A Europa deve afinar os seus objetivos | Opinião/ DN | por Javier Solana | PONTO DE VISTA

O presidente russo, Vladimir Putin, trouxe a Europa de volta a um lugar que pensávamos ter sido remetido a um passado irrepetível. Encontramo-nos diante de um líder irracional cuja política externa vem degenerando desde o dia, em 2001, em que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o olhou nos olhos e disse que havia encontrado um homem em quem podia confiar.

O risco de uma terceira guerra mundial deixou de estar no âmbito do impossível. A Rússia está agora a realizar ataques a poucos quilómetros das fronteiras da NATO e, dada a imprevisibilidade de Putin, não podemos descartar a possibilidade de um confronto direto entre a Rússia e a Aliança. Isso levantaria a possibilidade quase inimaginável de um conflito nuclear, que os nossos líderes têm o dever de evitar.

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DOIS VÍDEOS | Mujica sobre a guerra na Ucrânia e o “colonialismo intelectual” + Mujica sobre a crise na Ucrânia e a “loucura da guerra”

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a guerra na Ucrânia e acusa o Ocidente de colonialismo intelectual devido à repercussão desigual do conflito em solo europeu em detrimento de guerras em regiões periféricas. “O que acontece na Europa é muito mais humano do que o que acontece em outros lugares. Por isso segue existindo um colonialismo intelectual que nos subordina.” Mujica aponta para o impacto global causado pela guerra na Ucrânia e como países que estão muito distantes e não têm ingerência nenhuma sobre o conflito devem sofrer baques econômicos e falências. “A Europa, o mundo, os EUA, não pensaram nas medidas que tomam, nas consequências que têm para muitas pessoas”, disse Mujica. “Quando poderão a Europa e o mundo olhar para o mundo inteiro pelo qual são responsáveis?”

Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a guerra ser a forma de solucionar conflitos: “Seguiremos na pré-história, com a única diferença de que a barbárie dos homens primitivos parece brincadeira de criança comparada a atual.”

Assim vai a Europa… | Alguns comentários sobre a situação presente | por Carlos Esperança

Enquanto a maior ditadura do mundo, com 140 milhões de habitantes, ganha a guerra na Ucrânia, limitando-se a assistir, a Europa recebe o imperador Biden, que combaterá ao lado de Zelensky até ao último europeu, promovendo a venda de armas do complexo militar-industrial dos EUA e valorizando o gás de xisto e os cereais dos EUA.

Nem sequer os jornalistas lhe censuram a falta de autoridade moral para usar linguagem de almocreve e acicatar a guerra na Europa, destruindo as instituições que genuinamente se batem pela paz, nomeadamente a ONU e o Vaticano, provocando a desorientação dos países e a desordem das consciências, e deixando a fatura para os europeus.

O pensamento único vai regressando à Europa, colocada em estado de estupor, perante a violência da guerra ucraniana, sem estratégia própria, a navegar ao sabor dos interesses geoestratégicos alheios. Putin, que apoiou a extrema-direita europeia, conseguiu destruir a Ucrânia e Rússia, a última à espera de se tornar uma nova Jugoslávia onde o fascismo islâmico se prepara para a desintegrar e criar novos estados fantoches apoiados pelos responsáveis da sua desintegração.

Dizer que nenhuma potência gosta de que lhe ponham mísseis na fronteira, devia ser um truísmo tautologicamente demonstrado, e passou a ser a arma ao serviço do pensamento único, sob meaça de ser um argumento a favor do czar Putin.

A Paz é um mero pretexto retórico para a eliminação do adversário escolhido pela Nato, e o presidente da Ucrânia foi promovido a herói das democracias liberais, mesmo depois de ter proibido os partidos da oposição.

O histerismo com que se veiculam as posições de Zelensky chega ao despautério de exaltar a sua censura ao governo de Portugal por não ser tão belicista quanto desejava, à Nato por ter medo da Rússia e à Europa por não dar pretexto ao holocausto nuclear envolvendo-se diretamente na guerra que procura estender ao Mundo.

A Europa, herdeira do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa, arrisca a desintegração. Os nacionalismos já a corroem, o belicismo dos que não aceitam pagar a fatura da sua imprudência ameaça as instituições democráticas, a extrema-direita anda aí nas ruas, de Lisboa a Kiev, e a Polónia e a Hungria, que tinham suspensos os fundos por desrespeitarem os direitos humanos, já integram o paradigma das futuras democracias, que constroem muros para impedir a entrada de refugiados de tez escura, mas abrem as portas a caucasianos.

Quando aceitamos censura à informação e nos resignamos às verdades únicas, é a ruína dos valores que promovemos, a democracia que pomos em jogo e o futuro coletivo que hipotecamos.

Ninguém se preocupa já com alterações climáticas, com a fome que aumenta em África por cada dia que se prolonga a guerra na Europa, com os refugiados da Síria e do Iémen, com os regimes teocráticos que se multiplicam, com a Turquia na sua deriva islâmica e antidemocrática a forçar a integração na UE, enfim, com a subversão dos valores que nos moldaram e tínhamos por irreversíveis.

O mundo não é a preto e branco e os que resistem são difamados.

Podem calar-nos, mas não nos renderemos.

Carlos Esperança | 27/03/2022

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Eu considero Macron o mais esclarecido dirigente da União Europeia. Ficou com as “cartas” de Merkel. | por Carlos Matos Gomes

Eu considero Macron o mais esclarecido dirigente da União Europeia.  Ficou com as “cartas” de Merkel.

Neste caso e após as diatribes de Biden, o presidente francês não podia dizer mais do que disse, lamentar. O lamento traduz várias impotências: a impossibilidade de assumir a servidão europeia e a de ofender o imperador com a verdade.

Resta ler as entrelinhas. Macron sabe, mas não pode afirmar que Biden e os EUA queiram um cessar fogo na Ucrânia.

A ação dos EUA e da família Biden desde 2008 foi e é no sentido de atrair a Rússia e provocar a rutura com a União Europeia. Biden sabe exatamente o que quer e não é um cessar fogo que pretende, mas uma ocorrência que coloque a União Europeia perante uma situação catastrófica que a obrigue a servir os objetivos futuros dos EUA!

Quando a rutura entre a UE e a Rússia estiver consumada, feitos os negócios da energia e do «rearmamento da Europa», os EUA tratarão de passar as responsabilidades e os custos para os europeus e concentrar-se-ão na China e no Pacífico. 

Até lá é altura de impropérios.

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Ucrânia : a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (3) A guerra Rússia / EUA começou em 2012 ? O “caso” BRICS! | por Joffre Justino

Amigos meus a maioria das lusas Esquerdas a maioria no campo da família PS e BE defendem a toda a força que sou putinista ( enfim pior que russofilo pior que sovietista) e tudo porque me preocupo em perceber este cenário de “estupida guerra” russo-ucraniana e tirar ilações sobre a mesma

Na realidade há que ver a realidade como ela é e não com rosáceos óculos de ideologias manipuladas como os papparazianos nos impingem nos media ditos “ocidentais”

Vivemos até 24 de fevereiro uma globalização selvática e não democrática mas que permitiu abrir mentes ao outro via o turismo que nos ligou num processo que integrou  biliões de Pessoas algo nunca visto

Não sou putinista nem russofilo mas também não sou ucranianista e garantidamente não tenho qualquer simpatia por Biden Stoltenberg Leyden ou Scholtz mas o mesmo já não digo de Macron e dos que se esforçam por travar a expansão da guerra

Entretanto tenho acompanhado a lenta evolução para a redução do papel do Império único ( à Roma) estadunidense e do dólar que se pode dizer ter surgido em força com o nascimento do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics que pretende a  multipolarização financeira global

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Solomon Asch | Wikipédia | Sobre o Viés de Conformidade Social

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Solomon Eliot Asch (Varsóvia14 de setembro de 1907 — Haverford, 20 de fevereiro de 1996) foi um psicólogo gestaltista polacoestadunidense e pioneiro em psicologia social.

Ele criou trabalhos seminais em formação de impressões, sugestões de prestígio, conformidade e muitos outros tópicos em psicologia social. Seu trabalho segue um tema comum da psicologia da Gestalt, segundo o qual o todo não é apenas maior que a soma de suas partes, mas a natureza do todo altera fundamentalmente as partes.

Asch afirmou: “A maioria dos atos sociais deve ser entendida em seu contexto e perder o significado se isolada. Nenhum erro em pensar sobre fatos sociais é mais sério do que a falha em ver seu lugar e função” (Asch, 1952, p. 61).[4]

 Ele é mais conhecido por seus experimentos de conformidade, nos quais demonstrou a influência da pressão do grupo nas opiniões. Uma pesquisa da Review of General Psychology, publicada em 2002, classificou Asch como o 41º psicólogo mais citado do século XX.[5]

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Solomon_Asch#:~:text=Solomon%20Eliot%20Asch%20%28Vars%C3%B3via%2C%2014%20de%20setembro%20de,conformidade%20e%20muitos%20outros%20t%C3%B3picos%20em%20psicologia%20social.

Um amanuense perigoso e irresponsável | por Carlos Matos Gomes

Os secretários gerais da NATO são amanuenses bem pagos, políticos em estado de pousio que fazem e dizem o que lhes mandam, como os amanuenses que liam as ordens de serviço nos antigos quartéis. Mas há limites para tudo.

Este amanuense norueguês devia saber o mínimo dos mínimos: uma guerra nuclear não se ganha (Einstein: Não sei como vai ser a III Guerra Mundial, mas a IV vai ser com paus e pedras)

Ora esta insana criatura diz (por conta de quem?) que a Rússia não ganhará uma guerra nuclear, isto quando a doutrina da Organização de que é o amanuense assenta no princípio da destruição mútua e assegurada! (o homem fez provas de admissão? Leu o livro de capas azúis que é distribuído aos funcionários da NATO?)

Acresce que a causus belli da invasão da Rússia é exatamente a de a Rússia, caso os Estados Unidos e o seu anexo NATO instalassem armas nucleares na Ucrânia, ter dificuldade em ripostar contra os EUA e aliados e assegurar a destruição do adversário!

Um tipo como este norueguês não serve nem para porteiro de um bar no Cais do Sodré! Mas garante-nos, perante o abanar de orelhas dos lideres europeus, que a Europa está unida à volta da NATO!

Deve ser por estes animais falarem que Marcelo Rebelo de Sousa vai a Fátima e até eu oiço o papa Francisco.

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Nikkei Asia webinar | The Ukraine war: the impact on Asia

Nikkei Asia | Mar. 24 2022 |

Russia’s February 24 invasion of Ukraine has sent shockwaves around the world – and some of the biggest are in Asia. The conflict and the western-led sanctions imposed in response have the potential to disrupt supply chains in sectors from food to semiconductors.

Asian governments and companies also face big decisions about whether to condemn President Vladimir Putin’s administration in Moscow – and whether to support economic countermeasures against it.

Please join an expert group of panelists for this Nikkei Asia webinar on how the region is dealing with the fallout from the war in Europe.

2017 | A History of Eastern Europe: Ukraine-Russia Crisis

Taught by Professor Vejas Gabriel Liulevicius, an award-winning professor at the University of Tennessee, Knoxville, these 24 insightful lectures offer a sweeping 1,000-year history of Eastern Europe with a particular focus on the region’s modern history. You’ll observe waves of migration and invasion, watch empires rise and fall, witness wars and their deadly consequences—and come away with a comprehensive knowledge of one of the world’s most fascinating places.

Un ancien Colonel des Services de Renseignements Suisses livre une analyse intéressante de la situation militaire en Ukraine | in ZE journal | Auteur : Pierre-Alain Depauw | Editeur : Walt | Jacques Baud

Auteur : Pierre-Alain Depauw | Editeur : Walt | Mardi, 22 Mars 2022

Jacques Baud est un analyste stratégique suisse, spécialiste du renseignement et du terrorisme.

Après avoir été Colonel d’état-major général danos l’armée suisse et officier des Services de Renseignements Suisses (SRS), il est devenu consultant auprès d’entreprises privées. Il vient de publier une analyse sur la situation militaire en Ukraine qui vaut le détour et dont nous vous proposons de larges extraits ci-dessous.

PREMIÈRE PARTIE : EN ROUTE VERS LA GUERRE

Pendant des années, du Mali à l’Afghanistan, j’ai travaillé pour la paix et ai risqué ma vie pour elle. Il ne s’agit donc pas de justifier la guerre, mais de comprendre ce qui nous y a conduit. Je constate que les « experts » qui se relaient sur les plateaux de télévision analysent la situation à partir d’informations douteuses, le plus souvent des hypothèses érigées en faits, et dès lors on ne parvient plus à comprendre ce qui se passe. C’est comme ça que l’on crée des paniques.

Le problème n’est pas tant de savoir qui a raison dans ce conflit, mais de s’interroger sur la manière dont nos dirigeants prennent leurs décisions.

Essayons d’examiner les racines du conflit. Cela commence par ceux qui durant les huit dernières années nous parlaient de « séparatistes » ou des « indépendantistes » du Donbass. C’est faux. Les référendums menés par les deux républiques auto-proclamées de Donetsk et de Lougansk en mai 2014, n’étaient pas des référendums d’« indépendance », comme l’ont affirmé certains journalistes peu scrupuleux, mais de référendums d’« auto-détermination » ou d’« autonomie ». Le qualificatif « pro-russes » suggère que la Russie était partie au conflit, ce qui n’était pas le cas, et le terme « russophones » aurait été plus honnête. D’ailleurs, ces référendums ont été conduits contre l’avis de Vladimir Poutine.

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As guerras | por António Pina

A URSS invadiu o Afeganistão, a Chechénia, a Geórgia. A URSS interveio em Angola, Congo, Etiópia, Somália e outros países africanos. OS EUA invadiram o Afeganistão., o Iraque, o Vietnam, o Cambodja, Laos, Granada, o Panamá. Intervieram na Guatemala, Salvador, Nicarágua e outros países da América Central e do Sul. Intervieram também na Somália e no Koweit. A China interveio na Coreia do Norte. A Argentina ocupou as Maldivas. A GB expulsou os argentinos. A Indonésia invadiu Timor. Os ingleses e franceses, invadiram o Egito. A Rússia interveio na Síria. Os Curdos são perseguidos pelos Turcos e Iranianos. Os Palestinos foram expulsos dos seus territórios. A Síria invadiu o Líbano. Israel invadiu o Líbano, ocupou o Sinai. A Arábia Saudita invadiu o Iémen. O Iraque invadiu o Irão. O Iraque ocupou o Koweit. A Sérvia interveio na Croácia e Bósnia.

Os genocídios que se verificaram no Ruanda, Burundi, Bósnia, Sudão são o prolongamento do que sucedeu na Europa de leste, por iniciativa de Hitler e Estaline.

Esta listagem é uma pequena síntese dos conflitos mais recentes. Houve muitos outros, nomeadamente inúmeros conflitos coloniais.

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Ucrânia: Zelensky pede “ajuda militar sem restrições” a países da NATO |  André Campos in Lusa

Bruxelas, 24 mar 2022 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje aos países membros da NATO para que prestem “assistência militar sem restrições” ao seu país, lamentando não ter recebido os meios que pediu, designadamente caças e tanques, para enfrentar o exército russo.

“Para salvar o povo e as nossas cidades, a Ucrânia necessita de assistência militar sem restrições. Tal como a Rússia utiliza, sem restrições, todo o seu arsenal contra nós”, disse Zelensky, numa mensagem vídeo publicada na sua conta na plataforma Telegram, dirigida aos chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica, hoje reunidos numa cimeira extraordinária em Bruxelas.

O Presidente ucraniano insistiu que “o exército ucraniano tem resistido durante um mês em condições desiguais” e lembra que “há um mês” que tem vindo a alertar para isso, sem efeitos práticos.

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Pepe Escobar explica a guerra total do Império contra a Rússia | Entrevista por Leonardo Attuch

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o analista geopolítico Pepe Escobar sobre a nova ordem internacional e os movimentos da Rússia na Ucrânia.

0:00 Boas vindas

1:30 Pepe fala sobre o fato de ter sido censurado pelo Twitter

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Maduro diz que a Venezuela venceu o bloqueio e merece o Prémio Nobel da Economia | in Lusa

O Presidente Nicolás Maduro voltou a insistir que a Venezuela venceu o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e que o seu Governo merece o Prémio Nobel da Economia pelo modo como enfrentou as sanções internacionais. “Face às sanções, o que fizemos foi erguer-nos, pôr os nossos cérebros de pé, procurar os melhores conselheiros do mundo em economia, em moeda, em finanças, em políticas fiscais e produtivas”, disse.

O Presidente da Venezuela falava à televisão estatal venezuelana, durante a Expo-feira Caprina e Ovina Miranda 2022, no leste de Caracas. “E hoje podemos dizer que merecemos o Prémio Nobel da Economia porque avançámos sozinhos, com a agenda Económica Bolivariana”, sublinhou o governante.

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Le Grand jeu : cette autre Ukraine qui se prépare en mer de Chine… | Observatus Geopoliticus | in YETIBLOG.ORG

Alors que les yeux de la planète sont fixés sur l’Ukraine, l’autre bout de l’échiquier eurasien réunit petit à petit tous les ingrédients d’un futur conflit jumeau. N’acceptant visiblement pas le reflux impérial, la thalassocratie américaine semble en effet décidée à allumer des feux sur tout le pourtour du continent-monde.

Bras de fer en extrême-Orient

Mais avant d’y venir, quelques rappels sont nécessaires. Nous avons expliqué à de multiples reprises que les tensions en Extrême-Orient, coréennes par exemple, n’étaient elles-mêmes qu’un épisode d’un bras de fer bien plus vaste :

C’est de haute géostratégie dont ils s’agit. Nous sommes évidemment en plein Grand jeu, qui voit la tentative de containment du Heartland eurasien par la puissance maritime américaine (…) La guerre froide entre les deux Corées ou entre Pékin et Taïwan sont du pain béni pour Washington, prétexte au maintien des bases américaines dans la région.

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“É preciso ensinar a compreensão humana” | Edgar Morin | in Revista Prosa Verso e Arte

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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Para quem acha que, por mau que seja, só há um culpado | Análise de Jaime Nogueira Pinto in (Observador)

Em 1815, no Congresso de Viena, os vencedores da guerra contra o Império napoleónico tiveram o cuidado de não humilhar a França, de fazer de conta que a Revolução e Napoleão eram os únicos culpados dos 25 anos de guerra na Europa, que esses anos de guerra e sofrimento não tinham nada a ver com o povo francês e que a restauração dos Bourbon curava as feridas passadas.

Cem anos depois, os vencedores da Grande Guerra fizeram do Tratado de Versalhes uma paz punitiva para a Alemanha e para o povo alemão, pondo a primeira pedra para o que seria a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler.

Em 1945, as políticas seguidas com a Alemanha e o Japão vencidos foram diferentes. A Alemanha ficou dividida, mas como a Guerra Fria começou logo a seguir, soviéticos e ocidentais, depois dos primeiros tempos de brutal ocupação, tiveram o cuidado de tratar bem os “seus” alemães.

A vitória do Ocidente na Guerra Fria resultou da aliança de uma tríade – Reagan, Thatcher, João Paulo II – que, alimentando a resistência polaca, rearmando militarmente e usando o bluff da SDI-Guerra das Estrelas, forçou Gorbachev a “reformar” o sistema, retirando-lhe aquilo que o sustentava – o medo.

Assim, as Repúblicas Soviéticas, usando as suas constituições “independentes”, abandonaram uma estrutura que era mantida pela hegemonia do Partido Comunista e pelo sistema securitário. Porém, uma das preocupações nas negociações finais entre americanos e soviéticos foi a salvaguarda de um certo espaço livre entre as fronteiras da NATO e da Rússia.

O Presidente George H. Bush e os seus colaboradores, especialmente o Conselheiro Nacional de Segurança, general Brent Scowcroft, homens de formação realista, avessos a paixões ideológicas e conhecedores da História e da mentalidade russas, prepararam com toda a cautela o soft landing da URSS, percebendo que um Estado com semelhante poder militar e nuclear tinha de ser respeitado e bem tratado para não dar origem a fenómenos de ressentimento nacional de tipo hitleriano.

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Ucrânia : a derrota da burocracia Euro-Estadunidense (1) | por Joffre António Justino

“A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.” Sun Tzu

0. Introdução em Ambiente de Vitória é Certa

Tenho à minha frente num cafe de um lisboeta centro comercial uma senhora certamente afim à minha idade cabelo cinzento branco mãos de trabalho saia bem comprida verde escura e por ela o quase certo marido, cigana!

Podiam ser afros, asiáticos, nos mais variados tons de pele e só lustram um velho império agora de braços caídos feito pequeno país europeu e tudo porque Portugal continua a carpir uma derrota militar a da guerra colonial o que o impede de ser feliz por ter “ dado novos mundos ao mundo”

Na verdade um velho coronel do exército português expulso antes do 25 de abril contava-me anos 90 que vindo pela primeira vez da Índia a Portugal miúdo ainda quando perguntou ao pai porque não via templos indus em Lisboa além de um estaladão levou a seguinte resposta : porque Lisboa é a capital do Império … talvez por tal estaladão convivi com este coronel já Grão Mestre do GOL até ele ter cedido aos mplistas do GOL que me levaram a afastar desta Grande Loja

De facto a capital do Império luso dos anos salazarentismo é uma capital submissa ao vaticanismo totalitário pelo que nada de exageros multiculturais nada de templos que não sejam vaticanistas e aliás por cá viam-se bem poucos dos das elites não pseudo arianas do Império. Portugal era um país de cara-pálidas na sua maioria pé descalço analfabeto triste cinzento e a sua elite vestia fato escuro camisa branca gravata escura como referiu Simone Beauvoir depois da sua primeira lusa estadia.

Nesse tempo o ditador Salazar que chamarei salazarento sonhava com uma redentora 3.a guerra mundial que derrotasse o comunismo e com tal derrota finalmente se reconhecesse direito à existência do Império português que curiosamente ele impedia de crescer e unificar com as suas políticas à Ato Colonial.

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GUERRA NA UCRÂNIA | A POSIÇÃO DA CHINA | Fonte – Global Times

“Após a videochamada entre os principais líderes chineses e norte-americanos, o lado norte-americano e a mídia ocidental estão tentando divulgar uma narrativa de que Washington está alertando Pequim que qualquer tentativa de “fornecer apoio militar” a Moscovo traria consequências.

No entanto, especialistas chineses disseram que uma abordagem tão ridícula é uma coerção arrogante e inútil que está fadada ao fracasso, e a China tem forte confiança em sua política externa na questão da Ucrânia e não será coagida por ninguém.

A posição da China sobre a questão da Ucrânia é objetiva e justa, e o tempo provará que está do lado certo da história, disse no sábado o conselheiro de Estado chinês e ministro das Relações Exteriores Wang Yi, informou a agência de notícias Xinhua no domingo.

Wang fez as declarações ao informar jornalistas sobre a troca de pontos de vista entre os chefes da China e dos EUA sobre a questão da Ucrânia durante uma videochamada que ocorreu na sexta-feira.

A China continuará a fazer seu julgamento de forma independente e objetiva e justa com base nos méritos do assunto, disse Wang, observando que a China nunca aceitará qualquer coerção e pressão externa, e a China se opõe a todas as acusações e suspeitas infundadas contra a China.

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O QUE SIGNIFICA DEFENDER A EUROPA? | por Slavoj Žižek | Opinião – DN

Após o ataque russo à Ucrânia, o governo esloveno imediatamente proclamou a sua prontidão para receber milhares de refugiados ucranianos. Como cidadão esloveno, senti-me não só orgulhoso como também envergonhado.

Afinal, quando o Afeganistão caiu para os talibãs há seis meses, esse mesmo governo recusou-se a aceitar refugiados afegãos, argumentando que eles deveriam ficar no seu país e lutar.

E há alguns meses, quando milhares de refugiados – principalmente curdos iraquianos – tentaram entrar na Polónia vindos da Bielorrússia, o governo esloveno, alegando que a Europa estava sob ataque, ofereceu ajuda militar para apoiar o vil esforço da Polónia para os manter afastados.

Em toda a região, surgiram duas espécies de refugiados. Um tweet do governo esloveno em 25 de fevereiro esclareceu a distinção: “Os refugiados da Ucrânia vêm de um ambiente que é no seu sentido cultural, religioso e histórico algo totalmente diferente do ambiente de onde os refugiados do Afeganistão estão a sair”. Após um clamor, o tweet foi rapidamente apagado, mas a verdade obscena foi divulgada: a Europa deve defender-se da não-Europa.

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DEMOCRATAS, MA NON TROPPO… | por Francisco Seixas da Costa

Ontem, o governo ucraniano decidiu proibir 11 (onze) partidos de esquerda da vida política no país.

Lembrei-me de republicar um texto que aqui coloquei há cerca de sete anos, em abril de 2015. O mundo, afinal, muda pouco:

“A decisão ontem anunciada pelas autoridades de Kiev de proibir os símbolos comunistas no país (presumo que com a exceção prática das províncias do Leste) é, com toda a certeza, o primeiro passo para a interdição do próprio Partido Comunista do país. Não me parece que isso seja um bom sinal para a Ucrânia.

Nada, aliás, que seja estranho na antiga União Soviética. Vai para mais de uma década, visitei um determinado país da Ásia Central, integrado numa delegação de cinco embaixadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), idos de Viena. Entre os diversos encontros que nos foram proporcionados na capital do país figurava uma mesa-redonda com representantes dos partidos políticos locais.

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Causas da Guerra (1) | por Carlos Matos Gomes

A convite de Mário Tomé, meu amigo de há longa data, fui convidado para fazer uma apresentação por Zoom sobre a situação internacional resultante da invasão a Ucrânia a uma audiência constituída por militantes do BE que apresentaram teses à IV Conferência Nacional do BE.

Declaração de interesses: não tenho e nunca tive qualquer ligação política ao BE, como de resto a nenhum partido político. Estou em desacordo com muitas das suas posições em termos nacionais e internacionais. Fui convidado a expressar as minhas ideias no dia 19 de Março de 2022, fi-lo com toda a liberdade e respondi o melhor que sabia às questões que me colocaram. Decidi publicar uma síntese do que ali disse e para facilitar a leitura dividi-a em dois textos, um sobre as causas da guerra e outro sobre as consequências.

CAUSAS DA GUERRA (I)

Falemos da realidade. A invasão russa não é mais brutal do que tantas outras, das de Napoleão às de Hitler, para citar duas mais próximas e conhecidas na Europa. Não existe nenhuma prova de expansionismo russo: a Ucrânia foi russa durante séculos e pertenceu à União Soviética. A Rússia enquanto entidade central desmantelou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e qualquer dirigente político, incluindo Putin, reconhece que o passado não volta e não é possível reconstruí-lo, nem ressuscitá-lo.

Quanto à questão militar, qualquer cadete de uma Academia Militar é capaz de elaborar um estudo de situação que conclua pela incapacidade da Rússia realizar uma invasão para ocupar o Ocidente: nunca o fez, não tem meios para o fazer (basta ver as dificuldades em invadir e ocupar a Ucrânia) e não tem qualquer interesse em fazê-lo, pois não necessita de matérias-primas, nem de território, dois elementos de que dispõe em abundância.

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Consequências da Guerra (2) | por Carlos Matos Gomes

Esta invasão e esta guerra destruíram o precário e periclitante equilíbrio de forças em que o mundo tinha vivido desde o fim da Guerra Fria e da implosão da URSS. Esta é a sua primeira consequência.

As discussões sobre uma (mais uma)”nova ordem mundial” destes últimos anos costumavam girar à volta de duas visões alternativas: Para uns deveria assentar num acordo entre as 3 principais potências (EUA, Rússia e China) capaz de impulsionar a cooperação multilateral. Para outros, aquela ordem deveria resultar do estabelecimento de esferas de influência que, uma vez respeitadas, constituiriam a forma mais segura e eficaz de estabelecer a paz no mundo, ou uma situação de conflito adormecido.

Esta invasão revelou a escolha das oligarquias das 3 superpotências e do anexo que é a União Europeia.

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Haver Paz, Parar a Guerra, Travar os Ódios! Ser Contra-Corrente | por Joffre António Justino

1. Há-de haver Paz

          ”Há convergência nas posições dos dois lados sobre questões importantes e críticas. Vemos, em particular, que eles quase concordam nos primeiros quatro pontos. Algumas questões precisam de ser decididas ao nível da liderança”, disse Çavusoglu, numa entrevista ao jornal turco Hurriyet, citada pela agência espanhola EFE.”

             “(Pandora Papers Reveal – Offshore Holdings of Ukrainian President Aljazeera his Inner Circle – procurem no Google)”

Temos entretanto  53% dos sondados, numa, mais uma, sondagem, agora sobre esta guerra, a apoiarem (conforme a sondagem)  “muito grande” a Nato a UE e o Governo 29% a apoiarem “muito” e temos 18% dos sondados a dizerem ou “não ou enfim vai-se ver”; quanto ao selfies e a Costa o empate nos 74/73 % mantém esta ideia de um país a dois, no Centro Direita/Centro Esquerda, numa herança bem salazarenta diga-se, do piscar popular de olho ao poderoso, para não se ter chatices!

A verdade é que há, como não se via desde o 25 de abril, uma política informativa de monocordismo aterrador, e é essa a razão pela qual e na linha que estou, da urgentemente necessária contracorrente,  manter sempre que puder a notícia de quem é o sr. Zelinsky – um oligarca corrupto só que ucraniano e não russo que manda ou mandava a sua fortuna para offshores conhecidos segundo os Pandora Papers.!

Enfim …

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MAJOR-GENERAL RAUL CUNHA: “QUEM BRINCOU À ROLETA RUSSA COM PUTIN É UM DOS GRANDES CULPADOS. É NÃO CONHECER O ANIMAL” | Entrevista de Ricardo Cabral Fernandes in Setenta e Quatro

Em entrevista ao Setenta e Quatro, o militar na reserva volta a defender as posições que têm levado os seus críticos a acusá-lo de ser propagandista e de fazer o jogo de Vladimir Putin. O major-general nega as acusações feitas, e explica as suas posições. 

ENTREVISTA | 17 MARÇO 2022

Sabendo que será alvo de bojardas pelo que defende, o major-general Raul Cunha não se remete ao silêncio perante as críticas públicas de que tem sido alvo. Sentado num sofá em sua casa, argumenta que o presidente ucraniano se devia render para evitar mais perdas de vidas, responsabiliza a NATO pela guerra na Ucrânia, rejeita que Vladimir Putin queira alargar um império russo e defende que a realidade não é a preto e branco.

“Esta malta gosta pouco de ouvir opiniões contrárias. Aqui é um bocado assim. O pensamento único está a imperar neste momento. É uma coisa assustadora. É preciso um gajo ter cuidado com o que diz”, diz o militar na reserva em entrevista ao Setenta e Quatro. Mas, na verdade, o major-general não pareceu ter esse cuidado: “Se ser putinista for gostar do homem, não sou. Se ser putinista é compreender a motivação dele, então sou”.

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O assunto é sério. Alguns argumentos são risíveis. Prontus! | por Carlos Matos Gomes

O assunto é sério. Alguns argumentos são risíveis. Prontus!

Como argumento final para explicar a opção militante por um dos contendores do conflito que tem a Ucrânia como palco tenho ouvido com estupefação a frase arrasadora: Há um invasor e um invadido, um agressor e um agredido. Prontus!

Lembrei-me de um exemplo dado por um analista da narrativa que chamava  a atenção para a necessidade (elementar) de contextualizar os acontecimentos e que se interrogava sobre o que compreenderíamos da sensatez e da inteligência de alguém que limitasse a descrição do futebol, um fenómeno social complexo, a um parágrafo: Vinte e dois indivíduos, divididos em dois grupos a pontapear e a cabecear uma bola para a meter numa caixa com um fundo de rede?

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Um texto otimista Russo perante o pessimismo na UE, sobre ela e a Rússia! | por Joffre Antonio Justino e M. K. Bhadrakumar (diplomata indiano)

Estas “guerras económico-financeiras” não serão nada fáceis de conduzir neste contexto de economia de mercado de lógica capitalista privatista mas desta feita o erro virou clamoroso!

Na realidade comecemos pela “visão do mercado” i.e. No caso marketing onde funcionam os textos como os que abaixo replico que se censurados no “lado de cá” alimentam os consumidores do “lado de lá” e vice versa sendo verdade que onde há ouro e diamantes não é o “lado de cá” mas sim o “lado de la” e desaparecida a economia-dólar renasce a economia-ouro onde a Federação Russa tira larga vantagem ( e claro a RPChina) por muitos Amsterdam’s existam no “lado de cá”.

Como não o esqueçamos neste tempo de IA e NT ainda existe a variável energia onde o “lado de lá” bate aos pontos as de natureza escuras economias do “lado de cá” mas deixemos de lado esta realidade por ora mas sendo certo que esta crise transportará para Sul o poder havido até hoje no Norte pois o Sol está mesmo a Sul !

Isto quer dizer somente que vale esperar uma larga injeção de ouro e diamantes no mercado dos “dois lados” por parte da Rússia que reduzirá enormemente o papel do mercado-dólar e o impato das estupidas sanções que na verdade esquecem que a Rússia ( e a RPChina) não são nem Cuba nem a Venezuela e o otimismo esfuziante pro guerra do “lado de cá” chega a ser ridiculo!

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Enquanto se espera pelo fim da guerra e por um acordo de paz! | por António Pinho Vargas

Enquanto se espera pelo fim da guerra e por um acordo de paz! Ao lado de uma condenação firme da invasão da Ucrânia e de uma recusa dos argumentos “sim, mas…” que tentam devolver uma responsabilidade parcial da invasão à Nato e aos EUA – na verdade têm alguma responsabilidade no incêndiar, para simplificar, mas isso, se permite elucidar um contexto ou enquadrar uma história, não pode servir para justificar – António Barreto escreve sobre os “excessos”. Transcrevo esse importante parágrafo:

“Como não podia deixar de ser, em tempos de crise como esta, não faltam os excessos. Do lado ocidental da Europa e do Atlântico, também já começaram a ouvir-se vozes detestáveis e a ver gestos insuportáveis. Proibir Dostoiévsky, Tólstoi, Pushkin, Gogol e Turguêneiev é absolutamente estúpido. Censurar Tchaikovski, Shostakovitch e Prokofiev é ignorante. Proibir as agências de informação e os canais de televisão russos, mesmo os que dependem do Governo (todos…), é evidentemente inadmissível. Sanear diretores de orquestra, cantores, instrumentistas, solistas e coristas [talvez queira dizer coralistas] russos é abdicar dos nossos valores e colocar o ocidente no mesmo plano que o Governo russo. Proibir os russos de passear só por serem russos é tão reaccionário e tão antidemocrático quanto fazem os russos dentro do seu país e se preparam para fazer na Ucrânia.” O que diz está correto, a meu ver.

Mas considerar tudo isto “excessos“ talvez seja insuficiente. Quando afirma, e bem, que proibir, censurar e sanear é “abdicar dos nossos valores e colocar o ocidente no mesmo plano que o Governo russo” uma tal evidência obriga-nos a ir mais longe. O facto de todas estas práticas resultarem de ações de decisores culturais e universidades, revela que “os nossos valores” proclamados não estão tão profundamente inseridos, arreigados, interiorizados, nas sociedades ocidentais como seria suposto. É um sinal preocupante do falhanço desses valores justamente onde eles deviam existir com maior firmeza e convicção.

Retirado do facebook | Mural de António Pinho Vargas

A GUERRA DAS PAIXÕES | por Viriato Soromenho Marques | Opinião / DN

Há muitos anos, numa biblioteca da Berlim ainda dividida, perdi a pouca inocência que ainda me restava acerca da eventual superior capacidade que os intelectuais teriam – em comparação com a maioria esmagadora das pessoas que não são pagas para pensar criticamente – de, perante uma situação extrema, manter a capacidade de análise para a qual foram educados e treinados.

Consultando revistas filosóficas, alemãs e francesas, publicadas na I Guerra Mundial, surpreendi algumas antigas e futuras vedetas filosóficas, das duas margens do Reno, a juntarem as suas penas agressivas ao esforço bélico dos seus exércitos, chegando mesmo a dar crédito à propaganda mais descarada que, como estamos outra vez a recordar com a guerra na Ucrânia, consegue ser uma arma de destruição maciça, nesse campo de batalha onde se ganha e perde a adesão dos espíritos.

A invasão russa da Ucrânia provocou uma tempestade emocional nalguns dos nossos comentadores da imprensa e do audiovisual, que está a atingir os limites da decência.

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Os militares e a análise da guerra no espaço público | Carlos de Matos Gomes

Esta guerra na Ucrânia é como todas a outras. É um facto político recorrente. Pode ser analisado recorrendo a métodos racionais ou emocionais. Para os militares esta guerra é analisada recorrendo à racionalidade. Qual é o objetivo da guerra: «Destruir o inimigo ou retirar-lhe a vontade de combater» (Clausewitz — A Guerra). Quando uma parte destrói o inimigo a guerra termina com uma rendição; quando uma parte entende que é mais ruinoso jogar no tudo ou nada, que perdeu o ânimo para combater a guerra termina por negociação. 

Os militares reconhecem a ineficácia de insultar os contendores, exceto para os implicados no fragor do combate e da batalha, como escape das ansiedades. Os militares também sabem que a análise de uma guerra não depende da bondade e ou maldade dos propósitos dos contendores, mas do seu potencial, o que inclui equipamento, treino, comando e combatividade. Os militares sabem que o resultado das guerras entre Atenas e Esparta, das invasões romanas, napoleónicas e nazis, a batalha de Trafalgar, ou de Lepanto, a ocupação das Américas e de África não foi determinado pela moral, nem pelos princípios da guerra justa, já de si um conceito bastante difuso, que hoje surge associado a um outro que é o do Direito Internacional, aplicado segundo as conveniências e os preconceitos, de forma amoral, porque hipócrita. 

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UCRÂNIA – UMA GUERRA PREVENTIVA | por GENERAL PEZARAT CORREIA

À luz da polemologia, a teoria dos conflitos, a intervenção militar da Rússia na Ucrânia configura, sem dúvida, uma guerra de agressão preventiva e, como tal, ilegítima. É um “privilégio” que está reservado ao forte contra o fraco, em particular às grandes potências que, por via do injusto e antidemocrático poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, disfrutam de um estatuto de impunidade. Não se deve confundir com a guerra preemptiva, ou por antecipação. Como muito bem diz Joseph S. Nye Jr, «Existe uma diferença entre as guerras por antecipação e as guerras preventivas. Um ataque por antecipação ocorre quando a guerra está iminente. Uma guerra preventiva ocorre quando os políticos acreditam meramente que é melhor a guerra agora do que mais tarde.» (Compreender os conflitos internacionais – uma introdução à teoria e à história, Gradiva, Lisboa, 2002, p. 188). A guerra preventiva é, conforme a doutrina emanada pela ONU, uma agressão, ao contrário da guerra preemptiva considerada de legítima defesa. «O direito internacional sempre proibiu sem ambiguidade os ataques preventivos. A justificação atual dos ataques e das guerras preventivas conduzidas em nome da segurança sabota os fundamentos da soberania e torna as fronteiras nacionais cada vez mais obsoletas.» (Michael Hardt et Antonio Negri, ‘Multitude – guerre et démocratie à l’âge de l’empire’, La Découverte, Paris, 2004, p. 37)

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Resta como maior desgraça a realidade dos milhões de refugiados e dos mortos, ucranianos e russos. Até ver não há outros. | por António Pinho Vargas

Zelenskii percebeu muito bem que no ocidente se comunica no Facebook, no YouTube e se governa por tweets desde Trump.

Tudo no modo de expressão ou na estética do video-clip. 
Frases curtas, fáceis de reproduzir e memorizar. Palavras de ordem como soundbytes.

No cenário real da terrivel guerra na Ucrânia, a “estética” que adoptou permite que venha à memória todo o cinema-catástrofe de Hollywood.

Diz-se que há uma enorme quantidade de pessoas na Ucrânia a trabalhar na produção de videos e na sua disseminação nas redes.

Comparada com esta sofisticação, a comunicação de Putin ou Xi Jinping parece pré-moderna. Putin usa parcialmente idênticos quase-tweets, alguns slogans tão fáceis de enunciar como fáceis de desprezar nos media ocidentais. No entanto a encenação kitsch das cenas do Kremlin foi patente. A grande distância entre o czar e os seus súbditos parece inspirada mais pela mesa de jantar do palácio de Citizen Kane de Orson Welles do que por Ivan, o terrível de Eisenstein.

Do lado americano – o vulto escondido por trás do arbusto, como disse o outro – há igualmente uma redução do discurso político aos tweets.

A frase “we’ll defend every inch of our alliance” dita por Biden, repetida por Kamala Harris, por Blinken e pelo secretário geral da NATO inúmeras vezes tornou-se insuportável pela sua rígida fixidez e pela articulação mal disfarçada entre todos. 

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Rússia expõe exigências. Erdogan disponível para mediar conversa entre Putin e Zelensky

No telefonema, Vladimir Putin expôs as suas exigências pera retirar as tropas russas da Ucrânia. As imposições enquadram-se em duas categorias.

BBC ouviu Ibrahim Kalin, principal conselheiro e porta-voz do presidente Erdogan. Segundo o assessor, as primeiras quatros exigências não são demasiado difíceis de satisfazer para a Ucrânia. A principal é que a Ucrânia deve ser neutra e não aderir à NATO, algo que o presidente Zelensky já admitiu.

Kiev terá também de passar por um processo de desarmamento para garantir que não será uma ameaça a Moscovo e a língua russa beneficiará de proteção na Ucrânia, tudo isto enquadrado por aquilo que Putin classifica como a desnazificação.

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GUERRA NA UCRÂNIA | É POSSÍVEL UM ACORDO? EM QUE BASES? | in Washington Post

Com as tropas russas atoladas na luta contra a desafiadora, mas derrotada Ucrânia, tanto Moscou quanto Kiev dizem que a perspectiva de um acordo negociado está crescendo. No entanto, com o Kremlin buscando o fim da Ucrânia como uma nação soberana, e a Ucrânia ainda reivindicando terras perdidas para forças pró-Rússia quase uma década atrás, pode realmente haver um meio-termo?

A resposta curta é: é possível.

Abundam as suspeitas sobre as intenções do presidente russo, Vladimir Putin, com temores consideráveis ​​de que uma abertura diplomática russa seja um ardil para ganhar tempo para reunir reforços para um ataque de segunda fase. Putin certamente não está falando como um homem de paz. Esta semana, ele chamou os russos que se opuseram à invasão de “traidores” e “escória”, enquanto procurava retratar a guerra como nada menos que uma luta pela sobrevivência da Rússia.

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Torquemadas do pensamento | José Goulão, 15.Mar.22

«A confraria transeuropeia de polícias de opinião deu finalmente corpo à assustadora profecia de George Orwell e criou o Ministério da Verdade». A violenta barragem há várias semanas em curso subiu exponencialmente de tom. Tom que, além de Orwell, evoca os tempos da Inquisição: qualquer heresia (ou qualquer recusa em condenar a heresia) conduzirá à fogueira. O que está em causa diz respeito a cada um de nós, e exige uma lúcida, determinada e combativa acção de resistência.

Passam por estes dias 19 anos sobre a segunda invasão do Iraque pelos Estados Unidos e outras potências da NATO, mantendo-se ainda a ocupação militar estrangeira do país. Uma guerra limpa, admirável sobretudo quando é apreciada de uma varanda de hotel de Bagdade, lançada por gente com plena sanidade mental, sustentada por razões de uma verdade inquestionável, sem crianças mortas, sem civis bombardeados, sem destruição da maior parte das infraestruturas do país, sem tortura nem chacinas, sem roubos de recursos naturais, sem jornalistas bombardeados de helicópteros como se fossem alvos de um jogo de computador, com espectaculares, cirúrgicos e inofensivos fogos-de-artifício lançados por máquinas de autêntica ficção científica. Um deleite para orgulhosos chefes políticos, inebriados jornalistas esgotando os arsenais de adjectivos e embasbacados telespectadores agarrados aos ecrãs, sorvendo a mais recente superprodução de Hollywood. Solidários com as vítimas? Uns esparsos milhares.

Que diferença dos tempos de hoje!

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Daniel Vaz de Carvalho / A mitificação e a mistificação do capitalismo

“A luta para que o céu se tornasse mensurável foi ganha através da dúvida.   Mas a luta da dona de casa pelo leite é todos os dias perdida pela credulidade”
Bertholt Brecht, Galileu Galilei

“Quando os pobres sabem que é preciso trabalhar ou morrer de fome, trabalham.   Se os jovens sabem que não terão socorro na velhice, eles economizam”
William Nassau, economista e político inglês, 1790-1864.

1 – “Os anos de ouro” 

A mitificação do capitalismo começa por uma visão idílica, mitificada, dos “anos de ouro do capitalismo” apregoando o seu “extraordinário sucesso” e a estagnação e fracasso do socialismo. Por um lado, fecham os olhos às devastações e todas as espécies de horrores cometidos pelo imperialismo, pelo neocolonialismo e pelas ditaduras, para impor o capitalismo.

Por outro, a realidade socialista é totalmente deturpada, num acervo de mentiras e omissões. Apenas como exemplo, entre 1950 e 1972 a produção industrial dos países socialistas cresceu 8,4 vezes a dos países capitalistas desenvolvidos, 3,1. Em 1940 era na URSS 5,8 vezes a de 1928. [1]

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GUERRA FRIA | COMO COMEÇOU, COMO TERMINARÁ (Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 16/03/2022)

“Trinta anos após o fim da Guerra Fria, estamos enfrentando um esforço determinado para redefinir a ordem multilateral.

É um ato de desafio. É um manifesto revisionismo, o manifesto para rever a ordem mundial”

Josep Borell, Alto Representante da UE

“Nós não aceitamos ser dominados pela NATO”

S. Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia

1 – Os contextos

Com o fim da URSS, os EUA declararam-se vencedores da Guerra Fria. Detêm mais de 750 bases militares em 80 países diferentes, o dólar reserva monetária global. Desde então acharam poder definir as regras de governo de todos os países e sancioná-los, agredi-los ou mesmo invadi-los se as violassem. Criaram-se assim duas suposições que se mostraram fatalmente erradas: que o monopólio dos EUA sobre o uso da força duraria para sempre e que os EUA poderiam continuar a impor uma ordem mundial “baseada em regras”, as suas.

Estas ilusões terminaram com a intervenção da Rússia na Síria. Os EUA enfrentam uma nova era em que não podem mais mudar os regimes pela força das armas ou sanções, depois dos danos causados pelos conflitos EUA/NATO no Afeganistão, Iraque, Síria, Iémen, Líbia, Jugoslávia, etc, ou as sanções a Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, Rússia, China, etc.

O estatuto a que os EUA se promoveram não comporta nem admite potências como a Rússia e a China. O ressurgimento da Rússia não estava nos planos imperialistas. A Rússia foi buscar ao seu passado soviético na cultura, ciência, avanços militares, a força para se libertar do estatuto de colónia que lhe queriam impor e ser desmembrada.

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Consequências económicas das sanções (algumas) | Jorge Figueiredo in resistir.info

Leiam e assustem-se !!! (vcs)

Porque isto é claramente um momento de transição.   Ninguém é capaz de dizer o que tudo isto realmente significa para uma outra geração.   Por outro lado, como antropólogo, não posso ajudar mas vejo este confuso jogo de símbolos como importante em si e por si mesmo, capaz mesmo de desempenhar um papel crucial na manutenção das formas de poder que afirma representar. Em parte, estes sistemas funcionam porque ninguém sabe como eles realmente funcionam.

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Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003 | por Carlos Esperança

Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003

Na tarde de hoje, há 19 anos, na base das Lajes, teve lugar a cimeira da guerra onde, em macabra encenação, foi anunciada a invasão do Iraque.

George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar foram recebidos pelo mordomo luso, que fora a Londres ver as provas das armas químicas de Saddam Hussein, mentira que serviu de pretexto à agressão. Os sinistros cruzados já antes tinham decidido a invasão que ali fingiram acordar. Isso mesmo veio a ser confirmado num relatório parlamentar britânico.

Na Assembleia da República, em Portugal, o PSD e o CDS, então maioritários, votaram a participação no crime. Só não seguiu uma força militar, com desgosto de Paulo Portas, então ministro da Defesa, por oposição do honrado PR, Jorge Sampaio, invocando a sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas. A direita parlamentar e o seu governo avançaram então com um contingente da GNR.

Barroso, esse gigante da ética, videirinho e vil, havia de dizer, muito depois, que teve o apoio do PR, reincidindo em mais uma mentira que apenas reforçou a pusilanimidade do cúmplice.

Hoje, volvidos 19 anos, centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados são as vítimas doe crime cujos autores ficarão impunes.

Então, a Europa herdeira do Iluminismo, a Europa da cultura e das democracias em que me revejo, renunciou ao ideal de paz para ser satélite de interesses alheios e cúmplice de uma invasão idêntica à que ora sofre, por três líderes que a desonraram.

É por isso que a luta contra o esquecimento exige que se recordem os autores amorais da invasão que destruiu um país, destabilizou o Médio Oriente e perturba o Mundo.

Não podemos esquecer.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

“O Ocidente não conseguirá dominar o mundo”, diz Putin | in msn.com

No seu mais recente discurso, o líder russo disse que o Ocidente tem “objetivos geopolíticos que não incluem uma Rússia forte e independente”.

Depois de Zelensky se ter dirigido ao Congresso dos EUA, esta quarta-feira, foi a vez de Vladimir Putin fazer uma intervenção pública.

Numa curta exposição, o presidente russo não mencionou o discurso do presidente Zelensky, onde este repetiu os seus apelos para que os EUA imponham uma zona de exclusão aérea, mas criticou o Ocidente por ter “objetivos geopolíticos que não incluem uma Rússia forte e independente”.

Acrescentou que “o ocidente não conseguirá dominar o mundo” nem realizar a tentativa de “cancelar” a Rússia.

Referiu ainda que “se o Ocidente pensa que a Rússia vai recuar, não entende a Rússia” e disse que não tinha “outra opção para a segurança da Rússia” a não ser realizar o que chamou de “operação militar especial” na Ucrânia. Culpou também o fornecimento de armas dos aliados da NATO de “continuar o derramamento de sangue”.

Por fim, afirmou ainda que as potências ocidentais querem criar uma sociedade  “anti-Rússia” e não se importam com o povo ucraniano, sendo que, para o governante, o principal objetivo das potências “é prejudicar toda a economia russa, cada russo”. 

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/o-ocidente-n%C3%A3o-conseguir%C3%A1-dominar-o-mundo-diz-putin/ar-AAV8QQW?ocid=msedgntp

Noan Chomsky, les médias et les illusions nécessaires | Long métrage, documentaire

Avram Noam Chomsky dezembro de 1928) é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, ensaísta histórico,crítico social e ativista político. Às vezes chamado de “o pai da linguística moderna”, Chomsky também é uma figura importante na filosofia analítica e um dos fundadores do campo da ciência cognitiva. É professor laureado de linguística na Universidade do Arizona e professor emérito do Institutode Tecnologia de Massachusetts (MIT), e é autor de mais de 150 livros sobre temas como linguística, guerra, política e mídia de massa. Ideologicamente, alinha-se ao anarco-sindicalismo e ao socialismo libertário.

Guerra não evitada, escalada evitável | Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA . 11 Março 2022 

Tudo o que está agora a acontecer lembra as recentes palavras de John Matlock, o último embaixador dos EUA na URSS: estas lideranças parecem não estar à altura daquelas que resolveram a Crise dos Mísseis de Cuba.

A dimensão bélica do conflito russo-ucraniano persiste e a possibilidade de vir a extravasar o quadro regional aumenta cada dia que passa. Nesta marcha para o abismo, dir-se-ia que as lideranças políticas europeias parecem não estar a   perceber o que está realmente em causa. Em vez de lançarem água para o incêndio e de investirem no estabelecimento de pontes de diálogo parecem incrementar a confrontação como se fossem atores imunes às consequências daquela guerra (veja-se a iniciativa de enviar MIG-29 para o teatro de operações ucraniano).

A análise tornou-se a segunda vítima da guerra

É necessário analisar os acontecimentos de um modo objetivo. Como ensina a Teoria dos Jogos, e toda a doutrina disponível, existe uma responsabilidade partilhada e uma interdependência estratégica entre os atores envolvidos numa contenda de interesses. A linguagem engajada e desproporcionada que tem prevalecido na comunicação social a nível internacional não ajuda a compreender o que está em causa nem o desenrolar dos acontecimentos.

Nessa deriva, aliás, ela própria torna-se um obstáculo: induz uma atmosfera pública intolerante, cria visão de túnel, inibe o debate genuíno, e incita a um massivo efeito de rebanho que, por sua vez, exerce tóxicas pressões na decisão política. Sabemos onde isso levou da última vez que houve um sobressalto securitário nos países ocidentais após o 11 de Setembro.

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Urge incentivar as negociações de Paz Rússia/Ucrania/Nato/ Biden/ Putin/ Leyden | Joffre António Justino

“Quando a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia estava à espera que o choque militar levasse à queda do governo ucraniano” ( José Pedro Teixeira Fernandes)

É bom ver alguém a pôr na mesa do debate de ideias também a questão da urgência das negociações mesmo que com uma atitude de apoio aos pontos de vista da Ucrânia como faz Joao Pedro Teixeira Fernandes

Na verdade o problema ucraniano não é nunca foi solucionável via a guerra e se ela acontecesse o óbvio era que quem iria sofrer brutalmente seria como está a ser o povo ucraniano pelo que queiram ou não todos os que se calaram perante o vivido de 2014 até hoje em Donetz e Lubansk são tão responsáveis pela guerra vivida quanto o regime de Putin e o regime de Zelensky.

Aliás o Apelo à Guerra veio de todos os lados de Biden de Stoltenberg de Leyden de Zelinsky de Putin e ululando todos em favor da guerra nem se ouviam e o resultado está à vista os mortos os feridos a destruição de uma Ucrânia cuja população parte dela de certeza nunca quis a guerra e agora atura-a sofre com ela perde o que era seu por causa dela !

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Les causes profondes de la guerre en Ukraine | Par Guy Mettan | Arrêt sur info | 13 mars 2022

Guy Mettan – 13 mars 2022 – Journaliste et écrivain suisse

Dans les temps troublés, quand plus personne ne sait ce qui se passe et que les meutes d’indignés et de pseudo-experts submergent l’espace public de pathos et de théories oiseuses, il convient de revenir aux fondamentaux. En l’occurrence, à Montesquieu. Qui a dit deux choses importantes. La première est qu’en matière de guerre il ne faut pas confondre les causes apparentes avec les causes profondes, et la seconde qu’il ne faut pas confondre ceux qui l’ont déclenchée avec ceux qui l’ont rendue inévitable.

Pour la grande majorité du public et des médias intoxiqués par des décennies de propagande antirusse et pour les experts de plateau qui ont oublié toute culture stratégique, la cause de cette guerre est entendue : Poutine est fou. C’est un grand malade, un paranoïaque isolé dans son Kremlin, un criminel de guerre, un satrape vendu aux oligarques, un mégalomane cynique qui rêve de rétablir l’empire des tsars, une réincarnation d’Ivan le Terrible, un dictateur déséquilibré et capricieux qui a attaqué sans raison une nation innocente dirigée par un président démocrate et courageux soutenu par de vertueux Européens. Le cadre ainsi posé – les Grands Méchants d’un côté, les Gentils de l’autre – le narratif de la guerre peut se déployer : les Russes ont bombardé Babi Yar et une centrale nucléaire, ils massacrent les civils, un génocide est en cours tandis que les Ukrainiens résistent héroïquement.

Voilà ce qu’on resasse dans les médias depuis quinze jours. Il est en effet possible que Poutine soit fou et que le poutinisme soit la cause de la guerre. Mais ce n’est pas sûr. Il se pourrait que, au contraire, Poutine soit très rationnel, ou en tout cas aussi rationnel que ceux qui ont attaqué, affamé et dévasté le Vietnam, Grenade, Panama, l’Irak (deux fois), la Serbie (deux fois), la Syrie, l’Afghanistan, le Soudan, la Libye, le Yémen (entre autres) ces dernières décennies au prix de centaines de milliers de morts. Il se pourrait par exemple que Poutine soit intervenu en Ukraine parce que, constatant que l’Occident avait refermé toutes les options diplomatiques (mise en œuvre des accords de Minsk, non-adhésion de l’Ukraine à l’OTAN), il n’avait pas d’autre choix s’il voulait éviter que la Russie soit démembrée et transformée en colonie américaine.

Sans remonter à l’Ukraine « berceau historique et religieux » de la Russie, on peut faire dater la cause profonde de cette guerre à 1997 quand Zbigniew Brezinski, le plus influent conseiller des présidents américains pendant trente ans, a publié son livre Le Grand Echiquier, dans lequel il expliquait que le but stratégique des Etats-Unis consistait à s’emparer de l’Ukraine et démembrer la Russie pour briser sa puissance en Europe et l’empêcher de se joindre à l’Allemagne. 1997 étant par ailleurs l’année où la première phase de ce programme s’est mise en place avec l’entrée dans l’OTAN de la Pologne, de la Tchéquie et de la Hongrie…

Depuis lors, les événements se sont enchaînés. En 1999, la Serbie est bombardée par l’Otan en violant le droit international. En 2004 a lieu la deuxième vague d’extension de l’OTAN à l’Est, qui coïncide avec les révolutions de couleur destinées à isoler la Russie de ses proches voisins (Géorgie 2003, Ukraine 2004, Kirghizstan 2005). En 2008 à Bucarest, l’OTAN invite l’Ukraine et la Géorgie à la rejoindre avant de donner son feu vert à Saakachvili pour attaquer l’Ossétie du Sud dans la nuit du 8 août. En 2014, la révolte de Maidan est transformée en putsch avec l’aide de milices néonazies qui tirent sur des policiers et font accuser le gouvernement légitime avant de le renverser avec le soutien de la Secrétaire d’Etat américaine adjointe Victoria « Fuck the EU » Nuland, qui installe un nouveau régime à la solde des Etats-Unis avec Arseni Iatseniouk puis Petro Poroshenko. On trouvera les détails de la stratégie de l’OTAN et les preuves du coup d’Etat de février 2014 sur la vidéo « Watch : Mearsheimer and McGovern on Ukraine », Consortium News, March 6, 2002.

Le lendemain du coup d’Etat, la langue russe est interdite et l’ukrainien devient langue obligatoire dans les administrations, les magasins, etc. Ce qui provoque l’annexion de la Crimée et le soulèvement du Donbass. Depuis lors, l’armée https://thegrayzone.com/2022/03/04/nazis-ukrainian-war-russia/ukrainienne et les bataillons d’extrême droite qui ont gangrené l’administration ukrainienne à tous les niveaux (voir à ce sujet l’excellente synthèse d’Alexander Rubinstein et Max Blumenthal, How Zelensky made Peace With Neo-Nazis, Consortium News, March 4, 2022) assiègent le Donbass au prix de milliers de morts essentiellement russophones (14 000 morts au total).

Depuis 2015, l’essentiel de l’armée ukrainienne et des bataillons néonazis Azov, Aidar et Pravy Sektor sont massés dans le Donbass, faisant craindre un assaut en règle à tout moment, ainsi que dans les villes stratégiques d’Odessa, Marioupol et Kharkiv (d’où la résistance de ces villes face à l’armée russe, les bataillons néonazis refusant de relâcher les civils et s’en servant comme boucliers humains). Cette stratégie du cheval de Troie ukrainien a été officiellement confirmée en 2019 avec le rapport de la Rand Corporation (une émanation du Pentagone) qui a, trente ans après la fin de la guerre froide, à nouveau désigné la Russie comme l’ennemi stratégique principal des Etats-Unis et évalué le coût/bénéfice des différentes options américaines à ce sujet (Overstanding and Unbalancing Russia. Assessing the Impact of Cost-Imposing Options).

En 2020, l’escalade des tensions est freinée par le Covid et la campagne électorale américaine. Puis les événements s’emballent en 2021 avec l’entrée en fonction de Joe Biden, qui a joué un rôle essentiel avec John McCain dans le putsch de Maidan, et dont le fils Hunter a faite de juteuses affaires à Kiev pendant l’ère Poroshenko. Une spirale infernale s’amorce :

17 mars 2021 : Biden traite le président Poutine de tueur

18/19 mars 2021 : Blinken et Sullivan essaient de dissuader les Chinois de s’allier avec la Russie

24 mars 2021 : Zelensky affirme qu’il va reprendre la Crimée et le Donbass

25 mars : la Russie commence à rassembler des troupes près de la frontière ukrainienne

13 avril : Biden rappelle ses navires de guerre en mer Noire et appelle Poutine pour proposer un sommet à Genève

16 juin : sommet Biden-Poutine à Genève, sans résultat

15 décembre : Poutine et Xi Jinping affirment que leur alliance va au-delà d’une alliance. Le même jour, la Russie propose deux traités de paix aux Etats-Unis et exige une réponse écrite (pour éviter de tomber dans le piège des engagements oraux donnés à Gorbatchev en 1991). Des drones ukrainiens sont tirés sur les populations civiles du Donbass et près de la Crimée. Les Russes massent leurs troupes.

4 février : Poutine et Xi Jinping affirment que leur amitié n’a pas de limites et qu’il n’y a aucune zone de coopération interdite entre la Chine et la Russie.

7-12 février : les médiations française et allemande échouent car ni Macron ni Scholz ne veulent/ne peuvent convaincre Zelenski d’appliquer les accords de Minsk, dernière chance pour la paix.

24 février : les Russes lancent leurs opérations militaires en Ukraine pour « dénazifier, démilitariser et neutraliser » le pays.

Mais la protection du Donbass et la neutralisation de l’Ukraine ne sont que les plus visibles des causes du conflit. La seconde série de causes, et qui est de loin la plus importante, tient à l’équilibre des forces stratégiques et à la doctrine de la destruction mutuelle assurée en cas d’attaque nucléaire. Cet équilibre de la terreur se serait trouvé de facto biaisé en faveur de l’Occident en cas de militarisation ou d’adhésion de l’Ukraine à l’OTAN. En effet, une fois l’Ukraine tombée dans l’orbite militaire occidentale, l’OTAN y aurait installé ses armes nucléaires comme en Pologne et en Roumanie, plaçant Moscou à cinq minutes de la destruction totale et en l’empêchant du même coup de riposter par un feu nucléaire équivalent et susceptible d’anéantir en retour l’Europe et les Etats-Unis.

Ce scénario aurait ruiné l’indépendance et la souveraineté de la Russie. Tout comme l’installation de fusées nucléaires russes à Cuba ou au Mexique réduirait à néant la capacité des Etats-Unis à se défendre et les obligerait à se soumettre à la volonté de Moscou. La Russie ne bénéficiant pas d’un système d’alerte avancé comme les Etats-Unis, elle est en effet particulièrement exposée. Et elle se sent d’autant plus menacée que les Etats-Unis ont unilatéralement dénoncé des traités nucléaires INF (2019) et Open Sky (2020) qui garantissaient une certaine sécurité et maintenaient un dialogue stratégique. Dans ces conditions, l’établissement d’une zone tampon entre la Russie et les missiles nucléaires américains en Europe – soit l’Ukraine et la Géorgie en l’occurrence – devenait une question existentielle pour les Russes.

Cette cause, qui n’est jamais expliquée dans les médias et par les politiques occidentaux parce qu’elle mettrait en lumière leur agressivité et leur volonté d’hégémonie, a été le facteur déclenchant de la guerre. Elle explique aussi pourquoi des puissances telles que la Chine, l’Inde et même le Pakistan restent neutres, voire favorables à Moscou. Pour la Chine, l’enjeu est très clair. Si l’Ukraine tombe en mains occidentales et que la Russie est affaiblie, voire perd cette guerre, la Chine sait qu’elle n’a aucune illusion à se faire : elle sera la prochaine sur la liste. Et sans allié russe, Pékin serait en très mauvaise posture car il se trouverait encerclé de tous côtés. On comprend aussi mieux pourquoi Taiwan est d’une importance si vitale pour la Chine…

Quant à l’Inde, avec son milliard et demi d’habitants et qui ne dispose même pas d’un siège permanent au Conseil de sécurité alors que la France et la Grande-Bretagne en ont deux avec dix fois moins de citoyens, elle ne peut se résoudre à se laisser marginaliser par une victoire totale de l’Occident. Le non-alignement est une affaire d’honneur et de survie géopolitique pour elle.

Vue sous cet angle, la bataille pour l’Ukraine prend une autre dimension. Il ne s’agit rien moins que d’une guerre pour la suprématie mondiale, les uns cherchant à restaurer leur hégémonie complète tout en vassalisant l’Europe, tandis que les autres luttent pour un monde multipolaire. Une nouvelle version de la lutte pluriséculaire du monde des Blancs contre la coalition des Noirs, des Colorés et des Jaunes. Voilà qui expliquerait pourquoi les 40 pays asiatiques, africains et latino-américains qui ont soutenu ou se sont abstenus de sanctionner la Russie lors du vote des Nations Unies, et qui représentent 4,5 milliards d’êtres humains, regardent le spectacle de loin et avec le secret espoir que la Russie gagne son bras de fer. Ils connaissent le goût des bombes, des assassinats et des dictatures imposés de l’extérieur. Ils ont appris à connaitre la rapacité, la cupidité et le cynisme d’un Occident qui les opprime depuis des siècles au nom de la civilisation, de la démocratie et des droits de l’Homme mais qui fait tout le contraire quand ses intérêts sont en jeu.

Ils savent que ce qui les attend, c’est un siècle de néocolonialisme sous prétexte de lutte pour la liberté. Ils ont vu comment l’Europe, qui se gargarise d’humanisme, a accueilli à bras ouverts les Ukrainiens « blancs, chrétiens et vêtus des mêmes habits que nous » en leur offrant des billets de train gratuits, et fermé ses portes aux étudiants nigérians, indiens, pakistanais, chinois, afghans, syriens qui cherchaient à fuir les combats (voir à ce sujet la tribune du philosophe slovène Slavoj Zizek, l’Ukraine et la Troisième Guerre mondiale, L’Obs, 1er mars 2022). Ils ont vu se noyer les Africains en Méditerranée alors qu’on se barricadait contre eux. Ils ont vu comment les Européens, qui leur donnaient des leçons de pacifisme et d’écologie, n’hésitaient pas à trahir leurs engagements pour réarmer l’Allemagne à coups de dizaines de milliards d’euros, livrer des tonnes d’armes à l’Ukraine et acheter du gaz de schiste et du pétrole de fracking américain alors qu’ils les vilipendaient quelques mois plus tôt. Ils regardent avec attention les nouveaux Gauleiter de la pureté culturelle et de la morale inclusive européenne bannir les musiciens, écrivains et interprètes, les Tchaikovsky, Dostoievsky, Valery Gergiev, Anna Netrebko des universités et des salles de concerts, voire les handicapés des Jeux paralympiques et les chats des concours de beauté internationaux !

Tel est le prix de la guerre. Elle ruine les vaincus mais aussi l’âme des vainqueurs, si tant est qu’ils vainquent et qu’ils en aient encore une…

(A suivre la semaine prochaine : Qui sont les gagnants et les perdants de la crise ukrainienne.)

Guy Mettan

Source: Page Guy Mettan

UMA PARÁBOLA CHINESA | Sobre o conflito Rússia-Ucrânia | por Guilherme Antunes

Na China, a maioria das pessoas interessadas em política apoia instintivamente a Rússia, e Putin em particular, no conflito com a Ucrânia. Contudo, muitos não compreendem a essência e a profundidade dos acontecimentos. Assim, um analista chinês criou a sua própria explicação figurada sob a forma de parábola para tornar mais compreensível o que se passa.

Há 20 anos, a Ucrânia divorciou-se do seu marido (a Rússia). Os filhos deste casamento ficaram com ela. O seu ex foi generoso e deixou-lhe muito dinheiro, propriedades e até reembolsou todas as suas dívidas num montante de 200 mil milhões de dólares! Depois de se separar do marido, a mulher começou imediatamente a namoriscar com o hooligan da aldeia (EUA) e uma chusma de bandidos (Ocidente). Seja como for, ela começou a ouvir apenas as suas opiniões e, juntamente com eles, começou a provocar e ameaçar o ex-marido. O ex zangou-se e levou-lhe 1 dos filhos à força, a Crimeia.

A ex-mulher zangou-se e sonhou em se casar para se aproximar do clã da OTAN, a fim de usar o seu poder para fazer pressão sobre o ex-marido. Mas o estadunidense, o hooligan da aldeia, não tinha qualquer intenção de casar com ela, esperando apenas humilhar o seu antigo marido, a Rússia, com a sua ajuda.

Ela não se importava com os seus outros filhos, Lugansk e Donetsk, os quais eram tratados cruelmente. Por vezes dava-lhes pontapés e esbofeteava-os. As crianças choravam, procuravam o pai e pediam ajuda. Durante todo este tempo, o principal hooligan continuava a alimentar as lutas dos ex e pouco a pouco fornecia bens obsoletos (equipamento militar) à sua amiguinha Ucrânia. A mulher sentiu que tinha alguém para a apoiar no conflito e começou a provocar muito descaradamente o ex-marido rindo do que era sagrado para ele, os seus filhos e a memória dos seus antepassados. A sua paciência foi posta à prova. Acompanhado de parentes, foi à casa da sua ex a fim de proteger os 2 pequenos. Ela e a sua chusma de bandidos ficaram todos acobardados quando o ex, pondo de lado a sua boa índole, começou a bater à sua porta!”

Foi então que os chineses compreenderam tudo.

Retirado do Facebook | Mural de Guilherme Antunes

FALCÕES OU POMBOS DE MAU HUMOR? | DAVID P. GOLDMAN

As elites americanas desperdiçaram nossa vantagem tecnológica e manufatureira sobre a Rússia e a China. | 10 de março de 2022 | American Conservative | DAVID P. GOLDMAN

Poucos contestam que a crise na Ucrânia traz consigo o risco de uma escalada nuclear. O inverso também pode ser verdade: a crise na Ucrânia pode ser o resultado de uma mudança no equilíbrio nuclear do mundo.

Com uma economia menor que a do estado do Texas, a Rússia construiu armas estratégicas superiores a muitas do arsenal americano. Isso inclui armas hipersônicas lançadas por terra e por submarinos que podem transportar mísseis nucleares além de qualquer defesa americana, bem como o melhor sistema de defesa aérea do mundo, o S-500. O teste de 4 de outubro de 2021 do míssil hipersônico “Zircon” lançado por submarino da Rússia foi o primeiro disparo subaquático de uma arma de baixa altitude que voa a nove vezes a velocidade do som, de acordo com alegações russas. Um submarino russo à espreita a 160 quilômetros da costa americana poderia bombardear Washington em um minuto.

Um dia depois, a Rússia testou seu sistema de defesa aérea S-500, projetado para destruir aeronaves e mísseis em um raio de 600 quilômetros, incluindo alvos em espaços próximos. E em dezembro passado, a Rússia afirmou ter testado a atualização do S-550, que supostamente pode destruir ICBMs e satélites. A Rússia vendeu o sistema S-400 anterior para a Índia, China e Turquia; A Índia pode ser o primeiro cliente estrangeiro de um S-500.

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O QUE DISSE BORRELL SEGUNDO A TASS

PARIS, 11 de março. /TASS/.

O Ocidente cometeu um erro ao prometer a adesão da Ucrânia à Otan, disse o alto representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Josep Borrell, em entrevista ao canal de TV LCI.

“Houve ocasiões em que poderíamos ter reagido melhor. Por exemplo, propusemos coisas que não podíamos garantir, em particular a entrada da Ucrânia na OTAN. Isso nunca foi realizado. Acho que foi um erro fazer promessas que não podíamos cumprir” – disse ele.

O chefe da diplomacia europeia também admitiu que o Ocidente cometeu erros no relacionamento com a Rússia. “Assim, perdemos a oportunidade de aproximar a Rússia do Ocidente para contê-la”, afirmou.

Em 24 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin anunciou uma operação militar especial em resposta a um pedido de ajuda dos líderes das repúblicas do Donbass. Ele enfatizou que Moscovo não tem planos de ocupar territórios ucranianos, mas visa “desmilitarizar e desnazificar” o país.

Mais tarde, ele afirmou que uma das principais exigências de Moscovo é que a Ucrânia permaneça neutra. Como o diretor do Serviço de Inteligência Externa da Rússia, Sergey Naryshkin, já havia referido anteriormente, isso é fundamental para a Rússia porque é a “barreira territorial mínima” de que o país precisa para repelir eventuais ataques do Ocidente.

A AMEAÇA NUCLEAR ESTÁ DE VOLTA | OPINIÃO/ DN | Mohamed El Baradei

A recente batalha entre tropas russas e forças da defesa civil ucranianas dentro dos limites da central nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, revelou o quão perto o mundo está agora de um pesadelo horrível: um derramamento maciço de radiação.

Zaporizhzhia, a maior instalação nuclear da Europa, abriga seis reatores nucleares e qualquer um deles poderia ter sido comprometido pelos incêndios iniciados durante o bombardeamento russo da instalação e os combates na central. O facto de as chamas se terem extinguido rapidamente é uma prova do profissionalismo e da bravura dos trabalhadores da central. Mas agora, com a interferência de oficiais russos no funcionamento da central, os reatores de Zaporizhzhia continuam em risco.

O mundo teve sorte, como aconteceu com a igualmente perigosa incursão das tropas russas na central fechada de Chernobyl durante os primeiros dias da invasão. No entanto, ainda há mais meia dúzia de reatores nucleares espalhados pela Ucrânia, o que significa que o pior cenário continua a ser uma possibilidade real. A libertação de material radioativo pode tornar inabitáveis ​​centros populacionais inteiros, ameaçando centenas de milhares de pessoas – e não apenas nas imediações.

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GUERRA NA UCRÂNIA | BAIXAS E DANOS DA PRIMEIRA VAGA | Viriato Soromenho Marques – Opinião/DN

A guerra pela Ucrânia continua a ser travada sobre um campo de gelo muito fino. Os erros de cálculo, combinados com gestos arriscados, como é o caso de transformação de centrais nucleares em palco de combates, tornam difícil vislumbrar até o futuro imediato. Muito embora não existam dados objetivos suficientes para perceber o verdadeiro plano operacional inicial de Putin, a simples constatação de 15 dias após a ofensiva a situação militar ter entrado numa espécie de pausa parece indicar que ele subestimou a capacidade de resistência das forças armadas da Ucrânia.

Contudo, o facto de uma coluna militar russa de 64 quilómetros se arrastar há muitos dias numa manobra de cerco de Kiev, sem ser importunada pela aviação ucraniana, e de cada vez mais os civis se juntarem à luta parece indicar que no ar e em terra o primado da iniciativa militar pertence inteiramente à Rússia. A multiplicação de iniciativas diplomáticas, e a clara redução do ritmo da ofensiva podem significar que Moscovo quer diminuir as suas baixas, mas também evitar precipitar-se numa batalha decisiva por Kiev. Se o quisesse, a Rússia poderia arrasar a capital ucraniana.

Todavia, com o permanente fluxo de armas sofisticadas da NATO a chegar aos resistentes, essa batalha seria uma hecatombe sangrenta, transmitida em direto pelas televisões do mundo inteiro. Putin percebe bem, até pela catadupa de sanções, que uma vitória brutal teria a longo prazo um sabor amargo de quase derrota.

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Olá Charlot | Joffre Antonio Justino

Olá Charlot, aliás Charlie Chaplin, aliás expulso dos EUA por comunista!

(um Memo para António Barreto)

“ mais  de 10 mil pessoas perderam seus empregos devido à Era McCarthy. Além dos professores, estavam na mira funcionários públicos considerados ‘infiltrados’, sindicalistas e artistas.” ( BBC )

“Este livro é para lhe contar o que as mentes mestras por trás do comunismo têm planejado fazer com seu filho em nome da ‘educação’. Elas querem levá-lo do berçário, vestí-lo com um uniforme, colocar uma bandeira da foice e do martelo em uma mão e uma arma na outra, e enviá-lo para conquistar o mundo”.

Assim começa o livreto 100 coisas que você deveria saber sobre o comunismo e a educação, editado nos Estados Unidos, em 1948, pelo Comitê de Atividades Contra-Americanas, da U.S. House of Representatives – a Câmara dos Deputados americana. O material fazia parte de uma campanha de oposição a comunistas ou supostos comunistas dentro dos Estados Unidos, articulada pela direita americana, que durou cerca de uma década, entre os anos 40 e 50.” ( n citações redes sociais mundo fora)

Vale recordar Charlie Chaplin Alfred Hitchcock Orson Wells Dalton Trumbo Edward G. Robinson Pete Seeger Luis Buñuel enfim os  mais de 140 intelectuais atacados pelos macartistas por serem comunistas uns sim outros não em todo o caso em lógica fascizante!

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O mundo já não será o que era | José Goulão

A partir de agora o mundo nunca mais voltará a ser o que foi desde o início da década de noventa do século passado, quando os Estados Unidos assumiram isoladamente o comando planetário.

De tanto esticar, a corda rebentou. Ao cabo de um longo processo de acosso e humilhação, a Rússia decidiu extirpar militarmente o tumor russófobo ucraniano, circunstância que está a deixar os dirigentes ocidentais e a propaganda social em estado de choque mas sem a decência de assumirem as responsabilidades que têm na situação. Durante oito anos, sem dar mostras de quaisquer escrúpulos, os Estados Unidos, a NATO e a União Europeia apoiaram o regime ucraniano sustentado por esquadrões da morte nazis saudosos de Hitler e aproveitaram essa cobertura para tentar criar uma imensa base militar que, uma vez incorporada na NATO, estrangularia militarmente a Rússia.

A intervenção desencadeada por Moscovo contra as estruturas militares e repressivas do regime ucraniano, tendo em vista igualmente criar condições que interrompam o massacre contínuo das discriminadas populações de origem russa, pretende liquidar essa estratégia atlantista. Principalmente cortando pela raiz a manobra para a integração de Kiev na Aliança Atlântica e deixando também definido o padrão de comportamento do Kremlin caso a NATO insista na integração da Geórgia. Sem esquecer as recentíssimas advertências à Suécia e à Finlândia.

Continuar a ler aqui em AbrilAbril:

https://www.abrilabril.pt/internacional/o-mundo-ja-nao-sera-o-que-era?fbclid=IwAR1cCRNCR-7Jr3j5WG2TKv1yUlnvJ6vSX-9qtzvO9NWoeiqcMNjtXIQzKzc

A Informação e a Guerra na Ucrânia | por Vasco Lourenço, Presidente da Associação 25 de Abril

«A guerra na Ucrânia, resultado da agressão da Rússia a esse país – não entro aqui em considerações, sobre as razões e justificações que levaram a um conflito que, como todos os demais deve ser evitado, mas que é mais frequente do que às vezes se pretende fazer crer – tem dado lugar a inevitáveis reacções das várias partes envolvidas.

Em Portugal, os meios de comunicação social, nomeadamente os audiovisuais TV e Rádio, entraram numa calorosa e animada discussão sobre a guerra. 

Mais do que informação, lançam para a via pública catadupas de “informação”, mais próprias de acção psicológica, seja sobre o inimigo, seja sobre as nossas tropas, do que aquilo que os cidadãos esperariam de órgãos de comunicação social. Assim se transformando, também eles, em autênticos combatentes.

Como temos visto, porque a “outra parte” se tem encarregado de o desmascarar, de um e outro lugar, isto é, de uma e outra parte, o recurso à criação e utilização de notícias falsas (hoje conhecidas por fake news) atingiu tal intensidade que torna difícil a um cidadão ficar devidamente elucidado. O que, pelo que se tem visto, pouco interessa à maioria das pessoas. Lamentavelmente, nesta como em muitas  outras situações, cada um acredita no que quer acreditar. E quando a “informação ” recebida vai ao encontro disso …

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Pour Moscou, une “question de vie ou de mort” | in Courrier International | par Hu Xijin

Hu Xijin, ancien rédacteur en chef du journal nationaliste chinois Huanqiu Shibao, évalue sur son blog les différentes issues possibles de la guerre en Ukraine. Selon lui, quelle que soit la suite des événements, ce conflit aura un impact sur la Chine.

Alors que la situation en Ukraine reste très incertaine, on me demande souvent quelles en seront les conséquences sur le monde et sur la Chine. Certes, la guerre en elle-même va avoir un impact énorme. Mais c’est surtout de son issue que découlera véritablement le nouveau paysage mondial.

Cette guerre est en fait une violente riposte de la Russie à l’Otan. Cette dernière, en s’élargissant vers l’est, a comprimé l’espace de sécurité russe. Les objectifs de Poutine devraient donc être limités. Si la puissance nationale russe permet à ce dernier de “s’opposer” partiellement aux États-Unis et à l’Occident, une confrontation totale serait forcément au-dessus de ses forces.

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Para uma autocrítica da Europa | Boaventura Sousa Santos, in Público, 10/03/2022

Imagem: Enlèvement d’Europe de Nöel-Nicolas Coypel, c. 1726

Somos forçados a concluir que os líderes europeus não estavam nem estão à altura da situação que vivemos. Ficarão na história como as lideranças mais medíocres que a Europa teve desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Porque não soube tratar das causas da crise da Ucrânia, a Europa está condenada a tratar das suas consequências. A poeira da tragédia está longe de ter poisado, mas mesmo assim somos forçados a concluir que os líderes europeus não estavam nem estão à altura da situação que vivemos. Ficarão na história como as lideranças mais medíocres que a Europa teve desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Esmeram-se agora na ajuda humanitária, e o mérito do esforço não pode ser questionado. Mas fazem-no para salvar a face ante o escândalo maior deste tempo. Governam povos que nos últimos setenta anos mais se manifestaram contra a guerra em qualquer parte do mundo. E não foram capazes de os defender da guerra que, pelo menos desde 2014, germinava dentro de casa. As democracias europeias acabam de provar que governam sem o povo.

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Os militares e a análise da guerra no espaço público | por Carlos Matos Gomes

Esta guerra na Ucrânia é como todas a outras. É um facto político recorrente. Pode ser analisado recorrendo a métodos racionais ou emocionais. Para os militares esta guerra é analisada recorrendo à racionalidade. Qual é o objetivo da guerra: «Destruir o inimigo ou retirar-lhe a vontade de combater» (Clausewitz — A Guerra). Quando uma parte destrói o inimigo a guerra termina com uma rendição; quando uma parte entende que é mais ruinoso jogar no tudo ou nada, que perdeu o ânimo para combater a guerra termina por negociação.

Os militares reconhecem a ineficácia de insultar os contendores, exceto para os implicados no fragor do combate e da batalha, como escape das ansiedades. Os militares também sabem que a análise de uma guerra não depende da bondade e ou maldade dos propósitos dos contendores, mas do seu potencial, o que inclui equipamento, treino, comando e combatividade. Os militares sabem que resultado das guerras entre Atenas e Esparta, das invasões romanas, napoleónicas e nazis, a batalha de Trafalgar, ou de Lepanto, a ocupação das Américas e de África não foi determinado pela moral, nem pelos princípios da guerra justa, já de si um conceito bastante difuso, que hoje surge associado a um outro que é o do Direito Internacional, aplicado segundo as conveniências e os preconceitos, de forma amoral, porque hipócrita.

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Rússia / Ucrânia | “Devem ouvir-se igualmente ambas as partes” | (Demóstones, in Oração da Coroa, 330 a.c.) | por Carlos Esperança

Eu sei que não pode destoar-se da visão radicalizada, convertida em dogma, sem que se afirme primeiro, “condeno veementemente a invasão russa da Ucrânia”, o que faço, uma vez mais, sem constrangimento, mas admira-me que a UE não a tivesse previsto, depois dos antecedentes da Geórgia, da Crimeia e dos reiterados avisos de Putin.

Eu sei que Zelensky, PR da Ucrânia, tem mostrado uma coragem heroica, mas preferia que tivesse tido bom-senso, antes de sugerir, agora, estar disposto a deixar cair a adesão à NATO e a discutir o estatuto da Crimeia, Donetsk e Luhansk.

Eu sei que o PR ucraniano tem procurado estender a guerra a nível mundial para não ser derrotado sozinho, que apelou à declaração de interdição do espaço aéreo ucraniano, o que a Nato tem recusado por saber que, se abater aí o primeiro avião russo, pode iniciar a retaliação de impiedoso Putin com a guerra nuclear e a destruição do Planeta.

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ESTAMOS PRONTOS? – NÃO | por António Ribeiro

Do ponto de vista militar e dos jogos políticos e de confronto militar, os EUA e a NATO parecem-me desta feita um bocado tímidos. E o adjectivo é favor. O que deixa o tabuleiro todo para a Rússia de Putin.

Quando Lavrov diz na Turquia que a Rússia não deseja uma guerra nuclear, ele está implicitamente a ameaçar o Ocidente de que tal hipótese está em cima da mesa do Kremlin.

Quando foi da crise das ogivas nucleares soviéticas em Cuba, Kennedy impôs um bloqueio naval à ilha de Castro. Foi uma jogada de altíssimo risco, mas resultou, Os navios russos não puderam passar com o seu material nuclear a bordo. E Kennedy ganhou o jogo ao bluff comunista.

As actuais elites americanas não têm coragem para tanto. Nem no “no fly zone” sobre os céus da Ucrânia; nem sequer conseguem aceitar que os caças MIG21 polacos possam descolar dos aeroportos militares polacos para patrulharem os céus da Ucrânia.

Essa fraqueza é fatal, porque se Washington não quer ser destruída, o Kremlin tão pouco. Na prática, estamos a ser submetidos a bullying político-militar de uma potência que já não é o que era. Depois deste falhanço, ninguém mais vai confiar no chapéu de chuva americano. Porque não é credível. De facto, “América First”, com Biden ou com Trump (este que aliás tinha telhados de vidro com os russos), significa “a Europa que se lixe e que se desenrasque como puder”.

Retirado do Facebook | Mural de  António Ribeiro

Guerra | Informação | Propaganda | por António Conceição

Na guerra, evidentemente, a informação tem de ser controlada e substituída pela propaganda.

Uma das vertentes essenciais de qualquer guerra é o controle da sua dimensão psicológica (Alberto João Jardim que o diga, porque esteve não sei quantos anos no poder, eleito sempre democraticamente, com o que aprendeu na tropa).

A eficácia da guerra psicológica pressupõe o controle da informação.

Os mecanismos são básicos e há muito conhecidos:

a) multiplicar as representações do inimigo, como animal, para o desumanizar (o lobo, se o inimigo tiver um exército ou um porco, se inimigo for um povo desarmado, como sucedeu com as representações dos judeus no regime nacional socialista);

b) publicar muitas fotografias de crianças a sofrer por causa das bombas do inimigo;

c) publicar outras tantas fotografias dos actos heróicos do amigo, da sua generosidade no tratamento do adversário capturado e do arrependimento deste depois de descobrir a verdade, pedindo muito perdão e apelando aos seus para descobrirem, como ele, que a sua guerra é injusta. E, claro está, proclamar todos os dias em grandes manchetes que os nossos ganham as batalhas todas e o inimigo está de rastos, prestes a render-se incondicionalmente.

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George Friedman, directeur de la société de renseignement et d’analyse Stratfor | USA

Stratfor: comment Washington peut conserver sa domination sur la planète. Extraits du discours de George Friedman, directeur de la société de renseignement et d’analyse Stratfor, dite la « CIA de l’ombre », au Council on Foreign Relations de Chicago.

Dans son discours au Council il explique comment Washington peut conserver sa domination sur la planète. Il identifie également les ennemis potentiels des USA.

Friedman voudrait que le monde actuel soit exclusivement sous le contrôle direct ou indirect des USA

Le président de Stratfor déclare que les USA n’ont pas de relations avec l’Europe. « Nous avons des relations avec la Roumanie, la France et ainsi de suite. Il n’y a pas d’Europe avec laquelle les USA ont des relations quelconques”. Cela rappelle forcément la conversation de la sous-secrétaire d’Etat Victoria Nuland avec l’ambassadeur des USA à Kiev en 2014. Nuland avait alors expliqué à son interlocuteur en des termes très crus ce qu’elle pensait de l’Europe unie et de ses dirigeants: https://www.youtube.com/watch?v=2-kbw… 33]

Plus tard, elle a présenté ses excuses pour la forme de ses propos, mais pas sur le fond. Il faut savoir que Mme Nuland est une lectrice des notes analytiques de Stratfor.

« Les USA contrôlent tous les océans de la terre. Personne n’avait encore réussi à le faire. Par conséquent, nous pouvons nous ingérer partout sur la planète, mais personne ne peut nous attaquer. Le contrôle des océans et de l’espace est la base de notre pouvoir”, a déclaré Friedman à Chicago, Selon lui, “la priorité des USA est d’empêcher que le capital allemand et les technologies allemandes s’unissent avec les ressources naturelles et la main d’œuvre russes pour former une combinaison invincible”.

Créer un “cordon sanitaire” autour de la Russie permettra à terme aux USA de tenir en laisse l’Allemagne et toute l’Union européenne.

Vídeo retirado do Youtub | 08/03/2022

Gosto de palavrões | de Miguel Esteves Cardoso | in Ncultura

“Se não usarmos os palavrões, livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades. E para obscenidade já basta a vida em si.”

Gosto muito de palavrões, como gosto de palavrinhas e de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de escrever ou falar.

Mas como sou moralista tenho uma teoria, que é a seguinte: quando se usam palavrões, sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar e quando um palavrão é usado literalmente é repugnante.

Dizer que “a sanita está entupida de merda.” ou “tenho uma verruga na ponta do caralho” é inadmissível. No entanto, dizer que um filme “é uma merda” ou que “comprar uma casa em Massamá não lembra ao caralho”, não mete nojo a ninguém.

Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.

Quando uma esferográfica pode ser “puta” – não escreve – desagrava-se a mulher que se prostitui.
Quando um exame de Direito Administrativo é fodido, há alguém, algures, deitado numa cama, que escusa de se foder.

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Guerra na Ucrânia: a emoção não pode turvar a razão | Lourenço Pereira Coutinho | in Jornal Expresso

A emoção não pode turvar a forma como vemos os russos. É intolerável que se tome a parte pelo todo. A oligarquia que beneficiou e enriqueceu à custa de uma autocracia corrupta é uma coisa, outra, bem distinta, é a esmagadora maioria da população. (…) As notícias de bulling a comunidades russas, o afastamento de agentes de cultura, desportistas e profissionais de outras áreas, e a censura ao canal Russia TV, não podem ter lugar em sociedades humanistas.

Passados mais de dez dias da invasão russa, a prioridade continua a mesma: a guerra na Ucrânia tem de acabar já. A todo o momento morrem pessoas, tanto civis como militares;  cidades e infraestruturas são destruídas e mais e mais ucranianos deixam as suas casas com praticamente nada. É um cenário que acompanhamos ao minuto e que tem mobilizado apoios como antes não se viram em casos semelhantes.

Mas a emoção não pode turvar a forma como vemos os russos. É intolerável que se tome a parte pelo todo. A oligarquia que beneficiou e enriqueceu à custa de uma autocracia corrupta é uma coisa, outra, bem distinta, é a esmagadora maioria da população. Os russos também estão a sofrer, e muito, isto desde os soldados que combatem numa guerra que, provavelmente, não desejaram, até às pessoas de campos e cidades que têm a sua vida paralisada pelas sanções. As notícias de bulling a comunidades russas, o afastamento de agentes de cultura, desportistas e profissionais de outras áreas, e a censura ao canal Russia TV, não podem ter lugar em sociedades humanistas. Excetuando casos de incitamento ao ódio e à violência, a censura é sempre censurável, e a perseguição a pessoas com base na sua origem vai contra tudo o que são os nossos valores comuns.

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Há que acabar com a guerra na Ucrânia. Há que dar uma oportunidade à paz | António Abreu

Há que acabar com a guerra na Ucrânia. Há que dar uma oportunidade à paz para que centenas de milhares de ucranianos retomem as suas vidas.

As negociações de hoje poderão ter garantido a efectividade da resolução de corredores humanitários, já decididos na anterior ronda de negociações. Cada parte acusou depois a outra pela não abertura por razões da segurança.

O mundo espera que ambas as partes garantam o cessar-fogo e tomem as decisões políticas subsequentes para acabar com a guerra já.

Seria desejável que os residentes em cidades cercadas (ou não) possam por sua decisão abandonar as cidades para o número de vítimas da guerra não aumentar de forma significativa.

Seria do interesse dos grandes produtores de armamento que a guerra continuasse para se enriquecerem ainda mais. E para ainda mais terríveis consequências humanas.

Há muito que do ocidente, de catorze países têm sido canalizados para a Ucrânia aviões, mísseis, reforço da qualidade das antiaéreas, meios de precisão e de fogo pesado, formação militar e de sabotagem de cidadãos ucranianos. Este facto e a determinação da outra parte em cumprir os objectivos planeados com a invasão faz recear o arrastamento da guerra.

O pluralismo informativo tem que ser garantido. A manipulação da informação excedeu a que até agora tinha sido feita noutros conflitos.

 O silenciamento de alguns jornais e canais de TV e a quebra de regras de jornalismo básico consolidou-se desde o primeiro dia como a principal arma de guerra.

Por isso teremos que continuar a luta dizendo sim à paz, não à guerra.

Retirado do Facebook | Mural de  António Abreu

CHINA PRESTA AJUDA HUMANITÁRIA À UCRÂNIA E APELA AO DIÁLOGO PARA RESOLVER O CONFLITO | por Global Times, foto Xinhua

A Cruz Vermelha da China fornecerá um lote de suprimentos humanitários de emergência para a Ucrânia o mais rápido possível, disse o conselheiro de Estado chinês e ministro das Relações Exteriores Wang Yi em uma entrevista coletiva virtual na segunda-feira, à margem da quinta sessão da 13ª Assembleia Popular Nacional. em Pequim.

A situação na Ucrânia se tornou o que é hoje por uma variedade de razões complexas, e o que é necessário para resolver uma questão tão complexa é uma cabeça fria e uma mente racional, não adicionando combustível ao fogo que apenas intensifica a situação, disse Wang à coletiva de imprensa.

“A China acredita que quanto mais tensa a situação, mais importantes são as negociações. Quanto maior o desacordo, maior a necessidade de sentar e negociar”, disse ele.

A China está preparada para continuar desempenhando um papel construtivo para facilitar o diálogo pela paz e trabalhar ao lado da comunidade internacional quando necessário para realizar a mediação necessária, observou Wang.

Retirado do facebook | Mural de Carlos Fino

As emoções não podem tolher-nos o sentido crítico | Ricardo Paes Mamede

As emoções tornam-nos humanos. Permitem-nos sentir indignação e solidariedade. Obrigam-nos a entender o que o governo da Rússia está a fazer na Ucrânia como um crime contra a humanidade e a fazermos chegar das formas que pudermos a nossa solidariedade àqueles que sofrem na pele as consequências desta agressão.

As emoções não podem tolher-nos o sentido crítico. É a razão que nos leva a concluir que a Rússia não tem o direito de violar a lei internacional. Que a propaganda do governo russo sobre a inexistência de uma nação ucraniana não é mais do que isso – propaganda para tentar justificar as atrocidades em curso.

O sentido crítico também nos obriga a perceber que a posição dos EUA e das maiores potências europeias é tudo menos desinteressada e inocente. Que não fizeram o que podiam para evitar o acumular de tensões que tornaram esta agressão inaceitável e ilegal mais justificável aos olhos dos muitos que na Rússia sofrem todos os dias na pele com o autoritarismo do seu governo – e que ainda assim têm relutância em condená-lo pela guerra que está a impor à Ucrânia.

Precisamos de indignação contra o governo russo e solidariedade com o povo ucraniano. Isto não tem de – não pode – impedir-nos de acusar os governos dos EUA e da UE de estarem a aproveitar o clima de indignação e de solidariedade para prosseguir os seus interesses económicos e de afirmação de poder, ainda menos quando isso custa a vida a ainda mais ucranianos e o sofrimento daqueles que na Rússia não são responsáveis pelo que o seu governo autocrático faz.

Nesta como em tantas outras guerras, temos de ser capazes de humanidade sem deixar de pensar pela nossa própria cabeça.

Retirado do Facebook | Mural de  Ricardo Paes Mamede

Rússia / Ucrânia | “Devem ouvir-se igualmente ambas as partes” – (Demóstones, in Oração da Coroa, 330 a.c.) | Carlos Esperança

O conflito ucraniano traz-me à memória os dois anos de guerra colonial, o sofrimento de quem participou, os mortos e estropiados de uma guerra injusta, de um e outro lado do conflito.

Poucos desejarão tanto a paz como os que foram obrigados a fazer a guerra.

Os próprios soldados russos se hão de interrogar por que motivo estão ali, já que os ucranianos têm a defesa dos seus haveres e vidas por que lutar, sem se interrogarem se teria sido possível evitar a destruição e o sofrimento de que os ucranianos são as maiores vítimas.

Quantos soldados alemães não terão sentido a inutilidade e injustiça da guerra para que o ditador nazi os enviou? Na guerra há quem ganhe, nunca os que servem de carne para canhão. E, neste caso, é todo o povo ucraniano, incluindo russos, a sofrer a demência belicista de Putin e da Nato.

O sofrimento do povo mártir da Ucrânia impede-me de ir mais longe na denúncia do seu governo, na condenação das duas partes, na análise dos extremismos que está a gerar, da manipulação da informação e de quem empurrou uns e outros para o conflito.

O respeito pelos mortos, dos dois lados, leva-me a refletir sobre o tema que me dilacera, porque, sem saber quando e como acabará a guerra, já foram vencidos os ucranianos, os russos, a UE, a paz e a compaixão.

Sentimos a negrura dos dias que hão de vir, enquanto nos comovemos com o sofrimento de quem foge, e de quem não pôde, sem precisar de encenações que matam a liberdade, a verdade e o espírito crítico.

A minha geração, nascida durante a guerra (1939/45), nunca ouvira a palavra “nuclear” com tão fortes arrepios e tanta desconfiança nos que decidem o destino da Humanidade.

A identidade ucraniana está a ser criada de forma sangrenta, cerzindo a sua diversidade étnica, religiosa e histórica nas fronteiras atuais. Com a invasão, Putin veio proporcionar à Ucrânia aquilo que lhe negava.

Não me conformo com a decisão do Conselho Europeu, na passada terça-feira, quando baniu as cadeias de informação russas do espaço mediático ocidental, à semelhança do que faz a Rússia. Quando as democracias não respeitam o pluralismo, incluindo os que são contra a democracia, entram no autoritarismo que as corrói.

Termino com uma frase do artigo habitual de Pacheco Pereira, ontem, no Público: ««Sim, a extrema-direita ucraniana é nazi, do mesmo tipo da extrema-direita russa.». Basta ver o critério policial racista para o embarque de quem foge da Ucrânia.

Retirado do Facebook | Mural de  Carlos Esperança

As invasões e a História — lições não recordadas | Carlos de Matos Gomes

A história não é neutra, se fosse uma ferramenta seria um canivete suíço.

A invasão russa da Ucrânia tem motivado várias lições de história daquela região da Europa que nos contam o seu passado desde a antiguidade, mas os historiadores raramente falaram das duas invasões da Europa ocidental à Rússia, a de Napoleão e a de Hitler, eu nunca os ouvi.

Essa referência não é, contudo, a meu ver, já útil como instrumento de análise do presente. A invasão está a decorrer e assunto arrumado. O conflito irá terminar. É histórico que os conflitos terminam, mesmo a guerra dos romanos contra os parsas terminou ao fim de 300 anos, com a derrota de ambas as partes, diga-se, e a vitória de um terceiro império.

Mas há dois exemplos do passado mais recente que poderiam ter algum interesse para lidar com a situação presente e a de curto prazo, que evitasse, ou amenizasse o sofrimento de quem sempre sofre, os povos, aqueles que são ultrapassados pela história e pelos interesses que a fazem mover.

Um desses exemplos diz-nos respeito: As invasões francesas, napoleónicas, da Península Ibérica. A Espanha aceitou um rei francês, irmão de Napoleão e ser uma base francesa. Portugal também aceitou os franceses, mas os ingleses (com Wellington) vieram lutar contra eles em Portugal e parte dos portugueses apoiou-os. Quando os ingleses (tropas anglo-lusas) venceram nas linhas de Torres expulsaram os franceses (Massena) e os espanhóis aproveitaram para fazer o mesmo.

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CURTA | De quem é a culpa? | Miguel de Mattos Chaves

Os diversos países europeus, por falta de capacidade de dissuasão militar, são irrelevantes e impotentes!

Isto por:

1. Falta de visão e de capacidade política dos seus Dirigentes Políticos;

2. Bem como por falta de apoio da Opinião Pública em matéria de se construírem forças armadas capazes e fortes, que dissuadam o aparecimento de situações graves de potencial conflito, como a actual.

Opinião Pública essa que está dominada por pseudo-cientistas políticos e pseudo-filósofos, dos países ocidentais, que “decretaram” que se tinha atingido a “Paz Eterna de Kant” e que, portanto, os países ocidentais já não precisavam de Forças Armadas!

Aí está!

Enquanto os países ocidentais, Portugal incluído, não perceberem que têm que ter capacidades de dissuasão, Forças Armadas fortes e bem equipadas, o seu destino é o da submissão e irrelevância.

A REALIDADE

As Potências mundiais, EUA, Rússia e China tem sobrecapacidades militares e económicas para desrespeitarem o Direito internacional. É um facto. É a realidade.

E NENHUMA delas é inocente, pois sabem isto muito bem e á vez têm-no desrespeitado.

“A lavagem cerebral na EU continua, os Ucranianos passaram de temíveis mafiosos a anjos imaculados e coitados… Incrível os que se passa nos meios de comunicação nacional, a propaganda que por la se faz chega a ser imoral…” (Adriano Santos).

É assim, a memória das pessoas é em média de 2 meses.

E os decisores políticos sabem-no bem.

A UE no pós-1991 (queda do Muro de Berlim) em vez de atrair a Rússia, fez tudo para a afastar e provocar.

A U.E. e os EUA em vez de fomentarem a constituição do eixo Moscovo – Berlim – Paris – Londres – Washington que enfrentaria melhor a real ameaça, a China, fizeram tudo ao contrário.

Provocaram uma das três grandes potências mundiais.

E agora? A culpa é só de um lado?

Mais uma vez: Não há inocentes neste conflito, neste jogo de Geoestratégia.

Miguel Mattos Chaves

A Ucrânia — a NATO — Siga a dança | Carlos de Matos Gomes

Num post no FB, o embaixador Luís Castro Mendes escreve a propósito de uma prestação do historiador Fernando Rosas na CNN que este está a cometer o mesmo erro que foi o de Vasco Pulido Valente, noutro tempo: reduzir a análise da realidade ao precedente histórico e minimizar as diferenças do novo para magnificar as constantes do passado. O meu amigo David Martelo, historiador com vasta obra na área da polemologia faz uma excelente síntese do passado de conflito na Europa Central a que deu o título: CORTINADOS GEOPOLÍTICOS, sobre o conflito “que opõe atualmente a Rússia aos aliados da OTAN, localizada sobre a fronteira da Ucrânia”, mas essa história não explica o presente.

A História serve para tudo. O que quer dizer que serve de pouco. Há exemplos para todas as explicações. O passado pode ajudar a perceber o presente, mas sem entendemos o presente o passado serve de pouco. O Japão não percebeu que o presente tinha mudado com a arma atómica e teve uma terrível surpresa. Marcelo Caetano não percebeu que o Exército de 1974, após 14 anos de guerra colonial, não era o Exército que tinha partido para Angola em 1961 e teve a surpresa do 25 de Abril. A Revolução Francesa e a Russa são exemplos de surpresas por incapacidade de perceber que o presente não é uma evolução em linha reta do passado. São inúmeros os exemplos.

Mas a História tem constantes. Essas é que devem ser exploradas e estudadas para evitar surpresas. A constante da História é a luta pelo poder. É a luta por interesses à margem de qualquer referência moral. Não há luta de Bem contra o Mal.

A dita crise da Ucrânia é uma luta por interesses, mais uma. Os interesses da Rússia são claros e explícitos: Não quer ter inimigos acampados à porta! Os interesses dos Estados Unidos surgem camuflados com a mantra do costume da defesa da liberdade, uma canção esfarrapadíssima. Mas é possível lê-los: O interesse de Joe Biden surgir a meio do mandato como um presidente em guerra, um capitão América. O interesse dos Estados Unidos em obterem lucros diretos e indiretos com o aumento do preço do petróleo e do gás, dificultando a aquisição de gás russo pela Alemanha, principalmente, e proporcionando lucros às petrolíferas e aos aliados do Golfo, Qatar e Arábia Saudita. Congregar os países europeus à sua volta, para evitar tentações de autonomia. A lista é longa.

É destes interesses que se trata, a demonstração do poder de um império e o aviso a tentações de autonomia dos europeus. A NATO, referida por David Martelo, é uma confraria que tem um grão-mestre que paga, determina e pune rebeldes. A NATO são os Estados Unidos e uns apêndices.

Os países europeus representam na NATO o que as tropas de caçadores indígenas representavam para os exércitos coloniais, os landins de Moçambique, os askari do Tanganica, os gurkas da Índia: transmitem uma mensagem de unidade e igualdade, que é falsa, porque os comandantes e as armas são sempre do colonizador, do império, e servem os seus objetivos.

A NATO é, pois, uma entidade sofismática em que todos são iguais, mas um deles é mais igual do que todos os outros.

Na fronteira da Ucrânia jogam-se interesses. Os ucranianos são apenas os peões das nicas de mais um conflito. Quando os interesses estiveram equilibrados, regulados, os ucranianos passam à história, como já passaram os afegãos, os iraquianos, os sírios, os líbios, os venezuelanos, os equatorianos…

Ainda quanto à NATO, o turco Erdogan joga um papel duplo. Tem os seus interesses e está em condições de os negociar sem lhe acontecer o que aconteceu a Saddam Hussein, ou a Khadafi, ou até a Bin Laden. O francês Macron, também corre na sua pista. Quando se fala da NATO fala-se também de uma equipa com várias camisolas que se expressa através da voz de ventríloquo por um secretário-geral que tem autoridade sobre o motorista.

Quanto a Portugal, a NATO portuguesa tem sede em Washington. Estamos como os cães de água do Açores de Obama, ou como o sacristão das missas cujo papel é dizer ámen e servir a água e o vinho numa patina. Sendo assim e, como dizia Salazar, não podendo ser de outro modo está tudo bem. Vivemos numa sujeição inevitável que dispensa justificações do género que os ministros dos negócios estrangeiros costumam dar: defendemos princípios. Não, não defendemos, obedecemos e pronto!

Carlos de Matos Gomes

Born 1946; retired military, historian

PROPOSTA DE PUTIN | Os 30 PRs da NATO deviam aceitar a discussão da proposta de Vladimir Putin | É hora de decidir | FIM À GUERRA

MOSCOU — Em conversa por telefone com o chanceler alemão, Olaf Scholz, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que estava aberto ao diálogo com a Ucrânia sob a condição de que “todas as suas demandas fossem atendidas”. Na conversa, que durou cerca de uma hora e ocorreu por iniciativa da Alemanha, o presidente russo disse ainda esperar que a Ucrânia tome uma posição “razoável e construtiva” durante a próxima rodada de negociações, prevista para o fim de semana, segundo os negociadores de Kiev.

“A Rússia está aberta ao diálogo com o lado ucraniano e com todos que desejam a paz na Ucrânia. Mas com a condição de que todas as demandas russas sejam atendidas”, disse Putin, de acordo com um comunicado.

ContextoRússia e Ucrânia concordam com a criação de corredores humanitários, e Zelensky volta a pedir reunião com Putin

As demandas incluem o status neutro e não nuclear da Ucrânia, sua “desnazificação”, o reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia e a “soberania” dos separatistas nos territórios do Leste do país.

Scholz, por sua vez, pediu a Moscou que suspenda todas as ações militares imediatamente e permita o acesso à ajuda humanitária em áreas onde há combates. Na conversa, Putin negou que as tropas russas tenham bombardeado Kiev e outras cidades da Ucrânia e classificou essas acusações como “falsidades grosseiras”.

E maisOtan rejeita pedido de Kiev de estabelecer zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia

“As informações sobre o suposto bombardeio de Kiev e de outras grandes cidades são falsidades grosseiras e propagandísticas”, disse o russo, segundo o comunicado do Kremlin.

Desde antes do conflito, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vem pedindo uma reunião com Putin — segundo ele, a única forma de colocar fim à guerra. O presidente russo, no entanto, endureceu o discurso  contra Kiev e o Ocidente na quinta-feira. Ele afirmou que a “operação militar especial”, como chama a invasão ao país vizinho, segue como planejado e que acabará com “com essa anti-Rússia criada pelo Ocidente”, referindo-se à hostilidade de Kiev em relação a Moscou.

https://oglobo.globo.com/mundo/em-conversa-com-chanceler-alemao-putin-diz-que-esta-aberto-dialogo-com-ucrania-desde-que-todas-as-suas-demandas-sejam-atendidas-25418862

NÃO HÁ ALTERNATIVA ÀS IMEDIATAS NEGOCIAÇÕES DE PAZ | José-António Pimenta de França (jornalista)

O primeiro dever de um governante é procurar a felicidade e o bem-estar do seu povo. A sua primeira preocupação deverá ser afastar o seu país dos horrores da guerra.

Independentemente da perversidade de Putin, Zelensky está a conduzir o seu povo para um massacre. O seu primeiro dever teria que ser assegurar as melhores relações de vizinhança com a Rússia, manter a liberdade e garantir o progresso do seu povo.

No final dos anos 30, depois de meses de guerra entre a Finlândia e a URSS (o Império Soviético de Stalin) estes dois países encontraram, através de negociações, um modus vivendi, um estatuto de neutralidade que a poupou aos horrores da II Guerra Mundial e lhe permitiu progresso e bem estar durante toda a Guerra Fria, que se prolonga até hoje.

Em Outubro de 1962, estivemos à beira da III Guerra Mundial porque a URSS decidiu instalar mísseis com ogivas nucleares em Cuba, o que levou os EUA a reagir energicamente para afastar esse perigo das suas cidades.

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O Jogo de poker | Joffre Justino

Reflexões em volta de 2 escritos de Kristin Kane e de Rui Miguel Godinho.

Não devem existir muitas escolas que tenham convidado em Portugal a embaixada dos EUA a homenagearem Martin Luther King mas a escola profissional que dirigi e onde fui diretor pedagógico fê-lo e recebeu muito bem quem lá esteve da embaixada nessa homenagem

Começo por aqui para que fique claro que tenho muito gosto em ter sido considerado freedom fighter pelos EUA (não não recebi um tostão só chatices e dois anos e tal proibido de trabalhar de ser remunerado de ser sócio de empresas e cooperativa e associações que fundara pela ONU pela UE e pelo Estado português eis o meu prêmio pelo meu combate anti soviético e anti russo e Ucraniano dada a sua ocupação militar de Angola, a par dos EUA, de 1975 até 2002) apesar de tudo porque era a Democracia e a Liberdade que estavam em jogo e por elas vale a pena lutar !

Gosto de Abraham Lincoln que homenageei escolhendo o para ter sido o meu nome maçónico no GOL até porque era correspondente de Karl Marx como gosto e votaria Obama e Sanders se fosse estadunidense como gosto de Malcom X e do seu combate pelos Direitos dos Negros estadunidenses.

Não sou comunista nunca fui sovietista tendo sido maoista e faço parte dos da geração que considerou a URSS social-imperialista e saudei a coragem de Gorbachev na sua tentativa de democratizar a URSS, ataquei Yeltsin pela sua submissão ao neoliberalismo estadunidense que quase destruiu a Rússia e fez dela um país onde se morreu à fome depois de ter chegado a ser episodicamente a primeira potência mundial.

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A Ucrânia e seus algozes / Opinião | Roberto Amaral, líder histórico dos socialistas brasileiros

A geopolítica não é monocromática, e a peça que se escreve no teatro da guerra em curso (um território que compreende a Ucrânia, mas que se expande por metade do mundo) tem mais bandido do que mocinho, e uma só vítima: as populações civis, mortas ou desterradas.

Por um imperativo moral, os socialistas não tergiversam na denúncia da invasão da Ucrânia, ao tempo em que se recusam a sancionar a política de guerra do Pentágono, nossa adversária tática e estratégica desde o fim da segunda guerra mundial.

 A defesa da paz, tema caro ao humanismo socialista, implica a ativa condenação da guerra, necessidade do desenvolvimento capitalista, com a qual a Europa flagelou o mundo no s​éculo passado.

O pacifismo socialista, porém, considera as condições históricas, como demonstram o esforço dos trabalhadores russos no afã de consolidar a revolução de 1917 e derrotar 14 exércitos invasores, e o empenho da jovem URSS na guerra contra a ameaça nazifascista, e seu posterior engajamento nas lutas de libertação nacional e descolonização em todos os continentes, no curso do último século. Os socialistas, ao lado dos trabalhadores brasileiros defenderam o envio de tropas para os campos de batalha da Itália: a História dizia que a prioridade era derrotar o nazifascismo.

Os socialistas brasileiros sempre defenderam a autodeterminação dos povos e hoje, mais do que nunca, desconhecem justificativa para rever essas posições que, aliás, vêm norteando a política brasileira desde Rio Branco, enriquecida a partir das experiências de política externa independente formuladas por Afonso Arinos e San Tiago Dantas nos anos 60 do século passado, revista e enriquecida pela política “ativa e altiva” de Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia. Uma só vez, na República, o país desonrou essa história de altivez, quando, sob ditadura militar, misturou-se aos marines dos EUA que em 1965 invadiram a República Dominicana para depor o governo constitucional e democrático de Juan Bosch.

A soberania política e a integridade territorial de todos os países devem ser mutuamente respeitadas, e é evidente que uma soberania está sendo violada quando parte do território de uma nação livre e independente é invadida por tropas estrangeiras, como ocorre com a base de Guantánamo, em Cuba, ocupada pelos EUA.

Claro, também, que a integridade nacional é golpeada quando o território de um país soberano se vê cercado por instalações militares de potências declaradamente inimigas.

Em 1962, ao descobrir que a URSS havia instalado armas estratégicas no território cubano, os EUA decretaram o bloqueio naval da ilha, e colocaram o mundo à beira da hecatombe nuclear, afinal afastada pela negociação de um acordo que, assegurando os EUA que não invadiriam Cuba, criava condições para a URSS retirar seus mísseis. Como foi a norte-americana naquele então, é legítima a preocupação da Rússia de hoje com o que significaria, para sua segurança, o ingresso da Ucrânia na OTAN.

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A questão da Ucrânia – um palco | Carlos de Matos Gomes | in The Blind Spot

03/03/2022 | A inutilidade da moral para ler a guerra

Todas as guerras são condenáveis, a paz é um bem inestimável, todos os povos têm direito a escolher os seus destinos, todos os combates causam sofrimento, mortes, destruições e deslocações. A guerra é sempre uma amálgama de corpos, de sangue e de ruínas. Todos os seres humanos dotados de um mínimo de humanidade são contra a guerra. Contudo, a guerra é a mais antiga e continuada ação humana. A condenação moral da guerra nunca evitou a guerra, nem construiu a paz.

O primeiro dado de partida para a análise de qualquer guerra é não haver moral, mas apenas interesses. Os direitos dos povos e a moral não são elementos do jogo. Nunca são. Na Ucrânia não se defende a liberdade, nem o direito, como não se defenderam esses valores noutras invasões próximas de nós no tempo, a do Iraque, do Afeganistão, da Líbia, da Síria. Como não foram para os defender que se desencadearam as guerras no Vietname ou, mais atrás, as invasões da Hungria e da Checoslováquia. Como, ainda mais atrás, não foi pela defesa de valores morais que ocorreu a divisão da península da Coreia.

O segundo dado é o de a guerra ter como motivo a conquista de vantagens, ou a defesa de situações e de os pretendentes à conquista desses dois objetivos estarem dispostos a utilizar a violência para os alcançar. Não há guerra sem violência.

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Por quem dobram os sinos em Kiev? | por Carlos Branco, general e Investigador do IPRI-NOVA

IPRI-NOVA – Instituto Português de Relações Internacionais | http://www.ipri.pt/index.php/pt/

A explicação para os acontecimentos em curso na Ucrânia não se encontra em abordagens maniqueístas dos bons contra os maus, mas sim na geoestratégia, que tem influenciado de modo decisivo a política externa das grandes potências.

A compreensão dos acontecimentos presentemente em curso na Ucrânia exige um escrutínio dos factos, que vá para lá dos sound bites estridentes que confundem desinformação com informação, fazendo da verdade a primeira vítima da guerra, como uma vez alguém escreveu. De facto, estamos perante dois assuntos distintos, embora correlacionados: a proteção da população russa da Ucrânia, e a expansão da NATO para Leste, subsumindo-se o primeiro neste último.

A explicação não se encontra em abordagens maniqueístas dos bons contra os maus, mas sim na geoestratégia, que tem influenciado de modo decisivo a política externa das grandes potências.

Isso é bem visível no caso norte-americano. A política da contenção da União Soviética adotada por Washington, nos tempos da Guerra Fria, elaborada e desenvolvida por George Kennan, o arquiteto da estratégia americana para conter a União Soviética, fortemente inspirada nos trabalhos do geoestratega Nicholas Spykman, é um flagrante disso.

Mais recentemente, Zbigniew Brzezinski, conselheiro nacional de segurança do presidente Jimmy Carter, avançou no seu livro “The Grand Chessboard” (1997), com a teoria dos pivôs geopolíticos, considerando a Ucrânia um desses pivôs.

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Alargamento da União Europeia – Já! | Carlos de Matos Gomes

O conflito da Ucrânia levantou questões reveladoras da frágil camada de verniz racional que cobre o núcleo de interesses dos Estados e dos nossos amados líderes.  A racionalidade é apenas uma versão do interesse. No fundo, os dirigentes políticos andam atrás da turba e a turba age à voz. Corremos à frente dos nossos tambores e cornetas.

O oferecimento dos dirigentes da Ucrânia parra entrarem como membros da União Europeia e a resposta dos dirigentes da União é exemplar do ponto de barganha em que os Estados se movem.  Há uns meses a UE discutia as violações aos princípios do Estado de Direito pela Hungria e a Polónia. Agora, perante a Ucrânia são exemplos de comportamento democrático!

A Ucrânia aproveita a invasão Russa para fazer um ultimato moral: ou entramos para a União Europeia e para a NATO ou a União Europeia é cúmplice dos resultados do nosso interesse em pertencer a essas duas alianças que nos garantem negócios em segurança.

É uma atitude inteligente e reveladora de bom domínio das emoções alheias por parte do regime ucraniano.  Ninguém na Europa da boa vida gosta de ver edifícios esventrados, multidões em fuga. Há que aproveitar enquanto as emoções estão a quente. Zelensky aproveitou.

Mas a adesão da Ucrânia à NATO e à União Europeia coloca a questão: porque não admitir, então, a Turquia na UE?  O regime político da Ucrânia é mais “democrático” que o da Turquia? É que a Nato é, desde que Portugal se fez democrático, uma aliança de democracias… em tese, claro. A relação entre negócios e política na Turquia de Erdogan mais transparente que a dos oligarcas ucranianos com o regime chefiado por Zelensky?

Dir-me-ão, a Turquia é muçulmana, com uma religião de Estado determinante da política. Nesse aspeto é muito diferente do Estado teocrático da Polónia? E, já agora o Reino Unido também é uma teocracia… simpática, mas é… e saiu da UE, mas pertenceu ao clube vários anos…

Eu sempre fui contra a entrada da Turquia na União Europeia, mas perante esta febre de competidores para mostrarem que são cada um mais ucranianos que os outros, entendo que a Turquia deve ser admitida. E já agora e porque não a Bielorrússia? O Lukashenco é mais independente da Rússia do que o Zelensky dos Estados Unidos?

Juntemos num pacote, que fica mais económico, o Zelensky, o Erdogan e o Lukashenco. Haja algum coerência e não se levem as propostas muita sério até elas  servirem para promover algum negócio.

Os cidadãos europeus merecem quem os dirige com tão elevados princípios.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

A explicação da loucura, ou a explicação da ignorância ou a explicação das duas circunstâncias | Rodrigo Sousa e Castro

George Kennan, indiscutivelmente o maior estrategista de política externa dos Estados Unidos, o arquiteto da estratégia americana de guerra fria. Já em 1998, ele advertiu que a expansão da OTAN era um “erro trágico” que deveria provocar uma “má reação da Rússia”.

Depois, há Kissinger, em 2014

 Ele alertou que “para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro” e que o Ocidente, portanto, precisa de uma política que vise a “reconciliação”. Ele também foi inflexível que “a Ucrânia não deve aderir à OTAN”

Este é John Mearsheimer – provavelmente o principal estudioso geopolítico nos EUA hoje – em 2015:

 “O Ocidente está levando a Ucrânia pelo caminho da primavera e o resultado final é que a Ucrânia vai ser destruída [… ] O que estamos fazendo é de fato encorajar esse resultado.”

Este é Jack F. Matlock Jr., embaixador dos EUA na União Soviética de 1987-1991, alertando em 1997 que a expansão da OTAN foi “o erro estratégico mais profundo, [encorajando] uma cadeia de eventos que poderia produzir a mais séria ameaça à segurança [ …] desde o colapso da URSS”

Este é o secretário de Defesa de Clinton, William Perry, explicando em suas memórias que para ele o alargamento da OTAN é a causa da “ruptura nas relações com a Rússia” e que em 1996 ele se opôs tanto a isso que “na força de minha convicção, considerei renunciar “.

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COMO CHEGÁMOS AQUI? / OPINIÃO | por Boaventura Sousa Santos

Como chegámos aqui?

Apostados em não reconhecer o seu declínio, desde a saída caótica do Afeganistão ao medíocre desempenho na pandemia, os EUA insistem em fugas para a frente, e nessa estratégia pretendem arrastar a Europa.

Boaventura de Sousa Santos in Público

25 de Fevereiro de 2022

A soberania da Ucrânia não pode ser posta em causa. A invasão da Ucrânia é ilegal e deve ser condenada. A mobilização de civis decretada pelo presidente da Ucrânia pode ser considerada um acto desesperado, mas faz prever uma futura guerra de guerrilha.

Putin deveria ter presente a experiência dos EUA no Vietnam: o exército regular de um invasor, por mais poderoso que seja, acabará por ser derrotado, se o povo em armas se mobilizar contra ele. Tudo isto faz prever incalculáveis perdas de vida humana inocente. Ainda mal refeita da pandemia, a Europa prepara-se para um novo desafio de proporções desconhecidas. A perplexidade perante tudo isto não poderia ser maior.

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Maria João Cantinho e a arte de esculpir poemas | por Adelto Gonçalves

                                                 I

       Autora consagrada na área ensaística, especialmente com livros sobre o filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin (1892-1940), Maria João Cantinho (1963) chega ao seu quinto livro de poemas com Escopro e Luz (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2021), afirmando-se como uma das maiores poetisas (e por que não poetas?) da Língua Portuguesa dos séculos XX e XXI. Mas isto não significa que atue de maneira independente numa e noutra área do pensamento.

            Pelo contrário. Em sua poesia, percebe-se o desencanto da poetisa com o mundo em que lhe coube viver, como se visse a História pelas lentes de Walter Benjamin que, em sua crítica ao progresso, prognosticara períodos de crescimento seguidos de outros de barbárie e selvageria, antevendo o retrocesso europeu e norte-americano dos tempos atuais, o que inclui também a época de desconstrução e desagregação social por que passa o Brasil de hoje.   

            Como já anteviu o professor José Cândido de Oliveira Martins, da Universidade Católica Portuguesa, em alentado e percuciente ensaio-introdutório de 12 páginas escrito à guisa de prefácio, a palavra poética de Maria João Cantinho “tem o misterioso poder de ajudar a cicatrizar a ferida aberta, regenerando e revitalizando o corpo sofrido, assim plasmado no corpo do poema ou da poesia”. Afinal de contas, diz o professor, são estas vozes (da poesia, das lembranças da infância ou de outras proveniências) que nos resgatam da iminência do naufrágio – “São as vozes que nos salvam”.

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