Conférence de Frédéric LENOIR le 14 janvier 2018 “Plus conscient, plus libre, plus heureux avec Spinoza !” à Crans-Montana (Valais, Suisse).
“A bien des égards, Spinoza est non seulement très en avance sur son temps, mais aussi sur le nôtre. C’est ce que j’appelle le “miracle Spinoza”. F. Lenoir (www.fredericlenoir.com)
Thèmes abordés : La sagesse en général. La fondation SEVE (Savoir Vivre et Etre Ensemble) et les ateliers philo et méditation pour les enfants et adolescents. La vie de Baruch Spinoza, son intransigeance avec la vérité, la cohérence de sa vie avec son oeuvre. Changement de regard (politique, religieux, l’être humain. l’anthropologie, l’éthique, la laïcité…). Le désir est l’essence de l’homme, les affects et les pensées adéquates et non adéquates, apprendre à réorienter son désir. Dualité joie/tristesse . Passions tristes et vie personnelle. Passions tristes et vie politique. La morale. L’ union de l’âme et du corps, et joie active. La psychologie des profondeurs. Jésus, Dieu, la métaphysique selon Spinoza.
Conférence organisée par l’association Montagn’Arts (www.montagn-arts.ch) qui, propose des activités artistiques (ateliers, conférences et spectacles) comme nectar et ambroisie au meilleur de chacun pour vivre l’espace de l’instant en sourire, ouverture et confiance.
Musique : Aria. Variations Goldberg, Jean-Sébastien Bach. Kimiko Ishizaka.
L’amour, la poésie, la sagesse, illuminent nos vies tout en cachant leur énigme et leur complexité… Dès lors se pose la question : que peut être une sagesse moderne ?
Le philosophe et sociologue Edgar Morin était l’invité de l’Université permanente de l’Université de Nantes, jeudi 12 décembre 2013, pour une conférence intitulée “Amour, poésie, sagesse”, titre éponyme de l’un de ses ouvrages. L’occasion pour l’un des plus grands penseurs contemporains de nous livrer sa vision de l’amour.
Edgar morin s’interroge sur l’amour, la poésie, la sagesse qui illuminent nos vies tout en cachant leur énigme et leur complexité… L’amour ne vit, soutient-il, que dans l’état d’un “innamoramento”, se régénérant sans cesse de lui-même. La poésie est cet “état second” qui nous envahit dans la ferveur, l’exaltation, et bien sûr l’amour : elle nous fait habiter, non seulement prosaïquement, mais aussi poétiquement la terre. Quant à la sagesse, elle était dans le monde antique synonyme de vie raisonnable. mais nous savons que l’homo sapiens est également un être d’affectivité, de passions et de délire, c’est-à-dire qu’il est à la fois sapiens et démens.
Quelles sont les sources de l’amour ? Dans tout individu, nous avons deux logiciels : le premier, c’est l’affirmation du “je”, le “moi je”. Je me mets au centre de mon monde, autrement dit, c’est l’égocentrisme. L’égocentrisme nous est vital puisque nous avons besoin de nous nourrir, de nous défendre, de nous protéger… Bien entendu, l’égocentrisme risque de dégénérer en égoïsme s’il n’y avait pas l’autre logiciel qui est complémentaire, en même temps qu’antagoniste, celui du “nous”. Nous avons donc en nous ces deux principes complémentaires.
Une conférence enregistrée en décembre 2013.
Edgar Morin, philosophe et sociologue | in FRANCE CULTURE
A Democracia Portuguesa desembocou ao fim de 43 anos numa insustentável democracia corporativa. O exemplo mais flagrante está à vista na disputa sobre o estatuto do Ministério Público.
Sendo o MP o órgão vital do funcionamento da Justiça, que monopoliza a função de defesa do Estado e da acusação pública, é governado por uma elite de funcionários seus, oriundos do seu seio e fazendo carreira no seu interior.
Com o argumento da independência do Poder Político, agem há décadas com a maior impunidade e o resultado está à vista. Para além de dois ou três casos mediáticos envolvendo membros de partidos políticos e ex governantes, resolvidos com algum sucesso,a delapidação de empresas, bancos e outro património, processou-se com a maior desfaçatez, desgraçando o País e assistindo-se agora à cena canalha de os promotores de tais desmandos, continuarem à vista de toda a gente sem punição exemplar.
O dinheiro esse, da ordem dos milhares de milhões, jaz em off-shores e outros refúgios sem que se lhe conheça o rasto.
Mas como se não bastasse, Ordens Profissionais, Médicos, Enfermeiros, Engenheiros, e agora até Contabilistas , em lugar de cumprirem o seu papel deontológico, de vigilância ética sobre os seus membros e de imposição de condutas consoantes com os seus estatutos, imiscuem-se na politica partidária , nas reivindicações puramente materiais, sobrepondo-se aos sindicatos ou entrando em concorrência com eles.
Estes por sua vez, proliferam como cogumelos em ambiente de permanente demagogia e oportunismo, chegando-se ao ponto de haver dezenas de sindicatos por classe profissionais para obterem mordomias para os seus membros ou ainda mais grave, constituírem-se sindicatos hd-hoc para travarem “lutas” de cariz duvidoso.
Com uma lei sindical que data da década de setenta e do governo de Vasco Gonçalves, com governos timoratos que não têm coragem de encarar instrumentos para debelar situações como a assassina greve dos enfermeiros aos blocos operatórios, os sindicatos transformaram-se também em corporações poderosas que abusam da paciência dos cidadãos.
Num País no fio da navalha, sujeito como raros outros às oscilações de circunstâncias internacionais que não controlamos, com uma economia débil e uma divida que não pára de crescer a persistência destas distopias funcionais levarão ao desastre politico e social e a uma grave crise nacional.
A falta de consciência cívica dos mais altos responsáveis e a luta mesquinha por benesses imerecidas impossíveis de satisfazer e que afrontam o Povo em geral são o caldo irreversível para o desastre.
Rodrigo Sousa e Castro
Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro
Ser criança ainda, neste caso adolescentes, decidiram partir para a aventura de escrever, sonhando como se sonha nessa idade, esgrimindo sonhos ingénuos e fantasias deliciosas como só sente quem nas suas idades se encontra, desenham com palavras tudo isso, poemas muito bem desenvolvidos para a tenra idade que ainda possuem, mas, dando já indicadores do que as poderá esperar: “poetas de alma cheia!”. No decorrer dos cerca de 52 poemas encontra-se a afinidade com a poesia no seu mais estrito sentido. Poemas profundos e sentidos como de facto a poesia nos ensina, que nos levam em viagens e sonhos, delírios e passeios na verdade que a vida nos dispõe vivenciar. Demonstram ainda e muito cedo, a dor de se amar e também o quanto é belo o amor. São três meninas, que juntas, partem para um livro que certamente lhes ficará na memória, o orgulho dos pais e dos amigos, e acima de tudo, dos leitores, que irão encontrar neste livro como se pode, desde que a arte de escrever já nos começa a “incomodar”, a coragem de as explanar num livro aberto a todos os leitores do país e do mundo.
Amanhã, sábado, será apresentado às 18 horas na Livraria Férin (junto da Fnac-Chiado) o meu novo romance “Uma Lágrima que Cega”. O prazer que vou ter em encontrar alguns dos meus amigos daqui… Venham. Ofereço-vos um fragmento do meu romance:
O que queres fazer? Onde queres jantar? Italiano, francês, cipriota? O que queres que eu faça? Saímos? Ficamos em casa? Na cama? Precisas de alguma coisa? Pouco de pouco me basta e ela, que tanto é, mais ainda me quer dar, destinar. Atenta aos meus desejos mais velados, a ler-me, a tocar piano, a escutar-me, a desejar conceder-me o que desejo, se desejo alguma coisa, que nada peço, que me deixo somente ir na onda, enfim, pouco mais que nada. O teu nada é quase tudo, dizia-me Tessa, há vinte anos. Pesa. Hoje, ainda na cama, perguntei-lhe se ainda tocava. Líamos, vagueavamos no corpo do outro. E logo se levantou, nua e fresca, levou-me pela mão para a sala de música, sentou-se ao piano, um Bösendorfer de 1975, exactamente da sua idade e perguntou-me, Queres escolher? e meteu- me nas mãos um caderno com partituras de Mozart.
Faz hoje cem anos que matámos Sidónio, dez anos depois de matarmos o rei, com o príncipe real, e três anos antes de matarmos o chefe do governo e o fundador da república. O regicídio produziu os republiquicídios. Simples.
Não faço a hagiografia do irmão Carlyle, mas revoltou-me, hoje, ouvir, na rádio, os insultos que lhe foram movidos por um pretenso historiador-mor do regime, com o mesmo ódio que causou a balbúrdia sanguinolenta. A mesma literatura de justificação do violentismo que levou ao assassinato de Humberto Delgado, em 1965.
Sidónio merece o respeito da história, até porque, na Constituição de 1976, usámos o presidencialismo de que ele foi precursor, tal como a prática do sufrágio universal, em que se empenhou. Aqui o deixamos, em pleno dezembrismo, ao lado de Alberto de Moura Pinto, seu ministro, republicano de sempre e ativo resistente ao salazarismo.
1) – A fantasia, motor da infidelidade, ocupa-se em tornar-nos criativos. A imaginação estimula a mentira, que, quando bem-sucedida, nos dá liberdades inimagináveis. Mentir é descobrir opções. O segredo faz o resto. No adultério, as variações de nós mesmos são infinitas.
2) – Os homens casam-se por cansaço. As mulheres, por curiosidade. Ambos se desiludem.
Lord Henry, em O Retrato de Dorian Gray, 1890.
3) – Nada mais glorioso do que a devoção de uma mulher casada – o que o homem casado desconhece completamente.
Cecil Graham, em O Leque de Lady Windermere, 1892.
in DICIONÁRIO SENTIMENTAL DO ADULTÉRIO | FILIPA MELO, autora
“Pero Rodrigues, da vossa mulher,
Não acrediteis no mal que vos digam.
Tenho eu a certeza que muito vos quer.
Quem tal não disser quer fazer intriga.
Sabei que outro dia quando eu a fodia,
Enquanto gozava, pelo que dizia,
Muito me mostrava que era vossa amiga.
Se vos deu o céu mulher tão leal,
Que vos não agaste qualquer picardia,
Pois mente quem dela vos for dizer mal.
Sabei que lhe ouvi jurar outro dia
Que vos estimava mais do que a ninguém;
E para mostrar quanto vos quer bem,
Fodendo comigo assim me dizia.”
Para irmos mais além (e muito para além) precisamos do tempo do dois.
Precisamos de amar o (nosso) amor.
De reinventar o amor (com carácter de urgência)
Amor de abraços, pele, ternura pura.
Precisamos de rituais antigos e juvenis.
O psicólogo disse-me para te dizer: “Gosto muito de ti mas acho que precisamos de aprender algumas ferramentas para melhorar a nossa relação”.
Falei-lhe de amor.
De como se pode ferir mais quem mais se ama.
De como a vida sem o amor (para nós) é pela metade.
Entendo a tua vida, entendo os binómios da vida, mas preciso que me ajudes a encontrar o caminho para o “nós”.
Sem ti o meu sul não tem norte.
Hildegard von Bingen fue pintora, poeta, compositora, científica, doctora, monja, filósofa, mística, naturalista, profeta y, quizá, la primera sexóloga de la historia. También está considerada precursora de la ópera, de la ecología e inventó un idioma que podría ser la primera lengua artificial de la historia.
Cuando la Primera Cruzada estaba a punto de llegar a Jerusalén, una niña lloró por primera vez en Bermersheim (Alemania). Hildegard von Bingennació en 1098 y se convirtió en un diezmo. Como décima hija que fue, sus padres la entregaron a la Iglesia. La dejaron en el monasterio de monjes de Disivodemberg, que albergaba una celda para mujeres dirigida por Jutta von Spannheim, quien se convertiría en madre e instructora de la pequeña Hidegard. Tenía ocho años y había comenzado a tener visiones a los tres, pero no fue hasta pasados los cuarenta cuando empezó a escuchar una voz que le decía que escribiera y dibujara todo aquello que alcanzaran sus ojos y oídos.
Se convirtió en abadesa tras la muerte de Jutta. Atemorizada por sus visiones y predicciones convenció al papa para que le consintiese escribirlas, y fue así como empezó a registrar tanto sus visiones, como libros de medicina (que hoy consideraríamos superstición), remedios naturales, cosmogonía y teología. Desde entonces empezó a relacionarse con las autoridades eclesiásticas y políticas de su época y se convirtió en su consejera, algo impensable tratándose de una mujer.
Hildegard von Bingen y su legado son inabarcables. Tanto que, a pesar de su recuperación a raíz de la esperada canonización (que no tuvo lugar hasta 2012), su lado más peculiar ha sido eclipsado por sus predicciones. De todo lo que hizo Hildegard a lo largo de su vida, lo más desconcertante, surrealista y contradictorio, quizá sean sus consideraciones sobre el orgasmo femenino que bien le podrían valer el título de primera sexóloga de la historia.
O psiquiatra José Gameiro critica a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, por uma declaração “falsa e demagógica” que, diz, o deixou “envergonhado”.
Já critiquei publicamente o meu bastonário, quando abandonou o Conselho Nacional de Saúde só porque o seu então presidente propôs discutir o eventual novo perfil funcional dos enfermeiros.
Mas não queria acreditar quando ouvi a bastonária da Ordem dos Enfermeiros comentar a greve dos enfermeiros dos Blocos Cirúrgicos de cinco hospitais públicos.
Começou por afirmar que há muito tempo que já morrem doentes por falta de enfermeiros. Tem toda a razão quando diz que há falta de enfermeiros nos hospitais e no Serviço Nacional de Saúde, que são mal pagos, que fazem um enorme esforço por manter as boas práticas, que sem a sua dedicação nada seria possível.
Mas dizer que morrem doentes por falta de enfermeiros é uma declaração falsa, vazia de provas, demagógica. Morrem doentes porque não há solução para eles, morrem por erro médico ou de enfermagem, morrem também, felizmente poucos, por negligência das duas classes. E também porque o nível de infeção hospitalar, apesar de estar a baixar, ainda é elevado nalguns hospitais.
Esta segunda-feira, ao comentar a longa greve prevista às cirurgias, disse que iriam morrer doentes devido a esta paralisação. Uma bastonária dizer isto é de uma enorme gravidade. Se pensa que vão morrer doentes só tem uma solução decente e humana: declarar-se abertamente contra a greve, porque jurou, tal como nós, médicos, defender em primeiro lugar os doentes.
Não vou aqui repetir o blá blá dos políticos, a greve é um direito, etc., mas há limites para a irresponsabilidade. A bastonária dos enfermeiros não pertence à minha classe profissional, mas mesmo assim tenho o direito de me sentir envergonhado, tal como me senti quando o meu bastonário foi leviano.
Que raio de Portugal é este em que, perante declarações como esta, ninguém “abre a boca”?
Se eu fosse partidário da teoria da conspiração diria que, assim, quem ganha cada vez mais são os hospitais privados, onde, estranhamente, nunca há greves e para onde, “fogem” os doentes que podem que estão à espera de cirurgias.
Agora que a vasta corte do presidente vitalício Xi Jinping abandonou Portugal, será porventura útil aclarar algumas referências chave sobre a potência oriental.
A China é uma potência capitalista que se aproxima de ser a líder mundial em termos económicos, dispondo de recursos militares e tecnológicos muito significativos.
O seu traço capitalista não pode ser iludido a pretexto da existência de empresas públicas. O capitalismo privado convive bem com setores ligados ao capitalismo de Estado. Aliás, a orientação estatal tem sido,de há muitas décadas, a da extensão do mercado, da intensificação da exploração laboral, muito para além das chamadas zonas económicas especiais (estas declaradamente capitalistas).
A orientação estatal tem sido também a aposta acelerada do produtivismo antiambiental. A constatação deste processo, e respetivos factos, poderia parecer óbvia, à vista desarmada, mas torna-se necessária sublinhá-la quando ainda há quem ache que a República Popular da China é um país socialista pelo simples facto de ser dirigida pelo Partido Comunista. A caricatura desse partido político-militar é a acusação de repressão dura das massas operárias para quem o direito à greve é inexistente.
É muito provável que, nos tempos que correm, estejamos de facto a assistir à transferência de hegemonia sobre o sistema mundial capitalista das mãos dos Estados Unidos para as da China. A América do Norte não é, de todo, uma potência moribunda ou sequer à beira do estertor, continua a dispor de músculo económico-financeiro e do maior potencial militar à escala do planeta, suficiente para provocar uma persistente e estratégica desestabilização na região do planeta onde se concentram as maiores riquezas petrolíferas. Contudo, a sua crescente desorientação e as sucessivas derrotas que, mesmo nessa zona, tem vindo a registar mostram que o brutalismo bélico não é, por si só, um argumento de poder suficiente. Por outro lado, a desindustrialização e as perdas competitivas que os Estados Unidos têm conhecido nas últimas décadas são sinais de um declínio do qual a eleição de Donald Trump é mais do que um sintoma.
O isolacionismo que Trump reclama e o apelo ao “slogan” da “América novamente grande” reflectem uma consciência de que os ventos estão longe de correr de feição para a “Terra dos Bravos”. Gostamos de encarar o actual presidente da América como uma besta quadrada. E ele é-o realmente. Mas só até certo ponto. Porque, naquilo que é fundamental (entenda-se: para os interesses hegemónicos norte-americanos), Trump não se engana: ele já percebeu muito bem que a China é o grande rival (ainda por cima detentor da maior parte da dívida externa dos Estados Unidos), que a Rússia continua a ser uma potência com que será preciso contar no futuro e que a Europa da União Europeia é uma coisa desprezível que pode ser tratada com os pés.
A China, em contrapartida, cavalgando a sua estratégia da “Nova Rota da Seda”, parece apostada em ilustrar como a hegemonização do sistema capitalista pode ser obtida por meios “pacíficos”, essencialmente comerciais, num plano que não deixa de ser expansionista mas que se afirma estranho a desígnios de dominação imperial global – bem distinto, pois, daquilo que sempre inspirou os Estados Unidos. O que, convenhamos, não é propriamente uma notícia má para o mundo, mesmo descontando o facto de o regime político chinês ser bastante hediondo (mas quantos crimes de escala mundial não resultaram dessa florescente “democracia” que a América do Norte tanto gosta de ostentar?).
É neste contexto geopolítico – sobre o qual muito fica por dizer – que interessa ler a recente jogada de aproximação da política externa portuguesa relativamente à China. Vejo por aí muitas almas escandalizadas por António Costa ter estendido a passadeira vermelha a Xi Jinping – as mesmas almas que nunca se indignaram com décadas e décadas de sabujice dos governos portugueses perante os ditames imperiais norte-americanos. Mas o que António Costa está a preparar – a meu ver, com inteligência – é o cenário de inserção da economia lusa num contexto pós-União Europeia. Pois importa não nos iludirmos: a União Europeia tem os dias contados. Poderá arrastar a agonia por mais uns anos, mas o austeritarismo que constitui o seu núcleo celular, o seu código genético, só poderá conduzir à implosão e ao retorno a uma política das nações – com todo o seu cortejo de coisas medonhas – de que a erupção generalizada de movimentos e partidos nacionalistas xenófobos e fascitóides, com crescente expressão eleitoral, representa um anúncio eloquente.
A União Europeia vai fragmentar-se, o que vem aí não vai ser bonito, e António Costa está a ver se coloca Portugal em posição de não soçobrar completamente à tempestade que se avizinha e de procurar um resguardo capaz de lhe proporcionar alguma viabilidade no plano económico e financeiro. Para um país dependente como o nosso, que perdeu nos últimos trinta anos boa parte das condições da sua soberania efectiva, o projecto de diversificar os seus laços de dependência não constitui, por si só, uma solução milagrosa para as nossas insuficiências estruturais, mas permanece, mesmo assim, uma boa ideia. Porque nos permite encontrar uma almofada no quadro da gigantesca crise económico-político-social que, não tenhamos dúvida, nos irá bater à porta num futuro breve.
Seria preferível que os nossos parceiros tivessem um rosto mais simpático e não arrastassem consigo um sinistro lastro ditatorial e totalitário. Infelizmente, porém, o realismo estratégico desaconselha, neste particular, quixotismos idealistas que, apaziguando as boas-consciências, se revelam depois impotentes para responder aos desafios que temos pela frente. Pode ser que, entretanto, as transformações internas que a China não deixará de atravessar consigam trazer ganhos em direitos sociais e laborais que acabarão por se repercutir no resto do mundo capitalista.
Com mais de 2,2 milhões de objectos digitais, o arquivo da FMS é hoje tão importante para a história da oposição ao Estado Novo como para salvaguardar a memória das lutas de libertação das ex-colónias.
O arquivo da Fundação Mário Soares (FMS) arrancou em 1996, quando o líder socialista terminou o seu segundo mandato na Presidência da República, e o objectivo inicial era digitalizar e disponibilizar na Internet o gigantesco acervo documental reunido por Mário Soares (só fotografias, são mais de cem mil), testemunho do seu extenso e notável percurso político, iniciado ainda nos anos 40.
Mas atrás do arquivo de Soares vieram outros, muitos outros, e a FMS tem hoje à sua guarda um vasto conjunto de fundos documentais, alguns tão obviamente relevantes para a historiografia portuguesa como os de Afonso Costa ou Bernardino Machado, ou tão incontornáveis para a memória das lutas de libertação das ex-colónias como o Arquivo da Resistência Timorense ou os arquivos de Mário Pinto de Andrade (1928-1990), fundador e presidente do MPLA, que mais tarde se oporia a Agostinho Neto, e de Amílcar Cabral (1924-1973), fundador do PAIGC, cujos papéis foram resgatados in extremis de um edifício bombardeado e saqueado.
Ao todo são mais de 200 arquivos, que ocupam cerca de 2,5 km lineares e cobrem praticamente todo o século XX em Portugal e nos países de língua portuguesa, com um foco evidente, mas não exclusivo, na oposição ao Estado Novo e no combate ao colonialismo. E não menos significativa do que a sua dimensão física, é a componente digital deste arquivo. A FMS apostou, desde o início, em digitalizar e disponibilizar na Internet, tão rapidamente quanto possível, os materiais que ia recebendo, uma estratégia absolutamente pioneira nesses meados dos anos 90, e cujos reconhecidos bons resultados ajudam decerto a explicar – a par do prestígio, das relações pessoais e do empenho do próprio Mário Soares –, que tanta gente tenha tomado a iniciativa de confiar os seus papéis à fundação. Somando as digitalizações de documentos textuais às fotografias, registos sonoros e vídeos, os arquivos da FMS reúnem hoje mais de 2,2 milhões de objectos digitais.
A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Uma ORDEM DE ENGENHEIROS forte deve DEFENDER, RECONHECER E VALORIZAR A ENGENHARIA e os Engenheira(o)s !
Acabo de chegar da Bulgaria e quando me perguntaram pelos modelos que utilizamos em Portugal, respondi:
É bom melhorar o nosso país; projetem, construam, operem e mantenham pontes e estradas, redes de agua e estações de tratamento, escolas e hospitais e habitação digna,
Mas façam-no a pensar nas pessoas, e TAMBÉM naqueles que fazem acontecer a transformação.
PROTEJAM E RECONHEÇAM, A CLASSE DE ENGENHARIA HOJE E NO FUTURO PARA QUE APÓS A GRANDE TRANSFORMAÇÃO OS ENGENHEIRA/OS CONTINUEM A TER O SEU PAPEL VALORIZADO.
Uma classe de engenharia forte, é um motor de crescimento econômico, é criadora de emprego e deve proteger o ambiente.
O MOVIMENTO MAIS ENGENHARIA está a dar voz, a esta visão e modelo de transformação e neste momento precisa da tua ajuda!
Pedimos pois que passem a mensagem e que deem mais um passo e recolham o apoio de mais colegas.
O nosso programa tem 3 pilares :
1 – à reconhecer e valorizar o papel da classe de engenharia;
2 – à desenvolver o envolvimento da engenharia na gestão de projetos; nos programas de investimento e nas políticas de desenvolvimento;
3 – à melhorar a “ponte” entre a academia e a indústria nomeadamente entre os centros de conhecimento e investigação, os promotores, os investidores e os financiadores.
A vossa ajuda é HOJE preciosa pelo que vos pedimos nos enviem HOJE o formulário (ver contacto em baixo) em anexo com mais assinaturas.
Pedro Neves e Alexandra Escarameia
Candidatos pela Região Sul
(com pedido de divulgação) | contacto : pedrorsneves@gmail.com
A crise na FMS tem outro efeito perverso que é a desconfiança de que a entrega de espólios e acervos a instituições que pareciam sólidas se revele instável com o tempo.
Este artigo pode ser entendido como manifestando um conflito de interesses. Fica já isto dito à cabeça, embora pense que na verdade não o seja, visto que o que me move é uma questão de interesse público que está muito para além de também eu “andar aos papéis” para o Arquivo Ephemera.
O assunto é, como é óbvio, a crise da Fundação Mário Soares (FMS), uma instituição com enorme mérito, que muito estimo e que acompanho praticamente desde a sua criação. Aproveito, aliás, para dizer que o que se diz pelas redes sociais e nos comentários, mesmo de leitores do PÚBLICO, sobre essa crise me merece a maior repulsa e um sentimento de vergonha pelos meus semelhantes capazes de se regozijarem com o que se está a passar em nome do ódio a Mário Soares. Esse ódio justifica para eles uma política de terra queimada, o equivalente a queimar livros numa pira como se fazia nos tempos do nacional-socialismo. A crise da FMS empobrece-nos a todos e torna Portugal pior.
Cognominado “o Conquistador”, foi o primeiro rei de Portugal, governando de 1128 a 1185. Filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Aragão, nasceu provavelmente em Guimarães (embora Viseu seja também um local apontado para o seu nascimento) em finais de 1108 (ou primeiros meses de 1109) e faleceu em 1185. Casou em 1146 com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de Moriana e Saboia.
Após a morte de D. Henrique, D. Teresa ficou à frente dos destinos do Condado Portucalense, sendo influenciada politicamente pela família Peres de Trava. O jovem infante tomou então uma posição política oposta à de sua mãe, sob a direcção do arcebispo de Braga D. Paio. Ter-se-á armado cavaleiro no dia de Pentecostes de 1122, por suas próprias mãos, na catedral de Zamora. Em Setembro de 1127 D. Afonso VII invadiu Portugal e cercou o Castelo de Guimarães, onde se encontrava o infante. Depois de D. Afonso Henriques ter reafirmado a sua lealdade perante Afonso VII, rei de Leão, este desistiu de conquistar a cidade e levantou o cerco. Feitas as pazes com Afonso VII, a posição de D. Afonso Henriques e dos nobres que o acompanham volta-se contra D. Teresa e a família Trava. O conflito só viria a ser sanado com a batalha de S. Mamede, que teve lugar a 24 de Junho de 1128 nos arredores de Guimarães, tendo saído vitoriosas as hostes de D. Afonso Henriques. A partir desta data passou o infante a governar o condado.
“Modesta tradução do corajoso texto de Edouard Louis publicado na revista Les Inrockuptibles, para aqueles que não sabem francês. E sim, ele sabe do que fala. Salvo pela escola pública, como o próprio disse, tem pelo menos um extraordinário livro traduzido em Portugal: «Para Acabar com Eddy Bellegueule».” (Ana Cristina Pereira Leonardo)
Há já alguns dias que tento escrever um texto sobre e para os gilets jeunes, mas não consigo. Porque, de certo modo, me sinto pessoalmente visado, algo na extrema violência e no desprezo de classe que se abatem sobre esse movimento me paralisa.
Tenho dificuldade em descrever a sensação de choque quando vi aparecerem as primeiras imagens dos gilets jeunes. Nas fotografias que acompanhavam os artigos via corpos que raramente aparecem no espaço público e mediático, corpos em sofrimento, arruinados pelo trabalho, pelo cansaço, pela fome, pela humilhação permanente dos dominadores em relação aos dominados, pela exclusão social e geográfica, via corpos cansados, mãos cansadas, costas alquebradas, olhares exaustos.
Confrontés à l’activisme des années 70 puis aux exigences éthiques des consommateurs, penseurs libéraux et directions d’entreprises ont mis au point des guides de management et des théories politiques pour défendre le capitalisme contesté. En disséquant ces discours, le philosophe dresse une brillante saga du libéralisme autoritaire.
Dans sa Théorie du drone, parue il y a cinq ans aux éditions la Fabrique, le philosophe Grégoire Chamayou se penchait sur les enjeux éthiques de cette nouvelle arme de guerre. Avec la Société ingouvernable, une généalogie du libéralisme autoritaire (la Fabrique encore), il prend à nouveau de la hauteur pour dresser une saga du néolibéralisme «par en haut», du point de vue ceux qui ont défendu les intérêts du monde des affaires, aux Etats-Unis, à partir des années 70 : dirigeants d’entreprise, lobbyistes, théoriciens comme Milton Friedman et Friedrich Hayek… Chamayou a analysé les interviews des uns, les manuels de management des autres, les comptes rendus des assemblées générales, les textes de Prix Nobel comme les récits de briseurs de syndicats… «Une littérature grise, dit-il, qui n’est pas publiée en librairie. Les zones grises, aussi, des discours des économistes. Des textes disparates à considérer comme les éléments d’un même ensemble pratique.» Au terme de ce brillant panorama, la Société ingouvernable dresse un constat : le néolibéralisme dans lequel nous évoluons n’a rien de naturel ni de pur. C’est un système chancelant qui s’est construit à hue et à dia, de manière pragmatique, en réaction à de multiples crises d’une société jamais totalement «gouvernable».
Politiquement autoritaires et économiquement libéraux, les gouvernements de Trump ou d’Orbán nous semblent des aberrations. Vous dites à l’inverse qu’ils n’ont rien de contradictoires, pourquoi ?
On se fait souvent une idée fausse du néolibéralisme comme «phobie d’Etat», anti-étatisme unilatéral. L’actualité montre à l’inverse une nouvelle fois que libéralisme économique et autoritarisme politique peuvent s’unir : le conseiller économique de Bolsonaro, Paulo Guedes, est un «Chicago boy», un ultralibéral formé à l’École de Chicago, qui a enseigné au Chili sous Pinochet. La formule de «libéralisme autoritaire» a été employée dès 1933 par un juriste antifasciste, Hermann Heller, à propos d’un discours de Carl Schmitt face à une assemblée de patrons allemands. Schmitt y défendait un Etat extrêmement fort face aux revendications sociales mais renonçant à son autorité en matière économique. «Un Etat fort pour une économie saine», résumait-il. Cinquante ans plus tard, en pleine dictature Pinochet, le théoricien néolibéral Friedrich Hayek, qui a beaucoup lu Carl Schmitt, confie à un journal chilien : «Personnellement, je préfère un dictateur libéral à un gouvernement démocratique sans libéralisme.» Mais le libéralisme autoritaire a de multiples variantes. Thatcher, elle aussi, vise «un Etat fort pour une économie libre». En pratique, cela suppose, à des degrés divers, de marginaliser la sphère parlementaire, restreindre les libertés syndicales, éroder les garanties judiciaires… A côté de ce renforcement de l’Etat, on limite, de manière paradoxale, son champ d’intervention. C’est le concept de libéralisme autoritaire : faible avec les forts et fort avec les faibles.
Constato que a leitura feita sobre os gilets jaunes, nestes dias, é de tal forma enviesada que até o establishment avança amiúde com acusações excessivas, como sendo a extrema-direita ou o Steve Bannon que estão por detrás dos últimos tumultos protagonizados pelo movimento. E ninguém omite o facto de existir um aproveitamento político por parte da oposição, inclusive do FN, ou por parte de grupúsculos da ultradireita, no caso de Yvan Benedetti, ex-presidente do grupo ultranacionalista “L’œuvre française”. Seria simples se fosse apenas assim, mas basta andar nas ruas e estradas e constatar in loco o mar de descontentamento que se organiza horizontalmente e avançaria, com o que me foi dito, por vários quadrantes partidários e abstencionistas. Se por um lado, Macron esticou a corda liberal, a forja da espada de Dâmocles que pesa sobretudo sobre a classe média, é o resultado de uma política levada a cabo pelos sucessivos governantes, desde Chirac a Hollande, e não posso deixar de fazer aqui uma alusão às consecutivas políticas europeias. Todos encontraram fundamento e escola no TINA, na convergência dos tratados que reduziram implacavelmente o poder económico e social das pessoas nestes últimos anos, essas mesmas que se viram com as vidas esvaziadas de sentido, empurradas para a periferia, não só territorial, mas também longe dos centros de decisão, como meros joguetes para alimentar estratégias orçamentais. Os gilets jaunes representam o descontentamento de uma população que tem sido constantemente espoliada e esmagada por estados cada vez mais repressivos, impondo garrotes fiscais que se têm revelado iníquos e asfixiantes, sendo acompanhados de forma dolosa pela depauperação dos serviços públicos. As desigualdades têm sido ao longo da história o rastilho de insurreições, e aqui vislumbramos o presságio de “sous les pavés, la plage”, com a quase idêntica ordem dos soixante-huitards ou a violência entre os manifestantes GJ e os CRS. Palavras subversivas para uma população que se encontra melindrada e sob a premissa até agora da alienação, no início utilizada para embrandecer o espírito, basta analisar o papel dos OCS na marginalização educativa nos últimos decénios, como referiu Todd, acabando por ser descartada e descartável no injusto ascensor social.
Falando agora nas taxas sobre os combustíveis, é de facto uma medida punitiva pois parte do princípio que só o consumidor final será penalizado, excluindo os principais actores como a indústria automóvel, a indústria da aviação ou do transporte marítimo. E se mencionamos as medidas ecológicas, e aqui até a demissão de Hulot nos deu uma achega, não basta taxar novamente com medidas avulsas, remediar com o saco de plástico, mas por outro lado liberalizar ainda mais a caça ou avançar com moratórias sobre o glifosato. São estas as incongruências que entram em casa de cada francês, já agora de cada um de nós. Porque, vamos lá, temos o diesel, mas depois temos por exemplo a aviação civil ou a marítima. O avião emite entre 134 e 148 gramas de CO2 por passageiro ao quilómetro, contra 2,6 gramas para o comboio, segundo a consoglobe, e cada quilómetro adicional de voo resulta em querosene adicional queimado na atmosfera. Para cada quilo de querosene usado, 3 quilos de CO2 são emitidos. Segundo dados da ACNUSA, o avião é a principal fonte de emissões locais em plataformas para a maioria dos poluentes com níveis de emissão significativos como os óxidos de nitrogénio NOx, dióxido de carbono CO2, dióxido de enxofre SO2, monóxido de carbono CO. Segundo a FNE, a ONG alemã NABU, e outras instituições, a proliferação de cargueiros e indústria marítima, que usam principalmente um subproduto do petróleo e combustível pesado, é responsável pela emissão de grandes quantidades de partículas finas, óxidos de enxofre e óxidos de nitrogénio. Este poluente é uma das principais causas do problema de acidificação das chuvas, sendo extremamente tóxica para a saúde. Depois temos o consumo excessivo de carne, responsável pela duplicação das emissões de dióxido de carbono, quando sabemos que as grandes explorações agropecuárias são responsáveis não só pela deflorestação mas também pela emissão de gás metano; o consumo desmedido de peixe, que fez com que os oceanos tenham entrado em falência, sendo que a pesca massiva altera o equilíbrio dos fundos marinhos, e para além do processo de acidificação, algumas espécies já pouco proliferam, nomeadamente o bacalhau no Mar do Norte.
Os alertas avançados pelas várias instâncias internacionais são vários, os estudos são públicos, mas continua o frenesi que serve apenas o expurgar da dívida, quando se legitimam as sucessivas artimanhas financeiras, deslocalizando o tesouro público amealhado para fins pouco legítimos, deixando impunes os sucessivos culposos, e desfalcando a nossa única salvaguarda social.
Quem aponta o dedo aos homens e mulheres que se têm erguido nas ruas, não compreendeu ainda o desafio com que nos deparamos, sendo que a violência tem-nos sido revelada pela epidemiologia do suicídio, que vai para além dessas figuras antitéticas de Catão e Ofélia, e das divagações plumitivas, conduzindo à abertura de associações que resguardam a pouca dignidade que resta às pessoas. E elas não são contra a mudança de paradigma, mas não à custa dos últimos euros que lhes sobram a meio do mês, esses poucos euros que não lhes permite comer bio, local… Os que os acusam de “beaufs” são os mesmos que escrevem no telemóvel último modelo, com o coltan selvaticamente explorado e responsável pela disputa do “ouro azul”, ou fazem a lista de viagens turísticas com destinos intercontinentais, lendo artigos no Le Monde sobre esse fascinante mundo do lúmpen. Somos todos muito moralistas e pífios quando se trata de apontar o dedo ao mais fraco, já quanto ao nosso comportamento somos cinicamente indulgentes. Se é para mudar, teremos de mudar radicalmente começando pelas instâncias de poder, não só as políticas mas também as económicas, e mudarmos implica um esforço que terá de se ser exponencial ou nem sequer valerá o saco de amido de milho biodegradável ou mesmo a pedalada nessa ciclovia cosmopolita, que se pode transformar neste aparato mundial, e como todas as medidas avulsas, num estafado calcanhar de Aquiles.
Il était une fois un oiseau qui est tombé amoureux d’une rose blanche. Il a décidé de lui déclarer son amour, mais elle l’a refusé. Elle lui a dit qu’elle ne l’aimait pas. Il continuait à lui déclarer son amour de façon quotidienne.
Enfin, la rose blanche a dit : «Lorsque ma couleur deviendra rouge, je vous aimerai.”
Un jour, l’oiseau est venu et a coupé ses ailes et a propagé son sang sur la rose blanche, alors sa couleur est devenue rouge.
La rose a réalisé combien l’oiseau l’aimait mais c’était trop tard parce que l’oiseau est “mort”.
Parfois l’amour on le voit, mais on ne le reconnaît pas …
Spinoza consacra sa vie à la recherche de la vérité, du bien-être moral et de la liberté. Il s’efforça également de définir sa conception de la “vraie religion” et sa vision d’un État laïque et tolérant.
Si Dieu existe il ne peut être que le Dieu de Spinoza!
Quand Einstein donnait une conférence dans les nombreuses universités des Etats-Unis, la question récurrente que lui faisaient les étudiants était :
Vous, Monsieur Einstein. .. croyez-vous en Dieu ?
Ce à quoi il répondait toujours :
– Je crois au Dieu de Spinoza.
Seuls ceux qui avait lu Spinoza comprenaient …
J’espère que cette perle de l’histoire vous servira autant que moi. C’est grâce à elle que je suis parti lire sur Le Dieu selon Spinoza.
Spinoza avait passé sa vie a étudier les livres saints et la philosophie .
Un jour il écrivit : Je ne sais pas si Dieu a réellement parlé mais s’il le faisait , voici ce que je crois qu’il dirait au croyant :
Arrête de prier et de te frapper à la poitrine !
Ce que je veux que tu fasses, c’est que tu sortes dans le monde pour profiter de ta vie.
Je veux que tu t’amuses, que tu chantes, que tu t’instruises… que tu profites de tout ce que j’ai fait pour toi.
Arrête d’aller dans ces temples sombres et froids que tu as construit toi-même et dont tu dis que c’est ma maison !
Ma maison est dans les montagnes, dans les bois, les rivières, les lacs, les rivières. C’est là où je vis avec toi et que j’exprime mon amour pour toi.
Arrête de m’accuser de ta vie misérable ; je ne t’ai jamais dit qu’il y avait quelque chose de mal en toi , que tu étais un pécheur, que ta sexualité ou ta joie étaient une mauvaise chose ! Alors ne me blâme pas pour tout ce qu’ils t’ont dit de croire.
Arrête de ressasser des lectures sacrées qui n’ont rien à voir avec moi. Si tu ne peux pas me lire à l’aube, dans un paysage, dans le regard de ton ami, de ta femme , de ton homme, dans les yeux de ton fils…Tu ne me trouveras pas dans un livre !
Arrête de te faire peur. Je ne te juge pas, je ne te critique pas, je ne rentre pas en colère et je ne punis pas. Je suis pur amour… je t’ai rempli de passions, de limitations, de plaisirs, de sentiments, de besoins, d’incohérences…et je t’ai donné le libre arbitre… Comment puis-je te blâmer si tu réponds à quelque chose que j’ai mis en toi ? Comment puis-je te punir d’être ce que tu es, si je suis celui qui t’ai fait ? Tu penses réellement que je pourrais créer un endroit pour brûler tous mes enfants qui se comportent mal, pour le reste de l’éternité ?
Quel genre de Dieu peut faire ça ? Si j’étais ainsi, je ne mériterais pas d’être respecté . Si je voulais juste être vénéré, je n’aurais peuplé la terre que de chiens…
Respecte tes semblables et ne fais pas ce que tu ne veux pas pour toi. Tout ce que je te demande, c’est que tu fasses attention à ta vie, que ton libre arbitre soit ton guide. Toi et la nature vous constituez une seule entité ….alors ne crois pas que tu as un pouvoir sur elle. Tu fais partie d’elle. Prends-soin d’elle et elle prendra soin de toi. J’y ai mis et rendu accessible tout ce qu’il y a de bien pour toi et j’ai rendu difficile d’accès ce qui ne l’est pas. Ne mets pas ton génie à y chercher ce qui est mauvais pour cet équilibre. A toi de garder intact cet équilibre. La nature elle , sait très bien le garder, juste ne la trouble pas !
Je t’ai rendu absolument libre.
Tu es absolument libre de créer dans ta vie un paradis ou un enfer.
Je ne peux pas te dire s’il y a quelque chose après cette vie, mais je peux te donner un conseil : arrête de croire en moi de cette façon ; croire, c’est supposer, deviner, imaginer. Je ne veux pas que tu crois en moi, je veux que tu me sentes en toi. Que tu me sentes en toi quand tu t’occupes de tes moutons , quand tu abordes ta petite fille, quand tu caresses ton chien, quand tu te baignes dans la rivière…. Exprime ta joie et habitue-toi à prendre juste ce dont tu as besoin !
La seule chose sûre, c’est que tu es là, que tu es vivant, que ce monde est plein de merveilles…et que dans toutes ces merveilles tu es capable de savoir exactement ce dont tu as vraiment besoin.
Ne me cherche pas en dehors, tu ne me trouveras pas…. Je suis là …La nature, le cosmos…c’est moi.
Baruch SPINOZA
L’Éthique de Spinoza (1/4) : De Dieu
L’Éthique de Spinoza (2/4) : De l’esprit
L’Éthique de Spinoza (3/4) : Affects et servitude
L’Éthique de Spinoza (4/4) : De la liberté humaine
O inverno ajeita-se sobre o corpo
e o frio esfia-se em filamentos de água na cortina dos vidros.
Queria ter-te à mão, juventude, e cantar
cantar
até florescerem rosas nos quintais vadios
que eram quase todos esmeraldinos
quando a primavera complacente
não desfalecia com a nudez das árvores.
Queria ter-te à mão, loucura ou poesia,
musa fiel da claridade
promessa perdurável de beleza
que o tempo ruiu.
Queria tanto ter-te, ó maciez do azul,
subtil sonho de rapariga fugidia
a que fui.
Agora
o inverno ajeita-se sobre o corpo
e se cantar me quero
-ó ai ó linda-
a voz se quebra
à beira cais.
Paulo Almeida Sande é o cabeça de lista do Aliança às europeias.
30.11.2018 | 23h45
O partido de Pedro Santana Lopes, Aliança, já tem cabeça de lista às eleições europeias. Trata-se de Paulo Almeida Sande, assessor político do Presidente da República para os Assuntos Europeus.
A apresentação oficial acontece no domingo, às 19:30, num hotel da capital. Paulo Almeida Sande, que vai manter as suas funções em Belém até à campanha eleitoral, aceitou ser o cabeça de lista do Aliança, mas na qualidade de independente.
À SIC, Santana Lopes explicou a opção por Paulo Sande como “uma aposta na credibilidade, num candidato que sabe muito bem do que vai tratar”.
Licenciado em direito e com um mestrado em Ciência Política, Paulo Sande, comentador da SIC e colunista do Observador, foi diretor do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal entre 2004 e 2012.
Além de consultor de Marcelo Rebelo de Sousa, é professor da cadeira de Construção Europeia na Universidade Católica.
Aqui está um resumo do que se tem passado no DiEM25 nos vários países. O número de atividades que está a decorrer é avassalador, por isso fazemos este apanhado por país. (Se achas que não estás a receber a newsletter do país/cidade correcto, por favor consulta no teu profile.)
Bélgica
Chegou a altura de decidir o futuro DiEM25 na Bélgica. Durante os últimos dois anos e meio, o CN (Coletivo Nacional) trabalhou muito para estabelecer os grupos de voluntários em Bruxelas, Antuérpia, Ghent, Liége e outros. Através desta ação conhecemos centenas de voluntários que trabalham para promover os nossos objectivos e ambições para a Bélgica e para a Europa. No entanto tal não é suficiente. Daí que o CN Belga está a pedir que tu votes se o DiEM25 deve concorrer nas eleições europeias na Bélgica, e se o deve fazer como parte da Primavera Europeia ou sozinho. Lê os argumentos do CN no fórum e depois vai à Zona dos Membros para poderes votar.
Se vives na Bélgica e queres estar envolvido, manda email para info@be.diem25.org
República Checa
Os membros do DiEM25 da República Checa organizaram alguns CEDs e estamos prontos para eleger CN (Coletivo Nacional) – está atento para o convite nas próximas newsletters.
Alemanha
A Alemanha está a fervilhar com a ala eleitoral do DiEM25 e a Demokratie in Europa, acabou de eleger Yanis Varoufakis, Daniela Platsch, Srećko Horvat e uma lista de fantásticos candidatos para as eleições europeias. Lê o sumário de assembleia e a resposta dos media aqui. Ser membro do DiEM25 não te torna membro de nenhm partido; O DiEM25 tem, e continuará a ter nas suas fileiras membros do Linke, Verdes, SPD, Piratas etc. Portanto se quiseres juntar-te ao partido alemão, preenche o seguinte formulário. Para obter mais informação sobre o partido ou fazer uma contribuição dedutível nos impostos, visita o nosso novo website.
França
O CN Francês está a terminar os documentos para a criação de uma ala eleitoral que deverá ser colocada a escrutínio de todos.
Grécia
O MeRA25, a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia está de vento em poupa para as eleições para o Parlamento Europeu de Maio de 2019 e para as eleições nacionais também em 2019. A campanha eleitoral está a deslocar-se pela Grécia, a colocar grupos de voluntários e a espalhar as ideias e do partido. A equipa já concluiu duas visitas à ao centro e norte da Grécia, e montou 15 grupos partidários locais, e no dia 1 de Dezembro vão iniciar a campanha pelo Peloponneso.
Para Dezembro, o MeRA25 agendou dois eventos políticos diferentes, 7 de Dezembro na cidade de Larisa e 17 de Dezembro nna cidade de Patras onde Yanis Varoufakis, Secretário do MeRA25, vai apresentar o programa político do partido. Para fazer uma doação para as nossas atividades na Grécia, segue este link. para te juntares a este partido grego, dirige-te aqui.
Itália
Depois dos nossos membros terem aprovado a opção 1 no referendo interno sobre a nossa estratégia eleitoral, a ala eleitoral italiana está a terminar a constituição da maior coligação de progressivos da Primavera Europeia.
No entretanto, para além dos eventos apinhados do DiEM25,em Roma (com o Yanis), Milão e Veneto durante as próximas semanas estão planeadas ações e assembleias contra as alterações climáticas dia 8 de Dezembro, e outros eventos sobre a Primavera Europeia em Turin e Taranto. Para doar para as actividades do DiEM25 de Itália, clica aqui.
Holanda
A Holanda vai ter uma assembleia dia 17 de Novembro. Vai haver outra assembleia dia 8 de Dezembro, antes do início das eleições para o Coletivo Nacional.
Portugal
O CN Português acabou de ser eleito em Outubro e está a trabalhar enquadramento do orçamento participatório que existe em várias partes do país, a trabalhar ca nível local com os CEDs de Lisboa, Porto e Oeiras. Vão também ser feitas iniciativas para organizar jantares e reuniões no país para fortalecer os CED e fomentar a ativação dos membros.
Dia 27 de Outubro o Porto recebeu o primeiro evento nacional do DiEM25 Portugal, que foi organizado pelo CNP e pelo CN. O evento, chamado 3D – Debates, Democracia & DiEM -, teve convidados e painéis sobre Democracia, Sustentabilidade e descrescimento, Transparência, Migrações, Palestina e Síria, que foram mediados por membros dos CEDs com especializações nestes tópicos. As fotos do eventos mais o áudio estão disponíveis no soundcloud na página oficial do facebook.
Espanha
Os principais CEDs, Madrid e Barcelona, estiveram em actividades contra a ganância dos banqueiros (#ganalabanca) e contra o facismo (#october13) e pelos direitos dos migrantes. Também estivemos a organizar demonstrações, reuniões e a marcar presença! Mais, os membros do DiEM25 em Espanha vão conhecer-se na escola de Outono (#EscuelaDiEM25) que decorre de dia 1 a dia 9 de Dezembro: uma série de webinars sobre tópicos do DiEM25 organizados para um aprendizagem em grupo onde aprendemos uns com os outros! Temos agora também um novo website: https://es.diem25.org/ . Para fazerem uma doação para os nossos amigos em Espanha, clica aqui.
Reino Unido
Enquanto a histeria aumenta de tom em Westminster sobre o Governo e o Brexit, sobre o qual o Parlamento votará dia 11 de Dezembro, os ativistas do DiEM25 UK estão a preparar-se para rejeitar a falsa escolha entre um Brexit terrível e um um “No deal” catastrófico e apelam a todos para aderir ao Take a Break from Brexit, A campanha é apoiada quase exlusivamente pelos membros do DiEM25 para adiar o Brexit e apelar à marcação de eleições.
Depois de uma reunião preenchida em Newcastle por ocasião do European Balcony Project, estamos a planear um evento simbólico que vai ser lançado em Londres e em Stoke-on Trent, as capitais do Remain e do Leave, no dia 12 de Dezembro. Convidamos apoiantes de ambos os lados, aqueles que não votaram para duas noites de discursos, poesia e cultura, assim como para exigir o tempo necessário para a democracia respirar de novo e trazer a Primavera Europeia para o Reino Unido.
Estados Unidos
Vê o nosso anúncio da Internacional Progressista onde Yanis Varoufakis encontra-se com Bernie Sanders em Vermont este fim-de-semana.
Outros Locais
Os esforços do DiEM25 estão a inspirar grupos de ativistas em outros locais. Agora temos CEDs (Colectivos espontâneos do DiEM25, aka grupos locais) em Nova Iorque e em Sydney! Também estamos presentes na Europa de leste e nos Balcãs, com o CED de Belgrado1 a produzir materiais para promover o nosso New Deal Europeu.
Queres organizar um grupo local? >> Podemos ajudar-te a encontrar outras pessoas.
Vives longe ou preferes contribuir de casa? >> Existem vários grupos de voluntários.
… e em termos de política, como está o nosso trabalho?
O nosso trabalho na Agenda Progressiva Europeia continua. Vê os nossos papers aqui. O nosso último paper, o Technological Sovereignty green paper no. 2 está disponível aqui. Se o quiseres discutir, junta-te ao primeiro zoom oficial a 2 de Dezembro pelas 20:00 CET.
É tudo por hoje! Obrigado por fazeres parte desta comunidade. O DIEM25 é mais forte contigo.
Carpe DiEM!
Judith Meyer >>Coordenadora dos Voluntários do DiEM25
Alguém me convoca céptica e provocatoriamente para que eu “explique” porque é que as touradas causam tanta indignação a tanta gente e a mim não.
Respondi.
Transfiro para aqui a resposta porque abarca muito mais variáveis, identitárias, históricas, sociais, políticas, e até a minha experiência Californiana directa sobre a Universidade, a tourada sem sangue e a interdição de realizar investigações sobre processos identitários, indiciadores de racismo, em Berkeley e San José. Aí vai a minha resposta, que pode interessar a muitos mais interlocutores não meramente provocatórios, egocêntricos e surdos:
“Talvez seja, J., porque muitíssimas pessoas têm vistas curtas e vivem desinformadas e sem terem qualquer pesquisa pessoal sobre o que de tão grave se passa no mundo – com tropas americanas a invadir o Afeganistão, a destruir o Iraque e a tentar destruir a Síria, a assassinar Presidentes do Iraque e da Líbia, tornando este país ingovernável e entregue a senhores da Guerra, como está a acontecer no Iemen, e se prepara que venha a acontecer no Irão, com centenas de milhar de mortos e muitos milhões de deslocados.
E com a promoção de crises financistas que criam o caos económico, social e político na Venezuela e no Brasil, deixando pessoas à fome, na tentativa de mudar para a direita capitalista governos populares de países que são grandes produtores de petróleo, como os do Médio Oriente islâmico e, não por acaso, a Venezuela e o Brasil, os maiores produtores de petróleo para além dos Estados Unidos e da Arábia Saudita e Emiratos, (aliados dos Americanos), e dos Russos, fortemente atingidos pela crise financista manipulada a partir de Wall Street, da City e de Frankfurt.
“Jogos” geo-estratégicos capitalistas do “Ocidente” que destroem países e famílias – dramas imorais que passam fora do olhar, da indignação e do pensamento dos adeptos da Natureza, com uma enorme iliteracia histórica, económica e política mas com enormes cuidados com os seus animaisinhos de sala.
N’entre pas sans violence dans cette bonne nuit,
Le vieil âge devrait brûler et s’emporter à la chute du jour ;
Rager, s’enrager contre la mort de la lumière.
Bien que les hommes sages à leur fin sachent que l’obscur est mérité,
Parce que leurs paroles n’ont fourché nul éclair ils
N’entrent pas sans violence dans cette bonne nuit.
Les hommes bons, passée la dernière vague, criant combien clairs
Leurs actes frêles auraient pu danser en un verre baie
Ragent, s’enragent contre la mort de la lumière.
Les hommes violents qui prient et chantèrent le soleil en plein vol,
Et apprenant, trop tard, qu’ils l’ont affligé dans sa course,
N’entrent pas sans violence dans cette bonne nuit.
Les hommes graves, près de mourir, qui voient de vue aveuglante
Que leurs yeux aveugles pourraient briller comme météores et s’égayer,
Ragent, s’enragent contre la mort de la lumière.
Et toi, mon père, ici sur la triste élévation
Maudis, bénis-moi à présent avec tes larmes violentes, je t’en prie.
N’entre pas sans violence dans cette bonne nuit.
Rage, enrage contre la mort de la lumière.
*
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
Ce poème célèbre a notamment servi de référence dans des films comme « Apocalypse Now » où Kurtz (Marlon Brando) lit à voix haute The Hollow Men de T.S Eliot ou plus récemment dans le film « Control » de Anton Corbijn consacrée à la vie du chanteur de Joy Division, où Ian Curtis écrit une lettre à sa femme en citant ce poème.
LES HOMMES CREUX
I
Nous sommes les hommes creux
Les hommes empaillés
Cherchant appui ensemble
La caboche pleine de bourre. Hélas !
Nos voix desséchées, quand
Nous chuchotons ensemble
Sont sourdes, sont inanes
Comme le souffle du vent parmi le chaume sec
Comme le trottis des rats sur les tessons brisés
Dans notre cave sèche.
Silhouette sans forme, ombre décolorée,
Geste sans mouvement, force paralysée ;
Ceux qui s’en furent
Le regard droit, vers l’autre royaume de la mort
Gardent mémoire de nous – s’ils en gardent – non pas
Comme de violentes âmes perdues, mais seulement
Comme d’hommes creux
D’hommes empaillés.
II
Les yeux que je n’ose pas rencontrer dans les rêves
Au royaume de rêve de la mort
Eux, n’apparaissent pas:
Là, les yeux sont
Du soleil sur un fût de colonne brisé
Là, un arbre se balance
Et les voix sont
Dans le vent qui chante
Plus lointaines, plus solennelles
Qu’une étoile pâlissante.
Que je ne sois pas plus proche
Au royaume de rêve de la mort
Qu’encore je porte
Pareils francs déguisements: robe de rat,
Peau de corbeau, bâtons en croix
Dans un champ
Me comportant selon le vent
Pas plus proche –
Pas cette rencontre finale
Au royaume crépusculaire.
III
C’est ici la terre morte
Une terre à cactus
Ici les images de pierre
Sont dressées, ici elles reçoivent
La supplication d’une main de mort
Sous le clignotement d’une étoile pâlissante.
Est-ce ainsi
Dans l’autre royaume de la mort:
Veillant seuls
A l’heure où nous sommes
Tremblants de tendresse
Les lèvres qui voudraient baiser
Esquissent des prières à la pierre brisée.
IV
Les yeux ne sont pas ici
Il n’y a pas d’yeux ici
Dans cette vallée d’étoiles mourantes
Dans cette vallée creuse
Cette mâchoire brisée de nos royaumes perdus
En cet ultime lieu de rencontre
Nous tâtonnons ensemble
Evitant de parler
Rassemblés là sur cette plage du fleuve enflé
Sans regard, à moins que
Les yeux ne reparaissent
Telle l’étoile perpétuelle
La rose aux maints pétales
Du royaume crépusculaire de la mort
Le seul espoir
D’hommes vides.
V
Tournons autour du fi-guier
De Barbarie, de Barbarie
Tournons autour du fi-guier
Avant qu’le jour se soit levé.
Entre l’idée
Et la réalité
Entre le mouvement
Et l’acte
Tombe l’Ombre
Car Tien est le Royaume
Entre la conception
Et la création
Entre l’émotion
Et la réponse
Tombe l’Ombre
La vie est très longue
Entre le désir
Et le spasme
Entre la puissance
Et l’existence
Entre l’essence
Et la descente
Tombe l’Ombre
Car Tien est le Royaume
Car Tien est
La vie est
Car Tien est
C’est ainsi que finit le monde
C’est ainsi que finit le monde
C’est ainsi que finit le monde
Pas sur un Boum, sur un murmure.
T.S. Eliot – La Chanson d’amour de J. Alfred Prufrock (The Love Song of J. Alfred Prufrock, 1917)
——
La Chanson d’amour de J. Alfred Prufrock décrit les états d’âme d’un homme dans la quarantaine, esseulé et sans amour, conscient que ses aspirations et ses envies sont beaucoup plus profondes que celles du reste du monde. L’orateur sait que les femmes ne le regarderont pas s’il n’attire pas leur attention par quelques actes violents ; il ressent la nécessité d’attirer l’attention mais craint d’être rejeté et raillé. Un des éléments thématiques principaux du poème est d’ailleurs le vieillissement : L’orateur contemple les détails de sa détérioration physique, et médite l’idée d’une mort imminente.
——
Allons-nous en donc, toi et moi,
Lorsque le soir est étendu contre le ciel
Comme un patient anesthésié sur une table :
Allons par telles rues que je sais, mi-désertes
Chuchotantes retraites
Pour les nuits sans sommeil dans les hôtels de passe
Et les bistrots à coquilles d’huîtres, jonchés de sciure :
Ces rues qui poursuivent, dirait-on, quelque dispute interminable
Avec l’insidieux propos
De te mener vers une question bouleversante…
Oh! ne demande pas : « Laquelle ? »
Allons plutôt faire notre visite.
Dans la pièce les femmes vont et viennent
En parlant des maîtres de Sienne.
Le brouillard jaune qui frotte aux vitres son échine,
Le brouillard jaune qui frotte aux vitres son museau
A couleuvré sa langue dans les recoins du soir,
A traîné sur les mares stagnantes des égouts,
A laissé choir sur son échine la suie qui choit des cheminées,
Glissé le long de la terrasse, bondi soudain,
Et voyant qu’il faisait un tendre soir d’octobre,
S’est enroulé autour de la maison, puis endormi.
Et pour sûr elle aura le temps,
La jaunâtre fumée qui glisse au long des rues,
De se frotter l’échine aux vitres ;
Tu auras le temps, tu auras le temps
De te préparer un visage pour les visages de rencontre ;
Le temps de mettre à mort et de créer,
Le temps qu’il faut pour les travaux et jours des mains
Qui soulèvent, puis laissent retomber une question sur ton assiette :
Temps pour toi et temps pour moi,
Temps pour cent hésitations,
Pour cent visions et révisions,
Avant de prendre une tasse de thé.
Dans la pièce les femmes vont et viennent
En parlant des maîtres de Sienne.
Et pour sûr j’aurai bien le temps
De me demander: « Oserai-je ? » et « Oserai-je ? »
Le temps de me retourner et de descendre l’escalier
Avec une couronne chauve au sommet de ma tête…
(Et l’on dira : « Mais comme ses cheveux se font rares! »)
Ma jaquette, mon faux col montant avec fermeté jusqu’au menton,
Ma cravate riche et modeste rehaussée d’une discrète épingle…
(« Voyez comme ses bras et ses jambes sont grêles ! »)
Oserai-je
Déranger l’univers ?
Une minute donne le temps
De décisions et de repentirs qu’une autre minute renverse.
Car je les ai connus, je les ai tous connus –
J’ai connu les soirées, les matins, les midis,
J’ai mesuré ma vie avec des cuillers à café;
Je sais les voix mourantes dans une mourante retombée
Sous la musique venue d’une pièce lointaine
Comment, dès lors, me risquerais-je ?
Et j’ai connu les yeux, je les ai tous connus –
Ceux qui vous rivent au moyen d’une formule
Et une fois mis en formule, une fois étalé sur une épingle,
Une fois épinglé et me tordant au mur,
Comment, dès lors, commencerais-je
A cracher les mégots de mes jours et détours ?
Comment, dès lors, me risquerais-je ?
Et j’ai connu les bras déjà, oui, tous connus…
Les bras cernés de bracelets et blancs et nus
(Mais sous la lampe duvetés de châtain clair !)
Est-ce un parfum de robe
Qui me fait ainsi divaguer ?
Les bras couchés sur une table, les bras qui enroulent un châle.
Devrais-je dès lors me risquer ?
Comment devrais-je commencer ?
Dirai-je : j’ai passé à la brune par des rues étroites,
Et j’ai vu la fumée qui s’élève de la pipe
Des hommes solitaires penchés en bras de chemise à leur fenêtre ?
Que n’ai-je été deux pinces ruineuses
Trottinant par le fond des mers silencieuses.
L’après-midi, le soir dort si paisiblement !
Lissé par de longs doigts,
Assoupi… épuisé… ou jouant le malade,
Couché sur le plancher, près de toi et de moi.
Devrais-je, après le thé, les gâteaux et les glaces,
Avoir le nerf d’exacerber l’instant jusqu’à sa crise ?
Mais bien que j’ai pleuré et jeûné, pleuré et prié,
Bien que j’ai vu ma tête (qui commence à se déplumer) offerte sur un plat,
Je ne suis pas prophète… et il n’importe guère ;
Ma grandeur, j’en ai vu le moment vaciller,
Mais j’ai vu l’éternel Laquais tenir mon pardessus et ricaner,
En un mot j’ai eu peur.
Aurait-ce été la peine, après tout,
Après les tasses, le thé, la marmelade d’orange
Parmi les porcelaines et quelques mots de toi et moi,
Aurait-ce été la peine
De trancher bel et bien l’affaire d’un sourire,
De triturer le monde pour en faire une boule,
De le rouler vers une question bouleversante,
De dire : « Je suis Lazare et je reviens d’entre les morts,
Je reviens pour te dire tout, je te dirai tout » –
Si certaine, arrangeant un coussin sous sa tête,
Avait dit : « Non, ce n’est pas ça du tout;
Ce n’est pas ça du tout que j’avais voulu dire. »
Aurait-ce été la peine, après tout,
Aurait-ce été la peine,
Après les arrière-cours, les couchers du soleil et les rues qu’on arrose,
Après les tasses de thé et les romans, après les jupes qui traînent sur le plancher –
Et ceci et tant d’autres choses ?
Ah! comment exprimer ce que je voudrais dire ?
Mais comme si une lanterne magique projetait le motif des nerfs sur un écran:
Aurait-ce été la peine si certaine,
Arrangeant un coussin ou rejetant un châle,
S’était tournée vers la fenêtre en déclarant:
« Ce n’est pas ça du tout,
Ce n’est pas ça du tout que j’avais voulu dire. »
Le Prince Hamlet ? Non pas, je n’ai jamais dû l’être ;
Mais un seigneur de la suite, quelqu’un
Qui peut servir à enfler un cortège
A déclencher une ou deux scènes, à conseiller
Le prince ; assurément un instrument commode,
Déférent, enchanté de se montrer utile,
Politique, méticuleux et circonspect ;
Hautement sentencieux, mais quelque peu obtus ;
Parfois, en vérité, presque grotesque –
Parfois, presque, le Fou.
Je vieillis, je vieillis…
Je ferai au bas de mes pantalons un retroussis.
Partagerai-je mes cheveux sur la nuque ? Oserai-je manger une pêche ?
Je vais mettre un pantalon blanc et me promener sur la plage.
J’ai, chacune à chacune, ouï chanter les sirènes.
Je ne crois guère qu’elles chanteront pour moi.
Je les ai vues monter les vagues vers le large
Peignant les blancs cheveux des vagues rebroussées
Lorsque le vent brasse l’eau blanche et bitumeuse.
Nous nous sommes attardés aux chambres de la mer
Près des filles de mer couronnées d’algues brunes
Mais des voix d’hommes nous réveillent et nous noient.
***
T. S. Eliot (1888-1965) – La terre vaine et autres poèmes (Points) – Traduit de l’anglais par Pierre Leyris.
Janis Joplin covered the song for inclusion on her Pearl album only a few days before her death in October 1970. Kris had sung the song for Joplin, and singer Bob Neuwirth taught it to her. Kris, however, did not know she had covered it until after her death (the first time he heard it was the day after she died). Joplin’s version topped the charts to become her only number one single and only the second posthumous number one single in rock & roll history (the first was “(Sittin’ on) the Dock of the Bay” by Otis Redding). In 2004, the Janis Joplin version of this song was ranked No. 148 on Rolling Stone’s list of the 500 Greatest Songs of All Time.
Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar – e de repente aqui está ela: a Náusea. Então é isso a Náusea: essa evidência ofuscante? Existo – o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo. Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso me assusta. Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… E subitamente, de repente, o véu se rasga: compreendi, vi. A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu.
Considerada arte menor ou apenas decorativa, a azulejaria ganha agora foro de expressão artística com o estudo Desenhadores & Azulejeiros – Ensino e Aprendizagem, Arquitetura e História (Rio de Janeiro, Synergia Editora, 2018), de Clara Emília Sanches Monteiro de Barros Malhano e Hamilton Botelho Malhano (1947-2017), que resgata a história de vida de dois artistas portugueses – José Colaço (1868-1942) e Manuel Félix Igrejas (1928) –, além de analisar o ensino das Belas Artes no Brasil, o que inclui a azulejaria, e a sua relação com a arquitetura neocolonial e modernista. Para tanto, o trabalho, segundo definição dos autores, procura entender as “técnicas artesanais, manufatureiras e industriais da produção cerâmica azulejeira luso-brasileira em relação a outras produções de azulejos enquanto arte de caráter internacional”.
Nascido no Tânger, Marrocos, Colaço, de origem aristocrata, com formação acadêmica, pensou em emigrar para o Brasil e chegou a adquirir bilhete de viagem, mas deixou de fazê-lo porque a morte o alcançou antes, já na idade madura. Deixou atrás de si uma série de trabalhos, dos quais os mais famosos são os painéis de azulejos que decoram o grande átrio da Estação de São Bento, no Porto, desde 1915, e até hoje encantam os passageiros que por lá passam pela primeira vez ou não, e a parede de uma sala na Casa do Alentejo, próxima aos Restauradores, em Lisboa, de 1918. No Brasil, porém, é mais conhecido pelos painéis da fachada principal do Estádio de São Januário, do Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, que produziu na década de 1930.
Romance místico, romance religioso ou romance ecumênico? Depois de Goto, A Lenda do Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, pela Clube de Autores Editora, SC, romance pós-moderno (considerado a melhor obra do escritor); depois do gracioso Gute-Gute, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia-RJ, e depois do revoltado Tibete-De quando você não quiser mais ser gente, Editora Jaguatirica, RJ, três romances de peso e agraciados por boas críticas literárias de renome, o escritor, ciberpoeta, ensaísta, crítico literário e então por isso mesmo romancista, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, premiado em diversos concursos literários, lança finalmente o romance ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, primeiro de uma trilogia. Este livro começou a ser escrito em 1998, terminado em 2015, e só agora finalmente lançado pela Sendas Editora do grupo Kotter Editorial de Curitiba-PR.
Andrés Iniesta, um dos meus jogadores de eleição, assumiu ter sofrido de depressão, e de como a dita intrusa se instalou e lhe tirou o gosto e as sensações. “Só pensava em tomar o comprimido e dormir”. A depressão instala-se quando o sonho deixa de comandar a vida. É uma dor que desatina sem doer. É uma doença curável, mas incapacitante. Um comprimido serve de rede e um deprimido não é um atrasado mental. Pode bem ser um inadaptado à frente do seu tempo. Os deprimidos são por regras sensíveis e hiper sensíveis. Alguns são reactivos e são deprimidos ansiosos. Outros, afundam-se e estiolam. O pior para um deprimido é a indiferença e a frieza dos que o rodeiam e o tratam como um empecilho à sua felicidade parasitária. A mais premente necessidade de um deprimido (e de qualquer ser humano) é ser olhado como um ser humano, falível e vulnerável.
Consta, na mais recente biografia de José Saramago, escrita por Joaquim Vieira, haver uma faceta menos conhecida de Saramago, a de um machista. Cresci a ouvir histórias de escritores galifões, casados e pais de filhos, mas dados a conquistas e investidas a eito, mais ou menos consentidas. Por exemplo, só para nomear alguns, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes, David Mourão Ferreira, Baptista Bastos, ou, o mais exortado, o pintor de vulvas Henry Miller.
A propensão para o excesso deu cabo de alguns matrimónios e relações, embora muitos se mantivessem casados e as suas mulheres no silêncio. Outras, como Paula Rego ou Frida Kahlo, apesar do muito amor e da felicidade conjugal, seguiram o mesmo instinto. Por ajuste de contas ou paridade. A questão é bicuda: talvez se o ponto de partida fosse cordato não houvesse dominadores e dominados, ou vinganças ao retardador sobre o pressuposto de que ele (ou ela) não eram assim. Talvez o amor exclusivo seja raro, e a arte nascida de grandes amores um mero narcisismo.
A excitação com a magna questão do IVA das touradas é reveladora de uma atitude, de um clima e de um risco.
A atitude é a que se poderia esperar, uma espécie de deslumbramento hiperbólico com a faena, numa espécie de competição entre toureiros que querem ganhar uma volta à praça. O touro foi “adotado pelo homem ibérico, e criado como o mais nobre dos adversários, digno de sobreviver para enfrentar o Homem até ao fim dos tempos, simulando e celebrando, com o cavalo de combate, a tradição milenar do guerreiro ibérico”, escreve Sousa Pinto, em modo de delírio poético. “Até ao fim dos tempos” é muito otimismo, mas o nosso “guerreiro ibérico” tem destas coisas. O mesmo diria da afirmação ousada, e algo constrangedora, de que não percebe poesia quem não festeja a bandarilha ou que namora o totalitarismo quem não comemora rabo e orelha.
Do outro lado, está o clima que dá por certo que, se a violência contra uma cadela é punida com pena de prisão, ou se os combates de cães são proibidos, se os sacrifícios de animais já são interditos e se a tradição nunca mais foi o que era, um dia a exibição do massacre do touro deixará de existir.
Mas a lição para a esquerda não está nem na radicalização espetacular dos toureiros, nem na certeza tranquila de que o tempo concluirá esta querela. Está na demonstração atual do risco e da vulnerabilidade comunicacional das agendas de entretenimento. Há gente para tudo, como se viu, e sobretudo para a agitação de emoções apopléticas. Com tanta arrebatamento, o efeito de contaminação constrói um artifício de alheamento. Esse é o caldo de cultura em que tudo se confunde, pois se definem linhas de fractura apoiadas na distração. E, como 2019 é um ano de todos os perigos, a lição deste episódio taurino é de grande valia: pois saiba-se na esquerda que só ganhará quem nunca se desviar do que interessa e perderá quem deixar afirmar-se o interesse pelo desinteresse. É a vida das pessoas, mesmo a vida, o salário, a segurança no emprego, a segurança na saúde, o cuidado dos filhos, a pensão, o acompanhamento das pessoas dependentes, que tem que determinar as escolhas. Não será nunca uma bandarilha a definir os campos e os resultados.
O facto de a nova Ministra da Cultura afirmar que prejudicar a tourada à portuguesa é um acto de ‘civilização’ permite constatar o óbvio – há quem ache que a civilização é norte-europeia ou, como dizem os Americanos, é WASP (white, anglo-sexon protestant) e que o Mundo Mediterrânico, polarizadamente católico, não é ‘civilizado’ por ser católico – um mundo de virgens, de santos e procissões, que os protestantes consideram semi-pagão, supersticioso e ‘atrasado’, a necessitar do seu colonialismo civilizacional. Há, por isso, em Portugal, portugueses ‘avançados’, que têm vergonha de serem portugueses e tencionam aproveitar lugares no Aparelho de Estado e no Governo para corrigir o ‘atraso’ civilizacional dos portugueses e nos tornar ‘mais europeus’, isto é, menos diferenciados culturalmente e mais absorvidos pela cultura protestante.
As touradas existem na península ibérica e no sul de França, associadas à pastorícia do gado bovino em liberdade. vigiados por campinos, sobretudo nas margens do Tejo (Ribatejo e Alentejo), originando esse facto cultural que é a tourada à portuguesa.
Têm contra si os que se auto-consideram os mais ‘civilizados’ dos portugueses, um agregado ideológico que forma uma minoria elitista activista, que se sente ‘superior’ aos outros portugueses – os vegan e vegetarianos, que não comem carne, os ecologistas, que são contra o gado bovino, por ser poluente, os ‘protetores dos animais’, que consideram a tourada um ‘divertimento’ marcado pela violência e pela tortura dos touros, algumas feministas, que associam a tourada ao Machismo (como se proibir as touradas acabasse com o machismo) e alguns católicos fanáticos que acham que a tourada é um resíduo dos cultos pagãos que ainda não conseguiram destruir. Uma ‘elite’ sub-cultural, com muito pouca gente, alinhada com a Cultura WASP.
Derrière tout cela se trouve sûrement une idée si simple, si belle, que lorsque nous la saisirons – dans une décennie, un siècle ou un millénaire – nous nous dirons tous, comment aurait-il pu en être autrement?
John Archibald Wheeler, Annales de l’Académie des sciences de New York, 480 (1986)
Pour des yeux humains sans aide, l’univers situé au-delà de notre système solaire ressemble à quelques milliers de points brillants dans le ciel nocturne, auxquels s’ajoutent les légères traînées floues de la Voie lactée. Mais si vous demandez à un astronome ce qui se passe réellement dans la réalité, on ne vous parlera pas de points ou de traînées, mais d’ étoiles : des sphères de gaz incandescents de millions de kilomètres de diamètre et à des années-lumière de nous. On vous dira que le soleil est une étoile typique et n’a pas l’air différent des autres parce que nous en sommes beaucoup plus proches, bien qu’à quelque 150 millions de kilomètres. Pourtant, même à ces distances inimaginables, nous sommes certains de savoir ce qui fait briller les étoiles: on vous dira qu’elles sont alimentées par l’énergie nucléaire libérée par la transmutation. – la conversion d’un élément chimique en un autre (principalement de l’hydrogène en hélium).
Certains types de transmutation se produisent spontanément sur Terre, dans la désintégration des éléments radioactifs. Cela a été démontré pour la première fois en 1901 par les physiciens Frederick Soddy et Ernest Rutherford, mais le concept de transmutation était antique. Les alchimistes rêvaient depuis des siècles de «transmuter» des «métaux de base», tels que le fer ou le plomb, en or. Ils n’ont jamais été sur le point de comprendre ce qu’il faudrait faire pour y parvenir, alors ils ne l’ont jamais fait. Mais les scientifiques du vingtième siècle l’ont fait. Et les étoiles aussi, lorsqu’elles explosent en supernovae. Les métaux de base peuvent être transformés en or par des étoiles et par des êtres intelligents qui comprennent les processus qui alimentent les étoiles, mais par rien d’autre dans l’univers.
Faz hoje 43 anos Portugal esteve à beira da guerra civil. Eu tinha chegado há exactamente dezassete dias, ou seja, naquele 8 de Novembro em que o VI Governo Provisório mandou dinamitar os emissores da Rádio Renascença, controlada pela extrema-esquerda.
Sobre o 25 de Novembro, transcrevo do meu livro de memórias:
«Dias depois desse reencontro aconteceu o 25 de Novembro. Passei o dia no Estoril, a tal ponto alheado dos acontecimentos que fui com o Jorge jantar a Lisboa e a seguir ao cinema. O Galeto teria talvez uma dúzia de clientes, mas no primeiro balcão do Império éramos os únicos espectadores. Só no comboio de regresso a casa soubemos do recolher obrigatório. O passeio impediu que tivéssemos visto Duran Clemente a ser substituído por Danny Kaye — ‘The Man from the Diner’s Club’ foi o sinal inequívoco de que o PREC tinha acabado.
Com a imprensa nacionalizada desde a intentona de 11 de Março de 1975, o Governo impôs um período de nojo. Não se publicaram jornais durante mais de quinze dias. Quem quisesse saber o que se passava em Portugal, ouvia a BBC ou comprava o Monde. A excepção era o Expresso, que durante dois meses (entre 5 de Novembro de 1975 e 7 de Janeiro de 1976) foi bissemanário, saindo às quartas e sábados. A edição extra era feita por Vicente Jorge Silva e Helena Vaz da Silva.
Neste 25 de novembro lembrei-me do Jaime Neves que conheci. E, a propósito da biografia pessoal que dele fez o professor Rui de Azevedo Teixeira, as múltiplas personalidades que todos somos e as muitas sombras que todos projetamos. As imagens que os outros vão criando de cada um de nós. Todas são verdade e nenhuma é a verdade. A biografia tem por título «Jaime Neves, homem de guerra e boémio» e o subtítulo «Jaime Neves por Rui de Azevedo Teixeira». É uma imagem de Jaime Neves criada por um autor, como uma pintura, ou uma fotografia.
Eu não tenho de Jaime Neves a imagem nem como homem de guerra, nem como boémio, embora tenha partilhado com ele a guerra e alguma boémia. Também conheço com alguma intimidade o papel dele no 25 de novembro de 75 e a imagem que dele tenho não é a da mitologia (pequena mitologia) que à sua volta alguns foram criando e que mais não são que a sua colocação numa moldura de circunstâncias, a circunstância da guerra, a circunstância dos excessos dos descansos dos guerreiros entre campanhas e batalhas, o aproveitamento dos guerreiros para fins de tomada de poder por parte dos que não querem correr o risco vida no combate.
Ao longo da vida tive a felicidade, que constitui o meu maior património, para além da minha família, de conhecer e conviver com personalidades extraordinárias, e aqui a palavra é a adequada, que incluem Samora Machel e Aquino de Bragança, generais como Spínola, Costa Gomes e Kaúlza de Arriaga, meus camaradas homens de guerra como Almeida Bruno, Raúl Folques, Santos e Castro, Abreu Cardoso, aventureiros e visionários como Jorge Jardim, seres históricos como Salgueiro Maia, mulheres como Isabel do Carmo, Maria Tereza Horta ou Maria de Lurdes Pintassilgo, até um comissário político da brigada Lister na guerra civil espanhola! E, dessa galeria de figuras, que incluem algumas que nunca referirei, faz parte o Jaime Neves.
I
Depois de ambientar os seus dois primeiros romances – A última adolescência (Bom Texto, 2004) e Ladeira do Tempo-Foi (Synergia Editora, 2017) – no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o escritor Helio Brasil retorna aos contos, gênero em que fez sua estreia tardia na literatura, aos 64 anos de idade, com a publicação de O anjo de bronze e outros contos (Oficina do Livro, 1994). Desta vez, em O perfume que roubam de ti… e outras histórias (Synergia Editora, 2018), título assumidamente inspirado nos versos da famosa canção “As rosas não falam”, dos compositores cariocas Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), e Guilherme de Brito (1922-2006), reúne 26 contos que retratam personagens de diversos momentos da vida brasileira, desde o Brasil Colônia até os dias atuais.
Aparentemente, estas histórias são o resultado de uma vida inteira dedicada ao vício da literatura, amor escondido a sete chaves até que, já na idade madura, o autor, arquiteto de talento reconhecido por suas obras no Rio de Janeiro e também celebrado como professor universitário, resolveu deixar o excesso de modéstia de lado e transformar-se também em escritor. Ganhou a literatura de Língua Portuguesa, pois, desde então, o autor passou a fazer parte de um seleto grupo de escritores cujas carreiras começaram tardiamente, o que não os impediu de alcançar a fama e o reconhecimento literário, de que bons exemplos são José Saramago (1922-2010), Pedro Nava (1903-1984) e Cora Coralina (1889-1985).
Agora, Helio Brasil decidiu revirar o baú para dar a público histórias inéditas que reúnem todos os sentimentos humanos, os bons e os maus, como amor, violência, solidão, preconceito, heroísmo, conspirações, desejo, fé, traição, intrigas, sedução, mistério e outros. Ao mesmo tempo, reedita alguns contos que já haviam sido publicados anteriormente em coletâneas.
O Rapto de Proserpina é uma escultura de Gian Lorenzo Bernini (1598–1680), considerado um dos maiores artistas do século XVII, tendo seu trabalho quase todo centrado na cidade de Roma.
O mito romano do rapto de Proserpina por Plutão é uma lenda que também aparece na cultura grega, onde Plutão se chama Hades e Proserpina é Perséfone, que encantou o obscuro deus com sua beleza, filha da deusa das colheitas Deméter. Ela é então raptada e levada para as profundezas da Terra, deixando sua mãe enfurecida. O rapto fez com que Deméter castigasse o mundo, arrasando com as plantações, entregando o mundo ao caos e à fome. Conta-se que Perséfone não podia comer nada que lhe fosse oferecido ou ela nunca mais voltaria para casa. Enquanto Zeus tentava convencer Hades a liberar a moça, Perséfone comeu algumas sementes de romã, selando o seu destino. Assim, ela se viu obrigada a casar com Hades, o que deixou Deméter ainda mais furiosa.
Zeus teria então interferido. Perséfone passaria metade do ano com o marido e a outra metade com a mãe. Dessa maneira, Deméter aceitou e assim os gregos explicavam as épocas do ano. Quando era verão e primavera, sua filha estava ao seu lado. No inverno e no outono, épocas frias, sem colheitas, Perséfone estava com o marido.
A obra encontra-se na Galleria Borghese, em Roma. Data | 1621-1622 | Técnica Mármore
” Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”
No dia 27 de Outubro tivemos o primeiro evento nacional do DiEM25 em Portugal – o Evento 3D 2018 no Porto que contou, na sua organização, com o apoio de vários membros dos Coletivos espontâneos (especialmente Lisboa, Oeiras, Porto), do Coletivo Nacional Provisório e do recém-eleito Coletivo Nacional.
Podes ver o álbum de fotos deste evento na nossa página de facebook e ouvir integralmente o painel sobre Democracia que foi colocado no soundcloud e facebook – https://www.facebook.com/diem25.pt.oficial/
Aproveitamos também para te dar notícias dos Coletivos Espontâneos (CEDs):
Lisboa – O CED Lisboa perspetiva sua atividade no sentido de oferecer ao DIEM uma contribuição para integrar as preocupações e saberes ambientais e ecológicos na teoria e na prática das nossas ações. Pretende fazê-lo aprendendo e colaborando com organizações já implantadas nesse domínio cívico e cognitivo. Sem prescindir de tomar as suas próprias iniciativas, como palestras e convívios em nome do CED Lisboa. No próximo dia 7 de Dezembro, sexta-feira, entre as 18:30 e as 22:30, junta-te ao debate-jantar-convívio sobre “ecologia e democracia”, na livraria Sá da Costa, Rua Garrett 100-102, Lisboa.
Podes contactar o CED de Lisboa para o email: lisboa1dsc@pt.diem25.org ou através do Facebook aqui: https://www.facebook.com/Diem25-Lisboa-DSC-001-1639761386346627/
Oeiras – No sentido de responder ao pedido do CED1 Berlim, o CED Oeiras reuniu dia 16/11 no café “a Quinta” na estação de Oeiras para discutir a proposta do Policy Paper para Asilo e Migração do DiEM25. A próxima reunião será dia 24/11 sexta feira no mesmo local, se estiveres por perto e quiseres participar iremos falar do orçamento participativo em Oeiras e da utilização de tecnologias éticas para substituir a google drive do no nosso Coletivo, entre outros temas.
Podes contactar o CED de Oeiras através do email: oeiras1dsc@pt.diem25.org ou através do Facebook em: https://www.facebook.com/DiEM25Oeiras/
Porto – O CED do Porto tem novidades: o Rafael Montes foi eleito para a coordenação do Colectivo e os novos co-coordenadores são a Virgínia Valente e Alexander Wall. O Coletivo irá focar a sua ação na programação de reuniões temáticas mensais; na divulgação da atividade política geral do DiEM; na participação em assembleias e reuniões públicas municipais; na instituição do orçamento participativo na cidade e em atividades de sensibilização para a democracia participativa e ambiental com jovens.
Podes contactar o CED do Porto através do email: porto1dsc@diem25.org ou através do Facebook aqui https://www.facebook.com/DiEM25Porto001/
Refém
da desordem tresloucada…
ergonomia do caos,
cristal assolapado,
vínculo quebrado
que alui
num fado…
foguetório,
desdém sem retorno,
fundida luminária,
império prostrado
no colo da alimária
média…
Tanto amor vingou,
tanta história se levantou
da magna pátria…
Cantos,
epopeias,
sonhos,
raízes que rasgaram o ventre
da terra mãe
…e floriram…
Flores
seduziram
amores….
Sol
e chuva
e olhos chorados
emoção incontida
sorriso,
gargalhada,
arrepio,
volúpia apaixonada…
poros
de pele,
erectos,
comovidos,
multidão,
corações acelerados,
batendo,
dilacerados…
tombo
de caule que murcha…
voo
de gume afiado…
rasante
que corta,
agride,
amassa…
punhal selectivo
destrutivo…
erva daninha
definha
o meu ser
Portugal…
louca,
loucura
nação valente
acorda…
sonha de novo,
agita este Povo,
acende o futuro
destrói a erva daninha…
muda o feitio,
desafio,
para cantar
outra vez…
Mystère insondable de son esprit
Énigme fascinante reliée à sa vie
Naissance magique de son génie
Tigre sacré qui feule du fond des nuits
Enchanteur quand il sourit
Nulle part il existe un être comme lui
Du fond des âges il tire son savoir
Souffle sur ma vie un coup de Blizzard
Tout s’arrête quand loin de moi il part
Union du feu et du vent
Délicieux brasier incandescent
Élève mon âme au firmament
Lien précieux nourri d’encens
Attirance électrique , je deviens aimant.
Paroles subtiles , mots élégants
Raffinement d’un autre temps
Intense charme insolent
Sincère tendresse aux mots troublants
Ode d’amour dans ses yeux noirs
Noie mon cœur dans son regard
Détient mon âme dans sa mémoire
Éteint mon ciel quand il s’égare
Tantôt ange ou bien démon
Observe le moindre de mes sillons
Nébuleux d’un sombre profond
Charmée par la pointe de son harpon
Ondes sensuelles au diapason
Entente parfaite, ma fusion
Unique raison de ma déraison
Rare esprit il est ma passion.
Desde o primeiro instante, apesar de um encantamento, um déja-vu, uma atracção inexplicável, do calor de um beijo dado, e outro, chega o momento de ambos se despirem e nenhum está despido para além do corpo. Dentro do corpo de ambos há um nervoso miudinho, a incerteza do que é o outro, quem frequentou, quantos corpos conheceu, quem fodeu, amou ou fornicou. Prevalece a vontade nervosa de mostrar um à-vontade inexistente. Estão ambos em rejeição do que se chama entrega. Duvidam, no fundo, por medo. É o medo que leva à rejeição. Um quer quase sempre mais do que o outro, embora a retração de um leve à rejeição do outro. Pode haver a suspeita de um que o outro dorme ou fode com outro. Pode haver a ideia de que a entrega total não existe, por niilismo. Pode haver a descrença fruto de relações falhadas, ou, mais atrás, de uma falha uterina, uma carência desmedida. Começa então o vaivém, do querer e não querer, do ir e voltar. A mulher pode ser romântica mas no seu íntimo desconfia e só se entrega uma em mil vezes, para algures no encontro querer sair depressa dos braços do amado. Pode querer mais, porque há um réstia de esperança nas suas capacidades de amar, de querer amar, de querer ser amada. Nunca viveu a experiência de amar e ser amada. Ou uma, ou outra, a maior parte das vezes nenhuma, caindo nas suas próprias armadilhas de caçadora de emoções. É uma amazona, ele um predador. Ambos são frágeis nas suas capacidades de se deixarem apenas o privilégio de sentir. Ambos são casados com outros, e o facto de se terem descoberto e de tardarem a encerrar os seus relacionamentos torna-os mais receosos. Rejeitam-se a amar-se.
Este é um momento histórico. Os membros do DiEM25 quase acabaram de aprovar a versão beta do programa da Primavera Europeia, peça essencial para a nossa participação nas eleições europeias (com mais emendas, que serão votadas mais tarde) e elegemos uma lista de candidatos incrível para a Alemanha. O próximo passo chega a 25 de Novembro, com a reunião da nossa ala eleitoral em Berlim, que em princípio confirmará esta lista. Queres estar presente? Inscreve-te aqui.
Entretanto precisamos de decidir com urgência o que fazer em Itália. As forças de esquerda ainda não se decidiram relativamente à coligação que querem fazer e o programa que querem apresentar nas eleições europeias. Concorrer sozinho é arriscado mas se continuarmos a esperar por uma coligação que defenda algo com que não concordamos também é um risco. Algumas pessoas estão a sugerir que não devemos concorrer. Por isso por favor dirige-te ao fórum dos membros para votar sobre a posição do DiEM25 em Itália e como avançar com a nossa estratégia para trazer a nossa Agenda Progressista europeia para as eleições para o Parlamento Europeu.
Finalmente vamos partilhar uma preocupação nossa: O DiEM25 é um movimento em que cada membro que paga tem de cobrir os custos de quatro membros que não pagam (uma opção que está desenhada para pessoas sem rendimentos). Dada a dimensão da nossa luta a nível europeu, contamos contigo para fazer a diferença. Como alguém que escolheu a adesão gratuita, a tua situação financeira pode ter melhorado ao ponto de poderes suportar o custo de (25 EUR/ano)? Ajudaria bastante – e todos os euros contam!! Faz as atualizações à tua política de doações aqui.
Carpe DiEM!
Judith Meyer
>>Coordenadora de Voluntários do DiEM25
Na sexta-feira da lua nova do mês de Moharram, no vigésimo ano da Hégira (isso equivale a 22 de dezembro de 640), o general Amr Ibn al-As, o emir dos agareus, conquistava Alexandria, no Egito, colocando a cidade sob o domínio do califa Omar. Era um dos começos do fim da famosa Biblioteca de Alexandria, construída por Ptolomeu Filadelfo no início do terceiro século a.C. para “reunir os livros de todos os povos da Terra” e destruída mais de mil anos depois.
A idéia de reerguer a mais formidável biblioteca de todos os tempos surgiu no final dos anos 70 na Universidade de Alexandria. Em 1988, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, assentou a pedra fundamental, mas foi só em 1995 que as obras realmente começaram. O suntuoso edifício de 11 andares, que custou US 212 milhões, boa parte dos quais pago pela Unesco, foi concluído no ano passado. Só a sala de leitura da biblioteca principal tem 38.000 m2, a maior do mundo. O acervo, que ainda não foi inteiramente reunido, deverá contar com 5 milhões de livros. Será interessante ver como o governo egípcio, que não é exatamente um entusiasta das liberdades de informação e expressão, administrará as coisas. Haverá, por exemplo, um exemplar dos “Versos Satânicos” (obra de Salman Rushdie, tida como ofensiva ao Islã)? E quanto a livros que critiquem o próprio governo egípcio? Todos os cidadãos terão acesso a todas as obras? Mas não é tanto a nova biblioteca que me interessa, e sim a velha, mais especificamente a sua destruição.
Na verdade, seria mais correto falar em destruições. Como nos mitos, há na extinção da Biblioteca de Alexandria uma série de componentes políticos. A historieta com a qual iniciei esta coluna é uma das versões. É contra os árabes. Existem outras, contra os cristãos, contra os pagãos. Nenhum povo quer ficar com o ônus de ter levado ao desaparecimento da biblioteca que reunia “os livros de todos os povos”. É curioso, a esse respeito, que o site oficial da biblioteca (http://www.bibalex.gov.eg/) só registre as versões anticristã e antipagã. A contrária aos árabes é descartada sem nem mesmo ser mencionada. Utilizo aqui principalmente informações apresentadas pelo italiano Luciano Canfora, em seu excelente “A Biblioteca Desaparecida”.Continuar a ler →