Sting, Bruce Springsteen | Every Breath You Take
George Harrison, Bruce Springsteen, Mick Jagger, Bob Dylan and others | “I Saw Her Standing There”
The Rolling Stones | You Can’t Always Get What You Want
Dia Mundial do Livro: não deixem o vírus matar Camões | Manuel S. Fonseca
Hoje, Dia Mundial do Livro, autores, editores e livreiros estão em perigo. Tolstói ou Dostoievski, Shakespeare e Camões, Camilo ou Eça vivem, como Portugal, como o mundo, a situação calamitosa que afecta dramaticamente a nossa forma de vida, as pessoas e as empresas. Sim, os grandes romances, os grandes ensaios, os livros de ciência ou de filosofia, tal como os editores e livreiros que são a sua casa, acabam de sofrer um violento abalo. Fragilizados pelas crises económicas de 2008 e de 2011, editores e livreiros são agora, como resultado directo desta pandemia, confrontados com a mais dura ameaça que o livro já experimentou em Portugal. A espada de Dâmocles, que é a insolvência de editores e o fecho definitivo de muitas livrarias, paira sobre as nossas cabeças, sobre a cabeça dos grandes livros e dos grandes autores, o que o empobrecimento salarial dos leitores, já de si uma minoria da população, mais reforça.
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Querido Tiago | Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas | Frederico Duarte Carvalho
Querido Tiago,
Hoje é dia 23 de Abril, uma quinta-feira – isto para quem ainda faz sentido saber em que dia da semana estamos. Se a revolução de 25 de Abril tivesse de acontecer nos dias de hoje, então era hoje, a 23 de Abril, que ela deveria ter lugar. Seria hoje que os tanques viriam para a rua, tomariam de assalto os pontos nevrálgicos de comunicações e emitiram as suas recomendações para que a população permanecesse fechada em casa. Sem sair à rua:
“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma”.
10) – C19 Upshot | Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação | Paulo Querido
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Diana Vishneva in Class and Rehearsal
O Vírus Chinês e os misseis Strela da Guiné | A Confissão de Impotência do Imperador | Carlos Matos Gomes
No dia 23 de Março de 1973 o PAIGC disparou o primeiro míssil antiaéreo Strela contra um avião português. A 25 de Março foi abatido o primeiro avião, um Fiat G 91, sobre Guileje, no Sul, o piloto, tenente Pessoa, ejeta-se e salva-se. Três dias mais tarde, a 28 de Março, outro Fiat, desta vez pilotado pelo tenente-coronel Almeida Brito, também é abatido no sul da Guiné. O avião explode no ar provocando a morte do piloto. Na semana seguinte, a 6 de Abril, a Força Aérea perde ainda dois aviões ligeiros de transporte DO-27 e um avião de ataque ligeiro T-6G, com os respetivos pilotos, devido à ação do míssil. Para as tropas portuguesas é uma escalada na guerra com a qual não contavam e para a qual não estavam preparadas. Para o PAIGC foi a derradeira arma para vencer a guerra. A gravidade da situação é espelhada na informação que a delegação da DGS na Guiné envia para Lisboa, a 9 de Abril, sobre a perda de supremacia pela Força Aérea Portuguesa: “Não dispomos de meios aéreos que possam constituir uma força de dissuasão ou que nos permitam castigar duramente as bases de apoio, temos que encarar como muito possível que o PAIGC venha num muito curto prazo de tempo a estabelecer novas áreas libertadas, e dificultar ou impedir o tráfego aéreo e até mesmo a aniquilar algumas guarnições que agora passaram a não poder contar com o apoio aéreo para as defender, evacuar os feridos e reabastecer.”
9) – C19 Upshot | El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad | Paulo Querido
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8) – C19 Upshot | Sobrevive a democracia ao coronavírus? | Paulo Querido
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A propósito das comemorações do 25 de Abril e das hipocrisias | Carlos Matos Gomes
Uma pequena história sobre locais de reunião. Estamos no Verão de 1973. Na Guiné, um grupo de militares, quase todos capitães, reúne-se regularmente para conspirar. A conspiração tem dois níveis, o da contestação a um decreto sobre carreiras e o da contestação à política colonial da guerra eterna até ao desastre final de uma nova Índia. O comandante militar, brigadeiro Alberto Banazol, soube da contestação e pediu uma reunião com a comissão de contestatários. O brigadeiro Banazol cedia-nos as instalações da biblioteca do Quartel-general para nos reunirmos, para que não andássemos de Anás para Caifás, e nós comprometíamo-nos a informá-lo do essencial tratado nas nossas reuniões. Assim foi. Até que o brigadeiro Banazol convida a comissão e os capitães mais antigos para um beberete informal, em sua casa (onde é hoje a embaixada de Portugal em Bissau), fora das horas de serviço, para nos comunicar com toda a lealdade que, dado o teor das matérias tratadas nas reuniões e dadas também das orientações recebidas superiormente (referiu o ministério da Defesa), a autorização para nos reunirmos na biblioteca do Quartel-general era revogada. Não mais nos poderíamos ali reunir. Avançou o capitão mais antigo: o já falecido e digníssimo capitão Simões Vagos para agradecer a franqueza e a lealdade do oficial general e para lhe dizer, recordo as palavras: “Meu brigadeiro, continuaremos a reunir-nos mesmo que seja debaixo de um cajueiro!”
Querido Fred, Frederico Duarte Carvalho | Tiago Salazar … Querido Tiago Salazar | Frederico Duarte Carvalho
Querido Fred,
Frederico Duarte Carvalho
Se eu morresse agora isto seria o meu cartão de farewell:
Tiago Salazar nasceu em Lisboa, em 1972 (a 21 de fevereiro)
Formou-se em Relações Internacionais e estudou Guionismo e Dramaturgia em Londres
É (era) doutorando no Instituto de Geografia onde prepara(va) uma tese sobre A Volta ao Mundo de Ferreira de Castro
Trabalhou como jornalista desde 1991
Venceu o prémio Jovem Repórter do Centro Nacional de Cultura, em 1995
Foi formador de Escrita e Literatura de Viagens
Idealizou, escreveu e apresentou o programa Endereço Desconhecido, da RTP2
Foi Bolseiro da Fundação Luso Americana em Washington, em 2010
Foi vencedor do prémio Literatura na XVII Gala dos prémios da revista Mais Alentejo, em 2018
Diana Vishneva@Variation + Diana Vishneva’s Last Days with American Ballet Theatre | The New Yorker
Diana Vishneva | Prix de Lausanne | Prize winner
LEITURA | Pablo Gallo

O ódio como semente de fascismo | Paulo Fonseca
Pensamento do dia : O ódio como semente de fascismo
É impressionante a forma como tantos perdem a razão em segundos de desorientação coletiva…. É impressionante como muitos mais se refugiam na imundície do ódio como último recurso para fugirem à liberdade…. É impressionante como se justifica com a liberdade, o combate à liberdade…..
Neste país fantástico, mas corroído pela ingenuidade, um conjunto de saudosistas que nunca comemoraram a liberdade nem a democracia, arranjam, todos os anos, uma desculpa para fundamentarem os seus ódios e justificarem a sua saudade….
Nem o confinamento consegue parar tanto ódio… tantos odientos que o são mas quase sempre ficam confusos sobre o alvo desse mesmo ódio. Deve haver por aí muito espécime que de manhã odeia uma coisa e de tarde o seu contrário, para odiar uma terceira coisa à noite…. Impressionante….
Olhemos para os últimos meses….
Primeiro, enquanto um bando de burros frequentou a praia de Carcavelos, os odientos tinham ali espaço para as suas dissertações…. Mas o Povo Português está a portar-se muito responsavelmente, cumprindo as diretrizes governamentais e até os burros de Carcavelos recolheram ao confinamento….
Depois, juraram, por todo o lado, que a pandemia se combatia ao contrário do que o governo fez….. «Essa cambada de políticos incompetentes que tinha obrigação de decretar o fim do vírus para a primeira semana da pandemia….»
Logo se montou o circo….milhentos especialistas, todos Portugueses, que estudam o corona desde que foram baptizados, apontaram a táctica, a estratégia e até o plano de contingência. Tem sido uma festa, a lembrar o velho oeste, cada um a mostrar que é melhor que o outro a dominar búfalos e cavalos selvagens….
Contrariamente ao que anunciara esta multidão de especialistas, o vírus está a ser dominado, e em Portugal, as cautelas governamentais, apoiadas pela cooperação democrática e pela capacidade do sistema público, têm dado resultado.
Mais. Ao contrário do que anunciava esta multidão de especialistas lusos, são muitos os elogios internacionais que chegam de diversos países
7) – C19 Upshot | O estertor do jornalismo agravado pela pandemia | Paulo Querido
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“Extreme Natalia” Natalia Osipova
Top Fifteen Female Ballet Dancers
A dívida e La Grand Bouffe | Carlos Matos Gomes
Acumulação de capital
Dinheiro fictício e dívida real — La Grande Bouffe
A “divida” — A dívida dos Estados — ou soberana — é “La Grande Bouffe” dos banqueiros. Todas a vezes que oiço falar na “Dívida” revejo o filme do Marco Ferreri. Uma história escatológica, em que quatro homens se reúnem numa mansão aristocrática durante um fim de semana com o único objectivo de cometerem os maiores excessos gastronómicos e sexuais. A Dívida é a grande farra dos sistema e dos seus ogres, a criatura mitológica do folclore ocidental, aparência grotesca e ameaçadora, que se alimenta de carne humana.
6) – C19 Upshot | Our Pandemic Summer | Paulo Querido
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Bolero | Diana Vishneva
Carmen | Diana Vishneva
Roland Petit, Bolero
“Zorba the Greek” ShakallisDance2019/Just Dance
La Mamma | Les Compagnons de la chanson et Charles Aznavour
“Song of the Volga Boatmen” | Leonid Kharitonov & The Red Army Choir
Les Choeurs de l’Armée Rouge Alexandrov | Kalinka
Marlene Dietrich | Lili Marleen
Ute Lemper | Lili Marleen
Frei Fernando Ventura dinamiza campanha contra o vírus da solidão #Sorrid-19
Optimista inveterado e fazedor de impossíveis, Frei Fernando Ventura acredita que “é possível dar a volta” à situação. O sacerdote capuchinho não tem dúvidas de que “desta experiência [pandemia] ninguém sairá igual”. Na sua perspectiva, “este é o tempo de passar do ‘eu’ ao ‘nós’, do ‘eu solitário’ ao ‘nós solidário’”. Para frei Fernando Ventura, “o tempo futuro que aí vem será ‘fatalmente’ o tempo do ser”.
Notícias de Fátima (NF) ‑ Está habituado a trabalhar em cenários adversos. A aprendizagem que tem retirado dessas experiências ajudam‑no a enfrentar/compreender melhor os tempos que vivemos?
Confinés | Catherine Marie Colon

All About That Bass | Postmodern Jukebox European Tour Version
Querido Tiago | Aos meus amores. Aos nossos amores. | Frederico Duarte Carvalho
Querido Tiago,
Aos meus amores. Aos nossos amores. Sim, já fui infiel. Fui a mim próprio, por não ter sabido a tempo revelar, com palavras, aquilo que tentava ocultar com actos. Sempre tive espaço para muitas mulheres nos quartos do meu coração, como qualquer homem. Só que era uma de cada vez. Lidar com uma mulher é, por si só, um mistério tão grande, um labirinto tão atractivo e profundo onde nos queremos perder e perder sem encontrar a saída, que não vejo como seja possível manter dois amores ao mesmo tempo. O que me faz ficar? O que faz saber que vale a pena acordar todos os dias e amar mais do que ontem? Não é um bom par de seios, ancas ou traseiro desejável. Não é nada disso que, para mim, faz a Vénus ser de Milo. Existe uma única coisa que sei que é capaz de sobrepor a um nariz que podia ser mais pequeno, lábios que podiam ser mais grossos, dentes em melhores condições, uma personalidade mais sociável. O que consegue minimizar os defeitos são os olhos. Os olhos. Olhos no olhar de uma mulher. É o momento em que sei que fui captivado e estou rendido a uma pessoa. É como se fosse o Mel Ferrer, no “Guerra e Paz” do King Vidor, a apreciar a Audrey Hepburn enquanto dança no grande salão com outra pessoa, e dizer para mim próprio: “Se na próxima volta ela olhar para mim e sorrir, será a minha mulher”. É assim que, em geral, tenho gerido a minha vida sentimental.
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Querido Fred, Frederico Duarte Carvalho | Estes vaivéns são como bate-bolas | Tiago Salazar
Estes vaivéns são como bate-bolas (intelectuais, sentimentais). Temo viciar-me neles para além da quarentena, e se tu me falhares, ver-me forçado a criar um interlocutor (alter-ego) do teu calibre, o que não será fácil. Isto de contar histórias há que vivê-las para contá-las. Memórias de mis putas tristes e Vivir para Contar La, de Gabo, são dois exemplos máximos de como há vidas extraordinárias no meio do furacão nefasto que é o intervalo entre nascer e morrer. E claro, ter a perícia de saber brincar-dançar com as palavras. Nós, os humanos, apesar de tudo, somos uma grande invenção. Rir da desgraça, rir da decadência, rir simplesmente, é um remédio poderoso.
Podia rir-me, por exemplo, de ter um pai que, não sendo o modelo de pai canónico, aquele que se ocupa de cuidar dos filhos antes de si próprio, me dá vontade de rir, como muitas vezes deu de chorar. O velho é um filho da mãe safado com graça, e embora tenda a repetir-se nas suas façanhas de macho alfa, tem nas suas histórias de fanfarrão um sentido profilático do humor. Penso sempre no meu pai nu ou armado, o que pode vir a dar ao mesmo. Armado, porque tudo para ele é motivo de conflito, disputa e acusação. Nu, porque sofre do vício das mulheres. Nunca estive com ele sem que deixasse de falar das mil mulheres a quem dedicou a sua pujança de garanhão.
5) – C19 Upshot | Four scenarios for the global economy after COVID-19 | Paulo Querido
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FORA DO MEU LUGAR | Maria Helena Ventura
É mais do que um movimento
de arrotear velas nas palavras
este enrolar-desenrolar de sons
nas páginas do silêncio.
Um barco anima o mar
espraiado por monossílabos
num movimento obsessivo
por dentro da insónia
sem que o fascínio de punhal tangente
se aventure ao rés das sombras.
Como limitar esta agonia
ao espaço limitado do meu peito?
Fora ela um animal sadio
em tropel livre
em vez de um vírus cego
por montes de papel
e eu venceria as cicatrizes todas
que riscam céu e mar nas minhas veias.
Como limitar esta agonia
pergunto de novo à voz esparsa
que me sopra a força adormecida.
Chegaria cortar as raízes flutuantes
das palavras magoadas
curá-las com o penso da canção
perdida no eco das lembranças?
Alguém me reinvente a melodia biográfica
e me ensine uma expressão dizível.
Em breve o fluir do pensamento
num grito em aluvião
desfará em estilhaços a luminosidade.
Por que me embala a voz
que já não me pertence
e não a mando calar?
Maria Helena Ventura – INTERTEXTO SUBMERSO
PINTURA | D. QUIXOTE – AMADEO DE SOUZA-CARDOSO
Rolling Stones | “You Can’t Always Get What You Want”
A pandemia e o capitalismo numérico | José Gil | Ensaio in Jornal Público
A verdade é que este período de luta pela sobrevivência física não gerou até agora nenhum sobressalto político ou espiritual, nenhuma tomada de consciência da necessidade de mudar de vida. Não gerou esperança no futuro.
Pandemia e desterritorialização
Mesmo antes de ser declarada a quarentena em Wuhan, sete milhões de chineses saíram da cidade e espalharam-se pelo mundo. A região da Lombardia, na Itália, que mantinha voos directos para a região mais contaminada da China, foi rapidamente atingida. A França, a Alemanha, a Espanha, o Reino Unido e, muito rapidamente a Europa, foram infectados. Alastrando a todos os continentes, a pandemia cobriu o planeta em poucos meses. Uma disseminação tão célere e imprevisível deveu-se às características do novo vírus, mas só foi possível graças à deslocação intensa de indivíduos e grupos, através da rede extraordinária de comunicações e transportes que liga hoje os países uns aos outros.
The Rolling Stones | Angie (1973)
When will those dark clouds all disappear
Angie, Angie
Where will it lead us from here
With no lovin’ in our souls
And no money in our coats
You can’t say we’re satisfied
Angie, Angie
Angie, you’re beautiful
But ain’t it time we say goodbye
Angie, I still love you
Remember all those nights we cried
All the dreams were held so close
Seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear
Angie, Angie
Oh, Angie, don’t you wish
Oh your kisses still taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But Angie
Angie
Ain’t it time we said goodbye
4) – C19 Upshot | Ensaio: o capitalismo numérico | Paulo Querido
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Querido Tiago, o que é a Felicidade? | Frederico Duarte Carvalho
Querido Tiago,
O que é a Felicidade? Um chocolate quente na sala com a chuva a cair lá fora, por exemplo? As memórias de quando fomos felizes? Li uma vez, e achei um exagero, que um estudo defende que a memória mais duradoura nas células do cérebro é a dos cheiros. Até que, um dia, senti um cheiro que me fez recuar a um tempo em que eu deveria ter três anos e percebi que sim, esse estudo é capaz de estar certo. Sou como o Woody Allen quando diz que deveríamos viver a vida ao contrário. O judeu de Nova-Iorque é da opinião de que o dinheiro da reforma deveria ser para gastarmos enquanto somos novos e, no fim, podemos morrer com um orgasmo. Falas das corridas de F1 e ainda hoje li a notícia da morte do Sterling Moss, aos 90 anos, que disse que era feliz a fazer o que gostava e, ainda por cima, lhe pagavam para isso. Como sustenta o Herman José: o dinheiro não dá felicidade, mas manda ir buscar. Contava ainda o George Best, o futebolista genial do Manchester United, que todo o dinheiro que ganhou, gastou-o em mulheres e bebida. E o que lhe sobrou, gastou-o mal gasto.
3) – C19 Upshot | Dumped Milk, Smashed Eggs, Plowed Vegetables: Food Waste of the Pandemic | Paulo Querido
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Mensageiro revolucionário, da ternura e do humanismo | O Papa Francisco | by Paulo Fonseca
Pensamento do dia :
Revela-se, cada mais activo, este mensageiro revolucionário, da ternura e do humanismo … O Papa Francisco.
Nesta mensagem de Páscoa, ao invés de se perder em místicas interpretações da Renovação da Vida, Francisco cumpriu o seu desígnio com objectividade exemplar, apontando o dedo à realidade revoltante, vergonhosa e cruel.
Sózinho, da tribuna Divina, Francisco atirou lágrimas de compaixão sobre milhões de seres humanos que agoniam às mãos do pecado…. desse pecado cometido em êxtase por uns homens contra outros…
Denunciou o pecado, com a autoridade que lhe advém da bondade eloquente e do consagrado estatuto de Apóstolo.
Na verdade, Francisco apenas reclama aquilo que deveria ser normal numa civilização humanista que tivesse cuidado solidário e sóbria dignidade.
Na verdade, Francisco apenas denunciou o mal, o liberalismo selvagem, o extremismo político, a falta de respeito pelos direitos humanos, a prostituição dos valores através da luxúria egoísta….
Em boa verdade, Francisco apenas fez uma declaração de guerra contra a opressão, o exagero mercantil, o fascismo ideológico e a libertinagem disfarçada de liberdade…. fez a sua mensagem Pascal apontando a renovação da vida e convocando os Cristãos ao combate….
O mundo precisa muito que o revolucionário da ternura se alongue na vida, para comandar o desafio maior deste tempo – salvar a dignidade Humana.
Paulo Fonseca
Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca
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Perante uma Basílica vazia, papa propõe anulação da dívida dos países pobres
Querido Frederico, Frederico Duarte Carvalho | Tiago Salazar
Estas partilhas, que vamos fazendo públicas, e suscitam comentários imediatos, alerto-o, por mim, e creio por ti, são a narrativa das mais puras das verdades. Por outro lado, não as considero tempo perdido ou uma forma de gastar o tédio dos dias confinado, e nunca, mas nunca, escrevê-las à pressa, descarregando-as sem as rever, cortar, limar, polir e aperfeiçoar com todos os detalhes. Prefiro espaçá-las, sem nenhum imperativo de as escrever, ou de que me respondas forçado, como se houvera um compromisso com os leitores (a não ser que estes nos digam, queremos contribuir para a vossa causa, queremos cartas diárias, e mais tarde, umas vez compiladas por um editor generoso, nos enviem uns trocos para casa).
Eis um tema na ordem de todos os dias: o custo e a paga. Isto, por exemplo, é uma troca de correspondência, mas sem pretensões agostinianas, falo de Agostinho da Silva, e as suas míticas Sete Cartas a um Jovem Filósofo, rilkianas, de Rainer Maria Rilke, autor máximo do género com as suas Cartas a um Jovem Poeta, ou mesmo do teu conhecido Christopher Hitchens, polemista autor das Letters to a young contrarian, nomeado por Gore Vidal como o seu sucessor, e em quem Susan Sontag viu brilhantismo epistolar, género onde outros tendem a praticar o cliché.
Temos um método e um objetivo: chegar às 40, número bíblico do sofrimento cristão, jornada iniciática, providencial. Porventura este falso cativeiro irá prolongar-se além desta quarentena, e aí, por mais vividos e aventureiros, teremos esgotado os superlativos temas das nossas autobiografias prematuras (somos jovens de 48 anos, tu ainda por completar).
Notemos aos que nos lêem que nunca combinamos o tema do dia. A magia de escrever, realista ou surrealista, é como tudo nasce de onde nos venham as ganas.
Christos Anesti | Irene Papas & Vangelis
The music piece “Christos Anesti (Resurrection)” performed by Vangelis and sung by actress Irene Papas. Released as part of the 1986 Vangelis CD “Rapsodies”. Music & lyrics based on the greek-orthodox easter hymn “Christos Anesti” (“Christ is risen”).
Documentário | Ferreira Gullar | A Necessidade da Arte
Edgar Morin | As certezas são uma ilusão | in Fronteiras do Pensamento
Ao conferir uma leitura sobre a pandemia do coronavírus e o isolamento social em entrevista ao jornal francês CNRS, o filósofo Edgar Morin explicita que o cenário nos impõe desconstruções: a desconstrução da crença em verdades absolutas na ciência, da obstinação por garantias e certezas, e da pesquisa sem controvérsias.
O momento em que vivemos tende a convencer cidadãos e pesquisadores de que as teorias científicas são biodegradáveis e que “a ciência é uma realidade humana que, como a democracia, se baseia em debates de ideias, embora seus métodos de verificação sejam mais rigorosos”.
Aos 98 anos, Morin acredita que somos obrigados a encarar as incertezas, mas que podemos abraçar a certeza dos fatos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade. Leia a entrevista completa abaixo.
Aleluia ou Hossana! | Um novo mundo — uma nova ordem financeira | Carlos Matos Gomes
Sofremos um tremor de terra que está a derrubar (ou já derrubou) o que havia sido construído com base na ideia da economia como ciência, do corte feito entre ação humana e a ética, em que tudo tem um preço, inclusive a terra e o trabalho. A pretensão de a economia ser uma ciência e, principalmente, a de se situar fora da ética, tem de ser questionada. Não estamos perante uma ventania que arrastará uns telhados que com mais ou menos esforço acabarão por ser repostos.
A pandemia vai obrigar-nos a voltar às origens, a ressuscitar o conceito que vigorou desde a Grécia Antiga até à Revolução Industrial de tratar a economia como um ramo da filosofia. Vamos ter de questionar a propriedade e o uso da propriedade, a produção e a acumulação da riqueza, a “arte da troca” e a “arte do uso”. O conceito de dinheiro, que para Aristóteles, tinha o único propósito de ser um meio de troca, o que significava para ele que era inútil. “ …não é útil como um meio para qualquer das necessidades da vida”. Um instrumento. A sua acumulação era, além de inútil, desonrosa: “a troca no comércio pela simples acumulação é justamente censurada, pois é desonrosa”. Aristóteles também desaprovava a usura e o lucro através do monopólio, instituídos como mandamentos pela civilização que se tornou dominante.
Não sou economista (apenas um pensionista com tempo e disponibilidade para ler e pensar), nem crente em ressurreições. O que morreu, está morto. Sou um tipo comum que aprendeu muito novo, antes de qualquer catequese, nos Açores, a distinguir uma tempestade de um tremor de terra.
2) – C19 Upshot | A resposta europeia à pandemia: um “castelo de cartas”? | Paulo Querido
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15 Pinturas | Catherine Marie Colon
Catherine Marie Colon | Pintura

Catherine Marie Colon | Quadro em sala | Le Luc-en-Provence

1) – C19 Upshot | EDITORIAL | Paulo Querido
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O “Sistema” funcionou — a vitória do Livro Razão | A crucificação foi adiada | Carlos Matos Gomes
Foi por um triz.
A origem da expressão “por um triz” tem uma versão histórica pouco animadora. “Depois de bajular o poder e a vida luxuosa do tirano Dionísio de Siracusa, o cortesão Dâmocles recebeu de Dionísio a proposta de trocarem de posições. O poder e a vida luxuosa passaram para Dâmocles, mas com o detalhe perturbador de à mesa dos banquetes estar sempre pendurada uma espada estava sobre cabeça de Dâmocles , presa apenas por um fio de crina de cavalo”, um thríks, fio de cabelo em grego.
O fio de cabelo aguentou ainda desta vez, e até ver, a espada sobre a cabeça da UE. Mário Centeno, felizmente, tem uma farta cabeleira e bom cabelo (e boa cabeça para produzir a queratina essencial aos fios pilosos) e ajudou a segurar a espada a baloiçar, mas a UE está quase careca e, em minha opinião, não só vai ficar careca e viver sem cabelo, como sofrerá uma mudança radical de configuração para os seus cidadãos sobreviverem enquanto portadores de uma civilização que já foi decisiva e, se não inspiradora, no mínimo vencedora. O que é sempre melhor do que ser servidora.
Não é ainda o tempo de analisar os resultados da reunião do Eurogrupo de 9 de Abril, mas o comunicado transmite o que julgo serem duas mensagens, uma boa e outra má. A boa, quanto a mim, a União Europeia mantém-se enquanto entidade política, o que é bom, porque se não se mantivesse a consequência seria a de hoje estarmos confinados e numa situação de salve-se quem puder, em debandada. A má: continuamos na mão de contabilistas (eles preferem o titulo de financeiros e economistas) que gerem o mesmo Livro Razão de registo de transações e contas de apurar saldos e os seus resultados.
No final da crise, como reza o comunicado, serão efetuados os balancetes da “empresa”: “Se estamos diante de uma crise temporária, simétrica e totalmente exógena como crise, não há razão para duvidarmos de que o passado anterior que todos nós estávamos seguindo seja retomado novamente e que os países o sigam”. Mantém-se o sistema contábil, garantem de Bruxelas, apesar de por videoconferência.
O título do comunicado bem poderia ser, adequando-o aos tempos: Devido à crise e à data litúrgica comum a católicos e protestantes, a crucificação do sistema foi adiada.
Photo by Robert Farber

BEETHOVEN | Symphony no. 9 “CHORAL” | Leonard Bernstein
Marie Laforet | Viens … Viens
O último dia | Antonieta Roque Gameiro | Páscoa de 2020 | 3 esculturas
Le siècle des révolutions | Cours d’Histoire
Revolução Industrial na Inglaterra | Encyclopedia Britannica
Natalia Osipova & Ivan Vasiliev | in Don Quixote

Natalia Ospova | Flammes of Paris, Don Quixote, Coppelia, Russian Seasons and Laurencia
N.C. Wyeth ( 1882 – 1945 ) The Homecoming 1945

Andy Warhol | Take a virtual tour around the Tate Modern exhibition
Abreu Pessegueiro | Porto, acrílico sobre tela

Belle reprise de “aghuru” de Matoub Lounés | by Moddi
Lounès Matoub foi um cantor e poeta berber, defensor proeminente da causa berberesa, dos direitos humanos e do secularismo na Argélia ao longo de sua vida. Ele é reverenciado como herói e mártir em Kabylie, no mundo berbere e em todo o mundo. Wikipédia
Mais um regresso de Keynes? | João Rodrigues | in Jornal de Negócios
«John Maynard Keynes (1883-1946) é um pensador que nos ajuda nas curvas apertadas. Já foi várias vezes proscrito, mas ressurge sempre. Esperemos que, ao contrário do que aconteceu em 2008/2009, quando políticas ditas keynesianas foram usadas para salvar bancos, desta vez sejamos capazes de fazer melhor, evitando também a austeridade contraproducente. Existem então meia dúzia de razões para um regresso de Keynes.
Em primeiro lugar, colocou no centro da análise algo que a economia convencional esquece: a incerteza radical, para lá do risco probabilístico. Atentar nas “forças obscuras do tempo e da ignorância que dominam o nosso futuro” não é um convite à passividade. Trata-se de conhecer as forças que nos impelem a agir aqui e agora, esconjurando a catástrofe iminente, distinguindo a incerteza inevitável da que é produto de arranjos disfuncionais.
Em segundo lugar, convida-nos a pensar o papel da moeda, que nunca é neutra. No capitalismo, tudo começa pela moeda-crédito e acaba em rendimentos monetários. A busca de liquidez, dinheiro mais ou menos vivo, é um volátil comportamento, que funciona como “barómetro do grau da nossa desconfiança em relação aos nossos cálculos e convenções relacionadas com o futuro”. A economia também é psicologia, porque é feita de e por humanos.
Em terceiro lugar, alerta-nos para o salto mortal que temos de dar quando passamos da microeconomia para o continente que ele ajudou a descobrir, a macroeconomia. O todo pode ser mais ou menos do que a soma das partes. Isto significa que um somatório de comportamentos individuais racionais pode originar uma situação irracional. Pense-se no paradoxo da poupança: se todos decidirem poupar, porque desconfiam do futuro, as despesas de consumo e de investimento diminuem, o que significa que o rendimento, resultado da despesa, diminui e logo a poupança também.
Em quarto lugar, convida-nos a atentar nas dinâmicas da procura agregada, da despesa total que molda o produto e o rendimento totais. O emprego depende disso. Reduzir salários em face de uma crise pode ser racional do ponto de vista de um empresário míope, mas se esse comportamento se generalizar o desemprego pode bem aumentar, dado o colapso de uma fonte essencial de procura.
Querido Fred | Tiago Salazar
Querido Fred,
Frederico Duarte Carvalho
Portas o facho da esperança ou da ironia ou fintaste a ti próprio? És tu um niilista ou um crente (nem que seja nas virtudes lenitivas do vinho?). Tu, que lês e bebes na História, achas que o mundo vai mudar para melhor ou não andaremos de crise em crise com interlúdios de fraternidade universal, até à extinção? A aldeia global não é uma grande farsa? Que sabe um inuit por aí além de um português ou que sabemos nós dos esquimós para além de iglus e beijos de nariz a dar e dar (por ora proibidos)?
Quando me vejo asfixiado, agrilhoado (como Prometeu), preso num colete de forças, atiro-me ao que me pode salvar-evadir, a escrita-a viagem, mormente, como se escrever-viajar me devolvessem o sentido de pertença a um mundo que sei condenado. A nossa geração não conhecia, até aqui, mais do que o drama dos recibos verdes. Fome, guerra, doença, miséria, são realidades para a maioria de nós desconhecidas. Haverá filhos de quem foi à guerra que padeçam de males que não serão menores, como o da rejeição e do abandono ou da violência doméstica (que também é a dos pais sofre os filhos). As nossas guerras têm sido outras: a do trabalho precário, sobretudo. Chamar guerra ao que se passa é um ultraje. Será do hino termos que ir logo apelar às armas? E os barões assinalados, os donos disto tudo, que farão eles neste momento a não ser acautelar os seus interesses, proteger as suas perdas, inventando outras formar de lucrar como lacraus e abutres e saqueadores de outroras e agoras?
King’s College Chapel – Bach, Handel, Mozart – boy soprano Aksel Rykkvin (12y)
Let the bright Seraphim | Aksel Rykkvin (13y boy soprano) | Mark Bennett | KORK
Alleluia (Exsultate, jubilate – Mozart) | boy soprano Aksel Rykkvin (13y) & KORK
Laudate Dominum (Mozart) | boy soprano Aksel Rykkvin (13 years)
PORTUGAL | Nicolau Santos | in Revista up da TAP
“Eu conheço um país que em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil (80 por mil) para a quarta mais baixa taxa a nível mundial (3 por mil).
Que em oito anos construiu o segundo mais importante registo europeu de dadores de medula óssea, indispensável no combate às doenças leucémicas. Que é líder mundial no transplante de fígado e está em segundo lugar no transplante de rins.
Que é líder mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais.
Eu conheço um país que tem uma empresa que desenvolveu um software para eliminação do papel enquanto suporte do registo clínico nos hospitais (Alert), outra que é uma das maiores empresas ibéricas na informatização de farmácias (Glint) e outra que inventou o primeiro antiepilético de raiz portuguesa (Bial).
Eu conheço um país que é líder mundial no sector da energia renovável e o quarto maior produtor de energia eólica do mundo, que também está a constuir o maior plano de barragens (dez) a nível europeu (EDP).
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemóveis (PT), que é líder mundial em software de identificação (NDrive), que tem uma empresa que corrige e detecta as falhas do sistema informático da Nasa (Critical)e que tem a melhor incubadora de empresas do mundo (Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra)
Eu conheço um país que calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e que produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano. E que fabrica lençóis inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo, 30 milhões de americanos.
Eu conheço um país que é o «state of art» nos moldes de plástico e líder mundial de tecnologia de transformadores de energia (Efacec) e que revolucionou o conceito do papel higiénico(Renova).
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial e que desenvolveu um sistema inovador de pagar nas portagens das auto-estradas (Via Verde).
Eu conheço um país que revolucionou o sector da distribuição, que ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países (Sonae Sierra) e que lidera destacadíssimo o sector do «hard-discount» na Polónia (Jerónimo Martins).
Eu conheço um país que fabrica os fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim, que vestiu dez das selecções hípicas que estiveram nesses Jogos, que é o maior produtor mundial de caiaques para desporto, que tem uma das melhores seleções de futebol do mundo, o melhor treinador do planeta (José Mourinho) e um dos melhores jogadores (Cristiano Ronaldo).
Eu conheço um país que tem um Prémio Nobel da Literatura (José Saramago), uma das mais notáveis intérpretes de Mozart (Maria João Pires) e vários pintores e escultores reconhecidos internacionalmente (Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro).
O leitor, possivelmente, não reconhece neste país aquele em que vive. Este país é Portugal. Tem tudo o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, ótima gastronomia. Bem-vindo a este país que não conhece: PORTUGAL.”
Nicolau Santos,” in Revista up da TAP”
Retirado do Facebook | Mural de José Parreira Rodrigues
É URGENTE O AMOR | Eugénio de Andrade
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Foi Nietzsche quem celebrizou a expressão “Deus está morto!” | Frederico Duarte Carvalho in Facebook
Querido Tiago,
Foi Nietzsche quem celebrizou a expressão “Deus está morto!”. E sabe-se que, quando o filósofo morreu, escreveram nas paredes da cidade “Nietzsche está morto! Assinado: Deus”. Agora, digo-te: Nietzsche e Deus estão mortos, mas nós ainda não. A diferença é que podemos ler Nietzsche, mas ele nunca nos leu nem o vai fazer. Estamos condenados a repetir gestos e palavras, condenados a sofrer porque ousámos cometer o mesmo erro dos homens livres: amar a vida. E não preciso da autorização de Deus para amar o quer que seja, para ser pleno, para ousar e errar. Tenho demasiada experiência para ter agora de andar a pedir licença para escrever o que me apetece, quando apetece. Tenho pouco tempo a perder porque sei que ainda tenho muito para conhecer, viajar e aprender. É precisamente isso que me dita a experiência.
Ao meu filho, já o proibi de crescer, mas ele insiste e diz que não pode fazer nada para evitar. Que é a ordem natural das coisas, responde com um sorriso. Em 2006 publiquei o livro “Abril Sangrento” (Edições Polvo, 2006), uma distopia sobre como seria Portugal caso o 25 de Abril tivesse degenerado num golpe militar sangrento, com o massacre de todos que estavam no Largo do Carmo. O personagem principal era um jornalista, Sebastião Saraiva, um jovem de 22 anos, que trabalhava desde Setembro de 1993 no jornal “Lusitânia”, dirigido por João Soares e que tinha Pedro Santana Lopes como Editor. A dada altura, diz o jornalista: “A minha pouca experiência na altura (repito, tinha 22 anos apenas) levou-me a ter, ‘arrogantemente’, mais certezas do que dúvidas”. Perguntaram-me se era mesmo aquilo que queria escrever. Se não era o contrário: um jovem deve ter mais dúvidas do que certezas, não? Expliquei que era mesmo isso: temos mais certeza quando somos jovens do que quando temos mais experiência. Porquê? Ora, porque só com a experiência é que aprendemos a não ter certeza e isso só acontece depois dos enganos que temos em juventude.
ARGÉLIA | VOO DE REPATRIAMENTO PARA PORTUGAL | 2/4/2020 quinta feira
VOO DE REPATRIAMENTO PARA PORTUGAL
Dia 2/4/2020, quinta feira, pelas 10,30h, do aeroporto Houari Boumediene.
Voo nº VY4004 ou VLG4004 | Os interessados devem contactar com urgência o Sr. Engº NUNO CUNHA da VILAPLANO – email: nuno.cunha@vilaplano.com
ENVIAR cópia de passaporte e nº de telefone de contacto em Portugal
Covid-19 | Nobel da Química prevê fim da pandemia mais cedo do que o previsto | Michael Levitt | in Revista Visão
(Julia Reinhart/ Getty Images)Michael Levitt, bioquímico na Universidade de Standford e vencedor do Prémio Nobel da Química em 2013, contraria o que muitos epidemiologistas e cientistas prevêem – meses de perturbações sociais e milhares de mortos em todo o mundo. Levitt acredita que os dados não apresentam um cenário tão terrível como o descrito, em especial nas áreas onde são respeitadas as medidas de distanciamento social. “O que precisamos é de controlar o pânico”, disse ao Los Angeles Times. “Nós vamos ficar bem”.
O cientista começou, em janeiro, a analisar o número de casos de Covid-19. Destes cálculos percebeu que a China passaria pela fase pior do surto numa data anterior à previsão que fizeram outros especialistas.
No dia 31 de janeiro, a China registou 46 novas mortes em comparação com as 42 assinaladas no dia anterior. Embora o número de mortes tenha continuado a aumentar, a taxa de mortalidade diminuiu. Ou seja, o número de mortos cresceu mas a percentagem desses mortos é menor do que a do dia anterior. “Isto sugere que a taxa do aumento no número de mortos diminuirá ainda mais durante a próxima semana”, declarou Levitt no relatório que enviou aos colegas no dia 1 de fevereiro, e que mais tarde foi partilhado nas redes sociais. Três semanas depois de ter escrito o relatório, o bioquímico calculou que a China tinha atingido o pico e que o país iria ter cerca de 80 mil casos confirmados e 3250 mortes. Essa previsão mostrou-se extremamente precisa: no 16 de março, o país contabilizou um total de 80 298 casos e 3 245 mortes. O número de pacientes recém-diagnosticados com o vírus desceu para cerca de 25 por dia.
O vencedor do prémio Nobel prevê um padrão semelhante noutros países: analisou 78 países que relataram mais de 50 novos casos de Covid-19 por dia e vê “sinais de recuperação” em muitos dos casos. O foco do cientista não é o número total de casos de um país, mas sim no número de casos identificados diariamente. “Os números ainda não são significativos mas existem sinais claros de um crescimento lento”.
Levitt concorda com as medidas de distanciamento social e reforça a ideia de que é importante estar vacinado contra a gripe, pois episódios de gripe durante o surto do coronavírus, para além de sobrecarregar os hospitais, aumentam as hipóteses de o novo vírus não ser detetado. O bioquímico assume que este pode ter sido um dos fatores que contribuiu para o estado atual da Itália, onde existe um forte movimento anti-vacinação.
O pânico causado pelos meios de comunicação, que se concentram no número de novos casos, destacando os casos de celebridades, é uma das preocupações de Levitt, assim como as medidas de proteção que colocam em causa a própria economia de cada país, podendo tornar-se numa catástrofe.
Embora a taxa de mortalidade por causa do coronavírus seja maior do que a taxa de mortalidade da gripe, Levitt garante que “não é o fim do mundo”. “A situação não é tão terrível como parece”, diz.
Boris Johnson, o Coriolano | Carlos Matos Gomes
Há dez anos sofremos a crise do subprime, ou do Lehman Brothers. Uma crise longa, com resultados devastadores nas economias e na vida dos cidadãos europeus. Essa crise foi um fator influenciador do Brexit e da ascensão de vários políticos populistas ao governo dos seus países, na Europa e pelo mundo.
A crise do euro, dos resgates, das troikas foi aparentemente resolvida, os mais ricos ficaram mais ricos e os mais pobres mais pobres. Negócio habitual. Mas na Europa as feridas mantiveram-se e numa reunião de há dias, num conselho europeu destinado a discutir medidas de combate à pandemia do Covid-19, elas foram reabertas a propósito da questão essencial da solidariedade entre os estados da União Europeia. Vieram de novo ao cimo os nacionalismos mais ou menos racistas dos nórdicos (germânicos, também) e as visões mais integradoras dos países do sul. Ricos e pobres. Ressurgiu a velha fábula da formiga e da cigarra, a que o então ministro das finanças holandês Jeroen Dijsselbloem deitou mão, dirigindo-se aos países do sul: “não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda”.
Não deixa de ser revelador que seja o governo do Estado que desenvolve a política fiscal mais agressiva de captura de capitais dos outros estados, da sua riqueza, a Holanda, o menos solidário. Que seja o Estado mais próximo do gangsterismo neoliberal o que mais desenvergonhadamente acusa os outros de mau governo!
Os nacionalistas ricos ganharam então em toda a linha, impuseram medidas draconianas de rigidez orçamental, destruíram empregos, causaram uma crise social, transferiram riqueza do Sul para o Norte, acentuaram as desconfianças entre os povos, puseram em causa a utilidade e até a viabilidade do projeto europeu e, com o argumento da inutilidade da União (que eles promovem), fizeram eleger uma piara de dirigentes populistas à custa das críticas a estas políticas, que, no fundo são as suas, as do salve-se cada um como puder, sem olhar para o lado. O objetivo final era e é matar a União Europeia como espaço decisivo no xadrez político, militar e económico mundial.
A guerra biológica | Carlos Matos Gomes
A guerra biológica. Este artigo de José Goulão relata reuniões ocorridas em Nova Iorque e em Pequim que indiciam a origem programada da epidemia, como arma de uma guerra biológica. Todas as especulações são possíveis. Admitamos esta. Já que as superpotencias não podem utilizar as armas nucleares, por risco de destruição mútua, deitam mão à guerra biológica.
A guerra biológica está estudada e tem sido praticada, tal como química. O grande problema da guerra biológica é a facilidade com que os seus autores perdem o controlo do efeito das “armas”. Daí a prudência para não ir por lã e vir tosquiado ou sofrer o efeito do ricochete, ou de morrer com o seu veneno.
Mas a hipótese de estarmos no meio de uma guerra biológica tem, como todas as situações e neste caso, uma conclusão má e outra menos má. A má, é que, sendo a epidemia uma ação deliberada, os contendores que a desencadearam devem ter previsto contra-medidas de proteção. A guerra terá um final previsto e terminará quando os objetivos forem alcançados. Não valerá a pena tomar medidas, comprar máscaras, ventiladores, levantar hospitais de campanha… e então o Bolsonaro é o bufo, o idiota útil, que, pela despreocupação que revela, deu com a língua nos dentes e está a dizer ao mundo: o Trump e o Jinping estão tratando de negócio e a nóis só nos resta preparar caixões!
Ou então, na vertente pior, os desencadeadores da guerra biológica perderam o controlo e serão também eles arrastados pela destruição do virus. estamos então numa nave à deriva.
Sendo historicamente comprovado que todas as armas, mesmo as mais desumanas são um dia utilizadas, daí as proibições do uso da besta, na idade média, pela Igreja Católica, as da metralhadora.. e do controlo das armas nucleares, parece-me pouco provável estarmos a viver uma guerra biológica.
Mas parece-me altamente provável que os detentores dessas armas as estejam a utilizar como negaças, como instrumentos de demonstração de poder e a preparar o futuro…
Aqui fica o link do artigo de José Goulão, dentro do principio que há bruxas e bruxedos…
Carlos Matos Gomes
Retirado do facebook | Mural de Carlos Matos Gomes
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Os profetas dos Vírus – POR JOSÉ GOULÃO
𝐕𝐀𝐌𝐎𝐒 𝐅𝐀𝐋𝐀𝐑 𝐀 𝐒É𝐑𝐈𝐎 𝐃𝐄 𝐒𝐄𝐆𝐔𝐑𝐀𝐍Ç𝐀? | Francisco Louçã | in Jornal Expresso
Expresso, 28.03.2020
Antes da pandemia, o mundo estava a ser reformatado por uma nova direita. Houve quem achasse que se tratava de um intermezzo e que os tiques de Trump e Bolsonaro eram uma galeria de piadas, mas descobriu-se depressa que encabeçam um mundo novo. A vaga autoritária que lideram é a principal ameaça contra a democracia, e estavam a ganhar. Convém por isso perceber o que lhes dava a vitória: era simplesmente a capacidade de corporizarem uma sociedade do medo. A garantia de segurança foi a sua chave para o poder. A segurança, no caso de Bolsonaro, são milícias; no caso de Trump, um nacionalismo agressivo; em todos os casos usam a cruzada evangélica. Ora, o mundo descobriu agora que essas prosápias são inseguras. Sugiro então que discutamos segurança como um valor fundamental que é preciso disputar duramente nesta tragédia que estamos a viver.
A SEGURANÇA É O HOSPITAL PÚBLICO
Quando a vida é ameaçada, o mundo vira-se para os serviços públicos de saúde, descobrindo que há algo de essencial antes de tudo, a proteção da nossa gente. Ted Yoho, um ‘trumpista’ deputado pela Flórida, reconheceu que “isto pode ser considerado medicina socializada, mas, em face de um surto, de uma pandemia, quais são as tuas opções?” Macron, ex-banqueiro de gestão de fortunas e agora Presidente francês, estendeu este “socialismo” a uma promessa contra a globalização: “Delegar a nossa alimentação, a nossa proteção, a nossa capacidade de cuidar do nosso quadro de vida nas mãos de outros é uma loucura […] As próximas semanas e meses necessitarão de decisões de rutura nesse sentido. Irei assumi-las.” Em todo o mundo, os neoliberais fazem fila para pedir a intervenção do Estado que salve vidas.
COVID-19 | TESTES: TEMOS SOLUÇÃO EM PORTUGAL | Jorge Buescu, 27/3/2020
Via Teresa Mónica:
“Já enalteci Maria Mota. Agora ficamos a saber mais através de J Buescu. Notícias maravilhosas !!!!!!!!!!!
TESTES: TEMOS SOLUÇÃO EM PORTUGAL!
Os leitores perdoar-me-ão se deixar a análise aos números de hoje para segundo plano. Porque venho trazer-lhes uma mensagem de esperança que pode salvar muitas centenas ou milhares de vidas — mas exige acção imediata.
Muitos conhecerão de nome Maria Manuel Mota. Investigadora de primeiro plano mundial na área das Biociências e doenças infecciosas, em particular malária. Directora do Instituto de Medicina Molecular, onde trabalham mais de 600 pessoas. Prémio Pessoa em 2013.
Mais importante do que qualquer elemento curricular, a Maria Mota tem na mão uma chave para o problema da falta de testes COVID em Portugal. Conheço-a há muitos anos, falei com ela há pouco. Aqui segue o relato.
Os testes de detecção à COVID são fabricados essencialmente por duas empresas, a Roche e a Qiagen. Os kits de teste contemplam duas fases: extracção e amplificação por processo PCR, sendo os reagentes bem conhecidos. O problema, claro, já se sabe qual é: nós não produzimos estes reagentes, fomos ao mercado tarde, já não encontramos à venda e agora estamos a racionar (ou a “racionalizar” – neste momento os malabarismos retóricos são o que menos importa) os poucos que temos e a fazer muito, MUITO menos testes do que devemos. A Alemanha, cuja indústria produz os reagentes necessários, faz 500.000 testes por semana. Portugal esta semana fez 17.000. Tendo em conta que a população alemã é 8 vezes maior, temos um nível de testes que é 20% do alemão.
Que entre a Maria Mota.
Há 17 dias, alertada para o problema por dois médicos de Santa Maria, a Maria Mota colocou a a sua equipa no IMM a desenvolver uma alternativa portuguesa ao kit de teste. Foi, num certo sentido, muito simples: em vez de desenvolver um processo a partir do início, a Maria Mota pegou no protocolo publicado pela OMS e pelo CDC americano para os testes à COVID e adaptou-o à realidade portuguesa. Identificou os reagentes críticos em falta em Portugal para produzir um teste e concebeu alternativas. A alternativa existe em Portugal; a empresa que a produz, a NZY Tech, pode produzi-los em quantidade virtualmente ilimitada para todos os efeitos práticos.
Neste momento a Maria Mota já dispõe de um kit testado, que funciona perfeitamente na identificação quer de casos positivos quer de casos negativos. Há uma semana contactou a DGS por escrito, não tendo ainda obtido resposta. Felizmente para nós tem linha aberta para o Ministro da Ciência, Manuel Heitor, que compreende bem a urgência destes tempos, e que desbloqueou a situação. Obrigado por todos nós, amigo Manuel. Quando os tempos forem outros dar-te-ei um abraço muito apertado.
O kit foi testado e está certificado pelo Instituto Ricardo Jorge no sábado passado. Há dois dias foi validado pelo mesmo Instituto. Está pronto a ser aplicado em quantidades virtualmente ilimitadas. As limitações para a Maria Mota não são de número de testes disponíveis: são de mão de obra humana. O seu IMM tem neste momento capacidade para administrar 300 testes por dia, podendo talvez chegar aos 900 a 1000
Isto são notícias extraordinárias. Temos um teste português, validado e certificado, que pode começar a produção em massa ONTEM. Podemos abrir centros de testes por todos o País e começar finalmente a política de testes massivos e rastreios sistemáticos recomendada pela OMS, que nunca seguimos. De que estamos à espera?
Dizia-me a Maria Mota que cada dia que passa conta. Se tivéssemos começado há uma semana tínhamos salvo muitas vidas. Já não vamos a tempo. Mas vamos a tempo de salvar muitas mais nas semanas que se avizinham e vão ser terríveis.
Ainda vamos a tempo de salvar milhares de vidas (e estou a medir as palavras). Mas temos de agir JÁ.
Senhores do Governo, do Ministério da Saúde, da DGS, de tudo quanto manda neste País: larguem os vossos papéis e agarrem na Maria Mota. Não interessam agora os vossos erros de avaliação do passado: não cometam agora o maior de todos. Dêem à Maria Mota tudo, TUDO o que ela pedir. E peguem nos kits dela, comecem a produção em massa daqui a uma hora, organizem a abertura urgente postos de teste de emergência nos pavilhões multiusos em todos os concelhos daqui a duas horas. Não queiram ser responsáveis por tudo: mobilizem a sociedade civil. Recrutem voluntários para administrar testes e realizar análises laboratoriais (que demoram 4 a 5 horas) entre estudantes de Medicina e Farmácia. Usem os estádios de futebol, os pavilhões desportivos, façam o que quiserem. Mobilizem as empresas para donativos, as indústrias para produzir, mexam-se. Organizem, não é para isso que servem os Governos? Mas DESPACHEM-SE! Não é para amanhã, é para ONTEM!
Porque cada dia conta, e cada hora perdida hoje representa mais mortos daqui a 15 dias.”
Jorge Buescu, 27/3/2020
Retirado do Facebook | Mural de José Silva Pinto
Os grandes homens morreram porquê? | Carlos Matos Gomes | in Medium
Por homem, neste contexto, entenda-se um ser humano, masculino ou feminino. Neste sentido tanto serve para o 3º Conde de Castelo Melhor, reorganizador das tropas portuguesas para expulsar os espanhóis após 1640, como para a rainha Filipa de Lencastre, inspiradora (no mínimo) da expansão marítima portuguesa. Parece que sim, que os “grandes homens” morreram sem descendência. Pelo menos não os encontramos nesta crise, nem na anterior, a de 2008, a do sistema financeiro, nem na guerra da Sérvia, nem na Invasão do Iraque, nem no ataque ao Afeganistão, nem na implosão da União Soviética… nem… nem…
No entanto deviam ter surgido, se fosse cumprida a definição de loucura erradamente atribuída a Einstein e a Benjamim Franklin: “ loucura é fazer a mesma coisa uma vez e outra e esperar obter resultados diferentes”. Podíamos dizer que circunstâncias idênticas produzem resultados idênticos e concluir que as grandes crises produzem grandes homens. Ora, não produziram.
A explicação da História a partir da ação e do impacto dos indivíduos determinantes por carisma, génio ou impacto político foi muito popular na Europa no final do século XIX e no início do XX. Em Portugal manteve-se dominante durante o Estado Novo, com uma historiografia assente na epopeia e na figura do “herói”, de Viriato a Salazar, passando por Vasco da Gama. Thomas Carlyle, um historiador, ensaísta e professor escocês durante a era vitoriana considerou que “A história do mundo é apenas a biografia de grandes homens”, mas teve a presciência de definir a economia como uma “ciência sombria”.
Então porque não produziram “grandes homens” as crises das últimas décadas, desde o desaparecimento dos que dividiram o mundo em Ialta, no pós-Segunda Guerra (Roosevelt, Estaline e Churchill) e dos que se reuniram em Bandung, na Indonésia, em 1955 para lançarem o conceito de Terceiro Mundo e o Movimento Descolonizador (Nheru, Sukarno, Nasser) e do emergir da China como ator mundial com Mao Tse Tung? Porque desapareceram os “grandes homens” da paisagem da história?
Antonio Scurati | Milão.
Milão. A cidade mais privilegiada de Itália está agora na fila do pão. A partir de Milão, onde vive e está isolado, o escritor italiano Antonio Scurati escreve o que vê da janela da sua casa.
« Como posso convencer a minha mulher de que, enquanto olho pela janela, estou a trabalhar? — perguntava-se Joseph Conrad no início do século passado. Eu, em vez disso, pergunto-me: como posso explicar à minha filha que, quando olho pela janela, vejo o fim de uma era? A era em que ela nasceu, mas que não conhecerá, a era do mais longo e distraído período de paz e prosperidade desfrutado na história da Humanidade.
Vivo em Milão, até ontem a mais evoluída, rica e brilhante cidade de Itália, uma das mais desejadas do mundo. A cidade da moda, do design, da Expo. A cidade do aperitivo, que deu ao mundo o Negroni Sbagliato e a happy hour e que hoje é a capital mundial do Covid-19, a capital da região que, sozinha, soma trinta mil contágios confirmados e três mil mortos. Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias; as nossas noites são atormentadas por homens adultos que choramingam no sono: “O que é, sentes-te bem?”; “Nada, não é nada, volta a dormir”. Milhares de amigos, parentes e conhecidos seus tossem até cuspir sangue, sozinhos, fora de todas as estatísticas e sem qualquer assistência, nas camas dos seus estúdios decorados por arquitetos de renome.
Carta de Paris: O imprevisível amanhã | in Carta Maior
Escritores de várias nacionalidades refletem sobre o mundo antes e pós-coronavírus | Por Leneide Duarte-Plon | 25/03/2020
« De quoi demain sera-t-il fait ? » (De que o amanhã será feito ou O que será o amanhã ?) perguntou Victor Hugo num poema. Ele continua : « O homem hoje semeia a causa. Amanhã, Deus faz amadurecer o efeito ».
O filósofo Jacques Derrida e a historiadora da psicanálise Elisabeth Roudinesco retomaram a pergunta do poeta, abreviando-a, para intitular o livro « De quoi demain… », em forma de diálogo, lançado na primeira semana de setembro de 2001.
Estimulante e abrangente, o diálogo gira em torno de temas políticos e filosóficos que resumem as interrogações de dois intelectuais sobre o século que se iniciava. A conversa termina com um elogio da psicanálise : somente levando-se em conta o inconsciente e a pulsão de morte podemos compreeder as desordens do mundo e restituir uma sociedade humana onde a abertura aos outros seja uma realidade.
Mas apenas alguns dias depois do lançamento do livro nas livrarias francesas, o 11 de setembro veio provar que o amanhã, de que falou Victor Hugo e sobre o qual se interrogavam Derrida e Roudinesco, é totalmente imprevisível.
Quem poderia prever o que se passou no dia 11 de setembro de 2001 ?
O mundo nunca mais foi o mesmo depois que a potência hegemônica se descobriu vulnerável, em estado de choque.
Bode Inspiratório | Folhetim | 40 Escritores | 40 Artistas Plásticos
Recomende o Bode Inspiratório.
Contribua para que este folhetim à moda antiga leve a literatura e a arte ainda mais longe. Um capítulo a cada dia, pela mão de 40 escritores. Uma obra a cada dia, pela mão de 40 artistas plásticos. Diferentes gerações e abordagens. Para que fique ao alcance de muitos e a todos possa contagiar, capítulo a capítulo. O vírus lá fora passa, cá dentro a cultura continua.
Siga e recomende.
A Pausa | Antonieta Roque Gameiro

ORDEM DOS ENGENHEIROS DE PORTUGAL | MENSAGEM DO BASTONÁRIO | PANDEMIA COVID-19
Caras e caros colegas,
Como todos saberão, acaba de ser declarado o estado de emergência com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública devido a uma emergência de saúde decorrente do crescimento do número casos originados pela pandemia COVID-19 em território nacional.
Neste momento de invulgar gravidade na história do nosso país, é meu dever dirigir-vos uma palavra de solidariedade, de preocupação, desejando que tudo nos corra da melhor forma.
É já sabido que, independentemente do prazo de tempo em que este regime constitucional de exceção se mantiver, após este período, a pandemia não estará solucionada, pois o que se pretende é fazer decrescer a taxa exponencial do seu crescimento ao evitar a possibilidade de contágio.
Esta é uma obrigação de cada um de nós enquanto atores fulcrais na atividade do país.
Assim, todos temos de estar conscientes da gravidade e da incerteza da situação que, com maior ou menor proximidade, abalará cada um de nós e que terá efeitos devastadores na economia nacional e internacional.
Esta, para além da saúde, também é a minha grande preocupação, pois todos ainda temos na nossa memória as dificuldades e tudo o que passámos durante quase uma década na sequência da crise financeira, situação da qual, em boa verdade, ainda estávamos a sair.
Daí, a minha apreensão com o presente, mas sobretudo com o futuro próximo, quando muitas empresas encerram, quando famílias inteiras estão em risco de perder o seu trabalho, num quadro em que os vínculos precários serão os mais afetados, o que particularmente atingirá os profissionais mais jovens.
A Ordem dos Engenheiros dentro das competências estatutárias que lhe estão atribuídas, estará pronta e disponível para ajudar e apoiar os seus membros.
Como já referi no Comunicado que foi difundido no passado dia 16, a Ordem dos Engenheiros pela responsabilidade que detém na sociedade e enquanto representante de 56.000 profissionais com elevadas competências técnicas, embora condicionadas nesta situação, disponibiliza-se para apoiar o Governo e as demais autoridades no que for considerado de interesse nacional e que contribua para a salvaguarda da saúde pública e para a redução de riscos para a economia.
Também endossamos uma mensagem de agradecimento a todos os profissionais de saúde que tudo têm feito para atenuar as consequências deste nefasto acontecimento global.
Resta-me desejar-vos, o que estendo às vossas famílias, que este período seja curto e sem consequências para aqueles que nos são próximos, e que rapidamente possam voltar a existir condições que permitam a estabilização da economia e dos empregos.
Com estima, envio um fraterno abraço
Carlos Mineiro Aires | 18-03-2020
Tempos de espera, tempos para ler | Antonieta Roque Gameiro


Frases sobre a MULHER
A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte. (Oscar Wilde)
Não se ama duas vezes a mesma mulher. (Machado de Assis)
A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem. (John Lennon)

COVID-19 | PRECAUÇÕES | in esquerda.net
Se esteve perto de alguém com COVID-19 e tem sintomas (febre, tosse ou dificuldade em respirar) ligue para a Linha SNS 24 – 808 24 24 24 e siga as orientações.

PARA LOS QUE PASAN POR AQUI | Ir. Joao De Blas Salamanca (1983)
- SOLEDAD

¡ Oh Dios !
¡ Qué larga es la noche,
qué triste y callada!
No hay luna que ría
y cubra con luz
el frío del alma.
No hay fuentes que sacien
la sed que me abrasa…
- LA NOCHE
Por entre las rocas,
perforada el alma,
brotaba un suspiro
que llevaba España.
Muy lejos moría la tarde.
Monótono canto de cigarra
llamaba a la luz
y respondía el alba
Joao De Blas Salamanca | 1983
Somos uma tragédia? Tem dias | Francisco Louçã | in Jornal Expresso
Não sei se o pânico instalado com o coronavírus alterará a agenda do segundo congresso de um pomposo Movimento Europa e Liberdade, que se propõe nada menos do que refundar a direita na Culturgest, hoje mesmo. Seria pena, essa refundação faz tanta falta. Ao que informa o Expresso, a promoção do evento invoca as questões fundamentais da nossa existência coletiva: “Estará Portugal condenado? As novas desigualdades são superáveis? Somos uma tragédia? O Estado de Direito foi capturado pelos interesses? A ditadura do politicamente correto está a destruir-nos? Há saídas?”. O MEL não se limita a questionar, quer abrir soluções e, por isso, lança ainda a pergunta tremenda: “E quem é que protagoniza a alternativa à extrema-esquerda e ao socialismo radical?” Quem se oferece parece que tem que picar o ponto no congresso.
Candidatáveis, são bastantes. Diz-se que Portas, Júdice, Ventura, Cotrim de Figueiredo, o novel líder do CDS, Paulo Mota Pinto e Poiares Maduro abrilhantarão o evento, que os organizadores chamam de “primárias da direita”, sabe-se lá porquê. Mesmo que não conste que vão a votos, ou que apresentem currículos ou sequer propostas, os oradores passear-se-ão por estas “primárias”, que serão pelo menos um evento social, coisa grande quando se pergunta com inquietação se “somos uma tragédia”, claro que tudo por causa da “ditadura do politicamente correto”.
Candidamente, a convocatória repete os refrões brasileiros, nos termos exatos dos bolsominions, desta vez com “Portugal condenado”, a penar uma feroz “ditadura” sob um “socialismo radical”, que até foi ovacionado no dia anterior pelas associações patronais por se dispor a facilitar o lay off no contexto da epidemia. Ora, são linguagens dos dias que correm, quem ligaria a estas “primárias” se elas não prometessem sangue, Europa e liberalismo?
A Terra é como a bolacha Maria? | Francisco Louçã
Imagine um mundo plano com apenas duas dimensões, Flatland, no qual triângulos, quadrados, pentágonos e outras figuras geométricas vivem e se movimentam. Este mundo é-nos apresentado pelo Quadrado, que um dia sonha que visita um mundo unidimensional, Lineland, que é habitado por pontos brilhantes. Estes não conseguem ver o Quadrado senão como um conjunto de pontos e linhas, e o Quadrado ressente-se desta imagem de si, porque sabe não corresponder ao que é na realidade. E é então que começam os problemas.
Afinal são três
Um dia, Flatland é visitada pela Esfera, uma habitante de Spaceland, um mundo tridimensional. A reação dos habitantes de Flatland foi semelhante à da dos de Lineland. Tal como os pontos brilhantes só conseguiam ver o Quadrado como um conjunto de pontos e linhas, também os habitantes de Flatland só conseguem ver a Esfera como um círculo. A Esfera, orgulhosa da sua tridimensionalidade, salta para cima e para baixo, de modo a que se consiga ver o círculo a expandir e a retrair e fique assim demonstrada a existência de uma terceira dimensão. Os líderes de Flatland reconhecem secretamente a existência da Esfera, mas decidem perseguir os divulgadores da notícia. O Quadrado, convertido à tridimensionalidade, tenta convencer a Esfera da hipótese da existência de uma quarta dimensão, caindo em desgraça aos seus olhos, que são incapazes de ver para além do que percecionam. O Quadrado tem, entretanto, outro sonho, no qual a Esfera o visita e lhe apresenta Pointland, um mundo adimensional composto por um único ponto. Ao contrário de Lineland, Flatland e Spaceland, onde, apesar das tensões e hierarquias, existem sociedades, em Pointland tal não é possível, porque existe apenas um habitante – o rei –, que vive preso num universo confinado a um ponto e acredita ser infinito e a única realidade existente.
Esta é, resumidamente, a deliciosa história de Flatland – O Mundo Plano, uma aventura matemática escrita por Edwin Abbott em 1884, que é um retrato mordaz da sociedade vitoriana, satirizando ditaduras e várias formas de censura, mas onde também explica conceitos físicos e matemáticos complexos.
Entra a bolacha Maria
A Mulher e a Lua

Teresa de Sousa, Público // Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação . Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.
