🚨 📊 Extrema-direita ganhou terreno em 2025 — mas a democracia ainda consegue dizer não, in “VAMOLÁVER”

https://vamolaver.substack.com/p/extrema-direita-ganhou-terreno-em


  • Em 2025, a extrema-direita ganhou ou consolidou poder em sete países e registou resultados históricos noutros cinco, marcando a maior vaga autoritária desde os anos 1930
  • Inoculação informativa, políticas sociais e contacto estruturado reduzem significativamente o apoio à extrema-direita.
  • Finlândia reverteu uma vaga de direita radical; captura institucional torna reversão quase impossível.
  • O padrão fatal repete-se: conservadores aliam-se com extremistas pensando controlá-los, são purgados em dois anos, abrindo o terreno para décadas de ditadura
  • Os “cordões sanitários” na Europa Ocidental ainda resistem, mas a pressão aumenta quando 20% dos eleitores são sistematicamente excluídos do poder
  • É urgente aplicar políticas redistributivas e comunicação unitária antes que a janela se feche.

Eu e dois modelos, ChatGPT e Claude, passámos semanas (na escala da inteligência humana; horas na escala da inteligência artificial) a analisar centenas de estudos, dezenas de programas de prevenção e os casos mais recentes de resistência democrática. A conclusão dá esperança — e urgência. Existem soluções com evidência para travar a extrema-direita, mas a janela de oportunidade fecha rápido.

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DE ONDE VIEMOS E PARA ONDE VAMOS? A RESPOSTA SURPREENDENTE DE SPINOZA

17/09/2025 | A Verdade Proibida Sobre a Origem e o Futuro da Humanidade | Spinoza Revela Tudo Qual é a verdadeira origem da humanidade? E o que nos espera no futuro? Spinoza desafiou a religião e os dogmas com uma visão racional e filosófica que até hoje intriga. Neste vídeo, você vai descobrir como ele explicou a criação do homem, a evolução da consciência e o destino da nossa espécie. Prepare-se para uma revelação que pode mudar sua forma de pensar.

A DESVIRTUAÇÃO DA ESCOLA COMO PROBLEMA COLECTIVO, por Helena Damião, in De Rerum Natura

Rui Bebiano, historiador e professor na Universidade de Coimbra, publicou hoje no diário As Beiras um texto que devia ser lido por todos aqueles que têm responsabilidades em matéria de educação escolar pública, desde ministros da tutela, formadores de professores, directores, professores… E relido tantas vezes quantas as necessárias até ser devidamente compreendido, pois tenho a certeza de que, não obstante a clareza da redacção, o seu conteúdo se afigura estranho, anacrónico, pouco aceitável face às “exigências da sociedade” e aos “interesses e necessidades” que se dizem ser as dos clientes, ou seja dos alunos e das famílias.

finalidade educativa da educação escolar não está, efectivamente, no nosso horizonte, o que queremos da escola é que produza “capital humano”, “recursos humanos”. Isto significa a médio e longo prazo condenar a humanidade à degradação.

O título do texto, O recuo das humanidades como problema coletivo, é verdadeiro, mas o que nele se diz para as humanidades pode ser dito para uma parte significativa das ciências e, sem dúvida, para as artes e, mesmo, para a expressão corporal. Todas as áreas do currículo foram, há muito capturadas pelas exigências neoliberais e tomadas de assalto pelos seus gurus, que, com uma inenarrável arrogância, conquistam a comunicação social e a academia, sem deixar a escola de fora.

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BENTO DE ESPINOSA | BARUCH SPINOZA | BENEDITO ESPINOZA, Filósofo Português

CAUTE, foi a divisa que adoptou | 1632 – 1677

Baruch de Espinosa, (nato ברוך שפינוזה, em hebraico, e Bento de Espinosa, em português) mais tarde como autor e correspondente Benedictus de Spinoza (Amsterdão, 24 de novembro de 1632 — Haia, 21 de fevereiro de 1677).

Foi um filósofo de origem judaico-portuguesa, nascido nos Países Baixos, filho de refugiados na Sinagoga Portuguesa de Amsterdão que tinham fugido da inquisição lusitana. Um dos primeiros pensadores do Iluminismo[11] e da crítica bíblica moderna,[12] incluindo das modernas concepções de si mesmo e do universo, ele veio a ser considerado um dos grandes racionalistas da filosofia do século XVII. Inspirado pelas ideias inovadoras de René Descartes, Spinoza se tornou uma figura filosófica importante da Idade de Ouro Holandesa. O nome de batismo de Spinoza, que significa “Bem-aventurado”, varia entre as diferentes línguas. Em hebraico, seu nome completo é escrito ברוך שפינוזה. Na Holanda ele usou o nome português Bento.

1. BERGSON– «Pode dizer-se que todo o filósofo tem duas filosofias; a sua e a de Espinosa»

2. J. L. BORGES – «Penso que Espinosa tem de ser sentido como um santo. Penso que todos temos de lamentar o facto de não o termos conhecido pessoalmente.

3. HENRI ATLAN – «Ao contrário do que pensámos durante muito tempo, foi afinal Espinosa quem triunfou, não apenas dos teólogos, não apenas de Descartes, mas também de Kant».

4. JOAQUIM DE CARVALHO | Coimbra. Abril de 1950

A existência humana sobrevém num mundo que lhe é dado e cuja construtura e fenomenalidade são o que são; como pensar em ordem a que o Universo se torne racionalmente explicável, o pensamento se adeque plenamente à razão de ser de tudo o que existe e a vida espiritual se converta em fruição da beatitude, ou por outras palavras, em plena compreensão e em inalterável contentamento e paz de consciência?

DEUS SIVE NATURA

DEUS E A NATUREZA NATURADA

Ontologicamente, o Mundo foi considerado por Espinosa duplamente: no seu ser e razão de ser, invisíveis aos olhos da face, e na manifestação do ser e razão de ser, sensível aos nossos sentidos.

O primeiro, é a Natureza Naturante, ou Deus, que é a única realidade substantiva; o segundo, é a Natureza Naturada, inteiramente desprovida de substantividade, com existência puramente modal, isto é, existe como manifestação da produtividade inerente à Natureza Naturante ou Deus.

Há, assim, como que dois aspetos da metafísica do existente: o substancialista e o modal, ou por outras palavras, a realidade que é, una, eterna, infinita, imutável, e a realidade que está, diversa, temporal, finita, mutável na sucessão necessária do seu acontecer.

ALGUMAS PROPOSIÇÕES DA SUA OBRA MONUMENTAL “ÉTICA”

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Os melhores clássicos para uma boa formação intelectual, por Prof. Prezotto in Facebook

Esta lista foi elaborada a partir da minha própria formação e dos meus interesses intelectuais, reunindo obras que considero fundamentais para quem busca um contato profundo com as grandes tradições da filosofia, da literatura, da política e da cultura.

Embora não se trate de uma seleção rígida ou definitiva — afinal, cada leitor poderá acrescentar títulos e autores segundo sua vivência e sensibilidade —, ela serve como um guia confiável para uma formação sólida, ampla e duradoura. Organizada em ordem cronológica, contempla textos que atravessam séculos e civilizações, oferecendo uma base rica para o desenvolvimento do pensamento, da imaginação e da vida interior.

Acrescento, por fim, que esta lista, apesar de extensa, não esgota os autores que admiro. Muitos nomes ficaram de fora — e isso não por desmerecimento, mas por limites de espaço e de foco. Se incluísse todos, ultrapassaríamos facilmente a casa das centenas. Ainda assim, o que aqui se apresenta é, creio eu, um conjunto robusto e inspirador, digno de quem deseja se formar com profundidade..

1. Homero – Ilíada (séc. VIII a.C.)

2. Hesíodo – Teogonia (séc. VIII a.C.)

3. Confúcio – Analectos (séc. VI a.C.)

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FILOSOFIA DE BENTO DE ESPINOSA, 23-10-2023

A quem pretenda estudar a Filosofia de Bento de Espinosa recomendo vivamente este livro como introdução.

A sua obra máxima, genial a meu ver, titulada ÉTICA,  exige disponibilidade de tempo e capacidade para ler e reler. Não é fácil. Mas todos deviam estudar o pensamento Espinosiano.

Uma obra prima que nos ensina a ler corretamente o mundo e a existência.

DEUS SIVE NATURA = DEUS, ou seja, A NATUREZA

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Dinamarca | Escolas ensinam “empatia” como matéria obrigatória, chamada de “Klassen Tid” (Hora da Classe), para alunos de 6 a 16 anos.

Durante essas aulas semanais, os estudantes têm a oportunidade de discutir suas emoções, desafios pessoais e dinâmicas de grupo em um ambiente seguro e acolhedor.

Os professores desempenham um papel fundamental, orientando as conversas e ajudando os alunos a desenvolverem habilidades como inteligência emocional, escuta ativa e resolução de conflitos.

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Como Exercer a Cidadania – 6 lições para construirmos um mundo melhor, C. L. Skach

A obra chega às livrarias a 17 de abril. 

«As constituições são, afinal de contas, as leis mais importantes numa democracia, num país governado pelo e para o povo», escreve C. L. Skach no início do seu livro. Contudo, acrescenta que agora estamos numa altura em que é preciso «fazer com que a democracia funcione de modo diferente» e, segundo a autora, a solução é «um cidadão de cada vez». Em Como Exercer a Cidadania – 6 lições para construirmos um mundo melhor, enumera as seis áreas que considera essenciais para estimular uma boa cidadania: liderança, direitos fundamentais, espaços públicos, segurança alimentar e ambiente, diversidade social e educação.

C. L. Skach conta que a sua «vida adulta como promotora da lei começou provavelmente com a queda do muro de Berlim». Dedicou anos à academia e a ajudar a construir as malhas de leis e regras parlamentaristas que estruturam a ordem das sociedades.

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Si TODO es DIOS ¿Los ladrones también son Dios? – El extraño estoicismo de Spinoza

10/06/2024 Resúmenes de Filosofía Baruch Spinoza tiene una de las filosofías éticas más interesantes de la historia de la filosofía occidental. Sus ideas invitan a ver el mundo desde una perspectiva científica y estoica, aceptando que todo forma parte de la Naturaleza, en la que todo es perfecto y necesario tal cual es.

00:00 Introducción ||| 01:28 Controlar las emociones ||| 04:38 Los ladrones como expresión de Dios ||| 08:20 Conocimiento Intuitivo

Estudar Spinoza em Portugal, por Marcos Bazmandegan

A melhor maneira de estudar Spinoza é ler as suas obras. Dos livros disponíveis em Portugal temos:

– Tratado Teológico-Político (INCM)

– Ética (Relógio D’Água)

– Tratado Político (Temas e Debates)

– Tratado da Reforma do Entendimento (Edições 70)

Sobre Spinoza, aconselho:

– Felicidade e Filosofia: ser feliz com Espinosa (Balthasar Thomass, Edições Piaget) – boa obra para quem quer estudar a filosofia prática de Spinoza presente na Ética.

– O Mais Natural dos Regimes: Espinosa e a Democracia (Diogo Pires Aurélio, Temas e Debates) – boa obra para quem quer conhecer melhor o pensamento político de Spinoza.

– Espinosa: Vida e Obra (Steven Nadler, Publicações Europa-América) – é a melhor biografia de Spinoza escrita até hoje.

– O Milagre Espinosa (Frédéric Lenoir, Quetzal) – uma obra mais genérica sobre as ideias de Spinoza e a sua atualidade.

Estes são, para mim, os melhores livros publicados em Portugal, e que tocam nos principais aspetos da sua filosofia.

L’ALLEGORIE DE LA CAVERNE DE PLATON, écrit entre 384 et 377 avant J.C. 

Découvrez l’allégorie qui défie notre perception du monde.

Dans le livre VII de “La République”, Platon présente l’une des allégories les plus célèbres et les plus profondes de la philosophie occidentale : le mythe de la grotte. 

Ce récit n’est pas seulement un récit fascinant, mais aussi un outil puissant pour comprendre la théorie de la connaissance et la perception de la réalité, concepts centraux dans la pensée platonique.

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Je suis un “déterministe” | Albert Einstein

Je suis un déterministe. En tant que tel, je ne crois pas au libre arbitre. Les Juifs croient au libre arbitre. Ils croient que l’homme façonne sa propre vie. Je rejette philosophiquement cette doctrine. À cet égard, je ne suis pas juif… Je crois avec Schopenhauer : nous pouvons faire ce que nous voulons, mais nous ne pouvons que souhaiter ce que nous devons. 

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Grandes citations de Spinoza sur le déterminisme, l’amour, l’esprit, la nature humaine (Ethique) | 04/06/2022

L’Éthique est une œuvre philosophique de Spinoza rédigée en latin entre 1661 et 1675, publiée à sa mort en 1677 et interdite l’année suivante. Il s’agit sans doute de son ouvrage le plus connu et le plus important : son influence, entre autres sur les penseurs français, va grandissant depuis les années 1930.

A filosofia genial de Nietzsche – Assim falou Zaratustra

11/10/2023 | Nietzsche escreveu um romance? Sim ele fez. Nietzsche é talvez o filósofo mais influente dos últimos 200 anos. Seu livro mais popular é na verdade um romance filosófico. Assim Falou Zaratustra, publicado na década de 1880, é um romance no qual Nietzsche discutiu algumas das ideias mais inovadoras.

Por exemplo, “vontade de poder”, “eterno retorno” e sua ideia mais polêmica, “ubermensch” ou super-homem. Então neste vídeo vou explicar tudo que está no romance e também a filosofia fundamental de Nietzsche de que “deus está morto” e como responder ao niilismo. A solução de Nietzsche para a falta de sentido que emergiu da modernidade está na arte. Portanto, este vídeo irá explicar como o ubermensch de Nietzsche pode ser encontrado na literatura.

Discuto especificamente três romancistas do século XX, Marcel Proust, Franz Kafka e Charles Bukowski em referência à filosofia de Nietzsche de que a arte pode nos dar um propósito e significado em nossas vidas e pode nos libertar do niilismo. Em outras palavras, Nietzsche tenta substituir Deus por artistas humanos, a quem chama de ubermensch.

Também explicarei os três conceitos principais do romance, eterno retorno, vontade de poder e ubermensch que é traduzido como super-homem, super-humano e até super-homem. Também discutirei por que a resposta de Nietzsche ao niilismo é a arte, e como artistas como Marcel Proust, Franz Kafka e Charles Bukowski se enquadram na noção de Ubermensch de Nietzsche, artistas que se transcenderam.

Two Best Ways To Recognize A Foolish Man, Thomas Jefferson Inspiring Quotes About Life

31/08/2024 • #thomasjefferson #quotes #thomasjeffersonquotesThe Inspiring Secrets Behind Thomas Jefferson’s Quotes | A Fool Can Be Identified By 2 Things. Thomas Jefferson was the 3rd President of the United States (1801-1809), Founding Father, and principal author of the Declaration of …of Independence. He was a polymath, architect, scientist, and philosopher who was also a skilled writer, linguist, and statesman. He was a key drafter of the US Constitution and a strong supporter of individual liberties and limited government.

ÉTICA | ESPINOSA | TRADUÇÃO, INTRODUÇÃO E NOTAS DE DIOGO PIRES AURÉLIO

TRADUÇÃO, INTRODUÇÃO E NOTAS DE DIOGO PIRES AURÉLIO

«São muitas as razões que fazem deste livro uma obra singular, a menor das quais não é, certamente, o seu título: Ética Demonstrada segundo a Ordem Geométrica. Porquê Ética, se as questões do bem e do mal só aparecem na Parte IV, depois de as três primeiras especularem sobre ontologia, epistemologia, física e psicologia, e se, além disso, desde ainda antes da sua publicação, o livro foi sempre visto como um libelo ateísta, inspirado em Lucrécio e na forma como este encara “a natureza das coisas”?»
[Da Introdução]

«Penso que Espinosa tem de ser sentido como um santo. Penso que todos temos de lamentar o facto de não o termos conhecido pessoalmente, tal como deploramos não ter conhecido, pelo menos é o que me acontece a mim, Berkeley e Montaigne.»
[J. L. Borges]

«Espinosa é profundamente relevante para a discussão sobre a emoção e os sentimentos humanos. (…) A alegria e a tristeza foram dois conceitos fundamentais na sua tentativa de compreender os seres humanos e sugerir maneiras de a vida ser mais bem vivida.» [António Damásio, Ao Encontro de Espinosa]

«Pode dizer-se que todo o filósofo tem duas filosofias, a sua e a de Espinosa.» [Henri Bergson]

SOBRE O AUTOR:
Baruch de Espinosa nasceu em Amesterdão a 24 de Novembro de 1632, tendo sido um dos principais filósofos do século XVII, a par de Descartes e Leibniz.

Nasceu no seio de uma família judaico-portuguesa, oriunda da vila alentejana da Vidigueira e fugida às perseguições da Inquisição.

Recebeu dos pais o nome de Benedito de Espinosa, mas assinou Baruch em várias das suas obras, devido à sua condição de judeu nascido em Amesterdão. Acabou por adoptar o nome Benedictus, ou seja, a correspondente palavra latina, depois da excomunhão hebraica ditada pela sinagoga portuguesa de Amesterdão em 1656.

Espinosa foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de filósofos judeus, como Maimónides. Estudou Sócrates, Platão e Aristóteles, De Rerum Natura de Lucrécio, os epicuristas e o pensamento heterodoxo de Giordano Bruno.
Hermeneuta da Bíblia, Espinosa considerava-a uma obra metafórica e alegórica que não exprimia a verdade sobre Deus.

Opôs-se a todo o género de superstições, tendo-se notabilizado pela sua frase «Deus sive natura» («Deus, ou seja, a natureza»). Não admira pois que, da expulsão decretada em português pela sinagoga de Amesterdão, faça parte a imprecação de que «Deus jamais lhe perdoe os seus pecados» e que «a cólera e a indignação do Senhor o cerquem e para sempre se abatam sobre a sua cabeça».

Para subsistir, Espinosa trabalhou no polimento de lentes nas épocas em que viveu em casas de famílias de Outerdek e Rijnsburg. Recebia, contudo, corres- pondência de personalidades tão destacadas como o filósofo Leibniz, o médico Ludovico Meyer, Henry Oldenburg, da Royal Society, e o cientista holandês Huygens.

Luís XIV ofereceu-lhe uma pensão para que Espinosa lhe dedicasse um livro, o que ele recusou. Em 1670, Espinosa trocou Amesterdão por Haia, onde concluiu o seu Tratado Teológico-Político, que recebeu críticas dos poderes políticos e religiosos. Recusou o convite da Universidade de Heidelberg, para poder manter a independência de pensamento. Morreu no domingo de 21 de Fevereiro de 1677, vitimado por tuberculose.

Tinha 44 anos, e muitos anos depois o escritor Jorge Luis Borges haveria de dizer que era um dos homens com quem mais teria gostado de conversar. Ética teve publicação póstuma devida à dedicação dos seus amigos.

La social-démocratie (XIXe – XXIe siècles), Jean-Michel Dufays, https://www.youtube.com/watch?v=fIcDa-pourU

Vídeo indisponível

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Já ouviram falar em sensibilidade filosófica? Marcos Bazmandegan

Deleuze, nas suas aulas sobre Spinoza, apresenta-nos esta teoria que ele gostaria de desenvolver mais tarde e que considera fulcral no filosofar: do mesmo modo que há uma sensibilidade artística ou musical, através da qual alguém sente uma afinidade com um determinado artista ou músico, assim também algo semelhante acontece na filosofia.

Há filósofos que nos fazem vibrar, que nos fazem encontrar qualquer coisa de nós mesmos nos seus pensamentos, fazem-nos sentir em casa quando os lemos. Outros não nos dizem nada, não nos entusiasmam, não estabelecem nenhuma comunicação interior connosco.

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GILLES DELEUZE, O ÚLTIMO GRANDE SPINOZISTA | por Marcos Bazmandegan

Deleuze foi um filósofo original. A sua obra foi uma das mais importantes do século XX, não só porque reavivou o debate metafísico com a questão da Diferença e Repetição, como trouxe novos insights à Ontologia e à Ética. Acima de tudo, foi um grande spinozista. Considerou e apelidou Spinoza de “O Príncipe dos Filósofos”, título roubado a Aristóteles. No seu entusiasmo pelo pensamento de Spinoza, soube ser original, desenvolvendo questões que Spinoza apontou, trazendo-as para o centro da lide filosófica e existencial do terrível e difícil século XX.

O melhor comentário a um original é a produção de outro original, e por isso Deleuze repetiu Spinoza recriando-o, inovando-o, no mesmo espírito.

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Tratado Teológico-Político | Separar a Filosofia da Teologia, objectivo de Baruch Spinoza, por Marcos Bazmandegan

Ao escrever o seu Tratado Teológico-Político, Spinoza afirma que o seu principal objetivo com esta obra é separar a Filosofia da Teologia. Até então, a Filosofia era serva ou escrava (ancilla) da Teologia, isto é, a razão e o exercício da mesma estiveram condicionados pelos dogmas das diferentes instituições religiosas. A Filosofia estava refém de um conhecimento revelado e desenvolvido dogmaticamente, tido como superior, ao qual a razão devia submeter-se incondicionalmente.

Spinoza esforça-se por libertar a Filosofia desta servidão e deste compromisso teológico. Luta por uma filosofia comprometida somente com a própria razão e com o bem comum do ser humano. Spinoza quer a autonomia da razão, quer a autonomia da Filosofia.

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SPINOZA E NÓS | Gilles Deleuze, por Marcos Bazmandegan

Spinoza e nós é a questão que mais importa, isto é, a atualidade do pensamento de Spinoza para o nosso tempo, para pensar os nossos problemas contemporâneos. O spinozismo como força e instrumento de problematização do contemporâneo.

Por isso, Deleuze, no seu livro Spinoza: Filosofia Prática, dedica o último capítulo a este tema.

Mas este é o tema que sempre se renova e nunca cessa. É a questão aglutinadora de todo o Spinozismo contemporâneo, na política, na religião, nas artes, na psicologia, etc.

Nós também como contemporâneos de problemas de Spinoza, que ainda se colocam, que apesar das diferenças continuam os mesmos. Como passar da servidão à liberdade? Como construir uma vida feliz? Como pensar a religião na sociedade? Como organizar o coletivo em ordem à segurança e estabilidade? Como equacionar as liberdades individuais com a sustentabilidade do coletivo? Quais são os sistemas de servidão que nos ameaçam hoje?

Estas são algumas das questões desta grande temática que é o Spinoza e nós. A elas se dedicaram pensadores como Deleuze, Guattari, Foucault, Negri e tantos outros que sabem que o Spinozismo está vivo.

Spinoza tem um projeto teológico e um projeto Ético, por Marcos Bazmandegan

Spinoza tem um projeto teológico e um projeto Ético. Um repousa sobre o outro, um conduz ao outro. O projeto teológico de Spinoza é de uma teologia radical, que é delineada no Tratado Teológico-Político, mas é, sobretudo, na Ética que é apresentado com toda a sua potência. É uma teologia do terceiro género.

Da mesma forma que a teologia radical de Spinoza procura suplantar as teologias do primeiro género, teologias do medo e da esperança, assim também a ética spinozana procura suplantar uma moral do bem e do mal, rumo a uma etologia humana.

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COMISSÃO PARLAMENTAR | Relatório conclui não haver indícios de que Marcelo tenha traído a pátria | in DN/Lusa

15 maio 2024 às 18h41

O relatório da comissão parlamentar especial concluiu não existirem “quaisquer indícios da prática dos crimes de traição à pátria” ou coação contra órgão constitucional por parte do Presidente da República, ao contrário do que o projeto do Chega defendia.

“Uma vez que o Presidente da República não utilizou as suas funções, com ou sem flagrante abuso das mesmas, para usurpar outros poderes soberanos ou favorecer, de algum modo, qualquer Estado estrangeiro, nem praticou qualquer ato público ou privado com potencialidade de prejudicar a soberania do Estado português, e analisados os tipos penais invocados pelo Grupo Parlamentar Chega, concluímos não existirem quaisquer indícios da prática dos crimes de traição à pátria, coação contra órgão Constitucional ou similares”, pode ler-se na conclusão do relatório a que a agência Lusa teve acesso.

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A Ordem do Capital: A Tecnocracia é um projecto de classe | REPÚBLICA DOS PIJAMAS, ABR 15, 2024

O NOSSO CICLO DE ABRIL
Hoje, a República dos Pijamas inicia uma série de textos focados nos 50 anos da Revolução de Abril. Por isso, nas próximas semanas irás receber textos com mais frequência do que é o habitual. O objetivo desta série não é relembrar as conquistas de abril, mas usar o passado como um veículo de reflexão sobre o presente e futuro. As “reformas estruturais”, quer aquelas que a direita quer fazer para apagar o legado da revolução, quer aquelas que a esquerda deve fazer para o revitalizar são o centro desta série.

Iniciamos com um ensaio em torno do livro A Ordem do Capital, de Clara Mattei. Na primeira parte do ensaio, faremos a síntese da obra; na segunda parte refletimos o papel do a compreender a revolução e acontecimentos mais recentes na economia e política.

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Ética, Baruch de Espinosa | Tradução de Diogo Pires Aurélio, Edição bilíngue, 640 p.16 x 23 cm, ISBN 978-65-5525-173-9, 2024 – 1ª edição

Baruch de Espinosa, ou Spinoza (1632-1677), nasceu em Amsterdã, filho de pais judeus emigrados de Portugal. Aos 24 anos, por suas opiniões pouco ortodoxas, foi expulso da sinagoga da cidade e acabou se mudando para Haia, onde publicou duas obras em vida: os Princípios da filosofia de Descartes (1663) e o Tratado teológico-político (1670), este editado de forma anônima. Sua obra magna, a Ética demonstrada segundo a ordem geométrica, só veio à luz no final de 1677, após a sua morte, com a publicação, por amigos, das Opera Posthuma, tendo logo entrado para o Index da Inquisição.

Constituída de cinco partes — “De Deus”, “Da natureza e da origem da mente”, “Da origem e da natureza dos afetos”, “Da servidão humana, ou das forças dos afetos” e “Da potência do entendimento, ou da liberdade humana” — e abordando questões de ontologia, epistemologia, física e psicologia, a Ética acabou se tornando uma das obras mais influentes do pensamento ocidental, sendo debatida apaixonadamente até os dias de hoje.

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28-03-2014 | Helmut Schmidt juge “totalement compréhensible” l’action de Poutine en Crimée

L’ancien chancelier allemand Helmut Schmidt a déclaré mercredi qu’il comprend le comportement du président russe Vladimir Poutine dans la péninsule de Crimée.

Dans un entretien avec l’hebdomadaire allemand Die Zeit, Schmidt a qualifié de « totalement compréhensible » la signature de Poutine sur l’annexion de la Crimée à la Russie.

Il a en outre dit qu’ « il doute du fait que cette annexion soit une violation du droit international », comme le disent les Occidentaux.

Il a expliqué que « le droit international a été violé à maintes reprises, dont récemment l’intervention occidentale dans la guerre civile en Libye ».

Pour ce qui est de l’histoire de la Crimée, il a rappelé que « jusqu’au dans les années 90,  l’Occident n’avait aucun doute que la Crimée et l’Ukraine faisaient tous les deux partie de la Russie. Même les historiens ne sont pas tous d’accord sur le fait qu’il y ait une nation ukrainienne ».

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Dito e escrito em 12.05.2016, por José Pacheco Pereira, in Abrupto | Nota: subscreveria com convicção este texto – Vítor Coelho da Silva, em 18-02-2024

SURPRESA!

Desenganem-se que sou muito mais liberal do que socialista, mas sou sujeito a esse interessante anátema de que agora tudo o que não pertence a essa direita radical é socialista, pelo menos, quando não é esquerdista, radical, comunista, etc. Aliás, sobre o que disse no artigo que publiquei e que suscitou a fúria destes “liberais” (“Para a nossa direita radical o Papa é do MRPP”), nada é dito e percebe-se porquê: é que eles pensam mesmo que o Papa é do MRPP com aquelas histórias da “economia que mata…”

Sabem qual é a surpresa? É que no essencial continuo a pensar o mesmo e não me converti ao socialismo, a não ser à parte de socialismo que existe na social-democracia. 

http://abrupto.blogspot.com/2016/05/surpresa-desenganem-se-que-sou-muito.html

BARUCH SPINOZA | Tratado da Reforma do Entendimento

Baruch (de) Espinoza (em hebraico, ברוך שפינוזה), também referido como Baruch (de) Espinosa ou Baruch Spinoza[1][2] ou, ainda, na literatura em português, como Bento (de) Espinosa e, após o herem de 1656, como Benedictus de Spinoza [3] (Amsterdão24 de novembro de 1632 – Haia21 de fevereiro de 1677[4]foi um filósofo de origem judaico-portuguesa, nascido nos Países Baixos, filho de uma família perseguida pela inquisição, em Portugal, que se refugiara na Sinagoga Portuguesa de Amsterdão.[5][6]

Um dos primeiros pensadores do Iluminismo[7] e da crítica bíblica moderna,[8] incluindo das modernas concepções de si mesmo e do universo,[9] ele veio a ser considerado um dos grandes racionalistas da filosofia do século XVII.[10] Inspirado pelas ideias inovadoras de René Descartes, Spinoza se tornou uma figura filosófica importante da Idade de Ouro Holandesa. O nome de batismo de Spinoza, que significa “Bem-aventurado”, varia entre as diferentes línguas. Em hebraico, seu nome completo é escrito ברוך שפינוזה. Na Holanda, usava o nome português Bento.[11] Em suas obras em latim e em holandês, usava a forma latina desse nome, Benedictus.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;

Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem;

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El Estado nació de la violencia! Maquiavelo, Hobbes, Spinoza, Locke VII Filosofía moderna 08|T07E08

El estado nació de la violencia, de la necesidad de regular el caos y la anarquía. Así el estado se convierte en el único que puede ejercerla por el bien de los individuos. La filosofía política como la conocemos actualmente tiene sus orígenes en cuatro autores muy importantes: Maquiavelo, Hobbes, Spinoza, Locke. 0:00 Introducción 01:17 Maquiavelo 03:49 Hobbes 18:16 Spinoza 26:08 Locke 34:12 Repercusiones históricas 41:20 Resumen, qué leer y créditos

Spinoza. Wittgenstein. Freud. Um olhar em perspetiva | Marcos Bazmandegan

Ler Spinoza à luz de Wittgenstein: a grande questão de Wittgenstein pela existência de uma ordem a priori na natureza e se sim, qual. Todo o questionamento sobre a linguagem visava responder a esta pergunta. E a conclusão de que estamos presos à linguagem, que ela é miragem que nos possibilita conceber o inexistente, questionar pelo inquestionável. Wittgenstein deixa-nos uma chave de leitura para todas as proposições da Ética de Spinoza. Eis um caminho infindável de análise. Outro: Freud e o método psicanalítico. Outra chave, uma chave mestra. Com ela podemos ler o Spinoza e também o Spinoza lido depois de Wittgenstein, porque também podemos analisar Wittgenstein através dos olhos de Freud. E depois, analisar Freud e analisar a própria psicanálise freudiana à luz das suas relações com Deus, o judaísmo e o pai e voltar a Spinoza.

E se deitássemos Spinoza no divã de Freud? E se interpretássemos a sua vida e pensamento à luz do método psicanalítico? Qual seria uma possível leitura psicanalítica do seu Deus sive Natura, quando sabemos que Deus está relacionado com a figura paterna e a Natureza com a materna? Como compreender a rutura com o Judaísmo após a morte do seu pai e qual o impacto que a morte prematura da mãe teve no relacionamento com o feminino, na sua vida e na sua obra? Como compreender a sua atividade filosófica e a última parte da Ética através do conceito de sublimação? Como olhar para a Ética à luz do conflito interior paterno/materno e masculino/feminino?

Marcos Bazmandegan | 27-10-2023

“Espinosa foi um dos maiores filósofos de todos os tempos e três povos podem reclamá-lo como o seu maior: o neerlandês, o judeu e o português”

Com este seu O Segredo de Espinosa, José Rodrigues dos Santos dá-nos a conhecer um judeu português de Amesterdão cujo pensamento, maldito na época para muitos, foi revolucionário, sobretudo na forma de entender Deus. O romancista e jornalista respondeu por escrito ao DN, abordando tanto as origens do filósofo e o contexto cultural em que viveu, como o impacto das suas ideias e ainda o “grande crime” que foi a expulsão e perseguição dos judeus portugueses há 500 anos. Livro é lançado hoje às 17h na Sociedade de Geografia de Lisboa. | Leonídio Paulo Ferreira | 21 Outubro 2023

Bento Espinosa cresce na comunidade judaica portuguesa de Amesterdão no início do século XVII. Não existe qualquer dúvida de que a sua língua materna é o português? Tanto o pai, oriundo da Vidigueira, como a mãe, cuja família vivera no Porto, falavam português como língua do dia à dia?
O debate sobre as origens de Espinosa está encerrado. Durante muito tempo pensou-se que ele era espanhol, mas agora todos já sabemos que era português. Os judeus portugueses de Amesterdão falavam português em casa e na rua e os serviços religiosos na sinagoga eram conduzidos em português. Sendo portugueses, Espinosa e os seus pais e avós falavam todos português como língua materna. Existe até uma carta de Espinosa a um amigo neerlandês em que diz que se conseguiria explicar melhor se pudesse exprimir a sua ideia na sua língua materna. Ou seja, ele pensava em português.

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Marcelo Rebelo de Sousa | Conflito em Israel: “Ganha-se com o silêncio mais do que com o falar publicamente”

O Senhor Presidente falou bem. Esta afirmação é válida para todos os políticos, que deveriam conversar mais uns com os outros para encontrar soluções, e não para fomentar conflitos, com o péssimo hábito que existe de falarem constantemente criticando-se uns aos outros e fazendo “jogos de coreografia e berraria” que só agravam conflitos e adiam a resolução dos problemas. É feio e mau o que fazem diariamente à vista de todos e para todos. Calem-se e conversem, pensem no País. | (vcs), 19-10-2023

Pela reintrodução do Princípio da Incerteza nos parlamentos | por Carlos Matos Gomes

O princípio da incerteza é um dos aspetos mais conhecidos da física do século XX. Foi formulado pelo físico alemão Werner Heisenberg, em 1927 e tem sido muito utilizado para exemplificar a diferença entre a mecânica quântica das teorias físicas clássicas. Nesta, quando conhecemos as condições iniciais, conseguimos determinar o movimento e a posição dos corpos ao fim de um certo espaço de tempo, enquanto, segundo o princípio da incerteza da física quântica, não podemos medir a posição e o momentum de uma partícula com total precisão e quanto mais preciso for o conhecimento de um dos valores, menos sabemos do outro.

Ainda que o princípio da incerteza tenha a sua validade restrita ao nível da física, ao inserir valores como indeterminação e probabilidade no campo da análise de fenómenos físicos podemos aproveitá-lo para o estudo dos comportamentos das sociedades. Existe uma aceitação muito generalizada de que a História da humanidade tem um devir e uma racionalidade.

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Bento de Spinoza e Albert Einstein, em Nova Iorque, com a estátua da Liberdade ao fundo, por Marcos Bazmandegan

Esta imagem foi produzida por IA e foi-me cedida por Jorio Eduardo Maia. Ela representa uma conversa contemporânea entre Bento de Spinoza e Albert Einstein, em Nova Iorque, com a estátua da Liberdade ao fundo.

Ao lado, o símbolo do infinito e do tempo a servir de legenda para uma possível conversa sobre a temporalidade e o eterno.

Poderia ficar horas a olhar para esta imagem e a imaginar não só as conversas, mas também a analisar as atitudes de um para o outro. Primeiramente, admiração mútua. Depois, uma amizade fácil entre os que procuram a verdade e se guiam pela razão. Mas também um sem fim de afinidades de ordem pessoal, ambos descendentes de judeus, que em determinado momento das suas vidas se afastaram das práticas e crenças religiosas, sem com isso negar a sua pertença à civilização judaica. Depois a América, terra da liberdade e do livre pensamento, lugar natural e destino certo de ambos pensadores ávidos de liberdade individual. A estátua da Liberdade preside o encontro, ali podem falar e trocar ideias que muito poucos podem compreender profundamente.

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António Costa sugere um PRR permanente e reformas para tornar a UE num “grande edifício institucional” | in LUSA

O primeiro-ministro propôs esta sexta-feira reformas para tornar a União Europeia (UE) como um “grande edifício institucional”, onde todos participam usando “os espaços que desejam usar”, visando evitar bloqueios, e sugeriu um “Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) permanente” para enfrentar crises.

Em declarações aos jornalistas no final de uma cimeira europeia informal, realizada na cidade espanhola de Granada e focada em reformas institucionais para preparar a UE para desafios como o do alargamento e das migrações, o chefe de Governo indicou ter proposto aos seus homólogos a visão de uma União como “um grande edifício institucional”, no qual os países “só utilizam alguns dos espaços que desejam verdadeiramente usar”.

Certo é que, para “estruturar o futuro da União, todos têm de participar” no projeto europeu, acrescentou.

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FESTA DO AVANTE! | Miguel Esteves Cardoso

“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.

Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.

O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela – um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.

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Reflexão dominical | Sobre “diálogos” políticos

Verificamos que são constantes as críticas que os Partidos fazem às leis e decisões que os Governos implementam. É normal, é democrático, está previsto na Constituição a liberdade de opinar e criticar. Mas sempre que, e concretizando, os Partidos criticam e mesmo votam contra leis de quem está no Governo, deveria ser, ao menos moralmente obrigatório, apresentar medidas corretivas e/ou mesmo leis inteiramente diferentes.

E damos um exemplo recente: a atual Maioria do Parlamento votou e aprovou a chamada Lei “Mais Habitação”. Todos os Partidos votaram contra. Mas ainda hoje não nos deram a conhecer as suas propostas de decretos-lei que contrapropõem. Falam, gritam, estridentemente botam discursos com “palavras” feitas contra o que foi aprovado. Mas raramente dizem como fariam e/ou apresentam alternativas claras e completas.

Está mal, meus senhores. É anti-democrático na forma e no conteúdo e na atuação. E dão uma prova declarada de “má-fé”.

As estridências discursivas são ridículas. E hipócritas quando não são acompanhadas de imediato com soluções alternativas bem explícitas.

Ganhem maneiras, minhas senhoras e meus senhores Políticos. Sejam simplesmente democratas. E respeitem o Povo que vos elege.

Vítor Coelho da Silva | 03-09-2023

Soneto de todas as putas | Manuel Maria Barbosa du Bocage

SacoDeDinheiro-1

Não lamentes, ó Nize, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:

Dido foi puta, e puta d’um soldado;
Cleopatra por puta alcança a c’roa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua proa,

O teu conno não passa por honrado:

Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, ó Nize, duvidosa
Que isso de virgo e honra é tudo peta.

Bocage

De Goethe a Einstein, passando por Bergson e Freud, os maiores pensadores modernos afirmaram sua dívida para com aquele que consideram o maior dos filósofos: Baruch Spinoza

Frédéric Lenoir, philosophe et écrivain, consacre son dernier ouvrage à Baruch Spinoza. Il nous résume les clés de la pensée de ce grand théoricien, qui recommandait d’“user des choses, y prendre plaisir autant qu’il se peut”.

De Goethe à Einstein, en passant par Bergson et Freud, les plus grands penseurs modernes ont affirmé leur dette envers celui qu’ils considèrent comme le plus grand des philosophes : Baruch Spinoza, théoricien hollandais du XVIIe siècle. Exclu à 23 ans de la synagogue pour avoir proposé une lecture rationaliste des Livres saints, Spinoza a mené une existence modeste, refusant les rentes et gagnant sa vie comme simple polisseur de verre. À travers deux ouvrages majeurs – Éthique (Le Livre de poche) et Traité théologicopolitique (Allia) –, il a révolutionné notre vision du monde. Précurseur des Lumières, il est le premier penseur occidental à imaginer un État de droit fondé sur la séparation des pouvoirs politiques et religieux, et garantissant la liberté de conscience et d’expression des individus. Pionnier de l’exégèse historique et critique des textes religieux, ancêtre de la psychanalyse (il montre que nous ne sommes pas libres, car nous sommes mus, sans le savoir, par nos pulsions, nos désirs et nos émotions), c’est aussi un penseur moniste (Dieu et la nature ne sont qu’une seule et même réalité) dont la vision du divin rejoint celle des sages de l’Inde. Mais surtout, il est un véritable maître de vie qui propose une éthique fondée sur la connaissance de soi visant à nous conduire à la joie parfaite.

Dieu et la nature, un tout

Tout le système de Spinoza repose sur Dieu. Mais il redéfinit le concept de Dieu de manière rationnelle et philosophique : un être infini qui englobe la totalité du réel. « Tout est en Dieu » et il n’y a pas de dualité entre Lui et la nature (le cosmos entier). Cette conception moniste et immanente d’un Dieu impersonnel n’est pas sans rappeler celle de l’Inde et on a souvent qualifié de « panthéiste » la conception spinoziste du divin.

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Espinosa | O apóstolo da razão | Filme

 Nas palavras do Filósofo Bento de Espinosa: “A mente humana é parte do intelecto infinito de Deus.”

De origem judaica, Bento de Espinosa (1632-1677) nasceu em Amsterdã e teve como primeira formação os estudos sobre o hebraico, mais tarde teve acesso à leitura dos modernos, como BaconHobbes e, principalmente, Descartes. Ganhava a vida polindo lentes para telescópios e microscópios. Vivia com simplicidade, cercado por pessoas identificados com o seu pensamento. Recusou um convite para lecionar na Universidade de Heldelberg – e ter a folga financeira que o trabalho como polidor não permitia – para não renunciar à liberdade de pensamento.
Sua filosofia, classificada como racionalista, constitui um sistema estruturado, concebido segundo o método dedutivo, obtido da geometria. Entre suas principais obras figuram o Tratado teológico-político (1670), o Tratado da correção do intelecto (1622) e a Ética (1677).
O filme é uma produção da Tv Escola e faz um apanhado geral sobre a vida e a obra de Espinosa, para aqueles que queiram conhecer melhor o pensamento do filósofo é uma ótima oportunidade.

ESPINOSA | Tratado Político

«”Aqui jaz Spinoza, cuspam-lhe na campa”.
Nenhum filósofo foi tão digno. E nenhum tão execrado. Baruch Spinoza (1632-1677), judeu holandês de ascendência portuguesa excomungado e banido da comunidade judaica, o herege, o ímpio, o ateu condenado por todos os credos, é «o Cristo dos filósofos» (Deleuze).

Humilde polidor de lentes e filósofo solitário, escreve uma das obras máximas da história da filosofia: uma Ética, publicada a título póstumo, onde, sob a superfície da ordem das razões metafísicas exposta «segundo o método geométrico», corre um rio de fogo libertador, uma crítica prática da nossa servidão voluntária. Todo um culto filosófico das paixões alegres, toda uma ética da alegria, contra as paixões tristes que, afastando-nos do nosso poder, fazem essa servidão.

A pulsão prática da filosofia spinozista prolonga-se no Tratado teológico-político (1670), publicado como livro anónimo, e neste inacabado e também póstumo Tratado político, fundamentação ontológica de uma democracia radical, de um Poder afirmativo do «poder da multidão», de uma República de homens livres.»
Sousa Dias, Filósofo

Spinoza: No era panteísta | Dios o Naturaleza | VII Filosofía moderna 07 | T07 E07

En este video presentaremos una guía a la obra fundamental de Spinoza: la ética demostrada según el orden geométrico, expondremos su frase Dios o naturaleza, mostraremos cómo no era un filósofo panteísta así como su ética y teoría de los afectos.

0:00 Introducción 9:23 Ontología 24:23 Problema mente-cuerpo 27:13 Teoría del conocimiento 31:31 Ética y teoría de los afectos 36:49 La servidumbre humana 39:17 Intuición y amor a Dios 47:14 Qué leer y créditos

Para conocer los cursos y conocer más de este proyecto visita el sitio web: http://www.estamosfilosofando.com

TTP – 1cap – Sobre a Profecia ou Revelação – Tratado Teológico-Político – Spinoza – Parte 3/3

Neste vídeo concluímos a leitura e análise do primeiro capítulo do Tratado Teológico-Político, sobre a Profecia ou Revelação. Espinosa acaba por nos esclarecer sobre certos hebraísmos, particularmente o de “espírito de Deus”, mostrando que ele não significa nenhuma qualidade sobrenatural nos profetas. No próximo capítulo, dedicado aos profetas, tentará perceber que tipo de certeza os profetas tinham acerca do que diziam e de que modo eles consolidavam essa certeza.

TTP – 1cap – Sobre a Profecia ou Revelação – Tratado Teológico-Político – Spinoza – Parte 2/3

Neste vídeo vamos dar continuação ao assunto da Profecia ou Revelação. Espinosa depois de apresentar as diferentes modalidades da revelação – por palavras ou imagens -, reduzindo o conteúdo da comunicação divina a esses momentos, passa a analisar outras expressões importantes para compreender a extensão dessa mesma comunicação. Assim, ele analisa a palavra רוח (ruach), espírito, e os vários sentidos que a palavra apresenta nas Escrituras, de modo a fazer ver que quando se diz que os profetas tinham o espírito de Deus, não se pode deduzir daí que tudo o que tenham dito se tenha por revelado. Para isso chama a atenção dos seus leitores, a maioria cristãos, que para se entender as Escrituras, é preciso ter um conhecimento correto da língua hebraica e dos modos de falar dos hebreus, a fim de não se tirar conclusões precipitadas de certas afirmações. Espinosa também fala de Cristo-filósofo.

TTP – 1cap – Sobre a Profecia ou Revelação – Tratado Teológico-Político – Spinoza – Parte 1/3

Neste vídeo iremos dar início ao primeiro capítulo do Tratado Teológico-Político, que trata sobre a Profecia ou Revelação. Espinosa defende o conhecimento natural como divino e inclui-o na sua definição de Revelação. Contudo ensina que, enquanto este último tanto pode ser adquirido através do nosso raciocínio ou através da fé nas palavras de outrem, o conhecimento das coisas que ultrapassam o entendimento humano, das coisas sobrenaturais, só pode ser adquirido pela fé nas palavras de outrem, os profetas. Que valor terão as palavras deles? Isso será assunto do próximo capítulo.

Baruch Espinoza | Vida | in Wikipédia

A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como MaimónidesBen GhersonIbn EzraHasdai CrescasIbn GabirolMoisés de Córdoba e outros.

Também se dedicou ao estudo  de SócratesPlatãoAristótelesDemócritoEpicuroLucrécio e Giordano Bruno.

Ganhou fama pelas suas posições opostas à superstição: a sua frase Deus sive natura, “Deus, ou seja, a Natureza” é um conceito filosófico, e não religioso. Notabilizou-se também por ter escrito sua ética na forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza

Letter exchange between Bertrand Russell and Albert Einstein

Bertrand Russell and Albert Einstein had met from time to time, but they did not see much of each other except in the Autumn 1943, when they were both at Princeton University. Quickly becoming good friends, they would meet for weekend evenings for tea and tobacco at Einstein’s home to discuss “various matters in the philosophy of science.”

Contrary to popular belief, Albert Einstein was never on the faculty at Princeton, he occupied an office in the University’s mathematics building in the early 1940s while waiting for construction of the Institute for Advanced Study. By the early 1940s Bertrand Russell was nearly financially destitute form a combination giving away much of his inherited wealth and being dismissed by numerous universities for being “morally unfit”. However, in 1931 he inherited and kept his families earldom (Russell once joked that his title was primarily used for the purpose of securing New York City hotel rooms). In late 1943 Russell was invited to lecture on “Postulates of Scientific Inference” at Bryn Mawr College, and Princeton University. At Bryn Mawr College’s library Russell did much of the writing for A History of Western Philosophy (1945) which provided him with the needed financial security for the latter part of his life. Russell wrote in is his Autobiography:

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Espinosa – O Apóstolo da Razão | Completo

Benedictus de Spinoza (Amsterdã, 24 de novembro de 1632 — Haia, 21 de fevereiro de 1677), forma latinizada de Baruch de Spinoza , depois de ser excomungado pelo Judaísmo ,adotou o nome de Bento de Espinosa (português europeu) ou Benedito Espinosa (português brasileiro),e se auto intitulava “O Homem sem Superstições”.

Foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu nos Países Baixos em uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno e tambem representante do Panteísmo .

Conferência Prof. Marilena Chauí: “Espinosa e a criação do método crítico de leitura”

Conferência proferida pela Prof. Marilena Chauí na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, em 1/10/2018.

Evento organizado pelo Laboratório de Estudos de Linguagem e Práticas de Tradução – LELPraT, da EFLCH/Unifesp.

O que é o Deus de Spinoza? E por que Einstein o admirava?

O Deus de Spinoza (e de Einstein): Panteísmo, Panenteísmo ou Ateísmo? Uma conversa a partir do “Tratado Político-Teológico” e da “Ética” do filósofo iluminista Baruch Spinoza (ou Espinosa), em conexão com as declarações de Albert Einstein acerca de Deus e da Religião.

Leitura indicada: Ética (Baruch Spinoza) – https://amzn.to/3zjY9Ml

Como vejo o mundo (Albert Einstein) – https://amzn.to/3xhpkFL

A CAUSA DE SI E DE TODAS AS COISAS, Fernando Dias Andrade | Baruch Spinoza | Deus, Natureza, Liberdade, Bíblia e Conatus, Professor Daniel Gomes | QUEM SOMOS NÓS? | Baruch Espinoza, por Clóvis de Barros Filho

Quem é o Deus de Baruch Espinoza? Segundo o próprio filósofo holandês, é a causa de si e de todas as coisas. Hoje, o professor de história e filosofia da Unifesp, Fernando Dias Andrade, explica para nós, aqui na Casa do Saber, todos os conceitos por trás desse pensamento antiteólogo do pensador.

De seguida, Professor Daniel Gomes + Clóvis de Barros Filho

A propósito de manifestações e da vitória de Pirro | por Carlos Matos Gomes

Os governos europeus são hoje instrumentos das oligarquias americanas, sem excepção que se possa apontar. Em Inglaterra, que desde o governo Tatcher é o consulado geral dos EUA na Europa, está deliberadamente instalado o caos antes da imposição (natural) de uma nova ordem para criar uma sociedade que se antevê disfuncional como a dos EUA.

Porque vamos às manifestações? A pergunta coloca duas questões, uma de ação individual e imediata: pelo sentimento de estarmos a ser mal retribuídos, mal servidos, agredidos e logo exigimos aquilo a que entendemos ter direito! Outra de ordem geral, coletiva, de médio e longo prazo, de reflexão sobre as consequências do tudo e já na nossa sociedade. Em princípio todo o assalariado tem razões para se manifestar, mas os resultados não são idênticos para todos, os elementos que obtêm maior sucesso com as reivindicações são os pertencentes às corporações que prestam serviços de maior relevo social, técnicos de setores críticos. A satisfação destas corporações causa réplicas noutras, criando uma espiral do agravamento das desigualdades e causando a médio e longo prazo o enfraquecimento do Estado, que apesar das suas debilidades perante os poderes fáticos das oligarquias financeiras, ainda é o que resta aos cidadãos como local de expressar a sua vontade.

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Silêncio! Silêncio! Silêncio! | Leonardo Haberkorn, jornalista e académico uruguaio

O jornalista e académico uruguaio Leonardo Haberkorn, desistiu de continuar a dar aulas do curso de “Comunicação” na Universidade ORT de Montevideu, através desta carta que comoveu o mundo da Educação:

“Depois de muitos anos como professor universitário, hoje dei aula na faculdade pela última vez. Estou cansado de lutar contra telemóveis, WhatsApp e Facebook. Eles venceram-me. Eu desisto. Eu atiro a toalha ao chão. Cansei-me de falar de assuntos pelos quais eu sou apaixonado, para rapazes e raparigas que não conseguem tirar os olhos de um telemóvel que não pára de receber selfies.

É verdade que nem todos são assim, mas há cada vez mais a ficar assim. Até há três ou quatro anos, o apelo para deixar o telemóvel de lado por 90 minutos – nem que fosse só para não ser desrespeitoso – ainda teve algum efeito. Já não o está a ter. Pode ser que seja eu que me tenha desgastado demais neste combate, ou que esteja a fazer algo de errado.

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“A política é a luta pela felicidade humana” | Pepe Mujica

Não há nada melhor que me possam oferecer do que uma grande inspiração. Viver inspirado não tem preço, é a maior riqueza que podemos ter, é ter um motor de combustão para a felicidade em estado puro.

Eu lembro-me da primeira vez que o conheci. Foi em 2016. Eu tinha sido convidado para fazer parte de um painel que iria comentar, num cinema da Casa das Artes no Porto, o documentário “Human” de Yann Arthus-Bertrand. Talvez o melhor documentário que já vi na vida (está disponível no Youtube). Chorei, ri-me, mas acima de tudo, senti. Senti isso que nem sem sempre sabemos bem o que é: ser, humano. Ainda para mais, foi na antevéspera da minha ida para a Rep. Centro-Africana em missão. Depois desta injecção poderosa de humanismo era impossível partir mais inspirado. Todo o documentário nos apresenta pessoas, na sua maioria ilustres desconhecidos, absolutamente inspiradoras, mas houve um que se tornou um dos meus “gurus espirituais” até hoje: Pepe Mujica.

“Se não és feliz com pouco, não és feliz com nada.”

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O suicídio da social-democracia — onde está a Internacional Socialista? | Carlos Matos Gomes

Minhas amigas e meus amigos, com antecipadas desculpas por este texto fora de moda e de época. Os tempos de celebrações são de esquecimento e despreocupação. O mundo andará sem nós. Não parece fazer sentido falar da morte ou da hibernação, ou da hasta mais ou menos pública, ou de OPA mais ou menos hostil,  de uma certa ideia de governo dos povos, simpática, por sinal, e agradável, como é, ou foi a social democracia europeia no pós-guerra. 

Dentro de dias teremos um ano novo no calendário. O impasse em que estamos não terminará com a mudança de folha. Os meus desejos sinceros de Bom Ano Novo não têm, infelizmente, o poder de alterar a realidade. Este texto não apresenta boas notícias, e não é por eu ser um pessimista, mas porque estou como o homem velho no cimo da montanha de que falava Nietzsche em Assim Falava Zaratustra, vejo os vales e as nuvens no horizonte. Um Bom Ano e desculpem o incómodo. Há com certeza leituras mais animadoras e mais adequadas à época. Que raio de lembrança: a cataplesia da social-democracia no Natal!

Mas, boas festas para todos.

Carlos Matos Gomes


As burguesias: industriais, proprietários de bens de raiz, de rendimentos palpáveis, comerciantes regionais, altos funcionários foram o motor das sociedades capitalistas e demoliberais que tomaram o poder na Europa após as revoluções dos séculos XVIII em França, na Inglaterra e na Alemanha e no século XX na Rússia. Foram as classes médias europeias (as burguesias) que decidiram o colonialismo para se apropriarem das matérias-primas de África e que estiveram na origem de duas guerras mundiais.

O colonialismo e a Segunda Guerra estão na raiz da atual ordem no mundo. O colonialismo resultou das necessidades de matérias primas pela indústria da revolução industrial e a Segunda Guerra resultou das respostas das burguesias nacionais aos movimentos operários (os camponeses transformados em operários — proletários) que geraram o complexo fenómeno que por facilidade designamos comunismo. O nazismo foi uma resposta ao comunismo, a outra foi a social-democracia — os católicos referem a democracia cristã e a encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII e publicada em 1891, mas esta é mais uma “orientação” para limitar a exploração gerada pelo liberalismo capitalista do que para alterar a ordem social e a hierarquia das classes.

(Adivinho o comentário: compara o nazismo à social-democracia! — não, o que quero dizer é que o mesmo problema (no caso a revolta dos proletários) pode originar diferentes soluções políticas e que reconhecer a diversidade de opções é a base do pluralismo. Depois há soluções melhores, piores e péssimas.)

Partindo desses pressupostos, chegamos ao artigo de Alexis Corbiére no Nouvelle Observateur, L’Obs para os amigos e ao artigo de Novembro: Porque não sou social-democrata.

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Avram Noam Chomsky | por El Centenario Y La Literatura

No dia 7 de dezembro nasce Avram Noam Chomsky, um linguista, filósofo, politólogo e ativista americano de origem judaica. É professor emérito de linguística no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e uma das figuras mais destacadas da linguística do século XX, graças aos seus trabalhos em teoria linguística e ciência cognitiva.

Também é reconhecido pelo seu ativismo político, caracterizado por uma forte crítica ao capitalismo contemporâneo e à política externa dos EUA. Ele é considerado um pensamento socialista libertário. O New York Times chamou-o “o mais importante dos pensadores contemporâneos”.

Propôs a gramática generativa, disciplina que colocou a sintaxe no centro da pesquisa linguística. Com isso mudou a perspectiva, programas e métodos de pesquisa no estudo da linguagem. Sua linguística é uma teoria da aquisição individual da linguagem e tenta explicar as estruturas e princípios mais profundos da linguagem. Postulou um aspecto bem definido de inatismo na aquisição da linguagem e da autonomia da gramática (sobre os outros sistemas cognitivos), bem como a existência de um «órgão da língua» e de uma gramática universal.

Opôs-se fortemente ao empirismo filosófico e científico e ao funcionalismo em favor do racionalismo cartesiano. Todas estas ideias colidiram frontalmente com as tradicionais das ciências humanas, o que fez múltiplas adesões, críticas e polêmicas que acabaram por o tornar um dos autores mais citados. Destaca a sua contribuição para o estabelecimento das ciências cognitivas a partir da sua crítica ao comportamento de Skinner e das gramáticas de estados finitos, que pôs em causa o método baseado no comportamento do estudo da mente e a linguagem que dominou nos anos Cinquenta.

Sua abordagem naturalista no estudo da linguagem influenciou a filosofia da linguagem e da mente (veja Harman e Fodor). É o descobridor da hierarquia de Chomsky, uma classificação de linguagens formais de grande importância na teoria da computadores.

Também é conhecido pelo seu ativismo político e pelas suas críticas à política externa dos EUA e de outros países, como Israel. Chomsky, que dissocia completamente a sua atividade científica do seu ativismo político, descreve-se como simpatizante do anarcosindicalismo (é membro do sindicato IWW). Chomsky é considerado uma figura influente no seu país de origem e no mundo.

Retirado do Facebook | Mural de El Centenario Y La Literatura

A decadência da sociedade ocidental | por António Jorge

A Europa Ocidental, é hoje uma realidade sem futuro, por ser um tipo de sociedade desumana que é dirigida por mentirosos e psicopatas políticos-sociais criminosos ao serviço de quem os usa.

A palavra Democracia tão abusivamente utilizada, é apenas propaganda feita para iludir e enganar idiotas e propagandistas pagos pelo sistema.

Só não vê quem não quer… onde está o futuro… que não se vê… mesmo com óculos graduados?

– Basta-nos ver o que não devíamos ter de ver… os programas televisivos idiotizados, vazios de interesse cultural e social, para perceber a realidade a que chegamos.

Não se trata de um desabafo circunstancial… ou de critica política, nem de uma noite mal dormida… Não tive nenhum pesadelo… mas acordado e a pensar que tipo de sociedade é esta?

Empurram-nos para a guerra, sem ninguém se meter com nós e justificado por traições e mentiras feitas contra os povos da Europa Ocidental, através de comissários políticos que ninguém elegeu em nome do povo ordeiro… que como carneiros seguem a caminho do matadouro e enganados por tanta mentira sórdida à solta.

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A Europa de Braudel e a Europa da Casa Branca | por Carlos Matos Gomes

Falar de Europa é forçosamente confrontarmo-nos com o problema dos dez últimos séculos da história do planeta: do domínio do mundo por um continente tão minúsculo. (…) Dir-se-á que a Europa foi genial, mais genial do que a humanidade não europeia, que a sua técnica foi superior às outras, que a sua agressividade foi mais eficaz, que a sua economia foi mais dinâmica… Mas estas afirmações limitam-se a formular o problema. (Formular os problemas é o que a maioria dos comentadores do espaço público tem feito, os melhores, a maioria limita-se a proferir ladainhas.)

A afirmação a itálico é de Fernand Braudel (1902–1985), um dos nomes maiores da historiografia do século xx, diretor da coletânea de textos reunido no livro «Europa», Terramar, 1996, num artigo intitulado: «A Europa conquista o planeta.» Nos círculos do pensamento único, Braudel seria hoje proscrito como um russófilo, um capacho de Putin.

Que resposta dá Fernand Braudel para o papel da Europa nos últimos dois mil anos?

“Há séculos que a Europa ultrapassou os obstáculos fantásticos da geografia e da dimensão, rompendo os seus «limites naturais». Voltada ao mar e o oceano, muito cedo se tornou num continente «sem margens»: conquistou, dominou os caminhos sem fim da água marinha. E, vista através das suas imagens essenciais de poderio, a Europa é acima de tudo, há séculos, os navios, as frotas que saem dos seus portos ou a eles regressam.

A proeza é a mesma, na verdade, do lado da densidade das terras, rumo à imensidão asiática. A Europa é, por vezes, de acordo com juízos apressados, confinada aos limites orientais da Polónia, mas isso não passa de uma opinião insustentável, isto porque, após o século XVIII, ela anexa de facto as florestas, as planícies, os pântanos, os cursos de água, as cidades, os povos da Rússia, até aos montes Urales, como diziam os velhos. […] Assim, podemos sustentar que uma certa Europa se espraia, sem perder o fôlego, através da imensidão da Sibéria, até Vladivostoque. A Rússia, Europa por si só, filha de Bizâncio e da Grécia, inventou a Sibéria, tal como o Ocidente inventou a América.

Rússia, Sibéria, América esboçam as superfícies essenciais da explosão da Europa através do mundo. São, por excelência, as zonas do seu enraizamento, da sua permanência.”

Braudel, escreveu este artigo antes da subida ao poder de Gorbachev (1985) que prenunciou a dissolução da URSS (1991) e a queda do Muro de Berlim (1989). Para ele, como para os políticos e intelectuais europeus que após a II Guerra Mundial reconstruíram a Europa e idealizaram uma Europa do Atlântico a Vladivostoque — que integrasse as planícies, os pântanos, os rios para além da Polónia, a Ucrânia, de hoje, a Rússia era Europa “ Numa dada igreja do Kremelim com quadros mais que familiares: o Juízo Final, Jonas a sair do ventre da baleia, as trombetas de Jericó…”

Aos pais fundadores da Europa do pós-Segunda Guerra, da reconstrução sempre atentamente controlada de perto pelos Estados Unidos, esses sim, uma criação da Europa e não um elemento dela, sempre foi clara natural a pertença da Rússia ao seu mundo civilizacional, à sua cultura e à sua história. Construir uma Europa com a Rússia era um objetivo estratégico do mais alto alcance, e mereceu sempre a oposição declarada dos EUA, para quem a Europa seria uma província sua, uma velha quinta de família, uma base contra a Rússia, dentro da sua estratégia de novo império em afirmação.

Os Estados Unidos foram controlando com desconfiança e sabotando sempre que puderam e através do Cavalo de Troia da Inglaterra o processo de União Europeia e de integração da Rússia nesse projeto. O ponto de rutura — escamoteado — dos EUA com este projeto ocorre com a dupla Reagan- Tatcher, com a criação do mercado global (a inclusão da China na Organização Mundial do Comércio, que substituiu o acordo geral de taxas e comércio — GATT), com a utilização da China para enfraquecer a Europa através da deslocalização da sua indústria para a Ásia, pela recusa em aceitar uma política comum de defesa europeia, de um mercado comum de energia e de comunicações.

A criação da União Europeia, em substituição da Comunidade Económica Europeia (Tratado de Maastrich — 1993), dotando a União de objetivos políticos para além de um mercado comum, violou as linhas vermelhas estabelecidas pelos ocupantes da Casa Branca de Washington para a Europa. Uma violação que se agravou com a criação do Euro (1999) e, por fim, com o Tratado de Lisboa de 2009.

É curioso notar que o Reino Unido procurará sabotar o processo de criação de uma União Europeia em todas as fases e momentos. Foi sempre essa a sua missão, ao serviço dos EUA (uma tarefa de sapador que De Gaulle percebeu desde o início, impedindo que a Inglaterra entrasse para o clube fundador). A Inglaterra, com Tatcher e depois com Tony Blair, colocará entraves a todas as medidas integradoras das políticas europeias, arrastará a Europa para as intervenções americanas no Médio Oriente, para o desmembramento da Jugoslávia, para o apoio à ocupação da Palestina e a ocupação dos campos de petróleo da Líbia. Mas, principalmente através de Blair, os ingleses promoveram a chamada política do “sapo fumador” para rebentar com a União Europeia, propondo sucessivas e rápidas integrações dos estados do Leste que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia e ao Comecon (caso da Hungria, da Polónia, da Checoslováquia, da Roménia, dos Estados Bálticos), violando o acordo estabelecido pelo “Ocidente” (Estados Unidos) com Gorbachev de não os incluir nem na UE, nem na NATO. O alargamento da UE de forma indiscriminada e incluindo membros sem atributos que cumprissem as regras estabelecidas para a ela pertencerem, a violação de acordos foram o “trabalho” da Inglaterra neste processo, onde se distinguiu Blair. Terminado o “trabalho” de sabotagem a Inglaterra podia voltar à servidão dos EUA, e provocou o Brexit.


Nas causas longínquas da atual guerra na Ucrânia encontramos uma violação de acordos estabelecidos pelos EUA com a Rússia, que antecedem a recusa ou a violação dos recentes acordos de Minsk por parte do atual regime da Ucrânia suportado pelos EUA. A justa guerra do Ocidente começa com duas faltas de palavra!


Também não deixa de ser revelador da estratégia dos EUA de implosão da UE, de que a guerra na Ucrânia parece ser o ato final e o toque de finados, que os presidentes da Comissão Europeia, a partir da sua constituição tenham sido duas figuras tão medíocres e submissos quanto o italiano Romano Prodi (1999–2004) e Durão Barroso (2004–2014) o rececionista da Cimeira das Lages, a vergonhosa encenação para justificar a invasão do Iraque, pago por esse papel com o lugar em Bruxelas, arranjado por Blair. Estas duas tristes personalidades substituem políticos do gabarito de Jacques Dellors, por exemplo. Para a última fase da implosão da UE foi selecionada uma belicista para fazer coro com o secretário-geral da NATO.

A Europa vista pelos olhos dos políticos europeus do pós-Segunda Guerra, pelos olhos dos historiadores europeus, dos seus pensadores continentais é a Europa de Braudel, a Europa que inclui a Rússia e Sibéria, mas também o Mediterrâneo. O «Mediterrâneo», que numa obra clássica Braudel apresentou como uma personagem da História, tal como a Europa e que é visto por ele como personagem ou protagonista, ativo e até determinante da própria História. É um Mediterrâneo do comércio, dos intercâmbios económicos, de deslocamentos demográficos de sucessivas migrações dos povos. A União Europeia seria mais do que um simples apêndice dos EUA e para isso incluiria naturalmente a Rússia. Essa Europa deveria tornar-se uma entidade autossuficiente e, mais que isso, um centro de poder decisivo no mundo. Um concorrente que os EUA não podem admitir e que castraram antes de se desenvolver.

Essa Europa, como o império romano, morreu por traições internas e às mãos dos bárbaros que lhe introduziram o Cavalo de Troia.

É triste, mas é a realidade, verificar quanto a propósito dos tempos que vivemos os que podiam utilizar os instrumentos do saber adquirido ao longo da história, dos pensadores e historiadores substituíram o pensamento por provas e teses de doutoramento, a reflexão por uma ida à televisão, a independência intelectual por um convite a uma conferência. Estão no mercado, justificam-se uns, são moralistas, dizem outros e estão do lado do Bem, os invasores subtis do Oeste contra os invasores de Leste, os Maus.

Há europeus que tinham da Europa a visão de Braudel — perderam. Há europeus que preferiram a da Casa Branca, ganharam, a sua Europa será um dos vários exemplos de sucesso deixados pelos americanos aos seus vassalos depois de os utilizarem, do Vietname ao Afeganistão, passando pelo Iraque, pela Líbia, pelas repúblicas bananeiras da América do Sul…

Carlos Matos Gomes

Espinosa | Segunda Edição das “Obras Completas” em França | in Pléiade

A Pléiade, a mais considerada e prestigiada colecção em França, re-edita as obras completas do nosso Bento de Espinosa. Esta reedição (a primeira edição data de 1954) não é, contudo, uma cópia da anterior. É totalmente nova e inovadora.

Espinosa é filho de portugueses que se fixaram nos Países Baixos, fugindo às odiosas e bárbaras perseguições da Inquisição aos suspeitos de judaísmo. O seu mestre foi o filósofo português Uriel da Costa, também fugido aos mesmos esbirros. A sua língua materna era o português. E, no entanto, o criador da ideia filosófica de Liberdade e um dos grandes filósofos (senão, mesmo, o maior) da história da Europa continua a não ter as suas obras completas disponíveis na sua língua materna. Uma lacuna sem perdão… E uma falha terrível e muito lamentável no “softpower” de Portugal.

Libération: Spinosa, «ami du genre humain» mutant

Le philosophe d’Amsterdam voit ses œuvres complètes publiées une deuxième fois dans la Pléiade. Soixante-huit ans après la première édition, l’auteur de «l’Ethique» apparaît encore plus radical, à la lumière des lectures et exégèses menées depuis.

Est-ce fréquent qu’une prestigieuse collection – une institution – accueille en son sein, par deux fois, les œuvres complètes d’un même auteur ? C’est le cas de Spinosa, qui fait son entrée dans la bibliothèque de la Pléiade déjà en 1954, dans la version de Roland Caillois, Madeleine Francès et Robert Misrahi, et qui s’y retrouve de nouveau aujourd’hui, dans une édition impeccable (incluant, outre tous les textes évidemment, la Correspondance et le plus rare Précis de grammaire de la langue hébraïque), publiée sous la direction de Bernard Pautrat.

Si on ne peut voir là un doublon, c’est qu’il ne s’agit pas du même Spinosa, au sens où, en soixante-dix ans, il a totalement muté sous l’effet de l’«abondance inhabituelle» de lectures et d’exégèses qui ont été faites de son œuvre. Un seul exemple, le Traité politique: il a été longtemps «négligé, voire méprisé par les éditeurs, traducteurs, et même les doctes», alors qu’est évidente sa «fécondité subversive», insupportable à ceux qui n’aiment ni la vérité ni la liberté.

D’une certaine manière, c’est un Spinosa plus «radical» qui est apparu, dont la pensée s’avère irréductible à des formules «percutantes et faciles à retenir» : «philosophe de la joie», «conatus», «persévérer dans son être», «passions tristes», etc. Une pensée construite comme l’ingénieur construit une machine complexe, qui exige qu’on ne «saute» aucun rouage, aucune transition, aucun raccord, si on veut comp …..

https://www.liberation.fr/culture/livres/spinoza-ami-du-genre-humain-mutant-20221116_4UUXRZ3YJJFKVCKW4LS4MYPWWM/?fbclid=IwAR3o5YE3JJyduMu2rhzRZPWMUxN94c-SSFoMVgyOKafXbUODkLDicveU45E

Retirado do Facebook | Mural de José Mateus

A crise na Ucrânia não é sobre a Ucrânia; é sobre a Alemanha | Mike Whitney | 31 de Outubro de 2022

Retirado de https://Geopol.pt

Artigo de 11 de fevereiro de 2022, duas semanas antes da invasão russa da Ucrânia

Por Mike Whitney

Aí está, preto no branco: A equipa de Biden quer “levar a Rússia a uma resposta militar” a fim de sabotar o Nord Stream


Acrise ucraniana não tem nada a ver com a Ucrânia. Trata-se da Alemanha e, em particular, de um gasoduto que liga a Alemanha à Rússia chamado Nord Stream 2. Washington vê o gasoduto como uma ameaça à sua primazia na Europa e tem tentado sabotar o projecto constantemente. Mesmo assim, o Nord Stream avançou e está agora totalmente operacional e pronto a ser utilizado. Assim que os reguladores alemães fornecerem a certificação final, as entregas de gás terão início. Os proprietários e empresas alemãs terão uma fonte fiável de energia limpa e barata, enquanto a Rússia verá um impulso significativo nas suas receitas de gás. É uma situação vantajosa para ambas as partes.

O establishment da política externa dos EUA não está satisfeito com estes desenvolvimentos. Eles não querem que a Alemanha se torne mais dependente do gás russo porque o comércio constrói confiança e a confiança leva à expansão do comércio. À medida que as relações se tornam mais quentes, mais barreiras comerciais são levantadas, os regulamentos são flexibilizados, as viagens e o turismo aumentam, e uma nova arquitectura de segurança evolui. Num mundo onde a Alemanha e a Rússia são amigos e parceiros comerciais, não há necessidade de bases militares dos EUA, não há necessidade de armas e sistemas de mísseis caros fabricados pelos EUA, e não há necessidade da NATO. Também não há necessidade de transacções de energia em dólares americanos, nem de armazenar os tesouros americanos para equilibrar as contas. As transacções entre parceiros comerciais podem ser conduzidas nas suas próprias moedas, o que irá precipitar um acentuado declínio no valor do dólar e uma mudança dramática no poder económico.

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A Liberdade do Herman | por Carlos Matos Gomes

Escrevi sobre a genialidade de Herman José e referi um extraordinário sketch em que ele desmonta a farsa dos comentadores de televisão e da manipulação que está a ser produzida sobre a guerra da Ucrânia. Esses “nacos informativos” são atentados reais à liberdade dos cidadãos, na medida em que foi instaurada a censura e sobre duas formas, uma, direta, proibindo a informação de uma das partes envolvidas, e outra, mais perversa, através da imposição do pensamento único, do silêncio, da intimidação dos que não seguem a verdade oficial.

O texto provocou, felizmente, vários comentários, alguns deles sobre a curta lista de génios que eu estabeleci para mim, acrescentando outros, casos de Almada Negreiros, Paredes, Siza Vieira, Saramago, Eça. Tenho por todos os nomeados admiração, mas Herman é, para mim, diferente, não só porque ele abriu novos caminhos, deu novas expressões à arte de representar, mas fundamentalmente porque penetrou em camadas da sociedade mais resistentes à mudança, aos de muita baixa literacia, de pouca instrução escolar, aos integristas religiosos, tanto quanto no grupo dos mais privilegiados e convencidos. Ele rompeu a muralha construída ao longo de séculos de obscurantismo religioso, cultural, de violência política, de hierarquias sociais, de ideias feitas sobre a epopeia portuguesa. Ele, sozinho e com a sua equipa, foi o Monty Python da sociedade portuguesa, sendo certo que esta não é dotada do sentido de humor e de autocrítica da inglesa e os ingleses têm uma longa tradição de produção teatral que não se resume a Shakespeare.

Herman conseguiu com o seu génio e com o seu prestígio abrir uma fenda nas muralhas do conservadorismo de antigo regime em que Portugal vivia (e em parte vive) e abrir a sociedade à liberdade de questionar os tabus. Reveja-se o Herman Enciclopédia.

Essa subversão que Herman promoveu é hoje inaceitável pelos poderes instituídos. Essa subversão é e está a ser sufocada pela mediocridade acrítica e até quase pornográfica de programas do tipo Big Brother, de telenovelas de enredo de cordel e de muita bola, de informação formatada pelas agências de comunicação e pelos lóbis dos negócios e das corporações.

Dirão os crentes e adeptos do pensamento único: existe pluralidade de informação, pois em Portugal estão no ar três estações de TV, cada uma com vários canais e todos os portugueses podem escolher. É um sofisma primário. Como dizer que uma centopeia pelo facto de ter cem patas tem uma maior opção de escolha do que uma galinha, que só tem dois. Na realidade o que se verifica é que estamos caídos na velha expressão de democracia de Henry Ford quando lançou o Ford T: os clientes são livres de escolher a cor, desde que seja preto. Os mesmos fornecedores de doutrina, como os antigos caixeiros viajantes, circulam com a mesma mercadoria entre jornais, rádios e televisões.

Um pouco de história. A SIC, a primeira estação privada, começou a emitir em 1992, pertencia e pertence ao grupo Impresa, do milionário Francisco Balsemão, proprietário do Expresso, o semanário mais influente na sociedade portuguesa. O seu primeiro diretor foi Emídio Rangel, um jornalista da liberdade e da responsabilidade. A TVI começou em 1993, propriedade da Igreja Católica através da União das Misericórdias e de outros acionistas a ela ligados.

Os grandes momentos de Herman José na televisão, de pluralidade e crítica politica e social, decorreram até ao ano de 1997, na RTP, com a «Herman Enciclopédia». Pelo meio decorreu uma polémica de tentativa de imposição de censura a propósito de episódio sobre a Última Ceia, que Joaquim Furtado repeliu.

Talvez seja coincidência, mas em 1997 a Media Capital, do milionário Pais do Amaral, torna-se acionista de referência da TVI, que passara da Igreja para um grupo colombiano e mais tarde para a Prisa, o grupo espanhol que entra no capital. A TVI passa a ser uma estação populista — isto é, defensora de um regime de lucros e poderes oligárquicos nacionais e internacionais, sob a capa de uma grande liberalidade de costumes e de cultura de massas. O típico truque de colocar uma pin-up na capa e defender os lucros dos grandes grupos e a hierarquia de classes dos tabloides ingleses. Emídio Rangel saiu da SIC em 2001, em conflito com Balsemão, que queria transformar a estação num instrumento de domínio político com audiências populares através do pograma de intimidades Big Brother, que foi transformado em santo milagreiro da TVI.

Na atualidade, no novo espetro de aparente diversidade da oferta, as televisões venderam e vendem todas o mesmo produto ideológico — de que as longas temporadas de cometário político conservador a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes, ou de Paulo Portas e a avassaladora presença do futebol são prova. A política reduzida aos golpes baixos, ao boato e à calhandrice e muita bola!

Desta “ordem unida”, e desta barreira contra a critica e a verdadeira pluralidade, escapava o programa Contra-Informação, um formato derivado dos Spitting Image da ITV britânica e no Guignols de l’info do Canal+ francês, mas que não resistiram à uniformização e ao respeitinho que é muito bonito do cavaquismo e terminou em 2010.

Herman foi deixado à sua sorte, isto é, os poderes empurraram-no subtilmente para as margens, negando os meios para os programas que ele poderia fazer e substituindo-os por “coisas” de baixo custo e baixa qualidade, até quase desaparecer, remetido ao circuito de festas e romarias pela província. A versão neoliberal da democracia não o tolera. Ao Herman José, os patrões das televisões preferem uns animadores esforçados que esbracejam e gritam em cima de palcos improvisados acompanhados por umas moças de carnes exuberantes.

Esta escolha das Tvs e dos seus espetadores não é a bem do povo, não é dar ao povo o que o povo quer ver e ouvir (quis ver e ouvir Herman), mas é sim um revelador da decadência da nossa exigência democrática, da aceitação passiva do apodrecimento cultural em que vivemos resignadamente. Revela que estamos como o burro da frase de velha sabedoria: comemos palha, basta que no-la saibam dar. E «eles» sabem! E sabem que programas como os de Herman lhes dificultavam a tarefa.

Carlos Matos Gomes | 31-10-2022

“UCRÂNIA – É IMPERIOSO SAIR DA CAIXA” | por Francisco Seixas da Costa

Os trinta democratas liberais no Congresso dos EUA leram Francisco Seixas da Costa


É nos Estados Unidos que reside a chave de um eventual novo tempo neste processo, pelo que compete aos europeus lembrar-lhes que é só deste lado do Atlântico que, por agora, continua a guerra.

A História mostra que, para pôr termo a um conflito, ou se derrota totalmente o inimigo (e a Rússia não é derrotável, enquanto potência, como sabe quem sabe destas coisas) ou se fala com ele para ir aferindo das hipóteses de um acordo. Pensar que o tempo corre sempre a nosso favor é uma ingenuidade perigosa.”


Fez ontem cinco meses, publiquei este artigo no “Expresso”. Algumas coisas estão datadas e ocorreu a alteração de certas circunstâncias, mas, mesmo assim, hoje apetece-me relembrá-lo, porque o essencial não mudou e continuo a pensar exatamente o mesmo: :

”Esta guerra já não é apenas entre a Rússia e a Ucrânia. É cada vez maior o envolvimento, através de ajuda militar e de sanções, de muitos países que passaram a ser parte, embora por ora não beligerante, no conflito. Em moldes todavia nunca comparáveis ao sofrimento da população da Ucrânia, as respetivas sociedades estão a começar a sentir as consequências do prolongamento da guerra.

Parece não ter sentido que os países envolvidos no apoio à Ucrânia fiquem a aguardar o resultado, cada vez mais duvidoso, de um processo negocial, aparentemente suspenso, entre Kiev e Moscovo. Há dimensões do conflito, como fica evidente na questão das armas nucleares, que vão muito para além da situação concreta da Ucrânia, embora com ela interligada.

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As estrelas do Estado Novo | Carlos Matos Gomes

Este texto é uma peça extraordinária sobre a “história portuguesa do século XX”, de uma clarividência incomum, um ensaio brilhante de como analisar factos políticos, sociais, económicos e estratégicos. Os meus respeitos para Carlos Matos Gomes [vcs].

Extinguiu-se no dia 23 de Outubro de 2022 a última estrela política do Estado Novo, Adriano Moreira. Ele fez parte da constelação de pensadores e atores que dotaram o Estado Novo com um pensamento para além do corporativismo de matriz fascista, do integrismo de raízes miguelistas, do beatismo. Adriano Moreira pertenceu a um grupo de políticos talentosos e ambiciosos que subiram a pulso em termos sociais, seguindo o percurso de Salazar, que utilizaram a aderência aos meios e estruturas do corporativismo para ascender individualmente e que retribuíram essa escalada dotando o regime de iluminações que ultrapassassem os cirios das igrejas e as sombras dos mortos vivos que se sentavam na Assembleia Nacional e na Câmara Corporativa.

O grupo inorgânico a que Adriano Moreira pertenceu conseguiu apresentar o Estado Novo e Portugal como atores internacionais de relevo em três grandes momentos da História da primeira metade do século vinte: a Guerra Civil de Espanha, a Segunda Guerra Mundial e o Movimento Descolonizador.

A Guerra Civil de Espanha teve como personagem de primeiro plano o embaixador Pedro Teotónio Pereira, o homem enviado por Salazar para junto do governo de Franco, em Burgos, o segundo embaixador a apresentar credenciais, após o Núncio Apostólico da Igreja Católica e o primeiro embaixador em Madrid após a vitória franquista. Teotónio Pereira iria conseguir alcançar o objetivo que o Portugal de Salazar recebera dos ingleses, o de evitar e a entrada da Espanha na Segunda Guerra Mundial aliada da Alemanha nazi. Seria embaixador no Brasil, nos Estados Unidos e em Londres no período de antes da guerra, durante e no pós-guerra. Contribuiu para manter Portugal na órbita dos Aliados e para a entrada no clube da NATO. Não foi tarefa fácil fazer o Portugal rural, beato e antiliberal de Salazar ser admitido neste grupo. Os Aliados (em particular os americanos) entenderam através de Pedro Teotónio Pereira que Portugal não era Salazar (os ingleses, esses sabiam que Salazar negociaria tudo, incluindo os princípios (além do volfrâmio) para se manter no poder).

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Elegia das Águas Negras para Che Guevara | por Eugénio de Andrade

Atado ao silêncio, o coração ainda

pesado de amor, jazes de perfil,

escutando, por assim dizer, as águas

negras da nossa aflição.

Pálidas vozes procuram-te na bruma;

de prado em prado procuram

um potro mais libre, a palmeira mais alta

sobre o lago, um barco talvez

ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo

aguardam na noite o sol do meio-dia,

a face viva do sol onde cresces,

onde te confundes com os ramos

de sangue do verão ou o rumor

dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega

húmida dos bosques: temos que semeá-la;

chega húmida da terra: temos que defendê-la;

chega com as andorinhas

que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé,

cada palavra tua faz do orvalho uma faca,

faz do ódio um vinho inocente

para bebermos, contigo

no coração, em redor do fogo.

RÚSSIA VAI ABSORVER REGIÕES PRÓ-RUSSAS DA UCRÂNIA | por Carlos Fino

Trata-se, grosso modo, da chamada Nova Rússia, incluindo o Donbass. Um território integrado ao Império russo em meados do século XVIII, por Catarina, a Grande, no contexto mais alargado da disputa com o Império turco, para lá tendo ir viver milhares de colonos russos.

Durante a URSS, por razões administrativas e políticas, esse território foi integrado na República Socialista Federada da Ucrânia e foi nessa configuração que passou para a República da Ucrânia, quando do colapso da União Soviética.

Nele vivem atualmente entre 6 a 7 milhões de pessoas (eram 8, antes da guerra), na sua maioria de origem russa e de língua russa.

As repúblicas do Donbass (Lugansk e Donetsk) não aceitaram o governo de Kíev saído da chamada “revolução Maidan”, de 2014, que consideraram um golpe inspirado pelos EUA, contra um governo legítimo, eleito em escrutínio validado pela OSCE – a organização de segurança e cooperação na Europa.

Como forma de conciliação, os acordos de Minsk – patrocinados pela Alemanha, França e Rússia, previam a concessão de autonomia a essas regiões, o que Kíev, entretanto nunca implementou.

Pelo contrário – as forças ultranacionalistas ucranianas que dominam o governo de Kíev tentaram (à revelia das promessas eleitorais de Zelensky) uma “solução de força” – proibição dos partidos e políticos favoráveis a um entendimento com Moscovo, proibição do uso da língua russa na administração pública, incluindo no ensino, fecho dos canais de televisão em língua russa e continuados ataques militares, na tentativa de derrotar as milícias pro-russas locais, que passaram, por seu turno, a ter apoio cada vez maior da própria Rússia.

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Os membros do DiEM25 que ganharem eleições vão influenciar a política. Ajuda-nos a eleger mais DiEMers!

Olá,

O DiEM25 foi criado como o próximo passo na política alternativa: uma política que vai para além das manifestações e petições, rumo a soluções e formas de as aplicar. Uma das soluções são os nossos partidos MERA25: os partidos políticos do nosso movimento, porque quando conseguimos eleger membros do DiEM25, como fizemos na Grécia, temos poder e influência reais.

No passado mês de Maio, em Atenas, no comício do nosso primeiro e maior partido MERA25, falei sobre o plano que tínhamos para quadruplicar os nossos partidos europeus até 2024 (1). Estava errado. Com a Europa completamente rendida às forças políticas externas de Moscovo, Washington e Beijing, e com os nossos governos mais uma vez determinados – 2008 faz-te lembrar alguma coisa? –  a sacrificar-nos a todos  em benefício dos oligarcas, 2024 seria tarde demais. Temos que acelerar os nossos planos.É por essa razão que vou viajar novamente (2) pela Europa fora para me encontrar com algumas das pessoas mais corajosas e dedicadas que conheço: os nossos voluntários, que decidiram que basta. Que não podem depender dos mesmos políticos e dos mesmos partidos. Eles vão dar tudo o que têm para construir partidos que possam verdadeiramente representar as ideias e as políticas do DiEM25. Com campanhas autênticas e estruturadas de baixo-para-cima, sem quaisquer fundos corporativos ou da UE.A nossa estratégia, os nossos voluntários e os nossos candidatos dependem dos donativos que recebemos através de emails como este. Quando não conseguimos reunir o suficiente, somos forçados a diminuir a escala dos nossos planos, e os nossos partidos MERA25 não conseguem ter acesso aos meios que precisam para vencer – serviços legais, material promocional, custos de deslocações, tudo isto é extremamente dispendioso.Será que nos podes ajudar a cobrir estes custos? Pode não parecer, mas qualquer que seja o valor que tenhas para doar fará toda a diferença para o trabalho dos nossos voluntários, e é fulcral para que o projeto do DiEM25 consiga exercer a sua influência perante este percurso aterrorizante que a Europa decidiu seguir.Temos lutas difíceis pela frente este ano, mas conseguiremos vencê-las todas se reunirmos todos os meios para apoiar o nosso movimento e os seus partidos espalhados pela Europa. Por favor, considera doar hoje. Carpe DiEM!

Erik Edman
>> Diretor Político DiEM25https://www.youtube.com/watch?v=xaoHhtqoogMhttps://diem25.org/diem25-steps-up-efforts-germany-italy-the-netherlands-denmark-and-sweden/ 
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Ucrânia. Maduro acusa EUA e Europa de “suicídio económico” para punir a Rússia.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou hoje os Estados Unidos e a Europa de optarem pelo “suicídio económico” com o propósito de punir Moscovo pela invasão da Ucrânia.

“Na Europa anunciam uma recessão da economia, porque a Europa e os Estados Unidos optaram pelo suicídio económico, tentando matar a Rússia”, disse o governante, durante um ato público transmitido pela televisão estatal venezuelana.

Maduro previu que “se anuncia uma grande recessão mundial”, numa altura em que a Venezuela “bate o recorde mundial de crescimento económico da economia real, não petrolífera”, que disse ser superior a 20% no atual trimestre.

“Há que estudar as repercussões da recessão mundial sobre a economia da América Latina e da Venezuela”, frisou.

“A Europa e os Estados Unidos decretaram o suicídio económico e social das suas sociedades, das suas economias, para prejudicar, para acabar com a Rússia”, disse o Presidente da Venezuela.

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Karl Marx (1818-1883), l’horizon du monde : Une vie, une œuvre (2012 / France Culture)

Karl Marx (1818-1883), l’horizon du monde : Une vie, une œuvre (2012 / France Culture). Le 19 mai 2012, l’émission “Une vie, une oeuvre” dirigée par Matthieu Garrigou-Lagrange et diffusée tous les samedis sur les ondes de France Culture, évoquait la figure et l’oeuvre de Karl Marx.

“Marx, l’horizon du monde” : Sur les traces de l’auteur du “Capital”, juriste et philosophe, mais aussi économiste et critique de l’économie politique, sociologue du travail, militant révolutionnaire et père d’une famille bourgeoise qui échappa à la misère grâce à l’amitié d’Engels.

Par Thibault Henneton – Réalisation : Lionel Quantin. 1841, Karl Heinrich Marx [1818-1883] devient docteur en philosophie après une thèse sur Démocrite et Épicure. Le 2 septembre, Moses Hess écrit à un ami écrivain (Berthold Auerbach) : « C’est un homme qui a fait sur moi une impression extraordinaire, bien que nous ayons le même champ d’études ; tu peux t’attendre à faire la connaissance du plus grand et peut-être même du seul vrai philosophe actuellement vivant.

Bientôt, lorsqu’il se manifestera publiquement par ses ouvrages et ses cours, tous les yeux d’Allemagne seront tournés vers lui […] Le Dr Marx, c’est ainsi que s’appelle mon idole, est un tout jeune homme, âgé tout au plus de 24 ans, qui donnera le coup de grâce à la religion et à la politique médiévales. Il joint à l’esprit philosophique le plus profond et le plus sérieux l’ironie la plus mordante ; représente-toi Rousseau, Voltaire, Holbach, Lessing, Heine et Hegel, je ne dis pas rassemblés, mais confondus en une seule personne ».

En réalité le docteur Marx sera conduit bien au-delà des frontières de l’Allemagne, à Paris, Bruxelles, Londres où il passe la majeure partie de sa vie d’exilé, avant qu’un dernier voyage ne le conduise à Alger.

Non seulement juriste et philosophe, mais économiste et critique de l’économie politique, sociologue du travail, militant révolutionnaire et père d’une famille bourgeoise qui échappa à la misère grâce à l’amitié d’Engels.

Quelques mois avant que ne se noue leur amitié, Engels écrit déjà, en 1842 (dans “Le triomphe de la foi”) : « Mais qui s’avance ainsi plein de fougueuse impétuosité ? C’est un noir gaillard de Trèves, un monstre déchaîné. D’un pas bien assuré, il martèle le sol de ses talons et dresse plein de fureur les bras vers les cieux, comme s’il voulait saisir la voûte céleste pour l’abaisser vers la terre. Il frappe avec rage et sans arrêt de son poing redoutable, comme si mille démons l’empoignaient aux cheveux. »

A inutilidade da voz  |  Avanti popolo! | Carlos Matos Gomes

A Itália é reconhecida pelos seus cantores, clássicos e ligeiros, tenores, sopranos, meio sopranos, baixos.

A voz dos italianos e italianas brilha no canto, nas artes mas não brilha na política. A voz dos italianos não conta para a definição da política de Itália, da definição do papel da Itália na Europa e no Mundo.

No caso da política, a bela voz dos italianos vale tanto como a péssima voz (para mim) dos checos, ou eslovenos, ou neerlandeses, ou bascos. Não vale nada.

As eleições de amanhã em Itália são a prova de que a voz dos italianos, como a dos restantes europeus não tem qualquer valor. O governo italiano anterior caiu, como caíram dezenas desde o final da Segunda Guerra, e nada se alterou. Os italianos falaram, cantaram, votaram, mas quem determinou o que a Itália ia ser, quem determinou os negócios que gerariam fortunas, foram os banqueiros de Wall Street, os mafiosos da Sicília, os camorros de Nápoles, os industriais de Milão. Os italianos cantam, mas apenas lhes batem palmas, quanto ao resto seguem-se os negócios do costume.

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TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares

“A NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!” | Out 06, 2008

Observadores da política internacional reconhecem que o mundo está inquietante. O Afeganistão, em que a administração Bush envolveu a NATO – o que considerei um «precedente perigoso» –, está porventura pior do que antes. As forças armadas eram, então, compostas por americanos e ingleses. Hoje, a participação alargou-se, incluindo até um contingente português. No entanto, a situação militar, expulsos os talibans, não é melhor: os talibans comandam uma guerrilha terrível; a Al Qaeda – e Bin Laden – não só sobreviveu como está mais forte, algures no seu santuário.

O Paquistão, depois da renúncia do Presidente Musharraf, está em risco de mergulhar no caos. E o pior é que dispõe, esse sim, da bomba atómica…

Para o Ocidente, a situação no Afeganistão é mais grave do que a no Iraque. Apesar de o Iraque estar praticamente destruído, dividido, a braços com uma guerrilha infindável, entre sunitas, xiitas e curdos, fustigado pelo terrorismo da Al Qaeda ou associados e tenha deixado de ser, por longos anos – o que é péssimo – um Estado laico e tampão relativamente ao Irão.

No Iraque estão hoje quase só militares americanos e mercenários, numa situação que lembra o Vietname. Mais tarde ou mais cedo, serão obrigados a retirar as suas tropas. Enquanto o desastre do Afeganistão/Paquistão está a corroer e a desacreditar a NATO – o que do meu ponto de vista não tem grande importância, visto que hoje é uma organização que não faz sentido – e afectará gravemente os europeus, se os seus dirigentes não tiverem a coragem e a lucidez de retirarem de lá as suas tropas, quanto antes…

A NATO, QUE SE TORNOU um verdadeiro braço armado dos Estados Unidos, está a fazer também estragos noutras regiões do mundo. Refiro-me ao Cáucaso, às zonas do Cáspio e do mar Negro e aos países limítrofes da Rússia Ocidental.

Estes quiseram logo entrar para a NATO, com a ilusão de que teriam mais garantias de segurança, sob o chapéu americano, do que na União Europeia… E a NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de mísseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia, que a pode tornar agressiva. Um perigo!

O vice-presidente Dick Cheney, em fim do mandato, fez uma recente visita, altamente desestabilizadora, para dar, em nome da NATO, apoio à Geórgia. Mas, felizmente, ficou tudo em retórica inconsequente. Após a provocação do Presidente da Geórgia – e da guerra –, os russos reagiram e os europeus procuraram pacificar a situação. Ainda bem. Se a guerra não acabasse, os europeus seriam os primeiros a ser atingidos, com o corte do petróleo e do gás; e pior: entrariam numa fase com grandes riscos para a paz na Região. Putine não é Hitler e não ressuscitemos a «guerra fria»…

CHENEY FOI À UCRÂNIA, onde tentou também dividir os dirigentes políticos, estimulando a primeira-ministra, Iúlia Timoshenko, anti-russa, contra o Presidente, Victor Yushchenko, mais apaziguador.

Tudo em nome da NATO. Isto é: a NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. Cuidado União Europeia!

Moratinos, o ministro espanhol dos Estrangeiros, bem advertiu, numa entrevista ao El País: «A Rússia actual não é a soviética, mas também não é a de Ieltsin. Devemos evitar que nos imponha uma agenda do tempo da guerra fria.» E eu acrescento: não ameaçar a Rússia, negociar, com firmeza, com ela.

Enquanto isto, a ONU esteve estranhamente ausente e silenciosa. Que diferença entre este secretário-geral, Ban Ki-moon, um homem, até agora, apagado e quase invisível, mais burocrata do que político, e o seu antecessor, o saudoso, prudente e corajoso Kofi Annan… A ONU vai ter de se reestruturar e democratizar, após as eleições americanas, para desempenhar o seu tão decisivo papel na construção de uma nova ordem internacional e da paz, neste nosso novo século tão conturbado.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

VER ( PÁGINA SEGUINTE), CRÓNICA DE JOÃO GOMES COLOCADO EM COMENTÁRIO NESTE TEXTO DO FACEBOOK

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A PSICOLOGIA DAS MASSAS SEGUNDO GUSTAVE LE BON | AUTOR: LEONARDO PEREIRA

Destaque parcial

Segundo Le Bon na sua obra Psicologia das Massas (1895):
As massas organizadas sempre desempenharam um papel considerável na
vida dos povos; mas este papel jamais foi tão importante quanto hoje em
dia. A ação inconsciente das massas que substitui a atividade consciente
dos indivíduos é uma das principais características da era atual
. (LE BON,
1895, p. 93

Com esta afirmação, pode-se verificar a importância que Le Bon deu às
massas, considerando os movimentos destas como característica com relevante
importância para toda revolução ou drástica mudança social dentro das civilizaçõeshumanas de toda a história.

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Le Christ philosophe | Frédéric Lenoir

Résumé

“Pourquoi la démocratie et les droits de l’homme sont-ils nés en Occident plutôt qu’en Inde, en Chine, ou dans l’empire ottoman ? Parce que l’Occident était chrétien et que le christianisme n’est pas seulement une religion. Certes, le message des Evangiles s’enracine dans la foi en Dieu, mais le Christ enseigne aussi une éthique à portée universelle : égale dignité de tous, justice et partage, non-violence, émancipation de l’individu à l’égard du groupe et de la femme à l’égard de l’homme, liberté de choix, séparation du politique et du religieux, fraternité humaine. Quand, au IVe siècle, le christianisme devient religion officielle de l’Empire romain, la sagesse du Christ est en grande partie obscurcie par l’institution ecclésiale. Elle renaît mille ans plus tard, lorsque les penseurs de la Renaissance et des Lumières s’appuient sur « la philosophie du Christ », selon l’expression d’Erasme, pour émanciper les sociétés européennes de l’emprise des pouvoirs religieux et fonder l’humanisme moderne. Frédéric Lenoir raconte ici le destin paradoxal du christianisme – du témoignage des apôtres à la naissance du monde moderne en passant par l’Inquisition – et nous fait relire les Evangiles d’un œil radicalement neuf. “

BARUCH SPINOZA | BENTO DE ESPINOSA

“Acredito no Deus de Espinosa, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens. Todos podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total.

Dou a isto o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico”

– Albert Einstein

VIDA

Baruch de Espinosa nasceu em 24 de novembro de 1632 e foi considerado um dos grandes filósofos racionalistas (ao lado de Leibiniz e Descartes) de sua época. Primeiro filho de uma família português-judia, tinha a agradável aparência de um português de estatura mediana, cabelos e pele morena, rosto oval. Espinosa era chamado por seus pais pelo seu nome português: Bento, e é curioso imaginar que ele aprendeu suas primeiras palavras na mesma língua que nós.

Seus pais eram prósperos comerciantes, mas por serem judeus, mudaram-se para Amsterdam fugindo da inquisição. Quando Baruch de Espinosa nasceu em Amsterdam, seu pai já possuía dois filhos de outro casamento. Quando criança, Espinosa fez seus primeiros estudos na sinagoga à qual pertencia, era um aluno brilhante, estudou profundamente o Talmude e a Bíblia, além de aprender hebraico, mas o consideravam também muito questionador (um defeito na época). No entanto, o dedicado aluno precisou largar seus estudos para tomar conta dos negócios da família.

JOVEM ESPINOSA

Espinosa fala livremente com seus amigos sobre suas concepções religiosas, a ideia de um Deus antropomórfico, separado do mundo real, agindo como um déspota, parece absurda para ele; também não encontra nos textos sagrados muitas das histórias que lhes contam, nem Leis supostamente divinas. Como era de se esperar, suas opiniões não agradam aos líderes religiosos de sua época e após muitas ameaças, avisos e reprimendas, Espinosa foi acusado de ateísmo e excomungado em 1656. Trocou seu nome Hebraico por um latino: Bento de Espinosa e passou a viver sem contato com os judeus.

Começou seus estudos de filosofia, latim e grego com Van dem Endem, leu Descartes, Platão, Aristóteles, Epicuro, Cícero, Sêneca, os filósofos medievais entre outros, além de estudar matemática e outras ciências. Foi também quando começou a redação do seu Tratado de Correção do Intelecto. Neste período, Espinosa sofre o ataque de um judeu fanático que tenta esfaqueá-lo por envergonhar a comunidade judaica. Assustado, ele percebe que não é mais bem vindo em Amsterdam.

O filósofo procurou companhias com quem pudesse dividir suas ideias. Mudou-se para Rijinsburg, em Leyden, pequena e tranquila cidade, com uma boa universidade que Espinosa visitava com frequência. Neste período escreveu seu Breve Tratado e os trechos iniciais de seu principal livro: Ética. Para sustentar-se, começou a trabalhar como polidor de lentes de telescópios e microscópios; exerceu este ofício, que aprendera ainda na sinagoga, até o fim de sua vida.

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Pátria ou Morte! O histórico discurso de Che Guevara na ONU em 1964 | In Jornalistas Livres

Senhor Presidente, distintos delegados:

A representação cubana perante esta Assembleia tem o prazer de cumprir, em primeiro lugar, com o agradável dever de saudar a incorporação de três novas nações ao importante número daqueles que aqui discutem os problemas mundiais. Saudamos, portanto, nas pessoas do seu Presidente e Primeiros Ministros, os povos da Zâmbia, Malawi e Malta e esperamos que estes países se incorporem desde o primeiro momento no grupo das nações não-alinhadas que lutam contra o imperialismo, o colonialismo e o neocolonialismo (…)

Em alguns casos, é a cegueira causada pelo ódio das classes dominantes de países latino-americanos contra nossa Revolução; em outros, mais tristes ainda, é o produto dos deslumbramentos com o brilho de Mammon².


(² Termo bíblico usado para descrever riqueza material, ganância, cobiça, ou literalmente, dinheiro.)


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João Gomes | Comentário ao texto anterior “TEXTOS HISTÓRICOS | NATO, DA DEFESA À AMEAÇA | por Mário Soares”

Boa tarde a Carlos Fino e participantes ! Um certo “cansaço” instala-se para continuar a comentar sobre esta matéria. Será a próxima evolução do conflito da Ucrânia que “ditará” que caminho o Mundo está a seguir pois, enquanto “discutimos” a questão da “operação especial”, outros embriões conflituosos se colocam em áreas próximas, como o caso da Sérvia/Kosovo e o agora da Arménia.

Bem dizia Mário Soares, astuto dirigente europeu que, para lá dos seus “defeitos” de um “socialismo” demasiado metido na gaveta, conhecia os meandros de certas politicas internacionais, nomeadamente as americanas.

Para os russos, a questão sobre se a OTAN é ofensiva ou defensiva não será o ponto. Para entender o ponto de vista de Putin, temos de considerar duas coisas que geralmente são negligenciadas pelos comentaristas ocidentais: o alargamento da OTAN em direção ao Oriente e o abandono incremental do quadro normativo da segurança internacional pelos EUA.

Na verdade, enquanto os EUA não lançavam mísseis nas proximidades de suas fronteiras, a Rússia não se preocupava tanto com a extensão da OTAN. A própria Rússia considerou-se candidatar à adesão, o que só não ocorreu pelo “medo” americano de abrir mão dos “segredos” da organização.

Os problemas que declararam-se em 2001, quando Bush decidiu retirar-se unilateralmente do Tratado ABM e implantar mísseis antibalísticos (ABM) na Europa Oriental. O Tratado ABM destinava-se a limitar o uso de mísseis defensivos, com a justificativa de manter o efeito dissuasivo de uma destruição mútua, permitindo a proteção de órgãos decisórios por um escudo balístico (a fim de preservar uma capacidade de negociação). Assim, limitou a implantação de mísseis antibalísticos a certas zonas específicas (notadamente em torno de Washington DC e Moscovo) e proibiu-o fora dos territórios nacionais.

Desde então, os Estados Unidos têm-se progressivamente retirado de todos os acordos de controle de armas estabelecidos durante a Guerra Fria: o Tratado ABM (2002), o Tratado de Céu Aberto (2018) e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) (2019). Em 2019, Donald Trump justificou a sua retirada do Tratado INF por supostas violações do lado russo. Mas, como observa o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), os americanos nunca forneceram provas dessas violações. Na verdade, os EUA estavam simplesmente tentando sair do acordo a fim de instalar os seus sistemas de mísseis AEGIS na Polónia e Roménia. De acordo os EUA, esses sistemas são oficialmente destinados a interceptar mísseis balísticos iranianos. Mas há dois problemas que claramente colocam em dúvida a boa fé dos americanos:

. A primeira é que não há indicação de que os iranianos estejam a desenvolver tais mísseis, como Michael Ellemann da Lockheed-Martin declarou perante um comitê do Senado americano.

. A segunda é que esses sistemas usam lançadores Mk41, que podem ser usados para lançar mísseis antibalísticos ou mísseis nucleares. O sítio radzikowo, na Polónia, fica a 800 km da fronteira com a Rússia e a 1.300 km de Moscovo.

As administrações Bush e Trump disseram que os sistemas implantados na Europa eram puramente defensivos. No entanto, mesmo que teoricamente verdadeiro, é tecnicamente e estrategicamente falso. Pois a dúvida, que lhes permitiu a instalação, é a mesma dúvida que os russos poderiam legitimamente ter em caso de conflito. Esta presença nas proximidades do território nacional da Rússia pode de fato levar a um conflito nuclear. Em caso de conflito, não seria possível saber precisamente a natureza dos mísseis carregados nos sistemas – deveriam os russos esperar por explosões antes de reagir ? Na verdade, sabemos a resposta: sem tempo de aviso antecipado, os russos praticamente não teriam tempo para determinar a natureza de um míssil disparado e, portanto, seriam forçados a responder preventivamente com um ataque nuclear.

Vladimir Putin não só vê isso como um risco para a segurança da Rússia, mas também observa que os Estados Unidos estão cada vez mais desrespeitando o direito internacional para prosseguir uma política unilateral. É por isso que Vladimir Putin diz que os países europeus podem ser arrastados para um conflito nuclear sem querer. Este foi o conteúdo de seu discurso em Munique em 2007, e ele veio com o mesmo argumento no início de 2022, quando Emmanuel Macron foi a Moscovo em fevereiro.

Mário Soares não falava de “borla”. Ele sabia que, no fundo, o processo de expansão da hegemonia dos EUA em relação à Europa se destinava a pressionar a Rússia e a obrigá-la a ceder ou encontrar as respostas que defendessem o seu ponto de vista estratégico. Ora, Putin optou pela segunda delas e, quem estiver atento à “história” dos desenvolvimento bélicos americanos, só pode estar de acordo com essa posição.

João Gomes in Facebook 15/09/2022 | João Gomes

Medvedev acusa Alemanha de “declarar uma guerra híbrida” à Rússia

Para Medvedev, a Alemanha é “um país hostil”, que “impôs sanções contra toda a economia da Rússia e seus cidadãos” e que “fornece armas letais à Ucrânia”.

“Noutras palavras, a Alemanha declarou uma guerra híbrida à Rússia. Consequentemente, a Alemanha atua como inimigo da Rússia”,

A propósito, para quando a paz, para quando a amizade entre os povos da Europa e do Mundo?

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2066261/ao-minuto-zaporijia-e-preocupacao-soldados-russos-sem-condicoes

NA MORTE DE GORBACHEV (1931-2022) | por Carlos Fino

No momento em que é anunciada a morte de Mikhail Gorbachev recordo naturalmente com emoção as imagens e vivências desses dias longínquos de novembro de 1987, em que integrei como tradutor a delegação portuguesa, durante visita oficial à URSS do então Presidente Mário Soares.

Ao entrarmos na sumptuosa sala de São Jorge, no Grande Palácio do Kremlin, toda coberta de seda debruada a ouro tendo apensas as mais imponentes condecorações por coragem e heroísmo militares do tempo de Catarina, a sensação que tive e conservo até hoje foi a de estar num museu de cera, de hieráticas figuras envelhecidas em que de repente havia uma que ganhava vida e falava – Gorbachev.

Havia nele uma mistura de seriedade aparatchik e visão aggionarta que o impulsionavam para a mudança, então ainda sem suspeitar que um dia tudo iria escapar do seu controlo.

Com a simpatia e fina intuição política que o caracterizavam, Soares (que ficou alojado no Kremlin, deferência rara) captou a novidade e aproveitou bem o momento, travando com Gorbachev um diálogo animado e franco, em que Angola foi um dos pontos em destaque.

De passagem, soube também lisonjear o interlocutor com uma deslocação ao túmulo do Soldado Desconhecido, junto à muralha do Kremlin, onde prestou homenagem “ao esforço decisivo da URSS para a vitória sobre o nazismo na segunda guerra mundial”.

Apesar de toda agitação social que a Perestroika desencadeou no país, do caos político e dos conflitos armados que acabaram por eclodir em diferentes regiões da ex-URSS, Gorbachev e a direção política a que presidiu conseguiram sempre manter sob controlo o armamento nuclear.

Acreditou porventura demais nas promessas de não expansão da NATO para leste que então lhe foram feitas, acabando por ver desfazer-se o sonho de uma Europa do Atlântico aos Urais – “Nossa Casa Comum”. Mas o mérito do derrube do muro de Berlim, pondo fim à Guerra Fria, é todo seu, ao ter impedido Honecker de reprimir as manifestações populares na Alemanha de Leste.

Gorbachev não é hoje popular na Rússia – apontam-lhe a responsabilidade de ter aberto as portas ao fim do império, como se esse declínio não viesse já de muito antes e ele afinal mais não tivesse tentado do que evitá-lo pela mudança quando era já evidente onde estava conduzindo a estagnação.

Com o seu desaparecimento parece agora morrer também a era de esperança e diálogo a que deu início, com a Europa a mergulhar de novo no confronto, na intolerância e na guerra. Fechou-se a janela de oportunidade aberta por Gorbachev de estabelecer com a Rússia um modus vivendi mutuamente vantajoso com uma perspectiva democrática no horizonte.

Resta desejar que descanse em paz e que a sua ideia de uma Rússia reconciliada com o Ocidente e vice versa ainda possa um dia renascer

CF | Foto: Luís Vasconcelos

Sergueï Lavrov affirme que la Russie n’a personne sur qui compter | in msn.com

Le ministre des Affaires étrangères russe a précisé que l’objectif des pays occidentaux était « d’affaiblir » et « démembrer » le système de son pays.

Il a déclaré : « Comme nous pouvons le constater, la réaction de l’Occident à la mise en œuvre des objectifs de l’opération militaire spéciale montre clairement que, dès le début, les tâches de l’Occident étaient globales et visaient à affaiblir, et, comme certains politologues occidentaux l’admettent, à démembrer notre pays. »

Il a ajouté : « À l’époque que nous vivons actuellement, et c’est précisément une époque, une longue période historique, nous devons être prêts à réaliser que nous ne pouvons compter que sur nous-mêmes. »

Le politique a aussi rappelé que 80% des pays n’adhèrent pas aux sanctions imposées à la Russie.

Il a expliqué : « Et ce, malgré les pressions colossales exercées quotidiennement sur les gouvernements de ces pays afin de les forcer à rejoindre le courant dominant de la politique anti-russe et russophobe. »