O SEU A SEU DONO | OS VENTOS DE MUDANÇA DA GRÉCIA | Rodrigo Sousa e Castro

SousaeCastro_WEB-894As ùltimas noticias que mostram uma acção de politica externa, determinada e consistente, dos novos dirigentes gregos, indiciam também que elas começam a dar frutos e parecem influenciar as relações de força na UE.
É necessário afirmar que essa politica externa, aparece como o instrumento fundamental da defesa dos interesses do Povo grego , e no caso do programa do governo de coligação.
Temos assim na Grécia uma geração de governantes, jovens mas mostrando uma invejável maturidade . Académicos de bases sólidas , demostram um inesperado patriotismo e um enorme sentido de solidariedade social.
Podemos então dizer que , neste inusitado caso, a prática democrática tradicional ( eleição de lideres por eleições tradicionais) coincide com a ascenção ao poder de gente de mérito.
É possivel pois atingir a Meritocracia através da prática da Democracia.
O contraste que esta situação mostra com a incompetência imaturidade e submissão sem regras ao estrangeiro da actual classe dirigente portuguesa é deprimente.
Os governantes actuais, a maior parte jovens impreparados e até imaturos, com cursos académicos de baixo valor tirados em escolas de reputação duvidosa, com carreiras partidárias e para partidárias fulltime, sem sentido patriotico e com maneirismos estranjeirados no pior sentido do termo , refugiam-se em justificações de natureza meramente ideológica para minimizarem a derrota da sua destruidora acção politica.
Esperar-se-ia , ao menos, que os dirigentes socialistas, particularmente ACosta, um veterano politico, tivessem uma atitude inteligente face ao que está a ocorrer.
A frase ” o PS não é o Syriza ” revela tanta imaturidade, como a anedótica observação do imaturo Passos Coelho ao referir-se ao programa de governo dum estado soberano com um enorme peso Histórico como é a Grécia.

 

Rodrigo Sousa e Castro

Com Um Sonho na Bagagem, de Maria José de Lancastre

Com um Sonho na BagagemCom um Sonho na Bagagem é em primeiro lugar o relato de uma viagem que Luigi Pirandello fez a Portugal em Setembro de 1931. O pretexto foi o convite para participar, na qualidade de hóspede de honra, no V Congresso da Crítica Dramática e Musical que António Ferro organizou em Lisboa com a extravagante e engenhosa ideia de o tornar «itinerante», de modo a destacar Portugal na ribalta da imprensa internacional.

O livro de Maria José de Lancastre, fruto de cuidadosas pesquisas em arquivos públicos e privados e rico em documentos inéditos, relata um importante acontecimento cultural hoje esquecido onde, paradoxalmente, se debateu a liberdade de opinião e a independência da crítica num país que estava à beira da ditadura. A viagem de Pirandello, aparentemente ocasional, torna-se assim um acontecimento relevante e, para além de um encontro entre duas culturas, é também motivo de uma análise comparada entre duas poéticas e duas visões da vida geograficamente e linguisticamente distantes, mas substancialmente e intrinsecamente contíguas.

Praça da Canção, de Manuel Alegre

Praça da CançãoPublicado pela primeira vez em Janeiro de 1965, Praça da Canção, o primeiro livro de Manuel Alegre, escrito no exílio, marcou várias gerações de leitores e, para além disso, contribuiu de forma decisiva para o derrube da ditadura, sendo considerado, portanto, um símbolo da luta pela liberdade.

50 anos depois, a Dom Quixote assinala esta efeméride com a publicação de um livro emblemático, prefaciado por José Carlos de Vasconcelos, que o descreve assim: “Praça da Canção, de Manuel Alegre, há muito ultrapassou as fronteiras da literatura para assumir uma dimensão simbólica ou mesmo mítica (…) Os versos de Praça da Canção andaram, desde sempre, de boca em boca, de mão em mão, de coração em coração, em simultâneo singular expressão individual de um poeta e vigorosa voz coletiva de um povo.”

Grécia – “A revolta da classe média” – por Carlos de Matos Gomes in “A Viagem dos Argonautas”

Carlos de Matos GomesA crise financeira que começou em 2008 nos Estados Unidos com o subprime e que o sistema financeiro americano fez alastrar como um cancro para as dívidas soberanas da Europa, atacou principalmente aquilo que se designa por classe média e, em particular, as mais vulneráveis, as do sul da Europa, dos países que menos parcelas de produtos transaccionáveis de alto valor acrescentado colocavam (e colocam) no mercado global, os menos industrializados. Era pois natural que fosse esta “classe média” desprotegida e frágil a pagar as favas.

Classe média é um conceito pouco rigoroso, mas contém a ambiguidade que acabou por ser o fermento da revolta que teve a sua expressão nas eleições da Grécia e na vitória do Syriza. Classe média inclui os que têm rendimentos que lhe permitem aceder a um “certo” estatuto, ou que ganharam hábitos de consumo que os fazem julgar que pertencem a essa classe, ou que se sentem com direito a viver como se pertencessem. É um conceito diferente de ser rico, ou pobre, porque para a classe média não existe grande distinção entre o ter e o parecer. A crise destruiu essa ilusão. Quem deixou de ter, deixou de poder parecer que tinha. Passou da classe média à pobreza indisfarçável.

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O Último Europeu, de Miguel Real

O Último EuropeuEm 2284, a Europa é maioritariamente composta por Baldios governados por clãs guerreiros que escravizam as populações esfomeadas; subsiste, porém, um território isolado por um cordão de segurança com uma sociedade que, por via da ciência e da tecnologia, atingiu um nível altíssimo de felicidade individual, pois todos os desejos podem ser consumados, ainda que mentalmente.

Nesta Nova Europa, as relações sexuais são livres e não se destinam à procriação: as crianças, desconhecendo os pais, nascem nos Criatórios em placentas sintéticas e seguem para Colégios onde, sem a ajuda de livros, andróides especializados incrementam as suas competências como futuros Cidadãos Dourados. As famílias reúnem-se por afinidades, ninguém trabalha e nem sequer existem nomes, para que ninguém se distinga, já que todas as conquistas se fazem em nome da comunidade.

Vinte e cinco anos depois da queda do Muro de Berlim, Miguel Real constrói uma utopia sublime no contexto de um novo paradigma civilizacional, revelando o seu talento de escritor e filósofo e, ao mesmo tempo, chamando a atenção para o esgotamento da Europa actual.

Trova do vento que passa | Manuel Alegre

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio – é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(Portugal à flor das águas)
vi minha trova florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Versão integral do poema escrito em 1963 e incluído no livro Praça da Canção (1965). A versão musicada por António Portugal e cantada por Adriano Correia de Oliveira é um excerto, com a primeira e as duas últimas quadras.

Desamparo, de Inês Pedrosa

desamparo_IPA saga de uma mulher que foi levada do colo da mãe para o Brasil aos três anos de idade e regressa para a conhecer mais de cinquenta anos depois é o ponto de partida deste extraordinário romance de Inês Pedrosa.
Numa escrita inteligente, límpida e plena de humor, a autora cria um universo singular, uma aldeia em que se cruzam personagens e histórias de vários continentes. Emigrações e imigrações de ontem e de hoje, seres solitários e escorraçados que procuram novas formas de vida, enquanto tentam sobreviver à maior depressão económica das últimas décadas.
O amor, a traição, o poder, a inveja, o ciúme, a amizade, o crime, o medo, a vingança e sobretudo a morte atravessam este livro que faz a radiografia do Portugal contemporâneo, num enredo cheio de força e originalidade.

Um Crime na Exposição, de Francisco José Viegas

Crime_expo_FJVPorto Editora publica nova edição do romance de Francisco José Viegas passado na Expo’98.

No dia 23 de janeiro, chega às livrarias a nova edição de Um Crime na Exposição, o romance de Francisco José Viegas que tem como cenário a Expo’98. Esta trama policial, protagonizada pela famosa dupla de detetives Jaime Ramos e Filipe Castanheira, foi inicialmente publicada em folhetim semanal nas páginas do Diário de Notícias, e viu a sua primeira publicação integral ainda em 1998.

Francisco José Viegas é autor de uma vasta obra, de diferentes géneros, tendo sido agraciado em 2005 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo romance Longe de Manaus, já publicado pela Porto Editora.

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Cristiano Ronaldo CR30, de Luís Aguilar

CR_final30 Anos, 30 grandes momentos na carreira de Cristiano.

Poucos dias após Cristiano Ronaldo ter conquistado a sua terceira Bola de Ouro e quase a celebrar o trigésimo aniversário, chega às livrarias CR30, o livro em que o jornalista Luís Aguilar revisita os momentos mais marcantes de uma carreira que parece não ter limites.

A 5 de fevereiro de 1985 nascia em Santo António, freguesia do Funchal, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, um dos mais reconhecidos futebolistas da atualidade, uma figura de alcance planetário e uma das marcas mais poderosas do mundo.

Em 30 episódios, este livro oferece-nos uma retrospetiva do percurso ascendente daquele que já é considerado um dos melhores jogadores da história do futebol. Profusamente ilustrado e rico em informação, permite ao leitor ficar a conhecer melhor o percurso de um jogador que com a terceira distinção da FIFA viu reforçado o seu lugar entre as maiores lendas do desporto.

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A ridícula ideia de não voltar a ver-te, de Rosa Montero

A_Ridicula_RMA ridícula ideia de não voltar a ver-te é «um livro sobre a vida, apaixonado e alegre, sentimental e brincalhão», diz a autora O mais recente livro de Rosa Montero nasceu durante o luto pelo seu marido, após ler o diário de Marie Curie, que havia passado por um processo semelhante. Contudo, A ridícula ideia de não voltar a ver-te está longe de ser sombrio – é antes uma celebração à vida, e é publicado pela Porto Editora no dia 23 de janeiro.

Aclamado pela crítica e pelos seus pares, A ridícula ideia de não voltar a ver-te foi considerado o melhor livro de memórias pelos leitores do jornal El País, apesar de ser um livro desprendido de género: não é um romance, nem ensaio, nem biografia, embora englobe a visão mais íntima e pessoal da escritora. Original e autêntico, reúne histórias, lembranças, fotografias e hashtags.

Rosa Montero vai estar em Lisboa de 28 a 30 de janeiro para contactos com a comunicação social.

 

Gente Muito Cá de Casa – por José Teófilo Duarte

Gente_muito_casa_JT“Somos as pessoas que conhecemos, os lugares que visitamos, os livros que lemos”
[Jorge Luís Borges]

MEMÓRIA DESCRITIVA | As fotografias que representam os convidados Muito cá de casa estão penduradas na Galeria da Casa Da Cultura | Setúbal. Resultam de um projecto proposto por mim a António Correia que, por gentileza e amizade, concordou em desenvolver. A ideia é retratar todos os participantes nas sessões, em visual depurado, de maneira a possibilitar a captação do instante decisivo. Não na concepção que referia Henry Cartier Bresson. Os convidados pousam para o fotógrafo. Foram encontrados os meios mínimos possíveis para o desenvolvimento do trabalho. O instante decisivo é procurado pela objectiva que se revela na captação do à-vontade e no olhar que a visão do fotógrafo — obtida pelo seu próprio silêncio interior — regista e revela.

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A grande festa de ver gente a morrer | Manuela Gonzaga

sambenitos_jpegA propósito de civilizações e barbárie, nunca é demais recordar um passado europeu não tão remoto quanto isso. É que houve um tempo em que se morria no decorrer de espectáculos públicos, muito festivos e altamente concorridos, sob a acusação de cultuar outro deus. Ou de ironizar a seu respeito, pois a sátira levava gente à fogueira. Aqui. Em espaço europeu. Na Península Ibérica. Em Portugal. Quase que se pode dizer que foi anteontem. Ou ontem. Afinal, dois séculos, um século e meio, são pouca coisa na história dos povos com muita história escrita.

Recorde-se.

De 1480 a 1834 (Espanha) 1534 a 1821 (Portugal) funcionou uma instituição tida por modelar, responsável pela morte ritualizada de milhares e milhares de pessoas, pelo desaparecimento de muitas outras e pela conversão forçada ou expulsão dos reinos ibéricos de povos em massa. Mouros judeus ou gentios, estes sobretudo nos territórios ultramarinos, ou praticantes de outras fés, como os protestantes. Chamava-se Inquisição e com o tempo veio a tornar-se num verdadeiro Estado dentro do Estado, na asserção de que cumpriria desígnios divinos, utilizando todas as armas ao seu alcance para maior glória de Deus. Desde a oratória, à tortura nos cárceres ao público auto-de-fé. Mas sobre os procedimentos, todos os intervenientes eram compelidos a jurar segredo, dos réus aos executantes, passando por médicos, carpinteiros, parteiras, e todos os que tinham acesso aos cárceres, aos presos, aos processos. Quebrar tal segredo, pronunciado sobre os Evangelhos equivalia a cair sob a alçada do Santo Oficio.

O funcionamento da máquina era minuciosamente concebido. Exemplo: a primeira sessão, de genealogia, não elucida em nada o réu, posto que este não sabe de que é acusado, nem por quem. Pede-se-lhe que esquadrinhe a consciência e encontre as razões que o levaram aquela situação. É-lhe feito saber que o tribunal tem contra si provas eloquentes. Segue-se o total isolamento – o réu não fala com ninguém nem ninguém lhe dirige a palavra. E este indizível tormento moral e psicológico em breve dá lugar a outros procedimentos. A tortura física, que quebra corpos e consciências, e que nos cárceres do Santo Ofício complementa, com frequência, as sessões de interrogatório.

LER MAIS: http://gonzagamanuela.blogspot.pt/2015/01/a-grande-festa-de-ver-gente-morrer.html

Maria Isabel Fidalgo

Maria-Isabel-FidalgoE Deus criou o homem e inquietou-lhe os olhos. E Deus criou a mulher e deu-lhe a extensão da água e uma fiada de violetas na bainha do azul. E Deus criou o dia que fosse três vezes três. Depois Deus escondeu-se onde O procurasses. E foi maravilhoso!

Maria Isabel Fidalgo, dando os parabéns a uma grande amiga, in Facebook

Gente muito cá de casa – Setúbal

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GENTE MUITO CÁ DE CASA | São escritores, artistas visuais, músicos, editores, autores das mais variadas disciplinas que se encontraram connosco na Casa Da Cultura | Setúbal. Baptizámos estes encontros com um nome que alude à própria convivência neste espaço de encontro da cidade: Muito cá de casa. Pretendemos conviver com quem insiste em conceber projectos pessoais de qualidade. Apresentámos livros, mostrámos ilustrações, montámos exposições, falámos de apoios à cultura e da falta deles. Estivemos sempre com os protagonistas por perto. Gente muito cá de casa que dá cartas e ganha apostas nesta nossa casa colectiva. Também as fotografias são um trabalho de autor. Um olhar pessoal sobre este pessoal. Antonio Correia pôs mãos à obra. Ou seja, pôs as mãos na máquina e captou estes olhares mostrando-os com um à-vontade que os torna muito cá de casa mesmo. Muitos destes autores vão estar na abertura da exposição. Abre sábado e fica por cá até ao fim do mês. Convidados. Apareçam.
José Teófilo Duarte www.blogoperatorio.blogspot.com

António Dacosta no CAM

A exposição do centenário do nascimento de António Dacosta (Angra do Heroísmo, 1914 – Paris, 1990) acompanha a publicação do catálogo raisonné digital do artista – primeiro catálogo digital produzido sobre um artista português e iniciativa pioneira na área da investigação artística e das novas plataformas digitais. Visitar aqui: www.dacosta.gulbenkian.pt

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Alegria Breve, de Vergílio Ferreira

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No ano em que se comemoram os 50 anos sobre a primeira publicação de Alegria Breve, a Quetzal disponibiliza uma nova edição deste importante marco da narrativa vergiliana.

«Ganharei o jogo? Perco sempre. Porque tentar ainda? Ganhar uma vez. Uma vez só. Às vezes penso: ganhar uma vez e não jogar mais. Esqueceria as derrotas, a memória do homem é curta. E no entanto… Começo a sentir-me bem, perdendo. Quer dizer: começo a não sentir-me mal. A capela de S. Silvestre já não brilha. Mas ainda se vê bem. É triste o entardecer, boiam coisas mortas na lembrança, como afogados. Uma nuvem clara passa agora não sobre o monte de S. Silvestre, mas sobre o outro, o pico d’El-Rei. É um pico menos aguçado, forma um redondo de uma cabeça. Há quanto tempo já lá não vais? Para o lado de trás, vê-se o sinal de uma aldeia (aldeia?), um sinal breve, trémulo, branco. Quando se olha, o tempo é imenso, e a distância — a vida é frágil e temos medo. Dou xeque duplo, vou-te comer a torre, Padre.»

Nas livrarias a 16 de Janeiro.

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António Gedeão no AJA

Gedeao_AJA_JTA Aja Lisboa vai evocar António Gedeão. Uma exposição elaborada para a Galeria da Casa Da Cultura | Setúbal, e mostrada por lá no segundo mês de vida da Casa, vai agora estar nas bonitas instalações da Associação José Afonso em Lisboa. Vão lá estar também a escritora Cristina Carvalho, a declamadora Eugénia Alves e o cantor Samuel Quedas. É no próximo domingo, dia 11. Apareçam.
José Teófilo Duarte www.blogoperatorio.blogspot.com

Cuidar do Cão da Estrela – de Manuela Paraíso

Cao_Serra_Estrela_JTO livro é assinado por Manuela Paraíso. Estamos mais habituados a associar o seu nome à divulgação musical na rádio e na imprensa escrita. Agora resolveu escrever um livro sobre o cão da Serra da Estrela. São dicas para cuidar do bicho. Como criadora sabe bem o que lhe faz falta. Para a ajudar na apresentação vão estar Fátima Rolo Duarte, artista visual, e Sérgio Cardeira, director clínico do Hospital Veterinário de Setúbal. É na próxima sexta-feira, dia 9, às 22 horas, na Casa Da Cultura | Setúbal. Convidados. Apareçam.
José Téofilo Duarte – www.blogoperatorio.blogspot.com

A longa história de uma mentira | Mariana Mortágua in “Expresso Online”

mariana mortáguaMariana Mortágua |
7:00 Sexta feira, 17 de outubro de 2014

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A anatomia do estrondoso declínio da PT é, também, a reconstituição de uma das mais longas e perniciosas mentiras que condicionaram o debate público em Portugal. A ideia que um pequeno país, sem liquidez e músculo financeiro, conseguiria manter os centros estratégicos sem o papel do Estado. Foi isso que nos “venderam” desde a primeira vaga das privatizações. O Estado é ineficaz a gerir empresas e, como tal, devia afastar-se da economia como o diabo foge da cruz.

O que importava, diziam-nos, era que os centros estratégicos ficassem em mãos portuguesas. Foi assim que o Estado vendeu por tuta e meia sectores inteiros da economia nacional, apenas para os vermos escassas semanas depois a serem transacionados a capitais estrangeiros com avultadíssimos lucros. O Totta e Açores, vendido a Champalimaud que logo se encarregou de o despachar para um dos maiores bancos do país vizinho, é apenas o exemplo mais falado, mas está longe de esgotar a lista.

As “golden share”, ou ações preferenciais que mantinham o poder de veto e de influência do Estado nas opções estratégicas das empresas, foram o passo seguinte. Mas até isso era demasiado, veio dizer-nos Pedro Passos Coelho e o seu liberalismo de pacotilha. O resultado está à vista.

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NOCTURNO, o romance de Chopin – em braille

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“NOCTURNO, o romance de Chopin”, de Cristina Carvalho, publicado por Sextante / Porto Editora, recomendado no Plano Nacional de Leitura (PNL) para o ensino secundário encontra-se agora – desde hoje – disponibilizado em braille na Biblioteca Nacional de Portugal para leitores invisuais.

Depois da edição em audiolivro, leitura com duração de 4 horas e 57 minutos pela escritora Maria Manuel Viana, chega-nos numa outra forma de acessibilidade. Também está disponibilizado como livro digital.

Sinopse
Como um piano solitário em que o artista desenha os quadros musicais de melodias e harmonias com timbres, ritmos e tempos diversos, assim foi desenhado este romance polícromo, tecido de amores e paixões, que conta a vida de Chopin, desde o seu nascimento em 1 de Março de 1810, na Polónia, até à sua morte, em 17 de Outubro de 1849, em Paris. Uma história feita de subtilezas, paixões intensas, escuras intrigas, vivências e amizades sinceras, presenças e saudades.

JOSÉ RUY — 70 ANOS A DESENHAR – Setúbal

José Ruy_CasDaCult_SetJOSÉ RUY — 70 ANOS A DESENHAR | José Ruy começou a publicar desenhos regularmente na imprensa há setenta anos. Assinalam-se hoje19 dia 19. Publicou o seu primeiro desenho no semanário O Mosquito. Publicação muito popular na altura, que mostrava histórias em capítulos, assinadas por vários autores. José Ruy nunca mais parou. Passeou o seu talento pelas mais prestigiadas páginas da imprensa ilustrada. Mas não ficou por aí. Desenvolveu intenso trabalho pessoal. Desenhou inúmeros álbuns, contando as histórias da História de Portugal.
Em Fevereiro e Março deste ano andou por Setúbal. Fez uma exposição de um seu trabalho a reeditar — Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação —, na galeria da Casa Da Cultura | Setúbal, e foram promovidos vários encontros com todos os que o quiseram ouvir. Convívios memoráveis.

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Citando Pedro Almeida Vieira

Pedro_PAVJamais compreendi como um povo tão sagaz, tão valoroso e tão engenhoso nunca, até então, conseguira matar a sua sede, sobrevivendo à míngua, em imutável crise. Enquanto vivi, defendi que uma Nação para almejar a glória, em lutas e conquistas pelos quatro cantos do Mundo, deveria também vencer a carestia da água para a sua própria capital.

Francisco d’Ollanda, personagem de Nove Mil Passos, de Pedro Almeida Vieira.

O romance histórico, quando estruturado com rigor factual e histórico, tem este efeito desmistificador sobre a nossa memória coletiva. Aqui cai o mito de que já fomos grandes. A grandeza do nosso império ficou-se pela sua extensão e a riqueza nos bolsos de muitos poucos. O povo, esse, sempre entregue à sua sede.

Sobre esta edição da Planeta, comemorativa do décimo aniversário do lançamento deste romance, leia mais aqui.

Raimundo – Conto I | Cole©tivo Nau | Cristina Drios

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“…ter mundo para onde ir quando está farta disto.” Para que serve conhecer muito mundo se não conseguimos evadir-nos? Cristina Drios inicia esta participação do Cole©tivo Nau no Das Letras. Um folhetim que tem como ponto de partida o Raimundo que, dizem, conhecia muito mundo.

A um ritmo quinzenal, Raimundo virá até nós na voz dos autores do Cole©tivo Nau. Encontro marcado no Das Letras.

Saiba mais aqui.

 

A Viagem do Elefante – na Fundação José Saramago

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Na próxima quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 18:30, será apresentado no auditório da Fundação José Saramago o livro A Viagem do Elefante em banda desenhada, um trabalho de João Amaral inspirado na obra homónima de José Saramago.

A apresentação deste álbum ficará a cargo de Pilar del Río, que no prefácio da obra escreveu: «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso.»

Leia mais aqui.

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER | Ary dos Santos

natal 01
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

O Natal é quando um Homem quiser!

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

ARY DOS SANTOS

As Criadas – Arte Viva – Barreiro

As criadas_AVDuas criadas oprimidas, pobres, invejosas. Querem os vestidos, querem a riqueza. A vontade é alimentada pelo desespero.

AS CRIADAS, de Jean Genet.
Encenação de Carina Silva. Em Cena de Novembro 2014 a Janeiro 2015 no Teatro Municipal do Barreiro.

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Ficha técnica aqui no Das Culturas.

Boaventura de Sousa Santos |a Terceira Guerra é contra a Rússia

A US Air Force B-52 bomber
Bombardeiro B-52 equipado com armas atômicas. Para Boaventura, “várias agências de segurança [norte-americanas] fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear”

Washington provoca Moscou em três frentes, atiça possível conflito nuclear e ignora opinião da sociedade norte-americana. Em nome da “democracia”?

Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da UE. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 a Resolução 758, que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação da Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.

Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela e Irã). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.

O segundo componente é controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em Fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland, “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagámos para isso”. O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitima a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo midiático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em Fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?

Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando uma discrepância semelhante ou maior separa os cidadãos dos seus governos e da Comissão da UE, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/boaventura-a-terceira-guerra-e-contra-a-russia/

FLORBELA ESPANCA

Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os braços e viver a vida:
– Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa… em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!

Os 15 Cavaleiros da Tábua não redonda | De La Salle | Rudolfix Miguezz

Abrantes - Colégio La SalleDispostos a tudo e de novo chamados a acudir ao reino em dificuldades, reuniram pelo dia VI do mês do inverno do ano IV da desgraça DPPC, 15 cavaleiros discípulos do Rei Artur de La Salle. No castelo da grande Ordem da Engenharia do Sul, Sir Percival de Aires recebia a cavalaria que à medida que se despojava das armaduras e alinhava as espadas, se dirigia à tábua de queijos e enchidos. Sir Lancelot Vitix deu nas vistas envergando uma reluzente armadura, cerca de 10 números abaixo do habitual.
Haviam subido pelo El Vador ao sexto plano da Ordem,os cavaleiros:
Sir Rodrigo de Farin -Sir Zuniga Santo- Sir Roldan Felicius- Sir Alex de Camelot (vestia armadura de pele de camelo) -Sir Lopez Condeço -Sir Gillis Man -Sir Lucianus d`Àlmeida – Sir Paulus de Souza -Sir Parreirix -Sir Rudolfix Miguezz -Sir Antonius Senra- Sir Agria de Torres I- Sir Agria de Torres II,e os “grandes lideres” Sir Percival de Aires e Sir Lancelot Vitix
Devido a imprevistos logísticos, não puderam estar presentes, Sir Miguel De Bap Tista, Sir El Vino e Sir Paim de Bruges. Registámos no livro de honra, de entre outros, os nomes de Sir Taveira de Pinto em missão nos mares da china e Sir Zalberto Katarino de Medicis, ausentes por batalhas longínquas e maiores.
O mago Merlim servia pelo cálice Graal um místico elixir e dispunha a mesa em rectângulo, contrariando a tendência das mesas redondas que pululavam então, pelo reino da asneira.
Ser membro cavaleiro da ordem da Engenharia foi o ideal de muitos jovens de La Salle. Para honrar esse objectivo, conseguido por muitos, sentaram-se na tábua não redonda, 15 cavaleiros que tinham em comum e juraram defender, o espírito de La Salle. Para tanto, é necessário abater, periodicamente, uns tachos de favas, feijoadas, caldeiradas, ou tachos de outra natureza, o que fazem com destreza, e alegria, manejando habilmente facas e garfos, e contando dez Enas de vezes as mesmas anedotas do reino de La Salle!
O repasto servido e regado sem parcimónia, estava “ao ponto”, e teve como um dos pontos altos a introdução, pelo mago Merlim, da poção líquida piri-piri AGRA VI, vinda directamente daquele que viria a ser o reino dos All Graves. A condição respiratória de alguns cavaleiros, com largas horas de montada a cavalo, melhorou, e tornou o debate ainda mais “acalorado”
Lady Guinevere, fez uma rápida e discreta aparição, para registar, em “pixels”,coloridas gravuras para a posteridade.
O Castelo da Ordem da Engenharia, beneficiado de novas e polidas pedras, metais e madeiras por acção de Sir Percival de Aires, tem majestosa vista sobre os condados em redor. Com posição estratégica invejável, esteve tomado durante largas horas por 15 cavaleiros da tábua não redonda, com domínio nas engenharias, nas ciências, nas artes e nas letras que, com emoção recordaram duelos e torneios antigos, em defesa de suas damas, ou na procura incessante do elixir da juventude. Uma amarguinha com gelo picado e limão foi ensaiada, mas o efeito foi fugaz.
Envergados os elmos e armaduras e embainhada a excalibur, cada cavaleiro retornou aos seus domínios, montando fogosos cavalos. Novas lutas estão prometidas para a Prima Vera. Até lá faremos um torneio na zona histórica de Abra Antes. Que não nos falte o elixir…
Aos VII do mês do Inverno do ano IV DPPC

Rudolfix Miguezz

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai

Gonçalo M Tavares_Lisboa

Lx Factory a 14 de dezembro.

No dia 14 de dezembro, às 17:00, Gonçalo M. Tavares apresentará o seu mais recente romance, Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, numa sessão que contará com a participação do pianista Júlio Resende e que terá lugar na livraria Ler Devagar, na Lx Factory, em Lisboa.

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COLE©TIVO NAU – Oito autores e um Raimundo.

Livros_C_NauO Cole©tivo Nau iniciou um projecto em que todos os autores escrevem um conto com a mesma frase de abertura e o mesmo protagonista, a partir de apenas dois dados: o nome – Raimundo – e a origem – Cuba do Alentejo.
É com este projecto que se inicia a colaboração da NAU com o site Das Letras. A partir do próximo dia 15 de Dezembro de 2014, e com uma regularidade quinzenal ( aos dias 15 e 30 de cada mês), cada um dos autores da NAU dará a conhecer o seu Raimundo, de quem se dizia conhecer muito mundo.

Saiba mais no Das Letras.

O perfil de Dorian Gray – por Leonne Castro

Da mesma forma funcionam nossos perfis nas redes sociais. Pense: lá consta foto, nome, idade, preferências, escolhas culturais e até uma linha do tempo, traçando o comportamento do usuário ao longo dos dias. Tudo é tão plausível e verossimilhante que chega a confundir. Trata-se de uma imagem que montamos de nós mesmos e que passa a ser o que somos para um número significativo de pessoas. Quando não se teve a oportunidade de conhecer alguém com mais afinco, é com base na internet que formamos nosso [pré]conceito – prática comum inclusive em empresas, que buscam informações de funcionários e candidatos em processo de seleção. É como se fôssemos, cada um de nós, eternos Dorian Gray’s, com nosso retrato intacto aos olhos do mundo, sem se preocupar com os bastidores da alma.

Leonne Castro – LiteraTortura.

Bluebird

Bluebird é uma animação de um poema de Charles Bukowski, criada por Monika Umba, estudante de Cambrigde School of Art. Sobe esta animação, Marina Franconeti escreveu o seguinte:

Com uma perfeição visual muito bem desenvolvida pela artista, a trilha de poucas notas dá o toque melancólico que soa na leitura. Os personagens possuem um corpo meio rígido, parecem feitos de recortes de jornal. Por isso, tem algo de cotidiano neles. O pássaro e o azul, os grandes protagonistas da animação, dão o tom aos eventos e brilham pela imagem, trazendo à vida a magia do poema.

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Filipe Morato Gomes – Cronista de Viagens

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Filipe Morato Gomes define-se como uma espécie de viajante profissional.

Tenho, atualmente, 43 anos e muita experiência de viagem acumulada. Já dei duas voltas ao mundo, estive em quase 100 países e estou certo de que essa experiência pode ser útil para os que, como tu, querem também descobrir o mundo. Estejas a dar os primeiros passos ou a desbravar novas e mais desafiantes geografias.
Quero, especialmente, inspirar-te.

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De Corpo Inteiro

DeCorpoInteiro_RRNo próximo dia 3 de dezembro, quarta-feira, pelas 18:30, realiza-se na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, a sessão de lançamento do livro Rui Rio – de corpo inteiro, da autoria de Mário Jorge Carvalho. Com a presença de Rui Rio, a apresentação do livro ficará a cargo de Daniel Bessa.
Prefaciado por Nuno Morais Sarmento e com posfácio de Fernando Neves de Almeida, Rui Rio – de corpo inteiro apresenta o retrato do homem e as ideias do político através de inúmeras conversas que Mário Jorge Carvalho manteve com Rui Rio ao longo do ano de 2014 e de testemunhos de quase meia centena de pessoas (desde amigos, colegas e apoiantes a críticos e opositores políticos), procurando o autor responder às muitas perguntas que se colocam sobre Rui Rio e as suas ideias.

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Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

Assinalando o dia 25 de Novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) promove uma ação de sensibilização através de plataformas online. Esta ação passa pela partilha de fotos (“selfies”) no Instagram, acompanhadas da mensagem “Basta que me batas uma vez”.

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O Meu Irmão – Prémio LeYa 2014

O Meu IrmãoEm O Meu Irmão, considerado pelo júri, de forma unânime, o melhor original apresentado este ano a concurso, o narrador, um professor universitário de meia-idade, passa férias com o irmão deficiente numa pequena casa de família situada numa aldeia abandonada no interior de Portugal. O isolamento força-o a rememorar a vida em comum com o irmão, em particular porque os acontecimentos mais recentes podem pôr em causa o seu relacionamento. No fim desvenda-se o mistério.

Recordando as palavras do júri no dia da atribuição do Prémio, o livro aborda um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e humor, o desconforto de quem vive este problema.

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As Criadas – de Jean Genet por ArteViva

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AS CRIADAS, de Jean Genet.
Encenação de Carina Silva. Em Cena de Novembro 2014 a Janeiro 2015

Duas criadas, uma Senhora. Duas Senhoras, uma criada. Uma Senhora que é criada, uma criada que é Senhora, ou serão duas? Uma Senhora prestes a ser assassinada pelas criadas mascaradas de Senhora. Duas criadas oprimidas, pobres, invejosas. Querem os vestidos, querem a riqueza. A vontade é alimentada pelo desespero. Duas aspirantes a Senhora.
Uma Senhora que não sabe… não saberá? Entre o “silencioso arroto do lava-loiça” e a Senhora e “a sua estola, as suas pérolas, as suas lágrimas, os seus suspiros, a sua doçura”, há máscaras, mentiras, segredos e angústias.

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Um Circo que Passa, de Patrick Modiano

Um Circo que Passa

Um Circo que Passa revela bem o estilo de Patrick Modiano, fortemente marcado pela Guerra, pelos anos 40 e pela sua própria infância.

A polícia, os bares duvidosos e as ruas de uma cidade simultaneamente amiga e inimiga – é nesta Paris dos anos 60 que acompanhamos a fuga e as deambulações de um casal à procura do amor. Uma história que tem como narrador Jean, e em que toda a acção gira em torno do seu relacionamento, aos dezassete anos, com a misteriosa Gisèle.

Ambos têm muito a esconder um do outro. Partilham, porém, os mesmos sonhos.

Os Pés na Grande Guerra

Imagens de treino da Cavalaria Portuguesa na Primeira Guerra Mundial – British Pathé.

Em agosto de 1914, os pés (categoria na qual se incluíam as patas dos cavalos) eram tão importantes como os comboios, de tal maneira que, depois do desembarque em zonas de concentração, cavalaria e infantaria se deslocavam sobre a linha de marcha. Para os alemães, era o presságio de dias infindáveis a caminharem para oeste e para sul, nos quais os pés humanos iriam sangrar e as ferraduras dos cavalos perder-se. O tilintar revelador de um prego solto era o sinal para o cavaleiro procurar um ferrador, se quisesse seguir a coluna no dia seguinte. Para o condutor de uma carruagem, semelhante som ameaçava comprometer a mobilidade dos seis animais aparelhados.

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História da Criança em Portugal, de Maria João Martins

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DESDE D. AFONSO HENRIQUES ATÉ AOS NOSSOS DIAS, UM OLHAR INÉDITO SOBRE A INFÂNCIA

O que tiveram em comum as infâncias de D. Afonso Henriques, Luís de Camões e dos nossos próprios avós? Na verdade, quase nada, à parte as dores associadas ao aparecimento dos primeiros dentes e as dificuldades de adaptação ao mundo. Ser criança é um estado condicionado pela sociedade e pela cultura, que variou ao longo dos séculos, ao sabor da própria História.

História da Criança em Portugal é uma viagem fascinante pela história do nosso país, desde o nascer da nacionalidade até aos nossos dias: surpreendemos as crianças nos seus jogos e brincadeiras, no quarto de vestir ou na escola, mas também na oficina, na eira, no orfanato ou no hospital.

Neste livro ficamos a saber como eram educados os reis com vista à futura governação do país, como apareceu a moda infantil, qual o papel da escola após a implantação da República ou a conhecer o lugar da criança na sociedade de consumo contemporânea.

Obra didática e rigorosa, surpreendente e divertida, História da Criança em Portugal é um trabalho inédito na historiografia nacional que não deixará nenhum leitor indiferente.

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Domingos de Agosto, de Patrick Modiano

Domingos de Agosto

Em Domingos de Agosto entramos num fascinante labirinto de mistérios. Por que motivo o narrador fugiu das margens do Marne com Sylvia para se esconderem num obscuro quarto de Nice? Qual a origem do diamante Cruz do Sul, que Sylvia arrasta consigo como uma promessa e uma maldição?

De que morreu o popular ator Aimos? Quem é Villecourt? Quem são os Neal, esse estranho casal cujo carro ostenta uma matrícula diplomática?

E por que estão tão interessados em Sylvia, no narrador e no Cruzeiro do Sul? Ao longo das páginas deste misterioso romance, onde se cruzam todos estes enigmas, nasce uma história de amor que exala um fascínio que irá dominar o leitor por muito tempo.

Citando Rubem Fonseca

Quando terminei o curso primário, arranjei um emprego para ajudar a minha mãe. De bicicleta eu fazia a entrega de produtos de beleza de uma firma que não tinha loja, só anunciava pela internet. O nome era Slim Beauty, acho que é assim que se escreve, é inglês, creio que significa beleza e magreza. Mas quando eu tocava a campainha das casas para entregar os pacotes, as mulheres que abriam a porta estavam cada vez mais gordas.

Amalgama

Amálgama, de Rubem Fonseca – Sextante.

Leia a nota de imprensa aqui.

Meninas, de Maria Teresa Horta

MeninasDo fabuloso monólogo de Lilith num paradisíaco ventre materno, primeiro conto deste volume, até «Estrela», que fecha o livro, numa violenta, mas irresistível, história de abuso sexual paterno que leva a filha ao suicídio, Maria Teresa Horta traça, num português sumptuoso, ao longo de trinta e dois contos, uma vasta e belíssima galeria de meninas. Quase todas negligenciadas, quando não abandonadas e maltratadas, entregam-se à magia ou à leitura salvadoras. É assim com Beatriz, à beira do abismo no Faial, com Laura, abandonada pela mãe em «Eclipse», com Branca, perseguida pela madrasta e o pai, com Maria do Resgate, que abre a porta aos anjos na falta da mãe, com Rute, ladra «sem culpa» de uma rosa apaixonante. Mas também com a infância de personagens históricas como a sanguinária condessa húngara Erzsébet, com a rebelde Carlota Joaquina, inconformada com um destino que não quis, a seduzir e a enfeitiçar o pintor Maella, autor do seu retrato oficial, ou literárias como Katie Lewis, apaixonada pela leitura e assim retratada por Edward Burne-Jones, a gerar o fascínio de Oscar Wilde.

A Viagem do Elefante – em BD

A_Viagem_Elefante_JSJosé Saramago em BD
João Amaral adapta para banda desenhada A Viagem do Elefante.
No dia 21 de novembro, a Porto Editora publica um livro surpreendente: A Viagem do Elefante, romance de José Saramago, adaptado para banda desenhada por João Amaral. Resultado de um trabalho de quase três anos, este livro, que tem a particularidade de ser narrado pelo Nobel português, relata a viagem do elefante Salomão, um presente do rei D. João III para o arquiduque Maximiliano da Áustria, de Lisboa até Viena, guiado pelo indiano Subhro.
Como diz Pilar del Río, no prefácio que escreveu para este livro, «o caminho até Viena é tortuoso: João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. […] João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso».

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

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MixBrasil 2014

MixBrasil_macaquinhosAinda faz sentido definir gêneros em um mundo onde a fronteira entre o masculino e o feminino estão cada vez menos claras? 

Abriu em São Paulo o 22º Festival MixBrasil de Cultura e Diversidade que decorre até 23 de Novembro.

Na amostra de teatro, um dos destaques vai para a performance Macaquinhos que leva ao palco nove atores explorando o ânus um dos outros. As linhas de força da atuação: o desbunde: deboche: degredo: ingênuo: vulgar: arcaico: frágil: íntimo: comum: construir uma fisicalidade a partir do cu: brincar de epistemologia do cu: parodiando: Macaquinhos assenta em três orientações: aprender que existe cu: aprender a ir para o cu: aprender a partir do cu e com o cu.

A arte levada a novos limites, explorando novos conceitos, para ajudar a compreender e dar visibilidade à crescente multiplicidade de identidades sexuais.

macaquinho from Fernanda Vinhas on Vimeo.

Vila Algarve, de Francisco Duarte Azevedo

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Este romance conta a história de um homem – um branco, português, de uma família de retornados a Portugal com a descolonização – que regressa à cidade onde viveu a sua infância e juventude.
A cidade é a mesma, e é outra – chama-se Maputo. Na alterada geografia poucos marcos se mantêm: uma amizade, os fantasmas que lhe povoam a solidão, e a Vila Algarve.

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Nove Mil Passos, de Pedro Almeida Vieira

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Um livro narrado por Francisco d’Ollanda, ou melhor pelo seu espírito, já que o narrador está morto, num tom cheio de humor, que nos relata as peripécias que o seu ser imaterial vai acompanhando.
Francisco d’Ollanda foi o primeiro arquitecto e visionário a quem D. João III pediu estudos para a construção de um aqueduto que abastecesse de água a cidade de Lisboa e aqui conta, quase dois séculos depois, como se processou todo o estudo, adjudicação e construção do Aqueduto das Águas Livres, já no reinado de D. João V.
Ficamos a saber tudo sobre os seus construtores e as tramóias, as intrigas, as traições, os golpes de génio que vão fazendo andar de um para outro dos arquitectos e engenheiros que ficaram com o seu nome ligado ao fabuloso monumento.

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O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón

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Com um estilo deslumbrante e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo à Barcelona de o Cemitério dos Livros Esquecidos para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos, onde o encantamento dos livros, a paixão e a amizade se conjugam num romance magistral.

Na turbulenta Barcelona dos anos de 1920, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe a proposta de um misterioso editor para escrever um livro como nunca existiu, em troca de uma fortuna e, talvez, de muito mais.

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O Leopardo, de Jo Nesbo

O Leopardo

Perturbado com os acontecimentos que levaram à detenção do Boneco de Neve, o inspector Harry Hole refugia-se em Hong Kong onde as únicas regras a que obedece são as que lhe são impostas na sordidez das salas de ópio. Enquanto isso, em Oslo, num inverno excepcionalmente ameno, a Polícia depara-se com o brutal assassino de duas mulheres.

Sem pistas, sem perceber que arma do crime seria capaz de provocar os ferimentos que apresentavam, e com a investigação num impasse, só lhe esta encontrar Harry Hole e convencê-lo a colaborar.

Com o pai gravemente doente no hospital, Harry Hole acaba por regressar à Noruega. Não tenciona trabalhar na investigação mas o instinto leva a melhor quando a Polícia encontra uma terceira vítima num parque da cidade, violentamente assassinada. Quando consegue desvendar a ligação entre as vítimas, Harry Hole percebe que está a lidar com um psicopata que, tal como O Boneco de Neve, o vai levar ao limite das suas capacidades.

Prémio Literário Fernando Namora 2013

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As Primeiras Coisas, de Bruno Vieira Amaral vence o prémio literário Fernando Namora 2013.

Neste romance, somos convidados a reviver um país suburbano, pobre e bairrista, que o dinheiro, injetado pela União Europeia, parecia ter resgatado de forma definitiva. Um país onde frases deste tipo fazem todo o sentido: o doutor Santos era médico, de especialidade indeterminada, ou ainda, Diógenes nasceu completo de dedos. Hoje, não é só o Bruno desempregado que regressa ao Bairro Amélia e à sua realidade degradada, é todo um país que é violentamente atirado para a sua periferia europeia. Um país, onde uma minoria de privilegiados deita um olhar crítico e estende o dedo acusatório: falta aí o Olímpio.

Leia a recensão completa em Acrítico, leituras dispersas.

 

Yaybahar de Görkem Şen

O Yaybahar é um instrumento acústico criado por Gorkem Sen. Elementos ressonantes, cordas e molas helicoidais constituem a estrutura do instrumento com uma sonoridade hipnótica e envolvente.

Neste vídeo, sem qualquer tipo de pós-produção, podemos assistir, no início, à exploração das potencialidades acústicas do instrumento e depois a interpretação de uma peça. Vale a pena deixar passar os primeiros minutos deste vídeo e aguardar pela peça musical que Gorkem Sen interpreta.

Algumas peças de Gorkem Sen aqui.

COMER AVIÕES E NAVIOS RUSSOS AO PEQUENO-ALMOÇO | Tomás Vasques

maoO conflito sino-soviético, iniciado nos anos 60 do século passado, está ao rubro em Portugal. O partido comunista da China, com a ajuda de Passos Coelho e Paulo Portas, está a invadir o nosso país. Em rigor, nacionaliza o que o governo português quer privatizar. E ainda compra os latifúndios no Alentejo para os membros mais qualificados do partido passarem férias. Os russos, incomodados, respondem. Enviam a aviação e a marinha para a nossa costa. O nosso ministro da defesa não tem mãos a medir. Envia F-16 contra os Tupolev que nos sobrevoam diariamente e corvetas da marinha contra os navios russos. Todos os dias há notícias deste conflito sino-soviético em terras lusas. Como é natural, o nosso governo está ao lado do partido comunista da China contra a ameaça russa. Os russos já não têm no poder o partido comunista, mas são russos. E agora, isto é diferente. Aguiar-Branco disse, na Lituânia, onde os nossos aviões F-16 controlam o espaço aéreo daquele país contra os russos, que isso de aviões e navios russos comemos nós ao pequeno almoço.

A Verdade sobre o Mal – John Gray

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A nossa fé no avanço civilizacional leva-nos a acreditar que estamos a coberto de erros do passado e, consequentemente, do “mal” que assolou a humanidade em tempos idos. Qualquer retrocesso civilizacional é considerado como pontual e corrigível. Saddam Hussein foi a personificação do mal que uma vez extirpado, mergulharia o Iraque numa florescente democracia. ISIS é agora o novo mal. John Gray olha para a nossa história e para o percurso da humanidade e constata de que, nem a nossa civilização evolui em direção do bem, nem o mal traz assim uma tão grande novidade.

Removido o tirano, nada garante que as forças do bem prevaleçam. É um facto histórico.

Our leaders talk a great deal about vanquishing the forces of evil. But their rhetoric reveals a failure to accept that cruelty and conflict are basic human traits.

O texto, em inglês, é extenso, mas recorrendo-se à função long read torna-se fácil segui-lo.

(texto na edição online do The Guardian)

O Rei Pálido, de David Foster Wallace

PrintO romance inacabado do autor de A Piada Infinita.
O aborrecimento. Se há alguém capaz de escrever um grande romance sobre este tema é certamente David Foster Wallace: o aborrecimento e os seus efeitos sobre o espírito.
Em A Piada Infinita, explorava o entretenimento e o prazer – que obliteram a dor; aqui, em O Rei Pálido, Wallace leva até às últimas consequências a observação e o estudo da tristeza, da monotonia, do tédio. E, para isso, não poderá haver ambiente mais natural e propício do que a Autoridade Tributária, um centro regional de processamento de IRS algures no Midwest.
O Rei Pálido foi publicado postumamente e editado a partir dos manuscritos encontrados – doze capítulos prontos e outros ainda em construção –, seguindo-se as anotações do autor ou apenas a lógica interna do texto.

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Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão

GuaChuCintilantesPublicado pela primeira vez em 1984, o livro e diário Os guarda-chuvas cintilantes – Cadernos I, de Teolinda Gersão, regressa às livrarias no dia 7 de novembro, com chancela da Sextante Editora. A propósito deste livro, José Emílio Nelson defende que «Teolinda Gersão escreve “a forma inteira” das inquietações contemporâneas num tempo difícil de definir. Os guarda-chuvas cintilantes, livro “sobre tudo”, cintilante entre dois planos de redação oximora (racional/irracional, a um tempo), exemplo de contestação e exemplar alternativa à noção de ficção, vulgarizada por obras contemporâneas menores».
A Sextante Editora havia já publicado, em 2013, As águas livres, o segundo volume dos Cadernos da autora.

A dimensão simbólica oscila entre um sentido lúdico e um sentido fantástico, mas também incide sobre o domínio sobrenatural das coisas e dos seres. Ultrapassar fronteiras de territórios mentais aparentemente incomunicáveis é operação que constantemente se pratica neste livro. Maria Alzira Seixo

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Marcello Caetano – Um destino, de Luís Menezes Leitão

PrintQuarenta anos depois da sua partida para o exílio, na sequência do 25 de Abril, o que recordamos ainda do legado de Marcello Caetano?
Os partidários do Estado Novo nunca lhe perdoaram ter sido incapaz de evitar a queda do regime; os opositores ao Estado Novo culparam-no por não ter sido capaz de reformar o regime no sentido da democracia.

Os defensores de Marcello Caetano mostraram-se incapazes de defender o seu consulado – por isso ele é visto pela opinião pública como um parêntese entre o regime salazarista e o PREC iniciado com o 25 de Abril.
Esta é uma perspectiva injusta, pois esquece a extraordinária obra do governo de Marcello Caetano nos planos económico, social e laboral.

A miséria da economia

Privatizar ou estatizar? Mais estado ou mais mercado? Protecionismo ou abertura? Os pontos e contrapontos do discurso econômico desta eleição nos deram um toque de nostalgia. De um lado, parecíamos estar no ambiente do final da Segunda Guerra, no qual os economias da Fiesp, Roberto Simonsen à frente, defendiam proteção à indústria nascente e investimento público. De outro, parecíamos estar no final dos anos 1980, com o Consenso de Washington e suas propostas liberalizantes.

O debate moderno sobre política industrial passou longe dos programas de governo, mesmo de Marina Silva. Iniciado com o paper Industrial policy for the 21st century, a conversa não está mais no nível do Privatizar x Estatizar. Ela opera em uma contraposição entre reformas pro-business e pro-market (Peço desculpas pelas palavras em inglês, algumas delas tem o sentido fortemente alterado em português). Enquanto as reformas pro-business consistiriam em investimentos estatais para desenvolvimento de empresas e empreendedores, as reformaspro-market seriam aquelas que afetam a economia como um todo.

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Lugar Caído no Crepúsculo, de João de Melo

Lugar Caído no Crepúsculo

O que nos acontece depois da morte? É esta a pergunta implícita ao longo das páginas deste romance. Um livro que impõe a vida, em protesto contra a tragédia da morte humana, recusando-se a aceitar o silêncio e a escuridão do desconhecido e do sagrado: os mistérios acreditados pela fé de muitos, mas não pela angústia dos que questionam o Além.

Com uma abordagem distinta dos conceitos tradicionais, e numa escrita marcada pelo realismo fantástico, João de Melo humaniza a imagética cristã, conferindo-lhe uma realidade mais próxima do mundo e da vida.

Uma viagem pela vida e pelo Além em que o leitor é guiado por diversos narradores: vozes comprometidas, trágicas, cómicas, que narram a excepção e a realidade do Homem no nosso mundo.

O Exército Furioso, de Fred Vargas

O-exercito-furiosoO Exército Furioso foi premiado com o International Dagger Award.
Fred Vargas é uma das mais importantes escritoras francesas atuais, sendo um nome incontornável quando se fala dos grandes escritores de policiais do momento. Depois de Um lugar Incerto e A Terceira Virgem, a Porto Editora publica o seu mais recente romance, O Exército Furioso.
Este livro, que chega às livrarias nacionais a 31 de outubro, foi distinguido em 2013 com o International Dagger Award, atribuído pela Crime Writers’ Association do Reino Unido, sendo já a quarta vez que a autora recebe este prémio. Em todo o mundo, os livros de Fred Vargas venderam mais de 10 milhões de exemplares e estão traduzidos para 35 países.

SINOPSE
Uma lenda medieval ensombra a pequena cidade de Ordebec, na região francesa da Normandia: uma horda de cavaleiros mortos, descarnados, sem braços nem pernas, o Exército Furioso, erra à noite por um trilho na floresta, espalhando o terror entre os habitantes. Segundo reza a lenda, o exército de mortos-vivos vem anunciar a morte aos pecadores e, regra geral, os eleitos são os habitantes mais odiados: os assassinos e os ladrões.

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Estalinegrado, de Antony Beevor

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Em outubro de 1942, um oficial dos Panzers escreveu: «Estalinegrado já não é uma cidade… Os animais fogem deste inferno; nem as pedras mais duras conseguem resistir por muito mais tempo; só os homens se aguentam.»

Para muitos, a Batalha de Estalinegrado simboliza o ponto de viragem da Segunda Guerra Mundial. A vitória do Exército Vermelho e o fracasso da Operação Barbarossa alemã marcaram a primeira derrota nas ambições territoriais de Hitler e o princípio do seu declínio.

Pouco se sabe contudo do que de facto aconteceu em Estalinegrado. Depois de avançar sobre o território soviético, as forças de Hitler detêm-se a alguns quilómetros de Moscovo e avançam para o maior erro da estratégia nazi: Estalinegrado.

A batalha pela cidade tornou-se o foco de atenção tanto de Hitler como de Estaline, convictos como estavam de que seria determinante para vencer a guerra na Frente Oriental. Os cidadãos de Estalinegrado viveram sofrimentos inimagináveis e a atalha foi brutalmente destrutiva para ambos os exércitos.

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Os Livros da Revolução – Casa da Cultura de Setúbal

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As mudanças políticas e sociais iniciadas em 25 de Abril de 1974 estão bem documentadas em registos históricos e em literatura que relata, ficciona e festeja a acção militar que pôs fim a uma ditadura que durou quase meio século.  A repressão foi castradora. A censura foi inimiga da inteligência. O analfabetismo foi aliado do regime que tolheu futuros e  provocou anátemas.

Recordamos o dia de Abril em que tudo aconteceu, em Outubro, mês em que outra ruptura histórica pôs fim, há um século atrás,  ao despotismo patético de condes e barões de um sistema caduco e retrógado. 

Abril em Outubro foi a marca que desenhámos para fechar a porta das comemorações dos quarenta anos do 25 de Abril. Contamos com a presença de protagonistas, de jornalistas que deram as notícias em primeiro mão e de historiadores que trabalharam os relatos dos protagonistas. Vamos conversar com eles na Casa da Cultura. Casa que nasceu no local onde o Círculo Cultural de Setúbal transformou cultura em coisa viva. Como deve ser a cultura. Círculo que resistiu aos atropelos perpetrados pelo serôdio regime. Vamos recordar festejando. Festejaremos o fim do  obscurantismo. Sempre. (José Teófilo Duarte)

O Muito cá de Casa é uma iniciativa da DDLX e da Câmara Municipal de Setúbal – Divisão de Cultura, Jornal SemMais e BlogOperatório.

A Filha do Papa, de Dario Fo

A Filha do Papa

Filha de um papa, três casamentos, um marido assassinado, um filho ilegítimo… tudo em apenas trinta e nove anos, em pleno Renascimento.

A vida de Lucrécia Borgia foi realmente incrível e merece, sem dúvida alguma, ser contada. Tentaram-no escritores, filósofos, historiadores, e, recentemente, foram-lhe dedicadas séries televisivas de sucesso, tanto em Itália como no estrangeiro. Agora, Dario Fo, Prémio Nobel, afastando-se das reconstituições escandalosas ou puramente históricas, revela-nos num romance magistral, o único escrito pelo autor, toda a humanidade de Lucrécia, libertando-a dos clichés de mulher dissoluta e incestuosa e inserindo-a no contexto histórico e na vida quotidiana da sua época. Assim, ante os nossos olhos desfila o fascínio das cortes renascentistas, com o papa Alexandre VI – o mais corrupto dos pontífices –, o diabólico irmão Cesare, os maridos de Lucrécia – perseguidos, mortos, humilhados – e os seus amantes, acima de todos Pietro Bembo, com o qual partilhava o amor pela arte e, em especial, pela poesia e pelo teatro. Todos peões dos impiedosos jogos de poder. Uma verdadeira academia do nepotismo e do obsceno, entre festas e orgias.

Leia a recensão no Acrítico, leituras dispersas.

Sven-Göran Eriksson – A Minha História

Sven-Göran Eriksson - A Minha História

Poucos treinadores terão sido tão seguidos e escrutinados. De tal modo que qualquer pessoa, onde quer que se encontre, parece ter uma opinião sobre Sven-Göran Eriksson, ou o Senhor Futebol,como também é conhecido. Aqui, neste livro, ele conta-nos tudo sobre a sua vida dentro e fora dos relvados. Não só são revelados vários conflitos entre os atletas das equipas por onde passou como, também, o inacreditável comportamento de alguns jogadores da Roma que, perante a possibilidade de se sagrarem campeões, preferiram aceitar dinheiro e terminar o campeonato em segundo lugar. Ou, ainda, o escândalo em que se viu envolvido com uma mulher, em Inglaterra, que por pouco não o fez abandonar o futebol pela porta pequena.

A passagem pelo Benfica, clube que, depois de Eriksson, não mais voltou a ser bicampeão nacional, também merece destaque neste livro. “Encontrei um futebol português muito mais sujo.” São suas estas palavras, proferidas depois da sua segunda passagem pelo clube da Luz, entre 1989 e 1992.

Primeiro seleccionador estrangeiro a orientar a Inglaterra, viveu em Londres o inferno dos paparazzi e dos escândalos.

Amálgama, de Rubem Fonseca

AmalgamaA Sextante Editora publica o novo livro de contos de Rubem Fonseca, Amálgama. Aqui, reencontramos o estilo único do maior contista brasileiro em histórias onde residem a crueza, o erotismo, a violência, a velocidade narrativa, o clima noir. Ao longo de 32 contos e dois surpreendentes poemas, somos confrontados com personagens e situações unidas pela tristeza, pela dor, pela raiva, pelo fracasso, pela ternura e pelo amor, uma verdadeira amálgama de vidas que se constroem e se destroem num instante.
Rubem Fonseca é um dos maiores escritores lusófonos da atualidade e, nos últimos anos, considerado por muitos como o principal candidato ao primeiro Prémio Nobel da Literatura brasileiro. A Sextante Editora tem já publicados seis livros deste consagrado autor.
O LIVRO
Um assassino de anões que reflete sobre o amor; um homem que mata gatos e cães mas tem pudor em proferir palavras torpes; um rapaz que odeia gente má e usa a sua bicicleta como instrumento da justiça; vários escritores frustrados. No mais recente livro de Rubem Fonseca, os contos e alguns poemas – pungentes, intrigantes, secos como um soco – perambulam pela cidade.

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O Exército Iluminado, de David Toscana

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Ignacio Matus é um professor que, ano após ano, insiste em transmitir aos alunos a vergonha nacional que constituiu a perda do estado mexicano do Texas para os Estados Unidos da América, o que leva à sua expulsão do estabelecimento de ensino.

Ferido no seu patriotismo, decide criar um exército no qual se alistam crianças deficientes, que sai da cidade de Monterrey com a missão de atravessar o rio Bravo para recuperar o Texas e, com ele, a dignidade nacional.

Ao chefiar este louco plano militar, Ignacio Matus revela um antiamericanismo que se deve não só à perda do território mexicano, mas também à firme convicção de que um atleta norte-americano lhe arrebatou a glória nas Olimpíadas de Paris.

Romance inquietante, irónico e comovente, onde os fracassos das personagens os transformam em verdadeiros heróis, O Exército Iluminado ilustra o génio literário de David Toscana, confirmando-o como um dos mais originais escritores dos nossos dias.

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Pão e Vinho, de Paulo Moreiras

Pão & Vinho

Com crise ou sem ela, o pão e o vinho nunca faltaram na mesa dos Portugueses, fazendo parte da sua matriz identitária; nas últimas décadas, tornaram-se até produtos de culto, multiplicando-se pelo País fora as padarias que vendem pães de todo o tipo e os produtores de vinho que oferecem verdadeiros elixires a que ninguém resiste.

O presente livro aborda as origens destes dois elementos tão típicos da nossa gastronomia, mas vai muito mais longe, resgatando do património etnográfico as tradições a eles associadas.

Adivinhas, provérbios, superstições, contos e lendas, manifestações religiosas e culturais, apontamentos sobre o seu uso na culinária, bem como um sem-número de curiosidades divertidas e inesperadas, compõem uma obra irresistível sobre a história do pão e do vinho que tantas vezes se confunde, afinal, com a da nossa existência e sobrevivência.

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

Caminho Como Uma Casa Em Chamas

O livro, o 25º romance do autor, tem como fio condutor um prédio algures em Lisboa e as vidas das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.

No Limite da Dor – encenado por Lendias d’Encantar

Quatro histórias que se entrelaçam numa peça que traz aos espectadores de hoje, a experiência vivida por muitos portugueses às mãos da PIDE, durante os anos da ditadura. Uma profunda reflexão sobre a resistência, o medo, a humilhação, a dor e a dignidade do ser humano – esta é a proposta que fazemos ao espectador de hoje, às novas gerações que provavelmente terão dificuldade em compreender a sua real dimensão.

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A Conversa de Bolzano, de Sándor Márai

A Conversa de Bolzano

A Conversa de Bolzano — mais uma das obras-primas do grande escritor húngaro — é um romance sensual e repleto de suspense sobre o sedutor mais famoso do mundo e o encontro que o irá mudar para sempre. Em 1756, Giacomo Casanova escapa de uma prisão veneziana e ressurge na pequena cidade de Bolzano. Aqui, Giacomo recebe um visitante indesejado: o envelhecido, mas ainda temível, duque de Parma, que anos antes o havia derrotado num duelo por uma dama deslumbrante chamada Francesca, tendo-lhe poupado a vida sob a condição de que não voltasse a vê-la. Agora, o duque está casado com Francesca — e intercetou uma carta de amor do seu antigo rival. Ao invés de matar Casanova de imediato, o duque faz-lhe uma oferta surpreendente, que é lógica, perversa e irresistível.

Transformando um episódio histórico numa brilhante exploração ficcional sobre a ligação entre desejo e morte, A Conversa de Bolzano é outra prova de que Sándor Márai é uma das vozes mais marcantes do século xx.

Sete Mitos/Mentiras sobre os Portugueses | Joana Amaral Dias

Joana-Amaral-Dias 2001. Os portugueses trabalham pouco. Os alemães trabalham muito. Mentira. A jornada de trabalho em Portugal é uma das maiores da Europa desenvolvida. Comparados com os alemães, os portugueses trabalham mais 324 horas todos os anos, mas levam para casa menos 7484 euros.

2. Os portugueses andaram a viver da mama da Europa, paga pelos alemães. Mentira. Com a entrada na UE, Portugal ganhou apenas 0,4% do PIB (fim da lista). Já a Alemanha encabeça o ranking com um aumento de 2,3%.
3. Os portugueses têm demasiados feriados. Mentira. Em Portugal há 10 feridos (antes havia 14). A Finlândia tem 15, a Espanha 14, a Eslováquia 13, a Áustria 12, enquanto a Suécia, a Itália, a França e a Dinamarca têm 11. Na Alemanha há entre 10 a 13 feriados, conforme os estados (länders).

4.Há demasiados portugueses que são funcionários públicos. Mentira. Temos, 575 mil e têm vindo a diminuir. Em 2008 (quando eram mais do que agora), eram 12,1% da população ativa. A média dos 32 países da OCDE é de 15%. A Dinamarca e a Noruega têm cerca 30%. O peso dos vencimentos dos funcionários públicos, em Portugal, em relação ao PIB, é inferior à média da UE e da zona euro: 10,5% em Portugal, 10,6% na zona euro, 10,8% na UE, mais de 18% em países como a Dinamarca ou a Noruega.

LER MAIS: http://www.leituras.eu/sete-mitosmentiras-sobre-os-portugueses/#sthash.vUUWt517.KLhIiqvN.dpbs (FONTE)

MANUEL CARVALHO DA SILVA | Agressões escondidas

mcdasilva(…) trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”.

O que esta semana se escreveu e disse sobre o Orçamento do Estado (OE), analisado por especialistas ou explicado pela ministra das Finanças e pelo primeiro-ministro, trouxe-me à memória o que um amigo, normalmente navegando na área do PSD, me costuma enunciar como um dos mais graves problemas do “Ocidente”: diz ele, “o Ocidente viciou-se em viver na mentira”. E explica: não é capaz de respeitar novas realidades do Mundo, nomeadamente geoestratégicas; mente ao afirmar a possibilidade de universalização do estilo de vida que propagandeia como modelo; intervém unilateralmente e na base de pressupostos feitos de mentira e agredindo brutalmente milhões de pessoas. Também o Governo PSD/CDS se foi apurando como viciado compulsivo da dissimulação, da manipulação e da mentira.

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Afonso Reis Cabral – Prémio LeYa 2014

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O júri do Prémio LeYa, reunido ontem e hoje em Alfragide, deliberou por unanimidade distinguir a obra O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral.

 O livro premiado trata de um tema delicado, que poderia suscitar uma visão sentimental e vulgar: a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down. A realidade é trabalhada de uma forma objectiva e com a violência que estas situações humanas, podem desenvolver, dando também um retrato social que evita tomadas de decisão fáceis, obrigando a um investimento numa leitura que nos confronta com a dificuldade de um mundo impiedoso. Há no entanto uma tonalidade lírica na relação que se estabelece entre dois deficientes e que salva, através de apontamentos de poesia e de humor, o desconforto de quem vive este problema.

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Novas edições de Eugénio de Andrade

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Limiar dos Pássaros e Memória Doutro Rio são as duas novidades da Assírio & Alvim Dois livros de Eugénio de Andrade regressam às livrarias, no dia 17 de outubro: Limiar dos Pássaros e Memória Doutro Rio, com prefácios de Pedro Eiras e Fernando Guimarães, respetivamente.

Limiar dos Pássaros foi publicado, pela primeira vez, em 1976, e divide-se em três partes: «Limiar dos Pássaros», «Verão sobre o Corpo» — um conjunto de textos em prosa — e «Rente à Fala». Estas partes estruturam o livro e estabelecem entre si uma continuidade que permite associálas musicalmente a três andamentos de uma mesma obra.

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Da Rosa Fixa, de Maria Velho da Costa

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Publicado pela primeira vez em 1978, Da Rosa Fixa, de Maria Velho da Costa, ganha uma nova edição, que agora se apresenta profundamente revista e com um prefácio de Jorge Fernandes da Silveira. Este livro chega às livrarias no dia 17 de outubro, com a chancela Assírio & Alvim.
«Os livros de amor são escritos com uma exterioridade absoluta. Partilham a surpreendente resposta do vegetal à respiração que aflore, ao acto do derrame de águas, indirecto. População de agrários hortícolas e floreiros, há que aguardar aqui com a gentileza tersa do felino que caça levitando sobre folhas, a ameaça tão leve.»
Algumas páginas deste livro estão disponíveis aqui.

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TÁBULA RASA | A negação contemporânea da natureza humana | Steven Pinker

tabula-rasa-b-iext12983200Steven Pinker é um dos mais respeitados nomes da ciência cognitiva e dos estudos da linguagem aplicados à neurociência. Seus ensaios têm grande aceitação na comunidade acadêmica e também no público em geral. Em Tábula rasa, Pinker enfrenta o debate “natureza versus criação”.
O autor ataca três dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental: a idéia de que a mente de um recém-nascido é uma “tábula rasa” a ser preenchida pelos pais e pela sociedade; a concepção de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e a crença de que a alma imaterial dotada de livre-arbítrio é a única responsável pelas ações do indivíduo.
O autor descreve a evolução histórica dessas três idéias, originadas respectivamente das concepções de John Locke, de Rousseau e da religião. Pinker demonstra como elas se estabeleceram de forma inquestionável até comporem uma espécie de “doutrina oficial”, que hoje influencia não só a criação dos filhos, mas também a vida política.
Pinker recorre a autores como Darwin, Kant, Shakespeare e até a personagens dos quadrinhos, como Calvin e Haroldo, para defender a idéia de uma natureza humana alicerçada na biologia. Segundo essa concepção, o ser humano nasce equipado com um conjunto de informações genéticas que direciona o seu desenvolvimento. Em cada indivíduo, a natureza humana, regida pela biologia, sofre influências da cultura e da sociedade – e é da interação de ambas que resultam personalidade e comportamento.

“Arrebatador, erudito e divertido – e muito persuasivo” – Time

“Um livro extraordinário: claro, implacável e empolgante” – The Washington Post

Das Letras

Das-Culturas-Casa-AzulO PNet Literatura deu lugar ao Das Letras

A minha primeira colaboração no novo sítio dedicado às literaturas.

A escrita da Claudia Clemente tem essa plenitude de quem pode correr todos os riscos e lançar-se em estruturas narrativas complexas. De quem sabe que o ritmo de um texto não depende da cronologia dos acontecimentos. Conquistar o leitor com temas por demais batidos – como a própria autora reconhece ao invocar Eça de Queiroz-, e fazê-lo com uma elegância e um nível de dissimulação que tudo transforma numa nova história, preso que ficamos à sua forma inovadora de a contar. Não é possível não se render a esta escrita.

Entrem no Das Letras e sintam-se em casa.

A Alegria da Criação

Alegria da Criacao

Plantei a semente da palavra
Antes da cheia matar o meu gado
Ensinei ao meu filho a lavra e a colheita
num terreno ao lado
[José Afonso]

NO ESTRADO DA ALEGRIA | A criação não depende apenas de conceitos, imagens ou da procura de novos caminhos. Pode resultar de uma compreensão da realidade com todas as práticas: erros, desvios, acidentes e entendimentos de experiências vividas. A criação não é um programa de variedades, é um diálogo sério sobre a realidade. Criar é fazer uma nova ilustração do mundo. O mundo precisa permanentemente de coisas novas. Mas o mundo pode ser a mesa onde estão sentados os nossos cúmplices. Digo eu, e, muito sinceramente, é por aí que respiro.

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A Festa da Insignificância, de Milan Kundera

A Festa da Insignificância

Lançar luz sobre os problemas mais sérios e, ao mesmo tempo, não proferir uma única frase séria, estar fascinado pela realidade do mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, evitar qualquer realismo, eis A Festa da Insignificância, o novo romance de Milan Kundera, 13 anos depois do anterior, no qual o autor coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea Os que conhecem os livros de Kundera sabem que a intenção de incorporar uma parte de «não-sério» num romance não é de todo inesperada. Em A Imortalidade, Goethe e Hemingway passeiam juntos por vários capítulos, conversando e divertindo-se.

E, em A Lentidão, Vera, a esposa do autor, diz a seu marido: «Sempre me disseste que um dia querias escrever um romance em que nenhuma palavra fosse a sério… Só quero avisar-te: cuidado, os teus No entanto, em vez de prestar atenção, Kundera realiza finalmente na plenitude o seu velho sonho estético neste romance, que pode ser visto como um resumo surpreendente de toda a sua obra.

A Mística de Putin, de Anna Arutunyan

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A Mística de Putin – O culto do poder na Rússia leva o leitor numa jornada através da Rússia de Vladimir Putin, designado pela revista Forbes, em 2013, como o homem mais poderoso do mundo. Este é um país neofeudal em que iPads, a filiação na OMC e os fatos de luxo escondem uma estrutura de poder saída diretamente da Idade Média, em que o soberano é visto ao mesmo tempo como divino e demoníaco, em que a riqueza de um homem é determinada pela sua proximidade com o Kremlin, e em que grandes camadas da população vivem numa complacência interrompida por acessos de revolta.

De onde vem este tipo de poder? A resposta não reside no líder, mas no povo: no trabalhador empobrecido que recorre diretamente a Putin para pedir ajuda, no empresário, nos agentes de segurança e nos altos-funcionários do Governo de Putin – muitas vezes disfuncional – que se viram para o seu líder à procura de instruções e de proteção.

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O Puto – Autópsia dos Ventos da Liberdade

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Nos anos da Revolução, este homem participou em atentados que puseram o país a ferro e fogo. A voz do comandante Paulo, «o Puto», ouve-se agora pela primeira vez. E conta tudo.

Aos 17 anos foi bater à porta da tropa para ser comando, e o lendário capitão Jaime Neves chamou-lhe «Puto». E «Puto» ficou. Depois participou no 7 de Setembro de 1974; prenderam-no, e evadiu-se da penitenciária. Voltaram a prendê-lo, e fugiu da Tanzânia antes de ser fuzilado. De refugiado na África do Sul seguiu para Angola; assaltou quartéis para obter armas, formou o esquadrão Chipenda, conquistou cidades após cidades para a FNLA. Aí deixou de ser «Puto» para ser Paulo, comandante Paulo. Colaborou na evacuação de Moçâmedes e ia morrendo à sede no deserto. A seguir, o Puto e os outros vieram para Portugal. Queriam apresentar a factura – foi a altura dos atentados bombistas (na Associação Portugal-Moçambique, na torre do radar do aeroporto, em duas torres de alta tensão na Vialonga), uns atrás dos outros, até voltar a ser preso e condenado, primeiro a 16 e no final a 34 anos de cadeia. Mas nem o comandante Paulo nem os seus camaradas eram de ficar presos; cavaram um túnel na segunda mais segura cadeia da Europa, em Alcoentre, e dali escaparam 131 prisioneiros, na maior fuga de que no Ocidente há notícia.

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A Primeira Guerra Mundial, por John Keegan

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A guerra que começou há 100 anos descrita por um dos maiores historiadores militares no nosso tempo.

Um acontecimento com a relevância da Primeira Guerra Mundial requer ser retratado por um historiador distinguido e, em A Primeira Guerra Mundial, que a Porto Editora publica a 10 de outubro, Sir John Keegan leva a cabo a missão de escrever para a atual geração sobre a grande guerra que influenciaria todo o século XX. Para além da descrição das batalhas em terra, no ar e no mar, Keegan revela o contexto em que estas acontecem e interpreta de forma fascinante os contornos das estratégias militares.

Ao longo de dez capítulos, acompanhados por mapas e fotografias da época, este documento fundamental e de mérito internacionalmente reconhecido permite compreender as vicissitudes dos quatro anos de guerra que mudaram o mundo. A presente edição é enriquecida com um texto de Maria Fernanda Rollo e Ana Paula Dias, historiadoras e tradutoras deste livro, em que se analisam a participação portuguesa na guerra e as suas consequências para o futuro de Portugal.

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LIÇÃO DE CAVALARIA

Dom Quixote visita propriedade de Vincent van Gogh — Colagem de Vicente Freitas

Dom Quixote visita propriedade de Vincent van Gogh — Colagem de Vicente Freitas

Amigo Francisco: Lendo seu monólogo, ou melhor, seu diálogo consigo mesmo, sobre lição de cavalaria, me senti, de repente, encantado, ou seja, de início, achei mesmo que eu não passava de um cavalo, depois estive meditando, e, como cavalo não medita, acho, cheguei à conclusão que sou, no mínimo, um centauro; afinal, todos nós temos um pouco de centauro, não é mesmo?

E já que estamos comemorando os quatrocentos anos do D. Quixote. E como D. Quixote é, na verdade, um centauro, pois não existe D. Quixote sem parte de homem e parte de cavalo, assim como não existe D. Quixote sem Sancho Pança. Mas antes da personagem genial de Cervantes vamos matutar um pouco sobre os centauros…

Na mitologia grega, eram eles a personificação das forças naturais. Centauro era um animal fabuloso que habitava as planícies da Arcádia e da Tessália. Seu mito foi, possivelmente, inspirado nas tribos semi-selvagens das zonas agrestes da Grécia. Segundo a lenda, era filho de Ixíon e de Nefele, deusa das nuvens, ou então de Apolo e Hebe. A estória mitológica dos centauros está quase sempre associada a episódios de barbárie. Convidados para o casamento de Pirito, rei dos lápitas, os centauros, enlouquecidos pelo vinho, tentaram raptar a noiva, desencadeando-se ali uma terrível batalha. O episódio está retratado nos frisos do Partenon e foi um motivo freqüente nas obras de arte pagãs e renascentistas. Os centauros também teriam lutado contra Hércules que os teria expulsado do cabo Mália. Contudo, nem todos os centauros apareciam caracterizados como selvagens. Um deles, Quirão, foi instrutor e professor de Aquiles, Heráclito, Jasão e outros heróis, entre os quais Esculápio. Entretanto, enquanto grupo, foram eles notórias personificações da violência, como se vê em Sófocles. Continuar a ler →

COMO SOBREVIVER A PORTUGAL, de Gabriel Magalhães

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Um ensaio provocatório. Uma análise impiedosa dos nossos defeitos. Uma obra polémica que não deixará ninguém indiferente, mas deixará cada um pensar sobre quem somos e, principalmente, quem queremos ser, como povo e como indivíduos.

Numa altura em que a troca de ideias se espartilha em um ou dois modelos oficiais de debate, Gabriel Magalhães expõe ideias com uma clareza, um desassombro e uma serenidade que nos faz acreditar que a liberdade de pensamento e opinião ainda existe e é praticável.

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O HOMEM QUE ERA SALAZAR

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O que faria Salazar hoje? O autor do presente conto, que não o assina, pois não deseja que, à semelhança do que aconteceu com o actor da história original, o confundam com o personagem principal, espera que não vejam este trabalho com o sentimento de alguém que faz a apologia do salazarismo e do Estado Novo.

Deseja tão-somente que se faça hoje uma reflexão dos 40 anos de democracia que já temos, sem esquecer os 40 anos de poder que foi dado a Salazar.

É nesta intersecção histórica em que nos encontramos que devemos imaginar como seria Portugal se, tal como aconteceu no caso real de Pedro Montoya, aparecesse por aí novamente o ditador Salazar.

À MESA COM FRIDA KAHLO, de Luz Martínez

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Em poucos países a história estará tão representada na gastronomia como no México. À enorme diversidade de sabores, cores e ingredientes da cozinha pré-hispânica, juntou-se uma variedade de pratos resultante do contacto com os espanhóis, originando uma gastronomia rica, variada e mundialmente reconhecida.

Também a cultura está muito presente na cozinha mexicana, sendo Frida Kahlo um exemplo particularmente cativante. A grande pintora gostava de cozinhar à maneira antiga e usando métodos tradicionais, organizando longos serões com pratos que deliciavam não só o seu amado Diego como também os inúmeros amigos que acorriam à Casa Azul.

Em À Mesa com Frida Kahlo, cada receita é apresentada de uma forma clara, desde a sua preparação até ao acto de servir, e enriquecida com sugestões e truques. Ao longo do livro, os leitores podem conhecer igualmente a história de alguns ingredientes, utensílios ou pratos mexicanos, bem como aspectos da vida e a obra da artista. Desta forma, são apresentadas algumas curiosidades sobre o seu percurso, reproduzidos com uma explicação alguns dos seus principais quadros e apresentada uma cronologia com os momentos mais relevantes da vida de Frida Kahlo. O resultado é um livro inovador e surpreendente que fará as delícias de qualquer amante da cozinha e da grande pintora mexicana.

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Citando Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O Leopardo

Não somos cegos, caro padre, somos apenas homens. Vivemos numa realidade movediça a que tentamos adaptar-nos tal como as algas se vergam sob os empurrões do mar. À Santa Madre Igreja foi explicitamente prometida a imortalidade; a nós, enquanto classe social, não. Para nós, um paliativo que prometa durar cem anos equivale à eternidade. Poderemos talvez preocupar-nos pelos nossos filhos, ou até pelos netinhos; mas para além do que possamos ter a esperança de acariciar com estas mãos não temos obrigações; e eu não posso preocupar-me com o que serão os meus eventuais descendentes no ano de 1960.

A Igreja, sim, tem de tratar disso, porque está destinada a não morrer. No seu desespero está implícito o conforto. E julgais que, se pudesse agora ou se puder no futuro salvar-se com o nosso sacrifício, ela não o faria? É claro que o faria, e faria bem.

O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, D. Quixote.

(diálogo entre o príncipe de Salina e o seu confessor, o padre Pirrone, na expectativa do desembarque na Sicília das tropas piemontesas lideradas pelo general Garibaldi, em 1860).

Leia mais em Acrítico, leituras dispersas.

Grande Prémio APE – Mário de Carvalho

A Liberdade de Pátio, venceu hoje o Grande Prémio APE de Conto Camilo Castelo Branco, na sua 22ª edição. É já a segunda vez que o escritor Mário de Carvalho recebe este prémio.

Instituído em 1991, ao abrigo de um protocolo entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o Grande Prémio do Conto destina-se a galardoar uma obra em língua portuguesa de um autor português ou de um país africano de expressão portuguesa.

Em A Liberdade de Pátio, Mário de Carvalho oferece-nos, na sua inconfundível escrita, um conjunto de narrativas curtas onde o insólito, a sua invulgar capacidade de observação e um apurado sentido de humor, são o fio condutor que nos prende à leitura.

Sobre este livro leia mais em Acrítico, leituras dispersas.

 

Dá Voz à Letra

Dá Voz à Letra quer encontrar, entre estudantes dos 13 aos 17 anos de escolas públicas e privadas da Área Metropolitana de Lisboa, o melhor leitor ou leitora em voz alta.

Grava um vídeo com a duração máxima de 3 minutos a ler, em voz alta, um texto à tua escolha.

Envia o teu vídeo entre 29 de setembro e 29 de Outubro de 2014 (23h59GMT)
e habilita-te a uma viagem a Londres para 2 pessoas!

Descobre mais aqui.