Golpe de Putin | Autor: Mike Whitney | Editora: Walt | 21 de novembro de 2022

Para ler e refletir:

Golpe de Putin – Autor: Mike Whitney | Editora: Walt | 21 de novembro de 2022

“Os ucranianos estão em péssimo estado… Não vai demorar muito para que os ucranianos fiquem sem comida. Não vai demorar muito para eles congelarem… Eles fizeram tudo o que podemos razoavelmente esperar deles. É hora de negociar… antes que a ofensiva comece, porque uma vez que ela comece, não haverá mais discussão entre Moscovo e Kiev até que seja concluída a contento dos russos.” (Coronel Douglas MacGregor) (1)

“A rigor, ainda não começamos nada. ” (Vladimir Poutine)

Os ataques implacáveis ​​à rede elétrica da Ucrânia, unidades de armazenamento de combustível, centros ferroviários e centros de comando e controle marcam o início de uma segunda fase mais mortal da guerra. O ritmo acelerado de ataques de mísseis de alta precisão e longo alcance sugere que Moscovo está preparando o terreno para uma grande ofensiva de inverno a ser lançada assim que os 300.000 reservistas russos retornarem às suas formações no leste da Ucrânia. A recusa de Kiev em negociar um acordo que aborde as principais preocupações de segurança da Rússia deixou o presidente russo, Vladimir Putin, sem escolha a não ser derrotar as forças ucranianas no campo de batalha e impor um acordo pela força das armas. A iminente ofensiva de inverno foi projetada para desferir o golpe decisivo que a Rússia precisa para atingir seus objetivos estratégicos e acabar com a guerra rapidamente.

Continuar a ler

Rencontre avec Alain Aspect | Des concepts étranges aux technologies de pointe | la mécanique quantique

Alain Aspect vient nous expliquer les expériences qui lui ont valu son prix Nobel de physique 2022. En 1982, il met en évidence que deux particules distantes peuvent être liées sans communiquer. Comment l’intrication quantique a-t-elle changé notre conception de la localité ?

Avec

  • Alain Aspect Professeur à l’Institut d’optique et à l’école Polytechnique, directeur de recherche émérite du CNRS, membre de l’Académie des sciences et Prix Nobel de physique 2022

Entre 1980 et 1982, l’expérience d’Orsay d’Alain Aspect est l’une des expériences les plus importantes de la mécanique quantique et peut être même de toute la physique.

Le physicien prouve très clairement que l’intrication quantique est un phénomène observé- qui correspond à tout ce qu’avait prédit la physique quantique. Avec ce pionnier, on revient aujourd’hui sur cette expérience de pensée chère à Einstein, jusqu’à son expérimentation en laboratoire. Et sur comment ses travaux ont ouvert la voie à la seconde révolution quantique.

O Primeiro Direito do Ser humano: Ser | por Carlos Matos Gomes

O Primeiro Direito do Ser humano: Ser

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de Dezembro 1948, há quase 75 anos e no ambiente do pós-Segunda Guerra, da derrota do nazismo e do fascismo. O seu primeiro Artigo refere: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

A Declaração qualifica sempre aqueles a quem se dirige como seres. Seres humanos, no caso.

Esta designação é central e definidora do que se trata e do que se defende: Um ser!

Os autores da Declaração partiram do princípio — que lhes parecia evidente — de que os seus semelhantes espalhados pelo planeta se reconheciam como «seres», pelo que tomaram como uma estultícia, uma redundância e até uma ofensa à dignidade de cada um declarar que os humanos são, antes de tudo, seres.

A atualidade desmente esse pressuposto dos autores e dos subscritores da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Shakespeare, um dos génios da humanidade, conhecia a história dos humanos desde a antiguidade e da violência em que ela assentava. Ele conhecia e retratou a perversidade dos humanos, homens e mulheres, Hamlet e Lady Macbeth. Não acreditava na alma, nem na criação de seres humanos à imagem de um qualquer Deus. Ele duvidava que o ser humano tivesse, sequer, consciência de si. A célebre frase de Hamlet — to be or not to be — ser, ou não ser, coloca a questão de os humanos serem apenas seres vivos como os outros, sem consciência da sua singularidade, sem qualquer ligação a um passado com origem no divino, vindos do nada nas mãos de um Criador. As ações sanguinárias relatadas nas suas tragédias, as traições (Júlio César), os crimes, levaram Shakespeare a formular a dúvida sobre o ser humano ter direito a sê-lo.

Continuar a ler

General Raul Luis Cunha | O bombardeamento da central nuclear de Zaporizhzhia continua | Quando se sabe quem é o verdadeiro culpado, é uma estupidez atribuir as culpas a Moscovo.

O bombardeamento da central nuclear de Zaporizhzhia continua. Ontem, em 20 de novembro, foram registados mais de 15 projécteis que atingiram as instalações da estação. Desses, oito granadas de artilharia de grande calibre caíram entre a Unidade 5 e a Unidade Especial 2, e uma atingiu o teto da unidade, onde o combustível nuclear já usado está armazenado. Além disso, as Forças Armadas ucranianas dispararam vários projécteis para o local da instalação de armazenamento seco do lixo nuclear.

Em reacção a esses bombardeamentos, o Director-Geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) pediu (https://www.cgtn.com/…/Latest-on-Russia-Ukraine-crisis…) o fim imediato do bombardeamento dessa central. A única coisa que ele não especificou foi a quem essa mensagem era endereçada. Parece que não resta óbvio para toda a gente que os militares russos não se estão a bombardear a si próprios, ou que a democracia ocidental está a ser completamente censurada, já que não pode ser abertamente nomeado o destinatário de tais apelos.

Bom, não devemos ficar surpreendidos com as tentativas do Ocidente de culpar a Rússia sob quaisquer circunstâncias, contrariando as evidências e o bom senso. O bombardeamento irresponsável da central nuclear de Zaporizhzhia ou o míssil que caiu recentemente na Polónia são disso um claríssimo exemplo. Quando se sabe quem é o verdadeiro culpado, é uma estupidez atribuir as culpas a Moscovo.

No entanto, continuaremos a ter que conviver bastante com estas tentativas de culpar a Rússia por todos os problemas do mundo, isto porque no Ocidente haverá sempre muito poucos políticos dispostos a admitir os seus erros, e muito menos os erros de Zelensky, pois uma tal atitude iria enfraquecer toda a estratégia anti-russa e, para os políticos ocidentais é preferível serem falsos e mentirosos, o que, aliás, já é do conhecimento geral.

Retirado do Facebook | Mural de Raul Luis Cunha

Silas Corrêa Leite e a voz dos deserdados da terra | por Adelto Gonçalves

Em novo livro, autor recolhe flagrantes da história oral vivida nas favelas de São Paulo

                                                          I
            Quem já percorreu os labirintos dos arquivos públicos sabe que a documentação, majoritariamente, reflete a posição das classes dominantes e de seus lacaios. Por isso, quando um dos deserdados da terra consegue fazer com que ouçam sua voz esse acontecimento torna-se motivo de regozijo. Foi o caso de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), catadora de papéis que vivia numa favela do Canindé, em São Paulo, que ficou conhecida por seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960, com auxílio do jornalista Audálio Dantas (1929-2018), obra traduzida para 14 idiomas.


Nessa linhagem, o poeta, romancista e contista Silas Corrêa Leite (1952), de origem humilde, também é uma espécie de deserdado da terra que encontrou na literatura uma forma de fazer com que a voz dos excluídos seja ouvida. Começou sua vida profissional cedo, tendo sido aprendiz de marceneiro e garçom em Itararé, cidade na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, além de engraxate, boia-fria e vendedor de doce de groselha. Começou a escrever aos 16 anos, passando a produzir crônicas para o jornal O Guarani. E logo foi aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube local.
 Em 1970, migrou para São Paulo, onde morou em pensões, cortiços, passou fome e dormiu na rua.  Já empregado, formou-se em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Continuar a ler

O decote do século XX | Manuel S. Fonseca

Nessa altura, nos meus tempos da SIC, viajava muito. Vi, então, o decote do século XX. Como aqui se conta.

Nudez, espécie em vias de extinção

A mulher nua é um escândalo do passado. Ou talvez não. Há dias, em Paris, num restaurante, o dono barrou a entrada a duas lábeis e decotadíssimas mulheres: a fenda da Tundavala que se lhes cavava no peito era uma anacronismo de fazer estremecer o século XXI. Há, estremeço também eu, um insidioso prurido a germinar na pele do século XXI. Ou virá o século XXI a ser o século do homem nu?

E já me belisco a mim mesmo: o maior decote que vi, não foi no peito, foi nas costas. Era o decote de Sharon Stone. Ela estava à minha frente, oferecendo o esplendor das costas nuas, o rendilhado desenho de uma perfeita coluna vertebral, das primeiras vértebras cervicais até essas nove vértebras fundidas e finais, cinco do sacro, quatro do cóccix, essa lança sacrococcígea a que se segue o que de mais sumptuário há na anatomia humana.

Eu vi: era o decote do século XX e foi nos estúdios da Warner, em Los Angeles, nuns longínquos MTV Awards, a Madona a dois passos. Houve convívio a seguir, mas a Stone levou-a o vento ou os deuses, e eu consolei-me a comer um hamburger com Danny Glover e a lamber um gelado com Valeria Golino. Lição moral: aquela foi a visão! Mais do que a roubada e fugaz visão do infame descruzar de pernas de “Basic Instinct”, a assumida resplandecência das costas de Sharon Stone, a insinuação do rotundo estuário onde desaguam, é a visão redentora. O que Sharon mostrou nessa noite, mostrava-o porque queria, sem medo e sem equívoco. Era para ver e eu vi: o traseiro decote do século XX.

Estará extinto o escândalo da mulher nua? E onde começou? No cinema? Lembro-me que, no cinema mudo, Mack Sennett despia as mulheres. Inundava as suas comédias de bathing beauties, como depois o genial Busby Berkeley, já o cinema falava e cantava, povoou de fatos de banho cor de pele os seus delírios musicais pré andy-wharolianos.

Continuar a ler

A Rússia terá enviado um ultimato à Ucrânia, dando até ao final do mês, para se sentar à mesa das negociações. | Major-general Agostinho Costa

O major-general Agostinho Costa esteve, este domingo, na CNN Portugal e falou sobre o alerta lançado pelas autoridades ucranianas de possíveis ataques em todo o país.

O comentador da CNN Portugal não tem dúvidas de que algo assim só acontece quando “se vislumbra, e há sinais que alguma coisa de importante se vai passar” e que isso poderá estar relacionado com o facto de circular notícias de que “a Rússia terá enviado um ultimato à Ucrânia, dando até ao final do mês, para se sentar à mesa das negociações”.

E que poderá ter alertado que se isso não acontecer, “o próximo ataque” poderá “destruir o sistema de abastecimento energético da Ucrânia”. Sendo que a postura do país terá sido “que está pronto para que a população saia da Ucrânia”.

Todavia, major-general Agostinho, lembra que “os principais sinais” chegam dos Estados Unidos. E que, este domingo, o Secretário da Defesa norte-americano afirmou que “a NATO não está à procura de uma confrontação e não se deixará arrastar para o conflito”. Mas que irá continuar a apoiar a Ucrânia.Ver menos.

Francisco sobre o diálogo, as mulheres, os católicos alemães… Padre Anselmo Borges | in DN

Entre 3 e 6 deste mês de Novembro, o Papa Francisco esteve no Bahrain, no Fórum a favor do Diálogo: Oriente e Ocidente pela coexistência humana. No regresso, no avião, deu, como é hábito, uma conferência de imprensa. É sempre enriquecedor dar atenção a essas conferências, até porque há temáticas múltiplas da actualidade e uma espontaneidade acrescentada. Seguem-se alguns temas.

1. Referindo o diálogo, acentuou que é uma palavra-chave: “diálogo, diálogo”. Já tinha sublinhado, aliás, que os animais é que não dialogam, os humanos têm de resolver os seus problemas através do diálogo. Condição para dialogar é que se tem de partir da identidade própria, ter identidade afirmada, não difusa. Quando alguém não tem a sua própria identidade ou ela não é firme, o diálogo torna-se difícil, até impossível. A sua viagem foi uma viagem de encontro, porque o objectivo era estar em diálogo inter-religioso com o islão e ecuménico com os ortodoxos. Ora, tanto o Grande Imã de Al-Azhar, no Cairo, Ahmed al-Tayeb, como o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, “têm uma grande identidade” e as suas ideias vão no sentido de procurar a unidade, respeitando as diferenças, evidentemente, em ordem ao entendimento e ao trabalho conjunto para o bem e a paz da Humanidade. Também se chamou a atenção para a Criação e a sua protecção: “isto é uma preocupação de todos, muçulmanos, cristãos, todos”. Os crentes das várias religiões “devemos caminhar juntos como crentes, como amigos, como irmãos.”

Continuar a ler

Emmylou Harris | (You Never Can Tell) C’est la Vie (live)

Emmylou Harris (born April 2, 1947) is an American singer, songwriter and musician. She has released many popular albums and singles over the course of her career, and she has won 14 Grammys, the Polar Music Prize, and numerous other honors, including induction into the Country Music Hall of Fame. In 2018 she was presented the Grammy Lifetime Achievement Award.

Eu tenho um discurso de sonho | Martin Luther King + Martin Luther King Jr. Nobel Peace Prize Acceptance Speech

Eu tenho um sonho “é um discurso público que foi entregue pelo ativista dos direitos civis americano Martin Luther King Jr. durante a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade em 28 de agosto de 1963, na qual ele pediu direitos civis e econômicos e um fim para Nos EUA, entregues a mais de 250 mil defensores dos direitos civis dos degraus do Lincoln Memorial, em Washington, DC, o discurso foi um momento decisivo do movimento pelos direitos civis e um dos discursos mais emblemáticos da história norte-americana.

Natalia Petrovna Osipova | Biografia

Após sua formatura, já com 18 anos ela entrou para o corpo de baile do Teatro Bolshoi. Em 2006, ela tornou-se solista, solista principal em 2008, bailarina principal em 2010. Em dezembro de 2011, ela entrou para o Mikhailovsky Ballet Company. Hoje em dia atua como primeira bailarina do Royal Ballet, Londres.

Natalia Osipova nasceu em Moscou. Ela começou a ir ao ballet quanto tinha 5 anos, devido a um problema nas costas. Com 8 anos ela entrou na escola Ballet Mikhail Lavrovsky. De 1995 até 2004, ela estudou na Academia Coreográfica de Moscou com Marina Kotova e Marina Leonova. Ainda um aluna na Academia, em abril de 2003, ela ganhou o “Grand Prix” no Concurso Internacional de Balé, em Luxemburgo, dançando as variações de “La Bayadère”, “Don Quixote”, “Esmeralda” e “Tchaikovsky Pas de Deux” , bem como da coreografia contemporânea criada para a peça “Liturgia” por Yegor Druzhinin.

Biografia

Decidida a seguir carreira como ginasta, quando ela era criança, Osipova apenas virou-se para balé por causa de um problema nas costas. De 1996 até 2004, ela estudou na Academia Coreográfica de Moscou com Marina e Kotova Leonova Marina. Embora sendo uma aluna na Academia, em abril de 2003, ela ganhou o “Grand Prix” no Concurso Internacional de Balé, no Luxemburgo, dançando variações de “La Bayadère”, “Don Quixote”, “Esmeralda” e “Tchaikovsky Pas de Deux”, bem como a peça contemporânea exclusivamente criada para ela, “Liturgia” por Yegor Druzhinin.

Após a formatura, em 2004, Natalia se juntou ao Ballet Bolshoi, como membro do corpo de baile. Juntamente com corpo de baile, ela recebeu imediatamente alguns solos. Já em setembro de 2004, ela realizou o “Pas De Deux Paysant” em “Giselle”, com Vyacheslav Lopatin. Em novembro de 2004, Natália foi escolhida como líder dançarina em “Bolero”, uma criação pelo diretor artístico Alexei Ratmansky, definido durante o primeiro workshop do Teatro Bolshoi. Inicialmente Natalia foi treinada por Ludmilla Semenyaka, mas posteriormente começou a trabalhar com Marina Kondratieva.

Em outros solos, dançou: a boneca espanhola em “O Quebra Nozes”, a Noiva Espanhola com Yuri Grigorovich do “Lago dos Cisnes” e as variações no primeiro Grand Pas de “Don Quixote”, e isso enfatizou seus saltos altos, magníficos (o seu ballon). Ao mesmo tempo, ela também criou pequenos papéis na versão Ratmansky de Dmitry Shostakovich “Bolt”, assim como na estréia Teatro Bolshoi de John Neumeier “A Midsummer Night’s Dream” (Mustardseed) e Leonide Massine “Parisienne Gaité” (como solista Cancan). No último, Natalia Massine, programa que também foi lançado como Frivolidade em “Les presságios”, destacou sua facilidade técnica e a qualidade do movimento.

CONTINUA | VER LINK

https://pt.wikipedia.org/wiki/Natalia_Osipova

Estivemos ” muito, muito próximo ” da III Guerra Mundial, de um conflito entre a NATO e a RÚSSIA | Major-General Agostinho Costa

O major-general Agostinho Costa esteve, este sábado, na CNN Portugal e falou sobre os acontecimentos da última semana na Ucrânia. O maior destaque foi para o incidente na Polónia que apesar de “estar ultrapassado, superado”, para o comentador “foi muito importante” porque “nos colocou muito, muito próximo de um conflito, da III Guerra Mundial, de um conflito entre a NATO e a Rússia”.

Referiu ainda que o incidente permitiu ver algum desentendimento entre Joe Biden, presidente norte-americano e Zelensky, presidente da Ucrânia. Já que este último terá ligado a Joe Biden, na terça-feira, e este “não lhe atendeu a chamada” Tal como, permitiu perceber que “há uma postura de alguns países da NATO nitidamente de confrontação, nomeadamente da Polónia e dos Países Bálticos”.

Destacou a reabertura da linha de caminho de ferro entre Kiev e Kherson que descreveu como “o cordão umbilical, que permitirá certamente chegar à cidade ajuda humanitária”. E explicou que na frente do comboio seguiam “dois vagões – só plataforma – como uma medida de segurança”. Mas o major-general Agostinho Costa lembrou as declarações feitas por Mark Milley, chefe de estado maior das forças armadas norte-americanas, em que este considerou que “as condições para a Ucrânia vencer esta guerra no plano militar, no curto prazo, são muito escassas e que a Ucrânia devia aproveitar o momento para a diplomacia”.

Garantindo que “se a Ucrânia entender continuar o combate, os Estados Unidos continuarão a apoiar”. Na opinião do comentador “esta mensagem é ‘se quiserem continuar a matar-se uns aos outros, tenham a bondade, que nós vamos fornecendo as munições. Mas tenham atenção que não está no horizonte imediato o fim desta guerra'”.

19-11-2022

Espinosa | Segunda Edição das “Obras Completas” em França | in Pléiade

A Pléiade, a mais considerada e prestigiada colecção em França, re-edita as obras completas do nosso Bento de Espinosa. Esta reedição (a primeira edição data de 1954) não é, contudo, uma cópia da anterior. É totalmente nova e inovadora.

Espinosa é filho de portugueses que se fixaram nos Países Baixos, fugindo às odiosas e bárbaras perseguições da Inquisição aos suspeitos de judaísmo. O seu mestre foi o filósofo português Uriel da Costa, também fugido aos mesmos esbirros. A sua língua materna era o português. E, no entanto, o criador da ideia filosófica de Liberdade e um dos grandes filósofos (senão, mesmo, o maior) da história da Europa continua a não ter as suas obras completas disponíveis na sua língua materna. Uma lacuna sem perdão… E uma falha terrível e muito lamentável no “softpower” de Portugal.

Libération: Spinosa, «ami du genre humain» mutant

Le philosophe d’Amsterdam voit ses œuvres complètes publiées une deuxième fois dans la Pléiade. Soixante-huit ans après la première édition, l’auteur de «l’Ethique» apparaît encore plus radical, à la lumière des lectures et exégèses menées depuis.

Est-ce fréquent qu’une prestigieuse collection – une institution – accueille en son sein, par deux fois, les œuvres complètes d’un même auteur ? C’est le cas de Spinosa, qui fait son entrée dans la bibliothèque de la Pléiade déjà en 1954, dans la version de Roland Caillois, Madeleine Francès et Robert Misrahi, et qui s’y retrouve de nouveau aujourd’hui, dans une édition impeccable (incluant, outre tous les textes évidemment, la Correspondance et le plus rare Précis de grammaire de la langue hébraïque), publiée sous la direction de Bernard Pautrat.

Si on ne peut voir là un doublon, c’est qu’il ne s’agit pas du même Spinosa, au sens où, en soixante-dix ans, il a totalement muté sous l’effet de l’«abondance inhabituelle» de lectures et d’exégèses qui ont été faites de son œuvre. Un seul exemple, le Traité politique: il a été longtemps «négligé, voire méprisé par les éditeurs, traducteurs, et même les doctes», alors qu’est évidente sa «fécondité subversive», insupportable à ceux qui n’aiment ni la vérité ni la liberté.

D’une certaine manière, c’est un Spinosa plus «radical» qui est apparu, dont la pensée s’avère irréductible à des formules «percutantes et faciles à retenir» : «philosophe de la joie», «conatus», «persévérer dans son être», «passions tristes», etc. Une pensée construite comme l’ingénieur construit une machine complexe, qui exige qu’on ne «saute» aucun rouage, aucune transition, aucun raccord, si on veut comp …..

https://www.liberation.fr/culture/livres/spinoza-ami-du-genre-humain-mutant-20221116_4UUXRZ3YJJFKVCKW4LS4MYPWWM/?fbclid=IwAR3o5YE3JJyduMu2rhzRZPWMUxN94c-SSFoMVgyOKafXbUODkLDicveU45E

Retirado do Facebook | Mural de José Mateus

Por ocasião do Dia Mundial da Filosofia | André Barata

17-11-2022 | Notas soltas

Ao contrário das ciências, a filosofia não é definida por um objecto nem por um método. Na verdade, revela-se parcialmente nessa diferença. Para a filosofia, o seu método, em vez de ponto de partida, é questão e resposta a que se chega em cada proposta original. E o seu objecto pode ser qualquer um, nada havendo no real reconhecível que se possa dizer à partida filosoficamente inapropriado. Desde que a fenomenologia tomou um cocktail de apricot sorvido à mesa de uma esplanada entre amigos e o tomou com um bom tema de reflexão fenomenológica, nem o mais mundano no mundo desinteressa à filosofia. Como tudo pode ser arte, tudo pode ser filosofia.

Levada a sério a radicalidade bem-querida do seu questionar, a filosofia tem necessariamente de se fazer parte questionada. Por princípio, a pergunta “o que é a filosofia?” é uma pergunta filosófica e filosoficamente incontornável. O que torna a filosofia uma noção aberta e que não se deixa enquadrar. Além disso, uma noção contingente, que depende do acontecimento intelectual de se pôr em questão. Mas, tudo isto faz parte da própria indefinição que caracteriza, de forma necessariamente contingente, a filosofia.

E, contudo, a contingência história perturba a filosofia. Por exemplo, na sua Introdução à Antifilosofia (2009), Boris Groys escreveu que a filosofia é raramente praticada neste tempo de hoje, em que prevalece um saturado mercado de verdades. Como tudo passou a poder ser arte, também tudo passou a poder ser filosofia. O que parece muito – tudo poder ser filosofia – é afinal pouco: trata-se de um tudo pouco disponível, condicionado, até à exaustão dos praticantes, pelo formato da produção e do valor de mercado. Como temos uma anti-arte temos uma anti-filosofia, e ambas deslizam para um lugar de deserto. Não será a arte que se obceca a refutar incessantemente qualquer definição dela mesma um desses exercícios alucinatórios de novidade sem o novo? Não será exactamente assim também com a filosofia, em desenfreada produção de conceitos que se esvaem na própria sofreguidão da atualidade? Já se fez arte e filosofia, mesmo na pobreza; agora, que aderem ao regime da produção de valor, arte e filosofia arriscam a pobreza.

Ou, pelo contrário, não serão a arte e a filosofia os últimos lugares de sentido em que testamos a capacidade de fazer sobrevir o estranhamento que rompe com o banal, com a simples transmissão do movimento que nada mais deixa acontecer? E não vale esta tensão, e inerente ambivalência, para desafiar hoje especialmente a filosofia e a arte?

Continuar a ler

100 anos de José Saramago, (in O Memorial do Convento)

“Quando Baltasar entra em casa, ouve o murmúrio que vem da cozinha, é a voz da mãe, a voz de Blimunda, ora uma, ora outra, mal se conhecem e têm tanto para dizer, é a grande, interminável conversa das mulheres, parece coisa nenhuma, isto pensam os homens, nem eles imaginam que esta conversa é que segura o mundo na sua órbita, não fossem falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta, Deite-me sua benção, minha mãe, Deus te abençõe, meu filho, não falou Blimunda, não lhe falou Baltasar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos.

“Carta para Josefa, minha avó” – José Saramago

“Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo — e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.

Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira — sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-mo tu, ou terei sonhado que o contavas?)

Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos — e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti — e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos, realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas — e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, por que te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida:

«O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!»

É isto que eu não entendo — mas a culpa não é tua.”

Retirado do Facebook | Mural de Amélia Cunha

Efemérides Históricas | Daniel Barenboim

Conductor Daniel Barenboim conducts the West-Eastern Divan Orchestra during the concert rehearsal at the Berlin Philharmonic in Berlin, Germany. BERLIN, GERMANY – MAY 22: (Photo by Jakubaszek/Getty Images)

No dia 15 de novembro de 1942, em Buenos Aires, nascia um exímio pianista e diretor de orquestra, embaixador da paz e único habitante do mundo que ostenta as cidadania Israelita e Palestina, esse dia chegava ao mundo Daniel Barenboim. Filho de Henrique Barenboim e Aida Schuster, ambos pianistas.

Enquanto estudava primária no Instituto Pestalozzi de Belgrano R. estreou em um concerto com apenas 7 anos. Em 1952, a família mudou-se para Israel e depois de estrear no Mozarteum de Salzburgo ficou lá para ter aulas de direção com Igor Markevitch. Depois de ter aulas de harmonia e composição com Nadia Boulanger em Paris estava pronto para conquistar o mundo. Pouco a pouco se abriram todos os palcos do mundo e foi convidado a presidir às orquestras mais importantes.

Dirigiu as Orquestras Filarmônicas de Londres, Paris, Chicago, Viena, Buenos Aires e Berlim. Sendo um cidadão Israelita, em julho de 2001, dirigiu a Staatskapelle de Berlim em Jerusalém. Barenboim ia interpretar o primeiro ato de La Walkiria com três cantores, entre os quais se encontrava o tenor espanhol Plácido Domingo. Antes de começar uma silvatina começou e foi insultado, indignado mudou o repertório. No final e antes do pedido bis, ele esclareceu que ia interpretar Wagner e que quem se incomodasse se retirasse. Por este incidente, foi necessário reflotar o projeto iniciado em 1999 juntamente com o escritor americano de origem palestina Edward Said, a “Orchestra Divan West-East”.

Esta orquestra é formada por promissores músicos judeus e palestinos, com eles realiza turnês mundiais mostrando que ambos os povos podem enfrentar projetos juntos. Por esta iniciativa recebeu elogios e prêmios por todo o planeta. Depois de um concerto em Ramalá, Barenboim aceitou também a cidadania palestina honorária, tornando-se o único homem do mundo com as cidadania israelense e palestina.

Retirado do Facebook | Mural de Efemérides Históricas

Zelensky mentiu | Joe Biden confirma aos aliados da NATO que míssil que caiu na Polónia é ucraniano

O Presidente dos Estados Unidos confirmou esta manhã aos aliados da NATO que o míssil que matou duas pessoas na Polónia faz parte defesa aérea ucraniana, com as autoridades ucranianas a culparem a Rússia com todos os acidentes com artilharia nos países fronteiriços.

Joe Biden confirmou hoje a informação que tinha avançado na véspera, tratando com prudência a queda na Polónia de um míssil inicialmente considerado como russo que fez duas vítimas mortais. Afinal, como confirmou o Presidente dos Estados Unidos aos aliados da NATO que se reuniram de forma urgente esta manhã, o míssil pertence à artilharia ucraniana, uma informação confirmada a várias agências de notícias.

Após Volodymyr Zelenski ter dito ao G20, reunido na Indonésia, que o alegado ataque da Rússia à Polónia era “uma mensagem da Rússia” para este encontro das 20 maiores economias do Mundo que condenou firmemente a guerra na Ucrânia, as autoridades de Kiev já vieram hoje retratar-se, insistindo que Moscovo é responsável por “todos os incidentes que impliquem armamento”.

Após a queda do míssil na aldeia de Przewodow, junto à fronteira com a Ucrânia, a Polónia mobilizou o seu exército, com as autoridades polacas a terem lançado uma investigação sobre este míssil que aparentava ter fabricação russa. A prudência reinou também noutras capitais europeias como Paris, com Emmanuel Macron a dizer já hoje que quer colaborar neste inquérito para se saber o que se passou com este míssil.

Já o novo primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak defendeu que este ataque à Polónia nunca teria acontecido caso a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia, lamentando a intensidade de ataques dos russos às principais cidades ucranianas esta semana.

O Kremlin reagiu às acusações do Ocidente dizendo que “não teve nada a ver” com o míssil que caiu na Polónia e agradeceu a prudência das autoridades norte-americanas que ajudaram a esclarecer a proveniência deste míssil.

Caso o míssil tivesse sido identificado como um ataque russo à Polónia, como este país faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou NATO, as autoridades polacas podiam invocar o artigo 5º do tratado desta instituição que diz que em caso de ataque armado a um dos países que a constituem, este é um ataque armado a todos os aliados, podendo levar a um agravamento no conflito na Europa.

General Raul Luis Cunha | Polónia/Ucrânia 15/11/2022

Face aos desenvolvimentos hoje verificados na guerra na Ucrânia, impõem-se desde já os seguintes esclarecimentos:

A tratarem-se de mísseis S-300 e há fotos dos destroços que o demonstram (salvo posteriores cosméticas), só haverá 3 hipóteses:

(1) Os ucranianos estavam a proceder a uma intercepção e o míssil não atingiu o alvo e o auto-destruidor não funcionou – e isso acontece com os antigos S-300;

(2) O míssil estava inicialmente em mau estado (o que não espanta, pois os sistemas ucranianos são antigos e a sua manutenção muito deficiente) e voou para onde a estava apontado, ou seja, neste caso para a Polónia, ou,

(3) Os ucranianos desenroscaram “um certo parafuzinho” e dispararam contra a Polónia deliberadamente de forma a provocar um incidente internacional que levasse à entrada da OTAN no conflito (aproveitando o momento do bombardeamento russo).

Na minha óptica a hipótese (1) é a mais provável e obviamente os ucranianos aproveitam a onda para tentar pela enésima vez a intervenção da OTAN, dizendo que se trata de um míssil russo e, pior ainda, os polacos também estão a cavalgar estes eventos para arranjarem companhia na sua tão desejada entrada no conflito (até para sacarem algum território). O azar desta malta é que os destroços do míssil permitiram de imediato a sua identificação… agora só mesmo falseando as provas,,,!

NOTA: o míssil S-300 é um míssil anti-aéreo accionado a partir de terra. No entanto pode ser utilizado contra alvos terrestres, mas o seu alcance é de 120 km, o que inviabiliza de todo a possibilidade de terem sido forças russas a lançá-lo.

Retirado do Facebook | Mural do Sr. General Raul Luis Cunha

Pepe Escobar: Imperador Xi, General Armageddon (20.10.22)

20 oct. 2022 | O jornalista Leonardo Attuch entrevista o correspondente internacional Pepe Escobar

0:00 Boas vindas 1:30 Pepe Escobar fala sobre a queda espetacular de Liz Truss 5:00 Boris Johnson voltou à corrida 12:00 Direita nacionalista e esquerda nacionalista podem forjar uma aliança na França. Há pontos de contato entre Melenchon e Le Pen 15:00 Tudo isso se deve ao fracasso do neoliberalismo 22:00 Kiev não decide nada. Todas as ordens vêm de Washington 25:00 Putin sempre mantém a porta aberta para a negociação. E a operação militar especial virou uma ação antiterrorista 32:00 Pepe explica quem é o general Armageddon 37:00 Maior parte da Ucrânia já sofre racionamento energético 40:00 O risco de uma escalada e de um conflito nuclear é real 44:00 Berlusconi sabe ler a opinião pública e pode tirar a Itália do apoio cego à OTAN 46:00 Próximas três semanas são cruciais para o desfecho da guerra 51:00 Republicanos podem cortar o financiamento para a guerra na Ucrânia 55:00 Rússia não fará o primeiro ataque nuclear. E não existe guerra nuclear limitada 1:02:00 Rússia não tem nenhuma preocupação com a eleição brasileira. Vão lidar com o fato consumado 1:04:00 Não é possível dizer que Trump encerraria a guerra da Ucrânia. Mas prioridade número um dos republicanos é a China, não a Rússia 1:06:00 Praticamente não se fala sobre a eleição brasileira 1:10:00 Pepe fala sobre o Congresso do Partido Comunista Chinês 1:13:00 Mensagem de Xi ao mundo é de respeito aos países e de defesa do mundo multipolar. O Império está canibalizando até o seu jardim 1:17:00 Há uma nova cortina de ferro do Báltico até o Mar Negro 1:30:00 Putin conseguiu atrair Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos 1:34:00 Uma vitória do Lula seria a vitória do Sul Global. A grande questão é: vão deixar governar? Bolsonaro é o candidato de Wall Street, do capitalismo de cassino 1:49:00 Xi já tem a dimensão de Mao e Deng

Os deuses são o fruto do ingénuo espanto humano ante a assombrosa realidade das coisas | António Mora, heterónimo de Fernando Pessoa

«António Mora»

[Entrada in Fernando Cabral Martins (coord.), Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo, Lisboa, Caminho (no prelo)]

Fernando Pessoa é o maior poeta português do século XX e um dos maiores da Modernidade europeia. Contudo, a sua maior genialidade estará, porventura, na criação/construção (mítica ─ «Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da humanidade» (OAM, I, 22, p.109) do theatrum mundi heteronímico («fragmentarismo sistemático»). O Dr. António Mora é uma delas, juntamente com Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e com o semi- heterónimo Bernardo Soares. Todos eles constituem o hiperespaço da máquina de produzir multiplicidades, de «sentir tudo de todas as maneiras», em que «cada canto da minha alma é um altar a um deus diferente» (A.Campos). Cada uma dessas figuras faz parte do «jogo heteronímico». No seu conjunto, estamos perante o que costumamos designar por «quadratura do círculo» heteronímico (de base quadrada – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Fernando Pessoa – e tendo por ‘hipotenusa’ Bernardo Soares e António Mora). Isto explica que a obra de cada um deles mais não seja do que «os meus livros d’outros», tratando-se, não de «um processo novo em literatura, mas de uma maneira nova de empregar um processo já antigo» (OAM, I,22, p.109).

Mas quem é este “médico da cultura”? António Mora aparece num conto sanatorial intitulado «Na Casa de Saude de Cascaes» (OAM, I, 01-20, pp. 93-105). Este título é anterior ao aparecimento da heteronímia (1912-1914), pois surge num plano de 1907-1910 com a indicação «Contos intellectuaes», junto à tradução do conto de Alexander Search «Um jantar muito original». Por outro lado, e apesar de nenhum dos documentos assinados por António Mora se encontrar datado, sabe-se que este heterónimo o acompanhou até aos últimos dias de vida, sendo referido em dois documentos pertencentes a 1931. Segundo um dos projectos (OAM, I,47, p.155), Pessoa planeou incluir nesse sanatório as várias figuras desse «grupo», o que pressupõe a amplificação da componente sanatorial a toda a heteronímia.

 Ensaio Completo | http://luisfilipeteixeira.com/ensaios.php?cat=2&ensaio=34

Ópera-performance Sun & Sea | Fundação Calouste Gulbenkian | por André Barata

Em Sun&Sea, a praia é uma janela para a sociedade. Vemo-la de cima e são muitas janelas. Os pensamentos de praia que ocorrem aos veraneantes são umas tantas, a compor um libreto cantado. Ouve-se e vê-se desigualdade, frivolidade, indiferença, compromisso político, encantamentos, diversidade, os corpos a ocuparem-se gestos de afirmação. Os livros ou revistas que eles lêem, o que comem, como se deitam na praia, no que se deitam são outras tantas janelas.

A praia é um caleidoscópio de presenças tácitas, murmúrios para dentro, da sociedade, apresentados sob o mesmo sol, a dividirem o espaço exíguo com espreguiçadeiras, toalhas, esteiras, cangas. Poderia ser uma distopia, ou a imagem dela. Não faltam razões. Nem um cão. E, no entanto, quando termina a ópera resistimos a sair. Já nos despimos alguma coisa, a entrar naquele tempo que conhecemos da praia, que dura o que o Sol der em calor. Talvez a utopia não esteja à distância da praia mais próxima, mas há ali uma força de partilha do Sol e daquele tempo que pode derreter aquela exiguidade que escancara o outro lado das janelas.

Haja praia para todos…

André Barata

Do perigo de pensar e de ler os tempos | Carlos Matos Gomes

Julgo que nós, os humanos, temos a convicção de que nos distinguimos das outras espécies e principalmente dos outros semelhantes porque pensamos. Não sei se essa convicção resiste a um pensamento mais frio. Pensamos individualmente, mas esse pensamento, que nos dota de individualidade, é fruto da necessidade de tratarmos da nossa vida, de sobrevivermos e está então mais próximo dos instintos básicos do que da racionalidade.

Contudo, desde muito cedo somos induzidos pelos que nos cercam a acreditar sem pensar, a acreditar que temos de pensar coletivamente porque nos unem referências e projetos de vida comum e a coesão da sociedade é essencial para a sua sobrevivência em competição com as outras. A convicção de que é natural numa dada sociedade todos partilharem no essencial dos mesmos pensamentos tem expressão em slogans muito difundidos, «a união faz a força», «e pluribus unum» (entre muitos, um), ou dos mosqueteiros: um por todos, todos por um e até o Deus, Pátria e Família.

No entanto, quando ouvimos líderes de grandes nações, personagens do tipo de Trump, ou de Bolsonaro, de certos bispos católicos, ou pregadores evangelistas, aytollahs e rabinos, de certos oligarcas como Elon Musk parece ser legítima a dúvida sobre a existência de um pensamento entre os humanos. Essas personagens comportam-se de acordo com um código próprio de outra espécie, das que se atiram a tudo o que brilha — caso dos espadartes — e a tudo o que mexe no seu raio de ação — caso dos toiros.

A existência dessas personagens e da multidão de fiéis e crentes que os seguem e se identificam com eles justifica que, enquanto céticos, nos interroguemos se será natural existir um pensamento coletivo em sociedades de estruturas complexas, hierarquizadas, social e politicamente desiguais. Ou será o pensamento coletivo uma construção artificial para facilitar o domínio de um ou de uns grupos sobre a sociedade, destinado a fazer parecer natural o que é uma ideologia de sujeição?

Continuar a ler

Operação Militar da Rússia na Ucrânia | Raul Luís Cunha

Nos oito anos anteriores à Operação Militar da Rússia na Ucrânia, o exército ucraniano estava a combater activamente no Donbass, tendo sofrido por vezes alguns cercos e revezes e tendo experimentado muitas outras situações menos agradáveis. Durante esses oito anos (sobretudo nos primeiros), as Forças Armadas da Ucrânia cometeram a maioria dos possíveis erros numa guerra em todos os níveis de comando do exército, mas foram igualmente rápidas em corrigi-los. Todo esse processo decorreu com a participação activa de conselheiros e instrutores da OTAN, bem como com o apoio financeiro e logístico do Ocidente. De facto, no início da invasão russa, o exército ucraniano estava quase no auge das suas capacidades. Pode ainda ser dito, que desde o início da invasão, as FA ucranianas também ganharam mais experiência, mas não melhoraram muito mais, pois as suas capacidades já estavam quase no limite.

Por outro lado, o exército russo, iniciou o combate na Ucrânia sem nenhuma experiência em operações de combate em larga escala contra um adversário possuidor de elevada tecnologia. A experiência tida na Síria não foi essa: Aí, os oponentes não estavam tão evoluídos em termos de armamento e tecnologia, e as funções da infantaria do lado russo foram desempenhadas e a respectiva experiência foi obtida, principalmente pelas forças mercenárias Wagner e não pela infantaria regular. Somente com o início da operação militar na Ucrânia resultaram óbvias as falhas a todos os níveis nas Forças Armadas Russas. Falhas na logística, falhas no comando das tropas e na coordenação entre os ramos das forças armadas, e ainda o facto de as tácticas de combate estarem ultrapassadas para as condições actuais. Mau grado um bom desempenho ao nível da arte operacional, muitos outros erros e problemas foram evidenciados logo no início da operação militar.

Continuar a ler

Encontro literário com o sertão | Adelto Gonçalves

Escritores discutem em Arinos temas ligados ao interior de Minas Gerais e Goiás

                                                     I
            O poeta, romancista e contista Napoleão Valadares (1946) é autor de Delírio Lírico (Rio de Janeiro, Edições Galo Branco, 2008), obra que tem tudo para se tornar um clássico da poesia brasileira deste século XXI. Trata-se de um poema construído em decassílabos brancos, sem estrofes, cujos cantos têm 49 versos cada um, exceto os de números V, VI e VII, num total de 1.759 versos, numa narrativa épica que funde a linguagem clássica à popular. E que abrange, em ordem cronológica, mais de 30 séculos de história, que se inicia com a Guerra de Troia (século XIII a.C. ), passando por Sócrates, Platão, Aristóteles, até chegar praticamente aos nossos dias, como bem assinalou o poeta e crítico João Carlos Taveira em rica resenha publicada no Jornal Opção, de Goiânia, em 15/11/2020.
            Dono de extensa obra que inclui mais de três dezenas de livros, Valadares, que também se destaca como organizador de coletâneas e antologias, acaba de publicar Encontro de Escritores em Arinos (Brasília, André Quicé Editor, 2022), que reúne quatro palestras que foram lidas no dia 22 de maio de 2022, durante evento organizado pelo escritor com o patrocínio da Prefeitura de Arinos, em Minas Gerais: “A Literatura Brasileira”, por Anderson Braga Horta; “A água do Urucuia”, por Eugênio Giovenardi; “Antônio Dó, um jagunço urucuiano”, por Marcos Sílvio Pinheiro ; e “A obra de Guimarães Rosa”, por Wilson Pereira.
            Em sua palestra, Braga Horta fez um voo panorâmico sobre a literatura brasileira, desde a carta em que Pero Vaz de Caminha (1450-1500) comunicava ao rei dom Manuel I (1469-1521) as suas primeiras impressões da paisagem e do potencial econômico da terra “descoberta” até o Pré-Modernismo e Modernismo do século XX, depois de exauridos o Realismo e o Simbolismo, incluindo os movimentos de vanguarda. Em conclusão, Braga Horta reconheceu que a literatura praticada o Brasil não é muito estudada fora dos países de expressão portuguesa, ainda que seja extremamente rica e “sobejamente caracterizada como literatura nacional, brasileira, típica, sem perda de universalidade, sem xenofobia, sem chauvinismo, mas aberta aos ventos do mundo”.

Continuar a ler

Acordo de Belfast | Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

 Acordo de Belfast (também conhecido por Acordo da Sexta-feira Santa) foi assinado em Belfast em 10 de abril de 1998 pelos governos britânico e irlandês e apoiado pela maioria dos partidos políticos norte-irlandeses.[1][2][3][4][5] O acordo tinha por finalidade acabar com os conflitos entre nacionalistas e unionistas sobre a questão da união da Irlanda do Norte com a República da Irlanda, ou sua continuação como parte do Reino Unido.[1][3]

O acordo foi aprovado pela maioria dos votantes tanto na Irlanda do Norte como na República da Irlanda, chamados a pronunciar-se em referendos separados, em maio de 1998.[1][2][4][5]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_de_Belfast

DiEM25 tem um plano para restabelecer a paz na Ucrânia

Enquanto a guerra na Ucrânia continua, não temos estado apenas nas ruas a exigir o fim deste derrame de sangue. No espírito da democracia, e das políticas realistas – mas também radicais – que guiam o DiEM25, perguntámos aos nossos membros: qual deve ser a nossa proposta para a paz na Ucrânia?

Agora, depois de muita discussão interna e de uma votação de todos os membros, temos uma resposta. O nosso plano de paz com cinco pontos exige:

  • Um cessar-fogo imediato, seguido de uma retirada das tropas russas de acordo com as linhas fronteiriças anteriores à guerra;
  • A criação de uma zona totalmente desmilitarizada, que se estenda por 200 km de cada lado dessas linhas fronteiriças;
  • Um protocolo de não-agressão, baseado no reconhecimento de que a Ucrânia é um país soberano e neutro, que não permite armas nucleares no seu território;
  • Uma estrutura de governação para as áreas do leste e sul da Ucrânia com base no Acordo de Belfast na Irlanda do Norte; *ver URL da wikipedia
  • Todas as partes concordam em remeter as disputas pendentes a negociações mediadas pela ONU.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_de_Belfast

Agora vem a parte difícil: a construção de um movimento e a organização da sociedade civil por toda a Europa, para tornar esta paz numa realidade.

O DiEM25 e os nossos partidos políticos estão prontos para fazer justamente isso. Este sábado vai nascer mais um partido nacional cujos estatutos e programa político foram também aprovados transnacionalmente pelos nossos membros em toda a Europa: O MERA25 Itália.

Se estiveres em Roma no dia 12 de Novembro, junta-te a nós no Acquario Romano às 11h00 para um evento de lançamento especial com Yanis Varoufakis, organizações da sociedade civil italiana, e DiEMers de toda a Itália e Europa.

Se não estiveres em Roma, podes sempre contribuir para este novo passo do movimento, fazendo uma doação.

Carpe DiEM!

Lucas | Diretor de Comunicação do DiEM25

2 | Poesia | Zeca Afonso

Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas tempo que o vento

É meu amigo também

Em terras

Em todas as fronteiras

Seja bem-vindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também

Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte

todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram

Traz outro amigo também

Os oligarcas estão a aparecer à luz do dia | por Carlos Matos Gomes | Artigo do Le Monde

Compremos ações das suas empresas em vez de irmos votar!

Tal como o proscrito DDT que era espalhado pelos soalhos de madeira apodrecida fazia aparecer as baratas à luz do dia, a guerra na Ucrânia teve como um dos efeitos colaterais fazer surgir nos palcos do poder, sem disfarces nem homens por si os oligarcas ocidentais das tecnologias da informação, o setor decisivo na atual fase das civilizações dominantes. Os exemplos mais claros são os de Elon Musk (SpaceX, Starlink, Twiter) e de Marc Zukerberg (Facebook/Meta), que dominam as mais importantes redes de dados do planeta e vão despedir milhares de “colaboradores” para concentrarem força (capitais) nos segmentos nucleares do negócio: a investigação e desenvolvimento de novos produtos que lhes assegurem vantagens competitivas no futuro. Eles percebem que têm de estar à frente dos outros e isso implica agir num mercado global, vender um produto essencial e tornar dependentes de si todos os detentores de algum poder. Os despedimentos são uma poda regeneradora para fortalecer as “máquinas” de impor o pensamento único, de normalizar comportamentos, de apresentar a submissão como uma atitude libertadora e fruto da vontade e livre arbítrio. A campanha de manipulação sobre a guerra da Ucrânia demonstra que esta ordem pode ser imposta com o passarinho azul do Twiter e as argolas do Meta que substituiu o FB e que os fiéis ainda vão pagar para fazer parte da igreja, o que é, aliás, uma prática milenar.

Para estes oligarcas tecnológicos (de quem dependem os agora “famosos” nómadas digitais) o regime político, qualquer que seja a intervenção dos seres comuns na vida das comunidades, funciona apenas como um legitimador de negócios e como uma máscara que ilude a concentração de poder como uma calçadeira. Para os oligarcas o regime político é tão indiferente como os sapatos serem de pala ou de atacadores, desde que eles lá possam meter os pés.

Paulatinamente e ao longo do tempo, os oligarcas foram-se aproximando diretamente do poder, das suas alavancas, recrutando “colaboradores” para as suas políticas, presidentes, ministros, deputados e marionetas que evitassem sujarem as mãos de sangue, mas os tempos estão a mudar, os recursos do planeta são finitos, aproximam-se graves conflitos de luta pela sobrevivência de grandes massas de povos no Primeiro e no Segundo Mundo e eles querem garantir a sua sobrevivência. Há que dar o corpo ao manifesto, ir para ponte de comando. Quem quer vai, quem não quer manda!

Douglas Rushkoff, professor de Media Theory e Economia Digital na Universidade de Nova Iorque, considerado um dos mais importantes pensadores do mundo pelo MIT, é autor do livro «Team Human» (2019), onde descreve a experiência por que passou quando foi convidado por um seleto grupo de oligarcas (cem multimilionários americanos acionistas de bancos de investimentos) para um seminário à porta fechada sobre o futuro. Concluiu: “Os ricos estão a planear deixar-nos para trás!” (Antigamente planeavam andar à nossas costas.)

Continuar a ler

INCOMODIDADES NEOLIBERAIS | por J. Manuel Correia Pinto (Jurista)

«Tanto os neoliberais como os seus aliados ostensivos ou envergonhados ficaram muito incomodados por Trump em quatro anos de mandato do Estado militarmente mais poderoso do mundo não ter desencadeado nenhuma guerra, ter acabado com outra que durava há dezassete anos, ter estabelecido relações cordiais com a Rússia e a Coreia do Norte, ter considerado a OTAN uma aliança anacrónica e sem futuro e ter ridicularizado a pseudo esquerda, politicamente correcta, que se abriga no Partido Democratico, pela defesa de causas imbecis que nada interessam ou até são rejeitadas pela maioria da população americana marginalizada e afectada pela política neoliberal.

A guerra na Ucrânia permitiu aos neoliberais que dominam a OTAN recrudescer a política belicista e expansionista da Organização, cercear drasticamente as liberdades públicas, proibindo e eliminando fontes de informação alternativas, criar por via das suas centrais de intoxicação um clima maniqueísta que faz com que imediatamente sejam associados aos “maus” todos aquele que apenas visam dar uma informação isenta tanto das causas do conflito como do seu desenvolvimento, impedindo a apresentacão ao público de uma informação plural e digna .

Os “moralistas” da guerra na Ucrânia são os aliados objectivos da OTAN, também de Zelensky e da sua camarilha. Impossibilitados pela sua “formação moral” de apoiar, justificar ou apenas compreender a acção da Rússia, aliam- se à OTAN, a Biden e a Ursula na diabolização de Putin e da sua ditadura (uma ditadura em que os potencialmente mobilizáveis para a guerra, que a ela se opõem ou nela não querem participar, puderam cruzar livremente as fronteiras do país, abandonando-o de carro).

Continuar a ler

1 | Poesia | Luís Vaz de Camões

Oh, que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

Os Lusíadas, (Canto IX, 83)

Luís Vaz de Camões

O TERRAMOTO QUE AINDA NÃO ACABOU | Viriato Soromenho Marques | Opinião/DN

Em 1955, no bicentenário do grande terramoto de Lisboa de 1 de novembro 1755, o município da capital publicou uma antologia contendo os 3 textos de Kant (1724-1804), traduzidos por Luís Silveira, sobre essa catástrofe.

Os opúsculos de Kant – que procuravam explicar o grande sismo no quadro de leis naturais próprias autónomas, indiferentes tanto aos desígnios humanos como aos caprichos de uma qualquer divindade castigadora – são apenas uma parte dos muitos textos de grandes autores, como Voltaire e Rousseau, que foram profundamente afetados pela tragédia da mártir capital portuguesa, então uma das mais importantes cidades mundiais.

Ainda hoje abundam os ensaios que voltam à tripla catástrofe lisboeta (sismo, tsunami e incêndio) na perspetiva de avaliar o seu impacto filosófico e cultural na mudança da cosmovisão ocidental.

O que estava (e está) em causa consiste em compreender como o debate sobre o terramoto de 1755 provocou o corte abrupto com uma visão caracterizada pela confiança na bondade do mundo e no otimismo relativamente ao nosso lugar nele.

Continuar a ler

Deana Barroqueiro | a ignorância arrogante e o circo da fama.

Nos tempos que correm, começo a ter dificuldade em distinguir certos “activistas de grandes causas”, como a crise ambiental, a salvação do planeta, o racismo, a escravatura – em particular os dos movimentos criados nas redes sociais –, de simples vândalos, incultos e arruaceiros.

Destruir estátuas, que há séculos existem nas cidades e são testemunhos (bons e maus, mas testemunhos) da história colectiva de um povo, vandalizar obras de arte expostas em museus para usufruto de todos, alguma das quais são património da Humanidade, fazer censura e coarctar a liberdade de expressão, porque qualquer palavra que se use pode ofender alguém ou algum grupo. E há milhares e milhares de grupos de indivíduos “com grandes causas”, nas quais embarcam, muitas vezes por falta de estudo ou de reflexão, sem saberem o que elas representam no seu contexto ou porque acreditam nas mais bizarras e estapafúrdias teorias da conspiração.

Que contributo traz à defesa das alterações climáticas a destruição de uma pintura com décadas ou séculos de existência? Ou de uma estátua? Estas acções que me parecem feitas apenas para os “heróis” aparecerem nas televisões e terem os seus minutos de “fama”, com o nobre e altíssimo protesto de atirar o conteúdo de latas de sopa sobre os quadros dos grandes mestres (que eles não devem ter sequer capacidade ou sensibilidade para lhes apreciarem a beleza), irá seguramente ser continuada em mais países por outros primatas imitadores que pululam nas redes sociais.

Outra grande causa destes novos paladinos, pelo menos aqui, em Portugal, é a escravatura, não a moderna dos trabalhadores imigrantes e das mulheres e crianças para escravas sexuais – que existe a seu lado e de que estes justiceiros não tomam nota, mesmo quando vem plasmada nos jornais –, mas do tráfico de escravos de há 500 anos, uma valência económica universal nessa era (no Oriente e nos países muçulmanos existia desde tempos imemoriais; nas potências europeias que tinham impérios, como a Inglaterra, Holanda e a Bélgica, prolongou-se até ao século XX, muito depois de Portugal ter posto fim a esse comércio, em 1761).

Ora, se há países que têm de pedir desculpa pelo tráfico de escravos feito há séculos, terão de ser, antes de quaisquer outros, os países africanos cujos sobas e reis arrebanhavam os seus conterrâneos e vinham vendê-los nas feitorias, primeiro aos muçulmanos e depois aos portugueses e aos holandeses e outras potências escravagistas.

Graças a esta ignorância crassa e a um enviesado sentido do “politicamente correcto”, ficámos sem um Museu dos Descobrimentos ou da Expansão,que incluiria a escravatura, mas um museu nacional e abrangente, que o país merece e necessita (até para ensinar a que não sabe), por ser um período em que Portugal estava na dianteira da maioria dos países, quer nas ciências (como Medicina, Navegação, Geografia, Botânica, Astronomia, etc.), quer nas artes ou na literatura, em que ligou o oceano Atlântico ao Índico (um feito maior do que o de Fernão de Magalhães), contribuindo como nenhum outro para o Conhecimento do Mundo, desfazendo mitos e ignorância.

Devemos ser o único país do mundo, em que os seus naturais, em vez de mostrarem o que de melhor ele tem ou fez, não só procuram mostrar apenas o que é negativo, como mancham e aviltam tudo o que se fez de bom em 880 anos de História, uma História riquíssima de que nos devíamos orgulhar.

Eu jamais deixarei de dizer o que penso e não peço desculpa por qualquer tema, palavra ou ideia que esteja nos meus livros, que tratam precisamente destas épocas, por mais ofensivas que sejam para os defensores do “politicamente correcto”. Tenho uma vida longa que testemunha a minha luta contra as injustiças, o racismo, a misoginia, a ignorância. Não tenho pachorra para a ignorância arrogante e o circo da fama.

Retirado do Facebook | Mural de Deana Barroqueiro

Paulo Raimundo, o homem dos vários ofícios que chega a secretário-geral do PCP | in Lusa

A infância foi passada entre a vivência “de rua” e a acompanhar a mãe nos trabalhos na agricultura, nas limpezas e nas obras. Aos 46 anos é o novo líder do PCP, partido ao qual se juntou em 1991, aquando da implosão da União Soviética.

Paulo Raimundo entrou para os órgãos diretivos mais restritos do PCP no último Congresso, em 2020, e exerceu vários ofícios que o ligam ao mundo do trabalho, substituindo, aos 46 anos, Jerónimo de Sousa na liderança do partido.

Nas notas biográficas divulgadas pelo PCP, destaca-se que o dirigente comunista “começou como carpinteiro, foi padeiro e animador cultural na Associação Cristã da Mocidade na Bela Vista”, realidades que “lhe permitiram medir o pulso às “contradições do dia-a-dia”, como os baixos salários, a exploração e a precariedade, mas também a “camaradagem e solidariedade” entre os trabalhadores.

A divulgação do nome proposto para secretário-geral, depois de uma “auscultação” às estruturas comunistas, foi feita pelo gabinete de imprensa do PCP em comunicado ao início da noite de sábado e causou alguma surpresa já que Paulo Raimundo é conhecido nas bases do partido mas relativamente desconhecido na esfera mediática.

Num comício comemorativo dos 101 anos do PCP, no início do ano, fez uma intervenção com o título “a força organizada dos trabalhadores é capaz de tudo” e pronunciou-se contra o aumento do custo de vida, da alimentação à energia, que atribuiu a uma “autêntica pilhagem liberal que há muito está em curso”.

O dirigente aderiu à JCP em 1991, e ao PCP em 1994, passando a funcionário dez anos depois. Apenas dois anos depois de se filiar, é eleito membro do Comité Central e e 2016 sobe ao Secretariado. Em 2000, no XVI Congresso, em 2020, é eleito para a Comissão Política do Comité Central comunista, acumulando a presença nos dois órgãos mais restritos da direção, ao lado de nomes como Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes, Jorge Cordeiro e José Capucho.

Continuar a ler

Pascal Boniface | les Etats-Unis, un danger stratégique pour la planète

Directeur de l’Institut de relations internationales et stratégiques (IRIS), Pascal Boniface publie un nouveau livre, «Requiem pour le monde occidental. Relever le défi Trump». Il y explique comment, par leur unilatéralisme et leur volonté hégémonique, les Etats-Unis sont devenus une source d’insécurité pour l’ensemble de la planète. Le concept de “monde occidental” est désormais largement obsolète: Europe et Etats-Unis ont aujourd’hui des intérêts différents voire divergents. Rester ancré dans la traditionnelle alliance trans-atlantique telle qu’elle fut conçue au temps de la Guerre froide interdit de penser les nouveaux déséquilibres et les nouveaux enjeux de la planète. Il est plus que temps que l’Europe construise son autonomie stratégique. Un entretien à voir également sur Mediapart.

ORDEM DOS ENGENHEIROS | A REGIÃO SUL INFORMA | Lisboa 4 de Novembro de 2022

COMUNICADO

O Conselho Diretivo da Região Sul iniciou as suas funções a 1 de abril p.p., na sequência das eleições ocorridas a 12 de fevereiro, tendo 4 dos seus membros decidido apresentar a renúncia ao mandato, o que, nos termos do Estatuto da Ordem dos Engenheiros e do Regulamento de Eleições e Referendos, determina a ausência de quórum e a consequente obrigação de serem marcadas eleições extraordinárias para o Conselho Diretivo.

O Conselho Diretivo Nacional deliberou fixar o dia 2 de fevereiro de 2023 para a realização de Eleições Extraordinárias para o Conselho Diretivo da Região Sul, a eleger até ao final do presente mandato, nos termos de Edital hoje publicado.

Lisboa, 4 de novembro de 2022

Luís Machado

Presidente Conselho Diretivo da Região Sul

As (in)dependências da Europa | Major-General Carlos Branco

– Tempestade.

Ao contrário do que afirmam os dirigentes europeus, a transição energética, tecnológica e industrial que a Europa pretende trilhar não vai conduzir à sua autonomia ou independência, mas sim aumentar as suas dependências, agora da China, em vez da Rússia.

Tanto Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, como Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, têm-se pronunciado repetidas vezes sobre a autonomia estratégica e a independência energética da União Europeia.

Temos dúvidas como conseguirá a União atingir esses objetivos tão ambiciosos, perante a série de dependências que as tensas relações entre a China e os EUA, a crise da Covid-19 e a guerra na Ucrânia trouxeram à tona de água, não só em matéria de comércio, investimento e cadeias de abastecimentos, como das matérias-primas necessárias à transição energética e tecnológica, que a União pretende implementar. Um dos aspetos que os oito meses de guerra tornaram evidente é o facto do modelo de desenvolvimento económico europeu assente em matérias-primas baratas, que lhe permitiam obter vantagens competitivas no mercado global, se encontrar esgotado.

Um relatório efetuado no âmbito da Comissão Europeia identificava 137 dependências da União. Dessas, 52% tinham origem na China, e apenas 3% na Rússia. Sem se estabelecer uma relação com a natureza do impacto de cada uma delas, a sua contabilização é um instrumento de análise insuficiente.

Preocupar-nos-emos neste texto apenas com as dependências de maior impacto na tão almejada transição energética e tecnológica. Pensamos nas novas tecnologias altamente exigentes em dados (comunicações móveis de quinta/sexta geração, inteligência artificial, quantum computing, robotização, biotecnologia, veículos sem condutor, aparelhos médicos de alta performance, a designada “internet das coisas” e as indústrias de defesa) que definirão o futuro paradigma tecnológico e industrial.

Continuar a ler

Sondagem CNN Portugal | O “Estado da Opinião” dos portugueses mostra um país baralhado sobre a TAP e muito decidido sobre a localização do novo aeroporto.

O trabalho de campo decorreu entre 5 e 7 de janeiro de 2022.

Os portugueses querem manter a TAP, desde que o Estado não tenha de pagar. Uma sondagem da Aximage para a CNN Portugal conclui que 44% dos inquiridos discordam de ajudas financeiras à transportadora aérea, por oposição a 32% que aceitam a reestruturação da TAP e a consequente fatura.

Para 57% dos inquiridos não restam dúvidas de que a TAP é importante para o país, devendo-se manter a companhia aérea. Já 22% viveriam bem sem a ter.

Na discussão sobre o novo aeroporto em Lisboa, tema que atravessou governos, os portugueses tomam partido:

  • 69% acham que não é uma prioridade.

E se não acompanham o entusiasmo pela existência de um novo aeroporto, menos ainda sobre a sua localização.

Há um dado a reter nesta sondagem:

  • 41% dos portugueses preferem manter Humberto Delgado como aeroporto principal e Montijo como complementar, mas 29% nem tem opinião sobre o assunto.

https://cnnportugal.iol.pt/aeroporto/sondagem-cnn-portugal-57-dos-portugueses-consideram-que-a-tap-e-importante-para-o-pais-desde-que-nao-tenham-de-a-pagar/20270130/61df969b0cf21a10a419477e

A posição da Alemanha na Nova Ordem Mundial da América | Michael Hudson | 3 de Novembro de 2022 | Opinião

O Conselho Alemão de Relações Externas é um braço neoliberal “libertário” da NATO que exige a desindustrialização alemã e a dependência dos EUA para o seu comércio, excluindo a China, a Rússia e os seus aliados. Este promete ser o último prego no caixão económico da Alemanha.


AAlemanha tornou-se um satélite económico da Nova Guerra Fria da América com a Rússia, China e o resto da Eurásia. Foi dito à Alemanha e a outros países da NATO que impusessem a si próprios sanções comerciais e de investimento que durariam mais tempo do que a guerra por procuração de hoje na Ucrânia. O presidente dos EUA Biden e os seus porta-vozes do Departamento de Estado explicaram que a Ucrânia é apenas a arena de abertura numa dinâmica muito mais vasta que está a dividir o mundo em dois conjuntos opostos de alianças económicas. Esta fractura global promete ser uma luta de dez ou vinte anos para determinar se a economia mundial será uma economia americana unipolar, centrada no dólar, ou um mundo multipolar, com múltiplas moedas, centrado no coração da Eurásia com economias mistas públicas/privadas.

O presidente Biden caracterizou esta divisão como sendo entre democracias e autocracias. A terminologia é tipicamente orwelliana de língua dupla. Por “democracias”, ele refere-se às oligarquias financeiras ocidentais americanas e aliadas. O seu objectivo é desviar o planeamento económico das mãos dos governos eleitos para Wall Street e outros centros financeiros sob controlo dos EUA. Os diplomatas americanos utilizam o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para exigir a privatização das infra-estruturas mundiais e a dependência da tecnologia dos EUA, petróleo e exportações de alimentos.

Por “autocracia”, Biden quer dizer países que resistem a esta tomada de controlo da financeirização e da privatização. Na prática, a retórica dos EUA acusa a China de ser autocrática na regulação da sua economia para promover o seu próprio crescimento económico e nível de vida, sobretudo mantendo as finanças e a banca como serviços públicos para promover a produção tangível e a economia de consumo. O que está basicamente em questão é se as economias serão planeadas pelos centros bancários para criar riqueza financeira – através da privatização de infra-estruturas básicas, serviços públicos e serviços sociais tais como cuidados de saúde em monopólios – ou através da elevação do nível de vida e prosperidade, mantendo a criação de bancos e dinheiro, saúde pública, educação, transportes e comunicações nas mãos do público.

Continuar a ler

Penthouse Lisboa 204 | Lisbonne, Portugal | Excellent emplacement | voir la carte | Proche du métro | Booking.com

L’établissement Penthouse Lisboa 204 accueille des clients Booking.com depuis le 26 janv. 2016.

Lisbonne – séjournez au cœur de la ville.

Putin | ‘A situação é, até certo ponto, revolucionária’ | por Pepe Escobar, analista geopolítico, escritor e jornalista independente | in GeoPol

A Rússia não tem e não se considera um inimigo do Ocidente.

A Rússia tentou construir relações com o Ocidente e com a NATO – para viverem juntos em paz e harmonia. A sua resposta a toda a cooperação foi simplesmente ‘não’”.

31/10/2022

Putin de facto conseguiu acertar onde estamos: à beira de uma Revolução | Pepe Escobar


Num discurso abrangente na sessão plenária da 19ª reunião anual do Clube Valdai, o presidente Putin fez não menos do que uma crítica devastadora e multifacetada à unipolaridade.

De Shakespeare ao assassinato do general Soleimani; das reflexões sobre a espiritualidade à estrutura da ONU; da Eurásia como berço da civilização humana à interligação do BRI, SCO e INSTC; dos perigos nucleares àquela península periférica da Eurásia “cega pela ideia de que os europeus são melhores que os outros”, o discurso pintou uma tela de Brueghel-esca do “marco histórico” que se nos depara, em meados da “década mais perigosa desde o fim da Segunda Guerra Mundial”.

Putin aventurou-se mesmo a dizer que, nas palavras dos clássicos, “a situação é, até certo ponto, revolucionária”, pois “as classes altas não podem, e as classes baixas já não querem viver assim”. Portanto, tudo está em jogo, pois “o futuro da nova ordem mundial está a ser moldado diante dos nossos olhos”.

Muito para além de um slogan cativante sobre o jogo que o Ocidente está a jogar, “sangrento, perigoso e sujo”, o discurso e as intervenções de Putin nas perguntas e respostas subsequentes devem ser analisados como uma visão coerente do passado, presente e futuro. Aqui oferecemos apenas alguns dos destaques:

“O mundo está a assistir à degradação das instituições mundiais, à erosão do princípio da segurança colectiva, à substituição do direito internacional por ‘regras’”.

“Mesmo no auge da Guerra Fria, ninguém negou a existência da cultura e da arte do Outro”. No Ocidente, qualquer ponto de vista alternativo é declarado subversivo”.

“Os nazis queimaram livros. Agora os pais ocidentais do ‘liberalismo’ estão a proibir Dostoevsky”.

“Há pelo menos dois ‘Ocidentes’. O primeiro é tradicional, com uma cultura rica. O segundo é agressivo e colonial”.

“A Rússia não tem e não se considera um inimigo do Ocidente.

Continuar a ler

ANTÓNIO COSTA | por Francisco Seixas da Costa

Faço parte das pessoas – e somos bastantes, a maioria, como se tem visto – que vivem muito confortáveis com o facto de António Costa estar hoje a liderar o governo. Não vislumbro, no “mercado” político doméstico, ninguém que junte em si mais qualidades para gerir o nosso país.

Não esqueço, e agradecerei sempre, a serenidade firme com que nos conduziu durante a pandemia. O peso que tem vindo a ganhar no plano europeu – um prestígio cujos efeitos desejo que se esgotem exclusivamente no plano nacional – é a prova provada do seu êxito.

Até na gestão do “tandem” que tem feito com o presidente da República, dossiê bastante mais complexo do que parece, António Costa tem revelado uma sábia habilidade. E faço parte de quantos valorizam bastante este último conceito.

Chegado a este ponto, os leitores devem estar à espera daquela frase com que os ingleses relativizam o que acabam de afirmar: “Having said that…” Ela aqui vai: não aprecio, mesmo nada, o tom que, crescentemente, António Costa tem vindo a adotar nas suas intervenções parlamentares.

Era expectável que, com o reforço de dois partidos da direita radical nas últimas eleições, o parlamento entrasse em crescente crispação. Com ambos a apelar ao pior dos sentimentos dos portugueses – um pelo populismo mais baixo, outro pela arrogância a-social -, posso perceber que António Costa se sinta frequentemente irritado e propenso a uma reação vocal mais robusta. Mas é aqui que reside o seu erro.

O primeiro-ministro de Portugal deve demonstrar, em todas as ocasiões, que se recusa a descer ao patamar dos preconceitos, rasteiros ou sobranceiros, com que aqueles grupos de representação ideológica extrema ali sustentam as suas intervenções. Fazê-lo é entrar numa chicana que só confere visibilidade e relevância a quem procura ganhar protagonismo à sua custa.

Tratá-los com educada frieza de Estado, oferecendo-lhes os mínimos de tratamento democrático, deveria ser a posologia a adotar. É que, contrariamente ao que as Seleções do Reader’s Digest defendem, rir, mesmo que deles, nem sempre é o melhor remédio.

Esta é a minha opinião. E, pelo que vou ouvindo, não estou sozinho, mesmo em quantos, como eu, continuam a apreciar muito António Costa.

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

A crise na Ucrânia não é sobre a Ucrânia; é sobre a Alemanha | Mike Whitney | 31 de Outubro de 2022

Retirado de https://Geopol.pt

Artigo de 11 de fevereiro de 2022, duas semanas antes da invasão russa da Ucrânia

Por Mike Whitney

Aí está, preto no branco: A equipa de Biden quer “levar a Rússia a uma resposta militar” a fim de sabotar o Nord Stream


Acrise ucraniana não tem nada a ver com a Ucrânia. Trata-se da Alemanha e, em particular, de um gasoduto que liga a Alemanha à Rússia chamado Nord Stream 2. Washington vê o gasoduto como uma ameaça à sua primazia na Europa e tem tentado sabotar o projecto constantemente. Mesmo assim, o Nord Stream avançou e está agora totalmente operacional e pronto a ser utilizado. Assim que os reguladores alemães fornecerem a certificação final, as entregas de gás terão início. Os proprietários e empresas alemãs terão uma fonte fiável de energia limpa e barata, enquanto a Rússia verá um impulso significativo nas suas receitas de gás. É uma situação vantajosa para ambas as partes.

O establishment da política externa dos EUA não está satisfeito com estes desenvolvimentos. Eles não querem que a Alemanha se torne mais dependente do gás russo porque o comércio constrói confiança e a confiança leva à expansão do comércio. À medida que as relações se tornam mais quentes, mais barreiras comerciais são levantadas, os regulamentos são flexibilizados, as viagens e o turismo aumentam, e uma nova arquitectura de segurança evolui. Num mundo onde a Alemanha e a Rússia são amigos e parceiros comerciais, não há necessidade de bases militares dos EUA, não há necessidade de armas e sistemas de mísseis caros fabricados pelos EUA, e não há necessidade da NATO. Também não há necessidade de transacções de energia em dólares americanos, nem de armazenar os tesouros americanos para equilibrar as contas. As transacções entre parceiros comerciais podem ser conduzidas nas suas próprias moedas, o que irá precipitar um acentuado declínio no valor do dólar e uma mudança dramática no poder económico.

Continuar a ler

 Eduardo Fontes | a poesia como evocação da infância | por Adelto Gonçalves 

Poeta faz com versos nada herméticos uma viagem ao tempo da inocência

     I
            Para comemorar o centenário de seus pais, os poetas Humberto Pinheiro Fontes e Maria do Carmo Alencar Oliveira Fontes, ambos nascidos em 1917, o poeta cearense Eduardo Fontes lançou Devaneios (Fortaleza, Editora Expressão Gráfica, 2017), seu 17º livro, que traz prefácio de Anderson Braga Horta, da Associação Nacional de Escritores (ANE), de Brasília, e ilustrações do artista plástico Descartes Gadelha. Poeta bastante conhecido no Nordeste, talvez porque em seus versos nada herméticos e extremamente líricos sempre se mostrou muito preocupado em exaltar suas origens, Fontes, mais uma vez, confirm a sua opção por uma simplicidade que faz evocar nos leitores os anônimos menestréis de tempos mais amenos.

Continuar a ler

A Liberdade do Herman | por Carlos Matos Gomes

Escrevi sobre a genialidade de Herman José e referi um extraordinário sketch em que ele desmonta a farsa dos comentadores de televisão e da manipulação que está a ser produzida sobre a guerra da Ucrânia. Esses “nacos informativos” são atentados reais à liberdade dos cidadãos, na medida em que foi instaurada a censura e sobre duas formas, uma, direta, proibindo a informação de uma das partes envolvidas, e outra, mais perversa, através da imposição do pensamento único, do silêncio, da intimidação dos que não seguem a verdade oficial.

O texto provocou, felizmente, vários comentários, alguns deles sobre a curta lista de génios que eu estabeleci para mim, acrescentando outros, casos de Almada Negreiros, Paredes, Siza Vieira, Saramago, Eça. Tenho por todos os nomeados admiração, mas Herman é, para mim, diferente, não só porque ele abriu novos caminhos, deu novas expressões à arte de representar, mas fundamentalmente porque penetrou em camadas da sociedade mais resistentes à mudança, aos de muita baixa literacia, de pouca instrução escolar, aos integristas religiosos, tanto quanto no grupo dos mais privilegiados e convencidos. Ele rompeu a muralha construída ao longo de séculos de obscurantismo religioso, cultural, de violência política, de hierarquias sociais, de ideias feitas sobre a epopeia portuguesa. Ele, sozinho e com a sua equipa, foi o Monty Python da sociedade portuguesa, sendo certo que esta não é dotada do sentido de humor e de autocrítica da inglesa e os ingleses têm uma longa tradição de produção teatral que não se resume a Shakespeare.

Herman conseguiu com o seu génio e com o seu prestígio abrir uma fenda nas muralhas do conservadorismo de antigo regime em que Portugal vivia (e em parte vive) e abrir a sociedade à liberdade de questionar os tabus. Reveja-se o Herman Enciclopédia.

Essa subversão que Herman promoveu é hoje inaceitável pelos poderes instituídos. Essa subversão é e está a ser sufocada pela mediocridade acrítica e até quase pornográfica de programas do tipo Big Brother, de telenovelas de enredo de cordel e de muita bola, de informação formatada pelas agências de comunicação e pelos lóbis dos negócios e das corporações.

Dirão os crentes e adeptos do pensamento único: existe pluralidade de informação, pois em Portugal estão no ar três estações de TV, cada uma com vários canais e todos os portugueses podem escolher. É um sofisma primário. Como dizer que uma centopeia pelo facto de ter cem patas tem uma maior opção de escolha do que uma galinha, que só tem dois. Na realidade o que se verifica é que estamos caídos na velha expressão de democracia de Henry Ford quando lançou o Ford T: os clientes são livres de escolher a cor, desde que seja preto. Os mesmos fornecedores de doutrina, como os antigos caixeiros viajantes, circulam com a mesma mercadoria entre jornais, rádios e televisões.

Um pouco de história. A SIC, a primeira estação privada, começou a emitir em 1992, pertencia e pertence ao grupo Impresa, do milionário Francisco Balsemão, proprietário do Expresso, o semanário mais influente na sociedade portuguesa. O seu primeiro diretor foi Emídio Rangel, um jornalista da liberdade e da responsabilidade. A TVI começou em 1993, propriedade da Igreja Católica através da União das Misericórdias e de outros acionistas a ela ligados.

Os grandes momentos de Herman José na televisão, de pluralidade e crítica politica e social, decorreram até ao ano de 1997, na RTP, com a «Herman Enciclopédia». Pelo meio decorreu uma polémica de tentativa de imposição de censura a propósito de episódio sobre a Última Ceia, que Joaquim Furtado repeliu.

Talvez seja coincidência, mas em 1997 a Media Capital, do milionário Pais do Amaral, torna-se acionista de referência da TVI, que passara da Igreja para um grupo colombiano e mais tarde para a Prisa, o grupo espanhol que entra no capital. A TVI passa a ser uma estação populista — isto é, defensora de um regime de lucros e poderes oligárquicos nacionais e internacionais, sob a capa de uma grande liberalidade de costumes e de cultura de massas. O típico truque de colocar uma pin-up na capa e defender os lucros dos grandes grupos e a hierarquia de classes dos tabloides ingleses. Emídio Rangel saiu da SIC em 2001, em conflito com Balsemão, que queria transformar a estação num instrumento de domínio político com audiências populares através do pograma de intimidades Big Brother, que foi transformado em santo milagreiro da TVI.

Na atualidade, no novo espetro de aparente diversidade da oferta, as televisões venderam e vendem todas o mesmo produto ideológico — de que as longas temporadas de cometário político conservador a cargo de Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes, ou de Paulo Portas e a avassaladora presença do futebol são prova. A política reduzida aos golpes baixos, ao boato e à calhandrice e muita bola!

Desta “ordem unida”, e desta barreira contra a critica e a verdadeira pluralidade, escapava o programa Contra-Informação, um formato derivado dos Spitting Image da ITV britânica e no Guignols de l’info do Canal+ francês, mas que não resistiram à uniformização e ao respeitinho que é muito bonito do cavaquismo e terminou em 2010.

Herman foi deixado à sua sorte, isto é, os poderes empurraram-no subtilmente para as margens, negando os meios para os programas que ele poderia fazer e substituindo-os por “coisas” de baixo custo e baixa qualidade, até quase desaparecer, remetido ao circuito de festas e romarias pela província. A versão neoliberal da democracia não o tolera. Ao Herman José, os patrões das televisões preferem uns animadores esforçados que esbracejam e gritam em cima de palcos improvisados acompanhados por umas moças de carnes exuberantes.

Esta escolha das Tvs e dos seus espetadores não é a bem do povo, não é dar ao povo o que o povo quer ver e ouvir (quis ver e ouvir Herman), mas é sim um revelador da decadência da nossa exigência democrática, da aceitação passiva do apodrecimento cultural em que vivemos resignadamente. Revela que estamos como o burro da frase de velha sabedoria: comemos palha, basta que no-la saibam dar. E «eles» sabem! E sabem que programas como os de Herman lhes dificultavam a tarefa.

Carlos Matos Gomes | 31-10-2022

AS (IN)DEPENDÊNCIAS DA EUROPA | por Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA

26 Outubro 2022

Ao contrário do que afirmam os dirigentes europeus, a transição energética, tecnológica e industrial que a Europa pretende trilhar não vai conduzir à sua autonomia ou independência, mas sim aumentar as suas dependências, agora da China, em vez da Rússia.

Tanto Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, como Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, têm-se pronunciado repetidas vezes sobre a autonomia estratégica e a independência energética da União Europeia.

Temos dúvidas como conseguirá a União atingir esses objetivos tão ambiciosos, perante a série de dependências que as tensas relações entre a China e os EUA, a crise da Covid-19 e a guerra na Ucrânia trouxeram à tona de água, não só em matéria de comércio, investimento e cadeias de abastecimentos, como das matérias-primas necessárias à transição energética e tecnológica, que a União pretende implementar.

Um dos aspetos que os oito meses de guerra tornaram evidente é o facto do modelo de desenvolvimento económico europeu assente em matérias-primas baratas, que lhe permitiam obter vantagens competitivas no mercado global, se encontrar esgotado.

Um relatório efetuado no âmbito da Comissão Europeia identificava 137 dependências da União. Dessas, 52% tinham origem na China, e apenas 3% na Rússia. Sem se estabelecer uma relação com a natureza do impacto de cada uma delas, a sua contabilização é um instrumento de análise insuficiente.

Continuar a ler

Herman José | Quantos génios produziu Portugal? | por Carlos Matos Gomes

Pergunta-me o agora Meta o que estou a pensar. Na hora que ganhei pensei no génio. Quantos génios produziu Portugal? Concluí que Herman José é um dos génios portugueses ao rever programas de TV que tinha deixado para melhor ocasião.

Não existe um consenso mínimo para definir o génio. Existe a ideia que cada um de nós faz do que é génio. O génio é alguém com uma aptidão fora da norma para uma qualquer atividade, conjugar notas de música, sons, cores, movimentos, dados abstratos. Alguém que vê o mundo de um ponto de vista único, que, em vez de “captar” conceitos corriqueiros troca as perguntas para encontrar respostas que são evidentes apenas depois de eles as apresentarem.

Karl Jaspers, um dos grande filósofos do século XX, realizou um estudo comparativo das trajetórias de vida e artísticas de vários artistas geniais, entre eles Strindberg e Van Gogh e descobriu em todos eles um caráter visionário acompanhado de interrogações sobre a realidade. O génio artístico seria, assim, associado a uma «tipología esquizofrénica», que faz dele um percursor de acontecimentos, alguém que desempenha o papel dos antigos oráculos, ou dos animais míticos como os corvos, as corujas. Portugal tem os seus génios, adequados à interpretação da realidade em cada tempo e circunstância.

Eu elaborei a minha lista particular: Gil Vicente, o Padre António Vieira, Fernando Pessoa, Amália Rodrigues e Herman José. Não são muitos. Não há génios na pintura – talvez Amadeo de Souza Cardozo -, nem na música, nem na arquitetura, nem na ciência – talvez Pedro Nunes.

Talvez cause surpresa a inclusão de Herman José num tão restrito número de “génios portugueses”. Julgo que Herman José, fruto, se quisermos encontrar explicações para o que é inexplicável, do cruzamento de culturas em que nasceu e viveu, da sua educação, viu desde muito cedo a sociedade portuguesa por dentro e por fora. Adquiriu uma visão 3 D. Depois foi dotado com as aptidões excecionais para expressar essas visões, inteligência, capacidade para conjugar conhecimento com realidade, dotes físicos, coordenação motora, voz, ouvido, coragem para se exibir, arrogância quanto baste para se impor e ser o centro das atenções e a estrela do espaço em que se move. E, finalmente, o instinto do matador de mediocridades. Um pícaro aristocrata como não houve em Portugal e haverá muito poucos no mundo.

Os seus programas na TV são um retrato do Portugal do seu tempo, do nosso tempo. Ele é o grande historiador contemporâneo. Os seus programas são os autos vicentinos do Portugal pós 25 de Abril. São as farsas dos autos da Índia (adultério, dissolução de costumes e falsa moral como consequência dos Descobrimentos) e de Inês Pereira (o oportunismo e a ausência de princípios: “mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube”) que descobriram os podres do que era apresentado como uma epopeia e uma luta pelo Bem. As suas personagens são as personagens de Gil Vicente, e, nalguns casos, as de Eça de Queiroz. São as figuras refinadas do subversivo Vilhena e do pícaro Luiz Pacheco. Herman José reúne todas essas personagens e constrói com elas um painel genial, o que o tríptico de Nuno Gonçalves não consegue ser, porque a Gonçalves lhe faltava o humor, a inteligência e a perversidade de Herman.

A mais recente obra da genialidade de Herman José consistiu na transformação em esfregões de limpar o chão dos típicos comentadores arregimentados pelas TVs para fazer a propaganda da guerra na Ucrânia.

É como capachos que ele reencarna o comentador da bola José Esteves, agora de barba e cabelo branco a perorar, a babar-se e asneirar num lar da terceira idade, com um olhar desconfiado, a dar as deixas para o excelente Manuel Marques recuperar a personagem de Zé Manel, o taxista que sabe tudo e fala pelos cotovelos, agora com ar de polidor de esquinas a quem saiu a raspadinha, ou que coloca a Maria Rueff no trono da pivôa Beleza de Sousa.

Herman José conseguiu em menos de um quarto de hora esfrangalhar a manipulação que tem sido a informação das TVs sobre a guerra da Ucrânia. Tudo ficou a nu, reduzido à farsa que se esconde sob o nome de informação. E, por último, para quem não tenha querido entender o que ele disse ao apresentar aquele genial sketch explicou no programa “Primeira Pessoa”, de Fátima Campos Ferreira, que a informação é hoje um negócio e que para dar lucro e pagar os salários aos pivôs vedetas há que vender as notícias que as audiências querem. Deu como exemplo da degradação a Fox News.

Foi delicado com os seus colegas das Tvs, um ato de misericórdia.

Carlos Matos Gomes | 30/10/2022

Gravitas Plus: The untold story of Rishi Sunak

Banker, Lawmaker, Chancellor & now the Prime Minister of Britain. Rishi Sunak has done the unthinkable, but how true are the reports around his achievements? Is he really UK’S youngest PM? Is he really richer than King Charles & does he really belong to India? On Gravitas Plus, Priyanka Sharma separates facts from fiction.

15% x 10% = 0,015 | 0,015 = 1,5% | total = 1,5% | um prémio a quem entender

Dizem os jornais e “media” em geral que a Rússia ocupou, ao longo da sua “intervenção militar especial” na Ucrânia, a área total de 15% de todo o País.  

Consideremos que é aceite que a ocupação actual é de 15%.

Consideremos ainda que “esta área” está ocupada, toda ela, por edificações de todo o tipo, o que não corresponde à realidade. Mas vamos considerar que sim.

Assim sendo, vamos admitir que 10% de todo o edificado numa área de 15% do total do País Ucrânia foi destruído e/ou danificado.

Logo, teríamos uma destruição de 1,5% de toda a Ucrânia.

Dizer-se então, que a Ucrânia é um País que está quase completamente destruído é uma falácia.

Repare-se mesmo que a Rússia nem sequer “passeou” pelos restantes 85% do País, salvo zonas pontuais e por muito pouco tempo, como logo no início na sua Capital, Kiev.  

Os especialistas credíveis consideram mesmo que as tropas russas seguriam quase à risca as Ordens Superiores recebidas, que foi a de procurarem o mais possível não destruirem edificações e muito menos atacar a população civil. O que tem lógica na perspectiva de que a intenção não era destruir, mas sim impedir que a Ucrânia aderisse à NATO e viesse a autorizar a instalação de armamento nuclear apontado à sua Capital, Moscovo e, também, de libertar o País de influências nazis que, entre outras decisões, proibiram o uso da língua russa e o seu ensino nas Escolas.

Os povos russos e ucranianos, e agora explicito aqui abertamente a minha opinião, não mereciam nem merecem esta guerra, provocada sob fortes influências externas, vindas mesmo de outro Continente  que combate a longa distância, como é seu costume.  

Até porque são povos irmanados há séculos, primos, irmãos e amigos uns dos outros.

Esta guerra tem de acabar já, um compromisso tem de ser encontrado, ambos os Países devem integrar plenamente um Continente que deve ser de Paz – do Atlântico aos Urais, como dizia De Gaulle.

A manipulada Comunicação Social, tem prestado um apoio assumido às “ordens de manipulação” que recebe.

It’s disgusting. Shame on you !

Shame on you too, political gentlemen !

——

Vítor Manuel Coelho da Silva, português, minderico, acérrimo defensor da Europa visionada por De Gaulle.

Do Atlântico aos Urais, e em paz com todos os outros Continentes.

O MUNDO é de TODOS | HUMANISMO e PAZ

O discurso de Putin e Napoleão | por Carlos Matos Gomes

Através de dois camaradas que muito prezo recebi entre ontem e hoje dois textos importantes, “Napoleão Bonaparte, Sobre a Guerra — A arte da batalha e da estratégia” Apontamentos e notas de Bruno Colson, enviado pelo major-general Carlos Chaves Gonçalves e do major-general Raúl Cunha a tradução de elementos significativos do discurso de Vladimir Putin, no dia 27 de Outubro, no Clube Vaidal, um think tank russo que se reúne nos arredores de Moscovo.

Os dois textos têm um elemento comum: a guerra. As causas da guerra, os objetivos da guerra e as consequências da guerra. A mim interessa-me, sempre me interessou, saber como terminam as guerras. Saber como se faz a guerra levou-me à Academia Militar e saber como se faz uma dada guerra, a guerra de guerrilha levou-me aos «comandos». Saber como terminam as guerras levou-me ao 25 de Abril de 1974, ao estudo, à investigação, à literatura.

Não sou um admirador de Napoleão, que perdeu a sua guerra, não atingindo o objetivo que se propôs e pelo qual combateu por toda a Europa, de Lisboa a Moscovo. (No tempo de Napoleão Moscovo era Europa. Agora, segundo a doutrina do secretário-geral da NATO, de que poucos saberão o nome e das afirmações da senhora Ursula Van Der Leyen, que surgiu do anonimato submisso de onde vêm geralmente os presidentes da Comissão Europeia já não é, transformou-se numa jangada, uma jangada de pedra, como a que Saramago ficcionou para a Península Ibérica.) O pensamento único Ocidental impôs que a Rússia deixasse de ser Europa, que se cindisse pelos montes Urais! Este corte ideológico e ditado por interesses alheios à Europa terá consequências. O discurso de Putin anuncia-as. É prudente conhecê-las.

Continuar a ler

Deus ou seja a natureza | Spinoza e os novos paradigmas da Física | Roberto Leon Ponczek

PREFÁCIO | PUBLICIDADE PARCIAL AO LIVRO

No âmbito da literatura espinosana o presente livro é um contributo singular, abrindo caminhos até agora inexplorados, que certamente agradariam ao autor da Ética. Outra coisa não se esperaria de Roberto Ponczek, um homem de interesses variados e de múltiplas paixões. Físico por formação é
também filósofo, músico e pedagogo, estabelecendo habilmente pontes nestes
diversos domínios. O olhar com que contempla o real constrói sínteses e
concilia divergências. É o olhar de um mestre, de alguém que entende o
ensino/aprendizagem como caminho para descobertas deslumbrantes e não
como atividade mecânica de quem recebe informação e é obrigado a devolvê-
la. Há um enfoque pedagógico que constitui o fio de Ariadne orientador do
percurso desta obra, perspectiva explicitamente assumida e anunciada no
próprio título: Deus ou seja a Natureza: Spinoza e os novos paradigmas da Física.
A tónica dominante é diálógica, estabelecendo-se um inter-câmbio entre
a Filosofia e a Ciência, nomeadamente entre a Filosofia e a Física. Logo na
introdução, Ponczek lamenta o equívoco que leva ao divórcio entre físicos e
filósofos, geralmente de costas voltadas uns para os outros, dizendo os
primeiros que a Filosofia é pura perda de tempo e queixando-se os segundos
da linguagem hermética da Física. Na seqüência de Kuhn, que já se insurgira
com o modo an-histórico (ou mesmo anti-histórico) como habitualmente
se ensinam as diferentes ciências, o autor propõe uma pedagogia e uma
dialéctica das mesmas que não as considera como “algo fechado, neutro, prático,
linear, objectivo e desprovido de historicidade” (ver Introdução). É seu objectivo
mostrar como o pensamento científico se desenvolve em espiral, inserido
num contexto histórico, metafísico, ideológico e mesmo religioso e artístico,
do qual seria artificial descolá-lo.
Numa clara oposição ao positivismo comteano, Ponczek defende a
proximidade da Ciência e da Filosofia, provando que certas questões científicas
só serão compreendidas pelo recurso à metafísica.

Continuar a ler

É bonito » Medida Humanista de Alcance Extraordinário | Governo vai “aprovar legislação que protege famílias com crédito à habitação”.

A garantia foi dada pelo primeiro-ministro. Outros deixariam o neo-liberalismo actuar contra as famílias.

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que já foram investidos 5,6 mil milhões de euros em apoio às famílias e controlo dos custos da energia, estando para breve legislação para proteção face à alta dos créditos à habitação.

Estas posições sobre a atual conjuntura económica e financeira do país foram transmitidas por António Costa na abertura do debate parlamentar na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2023.

“Já investimos 5,6 mil milhões de euros entre medidas de apoio ao rendimento das famílias e medidas de controlo do custo da energia. Por isso, atualizamos o indexante de apoio sociais, o salário mínimo nacional acima da inflação. Por isso, prosseguimos o aumento do complemento solidário para idosos para convergir com o limiar de pobreza”, declarou.

Perante os deputados, o líder do executivo referiu que o seu Governo respondeu à atual trajetória de aumento da inflação com o congelamento do preço dos transportes públicos e limitou em 2% o aumento das rendas de casa.

“Vamos aprovar legislação que protege as famílias com crédito à habitação. Sim, cuidamos de responder às necessidades do presente, do mesmo passo que mantemos, com toda a determinação, o rumo que traçámos para a legislatura”, sustentou.

Em relação à presente proposta orçamental, António Costa disse que as verbas para o Serviço Nacional de Saúde serão reforçadas em 7,8%.

“Vamos instalar os primeiros 108 dos 365 centros tecnológicos especializados que vão modernizar o ensino profissional até 2025; aumentamos o apoio sustentado às artes em 114%; o investimento da lei de programação nas forças de serviços de segurança cresce 33%; a PJ tem o maior reforço de sempre em meios humanos e capacidade pericial para dar combate à criminalidade económica e financeira, em especial à corrupção”, apontou.

Também de acordo com o primeiro-ministro, o orçamento da Defesa é “robustecido, fortalecendo as Forças Armadas e honrando os nossos compromissos internacionais, num contexto marcado pela guerra da Rússia contra a Ucrânia”.

Depois, referiu-se ao acordo de médio prazo, assinado em sede de concertação social pelo seu executivo com os parceiros sociais, salientando que assume como meta para 2026 acelerar para 2% o crescimento da produtividade.

“Esta é uma condição necessária para garantirmos melhores empregos, com melhores salários. Para produzirmos mais e com mais valor acrescentado, estabelecemos como prioridades o investimento nas qualificações e na inovação”, sustentou.

“O financiamento às empresas aumenta 90% do Portugal 2020 para o conjunto das verbas que lhes são destinadas no PRR (Plano de Recuperação e Resiliência e no Portugal 2030, para apoiar a sua modernização e internacionalização, para as apoiar na dupla transição energética e digital. E no acordo firmado com os parceiros sociais reforçámos as medidas de redução seletiva do IRC, que no seu conjunto representam uma descida de impostos sobre as empresas superior à descida transversal de 2 pontos percentuais na taxa de IRC”, assinalou.

Na presente proposta de Orçamento, segundo o líder do executivo, são “melhorados os incentivos fiscais à inovação, ao investimento, à localização no interior e à capitalização do nosso tecido empresarial; é reduzida a carga fiscal das pequenas e médias empresas (PME); e reforçam-se os incentivos aos ganhos de escala, alargando a taxa reduzida das PME a todas as empresas até 500 trabalhadores e assegurando que as empresas que resultem da fusão de PME mantêm a taxa reduzida de IRC”.

“Estes são os incentivos certos para as empresas melhorarem a sua produtividade”, vincou António Costa, referindo-se indiretamente às diferenças entre a via fiscal do Governo e a dos partidos à direita do PS.

“Mas é essencial acompanhar o esforço das empresas com o reforço do investimento público, para melhorar a competitividade e, assim, elevar o peso das exportações no PIB para 53% até 2030”, acrescentou.

SIC Notícias, Lusa 26-10-2022

O inverno vem aí | E vai ser duro | in Expresso Curto de 26/10/2022 | por Raquel Moleiro

Tão felizes que eles estão!

Wall Street Journal
Joe Biden, Nancy Pelosi

E que tal um apelo para acabar com a guerra? O Expresso deveria dirigir-se ao Mentor Principal desta tragédia, o Sr. Joe Biden e seu CMI, que continuam a pensar que os USA são os donos do Mundo. E não são. [vcs]


Quão duro deve ser dizer a um povo, ao seu povo, para não regressar a casa? Quão difícil deve ser para um povo ouvir que um país, o seu país, não tem condições para lhe assegurar a sobrevivência? Iryna Vereshchuk, vice-primeira-ministra ucraniana e chefe de reintegração dos territórios ocupados deixou ontem um pedido aos conterrâneos para se manterem nos países de acolhimento devido à situação energética. “Peço que não voltem, por enquanto. Precisamos de sobreviver ao Inverno. Infelizmente as redes não vão aguentar. Conseguem ver o que a Rússia está a fazer?

A Rússia está a fazer do frio um aliado na guerra. Mísseis russos e drones iranianos destruíram nas últimas semanas um terço do setor energético do país. E por ali energia não significa apenas ter gás ou eletricidade para iluminar as casas ou cozinhar, significa aquecimento. O frio de dois dígitos negativos prepara-se para matar quem não morre nos bombardeamentos (siga aqui todos os desenvolvimentos da guerra).

Só “um plano Marshall” poderá reerguer o país, defende o chanceler Olaf Scholz. Mas isso é a longo prazo, para quando o conflito acabar. Para já, para os ucranianos que se mantêm no país ou que regressaram a casa, confiantes nas vitórias recentes das forças de Zelensky, pediu-se ontem em Berlim, durante a conferência para a reconstrução da Ucrânia, um apoio urgente, financeiro e material, dos estados-membros e empresas europeias ao setor energético. “O que está em jogo é a proteção e o bem-estar de dezenas de milhares de lares, pessoas vulneráveis, crianças e idosos antes deste inverno”, urgiu o comissário da UE para a energia. É verão e as noites já se vivem perto dos zero graus.

Mas nos países de acolhimento – há 5 milhões de refugiados da Ucrânia na UE, 54 mil em Portugal – também é de energia que se fala por estes dias. Não há guerra, há a crise que a guerra provocou. Os ministros europeus que detêm a pasta reuniram-se ontem para debater as melhores formas de enfrentar os preços elevados. Em cima da mesa está o alargamento a toda a UE do mecanismo temporário ibérico que coloca limites ao preço médio do gás na produção da eletricidade.

E como se não bastasse o conflito ucraniano, e as críticas da oposição ao corredor de energia verde entre Portugal, Espanha e França, o ministro do ambiente, Duarte Cordeiro, tem agora também de lidar com as cheias da Nigéria que ameaçam afetar irremediavelmente o fornecimento de gás ao país. A próxima remessa, esperada esta semana em Sines, não vai chegar e a Galp já veio admitir a subida dos preços no início do próximo ano para quem está no mercado regulado.

O Governo desvaloriza o impacto, mas numa realidade nacional tomada pelo aumento generalizado do custo de vida – combustíveis, alimentos, prestações, rendas, casas – qualquer areia pode pesar toneladas no orçamento familiar e afetar ainda mais o (des)controlo financeiro.

Kremlin disposto a negociar guerra na Ucrânia com Papa, o Patriarca da Igreja Ortodoxa e EUA | Enfim, com a Europa e USA aflitos, Vladimir Putin, sorrindo como bom estratega, estende a mão.

A posição de Moscovo surge após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter apelado a uma negociação entre os seus homólogos russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Joe Biden, o Patriarca da Igreja Ortodoxa e o Papa Francisco.

“Estamos prontos a discutir tudo [a situação na Ucrânia] com os americanos, com os franceses e com o pontífice”, disse Peskov aos jornalistas, citado pela agência de notícias russas TASS.

O responsável russo acrescentou que, se as negociações forem “na direção dos esforços para encontrar possíveis soluções, podem ser vistas de uma forma positiva”. “Repito: a Rússia está aberta a todos os contactos. Mas temos de partir da premissa de que a Ucrânia proibiu a continuação das negociações”, frisou.

O conflito entre a Ucrânia e a Rússia começou com o objetivo, segundo Vladimir Putin, de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia.


ENTRETANTO:

O Presidente norte-americano, Joe Biden, viu a sua estratégia em relação à guerra na Ucrânia ser hoje questionada numa carta na qual 30 congressistas democratas solicitaram uma abordagem direta à Rússia para buscar um cessar-fogo.

Acarta enviada ao chefe de Estado argumenta que a “destruição” causada por esse conflito desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, deixou a Ucrânia, os Estados Unidos e o resto do mundo “interessados” em impedir que se prolongue.

“Por essa razão, instamos a que acrescente ao apoio militar e económico que os Estados Unidos têm dado à Ucrânia um impulso diplomático proativo e que redobre os esforços para alcançar um marco realista para um cessar-fogo”, enfatiza a missiva encabeçada pela congressista Pramila Jayapal.

Esta é a primeira vez que líderes do seu próprio partido instam publicamente Joe Biden a mudar a sua abordagem.

O grupo quer que o Presidente leve a cabo esforços diplomáticos “intensos” em apoio a um acordo de cessar-fogo negociado, que entre em conversações “diretas” com a Rússia e que explore as possibilidades de um novo pacto de segurança europeu aceitável para todas as partes e que permita uma Ucrânia “independente e soberana”.

Se existir uma maneira de acabar com esse conflito preservando a independência daquele país, “é responsabilidade dos Estados Unidos seguir esse caminho diplomático para apoiar uma solução que seja aceitável para os ucranianos”, dizem os signatários, entre os quais Alexandria Ocasio-Cortez.

A estrutura desejada, segundo os democratas, poderia incluir “incentivos para acabar com as hostilidades, incluindo alguma forma de alívio de sanções, e reunir a comunidade internacional para estabelecer garantias para uma Ucrânia livre e independente que sejam aceitáveis para todas as partes, em particular os ucranianos”.

“A alternativa à diplomacia é uma guerra prolongada”, alertam os congressistas, que lembram que o atual conflito já impulsionou o aumento dos preços da gasolina e dos alimentos no país.

A carta concorda com o Governo de Biden, de que não cabe a Washington pressionar o Executivo ucraniano sobre decisões soberanas.

“Mas, como legisladores responsáveis por gastar dezenas de milhares de milhões de dólares dos contribuintes em assistência militar no conflito, acreditamos que o envolvimento nesta guerra também cria uma responsabilidade para os Estados Unidos explorarem seriamente todas as vias possíveis, incluindo a reaproximação direta com a Rússia”, concluíram.

O ‘Caucus Progressista do Congresso’, presidido por Japayal, lembrou hoje que, de acordo com uma sondagem do final de setembro, 57% dos norte-americanos são a favor de iniciar negociações diplomáticas para acabar com a guerra, mesmo que isso implique que a Ucrânia faça certas concessões.


PERGUNTA INGÉNUA : mas quem é que se atreve a pensar que a Rússia perderá esta guerra e que irá ser extinta? Tanto sábio no mundo inteiro, meu Deus ! A “beberem” as mentiras e baboseiras dos Nojeiros e Milhafres !!!

“UCRÂNIA – É IMPERIOSO SAIR DA CAIXA” | por Francisco Seixas da Costa

Os trinta democratas liberais no Congresso dos EUA leram Francisco Seixas da Costa


É nos Estados Unidos que reside a chave de um eventual novo tempo neste processo, pelo que compete aos europeus lembrar-lhes que é só deste lado do Atlântico que, por agora, continua a guerra.

A História mostra que, para pôr termo a um conflito, ou se derrota totalmente o inimigo (e a Rússia não é derrotável, enquanto potência, como sabe quem sabe destas coisas) ou se fala com ele para ir aferindo das hipóteses de um acordo. Pensar que o tempo corre sempre a nosso favor é uma ingenuidade perigosa.”


Fez ontem cinco meses, publiquei este artigo no “Expresso”. Algumas coisas estão datadas e ocorreu a alteração de certas circunstâncias, mas, mesmo assim, hoje apetece-me relembrá-lo, porque o essencial não mudou e continuo a pensar exatamente o mesmo: :

”Esta guerra já não é apenas entre a Rússia e a Ucrânia. É cada vez maior o envolvimento, através de ajuda militar e de sanções, de muitos países que passaram a ser parte, embora por ora não beligerante, no conflito. Em moldes todavia nunca comparáveis ao sofrimento da população da Ucrânia, as respetivas sociedades estão a começar a sentir as consequências do prolongamento da guerra.

Parece não ter sentido que os países envolvidos no apoio à Ucrânia fiquem a aguardar o resultado, cada vez mais duvidoso, de um processo negocial, aparentemente suspenso, entre Kiev e Moscovo. Há dimensões do conflito, como fica evidente na questão das armas nucleares, que vão muito para além da situação concreta da Ucrânia, embora com ela interligada.

Continuar a ler

GRUPO DE DEMOCRATAS DO CONGRESSO INSTA BIDEN A NEGOCIAR FIM DA GUERRA NA UCRÂNIA | in Reuters

FRASE EM DESTAQUE, AH POIS!

“redobrando os esforços para buscar uma estrutura realista para um cessar-fogo”

Trinta democratas liberais no Congresso dos EUA pediram ao presidente Joe Biden na segunda-feira que mude sua estratégia para a guerra Rússia-Ucrânia, buscando um acordo negociado junto com sua atual provisão de apoio militar e económico a Kyiv.

“Dada a destruição criada por esta guerra para a Ucrânia e o mundo, bem como o risco de escalada catastrófica, também acreditamos que é do interesse da Ucrânia, dos Estados Unidos e do mundo evitar um conflito prolongado”, disseram os 30 membros democratas da Câmara dos Deputados numa carta dirigida a Joe Biden.

“Por esta razão, nós pedimos que você junte ao apoio militar e apoio económico que os Estados Unidos forneceram à Ucrânia um impulso diplomático proativo, redobrando os esforços para buscar uma estrutura realista para um cessar-fogo”, disse a carta dos democratas.

Alguns republicanos também já alertaram que pode haver um controle mais rígido do financiamento para a Ucrânia se o seu partido ganhar o controle do Congresso.

A carta foi liderada pela deputada Pramila Jayapal, que preside ao Congressional Progressive Caucus.

https://www.reuters.com/world/us-liberal-democrats-urge-biden-seek-negotiated-ukraine-settlement-2022-10-24/?fbclid=IwAR33JYENWy8I15-vMyxKvH84nJy7n4wV7F5Rad7B-xLu2wNJ3Os7k4Zd5Hw

SIMONE DE BEAUVOIR | O Segundo Sexo – vol 1

Mais de 50 anos volvidos sobre a sua primeira publicação, os temas que Simone de Beauvoir discute neste célebre tratado sobre a condição da mulher continuam a ser pertinentes e a manter aceso um debate clássico. Entretecendo argumentos da Biologia, da Antropologia, da Psicanálise e Filosofia, e outras áreas de saber, O Segundo Sexo revela os desequilíbrios de poder entre os sexos e a posição do «Outro» que as mulheres ocupam no mundo.
O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo, e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como «mulher» ou «feminino» – e que estão na base da opressão das mulheres – são hoje amplamente aceites.


Simone de Beauvoir (1908-1986) nasceu em Paris, no seio de uma família burguesa, e era a mais velha de duas irmãs. Estudou Filosofia na Sorbonne, onde conheceu Sartre, companheiro de toda a vida e com quem viveu uma relação célebre pelos seus padrões de abertura e honestidade. No final da Segunda Guerra Mundial, editou a revista política Les Temps Modernes, fundada por Sartre e por Merleau-Ponty, entre outros. Foi ativista no movimento francês de emancipação das mulheres, nos anos de 1970, e serviu de modelo e de influência aos movimentos feministas posteriores. Simone de Beauvoir ganhou o Prémio Goncourt em 1954 com Os Mandarins, cujo herói se inspira na figura de Nelson Algren, com quem manteve um longo e intenso romance.
Autora de uma vasta obra literária, filosófica e autobiográfica, Simone de Beauvoir publicou, em 1949, O Segundo Sexo, texto basilar do feminismo contemporâneo.

As estrelas do Estado Novo | Carlos Matos Gomes

Este texto é uma peça extraordinária sobre a “história portuguesa do século XX”, de uma clarividência incomum, um ensaio brilhante de como analisar factos políticos, sociais, económicos e estratégicos. Os meus respeitos para Carlos Matos Gomes [vcs].

Extinguiu-se no dia 23 de Outubro de 2022 a última estrela política do Estado Novo, Adriano Moreira. Ele fez parte da constelação de pensadores e atores que dotaram o Estado Novo com um pensamento para além do corporativismo de matriz fascista, do integrismo de raízes miguelistas, do beatismo. Adriano Moreira pertenceu a um grupo de políticos talentosos e ambiciosos que subiram a pulso em termos sociais, seguindo o percurso de Salazar, que utilizaram a aderência aos meios e estruturas do corporativismo para ascender individualmente e que retribuíram essa escalada dotando o regime de iluminações que ultrapassassem os cirios das igrejas e as sombras dos mortos vivos que se sentavam na Assembleia Nacional e na Câmara Corporativa.

O grupo inorgânico a que Adriano Moreira pertenceu conseguiu apresentar o Estado Novo e Portugal como atores internacionais de relevo em três grandes momentos da História da primeira metade do século vinte: a Guerra Civil de Espanha, a Segunda Guerra Mundial e o Movimento Descolonizador.

A Guerra Civil de Espanha teve como personagem de primeiro plano o embaixador Pedro Teotónio Pereira, o homem enviado por Salazar para junto do governo de Franco, em Burgos, o segundo embaixador a apresentar credenciais, após o Núncio Apostólico da Igreja Católica e o primeiro embaixador em Madrid após a vitória franquista. Teotónio Pereira iria conseguir alcançar o objetivo que o Portugal de Salazar recebera dos ingleses, o de evitar e a entrada da Espanha na Segunda Guerra Mundial aliada da Alemanha nazi. Seria embaixador no Brasil, nos Estados Unidos e em Londres no período de antes da guerra, durante e no pós-guerra. Contribuiu para manter Portugal na órbita dos Aliados e para a entrada no clube da NATO. Não foi tarefa fácil fazer o Portugal rural, beato e antiliberal de Salazar ser admitido neste grupo. Os Aliados (em particular os americanos) entenderam através de Pedro Teotónio Pereira que Portugal não era Salazar (os ingleses, esses sabiam que Salazar negociaria tudo, incluindo os princípios (além do volfrâmio) para se manter no poder).

Continuar a ler

A estratégia da “meia guerra” | Carlos Matos Gomes

As desarrumações permitem descobrir fósseis que explicam o presente. Este é um recorte de “O Jornal”, um excelente semanário que desapareceu com o mercado da manipulação, do Verão de 1979. Reproduz um artigo do Nouvel Observateur, de George Buis, e anuncia a estratégia dos Estados Unidos após a retirada do Vietname. Um excerto:

“Harold Brown, secretário americano da defesa, retornou à sua doutrina de 1969 de que a América deve poder conduzir simultaneamente «uma guerra e meia», ou seja, uma guerra na Europa e outra meia num ponto qualquer do globo.”

O controlo do golfo Pérsico e da produção de petróleo era então vital (como o é hoje) para o domínio dos EUA do fornecimento de energia ao resto do planeta e para impedir a URSS de ter ali alguma influência. A “guerra do Golfo” de 1991 começou a ser prepara nos anos 80, com a constituição de uma força de reação rápida (Quick Alert Force), “capaz de alcançar qualquer ponto do globo antes dos soviéticos”. Esse é o objetivo permanente dos EUA: impor o seu domínio em todo o globo. Não há acasos e a guerra da Ucrânia não é, no essencial, diferente das outras intervenções dos EUA na região do Golfo-Eurásia, a grande reserva de combustíveis fósseis do planeta.

Continuar a ler

O The Guardian é uma excelente abertura para o mundo | por Carlos Matos Gomes

Um artigo de hoje, meio escondido pelas peripécias de Boris Johnson, refere os negócios dos oligarcas americanos escondidos na guerra na Ucrânia.

A propaganda que justificava a guerra do Ocidente contra A Rússia como uma ação não só legítima, como virtuosa e em defesa dos mais nobres princípios morais, da defesa do Bem contra o Mal está a esboroar-se a olhos vistos e a deixar a nu os grandes negócios e os interesses da oligarquia americana, e as suas lutas internas.

Elon Musk, o oligarca dono da rede de 3000 satélites da sua empresa Starlink que asseguram as comunicações de banda larga para uso civil e militar deu um pontapé na apregoada defesa dos princípios ocidentais, a cargo do arcanjo Zelenski e reclamou o seu pagamento.

Parece que a administração americana se adiantou e começou a pagar por conta dos biliões que já gastou na guerra indireta com a Rússia. As rotativas de imprimir dólares funcionam e nos EUA tudo é pago, não há auxílios desinteressados.

O alarme soou quando Musk se intrometeu na estratégia de poder de outras fações da oligarquia e se propôs comprar a rede Twiter, com capitais das monarquias petroleiras do Golfo.

Continuar a ler

Ukraine : les Etats-Unis nous entraînent dans le piège de Thucydide – Le Zoom – Nikola Mirkovic

A armadilha de Tucídides, diz Allison, é a dinâmica perigosa que ocorre quando um poder em ascensão ameaça a posição de um poder já estabelecido – no passado, Atenas, e, hoje, os Estados Unidos. No antigo mundo grego, foi Atenas que ameaçou Esparta.

Iestyn Davies sings ‘O, where are you, dearest beloved?’ from Rodelinda

ENO’s 2014 production of Handel’s Rodelinda was directed by Richard Jones, conducted by Christian Curnyn and starring Rebecca Evans, Iestyn Davies, John Mark Ainsley and Susan Bickley. Rodelinda is an epic story of love, power and mistaken identity, widely considered one of Handel’s operatic masterpieces, and infused with compelling characters and ravishing music.

“Falar-se-á muito de Adriano Moreira, e é justo” | por Carlos Matos Gomes

Falar-se-á muito de Adriano Moreira, e é justo. Ele é uma das grandes personagens da história de Portugal do século XX e um dos grandes pensadores portugueses, além de ter sido político e interventor social. Uma personalidade marcante. Ouvi-o a primeira vez em 1964, havia deixado de ser Ministro do Ultramar e proferiu uma conferência para os cadetes da Academia Militar, que me marcou por ser uma “análise” e não apenas uma opinião, ou um sermão. Eu deixara de acreditar em sermões e em opiniões. Ou me convenciam com argumentos racionais, ou eu procurava-os. Deixara de ser religioso no sentido de acreditar em deuses e salvadores, até mesmo em heróis.

Hoje a homenagem que entendo prestar a Adriano Moreira é transcrever um seu pensamento expresso no livro Ciência Política, da Almedina, de 1993, que se adapta à situação atual, claramente a da violação do principio da existência de uma hierarquia nos Estados, como AM, definiu: Superpotências, grandes, médias e pequenas potências consoante o seu poder e o seu grau de dependência. De espaços de influência, reunidos em “Grandes Espaços” e, por fim o conceito de interdependência, ou de soberania limitada, ou partilhada.

” O conceito e a realidade do Estado soberano que dominou a vida internacional até ao fim da II Guerra Mundial tem vindo a ser substituído pelas interdependências e dependência mundiais que se vão consolidando e onde o mundialismo se firma como “modelo observante da realidade observada”.

Aos olhos do Estado, o cenário passou a ser considerado segundo a perspectiva de “aldeia global” entendida como mundialização dos comportamentos ecológicos, económicos, políticos naquilo que alguns quiseram chamar “fim da História” e que generalizadamente é considerada a democracia avançada, por mais incertos que sejam os pressupostos organizativos.

Além disso, a ideia de Estado-Nação, na acepção teórica de Silverman, nunca foi com frequência um paradigma da organização da vida humana. Parece-nos claro que a crise do Estado está essencialmente ligada a uma nova conjuntura que põe em causa as áreas de intervenção do “grande Leviatã” preconizado por Hobbes e que até aí, detinha total acção nos mais variados quadrantes”.

Adriano Moreira procurou um caminho de modernidade e de esperança. Viveu a sua época e ajudou-nos a viver.

Carlos Matos Gomes in Facebook 23-10-2022

Resposta de Matos Gomes a um comentário “provocador”, no seu texto colocado no Facebook :

Carlos Matos Gomes

“Apenas um pormenor, que nada altera as apreciações que cada um entenda fazer. Adriano Moreira também passou pelas masmorras do Estado Novo. Esteve uns meses preso no Aljube por ser defensor da mulher do general Godinho, implicado na abrilada de 1947.

Morreu Adriano Moreira, um transmontano sem ressentimentos | in DN 23/10/2022

Académico, político e mestre, Adriano Moreira sempre colocou “os interesses do país acima das discordâncias” pessoais e manteve as amizades antifascistas mesmo sendo ministro de Salazar, que o via como uma figura da esquerda moderada.

Adriano Moreira, um democrata-cristão que se tornou praticamente consensual como mestre de muitas gerações após passar de opositor do Estado Novo a ministro de Salazar e presidente de um partido democrático, morreu este domingo com 100 anos. Foi colunista do DN durante vários anos.

Professor catedrático e estudioso de política internacional, sobre a qual escreveu inúmeros artigos nos muitos anos como colunista do Diário de Notícias, era presidente honorário da Sociedade de Geografia e da Academia de Ciências (onde agora dirigia o Instituto de Altos Estudos). Vice-presidente da Assembleia da República (1991-95), doutor honoris causa por diversas universidades portuguesas e estrangeiras, escreveu numerosas obras nas áreas do Direito, da Ciência Política ou das Relações Internacionais, presidiu ao Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (de 1998 a 2007) e ao Conselho Geral da Universidade Técnica de Lisboa, entre muitos outros cargos ligados à academia.

Continuar a ler