Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

“O meu amigo Urbano morreu, e eu de súbito fiquei desamparada, sem chão, o dia perdeu claridade.
Era muito nova quando nos conhecemos, e desde o primeiro momento, a sua generosidade, a sua solidariedade, fez toda a diferença.
Ontem, de um momento para o outro, senti-me absolutamente só, a pensar que lhe devia ter dito mais vezes, quanto o admirava, quanto ele fora importante para mim. Mas, também, agradecer-lhe o exemplo de hombridade, de honra e de coragem, que me deu sempre.
O Urbano foi o homem mais corajoso que conheci.
O Urbano era um homem da liberdade.
Obrigada querido Urbano por teres sido como foste.”

Maria Teresa Horta    (publicado no Facebook)

Veja aqui a reportagem da RTP

SOBRAS DE LOUCURA | Cecília Prada

Há na história da literatura uma variedade de escritores que vêm vindo, desde os primórdios da civilização humana,  dois tipos de escritores: os que se dizem “sãos”, normais; e os que são definidos como “loucos”, diferentes– em vários matizes, tonalidades e aceitações. Ou rejeições. Os primeiros são os meninos bonzinhos, o primeiro da classe – ou, meramente, o funcionário público da literatura, aquele que, em nosso tempo principalmente, está mais interessado em sua agenda, conta bancária e feiras de livros, de preferência internacionais. A receita de sua ficção – nós os temos aí às toneladas – é  a falta de estilo pessoal, vertida em prosa sem pensamento ou sobressalto, engordativa e abundante em enredos complicados (os históricos andam muito em moda), de preferência já votados a polpudas versões telenovelescas ou cinematográficas.

Os segundos : é grande sua variedade, englobados que estão dentro da categoria geral de todos aqueles escritores que vieram vindo, séculos afora, nos vários cantos da Terra, empenhados de modo tão visceralmente doloroso e difícil naquela luta “tão vã”– como dizia o poeta Drummond – a luta pela palavra, pela expressão do estranhamento cotidiano de si, do outro, do universo em que estamos todos metidos. Aqueles para os quais escrever é um imperativo interior que pode levá-los a extremos de satisfação ou de sofrimento, uma arte exigente, implacável, e certamente a mais solitária que existe.

Há mesmo na Inglaterra um curioso monumento, não me lembro em que lugar, “em homenagem ao escritor solitário”– uma enorme cadeira vazia que se levanta para  o céu – por entre suas pernas passa a história da humanidade. Homenageia um estranho, atordoado  e já raro ser – o “escritor literário” – que, se ainda não extinto hoje, estertora em meio à enxurrada editorial quantitativa despejada cotidianamente sobre sua cabeçapor todos os meios tradicionais ou up-to-date midiáticos, enquanto ele ainda tenta, qual Camões, salvar-se do naufrágio mantendo intacto o manuscrito de um poema, ou de um romance,  fora das águas.

Um ser que insiste em estar mergulhado, sempre, na compulsão de uma criação cujo mistério chega a desafiar até mesmo um dos maiores escritores da atualidade, Gabriel Garcia Marques, que pergunta: “Que tipo de mistério é esse, que faz com que o simples desejo de contar histórias se transforme numa paixão, e que um ser humano seja capaz de morrer por essa paixão, morrer de fome, de frio ou do que for, desde que seja capaz de fazer uma coisa que não pode ser vista nem tocada, e que afinal, pensando bem, não serve para nada?”

 

(É disso que trata meu décimo-terceiro livro, “PROFISSIONAIS DA SOLIDÃO”(artigos sobre literatura), que acaba de ser lançado pela Editora SENAC, de São Paulo – para o qual, gostaria muito esta autora de encontrar também editor em Portugal e em outros países lusófonos…)

O DEBITADOR por Cristina Carvalho

cc 01E então o rapaz levanta-se, entorta, ligeiramente, mas só ligeiramente a cabecinha para um lado – reminiscências de infância! -, ajeita os seus dois relógios, um em cada pulso, um verde, outro amarelo, esfrega as mãos, simula um auto-abraço, entrelaça os dedos das mãos, começa a andar de um lado para o outro do palco, com frenesim e alguma estudada e ensaiada atitude nervosa e começa a debitar um incompreensível, na sua totalidade, amontoado de palavras.

Dirige-se a um público atordoado – pensa ele – por tantas e singulares afirmações, um público que nem sabe bem onde é que está e o que veio ouvir.

O jovem debitador vomita e defeca palavras que não existem, questiona, ilude, prestidigita, inventa; o jovem debitador apresenta uma energia doentia, é baixote e ágil como um ladrão; forma frases compridíssimas, com mais palavras estrangeiras que portuguesas; tenta convencer em acto desesperado; de tempos a tempos, ergue os braços e incita a plateia a levantar-se e a aplaudir e faz-se de tal maneira insinuante que, num primeiro vislumbre, até confunde. E faz gestos que incitam a plateia a levantar-se, observa, ri-se e manda sentar, de novo! Apreciou a constatação: levantaram-se e baixaram-se a seu comando!

Eu sou quase Deus!

O jovem debitador não diz absolutamente nada. Nada de nada! É de uma banalidade confrangedora. São toneladas de lugares-comuns, resmas de frases feitas, pensamentos cansados, esgotados de tanto ouvidos. É um autómato, uma figura de cera que, se fôr deixada ao sol, derreter-se-à num ápice. Ele não sabe, ele não sente. Não deve ter sangue. A sua proclamada ambição e o seu expresso desejo é que todos os jovens deste desgraçado país trabalhem. E ele existe para nos convencer que, se não trabalham, é porque não querem e que se trabalhassem tinham sucesso garantido! Basta a vontade!! O rapaz é cansativo. Rebenta-nos de cansaço! Fala à velocidade da luz e não dá tréguas. Não tem tempos. Não tem noções. Impõe. Exige! Ordena!

Expulsa! Tudo explode à sua volta! Não! Não quero ouvi-lo nem mais uma fracção de segundo em todo o resto da minha vida!! Irra!

O debitador tem sido recebido em todo o lado. Nas televisões, nas rádios, nos jornais como se de um Messias se tratasse, um espalhador da palavra, um arrebimba-o-malho de certezas e confianças no nada, no zero. Nada! Diz nada! Não há, naquele discurso, nada de coerente, de sábio, de conhecedor. Não há vida. No seu discurso existem todas as sombras de todos os desesperos, de todas as angústias, de todas as incertezas.

O ignóbil disto tudo é o sorriso satisfeito dos que o elegeram para encabeçar um movimento destes: o empreendedorismo jovem! E também daqueles que lhe dão cobertura mediática. É que isto chama audiêêências! Muitas!

No olhar deste rapaz não existe nada a não ser a vontade desmedida de se fazer notado seja de que maneira seja. Um case study, para usar umas das suas muitas lenga-lengas anglo-saxónicas e que passo a dar exemplos:

Mind set, interface, feedback, swaip, pitch, slide, as we speak, expertise, spam, newsletters e desculpem-me os erros, que alguma coisa deve estar mal escrita.

Não existe naquele olhar uma única estrela! Nem um grão de pó de estrela! Não há o desenho do infinito, não há um horizonte de sonho, ainda que possa parecer. Daquele sonho inalcançável, que faz dos homens seres excepcionais. Não há sedas, nem veludos, nem esconderijos secretos, nem absurdos de fantasias! Não há nada que se vislumbre naquele olhar de tão perdido que anda!

Que triste vida!

Cristina Carvalho

Agosto 2013 – Pnet Literatura

http://pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=5947 … (FONTE)

Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000: Que farei com esta liberdade?

Quem visitou São Petersburgo talvez se recorde de ter visto, no Museu Russo – que alberga uma das maiores e mais imponentes colecções de arte russa do mundo – o quadro de Karl Briullov (1799-1852), um dos mais reconhecidos artistas do seu tempo, “A morte de Inês de Castro” (1834). Este encontro inesperado com uma página da história portuguesa na capital cultural da Rússia não deixa certamente de emocionar. Também o registou Fernando Namora, em “Os adoradores do sol” (1971), crónica de viagens à Escandinávia e a São Petersburgo, então Leninegrado. Na mesma obra, escreveu, também “O sol, como a saúde, como a liberdade, só se dá por ele se é escasso. Ou se o perdemos”.

Semaforo 02

Vêm estas palavras à memória, transmutadas em perguntas, a propósito da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, inaugurada no mesmo Museu Russo em Dezembro de 2012. Que acontece quando se reencontra a liberdade? Ou se adquire uma liberdade que nunca se teve antes?

Retrato de um tempo enquanto meio do artista que o retrata

1985-2000: estes foram os anos das reformas globais do sistema socialista soviético, a “Perestroika”, anos de revoluções profundas e sucessivas em todas as esferas da vida de um país que acabaria por deixar de existir e da dos países que lhe sobreviveram. Recordemos algumas datas fundamentais: em 1985-1990 dá-se o início da liberalização política; surge a imprensa independente, são legalizadas fontes de informação ocidentais, é publicada literatura antes silenciada; fazem-se as primeiras tentativas de reforma da economia planificada; 1989 é o ano da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria; desenrola-se o processo de desintegração da União Soviética, cuja existência cessa oficialmente em 1991, processo que envolveu confrontos com intervenção de forças militares nas ex-repúblicas; entretanto, intensifica-se a crise económica, verifica-se um défice total de produtos de primeira necessidade; em 1992 são levadas a cabo reformas económicas “de choque” de transição para a economia de mercado; a inflação sobe em flecha; em 1993 dá-se uma crise constitucional acompanhada por um conflito armado em Moscovo; em 1994 ocorrem actos terroristas em Moscovo e outra cidades russas, e também no Cáucaso; em 1998 dá-se uma profunda crise económica, com a desvalorização abrupta do rublo e a derrocada do sistema bancário; inúmeros cidadãos perdem as suas poupanças.

Escusado será dizê-lo, foram anos em que o Museu Russo não dispunha de meios para adquirir obras para o seu espólio. Mas foram os anos em que muitas obras que se encontravam nos depósitos foram expostas, de novo ou pela primeira vez. Entre outras, realizam-se no Museu Russo, nos finais dos anos 80, as exposições de Pavel Filonov (1883-1941), Vassili Kandinsky (1866-1944) e “Arte dos anos 1920-1930”, em 1996 a retrospectiva de Vladimir Tatlin (1885-1953) e em 1997-1998 a exposição “Mosteiros Russos: Arte e Tradição”. No vizinho Museu Ermitage, em 1988, acontece a exposição de arte ocidental do século XX “Época de descobertas”. Em 1989, no Parque de Exposições Lenexpo, também em Leninegrado, tem lugar a exposição “Da arte não-oficial à perestroika: 40 anos de underground em Leninegrado”.

Como escreveu Mark Petrov, num dos artigos incluídos no catálogo da exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000”, assistiu-se naquele período ao “enfraquecimento abrupto das funções censório-repressivas dos institutos estatais, chamados a zelar pela cultura na sociedade do socialismo triunfante. (…) A ideologia enquanto sistema de medidas proibitivas deixa de ser factor determinante na organização da vida artística ainda antes da mudança de regime, e depois, durante os anos 90, deixa completamente de existir”.

Por escolha consciente, os mais de 200 artistas representados na presente exposição são artistas que não emigraram até 1985 ou que viviam na Rússia pré- ou pós-soviética na altura em que criaram as obras expostas. O olhar dos artistas que emigraram foi necessariamente influenciado pelas novas circunstâncias em que se encontraram, e talvez pelas expectativas da cultura com que se depararam; por exemplo, verifica-se que a desconstrução e desvalorização do sistema de símbolos soviéticos, quando patente, tem contornos mais suaves nas obras dos artistas que ficaram. Pretendeu-se que a exposição fosse sobretudo reflexo de uma vivência na Rússia em 1985-2000, mostrando os caminhos que foram trilhados como resposta à pergunta que se colocava, também, no plano artístico: que fazer com a nova liberdade?

Pintar a realidade, sem barreiras

E o que é isso de “liberdade”? Um “contra tudo e contra todos” por definição, uma liberdade egoísta e hedonista, ou responsável e com valores? E que valores, agora que “nada é proibido”? Que fazer, quando todos os caminhos, na arte como na vida, são uma possibilidade e não há regras, barreiras ou indicações, como simboliza o “Semáforo”, tela do início da década de 90, de Aleksandre Petrov (n. 1947), com as luzes vermelha, amarela e verde acesas em simultâneo?

Há ainda hábitos de receio: na tela “Autoretrato (com censura interior)” (1988), de Valeri Lukka (n. 1945), há um rosto sem feições definidas e um corpo como uma massa que se desprende, viscosamente, da massa envolvente.

Há o desejo de ironizar com os símbolos do passado soviético – a desconstrução semiótica de um sistema é uma constante da revolução que leva à mudança desse sistema. Na escultura “Lira russa” (1985), de Aleksandre Sokolov (1941-2009), a foice e o martelo transformam-se numa lira, rudimentar e tosca, mas que é, ao mesmo tempo, uma evocação do “Contra-relevo de canto” (1915) de Tatlin – símbolo da arte de vanguarda russa do princípio do século XX que foi inicialmente associada ao regime saído do Golpe Bolchevique de 1917, mas que passaria a ser, a partir dos finais dos anos vinte, arte “non grata”; na tela “Em Pereiaslavle” (1987), de Ekaterina Grigorieva (1928-2010), mulheres conversam numa praça da cidade de Pereiaslavle, levantando um braço num gesto que repete o braço estendido de Lenine na estátua no meio da praça; na paisagem fabril da tela “Levam-no” (1997-1998), de Iuri Chichkov (n. 1940), cinco homems levam em ombros uma estátua de Lenine, o mesmo braço estendido, num cortejo fúnebre, encabeçado por dois músicos de jazz; na tela “Ameixas em calda” (1988), de Oleg Zaika (n. 1963), uma lata de ameixas em calda é elevada à categoria de ícone “Soc-art” (“arte socialista”): trata-se de uma lata “artesanal” e imperfeita, em vez dos contornos bem definidos das latas de sopa Campbell’s de Andy Warhol.

Há o empenho em registar e narrar a realidade: telas realistas e hiper-realistas que não cantam a beleza idealizada do trabalho e das gentes, mas constatam a fealdade do quotidiano, como o bêbado em “Levanta-te, Ivan!” (1997), de Hélio Korjev (1925-2012), as filas intermináveis em “Fila” (1989), de Aleksei Sundukov (n. 1952) ou o desencanto no rosto dos mais velhos em “Velhice feliz” (1988), de Tatiana Nazarenko (n. 1944); que não descrevem celebrações populares solenes, mas momentos de descanso na relva, com vodca e pão com chouriço, sem pompa nem glória, como a tela “Na relva” (1983-85), de Fiodor Kunitzin (n. 1951); que não mostram as virtudes da vida no campo, mas desalento, como em “Jantar na aldeia” (1987-88), de Vladimir Cherbakov (1935-2008) – mãe e filho, pão e um ovo sobre a mesa, cansaço nos olhos da mãe, que deita leite numa chávena, mudez nos olhos do filho, que tudo vê.

Memórias, destroços, metáforas

A realidade rima com desencanto e inquietação: a escultura “Rapto” (1987), de Vladimir Soskiev (n. 1941); a tela de Igor Orlov (n. 1935), “Pressentimento” (1988), uma paisagem, à primeira vista, clássica e harmoniosa, com montes, árvores e casas, uma luz de fim de tarde, mas em que a harmonia logo se quebra, pois que as casas afinal resvalam para um abismo; “À procura de Ícaro” (1990), escultura de Pavel Chimes (n. 1930), em que Ícaro, de asas abertas, jaz, caído, e em cima dele a multidão amontoa-se, olhando para o longe à procura de um sinal, rostos que parecem murmurar “E agora?”; a escultura “Estrela caída” (1991), de Vassili Pavlovski (1932-2009).

Na tela “Recordação do futuro” (1989), de Mark Petrov (1933-2004), encontramos a saudade de ideais por cumprir, expressa nos rostos cinzentos-azulados que se recortam num fundo de referências a heróis de várias épocas, um rosto que olha para o momento presente, outro para o passado, outro para o futuro. Será também esta saudade, com ironia desencantada, que exprime Konstantin Persidski (1954-2008) na tela “O bolo” (1999-2000): a Rússia, simbolizada pela Praça Vermelha em Moscovo, é um enorme bolo coberto de velas, em cima de uma mesa à volta da qual, de pé, em vestes cinzentas e de rostos cinzentos, avidamente uns, tristemente outros, esperam, silenciosamente, a sua fatia, os “proletários e camponeses”, as longas mãos esguias e vazias. Velas que assinalam mais um aniversário do Golpe de Outubro de 1917, ou da mais recente revolução, a “Perestroika”; fatia que, claramente, não lhes chegará ao prato, como realça o contraste da cor – o bolo, cor desmaiada de tijolo, e a envolvente cinzenta da mesa e dos pratos vazios, dos corpos e das faces, do fundo azul de chumbo.

Há toda uma atmosfera de desesperança e abandono: na paisagem cinzenta e branca de neve, cães e corvos na tela “No boulevard” (1983-88), de Nikolai Andronov (1929-1998); nas manchas cinzentas do céu e das asas das aves na tela “O lento voo dos corvos” (1988), de Irina Starzhenetskaya (n. 1943);  na tela de Vladimir Chinkarev (n. 1954) “No hospital Skvortzov-Stepanov” (1990), em que a enfermaria de um hospital se transforma em paisagem, também ela cinzenta, onde as paredes e o tecto são como o rio e o céu que prolongam o espaço das camas, a cidade é assim uma enorme enfermaria, um espaço colectivo de sofrimento; na tela “Chá” (1997), de Ludmila Markelova (n. 1959), onde muitas mãos se estendem para um único prato e para um único bule minúsculo, numa mesa em tons vermelhos escuros de amora e malva, visível um único rosto, cor de mostarda; na tela “Outono” (2000), de Serguei Kitchko (n. 1946), onde há maçãs e folhas caídas e caindo nas ervas e em cima de uma velha mesa e duas cadeiras de madeira, chagas abertas na tinta azul, um jarro de água esquecido sobre a mesa.

Há também a solidão: nas telas “Metro” (1986-88), de Gueorgui Koventchuk (n. 1933), em que o túnel das escadas rolantes ressoa em ondas de amarelos e vermelhos, como gritos de Edvard Munch, ou “Era uma vez Zinaida, a bela” (1992), de Vladimir Iachke (n.1948), um retrato de mulher que é uma síntese de Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.

Há o preservar da memória pessoal e íntima – por oposição à memória colectiva – no espaço e nos objectos, como na “Fotografia de recordação” (1984-85), de Erik Bulatov (n. 1933), uma paisagem bucólica em que, recortados como sombras chinesas, mas a vermelho – para que a recordação seja mais vívida? – estão quatro amigos, sentados num banco, talvez para sempre fisicamente longe da paisagem que conserva a memória deles, ou na escultura em ferro fundido e bronze “A sombra da minha Avó” (1999), de Marina Spivak (n. 1955), em que os contornos, como um espectro, de uma figura de mulher, sentada a uma máquina de costura Singer, tão metálicos como a própria máquina, fazem já parte dela.

Há a memória da repressão, traduzida em metáforas na tela “Sombra mortal” (1992), de Boris Sveshnikov (1927-1998), herdeira da arte analítica de Filonov, um mosaico em tons de azul e verde, que é feito, afinal, de caveiras; nesse mosaico há também dois rostos, um deles o rosto da morte, o galo, símbolo da traição, e a dança da morte, no horizonte, como nas cenas finais do filme “O sétimo selo” de Bergman.

Há o sentimento de mudança de uma era: na tela “Movimento dos gelos” (1987), de Victor Ivanov (n. 1924), em que a estética do “estilo austero”, renovação dentro do realismo socialista nos anos 60, faz parte da metáfora, pois veste aqui uma temática não correspondente e cheia de densidade psicológica, há um grupo de homens e mulheres, uma delas com uma criança ao colo, expressivas silhuetas gráficas recortadas na paisagem azul, que observam, imóveis e solenes, a passagem das massas de gelo flutuando no rio depois do inverno.

Há o sentimento de que é preciso começar tudo de novo, e não se sabe como: na tela de Helena Figurina (n. 1955), “Brincadeira na areia” (1988), com referências às telas de Henri Matisse “A dança” e “A música” (a propósito, ambas no Museu Ermitage) mas em amarelos e laranjas, cinco homens-embriões tentam, sem instruções e sem roteiro, (re)construir a realidade a partir da areia, matéria limitada e que se lhes escapa por entre os dedos.

Renascimento

Mas há também esperança no meio dos destroços: na tela “Rapazinho colhendo ameixas” (1999), de Larissa Naumova (n. 1945), um rapazinho, banhado pelo sol da manhã, procura ameixas no meio de um amontoado de troncos de bétula caídos, um bosque branco destroçado em que as ameixas são o único toque de cor, embora triste, e olha para nós, como que surpreendido pela nossa presença, talvez com um pedido mudo de auxílio.

Há curiosidade e amor pela vida: na escultura “É só o começo…” (1989), de Adelaida Pologova (1923-2008), em que uma mulher, engelhada pela idade, tenta caminhar, podem ler-se, na base, os versos finais do poema de Paul Claudel “A resposta do sábio Hsien Yuan”: “Porque é que dizemos que é o fim de tudo, quando, na verdade, é só o começo”.

Há, enfim, renascimento espiritual e religioso, depois do colapso do sistema que, propondo-se moldar o homem novo e livre, perseguiu o Cristianismo, demoliu igrejas e catedrais, arrasou cemitérios. Uma metáfora para este renascimento é a tela de Ivan Uralov (n. 1948), “O anjo da nossa aldeia (Achado)” (1998), harmoniosa como um fresco muito antigo, acentuando a ligação com o passado, onde duas mulheres, perto de um rio, se debruçam sobre a figura de um anjo, que jaz como que numa sepultura – o anjo reencontrado da igreja da aldeia (cada igreja tem um anjo, e o anjo continua nesse lugar, mesmo se a igreja tiver sido destruída).

Alguns artistas escolhem a Paixão de Cristo como tema das suas obras: as telas “Levando a Cruz” (1996), de Serguei Repin (n. 1948), “Crucificação” (1994), de Natália Nesterova (n. 1944) e “Gólgota” (1988), de Evcei Moiceenko (1916-1988).

Também profundamente simbólica é a tela “Ícone novo” (1990), de Ivan Lubennikov (n. 1951). Representa um ícone cujos traços são quase indefinidos, como que apagados, destruídos pelo tempo e pelo abandono. Mas sobre essa forma esfumada aparece claramente recortada uma cruz branca, e ainda outra cruz preta, mais pequena, e outra, e outra, cruzes essas que são, ao mesmo tempo, atributos das vestes dos santos em alguns ícones da Rússia Antiga e referências inequívocas ao suprematismo de Casimir Malevitch. “Ícone Novo” aparece assim como uma metáfora para a regeneração da fé Cristã: a religião renegada renasce, emergindo mesmo através das formas da arte que foi um dia símbolo do sistema que a renegou.

Extremos que se tocam

Em 1985-2000, há também artistas que aparecem como herdeiros do abstraccionismo russo e soviético das três primeiras décadas do século XX. A vanguarda de ontem tansforma-se assim em tradição interrompida, à qual se retorna para expressar uma outra realidade nova. Encontramos, por exemplo, referências ao abstraccionismo expressivo de Kandinsky, na “Composição Nº3” (1990), de Leonid Tkatchenko (n. 1927) e ao construtivismo de Tatlin, no tríptico “Contra-relevo-estéreo” (1993), de Viacheslav Koleitchuk (n. 1941), em que o painel central, “Contra-relevo-estéreo em estilo arcaico”, é uma reinvenção do motivo da cruz.

Salientam-se ainda a renda geométrica dos barcos inquietos na paisagem metafísica verde de Mikhail Shvartzman (1926-1997), na tela “Perturbação” (1985), a perspectiva e a luz pastel da cidade abstracta de Valentin Levitin (n. 1931), evocando os pátios sempre presentes de São Petersburgo, na “Composição” (1990-92), a luz e as sombras nas texturas simultaneamente diáfanas e telúricas na tela “Obra apócrifa” (1999-2000), de Vladimir Dukhovlinov (n. 1950) e a arquitectura do edifício formado pela memória dos textos sucessivamente raspados e reescritos no “Palimpsesto (Deslocamento da haste)” (2000) de Serguei Sergueiev (n. 1953), tela que é mais uma metáfora para o desaparecimento de uma era e o aparecimento de outra.

Uma tradução é sempre uma interpretação, e o descodificar dos vários conteúdos apresentados na exposição “Sem Barreiras Arte Russa 1985-2000” aqui proposto propõe-se ser ponto de partida para a leitura em contexto da mesma exposição. E, porque os extremos se tocam, nas espirais do tempo e das formas, poderá ser ainda ponto de partida para outras reflexões, dramaticamente relevantes no momento presente. “Durante a vida, fui vendo cair o que, em jovem, parecia estar de pedra e cal. Ou me diziam que estava firme como o aço”, diz um dos heróis do romance “A falha” (1998), de Luís Carmelo. Que fizemos com a nossa liberdade? Que fazemos com a nossa liberdade?

Ana Luísa Simões Gamboa, em São Petersburgo

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A Alegria da Criação – José Afonso

Alegria

Na Associação José Afonso, na Casa da Cultura de Setúbal, houve a “Alegria da Criação”. Uma iniciativa do José Teófilo Duarte em forma de dinamização cultural de um espaço, em jeito de uma instalação de pintura, uma palestra, um debate, um convívio… uma intervenção visual e o inesperado do “working in progress”. A verdadeira alegria da criação. Uma iniciativa que visa comemorar o 84º aniversário do nascimento de José Afonso.

Foi bom escutar o José Teófilo falar com paixão sobre José Afonso, de forma definitiva e sem apelo ao contraditório. Vamos ter a evolução deste trabalho e o Livro do Artista, com Luísa Tiago de Oliveira, Alice Brito e outros autores serão acrescentados ao rol. Até ao final do mês a edição estará concluída. Depois serão impressos 84 exemplares – referência aos 84 anos de José Afonso -, assinados por todos os autores, e colocados à vossa disposição por dez euros. A receita vai para a casa, ou seja, para a AJA.

Em breve, será criado um mural no Face para nos manter a par de tudo. E da próxima, traz outro amigo também.

PARA ONDE O SOL ME LEVAR | Teatro Rápido

De 1 de Agosto às 18:00 até 31/8 às 20:25

TR

Agosto é sinónimo de praia, férias, sol e calor, também de viagens, emoções ao rubro, reencontros e revisitações. Viagens metafóricas; o sol como elemento de esperança. O Teatro Rápido não vai de férias, mantém-se de portas abertas, sendo uma boa opção cultural para o mês de Agosto.

Em Agosto assinalamos as estreias no TR de Alexandre Tavares, que encena Diogo Tavares, num texto de Armando Nascimento Rosa; Duarte Grilo, que já tem pisado o palco do TR BAR com Café Improv, faz a sua estreia em Sala com encenação de José Carlos Garcia. Anna Carvalho está de regresso ao TR ao lado de Marta Prieto e ainda a estreia absoluta no TR de Igor Sampaio ao lado de Isabel Damatta, pela mão de Fernarndo Gomes.
Pelo palco do TR Bar teremos o regresso de Eduardo Gaspar com o hilariante trabalho de “Elas Sou Eu” e ainda a continuidade do PFShortsFest.

Em Agosto o TR interrompe a Programação para a Infância, regressando em Setembro!

De 1 a 31 de Agosto – de 5ª a 2ª

SALA 1 – Cigano de Lisboa
Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00
quinta a segunda | M/12 | 3€

Texto: Armando Nascimento Rosa
Encenação e Cenografia: Alexandre Tavares
Interpretação: Diogo Tavares
Produção: João Pires
SALA 2 – Belo, Feio e Assim Assim
Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05
quinta a segunda | M/12 | 3€

Texto: Adriano Teixeira
Encenação: José Carlos Garcia
Interpretação: Duarte Grilo
Cenografia e Grafismo: Pedro Vercesi
Fotografia de Cena: Luciana Coelho
SALA 3 – Barbona
Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15
quinta a segunda | M/16 | 3€

Texto: Marta Prieto
Encenação e Interpretação: Anna Carvalho e Marta Prieto
Imagem Gráfica, Cenografia e Produção: António Proença Azevedo
Assistência de Produção: Rita Borreccio e Ana Bicker
Espetáculo disponível em em Português; e Italiano (a partir de 17 de Agosto) mediante reserva antecipada para grupos através do 213 479 138 ou tr@teatrorapido.com
SALA 4 – Sol-Ida-Mente… Juntos!
Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25
quinta a segunda | M/12 | 3€

Autor: Tom Lis
Encenação: Fernando Gomes
Interpretação: Igor Sampaio e Isabel Damatta
Produção: Luís de Freitas
Assistência de Produção: João Gouveia

ALEGRIA DA CRIAÇÃO – José Afonso na CCS

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ALEGIA DA CRIAÇÃO | Este trabalho é uma proposta para assinalar a data do nascimento de José Afonso. Será apresentado amanhã, dia 2, na sala da Associação José Afonso e no Café das Artes, na Casa da Cultura, em Setúbal. Trata-se de uma intervenção visual que tenho vindo a desenvolver nas últimas semanas. No início de setembro será apresentada uma publicação – livro de artista – que contará com a participação de vários convidados.
Alegria da criação é um tema de José Afonso, incluída no seu trabalho Galinhas do Mato, que foi o último disco que editou.
Da evolução deste projecto irei dando notícias nos próximos tempos.

Estão todos convidados.

José Teófilo Duarte

À espera do Barracuda

Depois de 40 anos ao serviço da Marinha, o antigo submarino “Barracuda” vai entrar em missão civil a partir de 2013, constituindo um núcleo museológico aberto ao público, a instalar na zona ribeirinha do Farol de Cacilhas, em Almada.

O projecto conjunto da Marinha Portuguesa e da Câmara Municipal de Almada, com abertura ao público prevista para o início de 2013, foi firmado hoje em protocolo assinado em Lisboa entre o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Saldanha Lopes, e a presiden5te da autarquia, Maria Emília Neto de Sousa.

O “Barracuda”, que foi desactivado em 2009, vai ficar instalado em Cacilhas junto à Fragata D. Fernando II e Glória, constituindo um “pólo museológico” do Museu da Marinha que as duas partes acreditam “contribuirá para a dinamização histórica, cultural e turística desse importante património e, ao mesmo tempo, para a projecção de Cacilhas e Almada”.

Notícia do Público de 19  de Dezembro de 2011, por cá continuamos à espera que o projecto de concretize. O reportagem em vídeo é da RTP.

O Rei do Monte Brasil

“Hoje foi um dia excepcionalmente positivo porque soube que estás morto”. (Gungunhana quando soube da morte de Mouzinho de Albuquerque).

Este é um livro sobre dois homens caídos em desgraça. Dois homens que sofreram uma derrota pela posse de uma mesma terra, embora um deles tenha saído vencedor sobre o outro.

A escrita da Ana Cristina Silva precisa dessa imensidão do olhar, dos grandes espaços e do desassombro de mentes poderosas. Nunca nos sentimos tão próximos de Mouzinho como de Gungunhana. Se do primeiro nos despedimos numa frase “Depois, como se arma fizesse parte do meu braço, entramos juntos na morte.” Do segundo, debruçamo-nos sobre o seu leito de morte e recebemos com reverencial silêncio o seu último suspiro, deixando espaço aos velhos de África para que comecem a “trocar por palavras a minha (sua) vida, contando longas histórias em redor das fogueiras.”

Neste livro, Gungunhana encontrou o seu lugar entre os grandes reis da nossa história.

(ler mais no Acrítico)

Nuno Rogeiro | A Corda do Enforcado – Análise política das crises (2007-2013)

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«O livro procura, primeiro, indagar os pilares americanos e europeus da crise financeira de 2007 e das crises subsequentes, ditas de dívida soberana, incluindo o elemento sempre presente das teorias da conspiração sobre a turbação contínua. Depois, debruça-se o escrito sobre o caso português. Salienta alguns traços relevantes, desde o fim do segundo governo de Sócrates às correntes experiências, em torno da adequação aos memorandos de entendimento com a missão internacional de assistência, vulgo troika, e passa em revista domínios que parecem relevantes.»

José Milhazes | Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril

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“Estimados leitores e amigos, encontra-se no prelo e, no início de Setembro, será posta à venda nas livrarias a minha investigação histórica e jornalística com o título: “Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril. Como a União Soviética não quis a revolução socialista em Portugal”.
A Editora D. Quixote lançou-me o desafio de escrever um livro sobre as relações entre o Partido Comunista da União Soviética e o Partido Comunista Português, principalmente em períodos fulcrais como o 25 de Abril e o PREC, e eu aceitei esse desafio. O resultado está nesta obra que vos apresento.
Tentei responder a perguntas como: Que influência teve a União Soviética no 25 de Abril? Conspirou para instaurar uma revolução comunista em Portugal? Qual o papel de Álvaro Cunhal e do PCP na complicada teia política do PREC? Que tipo de relação mantiveram com o Komintern e a URSS de Brejnev? Os comunistas portugueses ajudaram a combater o arqui-rival norte-americano no contexto da Guerra Fria? Teriam os soviéticos e norte-americanos assinado um novo “Tratado de Tordesilhas” em 1975?
Baseando em entrevistas, testemunhos e documentos inéditos, dou resposta a perguntas como: Quem desviou e com que objetivo parte importante dos Arquivos da PIDE, polícia política do regime ditatorial português? Quem colaborou com o PCUS e o KGB da URSS em campanhas de difamação de dissidentes soviéticos?, Quanto custava à União Soviética a fidelidade do PCP, etc.
Esta obra é dirigida a todos aqueles que se interessam tanto pela História de Portugal, como da “Guerra Fria”.
N.B. Os que esperam que este livro seja um ajuste de contas do autor com o seu passado político irão ficar fortemente desiludidos. Factos e apenas factos.”
Publicada por José Milhazes in Facebook

A última fronteira – Lisboa em tempo de guerra

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De tempos a tempos, acontece sermos chamados a desempenhar esse papel de última fronteira entre a barbárie e a paz, entre a morte e a esperança. São ventos que sopram de uma europa empedernida, mergulhada nas trevas. Uma europa que se esquece do sentido de solidariedade e castiga.

Como se vivia em Lisboa por altura da Segunda Guerra Mundial, como foi receber essa vaga de refugiados (os que tiveram essa sorte) e como esses refugiados viram e retrataram a cidade que os acolhia.

O livro Lisboa, uma Cidade em Tempos de Guerra, da autoria de Margarida Magalhães Ramalho, serviu de ponto de partida para esta exposição que a autora organizou em conjunto com António Mega Ferreira.

Nesta exposição, patente no torreão poente da Praça do Comércio, recomendo vivamente que não percam a projeção de uma série de pequenos filmes; preparem-se para autênticas preciosidades.

Saiba mais aqui

Da Wikilusa, a Enciclopédia de Portugal antonio valdemar - jornalista  e escritorAntónio Valdemar, (Ilha de São MiguelAçores) é o presidente da Academia Nacional Belas Artes, sócio efectivo da Academia das Ciências, membro da Academia Portuguesa da Históriainvestigadorolisipógrafo e jornalista profissional.

Vida e obra

Tem desenvolvido, a partir do final dos anos 50, intensa actividade cultural, com textos de intervenção crítica, abordagem e pesquisa histórica, além da participação em colóquios, júris e conferências. Tem investigado e publicado trabalhos acerca da história e a evolução de Lisboa, nas suas múltiplas transformações sociais, políticas, literárias, artísticas e urbanísticas. É também autor de inúmeros outros trabalhos publicados em livros, jornais e revistas a propósito dos Açores. Organizou, em 1988, com o patrocínio da Câmara Municipal da Ribeira Grande, da Presidência da Republica e da Academia Nacional de Belas Artes a I Semana do Barroco, com a intervenção de intelectuais e críticos de renome nacional. O Conselho da Europa associou-se a esta manifestação. Presidiu ao grupo que procedeu à coordenação da informatização e digitalização dos tomos do Inventário Artístico de Portugal do Distrito de Aveiro (Zona Nordeste, Norte e Sul); Distrito de Beja (Zona Norte); Distrito de Coimbra (Cidade e Distrito), Distrito de Évora, Distrito de Leiria, Distrito dePortalegre, Cidade do Porto e Distrito de Santarém. Representante em Portugal e no estrangeiro da Academia Nacional de Belas-Artes no Conselho Europeu das Academias de Belas-Artes, tem representado, igualmente, a Academia, dentro e fora de Portugal, em congressos, seminários, simpósios e outras reuniões de projecção nacional e internacional. Faz parte, desde 1987, dos júris anuais de atribuição dos prémios da Academia Nacional Belas-Artes, José de Figueiredo, Doutor Gustavo Cordeiro Ramos, Aquisição e Investigação. Dirigiu, durante seis anos, a galeria Diário de Notícias, no Chiado. Organizou dezenas de exposições de escultores, pintores e ceramistas. Entre outras destacam-se uma retrospectiva de Barata Feyo, escultura e desenho e outra de João da Silva, com grande destaque na área da medalhística. A carreira profissional de António Valdemar principiou, em 1958, no jornal República colaborando, entretanto, no Diário de Lisboa. Entrou em 1960 para o quadro do Diário de Notícias, esteve ligado ao grupo fundador de A Capital; desempenhou o cargo de chefe de redacção de A Vida Mundial; exerceu de 1968 a 1980 a chefia de redacção, em Lisboa, de O Primeiro de Janeiro, regressando depois ao Diário de Noticias. Desde o noticiário e a reportagem até à entrevista, à crónica e ao artigo de opinião acompanhou os grandes acontecimentos nacionais ocorridos nas últimas décadas. Integrou, o gabinete editorial do Diário de Notícias, leccionou jornalismo no Instituto Politécnico de Santarém; e orientou em vários locais do País outros cursos de Comunicação Social e de Cultura Portuguesa (séculos XIX e XX). Participou durante vários anos no desenvolvimento do programa de incentivo ao livro e à leitura, sendo co-autor com Jacinto Baptista de dois volumes publicados pelo Conselho de Imprensa e pela Alta Autoridade da Comunicação social. Teve um programa diário na RTP2, de 1984 a 1996; foi colaborador permanente do programa ACONTECE da RTP, dirigido por Carlos Pinto Coelho; é colaborador efectivo, desde 2007, do semanárioExpresso, no caderno de arte e cultura ACTUAL.

Obra publicada

É autor, entre outros, dos seguintes livros:

Prefaciou: Hermano Neves, a Grande reportagem, da autoria de Norberto Lopes;

  • Memórias de Um Ex Morfinómano, de Reinaldo Ferreira (Repórter X) edições portuguesa e brasileira.
  • Amores da Cadela Pura I e II, memórias de Margarida Vitória, marquesa de Jácome Correia
  • Os Maias, de Eça de Queiroz, edição comemorativa do centenário promovida pelo Circulo dos Leitores
  • Nemésio, sem limite de idade, foi editado pelo Clube do Coleccionador e lançado, em 2001, nos Açores (Horta e Angra) no âmbito das manifestações comemorativas do centenário do nascimento do autor de Mau Tempo no Canal.

Reproduz inúmeros autógrafos inéditos e percorre passo a passo os múltiplos aspectos da vida e da obra de Vitorino Nemésio. Para a publicação oficial, da Presidência da República, das Comemorações do 10 de Junho de 2002, efectuadas em Beja, com uma exposição bio-bibliográfica e iconográfica sobre Mariana Alcoforado, escreveu;

  • As Cinco Cartas do Desassossego.

Acompanhou a última viagem presidencial de Jorge Sampaio ao estrangeiro, sendo o orador oficial na homenagem prestada a Teixeira Gomes em Bougie e o autor do livro e antologia de textos literários de Teixeira Gomes Um Português no Magreb, com prefácios de Jorge Sampaio e Abdelaziz Bouteflika (presidente da República da Argélia). Este livro foi traduzido em árabe por Badr Hassanien, numa edição conjunta do Instituto Camões e da Presidência da República A importância de trabalhos de António Valdemar e/ou a colaboração que prestou a obras de erudição vêm assinaladas na História de Portugal de Veríssimo Serrão e na última edição da História de Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes.

Prémios

José de Figueiredo, por duas vezes, para o melhor estudo na área da história (Chiado: o peso da Memória-1991 e A Cidade dos Sítios-1994); Prémio Júlio César Machado – 1987, para a melhor reportagem ou artigo sobre Lisboa – Cesário Verde em novos manuscritos; Prémio Júlio de Castilho – 1990, para o melhor livro sobre Lisboa Chiado: o Peso da Memória. Tem o grande oficialato das ordens honoríficas portuguesas. Foi condecorado, em 1991, no Dia de Portugal, em Tomar, pelo Presidente da República, Mário Soares com a Ordem de São Tiago; e, em Maio de 2000, pelo Presidente da República Jorge Sampaio, com o Grande Oficialato da Ordem de Mérito. Também foi condecorado pelo Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso com a Ordem do Rio Branco. Recebeu, em Maio de 2008, a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores atribuída, por unanimidade

Academia Nacional de Belas Artes | Lisboa

Da Wikilusa, a Enciclopédia de Portugal

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História

Segundo o “Dicionário de História de Portugal” foi Passos Manuel quem fundou a Academia de Belas Artes, referendando os três decretos de 25 de Outubro de 1836, todos relativos à Academia. O primeiro decreto teve por fim criar a Academia, o segundo, colocá-la numa parte do edifício do extinto convento de São Francisco da Cidade, onde ainda hoje existe, e criou uma biblioteca de Belas Artes no mesmo edifício, por último nomeou para os diversos empregos da academia as pessoas constantes duma relação que acompanhava o mesmo decreto.

Esta criação veio no seguimento da Revolução Setembrista e no âmbito de uma alargada reforma do ensino, sendo, desta forma, colocadas em prática as anteriores reformas de Agostinho José Freire. Assim, o então Estado Liberal assume a responsabilidade de centralizar o ensino artístico, anteriormente disperso, sendo-lhe conferido o objectivo de formar os artistas de belas artes e das artes fabris.
A Academia tinha funções honoríficas, culturais e pedagógicas, sendo constituída por docentes proprietários e substitutos, académicos de mérito, académicos honorários e académicos agregados. Entre estes podem-se referir: António Manuel da Fonseca, Joaquim Rafael, André Monteiro da Cruz, Domingos José da Silva, Francisco de Assis Rodrigues, Caetano Aires de Andrade, Benjamin Comte, José da Costa Sequeira, Constantino José dos Reis e José Francisco Ferreira de Freitas.

Inauguração

Inaugurada em 1837, os estatutos da Academia foram elaborados e redigidos por uma comissão presidida pelo tenente-coronel do Real Corpo de Engenheiros João José Ferreira de Sousa, director das Aulas Régias, e da qual faziam parte: Joaquim Rafael, José da Cunha Taborda e André Monteiro da Cruz, pintores, José António do Vale e Francisco Vasques Martins, professores de Desenho, João Maria Feijó e José da Costa Sequeira, arquitectos, Francisco de Assis Rodrigues, escultor, que também era secretário, João Vicente Priaz e Benjamin Comte, gravadores.

Estes estatutos foram posteriormente “corrigidos e adicionados” por uma nova comissão composta por três membros da Academia Real das Ciências: o bispo-conde D. Francisco de S. Luís (posteriormente cardeal Saraiva), Francisco Pedro Celestino Soares e José Cordeiro Feio.

Instalada no antigo convento quinhentista de São Francisco da Ci¬dade, confiscado em 1834 através dos decretos anticlericais, a Academia tinha inicialmente como funções: a formação de novos artistas, a identificação, a classificação, a inventariação, a conservação e o restauro das obras artísticas com o intuito de promover o desenvolvimento das belas artes e dos estudos arquitectónicos, a preparação de exposições e conferências, entre outras.
No reinado de D. Luís, com o decreto de 22 de Março de 1862, a Academia de Belas-Artes passa a ser designada por Academia Real de Belas-Artes, sendo que, em 1881, houve uma reforma no ensino artístico, a qual ratificou algumas inovações curriculares já antes introduzidas, dando-se a separação entre a Escola de Belas-Artes de Lisboa, com fins didácticos, e a Academia Real de Belas-Artes propriamente dita, com fins culturais.

Em 1882, integrada no Conselho de Arte e Arqueologia, surge a Comissão dos Monumentos Nacionais, presidida pelo arquitecto Possidónio da Silva, à qual se seguiram sucessivamente novas comissões, até que, a 9 de Dezembro de 1898, surge uma nova reestruturação organizacional e é criado o Conselho Superior dos Monumentos Nacionais, basicamente com as mesmas competências das comissões anteriores, fazendo parte deste Conselho os inspectores das belas artes de Lisboa e do Porto, os inspectores das Academias das belas artes, o inspector dos serviços de obras públicas, o conservador do museu nacional e os professores de arquitectura das Academias das belas artes. Este Conselho estava incumbido de estudar, classificar e inventariar os monumentos nacionais, de consultar e propor ao Governo as providências necessárias à guarda, conservação, reparação e exposição pública dos monumentos, de instruir, projectar ou propor as respectivas reparações, apropriações, aquisições e destinos do património, bem como de promover a propaganda e o culto público pela conservação e pelo estudo dos monumentos, velando pelos mesmos.

A Academia e a República

Em 1911 a Academia Real de Belas-Artes é extinta pelo Governo Provisório da República, sucedendo-lhe a 29 de Maio de 1911 o Conselho de Arte e Arqueologia (1.ª Circunscrição), com objectivos semelhantes, especialmente na conservação, administração e valorização dos monumentos e museus portugueses, sendo este por sua vez extinto a 7 de Março de 1932.

Com o Decreto n.º 20 977 de 1932, a Academia é restaurada sob o nome de Academia Nacio¬nal de Belas-Artes, por iniciativa do então ministro da Instrução Pública, Gustavo Cordeiro Ramos. Participaram também nesta instituição José de Figueiredo, também fundador do Museu Nacional de Arte Antiga, Reinaldo dos Santos, Raul Lino, José Luciano Freire, Teixeira Lopes, Xavier da Costa, Sousa Lopes, José Pessanha, Afonso Lopes Vieira, entre outros.

A galeria da Academia de Belas¬-Artes formou-se a partir de pinturas e outras obras de arte provenientes dos antigos conventos, maioritariamente da zona Centro e Sul de Portugal, os quais foram extintos em 1834. Pelo facto de se ter reunido este espólio no antigo Convento de São Francisco da Cidade aí foi instalada a Academia, juntamente com a Biblioteca Pública. Devido à falta de instalações as pinturas foram sendo colocadas em salas e corredores. Sousa Holstein reorganizou a galeria em salas para o efeito, sendo estas abertas ao público em 1869.

Os Museus Centrais

Em 1881 Delfim Guedes arrendou o Palácio Pombal, na Rua das Janelas Verdes, hoje Museu de Arte Antiga, com o intuito de se realizar a Exposição Retrospectiva de Arte Ornamental Portuguesa e Espanhola. Este edifício foi comprado pelo Estado, sendo a sua abertura oficial a 12 de Junho de 1884, sob o nome de Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia, concretizando o objectivo de nele instalar o que então se designava por “Museus Centrais”, ficando entregue à Academia, nessa altura, a direcção e orientação do Museu.

Com a primeira República o Museu deixa de depender da Academia. As colecções de arte moderna foram retiradas do Museu Nacional de Belas-Artes em 1911 para serem instaladas no Convento de São Francisco da Cidade, no então criado Museu Nacional de Arte Contemporânea (actual Museu do Chiado).

Em termos de instalações a Academia permaneceu nos dois pisos inferiores do Convento de São Francisco da Cidade (Decreto de 9 de Maio de 1837), à excepção de toda a zona nascente do mesmo edifício, confinado com a Rua de Serpa Pinto, a qual foi destinada para as instalações do Museu Nacional de Arte Contemporânea, criado nesta data, albergando ainda a Biblioteca Pública e, em 1875, as instalações do Governo Civil de Lisboa.

Prémios e Publicações

A Academia Nacional de Belas-Artes tem diversas actividades, podendo-se destacar, publicações como: “Os Primitivos Portugueses”, “O Manuelino” de Reinaldo dos Santos, de saída periódica o “Inventário Artístico de Portugal” referente à inventariação por distritos de diversas obras distribuídas entre arquitectura, escultura, pintura e artes decorativas, ou uma publicação se¬mestral ou anual, o “Belas artes: revista e boletim da Academia Nacional de Belas Artes”.

A biblioteca da Academia Nacional de Belas-Artes possui milhares de volumes, sendo uma referência na arte portuguesa. A Academia Nacional de Belas-Artes possui também uma galeria de arte, na qual se expõem obras de interesse artístico e histórico.

O sistema de concursos e a atribuição de prémios produziam um elemento dinamizador da progressão da aprendizagem. Desta forma existiram concursos anuais de Desenho incidindo nas áreas do desenho de figura. Os concursos trienais eram realizados para as áreas de arquitectura, escultura e pintura histórica, sendo estas posteriormente articuladas com as exposições, também estas trienais. Mais tarde deu-se a substituição do regime de concursos por um sistema de exames finais no Curso de Desenho.

No seguimento da prática usada no reinado de D. João V e por D. José I, estavam previstas para a Academia de Belas de Lisboa bolsas de estudo para complemento da formação no estrangeiro.

Após um processo de diversos anos de discussão de regulamentos de bolsas, o então Vice-Inspector da Academia de Lisboa, Francisco de Borja Pedro Maria António de Sousa Holstein consegue aprovar, em 1865, o regulamento, sendo que no ano lectivo de 1866/1867 efectuou-se a partida para Paris dos primeiros bolseiros.

Os prémios e bolsas de estudo concedidos anteriormente pela Academia Nacional de Belas-Artes, em cumprimento do Decreto-Lei n.º 28003 de 31 de Agosto de 1937 – prémios Anunciação, Lupi, Ferreira Chaves, Soares dos Reis, José Luciano Freire, Rocha Cabral, Barão de Castelo de Paiva e Júlio Mardel e subsídio de viagem do legado dos Viscondes de Valmor – deixaram de corresponder, pela sua definição, à realidade artística do final do século XX. Assim, segundo o Decreto-Lei n.º 42, de 25 de Janeiro de 1983, e respectivo regulamento, os prémios anuais passaram a ser somente dois – o prémio Investigação e o prémio Aquisição.

A Insígnia

No ano de 1937, pela Portaria n.º 8630 de 20 de Fevereiro, é aprovada a insígnia destinada aos vogais da Academia, a qual é composta por uma medalha dourada, suspensa por um cordão com o respectivo passador. No anteverso da mesma, é figurada uma mulher jovem, realizada ao natural, que representa a Academia, e, em plano afastado, a figura do mármore pentélico do Museu de Atenas, cópia da estátua que Fidias esculpiu para o Parthenon, no reverso figura a legenda “Academia Nacional de Belas-Artes” e uma coluna dórica, adornada com livros e utensílios de escultura, pintura e arquitectura.

A 2 de Dezembro de 1982 foi aprovada, em sessão plenária da Academia, uma Medalha de Mérito abrangendo as classes de ouro, prata e bronze, com vista a galardoar pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, por actos considerados relevantes em prol da vida académica, artística ou cultural.

Em 1982 através do edital n.º 51 da Câmara Municipal de Lisboa, houve uma mudança toponímica do local, passando a designar-se Largo da Academia Nacional de Belas¬-Artes.

A 10 de Fevereiro de 1987 os estatutos da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa foram renovados. Segundo a Portaria n.º 80, de 10 de Fevereiro de 1987, a Academia é uma instituição de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica, sob a tutela da Secretaria de Estado da Cultura.

Ao longo da sua existência a Academia tem-se evidenciado pelo seu apoio à divulgação cultural e à formação de novos intérpretes culturais nas mais diversas áreas, quer através da atribuição de bolsas de estudo, para estudar em Portugal e principalmente no estrangeiro, quer através dos prémios que fomenta anualmente. Os últimos estatutos aprovados para a Academia indicam o mesmo caminho.

175 anos de existência

Prestes a comemorar 175 anos de existência, a Academia Nacional de Belas Artes, situada ao Chiado, em Lisboa, aguarda maior atenção dos poderes públicos para a sua conservação e dos documentos históricos que ali se encontram.

Exposição | Torreão Poente do Terreiro do Paço

Uma exposição a visitar no torreão poente (antigo Min. do Exército) do Terreiro do Paço. Comissariada por Margarida Magalhães Ramalho e António Mega Ferreira. Como era o quotidiano de Lisboa no tempo da guerra, com milhares de refugiados onde se podem vi os vistos de imensos artista que por cá passaram como Max Ernst, Peggy Guguenheim, Chagal, Gulbenkian entre outros.

Exposição

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Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans que lhe dizia: ” Prof. Einstein, gostaria de ter um filho seu… A minha justificativa baseia-se no facto de eu ser um modelo de beleza, e tendo um filho com o senhor certamente que o garoto teria a minha beleza e a sua inteligência”. Einstein respondeu: ” Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a sua inteligência e a minha beleza.

Fernando Dacosta | Os Mal-Amados – Confidencias inéditas de figuras que construíram o Portugal como o conhecemos

Mal Amados

Sinopse

Através de casos pessoais, a presente narrativa pretende ser a evocação de uma época, de uma fractura na História de Portugal.
Ter-se nascido na ditadura (nas censuras, nas representações), vivdo a revolução (o sonho, a desmesura), contribuído para a Democracia (a liberdade, a diversidade), imergido no neoliberalismo (o lucro, a excendetarização) foram experiências-limite concedidas às gerações que, agora, começam a sair, mal-amadas, de cena. Mal-amadas por míngua de sentimentos, por excesso, ausência, desencontro, receio deles.
É a sua memória, mágoa, sarro, utopia, ousadia que aqui se encenam, nesta versão recriada so Nascido no Estado Novo.Costa Gomes evita a guerra civil
Implacabilidades de Álvaro Cunhal
A morte silenciada de Marcello Caetano
O fenómeno dos Retornados
Premonições de Natália Correia
Agostinho da Silva revela Confidências de Fernando Pessoa
E antevê: a sobrevivência de Portugal, quando a CE bloquear, está em África
Uma nova etapa germinará através da lusofonia.

Fernando Dacosta


Ficcionista e autor dramático, formado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, exerceu a actividade profissional de jornalista, na sequência da qual publicou os trabalhos de investigação jornalística Os Retornados Estão a Mudar Portugal (Grande Prémio de Reportagem do Clube Português de Imprensa) e Moçambique, Todo o Sofrimento do Mundo (Prémios Gazeta e Fernando Pessoa). Estreou-se como dramaturgo com Um Jipe em Segunda Mão , peça que, tendo por tema as sequelas da guerra colonial portuguesa, foi distinguida com o Grande Prémio de Teatro da RTP, e editada, em 1983, com o monólogo dramático A Súplica e o diálogo Um Suicídio Sem Importância, volumes a que se seguiriam os trabalhos teatrais Sequestraram o Senhor Presidente (1983) e A Nave Adormecida (1988). Tentado pela maior liberdade de tratamento do espaço e do tempo no registo novelístico, com O Viúvo (Grande Prémio da Literatura do Círculo de Leitores) e Os Infiéis , afirmou-se no domínio da ficção com uma escrita instituída como indagação obsessiva sobre uma portugalidade entrevista num passado recente (O Viúvo ) ou no período dos Descobrimentos (Os Infiéis), e estabelecendo nexos de intertextualidade com outros autores de língua portuguesa que integram ou reflectiram sobre a mitologia do ser português, como Agostinho da Silva, Jaime Cortesão, Antero, Pascoaes, Oliveira Martins, Camões ou Pessoa.

 

«TIRO DE MISERICÓRDIA» – por FERNANDO DACOSTA * in jornal «i»

fernando_dacostaLembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. 

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No último dia como ministro das Finanças, Vítor Gaspar assinou um decreto que pode liquidar a vida de, pelo menos, 3 milhões de portugueses. Esse decreto determina que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (que geria uma carteira de 10 mil milhões de euros) “terá de adquirir 4,5 mil milhões de euros de dívida soberana”.

Sabendo-se que o referido fundo foi criado como reserva para assegurar, em caso de colapso do Estado, os direitos dos reformados, pensionistas, desempregados e afins durante dois anos (segundo o articulado de lei de bases), o golpe em perspectiva representa o risco de uma descomunal tragédia entre nós.

Lembremos que dos rendimentos dos seniores vivem hoje gerações de filhos e netos seus, sem emprego, sem recursos, sem amparo, sem futuro. Lembremos ainda que os últimos governos têm sido useiros no desvio de verbas da Segurança Social para pagamentos de despesas correntes – “o que qualquer medíocre gestor de fundos sabe que não se deve fazer”, comenta, a propósito, Nicolau Santos no “Expresso”.

Em 2010, dos 223,4 milhões de euros que deviam ser transferidos para o fundo em causa, o executivo apenas entregou 1,3 milhões.

Após ter semi-destruído Portugal economicamente, socialmente, familiarmente, psicologicamente, com total impunidade e arrogância, Vítor Gaspar deixa, ao escapar-se, apontado um tiro de misericórdia aos idosos (e não só), depois de os ter desgraçado com o seu implacável autismo governamental. Sindicatos, partidos, oposições, igrejas, comentadores, economistas, intelectuais meteram, por sua vez, a viola no saco ante mais esta infâmia – entretanto, os papagaios de serviço aterrorizam as populações com a insustentabilidade da Segurança Social.

* Publicado no jornal «i» em 25/Julho/2013

Biblioteca Azul lança biografia de Tolstói

Andreia Santana's avatarMar de Histórias

Liev Tolstói / Crédito da imagem: Imagik.org.brUma dica de leitura para os admiradores dos autores russos: Tolstói, a biografia, de Rosamund Bartlett,  pesquisadora, tradutora e especialista em literatura russa, autora também da biografia de Anton Tchékhov, é um dos novos lançamentos da Biblioteca Azul.

O livro trata da vida do escritor russo desde a infância, no século XIX (ele nasceu em 1828), até sua morte, em novembro de 1910. Além da vida privada de Tolstói, Rosamund Bartlett se debruça sobre a concepção dos grandes romances do autor: Guerra e Paz (1869) e Ana Karenina (1877); e destrincha os diferentes períodos de sua vida, traçando paralelos com a sociedade russa de sua época.

Não ficam de fora informações pouco conhecidas, como histórias de antepassados que serviram de modelo aos personagens dos seus romances, bem como os amores de juventude, os prejuízos em cassinos e a preocupação de Tolstói com a educação dos jovens russos. Ele fundou escolas e…

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Bíblia com mais de 1500 anos é descoberta e preocupa Vaticano

Uma Bíblia de mais de 1500 anos foi descoberta na Turquia e causa preocupação ao Vaticano. Isso porque a tal bíblia contém o evangelho de Barnabé, que teria sido um dos discípulos de Cristo que viajava com o apóstolo Paulo e descreve Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica.

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O livro teria sido descoberto no ano 2000, e foi mantido em segredo na cidade de Antara. O livro, feito em couro tratado e escrito em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus, tem as páginas negras, por causa da ação do tempo. De acordo com as notícias; peritos avaliaram o livro e garantiram que o artefato é original.

Autoridades religiosas de Teerã insistem que o texto prova que Jesus nunca foi crucificado, não era o Filho de Deus, mas um profeta, e chama Paulo de “Enganador.” O livro também diz que Jesus ascendeu vivo ao céu, sem ter sido crucificado, e que Judas Iscariotes teria sido crucificado em seu lugar. Falaria ainda sobre o anúncio feito por Jesus da vinda do profeta Maomé, que fundaria o Islamismo 700 anos depois de Cristo. O texto prevê ainda a vinda do último messias islâmico, que ainda não aconteceu.

O Vaticano teria demonstrado preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem aos especialistas da Igreja Católica avaliar o livro e seu conteúdo.

Acredita-se que a igreja Católica durante o Concílio da Nicéia tenha feito a seleção dos Evangelhos que fariam parte da Bíblia, suprimindo alguns, dentre deles possivelmente o Evangelho de Barnabé. Há ainda a crença de que existiram muitos outros evangelhos, conhecidos como Evangelhos do Mar Morto.

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/a…laims.html … (FONTE)

A incrível pirâmide da desigualdade global | José Eustáquio Diniz Alves

Milionários são apenas 0,6% da população, mas abocanham doze vezes mais riqueza que 69,3% dos habitantes da Terra. Concentração e consumismo podem tornar civilização insustentável.

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Por José Eustáquio Diniz Alves, no EcoDeabte

O relatório sobre a riqueza global, em 2012, do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012) traz um quadro bastante amplo e esclarecedor da distribuição da riqueza (patrimônio) das pessoas adultas do mundo. A riqueza global foi estimada em US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil.

Mas, evidentemente, existe uma distribuição desigual desta riqueza. Na base da pirâmide estão as pessoas com a riqueza menor do que 10 mil dólares. Nesta imensa base havia 3,184 bilhões de adultos, em 2012, o que representava 69,3% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a “riqueza” deste enorme contingente foi de US$ 7,3 trilhões, o que representava somente 3,3% da riqueza global de US$ 223 trilhões. Ou seja, pouco mais de dois terços (2/3) dos adultos do mundo possuíam somente 3,3% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 2.293.

No grupo de riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.

No grupo de riqueza entre cem mil e 1 milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.

Os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total, no mundo. Todavia, este pequeno grupo de pessoas concentrava 39,3% da riqueza mundial, um montante de US$ 87,5 trilhões, o que representava 39,3% da riqueza global. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 3,017 milhões.

O que mais chama a atenção na distribuição da riqueza é que os 29 milhões de adultos do alto da pirâmide possuíam um patrimônio superior a 12 vezes o patrimônio da base de 3,2 bilhões de pessoas. Os dados também mostram que os contingentes intermediários estão crescendo e que a riqueza global aumentou no passado e tende a aumentar nas próximas décadas. Em 2000, na virada do milênio, a riqueza global era de US$ 113,4 trilhões, uma média de US$ 30,7 mil por adulto, em um total de 3,6 bilhões de pessoas na situação de maioridade.

Contudo, todo o montante atual de US$ 223 trilhões de riqueza para 4,6 bilhões de adultos, em 2012, está sustentado em bases frágeis, pois a riqueza do ser humano (em sua forma piramidal) está alicerçada sobre bases naturais degradas pelas atividades antrópicas. A pirâmide da riqueza humana tem crescido e se ampliado sobre uma base de pauperização dos ecossistemas. Não é improvável, que em algum momento, a pirâmide possa afundar por falta de sustentação ecológica ou possa implodir por falta de justiça redistributiva em sua arquitetura social.

Enquanto o capital natural tem sido depredado, a riqueza global (e o consumo) dos seres humanos cresceu cerca de 50% no século 21, passando de uma média per capita de US$ 30,7 mil no ano 2000, para US$ 43,8 mil em 2010 e para US$ 49 mil, em 2012. Todavia, as necessidades e os sonhos humanos são ilimitados e os de baixo da pirâmide aspiram o padrão de consumo daqueles do meio e do topo do status social. Mas é impossível haver um crescimento ilimitado da riqueza material em um planeta finito e a história mostra que, em vários momentos, pirâmides que pareciam sólidas se transformam em castelos de areia.

Não é sem surpresa que os indignados do mundo estão se unindo, se mobilizando e corroendo as estruturas piramidais das sociedades árabes, espanhola, europeia, dos Estados Unidos, etc. Também não é sem surpresa que a indignação tenha chegado ao Brasil, pois existe um mal-estar geral com o modelo de desenvolvimento econômico, com o funcionamento da democracia, com a imobilidade urbana e social e com a relação humanidade/natureza. Evidentemente, este mal-estar aparece de maneira difusa e sem alternativas claras de novos rumos.

Mas o que o mundo precisa não é manter o processo de ampliação da pirâmide da riqueza e do consumo e, sim, construir relações mais horizontais, simples e justas entre as pessoas e entre as pessoas e o meio ambiente.


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionaise Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/a-incrivel-piramide-da-desigualdade-global/ … (FONTE)

Viagem Medieval Santa Maria da Feira


Em 1211, D. Afonso II herda um reino devastado por uma grave crise interna, intensificada pela oposição à sua sucessão. Ao contrário dos seus antecessores, talvez pelos seus graves problemas de saúde, não se envolve diretamente em grandes campanhas militares nem mesmo na conquista de Alcácer do Sal, deixando para outros o domínio da guerra. El-rei escolhe outras alternativas para impor a sua autoridade, revelando-se um estadista fora do comum, com uma grande visão política e estratégica, tomando decisões fundamentais e inovadoras na boa governação e consolidação administrativa do reino.

A realização das primeiras Cortes em Portugal, no primeiro ano de reinado, marca de imediato o rumo da política nacional, promulgando várias medidas destinadas a garantir o direito de propriedade. A promoção das inquirições por todo o reino, a criação do notariado e a sistematização de registos de chancelaria são ações que fomentam a supremacia da justiça régia e a autonomia do poder do monarca.

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“Call me a liar” é banda sonora de uma série

The Norton´s Project com o seu single “Call me a liar” irá figurar na banda sonora de uma série de televisão que vai dar que falar.

A série vai-se chamar “Palavras para quê” e “Call me a liar” será a canção da personagem João Paulo Cabrita que será interpretada pelo actor Pedro Oliveira que é um dos protagonistas do Clip “Call me a liar”.

No vídeo, a entrevista conduzida por Germano Campos, na RDP Internacional, com os autores da nova série “Palavras para quê”.

Apresentaç​ão das obras História da Ciência na Univ. de Coimbra

UC

No próximo dia 26 de julho, pelas 17 horas, serão apresentadas, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, as obras História da Ciência na Universidade de Coimbra (1772-1933) e História da Ciência Luso-Brasileira: Coimbra entre Portugal e o Brasil, editadas por Carlos Fiolhais, Carlota Simões e Décio Martins.

A apresentação estará a cargo de Fernando Seabra Santos.

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Teolinda Gersão na Casa da Cultura de Setúbal

Teolinda“Tocar na vida através da escrita, sabendo que vou queimar-me. Como se chegasse perto do sol e desaparecesse, sugada por um poço de luz negra.”

O mais recente livro de Teolinda Gersão, Cadernos II – Águas Livres, esteve em debate nas conversas do Muito Cá de Casa. Um livro que toca a vida em momentos dispersos do nosso dia-a-dia, com os seus inevitáveis personagens do quotidiano. São histórias que nos dizem muito, que nos atiram para o papel de testemunhas

Um livro assim presta-se ao debate. Da assistência desprenderam-se as preocupações dos dias de hoje e o debate foi inevitável. São assim as conversas do Muito cá por casa.

A Teolinda Gersão foi grande como a sua escrita. São trinta anos de cadernos e advinha-se um Cadernos III. Quando nada é definitivo – até aquela professora primária que odiámos anos a fio e que somos, mais tarde, capazes de recordar com carinho – que sentido faz escrever uma biografia? Resta-nos sermos inquietos, para sempre.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete e BlogOperatório.

Jogar pelo Seguro: António Costa a PM, por Daniel Deusdado

António Costa

Daniel Deusdado
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Jogar pelo Seguro: António Costa a PM
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Cavaco instalou a derrota final. Esta solução de ‘nem antecipa já nem Governa até ao fim’ é a pior de todas – um Governo de gestão por um ano cuja única missão é reunir com a troika e fazer tudo o que os ‘mercados’ exigirem. Só que a chantagem da “salvação nacional” não basta para unir estes partidos, neste momento, sob coação do presidente.

O problema é o da credibilidade dos líderes. Passos Coelho é apenas o último exemplo desta inconsistência e por isso os portugueses temem tanto António José Seguro. Mas bastaria dois dedos de testa no PS e isto resolvia-se sem se hipotecar o sistema democrático através de uma aliança irrespirável entre PSD, CDS e PS e no qual se entrega o voto de protesto ao PCP e ao Bloco.

Como sair daqui? Seguro foi eleito líder do PS (só Deus sabe porquê…) mas é evidente que o país preferia ter à frente dos socialistas António Costa. Ora, António José Seguro tem uma grande oportunidade de se revelar pela primeira vez um estadista. Basta anunciar que o PS indica António Costa para primeiro-ministro das eleições (sejam elas quando forem).

Se fosse lúcido, Seguro tê-lo-ia feito já na semana passada e acabava de vez com o Governo. Mas o projeto de Seguro não é o país, é o de “Ele” ser primeiro-ministro. Tal como Passos Coelho. Querem entrar na história a todo o custo, apesar dos milhões de vítimas provocadas pela sua ignorância profunda para a função. Seguro pode tentar demonstrar que é competentíssimo no mundo in vitro onde vive, mas há todos os dias alguém a fazer campanha contra o líder do PS: é o líder do PSD. Passos mostra como um jotinha profissional é bom a conquistar distritais e assustador a gerir um Governo real.

Se António José Seguro pusesse o seu ‘ego’ ao largo e por um minuto pensasse nos portugueses, perceberia que António Costa tem mais perfil para o momento que atravessamos. Tem experiência – foi um bom ministro da Justiça, foi um excelente ministro da Administração Interna. Lisboa é uma cidade que ganhou brilho com ele. E tem uma boa rede de ‘inteligência’ capaz de colocar ao seu lado uma equipa séria para pastas essenciais num Governo.

Mais: no contexto em que estamos, seria pacífico e clarificador que o PS não apresentasse Costa à Câmara de Lisboa. Da forma que o PSD está, seria o momento certo para um novo rosto iniciar um ciclo na capital. Aliás, haveria um impulso PS por todo o país com esta credibilização da liderança socialista. Entretanto, António José Seguro poderia liderar o PS neste impasse e depois no Parlamento em apoio ao futuro Governo, ou ficar como vice-primeiro-ministro, ou ser ministro dos Negócios Estrangeiros – enfim, o que quisesse. Com esta decisão os portugueses ficar-lhe-iam gratos e acreditariam que existe algo mais na ambição de Seguro do que, apenas, ligar à família e dizer: “Olá! Já sou primeiro-ministro”.

Um outro ponto essencial de uma estratégia nova: com António Costa o PS poderia ter a ambição de reclamar uma maioria absoluta porque Costa é bem-visto simultaneamente à esquerda e à direita do PS. E com uma provável maioria absoluta do PS terminaria o dogma da “instabilidade”. Um Governo de quatro anos socialista seria melhor do que esta brincadeira a prazo que temos à frente em nome da “estabilidade”. Até os mercados agradeceriam um novo cenário.

Além disso, o risco do regresso às políticas “Sócrates” – a que ficou ligado o PS – ficaria muito mais mitigado porque Costa tem um pensamento próprio enquanto Seguro voga entre os de Costa, os de Sócrates e os que estão a ver para onde as coisas caem.

Insistindo Seguro no seu incontornável “Eu”, as próximas autárquicas podem ter um sentido útil: à exceção de Lisboa, os portugueses que querem votar apenas em protesto (porque não têm certezas sobre os candidatos PS), deveriam votar noutros partidos. É hora de se fazer uma moção de desconfiança a este líder do PS que não percebe a importância do momento que todos estamos a viver e não abre caminho à solução de que os portugueses desesperadamente precisam. Mesmo com austeridade e sacrifícios no futuro, precisaríamos de recomeçar, já, com um Governo decente. Sem Passos, Portas ou Seguro.

http://www.leituras.eu/?p=8024&utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=jogar-pelo-seguro-costa-a-pm

Citando Paulo Portas

“(?) Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer. (?) O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo. (?) ficar no governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível (?) a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo. (?)”

Paulo Portas, carta de demissão

Citando Nicolau Santos in “Expresso”

Não foi o dr. Passos que tomou decisões sem consultar o dr. Portas. Não foi o dr. Passos que desprezou o PS e os parceiros sociais ao longo destes dois anos. Não foi o dr. Passos que viu o seu ministro das Finanças demitir-se dizendo que os objetivos do ajustamento tinham falhado. Não foi o dr. Passos que sempre apoiou o caminho traçado pelo dr. Gaspar. Não foi o dr. Passos que nomeou a dra. Maria Luís contra a opinião do dr. Portas. Não foi o dr. Passos que criou os megaministérios.

(…) o dr. Passos é um estadista. Um estadista mariola, mas um estadista. Agradeçamos esta dádiva dos deuses.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-dr-passos-e-um-estadista-e-um-mariola=f821447#ixzz2ZZNeVTMe (FONTE)

Leitura pública de “Macunaíma no meu Pátio” de Luís Carmelo a 18 de Julho, quinta-feira | 18.00 horas no CNC – Centro Nacional de Cultura

LUISCARMELO

Leitura pública de “Macunaíma no meu Pátio”
de Luís Carmelo
18 de Julho, quinta-feira | 18.00 horas

Sala Sophia de Mello Breyner, Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, 68

Entrada livre

“Macunaíma no meu Pátio” é um livro inédito de Luís Carmelo. Baseado na rescrita de Macunaíma de Mário de Andrade, o relato segue as instáveis linhas narrativas do original brasileiro, embora recrie e reinvente tudo o resto: espaço, linguagem, ritmo, mitologias e situações. Escrito em Abril de 2013, a obra, antes ainda de conhecer a sua edição em papel, vai ser apresentada em público em Évora através duma leitura que será levada a cabo pelo próprio autor.

Teolinda Gersão na Casa da Cultura de Setúbal

1012204_10200330228120809_459363711_n“São Cadernos espelhados uns nos outros, de algum modo autónomos, embora estejam interligados. Vêm de vários tempos, circunstâncias e lugares, podem encaixar-se como matrioscas ou fugir em todas as direções como fagulhas. Formarão, eventualmente, no fim, uma constelação? Não tenho nenhuma certeza.”

São registos de geometria variável, sem a rigidez cronológica das memórias ou a objectividade do “eu” biográfico. “A liberdade de uma escrita solta, ao sabor do acaso”.

Esta sexta, Teolinda Gersão apresenta o seu mais recente livro nas conversas Muito cá de casa, na Casa da Cultura de Setúbal. António Ganhão, do PNet Literatura, vai moderar.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete e BlogOperatório.

ANTÓNIO COSTA | Pavilhão de Portugal | Apresentação de Candidatura à Câmara Municipal de Lisboa | Quinta-feira, 18 de Julho de 2013, 18 horas

Pala do Pavilhão de Portugal

ANTÓNIO COSTA tem o maior gosto em convidar V. Exa. para a sessão em que apresentará publicamente a sua recandidatura à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.
Na mesma sessão serão apresentados os cabeças de lista à Assembleia Municipal de Lisboa e às novas 24 freguesias. Será igualmente apresentado o Mandatário da candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA.
A apresentação pública da Candidatura à CM de Lisboa de ANTÓNIO COSTA.
A presença de todos é importante para a afirmação de apoio a ANTÓNIO COSTA e à candidatura JUNTOS FAZEMOS LISBOA, na preparação do futuro da nossa cidade.
Não falte, todos são necessários, porque JUNTOS FAZEMOS LISBOA!

António Costa

FLIP, uma festa de tradição.

O IILP's avatarBlogue do IILP

images (4)A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, uma das  maiores festas de literatura do Brasil, encerrou ontem (07.06) e reuniu durante cinco dias mais de 2o mil  pessoas em Paraty, Rio de Janeiro, Brasil. O ponto alto, segundo os coordenadores do evento, foram as discussões políticas pautadas pelas manifestações que tomam o país desde junho.

Para fortalecer e fundamentar ainda mais as  discussões sobre o quadro atual brasileiro a festa teve como homenageado Graciliano Ramos, autor pautado por “preocupações políticas na sua obra e pelas implicações do lugar do intelectual no Brasil”, disse o curador da FLIP,  Miguel Conde.

images (5)Este ano, além da programação principal da FLIP que trouxe uma série de palestras, algumas ligadas diretamente ao escritor, outras com temas mais amplos, eventos paralelos como a Flipinha, dedicada ao público infantil, disputaram olhares e público. Além disso, exposições e shows formaram o cenário cultural desta grande festa.

Liz Calder, idealizadora da…

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Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!” (Papa Francisco)

“ Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”

(Papa Francisco)

Papa

A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov

Este é o primeiro romance escrito em inglês por Vladimir Nabokov, também ele de origem russa. Provavelmente, tal como Sebastian Knight, lhe aconteceu ficar “escarlate quando, por algum defeito de elocução, um ouvinte mais obtuso não compreendia bem uma frase sua.”

Advinha-se um lado autobiográfico nesta obra. Nabokov não entrega o papel de narrador a Sebastian Knight, mas a uma terceira pessoa; não um completo estranho, mas um seu meio-irmão. Estabelecendo assim um triângulo de cumplicidades. Talvez Nabokov se tenha desdobrado nos dois personagens: Sebastian e o seu meio-irmão, o narrador do livro.

Ler mais em Acrítico – leituras dispersas

O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira in “Abrupto”

Do outro lado, tem um enorme vazio, António José Seguro, o homem que não existiu nesta crise, porque eleições antecipadas era a última coisa que queria, em razão inversa das vezes de que falou nelas. À direita aconselham-no a “fazer de morto”, para castrar todas as veleidades de ele fazer qualquer oposição que se veja. É um conselho errado, porque ele está já de há muito morto, não precisa de se “fazer”.

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Nunca em toda a minha vida, antes ou depois do 25 de Abril, senti um tão agudo ambiente de “luta de classes”. Os de baixo contra os de cima. os de cima contra os de baixo. Os de cima que fazem de conta que não há os de baixo, não existem, ponto. Os de baixo que se pudessem apanhar os de cima, sem a corte de guarda-costas, os fariam passar um mau bocado. Sem organização, sem instigação, como quem respira.
Em 1974-5, o conflito era de outra natureza, era dominantemente político, e não tinha essa fractura social evidente e agressiva como base. Era sobre liberdade e ditadura, sobre o Portugal do passado mais do que sobre o Portugal do futuro. Com excepção dos retornados, pouca gente sofreu nesses anos, nem mesmo os presos pelos mandatos de captura em branco do Otelo, ou  as centenas de MRPP presos. Dez anos bastaram para normalizar a democracia, acabar com os restos do PREC, absorver os retornados, sem feridas permanentes.
Agora as feridas vão ser profundas e vão durar muito tempo. A identidade do país soçobrou dentro da Europa a favor da burocracia de Bruxelas e do directório alemão. Antes era por inconsciência, agora é pela necessidade. Mas, antes e agora, porque a nossa elite dirigente tem em pequena conta o país, não gosta dos portugueses, desconhece a nossa história e tradições, e está dominada por interesses. Não lhes passa pela cabeça que, agora que as pessoas têm que comer terra, talvez escolhesssem comer a mesma terra que comem e vão comer no futuro, sem ter que suportar a tutela arrogante de quem, nos desprezando, nos dá lições de moral e disciplina.
O tecido social está rasgado, o país deslaçado, onde um discurso de guerra civil penetra, fazendo o vizinho dono de um pequeno café, vergado de impostos, voltar-se contra o vizinho professor em vésperas de ser  “requalificado”, em vez de olhar para cima, para quem de forma leviana e muitas vezes incompetente, balizado apenas pelo círculo de ferro do nossso establishment, no qual a banca define a pertença e a exclusão, está a conduzir uma operação de empobrecimento colectivo de muitos para salvar a “economia” de poucos. E esses poucos, são os que nos colocaram na situação em que estamos.
Hoje há reacção, reacção de reaccionarismo. Há um acantonamento de emergência com armas e bagagens do lado do governo, preparado para tudo, para ser agressivo, para fazer todas as chantagens (a chantagem teve um papel nesta crise) , a cilindrar tudo e todos à frente. Do outro lado, tem um enorme vazio, Antònio José Seguro, o homem que não existiu nesta crise, porque eleições antecipadas era a última coisa que queria, em razão inversa das vezes de que falou nelas. À direita aconselham-no a “fazer de morto”, para castrar todas as veleidades de ele fazer qualquer oposição que se veja. É um conselho errado, porque ele está já de há muito morto, não precisa de se “fazer”.  E está morto do lado deste Navio Fantasma que é o governo.
E depois tem um BE encurralado e sem estratégia, e um PCP, há muito tempo numa posição defensivaque tem um papel fundamental nos sindicatos (sem a acção sindical de resistência, real ou potencial, ninguém falaria de “cansaço da austeridade” e o governo e a troika teriam ido muito mais longe na criação do país de mão de obra barata e disciplinada que pretendem) , mas é inútil no plano políticoOs “indignados” e companhia tem folclore a mais e a actuação pelas redes sociais é no essencial preguiçosa e atentista. 
Ou seja, a maioria dos de baixo está entregue à fúria populista e ao desespero.
José Pacheco Pereira
 
(Continua.)

“Silêncio Político”? | Júlio Machado Vaz in Facebook

Há algum tempo uma boa amiga interrogava-se sobre o meu “silêncio político”. Mas dizer o quê? Ontem o Dr. Passos Coelho brindou-nos com mais um dos seus redondos comunicados. A seu lado, Paulo, o irrevogável, Portas, parecia ter envelhecido dez anos e colecionava tiques de nervosismo. Pano de fundo sobre o qual se desenhavam os jograis? Portas, num registo laico, imitou Marcelo, quando este afirmou que “nem se Cristo voltasse à Terra…”. Justificação para uma pirueta de tal dimensão, após uma decisão que até homens como Lobo Xavier e Nobre Guedes criticaram? Mas está bom de ver! – o interesse do País, ou seja, o nosso. Poder reforçado para si e para o CDS/PP no Governo, agora é que chega o desenvolvimento. E se não chegar? Fácil, acusa-se a desaparecida em combate Ministra das Finanças de ter bloqueado as iniciativas da “Nova Política”. (Sim, a que não podia ter sido escolhida e motivou a decisão irrevogável…). Passos Coelho “promoveu e premiou” quem considera tê-lo traído? Fácil, fê-lo pensando no interesse nacional, ou seja, em nós. Manteve-o no mesmo barco e à mão de semear para o passa-culpas eleitoral. E manteve-se Primeiro-Ministro, não vão algumas cabecinhas do PSD avançarem com um nome que não o seu para candidato. (E mesmo assim…). Cavaco já tem mais um prefácio para escrever em 2014 sobre deslealdades sofridas às mãos de Governos, ser avisado uma hora antes da posse da Ministra – entre outras coisas… – deve tê-lo feito pensar que Sócrates não era o único pronto a desconsiderá-lo olimpicamente. Mas e agora? Depois de se ter colado a este Projecto – também no nosso interesse, claro! -, e apesar das consultas e de frases como “seja qual for o Governo…”, vai tirar-lhes o tapete e vencer o seu horror a sair de uma zona de conforto que reduz a presidência a uma figura de estilo? Veremos… A verdade é que tudo isto é trágico para o país, mas nada estimulante como tema de reflexão. Quando muito, estes actores políticos lutam pela sua sobrevivência. Às vezes nem isso – exemplificam apenas como ética e competência deixaram de ser condições obrigatórias para dirigir a Cidade.
Depois do triste dueto de ontem à noite, The song remains the same, como cantaram os Zeppelin 😦

Apenas a hipocrisia subiu uma oitava…

jmv

Resumindo e concluindo

Desconhecida's avatarAventar

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Eleições não, que as perdemos. Tudo isto porque Paulo Portas se esqueceu dos submarinos e sonhou-se numa coligação com o Seguro.

Não sejam piegas: nem o PS teria maioria absoluta, para alianças à esquerda não está virado e tem de se pasofikar antes,  deixem lá o povo ir a votos, dá um governo do arco, provavelmente com menos jotinhas e até com gente que saiba fazer contas. Exactamente o que o país precisa para um ou dois resgates depois ter um governo de esquerda.

Portugal não é bem a Grécia: levamos um ano de atraso, embora tenhamos uma vasta experiência histórica no assunto. E entretanto ontem e hoje foi um fartote na bolsa. Haja festa a caminho do abismo.

Fotografia: Sérgio Rodrigo

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O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira in “Abrupto”

jpachecopereiraA demonização das eleições é um dos traços autoritários mais preocupantes dos dias de hoje. As eleições são apresentadas como sinónimo de um “país que pára”,  um acto inútil “porque tudo fica na mesma”, um enorme desperdício de dinheiro a evitar a todo o custo. Ouvindo com atenção os argumentos hostis à possibilidade de eleições imediatas percebe-se que eles não dizem respeito apenas à antecipação de eleições no actual contexto de crise, mas a todas as eleições, às eleições de per si. São, no seu entender, um momento anti-económico e um obstáculo a que o país “trabalhe” e “ande para a frente”. A questão tem a ver  com a ideia de que a democracia é uma perturbação inaceitável, ou apenas aceite no limite da condescendência, para um ideal de funcionamento tecnocrático, aplicado por uma burocracia “racional”, a mando de não se sabe de quem.
PS: Os mesmos que se queixam de que, se houver eleições, “o país pára oito meses” (uma patetice  sem qualquer correspondência com a realidade), andam há muito a prometer que encurtam os prazos eleitorais na lei, e, de legislatura em legislatura, não tomam nenhuma iniciativa nesse sentido, mantendo prazos e tempos de campanha excessivos.

Onésimo Teotónio Almeida | sexta-feira, 5 de Julho às 18h30 | Fundação Dr. Luís Rainha, Póvoa do Varzim

Lembramos que é já esta sexta-feira, 5 de Julho (depois de amanhã, portanto), às 18h30, que Onésimo Teotónio Almeida apresentará, na Póvoa, na recém-inaugurada sede da Fundação Dr. Luís Rainha, sita à Rua da Alegria, nº. 10 (ali ao pé da Igreja de S. José), o seu mais recente livro, Quando os bobos uivam. A sessão contará com um apontamento musical interpretado à viola, por Bruno Ribeiro.

Onésimo Teotónio Almeida é um dos convidados residentes do Festival Literário Correntes d’ Escritas, imprescindível companhia em qualquer momento.

Manuela Ribeiro

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O NAVIO FANTASMA | José Pacheco Pereira

jppÉ preciso muito cuidado em  aceitar pelo seu valor facial tudo o que se anda por aí a dizer. O Navio Fantasma vai ser assim, muita mentira, desespero, muito desespero com carreiras e resultados eleitorais. Alguém mentiu a Portas. E vice-versa. Alguém mentiu a Passos Coelho. E vice-versa.  Alguém mentiu a Cavaco Silva.  Alguém mentiu a todos nós.  Alguém mentiu e mente aos portugueses. Já estamos em eleições.

http://abrupto.blogspot.pt/2013/07/o-navio-fantasma-2.html … (FONTE)

Wieliczka Salt Mine – Krakow

geoffwatt's avatarGeoff shoots the world

The Wieliczka Salt Mines are well worth a visit if you’re in Krakow.

Like Auschwitz you can do it as a pre organised tour that will pick you up from your hotel, or for half the cost you can get there on public transport and do the guided tour there (you have to do a tour, you can’t wander around in the mines by yourself). We caught the 304 bus from near the main station and it got us there in about half an hour. If I remember rightly English tours are every half an hour, though maybe it was every hour?

It will take up half the day, but when Krakow is hovering around 33 degrees you’ll be thankful of the nice cool mines, plus you can lick the walls (seriously!) and replace some of the salts your body lost while sweating outside the day before. Don’t lick the statues though…

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Stand up: Quer o seu futuro bem ou mal passado?

Zink_StandUp

O Rui Zink e eu (Raquel Varela) fizemos os cálculos e achamos que o valor do PIB permite comer bifes todos os dias, mal-grado Isabel Jonet e Ulrich acharem que não aguentam ver a população a passar tão bem. Mas, como 8,5 milhões de portugueses ainda não foram a nenhuma manif, quisemos contribuir para os convencer, misturando 3 doses (des) equilibradas de verdade sobre as contas públicas, o absurdo da via para o empobrecimento e humor…porque na vida quem não ri das fraquezas vive claramente abaixo das suas possibilidades.

Vamos levar «Uma Modesta Proposta…», a qualquer canto de Portugal, dependendo claro do nosso tempo, do vinho que nos oferecerem ao jantar e da paciência dos portugueses – dizem as boas notícias que assim que os portugueses resolverem imitar os turcos ou os brasileiros, esta stand-up perde toda a oportunidade, facto que o Rui e eu não deixaremos de celebrar!

Raquel Varela, Historiadora, Investigadora do IHC (FCSH-UNL)
Rui Zink, Escritor, Professor FCSH-UNL
Design: Pedro Páscoa, Foto: Naoki Tomasini

Auschwitz concentration camp

geoffwatt's avatarGeoff shoots the world

Aushwitzpano

We went to Aushwitz because it’s really just something you should do if your in Krakow, you probably won’t enjoy yourself but you owe it to yourself as a human to go. There was a quote on a plaque in the entrance, I forget who it was from, or even it’s exact words (why didn’t I take a photo of it!) but it was basically “we must remember the evil of our past so we will not commit it again in our future”.

I’m not going to go into detail about what the tour entailed or what happened here, you probably already know, and if you don’t, do yourself a favour and read up on it, you could do worse than following the Wikipedia link above.

If you do decide to go when you’re there you will see pamphlets and advertising everywhere for organised tours they will pick you up…

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Paths, Possibilities, and NYC

Cheri Lucas Rowlands's avatarCheri Lucas Rowlands

Insta-poetry. Or something.

An apartment full of boxes in Carroll Gardens
An art space in Bushwick
A mother and daughter in Central Park
A little house with a white picket fence in the suburbs

* * *

* * *

Such different life paths
From each other, and from mine
Yet New York City is like glue
Where these intersections materialize

We talk about the dance between travel and memory
Each step to both recall and reshape
In Brooklyn, the sidewalks are familiar
Yet with each step I’ve forgotten and let go

* * *

* * *

I once had a chance to live here
The MFA program I did not choose
An alternate timeline, a life in this big city
A much different now

That last line is missing a question mark
As now could be as it is
Or not at all
Living elsewhere, unmarried
Walking a path…

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Um Rapaz a Arder – Casa da Cultura de Setúbal

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Está um rapaz a arder
em cima de um muro,
as mãos apaziguadas.
Arde indiferente à neve que o encharca.

Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar.
Nunca ninguém lhe apagou esse lume.

(Archote Glaciar, EP 1998)

Ontem, na Casa de Cultura de Setúbal, as conversas muito cá de casa, receberam Eduardo Pitta e o seu livro mais recente Um Rapaz a Arder. O ator José Nobre interpretou poemas do autor com tal força que se convenceu, a dada altura, ter repetido dois versos. Atentos, a sala e o autor, tranquilizaram-no. Não, estava perfeito.

Eduardo Pitta falou-nos de Moçambique e das razões da sua saída, do seu livro, da sua poesia, dos escritores que foi conhecendo, de alguns livros que vieram a propósito, do Meio, do nosso retrocesso social. Sempre com uma impecável elegância, sem saudosismos serôdios e com um saudável sentido de humor. Não se furtou às questões identitárias que abordou com a naturalidade de quem fala de si e das memórias de um percurso de vida.

Da audiência vieram perguntas, que o Cidade Proibida se encontra esgotado – o único romance do autor, escrito numa linguagem desabrida e crua. Fátima Medeiros da livraria Culsete quis saber da escrita do “eu” e das suas concessões à ficção. Abordou ainda a clareza da obra ensaísta do autor.

Não houve fogo, mas ninguém apagou este rapaz a arder.

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, e conta com a colaboração de PNet Literatura, livraria Culsete e BlogOperatório.

Badalona, primeira cidade espanhola a declarar ilegítima a sua dívida

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Terça-feira, 25 de Junho, vivemos um momento histórico: a cidade de Badalona, ​​a pedido da moção apresentada em colaboração com o Grupo de Auditoria da Dívida de Badalona, ​​é a primeira em todo o Estado (catalão e espanhol) a declarar ilegítima parte de sua dívida, reconhecendo que foi constituída sem responder aos interesses dos cidadãos. A moção foi apresentada pelo grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona em conjunto com ICV-EUiA, e foi apoiado por OIC e PSC, com a abstenção do PP. Especificamente, são declarados ilegítimos os juros dos empréstimos ICO, que o BCE cobra aos bancos a 1% e estes emprestam aos municípios a 5% ou mais para pagar fornecedores. A aprovação desta moção representa uma mudança de paradigma, uma vez que nenhuma administração pública havia declarado antes uma dívida como ilegítima.

O grupo Auditoria Cidadã da Dívida de Badalona interveio ontem na Assembleia Municipal para denunciar a perversão do mecanismo da dívida e identificar o golpe que envolve a dívida ilegítima contraída nas costas dos cidadãos e contra os interesses destes. As instituições financeiras que fizeram empréstimos ao Conselho Municipal de Badalona no âmbito do Plano de Pagamento de “Proveedores” estabeleceram juros de 5,54% em 2012, apesar de terem recebido esse dinheiro com juros inferiores a 1% do Banco Central Europeu (entidade pública). Este empréstimo ICO representa um benefício para as instituições financeiras envolvidas de cerca de 2.098.000 em cada ano. Lembramos que este é dinheiro público que passa para mãos privadas, portanto consideramos e denunciamos que este sistema de financiamento é perverso, injusto e facilita a ditadura financeira e, portanto, exigimos uma Auditoria Cidadã da Dívida para estabelecer que parte é ilegítima e nos recusarmos a pagar. Denunciamos também que a democracia foi sequestrada pelos mercados financeiros, como foi evidenciado com a reforma do artigo 135 da Constituição, realizada em tempo recorde em Agosto de 2011 pelo PSOE e o PP, que estabeleceram a obrigação de pagar dívida acima de qualquer outra intervenção ou gasto social.

 

O Suplente – dia 3 de Julho na FNAC

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Este livro fala-nos da dor da perda. Da dor para a qual não existe um suplente no banco, pronto a entrar para repor o equilíbrio. Este livro não é sobre futebol.

Com um impecável sentido de humor e não menos brilhante sentido de observação, Rui Zink mostra-nos como os portugueses discorrem dobre os fatos fundamentais da sua vida com o recurso a frases feitas. Como se estas frases fossem um arremedo para a nossa falta de cultura. Uma incultura que nos impede de refletir ou de nos expressarmos pelas nossas próprias palavras.

O autor confidencia-nos ser uma pessoa dividida entre a pulsão artística e a intervenção cívica. Este livro é uma proposta assertiva que se mantém pertinente treze anos após a primeira edição.

 

Livraria Centésima Página – Braga

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Dia 4 de Julho pelas 18:30, na LIVRARIA CENTÉSIMA PÁGINA em BRAGA, a escritora Cristina Carvalho vai animar uma sessão com os seus dois livros mais recentes, “Rómulo de Carvalho/António Gedeão – Biografia” publicado por Editorial Estampa em Outubro de 2012 e “MARGINAL” publicado por Planeta Manuscrito em Março 2013.

Apareçam, o espaço é fantástico e o debate será animado.

Depoimento de Fernando Teixeira dos Santos na TVI em 2013.06.26

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1. Fizemos a correcção orçamental de 2005-2007, concluindo-a com êxito um ano antes do acordado com a UE.
2. Respondemos à crise mundial com uma política orçamental expansionista, tal como os restantes países, e em aplicação da decisão tomada pelo Conselho Europeu.
3. Fomos atingidos pela crise grega, pela hesitação europeia em responder-lhe, pela queda da Irlanda e pela mudança de orientação franco-alemã.
4. Preparámos com o apoio explícito da chanceler alemã um programa de consolidação, o PEC-4, que não implicava a perda de soberania associada ao resgate internacional.
5. O chumbo desse PEC pelo Parlamento português, eis o que nos conduziu aos braços da troika e ao resgate.
6. Sim, o primeiro-ministro de então resistiu tanto quanto pôde ao pedido de resgate, porque tinha a plena intuição política do que ele significaria.
7. O erro principal do actual Governo foi ter pretendido ir além do próprio memorando de entendimento com a troika.

Internacionalização da Amazônia | CRISTÓVAM BUARQUE, Brasil

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Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

“Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

“Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.”

“Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

“Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

“Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

“Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA.

Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

“Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

” Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!

How Austerity Has Failed by Martin Wolf in “The New York Review of Books”

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Austerity has failed. It turned a nascent recovery into stagnation. That imposes huge and unnecessary costs, not just in the short run, but also in the long term: the costs of investments unmade, of businesses not started, of skills atrophied, and of hopes destroyed.

What is being done here in the UK and also in much of the eurozone is worse than a crime, it is a blunder. If policymakers listened to the arguments put forward by our opponents, the picture, already dark, would become still darker.

How Austerity Aborted Recovery

Austerity came to Europe in the first half of 2010, with the Greek crisis, the coalition government in the UK, and above all, in June of that year, the Toronto summit of the group of twenty leading countries. This meeting prematurely reversed the successful stimulus launched at the previous summits and declared, roundly, that “advanced economies have committed to fiscal plans that will at least halve deficits by 2013.”

Ler mais:

http://www.nybooks.com/articles/archives/2013/jul/11/how-austerity-has-failed/?pagination=false