Cathédrale du Sacré-Cœur d’Alger
Notas sobre a situação política | por Paulo Querido | Título de Vítor Coelho da Silva

O Governo cometeu algum erro gravíssimo? Não. Um conjunto de desastres? Não.
A pandemia foi mal gerida? Não.
Algum ministro foi julgado num escândalo de corrupção? Não.
Casos, houve. Há sempre casos. Mas houve algum caso grave, tipo terramoto político, capaz de abanar as intenções de voto? Capaz de alterar o rumo? Não se vislumbrou nem vislumbra. É de tal forma que as alminhas andam a agitar a sombra do acidente de Eduardo Cabrita há meses, em loop, um disco riscado, uma cassete triste — o ponto é: uma cassete única e um casinho lamentável, lamentavelzinho, inho. Grau 2 na escala de Richter política.
As finanças, como estão? As contas públicas estão bem e recomendam-se.
A economia está mal? Nem na cabeça do mais empedernido ayatollah da direita, o que inclui o Sol e i, quase toda a SIC, Observador, grande parte da TVI, metade do Expresso, pelo menos. A realidade é que Portugal está a crescer.
A crescer mais do que a previsão. A crescer acima da média europeia.
Continuar a lerTARRAFAL – o Campo da Morte Lenta (85.º aniversário) Texto atualizado | por Carlos Esperança

Há 85 anos, 29 de outubro de 1936, degredados, chegaram ao Campo de Concentração do Tarrafal 152 presos políticos. Nesse dia, com a chegada dos primeiros prisioneiros, começou a funcionar o presídio onde era mais doce a morte do que o Inferno da vida que os torturadores lhes reservavam.
Tinham sido 11 dias de viagem, de Lisboa ao Tarrafal, para a primeira leva de vítimas, grevistas do 18 de janeiro de 1934, na Marinha Grande, e alguns dos marinheiros que participaram na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro desse ano.
O Tarrafal foi demasiado grande no campo da infâmia e do sofrimento para caber num museu. Salazar teve aí, no degredo da ilha de Santiago, Cabo Verde, o seu Auschwitz, à sua dimensão paroquial, ao seu jeito de tartufo e de fascista.
Ali morreram 37 presos políticos desterrados, na «frigideira» ou privados de assistência médica, água, alimentos, e elementares direitos humanos, alvos de sevícias, exumados e trasladados depois do 25 de Abril.
Continuar a lerEdgar Morin: “Estamos caminhando como sonâmbulos em direção à catástrofe”

Traduzido do site TerraEco
O que fazer neste período de crise aguda? Indignar-se, certamente. Mas, acima
de tudo, aja. Aos 98 anos, o filósofo e sociólogo nos convida a resistir ao
ditame da urgência. Para ele, a esperança está próxima.
Por que a velocidade está tão arraigada no funcionamento de nossa
sociedade?
A velocidade faz parte do grande mito do progresso que anima a civilização
ocidental desde os séculos 18 e 19. A idéia subjacente é que agradecemos a
ela por um futuro cada vez melhor. Quanto mais rápido formos em direção a
esse futuro, melhor, é claro.
É neste contexto que as comunicações, econômicas e sociais, e todos os tipos
de técnicas que possibilitaram a criação de transporte rápido se multiplicaram.
Penso em particular no motor a vapor, que não foi inventado por razões de
velocidade, mas em servir a indústria ferroviária, que se tornou cada vez mais
rápida.
Tudo isso é correlativo por causa da multiplicação de atividades e torna as
pessoas cada vez mais com pressa. Estamos numa época em que a
cronologia se impõe.
Georges Brassens | Les passantes | À toutes les femmes qu’on aime
32 ème anniversaire de la disparition de Kateb Yacine | Souâd Kedri

Romancier visionnaire et homme de théâtre “témoin de son temps”… Que penserait Kateb Yacine de l’Algérie d’AUJOURD’HUI ?
Je vous propose de lire un extrait du Dialogue avec Jean-Marie Serreau, dans Le Poète comme un boxeur (Seuil, 1994) :
« Le vrai poète, même dans un courant progressiste, doit manifester des désaccords. S’il ne s’exprime pas pleinement, il étouffe. Telle est sa fonction. Il fait sa révolution à l’intérieur de la révolution ; il est, au sein de la perturbation, l’éternel perturbateur. Son drame, c’est d’être mis au service d’une lutte révolutionnaire, lui qui ne peut ni ne doit composer avec les apparences du jour. Le poète, c’est la révolution à l’état nu, le mouvement même de la vie dans une incessante explosion. »
Repose en paix !
Photo du net
Mohammed Dib parle de Kateb Yacine
O chumbo do OE-2022 – Até aqui cheguei… Carlos Esperança

Hesitei entre o título «J’accuse…», do artigo de Émile Zola na sequência do caso Dreyfus e o desabafo de José Saramago perante a prisão política de mais um intelectual por um regime que defendia. Optei pelo segundo, mais de acordo com a revolta sentida com o chumbo do OE-2022, no rescaldo da maior crise económica, financeira, social e sanitária de um século, e cujo desfecho é ainda imprevisível.
Não me senti desiludido. A desilusão é o argumento romântico que os trânsfugas usam para justificar uma deserção. Eu não desertei nem mudei de campo. Sinto revolta pelo desfecho da votação e uma enorme solidariedade por António Costa, que arrostou com o azedume e a chantagem de Cavaco Silva para provar que a direita não tem o alvará para decidir a dimensão do Arco do Poder, tal como nenhum partido de Esquerda o tem para rotular quem é ou não de esquerda e, muito menos, quem é democrata.
A decisão feriu interesses dos mais necessitados, do país, dos autarcas, e o bom senso. Um orçamento que podia ainda ser melhorado em fase da especialidade, mesmo pelos que julgam que todos os limites são possíveis, do endividamento ao défice, da utopia ao aventureirismo, podiam ainda obter ganhos. Preferiram chumbar, sem apelo, o OE.
Continuar a lerPoema escrito por Mário Soares a Maria Barroso, em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.

Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
… uma vez mais
Apesar da distância
E do silêncio
Opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural.
[Na fotografia: Mário Soares e Maria Barroso em 1958]
ANÁLISE DA PINTURA GUERNICA | PABLO PICASSO | por Roseli Paulino | @arteeartistas

Considerada uma das mais importantes obras produzidas no século XX, Guernica, de Pablo Picasso, não é somente uma pintura; é um documento histórico. Em determinado momento ela fala sobre si e nesse momento podemos identificar traços de uma época distante, analisar aspectos políticos, culturais e sociais de um período conturbado.
– Qual a mensagem que o pintor quis passar??? Ele foi definitivo em seu poema onde relata os horrores que retratou nessa tela:
“Gritos das crianças, gritos das mulheres, gritos dos pássaros, gritos das flores, gritos das camas, gritos das árvores e pedras, gritos dos tijolos, dos móveis, dos carros, das cadeiras, dos cortinados, das panelas, dos gatos e do papel, gritos dos cheiros, que se propagam um após o outro, gritos do fumo, que pica nos ombros, gritos que cozem na grande cadeira, e da chuva de pássaros que inundam o ar.”
No início de 1937, em plena Guerra Civil espanhola, o mestre do cubismo Pablo Picasso, recebeu como encomenda do governo republicano de Madri um afresco destinado ao Pavilhão Espanhol na Exposição Internacional, celebrada naquele ano em Paris. Mas Picasso, em suas próprias palavras, atravessava “a pior época” de sua vida no campo pessoal e artístico. No fim de abril, quando ocorreu o bombardeio de Guernica , o artista estava sem inspiração, até ficar sabendo do ocorrido.

Toda expressão artística está profundamente ligada à História. Na tela, o artista deposita toda sua consternação. A obra, ainda atual, está presente na memória da humanidade.
Continuar a lerMost Humiliating Skills | Lionel Messi
É possível mensurar a informação armazenada no universo? Para este físico, sim! | Melvin Vopson

O universo é muito estranho, se pararmos para pensar em alguns dos princípios mais fundamentais da física, como a incerteza do estado das partículas até as observarmos, ou a gravidade ser uma distorção no espaço-tempo. Por isso, não surpreende que algumas hipóteses “malucas” publicadas pelos cientistas faça um certo sentido. E a nova ideia de que a informação é o quinto estado da matéria é um desses casos.
- Cristais do tempo: novo estado da matéria é mais simples do que se pensava
- Físicos chegam pertinho do zero absoluto em novo recorde de temperatura negativa
- Nova força fundamental da natureza pode ser real se este estudo estiver correto
Um físico chamado Melvin Vopson, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, decidiu quantificar a informação estimando quanta informação é armazenada em uma única partícula elementar, como um elétron, e multiplicando o resultado na quantidade estimada de partículas no universo observável — só de alguém pensar em fazer algo assim já é impressionante, ainda mais levando a ideia adiante.
Continuar a lerParles moi d’amour… | Hanane Trinel

Une amie m’a dit ce soir, je te donne un royaume pour une jolie histoire ! J’ai envie d’amour, j’ai envie de sexe, j’ai envie de bonheur.
Ma vocation serait donc donner du bonheur ?! Pourquoi pas.
Et là, la troisième se fâche.
Paler de sexe ne choque plus personne ?! Mais nous marchons sur la tête !
Et alors ? Il en faut de peu pour que certains partagent la même couche. Et ce n’est pas les sites de rencontres qui vont me contredire, il faut bien que le corps exulte chantait déjà le grand Jacques , il y’a près d’un demi-siècle.
Oui mais parler de sexe, parler d’amour, exposer la chose au grand jour, vraiment, ça ne se fait pas ! Et puis, nous devons réserver ces mots à l’unique, le seul !
Les hommes le font bien eux ! Ils chantent, peingnent, écrivent bien leurs fantasmes, leurs désirs, l’amour selon eux !
Mais les hommes ont toujours préféré ces femmes-là Hanane !
Continuar a lerEscritora moçambicana Paulina Chiziane vence Prémio Camões | in SIC Notícias

A escritora moçambicana Paulina Chiziane é a vencedora do Prémio Camões 2021, numa escolha feita por unanimidade, anunciou esta quarta-feira a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca.
“No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane”, lê-se na nota informativa hoje divulgada.
“O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra. O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.
O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.
Continuar a lerVa, pensiero (Giuseppe Verdi) cantato da 4600 coristi all’Arena di Verona
Verona il 24 maggio 2015 – “Conto Cento Canto Pace” cori in Arena a 100 anni dalla grande guerra.
Va, pensiero (Nabucco) eseguito da 250 cori di 18 regioni , 4600 coristi diretti da Carlo Pavese.
‘Va, Pensiero’ from Nabucco, performed high above London (Verdi; Royal Opera Chorus)
20/10/1946
On this day in 1946 The Royal Opera Chorus first came together! The Chorus was formed when the ROH reopened following World War II.
Here is a stunning performance by them from Verdi’s Nabucco, as captured on the roof of our theatre.
GONÇALO M. TAVARES NAS MASTERCLASSES COGITO
Um dos mais importantes escritores portugueses vem, mais uma vez, ao COGITO para falar sobre o futuro da arte e o humanismo tecnológico – o tema central da nossa programação deste ano.
Pode asssitir ao vivo no Palácio Flor da Murta, com inscrição em INSCRICOES@COGITO.PT.E pode assistir online na página de Facebook do COGITO https://www.facebook.com/ideiasquetransformamoeiras
A pedido do nosso convidado, que valoriza o contacto humano, a transmissão online não será integral, pelo que recomendamos a participação ao vivo.
Não é todos os dias que lidamos com um candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

Vergílio ou Virgílio? | Frederico Lourenço


Não havendo a mínima dúvida de que o autor das «Bucólicas», das «Geórgicas» e da «Eneida» se chamava PVBLIVS VERGILIVS MARO – portanto, em português, Vergílio – porque é que as pessoas preferiram, durante toda a Idade Média e até praticamente aos dias de hoje, chamar-lhe Virgílio?
Antes de entrar nesta floresta de controvérsia, começo por uma declaração de simpatia subjectiva para com o nome «Virgílio». Acho um nome lindo, escrito assim com «i» na primeira sílaba, e envio daqui um cumprimento cordial a qualquer Virgílio (em Portugal ou no Brasil) que esteja a ler este texto. E, quanto ao poeta romano, quem sabe se ele até não gostaria de ver esta versão do seu nome? Eu não me importaria nada de ser «Friderico» em vez de «Frederico».
Objectivamente, porém, o nome latino é VERGILIVS. Verificamos isso em inscrições do período republicano e ainda do início do período imperial. Os preciosos manuscritos do século V (hoje em Florença e no Vaticano), que são os testemunhos mais antigos da obra do nosso poeta, grafam o nome, sem lugar para dúvida, como VERGILIVS, não só nos títulos das obras, como no famoso verso das «Geórgicas», que é a única passagem em que o poeta nos diz o seu nome e a sua residência: «naquele tempo me alimentava – a mim, Vergílio – a doce / Nápoles…» (Geórgicas 4.563-4; em latim, «illo Vergilium me tempore dulcis alebat / Parthenope…»).
Como surgiu, então, a forma Virgílio? E porquê?
Continuar a lerFinal duet (The Royal Ballet) | Edward Watson and Marianela Nuñez
Principal dancers Edward Watson and Marianela Nuñez dance the final pas de deux in Wayne McGregor’s abstract ballet Infra, a moving exploration of emotion, set to Max Richter’s melancholic and beautiful score. Find out more at https://www.roh.org.uk/productions/in… In Wayne McGregor’s masterpiece of abstract ballet, 12 dancers portray the emotions beneath the surface of human interaction – the title Infra comes from the Latin word for ‘below’. This collaboration with artist Julian Opie was created for The Royal Ballet in 2008, and has been performed around the world to critical acclaim.
Second movement pas de deux (Marianela Nuñez , Rupert Pennefather, The Royal Ballet)
Um inventário dos poetas católicos do Brasil | Os Fios da Escrita – ensaios literários | Adalberto de Queiroz

Adelto Gonçalves (*)
I
Um excepcional inventário sobre a produção dos principais poetas católicos do Brasil é o que o leitor irá encontrar em Os Fios da Escrita – ensaios literários (Itabuna-BA: Editora Mondrongo, 2020), de Adalberto de Queiroz, poeta, jornalista e ensaísta, que foi empresário no ramo de Tecnologia da Informação por 26 anos. É reparada assim uma injustiça, pois a poesia escrita por poetas católicos brasileiros, que tanta repercussão teve nos anos de 1930 a 1960, nas últimas décadas, havia sido, praticamente, excluída do alvo da crítica, ainda que continue a ser apreciada por alguns poucos jovens leitores.
Para Queiroz, há um “quarteto sagrado” da poesia feita por católicos no Brasil do século XX: Jorge de Lima (1893-1953), Murilo Mendes (1901-1975), Tasso da Silveira (1895-1968) e Augusto Frederico Schmidt (1906-1965). A esse grupo, porém, o ensaísta acrescenta Cecília Meireles (1901-1964), Manuel Bandeira (1886-1968) e Lúcio Cardoso (1912-1968). Desses, reconhece, apenas o paranaense Tasso da Silveira é menos conhecido, sendo mais estudado nos círculos acadêmicos de letras de Curitiba e do Rio de Janeiro, onde foi professor.
Continuar a lerAs Tamareiras | Rui Unas
Discurso de Charlie Chaplin em “O Grande Ditador”
A revolução pelo orçamento | Entre a tomada da Bastilha e o teatro no canal Memória | por Carlos Matos Gomes

A saga da discussão da proposta de orçamento geral do estado para 2021 é idêntica à dos anos passados. Os políticos são mais previsíveis que cantores de karaoke e os partidos são mais repetitivos que uma formatura da tropa a evoluir em ordem unida às ordens dos mesmos comandantes.
A discussão do orçamento é fácil para a direita, porque o regime vigente de capitalismo e democracia liberal corresponde à sua matriz de interesses. São contra os orçamentos dos partidos sociais-democratas porque estes atribuem sempre, e na sua visão, demasiados recursos a serviços públicos que podiam ser entregues ao lucro privado. A direita vota contra os orçamentos sociais-democratas porque transforma em despesa pública uma parcela significativa dos seus possíveis lucros. Une-se, por isso, com facilidade quer para votar contra, quer para encontrar fórmulas coligadas de governo. Simples.
O drama — se é que viver em contramão é drama — encontra-se na esquerda. A esquerda, por definição quer mudar o sistema e o mundo. Quer a revolução na posse dos meios de produção e no modo de produzir, visa a tomada do poder. Os sociais-democratas são seus inimigos. É histórico e há mais de cem anos.
Continuar a lerConversas Confinadas | Gonçalo M. Tavares
A Minha Religião É O Novo | Poema de Gonçalo M. Tavares com narração de Mundo Dos Poemas
Dance me to the end of love | Leonard Cohen (greek subs)
Vivemos no Inferno? | Carlos Matos Gomes

Mas tu quem és, que, em tribunal sentado, julgas, de léguas em milhões distante, se mal vês o que a um palmo é colocado? Dante, Divina Comédia, Canto XIX
A acreditar nos jornais e nas televisões vivemos no Inferno. Embora apenas os seus celebrantes e comentadores saibam o que é o Inferno. A nós, multidão e rebanho, resta acreditar neles, ter fé nos que nos garantem que vivemos no Inferno!
Nada de novo. Por volta de 1300, há sete séculos, já Dante Alighieri, na Divina Comédia se dera a esse mesmo trabalho de descrever o Inferno em pormenor e em círculos dedicados a cada pecado ou crime. A verdadeira intenção dele não terá sido, tal como não é a dos seus atuais seguidores, alertar os homens para as consequências das práticas dos crimes e pecados, amedrontando-os com os sofrimentos eternos dos exemplares ali caídos, mas sim uma outra bem mais prosaica: Dante, como os arautos da desgraça do nosso tempo e senhores dos novos meios de comunicação, pretendia, isso sim, diminuir a concorrência, para assim ser mais fácil aos poderosos em atividade terrena realizar os seus pecados e crimes, matéria-prima indispensável ao prazer, à obtenção de poder e riqueza.
Continuar a ler«Bucólicas» de Vergílio | Frederico Lourenço


Saiu hoje a minha edição das «Bucólicas» de Vergílio. É difícil encontrar palavras para dizer quanto estou grato pelo cuidado esmerado com que o livro foi concebido por Francisco José Viegas: a vinheta inspirada num desenho de Nicolas Poussin; a reprodução no interior do livro da deslumbrante Cena Campestre de Claude Lorrain (esse quadro mítico). Um enorme obrigado a toda a equipa da Quetzal que produziu este livro.
Agradeço, acima de tudo, o privilégio de vos dar a ler (pelos meus olhos – isto é, pelo resultado das minhas muitas leituras e reflexões) estes poemas sublimes.
Não são poemas ingénuos acerca de pastores. Estes textos tratam, em linguagem codificada, das maiores questões da vida humana, desde a política, à religião e ao sexo. Tratam do lugar e do poder da arte nas nossas vidas. Tratam da natureza e da necessidade de a respeitarmos – em vez de a rapinarmos.
Tratam da dor incurável do amor sem solução, mas tratam também do mistério da esperança; e da possibilidade de sermos felizes, na Terra, se o quisermos.
Como novidade absoluta na poesia latina, estes poemas olham de frente para a polarização na vida política e para os efeitos que daí advêm para vítimas inocentes.
São poemas de há 2000 anos, mas são poemas que nos falam hoje, das questões de hoje, das emoções e dos problemas que todos nós sentimos.
E como se tudo isso não fosse suficiente para partirmos à descoberta dos mistérios das «Bucólicas» vergilianas, há ainda o factor da sua musicalidade inultrapassável em latim. Na verdade: nunca se escreveu poesia auditivamente tão bela. Um milagre.
Histórias da História de Portugal | Mário Faria | 5 Outubro 1143

Via Celestino Gomes e Carlos Fino
A fundação ou a independência do Reino de Portugal não foi um acto circunstancial isolado. Foi um processo constituído por vários actores e acontecimentos, e não deveria ser atribuído a nenhum em específico.
O uso do título e a designação de Rei (Reino) de Portugal é muito anterior a D.Afonso Henriques.
O primeiro monarca a utilizá-lo foi Garcia II, Rei de Portugal e da Galiza, ainda que por um curtíssimo período, no ano de 1071:
H. R. DOMINUS GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE
Continuar a lerImagine | John Lennon

Imagine there’s no heaven
It’s easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people living for todayImagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace, youYou may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day you’ll join us
And the world will be as oneImagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or …
Festival Materiais Diversos | de 5 a 17 de outubro 2021

O Festival Materiais Diversos está quase a começar. Dia 5 de outubro, inicia-se o evento com uma das onze conversas que irão decorrer durante os 12 dias do festival.
Este ano, o Festival foca-se na desaceleração, inscrição, pluralidade e acessibilidade, procurando colocar no centro as pessoas e as relações e fazendo do festival um momento especial numa programação regular, dando, assim, início a uma nova fase, depois das suas 10 edições celebradas em 2019. O festival decorre entre 5 e 17 de Outubro, no Cartaxo, em Minde e Alcanena, o festival volta-se para o encontro e a reflexão e coloca em destaque as conversas e a caminhada como espaços de partilha, em relação de igualdade com espetáculos e projetos de artes performativas.
Fred Astaire & Rita Hayworth | The Shorty George | You’ll Never Get Rich
Magnifique moment de douceur et d’innocence
Retiré du Facebook | mur de Zoubida Belkacem

Natasha | Natalia Petrovna Osipova
Nacionalidade russa, bailarina principal do The Royal Ballet de Londres. 18 de Maio de 1986 (35 anos)

Pablo Picasso | Mulher sentada na poltrona vermelha
Pablo Picasso (25 de outubro de 1881 – 8 de abril de 1973) foi um pintor espanhol que passou grande parte de sua vida na França. Considerado um dos maiores gênios e grandes inovadores da arte no século 20, ele causou um grande impacto com o seu estilo cubista, que se tornou referência para artistas posteriores, e objeto de estudo de acadêmicos e intelectuais. Pintor desde a juventude, Picasso experimentou muitos estilos, de acordo com as várias teorias que estudou, mas é especialmente lembrado como o cofundador do cubismo.
Esta obra foi feita em 1937, no período mais prolífico do artista e é considerado um dos seus trabalhos mais importantes. Os tons de vermelho se defrontam com os de verde, o que dão ao quadro um senso de animação, típico de seus traços. Nesta época, Picasso já estava incrivelmente famoso, e o seu amor pela mulher foi representado com muita inspiração e vigor.

Afonso, O Conquistador | de Maria Helena Ventura
SINOPSE

Esta é a história de um homem, do seu sonho e do nascimento de uma nação.
Tem nas suas mãos um romance épico: a vida de D. Afonso Henriques. Recorrendo a uma meticulosa pesquisa histórica, Maria Helena Ventura transporta-nos para o século XII e envolve-nos com as paisagens, culturas e figuras dessa época distante. No centro da acção está Afonso Henriques, o primeiro homem a sonhar Portugal, e que tornou esse sonho realidade com golpes de espada, traições familiares, intrigas religiosas e muita determinação.
Afonso chegou até nós como um homem sem medo, vencedor de batalhas impossíveis, líder na frente de combate e na frente diplomática. Mas Maria Helena Ventura vai mais longe e apresenta-nos um homem que faria as delícias de Maquiavel: astuto como poucos e sem escrúpulos sempre que necessário. E também um homem apaixonado pela vida, pelos filhos – fossem eles legítimos ou bastardos – e até pela mulher, que finalmente aprendeu a amar.
Amadurecendo de príncipe impulsivo para soberano ponderado, no fim da vida Afonso deixa-nos um território um pouco diferente daquele que temos hoje em dia. Sem ele não haveria Portugal nem língua portuguesa, e nunca as caravelas com a cruz de Cristo teriam partido em busca de novas paragens nem Camões cantado Os Lusíadas.
Biografia
Maria Helena Ventura nasceu em Coimbra, terra de toda a família materna. Mantém ainda uma profunda ligação afetiva ao Porto, de onde o pai era natural, e a Lisboa, para onde veio no final da adolescência, onde se licenciou e fez o Mestrado em Sociologia da Cultura. Vive no concelho de Cascais. É membro da IWA – International Writers and Artists Association, Sociedade de Geografia de Lisboa e Associação Portuguesa de Escritores. Tem dezanove títulos publicados, até ao momento: sete de poesia, onze de ficção (romance) e um título de literatura infantil, além de trabalhos académicos nas áreas da Sociologia da Educação e da Cultura.
The Best of Mozart
Dimash Qudaibergen & Aida Garifullina | ULISSE
Giuseppe Verdi | Aida Garifullina – Sempre libera (La Traviata)
Aida Garifullina | Ave Maria (Schubert) | Concerto di Natale | Vatican
Laudate Dominum | Bel Canto Choir Vilnius
“Laudate Dominum” (Wolfgang Amadeus Mozart). Performed Live by Bel Canto Choir Vilnius, featuring soloist Lina Dambrauskaite and Raminta Gocentiene on the piano. Live from the Bel Canto Choir Vilnius concert, entitled “An Evening With Bel Canto” at St. Catherine Church in Vilnius on November 6, 2010.
Katharine Hepburn, en sus propias palabras. O Humanismo, essa atitude bela!

“Una vez, cuando era adolescente, mi padre y yo estábamos haciendo fila para comprar entradas para el circo. Finalmente, solo había otra familia entre nosotros y el mostrador de entradas.
Esta familia me causó una gran impresión.
Había ocho niños, todos ellos menores de 12 años. De la forma en que estaban vestidos se podía decir que no tenían mucho dinero, pero su ropa era limpia, muy limpia. Los niños eran muy bien educados, todos ellos parados en la fila, de dos en dos detrás de sus padres, tomados de las manos.
Estaban emocionados por los payasos, los animales y todos los actos que verían esa noche.
Por su emoción, podías percibir que nunca antes habían estado en un circo. Sería un punto culminante en sus vidas.
El padre y la madre estaban a la cabeza de la manada de pie, orgullosos como podría ser. La madre estaba sosteniendo la mano de su marido, mirándolo como si dijera: ‘Eres mi caballero en armadura brillante’.
El estaba sonriendo y disfrutando viendo a su familia feliz.
Continuar a lerImpresionante: “El Condor Pasa” y “Virgenes del sol” por Pura Alcantara de Byström
Zorba del Griego (Piano sólo) | Abel Rojas
Zorba del Griego de Mikis Theodorakis. Video de ensayo para el recital en Complejo Monumental de Belén en la ciudad de Cajamarca en abril del 2016
Detalle: el audio está con mucha reverberación por el ambiente, aclaro que no es por el pedal. Arreglo de Abel Rojas Arévalo
Zorba el Griego | Paola Hermosín
Clauder Arcanjo: tributo à mulher nordestina | por Adelto Gonçalves

I
Mulheres fantásticas (Mossoró: Sarau das Letras Editora; Fortaleza: Edições Poetaria, 2019), reunião de dezoito pequenos contos, do cronista, romancista, crítico literário e contista Clauder Arcanjo (1963), que constitui um tributo ao realismo fantástico tão presente nas histórias do Nordeste brasileiro, na definição do próprio autor, tem como figura central a mulher e suas habilidades únicas, que tanto intrigam os homens, que, muitas vezes, buscam em vão explicações para o seu comportamento. Não foi para tentar encontrar essas respostas que o Clauder Arcanjo escreveu estes contos, mas, principalmente, para realçar estes mistérios.
Para tanto, tratou de imaginá-las como elementos da natureza, objetos e até animais, como galinha, sapo, abelha, mas sem cair no tratamento chulo das palavras, ou ainda forças naturais, como ventania, maré e nuvem, ou sentimentos, como saudade, mostrando com leveza e bom humor os dramas que ocorrem no relacionamento entre homens e mulheres. Na visão do autor, os homens se mostram frágeis e incapazes de compreender a sensibilidade delas.
Continuar a lerCarlos Moedas | Entrevistado por Luís Osório

Deixo-vos uma conversa que tive com Carlos Moedas, em 2018. Uma conversa que está publicada no meu livro “30 Portugueses, 1 País”, editado pela Guerra e Paz, em 2019.
*
CARLOS MOEDAS
“Quando estamos lá fora somos sempre amados, mas depois um dia, ao voltar para cá, as pessoas já não gostam assim tanto”
Nasceu em 1970. Estrangeirado e sem anticorpos visíveis é um político que muitos acreditam poder marcar o futuro.
Conversámos no dia 11 de outubro. de 2018.
Sabe que não existe nenhum alentejano que tenha conquistado o poder na nossa história?
Continuar a lerCette expérience valide la théorie de la relativité d’Einstein

En 2019, l’observation du trou noir supermassif situé au centre de notre galaxie permet de tester une nouvelle fois la théorie de la relativité générale publiée en 1915.
Que se passe-t-il lorsqu’une étoile passe près d’un trou noir supermassif ? Elle offre aux astronomes l’opportunité de tester les théories d’Einstein.
En observant le comportement d’une étoile tournant autour du trou noir situé au centre de notre galaxie, les scientifiques ont confirmé que le champ gravitationnel intense de ce mystérieux objet cosmique avait un effet sur la lumière stellaire, retardant considérablement le voyage dans l’espace de ses visiteurs. Cette observation est le meilleur moyen de tester une prédiction clef de la théorie de la relativité générale d’Einstein, qui suggère que la lumière perd de l’énergie lorsqu’elle a du mal à se déplacer à travers un champ gravitationnel extrême.
Gabriel Nascente: poesia e pesadelo epidêmico | por Adelto Gonçalves

I
Tirar poesia do horror – foi a essa ingente tarefa que se atirou o experimentado poeta goiano Gabriel Nascente (1950) para produzir o alentado A Ópera dos Ausentes – pesadelo epidêmico: poema-reportagem (Goiânia, edição do autor, 687 páginas), provavelmente a primeira obra poética de vulto inspirada pela pandemia do coronavírus (covid-19), que desde o final de 2019, quando apareceu na cidade de Wuhan, na China, tem trazido dor e pânico em todo o planeta.
Logo no pórtico, o poeta diz que este longo poema foi “construído com a iluminação das trevas”, ao som “horripilante das ambulâncias despedaçando a inocência das madrugadas”. E tão assoberbado se sentiu diante do tema e da ameaça de morte que ronda todos nós que tratou de propor um novo gênero literário, o poema-reportagem, pois só assim se sentiria capaz de narrar essa tragédia universal, “sob o impacto das mais dolorosas emoções e sofrimentos, causados pelo assombroso vírus”.
Como observa no prefácio intitulado “A cerimônia das trevas”, que escreveu para a sua própria obra, Gabriel Nascente diz que a questão central do poema “foi trazer para dentro do texto as sombrias impressões de uma realidade (cruelmente mortífera)”, que roubou a vida de mais de cinco milhões de seres humanos em todo o mundo e continua desvairada em sua sanha assassina. E confessa que o fez “arrastado pelas correntes do choque”, pois, do contrário, “estaria mastigando a solidão das paredes. Ou uivando como um louco entre as grades de um hospício”.
Continuar a ler‘Every second is intense’ – Natalia Osipova on Anastasia (The Royal Ballet)
Maya Plisetskaya | Bolero (choreography by Maurice Béjart)
Coppélia | Full Length Ballet by Bolshoi Theatre ft. Natalia Osipova
La Traviata: Full Opera | Renée Fleming, Joseph Calleja, Thomas Hampson | Orchestra of the Royal Opera House
LA TRAVIATA | Coro di zingarelle e mattadori Giuseppe Verdi
Maria Callas sings “Casta Diva” (Bellini: Norma, Act 1)
The great Maria Callas performs an aria from her signature role, Bellini’s druid priestess Norma, with the Orchestre de l’Opera National de Paris and Georges Sebastian. Recorded live at the Palais Garnier on the 19th of December 1958, this concert marked the soprano’s debut at the Paris Opera, a major social event for Parisians and for which Callas donned her most elegant couture and a million dollars’ worth of jewelry.
Anna Netrebko | Grieg: Solveig’s Song
Diana Vishneva and Marcelo Gomes in Vertigo
DIVULGAÇÃO | Fernando Venâncio
Será realmente, como me parece, o mais belo livro de não-ficção que já li? Gosto de pensá-lo. Que a Ciência tenha exigido tanto brilho mental, tanta sorte também, mas igualmente tantos empecilhos, tantas rivalidades, tantos desenganos, eis o que eu ignorava.
Ann Druyan, mulher e sucessora do grande Carl Sagan, muniu-se duma equipa de excelência, e produziu uma nova série televisiva (que não vi, porque a vida não é só astrofísica…) e um livro que a acompanhava. Este. São horas de delícia, de surpresa, de deslumbramento. Isto, tudo isto que nos cerca, é muito, mas muito, fascinante.
Retirado do Facebook | Mural de Fernando Venâncio

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS | MINDE VAI MUDAR
Identificamos algumas situações e obras onde pretendemos intervir, e conjugamos as mesmas com projetos em curso pela CM de Alcanena. E o certo é que Minde vai mudar.
Não prometemos o que não depende de nós, mas garantimos que iremos desenvolver todos os esforços para que tal seja possível.
O combate á desertificação começa por tornar Minde numa freguesia atrativa e acolhedora, e essa será a n/ missão nos próximos 4 anos. Minde merece mais e mais, e nós iremos fazer por isso!!
Dia 23 Set (5ªfeira) pelas 20h no Cine-Teatro em Minde, convidamos a população a vir conhecer todas as n/ ideias e propostas.
JUNTOS IREMOS CONSEGUIR!!!

António Santarém 2021 | Candidato à Junta de Freguesia de Minde

Esta minha apresentação é um gesto de cortesia e consideração para com todos e cada um de vós.
Quero dizer-vos directa e pessoalmente que sou candidato a Presidente da Junta de Freguesia de Minde.
Apenas movido pelo interesse comum da nossa terra e freguesia, do seu desenvolvimento e progresso, na linha da melhor herança de trabalho e querer dos nossos antepassados.
Conhecem-me bem. Sabem qual tem sido o meu percurso de vida, sempre próximo e solidário com a população de Minde e de toda a Freguesia, Covão do Coelho e Vale Alto. Tenho estado sempre disponível para ajudar, fazer e participar com todos os movimentos e associações da nossa terra e Freguesia.
Olhem mais para as pessoas do que para os partidos. Para as pessoas da vossa confiança, que conhecem bem. Para as pessoas que amam a terra e Freguesia onde residem e querem mais harmonia entre todos os órgãos autárquicos – Câmara e Assembleia Municipal – de modo a que o novo futuro seja maior e melhor para todos.
Bem hajam pela vossa atenção.
António Santarém
ZIPLINE MINDE | Polje de Minde | Minde merece um novo futuro
Zipline é uma atividade de turismo de natureza inovadora realizada com base numa descida gravitacional tipo slide num cabo suspenso entre dois pontos com desnível acentuado.
Permite o desfrutar de paisagens naturais em total conforto e segurança. Apesar de muito emotiva, é uma atividade tranquila, plena de energia positiva e com forte adesão social e turística.
Em Minde existem condições naturais propícias a esta atividade – do marco Geodésico até aos Alves Raposo (antiga fábrica).
+ investimento privado para Minde + economia ambiental em Minde + emprego qualificado em Minde + turismo de natureza em Minde.




‘Quadrigrafias’: a poesia do efêmero | por Adelto Gonçalves

I
O leitor compra um livro e leva quatro boas obras de poesia. É esta a proposta de Quadrigrafias, fruto de um projeto criado e incentivado pelo escritor e diplomata Márcio Catunda, desde 2003, que consiste na edição de livros de livros. Quadrigrafias reúne quatro obras independentes entre si: Elaine Pauvolid comparece com Silêncio-Espaço, Márcio Catunda com Dias Insólitos, Tanussi Cardoso traz Dos Significados e Ricardo Alfaya, Álbum sem Família.
O título é alusivo aos quatro autores, suas escritas, suas visões e suas visualidades, já que a palavra grafias tanto sugere a escrita quanto as artes visuais, modalidades que cada vez andam mais próximas. Essa é a terceira coletânea de livros individuais em que os quatro autores estão juntos. As anteriores foram Rios (Rio de Janeiro, Ibis Libris, 2003), e Vertentes (Rio de Janeiro, Editora Five Star, 2009).
Continuar a lerFull Cabaret medley from “Liza with a ‘Z'”, 1972 | Liza Minnelli
Lili Marleen | Marlene Dietrich | Letra alemán y español
Madame Butterfly | Maria Callas
Puccini: Madama Butterfly, Act 2: “Un bel di vedremo” (Butterfly)
Der Hirt auf dem Felsen (Schubert) | Aksel Rykkvin (14y), Ib Hausmann & Christian Ihle Hadland
Aksel Rykkvin – boy soprano (14y) | Ib Hausmann – clarinet | Christian Ihle Hadland – piano
Miserere mei, Deus (Allegri) | Nordstrand Church Choir | Aksel Rykkvin (12y treble) | NRK
O que vestir na escola? E no trabalho? | Carlos Matos Gomes

A escola do Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora, tinha afixado à sua porta um cartaz a mostrar o que os alunos podiam ou não vestir, um código de vestuário para frequentar um estabelecimento de ensino público.
O ensino público inclui dois pontos nucleares que a sociedade, através do Estado, entende serem essenciais para a vida em comum e, por isso, decidiu afetar-lhe vastos recursos públicos: saber de humanidades e ciências que se possam traduzir em criação de riqueza e bem estar e uma integração social que proporcione uma harmoniosa vida em comum, isto dentro do princípio de que uma sociedade é mais que um agregado caótico de individualidades. Eram proibidas tops cai-cai — uma peça de pano usada por mulheres que circunda as mamas e deixa o umbigo à vista — calções curtos, calças largas ou descaídas, segundo a moda originária das prisões americanas para os presidiários anunciarem a disposição para relações sexuais (segundo informação da internet).
No regulamento interno da escola existia também uma regra que determinava que o vestuário não podia “expor partes do corpo, que possam atentar contra o pudor público”.
Continuar a lerAUKUS: UM ACORDO PARA ACORDAR A UNIÃO EUROPEIA | Paulo Sande

Não podia vir mais a propósito.
Três países – EUA, Reino Unido e Austrália, aliados antigos, um dia depois de Ursula von der Leyen ter feito o seu discurso da União e apelado à Europa da Defesa, anunciaram um acordo de segurança que é, na opinião de muitos especialistas de segurança, o maior desde a 2ª guerra mundial.
O AU – (u)K – US (AUKUS) formaliza a cooperação de defesa entre estes países na região do Indo-Pacífico e foca-se na capacidade militar, com dimensões como a cibernética, tecnologias quânticas, inteligência artificial. E depois (ou antes) há os submarinos.
1. SUBMARINO AO FUNDO
A compra de submarinos nucleares pela Austrália, o investimento mais caro de todo o acordo, criou um incidente diplomático com a França. Não admira, pois fica em causa o contrato (de 2016) de venda de 12 submarinos convencionais por parte da França à Austrália que, com este acordo, compra submarinos nucleares aos EUA (que pela 2ª vez apenas partilham a sua tecnologia submarina), tornando-se o 7º país do mundo a tê-los.
Continuar a lerFreddie Mercury’s OPERA Voice!
Ave Verum Corpus (Mozart) | King’s College, Cambridge
Como entender a equação de Einstein para a relatividade geral | Albert Einstein | in https://bigthink.com
Matematicamente, é um monstro, mas podemos entendê-lo num inglês simples.

– O que parece uma equação compacta são, na verdade, 16 equações complicadas, relacionando a curvatura do espaço-tempo à matéria e energia do universo.
– Ele mostra como a gravidade é fundamentalmente diferente de todas as outras forças e, no entanto, de muitas maneiras, é a única que podemos compreender.
Embora Einstein seja uma figura lendária na ciência por um grande número de razões – E = mc², o efeito fotoelétrico e a noção de que a velocidade da luz é uma constante para todos – sua descoberta mais duradoura é também a menos compreendida: sua teoria de gravitação, relatividade geral.
Antes de Einstein, pensávamos na gravitação em termos newtonianos: que tudo no universo que tem massa atrai instantaneamente todas as outras massas, dependendo do valor de suas massas, da constante gravitacional e do quadrado da distância entre elas.
Mas a concepção de Einstein era totalmente diferente, baseada na ideia de que o espaço e o tempo eram unificados em um tecido, o espaço-tempo, e que a curvatura do espaço-tempo dizia não apenas à matéria, mas também à energia como se mover dentro dela.
CONTINUAR (utilize o Google Translate)
https://bigthink.com/surprising-science/einstein-general-theory-relativity-equation/
‘Ar de arestas’: uma meditação sobre a dor | Iacyr Anderson Freitas | por Adelto Gonçalves


Livro de Iacyr Anderson Freitas: poeta presente em mais de 20 antologias no Brasil e no exterior, e Ozias Filho, jornalista, fotógrafo e poeta: carioca radicado em Portugal há três décadas (em baixo).

A precariedade da vida ou a dor da partida – este é o tema de um longo poema de Iacyr Anderson Freitas que se lê em Ar de arestas (São Paulo, Escrituras Editora, Juiz de Fora-MG, Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage-Funalfa, 2013), livro finalista do Prêmio Jabuti e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom. Em quadras rimadas, com versos heptassílabos, trata-se de um peça que medita sobre a precariedade iminente do ser, sobrepujado pela manifestação da dor, que lhe é transfigurada “através da exploração sistemática de um sistema de símiles e metáforas”, como observou o crítico, contista, ensaísta e tradutor Paulo Henriques Britto em enriquecedor posfácio que escreveu para este livro.
Continuar a lerUM DISCURSO COM ALMA SOBRE O ESTADO DA UNIÃO | de Ursula von der Leyen | Paulo Sande

“Se sembra impossibile allora si può fare”
Como todos os anos, ritual inaugurado pelo muito nosso (salvo seja) Durão Barroso, quando Presidente da mesma Comissão, Ursula von der Leyen, actual incumbente no cargo, pronunciou ontem, 15 de setembro, o seu discurso da União – em 2021, num ano ainda duro, dolorosamente presente, de futuro indecifrável, onde mora o medo mas também a coragem, o desânimo mas também a esperança.
Aqui ficam dez apontamentos sobre este discurso – um grito pela Alma da Europa.
1. A Europa, em tempo de pandemia, assegurou o acesso praticamente simultâneo de todos os países europeus à vacina. E foi a única região a partilhar metade das vacinas com o resto do Mundo (700 milhões de doses para os europeus, 700 milhões espalhadas pelo globo). E mais de 70% dos adultos europeus estão vacinados. E o projeto europeu HERA, num investimento de 50 mil milhões €, visa garantir que nenhum vírus transformará no futuro uma epidemia local numa pandemia global.
Continuar a lerAs Inseparáveis | Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir tinha nove anos quando conheceu Zaza, Élisabeth Lacoin. Da intensa amizade que nasceu desse encontro, e que apenas a morte trágica de Zaza, aos 21 anos, terminou, nasce o livro As Inseparáveis, uma pequena preciosidade literária que a Quetzal publica pela primeira em Portugal, com tradução de Sandra Silva e posfácio de Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha adotiva da autora, Simone de Beauvoir.
Esta é a história de duas amigas inseparáveis, da infância à idade adulta, um livro de grande valor literário e documental e uma peça importante no conhecimento da vida e obra da autora. Zaza foi uma personalidade extraordinária em vida, e a sua memória perdurou através das personagens em vários livros de Beauvoir, como Memórias de uma Menina Bem-Comportada e Os Mandarins.
Escrito em 1954, As Inseparáveis narra, em registo ficcional, a história das duas raparigas rebeldes, ao longo da sua educação sexual e intelectual, personificadas em Andrée e Sylvie. Quando Andrée começa a frequentar a escola de Sylvie, esta fica imediatamente fascinada com a nova colega: tão inteligente, elegante, sensível e autoconfiante como uma adulta. Ficaram logo amigas, conversavam e faziam planos durante horas a fio. Mas Andrée escondia algumas feridas e sofria uma educação demasiado exigente e repressora. Andrée é Zaza; e Sylvie, a pequena Simone.
Nesta edição, Sylvie Le Bon de Beauvoir faz um relato factual e cronológico desta amizade da sua mãe, da vida e do contexto familiar de Zaza, e inclui um conjunto de cartas e de fotografias que ajudam a documentar a história que as une. Disponível a partir de hoje.
Quetzal | Grupo Bertrand Círculo
“Não não existe democracia com algoritmo” | Entrevista com Francisco Louçã

No seu último livro, o economista e professor catedrático no ISEG analisa como as redes sociais e as novas tecnologias podem ser poderosos instrumentos de condicionamento da liberdade humana e garante que “Não é possível perceber o ascenso da extrema-direita hoje sem o papel das redes sociais”.
Muito mais que um terço da humanidade frequenta o Facebook, um número muito superior de pessoas se englobarmos todas as outras redes sociais. É impossível perceber a sociedade actual sem entender os efeitos dessas novas realidades tecnológicas e sociais nas nossas vidas. Segundo o autor, vivemos um sociedade de medo. Tornamo-nos cobaias do maior espaço social que existe, com a plataformização do trabalho, a vigilância de dados e a sua comercialização. Francisco Louçã aproveitou o confinamento para ler sobre a erupção das redes sociais e as suas implicações na política e na vida, criando uma espécie de ditadura do presente que esmaga o futuro e ignora o passado. Desse trabalho, resultou o livro: “ O Futuro Já Não É o que Nunca Foi, uma Teoria do Presente”.
As redes sociais e as mutações que elas implicam não são a sua área de trabalho habitual?
Sim, mas é uma preocupação crescente, acho que vamos entrar num período muito complicado e perigoso.
Para esse alerta é importante a saída de livros como o “Capitalismo de Vigilância” de Soshana Zuboff?
Já tinham saído uma série de trabalhos antes desse livro, antes de chegar ao “Capitalismo de Vigilância”. Apesar de não partir de uma análise de classes é um trabalho é muito interessante.
Continuar a lerDoce Certeza | Florbela Espanca

Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!
—
Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer…
—
Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos!…
—
Mas nunca encontrarás p´la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d´amor que são meus versos!…
—
Florbela Espanca, in “A Mensageira das Violetas”
Retirado do Facebook | Mural de Emilia Roque
Insubstituíveis e heróis circunstanciais | Carlos Matos Gomes

Jorge Sampaio deixou um exemplo. Um exemplo de santidade ou martírio? Não: um exemplo de decência!
Os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. É uma frase feita para querer significar que nem nos devemos dar demasiada importância, nem aos outros, porque o mundo seguirá a sua marcha, independentemente dos nossos trabalhos, preocupações e esforços.
A frase é feita e, como falácia, contem verdade e não a verdade. A questão não é a dos insubstituíveis. A questão é a de que não existimos para nos substituir uns aos outros, mas sim para nos continuarmos, seja por evolução, seja por rutura. Nesse sentido, somos como os corredores de estafetas: tem de existir alguém que, terminado o nosso percurso, pegue no testemunho e prossiga a prova. Ou que parta para outro destino e por outra pista!
Continuar a lerNat King Cole | Fascination | 61 Unforgettable Actresses in The 50’s
Top 10 “Must Know” Opera Songs
Prima Donna
This is just my selection of the top ten “must-know” opera songs for newcomers to the genre (or lovers of opera who want to listen to a couple of classics).
10. Una Furtiva Lagrima – from l’Elisir D’Amore – featuring Luciano Pavarotti (0.00)
9. Vide Cor Meum – from Hannibal – featuring Danielle Di Niese & Bruno Lazzaretti (4.48)
8. Un Bel Di Vedremo – from Madame Butterfly – featuring Maria Callas (8.40)
7. Duo des Fleurs (Flower Duet) – from Lakmé – featuring Sabine Devieilhe & Marianne Crebassa (13.20)
6. Libiamo, ne’ lieti calici – from La Traviata – featuring Juan Diego Flórez & Diana Damrau (17.52)
5. La Donna è Mobile – from Rigoletto – featuring Luciano Pavarotti (21.01)
4. Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (Queen of the Night Aria) – from Die Zauberflöte (The Magic Flute) – featuring Diana Damrau (23.48)
3. Habanera – from Carmen – featuring Anna Caterina Antonacci (26.50)
2. Nessun Dorma – from Turandot – featuring Luciano Pavarotti (28.59)
1. O Mio Babbino Caro – from Gianni Schicchi – featuring Maria Callas (32.05)
Lacrimosa | Requiem | W.A Mozart
SOUÂD KEDRI | LIBERTÉ | Entretien

La musique, la littérature, le cinéma, les arts visuels et les jeux nous permettent de réfléchir notre humanité, de consolider notre solidarité et d’imaginer la période post-pandémie.”
Liberté : La crise sanitaire a complètement bousculé le monde culturel en Algérie. Elle a aussi pesé lourd sur les artistes et les entreprises artistiques. Quel point de vue apportez-vous sur cette situation ?
Souad Kedri : La Covid-19 a mis sous cloche toute l’humanité. Pour faire face à la monstruosité et à l’horreur de cette pandémie, l’homme a été contraint à l’isolement social, à l’enfermement et à la crise économique. En somme, le virus a imposé à l’homme un nouveau mode de vie. Cette pandémie a impacté plusieurs secteurs, tout particulièrement le secteur culturel. En Algérie, quand a éclaté la crise sanitaire en mars 2020, on a tout arrêté (report des activités culturelles et fermeture des organismes culturels).
La pandémie a donc pesé lourd sur ce secteur, en général, et les artistes, en particulier. Aujourd’hui, la recrudescence de la Covid-19 a mis encore une fois en quarantaine le secteur culturel afin de protéger les citoyens et d’endiguer la propagation du virus. La situation sera donc difficile du côté des cinémathèques, des théâtres régionaux, des galeries, plus difficile encore pour les associations et les coopératives culturelles.
Encore une autre rude et dure épreuve pour les artistes, et c’est une situation qui peut s’installer pour quelques années. La pandémie est une évidence et l’impact est difficile à mesurer. Malheureusement, c’est le blocage de toutes les activités culturelles qui prend le pouvoir à chaque recrudescence de la Covid-19. Avec l’absence d’un plan de sortie de crise, dans ce secteur, qui doit lier avec force culture et pandémie, les arts et les artistes ne se relèveront pas aussi facilement demain.
“The Kiss” 1895 | Edvard Munch (1863 – 1944) Norwegian

“La Vague” 1896 | William-Adolphe Bouguereau (1825 – 1905) French
Just by looking at the painting we can “feel” that something masterful is going on in the background. This specific technique is called “Gamut,” a limited number of directions.

Arts et crise sanitaire | Un éternel retour à la case départ | Souâd Kedri

En cette période de crise sanitaire, l’art peut être une bouffée d’air frais face l’asphyxie omniprésente que nous impose la pandémie. Il n’est donc pas à sous-estimer. L’homme a besoin de l’art et de ses effets empathiques, éthiques et thérapeutiques. L’art contribue au bonheur, à la paix, à l’enrichissement intellectuel, au développement personnel et à la résilience pour voir les limites de notre courage et notre volonté à dépasser toute épreuve difficile. En somme, c’est un moyen d’une fin jugée bonne et utile, il constitue un réel apport pour l’épanouissement de l’individu en société.
L’art sert à se laver l’âme de la poussière de tous les jours disait Pablo Picasso. Et en ce moment de vide, de peur et de panique collective, comment peut-on utiliser les arts à bon escient ? Les arts peuvent adoucir notre quotidien marqué par les incertitudes de par leurs fonctions empathiques, éthiques et de cohésion sociale ne serait-ce que sur le plan virtuel. La musique, la littérature, le cinéma, les arts visuels et les jeux nous permettent de réfléchir notre humanité, de consolider notre solidarité et d’imaginer la période post-pandémie. L’art, c’est le plus court chemin de l’homme à l’homme, rappelait André Malraux.
Continuar a lerDanaid | Auguste Rodin,1889 | Impressionism

ENTREVISTA | Em busca de rastros de Bocage | Luthero Maynard conversa com Adelto Gonçalves

Adelto Gonçalves, 70 anos, doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é um dos maiores especialistas em século XVIII português. Um de seus trabalhos notáveis é Bocage, o perfil perdido, que sai agora pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp), depois de publicado em 2003 pela Editorial Caminho, de Lisboa, resultado de um trabalho de pesquisa em arquivos portugueses com bolsa de pós-doutoramento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).
Ainda sobre o século XVIII, o pesquisador publicou outro trabalho notável, Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1999), biografia do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), sua tese de doutoramento, e os ensaios históricos Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras, 2012), Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo colonial – 1709-1820 (2015), e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (2019), publicados pela Imesp.
Jornalista desde 1972, Adelto Gonçalves passou por várias redações, incluindo Cidade de Santos, A Tribuna, de Santos, O Estado de S. Paulo e Folha da Tarde e as editoras Abril e Globo. Em Portugal, é colaborador do quinzenário impresso As Artes Entre as Letras, do Porto, e das revistas Vértice e Colóquio/Letras, de Lisboa. É também colaborador do Jornal Opção, de Goiânia, do Diário do Nordeste, de Fortaleza, e da revista digital VuJonga, de Lisboa, dedicada aos povos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre outros sites do Brasil e Portugal.
Continuar a lerVIDA | Maria Helena Ventura

Quando os teus olhos
molhados de infinito
pedirem o esboço de uma
nova rota
aprenderás a navegar
pelas ranhuras da ruína.
—
E entre céu limpo
e a densidade de abismos
sentirás a doce aragem
da manhã seguinte
aconchegada no regaço
de um canal de luz.
Estás viva.
—
Maria Helena Ventura – QUANDO O SILÊNCIO FALAR
Pintura: PAPOILAS de MIKKI SENKARIK
O Alentejo, por Miguel Torga

Em Portugal, há duas coisas grandes, pela força e pelo tamanho: Trás-os-Montes e o Alentejo. Trás-os-Montes é o ímpeto, a convulsão; o Alentejo, o fôlego, a extensão do alento. Províncias irmãs pela semelhança de certos traços humanos e telúricos, a transtagana, se não é mais bela, tem uma serenidade mais criadora. Os espasmos irreprimíveis da outra, demasiado instintivos e afirmativos, não lhe permitem uma meditação construtiva e harmoniosa. E compreende-se que fosse do seio da imensa planura alentejana que nascesse a fé e a esperança num destino nacional do tamanho do mundo. Só daquelas ondas de barro, que se sucedem sem naufrágios e sem abismos, se poderia partir com confiança para as verdadeiras. Enquanto a nação andava esquiva pelas serras, ninguém se atreveu a visionar horizontes para lá da primeira encosta. Mas, passado o Tejo, a grei foi afeiçoando os olhos à grande luz das distâncias, e D. Manuel pôde receber ali a notícia da chegada de Vasco da Gama à Índia.
Terra da nossa promissão, da exígua promissão de sete sementes, o Alentejo é na verdade o máximo e o mínimo a que podemos aspirar: o descampado dum sonho infinito, e a realidade dum solo exausto.
Continuar a lerÉ JÁ ALI … | Autor desconhecido | Retirado do Facebook, Mural de Carlos Fino

(Via José Branco, a quem agradeço – Carlos Fino)
“Portugal nasceu no Norte mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade, Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.
Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que para o homem comum fica muito longe, para um alentejano fica já ali. Para um alentejano não há longe, nem distância porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar… E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado.”…
Continuar a lerFrancisco Louçã e Mariana Mortágua | Manual de Economia Política

Lisboa, 9 de setembro de 2021
Francisco Louçã e Mariana Mortágua, dois nomes de respeito na esfera económica e política, escrevem Manual de Economia Política, um manual completo,
rigoroso, com fórmulas e gráficos de apoio, que atualiza o trabalho iniciado por José Castro Caldas, também em parceria com Francisco Louçã, com o livro Economia(s), publicado em 2009. Disponível em todas as livrarias a partir de hoje.
Este é um manual de economia, dividido em 14 capítulos, que parte do real para discutir a teoria, que promove a pluralidade de perspetivas e o pensamento crítico. «Num momento em que de novo se fazem ouvir reclamações de mudança de “paradigma” e juras de arrependimento pelos “excessos” anteriores de terapêuticas baseadas na Economia da idade das trevas. Desta vez é que há mudança?», escreve José Castro Caldas, autor do prefácio.
Sinopse:
Continuar a lerNYC Ballet’s Lauren Lovette on Jerome Robbins’ INTERPLAY
Lauren Lovette shares her SAB Story | Inside SAB
A vida de Bocage | António Cabrita

Não sei se Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) era bilharista. A sê-lo, alinharia pelos que se comprazem na complexidade do jogo às três tabelas, arredio a submeter-se às triangulações mais clássicas e lineares — a acreditar no vaticínio do seu arqui-inimigo José Agostinho de Macedo: “É um gênio incapaz de simetria!” De fato, não se pode dizer de Elmano Sadino — o seu nome arcádico — que, como Shakespeare, Mozart ou Picasso, fosse artista, capaz de captar, sintetizar ou magnificar tudo o que a sua época lhe oferecia.
Há um anacronismo muito português que o fere, um engenho que lhe minou a obra até ao achamento de si. Para a época clássica, a natureza do gosto era submetida a leis universais e invioláveis e seria necessário romper com demasiadas coisas para assomar no plano estético a subjetividade que culminaria no Romantismo.
Bocage, por exemplo, fez a gesta, mas tal como Ovídio, que traduziu, só procurou nos lugares a reminiscência “histórica”. Foi essa a ilusão que o traiu, a raiz do seu desencontro com os lugares — velados pelos mitos. Vai ao Brasil, à Ilha de Moçambique, a Goa, a Damão, a Macau, perseguindo a irradiação de Camões, sem se abrir à experiência.
Continuar a lerRústica | Florbela Espanca

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.
—
Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho…
– Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho…
—
Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”…
—
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.
—
Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”
Retirado do Facebook | Mural de Emilia Roque