Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestregónios, e mais monstros,
um Poseidon irado – não os temas,
jamais encontrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestregónios, e outros monstros,
Poseidon em fúria – nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.
Deves orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colónias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes subtis de toda a espécie:
compra desses perfumes quanto possas.
E vai ver as cidades do Egipto,
para aprenderes com os que sabem muito.
Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico do que foi teu pelo caminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.
Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca, não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.
Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.
Pelo bicentenário do nascimento de Karl Marx
(Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883)
UMA SEPULTURA EM LONDRES
No frio e no nevoeiro de Londres,
numa daquelas casas que são todas iguais,
debruça-se sobre todas as dores do mundo,
desde que no mundo houve escravos.
As dores são iguais como aquelas casas
modestas, de tijolo, fumegando sombrias, solitárias.
Os escravos são todos iguais também:
De Ramsés II, de Cleópatra, dos imperadores Tai-Ping,
de Assurbanípal, do Rei David, do infante
D. Henrique, dos Sartoris de Memphis, dos
civilizados barões do imperador D. Pedro II.
Ou das «potteries», ou da Silésia, de África,
da Rússia. (E o coronel Lawrence da Arábia
chegou mesmo a filosofar sobre a liberdade moral
dos jovens escravos com quem dormia.)
No frio inenarrável das eras e das gerações de escravos,
que nenhuma lareira aquece no seu coração,
escreve artigos, panfletos, lê interminavelmente,
e toma notas, historiando infatigavelmente
até à morte. Mas o coração, esmagado
pelo amor e pelos números, pelas censuras
e as perseguições, arde, arde luminoso
até à morte. – Eu quero ver publicadas
as suas obras completas – diz-lhe o discípulo.
– Também eu – responde. E, olhando as montanhas
de papéis, as notas e os manuscritos, acrescenta com
esperança e amargura – Mas é preciso
escrevê-las primeiro -.
Como têm sido escritas e reescritas! Como
não têm sido lidas. Mas importa pouco.
Naquela noite – creiam – a neve inteira
derreteu em Londres. E houve mesmo
um imperador que morreu afogado
em neve derretida. Os imperadores, em geral,
libertam os escravos, para que eles fiquem mais baratos,
e possam ser alugados sem responsabilidade alguma.
O coronel Lawrence (como anotámos acima), com os seus jovens escravos,
também tinha um contrato de trabalho. Mais tarde,
criou-se mesmo a previdência social.
No frio e no nevoeiro de Londres, há, porém,
um lugar tão espesso, tão espesso,
que é impossível atravessá-lo, mesmo sendo
o vento que derrete a neve. Um lugar
ardente, porque todos os escravos, desde sempre todos
aqueles cuja poeira se perdeu – ó Spartacus –
lá se concentram invisíveis mas compactos,
um bastião de amor que nunca foi traído,
porque não há como desistir de compreender o
mundo. Os escravos sabem que só podem
transformá-lo.
Que mais precisamos de saber?
Un jour comme aujourd’hui, il y a 33 ans, ce film balayait aux Oscars avec 8 statuettes. Parmi celles-ci : meilleur film, meilleur réalisateur et meilleur acteur.
A leitura que Karl Marx fez do capitalismo e o programa de acção que propôs para o demolir mudaram o curso da História. Para o bem? Para o mal? Dos regimes brutais que se serviram das suas ideias à apologia da sua mensagem libertadora, que sentido faz Marx hoje? A crise de 2007, a desigualdade crescente ou o gigantismo de empresas como a Google podem ressuscitar a sua crítica do capitalismo? Karl Marx nasceu há 200 anos.
Os últimos dias de Fevereiro de 1848 Paris entrou em estado de sítio. Soldados em parada ousaram vaiar o rei Luís Filipe, milhares de operários e estudantes tomaram as ruas de assalto, montaram barricadas, afrontaram as classes médias, determinaram a demissão do primeiro-ministro (Guizot), ousaram reclamar o poder e logo a seguir ditaram a abdicação do monarca e a criação da Segunda República. Não foi coincidência, mas por esses dias tumultuosos, a 24 de Fevereiro, Karl Marx publicava o Manifesto Comunista que parecia adivinhar e explicar a insurreição de Paris. “Um espectro assombra a Europa… o espectro do comunismo”, lia-se na primeira linha do Manifesto. A França habituada aos tumultos revolucionários acabaria por derrotar os sublevados e na verdade Marx já não era vivo quando, em Outubro de 1917, a sua deixou de ser sombra para se tornar realidade nas ruas de Petrogrado (São Petersburgo). Pela primeira vez, um projecto de comunismo estava em execução.
você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela…
é tudo tão confortável —
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza…
após ela sair você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.
quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
você dirige até a praia e fica sentado
em seu carro. é meio-dia.
— outra cama, outras orelhas, outros
brincos, outras bocas, outros chinelos, outros
vestidos
cores, portas, números de telefone.
você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho.
para um homem beirando os sessenta você deveria ser mais
sensato.
você dá a partida no carro e engata a primeira,
pensando, vou telefonar para janie logo que chegar,
não a vejo desde sexta-feira.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?
A revista Agricultura e Mar é uma publicação digital semanal de informação dirigida aos profissionais do mundo rural e da economia do mar, mas também orientada para a divulgação de toda a actualidade política, económica e cultural.
O objectivo é dar a conhecer a inovação tecnológica e científica, os novos apoios comunitários e nacionais aos sectores agrícolas e do mar e toda a indústria com eles relacionados. Temas como os das soluções energéticas, sistemas de rega, nova maquinaria e aquacultura, mas também todos os eventos relacionados com a terra e o mar, como as feiras agrícolas e os desportos náuticos serão abordados semanalmente. E também a análise da evolução do preço dos produtos agrícolas, do gado, do valor dos terrenos agrícolas e do pescado.
Assim, e de forma a alargar os horizontes por ambas as partes, Associação Portuguesa de Biodiversidade e Cinegética e a revista Agricultura e Mar Actual tornam-se parceiros.
O secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia destacou hoje, 4 de Maio, na Horta, o investimento superior a um milhão de euros em bolsas de doutoramento e pós-doutoramento na área do Mar, desde 2014 e até 2020, frisando que este valor “revela a importância” que o Governo dos Açores atribui “à investigação e ao conhecimento científico ligados aos oceanos”.
Gui Menezes falava na sessão de abertura do workshop sobre o projecto Maritime Alliance for Fostering the European Blue Economy (MATES), intitulado ‘Um oceano de novas oportunidades profissionais para uma economia competitiva para o Mar dos Açores’.
Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia
Este workshop, organizado pelo Governo dos Açores, através do Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, que integra o consórcio do MATES, tem como objectivo desenvolver uma proposta de plano estratégico para a formação nas áreas da economia do mar tradicionais e emergentes na Região.
Segundo Gui Menezes, pretende-se com a realização deste evento “identificar algumas das necessidades mais prementes no que respeita à capacitação no sector da economia do mar na Região”.
Neste sentido, referiu que, através dos contributos dos ‘stakeholders’ convidados a participar no workshop, espera-se que seja possível “ajustar a oferta formativa da futura Escola do Mar dos Açores às necessidades de competências nas actividades tradicionais e emergentes marítimas”.
Escola do Mar dos Açores
Durante a sua intervenção, o secretário Regional frisou que a Escola do Mar dos Açores, que entrará em funcionamento em 2019, terá “valências técnicas e tecnológicas ajustadas à formação certificada para as profissões marítimas tradicionais e emergentes, e mais exigentes sob o ponto de vista tecnológico, promovendo a ‘economia azul”.
“Para desenvolvermos a ‘economia azul’, é preciso visão de futuro, vontade política e financiamento”, afirmou, garantindo que “não falta vontade política ao Governo dos Açores”, disse Gui Menezes.
Não se apaixone por uma mulher que goste de ler, uma mulher que sente muito, uma mulher que escreve…
Não se apaixone por uma mulher culta, bruxa, delirante, louca.
Não se apaixone por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar, uma mulher segura de si mesma.
Não se apaixone por uma mulher que ri ou chora ao fazer amor, que sabe fazer da sua carne, espírito, muito menos uma que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que possa ficar meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música .
Não se apaixone por uma mulher que se interesse por política e que é rebelde e manifeste horror pelas injustiças. Por uma que goste de jogos de futebol e beisebol e que não goste de assistir TV. Ou por uma mulher que seja bonita, não importam as características de seu rosto e corpo.
Não se apaixone por uma mulher intensa, por uma mulher divertida e lúcida e irreverente .
Não queira se apaixonar por uma mulher assim. Porque quando você se apaixonar por uma mulher assim, ela pode ficar com você ou não, ela pode amar você ou não, mas de uma mulher como essa, nunca se regressa.
Dans une interview accordée à un journal New Yorkais, rapportée par le journal « Al Chorouk », l’ex-ministre américain des affaires étrangères, Henry Kissinger a déclaré que tout au long de sa carrière diplomatique, les seuls présidents qui l’ont tracassé sont Hafedh Al Assad et son fils Bachar Al Assad.
Kissinger a expliqué que les Etats-Unis croyaient que Hafedh Al Assad avait chassé tous « les abrutis« . Mais, heureusement pour les Etats-Unis il en reste encore quelques uns.
A propos du « printemps arabe« , le politologue américain de confession juive, a affirmé que ces « révolutions qui secouent le monde arabe » ne se sont pas déclenchées de manière anodine » Vous pensez que ces révolutions en Tunisie, en Egypte et en Libye étaient pour les beaux yeux des arabes ?!! nos cibles sont la Syrie et l’Iran. » a-t-il précisé sur un ton railleur.
Il a avoué que Hafedh Al Assad était la seule personnalité qui l’a vaincu. Il a ajouté que depuis août 2011 « la révolution syrienne » a déclenché une guerre froide qui va s’intensifier encore plus les mois prochains.
Pourquoi la Syrie particulièrement? Kissinger a répondu que la Syrie est le pôle de l’Islam modéré dans le monde. La Syrie c’est aussi le pôle du christianisme. Les Etats-Unis œuvrent, selon lui, pour la destruction des structures urbaines relatives à la chrétienté et à déplacer par la force les chrétiens syriens. En effet, la Syrie est au cœur du conflit russo-américain. Les orthodoxes de Russie et de l’Europe de l’Est appartiennent confessionnellement à la Syrie. D’après lui, le conflit actuel entre les forces mondiales ne se limite pas à la domination des ressources pétrolières, c’est un conflit beaucoup plus profond.
Le diplomate américain a ajouté que c’est à cause de la « stupidité » de l’ex- président américain Richard Nixon que les Etats-Unis n’ont pas pu occuper la Syrie. « La seule solution pour la mettre au pilon c’est de la brûler de l’intérieur, c’est ce qui se passe actuellement », a-t-il renchéri.
Il a conclu qu’il a toujours admiré le peuple syrien qui a réussi à instaurer une infrastructure imposante malgré le peu de moyens à sa disposition. « C’est surprenant comment un peuple composé de plusieurs ethnies et confessions soit aussi homogène » a-t-il exprimé.
Il a souligné que la plupart des syriens en réalité soutiennent Bachar Al Assad et que seulement 1511 soldats, ont quitté l’armée syrienne. Cette dernière compte 511 000 soldats et occupe la 4ème position dans le dernier classement des plus fortes armées au monde.
Não, não queremos cantar
as canções azuis
dos pássaros moribundos.
Preferimos andar aos gritos
para que os homens nos entendam
na escuridão das raízes.
Aos gritos como os pescadores quando puxam as redes
em tardes de fome pitoresca para quadros de exposição.
Aos gritos como os fogueiros que se lançam vivos nas fornalhas
para que os navios cheguem intactos aos destinos dos outros.
Aos gritos como os escravos que arrastaram as pedras no Deserto
para o grande monumento à Dor Humana do Egipto.
Aos gritos como o idílio dum operário e duma operária
a falarem de amor
ao pé duma máquina de tempestade
a soluçar cidades de fome
na cólera dos ruídos…
Aos gritos, sim, aos gritos.
E não há melhor orgulho
do que o nosso destino
de nascer em todas as bocas…
Nós, os poetas viris
que trazemos nos olhos
as lágrimas dos outros.
Pobre Fernando Medina, do que ele se foi lembrar: fazer um Museu das Descobertas, ou dos Descobrimentos, em Lisboa! Uma ideia que pareceria absolutamente consensual e necessária e que só pecava por tardia, parece que se transformou numa polémica que já suscitou a indignação de mais de uma centena de historiadores e “cientistas sociais”, trazida a público num abaixo-assinado de professores de diversas Universidades, portuguesas e estrangeiras — se bem que, para dizer a verdade, quase todas de segundo plano, as Universidades, e quase todos, portugueses, os professores, com excepção de alguns, que presumo brasileiros, em decorrência dos nomes que ostentam e que só podem ter origem em antepassados portugueses e não em avós balantas ou mesmo tupi-guaranis.
Antes de, com a devida vénia e indisfarçável terror, entrar na polémica, deixem-me confessar a minha ignorância preliminar relativamente a duas questões, seguramente menores: desconheço quase por completo, não só os nomes, mas, sobretudo, a importância dos ditos historiadores para o que, num português em voga mas não recomendável, chamam “a riqueza problematizante” do que ora os ocupa; e desconheço ainda mais o que faça ao certo um cientista social que o torne uma autoridade na matéria.
Nos dias que correm, o DiEM25 está a avançar de muitas formas diferentes em simultâneo
Ala eleitoral: a nossa segunda reunião com os nossos aliados políticos foi um grande sucesso – lê o resumo aqui. Em Dezembro/Janeiro pedimos a todos os membros para sugerir nomes para o partido a nível Europeu. Os nossos aliados também se reuniram e ofereceram sugestões. Estamos orgulhosos do nome que escolhemos, que surgiu através da sugestão de um dos membros de base do DiEM25 – Primavera Europeia. Vê o Yanis Varoufakis a defender este nome durante a reunião:
Papers políticos: A Paola, membro do CC, é a nova responsável pelos papers políticos. Graças à sua persistência, dispomos agora de um cronograma para completar todos os pilares da Agenda Progressista. O grupo de trabalho do pilar do Trabalho fez um questionário. Por favor revê este documento e discute os eventuais com membros do DiEM25 e manda as tuas ideias até dia 1 de Junho para labour@diem25.org. Na próxima semana, esperamos conseguir enviar-te o primeiro rascunho dos papers da Transparência, Refugiados e Migração para poderes comentar.
Organização interna: As eleições para o Coletivo Nacional francês terminaram. Parabéns a todos os que participaram! Podes ver os resultados aqui. Também já é possível participar na votação do Coletivo Nacional do Reino Unido. Entra na nossa área de membros para decidir quem vai coordenar os esforços do movimento neste país nos próximos anos. Esta votação decorre até 7 de Maio. Como sempre, a votação é algo qe pode ser feito de forma transnacional: Não precisas de ter uma passaporte ou ser cidadão do Reino Unido para votar mas se for o caso ,informa-te sobre as contribuições dos candidatos para o DiEM25 UK antes de votar.
On August 9, 1945, when a plutonium bomb was detonated over the city of Nagasaki, between 39,000 and 80,000 people were killed. The photograph above shows the absolute devastation wreaked by the bomb. The bomb itself was more powerful than that used to destroy Hiroshima, but Nagasaki’s topography resulted in less net damage. While the nuclear detonation above Nagasaki is a well-known chapter in history, it is less well known that the nuke was preceded by a full year of smaller-scale bombing of the city.
The Bombing of Kobe in World War II on March 16 and 17, 1945 was part of the strategic bombing campaign waged by the United States of America against military and civilian targets and population centers during the Japan home islands campaign in the closing stages of World War II. During later months of the war, the city was bombed for a second time. It was targeted because at the time, it was the sixth largest population center in Japan, with a population of about a million people. Most structures in the city were made of wood, making them vulnerable targets for firebombing. Conservative estimates claim 333,000 killed and 473,000 wounded, though other estimates place the fatalities at up to 900,000 people.
137
É verdade «que um baixo amor os fortes enfraquece»
mas também o grande amor torna ridículos os grandes,
pois o amor é, em energia material sobre o mundo, um roubo— apesar de, em sensações, ser magnífico. 0 amor será útil internamente,
mas externamente não carrega um tijolo.
Disso nunca tive dúvidas.
138
A vida, é certo, não será um sítio excepcional para as paixões.
Nos países humanos, o amor mistura-se muito
com palavras equívocas.
0 fogo que existe numa lareira, por exemplo,
é um fogo servil, cultural, educado.
Uma coisa vermelha, mas mansa,
que nos obedece.
Só é natureza, o fogo na lareira,
quando, vingando-se, provoca um incêndio.
E o amor assim funciona. Mas é preferível o contrário.
139
É desarranjo de estratégias e planos,
surpresa ritmada, uma ilegalidade exaltante que não prejudica
os vizinhos.
Mas atenção, de novo: o amor não faz bem aos países,
não desenvolve as suas indústrias, nem a economia.
Disso nunca tive dúvidas. E por isso é preferível não.
140
No entanto, qual é o país que pode impedir que o amor
entre? Não é mercadoria traficada em caixas,
que as caixas são objectos que se abrem ao meio
— e é possivel, com uma lanterna, olhar lá para dentro.
141
0 amor não se vê como
se fosse uma presença.
É demasiado completo
para ter uma forma. E como jamais
se conseguiram obter juros de uma coisa
que não ocupa espaço, é preferível não,
parece-me.
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do semprePara ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias…
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo…
O belíssimo «O olho e a mão», escrito a duas mãos por Sérgio Nazar David e Ana Marques Gastão, publicado pela editora 7 letras. É um diálogo, não apenas entre os poetas, mas também entre a poesia e a pintura, celebrando essa relação íntima e sensível entre as artes.
25 avril 1974 | La Révolution
——————–
C’est l’aube à laquelle je m’attendais
La journée initiale entier et propre
Où nous sommes sortis de la nuit et du silence
Et libre nous habitons la substance du temps
——————–
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Serviço de Comunicação, Protocolo e Relações Externas
NOTA DE IMPRENSA
Resposta ao/s requerimentos apresentados referentes à reposição da diferença remuneratória (40 para 35 horas)
No seguimento dos requerimentos apresentados por alguns trabalhadores do Município e entregues pela Comissão Sindical em representação dos mesmos, em 4 de setembro de 2017 ao Município de Alcanena, vem a Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Fernanda Asseiceira, prestar esclarecimentos, com base em consulta jurídica solicitada, com apreciação complementar, no sentido de se verificar do fundamento da pretensão apresentada.
A discussão do assunto em apreço é recorrente, tendo inclusivamente sido suscitado pelo Sindicato interveniente na providência cautelar interposta contra este Município em outubro de 2013, que correu sob o n.º 1316/13.1BELRA junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria. Sendo que o STAL veio, a propósito e por efeito das alterações introduzidas pela Lei n.º 68/2013, de 29 de agosto, “requerer a suspensão da eficácia da decisão da entidade requerida que alterou o horário de trabalho dos associados do STAL e que determinou que estes trabalhassem mais 1 hora por dia.”
Acredito que a amizade, como o amor do qual participa, exige quase tanta arte como uma figura de dança bem conseguida. É preciso um grande entusiasmo e uma grande contenção, muitas trocas de palavras e muitos silêncios. E, sobretudo, muito respeito. O sentimento da liberdade do outro, da dignidade do outro, a aceitação, sem ilusões, mas também sem a menor hostilidade ou o mínimo desprezo, de um ser tal como ele é.
Dedico ao meu olhar o livro
pejado de ruas onde me passeio
e me sinto resvalar por atalhos e vielas
mapas de mundos abertos
para a lucidez das janelas.
Meu amigo fiel e companheiro
no livro busco o que não tenho
nas horas incompletas:
o outro olhar das coisas
o ser e o sentir
o ver que me não cegue
para a poeira das horas
para o abismo crepuscular
para a surdez da névoa
para o patamar estagnado
do sossego.
Dedico o meu olhar às linhas
que trazem o rumor dos astros
e o silêncio triste dos aflitos
e quanto mais as leio
mais as sinto tremeluzir
numa carícia de água
donde jorram as fontes.
Ex-ministro das Finanças grego lançou movimento pan-europeu DiEM25
No dia 25 de Abril, o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis fará a tradicional descida da Avenida da Liberdade para assinalar os 44 anos da revolução portuguesa. Além do movimento pan-europeu DiEM25, fundado por Varoufakis, também o Géneration.s, liderado pelo francês Benoît Hamon, o Alternativet, da Dinamarca, o Bündnis – DiEM25, da Alemanha, o DeMA, de Itália, e o Razem, da Polónia, participarão no desfile.
O grego DiEM25 e o português LIVRE estão a construir juntos uma espécie de lista pan-europeia para concorrer às eleições europeias de 2019. Por essa razão, dirigentes do LIVRE e de outros movimentos estiveram recentemente em Nápoles a debater soluções para combater a emergência do “nacional-populismo e o marasmo” da União Europeia.
No dia a seguir ao desfile, pelas 9h30, inicia-se na Biblioteca de São Lázaro, em Lisboa, a segunda reunião do Conselho para a Lista Transnacional (a primeira foi a de Nápoles), após a qual, às 18h30, haverá uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados do debate, bem como o “nome do movimento, o conteúdo do código de ética que os candidatos da lista terão de seguir e os progressos feitos a nível de programa eleitoral comum”, como se lê num comunicado enviado pelo LIVRE às redacções.
This list is generated from 116 “best of” book lists from a variety of great sources. An algorithm is used to create a master list based on how many lists a particular book appears on. Some lists count more than others. I generally trust “best of all time” lists voted by authors and experts over user-generated lists. On the lists that are actually ranked, the book that is 1st counts a lot more than the book that’s 100th.
Swann’s Way, the first part of A la recherche de temps perdu, Marcel Proust’s seven-part cycle, was published in 1913. In it, Proust introduces the themes that run through the entire work. The narr…
Alonso Quixano, a retired country gentleman in his fifties, lives in an unnamed section of La Mancha with his niece and a housekeeper. He has become obsessed with books of chivalry, and believes th…
Ulysses chronicles the passage of Leopold Bloom through Dublin during an ordinary day, June 16, 1904. The title parallels and alludes to Odysseus (Latinised into Ulysses), the hero of Homer’s Odyss…
The novel chronicles an era that Fitzgerald himself dubbed the “Jazz Age”. Following the shock and chaos of World War I, American society enjoyed unprecedented levels of prosperity during the “roar…
First published in 1851, Melville’s masterpiece is, in Elizabeth Hardwick’s words, “the greatest novel in American literature.” The saga of Captain Ahab and his monomaniacal pursuit of the white wh…
É preciso ter coragem e força de condenar este ataque, a mesma força e coragem que alguns têm tido para condenar a acção de Bashar Al Assad e da Rússia. O único lado que há para defender é mesmo o do povo sírio. O mundo está a ser comandado por loucos.
—
O recente lançamento de 100 mísseis sobre a Síria, a mando dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, é apenas mais um triste episódio da tragédia que se abateu sobre o povo sírio. Não faltaram as vozes que ecoaram: “finalmente uma resposta”. Nada mais errado. O ataque de mísseis nada resolve a adia a solução política e diplomática que o povo sírio há tanto tempo merece. Repudiar este ataque não é em nada sinónimo de apoiar a política de Assad ou de não querer derrotar o terrorismo na região. Repudiar e condenar este ataque tem a mesma importância que repudiar e condenar o uso de armas químicas ou os sucessivos ataques contra o povo sírio. Nesta história, não há lideranças boas e más. São todas más.
Que os eruditos me perdoem a ousadia de “meter a foice” nesta admirável expressão da criatividade humana, eruditos que, em minha opinião, têm o dever cívico, de devolver aos seus concidadãos, e em termos acessíveis, pelo menos, parte muito que a sociedade lhes permitiu aprender.
.
O Modernismo foi um importante movimento cultural e artístico surgido no 3º quartel do século XIX e bem afirmado na primeira metade do século XX, com conhecidas expressões na literatura, pintura, escultura, arquitectura, teatro, dança e música. Grandemente influenciado ou apoiado nas ideias filosóficas a circularem na Europa (Auguste Comte, John Stuart Mill, Friedrich Nietzsche e outros), nos múltiplos e admiráveis progressos científicos (lembremos as contribuições de William Kelvin, Alfred Nobel, Niels Bohr, Pierre e Marie Curie, Henri Becquerel, Rutherford Hays, Max Planck, Albert Einstein e muitos outros) e tecnológicos de então, o Modernismo ou Movimento Modernista surgiu como uma atitude intelectual de rompimento com a tradição e, ao mesmo tempo, de abertura a uma nova relação do homem com o mundo.
Dito de outra maneira, o Modernismo, não só recusa os padrões antigos, como busca ideias na Revolução Industrial e da Fábrica, como nos notáveis avanços da ciência e da tecnologia, nomeadamente, a máquina a vapor, o comboio, o automóvel, o avião, a fotografia e o cinema.
No que se refere à pintura, os artistas acompanharam esta revolução na sociedade, criando novas respostas plásticas definindo movimentos mais restritos, geralmente referidos por estilos ou escolas. De entre eles, os historiadores e críticos de Arte, falam de Realismo, Impressionismo, Fauvismo, Futurismo, Cubismo, Neoplasticismo, Simbolismo, Expressionismo, Suprematismo, Dadaísmo, Surrealismo, Raionismo, Construtivismo. Nomes que os historiadores, críticos de Arte e outros eruditos “tratam por tu”, que “assustam” os muitos que nada sabem deste domínio da criatividade humana (e a Escola nada nos ensinou nestas matérias), mas que podem ser perfeitamente explicados por palavras que todos entendem.
Não é raro encontrar aspectos comuns entre alguns destes estilos ou escolas, havendo, porém, diferenças que os caracterizam e, até mesmo, os mostram como antagónicos.
No Notícias Magazine de hoje perguntaram a vários “capitães de Abril” o que teríamos feito de diferente se soubessemos o que sabemos hoje.
Eis aqui a minha resposta:
“Se eu soubesse o que sei hoje…
Teria feito o que fiz para acabar com a guerra colonial e derrubar a ditadura.
Teria tentado impor a mediação internacional, através da ONU, para conduzir o processo de transição para as independências das colónias.
Teria lutado com maior veemência pela instauração de um sistema político mais directamente ligado às pessoas e menos, muito menos, capturado pelos partidos. Com a criação, por exemplo, de uma segunda câmara.
Teria, no chamado PREC, empenhado-me mais numa aliança entre o grupo de militares ditos na altura e na classificação do tempo “do COPCON”, com o “Grupo dos Nove”, de modo a evitar o 25 de novembro, que esteve prestes a ser putchista e acabou por ser a imposição de um modelo padronizado de sistema democrático, de que a triste situação que hoje vivemos é fruto.
Ter-me-ia batido, mais do que fiz, para manter no domínio público empresas estratégicas fundamentais na área da energia, dos transportes, nas comunicações e no sector financeiro, nomeadamente com o reforço da Caixa Geral de Depósitos e de um Banco de Fomento de capitais públicos.
Teria dedicado maiores esforços na área da Justiça, impondo uma rigorosa seleção e avaliação dos magistrados e promovendo uma justiça orientada para as vítimas e não para os criminosos. Teria estado mais atento aos fenómenos de corrupção e de nepotismo, com atenção especial às autarquias e ao que diz respeito ao ordenamento do território, para evitar fenómenos de “algarvisação”, de” litoralização “ e de desertificação do interior.
Teria tido uma especial às leis de imprensa, obrigando a clarificar a sua posse dos meios de comunicação social e favorecendo empresas constituídas por jornalistas.
Teria furado os pneus do carro que Cavaco Silva levou ao congresso do PSD da Figueira da Foz para fazer a rodagem.
Teria, por fim, promovido, a leitura de “A Arte de Furtar”, incluindo-o nos curriculas escolares, como de estudo obrigatório.
O DiEM25 não foi criado para promover uma agenda piramidal qualquer. Estamos a lutar para mudar a vida de milhões através de um movimento de bases. É por isso que precisamos que mais membros estejam envolvidos nas nossas discussões, nos processos políticos e nas votações internas. Parte do trabalho que tem de ser feito quando se constrói uma movimento transnacional é melhorar a forma como comunicamos. É por isso que estamos muito contentes por apresentar o nosso novo fórum online.
Como temos milhares de membros e ativistas espalhados por todo o mundo, procurámos várias formas de comunicarmos melhor e ligar toda a gente.
Portanto Vítor agora podes fazer login na nossa zona para membros e fazer-nos uma visita!
“O Evangelho segundo Lázaro, sobre o mais extraordinário dos milagres atribuídos a Jesus, é o melhor de todos os romances de Richard Zimler, um escritor de estórias eruditas, de grande sensibilidade e profunda dimensão humana.” Laurentino Gomes
“Zimler escreve de modo íntimo sobre as temáticas bíblicas. A sua admirável narrativa é um modo de convívio sábio e belo com esse tempo tão fundador da cultura do mundo. Este é um livro viciante, esplendor puro de Richard Zimler.” Valter Hugo Mãe
No Novo Testamento, ficamos sabendo que Jesus ressuscitou um amigo próximo de nome Lázaro. Contudo, em parte alguma do Evangelho segundo São João – que contém esse episódio – se menciona como ele realizou o milagre, ou se teria algum motivo especial para fazê-lo.
O Evangelho segundo Lázaro preenche essas e outras lacunas ao narrar a história da perspectiva de Lázaro, descrevendo como ele e Jesus se conheceram quando crianças, a transcendência da ligação que os une e o momento em que Lázaro acordou no túmulo, desorientado e sem qualquer memória de uma vida após a morte.
A narrativa, resultada de uma pesquisa histórica minuciosa, é rica em detalhes e retrata com fidelidade o período, sem deixar de lado o intimismo.
Com a voz inconfundível de Richard Zimler, O Evangelho segundo Lázaro é um romance completo que irá, sem dúvidas, prender o leitor até as últimas linhas, ainda que seu desfecho já seja conhecido.
(…) os comunicadores querem fazer-nos acreditar que um ser como o Trump, ou a May ou o pequeno Macron, estão inconsolavelmente preocupados com a saúde e as comodidades essenciais dos comerciantes de damascos sirios, dos vendedores de tecidos, dos velhinhos sírios, dos sírios de meia idade, os estudantes sírios! Eles amam desinteressadamente os sírios e a Síria!
Os recentes ataques à Síria, o anterior à Líbia, a invasão do Iraque, mas também a negação das alterações climáticas, ou ainda, para ir mais atrás, a ideia de um Povo Eleito, as invasões napoleónicas, ou a construção da Muralha da China e agora da do México, só para recordar alguns atos de dirigentes políticos ao longo dos tempos, levantam a questão da natureza racional e moral dos seres que ao logo dos século alcançaram o poder de governar os povos. Da racionalidade e da moralidade dos condutores da humanidade. Em linguagem maoista, da natureza dos nossos queridos lideres e também dos santos que adoramos.
No mês dos CRAVOS e quase prestes a chegar ao 44º Aniversário da data libertadora do 25 de ABRIL de 1974, não podia deixar de cá vir recordar – através de um “Documento Histórico” de 24 de Novembro de 1973 – um grande HOMEM, um grande PORTUGUÊS e um bravo e corajoso MILITAR (com quem tive o prazer de privar, nomeadamente quando me deslocava à sede do meu Batalhão em MACALOGE – Niassa Ocidental – norte de MOÇAMBIQUE) que muito me marcou para toda a vida, nomeadamente durante a minha permanência naquelas enigmáticas e misteriosas terras africanas!…
Curvando-me respeitosamente perante a sua memória,
AMÂNDIO MEIRA
(ex-Alferes Miliciano de Infantaria da C. CAÇ. 2669 – B. CAÇ. 2908)
ANTAS, 18/04/2018
RECORDANDO UM DOCUMENTO HISTÓRICO
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[Ao “postar” aqui este DOCUMENTO, é mister que faça a minha “declaração de interesses”: Este senhor Ten.Coronel LUÍS ATAYDE BANAZOL – (PAI), foi “meu” 2º Comandante de Batalhão (B. CAÇ.2908) na Guerra Colonial em MOÇAMBIQUE, logo no início dos anos setenta. Era um bravo, decidido, corajoso, justo, responsável e destemido MILITAR, de fino trato, sempre afável e extremamente humano com os “seus homens” que, graças a todas estas suas inegáveis qualidades, tinham por ele a maior consideração, admiração e estima.]
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INTERVENÇÃO do Ten.Coronel Luís Atayde Banazol na reunião de S. Pedro de Estoril em 24/11/1973:
[Refira-se que esta firme, desembaraçada, decidida, corajosa e influente intervenção perante umas largas dezenas de camaradas seus, foi determinante para o despoletar do 25 de Abril de 1974.]
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«Meus caros camaradas, eu creio que vocês estão a perder o que têm de bom: energia e tempo, organização e vontade.
Estão a esgotar-se com um assunto que não vale a pena. Decididamente, não vale a pena.
O problema que vocês julgam que está no âmago disto tudo não vale um pataco e vai contra os nossos camaradas milicianos.
Eles também têm as suas razões, e não será pelo facto de vocês conseguirem levar a melhor, que tudo ficará resolvido. Pelo contrário, cada dia que passa, tudo se agrava.
E isso não é por uma questão de galões. O que vocês estão e todos nós, é agonizantes; simplesmente agonizantes.
Estrangulados por um regime que nos conduz directamente para o abismo, para a derrocada, aliás como o têm feito todos os regimes fascistas, nomeadamente os de Hitler e de Mussolini.
Todo o mundo olha para nós, oficiais do quadro permanente, como verdadeiros agentes do nazismo. Agentes das S.S.
E não podemos de forma alguma evitar essa execranda imagem, se não tomarmos a iniciativa de uma reabilitação, uma redenção aos olhos do nosso povo e dos outros povos do mundo, utilizando a nossa força para derrubar o governo.
Tenho ouvido falar, insistentemente, no abalado prestígio dos oficiais. Pois que esperam vocês daqueles, cujos filhos, irmãos, e noivos são enquadrados por nós, para as guerras de África, donde poderão regressar mutilados, loucos ou mortos?
Que crimes estamos todos a cometer em nome da Voz do Dono.
É preciso que acordemos do pesadelo; é preciso acabarmos de vez com a maldita guerra colonial, que nos consome tudo, incluindo a própria dignidade de militares profissionais de uma país civilizado.
Todas as nossas angústias, ansiedades e neuroses, se situam na tragédia para que fomos e estamos a ser lançados, por um tenebroso conluio, que tem a hipocrisia por fachada e o assassínio por norma.
E nós, que representamos a força das armas, por que esperamos?
E nós, que vemos todos os dias esses exemplos de coragem dos moços universitários?
Desarmados, enfrentam a polícia de choque, e não deixam amortecer um só dia a luta pela Liberdade.
E nós, homens de armas?
É uma vergonha. Devemo-nos sentir envergonhados. É bem feito que nos humilhem e nos olhem com rancor. Somos a armadura da bestialidade e o bastião da brutalidade.
Não tenhamos ilusões: o governo só sai a tiro e os únicos capazes de o fazer sair somos nós; mais ninguém.
Se não o fizermos, a História nos julgará, como julgou os abencerragens de Hitler e com inteira razão.
Não devemos consentir que isso aconteça e que os vossos filhos e os meus netos se tenham de envergonhar de nós.
Impõe-se a Revolução Armada desde já, seja qual for o seu preço e as suas consequências.»
Luis Atayde Banazol – Tenente Coronel em 24 Novembro de 1973.
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes
‘[…] having been brought up [in the countryside], snatches of memories from past times, yearnings for that infinite of which the Sower, the sheaf, are the symbols, still enchant me as before’, wrote Vincent in 1888. This is the heart of Van Gogh’s philosophy of life: nature is what links religion and people. In the cycle of sowing, reaping and harvesting, Vincent saw parallels with life and death.
1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.
Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque. Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.
Algures entre o sonho e a mais pura realidade, Ensina-me a voar sobre os telhados é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se,é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.
Faz hoje 50 anos que o mundo teve um sonho….
e faz hoje 50 anos que morreu a inspiração desse sonho….
e faz hoje,
(todos os dias faz…..)
faz hoje anos
que morreu Martin Luther King,
Cinquenta anos
tão curtos
que não chegaram pr’a sonhar….
apesar de mil sonhos
que pudemos trautear.
Cinquenta anos de sonhos
que não pudemos sonhar….
Cinquenta anos de sonhos
que é preciso semear….
Se fosse vivo,
Luther King
teria uma campanha jornalística
a descobrir
e publicar
que ressonava,
ou fungava,
ou chorava,
ou mijava….
Certamente seria menos
que o infinito
que Foi….
Se fosse vivo….
certamente descobririam
que foi preto,
que seria religioso,
que seria defeituoso,
que teria ligações,
que viveria aos encontrões….
Como está vivo,
disfarçado de morto,
Luther King
foge aos holofotes
e deixa-os aos pinotes
de saudade….
de puberdade
nos valores….
Há pessoas
que têm o condão de abanar….
de acender o avançar….
de olhar nos olhos do mundo,
num clamor,
e fecundar….
o Amor….
Afinal, Trump é um senhor. É o nosso chefe supremo, o bombardeador-mor, o homem firme ao comando do leme. Qual instável, é uma rocha. Qual irrefletido, é um sábio. Qual desinformado, é um profeta. Tem as qualidades da decisão e da “oportunidade”, como assinala ponderadamente o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os dirigentes europeus põem-se em fila para o beija mão. A Síria está pacificada e tal era o enlevo de alguns meios de comunicação que se apressaram a noticiar as manifestações em Damasco contra o bombardeamento como se fosse a multidão a sair à rua para saudar os Tomahawks purificadores. A populaça da França e do Reino Unido, que tinha mais em que pensar, dorme tranquila. Tudo resumido, esta lição não tem novidade, não há milagre que não possa ser assegurado por uma boa carga de bombas.
A glorificação de Trump é só um episódio, talvez nem o mais importante, da cruzada de realinhamento ideológico que é sempre o prenúncio de uma estratégia de tensão e de escalada de conflitos. Sugiro ao leitor e à leitora que observe esta cruzada, a que ergue a Segunda Guerra Fria, pois ela é mais determinante do que os pretextos que a alimentam, que valem tanto como as alarmantes armas de destruição massiva que Saddam escondia no Iraque. E essa Guerra não começou no sábado, com as bombas sobre a Síria, nem vai parar por aqui.
A Segunda Guerra Fria tem um laboratório e não é no Médio Oriente, onde as leituras são sempre geoestratégicas. O seu primeiro ensaio recente foi no Brasil, onde tudo é mais terra a terra e não se pode invocar um poder oriental oculto como inimigo. Aí, a máquina de conformação montada em torno do golpe e da naturalização do regime de exceção judiciária foi de gabarito e, não por acaso, foi a primeira que chegou até nós, neste cantinho à beira-mar plantado.
Echo Classic 2013. Elïna Garanča au Konzerthaus de Berlin : le récital du cantique « Plus grand dans son obscurité » de l’opéra (Paris 1862) « La Reine du Sabbat » de Charles Gounod. (La légende de Balkis d’après Gérard de Nerval). L’entrée solennelle de l’aménité la plus exquise de la divinité du bel canto Elïna Garanča, précédée de l’éclat de l’aura de son renom, est ovationné chaleureusement des deux côtés du couloir central par un auditoire des gens de grand talent de la musique classique. Dans cette salle d’une architecture stylisée des somptuosités modernes de la Maison de Concert de Berlin, la pléiade internationale des étoiles de l’opéra s’est donnée-là rendez-vous en auditoire avertie des récitals accompagnés de l’orchestre pour l’attribution du prestigieux trophée très prisé de « La Cantatrice de l’année ». Digne de la Reine de Sabbat mise en scène musicale, la couleur assortie de la robe d’apparat longue et ample, le tendre bleu clair métallisé, accentue de cette amour d’Elïna la féerique fascination de l’expression des grands yeux aux éclats des saphirs bleus du bel visage au teint d’une blancheur satinée, auréolé de sa couronne des splendides cheveux blonds.
Realizador, actor e compositor inglês nascido a 16 de Abril de 1889, em Londres, e falecido a 25 de Dezembro de 1977, em Vevey, na Suíça. Filho de artistas do vaudeville, viveu uma infância humilde, marcada pelo abandono do lar por parte do pai alcoólico. Aos 5 anos, já participava em espetáculos, cantando e dançando nas ruas da capital inglesa ao lado do seu irmão Sydney. Depois duma breve passagem por um orfanato, junta-se a uma companhia infantil de teatro. Mais tarde, por influência de seu irmão Sidney, é contratado pela Companhia Teatral de Fred Karno, onde permaneceu até 1912, alcançando algum prestígio a nível interno. Em 1912, durante uma digressão aos Estados Unidos, onde atuou ao lado de Stan Laurel, chamou a atenção do produtor cinematográfico Mack Sennett, patrão do Keystone Studios. Após uma difícil negociação, estrear-se-ia- em 1914 com uma prestação secundária em Making a Living (1914). Neste mesmo ano, participou em 35 filmes da Keystone e cada participação fez crescer a sua cotação como atcor. Em Mabel’s Strange Predicament (A Estranha Aventura de Mabel, 1914), desempenhou pela primeira vez a personagem que o imortalizaria aos olhos de milhões de cinéfilos: Charlot, o vagabundo com o chapéu de coco, calças largas e bengala em constante movimento que numa sucessão de gags cómicos procura libertar-se de forma pouco ortodoxa de inúmeras situações desfavoráveis, ora pontapeando agentes da lei, ora cortejando belas mulheres. O facto de os espectadores se identificarem com as peripécias de Charlot ajudou ao retumbante êxito da personagem que surgiria novamente em The Masquerader (Charlot Faz de Vedeta, 1914), Laughing Gas (Charlot Dentista, 1914),The Rounders (Que Noite!, 1914) e Mabel’s Busy Day (Charlot e as Salsichas, 1914). Começou também a dirigir as suas próprias curtas-metragens, iniciando essa nova faceta com Making a Living (1914). Após mais um sucesso com The Tramp (Charlot Vagabundo, 1915), Chaplin recebeu um contrato milionário da First National Studios com uma cláusula irrecusável: a de manter o controlo absoluto da criação artística dos filmes que interpretava e dirigia.
É com enorme alegria que vos informamos de que o Largo/Praça situado em frente à Escola Secundária Dr Manuel Fernandes em Abrantes( antigo Colégio La Salle) receberá o nome de : «Praça (Largo) S. João Baptista de La Salle-Patrono Universal dos Professores». O nome será gravado em lápide.
A cerimónia da inauguração da nova toponímia será na manhã do dia 17 de Junho deste ano de 2018, domingo . Solicitamos que reservem esse dia .
O programa ainda não está delineado . Queremos que decorra com solenidade merecida e com boa repercussão pública. Solicitamos ideias, iniciativas e mobilização.
Será uma homenagem ao La Salle e à cidade .
O Grande Encontro Anual dos AA será nesse dia, 17 de Junho: Incluirá a inauguração, missa no antigo Colégio, e almoço ( no mesmo local do ano passado).
Oportunamente daremos mais informações.
Obviamente agradecemos à Câmara municipal de Abrantes e à sua Presidente, Dra Maria do Céu Albuquerque, todo o empenho.
Tu dessinais autour de moi
Des paysages où tout flamboie.
Tu traçais des chemins divins
Où chaque pas mène à un écrin.
Tu peignais de toutes les couleurs
Le vide qui régnait dans mon cœur.
J’écoutais ta voix chaque matin
Me délivrer des mots câlins.
Tu caressais du bout des doigts
Mon corps offrant ses beaux émois.
Tu me menais doucement par la main
Vers cet abîme , mon quotidien.
Cette cage où tu m’as enfermée,
Ma vie que tu as désertée,
Sans mot et sang froid,
Du jour au lendemain, comme ça.
Tu me fais grâce parfois
D’une belle rose sans éclat.
Tu dresses plus haut chaque jour
Ce mur entre nous et notre amour.
J’attends et nourris l’espoir
Que tu reviennes un soir
Me délivrer de cette jolie cage
Où tu m’as oubliée dans ton sillage.
Temos 8 novidades importantes a anunciar em Portugal:
1) Coletivo Nacional Provisório: O DiEM25 Portugal está agora constituído com um o seu CNP até que haja eleições para o Coletivo Nacional. Vê quem são os membros que compõe o coletivo aqui:https://internal.diem25.org/en/vote/48/results
4) 25 Abril e Descida da Avenida da Liberdade em Lisboa- Junta-te às bandeiras/cartazes do DiEM25. Tratando-se de uma data especial e da véspera do Conselho da Lista Transnacional (que terá a sua segunda edição dia 26/4 em Lisboa depois da primeira em Nápoles) estarão já presentes alguns membros do Coletivo Coordenador do DiEM25 que descerão a Avenida connosco – fica atento a mais novidades!Também poderás descer a Av. Aliados no Porto com os membros do Porto.
5) Online e para todos/as :Dia 2 de Maio às 19h haverá lugar à primeira edição da iniciativa “Arquipélago Português” . Dois membros do CNP estarão online num zoom para vos acolher e apoiar no fortalecimento do nosso movimento a nível nacional. Reserva já esta data: e o link de acesso. Traz os teus contributos e questões e acede nesse dia a este link para o efeito – https://zoom.us/j/792660404
6) O DiEM25 Portugal precisa de ti: Para te tornares mais activo/a no movimento em Portugal ou criares/juntar-te a um Colectivo Espontâneo DiEM25 local (CED) escreve para o email gruposlocais@diem25.org para mais informações.
7) Dúvidas e sugestões? Agora podes agora contactar o DiEM25 Portugal com questões e sugestões para o email info@pt.diem25.org e as mesmas serão reencaminhadas. Poderás também usar esse email caso querias ser voluntário/a nalguma área em específico ( equipa criativa, escrever artigos para o site, traduções ou outros).
A autora, Maria Isabel Fidalgo, “à roda da saia” obriga o leitor a entrar na roda, na roda da vida. Uma obra absolutamente feminina, sem idade,eternamente jovem, pronta a ser rodada no corpo de uma outra mulher , como património (ou matrimónio?) de uma cultura enraizada num lugar que se vai universalizando com o olhar fresco da geração que se segue: ” minha mãe deu-me uma saia / a saia de sua mãe/ a saia roda no corpo/ da minha filha também/ minha neta pequenina/ anda também a rodar / na roda da saia dela / em todas que há de gerar”.
Nestes versos vive uma sensualidade misturada com maternidade impressionantes.Porque “as mães têm braços enormes (p. 18),e (n)as rodas da saia ” uma manhã carnal entra pela luz”(p.41). Mas é na ria de Aveiro que a leveza de ser… ” um pedacinho me basta/ para ser asa que passa/ rente à água” (p51). E há uma vida, única, que continua ” como um fio de água que escorre pela nascente/assim me construí”. E a sensualidade aprende-se devagar ” saio do teu corpo / como se lá não estivesse estado” (p.65).E o corpo assume o seu grau maior de identidade e beleza ” rodinha da minha saia / meu tesouro de araça/não me quero noutro corpo/ com a roda que esta dá”. Mas, como em todos os poetas, o seu tempo era mais além e ” não me preveni contra o tempo/ sempre achei que a vida era para lá dos dias/ e que a ceifa do corpo/ era numa azenha muito ao longe”. Mas as rodas da saia continuam…” já não roda a saia/ rompe-se o vestido/ vem amor dormir/ um verso comigo.”
Um livro que merce ser dançado com vigor e mestria. A autora, Maria Isabel Fidalgo, está de parabéns. A obra foi editada por ” Poética Edições” em Janeiro de 2018.
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“É uma saia que é uma celebração da vida e dos afetos, feita com o melhor tecido das palavras, com as rendas da ternura e da música, com os bordados das vivências, com os folhos das alegrias e das lágrimas, com um bolso discreto cheio de ensinamentos, com bainhas feitas de sonhos e engomada com saudades. É uma herança, portanto, e disso não duvidemos nunca: herança de um eu precedido por outros seres que não se esquecem, que não passam, que ficam marcados em cada ponto a mais que se der no tecido – porque esta saia está à espera que cada um a ornamente com a sua própria vida, agora que a recebeu.”
A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor.
Depois da morte, evidentemente.
Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança. Eu não ponho flores neste cemitério.
Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.
A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.
Vivemos numa sociedade de satisfação permanente, diz Tolentino Mendonça. Por isso, precisamos de reaprender a ter sede. O novo livro que reúne os textos das meditações feitas perante o Papa e a Cúria Romana foi anteontem posto à venda. A propósito dele, o autor de A Noite Abre os Meus Olhos diz que a espiritualidade não se pode “confundir com um conjunto de abstracções”. Crer não é “ter as soluções”, mas é “habitar o caminho, habitar a tensão, viver dentro da procura”. Por isso, Deus é um problema também para os crentes. Um Deus que, na configuração cristã, é sobretudo um Deus frágil.
“A fé tem de ser também uma escola do desejo, onde se aprende a desejar, a desejar mais, a desejar melhor, a desejar maior…”
“Quando temos o privilégio de servir, de forma desmedida, também recebemos o tamanho da nossa vida.”
“Deus é um problema para todos, não é só uma questão para os não-crentes, Deus também é uma questão para os crentes. Deus é uma questão que nos une, não é uma questão que nos separa: Deus está em todos, crentes e não-crentes”
“Mais do que estar saciados de Deus, os crentes aprendem os benefícios da sede, a importância de viverem no desejo de Deus, na espera de Deus. Um crente não possui Deus, não o domestica com os seus rituais e as suas crenças”
“Crer não é satisfazer-se, não é ter as soluções nem ter encontrado as respostas. Crer é habitar o caminho, habitar a tensão, viver dentro da procura”
Em vez de estar fechado à chave, o último relatório do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios sobre o centro histórico do Porto devia ser debatido. Como é um documento interno, usa um tom directo e franco. E obriga-nos a pensar.
O debate sobre a descaracterização dos centros históricos faz lembrar George Orwell e o seu Politics and the English Language, um pequeno ensaio de 1946 sobre o “declínio da língua inglesa” e os “maus hábitos” da escrita. Num exemplo clássico de como começar um bom texto, o escritor diz-nos que “todo o combate contra o abuso da linguagem” é visto como um “arcaísmo sentimental, como preferir velas à luz eléctrica”.
Em Portugal estamos na mesma. Sempre que alguém diz que os centros históricos de Lisboa e do Porto correm o risco de se tornarem cenários artificiais para “turista ver”, os “progressistas” respondem uma destas três coisas: a transformação é inevitável, a Disneylândia é melhor do que o abandono e a nostalgia não pode travar o desenvolvimento.
Já foi assim com a política para os autocarros gigantes com que as agências de viagens entupiam a Baixa de Lisboa. Estava à vista de todos que os “muros com rodas” eram grandes de mais para as curvas do centro histórico e que prejudicavam o próprio objectivo do negócio: quando chegavam à Sé Catedral, os turistas viam o monumento nacional tapado pelo “muro” que os levara até lá. Durante anos, ouvimos que esse circuito turístico era “inevitável”, que sem isso a Sé ficaria vazia, que impedir o acesso dos autocarros era defender a Lisboa “do passado”. Na pior das hipóteses, éramos jurássicos; na melhor, pouco iluminados.
Em Veneza, no campo San Bartolomeo, perto da ponte de Rialto, a farmácia Morelli mostra, aos que passam, uma contagem dos habitantes da cidade. É como uma bomba-relógio: os números actuais já são inferiores a 50.000. Nos últimos trinta anos, a população de Veneza, que já estava reduzida a um número muito pouco digno para um passado tão esplendoroso, ficou reduzida a metade. Ao invés, os visitantes que a atravessam e que nela deambulam diariamente aumentaram a um ritmo muito mais acelerado: actualmente, por cada habitante há seiscentos forasteiros. Muitas das sua casas, sobretudo aquelas que dão para o Grande Canal, são habitações secundárias, os seus proprietários ocupam-nas uns poucos dias por ano, servem para alimentar o mais requintado snobismo. Veneza tornou-se assim o símbolo por excelência do destino das cidades históricas. Se a tomarmos como um laboratório, podemos dizer que o vírus que ela incubou se espalhou por todo o lado. Em 1968, Henri Lefébvre publicou um livro chamado Le droit à la ville. De todas as regressões que se deram de 1968 aos nossos dias, a regressão do direito à cidade é a que menos resistências teve de enfrentar. As coisas seguiram o seu curso, como se fosse uma força inelutável, e transformaram-nos em reféns de um pensamento único que nos diz que só há estas duas alternativas: ou deixamos que a monocultura do turismo esvazie a cidades dos seus habitantes e se apodere do seu núcleo vital, procedendo a uma museificação dos centros históricos e liquidando toda a relação viva com o próprio passado; ou condenamos a cidade a uma morte por degradação e falta de vitalidade económica. Ora, é preciso ver esta proposição disjuntiva como uma grande falácia.
Durante anos a fio Manuel Alegre foi insultado e vilipendiado na praça pública com base numa falsidade que todos os saudosistas da ditadura propalaram.
O nosso Tribunal Supremo só agora repõe o seu bom nome e o desagrava.
É da mais elementar justiça divulgar este comunicado. [Rodrigo Sousa e Castro]
COMUNICADO
Negando o recurso interposto pelo Tenente Coronel Brandão Ferreira, o Tribunal Constitucional confirmou ontem, 12 de Abril, o Acórdão da Relação de Lisboa, que condenou aquele militar pela prática de crime de difamação e ao pagamento de indemnização a Manuel Alegre por ter imputado a este a prática de traição à Pátria.
O caso é paradigmático pois, de forma clara, fixa os limites da liberdade de expressão perante o direito à honra e ao bom nome, à luz da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, no sentido de que é ilícita toda a imputação de factos falsos ainda que o visado seja uma figura pública.
Ao contrário do que foi afirmado por este saudosista militante do regime ditatorial do Estado Novo, Manuel Alegre cumpriu as suas obrigações militares, nomeadamente em Angola, como combatente, em zona de guerra.
Utilizou-se a mentira e a difamação para prejudicar a imagem de Manuel Alegre por altura da sua candidatura à Presidência da República.
Este tipo de calúnia lembra as práticas de perseguição e assassinato do carácter utilizadas pelo regime deposto em 25 de Abril de 1974 e demonstra uma total falta de respeito pelas regras da Democracia.
13 de abril de 2018
Manuel Alegre de Melo Duarte
Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro
La trahison ce vilain mot même au son
Quand elle arrive au plus profond
Par l’être aimé celui que nous chérissons
Si cruellement qu’il n’existe aucun pardon.
Sans crier gare , c’est le top départ
D’une diabolique machination
Une douleur vous submerge , vous empare
Vous souffrez jusqu’à la déraison
Que tire-t-il de cette manipulation ?
Faire souffrir apporte autant de satisfaction ?
Il faut croire que c’est bon
D’orchestrer une destruction.
Cet être qui n’a plus rien d’humain
Hier encore on se tenait la main
Un amour plein de lendemains
De nous il avait faim.
Comment comprendre et accepter
Cet être qui vous a piégé
Sans rien vous épargner
L’erreur de l’avoir aimé.
Un cœur détruit anéanti
Plus rien ne lui fait envie
Sauf un besoin d’oubli
Pour tenter un retour à la vie.
Malika Mellal 14 avril 2018
Illustration de avogado6