Documentário sobre a História do sexo e da sexualidade no mundo antigo oriental e ocidental. O trecho apresenta as relações de gênero e sexo na Mesopotâmia, no Egito Antigo, a Grécia e em Roma.
O AMOR EM VISITA | Herberto Helder

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Les Matins /Chiites-sunnites | l’indépassable clivage?
Régis Debray | Les Matins/Laïcité, blasphème : qu’a-t-on appris, un an après ?
Abreu Pessegueiro | Pintura



No Caminho dos Tornados
“No Caminho dos Tornados” é um documentário que pretende, para além de retratar as 3 semanas de aventura vividas pela equipa da Troposfera no interior dos Estados Unidos, ter uma acção pedagógica relativamente à meteorologia em Portugal, sensibilizando a população para o clima, para os meios existentes, para a forma como se formam os eventos severos e qual a sua predominância em Portugal.
Caminho de Sangue – a luta contra o projeto da Al-Qaeda
Caminho de Sangue revela-nos a emocionante história do exército subterrâneo que Osama bin Laden criou para atacar o seu alvo número um: a Arábia Saudita, o seu país natal. O objetivo era conquistar a terra das Duas Mesquitas Sagradas, o berço do islamismo, e, a partir daí, estabelecer um império islâmico com força suficiente para conquistar o Ocidente.
No entanto, longe da imagem de guerreiros santos obstinados que apresentam ao mundo, o grupo encontra-se dilacerado por lutas internas e falta de disciplina.
Partindo do acesso sem precedentes aos arquivos do governo da Arábia Saudita, entrevistas com funcionários superiores dos serviços secretos do Médio Oriente e Ocidente, bem como a militantes da Al-Qaeda capturados, e a vídeos exclusivos captados a partir das suas células, Caminho de Sangue narra a história da campanha terrorista da Al-Qaeda e da tentativa desesperada e determinada dos serviços de segurança interna da Arábia Saudita para a travar.
Orson Welles | O verdadeiro jornalismo relata um facto, o jornalismo depravado alimenta-se dele.
«( …) o cinema não é um meio de informação mas de divertimento. Isto é verdade. Mas é igualmente verdade que o jornalismo entra em estreita concorrência com o cinema no domínio do entretenimento popular. O verdadeiro jornalismo relata um facto, o jornalismo depravado alimenta-se dele. De qualquer forma, nunca pode ir além da observação e do comentário. Se tenta ultrapassá-los encontramo-nos, nós cineastas, perante uma tentativa de concorrência no domínio, não apenas do entretenimento, mas também da ficção. “Tentativa” apenas pois não tem possibilidade de fabricar mesmo má ficção com a matéria bruta dos factos. Pois a ficção não é uma versão do que aconteceu. É o que teria podido acontecer, e não a versão de seja o que for. A ficção pede a invenção. O jornalismo impede-a»
Populismo vs República | Gloria Álvarez | Introdução de José Filipe da Silva
Com esta intervenção, de Glória Álvarez, fica quase tudo dito sobre o populismo que avassala a América latina e não só. Uma brilhante intervenção que disseca o sistema político e seus vícios, apontando, de forma brilhante, uma das possíveis soluções. O diagnóstico aponta o eterno calcanhar de Aquiles, tudo passa por uma revolução cultural. O poder de comunicação e síntese e a clareza da intervenção, tornam este vídeo imperdível.
Gloria Álvarez (Cidade da Guatemala, 09/03/1985) é uma cientista política guatemalteca conhecida por ser uma defensora do “libertarianismo” e uma das principais críticas do populismo na América Latina.
José Filipe da Silva
Fleuve de cendres | Véronique Bergen
Obsédé par les fêlures de son amante, une femme se perd dans de singulières joutes passionnelles sur fond d’océan… Comment endurer les cinglantes lignes de fuite de Chloé, amazone à la troublante armure? Comment déchiffrer les langues intimes de son journal, vertigineuse tour de Babel intérieure dans laquelle cette dernière s’est enfermée à double tour? Comment surtout découvrir le code secret à même de pénétrer les mystérieux écrits d’Ossip, son grand-oncle survivant des camps qui vient de se jeter dans le mer? Au fil des jours se précise un tragique roman familial : la disparition des siens durant l’orgie de sang de la Seconde Guerre mondiale, l’interminable silence du dieu des Etoiles jaunes… D’une écriture visionnaire, Véronique Bergen conjugue les mille énigmes d’une passion à une hallucinatoire traversée des pulsions barbares du XXe siècle. Creusant les méandres d’un inépuisable panthéisme amoureux, elle nous happe dans la flamboyante folie de la guerre. – 4ème de couverture –
(date de publication : août 2008)
Centro Nacional de Cultura | Conversas de Fátima – Portugal 1917 | 12 de janeiro – 20h00 – Hotel D. Gonçalo – Fátima

Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém e Guilherme d’ Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura
Ciclo de jantares-conferência ” Conversas de Fátima: Portugal 1917 – Estado, Sociedade – Razão e Fé” – 12 de janeiro | 20h00 Hotel D. Gonçalo – Fátima
No âmbito das comemorações do Centenário das Aparições – Contributo da Sociedade Civil – realiza-se a partir de janeiro de 2016, o 1º ciclo de ” Conversas de Fátima: Portugal 1917 – Estado, Sociedade – Razão e Fé”.
O jantar com o tema “Internacionalização: Fátima no Mundo” é o primeiro de um ciclo de jantares-conferência que decorrerão ao longo de 2016 e de 2017.
Serão oradores do primeiro jantar-conferência Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém e Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura.
Este evento é organizado pelo Centro Nacional de Cultura e conta com o apoio do Município de Ourém. A participação na iniciativa tem o custo de 20€ e as inscrições devem ser efetuadas junto do Centro Nacional de Cultura ou através do email tferreiragomes@cnc.pt.
Portugal é um país de escritores ricos | Alexandra Lucas Coelho in “Público”

1. Há quase 20 anos um poema de Nuno Moura dizia Portugal é um país de poetas ricos. Hoje podemos dizer mais, Portugal é um país de escritores ricos. Ao contrário dos alemães, que não têm onde cair mortos e são pagos sempre que vão fazer uma leitura para poderem continuar a escrever, ou dos pelintras dos ingleses, que em 2015 bateram o recorde de candidaturas a subsídios de escrita, os portugueses são tão ricos que não precisam de dinheiro para pesquisar um livro, nem para viver enquanto o escrevem. Entretanto, dão o seu tempo a câmaras, bibliotecas, festivais, centros e demais instituições cada vez mais envolvidas na promoção da literatura. Em suma, se os escritores portugueses já não precisavam de dinheiro, em 2016 também já não precisam de tempo. Superaram a fase da criação, estão em pleno criacionismo: o livro é um PDF de Deus, vem já revisto e tudo.
2. Eis a ficção que tende a enredar estes abastados imortais que cada vez mais não escrevem a futura literatura portuguesa. Há dois motivos para falar deles agora: primeiro, Portugal voltou a ter Ministério da Cultura, e se o actual Governo fez disso bandeira há que cobrá-la na prática, ver como lidará com a falta de meios e equipas exauridas; segundo, nunca em Portugal tantas câmaras, bibliotecas e instituições com orçamentos se envolveram tanto na promoção da literatura. O Ministério da Cultura pode, por exemplo, retomar de alguma forma as bolsas de criação literária. Câmaras, bibliotecas e instituições com orçamento podem apoiar a criação. E esses apoios devem coexistir com meios novos na Internet, porque não asseguram o mesmo, como explicarei adiante.
Nana Mouskouri | Je Chante Avec Toi Liberté | Live Zénith Paris
Giuseppe Verdi | Nabucco | Va pensiero
Moradia em Vila do Carvalho | Covilhã | Arqº Frederico Valsassina | Projecto de Estrutura: Viplano Lda



DANIEL YERGIN | O impacto mundial do gás de xisto dos EUA in negocios.pt
A maior inovação na energia neste século, até agora, tem sido o desenvolvimento do gás de xisto e o recurso associado conhecido como “xisto betuminoso”. A energia de xisto situa-se no topo não apenas pela sua abundância nos Estados Unidos, mas também devido ao seu impacto mundial profundo – como os acontecimentos em 2014 continuarão a demonstrar.
O gás de xisto e o xisto betuminoso nos Estados Unidos estão já a transformar os mercados de energia mundiais e a reduzir quer a competitividade da Europa em comparação com os Estados Unidos quer a competitividade da indústria da China no geral. Trazem também mudanças na política mundial. De facto, como a energia de xisto pode mudar o papel dos Estados Unidos no Médio Oriente está a tornar-se um tema quente em Washington e mesmo no Médio Oriente.
Esta “revolução não-convencional” no petróleo e no gás não chegou rapidamente. A fracturação hidráulica – conhecida como “fracking” – surgiu por volta de 1947, e os esforços iniciais para adaptá-la a xisto denso começou no Texas no início da década de 80. Mas, não foi até ao final dos anos 90 e início da década de 2000 que o tipo específico de fracturação para o xisto, combinado com a perfuração horizontal, foi aperfeiçoada. E não foi até 2008 que o seu impacto na oferta de energia dos Estados Unidos se tornou notável.
Desde então, a indústria desenvolveu-se depressa, com o gás de xisto a representar actualmente 44% da produção total de gás natural dos Estados Unidos. Tendo em conta a oferta abundante, os preços do gás nos Estados Unidos têm descido para um terço daqueles que se verificam na Europa, enquanto a Ásia paga cinco vezes mais. O xisto betuminoso, produzido com a mesma tecnologia do gás de xisto, está a impulsionar a produção de petróleo dos Estados Unidos também, crescendo 56% desde 2008 – um aumento que, em termos absolutos, é superior à produção total de oito dos doze países da OPEP. De facto, a Agência Internacional de Energia prevê que, nos próximos anos, os Estados Unidos ultrapassem a Arábia Saudita e a Rússia e se tornem o maior produtor de petróleo do mundo.
Ephemera | José Pacheco Pereira

Poema A Nêspera
Interpretação do poema A Nêspera, de Mário Henrique Leiria, por Mário Viegas.
“Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!”
LETRAS-RESENHA CRÍTICA | ‘Goto’, Um Romance Pós-moderno | Adelto Gonçalves
Itararé, pequena cidade do Estado de São Paulo na divisa com o Paraná, ganhou notoriedade à época do movimento civil-militar de 1932 em que a alta burguesia paulista, desalojada do poder em 1930, tentou, de maneira desastrada, afastar pelas armas o regime instaurado igualmente à força por Getúlio Vargas (1882-1954), fazendeiro gaúcho que soube galvanizar o ressentimento das demais unidades da Federação contra a chamada política do “café com leite”.
Como se sabe, desde o advento da República, capitalistas paulistas e mineiros, praticamente, tinham o monopólio dos benefícios e benesses que a União poderia oferecer, usufruindo-os à exaustão, enquanto os demais Estados chafurdavam no subdesenvolvimento, quase todos entregues à espoliação promovida por suas oligarquias locais.
Em 1932, deu-se então o episódio da projetada batalha de Itararé, “aquela que não houve” porque as forças de um lado e de outro concluíram que não valia à pena levar adiante aquela guerra fratricida, com a capitulação das elites paulistas, que já haviam sido derrotadas em 1930, com o afastamento abrupto do presidente Washington Luiz (1869-1957). O episódio foi utilizado, de maneira jocosa, pelo jornalista, humorista e escritor Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), conhecido por Apporelly, que passou a apresentar-se sob o falso título de nobreza de barão de Itararé.
Lusofobia | Viriato Soromenho Marques in Diário de Notícias
Lula da Silva escolheu a Espanha para reativar um dos tiques culturais de alguma elite brasileira contra o colonizador português. Culpou Portugal pelo facto de a primeira universidade brasileira ter sido fundada apenas em 1922. Para além de ignorar as iniciativas lusas em matéria de ensino superior, em 1792, no Rio de Janeiro (Ciências Militares), e em 1808, na Bahia (Medicina), Lula fez cair para cima da herança lusa um século de independência brasileira (1822-1922). Como Pedro Calafate tem escrito, a procura de um paradigma não português para inspiração cultural alternativa atravessa todo o século XIX do país irmão. Não só o positivismo francês, imortalizado na bandeira nacional adotada em 1889, como um germanismo mítico, com Tobias Barreto, ou um indigenismo romântico em Gonçalves de Magalhães e Oswald de Andrade (tupi or not to be…). Contudo, Lula ignora os grandes vultos contemporâneos da Academia brasileira. Não só o luso tropicalismo de Gilberto Freyre, como os trabalhos monumentais de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Darcy Ribeiro. Lula ignora que em 1815 o Brasil ganhou o estatuto de reino. E que a história de Pedro I, imperador do Brasil, que foi também Pedro IV de Portugal, é uma singularidade irrepetível na história universal. Ignora que a Universidade de Coimbra (depois do fecho da de Évora) foi a única para todo um império pobre. Contudo, foi esse espírito coimbrão, que unia a elite brasileira, coeva de José Bonifácio, aliado à sábia estrutura administrativa portuguesa, que garantiu – em contraste com a total fragmentação da América Espanhola – a unidade do Brasil. Os pobres portugueses asseguraram a integridade desse chão que fará do Brasil uma das grandes potências mundiais do século XXI. Basta que o seu grande povo escolha líderes capazes de cultivar a história, em vez de a tratarem com os pés.
Fonte: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/viriato-soromenho-marques/interior/lusofobia-4957487.html
Soumission | Michel Houellebecq
Dans une France assez proche de la nôtre, un homme s’engage dans la carrière universitaire. Peu motivé par l’enseignement, il s’attend à une vie ennuyeuse mais calme, protégée des grands drames historiques. Cependant les forces en jeu dans le pays ont fissuré le système politique jusqu’à provoquer son effondrement. Cette implosion sans soubresauts, sans vraie révolution, se développe comme un mauvais rêve. Le talent de l’auteur, sa force visionnaire nous entraînent sur un terrain ambigu et glissant ; son regard sur notre civilisation vieillissante fait coexister dans ce roman les intuitions poétiques, les effets comiques, une mélancolie fataliste. Ce livre est une saisissante fable politique et morale.
Boas Pessoas, de David Lindsay-Abaire
Margarida vive sozinha com a filha e trabalha na Loja de Tudo a Um Euro. A sua vida é dura, como é para a maior parte das pessoas que lutam dia-a-dia para pagar as contas.
Boas Pessoas é uma peça de gente comum, que sonha, sofre e se diverte, vive e trabalha numa grande cidade. Há quem se esforce para chegar ao topo, quem viva de caridade, quem não deva nada a ninguém e quem procure encontrar a sorte num jogo de azar.
O Despertar da Força, de Phil Szostak
Todos os pormenores do making off de O Despertar da Força, desde a formação das equipas iniciais, à contratação de artistas e desenhadores nas sedes da LucasFilm e nos Pinewood Studios.
Vai ser possível acompanhar a fase de produção da Industrial Light&Magic, pela primeira vez com uma proximidade sem precedentes. Phil Szostak trabalhou como arquivista de imagem na Lucas Film
desde 2012 até o fim da produção do novo filme.
‘Nós, poetas de 33’: uma coletânea imperdível | Adelto Gonçalves
I
Foi Fernando Mendes Vianna (1933-2006), poeta nascido no Rio de Janeiro, quem teve a ideia de organizar uma antologia com poetas brasileiros nascidos em 1933 e passou-a a Joanyr de Oliveira (1933-2009), que de pronto a aceitou. A princípio, eles iriam organizá-la juntos, mas não se sabe até que ponto Mendes Vianna chegou a trabalhar nela, antes que fosse visitado pela indesejada das gentes, como diria Manuel Bandeira (1886-1968). Assim, a tarefa passaria para os ombros de Joanyr de Oliveira, que, se levaria a cabo a missão, escrevendo-lhe até a nota introdutória, igualmente não conseguiria vê-la impressa.
O próprio Joanyr de Oliveira chegou a encaminhar os originais ao editor Victor Alegria, que assumira o compromisso de publicar o livro diante do corpo sem vida de Mendes Vianna. Colaboraria na edição o poeta Anderson Braga Horta, nascido em 1934, mas “amigo de todos os poetas e o maior dentre todos nós que nos tornamos brasilienses”, no dizer do organizador.
Depois desses percalços, Nós, poetas de 33, de Joanyr de Oliveira, sai agora com apresentação de Kori Bolívia, presidente da Associação Nacional de Escritores (ANE) de 2012 a 2014, e três textos sobre a poesia de Mendes Vianna e um apêndice sobre a vida e a obra do organizador da coletânea. Da obra ainda faz parte uma fortuna crítica com a opinião de críticos sobre livros do organizador, com destaque para o que diz José Louzeiro (1932) a respeito de O grito submerso (1980). Segundo Louzeiro, os versos “Demônios são anjos/ nas arcadas da ventania” só poderiam partir da concepção de um mestre, pois lembram os de Camilo Peçanha (1867-1926) e Mário de Sá-Carneiro (1890-1916).
Voltaire (Traité sur la tolérance, 1763)
Don Quichotte de la Manche | Cervantès | Bibliothèque de la Pléiade | Gallimard
Idée cadeau n° 6 : « Don Quichotte de la Manche » de Cervantès, dans la collection de la Bibliothèque de la Pléiade. Pour découvrir ou redécouvrir un incontournable grand classique de la littérature espagnole !
Édition et traduction de l’espagnol par Claude Allaigre, Jean Canavaggio et Michel Moner. Préface de Jean Canavaggio.
Don Quichotte lui-même, au seuil de la «Seconde partie» (1615), n’en croit pas ses oreilles : «Il est donc vrai qu’il y a une histoire sur moi?» C’est vrai, lui répond le bachelier Samson Carrasco, et cette histoire – la «Première partie» du Quichotte, publiée dix ans plus tôt –, «les enfants la feuillettent, les jeunes gens la lisent, les adultes la comprennent et les vieillards la célèbrent». Bref, en une décennie, le roman de Cervantès est devenu l’objet de son propre récit et commence à envahir le monde réel. Aperçoit-on un cheval trop maigre? Rossinante!
Quatre cents ans plus tard, cela reste vrai. Rossinante et Dulcinée ont pris place dans la langue française, qui leur a ôté leur majuscule. L’ingénieux hidalgo qui fut le cavalier de l’une et le chevalier de l’autre est un membre éminent du club des personnages de fiction ayant échappé à leur créateur, à leur livre et à leur temps, pour jouir à jamais d’une notoriété propre et universelle. Mais non figée : chaque époque réinvente Don Quichotte.
Au XVIIe siècle, le roman est surtout perçu comme le parcours burlesque d’un héros comique. En 1720, une Lettre persane y découvre l’indice de la décadence espagnole. L’Espagne des Lumières se défend. Cervantès devient bientôt l’écrivain par excellence du pays, comme le sont chez eux Dante, Shakespeare et Goethe. Dans ce qui leur apparaît comme une odyssée symbolique, A.W. Schlegel voit la lutte de la prose (Sancho) et de la poésie (Quichotte), et Schelling celle du réel et de l’idéal. Flaubert – dont l’Emma Bovary sera qualifiée de Quichotte en jupons par Ortega y Gasset – déclare : c’est «le livre que je savais par cœur avant de savoir lire». Ce livre, Dostoïevski le salue comme le plus grand et le plus triste de tous. Nietzsche trouve bien amères les avanies subies par le héros. Kafka, fasciné, écrit «la vérité sur Sancho Pança». Au moment où Freud l’évoque dans Le Mot d’esprit, le roman est trois fois centenaire, et les érudits continuent de s’interroger sur ce qu’a voulu y «mettre» Cervantès. «Ce qui est vivant, c’est ce que j’y découvre, que Cervantès l’y ait mis ou non», leur répond Unamuno. Puis vient Borges, avec «Pierre Ménard, auteur du Quichotte» : l’identité de l’œuvre, à quoi tient-elle donc? à la lecture que l’on en fait?
Il est un peu tôt pour dire quelles lectures fera le XXIe siècle de Don Quichotte. Jamais trop tôt, en revanche, pour éprouver la puissance contagieuse de la littérature. Don Quichotte a fait cette expérience à ses dépens. N’ayant pas lu Foucault, il croyait que les livres disaient vrai, que les mots et les choses devaient se ressembler. Nous n’avons plus cette illusion. Mais nous en avons d’autres, et ce sont elles, peut-être – nos moulins à vent à nous –, qui continuent à faire des aventures de l’ingénieux hidalgo une expérience de lecture véritablement inoubliable.
BOUALEM SANSAL | 2084 – La fin du monde
Desigualdade num Mundo Globalizado – a conferência.
A conferência do economista norte-americano Joseph E. Stiglitz, hoje na Fundação Calouste Gulbenkian. O conferencista é um dos autores mais influentes em matéria de desigualdade e uma das vozes mais críticas da globalização comercial e financeira, e um dos poucos que anteciparam a crise internacional desencadeada em 2008, sobre a Desigualdade num Mundo Globalizado.
Desigualdade num Mundo Globalizado
Conferência do economista norte-americano Joseph E. Stiglitz, um dos autores mais influentes em matéria de desigualdade e uma das vozes mais críticas da globalização comercial e financeira, e um dos poucos que anteciparam a crise internacional desencadeada em 2008, sobre a Desigualdade num Mundo Globalizado.
Desigualdade num Mundo Globalizado
Conferência por Joseph Stiglitz
Terça, 1 dez 2015 | 18:30
Grande Auditório
A minha amiga é negra | Ferreira Fernandes | in DN 28-08-2015
A minha amiga é negra. Ainda há pouco eu não me lembraria de o dizer. Nesta semana, ela obrigou-me. Claro, não foi do género “olha, escreve lá no teu jornal que sou negra”. Foi assim, ela estava a fazer uma coisa solene e ficou de cara levantada – dizia uma jura pública – olhando-nos, olhos nos olhos, a mim e a vocês também. Eu disse-me: está bem, Francisca, eu digo.
Ao João, seu irmão, ele morreu há dois anos, eu até já chamei “preto”. Ele, o mais cosmopolita dos meus amigos, apareceu-me com uns sapatos a que os americanos chamam spectators. E chamam bem, porque, de couro negro ou castanho e pala branca, os spectators atraem a atenção e só ficam bem a quem os ousa usar. Invejo-os, porque me sei disléxico de alfaiataria. Foi o que talvez me tenha levado a dizer ao João: “Pareces um preto de Nova Orleães…” Ele gostou, olhou para os sapatos e pôs-me a mão no ombro: “São bonitos, não são?” Acho que se permitiu a superioridade, a mão no ombro, porque se aproveitou da minha nítida desvantagem no vestir. Geralmente os irmãos Van Dunem tratam-me com menos sobranceria. Nem tanto por mim, suspeito, mas porque eu fui “o amigo do Zé”, o mais velho dos irmãos.
Não lhes perdoo! | Francisco Seixas da Costa | in Blog Duas ou Três Coisas
Acaba hoje aquela que constitui a mais penosa experiência política a que me foi dado assistir na minha vida adulta em democracia. Salvaguardadas as exceções que sempre existem, quero dizer que nunca me senti tão distante de uma governação como daquela a que este país sofreu desde 2011.Carlos Nejar: o espetáculo da palavra | Adelto Gonçalves
Se como ensina o professor Massaud Moisés (1928), em A criação literária. Prosa II (São Paulo, Editora Cultrix, 19ª ed., 2005), prosa poética é a fusão da poesia e da prosa, caracterizada pela musicalidade, pela metaforização abundante e a divisão da frase em segmentos que recordam a cadência do verso, O feroz círculo do homem (Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 2015), de Carlos Nejar (1939), preenche todos esses requisitos. Constitui, portanto, um romance escrito inteiramente em prosa poética.
Como observa o jovem escritor, jornalista e crítico Diego Mendes Sousa (1989) no posfácio que escreveu para este livro, em dez capítulos de O feroz círculo do homem, o leitor pode escutar a voz de Carlos Nejar ecoar no pensamento do relator Tibúrcio Dalmar, personagem enveredado na arte de guardar as sombras das almas no sótão de um tenda localizada em Pontal do Orvalho – entre o cimo do monte e as margens do rio João Aragem – que toma a forma de uma Caverna circular, governada pelo enigmático Círculo.
Como logo percebe o culto leitor, o livro recorre à alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, passagem escrita por Platão que se encontra na obra intitulada A República (Livro VII) em que o filósofo grego procura mostrar como o ser humano pode se libertar da condição de escuridão que o aprisiona através da luz da verdade. Nessa obra, Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.
O romance de Adelto | Anderson Braga Horta
O professor Adelto Gonçalves é conhecido e enaltecido pelo exercício da crítica literária, função que desempenha com segurança, simpatia e estilo tanto nos modernos meios de comunicação virtual — importantes sites do País e do exterior, notadamente Portugal — quanto em órgãos da imprensa tradicional. A qualidade, a frequência e a intensidade desse trabalho, uma das mais louváveis exceções à tendência dos grandes periódicos, hoje, de eliminar a resenha crítica regular a cargo de profissionais “do ramo”, competentes e respeitados, fazem, por si sós, benemérita a pena do escritor.
A crítica registra e analisa a produção literária, atuando como fiel e guia do leitor e armazenando, para os historiadores e estudiosos do setor, informações sem as quais a pesquisa seria um perder-se na floresta, cada vez mais densa e intrincada, dos produtos e despejos editoriais. Sem a crítica restam a publicidade e a resenha expositiva, cumpridoras, é certo, de um papel respeitável, mas incapazes, por definição, de ir ao âmago da criação literária, em termos de técnica, de humanismo e de arte.
Além disso, é autor de ensaios literários, históricos e biográficos como, apenas exemplificando, os que dedicou a Bocage, Tomás Antônio Gonzaga e Fernando Pessoa, que lhe aumentaram a notoriedade e lhe granjearam justos prêmios.
Finalmente, sabemo-lo autor de narrativas ficcionais, como os contos de Mariela Morta (sua estréia, em 1977) e o romance Barcelona Brasileira, publicado em Lisboa, em 1999, e em São Paulo, em 2002. Quanto a mim, tomo conhecimento direto desta sua faceta de escritor apenas agora, com a recente publicação, por LetraSelvagem, da segunda edição de Os Vira-Latas da Madrugada. Tendo-o escrito no final da adolescência, refundiu-o em 1977-78, vindo essa versão a merecer destaque, dois anos depois, no Prêmio Nacional José Lins do Rego, da editora José Olympio, que o publicou em 1981.
RÓMULO DE CARVALHO / ANTÓNIO GEDEÃO por Cristina Carvalho
Rómulo de Carvalho / António Gedeão nasceu a 24 de Novembro de 1906.
Também se comemora hoje, 24 de Novembro, o DIA NACIONAL DA CULTURA CIENTÍFICA instituído em 1996 em sua homenagem, pelo Ministério da Ciência e da Educação.
Quase todo o espólio da sua vastíssima obra pode ser consultado pelo público em geral na Biblioteca Nacional de Portugal em Lisboa.
Extrema Esquerda – Porque não fizemos a revolução?
No início dos anos 60 do século XX, o movimento extrema-esquerda nasce em Portugal com uma dissidência do Partido Comunista Português, inspirada de certa forma no conflito entre o Partido Comunista soviético e o Partido Comunista chinês e nas diferentes interpretações da estratégia de implantação do comunismo.
Este projeto é um repositório de história verbal, apoiado numa recolha de documentação, que conta com a participação de todos os interessados em contribuir para o crescimento do deste projeto de multimédia através dos seus depoimentos e documentos. Para o desenvolvimento deste projeto e sua continuidade é fundamental a parceria com o IHC – Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, o Centro de Documentação 25 de abril, da Universidade e o Mural Sonoro como garante do rigor histórico.
Intervenção de Eduardo Lourenço no encerramento do Tabula Rasa | 1º Festival Literário de Fátima
Lettre d’Egon Schiele à Anton Peschka
L’œuvre de l’artiste autrichien Egon Schiele (1890-1918) constitue une véritable ode au mouvement, à la chair, à l’érotisme et à la nature. Si l’on connaît de lui de nombreuses toiles et dessins, ses poèmes et lettres restent plus confidentiels. Dans ce billet qu’il adresse à son ami le peintre Anton Peschka, cet « éternel enfant » témoigne d’une admiration sans cesse renouvelée pour toutes les beautés que le monde est en mesure de prodiguer.
1910
(Vienne)
Peschka ! […] Je brûle d’envie d’aller dans la forêt de Bohême. Mai, juin, juillet, août, septembre : il faut absolument que je voie quelque chose de nouveau, que je l’explore ; je veux déguster les eaux sombres, voir craquer des arbres, des airs sauvages, regarder ébahi des haies de jardin pourrissantes, y surprendre le foisonnement de la vie, entendre bruire les bouquets de bouleaux, frémir les feuilles ; je veux voir la lumière, le soleil, et savourer les humides vallées du soir au vert bleuissant, épier l’éclat fugace des poissons dorés, voir se former les blancs nuages, je voudrais parler aux fleurs. Scruter l’intimité des brins d’herbe, des hommes au teint rose, parler de dignes vieilles églises, de petites chapelles, je veux parcourir sans trêve des collines verdoyantes, parmi de vastes plaines, je veux baiser la terre, humer les tendres, chaudes fleurs des mousses. Alors je donnerai forme à de belles choses : des champs de couleurs…
Au petit matin, je voudrais revoir le soleil se lever, être libre de regarder la terre respirer, dans la lumière vibrante.
Ardenas 1944, de Antony Beevor
A última jogada de Hitler.
No dia 16 de dezembro de 1944, Hitler deu início à sua «última jogada» nas florestas e desfiladeiros cobertos de neve das Ardenas. Estava convicto de que seria capaz de dividir os Aliados se os empurrasse até Antuérpia, obrigando os canadianos e os britânicos a saírem da guerra. Embora os seus generais tivessem dúvidas sobre o êxito da ofensiva, os oficiais mais jovens e menos graduados estavam desesperados por acreditar que as suas casas e as suas famílias podiam ser salvas do Exército Vermelho, que se aproximava, vingador, de leste. Muitos exultavam perante a expectativa de contra-atacar. A ofensiva nas Ardenas, que envolveu mais de um milhão de homens, tornou-se a maior batalha da guerra na Europa Ocidental. As tropas americanas, apanhadas de surpresa, deram por si a lutar contra dois exércitos de Panzers. Os civis belgas fugiram, justificadamente com receio da vingança alemã. O pânico espalhou-se até Paris. Muitos americanos desertaram ou renderam-se, mas muitos outros mantiveram-se heroicamente firmes, atrasando o avanço alemão. O inverno rigoroso e a selvajaria da batalha tornaram-se comparáveis aos da frente ocidental. E depois dos massacres da Waffen-SS, até os generais americanos deram a sua aprovação quando os seus homens mataram alemães que se rendiam. A Batalha das Ardenas quebrou finalmente a Wehrmacht.
AS GRANDES DIVAS DO SÉCULO XX, de Luciano Reis
Nomes como Amália Rodrigues, Laura Alves, Milú, Beatriz Costa, Maria Matos ou Amélia Rey Colaço, entre muitas outras, marcaram definitivamente o mundo do espectáculo português ao longo do século XX.
Os rostos destas divas são-nos familiares desde sempre, algumas das suas míticas interpretações em filmes ou peças de teatro são ainda recordadas, as suas canções pertencem já ao património colectivo.
O Candidato Improvável – Sampaio da Nóvoa
«As palavras que procurei ao longo da minha vida, do meu trabalho e que agora compartilho convosco: liberdade, futuro e compromisso.»
ANTÓNIO SAMPAIO DA NÓVOA, O Candidato Improvável, de Filipe S. Fernandes.
António Sampaio da Nóvoa foi reitor da Universidade Clássica de Lisboa entre 2006 e 2013, tendo sido o grande obreiro da fusão entre esta universidade e a Universidade Técnica de Lisboa.
A capacidade de dar uma dimensão maior aos cargos que ocupa fez dele uma voz contra a austeridade e a falta de alternativas, que teve o momento alto no discurso oficial do Dia de Portugal, das Comunidades e de Camões a 10 de Junho de 2012 em Lisboa.
Nesse mesmo dia nasceu um candidato à Presidência da República.
Nabucco | Hebrew Slaves Chorus
Nana Mouskouri | Je Chante Avec Toi Liberté
Cinco novelas e algumas surpresas | Adelto Gonçalves
Com uma linguagem realista que descreve sem nenhum disfarce não só o mundo cão das favelas cariocas como as histórias de algumas das muitas vidas desfeitas pelo turbilhão produzido pela intervenção militar na vida constitucional do País em 1964, Helio Brasil contempla o leitor em Pentagrama acidental (Rio de Janeiro, Ponteio, 2014) com cinco novelas bem estruturadas e arquitetadas, não fosse ele um experiente arquiteto e urbanista, além de professor universitário com vasto currículo e experiência.
No posfácio que escreveu para este livro, o também professor Ivan Cavalcanti Proença, mestre e doutor em Literatura Brasileira, autor de obras clássicas como A ideologia do cordel, Futebol e palavra e O poeta do eu, este último sobre o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), diz que Helio Brasil é, hoje, um dos mais importantes ficcionistas brasileiros, embora não seja dado a procurar a divulgação de seu trabalho na mídia nem frequentar a roda-viva oficial dos intelectuais.
“Seus livros, inclusive o artesanal texto-memória, recente, sobre a infância em São Cristóvão, constituem prova de seriedade intelectual, competência e extrema lucidez na seleção de temas que compõem sua obra”, diz.
Proença aponta a novela “Corte e costura” como o carro-chefe do volume, incluindo-a entre os textos mais significativos da contemporânea ficção brasileira. De fato, poucos ficcionistas hoje no Brasil teriam tanta habilidade verbal e gênio para produzir uma narrativa tão realista como esta, sem perder o compromisso com o fazer literário, tornando os seus personagens figuras inesquecíveis para o leitor.
A novela conta a história de um casal separado pelas consequências nefastas do golpe militar, que tanta infelicidade trouxe para muitas famílias brasileiras. Loreta, 20 anos, dona de casa que fazia da atividade como costureira um meio para reforçar o orçamento doméstico, vivia no Rio de Janeiro com Erasmo, jovem professor universitário, que, de repente, envolvido nas malhas do movimento de resistência pelas armas ao regime militar (1964-1985).
Privilégios ancestrais | Aliadas do soro antiofídico | Os olhos da China | Um cronômetro para erupções | Adelto Gonçalves
Vídeo da entrevista para a Revista Pesquisa Fapesp a respeito do livro “Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial” (Impresa Oficial do Estado de São Paulo,2015).
José Luís Peixoto | Em Teu Ventre
Em iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Fátima
José Luís Peixoto apresenta em Fátima romance que retrata tempo das aparições
“Para mim hoje é um dia muito feliz”. Foram estas das primeiras palavras que o escritor José Luís Peixoto proferiu em Fátima na apresentação do seu último livro, “Em teu ventre”, no dia em que a obra chegava às livrarias em Portugal, a 23 de outubro.
Isto porque aquando do convite para vir a Fátima apresentar um dos seus livros no Festival Literário que a autarquia local levará a efeito em novembro, José Luís Peixoto encontrava-se precisamente a escrever esta sua obra em que pretendeu retratar de um ponto de vista novo o tempo das aparições de Fátima, e ainda não tinha dado conhecimento público do que fazia. Esta coincidência, referiu, “teve um significado imenso para mim e fez-me um sentido que não consegui explicar completamente, mas nem tudo precisa de ser explicado”.
A apresentação em Fátima, numa organização da Junta de Freguesia, teve lugar na Escola de Hotelaria, com casa cheia, e antecedeu o lançamento do “Tabula Rasa – Festival Literário de Fátima”, agendado para 18 a 22 de novembro próximo.
“Em teu ventre” foi apresentado por Miguel Real, escritor, ensaísta e professor de Filosofia, que qualificou o livro como “um dos melhores romances de José Luís Peixoto”.
O romance, que o próprio autor designa de novela, embora ficcional, assenta em figuras e acontecimentos relacionados com as aparições de Maria em Fátima, em 1917. “As aparições não são narradas, os seus efeitos são”, disse Miguel Real.
Por seu lado, o autor sublinha que “o livro é constituído por duas grandes dimensões”: a coletiva, “que tem que ver com a memória histórica, com a dimensão que diz respeito a todos, à história de Portugal e à história deste episódio do catolicismo”, e a dimensão “da reflexão sobre as mães”.
José Luís Peixoto recordou que “desde que disse que tinha escrito um livro sobre a memória histórica de 1917”, a pergunta mais recorrente que lhe é colocada é “Como podes escrever sobre isso?”. Para o autor, Fátima, trata-se de “um tema muito relevante da história portuguesa do Século XX, da memória histórica de Portugal”.
Como fontes principais para “Em teu ventre”, o autor usou as “Memórias da Irmã Lúcia” e a obra “Era uma Senhora mais brilhante que o Sol”, do padre João M. de Marchi.
Narrado pela personagem Deus, a personagem principal do livro é Lúcia, um três videntes, escolhida precisamente porque “é a mais velha, a única que viu, ouviu e falou, e por ser aquela que nos deu conta dessa história”.
Para José Luís Peixoto, a obra “é um objeto literário, não é um documento histórico, mas era importante que tivesse algum rigor”, daí que, “não sendo realista, tem aspetos enganchados no realismo”. Até mesmo temporalmente a narração está marcada entre maio e outubro, meses das aparições.
Após a apresentação de “Em teu ventre” teve lugar o lançamento do “Tabula Rasa – Festival Literário de Fátima”. A noite terminou com uma sessão de autógrafos de José Luís Peixoto.
Em serviço de assessoria de imprensa para a Junta de Freguesia de Fátima :
LeopolDina Reis Simões – Assessoria de Imprensa e Comunicação
https://www.facebook.com/LeopolDina2015
(351) 962 747 440
Vidas (e obras) de poetas | Adelto Gonçalves
Desde que Caio Suetônio Tranquilo (70d.C.-122d.C.), no começo do século II, escreveu De grammaticis, coleção de resumos biográficos de gramáticos, retóricos e poetas romanos (Terêncio, Virgílio, Horácio e Lucano), que faz parte de uma obra mais ampla, De uiris illustribus, ficou claro que o tema sempre renderia textos excepcionais. Proclamações (Brasília, Editora Thesaurus, 2013), de Anderson Braga Horta (1936), livro que reúne dez ensaios e conferências sobre onze poetas brasileiros, segue essas pegadas e não foge à regra.
Até porque o seu autor não só é um fino e consagrado poeta como um crítico e ensaísta de alto quilate, que sabe que o seu ofício não se resume à inspiração – ainda que sem ela não exista poesia, como diria Lêdo Ivo (1924-2012) –, mas que é preciso também conhecer a técnica e saber como aplicá-la ou deter conhecimento para reconhecê-la e, ao mesmo tempo, detectar os defeitos que cometem os seus utilizadores.
Por isso, só mesmo quem domina à exaustão a técnica do fazer-poético poderia escrever o ensaio “Os erros de Castro Alves”, texto que deveria ser lido não só por candidatos ao ofício como por todos aqueles que se interessam por poesia e mesmo por alguns bardos com obra já conhecida. Munido de vasto conhecimento, o ensaísta rebate várias acusações que se apresentam infundadas e que pretendiam mostrar que o bardo baiano teria cometido deslizes de linguagem e tropeços métricos.
Para o ensaísta, não há em Castro Alves (1847-1871) nenhuma insuficiência de linguagem e muito menos erros métricos que possam tirá-lo do panteão da poesia brasileira. Muitas vezes, como diz, os pretensos erros não passam de licença poética ou palavras que seriam acentuadas de outra forma ao tempo do poeta. São os casos de blásfemo por blasfemo, Niagara por Niágara ou nenufares por nenúfares, entre outros.
CASA DA FANTASIA | FESTIVAL LITERÁRIO DE FÁTIMA | PROGRAMA
TABULA RASA | FESTIVAL LITERÁRIO DE FÁTIMA | PROGRAMA
José Luís Peixoto | Apresentação de livro | Em teu ventre
As 50 perguntas que o PS enviou ao Governo
Veja as questões que o PS colocou à Coligação na primeira reunião, da passada sexta-feira, enviadas via e-mail para Maria Luís Albuquerque no sábado, dia 10-10-2015.
FOLIO – Festival Internacional de Óbidos
Arranca amanhã, na vila de Óbidos, a primeira edição do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos. O escritor angolano José Eduardo Agualusa é o curador do Folio Autores e, na altura da apresentação do projeto, afirmou que esta será “uma grande festa da literatura, do livro e das ideias, muito focada na língua portuguesa e na lusofonia, em particular no Brasil, mas sem esquecer o resto do mundo.”
Relatos da vida dura | Ademir Demarchi
Os vira-latas da madrugada se passa às margens do cais santista com personagens que fazem rememorações da época do tenentismo da Coluna Prestes, passam pela Época Vargas e chegam até o período pré-golpe de 1964. Por esse dado já se poderia esperar que o Porto de Santos e sua intensa vida sindical fossem os personagens principais.
Há um forte fundo político neste romance, no entanto o autor coloca o Porto e a vida sindical no entorno e põe à frente da cena personagens que vivem entre o bairro Paquetá e zona de prostituição nas proximidades do Centro. Trata-se de uma região decadente, até hoje, tal como é a vida das pessoas retratadas, que compreendem ex-sindicalistas, moídos no cacete repressivo, punguistas, jornaleiros, vendedores de jogo de bicho, catadores de restos que caem no transporte antes de chegar aos navios, mendigos, engraxates, prostitutas e jovens aprendizes de todo tipo de sobrevivência.
A narração, assim, vai para as rebarbas do Porto e mostra a vida e o que pensam esses personagens. Marambaia destaca-se percorrendo todo o livro. Agora um velho decadente vendedor de apostas do jogo do bicho, que atuara na Coluna Prestes, militante comunista em viagem à União Soviética, sindicalista e ativo grevista, com numerosas prisões e cacetes levados da repressão. Seu percurso dá o tom do romance, indo da juventude encantada com a revolução até acabar-se com a loucura foquista de tacar fogo num bonde e invadir o Paço Municipal, anunciando a Revolução.
À sua volta convive uma penca de marginais, ladrõezinhos que dão título ao livro, os vira-latas da madrugada; gente como o negro artesão Angola, cuja história se desdobra de sua vinda do Nordeste para o Sul, correndo a vida com Peremateu, um ilusionista argentino, com quem aprendeu a fazer esculturas, até que acaba só, em Santos, velho e já ensinando o ofício a um moleque, o Pingola. Angola é um inveterado jogador no bicho e no dia em que, amargurado, joga uma bolada que ganhou na venda de estatuetas, ganha, mas não leva, porque morre atropelado. Seu maior prêmio é dado por Marambaia, como vingança contra a pobreza de todos, que paga o prêmio e compra um túmulo no cemitério do Paquetá, onde era enterrada a gente fina de Santos.
Homenagem a André Carneiro | Itaú Cultural
O poeta arrudA e o músico Peri Pane conduzem o espetáculo Confissões do Inexplicável, uma homenagem-performance a André Carneiro, morto em outubro de 2014 e considerado um dos grandes autores de ficção científica do Brasil. Os convidados Luiz Bras, Eunice Arruda, Carlos Rosa, Ava Rocha, Elisa Band e Joana Egypto celebram a obra do autor com leituras de textos, música, dança e VJing.
Com curadoria de Marcelino Freire, o AuTORES EM CENA transforma escritores em atores. Em vez de leituras, o evento propõe espetáculos teatrais baseados nos textos dos autores.
Apresentação gravada no programa AuTORES EM CENA em 19 de junho de 2015, no Itaú Cultural, em São Paulo/SP.
Palácio da Fazenda, um tesouro arquitetônico | Rio de Janeiro | Adelto Gonçalves
I
A história do Palácio da Fazenda, construção de 1943 que se destaca na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, é o que contam os arquitetos, professores e pesquisadores Helio Brasil e Nireu Cavalcanti em Tesouro (O Palácio da Fazenda, da Era Vargas aos 450 anos do Rio de Janeiro), edição comemorativa e fora do comércio, publicada com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e o apoio das empresas Carvalho Hosken Engenharia, Petróleos Ipiranga, Lopes Machado/BKR Auditores e Top Down Sistemas.
Construído para abrigar o Ministério da Fazenda, o antigo Tesouro da época do Império e Real Erário do tempo colonial, o vetusto prédio tem sido palco de acontecimentos de relevância na história do País e até hoje é o local preferido para despachos ou encontros promovidos pelo ministro da Fazenda, a despeito da transferência do órgão para Brasília quando da inauguração da atual Capital da República.
Considerado patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro, o prédio, projeto do arquiteto Luiz de Moura (1909-?), apresenta uma entrada principal baseada na arquitetura de um templo grego, ocupando uma quadra inteira de 9.360 metros quadrados de terreno e 14 pavimentos de altura. A construção abrange uma área privilegiada na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro da cidade do Rio de Janeiro, destacando-se na paisagem como uma das mais significativas representações do estilo neoclássico, tendo sido seu conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Janine Antoni
Neste vídeo podemos assistir à apresentação desta multifacetada artista que recorre a uma relação extrema com a sua obra, procurando a harmonia entre os diversos elementos, materiais e discursivos.
Um vídeo de Rachel, Jenny, e Anna.
A Nave dos Loucos | Ana Cristina Leonardo
A Europa anda atarantada. Como na “Viagem ao Centro da Terra” de Verne, a temperatura aumenta e bússola está completamente enlouquecida. Os ventos sopram fora de controle. De norte a sul, de este a oeste, as opiniões saltitam entre a compaixão e a repulsa, o medo e o remorso. Viktor Orbán, o húngaro musculado com lugar em Bruxelas, não tem dúvidas. “Estão a invadir-nos. Não estão apenas a bater à porta, estão a deitar a porta abaixo. A Hungria e toda a Europa estão em perigo.” A estas palavras, Giovanni Drago, o herói de “O Deserto dos Tártaros”, esse maravilhoso romance de Dino Buzzati, teria decerto despertado da sua letargia, o inimigo finalmente chegado à Fortaleza. Algo de semelhante se diga para Aldo, o jovem aristocrata de Orsenna que parte para o mar das Sirtes, destacado para a fronteira que separa Orsenna do Farguestão, Estados rivais marcados por uma guerra surda de três séculos que ele irá de novo despertar, segundo se conta nesse livro parente da obra de Buzzati, “A Costa das Sirtes”, de Julien Gracq. E poder-se-ia acrescentar Ivo Andrié, o Nobel bósnio que nos faz regressar ao século XVI, aos Balcãs, aí onde o grão-vizir Mehmet – Paxá decide erigir uma ponte sobre o rio Drina que liga até hoje as duas margens, ponto de partida do épico do mesmo nome (“A Ponte Sobre o Drina”).
How an Earthquake, Tsunami, and Firestorm All Hit Lisbon at Once
Umberto Eco
“É impossível pensar o futuro se não nos lembrarmos do passado. Da mesma forma, é impossível saltar para a frente se não se der alguns passos atrás. Um dos problemas da atual civilização – da civilização da internet – é a perda do passado.” Umberto Eco
a abril quando entrevistámos Umberto Eco no seu apartamento em Milão. Atendeu o intercomunicador e abriu a porta de casa, revelando a sua alta figura e a cordialidade que seria uma constante durante a conversa. De eterno cigarro apagado entre os dedos – desistiu de fumar mas não se desfez do gesto – ofereceu café e sentou-se na sua poltrona de cabedal. Falámos da infância, da escrita, de jornalismo – central em “Número Zero”, o novo romance que saiu em maio em Portugal. Mas falámos também da Europa e dos longos processos migratórios que a configuraram. Para Eco, estamos a atravessar um deles e não será um caminho fácil nem desprovido de desafios. Eis alguns excertos da entrevista.
1. CULTURA NÃO QUER DIZER ECONOMIA
“Desde a juventude que sou um apoiante da União Europeia. Acredito na unidade fundamental da cultura europeia, aquém das diferenças linguísticas. Percebemos que somos europeus quando estamos na América ou na China, vamos tomar um copo com os colegas e inconscientemente preferimos falar com o sueco do que com o norte-americano. Somos similares. Cultura não quer dizer economia e só vamos sobreviver se desenvolvermos a ideia de uma unidade cultural.”
É urgente o amor | Estação de comboios de Budapeste 2015 | foto de Zsíros István
VÍTOR ALVES: O Homem, o Militar, o Político
A biografia daquele que é considerado por muitos como o homem mais importante do 25 de Abril. Escrito por Carlos Ademar com prefácio de António Ramalho Eanes.
Depois de ingressar na Escola do Exército, partiu para África, onde o contacto com a Guerra Colonial fez germinar no jovem alferes a consciência da incapacidade de o Estado Novo encontrar uma solução para o problema ultramarino, preocupação que o levará a ser investigado pela PIDE e que o levará a aderir ao MFA, de que será um dos líderes mais destacados. Em Democracia, Vítor Alves integrará o Conselho da Revolução, o Conselho de Estado e o Conselho dos Vinte.
Citando Oscar Wilde
Fabrizio De André & Vinicio Capossela – Valzer Per Un Amore (London Symphony Orchestra)
Quando carica d’anni e di castità
tra i ricordi e le illusioni
del bel tempo che non ritornerà,
troverai le mie canzoni,
nel sentirle ti meraviglierai
che qualcuno abbia lodato
le bellezze che allor più non avrai
e che avesti nel tempo passato.
Manon ti servirà il ricordo,
non ti servirà
che per piangere il tuo rifiuto
del mio amore che non tornerà.
Ma non ti servirà più a niente,
non ti servirà
che per piangere sui tuoi occhi
che nessuno più canterà.
Ma non ti servirà più a niente,
non ti servirà
che per piangere sui tuoi occhi
che nessuno più canterà.
Vola il tempo lo sai che vola e va,
forse non ce ne accorgiamo
ma più ancora del tempo che non ha età,
siamo noi che ce ne andiamo
e per questo ti dico amore, amor
io t’attenderò ogni sera,
ma tu vieni non aspettare ancor,
vieni adesso finché è primavera.
Vinicio Capossela | Amedeo Modigliani
Homem Irracional, de Woody Allen
Um professor de filosofia atravessando uma crise existencial deixa de se rever nas teorias filosóficas que ensina. A liberdade de escolha entre a submissão moral e o dever, leva-o a dissertar sobre Kant e Kierkegaard, sem que o espectador se sinta perdido. Ao relacionar-se com uma aluna, decide corrigir uma injustiça, numa atitude que mude definitivamente o mundo.
Jacques Tati em Lisboa e no Porto
Após o enorme sucesso do ciclo dedicado a JACQUES TATI, que conta com a exibição da sua obra completa em versões digitais restauradas, a LEOPARDO FILMES e a MEDEIA FILMES apresentam uma nova programação para os filmes do cineasta francês, que poderão ser vistos no ESPAÇO NIMAS, em Lisboa, desde 17 de Setembro e até ao dia 7 de Outubro. No Porto, o TEATRO MUNICIPAL CAMPO ALEGRE continuará a exibir as obras de JACQUES TATI também até ao dia 7 de Outubro.
Conheça a programação aqui.
BCE | Aller vers un revenu de base pour relancer l’économie
La Banque centrale européenne pourrait relancer l’économie en commençant à distribuer un revenu de base.
La zone euro a clairement besoin d’un instrument économique, autant flexible que structurel, qui puisse être utilisé par la banque centrale pour relancer l’économie quand il en est besoin. Une politique s’engageant, même de façon minime, dans la mise en place d’un revenu de base pour le peuple répondrait précisément à ce besoin.
ÉTATS-UNIS | Une pétition destinée aux candidats à la présidentielle pour soutenir le principe d’un revenu de base
Le réseau américain Basic Income Action (Action pour un revenu de base) a lancé début septembre une pétition pour le revenu de base qui sera adressée à tous les candidats déclarés pour les prochaines Présidentielles américaines. Extrait.
Nous vous appelons à soutenir le principe d’un revenu de base qui donnerait à chaque américain une somme d’argent suffisante pour subvenir à ses besoins de base.
Un revenu de base permettrait à chacun d’assurer sa sécurité financière quoi qu’il advienne de son travail ou de l’économie.
Leonard Bernstein | The Making of West Side Story
2ª Edição ‘TROCA A TUA MANTA POR UM SORRISO’ | 2015
O Outono está à porta, mas o frio já se faz sentir em algumas noites deste Verão! Quem vive na rua abriga-se em cartão que, muitas vezes está molhado ou mesmo danificado…
A 1ª Edição desta Campanha foi um Sucesso, mas já não temos mais mantas! Foram todas distribuídas pelas pessoas sem abrigo, neste último Inverno, e as noites frias e de chuva estão a chegar.
CONVITE | S. Paulo – 03 Outubro 2015
FOLI – todas as coisas têm ritmo.
A vida tem ritmo e está em constante movimento. A palavra para ritmo (nas tribos Malinké) é Foli. É uma palavra que abrange muito mais do que o tocar tambor, o baile, ou o som. Encontra-se me cada parte da vida quotidiana. Neste filme não só se escuta e se sente o ritmo, também o vemos. É uma extraordinária mistura de imagem e som que alimenta os sentidos e nos recorda a todos o essencial que é.
Setúbal celebra 250 anos de Bocage

Foto da CM de Setúbal
Os 250 anos do nascimento de Bocage são assinalados em Setúbal com um programa comemorativo que, ao longo de um ano, até setembro de 2016, promove a realização de vários eventos culturais.
As Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage, que incluem, por exemplo, concertos, exposições, apresentações de obras literárias e peças de teatro, procuram também, acrescentou, “internacionalizar mais Elmano Sadino”, além de “trazer Bocage para o século XXI”.
“Foi o que hoje se chamaria, um grande intelectual, ainda que esta palavra irrite meio mundo. Foi tradutor dos clássicos gregos, foi dramaturgo, foi um literato, foi um imenso poeta.”, Cristina Carvalho no Das Letras.
Saiba mais sobre as comemorações em Setúbal aqui.
Vôo Direito ao Sol – Alexandre Delgado O’Neill
54 trunfos da literatura mundial
A Livraria Bertrand lança baralho de cartas literário, exclusivo.
Jogar com caras conhecidas, cortar uma vaza com um Prémio Nobel ou fazer paciências procurando os escritores de língua portuguesa. Tudo isto é possível, agora que a Livraria Bertrand vende, em exclusivo, o Baralho de Cartas Literário. São 54 cartas, todas ilustradas por André Kano.
Step Up 4 Revolution – Arte Viva
Step Up 4 Revolution: Art Gallery Flash The MOB, Live Art Scene. Quando a arte se faz em suporte vivo. Dança, música e cor, no seu esplendor e plasticidade próprio das artes performativas.
Música: Stellamara – Prituri Se Planinata (NiT GriT Remix).
Citação de Mark Twain
Mitos Urbanos, de Catarina Martins
Portugal assistiu a alterações profundas nos últimos anos. Não há nenhuma família que não tenha sido confrontada com o desemprego, com a emigração ou com a perda de rendimentos. O espaço público conheceu amplos debates sobre as trajectórias do défice e da dívida, as flutuações na balança de pagamentos ou sobre o desemprego. A economia não é assunto de alguns; é a vida de todos.
Nos últimos meses temos sido inundados de novas previsões sobre o que nos espera e assistido à tentativa de reescrever o que aconteceu. O que ocorreu em Portugal nestes últimos anos é o tema deste livro, ao longo do qual são analisados os efeitos das políticas de austeridade no nosso país em áreas como a capacidade produtiva, o endividamento, o emprego, os salários ou o Estado Social, entre muitas outras, desmascarando as mentiras e o futuro que nos prepararam.
Lumina 2015 – Cascais
A 4ª edição do LUMINA Festival da Luz, decorre em Cascais de 11 a 13 de setembro de 2015, e conta com obras oriundas de diversos países espalhadas ao longo do Percurso da Luz, proporcionando momentos de descoberta, magia e grande emoção junto do público.
A Vida da Morte – Teatrosfera

Um bufão morre, e com ele morre o riso que a dor do mundo lhe provocou.
A mala da sua vida ainda está cheia de “momentos”, que necessitam de “apanhar ar”, porque a morte necessita de
colocar tudo “no seu lugar”, para criar o equilibrio necessário e com ele, fazer nascer um palhaço!
M/12
Estreia dia 11 de Setembro, 21:30, na Casa Teatro de Sintra.
A Família Bélier, de Eric Lartigau
Numa família de surdos, apenas Paula ouve. Uma adolescente a quem é descoberto um dom que lhe permite aceder a uma escola em Paris. Um dom que os pais não conseguem apreciar. Espreitam-no através de um silêncio difuso, no qual estão irremediavelmente presos, numa espécie de purgatório. Cabe ao pai vencer essa barreira ao sentir a emoção que se desprende da filha quando canta.
Projecto para preservar minderico procura financiamento na Internet | O Mirante
O Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS) lançou uma campanha para financiar o projecto de revitalização do minderico, variação linguística surgida no século XVII entre fabricantes e vendedores das mantas de Minde, que está em risco de extinção.
Vera Ferreira, linguista e fundadora do CIDLes, dá a cara pela campanha de ‘crowdfunding’ (procura de financiamento colectivo através da Internet) lançada em meados de Agosto em https://hubbub.net/p/minderico para, nomeadamente, conseguir financiamento para manter o ensino da língua na escola de Minde, vila do concelho de Alcanena.
Vera Ferreira disse que a campanha decorre até 15 de Outubro, sendo necessário, para conseguir o financiamento, chegar aos 8.900 euros, verba que permitirá dar uma aula por semana a cada um dos quatro anos do primeiro ciclo, criar o manual de apoio às aulas, dar formação a professores e editar um livro infantil em minderico com ilustrações feitas pelas crianças.
O objectivo mais ambicioso é alcançar uma verba de 12.000 euros, o que permitirá realizar também ‘workshops’ para pais e falantes passivos e editar um livro de receitas tradicionais em minderico.
Vera Ferreira receia que o “défice muito grande de conhecimento” sobre a diversidade linguística existente no mundo (existem 7.000 línguas e quase metade estão em risco de desaparecer), e da importância da preservação do conhecimento e da cultura existente em cada uma delas, venha a dificultar a adesão das pessoas.
Actualmente com 150 falantes activos e cerca de mil passivos (que compreendem mas não falam), o minderico surgiu no século XVII como uma língua secreta, usada por fabricantes e vendedores das mantas de Minde, mas acabou por se tornar no principal meio de comunicação na vila, alargando o vocabulário e o seu âmbito de aplicação (sendo usado em todos os contextos da vida diária).
O número de falantes diminuiu drasticamente nos últimos 40 anos, muito devido ao declínio da população e à crise da indústria têxtil, e o seu uso foi-se restringindo a contextos familiares, sobretudo entre os mais velhos.
O trabalho de revitalização do minderico foi iniciado em 2000, no âmbito do trabalho de pesquisa que a linguista desenvolveu integrado na tese de doutoramento que fez na Alemanha e que permitiu construir a candidatura aprovada em 2008 pela Fundação Volkswagen para um projecto que decorreu entre 2009 e 2011.
Estabelecimento Prisional de Caxias – ala dos homens | Cristina Carvalho

O que é que eu posso dizer sobre uma experiência tão marcante na vida de uma pessoa? Uma experiência que se alonga por aqueles corredores absolutamente inóspitos, despidos e secos de vida, sem tonalidades de nenhuma espécie, lisos e frios, compridos, sem fim.
O nosso encontro foi na Biblioteca. Havias umas mesas dispostas em rectângulo e à volta, sentados, os homens que me aguardavam. Cumprimentámo-nos. Sentei-me num dos topos da mesa. Fiquei, pois, de frente para todos. Foi assim que o meu olhar os encontrou, de frente, olhos nos olhos, sem sombra e sem barreiras de qualquer espécie. Naquele momento, eu senti-os totalmente, um por um. E percebi que, à minha frente, estavam sentados vários homens a cumprir penas umas mais longas que outras, uns preventivos a aguardar julgamento e outros já condenados a vários anos, muitos anos com muitos dias de muitos sóis a brilhar, com muitas luas de luar, com filhos a crescer, a idade sempre a avançar. Encontrei-me com homens uns novos, outros muito mais velhos punidos por variados cometimentos e incumprimentos sociais. Todos sentados ouvindo o Concerto nº 1 para piano e orquestra, 1º andamento, de Frédéric Chopin; todos aguardando sinal para começarmos a conversar sobre o livro. E conversámos muito. Muitos quiseram saber sobre Fryc, quem foi realmente, quem amou, que vida teve, como foi o seu génio, o que é o génio, o que é uma vida, como foi viver no século XIX, o que foi o século XIX, como foi viajar, como foi morrer, como é viver, ontem, hoje, como será, como será, como será?
Todas as perguntas rodaram sempre e só sobre o livro e como foi escrevê-lo, quanto tempo levou a escrever, o que é escrever, o que é ler, como, como, como?
Acabou a sessão de hora e meia. Um dos homens, numa ponta da mesa fez-me uma pergunta pessoal, a única pergunta pessoal: “O que é que os seus olhos vêem?”
Foi esta a pergunta que eu não soube responder.
Depois, despedimo-nos apertando as nossas mãos. Os guardas vieram. Abriram-me todas as portas com as suas grandes e preciosas chaves.
Eu saí para a estrada com o vento muito frio a varrer a folha prateada da água do mar que se vê ao longe. Mas não muito longe.
Cristina Carvalho
Nota: o convite foi-me feito pela tradutora e escritora TÂNIA GANHO
Rendimento básico incondicional
O que é | http://rendimentobasico.pt
O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade.
Um RBI é:
– Universal – não discrimina ninguém, todos o recebem
– Incondicional – um direito para todos, sem burocracias
– Individual – garante autonomia às pessoas em situação vulnerável
– Suficiente – para viver com dignidade
O objetivo deste site é informar e promover a discussão sobre o rendimento básico incondicional em Portugal, para que possam ser encontradas as melhores formas de organizar e implementar este sistema.
O Futuro nas Mãos: De Regresso à Política do Bem Comum | Renato Miguel do Carmo, André Barata
Um ensaio político-filosófico que desmistifica a austeridade e clarifica as alternativas que estão ao nosso alcance. Desde o 25 de Abril que não se registava um aumento da dívida do Estado português tão elevado como nos anos da austeridade. Se o objetivo desta política era desendividar o país e restabelecer a sua soberania, falhou redondamente. É tempo de mudar o jogo, de devolver competências ao país, devolvendo oportunidades aos seus cidadãos: – Economicamente, pondo termo à austeridade e promovendo a criação de oportunidades genuínas, acessíveis à população;
– Socialmente, repudiando o elogio e a prática da precariedade como condição produtiva dos cidadãos;
– Politicamente, resgatando a força da cidadania e de uma resposta democrática inclusiva e participada. Este é um livro de encorajamento. As saídas dependem das nossas escolhas políticas. Está em causa restaurar a convicção de que o futuro coletivo está nas nossas mãos.
Bando de Raparigas, de Céline Sciamma
Um retrato magnético sobre uma adolescente em busca da sua emancipação num bairro de França. BANDO DE RAPARIGAS acompanha Marieme que cresceu num ambiente familiar opressivo e tem escassas perspectivas de futuro. Mas tudo muda quando decide juntar-se a um grupo de três raparigas. Passa a usar um novo nome, novas roupas e deixa a escola para ser aceite pelo gang, numa tentativa de se libertar da sua anterior existência.
Então queres ser um escritor? | Charles Bukowski
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
Charles Bukowski
Varoufakis: “Não abandonei o navio. Ele é que mudou de rumo” | Por Christos Tsiolkas, The Monthly
Numa longa entrevista a um escritor grego-australiano, o ex-ministro das Finanças faz revelações surpreendentes, como o ambiente de depressão que encontrou no gabinete do primeiro-ministro na noite da vitória do “não”, em contraste com a euforia das ruas, e a confidência pessoal de Schäuble de que não assinaria o acordo se fosse o ministro grego. Por Christos Tsiolkas, The Monthly
(Retirado do site Esquerda.net)
Descendo a rua do meu estúdio, nos subúrbios do Norte de Melbourne, há um pequeno café ao lado de uma tabacaria. Ambos são propriedade de australianos de origem grega. Na semana anterior ao povo grego ter votado se queria aceitar a nova rodada de medidas de austeridade exigidas pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) de forma a libertar fundos de resgate, os donos dos estabelecimentos afixaram nas montras uma série de folhas A4 em preto e branco. Cada folha tinha uma palavra em destaque, OXI – “não” em grego.
Na manhã de 6 de julho, levantei-me antes do amanhecer, entrei na Internet e liguei a televisão, ao mesmo tempo cheio de ansiedade e temeroso de saber as notícias: o resultado teria consequências não só para a manutenção da Grécia na eurozona mas também para a própria definição de uma Europa unida. O resultado do referendo foi um OXI esmagador. Uma hora depois ainda tentava identificar porque sentia esta combinação de medo, temor e êxtase, enquanto observava as imagens vindas de Atenas de multidões em júbilo, percebi que estava a experimentar sensações que quase esquecera que podiam existir: esperança e otimismo políticos. A nação grega tinha refutado uma lógica económica quase universal, que exonerava o sistema financeiro da responsabilidade pela maior catástrofe económica desde a Grande Depressão. Era uma lógica que exigia que as pessoas comuns pagassem os erros de cálculo dos mercados globais, uma lógica que limpava as dívidas dos bancos mas não permitia tal indulgência em relação aos efeitos paralisantes da dívida nas nações individuais.
Uma semana depois, as minhas esperança e otimismo tinham-se dissipado, na medida em que o governo de coligação, dirigido pelo partido de esquerda Syriza de Alexis Tsipras, parecia à beira de aceitar os termos de um resgate que fora rejeitado pelo seu próprio povo.
Yanis Varoufakis está ao telefone. O carismático ministro das Finanças renunciara ao cargo logo a seguir à divulgação dos resultados do referendo. Varoufakis, economista de extensa carreira académica, tem dupla nacionalidade grega e australiana, depois de ter passado uma década a trabalhar na Universidade de Sydney. O seu estatuto de outsider no clube político da União Europeia, a sua recusa de usar linguagem tecnocrática ou de conformar-se com o estilo burocrático, provocavam uma constante irritação nas negociações com a troika. Mas, de muitas formas, o forte resultado do referendo pode ser visto como uma validação da sua tática e frontalidade.
A primeira coisa que lhe perguntei foi como se sentiu na noite da votação, e como se sente uma semana depois.
“Permita-me que descreva o momento que se seguiu ao anúncio do resultado” [do referendo de 5 de julho], começa. “Faço uma declaração no ministério das Finanças e depois dirijo-me às instalações do primeiro-ministro, o Maximos [residência oficial do primeiro-ministro grego], para encontrar-me com Alexis Tsipras e o resto do Ministério.”
“Posso dizer que estava eufórico. Este ‘não’ – Oxi – sonante, inesperado, era como um raio de luz que atravessa uma escuridão espessa e muito profunda. Estava encantado. Passeava pelas salas, alegre, trazendo comigo essa incrível energia do povo no exterior. Tinham superado o medo, e esse sentimento fazia-me sentir a flutuar no ar. Mas no momento em que entrei no Maximos, toda essa sensação simplesmente desapareceu. Reinava lá também uma atmosfera elétrica, mas carregada de negatividade. Era como se a direção tivesse sido deixada para trás pelo povo. E a sensação que senti foi de terror: ‘Que fazemos agora?’”
E a reação de Tsipras? As palavras de Varoufakis são medidas. Insiste que não diminuiu a sua amizade e respeito pelo primeiro-ministro cercado. Mas a tristeza e o desapontamento são evidentes na sua resposta.
“Podia dizer que ele estava desalentado. Era uma grande vitória, que eu creio que ele realmente saboreava, profundamente, mas que não podia gerir. Sabia que o seu gabinete não podia geri-la. Era claro que havia elementos no governo que o pressionavam. Em poucas horas, ele já fora pressionado pelas principais figuras do governo para transformar o ‘não’ num ‘sim’, para capitular”.
Por lealdade a Tsipras e para honrar uma promessa que lhe fez, Varoufakis não cita nomes. Mas diz-me que havia eminências pardas no interior do frágil governo de coligação “que estavam a contar com o referendo como uma estratégia de saída, não como uma estratégia de combate”.
“Quando me dei conta disso, disse-lhe que tinha uma escolha clara: usar os 61,5% de votos ‘não’ como uma energia, ou capitular. E disse-lhe, antes que pudesse responder, ‘se optares pela segunda, vou-me embora. Renunciarei se escolheres a estratégia de desistir. Não vou puxar o tapete, mas vou evaporar-me na noite.”
O riso, o sexo e os palavrões | HUGO GONÇALVES | DN 22-08-2015
Porque estou a traduzir o romance American Psycho, de Bret Easton Ellis, voltei a pensar em como a língua inglesa tem muito mais palavras do que a nossa para o verbo sorrir – to smile, to grin, to smirk, to simper – e para o verbo rir ou o ato de dar gargalhadas – to laugh, to chukle, to giggle, guffaw, to crack up. Em inglês, estes signos captam diferentes características e gradações. Um sorriso gozão, pretensioso: to smirk. Dar uns risinhos: to giggle. Uma gargalhada forte: guffaw.
De que forma, em Portugal, séculos de Inquisição, de pudor católico, da ideia de transgressão e castigo, e quase meio século de ditadura salazarista – uma polícia política, os bufos, o medo de falar, o “respeitinho é muito bonito” -, podem ter limitado a nossa habilidade de expressar felicidade e humor? Talvez se William Baskerville, protagonista de O Nome da Rosa, usasse o seu engenho neste mistério não se afastasse muito de um dos temas do romance de Umberto Eco: o riso como uma forma subversiva contra o poder. Ou, no nosso caso, a falta dele. Toda a gente faz comédia com Hitler, poucas vezes vi Salazar como protagonista de um sketch ou uma anedota.
Táxi de Jafar Panahi
Um táxi nas ruas de Teerão. Jafar Panahi encena um documentário filmado a partir do interior do seu táxi. Logo no início, um passageiro apercebe-se de que o motorista não conhece as ruas de Teerão e denuncia-o como falso taxista. O homem/taxista que não consegue encontrar o seu caminho, numa viagem pelo Irão atual. Os passageiros, do mais humilde ao mais cosmopolita, partilham o seu táxi da mesma forma que trocam expedientes entre si. Sobre a realidade elegível e as regras de um filme distribuível, somos elucidados pela sobrinha do realizador. A jovem está a fazer um filme para a sua professora. O seu olhar oscila, deliciosamente, entre a realidade que nos rodeia e as regras estipuladas pelo regime. Um jovem, que procura o seu sustento nos caixotes do lixo, ao não devolver o dinheiro que apanhou do chão, deixa de ser elegível para o filme escolar: cometera uma má ação.
“A corrupção é prática tão antiga quanto o Brasil” | Rivaldo Chinem
Autor das biografias dos poetas Gonzaga e Bocage, o pesquisador Adelto Gonçalves desvenda a estrutura judiciária na capitania de São Paulo (1709-1822) em livro que ajuda a entender as relações entre Estado e Justiça e o movimento político que o País vive hoje
Rivaldo Chinem (*)
Adelto Gonçalves, 63 anos, é jornalista desde 1972, com passagens pelos jornais A Tribuna, de Santos, O Estado de S. Paulo e Folha da Tarde e pela Editora Abril. É doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela Universidade de São Paulo (usp). Seu trabalho de doutorado Gonzaga, um poeta do Iluminismo, sobre Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), foi publicado em 1999 pela Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro.
Em 1999, com bolsa de pós-doutorado da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu em Portugal projeto sobre a vida e a obra do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), publicado em 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, sob o título Bocage – o perfil perdido.
Foi professor titular da Universidade Paulista (Unip), nos cursos de Direito e Pedagogia, e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), no curso de Jornalismo, em Santos. É autor também de Mariela Morta (Ourinhos, Complemento, 1977), Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio, 1981; Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 2015), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003), Fernando Pessoa: a voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997) e Tomás Antônio Gonzaga (Rio de Janeiro/São Paulo, Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012).
O Toque da Madeira – Hokkaido Show Gardens
Um xilofone na floresta de Hokkaido toca Bach. Uma ideia para um anúncio de um telemóvel.
O Estrangeiro, de Albert Camus
Publicado originalmente em 1942, O Estrangeiro foi o primeiro romance de Albert Camus e, a 23 de julho, chega às livrarias portuguesas numa nova edição da Livros do Brasil, revista de acordo com o texto fixado pelo autor, e com prefácio de António Mega Ferreira. Sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século xx, foi traduzida em mais de quarenta línguas e adaptada para o cinema por Luchino Visconti em 1967. Nesta história, o protagonista Meursault recebe, um dia, um telegrama informando-o de que a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio. Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência.
O Diário de Anne Frank – versão definitiva
A Livros do Brasil publica uma nova edição de O Diário de Anne Frank – versão definitiva, segundo a fixação de texto de Mirjam Pressler, a única versão autorizada pela Fundação Anne Frank. Esta obra, que já se encontra nas livrarias, está recomendada no Programa Curricular de Português para o 8.º ano de escolaridade. Escrito entre 14 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão. Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de BergenBelsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.
Luca Stricagnoli – Sweet Child O’ Mine
“Sweet Child O’ Mine” dos Guns N’ Roses num arranjo e interpretação de Luca Stricagnoli.
HOJE | Paulo Querido | de 2ª a 6ª feira | magnifíco!
O QUE É
Os microprocessadores e a internetprovocaram uma revolução económica, social epolítica que afeta cada vez mais indústrias e atividades. Hoje é uma publicação multi-canal focada nas mudanças e nos seus efeitos.
Hoje dá especial atenção à tecnologia e ao seu impacto nos media, no trabalho e emprego, naenergia, na educação, na vida das cidades.
Todos os dias lemos uma média de 100 peças, entre papers, artigos e notícias. Desse turbilhão escolhemos os mais interessantes. O que importa ler hoje para preparar o amanhã.
De segunda a sexta, enviamos-lhe a newslettercom o essencial das mudanças em curso nas nossas vidas.
O Olhar e a Alma – no PNL
“O OLHAR E A ALMA, romance de Modigliani”, o mais recente romance de Cristina Carvalho, integra o Plano Nacional de Leitura como Livro recomendado – Formação de Adultos.
Baseado na vida de Amedeo Modigliani, o mítico pintor italiano cuja obra é considerada uma das mais importantes do século XX e a vida apesar de inspirar um fenómeno de culto, não é, afinal, tão conhecida quanto se pensa, Cristina Carvalho regressa ao terreno da ficção biográfica com um romance que põe em cena o pintor, contando-nos ele próprio a sua vida sempre difícil, muitas vezes miserável, conduzida pela paixão à arte, amparada por mulheres apaixonadas e alguns raros homens que lhe reconheceram o talento. (da Nota de Imprensa)
As Raposas – no Teatro Aberto
Uma família unida discute um grande negócio que lhes proporcionará um bom lucro. Sob uma capa de cordialidade vão tentando retirar vantagens pessoais sobre um equilíbrio instável: o negócio depende do dinheiro de um cunhado, pouco recetivo ao mesmo. Será que as raposas comem os filhos?



















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