O escritor Afonso Cruz venceu por unanimidade o Prémio Nacional de Ilustração 2014, com o livro “Capital”, uma narrativa visual “aberta a públicos de todas as idades”, anunciou hoje o júri.
“Capital”, editado em 2014 pela Pato Lógico, conta a história, sem recurso a palavras, da transformação de um rapaz, que um dia recebe um mealheiro em forma de porco.
O júri destaca a “singeleza formal” da obra e o cruzamento de ideias sobre “a amizade, o engodo, a cobiça, a ascensão social, a ecologia, a ambição, a traição, a escravatura, a ingenuidade”.
«SEIS SÉCULOS APÓS A CHEGADA A ÁFRICA, A PRESENÇA PORTUGUESA AINDA PERMANECE VIVA.»
AGOSTO DE 2015 – 600 ANOS DA TOMADA DE CEUTA
Seis séculos depois da chegada dos portugueses a Marrocos, o escritor-viajante e investigador Joaquim Magalhães de Castro percorre toda a costa oeste do Magrebe e da Mauritânia, de Ceuta a Dacar, com diversas incursões pelo interior montanhoso do Atlas e pelos espaços desérticos do Sara, em busca do património partilhado entre portugueses e marroquinos, resultante dos encontros e desencontros destes povos ao longo da sua história.
Poucos jornalistas são tão populares como José Hamilton Ribeiro (1935), já que há três décadas é visto pelo menos todas as manhãs de domingo às voltas com reportagens no programa Globo Rural, da TV Globo. Mas é ao mesmo tempo não só o jornalista brasileiro que mais Prêmios Esso acumulou, sete ao todo, como uma unanimidade entre os seus colegas, que o consideram uma referência profissional e um exemplo de ética na carreira e na vida particular.
Conhecer melhor essa trajetória é a oportunidade que oferece o livro O jornalista mais premiado do Brasil: a vida e as histórias do repórter José Hamilton Ribeiro (Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba-SP/Eko Gráfica, 2015), de Arnon Gomes, com prefácio de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S. Paulo. Inicialmente trabalho de conclusão de curso (TCC) em Jornalismo apresentado à Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos-SP, em 2004, este livro foi reescrito pelo menos duas vezes por seu autor, o que demonstra a sua preocupação com o estilo e a apuração da informação.
II
Mestre consumado da reportagem, que influenciou gerações de profissionais com textos que marcaram época, como aqueles produzidos para a revista Realidade como correspondente na Guerra do Vietnã (1965-1975), da qual saiu mutilado, ao pisar numa mina, José Hamilton Ribeiro está em atividade desde a década de 1950, quando deixou Santa Rosa do Viterbo, cidade do Interior paulista, na região de Ribeirão Preto, perto da divisa com Minas Gerais, para estudar Jornalismo em
São Paulo na Faculdade Cásper Líbero, inaugurada em 1947 e até então a única do gênero no País. Ainda estudante, começou a trabalhar na Rádio Bandeirantes escrevendo notícias para leitura por um locutor durante a madrugada.
Enquanto filho segundo, o jovem Afonso, sem pretensões ao trono, decide viver na corte de sua tia D. Branca, em França, colocando-se ao serviço do primo Luis IX. Adquire o título de conde, pelo casamento com Matilde de Bolonha, e transforma-se num grande cavaleiro e num verdadeiro senhor feudal.
Em 1246, o reino português encontra-se em completa anarquia, obrigando a Santa Sé a intervir. O papa retira a governação a D. Sancho II e nomeia governador e defensor do reino o seu irmão, conde de Bolonha que recebe a coroa em 1248, após a morte do rei.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exatidão, como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.
Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 30 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org.
La jeune femme, épouse d’un sculpteur célèbre, est jetée en prison, tandis que l’écrivain, pair de France rentre chez lui FRÉDÉRIC LEWINO ET GWENDOLINE DOS SANTOS
L’aube du 5 juillet 1845 ouvre un oeil sur un Paris alangui. Léonie Biard, 25 ans, et Victor Hugo, 43 ans, dorment tendrement enlacés dans la garçonnière que le tout nouveau pair de France vient de louer passage Saint-Roch. Pauvre poète, il lui faut bien se consoler : son épouse, Adèle, se refuse à lui depuis longtemps, et sa maîtresse, Juliette, lui est devenue aussi banale que Valérie Trierweiler à un certain président…. La nuit a été épuisante même pour un Victor à la quarantaine ardente.
Cette nuit encore, il a enchaîné de multiples orgasmes. Bref, Victor et Léonie dorment paisiblement quand ils sont réveillés en sursaut par une avalanche de coups contre la porte. Ils sont affolés. Est-ce juge Claire Thépaut qui débarque pour les mettre en examen ? “Au nom du roi, ouvrez la porte !” entendent-ils hurler. Ils se regardent de nouveau, cette fois consternés, car ils comprennent que celui qui frappe comme un sourd n’est autre que le commissaire du quartier. Ils ne peuvent qu’ouvrir la porte pour le faire entrer, accompagné du mari cocu, le peintre Auguste Biard. Ce dernier veut punir sa jeune épouse d’avoir entamé une procédure de séparation.
Victor Hugo a beau se faire connaître, répéter qu’il vient d’être nommé pair de France, le commissaire poursuit la procédure. “Vous seriez un ex-président de la République, ce serait le même tarif,” précise ce dernier… En fait, à l’époque, tromper son époux constitue un crime ! Heureuse époque… Léonie Biard est aussitôt arrêtée et emmenée à la prison Saint-Lazare, réservée “aux prostituées et aux femmes coupables d’adultère”. Victor Hugo ne peut lui éviter cette infamie. Quant à lui, son statut de pair de France le met à l’abri de toute poursuite. C’est déjà ça. “Ses lèvres se collent sur ma bouche”
«Sábio e sombrio. No seu testemunho final, Sontag reconhece que existem realidade que nenhuma imagem pode transmitir»
Los Angeles Times Book Review
Este foi o último livro de Susan Sontag a ser publicado antes da sua morte, em 2004. É considerado por muitos uma continuação ou uma adenda aos Ensaios Sobre Fotografia (também publicado pela Quetzal), apesar de os dois livros terem opiniões sobre fotografia radicalmente diferentes. Este longo ensaio dedica-se sobretudo à fotografia de guerra. Enquanto desmonta uma série de lugares-comuns no que concerne as imagens de dor, horror e atrocidade, Olhando o Sofrimento dos Outros se, por um lado, reafirma a importância das mesmas, por outro, mina a esperança de que estas consigam comunicar alguma coisa de substancial. Por um lado, a narrativa e o enquadramento conferem às imagens o grosso do seu significado; por outro, os que não passaram por essas experiências tremendas «não são capazes de compreender, não são capazes de imaginar» o que essas imagens representam.
O primeiro romance de Saul Bellow, com uma nova edição para assinalar o centenário do seu nascimento.
Escrita em forma de diário, a história centra-se na vida de um jovem desempregado de nome Joseph, na sua relação com a mulher e os amigos, e na frustração que sente em viver em Chicago e na espera da chamada para a guerra. Documento confessional e filosófico, este diário é a súmula de todos os seus pensamentos, todas as suas reflexões. Termina com a convocatória para a tropa, em plena Segunda Guerra Mundial, e com a expectativa de que a vida militar lhe venha a trazer algum alívio ao seu sofrimento.
O Festival Internacional de Cultura (FIC), uma organização da Câmara Municipal de Cascais e da Leya, orgulha-se por receber David Grossman, escritor israelita que será entrevistado por Clara Ferreira Alves no domingo, dia 5, às 21h30, na Casa das Histórias Paula Rego.
Baianos estão entre convidados do mundo inteiro para o encontro que vai debater literatura, cultura e políticas culturais
O evento acontece de 12 a 15 de agosto, em Cartagena das Indias, com participação de autores de várias partes do mundo. Os brasileiros apresentarão um panorama da poesia contemporânea, da poesia marginal e da filosofia. Valdeck Almeida de Jesus, jornalista e poeta, fará leitura de textos do livro “Poesias ao vento: vinte poemas de amor e uma crônica desesperada”, de sua autoria, ilustrado por Zezé Olukemi. A obra tem edição bilíngue, português e espanhol e registra impressões de um amor que dura uma eternidade. Na condição de Cônsul do parlamento, Valdeck Almeida representa neste palco de debates a União Baiana de Escritores – Ubesc, o Projeto Fala Escritor, Sarau da Onça e Grupo Ágape, bem como demais entidades a que pertence. Maria Prado de Oliveira, escritora, atriz, filósofa, produtora e gestora cultural, apresentará o conto “Umas acadêmicas”, de seu livro “Urbanos, Humanos, Estranhos…”. O terceiro convidado, Luiz Menezes de Miranda vai apresentar um resumo da história do Sarau da Onça, coletivo de escritores, poetas, rappers e outras artes de Sussuarana, periferia de Salvador-BA.
O Dia dos Milagres é uma viagem apaixonante aos últimos dias do regime filipino que haveria de baquear no golpe de Estado que iniciaria a dinastia de Bragança. O autor centra a acção em Vila Viçosa, onde viviam os Duques de Bragança, e conduz-nos pelos dias de ansiedade, dias terríveis, vividos entre crenças e superstições, marcados por revoltas e sofrimento, num Portugal pobre e cansado, traumatizado pela tragédia de Alcácer Quibir, de onde espera que chegue o Rei Sebastião.
Moita Flores cruza os vários ambientes da época. Desde o fatalismo supersticioso, à preparação cautelosa da conspiração que iria mudar o curso da História de Portugal. João de Bragança e Luísa de Gusmão são os protagonistas, a que associa figuras populares como o Laparduço, mercador de ervas milagrosas, e Efigénia Pé de Galinha, bruxa afamada.
Novo espaço de laboratório culmina com apresentação na 7ª edição do fMD
Estão abertas as inscrições para o Ninhou Arts Summer Camp, uma escola de Verão de artes performativas, de criação e formação. Trata-se de um novo projecto da associação Materiais Diversos que decorrerá anualmente, em Setembro, antecedendo o Festival Materiais Diversos (fMD) e culminará com uma apresentação pública no decorrer do evento, a 12 de Setembro.
Na 1ª edição deste laboratório, que tem lugar entre 3 e 13 de Setembro de 2015, Miguel Pereira é o criador convidado, acompanhado por Teresa Silva (coreógrafa e bailarina) e Paula Caspão (dramaturgista e investigadora).
Miguel Pereira é um criador português da área da dança, que reúne uma vasta experiência em formação e coaching em diversos contextos, nomeadamente enquanto colaborador regular do Fórum Dança e do Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance. Valorizando processos fortemente ancorados no trabalho de pesquisa e criação que culminarão numa apresentação pública, este ano seguimos Miguel Pereira num laboratório atento às fronteiras entre o real e o ficcional, o natural e o artificial, tirando partido das características singulares da Vila de Minde. Nesta linha, serão ainda equacionados e integrados no processo os diversos modos de relação com a figura do espectador, construindo e desconstruindo o protocolo teatral.
Por ocorrer parcialmente em paralelo com o fMD, o Ninhou Arts Summer Camp dará ainda aos participantes a oportunidade de assistir gratuitamente e discutir espectáculos e de experienciar a dinâmica fMD juntamente com artistas e públicos. Será privilegiada uma total integração entre prática e teoria e um questionamento sobre as motivações destes jovens para criar “aqui e agora”.
Este ano, o fMD, festival internacional de artes performativas (dança, teatro e música), realiza-se de 10 a 19 de Setembro, entre Torres Novas e Minde (Alcanena), com uma vibrante oferta cultural que conjuga as dimensões local, nacional e internacional.
Numa idílica ilha frente a Fjällbacka houve em tempos um colégio, propriedade de uma família que, no Domingo de Páscoa de 1974, desapareceu deixando para trás uma bebé de meses. Na altura, o mistério deixou a Polícia perplexa: o que poderia levar os pais a abandonarem uma bebé? Teriam sido raptados? Assassinados?
Apesar dos esforços das autoridades locais, não foi encontrado rasto da família nem qualquer explicação plausível para o sucedido. A bebé, Ebba, foi entregue a uma família que a acolheu e educou e a investigação foi arquivada. Agora, muitos anos depois, Ebba regressa à ilha com o marido. Acabaram de perder o seu único filho e tentam começar uma nova vida restaurando o velho colégio abandonado. Porém, com a chegada de Ebba à ilha, regressam também os estranhos acontecimentos.
Aldo Cassidy é o amante ingénuo e sentimental. Homem bem-sucedido e judicioso, é arrancado às pacatas certezas da sua vida por um repentino encontro com um casal com quem estabelece uma estranha ligação: Shamus, um artista desbragado e estroina, que dissipa dias e noites em farras intermináveis; e Helen, a sua bela mulher, manifestamente sedutora.
Precipitado num turbilhão de imprudência e espontaneidade, Cassidy torna-se um homem desorientado e confrangido ao ver-se dilacerado entre dois polos de uma natureza mais complexa do que alguma vez imaginara.
Quem terminará com quem é um dos mistérios deste livro em que John le Carré, abordando um tema completamente diferente daqueles pelos quais ficou conhecido, confirma o seu lugar como um dos maiores ficcionistas do nosso tempo.
Neste livro memorável e provocador, Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, desconstrói o mito de que o financiamento, a regulação pouco eficaz dos bancos, a ganância e a globalização foram as principais causas da crise global que se abateu nos últimos anos. Em vez disso, Varoufakis afirma que as causas têm origem na crise de 1929, passando pela década de 1970: o período em que nasceu o «Minotauro Global». Assim como os gregos mantiveram um ciclo contínuo de tributos à besta de Creta, também a Europa e o resto do mundo começaram a enviar incríveis quantidades de capital para a América e Wall Street. Assim, o Minotauro Global tornou-se o «motor» que puxou a economia mundial desde o começo da década de 1980 até ao colapso financeiro de 2008. A profunda crise europeia que hoje sentimos é apenas um dos sintomas inevitáveis relacionados com o enfraquecimento do Minotauro, de um «sistema» global que se encontra tão insustentável como desequilibrado. Indo para além disto, Varoufakis expõe as opções disponíveis para que consigamos dar um pouco de racionalidade numa ordem económica global altamente irracional. Um testemunho essencial dos acontecimentos socioecónomicos e histórias secretas que alteraram o mundo.
Esta Distante Proximidade, nomeado para o National Book Award, é como uma boneca russa – cada história contém histórias e os capítulos espelham-se uns aos outros. Uma narrativa riquíssima, luxuriante de incidentes e surpresas.
O que ela fez com os alperces, com a memória da mãe em desagregação, com um convite para a Islândia, e com uma doença é a matéria-prima bruta deste livro. Mas Rebecca Solnit vai muito além da sua própria vida, entrando em histórias que ouviu e leu, levando-nos para dentro da vida de outras pessoas: um canibal do Ártico, o jovem Che Guevara entre os leprosos, uma artista islandesa e o seu labirinto, um músico de blues que se cura da bebida com as histórias que conta a si mesmo. Assim, somos transportados através do frio e do calor, da generosidade e da imaginação, da distância e da empatia.
Os ensaios do livro “Primeiras vontades – Da liberdade política para tempos árduos”, de André Barata, procuram defender «escolhas humanas que deem um futuro à História, através do pensamento sobre a liberdade política de Jean-Jacques Rousseau, Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Jacques Rancière, Jean-Paul Sartre e Slavoj Žižek», explica o autor.
E também, acrescenta, «escolhas por uma continuação da ideia de tolerância, pelo prosseguimento de uma narrativa moderna, por apressada que tenha sido, para Portugal, e pela defesa de um conceito de espaço público, todas elas escolhas que são continuidades de uma modernidade a retomar».
«Em tempos em que se atropelam declarações de últimas vontades, há que escolher como se os tempos fossem imaginativos e nos movessem vontades de tempos novos. Estas são as primeiras vontades para uma vida humana digna.»
Como queremos continuar a História?
Excerto do prefácio
1.
Vivemos tempos árduos. Depois de todos os óbitos anunciados, da literatura e seus autores, de deus até; depois de todos os fins, da arte, da política, mesmo da história, restaria, talvez, antes do pó da terra, a resignação de umas vontades últimas, a capitular sobre o humano que fomos, às vezes até com grandeza.
Mas, será mesmo o fim dos tempos o que nos aguarda?
Desde que a crise se instalou no opulento Ocidente, em várias escalas da coexistência humana, vive-se sem projeto de comunidade. Administramo-nos e somos administrados pela racionalidade da eficácia, diminuídos à condição de meios a proporcionar o fim da eficiência. Um esquema societário da subtração hegemoniza-se sob o fundamento duplo de que, na ordem dos factos, o mundo não basta para todos e de que, na ordem dos valores, não devemos dar por garantido nenhum direito adquirido quanto à existência digna no mundo.
Esta subtração é ainda a indicação precisa da ruína da condição de uma pós-modernidade que, ao engendrar o relativismo cultural, pelo menos tinha o mérito de subscrever um entendimento generoso e multiplicador da existência. Mas não, a mudança das condições que a sustentavam foi também a ocasião para um acerto de contas com os modos de vida pós-modernos. Numa rotação excessiva, esses mesmos modos de vida, com o seu ideário relativista, rapidamente passaram a responsáveis pelas dificuldades do Ocidente. Os tempos endureceram e, sem relatividade ou perspetiva, entre aqueles que teriam culpas no cartório estariam os pós-modernos. A História recente emudeceu-os.
CC de Poitiers tinha um ego do tamanho do mundo e não descansou enquanto não viu o seu livro de autoajuda publicado com o seu rosto na capa. Era autoritária, detestada por todos, mas decerto nunca pensou vir a morrer eletrocutada numa pista de Curling numa aldeia nos confins do Canadá.
Armand Gamache, o inspetor-chefe da Sûreté do Quebeque, também jamais imaginou regressar tão cedo a Three Pines, muito menos na quadra natalícia, tempo de paz e fraternidade a contrastar com o estranho crime. Chamado a liderar a investigação, cedo descobre que CC de Poitiers não era sequer amada pelos familiares mais próximos e coleccionava inimigos.
Mas Gamache também tem os seus próprios inimigos e não tarda a perceber que não pode confiar em ninguém.
Enquanto um vento agreste sopra em Three Pines, trazendo consigo um manto de neve, há uma verdade mais arrepiante que se insinua…
AGATHA AWARD PARA O MELHOR ROMANCE POLICIAL DO ANO
Mireille Duval Jameson é a caprichosa filha de um dos homens mais ricos do Haiti. Vive comodamente nos Estados Unidos com o marido e o filho. É privilegiada, amada, altiva. Um estado de graça que terá um fim abrupto.
De férias no Haiti, é raptada por um grupo cujo líder abomina tudo o que a família Duval representa. Num país onde a miséria grassa e os raptos são frequentes, Mireille espera, imperturbável, que o pai pague o resgate. Mas o pai dela tem convicções fortes, que não incluem ceder à chantagem de criminosos oriundos de um mundo que despreza. Na luta de poder que se segue, o corpo de Mireille servirá de escudo e de moeda de troca. Ela terá de se refugiar em si mesma e na esperança de um desenlace rápido. Mas à medida que os dias passam, torna-se cada vez mais claro que o resgate não será pago…
Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te… E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Manuel João Vieira resolveu ilustrar a poesia erótica de Bocage. Vai mostrar os desenvolvimentos desse trabalho na Festa da Ilustração. A exposição abre na próxima quinta-feira, dia 18, às 22 horas, na galeria da Casa Bocage.
Em Setúbal decorre a. Vários espaços expositivos mostram o que há de melhor na ilustração nacional.
No Minecraft, o risco de um ataque está sempre presente, e portanto todos os jogadores têm de saber como construir armas, montar armadilhas e fugir de qualquer perigo.
Com este novo guia não oficial, aprenderás a defender as tuas propriedades, a afugentar os mobs hostis e enfrentar outros monstros, como zombies, aranhas ou esqueletos.
Repleto de conselhos de especialistas, todo o tipo de truques práticos e mais de uma centena de écrans do jogo reproduzidos, Truques para Minecraft – Edição Combate mostra-te como os jogadores mais treinados se defendem dos ataques de diversos inimigos.
Este guia, escrito por um guru do Minecraft, explica todos os truques e técnicas que os jogadores devem conhecer para descobrir todas as possibilidades que oferece o videojogo.
Um olhar perspicaz e intenso, que acompanha a escrita de uma narradora poderosa e, também ela, apaixonada pelo extraordinário da vida.
Baseado na vida de Amedeo Modigliani, o mítico pintor italiano cuja obra é considerada uma das mais importantes do século XX e a vida apesar de inspirar um fenómeno de culto, não é, afinal, tão conhecida quanto se pensa, Cristina Carvalho regressa ao terreno da ficção biográfica com um romance que põe em cena o pintor, contando-nos ele próprio a sua vida sempre difícil, muitas vezes miserável, conduzida pela paixão à arte, amparada por mulheres apaixonadas e alguns raros homens que lhe reconheceram o talento.
A jovem juíza Joana Secalha fora colocada na pacata comarca de Abrantes para se redimir de um passado pouco recomendável. Não podia cometer erros e deslocou-se, ao Monte Cimeiro, para ouvir as razões pelas quais o velho Francisco Afonso não aceitara a ordem de expropriação dos terrenos, por onde passaria a moderna estrada europeia e os benefícios do progresso. Francisco Afonso respondeu-lhe com a sabedoria dos velhos: «A ideia de que o progresso é bom assenta no mesmo erro de que Deus nos salva com milagres. Milagre e progresso seriam evitar o mal!» Ela falou do futuro. Ele do passado: «O futuro é para a senhora doutora, para os engenheiros, para os generais à frente das tropas, para os missionários, para os inconscientes que se lançaram ao mar! Eu sou aquele que ficou nas praias, resmungando.»
Francisco Afonso contou à juíza o segredo do passado das suas famílias, há duzentos anos debaixo das terras por onde passaria a estrada que o exporia e cujo avanço ela teria de decidir…
Esta narrativa de João de Melo é uma crónica dos prodígios que fazem a história de uma comunidade rural perdida algures nos Açores. Narrativa mítica, sem cronologia, que começa in illo tempore e prossegue seguindo o fio das ocorrências fantásticas (a chuva dos noventa e nove dias, o dia em que os animais choraram, o dia em que se viu a outra face do Sol, a morte e ressurreição de João-Lázaro) e das vidas de personagens excessivos e arquetípicos (um padre venal, um regedor hercúleo e despótico, um curandeiro e um santo) que povoam um lugar perdido nas brumas do tempo, no outro lado da ilha, progressivamente devolvido à comunicação com o mundo.
Quando José é convocado pelo velho patriarca da família, com quem não fala há anos, a sua perplexidade é enorme e, por isso, inescapável a recordação do verão de 1982, em que o avô o foi buscar a uma aldeia algarvia onde a mãe o deixara com uma estranha, decidido a tornar-se o pai que ele nunca tivera. Foi nesse verão que a perigosa quadrilha de Mancha Negra fugiu da cadeia, provocando uma caça ao homem sem precedentes que deixou o País em sobressalto; que José mergulhou da rocha mais alta e que foi atingido por um raio, julgando assim ganhar os superpoderes necessários para descobrir o paradeiro dos bandidos e resolver o mistério do desaparecimento da mãe; e que, na companhia de um rafeiro chamado Rocky e de três amigos extraordinários, viu nascer dentro de si uma força e uma ferida que, mais tarde, o levariam a tentar corrigir os males do mundo pelas próprias mãos.
Um romance fascinante sobre a importância da família e da infância nas nossas vidas, que recupera um tempo em que Portugal se aproximava velozmente da Europa, com tudo o que isso tinha de grato e fatídico.
Que pensa uma mulher de sessenta anos enquanto os homens se matam uns aos outros? Que a preocupa além da crise e das guerras? Que utilidade lhe encontram, quanto vale para certas pessoas? Que amores ainda a podem surpreender? Que esperanças, que forças lhe restarão antes de se render à idade?
Numa época em que a beleza e a juventude se apresentam como divindades e o dinheiro se revela – dir-se-ia – como a única religião verdadeiramente ecuménica do Mundo, é com a singularidade do indivíduo à margem destes padrões que a grande humanidade se identifica. Talvez por isso, Rita Ferro teime em deixar o testemunho do seu tempo, lugar e circunstância, partilhando com os leitores o seu Diário 2, interlocutor das suas memórias, perplexidades e reflexões na passagem para os sessenta.
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
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Tu não indagues (é ímpio saber) qual o fim que a mim e a ti os deuses
tenham dado, Leuconoé, nem recorras aos números babilônicos. Tão
melhor é suportar o que será! Quer Júpiter te haja concedido muitos
invernos, quer seja o último o que agora debilita o mar Tirreno nas
rochas contrapostas, que sejas sábia, coes os vinhos e, no espaço
breve, cortes a longa esperança. Enquanto estamos falando, terá
fugido o tempo invejoso; colhe o dia, quanto menos confia no de
amanhã.
No 50º Aniversário da Dom Quixote, reúnem-se num único volume os dois primeiros livros de poesia de Nuno Júdice, ambos publicados na colecção Cadernos de Poesia – A Noção de Poema em Março de 1972 e Crítica Doméstica dos Paralelepípedos em Junho de 1973.
Nestes dois livros, o então jovem poeta, na altura estudante de Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, afirmou-se como uma voz singular de grande qualidade, como que antevendo o sucesso que tem sido a sua carreira literária.
Ellis Hock nunca acreditou que voltaria a África, à isolada aldeia em que fora tão feliz. Enquanto gere o seu antiquado negócio de pronto-a-vestir masculino, Ellis Hock sonha ainda com o seu paraíso africano, e os quatro anos que passou no Malawi com o Corpo de Paz, interrompido quando foi obrigado a regressar para tomar conta do negócio de família.
No entanto, quando a mulher o deixa, privando-o da casa de família e da filha, e exigindo partilhas, Ellis Hock percebe que não tem lugar para onde possa ir, a não ser a remota região de Lower River, onde poderá reencontrar momentos felizes.
Ao chegar à poeirenta aldeia, Hock descobre-a profundamente transformada: a escola que ele próprio construíra é agora uma ruína; a igreja e a clínica desapareceram; e a pobreza e apatia instalaram-se nas pessoas, que se lembram dele – do estrangeiro que tinha medo de cobras – e lhe dão as boas-vindas. Mas esta nova vida de Ellis Hock, este retorno, será uma evasão ou antes uma armadilha?
Os livros Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano, vencedor do Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco em 1992, e Apuros de Um Pessimista em Fuga, de Mário de Carvalho, estão agora reunidos em Novelas Extravagantes, que a Porto Editora publica a 4 de junho.
São três histórias, protagonizadas por três homens, em tempo e lugares distintos, que caminham para diferentes (e emocionantes) destinos: Quatrocentos Mil Sestércios é uma novela passada na Lusitânia, no tempo da Roma Imperial, onde um filho de centurião se envolve em peripécias várias por causa de uma pequena fortuna, O Conde Jano dá-nos a conhecer uma reinterpretação de um velho rimance popular dos cancioneiros e, em Apuros de Um Pessimista em Fuga, somos transportados para o passado menos longínquo, no fim do Estado Novo.
Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida.
Crónica do Pássaro de Corda, ao qual foi atribuído o Prémio Yomiuri, é considerado, por muitos, a obra-prima de Murakami.
Da autora de História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75 e A Segurança Social é Sustentável.
Qual será o rumo do País nos próximos anos? Para onde vai Portugal? O regime democrático-parlamentar sobreviverá às mudanças sociais? Que aconteceu à educação, à saúde, ao trabalho, à vida pessoal, familiar e afetiva dos portugueses para lá dos títulos dos grandes jornais depois da crise de 2008?
Raquel Varela, historiadora, traz-nos um ensaio com propostas económicas e sociais inéditas sobre a crise iniciada em 2007/8 e o rumo do País para os próximos anos, pondo em cima da mesa as várias possibilidades de progresso e decadência histórica. Uma voz surpreendente pela combinação de uma escrita escorreita e rigorosa, que com humor e ironia se propõe pensar o futuro do País.
Na segunda semana de Setembro de 1975, na casa da família, Diogo, o patriarca, agoniza, ao longo dos cinco dias da festa da povoação. Projecta-se assim para primeiro plano a festa de Monsaraz, no terceiro dia da qual a pega de um touro culminará na sua morte, desenrolando-se os preparativos em simultaneidade com a agonia do ancião, o qual virá a morrer ao mesmo tempo que o animal. Neste contexto, os vários membros da família contam do círculo de ódio em que estão aprisionados, e em que participam, introduzindo-os nas histórias individuais, e do conjunto, desde crianças. Ao velho patriarca, a infância sofredora de filho punido a chicote, a traição do irmão e da mulher, a decepção com os filhos, levaram-no a proceder como dono de pessoas e bens, usufruindo do poder e do prazer malévolo de destruição de uns e de outros.
Edição comemorativa dos 30 anos da 1.ª Edição 1985-2015
A Vivenda Pérola é o que resta da antiga opulência da família Mendes que agora espera ansiosamente pela herança do tio Leonardo, uma herdade no Alentejo, junto da barragem do Alqueva, que sonham transformar num empreendimento de luxo para turistas.
Um romance com um estilo muito coloquial e vivo com temas da actualidade: a política, os amores e desamores, as quezílias familiares e a ambição pelo dinheiro e pelo poder.
Acredito pouco na qualidade do silêncio. Quem não diz nada é porque não tem nada para dizer. É ver o desembaraço a falar dos sapatos da zara e das almofadas do ikea, do Benfica e da cor do carro. Sobre política, religião e sexo não se fala, porque disso não se fala. Está tudo dito. Nos Estados Unidos é tudo bom, a religião islâmica é toda má e só não vimos de Paris no bico de uma cegonha, porque as pessoas agora já fazem o que querem. Mas das pessoas também não se fala, não vá isso descambar para a política, religião ou sexo. Dos outros é que já se fala com o mesmo desembaraço com que se fala das almofadas do ikea, “essa gaja anda desaparecida, deve andar metida com algum”. E nisto continuam todos de acordo. Sobre o que suscite opinião diversa é que não se fala. Se não estiverem todos de acordo estraga-se a tarde. Este país, Portugal, é uma vergonha, só neste país é que isto acontece. “Isto” é uma abstração que serve para tudo neste Portugal que é de outros portugueses, nunca dos portugueses intervenientes na conversa. Ser português parece ter a fatalidade de uma visita de estudo da lição que não se estuda. Uma espécie de turismo conformado em que os outros é que sabem. Os outros, os políticos, que eles é que quiseram ir para lá. Os caracóis é que não estão maus. E a gaja que não atende o telefone, deve andar mesmo metida com algum. Chegam os cafés que se tomam em separado. Mulheres para um lado, homens para o outro, sentados à mesma mesa, porque a conversa tem género e fora do género não há nada para dizer.
Autores: Ferreira, Vera / Schulze, Ilona / Carvalho Vicente, Paulo / Bouda, Peter
ISBN: 978-989-97819-0-0
Editora: CIDLeS
Sinopse
O Dicionário Bilingue Piação – Português, criado e editado pelo CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, é o primeiro dicionário de minderico no sentido lexicográfico do termo. O minderico é uma língua ameaçada falada em Minde e Mira de Aire, Portugal, (código ISO [drc]), por uma comunidade de 150 falantes activos e 1000 falantes passivos. Este dicionário bilingue e bidireccional (Minderico – Português / Português – Minderico), com um total de 2254 entradas, não se limita à versão impressa, sendo acompanhado também por uma versão digital multimédia adquirida automaticamente com a compra desta obra. Através da versão digital terá acesso a um conjunto de informações adicionais que complementam a edição em papel, nomeadamente elementos áudio de cada lexema, exemplos contextualizados com áudio, vídeos que exemplificam a utilização da língua, fotografias e detalhes extra que contextualizam e fundamentam a etimologia de cada lexema.
Elaborado numa perspectiva interdisciplinar, o dicionário, ao contrário dos demais, alia a história, os estudos culturais e sociais e a informática à linguística. Para tal foi feita uma inventariação exaustiva do léxico minderico, recorrendo sempre a dados primários (resultantes do trabalho directo com os informantes sob a forma de entrevistas (livres e com estímulo) e gravações de eventos comunicativos com e sem participação activa do investigador), a fontes linguísticas, históricas, geográficas e culturais existentes e a resultados de investigação anteriormente desenvolvida. Os dados primários, complementados com dados secundários já existentes (como por exemplo, as explicações de alguns lexemas apresentadas pelos autores/editores dos glossários desenvolvidos no passado pela comunidade), permitem-nos retratar de forma mais fidedigna a realidade linguística que o minderico representa.
Mais do que um simples dicionário, o Dicionário Bilingue Piação – Português é uma enciclopédia do minderico.
No dia 26 de Março de 1487, o Sol apaga-se subitamente no reino de Portugal. Sem explicação para tão súbitas trevas – que uns atribuem à maldade castelhana e outros à heresia dos judeus –, D. João II envia dois espiões em demanda da solução que restitua a luz ao País e evite o seu definhamento. Com Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva irá também, guardado num estojo, um par de olhos de diamante que outrora pertenceram a um menino chamado Mil-Sóis, cujo olhar cegava quem o encarasse, e que são a peça fundamental desta missão.
O Dia em Que o Sol Se Apagou, finalista do Prémio LeYa em 2014, é uma obra fascinante que inventa um cataclismo improvável para reescrever o período áureo da História de Portugal. Um romance de luz e sombra, de avanços e recuos, que cruza fantasia com rigor histórico. E que, no final, responderá a duas questões essenciais: irá o Sol regressar a Portugal? É a Europa o lugar certo para que Portugal continue a existir?
Numas termas, sete pessoas em busca da felicidade envolvem-se e afastam-se ao ritmo de uma «valsa» orquestrada por Milan Kundera com o seu habitual humor. Ruzena, uma bela enfermeira, Klima, um músico de jazz, Jakub, antigo militante e vítima das depurações, o doutor Skreta, diretor dos serviços de ginecologia das termas, e Bertlef, o americano, são algumas das personagens que durante cinco dias se debatem nesta Valsa do Adeus, construída com o rigor de um romance clássico e fruto de uma rara capacidade de síntese e do forte poder inventivo que caracterizam as obras do autor.
Neste ensaio pessoal – adaptado de uma conferência TED – Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje.
Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.
Num grande hotel, as paredes têm ouvidos e os espelhos já viram muitos rostos ao longo dos anos: homens e mulheres de passagem, buscando ou fugindo de alguma coisa, que procuram um sentido para os dias. Num quarto pode começar uma história de amor ou terminar um casamento, pode inventar-se uma utopia ou lembrar-se a perna perdida numa guerra, pode investigar-se um caso de adultério ou cometer-se um crime de sangue.
Em três épocas diferentes, entre guerras que passaram e outras que hão-de vir, as personagens de Se Eu Fosse Chão – diplomatas, políticos, viúvos, recém-casados, crianças, actores, prostitutas, assassinos e até alguns fantasmas – contam histórias a quem as queira escutar.
En Juillet dernier, je fus convié à participer à New York à un colloque sur la paix dans le monde. Le soir venu, avec quelques amis, nous nous sommes rendus au Café Society à Greenwich village afin d’assister au concert donné par Duke Ellington, car on nous avait informé que vous étiez maintenant membre de son orchestre et telle ne fut pas notre surprise de constater votre absence. À la fin du concert, j’allais féliciter Monsieur Ellington pour sa prestation pianistique et la grande qualité de son orchestre.
Il nous présenta la très chaleureuse Rosetta Tharpe qui assurait la première partie de la soirée. C’est une femme très douée, pourvue de grandes qualités morales s’accompagnant d’une étrange guitare, possédant en son centre une espèce de couvercle de métal vibrant engendrant un son envoûtant correspondant parfaitement à son répertoire au caractère très spirituel.
Numa sociedade ideal, cujas leis fossem a delicadeza, a cortesia e a afabilidade, num mundo sem constrangimentos nem fricções que fosse a combinação de todas as possibilidades compatíveis, de tal modo que o resultado fosse a bondade máxima, nesse mundo descrito por Leibniz, na suaMonadologia, como o melhor dos mundos possíveis, Daniel Oliveira reuniria as suas crónicas num volume intitulado A Década dos Psicopatas e teria Marcelo Rebelo de Sousa a fazer a apresentação do livro.
Nos convites e nos comunicados à imprensa haveria de ler-se: “Deus calcula e o mundo faz-se”. Mas essa luz fina que emana do sistema leibniziano, onde tudo concorre para uma ordem hierarquizada e harmoniosa, não penetra onde há política, nem sequer ilumina os doces costumes da democracia.
Ainda assim, sem ser preciso supor a existência desse mundo — onde tudo se faz e se desfaz por correspondências, harmonias e concordâncias — vamos ter na mesma Marcelo Rebelo de Sousa a apresentar os Psicopatasde Daniel Oliveira. Sob tais condições, o acontecimento não é propriamente uma mónada, um mundo fechado sem portas nem janelas, mas uma escancarada fábula política do nosso tempo.
50 anos depois de Praça da Canção, a Dom Quixote edita Bairro Ocidental, de Manuel Alegre, um livro em que, tal como no primeiro, o poeta afirma a sua confiança na força da palavra poética.
Tal como há 50 anos, a poesia de Manuel Alegre seduz o leitor não só pela qualidade e o inesperado da linguagem mas também pela força que recebe de raízes que mergulham no presente histórico.
Tal como em Praça da Canção, também em Bairro Ocidental o poeta vem dizer-nos que é necessária e urgente a nossa Libertação, título do poema com que termina o primeiro segmento do livro.
Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente. Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num spa de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois: Voilà! – desapareço num orgasmo.
Na Páscoa de 1126, em Viseu, o príncipe Afonso Henriques conhece uma bela rapariga galega, de seu nome Chamoa Gomes, por quem se apaixona perdidamente. Contudo, sua mãe, Dona Teresa, regente do Condado Portucalense, irá proibir aquele casamento, pois Fernão Peres de Trava, seu amante, não admite que o príncipe se enlace com sua sobrinha Chamoa. A fúria de Afonso Henriques é imensa. Zangado com a mãe, arma-se a si próprio cavaleiro, na Catedral de Zamora; recusa prestar vassalagem ao novo rei de Leão, Castela e Galiza, o seu primo Afonso VII; e começa a liderar os portucalenses de Entre Douro e Minho, entre os quais Egas Moniz e seu irmão Ermígio, que vivem revoltados com a influência do Trava e as decisões de Dona Teresa.
Cresce a convulsão no Condado Portucalense e todos são arrastados por ela. Nobres e almocreves, amigos e conselheiros, mulheres e trovadores, pais e filhos, envolvem-se num conflito sangrento, que terminará com a inevitável batalha de São Mamede, em Guimarães.
Distinguir História da Literatura de História Literária é tarefa das mais difíceis porque, muitas vezes, ambos os termos podem parecer sinônimos, mas esse é um ledo engano em que muitos historiadores costumam escorregar. Assim, História da Literatura seria a sequência de narrativas, autores, estilos literários e teorizadores de poéticas literárias, enquanto História Literária constituiria a disciplina que estuda a Literatura de um ponto de vista histórico. Ou ainda a compreensão da Literatura através dos seus contextos (políticos, econômicos, culturais).
Feitas estas distinções, Maria Luísa Malato, professora de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica Geral da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mestre e doutora em Literatura Comparada, partiu para compor História da Literatura Europeia: uma introdução aos Estudos Literários (Lisboa, Quid Júris, 2008), que desde o seu lançamento há sete anos tem constituído livro de referência na área e presença obrigatória na bibliografia dos cursos de Metodologia dos Estudos Literários e de Retórica nas universidades portuguesas.
Aliás, alguma editora brasileira deveria celeremente também publicar esta obra para que cumpra o mesmo caminho nas faculdades de Letras das universidades brasileiras, especialmente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), pois seria um complemento imprescindível ao que se lê em Literatura Comparada (São Paulo, Edusp/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000), da professora Sandra Nitrini.
Até porque os países de língua espanhola e portuguesa tomaram como modelo outras literaturas europeias, sobretudo a francesa, ainda que, a partir de certo momento no século XX, a literatura norte-americana tenha se tornado para os literatos desta parte do globo um novo polo de atração. Seja como for, é impossível estudar as literaturas do Brasil e dos países da América hispânica sem levar em conta as suas ligações com as diversas literaturas do continente europeu.
«Um thriller incrível, um crime inenarrável e uma história essencial.» John Le Carré
Maio, 1945. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a primeira equipa britânica de investigação de crimes de guerra é reunida para caçar os oficiais nazis responsáveis pelas maiores atrocidades alguma vez vistas.
Um dos principais investigadores é o tenente Hanns Alexander, um judeu alemão que serve no Exército Britânico. Rudolf Höss é o seu alvo – como Kommandant de Auschwitz, não só foi o responsável pelo assassinato de mais de um milhão de pessoas, como também quem aperfeiçoou o programa de extermínio em massa idealizado por Hitler.
Chega hoje às livrarias a nova edição de Obra Poética, o livro que reúne toda a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, seguindo e atualizando os critérios de fixação de texto adotados nas edições anteriores, graças ao cuidado trabalho de Maria Andresen Sousa Tavares e Carlos Mendes de Sousa, que assinam, respetivamente, o prefácio e a Nota de Edição. O presente volume inclui ainda uma parte com vários poemas inéditos que integram o espólio da autora, em depósito na Biblioteca Nacional de Portugal.
Como diz Maria Andresen Sousa Tavares, no Prefácio a esta edição, há «poetas mais peritos, mais cultistas, mais destros e liricamente sofisticados, mais modernos, mais antimodernos e pós-modernos, melhores pensadores. Mas aqui há uma força. Uma força muito raramente atingida. Há o vislumbre de um excesso não muito cauteloso, umas vezes iluminado, outras vezes rouco (“às vezes luminoso outras vezes tosco”). Mas há, sobretudo, o poder de uma simplicidade difícil de enfrentar, por vezes inconfortável, não pela dificuldade conceptual, mas porque a simplicidade é a coisa mais complexa e, neste caso, a mais difícil, porque nem sempre oferece o flanco ao diálogo, quando busca o “dicível” do esplendor e do terror […].»
Um ditador africano, muito respeitado em Portugal, escreve a sua biografia. Um famoso marinheiro maltês visita São Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa. Um antropólogo descobre-se nu e indefeso diante de uma mulher. Uma zebra persegue um escritor. Uma virgem perde a cabeça.
Neste O Livro dos Camaleões cruzam-se personagens em busca de uma identidade, ou em trânsito de identidade, atravessando diversas épocas, do século XIX aos nossos dias, e diversas geografias, das savanas do Sul de Angola às ruidosas ruas do Rio de Janeiro.
Algumas destas personagens são arrancadas à realidade ou inspiradas em figuras reais. Não se trata de saber onde termina a realidade e começa a ficção. Trata-se de questionar a própria natureza do real.
Dois prestigiados professores, do MIT e de Oxford, pegaram na teoria de Keynes e encontraram soluções para a economia de hoje.
Recuperar os conceitos de Keynes para resolver os problemas da economia actual não é uma ideia nova. Vários políticos têm falado sobre isso. E agora dois conceituados professores de Economia: Peter Temin e David Vines , um do MIT e outro da Universidade de Oxford, escreveram um livro onde recorrem às ferramentas keynesianas para explicar como solucionar os principais problemas macroeconómicos do mundo de hoje e da crise económica global. Em “Keynes – Uma teoria útil à economia mundial”, os autores usam esta argumentação para defender o fim da austeridade nos países do Sul da Europa.
O norte-americano Leburn Maddox abre, na sexta-feira à noite, a 11.ª edição do Festival de Jazz de Minde, iniciativa que tem palco principal numa antiga fábrica têxtil nesta vila do concelho de Alcanena.
O programa de sexta-feira inclui ainda a banda espanhola The Blast e uma “Jam Blues Star Fest”, “com muitos músicos nacionais e de Espanha liderados por Pedro Tatanka”, afirma a organização deste certame no distrito de Santarém.
No sábado, além da estreia nacional do projeto “Wonder Wheel”, de André Fernandes com Mário Laginha, o vibrafonista Jeffery Davis apresenta “LiftOff”, projeto iniciado em 2001 com Óscar Graça (piano).
O Festival de Jazz de Minde nasceu de uma homenagem feita em 2004 ao mestre Jaime Chavinha, mas a aceitação do público fez com que, cumpridas 10 edições, “seja considerado e referenciado como um dos melhores festivais de jazz da zona centro do país”, sublinha a organização.
“Muitos e bons músicos já passaram pelos palcos do JazzMinde, e, degrau a degrau, o festival tem vindo a pautar-se como um evento de prestígio e grande qualidade artística, com uma atmosfera muito `sui generis` e com um público muito entendido e entusiasmado”, realça a nota de apresentação do festival.
GLÓRIAS, PERIPÉCIAS E EMBUSTES DO JORNALISMO PORTUGUÊS, de Gonçalo Pereira Rosa.
Conhece a capa da revista TIME que enfureceu Salazar ou a manchete que anunciou em primeira mão a eleição de um papa português? Ou a heróica aventura de Urbano Carrasco, o jornalista que desafiou a erupção do vulcão dos Capelinhos e depositou uma bandeira nacional no solo da nova ilha açoriana? Sabia que o Repórter X foi cruelmente «assassinado» numa pensão da Rua dos Fanqueiros, descrevendo depois o crime nas páginas de O Século, ou que Fernando Assis Pacheco assistiu a um «homicídio» na Sociedade Nacional das Belas-Artes?
Em 1920, Max Weber antecipou uma implacável racionalização da vida, amputada do seu lado afectivo. Isto seria o resultado de uma modernidade regida só pelo lucro.
Em vez de ser vivida como uma emancipação, esta mudança levaria a uma total submissão aos desejos e aos bens materiais, que o sociólogo alemão simbolizara pela imagem da “jaula de aço”.
Para Weber, “a preocupação com os bens exteriores não devia pesar sobre os nossos ombros (…) a não ser como um sobretudo ligeiro que a qualquer momento podemos despir.”
A fatalidade transformou o sobretudo de Weber numa “jaula de aço”.
A Sextante Editora publica o mais recente romance de Olivier Rolin, O meteorologista, um relato surpreendente da história real de Alexei Vangengheim, um homem que, como muitos outros, perdeu o controlo sobre o seu destino e foi enviado para um dos primeiros gulags no Norte da Rússia, após ser alvo de uma denúncia de oposição ao regime.
Anos mais tarde, Olivier Rolin encontrou as cartas de Alexei para a filha – que vêm fac-similadas nesta edição – e decidiu investigar esta emotiva história que, como o próprio afirma, não é tão longínqua como poderíamos pensar.
Olivier Rolin vai estar em Portugal de 7 a 9 de maio para participar na 1ª edição do Festival Encontradouro, em Sabrosa.
Quantos cristãos saberão que, se Adão e Eva fossem figuras reais e nossos contemporâneos, precisariam, para viajar para o estrangeiro, de um passaporte iraquiano? Quantos se lembram de que Abraão, que está na base das três religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo, islão -, possuiria igualmente nacionalidade iraquiana? Quantos se lembram de que os primeiros capítulos do Génesis, referentes ao mito da criação e da queda, se passam na Mesopotâmia, onde mergulham algumas das nossas raízes culturais? Há guerras em curso, também por causa da divisão entre xiitas, sunitas e jihadistas. Mas quem conhece essas divisões e a sua origem e importância históricas? Qual é a relação entre religião e violência, religião e política, religião e desenvolvimento económico?
Há já alguns anos, Umberto Eco, agnóstico, lamentava-se: “Nas escolas italianas, Homero é obrigatório, César é obrigatório, Pitágoras é obrigatório, só Deus é facultativo. Se o ensino religioso se identificar com o do catecismo católico, no espírito da Constituição italiana deve ser facultativo. Só lamento que não exista um ensino da história das religiões. Um jovem termina os seus estudos e sabe quem era Poséidon e Vulcano, mas tem ideias confusas acerca do Espírito Santo, pensando que Maomé é o deus dos muçulmanos e que os quacres são personagens de Walt Disney…”
PEDRO ALMEIDA VIEIRA convida ANA PEREIRINHA; VÍTOR QUELHAS e JORGE SILVA.
Participação especial de PAULA CANDEIAS e ISAC MINERVAS (um de cada vez e a seu tempo, no devido contexto).
Pedro Almeida Vieira nasceu em Coimbra em 1969 e já fez muito e eventualmente há-de fazer mais. Tendo feito muito significa então que já tem no seu currículo alguns «ex»: ex-investigador universitário (ISA e ICS), ex-ambientalista (LPN e Quercus), ex-jornalista (Grande Reportagem e Expresso, entre outros) e só não é ex-engenheiro porque o título é vitalício por concessão de universidade pública (Évora), pese embora o dito curso (Engenharia Biofísica) já nem seja ministrado. É ainda ex-fumador (desde Agosto do ano passado). Não é, porém, aficionado de ex-votos.
Vem aí o meu próximo romance. Vai ser lançado hoje, na Barraca (Cinearte / a Santos). Intitula-se ‘Gnaisse‘ e será lançado pelo Valério Romão e pelo Raul Henriques. É o meu 12º publicado. O tempo foge (e reencontra-se). Espero que toda/o(s) apareçam por lá. (Luís Carmelo)
Pêro da Covilhã, o formidável espião de D. João II, injustamente esquecido pelos historiadores e quase desconhecido dos portugueses, é uma personagem histórica invulgar, cujas acções tiveram enorme repercussão no xadrez político da Europa. Escudeiro do rei, que o escolhia para as missões mais secretas e arriscadas, era dotado de qualidades e talentos excepcionais: memória fotográfica, extraordinária aptidão para aprender línguas, mestria na arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, capacidade de adaptação ao imprevisto, perícia no manejo de todas as armas do seu tempo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, ideais cavaleirescos da Demanda, da Aventura e do culto da Mulher e do Amor.
A autora convida-nos a acompanhar Pêro da Covilhã na sua longa peregrinação de cerca de seis anos pelas regiões do Mediterrâneo, Mar Vermelho, Arábia, Pérsia, costas do Índico, Calecut, África Oriental e Etiópia, e descobrir lugares, povos e culturas nunca antes vistos por um ocidental, cujos costumes lhe eram completamente estranhos.
Abrangendo os anos de 2007 a 2014, Diário da Abuxarda é uma leitura fascinante sobre o correr do tempo, em que notas sobre o dia-a-dia alternam com considerações sobre factos políticos, viagens, amigos, família, literatura ou arte, sempre com a lucidez e a ironia subtil que tornam Marcello Duarte Mathias um caso ímpar na escrita diarística em Portugal.
(…) «No fundo, fui toda a vida um flâneur – sorte, a minha! – e se estas páginas algum mérito têm é essa atenção simultaneamente empenhada e distraída com que olho o tempo e o mundo à minha volta. E cá vou ficando à espera do que tarda em chegar: uma verdade em forma de conclusão.»
Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Um romance trepidante, finalista do Prémio Leya 2014, que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História.
A Assírio & Alvim publica o mais recente livro de poesia de Ana Luísa Amaral, E Todavia. A vida, o amor, pequenos episódios do quotidiano, equações e somas imperfeitas — o êxtase da leitura – percorrem este livro que surge 25 anos depois do primeiro livro da autora, Minha senhora de quê.
O lançamento deste livro ocorrerá no próximo dia 14 de maio, na livraria Bertrand Chiado, em Lisboa, com apresentação a cargo de Lídia Jorge e leitura de poemas pela autora e por Pedro Lamares.
No catálogo da Assírio & Alvim consta o livro Escuro, cujos direitos de publicação estão já vendidos para o Brasil, Espanha e México.
Ao longo de 35 anos, Svetlana Aleksievitch tem escrito sobre a identidade russa, sobre o seu passado e futuro, e o ponto final é dado em O Fim do Homem Soviético – Um tempo de desencanto, livro vencedor do Prémio Médicis Ensaio e indicado pela revista Lire como Livro do Ano 2013 em França. Este documento único, já publicado em dezenas de países e traduzido diretamente do russo, chega a Portugal no dia 24 de abril com a chancela Porto Editora.
Svetlana Aleksievitch, jornalista laureada e já apontada para o Prémio Nobel da Literatura, percorreu dezenas de regiões do território soviético, falou com pessoas «de planetas diferentes» – os que nasceram na URSS e os seus filhos – e apercebeu-se de que uma grande parte da nova geração de russos eleva as qualidades de Estaline, sonha com o ressurgimento do antigo império e revive os símbolos soviéticos num Estado que já não os procura promover.
A partir do dia 24 de abril chega às livrarias a novíssima edição de O Poeta de Pondichéry, na colecção Assirinha, dedicada à literatura infantojuvenil. Partindo de uma enigmática personagem de Jacques le Fataliste, de Diderot, este livro de Adília Lopes tem sido, no conjunto da sua obra, um dos mais traduzidos e estudados, em Portugal e no estrangeiro, e surge agora numa edição que deliciará miúdos e graúdos com os desenhos mordazes e surpreendentes de Pedro Proença.
Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional. É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou.
1 A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.
A extraordinária história do rei branco Nhabezi é o ponto de partida de Ungulani Ba Ka Khosa em Choriro, romance que a Sextante Editora publica a 24 de abril. Baseando-se em factos reais, o escritor faz neste livro (cujo título significa choro ou luto, na língua local) um retrato valioso do vale do Zambeze no século XIX, representativo da identidade moçambicana, antes do despontar do colonialismo mercantil. Em destaque está o reinado de Nhabezi, ou antes Luís António Gregódio, um líder carismático que marcou a História de Moçambique. Com Choriro, o autor diz ter procurado «resgatar a alma de um tempo, a voz que não se grudou aos discursos dos saberes».
Ungulani Ba Ka Khosa, que exerce atualmente as funções de diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco e é secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, vai estar brevemente em Portugal para participar na 85ª Feira do Livro de Lisboa.
A imortal história do Cavaleiro da Triste Figura que, acompanhado pelo seu fiel escudeiro, Sancho Pança, atravessa montes e vales, lutando contra moinhos de vento e cavaleiros imaginários em nome da justiça. Retrato do anti-herói, Dom Quixote, o fidalgo enlouquecido, representa a capacidade de transformação do homem em busca dos seus ideais.
Escrito no século XVII, é um livro intemporal que continua a fascinar sucessivas gerações de leitores em todo o mundo. Repleto de aventuras e situações fantásticas, com um imaginário único, que marcou a história da literatura, este é muito mais do que um romance de cavalaria. Pelo contrário, ao satirizar os romances de cavalaria, em voga na época, Dom Quixote afirma-se como o clássico fundador do romance moderno. O humor, as digressões e reflexões, a oralidade nas falas e a metalinguagem marcaram o fim da Idade Média na literatura.
A sua importância é tal que as figuras de Dom Quixote e de Sancho Pança são talvez visualmente familiares a mais pessoas em todo o mundo do que qualquer outra personagem literária.
12:00h – Apresentação da Rede de Associações de Antigos Alunos – Presidente de “La Salle – Asociaciones de Antiguos Alumnos de España y Portugal: José Ramóm Batiste e Apresentação do livro “Terras de Ninguém” de Santana Maia Leonardo.
13:00h – Almoço
15:00h – Tarde Animada:
. Desporto (Spiribol, basquetebol, Jogos tradicionais e Futebol Salão)
. DJ Tony
. Grupo de Gaiteiros LaSalle de Santiago de Compostela
. workshop de Danças do Mundo com Mirjam Dekker
. Sessão demonstrativa de Jiu-jitsu com Guilherme Gonçalves
Incluindo textos escritos até junho de 2014, este livro foi sendo sucessivamente atualizado por Pablo Iglesias até à versão publicada agora pela Bertrand Editora e introduzida por Alexis Tsipras. Um conjunto de textos escritos por alguém que ainda não está no poder e que acredita que também um livro pode defender a democracia, disputando-a.
«A crise e a catastrófica austeridade estão a levar a Europa para um beco sem saída. Os agentes até então dominantes não hesitarão em arremessar-nos para uma nova idade da pedra com o intuito de proteger os seus interesses. Todavia, não lhes faremos o favor de ficarmos assustados, passivos. A resposta será dada pelas forças que realmente defendem a sociedade: acrescentar à luta esperança, um plano e uma visão.»
Eu não Venho Fazer Um Discurso é a terceira frase do texto que, aos dezassete anos, Gabriel García Márquez leu aos seus colegas do liceu de Zipaquirá e é também o título que escolheu para este livro onde se reúnem todos os textos que escreveu para ler em público. Em 1972, afirmou na cerimónia de entrega do Prémio Rómulo Gallegos por Cem Anos de Solidão que havia duas coisas que tinha prometido a si mesmo nunca fazer: «receber um prémio e pronunciar um discurso».
Mas, dez anos depois, recebeu o Prémio Nobel, e teve de fazer o discurso mais importante da sua vida de escritor. Desde então, este género tornou-se essencial para a sua carreira como autor cuja presença era solicitada em todo o mundo.
Perante ouvintes tão variados como companheiros de secundária, reis e presidentes, militares, cineastas, jovens admiradores, ou colegas jornalistas e escritores, García Márquez aborda, entre inúmeros temas, a sua vocação, a paixão pelo jornalismo, a inquietação perante o perigo da proliferação nuclear, a proposta para simplificar a gramática, os problemas da sua terra colombiana ou a lembrança emocionada de amigos escritores como Julio Cortázar e Álvaro Mutis, entre outros.
Uma nova edição que assinala os 75 anos de uma obra que tem acompanhado várias gerações de leitores. Sobre este livro, dirigindo-se ao leitor, Miguel Torga escreveu o seguinte no prefácio:
(…) «És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes».
Decorrem as inscrições para o prémio Jovens Amigos 2105 promovido pela Antena 2.
A Rádio e Televisão de Portugal, através da Antena 2, organiza em 2015 a 29ª Edição do Prémio Jovens Músicos (PJM), destinado a músicos portugueses e a músicos estrangeiros residentes em Portugal.
Uma oportunidade de acompanhar a obra de Joaquim Pessoa, poeta, letrista e artista plástico.
«… julgo que a poesia tem, também, a obrigação de palpar o mundo, de estar atenta aos sintomas e ajudar ao diagnóstico.»
Joaquim Maria Pessoa (Barreiro, 22 de fevereiro de 1948), conhecido por Joaquim Pessoa, é um poeta, artista plástico, publicitário e estudioso de arte pré-histórica português.
Um dos livros do ano. Um dos mais aclamados livros da última década e um bestseller internacional.
Os números escondem palavras e segredos. Escondem a ordem e a desordem do mundo – bem como comunicações militares e códigos que ninguém consegue decifrar. Até aparecer este homem.
Neste seu romance de estreia, Mai Jia revela o misterioso mundo da unidade 701, uma secretíssima agência de inteligência chinesa, cujo único propósito é decifrar códigos.
Combinando brilhantemente o mistério e a tensão de um thriller de espionagem com as nuances de uma profunda observação psicológica e as qualidades mágicas de uma fábula chinesa, Cifra revela-nos na criptografia a chave do coração humano.
Um livro misterioso e fascinante que apresenta Mai Jia como um dos maiores e mais populares escritores da China dos nossos dias, e que conquistou o reconhecimento internacional.
Um devaneio alimentado durante trinta anos. O intricado credível de cidades imaginadas num planeta possível. Sem legendas ou sinalética, não existem vetores que conduzam o visitante recém-chegado. Todas as direções lhe estão abertas: a descoberta transforma-se uma experiência pessoalíssima. O tricotado destas cidades, onde podemos reconhecer ruas, bairros, zonas agrícolas, marinas, aeroportos, estádios de futebol e até uma base militar, não seguiu um plano premeditado. Como todas as cidades, o seu traçado foi crescendo, evoluindo de acordo com o gosto dos tempos. Zonas históricas foram arrasadas para dar lugar a novas e largas avenidas. Em exposição na galeria Abysmo. O autor considera a possibilidade de organizar visitas guiadas. A não perder.
É certo que cada pessoa é inigualável e cada artista tem o seu próprio universo, que nos pode deixar visitar, para nosso privilégio. Porém, o António Saragoça, mais do que qualquer outro que terá passado pelas paredes da Pickpocket, incorporou a sua vivência ao acto de fotografar e aceitou que a fotografia se imiscuísse na sua vida com uma humanidade e permeabilidade apenas comparável com a que a sua própria comunidade assimilou o Saragoça fotógrafo.
Manuel Alegre viaja amanhã para Itália onde, primeiro em Vicenza e depois em Pádua, participará em duas sessões comemorativas dos 50 anos da Praça da Canção.
No domingo, dia 12, em Vicenza, na Galeria Palazzo Leoni Montannari, Manuel Alegre estará presente numa sessão integrada no Festival Mundial de Poesia, mas nesse dia inteiramente dedicada aos 50 anos da Praça da Canção, durante a qual actores e cantores italianos declamarão e interpretarão, musicalmente, alguns dos poemas que constam no livro.
Lá se foi o Manoel de Oliveira, quase trinta anos depois do que seria “normal”. Talvez com ele tenha partido o melhor do que o Porto é: rude e genuíno, sofisticado mas popular. Um aristocrata do pé descalço e dos grandes salões, um Homem da melhor cepa que Portugal cultivou.
Inclino-me perante esta figura que partiu serenamente, que além de tudo o mais fez o que gostava e viveu tão intensamente quanto amava.
Não serei o especialista mais adequado para analisar a sua obra e os vários mundos em que viveu. Que aliás me marcaram muito. Mas foi sempre acima dos outros, em cada uma das suas épocas, em cada momento da sua longuíssima vida. Até ao fim.
Paz à sua alma, que mereceu bem a tranquilidade com que partiu, em contraste com os horizontes estéticos que se atreveu a romper e que retratou como ninguém. Apenas Manoel, mas tão grande!
António Ribeiro, jornalista (retirado do Facebook)
Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta.
Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes, Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte.
O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial.
O mais recente romance do Nobel da Literatura 2014.
Várias décadas passaram desde que Jean Daragane, em criança, viveu em Saint-Leu-la-Forêt. Agora, sexagenário, escritor, mal pensa nisso. Leva uma existência solitária, o telefone raramente toca, praticamente não escreve. Até que acontece um «quase nada». Como que uma picada de inseto, que a princípio parece muito leve. Esse «quase nada» é o aparecimento de uma velha agenda telefónica onde figura o nome de Guy Torstel. Arrastado para o passado, para a Paris dos anos 1950 e 1960, Daragane vai-se confrontar com a memória de Annie Astrand, que foi para ele uma espécie de mãe e, mais tarde, talvez uma amante…
Depois de O horizonte, As avenidas periféricas e Dora Bruder, todos eles muito bem recebidos pelos leitores e críticos literários, este é o quarto romance do Nobel da Literatura 2014 no catálogo da Porto Editora.
As grandes estratégias da manipulação mediática por Noam Chomsky
1 – A Estratégia da Distração.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças que são decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, economia, psicologia, neurobiologia ou cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais” (citação do texto ‘Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas’).
2 – Criar problemas e depois oferecer soluções.
Este método também se denomina “Problema-Reação-Solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que seja este quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem demande leis de segurança e políticas de cerceamento da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer com que aceitem como males necessários o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.