
T.S. Eliot | La Chanson d’amour de J. Alfred Prufrock (The Love Song of J. Alfred Prufrock, 1917)


Janis Joplin covered the song for inclusion on her Pearl album only a few days before her death in October 1970. Kris had sung the song for Joplin, and singer Bob Neuwirth taught it to her. Kris, however, did not know she had covered it until after her death (the first time he heard it was the day after she died). Joplin’s version topped the charts to become her only number one single and only the second posthumous number one single in rock & roll history (the first was “(Sittin’ on) the Dock of the Bay” by Otis Redding). In 2004, the Janis Joplin version of this song was ranked No. 148 on Rolling Stone’s list of the 500 Greatest Songs of All Time.
Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar – e de repente aqui está ela: a Náusea. Então é isso a Náusea: essa evidência ofuscante? Existo – o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo. Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso me assusta. Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… E subitamente, de repente, o véu se rasga: compreendi, vi. A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu.
Jean-Paul Sartre




I
Considerada arte menor ou apenas decorativa, a azulejaria ganha agora foro de expressão artística com o estudo Desenhadores & Azulejeiros – Ensino e Aprendizagem, Arquitetura e História (Rio de Janeiro, Synergia Editora, 2018), de Clara Emília Sanches Monteiro de Barros Malhano e Hamilton Botelho Malhano (1947-2017), que resgata a história de vida de dois artistas portugueses – José Colaço (1868-1942) e Manuel Félix Igrejas (1928) –, além de analisar o ensino das Belas Artes no Brasil, o que inclui a azulejaria, e a sua relação com a arquitetura neocolonial e modernista. Para tanto, o trabalho, segundo definição dos autores, procura entender as “técnicas artesanais, manufatureiras e industriais da produção cerâmica azulejeira luso-brasileira em relação a outras produções de azulejos enquanto arte de caráter internacional”.
Nascido no Tânger, Marrocos, Colaço, de origem aristocrata, com formação acadêmica, pensou em emigrar para o Brasil e chegou a adquirir bilhete de viagem, mas deixou de fazê-lo porque a morte o alcançou antes, já na idade madura. Deixou atrás de si uma série de trabalhos, dos quais os mais famosos são os painéis de azulejos que decoram o grande átrio da Estação de São Bento, no Porto, desde 1915, e até hoje encantam os passageiros que por lá passam pela primeira vez ou não, e a parede de uma sala na Casa do Alentejo, próxima aos Restauradores, em Lisboa, de 1918. No Brasil, porém, é mais conhecido pelos painéis da fachada principal do Estádio de São Januário, do Clube de Regatas Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, que produziu na década de 1930.
Romance místico, romance religioso ou romance ecumênico? Depois de Goto, A Lenda do Reino Encantado do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, pela Clube de Autores Editora, SC, romance pós-moderno (considerado a melhor obra do escritor); depois do gracioso Gute-Gute, Barriga Experimental de Repertório, Editora Autografia-RJ, e depois do revoltado Tibete-De quando você não quiser mais ser gente, Editora Jaguatirica, RJ, três romances de peso e agraciados por boas críticas literárias de renome, o escritor, ciberpoeta, ensaísta, crítico literário e então por isso mesmo romancista, Silas Correa Leite, de Itararé-SP, premiado em diversos concursos literários, lança finalmente o romance ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, primeiro de uma trilogia. Este livro começou a ser escrito em 1998, terminado em 2015, e só agora finalmente lançado pela Sendas Editora do grupo Kotter Editorial de Curitiba-PR.
Andrés Iniesta, um dos meus jogadores de eleição, assumiu ter sofrido de depressão, e de como a dita intrusa se instalou e lhe tirou o gosto e as sensações. “Só pensava em tomar o comprimido e dormir”. A depressão instala-se quando o sonho deixa de comandar a vida. É uma dor que desatina sem doer. É uma doença curável, mas incapacitante. Um comprimido serve de rede e um deprimido não é um atrasado mental. Pode bem ser um inadaptado à frente do seu tempo. Os deprimidos são por regras sensíveis e hiper sensíveis. Alguns são reactivos e são deprimidos ansiosos. Outros, afundam-se e estiolam. O pior para um deprimido é a indiferença e a frieza dos que o rodeiam e o tratam como um empecilho à sua felicidade parasitária. A mais premente necessidade de um deprimido (e de qualquer ser humano) é ser olhado como um ser humano, falível e vulnerável.
Tiago Salazar
Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar
Consta, na mais recente biografia de José Saramago, escrita por Joaquim Vieira, haver uma faceta menos conhecida de Saramago, a de um machista. Cresci a ouvir histórias de escritores galifões, casados e pais de filhos, mas dados a conquistas e investidas a eito, mais ou menos consentidas. Por exemplo, só para nomear alguns, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes, David Mourão Ferreira, Baptista Bastos, ou, o mais exortado, o pintor de vulvas Henry Miller.
A propensão para o excesso deu cabo de alguns matrimónios e relações, embora muitos se mantivessem casados e as suas mulheres no silêncio. Outras, como Paula Rego ou Frida Kahlo, apesar do muito amor e da felicidade conjugal, seguiram o mesmo instinto. Por ajuste de contas ou paridade. A questão é bicuda: talvez se o ponto de partida fosse cordato não houvesse dominadores e dominados, ou vinganças ao retardador sobre o pressuposto de que ele (ou ela) não eram assim. Talvez o amor exclusivo seja raro, e a arte nascida de grandes amores um mero narcisismo.
Tiago Salazar
Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar
A excitação com a magna questão do IVA das touradas é reveladora de uma atitude, de um clima e de um risco.
A atitude é a que se poderia esperar, uma espécie de deslumbramento hiperbólico com a faena, numa espécie de competição entre toureiros que querem ganhar uma volta à praça. O touro foi “adotado pelo homem ibérico, e criado como o mais nobre dos adversários, digno de sobreviver para enfrentar o Homem até ao fim dos tempos, simulando e celebrando, com o cavalo de combate, a tradição milenar do guerreiro ibérico”, escreve Sousa Pinto, em modo de delírio poético. “Até ao fim dos tempos” é muito otimismo, mas o nosso “guerreiro ibérico” tem destas coisas. O mesmo diria da afirmação ousada, e algo constrangedora, de que não percebe poesia quem não festeja a bandarilha ou que namora o totalitarismo quem não comemora rabo e orelha.
Do outro lado, está o clima que dá por certo que, se a violência contra uma cadela é punida com pena de prisão, ou se os combates de cães são proibidos, se os sacrifícios de animais já são interditos e se a tradição nunca mais foi o que era, um dia a exibição do massacre do touro deixará de existir.
Mas a lição para a esquerda não está nem na radicalização espetacular dos toureiros, nem na certeza tranquila de que o tempo concluirá esta querela. Está na demonstração atual do risco e da vulnerabilidade comunicacional das agendas de entretenimento. Há gente para tudo, como se viu, e sobretudo para a agitação de emoções apopléticas. Com tanta arrebatamento, o efeito de contaminação constrói um artifício de alheamento. Esse é o caldo de cultura em que tudo se confunde, pois se definem linhas de fractura apoiadas na distração. E, como 2019 é um ano de todos os perigos, a lição deste episódio taurino é de grande valia: pois saiba-se na esquerda que só ganhará quem nunca se desviar do que interessa e perderá quem deixar afirmar-se o interesse pelo desinteresse. É a vida das pessoas, mesmo a vida, o salário, a segurança no emprego, a segurança na saúde, o cuidado dos filhos, a pensão, o acompanhamento das pessoas dependentes, que tem que determinar as escolhas. Não será nunca uma bandarilha a definir os campos e os resultados.
(no Expresso)
Retirado do Facebook | Mural de Franciso Louçã
O facto de a nova Ministra da Cultura afirmar que prejudicar a tourada à portuguesa é um acto de ‘civilização’ permite constatar o óbvio – há quem ache que a civilização é norte-europeia ou, como dizem os Americanos, é WASP (white, anglo-sexon protestant) e que o Mundo Mediterrânico, polarizadamente católico, não é ‘civilizado’ por ser católico – um mundo de virgens, de santos e procissões, que os protestantes consideram semi-pagão, supersticioso e ‘atrasado’, a necessitar do seu colonialismo civilizacional. Há, por isso, em Portugal, portugueses ‘avançados’, que têm vergonha de serem portugueses e tencionam aproveitar lugares no Aparelho de Estado e no Governo para corrigir o ‘atraso’ civilizacional dos portugueses e nos tornar ‘mais europeus’, isto é, menos diferenciados culturalmente e mais absorvidos pela cultura protestante.
As touradas existem na península ibérica e no sul de França, associadas à pastorícia do gado bovino em liberdade. vigiados por campinos, sobretudo nas margens do Tejo (Ribatejo e Alentejo), originando esse facto cultural que é a tourada à portuguesa.
Têm contra si os que se auto-consideram os mais ‘civilizados’ dos portugueses, um agregado ideológico que forma uma minoria elitista activista, que se sente ‘superior’ aos outros portugueses – os vegan e vegetarianos, que não comem carne, os ecologistas, que são contra o gado bovino, por ser poluente, os ‘protetores dos animais’, que consideram a tourada um ‘divertimento’ marcado pela violência e pela tortura dos touros, algumas feministas, que associam a tourada ao Machismo (como se proibir as touradas acabasse com o machismo) e alguns católicos fanáticos que acham que a tourada é um resíduo dos cultos pagãos que ainda não conseguiram destruir. Uma ‘elite’ sub-cultural, com muito pouca gente, alinhada com a Cultura WASP.
La portée des explications
Derrière tout cela se trouve sûrement une idée si simple, si belle, que lorsque nous la saisirons – dans une décennie, un siècle ou un millénaire – nous nous dirons tous, comment aurait-il pu en être autrement?
John Archibald Wheeler, Annales de l’Académie des sciences de New York, 480 (1986)
Pour des yeux humains sans aide, l’univers situé au-delà de notre système solaire ressemble à quelques milliers de points brillants dans le ciel nocturne, auxquels s’ajoutent les légères traînées floues de la Voie lactée. Mais si vous demandez à un astronome ce qui se passe réellement dans la réalité, on ne vous parlera pas de points ou de traînées, mais d’ étoiles : des sphères de gaz incandescents de millions de kilomètres de diamètre et à des années-lumière de nous. On vous dira que le soleil est une étoile typique et n’a pas l’air différent des autres parce que nous en sommes beaucoup plus proches, bien qu’à quelque 150 millions de kilomètres. Pourtant, même à ces distances inimaginables, nous sommes certains de savoir ce qui fait briller les étoiles: on vous dira qu’elles sont alimentées par l’énergie nucléaire libérée par la transmutation. – la conversion d’un élément chimique en un autre (principalement de l’hydrogène en hélium).
Certains types de transmutation se produisent spontanément sur Terre, dans la désintégration des éléments radioactifs. Cela a été démontré pour la première fois en 1901 par les physiciens Frederick Soddy et Ernest Rutherford, mais le concept de transmutation était antique. Les alchimistes rêvaient depuis des siècles de «transmuter» des «métaux de base», tels que le fer ou le plomb, en or. Ils n’ont jamais été sur le point de comprendre ce qu’il faudrait faire pour y parvenir, alors ils ne l’ont jamais fait. Mais les scientifiques du vingtième siècle l’ont fait. Et les étoiles aussi, lorsqu’elles explosent en supernovae. Les métaux de base peuvent être transformés en or par des étoiles et par des êtres intelligents qui comprennent les processus qui alimentent les étoiles, mais par rien d’autre dans l’univers.
Faz hoje 43 anos Portugal esteve à beira da guerra civil. Eu tinha chegado há exactamente dezassete dias, ou seja, naquele 8 de Novembro em que o VI Governo Provisório mandou dinamitar os emissores da Rádio Renascença, controlada pela extrema-esquerda.
Sobre o 25 de Novembro, transcrevo do meu livro de memórias:
«Dias depois desse reencontro aconteceu o 25 de Novembro. Passei o dia no Estoril, a tal ponto alheado dos acontecimentos que fui com o Jorge jantar a Lisboa e a seguir ao cinema. O Galeto teria talvez uma dúzia de clientes, mas no primeiro balcão do Império éramos os únicos espectadores. Só no comboio de regresso a casa soubemos do recolher obrigatório. O passeio impediu que tivéssemos visto Duran Clemente a ser substituído por Danny Kaye — ‘The Man from the Diner’s Club’ foi o sinal inequívoco de que o PREC tinha acabado.
Com a imprensa nacionalizada desde a intentona de 11 de Março de 1975, o Governo impôs um período de nojo. Não se publicaram jornais durante mais de quinze dias. Quem quisesse saber o que se passava em Portugal, ouvia a BBC ou comprava o Monde. A excepção era o Expresso, que durante dois meses (entre 5 de Novembro de 1975 e 7 de Janeiro de 1976) foi bissemanário, saindo às quartas e sábados. A edição extra era feita por Vicente Jorge Silva e Helena Vaz da Silva.

Neste 25 de novembro lembrei-me do Jaime Neves que conheci. E, a propósito da biografia pessoal que dele fez o professor Rui de Azevedo Teixeira, as múltiplas personalidades que todos somos e as muitas sombras que todos projetamos. As imagens que os outros vão criando de cada um de nós. Todas são verdade e nenhuma é a verdade. A biografia tem por título «Jaime Neves, homem de guerra e boémio» e o subtítulo «Jaime Neves por Rui de Azevedo Teixeira». É uma imagem de Jaime Neves criada por um autor, como uma pintura, ou uma fotografia.
Eu não tenho de Jaime Neves a imagem nem como homem de guerra, nem como boémio, embora tenha partilhado com ele a guerra e alguma boémia. Também conheço com alguma intimidade o papel dele no 25 de novembro de 75 e a imagem que dele tenho não é a da mitologia (pequena mitologia) que à sua volta alguns foram criando e que mais não são que a sua colocação numa moldura de circunstâncias, a circunstância da guerra, a circunstância dos excessos dos descansos dos guerreiros entre campanhas e batalhas, o aproveitamento dos guerreiros para fins de tomada de poder por parte dos que não querem correr o risco vida no combate.
Ao longo da vida tive a felicidade, que constitui o meu maior património, para além da minha família, de conhecer e conviver com personalidades extraordinárias, e aqui a palavra é a adequada, que incluem Samora Machel e Aquino de Bragança, generais como Spínola, Costa Gomes e Kaúlza de Arriaga, meus camaradas homens de guerra como Almeida Bruno, Raúl Folques, Santos e Castro, Abreu Cardoso, aventureiros e visionários como Jorge Jardim, seres históricos como Salgueiro Maia, mulheres como Isabel do Carmo, Maria Tereza Horta ou Maria de Lurdes Pintassilgo, até um comissário político da brigada Lister na guerra civil espanhola! E, dessa galeria de figuras, que incluem algumas que nunca referirei, faz parte o Jaime Neves.

I
Depois de ambientar os seus dois primeiros romances – A última adolescência (Bom Texto, 2004) e Ladeira do Tempo-Foi (Synergia Editora, 2017) – no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o escritor Helio Brasil retorna aos contos, gênero em que fez sua estreia tardia na literatura, aos 64 anos de idade, com a publicação de O anjo de bronze e outros contos (Oficina do Livro, 1994). Desta vez, em O perfume que roubam de ti… e outras histórias (Synergia Editora, 2018), título assumidamente inspirado nos versos da famosa canção “As rosas não falam”, dos compositores cariocas Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), e Guilherme de Brito (1922-2006), reúne 26 contos que retratam personagens de diversos momentos da vida brasileira, desde o Brasil Colônia até os dias atuais.
Aparentemente, estas histórias são o resultado de uma vida inteira dedicada ao vício da literatura, amor escondido a sete chaves até que, já na idade madura, o autor, arquiteto de talento reconhecido por suas obras no Rio de Janeiro e também celebrado como professor universitário, resolveu deixar o excesso de modéstia de lado e transformar-se também em escritor. Ganhou a literatura de Língua Portuguesa, pois, desde então, o autor passou a fazer parte de um seleto grupo de escritores cujas carreiras começaram tardiamente, o que não os impediu de alcançar a fama e o reconhecimento literário, de que bons exemplos são José Saramago (1922-2010), Pedro Nava (1903-1984) e Cora Coralina (1889-1985).
Agora, Helio Brasil decidiu revirar o baú para dar a público histórias inéditas que reúnem todos os sentimentos humanos, os bons e os maus, como amor, violência, solidão, preconceito, heroísmo, conspirações, desejo, fé, traição, intrigas, sedução, mistério e outros. Ao mesmo tempo, reedita alguns contos que já haviam sido publicados anteriormente em coletâneas.
O Rapto de Proserpina é uma escultura de Gian Lorenzo Bernini (1598–1680), considerado um dos maiores artistas do século XVII, tendo seu trabalho quase todo centrado na cidade de Roma.
O mito romano do rapto de Proserpina por Plutão é uma lenda que também aparece na cultura grega, onde Plutão se chama Hades e Proserpina é Perséfone, que encantou o obscuro deus com sua beleza, filha da deusa das colheitas Deméter. Ela é então raptada e levada para as profundezas da Terra, deixando sua mãe enfurecida. O rapto fez com que Deméter castigasse o mundo, arrasando com as plantações, entregando o mundo ao caos e à fome. Conta-se que Perséfone não podia comer nada que lhe fosse oferecido ou ela nunca mais voltaria para casa. Enquanto Zeus tentava convencer Hades a liberar a moça, Perséfone comeu algumas sementes de romã, selando o seu destino. Assim, ela se viu obrigada a casar com Hades, o que deixou Deméter ainda mais furiosa.
Zeus teria então interferido. Perséfone passaria metade do ano com o marido e a outra metade com a mãe. Dessa maneira, Deméter aceitou e assim os gregos explicavam as épocas do ano. Quando era verão e primavera, sua filha estava ao seu lado. No inverno e no outono, épocas frias, sem colheitas, Perséfone estava com o marido.
A obra encontra-se na Galleria Borghese, em Roma. Data | 1621-1622 | Técnica Mármore


” Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”
Hipócrates
O Coletivo Nacional Português (CN) foi eleito há 3 semanas – podes conhecer-nos em maior pormenor aqui https://diem25.org/cn-portugal/ e escrever-nos para info@pt.diem25.org para partilhares as tuas ideias connosco. Podes também consultar os resumos das reuniões do CN aqui: https://internal.diem25.org/en/meeting_summaries/
No dia 27 de Outubro tivemos o primeiro evento nacional do DiEM25 em Portugal – o Evento 3D 2018 no Porto que contou, na sua organização, com o apoio de vários membros dos Coletivos espontâneos (especialmente Lisboa, Oeiras, Porto), do Coletivo Nacional Provisório e do recém-eleito Coletivo Nacional.
Podes ver o álbum de fotos deste evento na nossa página de facebook e ouvir integralmente o painel sobre Democracia que foi colocado no soundcloud e facebook – https://www.facebook.com/diem25.pt.oficial/
Aproveitamos também para te dar notícias dos Coletivos Espontâneos (CEDs):
Lisboa – O CED Lisboa perspetiva sua atividade no sentido de oferecer ao DIEM uma contribuição para integrar as preocupações e saberes ambientais e ecológicos na teoria e na prática das nossas ações. Pretende fazê-lo aprendendo e colaborando com organizações já implantadas nesse domínio cívico e cognitivo. Sem prescindir de tomar as suas próprias iniciativas, como palestras e convívios em nome do CED Lisboa. No próximo dia 7 de Dezembro, sexta-feira, entre as 18:30 e as 22:30, junta-te ao debate-jantar-convívio sobre “ecologia e democracia”, na livraria Sá da Costa, Rua Garrett 100-102, Lisboa.
Podes contactar o CED de Lisboa para o email: lisboa1dsc@pt.diem25.org ou através do Facebook aqui: https://www.facebook.com/Diem25-Lisboa-DSC-001-1639761386346627/
Oeiras – No sentido de responder ao pedido do CED1 Berlim, o CED Oeiras reuniu dia 16/11 no café “a Quinta” na estação de Oeiras para discutir a proposta do Policy Paper para Asilo e Migração do DiEM25. A próxima reunião será dia 24/11 sexta feira no mesmo local, se estiveres por perto e quiseres participar iremos falar do orçamento participativo em Oeiras e da utilização de tecnologias éticas para substituir a google drive do no nosso Coletivo, entre outros temas.
Podes contactar o CED de Oeiras através do email: oeiras1dsc@pt.diem25.org ou através do Facebook em: https://www.facebook.com/DiEM25Oeiras/
Porto – O CED do Porto tem novidades: o Rafael Montes foi eleito para a coordenação do Colectivo e os novos co-coordenadores são a Virgínia Valente e Alexander Wall. O Coletivo irá focar a sua ação na programação de reuniões temáticas mensais; na divulgação da atividade política geral do DiEM; na participação em assembleias e reuniões públicas municipais; na instituição do orçamento participativo na cidade e em atividades de sensibilização para a democracia participativa e ambiental com jovens.
Podes contactar o CED do Porto através do email: porto1dsc@diem25.org ou através do Facebook aqui https://www.facebook.com/DiEM25Porto001/
Esperamos o teu contacto,
Carpe DiEM!
>> Os membros do Coletivo Nacional
Refém 
da desordem tresloucada…
ergonomia do caos,
cristal assolapado,
vínculo quebrado
que alui
num fado…
foguetório,
desdém sem retorno,
fundida luminária,
império prostrado
no colo da alimária
média…
Tanto amor vingou,
tanta história se levantou
da magna pátria…
Cantos,
epopeias,
sonhos,
raízes que rasgaram o ventre
da terra mãe
…e floriram…
Flores
seduziram
amores….
Sol
e chuva
e olhos chorados
emoção incontida
sorriso,
gargalhada,
arrepio,
volúpia apaixonada…
poros
de pele,
erectos,
comovidos,
multidão,
corações acelerados,
batendo,
dilacerados…
tombo
de caule que murcha…
voo
de gume afiado…
rasante
que corta,
agride,
amassa…
punhal selectivo
destrutivo…
erva daninha
definha
o meu ser
Portugal…
louca,
loucura
nação valente
acorda…
sonha de novo,
agita este Povo,
acende o futuro
destrói a erva daninha…
muda o feitio,
desafio,
para cantar
outra vez…
Paulo Fonseca
Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca


Mystère insondable de son esprit 
Énigme fascinante reliée à sa vie
Naissance magique de son génie
Tigre sacré qui feule du fond des nuits
Enchanteur quand il sourit
Nulle part il existe un être comme lui
Du fond des âges il tire son savoir
Souffle sur ma vie un coup de Blizzard
Tout s’arrête quand loin de moi il part
Union du feu et du vent
Délicieux brasier incandescent
Élève mon âme au firmament
Lien précieux nourri d’encens
Attirance électrique , je deviens aimant.
Paroles subtiles , mots élégants
Raffinement d’un autre temps
Intense charme insolent
Sincère tendresse aux mots troublants
Ode d’amour dans ses yeux noirs
Noie mon cœur dans son regard
Détient mon âme dans sa mémoire
Éteint mon ciel quand il s’égare
Tantôt ange ou bien démon
Observe le moindre de mes sillons
Nébuleux d’un sombre profond
Charmée par la pointe de son harpon
Ondes sensuelles au diapason
Entente parfaite, ma fusion
Unique raison de ma déraison
Rare esprit il est ma passion.
Malika Mellal novembre 2018
Retirado do Facebook | Mural de Malika Mellal
Only the coolest people get to sit in the wicker peacock chair

Desde o primeiro instante, apesar de um encantamento, um déja-vu, uma atracção inexplicável, do calor de um beijo dado, e outro, chega o momento de ambos se despirem e nenhum está despido para além do corpo. Dentro do corpo de ambos há um nervoso miudinho, a incerteza do que é o outro, quem frequentou, quantos corpos conheceu, quem fodeu, amou ou fornicou. Prevalece a vontade nervosa de mostrar um à-vontade inexistente. Estão ambos em rejeição do que se chama entrega. Duvidam, no fundo, por medo. É o medo que leva à rejeição. Um quer quase sempre mais do que o outro, embora a retração de um leve à rejeição do outro. Pode haver a suspeita de um que o outro dorme ou fode com outro. Pode haver a ideia de que a entrega total não existe, por niilismo. Pode haver a descrença fruto de relações falhadas, ou, mais atrás, de uma falha uterina, uma carência desmedida. Começa então o vaivém, do querer e não querer, do ir e voltar. A mulher pode ser romântica mas no seu íntimo desconfia e só se entrega uma em mil vezes, para algures no encontro querer sair depressa dos braços do amado. Pode querer mais, porque há um réstia de esperança nas suas capacidades de amar, de querer amar, de querer ser amada. Nunca viveu a experiência de amar e ser amada. Ou uma, ou outra, a maior parte das vezes nenhuma, caindo nas suas próprias armadilhas de caçadora de emoções. É uma amazona, ele um predador. Ambos são frágeis nas suas capacidades de se deixarem apenas o privilégio de sentir. Ambos são casados com outros, e o facto de se terem descoberto e de tardarem a encerrar os seus relacionamentos torna-os mais receosos. Rejeitam-se a amar-se.
Tiago Salazar
Retirado do facebook | Mural de Tiago Salazar
“1ª Gala Internacional de Ballet de Buenos Aires” (2011) | Photo: Carlos Villamayor

Este é um momento histórico. Os membros do DiEM25 quase acabaram de aprovar a versão beta do programa da Primavera Europeia, peça essencial para a nossa participação nas eleições europeias (com mais emendas, que serão votadas mais tarde) e elegemos uma lista de candidatos incrível para a Alemanha. O próximo passo chega a 25 de Novembro, com a reunião da nossa ala eleitoral em Berlim, que em princípio confirmará esta lista. Queres estar presente? Inscreve-te aqui.
Entretanto precisamos de decidir com urgência o que fazer em Itália. As forças de esquerda ainda não se decidiram relativamente à coligação que querem fazer e o programa que querem apresentar nas eleições europeias. Concorrer sozinho é arriscado mas se continuarmos a esperar por uma coligação que defenda algo com que não concordamos também é um risco. Algumas pessoas estão a sugerir que não devemos concorrer. Por isso por favor dirige-te ao fórum dos membros para votar sobre a posição do DiEM25 em Itália e como avançar com a nossa estratégia para trazer a nossa Agenda Progressista europeia para as eleições para o Parlamento Europeu.
Finalmente vamos partilhar uma preocupação nossa: O DiEM25 é um movimento em que cada membro que paga tem de cobrir os custos de quatro membros que não pagam (uma opção que está desenhada para pessoas sem rendimentos). Dada a dimensão da nossa luta a nível europeu, contamos contigo para fazer a diferença. Como alguém que escolheu a adesão gratuita, a tua situação financeira pode ter melhorado ao ponto de poderes suportar o custo de (25 EUR/ano)? Ajudaria bastante – e todos os euros contam!! Faz as atualizações à tua política de doações aqui.
Carpe DiEM!
Judith Meyer
>>Coordenadora de Voluntários do DiEM25
Na sexta-feira da lua nova do mês de Moharram, no vigésimo ano da Hégira (isso equivale a 22 de dezembro de 640), o general Amr Ibn al-As, o emir dos agareus, conquistava Alexandria, no Egito, colocando a cidade sob o domínio do califa Omar. Era um dos começos do fim da famosa Biblioteca de Alexandria, construída por Ptolomeu Filadelfo no início do terceiro século a.C. para “reunir os livros de todos os povos da Terra” e destruída mais de mil anos depois.
A idéia de reerguer a mais formidável biblioteca de todos os tempos surgiu no final dos anos 70 na Universidade de Alexandria. Em 1988, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, assentou a pedra fundamental, mas foi só em 1995 que as obras realmente começaram. O suntuoso edifício de 11 andares, que custou US 212 milhões, boa parte dos quais pago pela Unesco, foi concluído no ano passado. Só a sala de leitura da biblioteca principal tem 38.000 m2, a maior do mundo. O acervo, que ainda não foi inteiramente reunido, deverá contar com 5 milhões de livros. Será interessante ver como o governo egípcio, que não é exatamente um entusiasta das liberdades de informação e expressão, administrará as coisas. Haverá, por exemplo, um exemplar dos “Versos Satânicos” (obra de Salman Rushdie, tida como ofensiva ao Islã)? E quanto a livros que critiquem o próprio governo egípcio? Todos os cidadãos terão acesso a todas as obras? Mas não é tanto a nova biblioteca que me interessa, e sim a velha, mais especificamente a sua destruição.
Na verdade, seria mais correto falar em destruições. Como nos mitos, há na extinção da Biblioteca de Alexandria uma série de componentes políticos. A historieta com a qual iniciei esta coluna é uma das versões. É contra os árabes. Existem outras, contra os cristãos, contra os pagãos. Nenhum povo quer ficar com o ônus de ter levado ao desaparecimento da biblioteca que reunia “os livros de todos os povos”. É curioso, a esse respeito, que o site oficial da biblioteca (http://www.bibalex.gov.eg/) só registre as versões anticristã e antipagã. A contrária aos árabes é descartada sem nem mesmo ser mencionada. Utilizo aqui principalmente informações apresentadas pelo italiano Luciano Canfora, em seu excelente “A Biblioteca Desaparecida”. Continuar a ler
O livro O Século dos Prodígios — uma colecção de ensaios sobre a história da ciência no período da Expansão — acaba de ser publicado e distinguido com um prémio pela Fundação Calouste Gulbenkian. Onésimo Teotónio Almeida, o autor, falou com o PÚBLICO da nova mentalidade científica que surgiu em Lisboa no século XV.
Onésimo Teotónio Almeida (São Miguel, 1946) é professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros na Universidade de Brown, em Providence, nos Estados Unidos da América. O Século dos Prodígios (edição Quetzal) é o seu mais recente livro — que acaba de ser distinguido com o Prémio de História da Presença de Portugal no Mundo, da Fundação Calouste Gulbenkian — uma colecção de ensaios sobre a história da ciência no período da Expansão europeia, o dos Descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI.
Numa altura em que a palavra “Descobrimentos’” dá origem a algumas discussões acesas, e que, para alguns, será politicamente incorrecto usar, Onésimo Teotónio Almeida, em conversa com o PÚBLICO, disse que “descobrir não significa criar, inventar. Quando a Polícia descobre o criminoso, não o inventa. Os portugueses descobriram ilhas que não tinham ninguém nem estavam sequer mapeadas. Descobriram o caminho marítimo para a Índia, ninguém diz que os portugueses descobriram a Índia. Do resto são ‘Descobrimentos’ do ponto de vista europeu. Haja um pouco de senso. O papel do historiador não é condenar a História, é narrar os factos, e explicar. Na narrativa, lidamos com factos e com argumentos, não cabe absolver nem condenar a História.”
Um ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, que se debruça sobre o carácter pioneiro da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos, recebe prémio da Fundação Calouste Gulbenkian.
O Século dos Prodígios, ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, que se debruça sobre o carácter pioneiro da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos, venceu o Prémio História da Presença de Portugal no Mundo, foi esta quinta-feira anunciado.
“O livro O Século dos Prodígios – A Ciência no Portugal da Expansão, de Onésimo Teotónio Almeida, foi anunciado, pela presidente da Academia Portuguesa de História (APH), Manuela Mendonça, como vencedor do Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, História da Presença de Portugal no Mundo”, revelou a Quetzal, chancela que editou o livro.
O livro será lançado nesta sexta-feira e a cerimónia de entrega do prémio ocorrerá a 5 de Dezembro, nas instalações da APH, em Lisboa.
Trata-se de um prémio instituído pela APH e patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que visa galardoar obras históricas de reconhecido mérito.
Num momento em que se discute a importância e a natureza dos Descobrimentos, Onésimo Teotónio Almeida lembra, nesta obra ensaística, o carácter pioneiro da ciência portuguesa desse período.
“O nosso século XVI foi, verdadeiramente, um século de prodígios, cheio de inovação, de curiosidades e de especulação”, escreve.
Neste livro, Onésimo Teotónio Almeida presta especial atenção aos séculos XV e XVI, afastando-se tanto da perspectiva nacionalista (na qual incorrem com frequência os historiadores portugueses), como da indiferença que geralmente marca a historiografia anglo-saxónica – ao ignorar o papel que Portugal teve na história da ciência e do conhecimento, descreve a editora.
Um livro que é uma “revisitação desses anos de ouro da história portuguesa e a revelação de como, durante o ‘período da Expansão’, surgiu e cresceu um núcleo duro de pensamento e trabalho científico pioneiros, que tornou possíveis as viagens desses séculos – e dos posteriores”, acrescenta.
Durante as últimas décadas, como professor em universidades americanas, Onésimo Teotónio Almeida viu-se no papel de historiador da ciência portuguesa, papel para o qual — refere na introdução do livro — nem sempre estava tão preparado quanto desejava.
Contudo, foi aprofundando esses conhecimentos, através da análise e da recolha de informação.
Nascido em São Miguel, Açores, em 1946, Onésimo Teotónio Almeida doutorou-se em Filosofia pela Brown University e foi director de vários departamentos naquela universidade, onde lecciona uma cadeira sobre valores e mundividências.
Na Quetzal tem já publicados Despenteando Parágrafos e A Obsessão da Portugalidade.
O respeito liberal e democrático pela soberania popular requer sempre o integral respeito pelos direitos das maiorias e das minorias, do governo e das oposições. Mas nada disso está garantido com Bolsonaro, antes pelo contrário.
O ano é 2018, 57 milhões de votos, Mestre Moa do Katendê – corpo imolado, universidades violadas, aplausos nas ruas para os militares, Brasil a minha gente sua frio. “A nossa bandeira jamais será vermelha” – um mote do populismo que mais uma vez unificou multidões em cidades brasileiras para colocar abutres no poder. Jair Bolsonaro (PSL), ao lado de um chicago boy e de um círculo de generais estranhos à democracia, celebram nessas eleições três grandes feitos: a vitória sem disputa em arena pública; a vitória da impostura; a vitória do arbítrio
Primeiro, a campanha bolsonarista violou a tradição que marca as mais intensas disputas no mundo democrático liberal, e que se traduz pela convivência entre indivíduos racionais e a troca de razões na esfera pública. Segundo, trespassou a igualdade de condições para argumentar, fugindo dos debates públicos, lançando-se no mundo da comunicação privada em grupos de WhatsApp para difundir fakenews, com indícios de financiamento empresarial –? esquema coibido pela justiça eleitoral brasileira. Terceiro, o grupo político de Bolsonaro retira das “sombras” ofertas políticas de elites antidemocráticas para penhorar o patrimônio público, os direitos sociais e as liberdades civilizadas.
Lémen podia ser uma criança
perdida nos seus sonhos
uma folhagem deslumbrada
com um acontecer de primavera
uma ave
uma alba
uma nuvem
um céu musical aberto em rosa
uma cerejeira bicada de pássaros
uma erva macia onde o corpo caísse leve.
Lémen podia ser um outro olhar
uma casa horizontal
cuja voz acordasse os regatos
e meninos descalços enfeitassem de risos
as águas maculadas.
Lémen podia ser o coração do homem
antes do inferno
chamas de ódio
em corpos descarnados.
Lémen podia ser um um rosto
e não um esqueleto vivo
uma côdea de osso
sem força para chorar
a nossa culpa.
Maria isabel fidalgo
I
Foi o escritor catalão Eduardo Mendoza, o romancista espanhol que mais vende livros na Espanha contemporânea, quem, a propósito da obra da escritora brasileira (de origem galega) Nélida Piñon, alertou este resenhista para o fato de que as mulheres olham para a vida por uma janela que sempre esteve vedada aos homens. Por isso, quando escrevem romances, criam personagens mais densas, provavelmente, porque as veem com maior sensibilidade.
Esta observação foi feita em janeiro de 1990, a uma mesa do café Samoa, que fica em frente à Casa Milà, também conhecida como La Pedrera, em Barcelona, e sua validade só tem sido confirmada ao longo destes 28 anos. De fato, essa observação pode ser confirmada também com a leitura do recém-lançado de Desamores da portuguesa, primeiro romance da escritora brasileira Marta Barbosa Stephens, que conta a história de vida de uma portuguesa, de 41 anos, sem nome, que vive um triplo autoexílio: do país, da língua e do passado.
Escrito em linguagem em que a autora demonstra domínio do ofício, como observa o escritor Luiz Ruffato na contracapa do livro, Desamores da portuguesa reconstitui a trajetória de uma mãe de três filhos que, em poucos anos, fracassara por três vezes na tentativa de formar uma família estável. E optara pela solidão, vivendo na fria Londres, longe de tudo e de todos, mas sem entender o que falavam nas calçadas, limitada apenas a rápidos diálogos com compatriotas. “Sua maior frustração era não ajudar as filhas nas tarefas escolares”, escreve a personagem que conta a história, uma brasileira, que, a exemplo da autora, também vive um autoexílio. “Ela não tentou aprender inglês, nem antecipou sua volta para casa. Insistiu a seu modo, esperando que um milagre a salvasse”.
« Mademoiselle, je ne vous ai pas plutôt aperçue que, fou d’amour, j’ai
senti mes organes génitaux se tendre vers votre beauté souveraine et je
me suis trouvé plus échauffé que si j’avais bu un verre de raki.
– Chez qui ? chez qui ?
– Je mets ma fortune et mon amour à vos pieds. Si je vous tenais dans
un lit, vingt fois de suite je vous prouverais ma passion. Que les onze
mille vierges ou même onze mille verges me châtient si je mens !
– Et comment !
– Mes sentiments ne sont pas mensongers. Je ne parle pas ainsi à
toutes les femmes. Je ne suis pas un noceur.
– Et ta sœur ! »
Cette conversation s’échangeait sur le boulevard Malesherbes, un matin
ensoleillé. Le mois de mai faisait renaître la nature et les pierrots parisiens
piaillaient d’amour sur les arbres reverdis. Galamment, le prince
Mony Vibescu tenait ces propos à une jolie fille svelte qui, vêtue avec élégance,
descendait vers la Madeleine. Il la suivait avec peine tant elle marchait
vite. Tout à coup, elle se retourna brusquement et éclata de rire :
« Aurez vous bientôt fini ; je n’ai pas le temps maintenant. Je vais voir
une amie rue Duphot, mais si vous êtes prêt à entretenir deux femmes
enragées de luxe et d’amour, si vous un homme enfin, par la fortune et la
puissance copulative, venez avec moi. »
Il redressa sa jolie taille en s’écriant :
« Je suis un prince Roumain, hospodar héréditaire.
– Et moi, dit-elle, je suis Culculine d’Ancône, j’ai dix-neuf ans, j’ai déjà
vidé les couilles de dix hommes exceptionnels sous le rapport amoureux,
et la bourse de quinze millionnaires. »
Et devisant agréablement de diverses choses futiles ou troublantes, le
prince et Culculine arrivèrent rue Duphot. Ils montèrent au moyen d’un
ascenseur jusqu’à un premier étage.
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Publication: 1907
Catégorie(s): Fiction, Érotique
Source: http://www.ebooksgratuits.com
Transcrevo dados que me parecem fundamentais:
(1) o saldo civilizacional dos governos PT é brilhante – 13 anos de avanço intenso em numerosas variáveis
Seguem as pesquisas com dados oficiais dos principais indicadores sócio-econômicos do Brasil antes e depois dos 13 anos de PT.
:
1. SALÁRIO MÍNIMO:
Em 2003: R$240,00
Em 2016: R$880,00
Um aumento de 266% no período enquanto a inflação acumulada foi de 123%. Ou seja, um aumento real de 2003 pra 2016 de incríveis 64%.
Fontes: Min. Fazenda, IBGE e FGV.
2. IDH – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
Em 2003: 0,695
Em 2016: 0,755
Fonte: PNUD – ONU
3. EXTREMA POBREZA
Em 2003: 10,5% (Banco Mundial) 17,5% (IBGE)
Em 2016: 4,2% (Banco Mundial) 9,2% (IBGE)
O Banco Mundial e o IBGE. Em ambos percebemos uma queda acentuada (60% e 47,4% respectivamente) no percentual da população que vive em extrema pobreza.
Fontes: Banco Mundial e IBGE
Designado, primitivamente, dia de Nossa Senhora dos Mártires, esta data foi celebrada durante mais de dois séculos no dia 13 de Maio com um ofício próprio, enquanto por volta de 737 passa a ser incluída no cânone da missa uma alocução dedicada a todos os santos. Ainda no século VIII (741), Gregório III manda erigir na Basílica de São Pedro, em Roma, uma capela dedicada ao Divino Salvador, a Sua Santíssima Mãe, aos Apóstolos e a todos os mártires e confessores dando-se assim um maior impulso à Festa de Todos os Santos.
No século IX (835), a data desta festa religiosa é então fixada no dia 1 deNovembro pelo papa Gregório IV, que de há muito vinha pressionando Luís I, o Piedoso, rei de França, de modo a emitir um decreto que oficializasse a celebração. A partir de 837, por decreto real, a data da festividade no dia 1 de Novembro torna-se universal, constituindo uma das maiores solenidades para toda a Igreja Cristã.
No final do século X, Santo Odilão ou Odilon, quarto abade de Cluny (994 – 1048), junta às celebrações em louvor dos santos algumas orações em favor do descanso eterno dos defuntos. Esta introdução levou mais tarde a que se procedesse à separação das duas datas, vindo o dia 1 deNovembro a ser consagrado a todos os santos da Igreja Católica, enquanto o dia 2 passou a ser dedicado, exclusivamente, aos fiéis defuntos. Autores há que defendem constituírem as duas celebrações dodia 1 e dia 2 de Novembro uma única festa, expressa e directamente ligada ao culto dos mortos.
Soledade Martinho Costa
Excerto do livro «Festas e Tradições Portuguesas», vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores
Retirado do Facebook | Mural de Soledade Martinho Costa
Bergoglio retomou a verdade do axioma sobre o ecumenismo: Ecclesia semper reformanda.
1. Como diz o físico Carlo Rovelli, a natureza do tempo talvez seja o maior mistério. Estranhos fios o ligam aos grandes mistérios não resolvidos: a natureza da mente, a origem do Universo, o destino dos buracos negros, o funcionamento da vida. A dança a três gigantes do pensamento – Aristóteles, Newton e Einstein – levou-nos a uma mais profunda compreensão do tempo e do espaço: existe uma estrutura da realidade que é o campo gravitacional; esta não é separada do resto da física, não é o palco em que o mundo flui: é uma componente dinâmica da grande dança do mundo, semelhante a todas as outras; interagindo com as outras, determina o ritmo das coisas a que chamamos fitas métricas, relógios e o ritmo de todos os fenómenos físicos. Pouco depois, o próprio Einstein verificou que esta não era a última palavra sobre a natureza do espaço e do tempo [1]
Há mais de dois mil anos, depois de João Baptista ter sido preso, Jesus foi para a Galileia proclamar: “completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos – mudai de vida – e acreditai no Evangelho”, se quereis que o mundo encontre a perfeita alegria [2].
Quando S. Marcos escreve isto, já o Espirito de Cristo tinha assumido outro ritmo do tempo: o dos jovens com visões novas e dos velhos renascidos, cheios de sonhos de um mundo outro [3]. Cedo, porém, se deram conta de que o tempo e o espaço das Igrejas não eram um palco em que elas se pudessem desenvolver, puras e santas, sem estranhas interacções religiosas, sociais, económicas ou políticas, desde o Pentecostes até hoje. A necessidade de reformas faz parte da sua história.
Em Novembro de 1950, Yves Congar, O.P. publicou uma obra famosa, Vraies et fausses réformes dans l´Église, que lhe causou muitos e graves sofrimentos romanos. Angelo Roncalli, futuro João XXIII, era, nessa altura, núncio em Paris. Este livro, sublinhado página a página, fazia parte da sua biblioteca. Eleito Papa, recupera o maldito Congar e as suas perspectivas de reforma. É inspirado nele que concebe o Vaticano II, como um concílio de aggiornamento da Igreja no mundo contemporâneo.
O Vaticano I (1869-1870) tinha concentrado tudo no primado do Papa e na sua infabilidade, quando se pronunciava ex-cathedra, em assuntos de fé e de moral. Era tudo resolvido por ele e pela cúria. Pio XII foi o último da famosa série os Pios.
Na preparação do Vaticano II, a herança da Cúria e do chamado “Santo Ofício” tentaram controlar os desvarios de João XXIII. Não conseguiram.
Explica Assunção Cristas que, no Brasil, não votaria em Haddad, que detesta, mas também não em Bolsonaro, pois, “apesar de ser do espaço político de centro direita, não me revejo nos extremismos de Bolsonaro e não seria capaz de votar nele”. Ele é da família (é ela ou é ele que é de “centro-direita”?) mas cheira mal.
O argumento é interessante, já foi repetido por Nuno Melo e até, para surpresa de muita gente, por Adolfo Mesquida Nunes, que costuma ser civilizado. Contrasta nitidamente com a atitude de Freitas do Amaral, fundador do CDS, que não só tomou atitude contra Bolsonaro como se empenhou em mobilizar opiniões para a derrota do fascista. No CDS, toda a gente acha que a atitude certa é calar e andar.
Francisco Assis, um homem da direita do PS, diz desassombradamente o que é evidente: o PT é comparável ao PS e à social-democracia europeia, com a qual aliás faz parte da Internacional Socialista, tratá-lo como de esquerda radical é ridículo, a sua experiência de governo diz tudo. A desculpa da direita, alegando dois “extermismos” é somente um voz de ódio e uma forma de justificar o silêncio perante Bolsonaro. A realidade é que Haddad defende a democracia e respeita a liberdade, e essa diferença faz toda a diferença.
Diz muito do estado da direita tradicional que, por puro gosto do desastre, esteja disposta a fechar os olhos e desse modo a favorecer a vitória de um fascista como Bolsonaro, cuja última intervenção pública é garantir que os seus adversários políticos vão “apodrecer na cadeia”. Nem uma palavra de Cristas sobre as ameaças, nem um comentário. É indiferente. A liberdade é para ela uma coisa tão relativa, não é?
Francisco Louçã
Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã
A Garimpeira da Cultura Rita Pinheiro e o articulador cultural Valdeck Almeida de Jesus participam do evento internacional chileno “II Encuentro de Escritores Hispanoamericanos” organizado pela entidade “Abrazo de Escritores y Artistas Hispanoamericanos – AEAH”, sob a coordenação da poeta Nancy Arancibia em homenagem a Pablo Neruda. A reunião acontece em Santiago (Chile), entre os dias 7 e 10 de novembro de 2018, com uma vasta programação, incluindo palestras, leituras de poemas, visita a espaços culturais da cidade: Biblioteca Nacional, sede da Casa de la Sociedad de Escritores de Chile e Ilustre Municipalidad de San Bernardo; e finaliza com uma turnê turística noturna à capital chilena.
Participam poetas, escritores, cronistas e artistas da palavra de vinte e um países, dentre eles o Brasil, com dois representantes, Argentina e Estados Unidos. Os participantes vão doar livros para uma biblioteca a ser fundada, cujos nomes dos doadores constarão de uma placa quando da inauguração da entidade.

Há 30 anos, em plena Assembleia Constituinte, pintou o rosto de negro, declarou guerra aos políticos brasileiros e venceu. Ailton Krenak tem agora 65 anos, já viu muito e o que não viu, recorda-se, numa memória que lhe foi legada pelos antepassados. Líder indígena, assume-se e ao seu povo como sobreviventes de um genocídio. Mas teme pelo futuro dos brancos, aqueles que nunca aprenderam a pisar com leveza a “Mãe Terra” e que por isso poderão acabar “enterrados no próprio vómito”.
Quando uma criança krenak nasce, não vai para a creche, fica com a mãe, as avós e as tias. Partilham um quotidiano e um modo de estar na vida. As crianças indígenas não são educadas, mas orientadas. Não aprendem a ser vencedores, porque, para uns vencerem, outros têm de perder. Aprendem a partilhar o lugar onde vivem e o que têm para comer. Têm o exemplo de uma vida onde o indivíduo conta menos do que o coletivo. Este é o mistério indígena, um legado que passa de geração para geração. Ailton carrega no apelido a pertença à sua gente, o povo krenak. E a sua memória mais antiga é muito simples: “Eu não sei viver sozinho.”
Esteve esta semana em Portugal para participar no Fórum Internacional de Festivais de Cinema de Ambiente, em Seia, onde realizadores de mais de 30 países estiveram reunidos e demonstraram preocupação com o rumo político do Brasil e as consequências das eleições presidenciais na preservação da floresta amazónica. Antes de regressar a casa, Ailton Krenak conversou com o Expresso.
Que povo é o seu?
Krenak.
Os membros do Colectivo Provisório Português (CNP) do DiEM25 Portugal convidam-te para o evento 3D ” Democracia, Debates, DiEM25″ que terá lugar dia 27 de Outubro, no Arquivo Histórico Municipal de Gaia. Com este evento pretendemos promover o debate de temáticas relacionadas com a democracia, transparência, sustentabilidade e decrescimento, e fluxos migratórios. Contaremos também com uma conversa aberta sobre a Síria e a Palestina e momentos culturais.
Contaremos com a presença de vários oradores que nos darão a sua perspectiva sobre o tema em debate. Em cada sessão, a plateia é convidada a participar com perguntas para ser fomentada a discussão.
Haverá também a possibilidade de conheceres e conversares com membros dos vários CEDs ( Coletivos Espontâneos DiEM25 – DSC) em Portugal bem como com os membros do Coletivo Nacional Provisório e do Coletivo Nacional que será eleito esta semana.
A inscrição é gratuita pode ser feita aqui. Os horários e os oradores presentes estão disponíveis para consulta na página de inscrição -https://www.eventbrite.pt/e/bilhetes-3d-diem25-debate-democracia-50806717259 .
Reserva já o teu lugar – o número é limitado atendendo à lotação do auditório.
Obrigada a todos pela participação e por tornarem este primeiro evento da época um êxito
Carpe DiEM25!
O Coletivo Nacional Provisório

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Da vida do poeta seiscentista/setecentista Tomás Pinto Brandão (1664-1743), pouco se sabe, a não ser aquilo que ele mesmo deixou escrito em sua obra Vida socinta, e abreviada do autor – por hum dos Acadêmicos seu Contemporaneo, que consta da edição de 1753 do livro Pinto Renascido. Mas tomar como verdadeiro o que um poeta colocou em seus poemas nunca foi aceito como método de pesquisa pela historiografia porque, como se sabe, o vate não tem nenhum compromisso com a verdade e sempre deixa o seu alter ego fluir para além da imaginação.
Este pesquisador mesmo teve de enfrentar esse problema quando se decidiu por pesquisar a vida e a obra dos poetas Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) e Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). E, muitas vezes, à falta de documentos, não encontrou outra alternativa que não fosse recorrer ao futuro do pretérito para alinhavar alguma informação que constava de algum poema, mas sempre deixando claro que a fonte não seria confiável.
Nos casos de Gonzaga e Bocage, não faltam documentos de arquivo que permitam recompor a tumultuada trajetória que ambos percorreram, mas, de Pinto Brandão, de geração anterior, já não se pode dizer o mesmo. Até porque, ao contrário de Gonzaga, não foi funcionário régio e tampouco uma figura tão notória e polêmica em Lisboa como seria Bocage.
No dia 24 de outubro, realiza-se, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), o ”1.º Encontro Nacional de Militares Escritores”. No âmbito das comemorações do Dia do Exército Português, a sessão vai contar com os seguintes palestrantes: Coronel Manuel Barão da Cunha, Coronel Carlos de Matos Gomes, Coronel Nuno de Lemos Pires, Tenente-Coronel Pedro Marquês de Sousa, Tenente-Coronel Luís Brás Bernardino e Sargento-Chefe Jorge da Silva Rocha.
A sessão vai decorrer no Teatro Paulo Quintela (FLUC – 3.º Piso), a partir das 15 horas.

Com a petição pública “Legislar o poder de os Cidadãos escolherem e elegerem os seus Deputados”, está finalmente em cima da mesa a reforma eleitoral. Agora, já podemos tomar posição e puxar o tema para o centro dos debates da Assembleia da República.
A petição, lançada pela histórica SEDES e pela APDQ, outra associação cívica mais recente, contém um projecto de lei cuja adopção muda para melhor, num instante, o sistema eleitoral português. Além de podermos escolher os partidos ou coligações da nossa preferência, determinando a proporção das representações parlamentares, passaríamos a eleger também os deputados que representam os territórios de maior proximidade e a influenciar o processo de escolha dos demais. Com esta lei, que concretiza plena e rigorosamente a Constituição, deixará de haver deputados mais dependentes dos directórios que do eleitorado. Entraremos numa democracia de qualidade e a abstenção cairá, de imediato, para perto dos 20% ou menos ainda.
Estamos à espera de quê?


As portuguesas e os portugueses não conhecem o Diamantino
Antes do Diamantino também não conheceram o Corvacho, nem o Tomaz Ferreira, nem o Vila Lobos, nem o Ramiro, nem o Ernesto, o Melo Antunes, nem o Varela, o Gomes, nem o Victor, o Crespo, os portugueses não conhecem os portugueses que estiveram no dia 25 de Abril de 1974 no comando das operações na Pontinha, nem nas unidades que tomaram o poder. Nem dos que estiveram em Bissau, em Luanda, ou em Nampula a assumir a responsabilidade histórica de resolver um problema colonial que se arrastava desde a Conferência de Berlim (1884), que fora causa da queda da monarquia, da implantação da República, da entrada de Portugal na I Grande Guerra, da instauração da ditadura em 1926 e de uma guerra colonial de 13 anos.
O desconhecimento desses nomes e o conhecimento de outros, de futebolistas e comentadores de TV, de cantores e de apresentadores de TV, de cabeleireiros e cozinheiros, de alfaiates e famosos das relações públicas representa a glória dos anónimos militares como o Diamantino.
O Diamantino morreu hoje. O Diamantino teve um papel decisivo no 25 de Abril, comandando a coluna militar que controlou o centro do país. Os portugueses não conhecem o Diamantino, nem os camaradas que o acompanharam nesse dia e nessa acção. O desconhecimento do Diamantino é a sua maior condecoração. O Diamantino e os seus camaradas fizeram o que fizeram para que os comentadores comentassem, os cantores cantassem, os famosos se exibissem. O Diamantino e os seus camaradas são anónimos para que os portugueses tenham nome e possam tê-lo. O Diamantino e os seus camaradas fizeram o que fizeram para que os portugueses tivessem um serviço nacional de saúde e também um multibanco.
O Diamantino morreu ontem. Nasceu em 1943, na Beira Alta, em Moimenta da Beira. Filho de gente humilde – não se trata de neo-realismo – frequentou o seminário e depois a Academia Militar, onde entrou em 1963. Conheci-o ainda de missal, expressão séria, a sair da caserna para ir à missa. Eu, três anos mais novo, já agnóstico. Nunca falámos de religião, de deuses, de salvação. Respeito. Ele infundia respeito, mesmo quando acreditava no que me merecia radicais oposições: eu dispensava a ideia de Deus, ele ainda a respeitava, não como amparo pessoal, mas como instância de justiça, julgo.
Ao longo da minha vida conheci pessoas extraordinárias. Sorte a minha. O mais extraordinário de todos, se me perguntarem, Samora Machel. Mas, falando apenas dos que já morreram, conheci também Aquino de Bragança (informem-se sobre a personagem), e Spínola (escrevi sobre ele no Expresso na data da sua morte), e Costa Gomes, e Varela Gomes, e Fernando Salgueiro Maia, e o comissário político da brigada Lister na guerra civil de Espanha, e Santos e Castro, fundador dos comandos e comandante de mercenários, fui amigo do Jaime Neves… e apoiante da Maria de Lurdes Pintassilgo. Fui amigo do Diamantino…
Quando, como é da história, nas revoluções se separam águas entre os que a fizeram, eu e o Diamantino ficámos na mesma margem. Foi depois do 25 de Novembro de 1975. Numa tarde, ou noite clandestina, encontrámo-nos em Viseu, a sua base, a conversar sobre o que era possível salvar, não da esperança, mas da parte do poder que devia caber aos que, sujeitos a séculos de dependências, iniciavam a descoberta da liberdade de decidirem o seu presente e o seu futuro. Poder popular, se não for descoberta outra designação aos sans culottes que, aqui em Portugal, viviam a sua revolução francesa no Portugal rural e eclesiástico após o 25 de abril. O “Comunismo” nos sermões dos padres lúbricos e guardadores de rebanhos.
O Diamantino formou-se em História, em Coimbra. Ele, e um outro destes capitães, também já desaparecido, o Monteiro Valente. Conheci-os, relacionei-me com eles como mais um privilégio que a vida me concedeu. O Monteiro Valente foi o único (julgo) capitão que teve de disparar a sua arma para impor o 25 de Abril numa unidade militar!
A História concedeu a Portugal, aos portugueses que não sabem quem eles foram, o privilégio de ter os capitães dos seus exércitos de terra, mar e ar no local certo, no tempo certo, para realizarem a 25 de Abril de 1974 aquilo que era necessário fazer e foi feito da forma exemplar que a História reconhece como a “revolução dos cravos”.
O Diamantino pertenceu a essa gesta de anónimos capitães que Portugal e os portugueses tiveram a sorte histórica de encontrar generosamente disponíveis e culturalmente preparados para assumirem os riscos de lhes traduzirem os anseios de liberdade e de paz. Ele escreveria ensaios e fições sobre a sua geração.
A morte do Diamantino, capitão de Abril, ocorre no tempo em que emerge do lado de lá do Atlântico, no Brasil a quem tanto nos une, um capitão de negrume, de nome Bolsanaro…um fantasma da História. Figura recorrente de abutre militar…
O capitão Diamantino, que morreu em Viseu, era a face luminosa dos militares de qualquer parte do mundo que estão do lado da História e dos seus povos…
Será enterrado singelamente. Como um militar digno. Com as “sem honras” que a sua vida merece.
Que a semente do seu exemplo frutifique…
Carlos Matos Gomes
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes
(Capitulo para um futuro romance) – Eu também não.
Este é um texto que descobri nos rascunhos do marginal escritor Carlos Vale Ferraz, autor de um primeiro romance a que deu o título de Nó Cego, onde enreda as aventuras da geração que arriou as velas do fim de império africano.
Uma anti-epopeia que não merece sequer um registo nos planos nacionais de leitura, porque os juízos literários são isentos de boas vírgulas e prenhos de frases amendoadas. Dele disse ele no intróito do Nó Cego: “o autor é pacato e gordo, cai-lhe o cabelo e escreve de noite com os óculos na ponta do nariz…” e, mais adiante: “Por si, garante, a Pátria não verá aumentada a galeria dos ilustres e não ganhará feriado em dia de morte ou de centenário.”
Não será tanto assim. Ou não foi. Descobri que esse tal Carlos Vale Ferraz pode ser agora gordo e careca, mas já foi, recolhido de fontes seguras, um belo valdevinos. Belo é autopromoção. Vaidade. Valdevinos é uma boa legenda para a foto antiga.
Não sei se todos compreenderam a gravidade do que se passou esta semana em Portugal. O caso Ronaldo não é caso Ronaldo, é o mote para a defesa do fim da presunção de inocência. É isso que os acusadores de Ronaldo querem introduzir no ordenamento jurídico português. Várias pessoas vieram a público esta semana, entre elas o ex-ministro Rui Pereira no Correio da Manhã, ou mulheres e homens nos jornais de referência, afirmar com base em «estudos» que as vitimas de abusos sexuais não mentem, deve-se presumir que os homens são culpados até prova em contrário. Bom, sobre as “mulheres não mentem” deixarei para outro artigo – merece um à parte. Quero agora ir ao central.
Não escrevi que o Metoo era conservador e reaccionário sem reflectir bem sobre isso – conheço o tema por dentro há anos. Embora pareça de esquerda, porque é «amigo das vítimas», trata-se de uma reacção mundial conservadora em curso em vários países que defende que em nome da segurança deve-se diminuir a liberdade. Este é todo o centro da questão. Tudo o resto que se tem debatido é colateral.
O que está em causa não é a defesa das mulheres com quem poucos se preocupam, desde logo com a defesa de segurança no emprego, creches públicas, diminuição de horários de trabalho, salários, etc, o que está em causa no caso Ronaldo é a defesa da restrição das liberdades – tema caro a muitos.
Está em curso uma proposta global de alteração dos ordenamentos jurídicos democráticos, feita a partir da desigualdade de género para ter verniz de progressista. É aliás por isso que além de esquerdistas desesperados o maior palco da defesa deste valor medieval do fim da irreversibilidade do ónus da prova e o fim da presunção de inocência sejam os jornais da direita liberal norte-americanos, onde todos os dias há uma denúncia de uma mulher e se enxovalha o nome de qualquer homem porque à partida ele é culpado. É isso que faz com que seja permitido publicar tais artigos sem provas, ou investigação, apenas com o testemunho da mulher. Ora isto é nada mais nada menos do que colocar todos os homens sob suspeição e na arbitrariedade total na mão das mulheres.
O argumento é que em nome da vítima podem-se inverter os princípios jurídicos democráticos. A segurança exige suspensão parcial da democracia – numa palavra é isto o Metoo. Uma forma de totalitarismo.
Que nenhum homem e mulher se cale nesta hora. Não é só a liberdade sexual que está em causa com a mercantilização e o puritanismo do Metoo, nem a banalização do crime gravíssimo de violação. É algo ainda mais grave porque é uma politica de Estado. Hoje são os homens, amanhã são os grevistas, depois os dirigentes “subversivos”, os trabalhadores e os imigrantes, e por aí fora. Consonante a relação de forças de quem comanda o Estado e tem força nos media. É altura de gritarmos alto que esta barbárie jurídica representa um atentado à liberdade, são as trevas da reacção neoliberal, apesar de chegar da cidade mais iluminada do mundo, de um casino cintilante. Sim, o Metoo são as trevas anti iluministas e anti socialistas que chegaram cheias de luz e ideias de igualdade.
Às mulheres, vitimas de abuso sexual, devem ser dadas medidas públicas onde não se pode poupar um euro de protecção jurídica imediata (não é com julgamentos morosos), deve ser dada ajuda psicológica de alta qualidade, os melhores psiquiatras devem ser contratados pelo Estado para estar ali a ajudar nas denúncias, nos traumas, e em todas as consequências, temos que ter casas de abrigo, toda a protecção. Mas jamais acabar com a presunção de inocência.
Não, o mais odioso dos crimes – e para mim a violação é moralmente equiparada a homicídio ou lá perto, é destruir a vida de alguém, por isso não é compatível com penas ridículas – não justifica a suspensão de uma única liberdade democrática. Quem na esquerda progressista não compreender isto e não tiver coragem de se opor sem medo ficará com o ónus de dar poderes discricionários ao Estado, poderes que cairão como uma pedra na cabeça de toda a esquerda, homens e mulheres, em poucos anos. Basta uma pequena alteração na relação de forças para que todos os grevistas sejam culpados de subversão da economia e bem estar nacional ou coação e ameaça ao patrão, chantagem ao gestor, ataque à integridade física do encarregado na fábrica, chantagem ao director – culpados todos, até prova em contrário. E muitos dos grevistas serão naturalmente mulheres e serão destruídas publicamente, e na sequência, juridicamente, porque à partida serão “culpadas”.
A liberdade não é uma palavra. É a essência de toda a vida civilizada. Defendê-la é defender a humanidade.
Raquel Varela
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes
Djamila Bouhired (née en 1935) est une nationaliste algérienne, considérée comme une héroïne de la guerre d’indépendance.
Née dans une famille de classe moyenne, elle est scolarisée à l’école française (il n’y en avait pas d’autres). Elle rejoint le Front de libération nationale durant ses années étudiantes. Elle travaillera plus tard comme officier de liaison et assistante personnelle de Yacef Saadi à Alger.
En avril 1957, elle est blessée dans une fusillade et capturée par l’armée française (la force coloniale). Elle est soupçonnée d’être une poseuse de bombe, inculpée pour ses actes, torturée et condamnée à mort. Son exécution est stoppée par une campagne médiatique menée par Jacques Vergès et Georges Arnaud. Ils écrivent un manifeste, publié la même année aux Éditions de Minuit, Pour Djamila Bouhired. C’est, avec le livre d’Henri Alleg La Question, l’un des manifestes qui alerteront l’opinion publique sur les mauvais traitements et les tortures infligés par l’armée aux indépendantistes algériens. Devant le tollé international soulevé par sa condamnation, elle est finalement graciée et libérée en 1962.
Elle travaille après sa libération avec Jacques Vergès, qu’elle épousera en 1965, sur Révolution africaine, un magazine centré sur les révolutions nationalistes africaines. Elle a eu 2 enfants de son mariage avec Vergès.
Sa vie a été adaptée au cinéma par Youssef Chahine, Djamilah sorti en 1958. Son parcours est aussi évoqué dans la première partie du film L’Avocat de la terreur consacré à Jacques Vergès.
L’ALGERIE, A TRAVERS SES ANCIENNES PHOTOS
Retirado do Facebook | Mural de Hamdane Ouali
(…)
Terminada esta conversa, procurei aproveitar o contacto com este atencioso, culto e último representante da monarquia portuguesa para saber um pouco mais acerca daquele período que marcou a transição para a República.
– Julgo que o vosso reinado não foi fácil.
– Não foi fácil, não. O último governo do meu pai era presidido por João Franco, que se tornou um ditadorzinho. A repressão estúpida que exerceu sobre os seus adversários políticos culminou com a prisão de grandes figuras do Partido Republicano, como Afonso Costa e António José de Almeida.
– E foi nesse contexto que se deu o regicídio.
– Sem dúvida. Os republicanos tinham esboçado um levantamento a 28 de Fevereiro, mas o exército manteve-se fiel à coroa. Foram presos mais de cem conspiradores. Foram alguns dos que escaparam à prisão que mataram o meu pai e o meu irmão.
– Mortos o monarca e o príncipe herdeiro, o vosso destino ficou logo ali traçado.
– Feito rei aos 18 anos, adeus carreira na marinha, um sonho que ficou por cumprir.
– Foi, por assim dizer, um reinado conduzido por republicanos.
– Diga-se que numa onda que já vinha de trás, do tempo do meu pai. A influência dos republicanos crescia a olhos vistos. No Congresso, que reuniram em 1909, criaram um directório com a incumbência imperativa de conduzir a luta política no sentido da revolução. Deste congresso, em meu entender, histórico, saiu um comité revolucionário no qual tiveram papel de destaque grandes intelectuais e políticos, como o escritor, historiador, jornalista e diplomata João Pinheiro Chagas, que foi, depois, primeiro-ministro da República, o Doutor Afonso Costa, advogado e lente da Universidade de Coimbra, o Dr. António José de Almeida, médico e, mais tarde, o sexto Presidente da República, e, ainda, o vice-almirante Cândido dos Reis. No propósito de serenar os ânimos, minha mãe conseguiu a demissão de João Franco.
“Na manhã outonal de 18 de outubro de 1739, o majestoso cortejo do Auto de Fé sai ordenadamente do Palácio da Inquisição e serpenteia pelo Rossio, até entrar na Igreja do Convento de S.Domingos, do outro lado da praça. Atrás do flamejante estandarte do Santo Ofício vêm dezenas de guardas e inquisidores conferindo a necessária pompa ao cortejo dos 56 penitenciados. O povo, que há já quinze dias ouve apregoar o Auto, enche a praça e exubera: “Grande misericórdia, bendito o Santo Ofício”, esperando que o grande espetáculo da morte lhe expie os pecados. António José é o número sete da lista dos hereges. Tem 34 anos. Vem desfigurado da tortura e com dificuldade encara a luz do dia, após dois anos e treze dias de cárcere escuro. Veste uma aviltante túnica branca com a sua cara toscamente pintada no meio de labaredas e diabinhos a mordê-lo. No rol dos penitenciados vêm também a sua mãe Lourença, o irmão André e a mulher Leonor. Já dentro da igreja, os réus ouvem penosamente a leitura das culpas e longos sermões que invocam a implacável ira divina para com os hereges.
Ó infelizes despojos de Israel, desgraçadas relíquias do hebraísmo […] na estimação de Deus sois a gente mais abominável do mundo.
O ritual termina já noite dentro e o cortejo dos relaxados (condenados à morte) sai da igreja dirigindo-se, pelas ruas estreitas da velha Lisboa, ao tribunal da Relação, lá para os lados da Sé. Aí, o Inquisidor-mor lava as mãos do pecado e remete para a justiça secular a execução da pena, que o tribunal se limita a confirmar.
Declaram o réu António José da Silva por convicto, negativo, pertinaz e relapso… e como herege apóstata de nossa Santa Fé Católica o condenam e relaxam em carne…
Nova viagem descendo a encosta até ao queimadeiro, no Campo da Lã, junto ao Tejo, onde se encontra montada a improvisada cenografia da morte: tablados de madeira, para que o público tenha boa visibilidade, espessos mastros equipados de garrotes para que se proceda à morte sem efusão de sangue e monumentais pilhas de lenha.
Adverti que os Deuses não permitem, nem as leis ordenam, que sem culpa morra um inocente.
(Anfitrião ou Júpiter e Alcmena)
O sol já brilha nas águas do Tejo quando o corpo de António José é lançado nas chamas da fogueira.
Morrer como valorosos, que maior afronta é cair nas mãos do vencedor.
(Os Encantos de Medeia)”
João Paulo Seara Cardoso
Retirado do Facebook | Mural de José Maltez
Reza uma lenda do Séc. XIX que um dia a Verdade e a Mentira encontraram-se. Diz a Mentira à Verdade: “Está um dia tão bonito”. E estava de facto um dia muito bonito. Passam algum tempo juntas até que chegam junto de um poço. ” A água está tão agradável, porque não tomamos um banho as duas?” sugere a Mentira. A Verdade, embora reticente, lá toca na água e a água estava realmente agradável. Despem-se então e banham-se. De repente a Mentira sai da água, veste as roupas da Verdade e foge. A Verdade salta do poço e corre todos os lugares para encontrar a Mentira e recuperar as suas vestes. O Mundo, vendo-se confrontado com a nudez da Verdade, revira os olhos, entre o desprezo e a raiva. A Verdade volta então ao poço onde desaparece para sempre, escondendo a sua vergonha.
Desde então a Mentira tem percorrido o Mundo com as roupas da Verdade, satisfazendo os caprichos das pessoas e das sociedades, e o Mundo, esse, continua a recusar-se a encarar a Verdade nua.
(A Verdade a sair do poço, Jean-Léon Gérôme, 1896)

O lançamento será dia 12 de outubro de 2018, das 19 às 20:30hs, no restaurante Dom Pepe (antigo Pouso da Palavra), em Cachoeira-BA, durante a Flica – Festa Literária Internacional de Cachoeira.
Galinha Pulando lança Poéticas Periféricas em Cachoeira
A antologia “Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana”, reúne textos de poetas da periferia de Salvador-BA e será lançada no dia 12 de outubro de 2018 (sexta-feira), das 19 às 20:30hs, no restaurante Dom Pepe (antigo Pouso da Palavra), na praça da Aclamação, Cachoeira-BA, durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA. O evento acontece na programação da editora Cogito e Ligia Benigo Produção Cultural.
templado pelo Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), o livro reúne cerca de 100 autores e é resultado do trabalho coletivo de vários protagonistas de saraus, slams, grupos e coletivos de artistas da palavra, oriundos das periferias de Salvador. Textos de apresentação: Tia Má, Dhay Borges e Geilson dos Reis. Capa de Marcos Paulo Silva e Alisson Chaplin. A juventude da Bahia ocupa o centro e os bairros de Salvador como nunca antes na história, em luta, através da poesia, por espaço na cena literária e contra as opressões como racismo, genocídio dos jovens negros, intolerância religiosa etc. São centenas de grupos de saraus que recitam em ônibus, praças, esquinas. Este livro é uma compilação de parte dessa produção poética.
O homem disse que tinha de ir embora – antes queria me ensinar uma coisa muito importante:
– Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto de sua vida?
– Quero – respondi.
O segredo se resume em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros e olhos nos meus olhos: – Pense nos outros.”
[O menino no Espelho]
Fernando Sabino
Retirado do Facebook | Mural de Marcia Lailin Mesquita

No dia 29 de setembro, às 10h00, no âmbito das Jornadas Europeias do Património, vamos passear pelo carso para conhecer o seu património cultural, usos e costumes. Em terra de calcários os cursos de água à superfície são escassos, devido à rápida infiltração da água das chuvas no subsolo. O Algar do Pena é um excelente exemplo das inúmeras cavidades que existem na região, e por isso um dos locais a visitar nesta saída de campo. A pastorícia é ainda hoje uma atividade de relevo e o queijo artesanal, produzido através de métodos tradicionais que passam de geração em geração, é uma das iguarias q! ue iremos provar. O carso é também feito de aromas de ervas aromáticas e por isso vamos visitar uma importante empresa de importação e exportação de plantas medicinais e aromáticas.
O ponto de encontro desta saída de campo é o Centro Ciência Viva do Alviela e os participantes devem trazer roupa e calçado confortável para a caminhada e uma refeição ligeira para almoço de campo.
O passeio é realizado em autocarro, com o apoio da Câmara Municipal de Alcanena.
Inscrições obrigatórias através do info@alviela.cienciaviva.pt ou 249 881 805.

Jared Diamond Viveu entre os últimos caçadores-recolectores do mundo e emociona-se com o fim iminente desse modo de vida. Defende que para perceber o mundo actual temos de recuar à pré-história e que há coisas a aprender com as sociedades tradicionais. Para este prestigiado académico, uma das vantagens históricas da Europa é a sua desunião.
23 de Setembro de 2018,
Jared Diamond não é um académico qualquer. Sereno, empático e de ar saudável, na sua presença sente-se como devem ter sido extraordinários os seus 81 anos, feitos há menos de uma semana. Durante décadas conviveu e fez amigos entre os membros das sociedades tradicionais das ilhas da Nova Guiné, que estão entre os últimos caçadores-recolectores do mundo, um modo de vida com seis milhões de anos, prestes a desaparecer. Quando estava nos “trintas” um novo-guineense chamado Yali fez-lhe uma pergunta: porque é que vocês brancos desenvolveram tantas coisas e as trouxeram para a Nova Guiné, mas nós, negros, tínhamos tão poucas coisas nossas? É uma pergunta avassaladora. Para a responder, não basta dizer que as várias sociedades humanas se desenvolveram de formas diferentes, que algumas chegaram à era espacial no século XX enquanto outras se mantiveram com tecnologia da Idade da Pedra até aos tempos modernos. É preciso tentar explicar porquê. Por exemplo, porque é que a agricultura e as ferramentas de metal apareceram em certos locais e não noutros? Estas são para Jared Diamond as razões últimas, necessárias para responder à pergunta de Yali.
I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing, will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day
And you, you can be mean
And I, I’ll drink all the time
‘Cause we’re lovers, and that is a fact
Yes we’re lovers, and that is that
Though nothing, will keep us together
We could steal time, just for one day
We can be heroes, forever and ever
What d’you say?
I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, forever and ever
Oh we can be heroes, just for one day
I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing, will drive them away
We can be heroes, just for one day
We can be us, just for one day
I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, forever and ever
Then we could be heroes, just for one day
We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes, just for one day
We can be heroes
We’re nothing, and nothing will help us
Maybe we’re lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day
Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day
Ao longo de quase 300 anos esta foi uma das instituições mais temidas em Portugal. Para garantir uma fé católica com elevado grau de pureza, milhares de pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas na fogueira. Nenhuma heresia escapava ao Santo Ofício.
O ofício deste tribunal eclesiástico era inquirir dos desvios da fé católica, das heresias e das demais práticas pagãs. Todas as denúncias eram aceites, uma carta anónima ou um boato constituíam factos suficientes para iniciar um processo inquisitorial que permanecia secreto para a maioria. Os inquisidores tinham centenas de pessoas ao seu serviço e dispunham de uma rede de informadores a quem atribuíam recompensas e privilégios, como a isenção de pagar impostos, por exemplo. Trabalhar para a Inquisição, como ficou conhecido o tribunal do Santo Ofício, era também uma promoção social.
Os poderes conferidos aos inquisidores eram quase ilimitados. Podiam prender, julgar, castigar e torturar sem que os acusados pudessem escolher a sua defesa. O crime tinha de ser confessado e, não menos importante, tinha de haver lugar para o arrependimento, as almas que a Igreja conseguia salvar do inferno. Para isso, os inquisidores dispunham de métodos de interrogatório tão eficazes que o suspeito ou sucumbia nos instrumentos de suplício ou, como acontecia quase sempre, dizia-se culpado.
As sentenças eram proclamadas e executadas em sessões públicas, mais tarde chamadas autos-de-fé. As cerimónias mais famosas eram publicitadas e encenadas como se se tratassem de espetáculos de entretenimento, para atrair, excitar e comover a população; muitos contavam com a presença do rei e da família real. As penitências aplicadas incluíam açoites, prisão temporária ou perpétua, condenação às galés, desterro, confisco de bens e execução pelo fogo. Porém, o direito canónico não permitia que os juízes do Santo Ofício condenassem ninguém à morte, essa parte cabia às autoridades civis, o que é mais uma prova da ligação entre a Igreja e Estado .
A Inquisição entrou em Portugal em 1536, quando as viagens dos Descobrimentos afirmavam a nação lusa no mundo. O novo tribunal, a funcionar em pleno em Espanha, foi primeiro pedido sem sucesso por D. Manuel e, de novo em 1531, por D. João III, que incumbira o embaixador em Roma de requerer a sua criação. Os reis queriam sobretudo “uma nova arma de centralização régia”. Para justificar a presença num território em que a unidade religiosa não estava em perigo, quase sem protestantes, a instituição portuguesa elegeu os cristãos-novos, judeus forçados à conversão religiosa, com poder e por isso invejados, os seus maiores inimigos.
As perseguições aos hereges duraram 285 anos. Aos poucos, a organização que começou por estar subordinada ao poder do rei, que se fez um estado dentro do Estado, foi perdendo popularidade e vitalidade. O marquês de Pombal manda acabar com a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos e equipara o Santo Ofício a qualquer outro tribunal régio. O golpe final chega em 1861, um ano depois da revolução liberal. Dos registos que existem, sabemos que entre 1543 e 1684, a Inquisição condenou em Portugal 19 247 pessoas, das quais 1 379 foram queimadas, e centenas morreram na prisão enquanto esperavam julgamento.
O historiador José Pedro Paiva, co-autor do livro “A História da Inquisição Portuguesa, 1536- 1861”, faz um resumo do que foi este Tribunal, que era considerado santo nos meios e nos fins.
VER VÍDEO neste endereço
http://ensina.rtp.pt/artigo/breve-historia-da-inquisicao-em-portugal/

Foi descoberta num arquivo de Londres a carta original de Galileo ao seu colega Benedetto Castelli, um matemático da universidade de Pisa, que defendia em 1613 que a Igreja Católica estava errada, que o Sol não anda à volta da Terra, e ainda que a investigação científica deve ser livre de teologia. Pensava-se que a carta estava perdida.
Em 1615 foi denunciado e depois julgado pela Inquisição.
Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã


É o décimo aniversário da crise do subprime? Não, está mal contado. É certo que a bancarrota do Lehman Brothers, em setembro de 2008, com a sua dívida de 613 mil milhões de dólares, foi, à época, a maior na história dos EUA. Mas já em 2007 vários fundos da finança-sombra tinham entrado em incumprimento e desde março de 2008 as grandes falências multiplicaram-se nos EUA. Quando o Lehman caiu já a procissão saíra do adro e no fim desse mês já ia em mais sete falências: o venerável Bear Stearns (em Março); o gigante de seguros AIG; start-ups como o IndyMac, o Washington Mutual e o Wachovia; e entidades parapúblicas como o Fannie Mae e o Freddie Mac. A resposta foi mais liquidez, nacionalizar os ativos tóxicos e concentrar a banca. Dez anos depois, estamos pior em quatro domínios.
Eu nunca fui obrigado a fazer a saudação fascista aos «meus superiores». Eu nunca andei fardado com um uniforme verde e amarelo de S de Salazar à cintura.
Eu nunca marchei, em ordem unida, aos sábados, com outros miúdos, no meio de cânticos e brados militares. Eu nunca vi os colegas mais velhos serem levados para a «mílícia», para fazerem manejo de arma com a Mauser. Eu nunca fui arregimentado, dias e dias, para gigantescos festivais de ginástica no Estádio do Jamor. Eu nunca assisti ao histerismo generalizado em torno do «Senhor Presidente do Conselho», nem ao servilismo sabujo para com o «venerando Chefe do Estado». Eu nunca fui sujeito ao culto do «Chefe», «chefe de turma», «chefe de quina», «chefe dos contínuos», «chefe da esquadra», «chefe do Estado». Eu nunca fui obrigado a ouvir discursos sobre «Deus, Pátria e Família».
Eu nunca ouvi gritar: «quem manda? Salazar, Salazar, Salazar».
Eu nunca tive manuais escolares que ironizassem com «os pretos» e com «as raças inferiores». Eu nunca me apercebi do «dia da Raça». Eu nunca ouvi louvar a acção dos «Viriatos» na Guerra de Espanha. Eu nunca fui obrigado a ler textos escolares que convidassem à resignação, à pobreza e ao conformismo; Eu nunca fui pressionado para me converter ao catolicismo e me «baptizar». Eu nunca fui em grupos levar géneros a pobres, politicamente seleccionados, porque era mesmo assim. Eu nunca assisti á miséria fétida dos hospitais dos indigentes. Eu nunca vi os meus pais inquietados e em susto. Eu nunca tive que esconder livros e papéis em casa de vizinhos ou amigos. Eu nunca assisti à apreensão dos livros do meu pai.
Eu nunca soube de uma cadeia escura chamada o Aljube em que os presos eram sepultados vivos em «curros». Eu nunca convivi com alguém que tivesse penado no Tarrafal.
Eu nunca soube de gente pobre espancada, vilipendiada e perseguida e nunca vi gente simples do campo a ser humilhada e insultada. Eu nunca vi o meu pai preso e nunca fui impedido de o visitar durante dias a fio enquanto ele estava «no sono». Eu nunca fui interpelado e ameaçado por guardas quando olhava, de fora, para as grades da cadeia. Eu nunca fui capturado no castelo de S. Jorge por um legionário, por estar a falar inglês sem ser «intréprete oficial». Eu nunca fui conduzido à força a uma cave, no mesmo castelo, em que havia fardas verdes e cães pastores alemães. Eu nunca vi homens e mulheres a sofrer na cadeia da vila por não quererem trabalhar de sol a sol. Eu nunca soube de alentejanos presos, às ranchadas, por se encontrarem a cantar na rua.
Eu nunca assisti a umas eleições falsificadas, nunca vi uma manifestação espontânea ser reprimida por cavalaria à sabrada; eu nunca senti os tiros a chicotearem pelas paredes de Lisboa, em Alfama, durante o Primeiro de Maio.
Eu nunca assisti a um comício interrompido, um colóquio desconvocado, uma sessão de cinema proibida. Eu nunca presenciei a invasão dum cineclube de jovens com roubo de ficheiros, gente ameaçada, cartazes arrancados. Eu nunca soube do assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores, da prisão dos seus dirigentes. Eu nunca soube da lei do silêncio e da damnatio memoriae que impendia sobre os mais prestigiados intelectuais do meu país. Eu nunca fui confrontado quotidianamente com propaganda do estado corporativo e nunca tive de sofrer as campanhas de mentalização de locutores, escribas e comentadores da Rádio e da Televisão.
Eu nunca me dei conta de que houvesse censura à imprensa e livros proibidos. Eu nunca ouvi dizer que tinha havido gente assassinada nas ruas, nos caminhos e nas cadeias. Eu nunca baixei a voz num café, para falar com o companheiro do lado. Eu nunca tive de me preocupar com aquele homem encostado ali à esquina.
Eu nunca sofri nenhuma carga policial por reclamar «autonomia» universitária. Eu nunca vi amigos e colegas de cabeça aberta pelas coronhas policiais. Eu nunca fui levado pela polícia, num autocarro, para o Governo Civil de Lisboa por indicação de um reitor celerado. Eu nunca vi o meu pai ser julgado por um tribunal de três juízes carrascos por fazer parte do «organismo das cooperativas», do PCP, com alguns comerciantes da Baixa, contabilistas, vendedores e outros tenebrosos subversivos. Eu nunca fui sistematicamente seguido por brigadas que utilizavam um certo Volkswagen verde.
Eu nunca tive o meu telefone vigiado. Eu nunca fui impedido de ler o que me apetecia, falar quando me ocorria, ver os filmes e as peças de teatro que queria. Eu nunca fui proibido de viajar para o estrangeiro.
Eu nunca fui expressamente bloqueado em concursos de acesso à função pública. Eu nunca vi a minha vida devassada, nem a minha correspondência apreendida. Eu nunca fui precedido pela informação de que não «oferecia garantias de colaborar na realização dos fins superiores do Estado». Eu nunca fui objecto de comunicações «a bem da nação». Eu nunca fui preso. Eu nunca tive o serviço militar ilegalmente interrompido por uma polícia civil. Eu nunca fui julgado e condenado a dois anos de cadeia por actividades que seriam perfeitamente quotidianas e normais noutro país qualquer;
Eu nunca estive onze dias e onze noites, alternados, impedido de dormir, e a ser quotidianamente insultado e ameaçado. Eu nunca tive alucinações, nunca tombei de cansaço. Eu nunca conheci as prisões de Caxias e de Peniche.
Eu nunca me dei conta, aí, de alguém que tivesse sido perseguido, espancado e privado do sono. Eu nunca estive destinado à Companhia Disciplinar de Penamacor. Eu nunca tive de fugir clandestinamente do país. Eu nunca vivi num regime de partido único. Eu nunca tive a infelicidade de conhecer o fascismo.
MdC
04-09-2012