UM PAÍS QUE SE AUTODERROTA | Pedro Adão e Silva | in Jornal Expresso de 31/12/2020

Primeiro era o plano que não existia e as vacinas que não iam chegar. Depois, era a impreparação generalizada do país para administrar vacinas. No dia em que a vacina chegou, o problema passou a ser distinto: em lugar de um diretor do serviço de doenças infectocontagiosas de um dos maiores hospitais do país, o primeiro vacinado deveria ter sido outro.

É um padrão conhecido. Um país que desconfia, que se autoderrota, mesmo contra as evidências, e que aguarda com entusiasmo provinciano que as coisas corram mal.

Esquecemos com isso que nenhum país estava preparado para lidar com esta pandemia e que em todos os casos foram cometidos erros. Muitos erros, aliás. Mas, tendo em conta o que já percorremos, há motivos para nos congratularmos com a resposta que os serviços públicos portugueses deram às solicitações dos cidadãos: a segurança social que teve de processar centenas de milhares de pedidos de lay-off, enquanto os seus funcionários estavam em teletrabalho; o ensino que teve de se adaptar às aulas à distância; os lares, geridos numa combinação singular entre recursos públicos e boas vontades particulares, que se adaptaram a situações limite; e o Serviço Nacional de Saúde, que conseguiu lidar com uma pressão que se anunciava ingerível.

Temos níveis de cobertura de vacinação, por exemplo de sarampo e rubéola, superiores a 95%. Alguma coisa teremos feito bem.

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Natal 2020 | Frederico Lourenço

Quem leu o famoso romance “Brideshead Revisited” de Evelyn Waugh lembrar-se-á de uma conversa entre Charles e Sebastian sobre a fé, em que Charles se afirma não-crente e exprime a sua estranheza perante o facto de o amigo acreditar na lenda do Natal (com Reis Magos e burrinho junto da manjedoura). Diz Charles: “but my dear Sebastian, you can’t seriously believe it all… I mean about Christmas and the star and the three kings and the ox and the ass”. Ao que Sebastian responde: “oh yes, I believe that. It’s a lovely idea”.

Neste ano de pandemia, tão dilacerante para milhões no mundo (e que nos trouxe em Novembro a notícia deprimente de que Donald Trump obteve mais 11 milhões de votos do que em 2016 e, em Dezembro, mutações super contagiosas do coronavírus), a “lovely idea” do Natal é mais precisa do que nunca, capaz de consolar pessoas religiosas e pessoas sem nenhuma religião. Na verdade, não preciso de acreditar que o menino deitado na manjedoura é filho de Deus para reconhecer a espantosa beleza da ideia de que o filho de Deus pudesse estar deitado num estábulo de animais, calmamente observado por um burro e por um boi. Também não preciso de acreditar na virgindade da mãe que o deu à luz para achar “a lovely idea” a noção de que uma virgem pudesse engravidar e parir uma criança.

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O QI médio da população mundial diminuiu nos últimos vinte anos | Christophe Clavé

Nunca vi esta problemática tão bem explanada desde a monumental obra “A era do vazio” do Gilles Lipovetsky (Manuel Tavares).

“O QI médio da população mundial, que sempre aumentou desde o pós-guerra até o final dos anos 90, diminuiu nos últimos vinte anos …É a inversão do efeito Flynn.

Parece que o nível de inteligência medido pelos testes diminui nos países mais desenvolvidos.Pode haver muitas causas para esse fenômeno.

Um deles pode ser o empobrecimento da linguagem. Na verdade, vários estudos mostram a diminuição do conhecimento lexical e o empobrecimento da linguagem: não é apenas a redução do vocabulário utilizado, mas também as sutilezas linguísticas que permitem elaborar e formular pensamentos complexos. O desaparecimento gradual dos tempos (subjuntivo, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado) dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento: incapaz de projeções no tempo.

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Deus e Tolentino | Feliz Natal | Luís Osório

  1. O Cardeal Tolentino de Mendonça, reclinado perante o Papa Francisco, perguntou-lhe: “Santo Padre, o que me fez”. Naquele momento em que o Papa, na Basílica de São Pedro, cumprimentava cada um dos 13 novos cardeais, o bibliotecário do Vaticano sentiu o tempo parar. Francisco respondeu que ele era a poesia. E seguiu. Já passaram dois anos, o tempo infelizmente não trava como nos momentos de grande jubilo interior, continua sempre.

2. O Cardeal Tolentino de Mendonça, o rapaz pobre de Machico, filho de um pescador, continua e escrever poemas. E a ser um habitante do silêncio… apesar de toda a balbúrdia, de todo o chinfrim do mundo, ele continua a ser a criança que atravessa o mundo.

Conhecem o meu poema preferido entre todos os que escreveu?

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Devia morrer-se de outra maneira | José Gomes Ferreira

Devia morrer-se de outra maneira.

Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.

Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol

a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos

os amigos mais íntimos com um cartão de convite

para o ritual do Grande Desfazer: “Fulano de tal comunica

a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje

às 9 horas. Traje de passeio”.

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos

escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir

a despedida.

Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.

“Adeus! Adeus!”

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,

numa lassidão de arrancar raízes…

(primeiro, os olhos… em seguida, os lábios… depois os cabelos… )

a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se

em fumo… tão leve… tão sutil… tão pólen…

como aquela nuvem além (veem?) — nesta tarde de outono

ainda tocada por um vento de lábios azuis…

José Gomes Ferreira

Retirado do Facebook | Mural de Maria Cantinho

ARRANCADA DE SON HEUNG-MIN VENCE O PRÉMIO PUSKAS

Tottenham’s Son Heung-min celebrates after scoring his team’s first goal during the English Premier League soccer match between Burnley and Tottenham Hotspur at Turf Moor stadium, Burnley, England, Monday, Oct. 26, 2020. (Lindsey Parnaby/Pool via AP) Britain Soccer Premier League

Son Heung-Min, extremo sul-coreano do Tottenham, é o vencedor do Prémio Puskas 2020, prémio para o melhor golo. Uma distinção conseguida com o tento marcado ao Burnley, no triunfo por 5-0 a contar para a 16.ª jornada da Premier League passada.

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Covid-19. Descoberta da vacina em tempo recorde tem “lógica científica, não é milagre” | Pedro Simas, virologista | in Jornal O Observador

GettyImages

O virologista Pedro Simas explicou “a combinação de três coisas” que permitiu chegar a vacinas contra o novo coronavírus, começando pelo atual “avanço tecnológico” e pelo conhecimento nos coronavírus.

O virologista Pedro Simas defendeu esta terça-feira a necessidade de transmitir que a descoberta de vacinas para a Covid-19 em tempo recorde não é algo precipitado para que as pessoas percebam a lógica científica e não as temam.

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Álvaro Cunhal | por Jorge Amado

«Tão magro, de magreza impressionante, chupado a face fina e severa, as mãos nervosas, dessas mãos que falam, mal penteado o cabelo, um homem jovem mas fisicamente sofrido, homem de noites mal dormidas, de pouso incerto, de responsabilidades imensas e de trabalho infatigável, eu o vejo, sentado ao outro lado da mesa, diante de mim, falando com a sua voz um pouco rouca, os olhos ardentes no fundo de um longo e sempre vencido cansaço, e o vejo agora como há cinco anos passados, sua impressionante e inesquecível imagem: Álvaro Cunhal, conhecido por Duarte, o revolucionário português. Falava sobre Portugal, sobre que poderia falar?

Sua paixão e sua tarefa: libertar o povo português da humilhação salazarista, libertar Portugal dessa já tão larga noite de desgraça, de silêncios medrosos, de vozes comprimidas, de alastrada e permanente fome do povo, de corvos clericais comendo o estômago do país, de tristes inquisidores saídos dos cantos mal iluminados das sacristias e da História para oprimir o povo e vendê-lo à velha cliente inglesa ou ao novo senhor norte-americano. Sua paixão e sua tarefa: fazer de Portugal outra vez um país independente e do povo português um povo novamente livre e farto e dono da sua natural alegria.

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POÈME | Samia Cherradi

Rechante-moi les rêves d’autrefois!

Et explique-moi à nouveau,

Où est passé le temps des rois,

Le temps des princes et des châteaux!

Pourquoi avons-nous tellement changé,

Et détruit nos anciens jouets?

Qu’il y avait-il de mal

A ne pas vouloir grandir?

Qu’il y avait-il de mal

A vouloir toujours sourire?

J’ai gardé au plus profond de moi

Mes doux secrets de petite-fille,

Mes chagrins, et mes émois,

Mais ma mémoire, aujourd’hui, vacille.

Pourquoi avons-nous tant changé,

Et gardé nos vieux regrets?

Qu’il y avait-il de mal

A ne pas vouloir souffrir?

Qu’il y avait-il de mal

A vouloir toujours réussir?

Qu’il y avait-il de mal

A juste vouloir vivre

TAP – A HORA MAIS NEGRA | HELENA VASCONCELOS

A leviandade e ignorância que certos “comentadores” arvoram com arrogância e tibieza são, no que diz respeito ao momento terrível que a TAP atravessa, simplesmente criminosas.

Os ( e as) que afirmam com convicção que se deve “fechar a TAP” – como se se tratasse de um negócio de vão de escada – ou “deixar cair a TAP” – com a cobardia habitual de quem prefere cruzar os braços e é totalmente falho de visão – ou, como dizia uma dessas luminárias , “reestruturar” até a TAP estar a dar lucro e depois vendê-la – como se fosse uma vaca parideira ou um peru de Natal – toda esta gente que dá palpites a torto e a direito, sem informação fidedigna, sem uma verdadeira pesquisa aturada, é, simplesmente uma vergonha para o país.

O “caso TAP” é singular e particularmente intrigante . Uma Companhia que soma prémios de excelência, que é reconhecida em todo o lado como referência, que dá cartas em inúmeros sectores – os pilotos são considerados dos melhores do mundo, os serviços de manutenção são procurados por todos, sem contar com um sem número de serviços que vão para além da aviação propriamente dita – essa mesma Companhia é vilipendiada a cada momento pelos cidadãos e cidadãs deste país que têm a memória curta e uma atitude de desprezo provinciano por algo de que deveriam acarinhar e orgulhar-se. Quando constato que tanta gente se indigna com vendas a países estrangeiros de tranches larguíssimas de empresas e companhias portugueses que são de importância estratégica – como por exemplo, a EDP – mas estão prontíssimos para vender a TAP ao desbarato, pergunto-me : afinal, o que querem? Aliás, hoje só me ocorrem perguntas: o que tencionam fazer com 10 mil desempregados, se “fecharem as portas”? Quem irá pagar os seus subsídios de desemprego, quem irá sustentar os negócios que estão agregados à TAP? Quem irá providenciar o sustento de famílias inteiras?

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Plano de reestruturação. “Se falharem as negociações em Bruxelas, a TAP é liquidada” | Ministro Pedro Nuno Santos | Texto de André Freire

Muitos parabéns ao senhor ministro das infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, pela excelente entrevista que deu ontem, 11-12-2020, na SICN, 23-24h, no horário habitual do Expresso da Meia Noite. Primeiro, pela forma vigorosa e contundente como desmascarou e contrariou um estilo de “entrevista jornalística” hoje muito em voga, não apenas na SICN (estes são apenas campeões, mas é geral), em que os jornalistas se comportam como opinadores num debate (no caso o diretor de expresso, João Vieira Pereira, e José Gomes Ferreira), emitindo opiniões (geralmente eivadas de uma vertigem populista, anti estado e anti político, de forte recorte neoliberal, defendendo tudo e o seu contrário) e impedindo amiúde o entrevistado de falar, para emitirem as suas opiniões…. Segundo, porque o plano de restruturação da TAP é muitíssimo duro e difícil, sobretudo para um governo de centro-esquerda e um ministro da ala esquerda do governo, e o Pedro defendeu-o com muita coragem, clareza e frontalidade! Terceiro pela preparação técnica que demonstrou à exaustão e pela forma como evidenciou também à exaustão a importância estratégica da TAP para o país! Quarto, pela defesa clara e inequívoca como defendeu o papel do Estado na companhia, contra o canto de sereia da vertigem neoliberal de privatizar tudo o que mexe, negando porém a rotunda falsidade de que o Estado queria o controlo total da TAP e fez sair os privados: estes é que, perante as dificuldades, “não quiseram colocar mais um tostão na TAP” e preferiram vender a sua posição ao Estado!

André Freire

Retirado do Facebook | Mural de André Freire

ENTREVISTA | VIDEO DA SIC NOTÍCIAS

https://sicnoticias.pt/economia/2020-12-12-Plano-de-reestruturacao.-Se-falharem-as-negociacoes-em-Bruxelas-a-TAP-e-liquidada

Ah, políticos como nós. Que refrescante! | por Mafalda Anjos | in Revista Visão

Os comentários acerca das lágrimas de Marta Temido mostram um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres em cargos de direção.

Uma das grandes epidemias deste século é a da falta de empatia. A tecnologia que colocou vários ecrãs entre nós e os outros tornou-nos menos capazes de ler quem está do lado de lá, de os sentir e de nos colocarmos no seu lugar. É cada vez mais raro alguém experimentar caminhar nos sapatos de outra pessoa, como dizem os ingleses, antes de tecer considerações sobre ela.

Desde o início da pandemia que Marta Temido e Graça Freitas têm sido sujeitas a esta epidemia da falta de empatia e a críticas que não teriam sido feitas a homens se estivessem nos lugares delas. Desde março que a sociedade portuguesa destila todo o seu preconceito em comentários maldosos que nada têm a ver com reparos à sua atuação, mas ao simples facto de lhes faltar a hormona da testosterona.

Quantas vezes ouviram que a tarefa de fazer face a uma pandemia é demasiado árdua para estar a cargo de duas mulheres? Que não têm força para isto, nem “tomates” para as decisões que é preciso tomar? Ou comentários infelizes aos dentes, aos alfinetes de peito, ao que vestem e como se apresentam? Eu li e ouvi centenas, milhares. Demasiados para o que seria de esperar em 2020. Não tenhamos dúvidas: liderar é difícil, liderar sendo mulher mais ainda. Sei do que falo.

Ontem, Marta Temido chorou em público e durante a tarde não se falou de outra coisa. Os comentários foram os mais variados, muitos deles irreproduzíveis aqui, tal e qual como quando se soube que Graça Freitas estava contaminada com Covid-19. A maioria tinha duas coisas em comum: um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres na política ou em cargos de direção.

Merkel, Lula da Silva, Jacinda Ardern, Obama e até mesmo Putin, imagine-se, já choraram em público. Um político não se pode emocionar? E não se pode irritar? Uma diretora-geral da Saúde não pode adoecer? Podem sim. Não só podem, como eu diria mesmo que é refrescante quando isso acontece. É sinal de que os dirigentes, políticos ou técnicos, são feitos da mesma massa do que os outros de nós, que são humanos, que também têm um coração que bate do lado esquerdo e um cérebro que funciona por sinapses. É sinal que têm consciência da repercussão das suas decisões nas vidas alheias e do peso da responsabilidade que assumem. É sinal de que não são robots analíticos desprovidos de humanismo.

Não se imagina o enorme fardo da tarefa que Marta Temido e Graça Freitas desempenham ininterruptamente desde março. As imensas dúvidas que terão tido, as decisões que tiveram de tomar não estando detentoras de toda a informação normalmente confortável para o fazer, os complexos dilemas que tiveram de ultrapassar, a frustração que sentiram perante a falta de recursos e de meios com que têm de atuar.  

Muitas vezes discordei das suas opções e muitas outras critiquei as suas decisões e declarações. Sim, é claro que cometeram vários erros. Mas esperar outra coisa é não ter noção nenhuma do que é conduzir a pasta da Saúde durante uma pandemia com um novo vírus.

Estamos cá para continuar a escrutinar. Quando tudo passar, será a História com o distanciamento devido a avaliar o seu legado e o seu desempenho. Creio que, perante as circunstâncias, não se estão a sair mal – mas ainda faltam os últimos quilómetros decisivos desta maratona, nomeadamente o plano de vacinação.

No entanto, desde já, uma coisa reconheço e agradeço a estas duas senhoras: a sua imensa resiliência, persistência e espírito de sacrifício, a sua quase inesgotável capacidade de trabalho, o seu talento para a gestão de crise com tato e serenidade. Atrevo-me a dizer que poucos seriam os homens à altura deste desafio. 

MAFALDA ANJOS DIRETORA da Revista Visão

Retirado do Facebook | Mural de Revista Visão

TAP | Tiago Franco

(Pessoal que quer ver a TAP pelas costas é melhor parar nesta linha)

Não sou um grande fã da ficção. Claramente alinho mais com a prosa factual e histórica. Ainda assim forcei-me a ler um livro que encontrei na Fnac: “Missão em Cuba” do Nelson deMille. “Best Seller” e “número 1 em Nova Iorque” prometia quem o publicitara. Eu confesso que o chamariz estava naquela foto de capa, com o capitólio de Havana e um carro da década de 50, brilhante e colorido pelos anos de embargo. Imaginei um espião no Malecón, um rum “shaken, not stirred” e rumbas húmidas com camaradas pelo meio. Mas era só na minha cabeça. Na realidade de quem pensou a história, ao fim de 100 páginas preparavam-se para aterrar em Havana. Relembro que o nome do livro é ”Missão em Cuba”. Já estava ligeiramente irritado quando ouço lá ao fundo o Cotrim a falar na Assembleia da República. De vez em quando corto na Bossa Nova e aposto no Parlamento para música ambiente. O tema era a TAP e a sua reestruturação.

O Cotrim, como se imagina, traçava o caminho da privatização e argumentava, como bom liberal, com o erário público que na sua visão deve ser reduzido. Aos poucos aquela voz, repetindo disparates, tomou a vez do Nelson e acabei por fechar o livro. Continuávamos sem chegar a Havana pelo que, mal por mal, resolvi trocar uma irritação por outra.Dizia o Cotrim, de cátedra, que não estava surpreendido com a situação da TAP e que há muito se adivinhava a necessidade de ajuda que agora se discutia. Portanto, num ano em que as companhias aéreas um pouco por todo o mundo colocaram os aviões em terra e os países encerraram fronteiras, o Cotrim percebeu que a TAP ia ter problemas. É melhor ninguém lhe dizer que sabíamos todos, para não lhe estragarmos o vídeo de 2 minutos que meteram no canal de youtube da Iniciativa Liberal.

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Cabo Delgado | Moçambique | Carlos Matos Gomes

A violência em Cabo Delgado é simultaneamente simples de perceber e propositadamente difícil de explicar. A causa simples é a luta pelo poder, enquanto domínio que permite o acesso de um dado grupo às riquezas. Neste sentido, a causa da violência em Cabo Delgado é idêntica à da violência que conduziu às invasões do Iraque, da Síria e à destruição da Líbia. A única diferença é que a região onde se encontram as riquezas – petróleo, gás, e também pedras semipreciosas – é habitada por uma sociedade com poucos ou nenhuns meios de defesa (os macondes) e faz parte de um Estado fraco, incapaz de garantir a ordem interna e de se defender de ataques externos. Cabo Delgado é um alvo mole e barato para os assaltantes.

É deliberada a complexidade das diversas explicações para a violência em Cabo Delgado, classificada como «conflito» – não há qualquer conflito, há imposição de um poder pelo terror. A complexidade destina-se a esconder os responsáveis perante a opinião pública e a confundi-la. Os argumentos que salientam tensões etnolinguísticas, particularmente entre povos muçulmanos da costa, macuas, e macondes (animistas/cristãos), desigualdades no acesso a benefícios do Estado por parte dos macondes, favorecidos pelo estatuto dos antigos combatentes, representação política, assimetrias, lançadas para a opinião pública como estando na origem do jhiadismo e das suas práticas de terrorismo religioso são meras falácias, engodos e enganos.

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O código da vida, decifrado | Arlindo Oliveira | in Jornal Público

Um problema que, durante mais de meio século, desafiou os melhores grupos de investigação do mundo, foi agora resolvido pelo programa AlphaFold.

Sabe-se, há muito tempo, que determinadas características dos progenitores passam para os descendentes. Porém, os mecanismos de transmissão destas características só foram compreendidos há relativamente pouco tempo. Mendel descobriu, e publicou em 1866, algumas das regras que controlam a transmissão destas características, mas o seu trabalho permaneceu ignorado durante décadas e só foi redescoberto no princípio do século XX. Quando, em 1859, Charles Darwin comunicou a sua descoberta (que partilhou com Alfred Russel Wallace) de que este mecanismo de herança de características estava na origem de todas as espécies que existem no planeta, revolucionou a nossa compreensão do mundo. Existia, afinal, uma resposta simples, óbvia e definitiva para a questão: o que somos, de onde vimos, como aparecemos neste planeta? Mas Darwin não sabia como era feita a transmissão de características nem conhecia o trabalho de Mendel. Foi preciso esperar mais um século até ficar definitivamente esclarecido qual o mecanismo biológico usado pela natureza para passar as características dos progenitores para os seus descendentes, criando a variação, mas também a continuidade, que tornam possível o processo evolutivo.

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Glass Marcano, la jeune cheffe vénézuélienne qui va dynamiter la musique classique.

Há três meses, a jovem de 24 anos vendia frutas com a mãe em Yaracuy, no centro-oeste da Venezuela. Ela deixou o país pela primeira vez de uma forma bizarra e agora tira selfies com a Torre Eiffel ao fundo.

E também coleciona elogios em francês.

“É uma jovem extremamente talentosa, trabalhadora e inteligente que terá uma grande carreira”, prevê em conversa com a BBC News Mundo Romain Fievet, da orquestra Paris-Mozart, que em conjunto com a Filarmónica da capital francesa organizou o concurso Maestra, para profissionais mulheres.

La Maestra – Concours de cheffes d’orchestre – Finale – ARTE Concert

Elles ne sont plus que trois candidates à encore être en compétition. Face à elles, un jury présidé par Ewa Bogusz-Moore et composé de Marin Alsop, Claire Gibault, Pablo Heras Casado, Sian Edwards, Elizabeth Askren et Maxime Pascal.

Programme : Finale | Délibérations | Cérémonie de remise des prix

TEXTO DA HOMILIA DE JOSÉ TOLENTINO DE MENDONÇA NA DESPEDIDA DE EDUARDO LOURENÇO

“Estamos aqui num dos mais emblemáticos lugares portugueses, neste “jardim de pedra” como um dia Eduardo Lourenço chamou ao Mosteiro dos Jerónimos; estamos aqui mulheres e homens, crentes e não crentes, no contexto desta liturgia cristã para expressar a mais comovida gratidão pela vida de Eduardo Lourenço.

Normalmente a morte tem uma dimensão pessoal e o luto que nos atinge, desabrido, ardente e radical, tem uma conjugação no singular. Eduardo Lourenço também viveu assim os seus lutos. Lembro um dos últimos, há precisamente sete anos atrás, quando morreu a sua mulher, Annie. Há um manuscrito de Lourenço onde se pode ler: “A Annie acaba de morrer. Eram quatro horas menos um quarto deste 1º de Dezembro, de 2013…” E continua: “A longa agonia silenciosa da Annie […] restitui à vida uma espécie de esplendor póstumo, o da ausência tornada enfim sensível. De fora fica apenas o lençol branco da minha inexistência sem ela.” Ou recordo um dos seus primeiros lutos, sigilado na forma de dedicatória do seu livro de estreia, quando corria o ano de 1949: “em memória do Cap.Abílio de Faria e de Maria de Jesus Lourenço, meus pais”.

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O PCP e o Orçamento do Estado para 2021 | António Filipe

O PCP posicionou-se perante o OE para 2021 em absoluta coerência com o que fez entre 2015 e 2020 e como sempre disse que faria.

Apreciou as propostas pelo seu conteúdo e sem perder nenhuma oportunidade para obter avanços favoráveis ao povo português. O PCP sempre disse que a sua relação com o Governo PS não dependeria de qualquer documento assinado mas da análise das propostas em discussão. A questão não é notarial. É política. Não assenta em proclamações mas em conteúdos. O PCP obteve ganhos de causa muito importantes neste Orçamento do Estado. Não para si, mas para os trabalhadores sujeitos a lay-off, para os reformados ou para quem defende o reforço do SNS.

Se o PCP não tivesse aberto a possibilidade de discussão na especialidade e tivesse votado contra, nada disso teria sido possível. A discussão na especialidade foi um terreno de luta de que o PCP não abdicou e com a sua posição permitiu que propostas de outros partidos tivessem sido aprovadas com os seus votos mesmo contra os votos do PS. Também foi a posição e a coerência do PCP que, ao permitir a discussão na especialidade e ao viabilizar o Orçamento, tornou isso possivel.

O PCP não desiste de lutar pelo que não conseguiu obter. O Governo PS não é melhor nem pior do que era antes, mas esta luta continua em melhores condições do que continuaria se este Orçamento tivesse sido rejeitado. O PCP terminou este processo orçamental com a consciência do dever cumprido porque foram obtidos avanços concretos que os portugueses não deixarão de sentir.

António Filipe

Retirado do Facebook | Mural de António Filipe

Fundação José Saramago | Eduardo Lourenço

No dia em que nos despedimos de Eduardo Lourenço, sobre quem José Saramago escreveu «Abriu-nos os olhos, mas a luz era demasiado forte. Por isso, tornámos a fechá-los.», recuperamos, dos diários de José Saramago (Cadernos de Lanzarote e O Caderno), algumas passagens sobre a duradoura relação de amizade e admiração que construíram.
Adeus, querido Eduardo Lourenço.

Abertura do «Último Caderno de Lanzarote», de José Saramago

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23 de maio de 1993
Bastou-me esperar com paciência, e aí está: Eduardo Lourenço fez hoje 70 anos, apanhou-me. Jantámos juntos: Annie e Eduardo, Luciana, Pilar e eu. O restaurante chama-se El Callejón, também nomeado Rincón de Hemingway, cujas lembranças (fotos, nada mais que fotos) se mostram dentro. Espero que o Hemingway tenha tido a sorte de comer melhor do que nós: estes restaurantes que se gabam das celebridades que um dia por lá passaram, geralmente servem mal. Divertimo-nos como garotos em férias. Alguma má-língua risonha.

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Eduardo Lourenço faleceu | por Francisco Louçã

Eduardo Lourenço (1923-2020)

Será lembrado como o ensaísta mais marcante das últimas décadas, e era-o. Será venerado como um exigente europeísta, que não cedia ao maniqueísmo financeiro, e era-o certamente. Será homenageado como um pensador da esquerda e um criador de pontes, como era. E deve ser recordado como um ser humano excepcional, de amizade inquebrantável e fiel às interrogações que nos levam para a frente. Adeus, Eduardo.

1 de dezembro de 1640 | Restauração da Independência

A 1 de dezembro de 1640, D. João IV era aclamado Rei de Portugal, rompendo desta forma com o jugo castelhano sobre Portugal e dando inicio à Guerra da Restauração, que duraria até 13 de fevereiro de 1668, data em que se assinou o Tratado de Lisboa, entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha.

Conflitos da Guerra da Restauração: 1- Batalha do Montijo (maio de 1644); 2- Cerco de Elvas (outubro de 1644); 3- Recontro de Arronches (novembro de 1653); 4- Cerco de Badajoz (julho de 1658);5 – Batalha das Linhas de Elvas (janeiro de 1659);6 – Batalha do Ameixal (julho de 1663);7 – Batalha de Castelo Rodrigo (julho de 1664);8 – Batalha de Montes Claros (junho de 1665).

Aclamação de D. João IV como Rei de Portugal, pintado por Veloso Salgado (Museu Militar de Lisboa).

Rapariga era eu | Maria Isabel Fidalgo

Silêncio à proa das sílabas

onde as palavras roçam a sombra

que vem da vaga despedida do dia

ou do roçar da melancolia

no berço da noite.

Queria ser rapariga com sol dentro

a desbravar o fogo no lume verde

da erva dos meus olhos.

Se chamo

não vem a mansidão da madrugada

na voz dos búzios.

Nem tu.

Dorme a vida numa vigia muda

longe do arfar das ondas

ao lusco-fusco do desejo.

Queria ser rapariga

cana verde

assobio

malhão

vira

fado

rosa

ó és tão linda…!

Mas os ferrinhos desafinam

os tambores não rufam

o poema não tem folhos

nem colho alecrim aos molhos

na dolência do poema.

Guardador de Rebanhos | Poesia Portuguesa II

Mário Viegas ironiza sobre a “popularidade” de Fernando Pessoa, escritor e poeta da primeira metade do século XX; Mário Viegas conversa com “Fernando Pessoa” (personagem interpretada por Mário Viegas) sobre a sua personalidade e obra; 41m50: Mário Viegas declama 10 poemas do livro “Guardador de Rebanhos ” de Alberto Caeiro, acompanhado por António Marques à flauta e a interpretação de Rui Miguel, ator; reconstituição do quadro “Retrato de Fernando Pessoa” de José Almada Negreiros.

Vandalismo com futuro | Francisco Louçã

Ao longo do dia de hoje, o drama das eleições norte-americanas, que ainda não tem vencedor oficialmente certificado três semanas depois do dia do voto (e as contagens ainda continuam, mesmo que já não mudem nada), vai chegando ao fim.

Entretanto, foi-se convertendo numa farsa: os tuítes do presidente cessante deixaram de ser uma ameaça para serem risíveis, fracassou a convocação para a Casa Branca dos representantes da maioria republicana na assembleia estadual do Michigan para os convencer a imporem um golpe constitucional de duvidoso resultado, os anunciados processos com provas esmagadoras são amesquinhados por juízes conservadores em tribunal. Parece não sobrar nada da estratégia de Trump, que sorumbaticamente se arrasta por campos de golfe para passar o tempo, enquanto no seu país o número de casos Covid se aproxima dos duzentos mil por dia.

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Certamente | Paulo Querido

Quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Hoje: um diário muito mais político do que é habitual. Não te habitues: tenho dias.

Orçamento de Estado para 2021 aprovado por 3 votos
😂 Rui Rio
😕 Catarina Martins
😰 António Costa
😐 Inês Sousa Real
😞 Telmo Correia
🤥 André Ventura

Pontos breves:

O Bloco fez um arriscado investimento no chumbo do OE com a proposta do corte do Novo Banco. Vai pagar juros altíssimos, a começar já em Janeiro com o eleitorado a fugir de Marisa Matias para Ana Gomes e João Ferreira.

Rui Rio foi o espertalhufo da semana: não arriscou um cêntimo seu e palmou quase todo o lucro que a proposta do Bloco possa vir a render.

O PCP, o PEV e o PAN estiveram imperiais. Não apenas os seus eleitores mas os portugueses de uma forma geral devem-lhes uma palavra de agradecimento pela seriedade, pelo empenho e pelo esforço que colocaram neste Orçamento. Se o documento não ficou pior, muito se deve aos deputados destes três partidos. E se não temos o agravamento desnecessário da tensão política a semanas das presidenciais e da chefia portuguesa da União Europeia, a eles o devemos.

João Leão revelou-se frouxo e inábil. Ou vice-versa. Não me parece que António Costa e João Leão, ou vice-versa, possam invocar a COVID-19 para justificar o gelo fino em cima do qual o Governo vai entrar em 2021. Ou Costa está farto de ser PM, ou este é um desastre político difícil de explicar. E não é limpando as mãos ao Bloco nem dramatizando o golpe de mestre de Rio que o PS se safa.

Catarina Martins e Mariana Mortágua estão a lamber as feridas e a tirar os estilhaços da bomba explodida por Rui Rio. O Bloco perdeu espaço de manobra a troco de nada. Eu creio que foi premeditado o timing da jogada: dar um rebuçado à ala dura do Bloco enquanto se surge como oposição destemida a “este” PS e fazê-lo JÁ, a dois orçamentos de distância das próximas legislativas. Quer dizer: eu QUERO ter esta fé. Chama-me ingénuo se quiseres.

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PAN | PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA

O PAN defende uma sociedade informada, consciente, livre, justa e inclusiva e uma democracia baseada na participação, na ética, na convergência, no respeito e na igualdade.

Ciente do poder de mudança de cada um de nós, o PAN considera que as transformações políticas, sociais, económicas, ambientais e culturais que almeja só podem ser alcançadas por via do exercício da democracia participada, do pensamento livre, do compromisso pessoal e da responsabilização onde a reunião de vontades e esforços se conjugam no trabalho colectivo.

Os presentes estatutos conferem os instrumentos normativos para que todos e todas possam construir visões, estratégias e objectivos, promovendo o envolvimento e valorizando cada pessoa em toda a sua singularidade, na estreita observância dos princípios e valores éticos que norteiam o PAN.

Estas disposições procuram conferir uma organização interna baseada na confiança, na solidariedade, no respeito pela diversidade e, sobretudo, na liberdade e nas responsabilidades partilhadas a todos os níveis.

Reconhecendo a relevância de todos os contributos e a igualdade de oportunidades na participação nos destinos, implantação e consolidação do PAN, os estatutos garantem a representatividade dos vários pensamentos e sensibilidades que enriquecem este projecto, pois o PAN de cada um e de cada uma é o PAN de todos e de todas.

https://www.pan.com.pt

É melhor não repetir o que a TVI fez com o Banif | Francisco Louçã

A desvantagem de comentar a quente é esta: não se pensa duas vezes.

José Gomes Ferreira, que conhece bem a economia e as trapalhadas do Novo Banco, veio dizer hoje ao almoço que havia um “risco indireto” para os depositantes desse banco e um risco para o Estado português, em função da decisão do parlamento de não autorizar uma transferência de 478 milhões até haver resultado de uma auditoria confiável.

Ele apressou-se logo a corrigir e a dizer que o risco era “muito indireto”, mas fez mal em ter feito a sugestão inicial. Foi assim que uma informação da TVI, aliás errada, desencadeou uma corrida ao Banif.

Esse risco de depósitos não existe no Novo Banco e é errado suscitar esse receio. Os depósitos estão seguros. O que o parlamento decidiu é de simples bom senso.

O pagamento ao Novo Banco pelo Fundo de Resolução, que só ocorre em maio, deve ser precedido de uma justificação nos termos do contrato, da certeza de que não há abuso e de que as contas estão certas. Aliás, Gomes Ferreira declara peremptoriamente que os 478 milhões nunca iriam chegar e que, portanto, a conta proposta no Orçamento era a fingir. Ele tem a certeza de que vai ser pedido mais dinheiro, tem razão e ainda bem que o revelou.

Por isso, sabe-se que haveria sempre uma nova proposta do Fundo de Resolução e do governo para subir o financiamento. Tudo em maio, como está no contrato. Não há, portanto, nenhum incumprimento desse contrato pelo Estado português. Não sabemos é se há um incumprimento por parte da Lone Star e isso vai ser apurado pela auditoria.

Que um Estado decente proteja os seus cidadãos e os depositantes do banco é de meridiana clareza.

Não vejo como se possa alegar uma obrigação que ainda não está confirmada (nem as contas do ano estão fechadas) ou como se possa aceitar que um fundo financeiro imponha a um país a obrigação de lhe dar uma fatia do orçamento, só pela sua conveniência e à margem das obrigações contratuais.

Ouvir membros do governo falarem como se fossem porta-vozes da Lone Star, afirmando que o contrato está a ser incumprido só porque não foi autorizada em novembro, e até haver auditoria competente, um pagamento aprazado para daqui a seis meses, só permite uma constatação triste de como se degradou o sentido da governação.

Seria preferível defender Portugal e a seriedade das suas contas.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Querido Diego | Luís Osório

Não me conheces, mas eu aprendi a gostar de futebol com as tuas fintas, o teu toque de bola, a tua habilidade para fazer de cada jogada uma obra de arte.

Impossível ficar indiferente ao que eras dentro de campo. No palco estavam vinte e dois homens, mas os olhos das pessoas não se desviavam de ti, do teu corpo baixo e anafado, da tua pose provocadora, da tua arrogância de menino de rua.

Nunca conheci ninguém como tu. Nunca conheci ninguém que tivesse feito tanta merda para que o mundo desistisse de ti. Esforçaste-te o melhor que conseguiste para enterrar fundo tudo o que de bom fizeras nascer. Foste um mau exemplo para as crianças, mas as crianças continuaram a olhar fascinadas para as imagens dos teus golos.

Foste dependente de todas as drogas. Fumadas, snifadas, injetadas. Heroína, cocaína, anfetaminas, crack. Nos dias de catástrofe injetavas-te num braço com cocaína e no outro braço com heroína. Precisavas de acelerar para viver e de acalmar para que os cavalos não te saíssem a galope do coração. Mas mesmo assim o povo continuou a aplaudir-te como se tu fosses o que salva pessoas do vício e os faz acreditar que é possível a felicidade.

Em muitos dias alucinados agredias pessoas, disparavas tiros de espingarda contra jornalistas acampados à porta de tua casa, cuspias, ameaçavas e eras na maioria parte do teu tempo um mau caráter. Ah, mas as pessoas nunca te abandonaram.

Nunca desistiram de ti. A cada erro, a cada queda lá vinham os aplausos, os abraços, as lágrimas. Trataste mal filhos e mulheres com quem casaste. Foste um cabrão da pior espécie, mas depois erguias-te e tudo passava. Ficaste disforme. Duzentos quilos de gente. Um monstro de banhas num corpo quase anão, os olhos quase a sair das órbitas, um exemplo de decadência. Mas o povo não te via assim, via-te outra vez na Bombonera a partir os rins a meia equipa contrária antes de picares a bola por cima do guarda-redes.

Passavas os dias em bordéis e trocavas mensagens com chulos, mas até o Papa Francisco te definiu como o único ser humano que se aproximou de uma ideia de Deus.

Envolveste-te com a máfia napolitana, trocaste favores, fizeste trinta por uma linha, mas se fechar agora os olhos vejo-te a fintar meia equipa de Inglaterra antes de entrares com a bola pela baliza dentro.

Fizeste tudo o que pudeste para que o povo te abandonasse. Mas fracassaste, Diego. Desculpa que te diga, mas fracassaste nesse objetivo.

Aos deuses tudo se perdoa. E tu foste o único humano a quem tudo se perdoou. A esta hora não estarás a caminho do céu, não acredito nisso.

Mas sei que já estarás no Olimpo, uma terra de deuses imperfeitos onde pertences por inteiro direito.

Adeus, Diego. Não me conheces, mas eu conheço-te muito bem. E perdoei-te sempre. Nunca liguei ao que fizeste para que eu te esquecesse.

LO

Retirado do Facebook | Mural de Luís Osório

Mourir d’aimer | Zoubida Belkacem

Des mots blessants assénés

Aussi mortels qu’une flèche empoisonnée.

Prélude d’une tragédie annoncée

Ce n’était pas une lune de miel

Mais une nuit d’horreur et de fiel

Au crépuscule d’une aube vacillante

Un goût d’amertume, sous une pluie battante

Les larmes coulent étouffant des sanglots

Une blessure béante qui ne retient plus les maux.

Un coeur meurtri qui souffre trop

J’aurai voulu mourir d’aimer

Connaître l’amour et l’ivresse désabusée

Croire encore en ses promesses insensées

Mais où est la magie ?

lorsqu’il ne reste plus que

mensonge et mépris !!

Zoubida Belkacem

Texte protégé

Bendito seja o mesmo sol de outras terras | Alberto Caeiro

Bendito seja o mesmo sol de outras terras

Que faz meus irmãos todos os homens

Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu,

E nesse puro momento

Todo limpo e sensível

Regressam lacrimosamente

E com um suspiro que mal sentem

Ao Homem verdadeiro e primitivo

Que via o Sol nascer e ainda o não adorava.

Porque isso é natural — mais natural

Que adorar o ouro e Deus

E a arte e a moral …

Teresa Ricou | antes palhaça do que equilibrista | Luís Osório

1.

Chegara-se à conversa final e Daniel Sampaio foi o mais entusiasta. Teresa Ricou, a mulher palhaço, deveria ser a escolhida. D. Manuel Clemente, ao contrário de António Barreto e Cristina Louro, não a conhecia bem. Explicaram então ao bispo e na altura recém-nomeado Patriarca de Lisboa, que Tété era mais do que uma palhaça – a escola de circo que fundara, o Chapitô, salvara dezenas de miúdos da marginalidade.

Transformara uma prisão de mulheres, o estabelecimento das Mónicas, num lugar que oferecia a hipótese de um futuro. Para Clemente calou fundo a ideia da salvação pela arte, bastou-lhe para ficar convencido.

Inauguração do Museu Roque Gameiro | 21/11/1970 | 50º aniversário | Minde

FOI HÁ 50 ANOS QUE FOI INAUGURADO O MUSEU ROQUE GAMEIRO.

Em 21 de Novembro de 1970 Minde vivia momentos de grande agitação. Foi inaugurado o MUSEU ROQUE GAMEIRO e Minde recebeu a presença do Presidente da República Almirante Américo Thomaz. Era Presidente da Junta de Freguesia de Minde o Senhor Lourenço Coelho Anjos da Silva.

J’ai des rides | MARINELLA CANU | placé par Samia Cherradi

J’ai des rides.

Je me suis regardée dans le miroir et j’ai découvert que j’avais beaucoup de rides autour des yeux, de la bouche, du front.

J’ai des rides parce que j’ai eu des amis, et on a ri, on a ri souvent, jusqu’aux larmes, et puis j’ai rencontré l’amour, qui m’a fait essorer les yeux de joie.

J’ai des rides parce que j’ai eu des enfants, et je me suis inquiétée pour eux dès la conception, j’ai souri à toutes leurs nouvelles découvertes et j’ai passé des nuits à les attendre.

Et puis j’ai pleuré.

J’ai pleuré pour les personnes que j’ai aimées et qui sont parties, pour un peu de temps ou pour toujours, ou sans savoir pourquoi. J’ai veillé aussi, j’ai passé des heures sans sommeil pour des beaux projets pourtant pas toujours aboutis , pour la fièvre des enfants, pour lire un livre,j’ai veillé aussi pour me lover dans des bras aimants.J’ai vu des endroits magnifiques, de nouveaux endroits qui ont eu tous mes sourires et mes étonnements, et j’ai revu également d’anciens endroits qui m’ont fait pleurer.

Dans chaque sillon sur mon visage, sur mon corps, se cache mon histoire, les émotions que j’ai vécues et ma beauté plus intime, ….. et si je devais enlever tout ceci …. je m’effacerais moi-même.

Chaque ride est une anecdote de ma vie, un battement de coeur, c’est l’album photo de mes souvenirs les plus importants.

“MARINELLA CANU

Très bon week-end à vous tous et toutes

Retirado do Facebook | Mural de Samia Cherradi

Novo Livro | “LATIM DO SÉRIO” | Frederico Lourenço

Lançado hoje! (13/11/2020)

Quando, em Março de 2020, a pandemia levou a Universidade de Coimbra a substituir, até ao fim do ano lectivo, a leccionação presencial pelo ensino online, pensei em formas de manter motivada a minha turma de Poesia Latina.

Ocorreu-me a ideia de criar uma página no Facebook, a que chamei «Vergílio em Coimbra», porque a pandemia atacara no momento em que, justamente, eu me preparava para aprofundar com a turma o estudo de Vergílio. A turma de Poesia Latina tinha 19 inscritos; depressa compreendi que, no Facebook, o universo de interessados era muito maior. Também me fui dando conta de que, na caixa de comentários dos posts, iam surgindo perguntas da parte de gente não só interessada nas reflexões propostas sobre Vergílio como, ao mesmo tempo, curiosa sobre como aprender latim a partir do zero. Comecei a perceber que havia muitas pessoas em Portugal e no Brasil interessadas em saborear as nuances sublimes da poesia vergiliana – só que lhes faltava, para tal, saber latim.

Claude Lorrain e o espírito de Vergílio | Frederico Lourenço

No final da sua longa vida, o pintor seiscentista Claude Gellée (conhecido como «Lorrain» por ter nascido na Lorena) dedicou-se à leitura da «Eneida» de Vergílio, focando-se assim num texto em cujo ideal estético (a Perfeição pura e simples) viu decerto um reflexo do seu.

Sabemos que Claude leu Vergílio na tradução italiana de Annibale Caro (que saíra em Veneza, em finais do século XVI), pois, ao contrário do seu amigo e vizinho Nicolas Poussin, não obtivera uma escolaridade suficientemente sólida em latim para conseguir ler o poema na língua original. E porquê italiano – e não francês? Pela simples razão de que Claude – tal como Poussin – viveu a maior parte da sua vida em Roma; e (de novo, como Poussin) tinha aversão à ideia de viver em França. É sempre estranho vermos a historiografia francesa considerar Poussin e Claude como pintores franceses, porque a única coisa de francês que eles tiveram foi a naturalidade. A sua arte não é francesa: por um lado, todos os modelos que os inspiraram foram italianos (Rafael, Ticiano, Annibale Carracci, Domenichino); por outro, vivendo eles durante toda a sua vida adulta perto da Piazza di Spagna em Roma – e recriando eles, na sua arte, uma antiguidade romana idealizada –, a melhor forma que temos de os descrever é como artistas romanos.

Constantinopla – Florença – Coimbra | Frederico Lourenço

Entre as grandes alegrias de ser professor de Grego na Universidade de Coimbra tenho de contar o sentido histórico de continuidade que nunca deixa de me encantar. Ao vigiar hoje, na Faculdade de Letras de Coimbra, um teste de Grego em que os meus alunos tinham de responder a perguntas sobre uma passagem da comédia «Pluto» de Aristófanes, dei por mim a pensar na longa tradição – que já se estabelecera antes de ter nascido Jesus Cristo – de usar esta comédia como instrumento didáctico para o ensino do Grego. Depois, ao longo de mil anos de escolaridade grega em Constantinopla, o estudo deste texto de Aristófanes ocupou um lugar central. É, de todas as comédias de Aristófanes, a que conta um número mais elevado de manuscritos bizantinos.

RSI | Atirar areia para os olhos da maioria | Tiago Franco

Desde que abriu a caça aos beneficiários do RSI, com a mão amiga da Iniciativa Liberal e do Chega no arquipélago dos Açores, que alguma comunicação social começou a fazer o que dela não se espera. Atirar areia para os olhos da maioria e branquear um populismo crescente e insuportável, que empesta diariamente tudo o que se lê e ouve.

José Manuel Fernandes (JMF) fez a sua parte, assinando esta crónica deplorável sobre Rabo de Peixe (https://observador.pt/…/umas-coisas-que-eu-sei…/…).

Há uma semente de antigos maoístas, ex-combatentes do povo, que entretanto se aburguesaram e ficaram com um ligeiro asco a pobres.

O que o Gambito da Rainha nos ensina sobre a vida (e a política) | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Para bastante gente, “O Gambito da Rainha” tem sido uma acolhedora companhia no semi-confinamento em que vivemos. A série tem tido sucesso, seja porque junta uma personagem fascinante, mesmo que puramente ficcional, Elizabeth Harmon, a algum romance, pouco, ao retrato sofrido das esquinas da vida, ou ainda a uma pitada de Guerra Fria em tom de época, seja, e sobretudo, porque se constrói sobre um mistério. Esse mistério é o xadrez, dois exércitos de oito peões e oito aristocratas frente a frente num pequeno tabuleiro.

Encontrado esboço inédito do rosto de Jesus Cristo

Historiadores acreditam que obra-prima pertença ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros como a Mona Lisa e A Última Ceia.

Um esboço do rosto de Jesus Cristo nunca antes visto foi recentemente descoberto pela comunidade artistica que acredita que a obra deverá pertencer ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros icónicos como a Mona Lisa e A Última Ceia.

O desenho, feito com recurso a giz vermelho, foi mantido durante anos numa coleção particular de um banco na Lombardia, em Itália. Agora foi tornado público.

“É uma obra extraordinariamente bela e refinada. Estou absolutamente convencida de que é um esboço de Da Vinci”, garantiu Annalisa Di Maria, historiadora de arte italiana, em declarações ao Telegraph.

Para determinar se a peça foi ou não produzia pelo renacentista. especialistas testaram o papel usado e confirmaram que remonta ao século XVI, altura em que da Vinci desenhou o “Retrato de um Homem em Giz Vermelho”, com um estilo muito semelhante à obra descoberta.

A peça está agora nas mãos de dois colecionadores da cidade de Lecco, no norte de Itália.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Freitas Do Amaral

O comunismo ainda não existiu, o fascismo e o nazismo, sim | Gabriel Leite Mota in Jornal Económico

PCP e Bloco estão do lado humanista da política. O Chega, não. Essa é a grande fronteira. Esse é o grande muro que não devemos deixar cair.

Tem sido motivo de aceso debate o acordo de governo que CDS, PPM, PSD, Chega e IL fizeram no Açores. Nesse acordo, ficou estabelecido que PSD, CDS e PPM governam em coligação, com o beneplácito parlamentar de Chega e IL.

A notícia é o facto de o Chega ter sido incluído nesse acordo, sabendo-se que este recente partido é, o que hoje chamamos, da extrema-direita populista, uma novidade no nosso sistema político.

Prazo de validade: Velho | Paulo Sande | in EURATÓRIA

  1. Uma pandemia não é um acontecimento frequente. Infelizmente, poucas tiveram o alcance, o impacto e as consequências (previsíveis) da resultante do SARS-COV-2, vulgo COVID 19. A peste negra, no século 14, provocada pela bactéria yersinia pestis, que matou mais de 75 milhões de pessoas. A vibrio cholerae, bactéria da cólera, cuja primeira manifestação global, de 1817, vitimou centenas de milhares. A gripe espanhola, causada por um subvírus da influenza, que não falava espanhol mas matou, em cerca de quatro anos, mais de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro, a maior parte das quais jovens adultos.  E agora o COVID 19, cuja mortalidade se avizinha do milhão e meio.

A Crise | Thomas Paine

Em Dezembro de 1776, numa altura em que a sorte da guerra lhe era adversa, Paine publicou um panfleto intitulado A Crise, que começava assim:

Estas são as ocasiões que põem à prova a alma dos homens. O soldado do tempo de verão e o patriota dos dias ensolarados irão, nesta crise, recuar perante o serviço ao seu país; mas aquele que agora se mantém firme merece o amor e a gratidão dos homens e das mulheres.

Este ensaio foi lido às tropas, e George Washington expressou a Paine um «sentimento vivo da importância das suas obras»

Transcrito de uma obra de Sir Bertrand Russel

Álvaro Cunhal | Elementos Biográficos

Álvaro Cunhal nasceu em Coimbra (freguesia da Sé Nova) em 10 de Novembro de 1913. Passou parte da sua infância em Seia. A família mudou-se entretanto para Lisboa, onde Álvaro Cunhal começou por frequentar o Liceu Pedro Nunes e, mais tarde, o Liceu Camões.

Concluídos os estudos liceais, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa onde iniciou a sua actividade revolucionária. Participou no movimento associativo estudantil, tendo sido eleito em 1934 como o representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) sendo eleito seu secretário-geral em 1935. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, a partir de 1935 passou a integrar o quadro de militantes clandestinos.

Preso em 1937 e em 1940 e submetido a torturas, voltou imediatamente à luta logo que libertado depois de alguns meses de prisão.

A Pandemia | Isto é uma guerra | Jorge Alves

Bom dia, amigos. Diz-se por aí, à boca pequena, que a situação da pandemia está como está por culpa do Costa.

Há muitos casos? A culpa é do Costa; há muitos mortos? A culpa é do Costa; há poucos testes? A culpa é do Costa.

Antes do mais, uma pequena declaração de interesses: como a maioria sabe, não sou militante do PS.

Se o primeiro-ministro tomou várias decisões erradas no decurso desta tremenda luta contra o Covid? Com certeza que sim.

Mas que diabo! Algum de nós, em consciência, queria estar na pele de António Costa?

Creio convictamente que, apesar dos vários erros (diria que naturais em quem tem de trabalhar no arame e quase às cegas…), este Governo tem feito um bom trabalho na defesa dos Portugueses.

Dúvidas? Vejamos os casos de dois países muito mais ricos e desenvolvidos (acentuo o muito mais…) do que nós – a Suécia e a Áustria (ambos com o mesmo número de habitantes do que Portugal). O número de casos nos três países é semelhante (204 mil para Portugal, 191 mil para a Áustria e 177 mil para a Suécia).

É verdade que a Áustria está melhor do que nós no que toca a falecimentos por Covid – 1.660 mortos, contra os nossos 3.250. Mas que dizer da Suécia, que tem muitos mais recursos do que nós? É que os suecos já vão, infelizmente para eles, nos 6.160 mortos!

Voltemos por uns instantes à questão dos recursos existentes em cada país – suecos e austríacos têm muito mais dinheiro e mais meios para combater esta pandemia. Mas têm testado muito menos – 2,6 milhões de testes em cada um desses países e 3,25 milhões em Portugal.

Isto diz bem, a meu ver, do enorme esforço que está a ser feito por quem nos governa. A verdade, meus amigos, é que todo o mundo está a trabalhar no trapézio. Se há muita gente que chora os seus entes queridos e muitos mais ainda que perderam tudo? Pois há e infelizmente muitos mais vai haver.

MAS ISTO É UMA GUERRA.

Se ainda não tinham percebido, acordem. Mas não crucifiquemos quem não merece.

Um bom sábado para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

Marta Menezes | Pianista | Natural de Minde

CENTRO CULTURAL DE BELÉM | 15 NOVEMBRO 2020, 11H | LUDWIG VAN BEETHOVEN, Sinfonia nº 6, em Fá Maior, op. 68, Pastoral

https://www.martamenezes.com

Vencedora do 1º Prémio no Concurso Beethoven no Royal College of Music, em Londres, e no Concurso Internacional de Piano de Nice Côte D’Azur, Marta Menezes conta ainda com outros prémios em concursos internacionais em Portugal, Espanha e França. Recebeu em 2014 a “Medalha de Prata de Valor e Distinção” pelo seu percurso enquanto pianista, atribuída pelo Instituto Politécnico de Lisboa.

Marta apresenta-se regularmente em concertos a solo, em música de câmara e com orquestra, tendo actuado em diversos países na Europa, nos Estados Unidos, em Cabo Verde e na China. Das temporadas recentes, destacam-se os seus recitais no National Centre for the Performing Arts (Pequim), na Chopin Society of Connecticut (Estados Unidos), em St. Martin-in-the-Fields (Londres), no Festival Internacional IKFEM (Espanha) e no Festival Internacional de Música de Gaia.

Como solista, apresentou-se com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orchestre Régional de Cannes (concurso de piano de Nice), Orquestra IKFEM, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa, Camerata MusArt, entre outras. Trabalhou com maestros como Pedro Neves, Pedro Amaral, Nicolas Simon, Christopher Bochmann, Gareguin Aratiounian e Vasco Azevedo.

Marta tem um papel activo na divulgação da música portuguesa. Fez a encomenda e estreia de várias obras de compositores contemporâneos e desenvolveu vários projectos dedicados a este repertório. Na presente temporada, prepara a apresentação dos 5 Concertos para Piano de Beethoven, com a estreia absoluta de 5 encores aos Concertos, encomendados a compositores da sua geração, no contexto dos 250 anos do nascimento de Beethoven.

Em 2015 editou o seu primeiro CD com obras de Beethoven e Lopes-Graça, com o apoio da Fundação GDA, que recebeu o prémio Global Music Award nos EUA: Silver Medal – Outstanding Achievement nas categorias de classical piano e emerging artist.

Marta tem sido convidada para dar entrevistas e a participar em programas na rádio Antena 2, rádio Super Bock Super Rock, Radio Internacional da China e Rádio Morabeza (Cabo Verde), bem como em televisão, tendo recentemente estado no Jornal da Noite da TVI.

Marta fez os seus estudos na Escola Superior de Música de Lisboa com Miguel Henriques, tendo também trabalhado com Jorge Moyano. Terminou o seu Mestrado com classificação máxima. Em Londres, fez um segundo mestrado no Royal College of Music, com Dmitri Alexeev, que terminou com distinção. Marta é doutorada pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, onde trabalhou com Arnaldo Cohen, tendo como tema do seu trabalho final as “Obras para Piano e Orquestra de Compositores Portugueses”.