposta à vitória do nazismo na Alemanha), “A Terceira Noite de Walpurgis”, escreveu, deixando logo claro ao que vinha: “Sobre Hitler não me vem nada à cabeça”. Com uma escrita e pensamento cáusticos de primeira água, capazes de emparelhar com os maiores satíricos da história da literatura, Kraus continua hoje um recurso inesgotável para quem, podendo embora encarar o mundo como uma piada de Deus, não deixa de o encarar como uma piada de mau gosto.
Num dos números da revista “Die Fackel” (“A Tocha” ou “O Archote”, como se preferir), que manteve praticamente sozinho durante várias décadas, pode ler-se: “Posso provar que continua a ser uma terra de poetas e pensadores. Possuo um rolo de papel higiénico publicado por um editor, e cada folha contém uma citação de um clássico apropriada à situação”. Se Kraus se referia aqui aos clássicos da grande cultura alemã, que dizer desta citação que roubo a Passos Coelho, proferida recentemente no Pontal: “Nós levamos a sério a política.

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Engenharia Civil | António Silva Cardoso, Rui Faria, Abel Henriques e Bárbara Rangel | Professores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto | In “Público”

mestrado-engenharia-civilA renovação geracional dos Engenheiros Civis tem que ser garantida, pelo que pode ser preocupante a quebra a que se assistiu no número de candidatos a cursar Engenharia Civil.

O campo de atuação da Engenharia Civil é muito amplo e diversificado. Quando, caminhando pela rua de uma qualquer cidade, olhamos à nossa volta muito do que observamos tem a ver diretamente com a Engenharia Civil (os edifícios, os arruamentos, as infraestruturas de abastecimento de água e de recolha das águas residuais e pluviais, etc.) ou facilmente intuímos que tem a ver (o planeamento das cidades, a organização da circulação de veículos e o seu controlo, etc.). São também resultado da atividade dos engenheiros civis as redes de transportes terrestres (estradas e vias férreas, onde se inclui uma parte importante das pontes e dos túneis), os portos e aeroportos, as obras hidráulicas (barragens, obras de irrigação, navegabilidade de rios, regularização de cursos fluviais, proteção costeira), etc. Por outro lado, a atividade da Engenharia Civil está intimamente ligada ao ambiente e à sustentabilidade (eficiência energética, novos materiais mais duráveis e com menor pegada de carbono, gestão e valorização de resíduos, economia circular, etc.). Enfim, a complexidade dos processos de conceção e de concretização de estruturas físicas em regra exige uma visão tendencialmente global e integrada, que os engenheiros civis vão desenvolvendo no desempenho das suas atividades, o que os torna, muitas vezes, capazes de assumir cargos de gestão e de direção de elevada responsabilidade.

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Peter Gabriel & Youssou N’Dour | Shaking The Tree

Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree
Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree

Waiting your time, dreaming of a better life
Waiting your time, you’re more than just a wife
You don’t want to do what your mother has done
She has done
This is your life, this new life has begun
It’s your day – a woman’s day
It’s your day – a woman’s day

Turning the tide, you are on the incoming wave
Turning the tide, you know you are nobody’s slave
[ 1989 version – Find your Brothers and sisters ]
[ 1990 version – Find your sisters and brothers ]
Who can hear all the truth in what you say
They can support you when you’re on your way
It’s your day – a woman’s day
It’s your day – a woman’s day

Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree
Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree
Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree

There’s nothing to gain when there’s nothing to be lost
There’s nothing to gain if you stay behind and count the cost
Make the decision that you can be who you can be
You can be
Tasting the fruit come to the Liberty Tree
It’s your day – a woman’s day
It’s your day – a woman’s day

Changing your ways, changing those surrounding you
Changing your ways, more than any man can do
Open your heart, show him the anger and pain, so you heal
Maybe he’s looking for his womanly side, let him feel

You had to be so strong
And you do nothing wrong
Nothing wrong at all
We’re gonna to break it down
We have to shake it down
Shake it all around

Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree
Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree
Souma Yergon, Sou Nou Yergon, We are shakin’ the tree

The Beatles | Come Together (Morgan James cover)

Here come old flattop, he come grooving up slowly
He got joo-joo eyeball, he one holy roller
He got hair down to his knee
Got to be a joker he just do what he please

He wear no shoeshine, he got toe-jam football
He got monkey finger, he shoot Coca-Cola
He say, “I know you, you know me.”
One thing I can tell you is you got to be free

Come together right now over me

He bag production, he got walrus gumboot
He got Ono sideboard, he one spinal cracker
He got feet down below his knee
Hold you in his armchair you can feel his disease

Come together right now over me

(Right!
Come, oh, come, come, come.)

He roller-coaster, he got early warning
He got muddy water, he one mojo filter
He say, “One and one, and one is three.”
Got to be good-looking ‘cause he’s so hard to see

Come together right now over me

Oh
Come together
Yeah, come together
Yeah, come together
Yeah, come together
Yeah, come together
Yeah, come together
Yeah, come together
Yeah, oh
Come together
Yeah, come together

Sledgehammer | Peter Gabriel (Morgan James cover)

You could have a steam train
If you’d just lay down your tracks
You could have an aeroplane flying
If you bring your blue sky back

All you do is call me
I’ll be anything you need

You could have a big dipper
Going up and down, all around the bends
You could have a bumper car, bumping
This amusement never ends

I want to be your sledgehammer
Why don’t you call my name
Oh, let me be your sledgehammer
This will be my testimony

Show me round your fruitcage
‘Cause I will be your honey bee
Open up your fruitcage
Where the fruit is as sweet as can be

I want to be your sledgehammer
Why don’t you call my name
You’d better call the sledgehammer
Put your mind at rest
I’m going to be the sledgehammer
This can be my testimony
I’m your sledgehammer
Let there be no doubt about it

Sledge, sledge, sledgehammer

I get it right
I’ve kicked the habit
Shed my skin
This is the new stuff
I go dancing in (We go dancing in)
Oh, won’t you show for me (Show for me)
And I will show for you (Show for you)
Show for me (Show for me), I will show for you
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, I do mean you (Show for me)
Only you
You’ve been coming through (Show for you)
I gonna build that power
Build, build up that power, hey (Show for me)
I’ve been feeding the rhythm
I’ve been feeding the rhythm (Show for you)
Going to feel that power, build in you (Show for me)
Come on, come on, help me do, come on, come on, help me do
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, you (Show for me)
I’ve been feeding the rhythm
I’ve been feeding the rhythm

(…) não estive à altura da Revolução | Ana Cristina Pereira Leonardo

anacristinaleonardo-cvEu estou aqui a compor umas coisas para a B Hierro Lopes e dei comigo a rir de mim própria pela segunda vez…

De como fui confundida com uma puta no 28 de Setembro.

Como toda a gente sabe, houve o 5 de Outubro, o 28 de Maio, o 25 de Abril, o 28 de Setembro, o 11 de Março e o 25 de Novembro. Nas duas primeiras datas ainda não era nascida e tudo o que sei foi de ouvir dizer. O 25 de Abril já está ultra-batido… quanto às duas últimas, despindo a coisa de atavios, foi mais ou menos assim: no 11 de Março, os cabrões do PCP não tomaram o poder por pouco; no 25 de Novembro, os cabrões dos reaças tomaram o poder e pronto. As eventuais divergências quanto a este apanhado histórico agora não interessam nada porque vou contar uma história. A história passa-se a 28 de Setembro (dia em que a maioria silenciosa perdeu o pio..) e é uma história verídica
O nosso quartel-general, que o tínhamos, ficava nas instalações da Faculdade de Ciências de Lisboa, ali à rua da Escola Politécnica, onde muitos anos depois se vieram a expor restos de dinossauros e cadáveres chineses completos. Era um bom quartel-general. Tinha música (na «sonora»), uma cantina – que apesar das baratas e dos ratos podia ser tardiamente assaltada –, e era muito central. A mim dava-me bastante jeito porque vinha de Cascais e saía no Cais-do-Sodré.

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A CULTURA E A REINVENÇÃO DA EUROPA | Fernando Paulouro Neves in “Notícias do Bloqueio”

palouroNa contingência das grandes crises, quando o horizonte de esperança parece diluir-se na descrença e no cepticismo, pouca coisa resta à “matéria dos sonhos” que a humanidade tece, para a humana respiração dos povos, a não ser voltar-se para aqueles valores (onde a cultura tem peso decisivo) que, por serem comuns à intemporalidade, não se perdem na efemeridade dos dias.

Na restrita janela onde estamos e se pode olhar o rumor do mundo, surge então a cultura como um fogo primordial, na sua dimensão libertadora das consciências, pão elementar do pensamento, força de um imaginário capaz de desfazer mitos, que acontecem sempre que o homem já não cabe na realidade e fica preso a atavismos. A projeção da cultura sobre as palavras e as coisas é a fonte de um pensamento com tal grau de racionalidade que até é capaz, como alguém disse, de tornar Sísifo feliz.

Não poucas vezes, foi a olhar para dentro desta ideia que se abriram caminhos de dignidade humana, conquistas irreversíveis de marca social, na obstinada recusa da negação do homem, que é a soma daqueles crimes contra a humanidade com a sua nomenclatura de valas comuns, com os seus cemitérios ao luar de gente que foi tratada como gado, com os holocaustos que foram muitas mortes de Deus (e da própria poesia!) ou com os gulagues, tudo infernos domesticados, inscritos na vida colectiva como fatalidades cirúrgicas — como agora se diz dos bombardeamentos! — organizadas pela História.

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Abraços | André Barata

Agora que os abraços se tornaram assunto de comentário político, eis dois abraços, dos amantes Rivera e Frida Khalo, mas que não são abraços de amantes. Um de campesinos e fraternidade, outro cósmico e que tudo teria assim de ligar. Dá que pensar esta figura da ternura. Damos e recebemos abraços. Alguns são cumprimento, como os beijos, códigos de aceitação e convívio leais que importa cumprir, precisamente. E há abraços e beijos que não estão para nada como signo, que não cumprimentam, não cumprem, não meneiam código nenhum. Acontece com o beijo dos amantes, que não admite representantes e representados. Mas o mesmo abraço sem representação não é apenas de amantes. É também de pais para filhos, e entre grandes amigos, que nos falta tantas vezes abraçar, de vítimas e salvadores que precisamos de abraçar. Talvez nenhuma outra cumplicidade corporal exprima o amor para lá de todas as suas figurações, o dos amantes, dos pais, dos amigos, dos irmãos. Em todos, há um abraço que cinge e acolhe a fragilidade, até a respiração, amparo de tudo o resto.

De Diego Rivera (pormenor de “El abrazo y campesinos), outro de Frida Khalo (“El abrazo de amor de El universo, la tierra (México), Yo, Diego y el señor Xólotl”)

Retirado do Facebook | Mural de André Barata

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Explaining (away) consciousness? | Arlindo L. Oliveira in “Digital Minds”

arlindo oliveiraConsciousness is one of the hardest to explain phenomena created by the human brain. We are familiar with the concept of what it means to be conscious. I am conscious and I admit that every other human being is also conscious. We become conscious when we wake up in the morning and remain conscious during waking hours, until we lose consciousness again when we go to sleep at night. There is an uninterrupted flow of consciousness that, with the exception of sleeping periods, connects who you are now with who you were many years ago.

Explaining exactly what consciousness is, however, is much more difficult. One of the best known, and popular, explanations was given by Descartes. Even though he was a materialistic, he balked when it came to consciousness, and proposed what is now known as Cartesian dualism, the idea that the mind and the brain are two different things. Descartes thought that the mind, the seat of conscience, has no physical substance while the body, controlled by the brain, is physical and follows the laws of physics

Descartes ideas imply a Cartesian theatre, a place where the brain exposes the input obtained by the senses, so that the mind (your inner I) can look at these inputs, make decisions, take actions, and feel emotions.

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In what is probably one of the most comprehensive and convincing analyses of what consciousness is, Dennett pulls all the guns against the idea of the Cartesian Theather, and argues that consciousness can be explained by what he calls a “multiple drafts” model.

Instead of a Cartesian Theater, where conscious experience occurs, there are “various events of content-fixation occurring in various places at various times in the brain“. The brain is nothing more than a “bundle of semi-independent agencies“, created by evolution, that act mostly independently and in semi-automatic mode. Creating a consistent view, a serial history of the behaviors of these different agencies, is the role of consciousness. It misleads “us” into thinking that “we” are in charge while “we” are, mostly, reporters telling a story to ourselves and others.

His arguments, supported by extensive experimental and philosophical evidence, are convincing, well structured, and discussed at depth, with the help of Otto, a non-believer in the multiple drafts model. If Dennett does not fully explain the phenomenon of consciousness, he certainly does an excellent job at explaining it away. Definitely one book to read if you care about artificial intelligence, consciousness, and artificial minds.

Arlindo L. Oliveira

Explaining (away) consciousness?

A história de Pedro e Inês em cordel por Francisco Maciel Silveira | Adelto Gonçalves

   pedro-ines - 200                                                       I

            Quem não conhece a secular história de Pedro e Inês? Provavelmente, as novas gerações não a conheçam muito bem, mas, com certeza, já ouviram a expressão “agora Inês é morta” que equivale a dizer “agora é tarde demais”. Por isso, não custa nada dizer que é possível encontrar essa história em várias obras literárias, desde Fernão Lopes (1385-1459), cronista e guarda-mor da Torre do Tombo de 1418 a 1454, passando pelo poeta Sá de Miranda (1481-1558), até chegar ao grande Luís de Camões (ca.1524-1580).

Trata-se da história da infeliz Inês de Castro (1325-1355), nobre galega que foi para Portugal como aia de dona Constança Manuel, futura esposa de dom Pedro I (1320-1367), de Portugal. Se há uma história de amor marcante na História de Portugal, como a de Romeu e Julieta, tragédia do poeta inglês William Shakespeare (1564-1616), essa é a do amor proibido entre o infante d. Pedro e Inês de Castro.

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So Long, Marianne | Leonard Cohen

Um hino ao Amor | Rest in Peace Marianne Ihlen
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Come over to the window, my little darling,
I’d like to try to read your palm.
I used to think I was some kind of Gypsy boy
before I let you take me home.
Now so long, Marianne, it’s time that we began
to laugh and cry and cry and laugh about it all again.

Well you know that I love to live with you,
but you make me forget so very much.
I forget to pray for the angels
and then the angels forget to pray for us.

Now so long, Marianne, it’s time that we began …

We met when we were almost young
deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
as we went kneeling through the dark.

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

Your letters they all say that you’re beside me now.
Then why do I feel alone?
I’m standing on a ledge and your fine spider web
is fastening my ankle to a stone.

Now so long, Marianne, it’s time that we began …

For now I need your hidden love.
I’m cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

Oh, you are really such a pretty one.
I see you’ve gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
to wash my eyelids in the rain!

Oh so long, Marianne, it’s time that we began …

 

Poeta de Jequié participa de encontro na Colômbia e lança livro | Valdeck Almeida de Jesus

val - 200O XIV Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia e o II Parlamento Jovem acontecem de 24 a 27 de agosto de 2016, em Cartagena das Índias, organizados pela Associação de Escritores da Costa. A Bahia terá o poeta jequieense Valdeck Almeida de Jesus representando o Projeto Fala Escritor e a União Baiana de Escritores – UBESC. O jornalista fará lançamento internacional e leituras de seu livro “Ruta 66: Amores y Dolores de un poeta” (Editora Galinha Pulando, 2011), ilustrado por Daiane dos Santos, traduzido pela venezuelana Gladys Mendía e prefaciado pelo poeta angolano Walter “S”, que apontou nos textos da obra questões sociais, perplexidades da vida, sonhos e realidades cruas de amores, dores e sofrimentos. “Ruta 66” faz alusão ao ano de nascimento do poeta e à Rodovia 66 americana que tem importância histórica, turística e cultural. Amores e dores do poeta são retratadas em poemas e ilustrações, retratando uma verdadeira viagem ao mundo romântico e íntimo de Valdeck Almeida.

Os dois encontros de escritores contam com vasta programação que inclui lançamentos de livros, recitais poéticos, leituras de trabalhos literários, bate papos, debates, além de almoços regados a muita alegria, poesia e literatura. Escritores de 16 países vão render homenagens a Jack London (Estados Unidos), Rubén Darío (Nicarágua) e Alfonso Bonilla Naary (Colômbia), no centenário da morte dos dois primeiros e no centenário de nascimento do último. Como em anos anteriores, o Parlamento continua com sua política de reconhecer o importante e significativo aporte de escritores e escritoras do continente e do país para as letras universais.

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Can Prisma and DeepArt make everyone an artist? | Digital Minds | Arlindo L. Oliveira

The popularity of Prisma, one of the hot summer apps (together with Pokemon Go), has caught everyone by surprise, including its creators.

Prisma uses deep learning algorithms to derive image processing methods that change your pictures in accordance with the style of a given artist. Other sites, like DeepArt apply these methods based on machine learning techniques, such as the one described in this article, to process photos that you upload.

The following drawing of The Thinker was obtained applying Prisma to one of my travel pictures.

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The following “painting” was obtained from one image of the tall ships in Lisbon, using DeepArt.

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Applying the methods takes significant computer time, and is done by Prisma remote servers. These servers have, for a while, been unable to fully cope with the demand. Other sites, like DeepArt, also take significant time to process your request.

The results are, in many cases, surprising, obscuring the line between artistic merit and computerized image processing. Recently, Google raised a significant amount of money selling computer generated art.

For more examples of computer generated art, using Prisma and DeepArt, take a look at my deep art flickr album.

arlindololiveira | August 4, 2016 at 11:54 am | Tags: Deep Art, Prisma | Categories: Art, Artificial Intelligence, Machine Learning | URL: http://wp.me/p7fp8X-47

 

Citação | Francisco Seixas da Costa

FranciscoSeixasdaCosta

A mim, preocupa-me apenas o futuro e, dentro deste, a triste constatação de que estamos perante um sistema bancário frágil, que reflete uma economia frágil, de um país muito frágil. O qual, sendo o nosso, merece que essa nossa preocupação e angústia nos levem à exigência máxima – de rigor, probidade e transparência – sobre aqueles que voluntariamente se oferecem para o gerir, no governo, parlamento e outras instituições do Estado.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

Carta ao Ministro das Finanças | Joaquim António Ramos

quitoExmo Senhor Ministro das Finanças
Excelência:
Depois de ter percorrido várias Repartições de Finanças, de ter perdido grande parte dos meus ultimos dias em filas com senhas das mais diversas cores, sem conseguir resposta às minhas angústias fiscais,atrevo-me a vir junto de V. Excia para ser esclarecido sobre as novas regras que se anunciam para o IMI. Toda a gente diz que as vistas e a exposição solar vão agravar o IMI, mas ninguém sabe em que medida ou como minimizar o impacto. Por isso recorro a V. Excia. Passo a expôr:
1. Eu vivo numa casa que só tem vistas para um lado, e a paisagem que tenho à frente é o portal da igreja – bem bonito, por sinal…Se me pendurar na janela ainda consigo vislumbrar o pelourinho e a Câmara Municipal. Isto tudo virado a Nascente, logo com alguma exposição solar. De resto, a Sul dou logo de trombas com o muro do Padre, a Norte com uma casa que ardeu e a Poente com o muro dos Barretos, donde só saem pulgas, osgas e ratos, porque a casa está abandonada há uma porrada de anos. Consequentemente, em termos de vistas, dos quatro pontos cardeais, só o Oriente Próximo me aterroriza. Estou assim mais ou menos como a Europa.
2. Falando de vistas, pelo exposto em 1, e como a Igreja está isenta de IMI, pensei que esta isenção poderia alargar-se à minha fachada Nascente. Caso não seja este o entendimento do Fisco, posso fazer uma declaração com assinatura reconhecida e tudo, a jurar que fecho os olhos de cada vez que assomo a uma janela da fachada Nascente – arejo os quartos às apalpadelas – ou mesmo a trancar as janelas com protecções de madeira inamovíveis e a mandar demolir a varanda donde expio procissões e casamentos. Os senhores das Finanças poderão ir lá verificar. E de vistas estamos falados, pois não acredito que o muro do Senhor Prior, mais o dos Barretos e a casa ardida tenham atributos paisagísticos suficientes para me agravar o IMI.

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Em defesa da literatura | Ana Cristina Pereira Leonardo

anacristinaleonardo-cvTema: as personagens. As personagens diferenciam-se das pessoas por serem ficcionais enquanto as pessoas são reais: Anna Karénina/ Tolstoi/, Macbeth/ Shakespeare, Quixote/ Cervantes, Madame Bovary/ Flaubert, Bartleby/ Melville, Sherlock Holmes/ Conan Doyle, Dâmaso Salcede/ Eça de Queirós, Quina/ Agustina Bessa-Luís, Palma Bravo/ Cardoso Pires, Rapaz/ Dinis Machado, Myra/ Maria Velho da Costa… e assim sucessivamente, como disse João César Monteiro que, sendo uma pessoa, ninguém poderá negar que seja uma personagem.
O que é, porém, mais real? Karénina ou Tolstoi? Shakespeare ou Macbeth? Holmes ou Doyle? Jorge Luis Borges, outro que tanto tem de pessoa como de personagem, escreveu uns versos maravilhosos (talvez os mais maravilhosos) sobre a condição humana: “Yo, que tantos hombres he sido, no he sido nunca / aquel en cuyo abrazo desfallecía Matilde Urbach”. Quem foi Matilde Urbach? E Borges, saberemos mesmo quem foi Borges? “Na realidade não tenho a certeza que exista. Sou todos os autores que li, toda a gente que conheci, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei, todos os meus antepassados”, disse de si próprio o argentino.
Se o mundo, e não só o paraíso, for uma biblioteca a tender para o infinito, o que nos distinguirá de Medeia, Pierre Ménard ou Holden Caulfield? Alguém que tenha sido formado a ler livros tenderá a dizer que muito pouco (e a tentação de olhar, por exemplo, para os políticos da UE como personagens, no caso terciárias, torna-se tentadora, senão inevitável).
Avaliar as pessoas de acordo com a sua densidade enquanto personagens leva-nos a estabelecer hierarquias assentes em outros critérios que não os da mera simpatia: o que é, por exemplo, um Dijsselbloem tecnocrata ao lado de um Erdoğan ditador? Quem imagina um romance dedicado a Passos Coelho? A Maria de Belém? Uma novela sobre Cavaco Silva? Assunção Cristas ao lado de Catherine Earnshaw?! Isilda Pegado ao lado de D. Patrocínio das Neves?! Ou vice-versa: Felicidade de Noronha ao lado de Zita Seabra?! O tédio!
Não se trata, ter-se-á percebido, de simples escolhas políticas. Octogenário, Norman Mailer ficcionou os primeiros anos de Hitler no romance “The Castle in the Forest”. Foi criticado: “One can’t forbid artists from dealing with Hitler but art will never achieve an understanding of the phenomenon”. Mas se não chegarmos lá pela arte, como sobreviver ao fenómeno da realidade?

Retirado do Facebook | Mural de Ana Cristina Pereira Leonardo

ARGÉLIA | Francisco Seixas da Costa

argel fsc - 250Tenho um “fraco” pela Argélia, devo confessar. Pela sua cultura – de Camus a Kateb Yacine, embora não conheça muito mais -, pelo percurso complexo desse território atípico, que chegou a fazer parte das Comunidades Europeias (com efeitos até 1968, é verdade!), atravessado por uma das mais sangrentas guerras de libertação de que há memória. Mantenho presente a heroicidade dessa luta pela independência, bem como o papel desempenhado pelo país no contexto internacional que se lhe seguiu e, muito em especial, a sua contribuição para a manutenção da esperança da liberdade em Portugal, nos anos 60 e 70.

Da mesma maneira que entendo muito lamentável que os países africanos saídos do colonialismo português nunca tenham feito uma homenagem a quantos, por cá, arriscaram a liberdade e a vida para apoiar a sua luta (e estranhamente nunca ouvi ninguém falar disto), acho muito triste que a democracia portuguesa nunca tenha feito uma homenagem pública ao país que acolheu a FPLN e Humberto Delgado, nesses tempos difíceis em que a instauração da ditadura militar retirou ao Brasil o estatuto de esteio principal para o acolhimento dos lutadores anti-salazaristas. Com Paris, e mais limitadamente com Roma e algumas capitais do “socialismo real” onde se refugiava o PCP, Argel foi, por anos, a principal “capital” da luta pela nossa liberdade.

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Pokemon Go: the first step in the path to Accelerando? | Arlindo L. Oliveira

arlindo oliveiraThe recent release of Pokemon Go,  an augmented reality mobile game attracted much attention, and made the value of its parent company, Nintendo, raise by more than 14 billion dollars. Rarely has the release of a mobile game had so much impact in the media and the financial world.

In large part, this happened because the market (and the world) are expecting this to be the first of many applications that explore the possibilities of augmented reality, a technology that superimposes the perceptions of the real and the virtual world.

Pokemon Go players, instead of staying at home playing with their cellphones, walk around the real world, looking for little monsters that appear in more or less random locations. More advanced players meet in specific places, called gyms, to have their monsters fight each other. Pokemon Go brought augmented reality into the mainstream, and may indeed represent the first of many applications that merge the real and the virtual world. The game still has many limitations in what concerns the use of augmented reality. Exact physical location, below a few feet cannot be obtained, and the illusion is slightly less than perfect. Nonetheless, the game represents a significant usage of augmented reality, a potentially disruptive technology.

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KATEB YACINE | 929-1989 | Dictionnaire amoureux de l’Algérie | Malek Chebel

Kateb - 200Il est le seul algérien à s’être constitué un nom qui demeure indissociable de la culture de son pays, un patronyme que nul ne peut ignorer car, que l’on dise Kateb, ou Yacine, et à fortiori Kateb Yacine, chacun sait de qui on parle.

Son livre le plus célèbre, est un livre testament, dont le titre emblématique est Nejma ,parut au seuil en 1956. C’est un livre différent de ses autres ouvrages, à la foi en raison de sa structure complexe, en miroir, de ses fulgurances et de sa progression décalée. Livre utérin par excellence, livre de pensées complexes et de projection collectives livre d’encre et de sang. Nejma, dont le nom renvoie à une éventuelle cousine, ne cessera d’interroger l’Algérie à laquelle il s’identifie par le genre et dont il transposera le projet existentiel au plan de l’esthétique romanesque.
Dans ce capharnaüm du lendemain de la seconde guerre mondial, là bas, dans la colonie encore docile, Kateb sera durement affecté par les émeutes du 8 mai 1945, à Sétif, là même où la révolution algérienne allait prendre son envol.
D’un côté, la joie des indigènes apprenant la libération de la France valait adhésion explicite : de l’autre les tirailleurs rentrés au Bled commirent un pêcher de lèse-majesté en réclamant avec véhémence que l’on tint au plus haut niveau de l’Etat, les promesses faites au moment où on les enrolait en vue de sauver la patrie menacée par les allemands.

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“união” de muros de vergonha | Tomás Vasques

tomas vasques - 200A Europa transformou-se, pela mão da Alemanha, numa “união” de muros de vergonha, de punições e sanções. Uma “união” dirigida por gente ao serviço do mundo financeiro, dos goldman-sachs, durante e depois de ocuparem os cargos da nomenclatura europeia; carreiristas que detestam os povos, os pobres, a democracia, a solidariedade. Para que serve uma Europa assim?

Retirado do Facebook | Mural de Tomás Vasques

Sussuarana realiza caminhada contra violência e extermínio de jovens | Salvador BA | Valdeck Almeida de Jesus

Sussuarana Caminhada 2016 - 200Acontece nesse domingo (17.07.2016), a partir das 9 horas, no bairro Sussuarana, em Salvador-BA, a Caminhada Contra Violência e Extermínio de Jovens. Com o lema “Chega de Violência”, a manifestação é promovida pela Pastoral da Juventude, com apoio do Cenpah (Centro de Pastoral Afro Padre Heitor), Grupo Recital Ágape e Grupo de Apoio às Causas Culturais e Sociais (GACCS). A concentração será em frente ao Colégio São Daniel Comboni e seguirá pela Avenida Ulisses Guimarães até o final de linha de Sussuarana, com cartazes, palavras de ordem, apresentações artísticas e culturais focadas em denunciar o desrespeito à vida, contra a violência e a favor dos direitos humanos. O evento faz parte de articulação da Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens.

A Bahia ocupa um vergonhoso e triste lugar na lista dos estados que mais violentam os direitos humanos de negros e negras da periferia. Diariamente são noticiados casos de desrespeitos ao direito de ir e vir, dentre outros, a exemplo do ocorrido com o jornalista Eduardo Machado e sua namorada Larissa Fulana de Tal, nas imediações da Calçada, que voltavam da praia com os amigos Willian Costa e Cida Pereira no dia 23 de junho, no bairro da Calçada. Ao tentarem tomar táxis para voltar pra casa, houve recusa dos taxistas, o que gerou um debate e intervenção da polícia militar que prendeu os dois rapazes e circulou por mais de duas horas pela cidade. Enquanto isso, as jovens recorriam a uma rede de contatos para denunciar o desaparecimento dos companheiros que foram localizados na delegacia de flagrantes e soltos por intermediação da defensora pública Vilma Reis. Por conta desse lamentável episódio, um grupo de entidades e ativistas estão se reunindo para protestarem em breve em ato contra a discriminação e a violência, bem como tomar providências judiciais e de políticas públicas a fim de exigir reparação e levantar debate sobre o assunto.

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O ESTADO DO CONSELHO | Francisco Seixas da Costa

francisco seixas da costaO Conselho de Estado é um órgão de consulta do Presidente da República. Os seus membros, que o integram por inerência de certas funções e por escolha do parlamento ou do chefe do Estado, comprometem-se a guardar absoluto sigilo do que se passa nesse órgão, das suas discussões e, muito em particular, das posições individuais assumidas durante as mesmas.

Contudo, o que se tem visto cada vez mais é a circunstância dessas conversas, que deveriam ser sigilosas, até para preservar a liberdade de cada um de poder ser totalmente franco, acabarem por surgir na praça pública, dias depois, através da imprensa. É um excelente retrato do nível a que chegou a ética cívica da paróquia!

Imagino que os arautos da “transparência” defendam que deveria haver mesmo uma transmissão televisiva em direto das sessões daquele órgão de Estado – “o povo tem o direito de saber!” – mas nunca será demais lembrar que a demagogia no poder não é sinónimo de democracia. Bem pelo contrário!

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

(…) uma história de encantar (…) | Joana Amaral Dias

joana amaral dias 1 - 200Parece uma história de encantar. Na europa racista dos fortes com os fracos e fracos com os fortes, uma equipa dos PIGS, dos porcos, dos dégueulasse, nojentos, das femme de ménage com bigode e dos pedreiros dos bidonville, ganhou o caneco. Cum caneco.
É o dia em que o velho continente não é pertença e propriedade do eixo franco-alemão, nem das patroas do 6º arrondissement, nem da Goldman Sachs. Parece uma história de encantar. Uma equipa com um seleccionador humilde, católico devoto e confesso, meio ensimesmado e cachaço tenso, fora do estrelato do dente branco e do cantinho dos special ones, empata, empata, empata. Mas não perde. Não brilha mas não cai. Aguenta firme, não é obra de arte, arquitectura de arrebites e modernices, mas está ali firme, de pedra e cal. Fernando Santos, o engenheiro da electricidade, engenheiro da energia, dizia-se, tinha um único trunfo, o grande sétimo selo Cristiano Ronaldo, atleta de profissão. Parece uma história de encantar. Ninguém queria acreditar. Quase ninguém acreditava. E esse campeonato começado no dia 10 de junho, no dia de Portugal, havia de terminar em França, país hospedeiro mas pouco hospitaleiro.
França-Portugal, final do euro 2016. Foi o dia em que o imigrante português em terra gaulesa, “o avec”, foi, finalmente, vingado. Tantos anos cuspido para as margens, a esfregar latrinas e a ser cinicamente louvado como “grande trabalhador” para, por fim, mostrar aos franceses que está ali por direito. Os franceses estavam a jogar no seu território mas nós também. Paris é o delta da diáspora portuguesa e o Stade de France, ali na Saint-Dennis dos nossos avós, foi construído com as mãos, o sangue, o suor e as lágrimas do trolha tuga. Jogámos em casa.
Uma história para contar. A equipa do comandante discreto e da estrela fulgurante entrou em campo depois de mais vexames. Sanção para aqui, má imprensa desportiva para acolá. Dez minutos e um médio francês, cujo nome nunca ficará para a história, pobre diabo, joga sujo, bem porco, contra CR7. Rei Ronaldo ainda insiste mas acaba por sair lesionado e em lágrimas. Sentado no relvado, enquanto chorava de dor e raiva, uma borboleta poisa-lhe na na pálpebra, como se fosse borboleta com borboleta. Mas não uma bonita, de encher o olho, como a Rainha Alexandra ou a Esmeralda. Uma vulgar traça, um patinho feio do mundo panapanás, como uma selecção degoulasse. A borboleta feiosa beijou o olho choroso do capitão. E o tempo foi bonito.
A equipa tomou-se de revoltas fidagais, gritou chega de humilhações e desdém, basta de rebaixar. Corações ao alto, peito feito, olho vivo e pé ligeiro. Afinal, não estavam decapitados, afinal erguia-se um gigante. Golias tremeu. E quando a morte súbita já espreitava sobre o ombro, Éder, o órfão dos arrabaldes de Coimbra, da Adémia terra de enguias e comboios, outro maldito desta vida e desta selecção, outro herói inesperado, dispara, marca, resolve, ganha, vence. Portugal festeja, finalmente festeja, finalmente alegre. Portugal ergue os seus luso-africanos, luso-brasileiros, os seus luso-franceses e o seu cigano português. Portugal pode ser essa mistura, sopa da pedra, rapa o tacho, desenrasca, safa e já está. Pátria amada, amor de mãe, frança 2016. A memória ficará tatuada. Santos da casa fazem milagres.

Retirado do Facebook | Mural de Joana Amaral Dias

Isto do Euro foi bom… | Inês Salvador

Ines Salvador -200

Isto do euro foi bom, mas não foi assim tão bom. A euforia não chegou para postar nudes, nem uma ameaça de nude se viu. Nem umas maminhas a assomar no feed, nem um tronco nu de moço a cerveja exibiu por aqui. Parece que foi bom, mas não foi assim tão bom. É que, como sabemos, para ser bom, mesmo bom, tem de fazer tirar a roupa.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Jeanine Cahen | Militante contre la politique coloniale française | 29 ans de courage, une héroïne!

Photographie de Jeanine Cahen – prise à l’époque où elle était lycéenne – fournie par les services de police lors de son arrestation en février 1960. Issue d’une famille de résistants, Jeanine Cahen s’engage dans un des réseaux d’aide au FLN. Ceux que l’on appellera les « porteurs de valise » se chargent, entre autres, des fonds versés par les ouvriers algériens de métropole. Quand Jeanine Cahen, 29 ans, professeur de lettres au lycée de jeunes filles de Mulhouse, est arrêtée, elle transportait une somme de 50 000 nouveaux francs, destinée au FLN. Au moment du démantèlement du réseau Jeanson (l’un des plus connus), en février 1960, les Français découvrent l’engagement radical de certains de leurs compatriotes contre la guerre d’Algérie. Le procès des « porteurs de valise », défendus par Mourad Oussedik, Roland Dumas et de nombreux autres avocats, devient une arène politique où s’ouvre le débat sur la légitimité de la « guerre », mot que le président du tribunal interdit de prononcer. De nombreuses personnalités, comme Jean-Paul Sartre, André Mandouze, Claude Bourdet et Paul Teitgen, interviennent pour soutenir l’engagement des militants en faveur de la cause algérienne.

guerra argel

Brexit, projeto europeu e interesses de Portugal | Pensar Portugal

brexit-2 - 200A decisão do Reino Unido (RU) de abandonar a União Europeia (UE) constitui um acontecimento que irá marcar de forma indelével o futuro do processo de integração europeia e colocar desafios cruciais a Portugal. Propomo-nos centrar a atenção no impacto do BREXIT na UE, referindo-nos ao que pensamos poderá vir a ser uma das respostas mais prováveis a essa saída, à posição que Portugal deve assumir face a essa hipótese e a algumas atitudes de curto prazo.

 

BREXIT, circunstâncias em que ocorre e consequências para a UE

 

O referendo do RU acontece num período em que três crises sucessivas já tinham corroído a confiança e a adesão ao projeto europeu em vários Estados-Membros (EM). Referimo-nos à crise das dívidas soberanas na zona euro, à crise em torno do acordo de associação da Ucrânia à UE e à crise dos refugiados.

 

Todas elas foram desencadeadas depois de 2010, num contexto em que a UE foi das macro-regiões mundiais com menor crescimento na última década, perdendo competitividade e revelando-se incapaz de reduzir significativamente o nível de desemprego, em particular da sua população juvenil, não obstante dispor de um vasto mercado interno, encarado pelos Estados Membros (EM) como condição necessária para crescer na fase de globalização.

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Racismo e Violência Policial fazem mais vítimas na Bahia | Valdeck Almeida de Jesus

Racismo e violencia na BahiaEm Junho (23), o jornalista Eduardo Machado, a cineasta Larissa Fulana de Tal e os dois amigos Willian Costa e Cida Pereira, aumentaram as estatísticas de homens e mulheres negras vítimas do racismo e da violência policial no estado da Bahia.
Ao saírem da praia do Cantagalo, na Cidade Baixa, e tentarem exaustivamente usar o serviço de táxi de volta para casa, os quatro jovens disseram ser discriminados pelos taxistas, que se negaram a cumprir a corrida, alegando que estes se encontravam em trajes inadequados para a condução. Na última tentativa de conseguirem um táxi, um dos motoristas acionou a polícia militar, após os jovens questionarem seus direitos de fazerem uso de um serviço público e não entenderem a problematização acerca de suas vestes.
A chegada da polícia, que deveria solucionar o problema, acabou por agravar a situação, conduzindo, coercitivamente, dois dos quatro jovens dentro de uma viatura, sem informar para qual delegacia eles seriam encaminhados.
O episódio citado, resultou na Mobilização de Repúdio à Violência Institucional, realizada, hoje (04.07.2016), no Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), com as presenças de algumas lideranças do Movimento Negro, que discutiram o ocorrido e se articulam para exigir do poder público e das instituições cabíveis que acompanhem e deem importância ao caso.

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Joana Emídio Marques | As selfies são menos uma expressão da nossa vaidade do que do nosso desespero

joanaComo bem sabiam os mitos nunca resistimos ao fascínio de ver a nossa própria imagem duplicada. As novas tecnologias, actuando como sempre, no âmago dos nossos fantasmas e dos nossos medos, deram-nos o instrumento perfeito: o lago portátil, o espelho que se pode colocar no meio da praça publica. As selfies são menos uma expressão da nossa vaidade do que do nosso desespero. Como se, predados pela morte omnipresente, quiséssemos resgatar qualquer coisa da passagem do nosso corpo pelo mundo antes da dissolução, do esquecimento que seremos.

Retirado do Facebook | Mural de Joana Emídio Marques

Debate “Impacto do Código dos Contratos Públicos na Contratação e Valorização dos Serviços de Engenharia” | 11 de julho, Ordem dos Engenheiros, Lisboa

wwwNo momento em que se prevê para breve a conformação do Código dos Contratos Públicos com a transposição da Diretiva Comunitária de 2014, a Ordem dos Engenheiros (OE) e a Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores (APPC) reconhecem a importância da realização deste Debate, não só de interesse para os profissionais e empresas de Engenharia, como para as entidades contratantes e para a economia nacional. Trata-se de um Debate de evidente oportunidade, nomeadamente na discussão que será fomentada sobre os preços anormalmente baixos para os serviços de Engenharia, tanto mais que envolve um grupo bastante representativo dos profissionais qualificados de que o País dispõe e de um setor empresarial que pode continuar a contribuir de modo muito significativo para o PIB nacional.

Ajda Nahai | combattante kurde, symbole de la liberté et de la dignité des femmes contre l’esclavage sexuel.

Elle avait à peine 18 ans : Ajda Nahai, combattante kurde, symbole de la liberté et de la dignité des femmes contre l’esclavage sexuel. Elle se battait contre les djihadistes de Daech aux côtés de milliers d’autres jeunes filles Kurdes. Elle est tombée au combat à Manbij où près de 2.000 terroristes, dont de nombreux en provenance d’Europe, sont toujours encerclés par les forces Kurdes en ce moment. En regardant ce visage souriant, on peut avoir honte parce qu’elle nous renvoie à quelque chose qui nous dépasse, souvent par égoïsme, parfois par racisme, ou tout simplement par indifférence : l’héroïsme ! Elle s’est battue pour sauver le droit de nous regarder en nous souriant, avec ses yeux sombres et profonds. Pour elle seule, ce poème de Victor Hugo :

“demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.”

Victor Hugo “demain, dès l’aube”

Adja

One very simple, but radical, idea: to democratise Europe | Yanis Varoufakis

diem - 200Dear friends,

After last night’s shock result, for which we must hold responsible the European establishment’s deep contempt for democracy and reason, DiEM25 is more important than ever. It is our democratic movement that will have to forge the bonds of pan-European solidarity necessary to pick up the pieces from the EU’s disintegration.

  • Brussels-Berlin-Frankfurt (the triangle of real power) will no doubt double down on authoritarianism-with-austerity and just offer a few inconsequential sticks and carrots along the way. We need to confront them before they destroy everything
  • Meanwhile, the London Tories are in disarray, as is Labour. DiEM25 must be present throughout the UK and Europe, pushing in the direction of anti-austerity, anti-racism and toward a pan-European anti-Brussels block.

I ask all of you, comrades, that you become involved, that you share our message widely: through Twitter, Facebook, other networks and email as well as offline. It is pivotal that you help transmit our sense of urgency and get as many people as possible to support DiEM25’s agenda for a democratic, social and open Europe.

Let us not allow what happened last night demoralise us. On the contrary, let’s strengthen our stance, let’s go out to defend it and promote it now more than ever.

Our time has come and it is essential to involve ourselves with all our strength.

Regards

Yanis Varoufakis

Brexit | Inês Salvador

Ines Salvador -200Brexit | Uma pessoa folheia o facebook e depara-se com posts de direitolas todos contentes com o brexit. Parece que ser direitola também é isto, ficar contente quando dá merda. Às vezes penso que os direitolas eram aqueles putos estúpidos que tocavam às campainhas e depois corriam a esconder-se. Depois cresceram e tornaram-se direitolas só para continuar a tocar às campainhas. Ah e tal, a união europeia é um neo marxismo, dizem a ver se parecem menos parvos. É sempre o velho Marx que as paga. Estou quase convencida que para eles também foi Marx quem inventou a campainha. Até parece que ser direitolas é só esta felicidade destrutiva do mau uso do bem comum.  A alegria de esfíncter infantil do ou brinco eu ou não brinca ninguém. Um palhaço de um egoísmo que não entende que ter 50% de alguma coisa é melhor que ter 100% de coisa nenhuma. Mas pronto, carreguem, carreguem à vontade, e quando rebentar corram a esconder-se.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

nastassia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poème XV

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas.
On dirait que tes yeux se sont envolés,
et on dirait qu’un baiser t’a clos la bouche

Comme toutes les choses sont remplies de mon âme,
tu émerges des choses pleine de mon âme.
Papillon de rêve, tu ressembles à mon âme
et tu ressembles au mot : mélancolie.

J’aime quand tu te tais et que tu es comme distante.
Et tu es comme plaintive, papillon que l’on berce.
Et tu m’entends au loin, et ma voix ne t’atteint pas:
laisse-moi me taire avec ton silence.

Laisse-moi aussi te parler avec ton silence,
clair comme une lampe, simple comme un anneau.
Tu es comme la nuit, silencieuse et constellée.
Ton silence est d’étoile, si lointain et si simple.

J’aime quand tu te tais, parce que tu es comme absente,
distante et dolente, comme si tu étais morte.
Un mot alors, un sourire suffisent,
et je suis heureux, heureux que ce ne soit pas vrai.

Pablo Neruda

Vingt poèmes d amour/ une chanson désespérée | Pablo Neruda

Corps d’une femme (poème 1)

escuro07 - 545

Corps de femme, blanches collines, cuisses blanches,
l’attitude du don te rend pareil au monde.
Mon corps de laboureur sauvage, de son soc
a fait jaillir le fils du profond de la terre.

je fus comme un tunnel. Déserté des oiseaux,
la nuit m’envahissait de toute sa puissance.
pour survivre j’ai dû te forger comme une arme
et tu es la flèche à mon arc, tu es la pierre dans ma fronde.

Mais passe l’heure de la vengeance, et je t’aime.
Corps de peau et de mousse, de lait avide et ferme.
Ah! le vase des seins! Ah! les yeux de l’absence!
ah! roses du pubis! ah! ta voix lente et triste!

Corps de femme, je persisterai dans ta grâce.
Ô soif, désir illimité, chemin sans but!
Courants obscurs où coule une soif éternelle
et la fatigue y coule, et l’infinie douleur.

Pablo Neruda

O Amor | Gonçalo M. Tavares

 luzes-da-cidade - 200
Se chovesse (sempre) trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
e as nuvens no céu se repetissem na cor,
na forma, na velocidade, e na lentidão;
e se o sol permanecesse robusto e alto, constante
como o último andar de um edifício (bem construído),
de calor assim assim mas repetindo assim assim
de calor da véspera;
se o mau e o bom tempo fossem uma linha única,
paralela aos dias; se o verão e o inverno
em vez de dois fossem um,
como uma pedra é um, e uma árvore é um,
se, enfim, quem amas permanecesse amado por ti,
hoje exactamente como ontem,
e daqui a trinta anos exactamente como hoje;
então não existiria o tempo,
e os relógios de pulso seriam pulseiras ruidosas,
mecânicas de mais para estarem tão próximas da mão
capaz de tocar com leveza.
E se não há tempo
…………………….  não podemos trair.
Gonçalo M. Tavares
em “1”

O Teu Riso | Pablo Neruda

olhos 08 - 200

 

 

 

 

 

 

 

 

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas
não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
por vezes com os olhos
cansados de terem visto
a terra que não muda,
mas quando o teu riso entra
sobe ao céu à minha procura
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, na hora
mais obscura desfia
o teu riso, e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

Perto do mar no outono,
o teu riso deve erguer
a sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero o teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
curvas da ilha,
ri-te deste rapaz
desajeitado que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando os meus passos se forem,
quando os meus passos voltarem,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque sem ele morreria.

Pablo Neruda, in “Poemas de Amor de Pablo Neruda

Deep Discovery |Ayla El-Moussa and Lucas Ighile

Scientists and spiritual minds have told us for decades that the universe is within us. Since the odds of exploring outer space as an astronaut are not favorable, we have decided to explore the universe within us. As well as a place we know less about than the cosmos: the ocean. We present to you our next series: deep discovery

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Ciumes | Almada Negreiros

036-isabella-rossellini-theredlist - 200Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam sêde, não n’o acordem ao beber.

 
Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d’elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo.

De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.

De repente viu-se cego – os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas…

– Sabes? Uma andorinha…

E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos.

Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina!

Almada Negreiros, in ‘Frisos – Revista Orpheu nº1’

E elas foram à bica | Inês Salvador

Ines Salvador -200– Olha lá este…
– É giro!
– Põe like nas minhas fotos todas…
– Põe nas dele, não te atrapalhes.
– Deve querer qualquer coisa comigo…
– Olha, não te quero desiludir, mas não excluas o facto de eles porem likes nas fotos todas das moças todas!
– Todas?! Todas, não!
– Tens razão, todas não. Nas que lhe dão ponta. Um nadinha de ponta, vá, já chega.
– Às vezes não entendo, põem likes e comentam em gajas tão feias.
– Também há feias com pinta de serem danadas para a brincadeira e isso conta.
– Opá, às vezes são mesmo tão feias…
– São! Medonhas, bregas, tudo, mas têm um valente par de mamas, que Deus Nosso Senhor compensa e, indo por partes, a logística também conta.
– Ahahah Inês!!!
– Sim?! Já paguei os cafés.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Retrato de uma dama | T.S. Eliot

depreto

Entre a fumaça e a neblina de uma tarde de Dezembro,
Aí tens montada a cena — como deverá ser vista —
Assim: “Pertence a ti toda esta tarde”;
E quatro círios na penumbra da sala,
Quatro anéis de luz no teto a coroar nossas cabeças,
Uma atmosfera de tumba de Julieta
Propícia a que tudo se diga, ou a que nada se enuncie.
Digamos que estivéssemos a ouvir o derradeiro polonês
A transmitir os Prelúdios com a ponta de seus dedos e cabelos.
“Tão íntimo este Chopin que julgo deveria sua alma
Ressuscitar apenas entre amigos,
Uns dois ou três, talvez, que sequer lhe roçariam o viço
Polido e arranhado nesta sala de concertos.”
— E de fato as conversas deslizam de mansinho
Entre veleidades e suspiros a custo reprimidos
Em meio a tíbios timbres de violinos
Acompanhados de arcaicos cornetins
E principiam.
“Não sabeis o quanto eles significam para mim, meus amigos,
E como é raro, estranho e raro, encontrar
Numa vida feita de tanto entulho, tanto resto e retalho
(Pois na verdade o odeio… sabes? Não és cego!
Como és vivo e subtil!),
Um amigo que possui tais qualidades,
Que possui e oferece
Tais qualidades sobre as quais arde a amizade.
O quanto importa que te diga isto
— Sem tais amizades — a vida, que cauchemar!

Entre os volteios dos violinos
E as arietas
Dos ásperos cornetins
Um obscuro tantã em meu cérebro começa
Absurdamente a percutir o seu prelúdio,
Obstinada salmodia:
No mínimo, uma estrita “nota imprecisa”.
— Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada,
Admiremos os monumentos,
Falemos sobre os fatos mais recentes,
Acertemos nossos relógios pelos relógios das praças.
E sentemo-nos então, por meia hora, a beber nossa cerveja.

II

Agora que florescem os lilases,
Um vaso de lilases tem ela em seu quarto
E um deles trança entre os dedos enquanto fala.
“Ah, meu caro, não sabes, não sabes
O que é a vida, tu, que a subjugas em tuas mãos”
(Lentamente a retorcer o talo de um lilás);
“Deixas que de ti a vida flua, deixas que ela flua
E cruel é a juventude, e nenhum remorso tem
E sorri perante aquilo que sequer consegue ver.”
Sorrio, claro está.
E continuo a tomar chá.
“Mas com aqueles poentes de Abril, que de algum modo recordam
Minha vida já sepulta, e Paris na primavera,
Sinto uma paz infinita, e vejo o mundo
Esplêndido e jovem afinal.”
A voz retorna como a insistente atonia
De um violino quebrado numa tarde de agosto:
“Sempre estou certa de que entendes
Meus sentimentos, sempre certa de que os sentes,
Certa de que, na outra borda do abismo, alcances tua mão.
És invulnerável, não tens o calcanhar de Aquiles.
Vais em frente e, quando triunfas, podes dizer: aqui muitos falharam.
Mas que tenho eu, que tenho eu, meu caro,
Para dar-te que possas receber de mim?
Amizade e simpatia apenas
De quem já quase chega ao fim da vida.
Estarei sentada aqui servindo chá aos amigos…”
Ponho meu chapéu: como posso, pusilânime, exigir satisfações
Por haver ela dito o que me disse?
Me encontrarás todas as manhãs nos jardins públicos
A ler histórias em quadradinhos e a página desportiva.
Em particular, anoto:
Uma condessa inglesa sobe ao palco,
Um grego é morto num bailado polonês,
Outro acusado de desfalque bancário confessou.
Mantenho minha postura
E mantenho-me controlado
Salvo se um realejo, a martelar mecânico uma escala,
Repisa uma cediça canção familiar
Com o aroma de jacintos a fluir pelo jardim
Relembrando coisas que alguém já desejou.
Estarão certas ou erradas tais ideias?

III

Cai a noite de Outubro; regressando como outrora,
Excepto por uma leve sensação de estar inquieto,
Galgo os degraus e giro a maçaneta da porta
E sinto como se houvesse subido de quatro as escadas.
“Com que então viajas? E quando voltas?
Ora, que pergunta mais tola!
Dificilmente o saberias.
Hás de achar muito o que aprender lá fora.”
Caiu-me lento o sorriso entre objectos antigos.
“Poderás talvez escrever-me?”
Por um segundo subiu-me o sangue à cabeça
Como se assim eu calculasse este momento.
“Tenho-me surpreendido com frequência ultimamente
(Mas nossos princípios ignoram sempre nossos fins!)
Por jamais nos havermos tornado amigos.”
Senti-me como quem sorrisse, e ao voltar percebi,
De repente, sua vítrea expressão.
Perdi todo o controle; e em trevas na verdade mergulhamos.
“Eu disse o mesmo para todos, todos os nossos amigos,
Estavam todos certos de que nossos sentimentos
Poderiam conjugar-se tão intimamente!
Eu mesma dificilmente o entendo.
Deixemos que isto fique agora à sua sorte.
Escreverás, de quando em vez.
E talvez nem demores tanto a fazê-lo.
Estarei sentada aqui, servindo chá aos amigos.”
E devo então trocar de forma a cada instante
Para dar-lhe afinal uma expressão… dançar, dançar
Como faria um urso bailarino,
Tagarelar como um papagaio, rilhar os dentes como um bugio.
Respiremos um pouco, no torpor de uma tragada.
Bem! E se ela morresse numa tarde qualquer,
Numa tarde enevoada e cinzenta, num encardido e róseo crepúsculo;
Se ela morresse e me deixasse aqui sentado, a caneta entre os dedos.
A névoa a cair sobre os telhados;
Por um momento me perco em dúvidas,
Já que não sei o que sentir ou se o entendo,
Se sou um sábio ou simplesmente um tolo, cedo ou tarde…
Não colheria ela algum lucro, afinal?
Essa melodia culmina com uma “agonia de outono”
E já que aqui falamos de agonia
— Algum direito a sorrir eu teria?

T.S. Eliot

 

Bom dia Charlies | Inês Salvador

Ines Salvador -200Bom dia Charlies, sobre homofobia venho contar-vos o seguinte:

Em tempos idos, e por tempos do Super Bowl, pus na minha capa deste estranho sistema em que nos encontramos, uma foto dos New England Patriots. Para os mais distraídos, estamos a falar de futebol americano. O Super Bowl é o evento desportivo mais assistido no Estados Unidos e o segundo em audiência no mundo, logo a seguir à Liga dos campeões da UEFA. Um jogador de futebol americano é um jogador de futebol americano, e nesse sentido não há nada a tirar ou a acrescentar, porque é perfeito. A foto dos New England Patriots era isso mesmo, perfeita, esmagadora no que à beleza masculina refere. Era uma foto de balneário, um olimpo de deuses gregos americanos. E para que disso não houvesse dúvidas, alguns estavam nús, outros meio despidos, quase despidos, estrategicamente colocados para que nada demais se pudesse ver. Pois, meus Queridos Charlies, logo que pus a foto na capa, o meu chat inundou-se de msgs que me pediam que retirasse a foto, porque a exibição daquele “orgulho gay” era chocante e estava a chocar a malta. Não respondi e fui bloqueando gente, ao mesmo tempo que a foto era continuamente denunciada. Sabemos que vivemos na lama, rodeados de boçalidade, que a maioria das pessoas não é lida, não é viajada e o que melhor as distingue é o arroto, mais ou menos azedo, mas, caramba, passam o tempo a olhar para a televisão, não conseguem aprender qualquer coisinha?! Não. Não reconhecem uma imagem do super bowl e associam a beleza masculina, a nudez masculina, à homossexualidade, como se fosse tudo mau, a beleza, a nudez, e a homossexualidade. Se não fosse trágico, até tinha graça, que o que estes badochas querem é gajas boas, como se as gajas boas não se tivessem melhor que fazer. Isto para dizer, que tenho mais fé no pai natal do que em movimentos de indignação e que a minha fé nos homens é bastante reduzida. E não me venham cá falar em valores, porque para partilhar valores é preciso tê-los. Quando me dizem “não temos os mesmos valores”, sou quase sempre forçada a concordar, não é possível ter valores em comum com quem não tem valores nenhuns.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Pablo Neruda | J’aime la mansuétude

J’aime la mansuétude et lorsque j’entre
sur le seuil d’une solitude
j’ouvre les yeux et les remplis
de la douceur de sa paix.

J’aime la mansuétude par-dessus toutes
les choses de ce monde.

Je trouve dans la quiétude des choses
un chant immense et muet.
Et tournant les yeux vers le ciel
je trouve dans les tremblements des nuages,
dans l’oiseau qui passe et le vent
la grande douceur de la mansuétude.

Modotti 052 - 545

vegetarianos, vegans e afins | Inês Salvador

Ines Salvador -200A uns certos vegetarianos, vegans e afins

Ponto de ordem e esclarecimento, que isto, às vezes, cansa:

1) – O peixe não é um vegetal! Por mais bem amanhado, em filete, com corte de chef, embrulhado em algas, se ainda não repararam, o peixe não é vegetal!

2) –  Quem põe os ovos são as galinhas e quem dá leite são as vacas! As vacas e as galinhas não são um vegetal! Também há outros animais que põem ovos e outros animais que dão leite. Nos mamíferos todas as fêmeas dão leite. Nós, as mulheres, também damos leite, é uma questão de emprenharmos e parirmos, que ficamos a dar leite, tal como as fêmeas das outras espécies de mamíferos. Se vos der para mamar noutro lado, e não se acanhem, também dá leite, é uma questão de lhe apanharem o jeito.

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O Amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia | Zygmunt Bauman

Bauman-200O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman | sociólogo polaco

 

Ton rire | Pablo Neruda

 

warda01 - 150

 

 

 

 

 

Tu peux m’ôter le pain,
m’ôter l’air, si tu veux:
ne m’ôte pas ton rire.

Ne m’ôte pas la rose,
le fer que tu égrènes
ni l’eau qui brusquement
éclate dans ta joie
ni la vague d’argent
qui déferle de toi.

De ma lutte si dure
je rentre les yeux las
quelquefois d’avoir vu
la terre qui ne change
mais, dès le seuil, ton rire
monte au ciel, me chercha
et ouvrant pour moi toutes
les portes de la vie.

A l’heure la plus sombre
égrène, mon amour,
ton rire, et si tu vois
mon sang tacher soudain
les pierres de la rue,
ris : aussitôt ton rire
se fera pour mes mains
fraîche lame d’épée.

Dans l’automne marin
fais que ton rire dresse
sa cascade d’écume,
et au printemps, amour,
que ton rire soit comme
la fleur que j’attendais,
la fleur guède, la rose
de mon pays sonore.

Moque-toi de la nuit,
du jour et de la lune,
moque-toi de ces rues
divagantes de l’île,
moque-toi de cet homme
amoureux maladroit,
mais lorsque j’ouvre, moi,
les yeux ou les referme,
lorsque mes pas s’en vont,
lorsque mes pas s’en viennent,
refuse-moi le pain,
l’air, l’aube, le printemps,
mais ton rire jamais
car alors j’en mourrais.

Pablo Neruda

 

Frida Kahlo

kahlo - 200Frida Kahlo est une artiste peintre mexicaine. A l’âge de 6 ans, elle souffre de poliomyélite (sa jambe droite s’atrophie et son pied ne grandit plus) puis elle souffre de “spina bifida” (malformation congénitale) et enfin, en 1925, elle est victime d’un grave accident de bus (son abdomen et sa cavité pelvienne sont transpercés par une barre de métal + 11 fractures à sa jambe droite, pied droit cassé, bassin, côtes et colonne vertébrale brisés). Elle devra subir de nombreuses interventions chirurgicales et de nombreux séjours à l’hôpital. Après son accident, elle se forme elle-même à la peinture. Tout cela est l’élément déclencheur de la longue série d’autoportraits qu’elle réalisera. En effet, sur 143 tableaux, 55 relèvent de ce genre. En 1929, elle épouse Diego Rivera, de 21 ans son aîné, mondialement connu pour ses peintures murales. Elle a de nombreuses relations extraconjugales, notamment avec des femmes. Des liaisons avec des hommes sont connues comme Léon Trosky, liaison courte mais passionnée. La fin de sa vie sera difficile : on lui ampute la jambe droite puis elle est affaiblie par une grave pneumonie et décède en 1954, à 47 ans. Les derniers mots dans son journal seront ” “j’espère que la sortie sera joyeuse… et j’espère bien ne jamais revenir.” Elle a été incinérée car elle ne souhaitait pas être enterrée couchée, ayant trop souffert dans cette position au cours de ses nombreux séjours à l’hôpital. Le nouveau billet de 500 pesos mexicains en circulation depuis le 30 août 2010 est à son effigie car elle est devenue une icône.
“Ils pensaient que j’étais une surréaliste, mais je ne l’étais pas. Je n’ai jamais peint de rêves, j’ai peint ma réalité.” (Frida Khalo)

Portugal lá fora | André Barata in “Económico”

andre_barata_200Marcelo Rebelo de Sousa faz bem ao deslocar o 10 de Junho da ordem simbólica da força e do poder do Estado para a dos laços das comunidades.

Paradas e desfiles das forças armadas diante do seu comandante supremo ficam melhor a Coreias e a potências cheias de tédio assertivo. Voltas a Portugal, cada ano uma cidade, convêm mais ao ciclismo ou ao calendário presidencial, desde que em qualquer outro dia do ano. Por princípio, as celebrações oficiais do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, deviam ser celebradas fora do país. Porque as comunidades estão lá fora, são alguns milhões e representam uma dimensão do país que depende sobretudo, e de quase nada mais, de laços de reconhecimento e afecto.

Marcelo Rebelo de Sousa faz bem portanto, ao deslocar o 10 de Junho da ordem simbólica da força e do poder do Estado para a dos laços das comunidades. Parece óbvio, mas o incrível é ser a primeira vez que o 10 de Junho sai do país. E também faz bem em levar as comemorações oficiais para Paris — a mais populosa cidade “portuguesa” fora de fronteiras — e em condecorar portugueses, luso-descendentes e franceses que se notabilizaram por fortalecerem e darem novos sentidos a esses laços. Por exemplo, os quatro portugueses que, no momento do atentado no Bataclan, não hesitaram abrir as portas dos seus prédios para abrigar quem procurava escapar do horror e da morte.

E claramente não terá passado despercebida ao Presidente a feliz coincidência de Paris iniciar o Europeu de futebol a 10 de Junho. Na ordem simbólica dos laços comunitários, o futebol há muito transcendeu o bafio do tempo da outra senhora. Goste-se muito ou pouco de futebol, é a actividade onde Portugal ganha maior projecção cosmopolita.  Não apenas por Cristiano Ronaldo ser, de longe, o português mais conhecido em todo o mundo, fazendo com que muitas outras línguas pronunciem o nome do nosso país, mas sobretudo porque os dias de selecção nacional são de facto dias que restabelecem o convívio de uma comunidade sem fronteiras, de anseios e esperanças comuns, que vai merecendo o nome do nosso país na nossa língua.

André Barata – in “Económico” – Retirado do Mural de André Barata

DiEM25 Everywhere in Europe‏

diem - 200Dear DiEMer,

DiEM25 has been making big strides forward in the past 10 days. We bring you news:

1. From the UK referendum campaign and London
2. From the Spanish electoral campaign and Barcelona
3. From Julian Assange and Brussels
4. From DiEM25 local groups everywhere

1. The UK referendum campaign and London 

DiEM25’s “Vote In” event in London showed the growing power of our movement:

– around a thousand people attending in London
– DSCs hosting simultaneous events in 7 countries to watch the livestream and discuss the UK’s role in Europe – the Lisbon event was even attended by Pedro Mexia, cultural advisor to the Portuguese President
– many new DiEM25 members, including Labour’s Shadow Chancellor of the Exchequer (Finance Minister of the UK), John McDonnell – read the news here!

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TUDO O QUE NOS DÃO | Pedro Teixeira Neves

pedro - 200O país mobiliza-se, a nação exalta, os Media atropelam-se e pelam-se por uma imagem daqueles que partem e sobre quem impende a defesa de tão insigne missão. O exacto alcance histórico do momento é difícil de mensurar. O presidente e os mais altos representantes do país revelam para as câmaras uma confiança e um orgulho sem limites. Que se acabou o miserabilismo, a comodista atitude dos fracos e resignados, a indolência. A fisionomia dos homens e das mulheres altera-se às notícias dos heróis, chora-se por uma mialgia infame. Há angústia, sofrimento, páginas dos jornais choram a possibilidade de uma dor na coxa. Mas eis que o mister sossega as fileiras, minando o pessimismo e a palidez de sentimentos. Viva, grita o povo com um entusiasmo raramente na história entrevisto, insuspeito mesmo. A histeria é meridional. Um câmara man morreu ao descuidar-se e cair de cima da mota onde fazia cobertura em directo do estacionamento do autocarro que transportava os heróis para o estágio. Terá honras de Estado e de estádio no seu funeral, a família será convidada a assistir à grande final, assim nela o país se faça representar. E sorrirá, e receberá aplausos, lágrimas de elevação, elevação! Milhares e milhares retemperam a cor à alma por séculos esmaecida, o povo confunde-se com as classes mais altas, gritam em uníssono o gestor de empresas e o estivador, o empreendedor e o desempregado fabril, o administrador e o sapateiro. Há notícias de um golo, uma mulher sonha um filho tatuado, velhinhas tremem às imagens de um torso desnudo, acham tudo uma benção dos tempos, que nos seus tempos os bravos rapazes da nação não tinham aquelas compleições. Eis o ambiente cunhado pela alegria em torno dos heróis. Se for desta, sim, então haverá a nação de reerguer-se e um peditório nacional almejará reunir em tempo recorde os fundos necessários à construção de um novo Panteão.

Retirado do Facebook | Mural de Pedro Teixeira Neves