Vai ser uma série de antologias de Fernando Pessoa & Companhia. A primeira – Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos – vai dar uma animada conversa. É já na 3ª feira, dia 17, na Bertrand do Chiado. Reparem bem na tremenda variedade das bocas que vão estar à conversa: Eugénia de Vasconcellos, poeta e ensaísta; Júlio Resende, compositor e pianista; Jorge Barreto Xavier, professor e programador cultural. Eu vou-me sentar ao pé deles, boca fechada está claro, que o que é bom é ouvir quem sabe. É às 18:30 e preciso que venham todos. Querem ver o convite? Já mostro! [ Manuel S. Fonseca ]
A figura na calçada da avenida Bento Gonçalves não combinava muito com a claridade da manhã. O dia começou com uma travesti fazendo sinal para meu táxi, dinheiro na mão, gesto típico de quem já foi rejeitada por outros taxistas. Como quem diz: posso não ser a passageira dos seus sonhos, meu bem, mas tenho dinheiro para pagar a corrida. Os primeiros raios da manhã iluminavam uma figura esguia, pernas longuíssimas, shortinho jeans minúsculo, enterrado, as tiras da calcinha aparecendo no quadril, top rosa choque, salto alto vertiginoso e cabelão desgrenhado. Além da nota de 20 balançando em minha direção, ela tinha um bichinho no colo. Um hamster, acreditem, um ratinho malhado. Parei, óbvio.
Imagina um cheiro forte de perfume. Sentou na frente, educadíssima “Vila Cachorro Sentado, por favor”, a maquiagem borrada, perguntei se estava tudo bem, “melhor impossível, beijei na boca, dancei muito”, saindo de uma festa “Psy”, música eletrônica, tentando retomar o sentido, “fraca pra bira”, estava saindo de uma padaria onde tinha tomado um copão de café preto. Maquiadora, performer, massoterapeuta, explicou que ganhou o hamster do dono da festa que não queria mais o animal “será que dou queijo pra ele?”.
A discrição da minha passageira foi pro saco quando mostrei meu livro à venda. Bateu palmas, pediu detalhes, deu chilique quando mostrei minha foto com a Fernanda Lima, Amor & Sexo, “ARRASOU, VIADO!!”, quase perdeu o hamster pela janela do táxi, pediu que eu sintonizasse um batidão no rádio, que tocava FM Cultura bem baixinho, mas já era hora de desembarcar, a corrida chegava ao fim, minha cliente lamentou estar sem bateria pra fazer uma selfie. Melhor assim.
Desceu do táxi e entrou requebrando pela vila, jogando charme para os papeleiros que saiam para o trabalho puxando seus carrinhos, os gatos abanando o rabo para o hamster apavorado no braço de sua nova cuidadora.
Depois do terceiro assalto, o taxista comprou uma arma. Sua mulher entrou em pânico. O marido sempre foi um homem pacato, pai zeloso, temente a Deus, nunca se meteu em confusão. Mas a arma foi comprada, um 38 engasgado com seis balas tornou-se parte do assento do motorista, sob o estofamento, camuflado, invisível, mas à mão. Ninguém nunca soube da arma além da esposa, o taxista não era homem de contar vantagem, gargantear, ele mesmo procurava esquecer o revólver, nunca tirou-o do lugar onde foi colocado, não manuseava a arma, tinha uma espécie de respeito, repulsa, quase nojo, nunca deixou que outro sentasse ao volante, o banco daquele táxi guardava o seu segredo.
O homem anunciou o assalto já espetando uma faca na carne do taxista, penetrando alguns milímetros, pra não deixar dúvida, descarga de adrenalina, berreiro no ouvido, vou te matar filho da puta, escuridão, periferia, toca sem olhar pra mim, aperta a faca, o aço na costela, o medo no osso, entra no beco, sem saída, passa a grana, passa tudo, quero dinheiro, miserável, carteira com a grana, tudo, pode pegar, te mato, mãos no volante mané, passa o celular, não tenho, não uso telefone, tem mais dinheiro aqui, a mensalidade da escola, no porta-luvas, otário, perdeu, pega tudo, leva, gritaria no meio da noite, cachorro latindo, o beco deserto, chão batido, longe de tudo, de socorro, o bandido saíndo, ainda gritando, jurando de morte, o dinheiro, a mensalidade da creche no bolso do vagabundo, a mão do taxista sob o banco, achando a coronha da arma, empoeirada, áspera, anatômica, o bandido correndo em direção ao mato, a escuridão, o primeiro disparado, o segundo, o vagabundo caindo, levantando em direção ao mato, mais um tiro, outro, só a escuridão, cachorrada latindo, mais um tiro, o bandido sumido, flashes de fogo, estampidos, o gatilho sendo apertado a esmo, até não surtir mais efeito, o cheiro de pólvora na noite, a arma quente, descarregada, silêncio, nada de bandido, nem mais os cachorros, nada, a escuridão abafando tudo naquele beco sem saída, o vazio, a arma jogada no arroio, o taxímetro desligado, o rádio desligado, a mente quieta, o caminho de casa, o banho mais demorado, o sono, silêncio.
Esquecido em um quarto de paredes nuas, janela para um muro, tudo foi a tanto tempo, quando tinha táxi, quando tinha colegas, quando tinha uma esposa, retalhos das lembranças mais antigas, as que sobraram, que o Alzheimer não lhe arrancou por completo. Nem mesmo a enfermeira que lhe trocou a última fralda ele lembra. Certo apenas as cruzadinhas, Coquetel, que alguém lhe traz uma vez por mês, quando vem pagar o asilo, o filho, o neto, foi tudo a tanto tempo, não reconhece mais ninguém. Palavras cruzadas, apenas as cruzadinhas.
Quem tira a vida de outro, horizontal, nove letras: assassino.
This impressive image was taken by photographer J. R. Eyerman and was featured in LIFE magazine. It depicted a chalk board full of calculations that the NASA Scientists were working on. People believe that the equations on the chalk board were only written on for the picture as the equations are general ones rather than equations the Scientists would have been working on at the time. The Scientists in this photo were known as Computers. This name was given to people whose job was to solve mathematical equations, hence how the name Computer was then given to the electronic device which could do their job years later.
This image was taken by photographer Dorothy Lange during the Great Depression. She stumbled upon a camp in Hoboken where she searched through the crowds of starving workers until she found the lady in this image, Frances Owens. She took 6 images of Frances with her children, and you can really see from this image how a picture speaks a thousand words. You can see from her face the stress and worry that she faced. Dorothy Lange informed the authorities of the starving workers in the camp and they sent 20,000 pounds of food to them.
The Second Machine Age, by Erik Brynjolfsson and Andrew McAfee, two MIT professors and researchers, offers mostly an economist’s point of view on the consequences of the technological changes that are remaking civilisation.
Although a fair number of chapters is dedicated to the technological innovations that are shaping the first decades of the 21st century, the book is at its best when the economic issues are presented and discussed.
The book is particularly interesting in its treatment of the bounty vs. spread dilema: will economic growth be fast enough to lift everyone’s standard of living, or will increased concentration of wealth lead to such an increase in inequality that many will be left behind?
The chapter that provides evidence on the steady increase in inequality is specially appealing and convincing. While average income, in the US, has been increasing steadily in the last decades, median income (the income of those who are exactly in the middle of the pay scale) has stagnated for several decades, and may even be decreasing in the last few years. For the ones at the bottom at the scale, the situation is much worst now than decades ago.
Abundant evidence of this trend also comes from the analysis of the shares of GDP that are due to wages and to corporate profits. Although these two fractions of GDP have fluctuated somewhat in the last century, there is mounting evidence that the fraction due to corporate profits is now increasing, while the fraction due to wages is decreasing.
All this evidence, put together, leads to the inevitable conclusion that society has to explicitly address the challenges posed by the fourth industrial revolution.
The last chapters are, indeed, dedicated to this issue. The authors do not advocate a universal basic income, but come out in defence of a negative income tax for those whose earnings are below a given level. The mathematics of the proposal are somewhat unclear but, in the end, one thing remains certain: society will have to address the problem of mounting inequality brought in by technology and globalisation.
Histórias de luta e de afecto
e de vidas em directo.
Longa lista leva já,
a história da humanidade …
mártires,
guerreiros,
heróis,
ternos da liberdade …
voz dos simples,
batutas de luz
contra as pautas da injustiça …
também ingenuidade
de criança,
de noviça …
Poetas do sonho
que fez mudar o mundo
enfadonho.
imundo …
Jesus Cristo,
Madre Teresa,
Mandela,
Che Guevara,
Luther King,
Xanana,
Mandala,
Gandhi,
Pepe Mujica,
Salgueiro Maia,
Gorbatchov e
agora Lula …
lavradores do afecto,
verbo e complemento directo,
todos mal tratados
na horta que semearam …
suor bento
que corre de emoção
hino triunfal da devoção
aos outros,
ao mundo,
ao coração …
Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
Algumas semanas atrás pedimos a tua ajuda para lançar o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia. É preciso dizer que respondeste à nossa iniciativa de forma abosultamente espetacular.
Não só ajudaste a lançar uma alternativa política para a Grécia, inspiraste também milhares a juntarem-se ao nosso movimento – Na Grécia e em todo o lado.
Inspiraste os nossos membros na Grécia e eles agora sabem que não estão sozinhos.
Insiraste os cidadãos gregos a rejeitar o status quo que foi imposto em 2015.
E inspiraste Zack Exley e Saikat Chakrabarti – dois conselheiros da campanha de Bernie Sanders, a assisitir ao lançamento do MeRA25 – e a juntarem-se à nossa luta e à revolução democrática do DiEM25.
Temos ainda muito que fazer e muitos desafios a superar.
O DiEM25 já é uma fonte de esperança para a Europa – e um pilar de resistência contra os interesses instalados do sistema financeiro e político.
Com o teu apoio vamos tornar-nos mais fortes e vamos recuperar a nossa democracia.
Não é o único dos maiores escritores do nosso tempo que se comporta como um pateta, mas talvez Vargas Llosa seja particularmente exibido e insistente. Autor de livros magníficos como a “Conversa na Catedral” ou “A Guerra do Fim do Mundo” e tantos outros, Vargas Llosa teve sempre uma intervenção pública ativa: foi castrista, foi amigo e inimigo de Gabriel Garcia Marquez, redescobriu-se conservador. Mas foi recentemente que escolheu tornar-se protagonista: foi o candidato da direita à presidência do seu Peru natal, foi feito marquês por Juan Carlos I e as suas aventuras não terminaram aí, ainda há pouco andou pela Catalunha em prol do rei. Prémio Nobel da literatura em 2010, continuou a publicar e, já com os seus 80 anos, deu à estampa “Cinco Esquinas”, que deve ser o seu pior livro. A um grande escritor perdoa-se toda a escrita.
Talvez Llosa escusasse, no entanto, de perseguir fantasmas e ódios de estimação. Há duas semanas, levou para a sua coluna no El Pais um desses ódios, desta vez contra o feminismo. A acusação é tremenda: são as “Novas Inquisições”. Sentencia: “o feminismo é o inimigo mais feroz da literatura”, pior do que Trump e Putin, pior do que as religiões e ditaduras. Por causa do feminismo e nada menos do que o feminismo, a “literatura pode desaparecer”. Desaparecer? A literatura? O homem perdeu a cabeça, perguntará a leitora mais moderada? O feminismo vai terminar com a literatura? Acabam os livros, os poemas, o teatro, as conversas, a comunicação, a vida? Por força do feminismo, esse monstro tremendo cujas garras rasgam a Terra?
Sim, responde Vargas Llosa. Querem um exemplo? Ele tem um. É que a Gallimard tinha previsto publicar a obra completa de Céline e desistiu, porque incluiria textos antissemitas de um escritor monumental que foi partidário dos nazis. Só que esta recusa nada tem que ver o feminismo ou com as feministas, mas unicamente com o medo daquela editora de aparecer associada a um discurso de ódio. De passagem, Llosa cita outro caso, o de uma escritora que criticou o Lolita de Nabokov. Também é fraco exemplo pois, mesmo sendo uma narrativa sobre a pedofilia, pouco sentido fará sugerir-se a sua ocultação. A literatura, como toda a arte, deve ser livre de se exprimir em todas as facetas da vida e das opiniões humanas, porque não deveria estar sujeita a um critério de gosto, ou de preferência moral, ou de ensinamento público. A literatura é simplesmente o que os autores escrevem.
Só que nunca foi assim. O livro As Vinhas da Ira, de Steinbeck, foi proibido em alguns dos estados dos EUA ao mesmo tempo que John Ford fazia dele o filme que ganhou vários Óscares. Livros de Darwin e Sartre foram apreendidos sob Salazar, bem como Cardoso Pires, Ary dos Santos, Jorge de Sena ou Jorge Amado. Harry Potter foi proibido mais recentemente nos Emirados Árabes Unidos e Alice no País das Maravilhas já foi proibido na China. Lembra-se do CDS a manifestar-se na rua pela proibição do Je Vous Salue, Marie, de Godard? Culpa das mulheres e do feminismo? Olhe que não.
O que o feminismo tem questionado é a violência e a discriminação. Esse seu pulsar universalista contra a exclusão e o desprezo tem sido um dos contributos mais fecundos para a democratização dos tempos modernos. Por isso mesmo, a literatura que regista todas essas razões e emoções, as dos sequestradores da liberdade, as dos abusadores, as das vítimas, as da dignidade, todo esse caldo de vida humana é uma voz essencial para nos conhecermos. Vargas Llosa, cada vez mais perdido nos seus pequenos ódios e no medo pela outra, dá-nos aqui um magnífico exemplo de como podemos aprender com a fronteira escorregadia entre a arte e a vida. Ele, que gosta pouco da liberdade para os outros (e outras), tem um medo do feminismo e da voz das mulheres que é uma esplêndida homenagem do vício à virtude.
A menina tonta passa metade do dia
a namorar quem passa na rua,
que a outra metade fica
p’ra namorar-se ao espelho.
A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho.
A menina tonta tem vestidos de seda
e sapatos de seda,
é toda fria, fria como a seda:
as olheiras postiças de crepe amarrotado,
as mãos viúvas entre flores emurchecidas,
caídas da janela,
desfolham pétalas de papel…
No passeio em frente estão os namorados
com os olhos cansados de esperar
com os braços cansados de acenar
com a boca cansada de pedir…
A menina tonta tem coração sem corda
a boca sem desejos
os olhos sem luz…
E os namorados cansados de namorar…
Eles não sabem que a menina tonta
tem a cabeça cheia de farelos.
Quando o jogo acabou Buffon despediu-se de todos, dos companheiros, dos jogadores do Real Madrid e dos adeptos, mas houve um abraço que ficou para o fim. Foi a Cristiano Ronaldo, o homem que marcou na sua baliza um golo que ficará para a história, mas que o guarda-redes reconhece ser “um campeão de nível extraordinário”. E ficou com a camisola do português.
Mon voyage vers toi , mon roi
Moi la grande reine de Saba
Simple femme devant toi
Mon cœur loin du tiens est aux abois
Je te porte myrrhe , encens et élixirs
Pour parfumer tes nuits de mille désirs
Caravanes pleines d’or et de trésors
Dignes d’un roi au palais d’or.
Oiseaux de paradis et génies
Offrandes au roi au bel esprit
Contes et légendes pour t’éblouir
J’aime éveiller les sens de mon Sire.
Étoffes précieuses des plus belles soies
Pour accueillir nos beaux émois
Des huiles rares et précieuses
Sercrets de caresses délicieuses.
Ma beauté digne des houris
Sera tienne toutes les nuits
Tes bras dont je me languis
Me font traverser tous ces pays.
Amour Royal et majestueux
Plaisirs infinis et savoureux
Lien fabuleux et mystérieux
Amour légendaire béni des cieux.
Deuxième version (Le roi Salomon)
Ma reine arrive
Elle arrive ma belle et sa caravelle
Bel ange descendu du ciel
Je ferai taire les langues infidèles
Qui doutent de sa beauté éternelle
Sur ce sol façonné tel un miroir
J’ai fondé tout mes espoirs
Démontrer à jamais , graver l’histoire
D’un reflet divin à ma gloire
Je les ferai tous choir.
Ma belle reine attendrie
Pardonne mon acte de duperie
N’y vois aucunes fourberies
Seul une preuve d’amour, un démenti
Ma reine d’amour aux feux ardents
Ils t’imaginent velues aux sabots d’argent
Ta crainte de tremper tes beaux habits
Te fera lever le bas de tes soies serties
Apparaîtra tes chevilles d’une peau éblouie.
Moi qui sait ton corps d’une beauté innouie
Je serai roi d’amour d’un cœur embelli
Pour ma maîtresse reine aux charmes de vie
Tu ensorceles mon âme et mon esprit
Je suis glorieux par ton corps soumis
À mes rêves d’amour infini.
Malika Mellal 03/04/2018
malika mellal@copyright
D’après la toile de Hocine Ziani ” La reine de Saba ”
“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”
Discurso de Salgueiro Maia aos seus militares na madrugada de 25 de Abril
Desde as negociações entre Woodrow Wilson e Churchil que não se sabe quem manda na “Aliança” deles – os Americanos no palco, tentando construir o Século Americano, os Ingleses, gerindo a herança do Século Britânico, por detrás dos panos. Quando tinham inimigo comum (Alemanha) ou o inventavam (a URSS), ainda disfarçavam que não se entendiam. Com a Queda do Muro de Berlim e a retirada da Rússia para a sua fronteira, tiveram que inventar à pressa um novo inimigo, o Islão, onde a América se enterrou mais uma vez numa Guerra perdida (a da Síria, a seguir à da Coreia e à do Vietname), ensaiando a retirada a custo (entraram no Afeganistão a pensar que era rápido e já lá estão enterrados há 17 anos, o pântano militar mais longo da sua história de desaires).
De cabeça perdida, e colocando-se por um momento aos comandos da NATO, a Inglaterra quis liderar uma manobra de diversão. Disfarçava o fracasso das negociações com a UE, acusava, sem provas, a Rússia da tentativa de assassinato de um espião duplo, com um gás que todos sabem fabricar, ameaçava bloquear os Mundiais de Futebol na Rússia, alimentava a fome de escândalos dos Media e a histeria popular com três novas telenovelas, e entretinha Corbyn e os Trabalhistas. Nada mal pensado.
Trump não é um político, é um comercial chantagista (um pleonasmo?), de tipo histérico (teatral) e vai a jogo em todas as direcções, mas a Inglaterra Brexitada, Israel e o Deep State têm estado a empurrá-lo para uma nova Guerra Fria (ou até para uma guerra invasiva, com a Coreia do Norte ou com o Irão), que não faz parte do seu projecto pessoal. Putin, um exímio jogador de xadrez, dá-se bem com Trump, que finge de palhaço mas é esperto que nem um alho..
Os Presidentes anteriores (nomeadamente os ‘democratas’, Clinton e Obama, e a srª Hillary ia pelo mesmo caminho) obedeceram ao Deep State no derrube das Torres Rockfeller e no ataque ao Islão Sunita (entrando pelo Afeganistão e pelo Iraque adentro, uma invasão preparada bastante antes de terem implementado o pretexto que sabiam necessitar, sempre foram especialistas nisso), e, já em perda, estão a virá-lo agora contra o Islão Xiita, mas já fracassaram na Síria, o que os obriga a mudar de plano. A tripartição do Iraque à custa da Síria saíu-lhes pela culatra. Perderam na Síria e, apoiando os Curdos, viraram Erdogan para a Rússia..
Trump parece ter uma política própria, diferente da do Deep State e da “Velha Aliança”. Ao convidar Putin para um encontro em Washington, rasteira e põe em cheque os Brexitistas, contorna as acusações ‘democratas’ de ter uma aliança com Moscovo e retoma o projecto do relançamento das áreas de influência, o que lhe permitiria retirar do Afeganistão, do Iraque e da Síria, deixando o confronto local entregue à liderança dos Sunitas (Turcos e Sauditas), se eles tiverem a coragem que lhes falta (armas já têm, Trump, o grande comerciante, foi vender-lhes 120 mil milhões de brinquedos desses, para Sheiks exibirem).
De fora, a UE, Estado-vassalo da Frente Anglo-Americana-Israelita parece uma barata tonta e tanto mais quanto a Fachada do Deep State se desentende, e é ultrapassada por Trump e por Putin, os novos Líderes políticos do início do Século XXI.
O governo português mantêm-se lúcido, no meio da confusão. Nenhum “Aliado” é confiável (por definição), os Interesses dos Portugueses não são binárizáveis, são extensamente diversos e mundiais, “eles é que são ‘brancos’, eles que se entendam”. Amamos a Paz e continuamos ‘neutrais’, sem dar nas vistas.
José Gabriel Pereira Bastos
Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos
Adormecem mamilos gretados
De indignação
Em cada palavra
Que não ouso.
Gemem catadupas de papoilas
Entre o trigo
E por isso as digo
As escrevinho
Grito-as aqui
Neste papel de ninguém!
E que prazer é
Mordê-las!
Saborear-lhes o sangue
Expulso das artérias
Libertando-as de mim
Desta clausura
Onde tentam amordaçar-me
Todas elas
As mais insolentes
As deliciosas
As mordazes
E até as mais voluptuosas!
Que prazer,
Enamorá-las
Consenti-las
Dar-lhes permissão
Para logo a seguir
As arremessar certeiras
Fugidias ou sarcásticas
Como flores ou como dardos
Aguçando-lhes a destreza
Verbalizá-las todas,
Libertando-as do sémen
Que nos fecunda a seara
Do Bem e do Mal
Arrancando ervas daninhas
Pelos dentes.
“Par contre, les femmes almoravides ne portent pas de voile. Elles jouissent d’une liberté d’allure qui atteste la persistance des vieilles mœurs bédouines. Au surplus, elles paraissent jouer un rôle important dans les affaires publiques. La possession de la belle Zaynab al-Nafzawiyya, surnommé « la Magicienne », semble, au début de la secte almoravide, une condition nécessaire à l’exercice du commandement. Après la conquête du pouvoir, les Almoravides associent les femmes à la vie politique, voire militaire de l’ensemble de l’Empire et les laissent vivre comme avant dans les campements sahariens”
Les Almoravides
sont des tribus berbères du groupe des Sanhadjas, apparentés aux Touareg. Pasteurs nomades, ils se lancent au milieu du XIe s., à partir de leur désert, à la conquête de terres plus riches et parviennent à constituer un immense empire, englobant un double domaine africain et européen. Ce mouvement, qui traduit un épisode de lutte pour la vie que mènent constamment, au Maghreb, les nomades contre les sédentaires, s’expriment en termes religieux. En effet, les Almoravides sont en même temps qu’une confédération de tribus, une confrérie religieuse. Tout comme les Arabes au début de l’islam, ils se mettent en marche pour occuper des territoires et propager une doctrine.
Toutefois, cette doctrine n’a rien d’original et ne fait que reprendre les principes du rite malékite, hérités des grands docteurs de Kairouan. En 1035, des chefs de la tribu des Lamtunas, de retour de pèlerinage, s’arrêtent à Kairouan, où ils entendent Abu Imran, savant originaire de Fès. Pris d’admiration pour ce maître, ils lui demandent d’envoyer parmi eux, dans le désert, l’un de ses disciples. Ce sera Abd Allah ibn Yasin, fondateur du mouvement almoravide. Réformateur rigoureux, ibn Yasin invite les nomades à respecter scrupuleusement les prescriptions de l’islam et, par conséquent, à ne plus épouser plus de quatre femmes et à payer l’impôt rituel.
Trouvant ces obligations insupportables, les nomades ne répondent pas à son appel. Ibn Yasin les abandonne alors et se rend, en compagnie de l’un de leurs chefs, dans une île du cours inférieur du Sénégal. Très vite, quelques chefs de tribus les suivent, encourageant par leur exemple beaucoup de nomades à faire de même. C’est ainsi que le ribat fondé par ibn Yasin essaime et compte, en peu de temps, de nombreux fidèles.
L’Algérie est l’un des rares pays du monde arabe où l’islamisme politique est en décomposition.
Les résultats des élections locales de 2017 ont confirmé cette nouvelle donne politique : l’islamisme est en perte de vitesse et ne séduit plus en Algérie. Le MSP, le TAJ et toutes les autres composantes de l’islamisme algérien ont reçu une véritable gifle en perdant de nombreux sièges dans les communes et les assemblées locales des wilayas. La descente en enfer n’est pas due au hasard mais à une stratégie redoutable du président algérien, Abdelaziz Bouteflika. Tout en douceur.
Des islamistes émasculés
L’islamisme algérien est tombé dans le piège tendu par Bouteflika depuis son arrivée au pouvoir en 1999. L’acte 1 a débuté lorsque Bouteflika a convaincu les frères musulmans du MSP, créé par feu Chekih Mahfoud Nahnah, de s’associer avec lui pour diriger l’Algérie. La posture affichée alors par la présidence était de fermer la parenthèse d’une décennie noire marquée par les violences sanglantes. Le MSP, à l’époque la deuxième force politique algérienne, vit certains des siens accéder aux responsabilités, perdant ainsi l’essentiel de sa combativité. Le piège se refermait sur ces notables pieux happés par un exercice très partiel du pouvoir..
En revanche, il ne fut jamais question à ce stade de laisser se recréer un succédané du Front Islamique du Salut (FIS) dont les principaux cadres avaient combattu dans les maquis durant la décennie noire. Sur ce point, le « deal » était parfaitement clair entre Bouteflika et les militaires, notamment le DRS (services secrets algériens) du général Toufik. Ce fut même la condition sine qua non posée par l’armée à l’intronisation de l’actuel chef de l’Etat en 1999.
Há quase dois mil anos, numa madrugada de domingo em Jerusalém, três mulheres iam a caminho de um sepulcro recentemente talhado na rocha. Estavam muito preocupadas: como remover a enorme pedra que fora utilizada para fechar a sepultura? Já nascera o sol e elas levavam consigo perfumes que tinham comprado para embalsamar o morto. Esta etapa do rito fúnebre estava deslocada da ordem correta, pois o que teria sido normal era que tivessem embalsamado o morto antes de fecharem a sepultura com a pedra. Mas não aconteceu assim. O sepultado tinha morrido (e de morte bem cruel) quando estava para começar o sábado judaico. Não houvera tempo para tratar o seu corpo com perfumes.
Ao chegarem ao túmulo, as mulheres viram, com espanto, que alguém já removera a pedra. Entraram dentro do túmulo: e foi aí que ficaram apavoradas. O morto tinha desaparecido. Lá dentro, estava sentado um jovem, vestido de branco, que elas não conheciam. O jovem diz às três mulheres: “é Jesus, o Nazareno, que procurais, o crucificado? Ressuscitou. Não está aqui” (Marcos 16:6). O jovem recomenda às três mulheres que vão dizer a Pedro e aos outros discípulos que Jesus foi à frente, rumo à Galileia: na Galileia é que eles o verão. As mulheres fogem do sepulcro, dominadas por um misto de tremor e de tresloucamento (a palavra grega é “ékstasis”, donde vem a nossa palavra êxtase). Só que elas não obedeceram às instruções dadas pelo jovem. Na verdade, aquelas mulheres “nada disseram a ninguém. Tinham medo, pois” (Marcos 16:8).
É nestes termos que o mais antigo relato da ressurreição de Jesus nos descreve o momento arrepiante em que Maria Madalena, Maria (mãe de Tiago) e Salomé depararam com o túmulo vazio. O Evangelho de Marcos termina assim, no ar, como que (musicalmente falando) em cadência interrompida. É sabido que, posteriormente, cristãos anónimos, insatisfeitos com este final abrupto, trataram de escrever mais umas frases em jeito de continuação, também para que o final do Evangelho de Marcos condissesse com o final dos outros três Evangelhos canónicos, em que os discípulos têm “experiências imediatas” de Jesus ressuscitado, nas quais Jesus conversa (e até come) com eles.
As palavras proferidas por Jesus ressuscitado e as circunstâncias em que essas palavras são ditas (que desmentem, no caso de Lucas, o que o jovem vestido de branco diz às mulheres no Evangelho de Marcos) apresentam diferenças significativas quando comparamos os Evangelhos. Diferenças que levantam obrigatoriamente perguntas e nos obrigam a pensar.
A pergunta mais imediata é imensamente sugestiva para todos aqueles agnósticos que, como eu, se interessam pela fascinante figura histórica que foi Jesus de Nazaré; e deveria ser basilar para crentes que veem n’Ele o Filho de Deus. E a pergunta é esta: qual é o grau de fidedignidade dos relatos que lemos nestes quatro Evangelhos a respeito da ressurreição de Jesus? Todos eles falam num túmulo vazio. Mas donde lhes veio essa informação? Já mencionámos que Marcos, que redigiu o mais antigo relato que conhecemos sobre o túmulo vazio, nos diz que as supostas testemunhas oculares (as três mulheres) ficaram tão apavoradas que não contaram nada a ninguém.
Ora em nenhum momento do seu Evangelho nos é dito por Marcos que ele, o evangelista, presenciou pessoalmente aquilo que nos está a narrar. O mesmo vale para Mateus e para Lucas. Também é facto que, se os três se arrogassem o estatuto de testemunhas oculares, ainda maiores seriam as nossas dificuldades com estes textos fundadores do Cristianismo. É que os relatos dos evangelistas não são coincidentes. E se há quatro versões distintas, a lógica mais básica impede-nos de aceitar que as quatro possam ser verídicas. Podem estar as quatro erradas. Mas não podem é estar todas certas.
Em Lucas, tal como em Marcos, temos como testemunhas Maria Madalena e Maria (mãe de Tiago); mas Lucas não as faz acompanhar por Salomé, como em Marcos, mas sim por uma tal de Joana. Além destas três mulheres, há outras (não nomeadas) que estão também com elas. Este “coro trágico” de mulheres é exclusivo do Evangelho de Lucas. Em vez de elas verem um jovem sentado dentro do túmulo, estas mulheres descritas por Lucas veem dois homens. Estão vestidos de trajes resplandecentes e dão às mulheres a notícia fulminante de que Jesus ressuscitou. Tal como as mulheres em Marcos, as do Evangelho de Lucas também ficam apavoradas. Mas ao contrário do que fazem as duas Marias e Salomé em Marcos, em Lucas as mesmas Marias e Joana contam tudo aos apóstolos.
No entanto, estes não lhes dão crédito e (de forma bastante machista) acham que elas estão a dizer uma “parvoíce” (Lucas 24:11). Pedro, porém, não deve ter achado as mulheres assim tão parvas: levanta-se e vai a correr até ao sepulcro, para ver o que se passa com os seus próprios olhos. Olha lá para dentro e não vê nada. Só vê, abandonadas, as ligaduras com que o corpo de Jesus tinha sido envolto aquando da sepultura.
Consideremos agora o relato de Mateus: no caso deste Evangelho, são só duas as mulheres que chegam ao túmulo no domingo de manhã. São as nossas já conhecidas Marias (a Madalena e a mãe de Tiago). Unicamente neste Evangelho, dá-se um sismo. As duas Marias veem então um anjo do Senhor “com aspeto de relâmpago” (Mateus 28:3). Os guardas que estão a guardar o túmulo ficam “como mortos” (estes guardas só existem no Evangelho de Mateus; mais nenhum evangelista os refere). O anjo informa as duas mulheres que Jesus ressuscitou. Elas saem depressa, eufóricas de alegria (e não apavoradas, como em Marcos e Lucas).
De repente, acontece uma coisa com que nem Marcos nem Lucas tinham sonhado: aparece-lhes Jesus em pessoa. Diz-lhes “não temais” (embora elas não estivessem com medo) e dá-lhes a incumbência de transmitir aos “irmãos” Dele a mensagem de que devem ir até à Galileia: será na Galileia que o contemplarão. E assim acontece em Mateus e em João (mas não em Lucas). Repare-se que, no Evangelho de Mateus, nenhum discípulo de Jesus (nem sequer Pedro) vai ao túmulo para ver, com os próprios olhos, o que se passou: mas isso sucede (como referimos) em Lucas. E acontece também em João.
É no Evangelho de João que encontramos o relato mais divergente sobre as circunstâncias relativas ao túmulo vazio. A diferença fulcral é que só neste Evangelho nos é dito que o autor do texto viu com os seus próprios olhos aquilo que está a descrever. João afirma categoricamente que viu o túmulo vazio: foi o primeiro a vê-lo, aliás (João 20:8), antes mesmo de Pedro. No Evangelho de João, as três mulheres (que vão ao túmulo em Marcos e Lucas) e as duas mulheres (de Mateus) estão agora reduzidas a uma só: Maria Madalena.
Madalena é o verdadeiro denominador comum dos quatro relatos sobre o túmulo vazio. É ela que chega sozinha ao túmulo no domingo de manhã: ainda estava escuro (contrariamente ao que nos diz Marcos, que afirma explicitamente que já nascera o sol). Ao ver a pedra removida da entrada, Madalena desata a correr. Vai dar logo a notícia a Pedro e ao discípulo “que Jesus amava” (João 20:2), que, por sua vez, se põem também a correr. Vão todos em alvoroço até ao túmulo, mas quem corre mais depressa é o próprio autor do Evangelho, o discípulo amado. É ele que chega primeiro ao túmulo. Espreita lá para dentro e vê os panos depostos. Pedro chega logo de seguida e entra no túmulo. O discípulo amado entra atrás dele. “Viu e acreditou”.
Quando, muitos anos mais tarde, o discípulo amado escreveu o seu Evangelho, comentou a propósito deste momento que nem ele nem Pedro tinham compreendido o que tinham diante dos olhos, pois “ainda não conheciam a passagem da Escritura, segundo a qual Ele tinha de ressuscitar dos mortos” (João 20:9). Nós, leitores modernos, podemos considerar perdoável este alegado desconhecimento da Escritura por parte dos dois discípulos, atendendo ao facto de em nenhuma passagem do Antigo Testamento se encontrar escrita noção semelhante.
Pedro e o evangelista voltam “para junto dos seus” e só Madalena fica sozinha a chorar no exterior do túmulo. Por entre as lágrimas, ela espreita lá para dentro e vê dois anjos sentados. Os anjos (que tinham acabado de descer do céu, ou então eram visíveis apenas para Madalena, já que Pedro e João não os tinham visto) dão-se conta do choro dela e perguntam-lhe porque está a chorar. Madalena responde “porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram”. Madalena volta-se depois para trás e, nas palavras do evangelista, vê Jesus sem saber que era Jesus. Também Ele lhe pergunta a razão do choro. Julgando estar a falar com o jardineiro, Madalena pergunta-Lhe (num momento de subtil ironia poética digna da tragédia grega) se foi Ele que levou o corpo d’Ele. Jesus diz o nome dela: “Maria!”
É nesse momento (supremamente arrepiante mesmo para quem já leu o Evangelho de João centenas de vezes) que Madalena percebe.
A propósito das descrições divergentes do que se passou no túmulo vazio, dissemos acima que, quando temos quatro relatos que não coincidem sobre determinada realidade, somos impedidos pela lógica mais básica de aceitar que os quatro possam ser simultaneamente verídicos. Ou bem que estava um jovem sentado dentro do túmulo vazio (Marcos), ou dois homens (Lucas) ou um anjo (Mateus) ou dois anjos (João). Ou bem que foram três mulheres ao túmulo (Marcos e Lucas), duas mulheres (Mateus) ou só uma mulher (João). Estas personagens não cabem todas dentro e à porta do túmulo ao mesmo tempo. E mesmo que decantássemos a questão de modo a nos focarmos só na oscilação entre uma figura masculina (jovem ou anjo) e duas figuras masculinas (homens ou anjos), mesmo assim não faz sentido admitirmos que ambas as versões possam ter validade equivalente. Aceitando como realidade factual que Jesus foi crucificado numa sexta-feira da década de 30 do século I da nossa era e que, no domingo de manhã, o túmulo, onde tinha sido colocado o cadáver, estava vazio, temos de perguntar: o que aconteceu nessa sexta-feira? O que aconteceu nesse domingo de manhã? Qual será a verdade da ressurreição de Jesus? Qual será a verdade do túmulo vazio?
A resposta do crente é – claro está – a própria crença, território que não me compete pisar. O ateu encontrará talvez uma explicação racional no boato que Mateus pretende combater no final do capítulo 27 do seu Evangelho: os discípulos fizeram desaparecer o corpo de Jesus, de modo a dar a ilusão de que tinha ressuscitado. O túmulo estava vazio porque o corpo fora propositadamente removido.
Para aqueles que, como eu, não são crentes nem ateus, mas que leem de espírito aberto estes textos indispensáveis, constituirá porventura ressurreição suficiente o facto de, neste mundo onde Jesus de Nazaré morreu, podermos afirmar que, bem vistas as coisas, Ele afinal não morreu. Porque a verdade é esta: tanto crentes como não-crentes andaremos às voltas com Jesus nas nossas cabeças, enquanto houver seres humanos na Terra.
Frederico Lourenço
Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço
Na Idade Média e no que respeita o chamado mundo ocidental, as respostas aos grandes temas que, só em começos do século XVIII, viriam a integrar a geologia encontravam-se no seio das universidades europeias, cujos mestres eram, na grande maioria, eclesiásticos.
Do universo ao homem, passando pelo nosso planeta, onde os mares, as montanhas, os vulcões e os sismos eram alvo de um misto de curiosidade e temor, essas respostas, todas elas condicionadas pela fé, impunham verdades globais, definitivas e indiscutíveis.
Paradoxalmente, o pensamento científico emergia e crescia no seio da mesma Igreja. Cautelosa e timidamente, os seus cultores propunham as suas explicações, sujeitando-se ao risco de uma tal ousadia.
Como é vulgo dizer-se, a ciência e a religião são como a água e o azeite, não se misturam. As atitudes de uma e de outra perante as entidades e os fenómenos naturais são geradoras de confronto, hoje razoavelmente civilizado e pacífico nas sociedades democráticas, mas conflituoso e, tantas vezes, cruel e desumano no passado e, estupidamente em algumas sociedades do presente.
Foram muitas as situações em que a Igreja, declaradamente em nome da fé e encobertamente, em defesa dos seus privilégios, tentou submeter os “sábios”, muitos deles, os seus doutores, e pô-los ao serviço da sua condição de classe dominante.
Falar ou escrever sobre a origem da Terra e as suas transformações ou sobre o nascimento da vida e a evolução das espécies, incluindo o surgimento do homem, tinha limites impostos pelos zeladores da fé. Fazê-lo à luz da ciência e, inevitavelmente, em confronto com as “verdades” bíblicas e com os dogmas decretados pela Santa Sé, não foi uma caminhada fácil. Foi, sim, causa de perseguições, sofrimento e, não raras vezes, sacrifício da própria vida. Basta lembrar Averróis, no século XII, Roger Bacon, no XIII, Jean Buridan, no XIV, Ulisse Aldrovandi e Giordano Bruno, no XVI, Galileu, no XVII, e Buffon, no XVIII, para nos darmos conta dos escolhos postos ao progresso desta e de outras ciências.
Ao evocarmos filósofos, astrónomos, geógrafos e naturalistas que, tijolo a tijolo, implantaram as fundações do conhecimento hoje ao nosso alcance sobre a história do nosso planeta, da vida que sobre ele se desenvolveu e da nossa própria história como seres vivos, deparamo-nos, a cada passo, com o debate, entre o saber científico, racional, e o das crenças impostas pelas tradições religiosas ou outras, numa competição que só começou a esbater-se com o surgimento do iluminismo (movimento da elite intelectual europeia, em finais do século XVIII) e a vitória do liberalismo. Cultivar a geologia em moldes científicos, nos tempos anteriores, teve os seus riscos. E não foram pequenos.
A geologia foi um dos domínios do conhecimento científico cuja competição e cujos conflitos com a religião (em particular, com a Igreja Católica) foram mais graves e violentos. Apesar disso, cresceu, e muito, nos contextos da ciência e da tecnologia, sendo hoje um dos pilares da sociedade moderna, constituindo alavancas poderosas para o bem e para o mal, ao serviço de uma humanidade a um tempo sabedora e desencantada, à procura de um caminho que tarda em encontrar.
António Galopim de Carvalho
Retirado do Facebook | Mural de António Galopim de Carvalho
Esta segunda-feira demos mais um passo para a democracia Europeia: Lançamos o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia.
O lançamento do MeRA25 decorreu num teatro apinhado de Atenas e à medida que a nossa magnífica cerimónia de lançamento terminava, cerca de vinte neonazis atacaram os nossos membros. Felizmente os nosso apoiantes e voluntários conseguiram controlar a situação e ninguém se magoou.
Esta foi uma ação coordenada e os media oligárquicos gregos fizeram os possíveis para matar o MeRA25 à nascença.
O DiEM25 emitiu um comunicado assinado pelo co-fundador do DiEM25 Yanis Varoufakis e por Brian Eno, membro do Colectivo Coordenador a criticar o Equador por deixar Assange sem capacidade de comunicação.
Sempre soubemos que não seria fácil. À medida que nos vamos tornando mais fortes, o status quo e os seus aliados vão tentar tudo para silenciar o nosso apelo à democracia, transparência e justiça.
Sabemos o que temos de fazer e estamos certos que juntos somos mais fortes.
Tu podes ajudar, vê como:
Assina e partilha a nossa petição para permitir que Assange tenha acesso à internet e a visitas
Doar ao MeRA25 para que os ativistas do DiEM25 consigam formar uma política alternativa para a Grécia
Vítor, estamos a entrar numa nova fase,crítica para curar a União Europeia e realizar o nosso sonho coletivo. Precisamos por isso do teu apoio.
Carpe DiEM!
Luis Martin – Coordenador de comunicações do DiEM25
O problema da celebração da Páscoa para o agnóstico é a terceira das suas três etapas (sendo elas: crucificação; deposição no túmulo; ressurreição).
Para quem prefere manter uma posição distanciada relativamente ao modo como o Novo Testamento narra a biografia de Jesus, custa aceitar a ideia de que o homem a quem injustamente torturaram e mataram supera milagrosamente o horror do que lhe aconteceu ressuscitando ao terceiro dia.
O horror da última sexta-feira da sua vida é crível: é 100% consentâneo com o horror da realidade humana. O sentimento (de perda, de exaustão emocional e de infinita tristeza) vivido pela mãe do defunto e pelos seus amigos é compreensível, necessário e intensamente humano. O que acontece de sábado para domingo – o inexplicável regresso à vida depois da morte – obriga a um salto de raciocínio que a Razão trava à partida. Só podemos aceitar a ideia de que à morte se segue a vida (ainda para mais eterna) se aceitarmos que isso só pode fazer sentido num plano irracional.
Mas permaneçamos no terreno do racional. O Evangelho de Mateus (27: 57) conta como um homem de Arimateia chamado José se dirigiu a Pilatos e obteve dele a permissão para enterrar o corpo de Jesus. “E levando o corpo” (escreve o evangelista) “José envolveu-o num pano de linho lavado e depô-lo num túmulo recente, que mandou cavar na rocha”. O laconismo discreto das palavras de Mateus não deixa espaço para a consideração do estado emocional de José; das duas mulheres (ambas de nome Maria) que o evangelista inclui neste episódio diz-se apenas que ficaram sentadas em frente do sepulcro. Mas facilmente conseguimos imaginar o estado de espírito com que permaneceram ali sentadas: esse estado de choque, decorrente do luto profundo, foi descrito por um poeta em Roma mais ou menos na altura em que Jesus teria 8 anos de idade. A mulher enlutada descrita por esse poeta queda-se, imóvel, com o rosto pálido e sem pinga de sangue, com os olhos parados e a língua congelada dentro da boca (Ovídio, Metamorfoses 6, 303-6). O horror daquilo a que as duas Marias tinham assistido no lugar chamado Gólgota outra coisa decerto não permitiria.
Quanto às emoções de José de Arimateia, essas só 1700 anos depois é que encontrariam quem as soubesse intuir e descrever. Não apenas por palavras, mas acima de tudo por música. “Quero ser eu a enterrar Jesus” canta o solista da última das quatro árias para Baixo da “Paixão Segundo São Mateus” de Johann Sebastian Bach. “Faz-te puro, meu coração”.
Que sentido tem esse “quero ser eu a enterrar Jesus?” De que serviu declarar isto numa igreja em Leipzig mais de 1700 anos após o acontecimento? E de que servirá hoje, quase 2000 anos depois, a um ex-católico como eu a ideia de que continua válido o sentimento de responsabilidade individual experimentado por José de Arimateia no enterro de Jesus? Quero ser eu a enterrar Jesus porquê? Que significado tem para mim esse gesto?
Para o agnóstico, a acção de José de Arimateia – o Enterro de Jesus – é justamente o momento da história pascal que mais apela à sua participação. Se eu tenho dúvidas de que Jesus tenha sido filho de Deus, se eu não sei se existe Deus (embora intua irracionalmente que Ele existe), não me fará sentido a “forte união ao sacrifício de Cristo na cruz” (que, já agora, um padre católico me recomendou em tempos como “cura” para a homossexualidade). Muito menos me fará sentido a ressurreição.
Sepultar Jesus é outra coisa. É um gesto de desvelo, de homenagem a este homem que poderá (ou não) ter caminhado sobre a água, que terá conseguido (ou não) restituir a visão aos cegos e que terá feito (ou não) a multiplicação de pães. Foi um homem que morreu traído por um amigo e renegado por outro; foi um homem que teve a coragem de criticar fariseus, de escorraçar vendilhões e que afirmou “amém vos digo que dificilmente um rico entrará no reino dos céus” (Mateus 19: 23). Pregou o amor ao próximo, chamou “filhos de Deus” aos que promovem a paz e prometeu o “reino dos céus” aos que sofrem perseguição por causa da justiça.
Dar, como José de Arimateia, enterro condigno a este homem é – independentemente da religião que se formou em seu nome – homenagear o melhor que existe na natureza humana. Ao mesmo tempo, é voltar ao minuto zero, ao pré-Cristianismo, antes de Jesus ter (ou não) ressuscitado dos mortos: é voltarmos atrás na História, ao último momento em que nos podemos concentrar apenas nele – na sua vida e na sua morte. Antes da sua ressurreição. Antes de outros se terem interposto entre ele e nós e antes da fixação da igreja na figura mediadora de Maria. Pois este momento da deposição no túmulo permite-nos esquecer tanto São Paulo como todos os protagonistas vindouros das lutas assassinas entre seitas cristãs; permite-nos esquecer Constantino, Justiniano, os Reis Católicos, Luís XIV, D. João V, Pinochet e todos os outros ditadores e bilionários a quem a acomodatícia igreja de Cristo sancionou o devaneio de que professavam uma religião inspirada na vida de Jesus; permite-nos esquecer papas e inquisidores, católicos e luteranos, ortodoxos e calvinistas. Permite-nos esquecer dogmas e concílios, teólogos e missionários, conversões forçadas e autos-de-fé, Fátima e outras árvores-das-patacas similares.
Estarmos, uma vez por ano, ao lado de José de Arimateia a enterrar Jesus (e a sentir o luto intenso pela sua morte tão injusta) é homenagearmos a vida dele. E homenagearmos a vida de Jesus é o primeiro passo na percepção de que, em última análise, somos nós que podemos (por meio da forma como vivemos a nossa própria vida) assegurar que a vida admirável deste admirável defunto não tenha sido vivida em vão.
Frederico Lourenço
Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço
FOTO: The Entombment of Christ / El Entierro de Cristo // 17th c. // Adriaen van der Werff
Apesar de, no plano racional, me considerar ex-católico e profundamente céptico em relação a todas as religiões, a sexta-feira santa nunca será para mim um dia como outro qualquer.
De manhã à noite o meu pensamento está involuntariamente dominado pela imagem do homem pregado na cruz, esse homem singular portador de três identidades (Filho de Deus; ou apenas um nazareno histórico chamado Jesus; ou somente personagem da narrativa dos evangelistas). A ideia de pregar alguém numa cruz, depois de se lhe ter cuspido em cima e chicoteado de forma cruel, é persistentemente perturbadora, talvez porque nela conseguimos focar a indignação que o conhecimento da história humana nos obriga a repartir por tantas realidades análogas.
Torturas e execuções são o pão quotidiano da humanidade desde que ela deixou de ser constituída por caçadores-recolectores e passou a organizar-se em torno de um modo de vida sedentário. A civilização (não esquecer a ligação etimológica com «civitas») que nasceu da descoberta da agricultura há 12000 anos trouxe no seu encalço a escravatura, a guerra, as hierarquias sociais e a vocação das ideologias políticas e religiosas para cercear a liberdade de pensamento.
Desde então, muitos seres humanos foram torturados e executados (por vezes com crueldades ainda piores do que as sofridas pelo Nazareno); a própria crucificação já era coisa banal no mundo antigo quando Jesus foi crucificado. Basta dar este exemplo: na mesma Jerusalém, no século anterior, 800 judeus sofreram no mesmo dia a crucificação enquanto as mulheres e os filhos eram degolados à vista dos crucificados.
De alguma forma, a imagem da crucificação de Jesus propõe à nossa consideração uma espécie de sinédoque visual do sofrimento humano: é a parte abarcável que nos põe em confronto com um todo inabarcável – pois desse todo fazem parte as masmorras da Inquisição, da Gestapo e da KGB; dele fazem parte genocídios de povos inteiros; dele fazem parte as tragédias de hoje na Síria e no Iraque; dele fazem parte toda a fealdade hedionda do ser humano.
Pensarmos, pois, com toda a nossa compaixão no homem de Nazaré pregado na cruz é, assim, uma pequena tentativa de abarcarmos o inabarcável. É darmos um nome a um sofrimento que é global, milenar e anónimo.
imagem: a Crucificação de Guido Reni (século XVII), na igreja de San Lorenzo in Lucina (Roma), onde está enterrado Poussin.
Noto grande decepção sintomática e irreflectida, depressiva, entre gente da educação e das artes, confrontados com a Morte da Cultura e das relações Humanísticas, movidas pela dedicação.
Parece que não se aperceberam (e por isso não sabem lutar contra) a entrada da CULTURA PRAGMÁTICA ANGLO-AMERICANA na Europa (um espaço de desorientação, desistência, submissão e inexistência).
Quando gentes das “Ciências da Educação” foram ‘aprender’ em Boston a CULTURA GESTIONÁRIA, a dimensão da dedicação ao ensino (e às Artes) foi esterilizada – há que gastar formamente o tempo ‘de forma racional’ em reuniões, no preenchimento de formulários e a cumprir ‘programas’,a ‘ser útil’ e a ‘acabar com ‘devaneios humanístas’, de raiz familialista, dizem eles, que estudaram em Boston (são uma bosta).
Nesta Nova Cultura, quem não souber submeter-se aos Jogos Burocráticos, é eliminado por ‘Concursos’ formalizantes.
Da Política como Burocracia, à Educação e às Artes como Acções orientadas por Objectivos (que alguém decidiu que eram) ‘Pragmáticos’, isto é, Importados da América, vai um passo de Anão, estamos a caminho da perda da estatura humana, humanizada e humanística, e há muitos que estão a amuar, em vez de reagir.
Não se lembram dos “Tempos Modernos” e do Taylorismo Chaplinesco? Fomos avisados quase há um século. É a América Nazi (isto é, ‘Republicana’), o Positivismo, o Racionalismo, o Pragmatismo, o Machismo Mental Frio, e outras Ideologias Suprematistas de “Espíritos Racionais” (que comem rações, como as Bestas), isto é, de Almas Insensíveis.
Há muita dificuldade em perceber que os Burocratas da Intelectualidade “Racional” são doentes mentais de uma patologia até hoje não-diagnosticada, que vivem em Estado de Exibição, não buscam ajuda clínica e projectam à sua volta a Desumanidade das suas Almas Vazias, mas Suprematistas e, portanto, de um Imperialismo Globalizante. Paranóides, dizem os Psiquiatras, em livros que ninguém pensa. Freud definiu-os como “Homens Narcísicos” ou Homens de Acção (1930, 1931), que podem fazer perigar Civilizações.
Kant definiu-os como Gerontes Altivos (viris), deu-lhes o cognome de “Sublimes” e contrapôs os Sublimes (ele, como exemplo exemplar, estéril e sem família) aos “Belos” (as Mães brincando com filhos na relva, muito abaixo deles) e aos “geridos por Interesses”, que são hoje os que puxam os cordéis das Marionetas Sublimes e destroem o Belo, isto é, a Fecundidade feminina e materna.
José Gabriel Pereira Bastos
Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos
Nem todos sabem cantar
Não é dado a todos ser maçã
Para cair aos pés dos outros.
Esta é a maior confissão
Que jamais fez um vagabundo.
Não é à toa que eu ando despenteado,
Cabeça como lâmpada de querosene sobre os ombros.
Me agrada iluminar na escuridão
O outono sem folhas de vossas almas,
Me agrada, quando as pedras dos insultos
Voam sobre mim, granizo vomitado pelo vento.
Então limito-me a apertar mais com as mãos
A bolha oscilante dos cabelos.
Como eu me lembro bem então
Do lago cheio de erva e do som rouco do amieiro
E que nalgum lugar vivem meu pai e minha mãe,
Que pouco se importam com meus versos,
Que me amam como a um campo, como a um corpo,
Como à chuva que na primavera amolece o capim.
Eles, com seus forcados, viriam aferrar-vos
A cada injúria lançada contra mim.
Pobres, pobres camponeses,
Por certo, estão velhos e feios,
E ainda temem a Deus e aos espíritos do pântano.
Ah, se pudessem compreender
Que o seu filho é, em toda a Rússia,
O seu melhor poeta!
Seus corações não temiam por ele
Quando molhava os pés nos charcos outonais?
Agora ele anda de cartola
E sapatos de verniz.
Mas sobrevive nele o antigo fogo
De aldeão travesso.
A cada vaca, no letreiro dos açougues,
Ele saúda à distância.
E quando cruza com um coche numa praça,
Lembrando o odor de esterco dos campos nativos,
Lhe dá vontade de suster o rabo dos cavalos
Como a cauda de um vestido de nooiva.
Amo a terra.
Amo demais a minha terra!
Embora a entristeça o mofo dos salgueiros,
Me agradam os focinhos sujos dos porcos
E, no silêncio das noites, a voz alta dos sapos.
Fico doente de ternura com as recordações da infância.
Sonho com a névoa e a umidade das tardes de abril,
Quando o nosso bordo se acocorava
Para aquecer os ossos no ocaso.
Ah, quantos ovos nos ninhos das gralhas,
Trepando nos seus galhos, não roubei!
Será ainda o mesmo, com a copa verde?
Sua casca será rija como antes?
E tu, meu caro
E fiel cachorro malhado?!
A velhice te fez cego e resmungão.
Cauda caída, vagueias no quintal,
Teu faro não distingue o estábulo da casa.
Como recordo as nossas travessuras,
Quando eu furtava o pão de minha mãe
E mordíamos, um de cada vez,
Sem nojo um do outro.
Sou sempre o mesmo.
Meu coração é sempre o mesmo.
Como as centáureas no trigo, florem no rosto os olhos.
Estendendo as esteiras douradas de meus versos
Quero falar-vos com ternura.
Boa noite!
Boa noite a todos!
Terminou de soar na relva a foice do crepúsculo…
Eu sinto hoje uma vontade louca
De mijar, da janela, para a lua.
Luz azul, luz tão azul!
Com tanto azul, até morrer é zero.
Que importa que eu tenha o ar de um cínico
Que pendurou uma lanterna no traseiro!
Velho, bravo Págaso exausto,
De que me serve o teu trote delicado?
Eu vim, um mestre rigoroso,
Para cantar e celebrar os ratos,
Minha cabeça, como agosto,
Verte o vinho espumante dos cabelos.
Eu quero ser a vela amarela
Rumo ao país para o qual navegamos.
Expoente de uma ramificação das vanguardas, o Imagismo, Serguei Iessiênin simbolizou a tragédia vivida pelos grandes poetas soviéticos: viveu 30 anos de grande furor literário e pessoal, foi casado com a precursora da dança moderna. Isadora Duncan, e encerrou sua vida suicidando-se num quarto de hotel.
Este inferno de amar – como eu amo! –
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… – foi um sonho –
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…
A derrota dos Estados Unidos e da Grâ Bretanha na Siria são a razão para a patética “guerra” de expulsão de diplomatas russos da Grã-Bretaha, dos Estados Unidos e dos seus satélites aliados na guerra perdida para fazer da Siria um Iraque a saque e base de apoio da coligação contra o Irão.
A história da morte dos agentes duplos em Londres é uma historieta para crianças e idiotizados.
A expulsão de diplomatas russos de Inglaterra a pretexto de uma alegada e nunca provada ação de envenenamento de um alegado agente duplo – sem qualquer prova – é um fellatio que a senhora May faz aos americanos como resultado da derrota da dita “coligação” na Siria.
Os Estados Unidos (animados pela Inglaterra da May) respondem assim à derrota da sua manobra de desestabilização e ocupação da Siria. É disso que se trata.
A estratégia dos Estados Unidos de ocupar a Siria e de, a partir dali, construir uma base para o ataque ao Irão e ali instituir um regime fantoche e corrupto para vender o espaço para construção de oleodutos falhou redondamente.
A intervenção da Rússia em apoio do governo Sírio, a aliança da Rússia com a Turquia, a abertura de um porto no Mediterrâneo à China deixou os americanos e os seus agentes locais, Israel em estado de choque.
O Médio Oriente deixou de ser uma coutada americo-israelita, como foi desde a II Guerra Mundial.
Por outro lado os americanos são obrigados a tratar a Coreia do Norte como um parceiro respeitável. Uma nova moeda está a surgir como alternativa ao dólar nos negócios internacionais.
Trump é uma figura desacreditada internamente, como Theresa May em Inglaterra com o Brexit. Nestas circunstâncias, arranjar um inimigo externo é a solução clássica.
É na palhaçada em que estamos. Esta palhaçada tem tudo para correr mal. Nós, os cidadãos do mundo desta parte do mundo estamos, mais uma vez, a ser arrastados para um jogo muito perigoso, comandados por tipos e tipas sem escrúpulos, capazes de tudo.
A Revista Militar do Exército dos Estados Unidos, uma fonte credível e que reflete o pensamento dos militares americanos reconhece a derrota. Já o tinha feito anteriormente, a propósito do Vietname.
De traço alegre e seguro, as obras de Marta Algarvio esperam ser reconhecidas e expostas no Concelho, pelo que alertamos a Câmara Municipal de Viana do Alentejo para tal situação, lembrando o espaço agora vago no Castelo de Viana, na Biblioteca Municipal ou, numa das salas do Paço dos Henriques, na vila de Alcáçovas. A ideia aqui fica.
É chegada a altura de ir para além das tradicionais formas de acção e organização (estilhaçadas temática, religiosa e ideologicamente) e de nos unirmos EM REDE, á escala nacional, internacional e mundial, como PARTIDÁRIOS DE UM MUNDO MELHOR, em Amor, Respeito, Paz e Solidariedade.
Somos muitos mais do que pensamos, somos quase todos. Só falta que nos organizemos à escala mundial e corramos democraticamente com os Grandes Opressores Criminosos a quem temos vindo a delegar a competência de nos representarem à escala nacional e europeia.
Os nossos inimigos são os Aparelhos de Estado, sobretudo os Aparelhos Bancários e Militares, associados a organizações secretas, mafiosas e criminais que se ocultam noutros aparelhos, como os Judiciais e policiais.
A estratégia do PODER MAFIOSO é “dividir-nos, para reinar sobre nós”. A nossa estratégia contra o Poder Mafioso (parcialmente secreto, parcialmente controlando a organização e os programas dos Aparelhos Escolares e Universitários e controlando os Media, para nos alienarem), deve UNIR-NOS À ESCALA MUNDIAL para lhes retirarmos o Poder Maligno, de forma pacífica e democrática. A MAIORIA SOMOS NÓS, GENTE BOA DE TODO O MUNDO.
A DIVERSIDADE É UMA FORÇA VITAL A RESPEITAR.
Vamos confederar a Diversidade da Gente Boa que quer um Mundo Melhor. Eu estarei na primeira linha. Convosco.
Chega de ‘manifestações’ e de discursos. Vamos finalmente organizar-nos, construir o CADERNO REIVINDICATIVO, e impô-lo, através de Referendos?
Le Fruit ( griotte – cerise à chair très acidulée )
La création de liqueurs à base de fruits remonte à un lointain passé ainsi qu´à des rîtes et endroits ancestraux, où elles étaient utilisées à des fins médicinales où pour la guérison de certaines maladies.
Il est difficile d´établir avec précision l´origine de l´apparition de la ginja (Griotte). O pense qu´elle serait originaire de l´Asie Mineure, des marges de la mer caspienne, et petit à petit elle à fait son apparition dans les différents pays de la méditerranée grâce aux routes commerciales.
Dans l´Ethnographie Portugaise, José Leite Vasconcelos, mentionne que Pline l´Ancien (Siècle 1er après Jésus Christ), célèbre écrivain romain, qui loua les Ginjas (Griottes) de la Lusitanie. Le Portugal, dans sa région de l´Ouest, plus précisément dans la municipalité de óbidos, grâce à son microclimat, possède les meilleures griottes Sylvestres d´Europe.
La Liqueur
Également connue sous le nom de « Ginjinha de óbidos », la liqueur possède une forte saveur, intensément parfumée à la saveur aigre-douce des griottes. de couleur rouge foncée, la liqueur possède deux variétés distinctes : la liqueur simple ainsi que celle avec des fruits, parfois aromatisée à la vanille où avec un bâton de cannelle.
Son origine remonterait au XVIIème siècle, de confection conventuelle, un moine aurait tiré partie des grandes quantités de fruits existantes dans la région, procédant au raffinement de cette liqueur bien connue. La formule fut peu à peu répandue, étant ensuite confectionnée de façon traditionnelle, fait maison, par les habitants de óbidos, fiers de faire connaitre aux illustres visiteurs la meilleure des Ginjas. Composée à l´aide d´un peu d´alcool où acide, la ginja est le produit par excellence de la Ville qui cède sa réputation à la nuit de óbidos.
A motivação é um aspecto intrigante quando pensamos em validar (ou dispensar) um indivíduo. Por exemplo, o borrego manso do PSD, notório arrivista molecular, ao fantasiar (digamos assim) dados do seu percurso curricular num tempo de acesso fácil ao mais ínfimo e sórdido detalhe, põe a sua cabeça no cepo. Quem quer os laranjas mantidos no chão da sua peçonha ainda a tresandar, agradece. Quem pratica o ofício do humorismo, regozija-se. Quem se preocupa com o valor dos animais políticos, entristece-se. Por estes e por outros, se ensombra qualquer alma hoje dedicada com honestidade ao ofício mais nobre da civilização, a Política.
Hoje, para que se saiba sem intermediários, juntei oficialmente os trapinhos com a única força política viril, diria mesmo entumescida, na qual leio, vejo, oiço e sinto capacidades frontais e acções consistentes onde habitem as palavras liberdade, coragem, frontalidade e integridade. Não me movem o oportunismo, a avença, a agremiação de mais leitores. Não tenho aspirações a grande mufti ou a discursar perante tribunas de plebeus sanguinários.
Agrada-me doravante ser chamado de Camarada Salazar, erguer os copos com um líder assertivo de nome de índio, ter na linhagem de fundadores um escritor, artista e pensador dos mais combativos e brilhantes que o país conheceu e seguir uma tradição antiga, onde o mote sem dogma é trabalhar para o bem comum e não para o benefício de alguns.
P.S. Para que conste dia 3 de Abril, às 18h, no Centro de Trabalho Vitória, na Av. da Liberdade, 170, Lisboa, serão homenageados os escritores-camaradas Rui Nunes e Modesto Navarro, há 50 anos dedicados aos combates políticos e literários.
Está a ser fascinante a reacção desesperada de governos Ocidentais (e de seguidores dessa religião política) à vitoria da aliança Síria-Rússia, que vai gorar as fantasias de dominação imperialista Anglo-Americana, começada com a Guerra Iraque-Irão, paga por Anglo-Americanos e continuada com a invasão do Afeganistão, do Iraque, da Líbia e da Síria, com liquidação de dois velhos aliados que convinha que não pudessem contar a História (Sadam Hussein, pago para atacar o Irão, e Kadhafi, que financiou Governos Europeus periclitantes, como agora dizem que Putin financiou Trump, é, pelos vistos, um hábito de falsificação das Democracias Eleitorais falsificadas em que vivemos).
Abater Assad era a nova obsessão, para dividir a Síria (como fizeram no Iraque) e arranjar um Governo para entregar aos Sunitas que tinham expulso do governo do Iraque, entregue por eles (Anglo-Americanos) aos Xiitas, nas suas já habituais manipulações de engenharia política, sempre falhadas e com péssimos resultados (enormes instabilidades e destruições, e milhões de mortos e refugiados em fuga para dentro da UE, dividindo-a e pondo-a na mão de Erdogan, o novo Imperador Turco que tinha sonhado invadir a Europa com as suas dezenas de milhões de muçulmanos e foi, por isso, rejeitado e desrespeitado pela UE).
No FB corre uma petição histérica da Avaaz querendo que os Jogos Olímpicos na Rússia sejam alvo de bloqueio ‘Ocidental’ e Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico vem, com um raciocínio paranóide, acusar a Rússia da agressão que o ‘Ocidente’ patrocinou e ainda quer teimosamente vencer.e propor esse bloqueio aos Jogos Olímpicos (a inveja, mesmo política, é uma das maiores motivações dos obsessivos, não aguentam que outros brilhem).
Nunca, como é óbvio, um Governo Russo liquidaria ex-expiões com veneno de origem russa na véspera de eleições russas que estavam mais do que ganhas. A Inglaterra dispunha da fórmula química daquele veneno e só se nunca viram filmes de espionagem é que não conhecem a manobra de fazer o mal e a caramunha, imputando ao opositor um crime feito pelos seus próprios Serviços Secretos.(contra um ex-espião duplo, que atraiçoou dois Estados).
José Gabriel Pereira Bastos
Retirado do Facebook | Mural de José Gabriel Pereira Bastos
Esta magnífica árvore, situada em Águas de Moura, no concelho de Palmela, foi eleita ontem, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a árvore europeia de 2018.
Esta árvore, plantada há 234 anos, “foi já descortiçada mais de 20 vezes e está classificada como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e inscrita no Livro de Recordes do Guinness como “o maior sobreiro do mundo”.
António Galopim de Carvalho
Retirado do Facebook | Mural de António Galopim de Carvalho
1. Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas ações ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a ação ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.
2. É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que atue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.
3. Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.
4. A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.
Desde então recebemos uma enchente de mensagens de apoio dos apoiantes do DiEM25! E foram disparados tiros de aviso aos políticos do “status quo” e aos seus trolls espalhados pelos media. Estão a ficar preocupados e fazem bem em estar.
A nossa estratégia para os dois meses seguintes divide-se em duas partes:
No nosso Movimento: Vamos continuar a crescer e a fortalecer o nosso movimento para que consigamos chamar a atenção dos cidadãos da UE. Vamos também expandir o número de ativistas e voluntários e manter a pressão sobre o sistema político europeu.
Na nossa Ala eleitoral: Vamos continuar a contruir uma força política progressiva e transnacional que possa apoiar e eleger os candidatos que não são financiados pelos suspeitos do costume, o que dará peso político real às nossas políticas.
Vítor, se estás em Atenas, ou podes vir até cá, por favor junta-te a nós dia 26 de Março quando iremos lançar o MeRA25, , a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia.
Os Parreirais dos Moquinhos estão estrategicamente localizados no centro da Vila de Minde e no Coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A menos de uma hora de Lisboa, a 2 qulilómetros das grutas de Mira d’Aire e a minutos da cidade de Fátima.
Nos Parreirais dos Moquinhos irá encontrar uma decoração que funde modernidade, cultura e tradição.
Dispõe de Internet (wireless), tv cabo, estacionamento.
Vem hoje um cheiro tão bom lá de fora do mundo!
Um cheiro a esponsais de primavera
com deusas de astros na fronte
e enlaces de folhas de hera
no cabelo voado…
(Ah! se eu encontrasse a ponte
que vai para o outro lado!)
“Este livro não é um ensaio, nem quer produzir uma teoria. O que estas histórias expõem é a forma desabrida como o racismo se incrustou na nossa sociedade, com consequências graves, ao ponto de permitir que um professor catedrático goze publicamente com um colega por causa do seu nome, que um senhorio recuse alugar a casa a alguém apenas por ser afrodescendente, e que um banqueiro se dê ao luxo de colocar um currículo de lado por a candidata ser negra. Estas são histórias de hoje, em Portugal.”
Figures show a majority of young adults in 12 countries have no faith, with Czechs least religious
Europe’s march towards a post-Christian society has been starkly illustrated by research showing a majority of young people in a dozen countries do not follow a religion.
The survey of 16- to 29-year-olds found the Czech Republic is the least religious country in Europe, with 91% of that age group saying they have no religious affiliation. Between 70% and 80% of young adults in Estonia, Sweden and the Netherlands also categorise themselves as non-religious.
The most religious country is Poland, where 17% of young adults define themselves as non-religious, followed by Lithuania with 25%.
70% of young people in the UK identify with no religion
How 16- to 29-year-olds self-identify, %
In the UK, only 7% of young adults identify as Anglican, fewer than the 10% who categorise themselves as Catholic. Young Muslims, at 6%, are on the brink of overtaking those who consider themselves part of the country’s established church.
The figures are published in a report, Europe’s Young Adults and Religion, by Stephen Bullivant, a professor of theology and the sociology of religion at St Mary’s University in London. They are based on data from the European social survey 2014-16.
Religion was “moribund”, he said. “With some notable exceptions, young adults increasingly are not identifying with or practising religion.”
The trajectory was likely to become more marked. “Christianity as a default, as a norm, is gone, and probably gone for good – or at least for the next 100 years,” Bullivant said.
But there were significant variations, he said. “Countries that are next door to one another, with similar cultural backgrounds and histories, have wildly different religious profiles.”
59% of young people in the UK never attend religious services
Frequency of attendance, outside of special occasions, 16- to 29-year-olds
The two most religious countries, Poland and Lithuania, and the two least religious, the Czech Republic and Estonia, are post-communist states.
The trend of religious affiliation was repeated when young people were asked about religious practice. Only in Poland, Portugal and Ireland did more than 10% of young people say they attend services at least once a week.
In the Czech Republic, 70% said they never went to church or any other place of worship, and 80% said they never pray. In the UK, France, Belgium, Spain and the Netherlands, between 56% and 60% said they never go to church, and between 63% and 66% said they never pray.
Among those identifying as Catholic, there was wide variation in levels of commitment. More than 80% of young Poles say they are Catholic, with about half going to mass at least once a week. In Lithuania, where 70% of young adults say they are Catholic, only 5% go to mass weekly.
Nearly two-thirds of young people in the UK never pray
Frequency of prayer, outside of religious services, 16- to 29-year-olds
According to Bullivant, many young Europeans “will have been baptised and then never darken the door of a church again. Cultural religious identities just aren’t being passed on from parents to children. It just washes straight off them.”
The figures for the UK were partly explained by high immigration, he added. “One in five Catholics in the UK were not born in the UK.
“And we know the Muslim birthrate is higher than the general population, and they have much higher [religious] retention rates.”
In Ireland, there has been a significant decline in religiosity over the past 30 years, “but compared to anywhere else in western Europe, it still looks pretty religious”, Bullivant said.
“The new default setting is ‘no religion’, and the few who are religious see themselves as swimming against the tide,” he said.
“In 20 or 30 years’ time, mainstream churches will be smaller, but the few people left will be highly committed.”
Quando era miúdo, no tempo da Outra Senhora, havia uma figura sinistra em que se apoiava o regime – o bufo. Nada havia pior do que um bufo, nem mesmo um pide. Um pide era um pide, dava a cara. Já lhe bastava ser pide. Um bufo não. Escondia-se nas sombras, como rato de esgoto que era, e denunciava aos pides qualquer raio de sol que vislumbrasse. Mesmo as crianças sabiam que uma bufa era mau, mas que um bufo era um nojo. Ai daquele que fizesse queixinhas de outro, tinha logo um acidente traumatológico. E depressa deixava de andar a treinar para bufo. Nunca pensei que quase meio século depois do 25 de Abril voltássemos ao tempo dos bufos. Qualquer um pode hoje denunciar outrem inventando o que quer que seja. Senhores magistrados, o vizinho do 5º direito cheira a chulé! Pimba, lá vai um batalhão de judites ao 5º direito com um alguidar cheio de água com creolina, esfregão de arame e sabão azul e branco! Pior: o bufo de hoje é um rato sem focinho, um rato anónimo. E há lá coisa pior do que um queixinhas anónimo? Um queixinhas já é suficientemente mau. Anónimo é mil vezes pior. É como receber uma carta anónima. Ao longo da minha vida só recebi uma. E chegou. Tinha acabado de ser premiado pelo JN devido a uma reportagem na guerra da Bósnia e que só eu sei quanto me custou a fazer quando recebi a tal carta. Sem remetente, claro. Supostamente enviada por um coleguinha despeitado. E lá estava – que eu era este e aquele, uma nulidade do jornalismo, um falso, um pobretana, um miserável zé-ninguém que aspirava a um lugar ao sol a todo o custo. Confesso que me custou a engolir. Foi como ter levado um soco no estômago. Fiquei sem acção, incapaz de reagir. Reagir a quê e contra quem se a carta era anónima? Fiquei ali a lê-la e a relê-la, sentindo como cada palavra era injusta e a molhar as páginas com as lágrimas que me caíam. Lágrimas de revolta, de raiva por não poder obrigar a engolir cada letra a quem as tinha tão cobardemente escrito. Voltámos ao mesmo – à denúncia cobarde e miserável, à denúncia anónima. Num Estado de direito não deveria haver lugar à denúncia anónima. Dirão alguns que quem o faz fá-lo por medo. Não aceito. Uma democracia com medo não é uma democracia. É uma merdocracia. Dirão outros que sim, que há medo. Medo dos mafiosos que regem este quintal mal-amanhado e pior frequentado e dos caceteiros e pistoleiros que os caciques têm a soldo, saídos desta ou daquela claque. Pois é simples – prendam-se os mafiosos e os caciques, caceteiros e pistoleiros. Acabe-se com as claques, essas escolas de bandidos. Só não o fazem porque não querem. Porque não interessa. Mas enquanto não o fizerem não me venham dizer que vivemos em democracia. Porque isto assim não passa de uma bufaria. E uma bufaria é um nojo.
Boa noite. Embora antigo, recomenda-se a leitura deste artigo do ex- Bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Engº Fernando Santo
Direito de resposta – Sol, 23-02-2008
Na edição de IG de Fevereiro do Jornal SOL, foi publicado um artigo sob o título Engenheiros sem lei, da autoria de Margarida Davim, que justifica um esclarecimento, pois os engenheiros sempre tiveram lei
Percebemos que a onda de eleições na Ordem dos Arquitectos e a divergência quanto às posições que alguns têm defendido a propósito da revisão do Decreto 73/73, que regula a qualificação profissional dos técnicos que podem subscrever projectos, sirva de bandeira eleitoral, mas os engenheiros não servem para alimentar a visão corporativa de alguns arquitectos que pretendem ignorar a lei e as directivas comunitárias em vigor.
Devo confessar que tenho uma elevada estima pela classe profissional dos arquitectos, mas a visão corporativa de uma parte não pode afirmar-se contra direitos e competências reconhecidas, desde há séculos, a outros profissionais. Contrariamente ao título da referida notícia a engenharia está reconhecida em Portugal desde 1647, através de um decreto de D. João IV sendo uma das mais antigas engenharias da Europa. Foram os engenheiros que projectaram a Baixa de Lisboa, após o terramoto de 1755, desde o Plano Geral, passando pelos projectos de arquitectura, até às inovadoras estruturas de madeira para resistirem aos sismos. Há séculos que os engenheiros elaboram projectos que incluem arquitectura e engenharia. Mais recentemente, em 1973, o célebre Decreto 73/73 veio reafirmar que os engenheiros civis tinham competência para elaborar projectos de arquitectura.
Também a Directiva Arquitectura, de Agosto de 1985, estabelece que os engenheiros civis de Portugal, Itália e Grécia podem elaborar projectos de arquitectura no espaço europeu.Por cá, uma linha de orientação da Ordem dos Arquitectos entendeu usar como bandeira a reclamação do direito à arquitectura, tendo apresentado, na Assembleia da República, uma petição assinada por 35.000 cidadãos, reclamando o direito exclusivo à arquitectura para arquitectos, excluindo todos os outros profissionais, independentemente da dimensão ou complexidade dos projectos. Não está sequer definido o que se entende por projecto de arquitectura, para deixar todo o espaço de interpretação alargado.
Como se tratava da primeira iniciativa legislativa de cidadãos, a Assembleia de República colocou em primeiro lugar a vertente política, acabando por aprovar a petição, que passou a ser o Projecto de Lei mais corporativo produzido em Portugal após a Revolução de AbrilNão passa pela cabeça dos engenheiros reclamar na Assembleia da República o direito à engenharia, mas também não necessitaríamos de andar pelas ruas a pedir assinaturas de favor, pois somos mais de 43.000.Antes da petição, já a Ordem dos Engenheiros havia entregue uma proposta ao Governo, em Dezembro de 2004, em que aceitava o princípio da arquitectura para arquitectos, salvaguardando determinadas situações reconhecidas ao longo das últimas décadas e o disposto na própria Directiva Arquitectura. Aversão que foi apresentada pelo Governo à Assembleia da República, após a petição, não só ignorou o reconhecimento desses direitos a nível europeu, como divide as obras em duas partes: os edifícios, com projectos de arquitectura, e o resto. O resto são simplesmente as obras de engenharia civil designadas como tal em todas as classificações europeias e nacionais e que, em Portugal, representam tão-somente o sector das obras públicas, que valem mais de 50% de todo o sector da construção! Até parece que a simples designação de engenharia civil é incómoda. Quanto à diferenciação dos projectos de engenharia, nas suas diferentes especialidades, nem uma palavra! Para tornar ainda mais corporativo o Projecto de Lei, os arquitectos também podem assumir responsabilidades nas áreas de engenharia. Estamos perante um Projecto de Revisão do Decreto 73/73, feito para agradar a uma classe profissional, remetendo as restantes para plano secundário. A obsessão de alguns vai tão longe que ainda não perceberam que a arquitectura não é uma “deusa” exclusivamente atingida por quem tem uma formação superior de 5 anos, pois fora dessa exigência não querem permitir que alguém possa produzir um risco, nem que seja para um depósito enterrado.
Chamamos a isto a criação de mercados protegidos.Contrariamente, na engenharia, temos engenheiros com formação superior de 5 anos, engenheiros técnicos com formação de 3 anos e técnicos de nível médio, como são, entre outros, os Agentes Técnicos de Arquitectura e de Engenharia. Felizmente que todos existem, são necessários, e trabalham de forma complementar, importando apenas diferenciar as competências, de acordo com a complexidade das intervenções. A exclusão não faz parte do nosso vocabulário e julgo que também não será aceite pelos Deputados que, certamente, perceberam o erro que cometeram ao aprovarem a referida petição de cidadãos. Nesta fase estarão, com toda a certeza, a tentar produzir uma Lei que introduza os necessários equilíbrios, que respeite a legislação comunitária e o exercício profissional de muitos técnicos. Era só o que faltava que um Projecto de Alterações no interior de um edifício Pombalino, ou com paredes resistentes, tivesse que ser obrigatoriamente assinado por um arquitecto, quando a questão essencial, neste exemplo, é a própria segurança estrutural do edifício! Se nada se alterar no Projecto de Lei, serão aprovados muitos disparates de visão corporativa Ao contrário de alguns, que querem ver aprovado o disparate rapidamente, nós não temos pressa. Se já esperámos 34 anos após a publicação do 73/73, então que se espere mais algum tempo, para que o resultado final seja o justo equilíbrio entre todas as profissões e o interesse público. Penso que será esse o interesse do país, que, naturalmente, se sobrepõe ao interesse de alguns.
Fernando Santo – Ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros (Sol, 23-02-2008)