El orden natural de las cosas | ARTURO PÉREZ-REVERTE | in ZENDA LIBROS

En el restaurante Martinho de Arcada, mi casa de comidas habitual en Lisboa (allí donde el espía Lorenzo Falcó cena con la vedette Rita Moura tras cargarse a un agente republicano en Alfama), comento con Nuno y Paulo, camareros y amigos desde hace mucho, las cosas que pasan en Portugal, en España y en el mundo. El veterano Nuno, que es pequeño, rubio y simpático, trae un vino del Alentejo estupendo y barato, que yo no conocía, y mientras me lo hace probar cuenta que el alcalde de Oporto acaba de proponer unir a Portugal y España en un solo espacio político. ¿Te imaginas?, dice. Y le digo que sí, que lo imagino. Es la vieja idea de la Unión Ibérica de Garret, Saramago, Maragall y Unamuno, que resucita de vez en cuando, o tal vez nunca muere. Sesenta millones de personas y dos economías coordinadas. Lo que seríamos juntos. Un sueño maravilloso e imposible.

Algo más tarde, mientras paseo por la Baixa esquivando turistas anglosajones y japoneses, sigo dándole vueltas, pues me acuerdo de España y Portugal juntos como parte da orden natural das coisasque decía Teófilo Braga, o del somos hispanos, e devemos chamar hispanos a quantos habitamos a Península hispânica de Almeida Garret. Y, bueno. Es difícil no hacerlo, cuando pienso en el poco peso de Portugal y España en las decisiones que se toman en Bruselas, donde los españoles somos con harta frecuencia el hazmerreír de Europa; en el detalle de que los dos idiomas tengan una similitud léxica del 89%; en que la economía de los países que hablan español y portugués represente un 14% del PIB mundial, y en el hecho encuestado de que casi la mitad de los españoles y más de la mitad de los portugueses verían con buenos ojos una unión ibérica de tipo confederal: una asociación coordinada y fuerte, como el Benelux con que Bélgica, Holanda y Luxemburgo fundaron lo que luego sería Comunidad Económica Europea.

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Um Homem Só | Maria Helena Ventura

SINOPSE DE “UM HOMEM SÓ”

Cumpriu a itinerância de gerações do seu povo, aprendizes dos caminhos da Luz pelas províncias imperiais. Tornou-se adulto entre mercadores, ascetas, homens da lei.

Um dia chegou ao politeúma de Alexandria. Hábil no domínio da palavra, disciplinado por conhecimentos acumulados nas andanças de anos, ganhou o estatuto de rabbi.

Mas o Homem solitário, habituado a cruzar fronteiras físicas e culturais, aprendeu ainda a sabedoria dos terapeutas, praticando o silêncio introspectivo na busca do entendimento da natureza humana em todas as suas dimensões. Percebendo a origem do sofrimento, estava apto a praticar a cura.

A resistência na Diáspora reparou nele. Poderia ser o líder nominal que esperavam? Para pegar em armas o movimento zelote tinha operacionais bem treinados. E aproveitando o chamamento do pai, também ele um destacado membro dos Filhos da Luz, os líderes das comunidades judaicas no Egipto arquitectaram um plano articulado com a resistência dentro da Judeia.

O rabbi estava disposto a regressar à pátria para rever o pai moribundo, para levar palavras de incentivo aos que lutavam pela libertação dos povos. Mas os da Diáspora sabiam que à chegada Yosêph bar Ya´aqôb teria para ele uma missão mais difícil de aceitar.

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Como é possível à gente da minha terra “quaresmar”? | José Alberto Catarino

Como é possível à gente da minha terra – Cardigos (Mação) “quaresmar”?

A gente vai de passagem pela sede de freguesia (Cardigos), entra num estabelecimento comercial “ao acaso”, para cumprimentar um familiar, e sai carregado de pecados mortais (qual Quaresma qual carapuça):
1) – a melhor morcela do país, ali do lado, de Vale da Urra – (Vila de Rei) boa. Boa boa boa … daquelas que sabem verdadeiramente a cominhos!
2) – uma farinheira de “cair para o lado” feita mesmo ali em Cardigos. Comer e chorar por mais (na dúvida compram-se várias para não ter de ficar a chorar por mais).
3) – o pão de Cardigos. Verdadeiro “pecado mortal” (sempre que eu dizia às minhas doentes que eu era de Cardigos vinha sempre a mesma resposta: “Ah, é a terra do meu padeiro!”). Este pão não é carne, mas não deixa de ser pecaminoso porque atrai a gula (a gente ouve o pão a chamar pela manteiga … pelas azeitonas … a gritar; “transformem-me em açorda!”
4) – e quando pensamos que o demo larga por ali do nosso pé … aparecem as tijeladas de Abrantes (agora já feitas ali ao lado, no Azinhal). E ficamos com pecados suficientes para esgotarmos as hipóteses de ainda pensar no Purgatório. É direitinhos ao Inferno.
– ( só faltou um plangaio de Proença-a-Nova, mas esses há 50 anos que não lhes ponho o dente em cima …

Abençoada terrinha!

Zalberto Catarino

Retirado do Facebook ! Mural de Zalberto Catarino

Mother | John Lennon/Plastic Ono Band, vídeo no fim

Mother, you had me
But I never had you
I wanted you
But you didn’t want me
So 
I got to tell you
Goodbye
Goodbye

Father, you left me
But I never left you
I needed you
But you didn’t need me
So
I just got to tell you
Goodbye
Goodbye

Children, don’t do
What I have done
I couldn’t walk
And I tried to run
So
I got to tell you
Goodbye
Goodbye

Mama don’t go
Daddy come home
Mama don’t go
Daddy come home
Mama don’t go
Daddy come home
Mama don’t go
Daddy come home

A qualidade global do SNS – Serviço Nacional de Saúde | António Ribeiro

Há quem ponha em causa a qualidade global do SNS a propósito do Coronavirus. Mas uma observação atenta da realidade desmente essa crítica, que é politicamente enviesada e ideologicamente preconceituosa. A abordagem ao surto tem sido eficaz e, acima de tudo, não discriminatória. É fácil criticar, mas este é um país pobre onde muitíssima gente nem sequer contribui para aquilo que consome no SNS. Aliás, o nosso SNS dá excelentes respostas à paridade do poder de compra europeu. Isto é, mal-grado os inevitáveis descontentamentos, alguns justificados, temos muito mais out-puts em termos de resultados do que in-puts para o Serviço. Em matéria de Saúde, Portugal é uma espécie de Escandinávia com pouco dinheiro, mas que funciona. Os adeptos do “antigamente” deviam recordar as antigas “Caixas” e a forma como se morria nos hospitais. Não havia tratamentos adequados, mas morria-se com o consolo de um crucifixo por cima da cama, sem biombo nem coisa nenhuma que resguardasse a privacidade. Tenham algum discernimento nessa análise negativa, porque as pessoas que iam à Caixa eram muito mal tratadas e não voltavam de lá para casa num Mercedes. Ou já se esqueceram de como morreram os vossos Avós. Uma coisa que me irrita neste país é que anda muita gente a fingir que a família era rica há 200 anos. Veneram os antepassados, mas muitos nem sabem quem eram, ou como viviam

António Ribeiro

Retirado do Facebook | Mural de António Ribeiro

AEROPORTO no MONTIJO ou ALCOCHETE | a opção cega e incoerente – ou a opção inteligente e sustentável? | Mário Baleizão Jr.

Discute-se ao longo de 50 anos a construção do novo Aeroporto de Lisboa e a última intenção é a Base Aérea N.º 6 do Montijo, situada no Samouco.
É triste que, ao fim de tantos anos, a escolha seja a pior possível, a mais incoerente, a mais prejudicial, a mais insegura e a mais insustentável.

Para não pensarem que eu sou “do contra”, vejamos as vantagens de construir o novo Aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete:
1 – O campo de tiro de Alcochete é uma zona plana, rodeada de terrenos agrícolas, com muitas poucas habitações e logo mais segura para os voos e para a população.
2 – Por ser uma zona livre, a construção na envolvente do campo de tiro de Alcochete pode ser condicionada, a fim de evitar o urbanismo não planeado e a insegurança no local.
3 – O campo de Tiro de Alcochete fica logo a seguir à ponte Vasco da Gama, só que em vez de se virar à direita para o Montijo, vira-se à esquerda na direcção de Alcochete e Samora Correia e é muito próximo (a cerca de 10 Km das portagens).
4 – O campo de tiro de Alcochete já tem uma pista de aviação (aproximadamente a meio do campo e transversalmente ao mesmo), o que prova que é o local ideal para levantar voo e aterrar.
5 – O campo de tiro de Alcochete, pela actividade militar no mesmo (tiros e ruído), não tem aves próximo, não são precisas medidas especiais de protecção a aves e as aves não são um risco de segurança grave, se entrarem numa turbina e explodirem um motor do avião.
6 – A construção do Aeroporto no campo de tiro de Alcochete não coloca em risco as dezenas de espécies de aves e mamíferos que habitam e nidificam na zona de Reserva Natural do Estuário do Tejo.
7 – Os acessos ao campo de Tiro de Alcochete não precisam de estradas novas, nem de portagens novas.
8 – Quando foi da opção da Aeroporto na OTA, o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) deu como alternativa viável o Aeroporto no campo de Tiro de Alcochete.

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A solução aeroportuária de Lisboa: do Contrato de Concessão à situação atual | Carlos Matias Ramos in Jornal Público | 05/03/2020

Tenho solicitado repetidamente os estudos e projetos que sustentam as afirmações do Governo e da ANA/Vinci que pretendem justificar técnica e economicamente a solução Montijo. Nunca os recebi.

Num artigo recentemente publicado pelo jornal PÚBLICO, o senhor secretário de Estado adjunto e das Comunicações (SEAC) escreveu, e passo a citar: “À nossa geração, agora, cabe a responsabilidade e o risco de fazer. E a ousadia de fazermos bem. Com os melhores dados da ciência e da técnica.” Muito gostaria que assim fosse, mas não tem sido. O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e a posterior e consequente Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) são um exemplo bem demonstrativo da deficiente utilização dos dados da ciência e da técnica.

Em relação à AIA, que contém omissões importantes, identificadas em documentos apresentados no âmbito da Consulta Pública, a simples afirmação do Governo de que não havia “plano B” feriu de morte a credibilização de todo o processo. Cito apenas a componente das aves. Num artigo do PÚBLICO de 20 de fevereiro, um investigador da Universidade de Aveiro rebate as afirmações de bem fazer, salientando que estudos científicos comprovam que as aves limícolas que frequentam o estuário do Tejo, estimadas em cerca de 200.000, são extremamente fiéis aos locais que usam diariamente. Esta abordagem põe em causa a proposta do EIA que apresenta como solução a deslocalização dessas aves para zonas marcadas. Quais são os exemplos com sucesso na aplicação desta metodologia? O EIA, ao referir a escassez de dados de campo, justifica a não apresentação da análise de risco de colisão de aves com aeronaves. Propõe o desenvolvimento de estudos por um período de pelo menos um ano. Passado um ano é que esse estudo será conclusivo? E se for desfavorável, as obras param e a solução Montijo é abandonada? Quem suporta os custos desta eventual situação? O Estado? O operador aeroportuário?

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A espiritualidade é palpável | MARIA ANTÓNIA JARDIM

Uma leitura hermenêutica e simbólica

É preciso ir além da superficialidade e fazer uma leitura hermenêutica / simbólica do conceito “espiritualidade” para perceber que a espiritualidade, tal como o sonho, é algo concreto e definido como outra coisa qualquer ( António Gedeão: Pedra Filosofal). Vejamos.

Em primeiro lugar é urgente compreender que “Somos um Corpo”. O corpo é o templo da alma e do espírito que o habitam e portanto o bem ou o mal fazer passam pela acção, pela sua voz, pelas suas mãos…A espiritualidade do Ser Humano exprime-se em actos, actos de fala, gestuais, afectivos, artísticos.

Materializa-se cada vez que o Mundo “pula e avança”, com a imaginação, com a Nona Sinfonia de Beethoven ou com a Última Ceia de Da Vinci; com revoluções de consciência, com “batalhas” que se travam dentro do nosso corpo, corpo afectivo, erótico (note-se que o corpo faz-se a beijar…), com todos os nossos Eus, pois Somos Seres plurais, já nos ensinou o grande psicólogo / escritor Fernando Pessoa!

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A corrupção, a política e a demagogia | Carlos Esperança

Quando alguém afirma que “todos os políticos são corruptos”, interrogo-me se esse alguém é ignorante, fascista ou pretende, apenas, gritar as frustrações e dizer que, ao contrário de ‘todos os políticos’, (ele ou ela) não é ou não pode.

Cinco anos de ditadura militar e 43 de fascismo deixaram marcas indeléveis na nossa sociedade. A raiva contra os políticos é a herança transitada por má fé ou ignorância, de geração em geração, como se os políticos fossem menos honrados do que o comum dos cidadãos e as generalizações não fossem a revelação da indigência intelectual e cívica que habita um país cujas causas do atraso foram magistralmente analisadas por Antero de Quental na conferência sobre «As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares».

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POLJE DE MINDE – MIRA DE AIRE | UMA IDEIA A ESTUDAR | instalação de uma tirolesa / spyline

Uma tirolesa (ou tirolesa, tirolesa, linha Sypline, zip wire, pista aérea, corda aérea, death slide, flying fox, ou, na África do Sul, foefie slide) consiste de uma polia suspensa em um cabo, normalmente feita de aço inoxidável. aço, montado em um declive. Ele é projetado para permitir que um usuário impulsionado pela gravidade viaje de cima para baixo do cabo inclinado, segurando-o ou prendendo-o à polia que se movimenta livremente. As tirolesas vêm em muitas formas, geralmente usadas como meio de entretenimento. Eles podem ser curtos e baixos, destinados a brincadeiras de criança e encontrados em alguns playgrounds. Passeios mais longos e mais altos são freqüentemente usados ​​como um meio de acessar áreas remotas, como um dossel de floresta tropical. Passeios de tirolesa estão se tornando atividades de férias populares, que são encontrados em acampamentos de aventura ao ar livre ou resorts de luxo, onde podem ser um elemento em um desafio maior ou curso de cordas. As selvas da Costa Rica, Flórida, Puerto Vallarta e Nicarágua são destinos populares para entusiastas de tirolesas.

EXTREMOS | Francisco Seixas da Costa in Jornal de Notícias

As expressões “extrema direita” e “extrema esquerda” têm duas similitudes. A primeira é semântica: em ambas, existe a palavra “extrema”. A segunda é que o passado em que essas correntes tiveram origem foi marcado por sinistras ditaduras – de um lado o fascismo e o nazismo, do outro os regimes comunistas, que resultaram num desastre totalitário. As similitudes acabam aí, pelo que é hoje profundamente desonesto procurar equiparar os dois conceitos.

A extrema direita é xenófoba, racista, discriminatória e promotora de políticas de ódio, obsessivamente securitária, cavalgando um sinistro nacionalismo.

A extrema esquerda, chamemos-lhe assim por facilidade, pelo contrário, defende políticas de igualdade e integração social, é anti-racista e anti-xenófoba e tem uma agenda política basicamente humanista – embora eu discorde do seu anti-europeísmo, do radicalismo simplista de muitas das suas receitas e ache irrealistas grande parte das suas propostas, por muito generosas que possam parecer.

Mas eu não esqueço nunca quem esteve do lado certo na 2ª Guerra Mundial, tendo tido um papel fundamental para a derrota do mais odiento projeto político que se conhece – o nazi-fascismo. E também me lembro bem de que, por cá, quando se tratou de ajudar a derrubar o projeto de fascismo saloio, mas criminoso, de Salazar, bem como lutar contra o colonialismo, essa esquerda foi essencial e, por virtude da sua luta corajosa, pagou um elevado preço, sofrendo o que nenhuma outra força de esquerda então sofreu.

Se é verdade que, nos anos de 1974/75 – vai para meio século! -, parte dessa esquerda foi tentada a uma deriva de populismo autoritário, é também uma evidência que a democraticidade da sua postura no sistema político tem sido, desde então, inquestionável. A sua participação na “geringonça” foi o reconhecimento natural desse seu pleno estatuto democrático.

Por isso, não votando eu nos partidos de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins, de que muitas coisas me separam, deixo expresso que tenho consideração política (e, por sinal, também pessoal) por essas figuras e pelas formações que dirigem. E, como é óbvio, não tenho a menor consideração por quem titula políticas de extrema-direita, bem como por quem tende a desculpabilizá-las e por quem vier a prestar-se a estender-lhes a mão.

Há muito que me apetecia deixar isto bem claro. Seria porventura mais cómodo não o fazer, mas começo a estar cansado da fraude que é a recorrente tentativa de equiparar duas realidades que não se podem comparar.

Francisco Seixas da Costa

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa 

NOTA PESSOAL : subscrevo na totalidade esta reflexão do Sr. Embaixador – como melhor não sei expor e escrever, aqui deixo o testemunho de quanto me fatiga e desgosta ver testemunhos de pessoas que apoiam a extrema direita e todo e qualquer nazi/fascismo. De facto, e subscrevendo também as considerações expostas pelo Sr. Embaixador, é uma fraude equiparar duas realidades que não se podem comparar.

Les 100 meilleurs livres de la littérature mondiale selon le Cercle norvégien du livre

Le Cercle Norvégien du Livre est un club de lecture créé en 2002 par trois maisons d’édition norvégiennes : Gyldendal, Aschehoug et Pax Forlag.

En 2002, l’organisation décide d’élaborer la liste des 100 meilleurs livres de tous les temps. La sélection s’est faite à partir des propositions de 100 écrivains issus de 54 pays différents. Chaque écrivain pouvait choisir 10 livres selon ses goûts et en s’efforcant de refléter une diversité culturelle, temporelle et spaciale.

Voici donc la liste dans un ordre aléatoire (ce n’est pas un classement entre les oeuvres). Toutefois, le jury d’auteurs a nommé Don Quichotte de Miguel de Cervantes comme étant la meilleure « œuvre littéraire jamais écrite ». Les descriptions qui accompagnent les oeuvres sont issues principalement de Wikipedia.

Sommaire

VER DESCRIÇÕES AQUI | VOIR LES DESCRIPTIONS ICI: https://www.lalanguefrancaise.com/litterature/100-meilleurs-livres-litterature-mondiale-cercle-norvegien-du-livre/?fbclid=IwAR00OITXHOwIFE-mTUHPF9VNas7Om26LYPfD1K4jTgCm-ThagOtX0oW0quI

A revolução de Aquenáton, o faraó que acabou com 2 mil deuses e instaurou o monoteísmo no Egito

Desde o início de seu reinado, o faraó Aquenáton e sua mulher Nefertiti decidiram desafiar todo o sistema religioso do Antigo Egito. Dispostos a sacudir as bases de sua sociedade, eles criaram ideias que levariam o império à beira do abismo.

O casal começou a reinar durante os anos dourados da civilização egípcia, por volta de 1.353 a. C., quando o império era o mais rico e poderoso do mundo —as colheitas eram abundantes, a população, bem alimentada, os templos e palácios reais estavam cheios de tesouros e o exército obtia inúmeras vitórias contra todos os inimigos. Todos acreditavam que o sucesso vinha por conseguirem manter os deuses felizes.

Foi então que Aquenáton chegou ao trono com o ímpeto de modificar uma religião de 1,5 mil anos de idade.

Somente o sol

A ideia era revolucionária: pela primeira vez na história, um faraó queria substituir o panteão de deuses egípcios por uma única divindade — o deus Sol, ou Atón, o criador de todos.

A proposta era considerada uma heresia. Mas como o faraó era considerado um deus na terra, tinha poderes ilimitados para modificar o que quisesse. Ele decretou que os 2 mil deuses que eram adorados no Egito havia mais de um milênio estavam extintos. Suas aparências humanas e animalescas foram substituídas pela forma abstrata do Sol e de seus raios.

CONTINUAR A LER: https://www.bbc.com/portuguese/geral-40602931?SThisFB&fbclid=IwAR1gojCCdQ9Dyc4iLDzNlyFHpsf9K1rQ1yBN2_UZQh3tY_Lw4EMvXMesK2w

Princípio da incerteza | 5 pontos para entender a teoria de Werner Heisenberg | por Marília Marasciulo in Revista Galileu – Globo

A vida do alemão Werner Heisenberg, que nasceu em 5 de dezembro de 1901 e viveu até 1º de fevereiro de 1976, é cercada de incertezas. O físico foi um dos cientistas que ajudou o governo nazista de Hitler a (tentar) criar uma bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. Por erros de cálculos, não deu certo — e ninguém sabe se porque Heinserberg falhou de propósito ou sem querer. Jamais saberemos.

A mesma imprecisão se aplica à teoria criada por ele, em 1927, que deu origem aos estudos da mecânica quântica. O princípio da incerteza de Heinsenberg garantiu ao alemão o Nobel de Física em 1932, e até hoje é um dos conceitos mais importantes da física quântica. Entenda:

1. Um ideia contraintuitiva
As ideias da teoria quântica, que já vinham sido desenvolvidas por físicos como Niels Bohr, Paul Dirac e Erwin Schrodinger, tinham uma lógica pouco intuitiva: elas propunham que a energia não era contínua, mas sim dividida em “pacotes” (quanta). A luz, por sua vez, poderia ser descrita como uma onda e um fluxo desses pacotes.

2. Impossível precisar
O princípio da incerteza define que não podemos medir a posição (x) e o momentum (p) de uma partícula com total precisão. E mais: quanto mais precisamente conhecemos um dos valores, menos sabemos o outro. Se multiplicarmos os erros nas medições dos valores, o resultado deve ser um número maior ou igual de uma constante que recebeu o nome de “h-barra”. Ela, por sua vez, é igual à constante de Planck (representada por h, que mede a granulosidade do mundo em suas menores escalas, e vale 6.626 x 10^-34 J.s) dividida por 2π.

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23 de Fevereiro de 532 | O Imperador Justiniano ordena a construção da Basílica de Santa Sofia em Constantinopla

O imperador Justiniano I, juntamente com o patriarca Eutíquio de Constantinopla, inauguraram a basílica de Santa Sofia em Dezembro de 537 com pompa e circunstância.

A decisão da construção da basílica aconteceu a 23 de Fevereiro de 532, apenas alguns dias depois da destruição da segunda basílica, Justiniano I decidiu construir uma terceira, completamente diferente, maior e muito mais majestosa que as suas antecessoras.
Justiniano escolheu o médico Isidoro de Mileto e o matemático Antémio de Trales como arquitectos, mas Antémio morreu ainda no primeiro ano da empreitada. A construção foi descrita na obra “Sobre Edifícios” do historiador bizantino Procópio. O imperador mandou buscar materiais de construção de todo o império – colunas helénicas retiradas do Templo de Artemis, em Éfeso – uma das Sete Maravilhas do Mundo – , grandes blocos de pórfiro de pedreiras no Egipto, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelas da Síria. Mais de 10 mil pessoas foram empregadas na construção. A nova igreja foi logo reconhecida como um grande feito de engenharia e arquitectura. Santa Sofia tornou-se então a sede do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e o local preferido para realização de cerimónias oficiais do Império Bizantino.

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Espanha | O Golpe de 23 Fevereiro de 1981 | Carlos Esperança

Há 39 anos um tresloucado fascista entrou no Parlamento espanhol a cumprir planos de generais franquistas que educaram o rei Juan Carlos na Falange. O tosco militar entrou de tricórnio, quando os deputados votavam Calvo-Sotelo para presidente do Governo de Espanha, tendo em vista substituir a monarquia constitucional pelo absolutismo real.

Era o regresso à ditadura sob os auspícios da monarquia não sufragada, posta à sorrelfa na Constituição, com as sondagens a indicarem a preferência popular pela República, ao arrepio da vontade expressa pelo sádico genocida Francisco Franco.

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DESTINOS | Vasco Pulido Valente

Deus sabe que eu nunca fui assim e eu também sei que não fui. Só não sei o que fui. Falta à minha vida ordem e finalidade e, por isso, não posso dizer «fui assim» e, a seguir, «assim». Uma carreira ajudava. Fui tenente, major e capitão; deputado e ministro; assistente e catedrático. Uma vocação ajudava: fui filho, pai e avô. Uma obra ajudava; o meu primeiro livro, o segundo, o terceiro. Tudo isso ou parte disso talvez me permitisse dividir, arrumar, organizar o passado. Até uma grande ambição ajudava: estive mais longe ou mais perto, ganhei mais dinheiro ou ganhei menos. A mim, infelizmente, as coisas sucederam-me sem nexo ou deliberação. Comecei e desisti. Desisti e recomecei. Desejei e não desejei. Dei meia volta ou a volta inteira.

Se me obrigassem a escrever a minha biografia, não era capaz de escrever uma história coerente. Nem sequer com alguma arrumação de superfície. Mesmo pelas regras mais simples: infância, adolescência, juventude, maturidade, velhice. Era velhíssimo na adolescência, adolescente na maturidade e toda a gente me acha simultaneamente infantil e soturno. E não me lembro de períodos fixos, de mudanças drásticas, lembro-me de acontecimentos. De uma noite, à saída de Lineacre College, em Oxford, com muito frio e uma neve brilhante, em que me senti, por qualquer razão trivial, a mais admirável criatura terrestre. Do elevador em que me levaram à sala de operações subterrânea de uma clínica de Biarritz, inerme e nu, como pura carne. De um café vazio, à noite, no Luso, com mesas de fórmica e o chão molhado, onde de repente verifiquei que não havia motivo plausível para sair dali.

Quando penso na minha vida, penso nestes episódios e noutros como estes, que não permitem a separação em «antes» e «depois» e não revelam qualquer curso, honroso ou não. Em cinquenta anos, não notei indícios de um destino manifesto ou de um destino humildemente necessário. o que eu escolhi, ou que me sucedeu sem eu escolher, foi um acaso e eu próprio sou um produto de coincidências improváveis, de circunstâncias efémeras, de emoções sem substância. Os factos consumaram-se sempre por mecanismos obscuros, totalmente estranhos à minha vontade. «O que é que eu estou aqui a fazer?», perguntava eu, desastre após desastre. «Como é que eu vim aqui parar?». Péssimas perguntas.

Durante muito tempo supus que viver bastava, por simples acumulação, para me definir uma personagem e um caminho. Definiu, excluindo, como com toda a gente. O poder físico e o poder intelectual diminuem. Algumas pessoas acreditam que nos conhecem e retiram-nos o benefício de certas dúvidas. E, principalmente, numa sociedade doméstica como a portuguesa, cresce o número dos nossos inimigos, tácitos ou confessos. Se eu me defini, defini-me a coleccionar inimigos. Eles mostram o que eu sou e eu sou o que eles mostram. Mas que as possibilidades se reduzem à medida que se roda para o fundo do funil é um antigo lugar–comum e nem sequer se distingue por ser verdadeiro. Descontado o irremediável (já de si relativo e ambíguo), sobra ainda quase tudo. O caos persiste.

Vasco Pulido Valente | 1941-2020 (21-02-2020)

O Colapso da condução “ocidental” do Mundo contemporâneo liderado pela “Grande América” | José Gabriel Pereira Bastos

A condução secretista, despótica e manipulativa do “mundo ocidental”, com uma acumulação cada vez mais acelerada da riqueza em cada vez menos mãos, desespera cada fez mais uma maior fatia de população não apenas pobre mas da classe média baixa e até da classe média dos “academizados” à pressa, cada vez mais excluídos das grandes cidades, com habitações cada vez mais inacessíveis e com ordenados que cada vez chegam para menos, para casais com cada vez menos filhos e mais animais domésticos.

Uma vaga de autoritarismo socialista (comunista, fascista e nazi) saiu do desespero associado ao catastrófico empobrecimento promovido pela Guerra de 14-18 e pela crise financeira que se seguiu (1928).

Oitenta anos depois (2008) o capitalismo americano atirou para cima da Europa uma falência dos Estados mediterrânicos que não esconde o colapso económico da Alemanha e da Itália, com uma “democracia de Bruxelas” desacreditada e servil, através da NATO, para com os interesses americanos, com os seus gastos massivos em armamento e em destruição de países islâmicos e com a abertura das postas da Líbia, do Iraque e da Síria à invasão islâmica da Europa, utilizada para a experiência de Engenharia Histórica que seria a fusão da religiões de Moisés e de “espiritualidades” maçónicas e tibenanas num Caldo “New Age” banhado em alucinógenos e bacanais (como em ‘Eyes wide shut’, de Kubrick, que bem nos vem avisando com os seus filmes.

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Um olhar feminino nos subterrâneos de Lisboa | Jardins Secretos, de Manuela Gonzaga | por Adelto Gonçalves

                                                I

Lançado em janeiro de 2001 pela Editora Gótica, de Lisboa, o romance Jardins Secretos, de Manuela Gonzaga (1951), teve uma trajetória brilhante: além de ter sido incluído no plano de ensino da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e da disciplina de Cultura Portuguesa da Universidade de Georgetown, de Washington DC (EUA), agora culmina (se não for ainda mais longe), para além de uma projetada reedição pela Bertrand Editora, com uma tradução para o francês de Laure Elisabeth Collet em edição da Le Poisson Volant, de Paris, seguindo o caminho de Imperatriz Isabel de Portugal, biografia (Bertrand, 2012), que em 2019 foi saiu por aquela editora francesa sob o título Isabelle de Portugal, l´Impératrice. Mais: Jardins Secretos de Lisboa, título que passou a ter depois da segunda edição (2005), também está destinado a integrar aulas numa universidade francesa.

O romance conta a história de Alice, uma mulher fragilizada e fotógrafa desiludida, que conhece Jorge, pessoa de língua ferina e comportamento libertino. A partir daí, começa uma história que a leva a descobrir uma outra cidade dentro de uma Lisboa já conhecida, aquela que é vista apenas de fora, através do olhar de um utente à janela de um elétrico.

Dessa maneira, Alice, uma rapariga que carrega uma história comum, pela mão do amante, vai descobrir uma cidade subterrânea, que esconde por entre os seus monumentos e prédios seculares, bordéis de muito respeito e “jardins secretos”, ou seja, locais de encontros furtivos onde reina a lascívia. Filha de um fotógrafo, que também tivera o seu “jardim secreto”, ou seja, um pequeno estúdio localizado ao Chiado, Alice começa assim a cumprir um percurso iniciático e a descobrir os chamados segredos de Lisboa, que ficam numa região que vai do Chiado à Baixa pombalina, dos Restauradores ao Largo de Camões, passando pelo Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Rossio, Praça da Alegria, Intendente, Avenida Almirante Reis, Arroios, até a Alameda e arredores.

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CORPO APENAS | Maria Helena Ventura | Pintura de Tarsila do Amaral, Antropofagia

De repente eras o fogo
cascos de cavalo
na clareira acesa.
E sob as mãos
o grito respirado devagar
na curva dos abrigos musicais.

Vestias-te de corpo
nada mais
península ligada por um braço
ao mar inominável de outro corpo.

De repente eras a terra
aluviais as margens perfumadas.
E nos lábios
oceânicas nascentes flutuando
no barco do silêncio magoado.

Eras um corpo apenas
transpirado
enigma de pássaro perdido
reflectido na tela de outro corpo.

Maria Helena Ventura | Inominável Corpo Desnudado

Deus de Spinoza | ALBERT EINSTEIN

Sobre Deus, Einstein chegou a se definir como agnóstico em carta de 1950 a Morton Berkowitz. Ele já tinha afirmado anteriormente que acreditava no “Deus de Spinoza”, em referência ao filósofo holandês Baruch Spinoza:

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela num mundo regrado e harmonioso, não em um Deus que se preocupa com o destino e os afazeres da humanidade”, afirmou ele em um telegrama ao rabino Herbert S. Goldestein, publicado pelo jornal americano “New York Times” em 1929 (segundo o livro “The Ultimate Quotable Einstein”).

Com essa declaração, Einstein afirmava a visão que repetiu diversas vezes durante a vida: que tinha mais simpatia por um Deus presente em todos os lugares e que fosse responsável pelas leis do universo num sentido científico, que por uma entidade personificada e preocupada com problemas individuais:

“Não posso imaginar um Deus pessoal que influencia diretamente a ação das pessoas… Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração do espírito infinitamente superior que se revela no pouco que compreendemos de nosso próprio mundo. A profunda convicção na presença de um poder superior, que aparece no universo incompreensível, forma minha ideia de Deus”, disse Einstein em carta de 1927, publicada em seu obituário no “Times”, em 1955.

Normalmente utilizada incorretamente para afirmar uma suposta religiosidade de Einstein, a frase escrita para Born sobre Deus “não jogar dados com o universo” se insere melhor na perspectiva panteísta de religião do físico. Na ocasião, Einstein questionava o princípio da incerteza de Heisemberg, utilizada na física quântica, segundo o qual não é possível determinar a localização e a velocidade exata de partículas, destacando a aleatoriedade dos eventos. Einstein não concordava com esse nível de imprecisão e usou a frase para corroborar sua visão.

Em todo caso, Einstein considerava o assunto complexo demais para as mentes humanas, como disse em entrevista em 1929, ainda segundo o “The Ultimate Quotable Einstein”:

“Não sou ateu. Não sei se posso me definir como panteísta. O problema envolvido é muito vasto para nossas mentes”.

 NOTA: Pandeísmo é uma corrente filosófica que surgiu da mistura do panteísmo com o deísmo. Panteísmo é a crença de que tudo compõe um Deus abrangente e imanente, ou que o Universo (ou Natureza) é idêntica à divindade. Panteístas e pandeístas, assim, não acreditam em um deus pessoal ou antropomórfico.

Cesário Verde, precursor do Modernismo – Ricardo Daunt | por Adelto Gonçalves

                    I
O poeta Cesário Verde (1855-1886) teve uma vida breve, mas viveu o suficiente para produzir uma obra que até hoje fascina críticos e leitores de bom gosto. Essa obra, que andou por muito tempo dispersa, agora pode ser encontrada em um só livro por iniciativa de um professor, crítico literário, poeta, romancista e contista brasileiro, Ricardo Daunt, autor de Obra Poética Integral de Cesário Verde, publicada em Portugal em 2013 pela Dinalivro, de Lisboa, depois de ter sido lançada no Brasil em 2006 pela Landy Editora, de São Paulo, em edição (hoje esgotada) que teve o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.
Profundo conhecedor da obra do poeta, Daunt é autor da tese de doutoramento “Cesário Verde: um trapeiro nos caminhos do mundo”, defendida em 1992 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), trabalho revisto em 1993, com um novo título: “Cesário Verde: um poeta no meio-fio do paraíso (estudo literário)”. Ao reunir a produção poética (na íntegra e sem falhas) de Cesário Verde, Daunt preparou também uma tábua cronológica que procura reconstituir o que teria sido a vida do poeta, ao mesmo tempo em que assinala os principais fatos acontecidos em Portugal e no mundo durante os 31 anos de sua curta existência.
Do livro constam ainda cartas pessoais escritas pelo jovem poeta a amigos e outras comerciais do tempo em que trabalhava na loja de ferragens do pai, que estava situada à Rua dos Fanqueiros, na Baixa Pombalina, em Lisboa, e, mais tarde, a partir de 1874, numa propriedade rural da família em Linda-a-Pastora. É de se ressaltar que da biografia do poeta já se havia ocupado o bibliófilo João Pinto de Figueiredo (1917-1984), autor de Álbum de Cesário Verde (1978), com fotografias e cartas inéditas do poeta, e A vida de Cesário Verde (1981).
Ricardo Daunt, na apresentação que escreveu para a própria obra, observa que a produção poética de Cesário Verde antecipa Henri Bergson (1859-1941) e Edmund Husserl (1859-1938), “pois toda ela se fundamenta na bipolarização da vivência intencional, e que no entanto também se encontra questionada pelo caráter transrealista do poeta que almeja a transcendência, a dimensão do absoluto”. Em seguida, observa que Cesário Verde, à maneira do individualismo de Friedrich Nietzche (1844-1900), formula um solitário herói andarilho, “testemunha de um mundo em transformação radical”, ao lado de um humanitarismo proudhonista que o leva “a atentar para as questões contingenciadas pela condição imanente”.

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Marco Neves escreve sobre o último livro de Fernando Venâncio, Assim Nasceu Uma Língua | in Jornal de Letras

Pensar sobre a língua é difícil — mas não parece. É fácil encontrar quem jure saber que os adolescentes já só usam X palavras; que garanta a pés juntos que a expressão Y é um “erro que todos dão”; que saiba sem ninguém lhe dizer que a palavra Z entrou na nossa língua nos últimos cinco anos… Sabemos estas coisas todas e, no entanto, se tentarmos reproduzir, palavra por palavra, uma conversa que tenhamos tido há poucos minutos, já só nos lembraremos de uma ou outra expressão solta, umas quantas ideias, a impressão geral do sentido da conversa. A língua é matéria mais fugidia do que parece e, por isso, com a nossa fome de explicações, é terreno propício para impressões alçadas a certezas e para mitos que enganam a mais informada das pessoas.

Os linguistas lá tentam perceber, com dados, aquilo que de facto se passa com a língua — e, como acontece com outros cientistas, quanto mais trabalham, mais percebem a dimensão do que falta saber. Cá fora, continuamos convencidos de que sabemos muito — e é verdade que sabemos: temos uma gramática inteira na cabeça, que usamos para criar frases sem fim. Mas sabemos muito menos do que julgamos sobre o funcionamento e a variação dessa mesma gramática.

Se isto é assim com a gramática, o que dizer da História da língua? Aí não serão os mitos que nos bloqueiam a mente, mas antes o simplismo distraído. Sabemos que o português vem do latim — e pronto. Quando ocorreu tal transição? Quando surge Portugal, certamente. E onde? Em Portugal, obviamente. Exagerando um pouco (mas só um pouco), a ideia que corre por aí será esta: até ao século XII, o povo ali a Norte falaria latim; quando Afonso Henriques se assume como rei, o povo decide mudar de língua. Enfim, com menos exagero muitos diriam: falávamos latim, começámos a falar um português arcaico (ou talvez galego-português) e logo nos decidimos pelo português tão belo, tão nacional.

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Natalia Osipova in Giselle | Leonid Sarafanov as Count Albrecht

No primeiro ato, a aldeã Giselle está apaixonada por Albrecht, um nobre disfarçado de camponês. Quando Giselle descobre a fraude, ela fica inconsolável e morre.

No segundo ato, o amor eterno de Giselle por Albrecht, que vem a noite visitar seu túmulo, o salva de ter seu espírito vital tomado pelas willis espectrai, os fantasmas de garotas noivas que morreram antes do dia do seu casamento, e sua rainha. Sempre que um homem se aproxima, elas obrigam-no a dançar até a morte. Giselle dança no lugar de Albrecht e, dessa forma, impede que ele chegue à exaustão, quebrando o encanto das Willis. No final, ela o perdoa.

DIA MUNDIAL DAS ZONAS HÚMIDAS (2 de Fevereiro) | Sítio RAMSAR nº 1616 | O POLJE MIRA MINDE | Mata ou Mar de Minde

O próximo dia 2 de Fev. (Domingo) é o dia Mundial das Zonas Húmidas.

O POLJE DE MIRA / MINDE está classificado pela Unesco com uma Zona Húmida Internacional – Sítio RAMSAR nº 1616, sendo um dos 31 lugares classificados em Portugal.

Com o objectivo de melhor conhecermos este extraordinário património natural e da necessidade de o preservar, valorizar e divulgar a sua riqueza e biodiversidade, a Casa do Povo de Minde em colaboração com o Movimento Mira Minde, e com o apoio de diversas entidades e organismos, vai levar a efeito um programa de comemoração da data com diversas actividades.

Uma caminhada pedestre pelo Percurso das 4 Nascentes e um encontro de canoagem são algumas das actividades matinais, e no período da tarde, no Cine Teatro Rogério Venâncio poderá visitar uma exposição temática e assistir a duas interessantes palestras pelo investigador JAEL PALHAS do Centre For Funcional Ecology sobre o tema a Biodiversidade das Zonas Húmidas, e pela Engª MARIA JOÃO SILVA, do Centro de Ciência Viva do Alviela que enquadrará o Polje como um sítio RAMSAR.

Serão ainda lançados vários concursos de ideias, concurso de Foto & Vídeo e um programa a desenvolver nas escolas da região.

A participação é livre e está convidado a juntar-se a nós.

O POLJE MIRA MINDE, designado localmente por Mata ou Mar de Minde, é um património internacional. Vamos cuidar dele!!

Com Cumprimentos,

A Casa do Povo de Minde

ANEXOS: Cartaz/Programa, Brochura do Evento e Vídeo do Polje.

Três sonetos de Luiz Vaz de Camões

Primeiro soneto:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
é ferida que doi e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealmente.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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COMO O RISCAR DO RELÂMPAGO | MARIA HELENA VENTURA

É bom saber de ti
saber apenas
assim como um clarão ilumina
a sofreguidão na linha da distância
ou como ou pássaro segue o outro
na cumplicidade do voo

Por um momento
fecho todos os ruídos no armário
e deixo que um piano toque
repetido na vigília dos acordes
até ao infinito
Aqui moram apêndices de rima
e uma sombra impossível de romper
num deserto temporário
de palavras

Pelo vagar das noites ponteadas
de janelas sem sono
ninguém te anuncia a não ser os beirais
gota a gota
quando um líquido fantasma
que não sei se bate à porta
ou se fecha devagar os meus olhos
abre um mar de profundos logros
na perplexidade

É um mensageiro teu
e tanto basta conhecer
um atalho molhado
pela chuva de fora
pela chuva de dentro
a inspirar uma luz intensa
de todas as cores
numa imóvel linguagem
de lembranças
bebidas até à última gota

MARIA HELENA VENTURA – INTERTEXTO SUBMERSO

Pour toujours | Carlos Drummond de Andrade

Pourquoi dieu permet
Que les mères s’en aillent ?
Maman n’a pas de limite,
C’est un temps sans heure,
Une lumière qui ne s’éteint
Quand souffle le vent
Et tombe la pluie,
Un velours caché
Au sein d’une peau rugueuse,
Une eau pure, un air pur,
Une pure pensée.

Mourir arrive
Soudainement
Et sans laisser de vestige.
Maman, dans sa grâce,
Est éternelle
Pour que dieu se rappelle
– mystère profond –
de la reprendre un jour ?
si c’était moi le roi du monde
je ferai une loi :
une mère ne meurt jamais
une mère resterai toujours
près de son fils
et lui, même vieux,
sera tout petit,
fait de grain de maïs.

Carlos Drummond de Andrade | photographie de ma mère (VCS)

Mon Regard | Le Gardeur de Troupeaux (Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Mon Regard | Le Gardeur de Troupeaux

Tout ce que je vois est net comme un tournesol.
J’ai l’habitude d’aller le long des routes
Tout en regardant à droite et à gauche,
Et de temps en temps derrière moi…
Or ce que je vois à chaque instant
Est cela même qu’auparavant jamais je n’avais vu,
Et je sais fort bien m’en rendre compte…
Je sais maintenir en moi l’étonnement
Que connaîtrait un nourrisson si, à sa naissance,
Il remarquait qu’il est bel et bien né…
Je me sens nouveau-né à chaque instant
Dans la sereine nouveauté du monde…

Je crois au monde comme à une marguerite,
parce que je le vois. Mais je ne pense pas à lui
Parce que penser, c’est ne pas comprendre…
Le monde ne s’est pas fait pour que nous pensions à lui
(Penser, c’est être dérangé des yeux)
Mais pour que nous le regardions et en tombions d’accord…
Moi je n’ai pas de philosophie : j’ai des sens…
Si je parle de la Nature ce n’est pas que je sache ce qu’elle est,
Mais c’est que je l’aime, et je l’aime pour cela même,
Parce que lorsqu’on aime, on ne sait jamais ce qu’on aime
Pas plus que pourquoi on aime, ou ce que c’est qu’aimer…

Aimer est la première innocence,
Et toute innocence ne pas penser…

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Quando Eu não te Tinha | Alberto Caeiro, in ‘O Pastor Amoroso’

Quando Eu não te Tinha

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima …
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza …
Tu mudaste a Natureza …
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou. 

Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro, in ‘O Pastor Amoroso’.

Há metafísica bastante em não pensar em nada | Alberto Caeiro | Heterónimo de Fernando Pessoa

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

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Poema | Maria Isabel Fidalgo

Um dia morrerão todos os dias

e sem barulho ou vaidade

adormeceremos longe do orvalho

das gaivotas loucas na orla das ondas

da luz infinita da sede no alvor da madrugada.

Sorveremos exaustos o silêncio térreo

longe dos deuses mortais que tudo sabem

dos festins do metal e deferências.

Um dia iremos para além da noite

sem que nos seja possível o retorno

da felicidade infinita num jardim menino.

Um dia, apesar do amor

o peso das canseiras

transformará o suor em frio

um galo há de cantar de madrugada

a chuva calará a sede dos campos

o sol repetirá a nobreza da alegria

como graça divina

e numa manjedoura, príncipes do nada

repetirão o pão que o diabo amassou.

 

Maria Isabel Fidalgo

Poema | Maria Isabel Fidalgo

Nesta manhã de sol rasgado
domingo triunfante de preguiça
a nitidez da luz esmorece os sobressaltos.
Resplandecem cores quase estrangeiras ao longe
ocorrem-me primaveras intensas na rosa encarnada da jarra
que me consente a breve graça da alegria.
Hoje exalto o dia e o mistério efervescente de claridade
este sagrado brilho onde o coração dos pássaros se ergue alto na ara dos olhos.
Hoje exalto esta matina clara
a planar numa colina onde se erguem voos
rendidos à destreza dos sentidos.
Depois cantamos.
és-me tão sempre quando te fazes cântico depois da noite.

«O caminho de Cristo é a única coisa que torna possível a nossa sobrevivência» | Martin Scorsese | Andrea Monda In L’Osservatore Romano

Quando a 21 de outubro passado se voltaram a encontrar, Martin Scorsese e o papa Francisco retomaram uma conversa como a que podem ter dois velhos amigos que se entendem sem esforço, ainda que a última vez que se tinham encontrado ocorreu praticamente um ano antes, a 23 de outunro de 2018, em Roma, por ocasião do encontro de jovens e idosos com o papa da apresentação do livro “A sabedoria do tempo”. O papa, depois de lhe ter perguntado pela esposa, quis saber informações sobre o seu novo filme, “The irishman”, e o realizador italo-americano explicou que se trata de uma película sobre o tempo e a mortalidade, a amizade e a traição, o remorso e o arrependimento pelo passado.

Entre os dois começou um diálogo tão simples quanto profundo, que depressa aportou ao nome de Dostoiévski, comum paixão de ambos, que com os seus romances faz de pano de fundo à obra do cineasta de “Os cavaleiros do asfalto” e “Silêncio”. E é precisamente do grande escritor russo que pretendo partir para retomar aquela conversa, ligando-me a “The irishman” e ao protagonista, Frank Sheeran (interpretado magistralmente por Robert De Niro), que surge como o único sobrevivente que, por isso, pode e deve falar, o único vivo que manda «notícias de uma casa de mortos». Não por acaso para todos os outros personagens, que fugazmente comparecem em cena, uma referência detém a imagem e indica-nos a data e a maneira, sempre violenta, da morte. Frank está vivo e fala, melhor, confessa-se, olhando fixamente para a câmara, nosolhos do espetador.

Este é outro filme profundamente espiritual da carreira de Scorsese. De resto, na longa entrevista dada ao P. Antonio Spadaro, aquando do filme anterior, “Silêncio”; o realizador de Nova Iorque revelou ser «obcecado pela espiritualidade», ou seja, pela pergunta sobre o que somos nós, seres humanos. Questão que, segundo ele, obriga cada um de nós olhar-se de frente, próximo, a olhar o bem e o mal que há dentro de nós.

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La femme philosophe rayée de l’Histoire | Hypatie d’Alexandrie in http://compediart.com

Connue comme la plus illustre des savantes antiques, Hypatie d’Alexandrie doit sa renommée à son sordide assassinat commis en public par des moines fanatiques. Pourtant, ce personnage fait encore l’objet aujourd’hui de nombreuses distorsions bien éloignées de la réalité historique. Retour aujourd’hui sur la véritable histoire d’une femme fascinante à plus d’un titre…

Née aux environs de 360 après Jésus-Christ dans une Alexandrie alors sous domination romaine, Hypatie suit l’enseignement de son père, le mathématicien Théon d’Alexandrie, avant de partir parfaire sa formation à Athènes où elle étudie notamment la philosophie. Quand elle revient dans sa ville natale, elle s’installe en tant que professeur, donnant des conférences publiques mais proposant aussi des cours privés aux jeunes gens de l’élite alexandrine. Son enseignement mêle mathématiques, sciences naturelle et philosophie néo-platonicienne et l’amène à devenir l’une des savantes les plus en vue d’Alexandrie à son époque. Bien qu’elle ne soit à l’origine d’aucune invention, Hypatie est reconnue pour ses brillantes qualités intellectuelles qui lui permettent d’étudier, synthétiser et commenter aussi bien des textes mathématiques que des traités astronomiques comme ceux du savant Ptolémée, un scientifique ayant vécu au début du IIème siècle à Alexandrie et étant notamment avec Aristote à l’origine de la théorie géocentrique du cosmos.

Les documents historiques au sujet d’Hypatie sont rares, et nous la connaissons surtout à travers sa correspondance avec l’un de ses disciples, Synésios, qui deviendra par la suite évêque de Ptolémaïs mais ne cessera de recourir à ses conseils intellectuels éclairés. A travers ces documents, Hypatie est présentée comme une femme très admirée tant pour sa grande intelligence que pour sa beauté et sa tempérance, restant vierge jusqu’à la fin de sa vie pour préserver sa liberté.

Pourtant, nous ne saurions sans doute rien d’Hypatie si elle n’était pas entrée dans la légende avec le sordide assassinat dont elle fut l’objet. En 415, alors qu’elle rentre chez elle, la philosophe est arrêtée par un groupe de moines fanatiques qui l’amènent dans une église où ils l’écorchent vivante avec des coquillages et des tessons de verre, avant de démembrer son corps et de le brûler sur une colline proche.

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Essa Gente | Chico Buarque

SINOPSE

Um escritor decadente enfrenta uma crise financeira e emocional enquanto o Rio de Janeiro colapsa à sua volta. Tragicomédia urgente, o novo romance de Chico Buarque, o primeiro depois da atribuição do Prémio Camões, encara de frente o Brasil do agora.

Autor de um romance histórico que fez furor nos anos 1990, o escritor Manuel Duarte passa por um deserto criativo e sentimental. Dividido entre várias ex-mulheres, espartilhado por pesadas dívidas, surpreendido por um filho de quem vai aprendendo a ser pai, Manuel Duarte bate perna nas ruas do Leblon no intervalo das horas em frente ao teclado, desesperando por um novo livro.
O pano de fundo é um Rio de Janeiro que sangra e estrebucha sob o flagelo de feridas sociais a cada dia mais ostensivas; cenário maior onde se desenrolam as feridas individuais das personagens, que juntas compõem um diário em que se procura fazer sentido do tumulto do presente.
Ao seu melhor estilo, Chico Buarque esfuma as fronteiras entre vida, imaginação, sonho e delírio, e constrói uma narrativa engenhosa, tão divertida quanto trágica, em cujas entrelinhas se descortinam as contradições de um país ameaçando despedaçar-se, assim como as deliciosas incoerências e ilusões da gente como nós.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«O livro de Chico é uma vertigem. Você é sugado pela primeira linha e levado ao estilo falso leve, a prosa depurada e a construção engenhosa até sair no fim lamentando que não haja mais, assombrado pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras. Literalmente assombrado.»
Luis Fernando Verísssimo, O Globo

O novo livro de Chico Buarque confirma (mesmo não sendo necessário) a qualidade da obra já conhecida. Para quem ainda não conhece, é um excelente ponto de partida. Para quem já é apreciador, é mais uma oportunidade de deslumbramento.
Ana Magalhães | 23-12-2019

À PROPOS D’ALBERT CAMUS | Yacine Bouzaher

Dans un échange avec une amie, j’ai émis un avis concernant l’œuvre de Camus, que je reproduis ci-dessous:
-“J’ai une lecture de l’œuvre et une interprétation de Camus, que je n’ai jamais vue par ailleurs, ou alors ça m’a échappé. Pour moi, Camus, c’est celui qui a ma connaissance, à le mieux donné à voir, à ressentir, la solitude profonde de l’être. Nous sommes cadenassés dans notre être ontologique, seuls face à nous-mêmes, cerné par le monde qui nous entoure. Et nous aurons beau faire, nous ne sortirons jamais de nous-mêmes pour fusionner avec le monde.

Paradoxalement, la prise de conscience d’exister, nous condamne à cet enfermement en soi. Et le fameux, je pense donc je suis, se transforme en je pense donc je suis seul en moi.

Il y a deux moments dans la vie, ou cette réalité de la condition humaine ( l’humain en tant qu’être pensant) font exception. Mais de manière fugace et peut-être illusoire. C’est, quand, bébé, on n’a pas vraiment ( encore que) conscience d’exister, la fusion avec la mère, Camus a un peu évoqué cela. Et quelquefois, dans la fusion de l’amour ( qui ne dure qu’un instant comme dit la chanson), surtout au moment ( c’est hélas pas toujours le cas) de l’orgasme sexuel, une infra seconde, le temps s’arrête et nous sortons de nous-mêmes, pour une extase partagée. À cet infinitésimal instant nous ne sommes pas seuls, sinon … 

Cette solitude pour fondement, je l’ai particulièrement ressenti à la lecture de “L’étranger”. Mais, on retrouve cette épaisseur, qui avec le temps se transforme en pavois, dans toute son œuvre, Sisyphe ( le mythe de Sisyphe), “Caligula”. Dans la pièce ” Le malentendu”, il aborde explicitement ce thème avec l’amour ( celui de la mère ou celui d’une femme) comme possibilité d’y échapper, mais encore une fois ce sera raté. Il ne restera que la solitude. Dans “La peste” ( œuvre à plusieurs tiroirs) nous retrouvons également cette dimension.”

Yacine Bouzaher 

Retirado do Facebook | Mural de Yacine Bouzaher

Nos 60 anos da morte de Albert Camus | Rui Bebiano in “A Terceira Noite”

O escritor húngaro Imre Kartész, antigo deportado de Auschwitz-Birkenau, resumiu numa frase curta a afeição imediata e duradoura por Albert Camus: «Amei imediatamente a sua liberdade, mas também a sua insolência». A par do impacto da voz literária, as marcas de independência e de insubmissão do autor de Os Justos têm sido determinantes para manter um poder de atração, uma irradiação de heroísmo e resistência, que têm cruzado diferentes épocas e circunstâncias. Eclipsadas as grandes narrativas do tempo histórico, muitos dos que foram perdendo as certezas acolheram com agrado aquela que foi, como escreveu nas memórias Maria Casarès, o amor de muitos anos, «a sua paixão pela justiça e pela verdade». A dilatação desta influência tem sido, no entanto, diretamente proporcional às incompreensões mantidas dentro do território político ao qual pertenceu.

Alguns dos seus personagens são modelos de egotismo e desapego pelos outros, mas o mesmo não se passou com o seu criador. Um Camus solidário apoiou os republicanos contra Franco e opôs-se à ocupação alemã («comecei a guerra como pacifista, terminei-a como resistente», anotará um dia). Em 1935 tornou-se militante do PCF, de onde sairia dois anos depois por rejeitar as posições moderadas sobre o fascismo e o colonialismo impostas por Estaline. Desta passagem guardará a desconfiança face ao doutrinamento, a certeza de que a ética individual não pode ceder ao transitório, e a convicção de que a esquerda não tem dono ou procurador. O afastamento aumentará em 1946 com os artigos aparecidos no Combat, sob o título genérico «Ni victimes, ni bourreaux», nos quais denunciou os campos de trabalho soviéticos. E depois com O Homem Revoltado, de 1952, onde exaltou a revolta como instante crítico da emancipação do indivíduo. O caráter libertador desse momento parecia-lhe, porém, ameaçado pela opção revolucionária. Ao instituir a violência e a supremacia do coletivo como uma necessidade, esta arriscar-se-á sempre a subverter e a arruinar o princípio último em nome do qual funda a sua insubmissão.

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