
Category Archives: Vítor Coelho da Silva
44) – C19 Upshot | As pandemias resultam da destruição da natureza, dizem a ONU e a OMS | Coronavírus pode impulsionar a pobreza global pela primeira vez desde os anos 90 | Paulo Querido
24 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave.
🦒 As pandemias resultam da destruição da natureza, dizem a ONU e a OMS
O comércio ilegal e insustentável da vida selvagem, bem como a devastação das florestas e outros locais selvagens, continuavam a ser as forças motrizes por detrás do número crescente de doenças que saltavam da vida selvagem para os seres humanos, disseram os líderes ao Guardian.
Apelam a uma recuperação verde e saudável da pandemia, em especial através da reforma da agricultura destrutiva e das dietas insustentáveis.
MANTAS DE MINDE – JÁ TÊM PADRINHO | TIAGO GUEDES


Candidatura a uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular – é apadrinhada pelo Minderico TIAGO GUEDES – director artístico do Teatro Municipal do Porto.
O Tiago Guedes foi aluno do Conservatório de Música e do Atelier de Dança do Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, em Minde. É coreógrafo, licenciado em Dança, pela Escola Superior de Dança de Lisboa. É detentor de um curriculum de referência nacional e internacional.
Nota – o padrinho é a personalidade escolhida por cada um dos candidatos, com a missão de o representar, nos diferentes programas que a RTP irá transmitir. Deverá ser uma figura pública, com grande notoriedade nacional, de origem ou com fortes ligações à terra do candidato que vai defender. No nosso caso, o Tiago reune todas estas condições e é um Minderico de sangue e de coração.
43) – C19 Upshot | Danos colaterais: as mortes por malária e tuberculose podem aumentar porque o mundo está fixado na Covid-19 | O número K é o novo número R? O que você precisa saber | Paulo Querido
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22 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade. |
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O frustrado concurso de beleza monástica | Crónica inédita (2008) | Carlos Esperança
Em 2008, um padre italiano propôs uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita, via internet. Face às críticas, voltou atrás e suspendeu tudo.
De onde vem este ódio ao corpo feminino, a fúria misógina, o ranger de dentes, perante a forma de um corpo, as curvas do desejo e a beleza da mulher?
Paulo de Tarso, um místico desequilibrado, rotulou o cabelo e a voz das mulheres como coisas obscenas e Agostinho de Hipona entrava em desvario por não poder resistir-lhes, e ambos foram santos na infância dos milagres, quando a produção em série estava por inventar e a Igreja católica era avara na produção de taumaturgos.
Mas que obsessão é essa dos que lhes querem cobrir o corpo, seja com o hábito, alvo, de freira ou com a negrura da burca, e esconder-lhes as formas, porque temem a beleza, e as reduzem a um corpo sem feitio porque lhe adivinham a inteligência da alma?
Não, não é dessa alma que falo, da criação ontológica que alimenta um deus sedento no Olimpo de todos os medos, da metafísica dos negócios pios, do pretexto para a renúncia à vida e ao sortilégio do amor. Falo da alma com que as mulheres cantam, riem, choram e gritam, da alma com que animam a vida, da alma com que amam e procriam, da força que lhes vem dos séculos de tirania e humilhação.
Quem oprime as mulheres são doentes de desejos reprimidos, inquietos com a perda do poder, célibes que temem o amor e o escândalo, maníacos da castidade que a educação e o múnus castram e que, no êxtase de fantasias sórdidas, se entretêm a inventar castigos.
Quando homens e mulheres descobrirem que a liberdade é feminina, dar-se-ão conta de que a igualdade não é uma utopia e a discriminação dos livros pios é uma afronta que se perpetua para gáudio de homens sós e eterna perdição da felicidade humana numa vida irrepetível.
Agosto de 2008
Carlos Esperança
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança
A mulher e as religiões | Carlos Esperança
Que demência misógina levou os patriarcas tribais da Idade do Bronze a impor a metade da Humanidade a subalternidade que castigou a mulher durante milénios e que, ainda hoje, 72 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, persiste? Não lhes ocorreu que ninguém é livre se alguém for escravo.
O que surpreende é a condescendência com a alegada vontade divina, a manutenção dos preconceitos que impuseram a infelicidade e indizível sofrimento das mulheres, como se os algozes não fossem filhos, irmãos, pais e avós das vítimas que querem perpetuar. O mais implacável dos monoteísmos é o paradigma do despotismo e do desprezo contra quem dá aos homens a vida e o amor, e lhes garante a eternização do ignóbil privilégio.
Carlos Esperança
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança
Le plus long voyage que tu feras dans la vie c’est celui qui mène la tête au cœur | Ancien proverbe Sioux

O MARTELO DE THOR | José Pacheco Pereira
«Eu gosto muito do meu país, mas não tenho muitas ilusões sobre ele. É um país atrasado, pouco desenvolvido, sem massa crítica, pouco culto, sem grande qualificação da mão-de-obra, muito dependente de vagas de superficialidade, onde a maioria das pessoas trabalha duramente para não receber sequer o mínimo vital, sem vida cívica autónoma do Estado, com uma economia débil, desindustrializado, com uma agricultura desigual, pouco cosmopolita, com muitos aproveitadores e alguns bandidos, mas aí como os outros.
É um país que cada vez menos tem autonomia política, dependente da transferência dos centros de decisão para Bruxelas. Aquilo em que somos melhores não coloca o pão no prato ao fim do dia, como agora se diz. Temos uma língua e uma literatura de valor universal, a melhor obra dos portugueses, mas ninguém come literatura. E temos uma democracia que é um valor que só quem sabe o que é ditadura percebe qual é. É mau? Não é mau, há muito pior, mas é sofrível, e sofrível não permite andar por aí a bater em pandeiretas.
O PRIMEIRO GLOBO TERRESTRE | apelidado “Maçã do Mundo” | 20 de Junho de 1492
Em Nuremberga, no dia 20 de Junho de 1492, ou seja, algumas semanas antes da descoberta do “Novo Mundo”, o cartógrafo e navegador Martin Behaim conclui a construção do primeiro globo terrestre. Em colaboração com o pintor Georg Glockenthon, Behaim construiu-o entre 1491 e 1493 aquando da sua permanência em Nuremberga, denominando-o “Erdapfel”, ou seja, “maçã do mundo”. O original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum de Nuremberga e é uma das obras de arte mais descritas da Europa.
O Globo de Behaim, também conhecido como Globo de Nuremberga, seguiu a ideia de um globo construído por volta de 1475 para o papa Sisto IV, porém melhorando a representação e incluindo meridianos e a linha do Equador. Este globo, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encontra-se conservado na sua cidade natal.
A rotundidade da Terra, posta em evidência dois mil anos antes, não era já dúvida para ninguém. Entretanto, houve necessidade de mais meio século para compreender, a partir de Copérnico, que a Terra é que gira em torno do Sol e é só um planeta no meio de outros.
É certo que os Sumérios, devotados à astronomia e que viviam na Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo, representavam a Terra como um disco chato pousado sobre um oceano sem limites.
O PADRE ANTÓNIO VIEIRA E A ESCRAVATURA | por João Pedro Marques – (2018)
Seria o padre António Vieira um defensor da escravatura dos africanos? A resposta, depois do que ficou exposto, é claramente não. Aceitar ou tolerar não são sinónimos de defender ou promover.
“Cada Um é da Cor do seu Coração” (…) é uma seleção de textos representativos do pensamento do padre António Vieira sobre a escravatura. Trata-se de uma obra muito útil pois continuam a escrever-se e a dizer-se coisas incrivelmente ignorantes sobre a forma como Vieira via a escravatura dos africanos. Algumas confusas cabeças deram, até, em acusá-lo de ser um acérrimo defensor da escravidão dos negros. Terá isso algum fundamento?
CUBISM | MARCEL DUCHAMP | The Chess Players, 1911 | Oil on canvas 100.6 x 100.7 cm | Philadelphia Museum of Art, Philadelphia.

42) – C19 Upshot | Devemos visar a imunidade do rebanho, como a Suécia? | Estarão as nações mais seguras do coronavírus quando as mulheres lideram? | Paulo Querido
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17 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave. |
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41) – C19 Upshot | Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo? | “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta | Paulo Querido
16 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.
🇪🇺 Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo?
No meio da discussão sobre possíveis instrumentos financeiros para fazer face aos custos da pandemia, já está à vista o problema básico que poderá surgir quando a emergência sanitária tiver terminado. Itália e Espanha foram duramente atingidas pelo vírus, mas Portugal – com menos casos – também se sentiu atacado por declarações políticas vindas do Norte da Europa.
A retórica do confronto Norte-Sul voltou à política da UE, com o risco de minar a confiança dos poucos italianos eurófilos que ainda restam e de marcar uma mudança de tendência em Espanha e Portugal. Se o europeísmo ingénuo sofrer uma mutação, como o vírus, aprofundará a divisão Norte-Sul.
Mário Centeno e o Banco de Portugal | Carlos Esperança
Grassa uma onda de ódio partidário contra Mário Centeno, por sair do Governo, para os que não queriam que tivesse entrado, por ser competente, para quem nunca se resignou com o seu mérito, por presidir ao Eurogrupo, para quem considerou uma piada do 1.º de abril o seu prestígio, enfim, ressentimento, inveja e vingança contra quem suportou Cavaco e Passos Coelho a vaticinarem a vinda do Diabo e a difamarem o governo PS, porque BE, PCP e PEV o apoiaram, alheios ao prejuízo nos juros da dívida soberana.
A saída do ministro, prevista há muito, com eventual ida para Governador do Banco de Portugal, expôs a vileza da inveja, a mesquinhez da vingança e a baixeza do ódio.
A pressa de impedir que a personalidade mais qualificada ocupe o lugar para o qual tem perfil, qualificação, currículo e experiência ímpares, é a tentativa tosca de criar uma lei ‘ad hominem’ contra o mais competente ministro das Finanças da democracia.
Surpreende que não trema a mão a quem apoiar uma lei, sem precedentes, com a pressa da perseguição a uma personalidade a quem todos somos devedores.
Calculo a azia que despertou a revista The Banker, um suplemento do Financial Times, ao revelar na última quarta-feira que o ministro das Finanças português, Mário Centeno, foi considerado em 2019 o melhor ministro das Finanças do ano, na Europa.
Doem os elogios da generalidade dos ministros das Finanças do Eurogrupo onde, tantas vezes, conseguiu dirimir divergências que pareciam insanáveis e, sobretudo, o prestígio que a sua competência técnica granjeou. Não é fácil absolver o ministro que conseguiu baixar o clássico défice orçamental de Portugal e teve o descaramento de conseguir um superavit orçamental.
Em democracia, foi uma situação inédita desde há 105 anos, quando Afonso Costa, PM, em acumulação com ministro das Finanças, obteve em 1912/13 um lucro 117 mil libras-ouro e em 1913/14, 1257 mil libras ouro.
Aguardo pelo voto dos partidos para decidir o meu nas eleições presidenciais. Já tinha um/a candidato/a entre os que prevejo na corrida presidencial, e decidirei de acordo com o voto do seu partido em relação a Centeno.
É deplorável que a competência, dedicação e integridade sejam motivo de represália.
Há quem preferisse que se tivesse vendido a um fundo abutre e acumulasse com o lugar de deputado, um precedente inexplicavelmente esquecido.
Carlos Esperança
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança
Intervenção do cardeal D. José Tolentino Mendonça no dia 10 de Junho de 2020
Larry Beckett & Tim Buckley | Song to the Siren
Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
‘Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me, sail to me
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me ?
Were you hare when I was fox ?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing
‘Touch me not, touch me not
Come back tomorrow
Oh my heart, oh my heart
Shies from the sorrow’
I am puzzled as the oyster
I am troubled as the tide
Should I stand amid your breakers ?
Or should I lie with death my bride ?
Hear me sing
‘Swim to me, swim to me
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you’
This Mortal Coil – Song To The Siren | Elizabeth Fraser
Pablo Picasso | “mother and son”

40) – C19 Upshot | Das ruínas não vem necessariamente a nova ordem e a mudança pode ser pior | O efeito das políticas anti-contágio em grande escala na travagem da pandemia da COVID-19 | Paulo Querido
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12 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque. |
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39) – C19 Upshot | O Sars original desapareceu. Porque é que o coronavirus não faz o mesmo? | Rastreador de infecções | Paulo Querido
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9 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade. |
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38) – C19 Upshot | Cinco maneiras de o coronavirus transformar a União Europeia | O racismo, não a genética, explica porque os americanos negros estão a morrer da COVID-19 | Paulo Querido
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8 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade. |
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O Momento Chernobyl de Trump e Bolsonaro? | Francisco Louçã | in Jornal Expresso
Não foi o acidente nuclear de Chernobyl em 1986 que derrubou o regime soviético, que se viria a desagregar irreversivelmente com a queda do Muro em 1989 e com o golpe militar em 1991. O poder de Gorbachov, que já representava uma transição, fracassou cinco anos depois, no fim de um longo processo em que foi corroído por contradições internas, pelo esgotamento económico e pelo desgaste social, acentuado pela derrota na guerra do Afeganistão. O acidente foi somente um choque que se sobrepôs a essa exaustão. Mas, por isso, foi também um momento trágico que revelou a fragilidade do Kremlin, sobretudo pela tentativa de ocultação, pela revelação da impotência e pela impopularidade que multiplicou. O tempo de Chernobyl foi a mentira e a revelação da mentira e, com isso, o início do fim de uma era.
A pandemia pode ser o Momento Chernobyl da extrema-direita no poder em países poderosos, como os Estados Unidos ou o Brasil. O caso com maiores implicações internacionais será o de Trump que, nas suas deambulações justificativas e na verve desculpatória, revela uma obsessão pelo interesse económico de curto prazo contra a proteção das vidas. E aí entra o efeito Chernobyl: ele precisa de ocultar o desprezo pela população e, sobretudo, a sua calculista impotência perante a doença.
Ton rire | Pablo Neruda
Tu peux m’ôter le pain,
m’ôter l’air, si tu veux :
ne m’ôte pas ton rire.
Ne m’ôte pas la rose,
le fer que tu égrènes
ni l’eau qui brusquement
éclate dans ta joie
ni la vague d’argent
qui déferle de toi.
De ma lutte si dure
je rentre les yeux las
quelquefois d’avoir vu
la terre qui ne change
mais, dès le seuil, ton rire
monte au ciel, me cherchant
et ouvrant pour moi toutes
les portes de la vie.
À l’heure la plus sombre
Égrènes, mon amour,
Ton rire, et si tu vois
Mon sang tacher soudain
Les pierres de la rue,
Ris : aussitôt ton rire
Se fera pour tes mains
Fraîche lame d’épée.
Dans l’automne marin
Fais que ton rire dresse
Sa cascade d’écume,
Et au printemps, amour,
Que ton rire soit comme
La fleur que j’attendais,
La fleur guède, la rose
De mon pays sonore.
Moque-toi de la nuit,
Du jour et de la lune,
Moque-toi de ces rues
Divagantes d’île,
Moque-toi de cet homme
Amoureux maladroit,
Mais lorsque j’ouvre, moi,
Les yeux ou les referme,
Lorsque mes pas s’en vont,
Lorsque mes pas s’en viennent,
Refuse-moi le pain,
L’air, l’aube, le printemps,
Mais ton rire jamais
Car alors j’en mourrais.
(Pablo Neruda, Les vers du Capitaine, 1952. Aussi in Neruda par Skarmeta », Paris, Grasset, 2006, pp. 127-128.)
A NOVA ORDEM MUNDIAL NÃO É UMA ‘TEORIA DA CONSPIRAÇÃO’ | José Gabriel Pereira Bastos
Quem se informa sabe que a Nova Ordem Mundial é um Projecto Imperial Anglo-Americano, herdeiro do Secretismo Maçónico (inscrito na nota do Dollar) e do Suprematismo WASP (racista), dotados de um “Destino Manifesto” e de um “Excepcionalismo” que configuraram o século XIX americano, projecto esse criado com Instituições próprias (Council on Foreign Relations, em Nova York, Chattam House, em Londres), logo à saída da Guerra de 1918, tendo enormes desenvolvimentos funcionais entre guerras, que não cabe aqui enunciar.
(“The Century of the Self”, abaixo, pode servir de Introdução).
A vitória de 45 levou ao relançamento de novas Organizações Instrumentais (NATO, ONU e organizações satélites, etc.) e de inúmeras “iniciativas privadas”. antevendo e propulsionando o futuro WASP Idealizado.
Em 1952, Bertrand Russell publicou “A última oportunidade do homem” (New Hopes for a changing world, New York, Simon and Shuster), contendo o Projecto Despótico da Globalização Anglo-Americana (que o Brexit actual vai reforçar), sob a forma antevista e proposta de uma Ditadura Militar por um século até que todos os povos dos cinco continentes se submetam pela Força à “Nova Democracia Mundial” WASP.
Hipernormalisation (2016) | Legendado | Documentário do cineasta Adam Curtis
Documentário do cineasta Adam Curtis. O filme argumenta que desde a década de 1970, os governos, o mercado financeiro e os tecnocratas desistiram do complexo “mundo real” em prol de um “mundo falso”, mais simples, comandado pelas corporações e controlado pelos políticos.
A reeleição de Trump e a destituição de Bolsonaro — os efeitos da reputação | Carlos Matos Gomes
Reputação tem origem no latim, reputatio, -onis, e significa ponderação, conceito favorável ou desfavorável. Como palavras relacionadas o dicionário apresenta, reputaria e figurona.
A comunicação social nacional e internacional tem referido como questões importantes a reeleição de Trump e a destituição de Bolsonaro, a este através do processo que os brasileiros designam por “impinchamento”, dentro da mesma lógica que os leva a chamar “midia” à comunicação social. Já sobre a reputaria não é conhecida adaptação. A palavra e o conceito valem por si.
À primeira vista a eleição de presidentes dos EUA e do Brasil seria um assunto importante para a comunidade internacional. Os EUA são uma superpotência planetária e o Brasil a maior potência na América do Sul, além de falar uma versão do português e de lá viver uma numerosa comunidade portuguesa. Não é assim. Trump e Bolsonaro conseguiram o feito de tornarem as suas eleições e destituições irrelevantes! E não só as deles, como a dos que lhes venham a suceder! Eles destruíram a reputação dos seus países. Transformaram a reputação em reputaria e eles próprios se assumiram como figuronas, ou, em termos de Carnaval de Torres Vedras, como matrafonas.
Acórdão do Tribunal Constitucional Alemão sobre o programa de compra de ativos do BCE | Texto de José Luís da Cruz Vilaça | Introdução de Paulo Sande | in Facebook
Este texto resume o essencial da análise feita por José Luís da Cruz Vilaça ao acórdão do Tribunal Constitucional Alemão sobre o programa de compra de ativos do BCE.37) – C19 Upshot | A distância social como guerra civil | Desinformação no púlpito | Paulo Querido
4 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque
🧍↔️🧍 A distância social como guerra civi
A separação entre cidadãos imposta pelo coronavírus, e que em princípio apenas diz respeito à separação física, tem sido chamada de “distância social”, alargando à sociedade o que se refere aos corpos. Talvez tenha sido um acto de poder falhado, talvez seja devido a uma intenção obscura, mas o certo é que nos faz pensar no início do fragmento 25 da Sociedade do Espetáculo: “A separação é o alfa e o ómega do espectáculo”.
POÈME “HOMME de COULEUR” de Léopold Sédar SENGHOR
Quand je suis NÉ, j’étais NOIR !
Quand j’ai GRANDI, j’étais NOIR !
Quand j’ai PEUR, je suis NOIR !
Quand je vais au SOLEIL, je suis NOIR !
Quand je suis MALADE, je suis NOIR !
Quand tu es NÉ, tu étais ROSE !
Quand tu as GRANDI, tu es devenu BLANC !
Quand tu vas au SOLEIL, tu deviens ROUGE !
Quand tu as FROID, tu deviens BLEU !
Quand tu as PEUR, tu deviens VERT !
Quand tu es MALADE, tu deviens JAUNE !
Et APRÈS tout ça,
Tu oses M’APPELER,”HOMME de COULEUR” !!!
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Poème de : Léopold Sedar Senghor,
né le 9 octobre 1906 à Joal, au Sénégal,
et mort le 20 décembre 2001 à Verson, en France,
est un poète, écrivain, homme politique sénégalais
et premier président de la République du Sénégal (1960-1980)
et il fut aussi le premier Africain à siéger à l’Académie française.
Il a également été ministre en France avant l’indépendance de son pays.
Cláudio Torres | D. Afonso Henriques não conquistou Lisboa aos mouros, foi aos cristãos | in revista Sábado
23.02.2018 07:24 por Carlos Torres
O arqueólogo, especialista em cultura islâmica, desfaz vários mitos da História. Defende que não houve invasões muçulmanas em massa na Pensínsula Ibérica nem a batalha de Covadonga, onde Pelágio se tornou um herói do cristianismo. “O isão chegou cá pelo comércio, não foi imposto à espadeirada”
Cláudio Torres olha para o buraco no tecto, por onde entra a pouca luz do sol de Inverno, e exclama: “Foi aqui que tudo começou”. O “aqui” é a cisterna medieval, junto ao castelo de Mértola.
“Quando cá vim pela primeira vez, em 1976, trazido pelo presidente da Câmara, o Serrão Martins, meu aluno de História na Faculdade de Letras de Lisboa, havia uma grande figueira junto a este buraco. Espreitei lá para dentro, aquilo estava cheio de lixo, e logo na altura apanhei vários cacos de cerâmica islâmica”.
Sentado no que resta das paredes de uma casa com 900 anos, Cláudio Torres aponta para o terreiro junto ao castelo: “Os miúdos costumavam vir para aqui brincar. Havia hortas, assavam-se galinhas, namorava-se às escondidas. Em 40 anos, mudámos isto: já desenterrámos o bairro almóada do século XII, o baptistério do século VI e o palácio episcopal. Se continuarmos a escavar, vamos encontrar o fórum romano”.
Hoje com 78 anos, Cláudio Torres anda a escavar Mértola desde 1976. O arqueólogo instalou-se em definitivo com a mulher e as filhas na vila alentejana em 1985. Fundador e director do Campo Arqueológico de Mértola (trabalho que lhe valeu, em 1991, o Prémio Pessoa), é um dos mais conceituados investigadores da civilização islâmica no Mediterrâneo.
Marcelino Sambé and Lauren Cuthbertson in The Cellist, The Royal Ballet ©2020 ROH. Photograph by Bill Cooper
35) – C19 Upshot | Não é *SE* foi exposto ao Coronavírus. É *QUANTO*. | A economia está de pernas para o ar. E agora? | Paulo Querido
| 1 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, JL Andrade, Ana Roque. |
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Royal Opera House | The Cellist with Marcelino Sambé and Lauren Cuthbertson
Albert Einstein | Baruch Spinoza
Quand Albert Einstein donnait une conférence dans les nombreuses universités des États-Unis, la question récurrente que lui faisaient les étudiants était :
Vous, Monsieur Einstein … Croyez-vous en Dieu ?
Ce à quoi il répondait toujours :
Je crois au Dieu de Spinoza.
Seuls ceux qui avait lu Spinoza comprenaient …
Spinoza avait passé sa vie a étudier les livres saints et la philosophie, un jour il écrivit :
Je ne sais pas si Dieu a réellement parlé mais s’il le faisait, voici ce que je crois qu’il dirait aux croyants :
Arrête de prier et de te frapper à la poitrine !
34) – C19 Upshot | Ideologia e coronavírus | Como é que um vírus se espalha nas cidades? É um problema de escala | Paulo Querido
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29 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Nuno Andrade Ferreira, Ana Roque. |
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Fátima no século XXI | Alexandre Marto
Violeta Parra | “Gracias a la vida”
CARMEN by Antonio Gades & Carlos Saura | Teatro Real de Madrid | ANTONIO GADES COMPANY
33) – C19 Upshot | A anarquia pós-COVID que se avizinha | Dominic Cummings: as pessoas poderosas têm maior probabilidade de violar as regras – mesmo as feitas por elas | Paulo Querido
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28 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Nuno Andrade Ferreira, JL Andrade. |
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28 de maio de 1926 | Carlos Esperança
Há 94 anos teve lugar o golpe de Estado de que viriam a apropriar-se as pessoas erradas para a mais longa ditadura europeia.
O integralismo lusitano, o nacional-sindicalismo e a Cruzada Nun’Álvares tinham feito o caminho para que o nacional-catolicismo se transformasse no fascismo paroquial de Salazar, um professor da Universidade de Coimbra, sem mundo e sem visão de futuro.
Salazar foi o protagonista da longa ditadura que adiou Portugal. Ficou “orgulhosamente só” a liderar o país onde o analfabetismo, a mortalidade infantil, a tuberculose e a fome foram a imagem do regime, para acabar na tragédia da guerra colonial.
Salazar saiu da aldeia do Vimioso para o seminário de Viseu e, daí, para a Universidade de Coimbra onde dirigiu a madraça do CADC que havia de fornecer-lhe os quadros para a repressão que o manteve no poder. Não recebeu a tonsura no seminário, mas fez do País uma sacristia.
27.5.20 | Querem mesmo um ensino sem aulas presenciais? | Francisco Louçã | in blog Entre as Brumas da Memória
«Confesso que fiquei surpreendido quando ouvi um dirigente sindical criticar a abertura das aulas para o 11º e 12º anos. O que começou por dizer pareceu-me convincente: é preciso garantir a segurança de alunos, professores e funcionários. Mas depois acrescentou, se bem registei, que preferia que se mantivessem as aulas à distância. Eu não prefiro. Por isso é que gostaria de ter ouvido algo mais, que temos que nos mexer para ter as condições para voltar à vida das escolas. O mais depressa possível. Sem aulas presenciais não há ensino.32) – C19 Upshot | COVID-19 e a normalização da vigilância em massa | Impacto económico da pandemia poderá atingir 8,8 biliões de dólares a nível mundial | Paulo Querido
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26 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Paulo Querido, JL Andrade. |
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Catherine Marie COLON | ART MARKET FAIR 2020, 4 – 8 juillet sur ART TV CHANNEL

31) – C19 Upshot | Como sabemos que a democracia está quebrada se não sabemos o que é? | Erradicar o vírus é impossível. Libertem as praias | Paulo Querido
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25 mai 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido. |
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БЕРЁЗКА – BERIOZKA – ENSEMBLE FOLKLORIQUE RUSSE
UE | UMA VISÃO OPTIMISTA, APESAR DE TUDO | Do lado certo da história | Bernardo Pires de Lima
A proposta franco-alemã vai muito além dos 500 mil milhões de euros. Responde à enésima crise europeia, forjando o aprofundamento da integração, reflete a evolução qualitativa no debate alemão e tem a ambição de moldar positivamente a globalização. Cinco páginas que podem ficar na história.
Já dizia Jean Monnet, o europeu nunca eleito mais importante do pós-Guerra, que a “Europa será forjada em crises”. Caro Monnet: tem sido na mouche. Guerras totais ou regionais forçaram a paz improvável entre a França e a Alemanha ou entre repúblicas da antiga Jugoslávia. Crises económicas ou choques geopolíticos aceleram adesões, transições democráticas e transferências voluntárias de soberania para fortalecer políticas comuns. Crises e integração europeia têm andado de braço dado desde sempre. Por outras palavras, a consolidação da paz, através do comércio e da diplomacia, e o alargamento da geografia democrática, têm sido as duas grandes estratégias de sucesso destes 70 anos de Europa progressivamente integrada.
O Harakiri de uma civilização | Carlos Matos Gomes
Uma ideia de explicação para os aviões cheios e os espetáculos a meia casa
Aviões a 100%?! “Expliquem-me, como se eu fosse uma criança”, pedem tantos bons amigos. É o título da crónica de uma jornalista do DN. Outros apontam o seu desapontamento contra a Diretora Geral de Saúde: perdeu toda a credibilidade! Então o vírus mata numa sala de espetáculos e não mata num avião!
Esta é a minha humilde explicação. A decisão faz todo o sentido dentro dos princípios da nossa civilização. É racional. É uma resposta de sobrevivência da nossa velha civilização. Mais, é a decisão que permite responder ao vírus, isto é, pagar os serviços públicos de saúde que lhe responderam e os serviços de segurança social públicos que permitiram a sobrevivência de tantos europeus que viram os seus rendimentos diminuírem ou desapareceram precisamente por os aviões não voarem. E eles, os aviões comerciais, a aviação comercial com todos os serviços associados, aeroportuários, logística, foram desenhados para gerarem lucro (ou riqueza) apenas se os aviões voarem cheios, ou perto disso (+ de 75% da capacidade).
INTIMIDADES | Tiago Salazar
Se vos contar uma história baseada em factos reais vão acompanhar-me até ao fim? Vão voltar atrás, e reler, e tentar entrar na intenção do autor? Vão perorar aí em baixo, clicar numa das opções reactivas? Vão comentar com acidez ou escárnio sem clicar no gosto por desdém irritativo? Faltam aqui patilhas do não gosto, não curto, não me identifico, ou uma que me apraz, vai-te catar. Mas isto hoje é sério. Ser levado a sério implica toda uma reputação de conduta retrospectiva. Como para votar num indivíduo há que apurar do seu currículo, de públicas virtudes e impúdicas particulares. O Bill, por exemplo, ganhou ou perdeu mais pelo facto de se aprestar a um fellatio na sala oval? Entre os machos, marcou pontos de virilidade, sobretudo os de pele rosada e cheínhos. Entre as fêmeas púdicas, recebeu as ovações de porco, canalha, sacana, facínora, no pressuposto de que o adultério é um crime solitário. Não sabemos se o Bill vivia numa relação aberta e a Hillary não andava em coboiadas, ou se o casamento não era apenas um contrato social de onde a sexualidade estava arredada. Que sabemos, no fundo, dessas coisas pudibundas que alimentam o voyeurismo, aqui, a jusante, ou na Ferrante, que fala disso, desabrida como poucos?
Minde | Marta Menezes interpreta Vianna da Motta
MIAT Museu Industrial e Artesanal do Têxtil | Mira de Aire
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30) – C19 Upshot | Como viveremos a seguir ao vírus | A vacina para todos será uma (cara) quimera | Paulo Querido
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Eu Nunca Guardei Rebanhos | Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Dmitri Shostakovich | The Second Waltz
Olha amor | Maria Helena Ventura
Olha amor
faz diferença pôr a música de Bach no poema
enfeitar o teu nome com pedras de coral?
Ainda há pouco os pássaros cantavam entre os dedos
e em círculos pequenos embalavam as bússolas
na pulsação dos vocábulos.
Por aí sei que a noite vive à pressa o prazer efémero
na urgência dos minutos ruidosos
esquecida do silêncio vagaroso
e do fluido que me basta para esculpir um rosto
no contorno do teu.
Talvez o mais parecido com um texto
ou figura verbal desta imperícia
atravesse a distância e vá desaguar nas penas
de um rouxinol concebível.
De um portal entreaberto na frágil textura do meu peito
fugiu-me num estremecimento
antes de o decifrar completamente.
Se os teus dedos apontarem o local de partida
dita-me tu o que resta dele
com os sinais da luminosidade
recolhida numa tela de palavras
tuas, minhas, de nós todos.
Travo uma batalha cada vez mais dura
com o sono autoritário.
Esta ordem às pestanas: investir, retroceder
remete para a urgência de repetir a pergunta
rasando horizontalmente o campo
onde hei-de tombar de vez:
posso deixar escorrer a música de Bach
no rio da tua ausência?
Maria Helena Ventura – Intertexto Submerso
Retirado do Facebook | Mural de Helena Ventura Pereira
Tela de Kandinsky, sem título, de 1925.
Choeurs de l’Opéra National de Paris | La Traviata de Giuseppe Verdi
Bolero de Ravel
Um pouco sobre as origens do nosso País | Jorge Alves
Bom dia, amigos. Se estiverem de acordo, vamos falar hoje um pouco sobre as origens do nosso País. Decerto todos ouviram falar do Condado Portucalense. Mas o que era exactamente esse condado? Como surgiu? E porquê essa designação? Alguns de vocês estarão decerto a pensar que surgiu com o pai de D. Afonso Henriques. Mas não. Surgiu muito antes. Mais de 200 anos antes. Uma ressalva – estamos a falar da Alta Idade Média, altura em que os textos existentes eram muito escassos. Para piorar ainda um pouco mais a situação, poucos chegaram até nós. Fazer um retrato do que se passou há tantos anos é um pouco como montar um puzzle às cegas. O que daí resulta é algo nebuloso e com pouco grau de certezas. Mas há algumas.
Sabemos, por exemplo, que onde se situa hoje a cidade do Porto já durante a ocupação romana havia então dois núcleos importantes – Portus, no que é hoje a Ribeira, e Cale, na Penaventosa, onde está o Morro da Sé. Com o passar dos anos, Cale expandiu-se e desceu até ao rio, de onde surgiu o topónimo Portucale. Erradamente, muita gente julga que Cale corresponderia à actual Gaia. Mal, já se vê. O texto mais antigo onde surge o topónimo Portucale é-nos apresentado pelo bispo galaico-romano Idácio de Chaves, que viveu no século V (há mais de 1.500 anos!) e que nos relata a desordem resultante da desagregação do Império Romano e de como tribos bárbaras vindas do Norte e do Leste da Europa se apossaram da Península Ibérica a partir do ano 408.
CATARINA EUFÉMIA | Sophia de Mello Breyner Andresen | “Dual”, 1962
O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente
Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos.
Natalia Osipova | Stonehenge


POLISBIGAMIA | Tiago Salazar
Eu, pecador, confesso a minha pólisbigamia: entre Lisboa e Porto, nunca virá o Diabo a escolher por mim.
Amo as duas (perdidamente). Às duas me quedo aos pés e às beiras dos seus maviosos rios. Às duas incenso as carnes de senhoras rústicas e chiques. Às duas teço odes de paixão eterna em letra de vate e bardo. Que flores suas mais me falam ao peito se apenas uma, de cada uma, me fosse dado escolher? Há uma curva na estrada, toda ela iluminada por luzes baixas quando a noite se abeira, feita sobre o cotovelo do rio como uma tiara. Ali se passa de carro mormente, mas para quem se apreste a caminhar, há um paredão discreto nas traseiras de onde melhor se avista a força do braço fluvial apenas perturbada no seu curso por pilares de ferro ou pedra das pontes que o encimam e afagam a vista.
Em Lisboa, nada mais convém à minha alegria de filho ali nado e criado do que descer ao rio, onde este leva o nome de mar e se aquieta como as palhas e espigas num palheiro defendido das batidas do vento. Entre canaviais e o lodaçal da corrente baixa, tenho em mim todas as alegrias do mundo, alheio e distraído por momentos dos seus desvarios, com o recuo prazeroso e ingénuo ao tempo das barcaças fenícias e dos sane per aqua romanos onde hoje se acolhem as paredes cobertas de pó e fuligem do beato.
Tiago Salazar
Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar
Romy Schneider & Michel Piccoli “La chanson d’Hélène”
Na Primeira Pessoa | Monsenhor Luciano Guerra | Partes 1/2/3
Nietzsche e o cristianismo | in Revista Cult
Interessa ao filósofo não a verdade histórica, ou seja, o texto da verdadeira pregação do Cristo, mas a reconstituição de seu tipo psicológico.
Que possibilidades restam hoje para um diálogo entre Nietzsche e o Cristianismo? Tomemos a frase de O anticristo que, de imediato, nos lança no campo filológico das relações entre texto e interpretação: “Eu volto atrás. Conto a autêntica história do Cristianismo (des Chirstenthums). Já a palavra ‘Cristianismo’ (Christenthum) é um mal entendido – no fundo houve um único cristão, e este morreu na cruz. O ‘Evangelho’ morreu na cruz.”1.
O Cristianismo (Christenthum) é um mal entendido porque resulta de uma falsa interpretação do Evangelho, da vida de Jesus de Nazaré. “O ‘Evangelho’ morreu na cruz” – isso significa que o mal entendido consiste na fé cristã, tal como esta se apresenta no Cristianismo histórico. Desvirtua-se a Boa Nova de Jesus, considerando-a sob a óptica teológica do pecado, da culpa e do castigo; tomando-o como vítima expiatória de um sacrifício vicário.
Nietzsche estabelece uma oposição entre Christenthum (Cristianismo) e Christlichkeit e Christ-sein (respectivamente Cristianicidade e ser-cristão). O Cristianismo ‘oficial’ consiste na redução do Ser-cristão, da espiritualidade própria à Cristianicidade, a dogmas, fundamento da crença eclesiástica.
“Reduzir o Ser-cristão, a Cristianicidade a um ter-por-verdadeiro, a uma mera fenomenalidade da consciência, significa negar a Cristianidade. De fato não houve em absoluto cristãos. O ‘cristão’, aquilo que há dois milênios se chama cristão, é meramente um mal entendido psicológico.!”2?
Voltar aos Evangelhos, dia após dia | Frederico Lourenço
Levado pela curiosidade e ajudado pela propensão poliglota com que tive a sorte de nascer, em 57 anos de vida já li muitos textos em várias línguas. Mas os quatro textos a que volto sempre são os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, que leio todos os dias em grego e também nas luminosas traduções latinas conhecidas como «Vetus Latina» e «Vulgata» (no caso dos Evangelhos, «Vulgata» designa no fundo a «Vetus Latina» retocada por Jerónimo).
Por estranho que pareça, o facto de eu ter publicado uma tradução dos Evangelhos e de eles fazerem parte do meu quotidiano não trouxe o efeito que eu previa de familiaridade, muito menos o que eu receava de banalidade. Estes textos, que conheço de trás para a frente, nunca me são familiares, porque são todos os dias uma descoberta fulminante; e, em vez de o meu estudo operar um efeito de banalização, o que acontece é que estes textos se me tornam cada vez mais especiais, mais únicos – e, ao mesmo tempo, mais enigmáticos, mais ambíguos, mais difíceis de entender.
1962 | First photograph of the Rolling Stones

Campanha Green New Deal para a Europa | DiEM25
Vamos ter mais uma sessão de boas vindas para a nossa campanha do Green New Deal para a Europa (GNDE), na próxima sexta-feira, 22 de Maio, pelas 17h00 CEST (16h00 hora de Portugal). A sessão será em inglês.
Se estiveres interessado(a) em te juntares à equipa, mesmo que seja apenas uma ou duas horas por semana, esta sessão é uma grande oportunidade para conhecer melhor as ideias, princípios e estratégias da nossa campanha. É também uma boa oportunidade para falar com o coordenador principal da campanha e tirar todas as dúvidas sobre este tema.
O Green New Deal para a Europa é uma campanha internacional para uma transição rápida, justa e democrática para uma Europa sustentável. O nosso relatório descreve um plano pormenorizado para a Europa alcançar este objetivo — agora só temos de construir as bases para concretizarmos a mudança (ver aqui também o resumo em português).
Amore e Psiche | Antonio Canova | 1793

GARRAS DOS SENTIDOS | Agustina Bessa Luís
Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.
São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.
Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.
São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.
Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.
Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.
Agustina Bessa-Luís | Tiago Salazar
AGUSTINA I Nos idos tempos de repórter de “O Diabo”, dirigido por Vera Lagoa, fui de piquete à Rua do Golgota, ao Porto, entrevistar a “Senhora Agustina”. Estávamos no final dos anos 90 do século XX e Portugal vivia as ilusões do cavaquismo, de opulência pacóvia e populismo. Havia sempre perguntas rebeldes e entrevistados notáveis. Era a regra do jogo. Lera apenas, da biblioteca herdada do meu tio António Galvão Lucas, seu correspondente próximo, “A Sibila” e o tributo apaixonado a Duhrer. Iria falar-se mais da vida e menos da obra, embora nela a fronteira se revelasse ténue. As feições de “raposa” ou raposinha, dada a sua pequena estatura, davam-lhe a ternura de uma avó, mas nenhuma frase lhe saía cândida e amável, sem um apontamento de estilo quase sempre irónico. Levou-me para a sala onde lia e por vezes escrevia e serviu-me chá e bolachas antes de premir o botão do gravador. O Inverno estava agreste e acendeu o calorífero da mesa de camilha. De vez em quando os nossos pés tocavam-se e sentia uma ternura como ligava apenas à minha avó Vessadas.
Dei por mim a pensar como seria magnífico ter uma avó Agustina, com quem pudesse falar de Embaixadas a Calígula ou de Contemplações Carinhosas de angústias e ter sempre um sorriso algures no caminho. Falámos de Yourcenar, de Mário Cláudio, do Douro, do Porto e da sua erótica soturnidade, e de futebol e política, e de literatura policial, Simenon. Quase sempre acabávamos a falar de famílias. Mostrou curiosidade sincera pelas minhas novelas do Minho e assim chegámos a Camilo, o seu autor mais amado, que dizia no seu tempo que os escritores portugueses não se ajeitavam no romance, nem ele. Nem ela, confessou, com a sua franqueza implacável. O romance exige um conhecimento dos meandros da vida que nem sempre se tem, e quem julga tê-lo, é porque não o tem. Falei-lhe de um aforismo da minha avó Francisca, que dizia haver um tempo para a formação e outro para a deformação. Ela sorriu, e disse, “cuide dela. Ela sabe”. Se a sabedoria tinha corpo estava diante de mim e tinha os pés aquecidos. A fala saía-lhe sempre avisada, ainda que se falasse de trivialidades. No fim da conversa fomos ao jardim colher flores. A memória trai-me, e não sei de botânica para saber se trouxe um lírio ou uma margarida. Mas se estiver a ouvir-me hoje, daqui lhe devolvo um amor, perfeito na justa medida de quem devolve.
Tiago Salazar
Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

MINDE | ESTAMINÉ BAR – IMAGENS NUNCA VISTAS – É BOM RECORDAR-TVM
MUSEU DE CERA DE FÁTIMA | reabertura dia 1 de junho 2020


José Mariano Gago | Carlos Fiolhais
José Mariano Gago faria 72 anos neste sábado, 16 de Maio, o Dia Internacional da Luz por determinação da UNESCO. Vi-o pela última vez em 19 de Janeiro de 2015, em Paris, na sede da UNESCO, na cerimónia inaugural das celebrações de 2015 – Ano Internacional da Luz. Eu estava lá, como Comissário Nacional para o Ano da Luz, nomeado pela Ciência Viva, acompanhado pelo Pedro Pombo, da Universidade de Aveiro, um grande entusiasta dos lasers, Deve ter sido a última cerimónia pública.do José Mariano. Eu e o Pedro falámos com ele em conversa amena. No fim do painel sobre cooperação internacional em que participou comentámos as declarações da ministra da Ciência da África do Sul, sua parceira, sobre ciência e cooperação, a quem ele deu inteira razão: África precisava de mais ciência e de mais cooperação científica. O mundo todo precisava e África, que a Europa não tratou bem, precisava ainda mais.
Ele já estava doente, mas nós não sabíamos. Nada me fez prever que nunca mais o voltaria a ver. Faleceu daí a três meses, a 17 de Abril de 2015. Lembro-me bem pois a notícia me chegou quando estava a começar uma sessão sobre História da Ciência em Portugal no El Corte Inglês em Lisboa. A comoção foi geral. No livro que a Sociedade Portuguesa de Física publicou no final de 2015 (“Histórias da Física em Portugal no século XX”) deixei um depoimento curto mas sentido. Se Mariano Gago, a história da ciência entre nós teria sido diferente.
Gago tem uma curiosíssima ligação ao laser: o seu dia de aniversário, 16 de Maio, é precisamente o mesmo que o aniversário do primeiro laser visível (a data do Dia Internacional da Luz foi escolhido por essa razão). A 16 de Maio de 1960, quando Theodor Maiman acendeu o primeiro laser de rubi em Malibu, Califórnia, o José Mariano apagava doze velas do seu bolo de aniversário. Morreu inesperada e precocemente: como seria bom celebrar com ele, no Dia Internacional da Luz, os seus 72 anos.
Entre os prémios que mais gostei de receber foi o Prémio José Mariano Gago, da Sociedade Portuguesa de Autores, que partilhei com o José Eduardo Franco. Mariano Gago é para nós uma luz na demanda de um mundo com mais e melhor ciência, com mais e melhor cultura científica. Neste Dia da Luz, de Mariano Gago e dos cientistas portugueses, em tempos escuros que temos de iluminar, saibamos seguir o seu tão claro exemplo.
Carlos Fiolhais
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fiolhais
29) – C19 Upshot | Rastreamento COVID-19: quais são as implicações para a privacidade e os direitos humanos? | Post Corona: Os Quatro | Paulo Querido
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28) – C19 Upshot | Privacidade e saúde pública: prós e contras das aplicações de contact tracing COVID-19 | Novo estudo indica que o verão não é suscetível de afetar a disseminação do COVID-19 | Paulo Querido
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Mortos sem valor de mercado | Carlos Matos Gomes
Desenvolvemos uma sociedade onde tudo — mas tudo — tem um valor de mercado. Onde não existem pessoas, mas produtos e consumidores. Tudo é mercado. Esta é a civilização que criámos. O coronavirus expôs os fundamentos dessa “descivilização” que tem como farol os Estados Unidos da América e a Big Apple, Nova Iorque, como capital. Nós, os portugueses e os europeus, pertencemos a essa civilização. Quando o presidente dos Estados Unidos aponta o dedo à China como responsável pela pandemia está a dizer que a “nossa” civilização perdeu, apodreceu, está a reconhecer: A nossa Maçã está podre!
Há dias a comunicação social da nossa civilização mostrava a sede do império — Nova Iorque, a Grande Maçã, a metrópole que não dorme, a da Wall Street, a Bolsa que impõe o valor dos produtos no mercado, a Lota Mundial — a enterrar mortos do “vírus chinês” em valas comuns abertas por escavadoras, porventura chinesas, ou japonesas, ou coreanas, operadas por hispânicos! Conclusão a tirar da confissão de Trump: a China obrigou o nosso império a enterrar os seus mortos sem valor de mercado em valas comuns. Para aí vão os que, no Império do Mercado, não têm dinheiro para pagar um seguro privado de saúde, um fundo privado de pensões, um funeral como os que aparecem nos filmes, num campo relvado e música de fundo! As mesmas valas onde, provavelmente, há uns anos foram enterradas as vacas loucas, aquelas que sofreram uma degenerescência neurológica, ou os frangos da gripe aviária, ou os porcos da peste suína (que veio de Hong Kong) que também já foram sacrificados por não terem valor de mercado.
É sempre no amor que pouso os ramos | Maria Isabel Fidalgo
É sempre no amor que pouso os ramos
e nele planto acácias ou faço florescer
rosas e cerejas no inverno gélido.
Dir-me-ás que repito as flores e os frutos
que massacro de primavera os versos
que soletro gorjeios violáceos
para falar de amor.
E eu dir-te-ei que sim
que é sempre no amor que pouso os ramos
e que nele colho o sémen a bússola a maravilha.
Porque o amor faz-me dançar nas árvores altas
faz-me correr nos bosques
castiga-me de estrelas
traz-me um tempo de palavras cálidas
nas cordas do frio rigoroso.
Por isso,
é sempre no amor que pouso os ramos
e crescem-me galhos de aves no coração.
maria isabel fidalgo
Scene from To Have and Have Not | Bogart & Bacall
“Les yeux de Maria” | Natalia Osipova & Sergei Polunin | Impression photo & aclylique 90 x60cm | Alexandra Muravyeva
27) – C19 Upshot | Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo | Manhattan deserta se trabalhar em casa se tornar a norma | Paulo Querido
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26) – C19 Upshot | Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19 | Pela conquista de novos direitos laborais na pandemia | Paulo Querido
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Nasceu um movimento que junta os dois lados do Atlântico para combater o populismo
Yanis Varoufakis, Rui Tavares, Bernie Sanders, Naomi Klein, Noam Chomsky e Fernando Haddad são alguns dos nomes do movimento de esquerda que acaba de ser criado.
Nasce esta segunda-feira no mundo virtual a Internacional Progressista. Em causa estão dois movimentos , dos dois lados do Atlântico, que se juntam num online para gritar pela justiça dos povos. A ideia junta o pensamento do senador Bernie Sanders à ação politica de Yanis Varoufakis.
25) – C19 Upshot | Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimento | Em que dados do Covid-19 podemos afinal confiar? | Paulo Querido
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24) – C19 Upshot | A pandemia e a recolonização do tempo | O relato de uma doente que sobreviveu ao novo coronavírus | Paulo Querido
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A Censura no Estado Novo de 1926 a 1974 | Jorge Alves
Todos sabemos, talvez alguns mais novos desconheçam, que o Estado Novo dos infelizes tempos da outra senhora amordaçava a Comunicação Social então existente com a Censura. Ou seja, não existia de todo liberdade de imprensa. Salazar e o seu seguidor, Marcelo Caetano, montaram uma imensa teia por todo o País e pelas colónias que visava não deixar passar nos jornais, na Rádio e na Televisão tudo o que pudesse ser em desfavor do regime. Essa teia, que actuava em estreita colaboração com a famigerada PIDE/DGS, era tecida por militares e civis afectos aos fascistas, que então controlavam tudo e todos neste nosso Portugal.
Vamos então ver como actuava a Censura, por quem era formada e o ridículo de boa parte das suas actuações?
Vamos então por partes. Nada ia para o prelo ou para o ar sem primeiro passar pelo crivo da Censura. Os senhores militares designados para o efeito, refastelados nos seus cadeirões, tudo viam e analisavam. E não só artigos, mas também peças de teatro ou argumentos de cinema. Tudo tinha de estar conforme aos desígnios do senhor professor Salazar, que Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria o abençoassem. Pelo menos era o que dizia sua eminência o senhor cardeal Cerejeira. À cintura não traziam arma, mas sim um lápis azul com que riscavam isto e aquilo. Por vezes riscavam simplesmente tudo. E quem eram esses homens? Geralmente oficiais superiores do Exército, na reserva ou no activo, que encontravam assim, as mais das vezes, um excelente pretexto para não serem destacados para a Guerra Colonial. E além disso ganhavam mais do que os seus pares. Raros foram os civis que integraram esse triste serviço. E quando isso sucedeu claro que eram reputados fascistas que geralmente integravam a Legião Portuguesa, guarda pretoriana do regime, e, na sua componente política, afectos à União Nacional, o partido único do regime.
23) – C19 Upshot | O contrato racial da América está à vista | Covid-19: A vacina é o próximo campo de batalha | Paulo Querido
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DIA DA VITÓRIA SOBRE O NAZISMO | 9 Maio de 1945
Soldado hasteia bandeira soviética no telhado do Reichstag, a sede do Parlamento alemão, em 9 de maio de 1945 – Foto: Yevgeny Khaldei
“O mundo nunca viu maior devoção, determinação e auto-sacrifício do que o que foi mostrado pelo povo russo e pelos seus exércitos … Com uma nação que, ao salvar-se, está assim a ajudar a salvar todo o mundo da ameaça nazi, este nosso país deve sempre sentir-se feliz por ser um bom vizinho e um amigo sincero no mundo do futuro.”
Franklin Delano Roosevelt

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino
Projeto Adota um Avô
Em cada Família há um jovem voluntário e um sénior que conversam e se aproximam durante este período de isolamento social. O jovem voluntário é responsável por ligar ao seu Avô adotado para conversar e fazer companhia. Durante o período de quarentena é completamente proibido o jovem e o sénior encontrarem-se, pelo que o contacto é sempre feito por telefone. No final do projeto, depois da quarentena acabar, o objetivo é organizar um convívio entre os netos e avós, por localidade.
Por segurança, ao jovem só é dado o primeiro nome e contacto do idoso e vice-versa. O custo das chamadas telefónicas que o voluntário faz para o avô ficam a seu cargo.
Se tens entre 18 e 30 anos e queres ajudar a atenuar a solidão de um idoso, este é o projeto ideal para ti!
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScXuzpJk9WU_9ycJh-wen1BizzrFsT5f6JTeVGRhmwEA_B6mA/viewform

22) – C19 Upshot | O “barril de pólvora” das residências para idosos de Madrid, Rumo a um rendimento mínimo europeu | Paulo Querido
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Vivaldi Four Seasons: “Winter” (L’Inverno), complete; Cynthia Freivogel
A ARTE DE ROQUE GAMEIRO | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS
Corrupção, ideologia e ética | Texto de há dois anos* | Carlos Esperança
A corrupção é suscetível de atravessar todo o espetro partidário, mas a sua incidência é mais marcada em partidos que ocupam o poder, dependendo a perceção da liberdade de informação, que só os regimes pluripartidários consentem, enquanto a ética assume um carácter pessoal, havendo, em qualquer partido, militantes impolutos e venais.
A necessidade de financiamento dos partidos e a proximidade dos grupos económicos, com porta giratória entre os governos e as empresas, promovem a corrupção, enquanto a perceção depende da comunicação social e, sobretudo, dos interesses que ela defende.
O poder judicial devia ser o garante da investigação imparcial e do julgamento isento de todos os crimes, sem prejuízo do julgamento político que cabe à AR e aos cidadãos, mas a promiscuidade que parece haver entre alguns agentes e a comunicação social tem sido motivo de preocupação com a eventual politização da Justiça.
Michel Houellebecq | el mundo después de pandemia ‘será exactamente igual’ | in RFI.fr, texto por Alejo Schapire
Houellebecq no cree que nada vaya a cambiar, sino que las tendencias de fondo de la sociedad tecnificada se agudizarán. “En primer lugar, no creo ni por medio segundo en afirmaciones como ‘nada volverá a ser lo mismo’. Al contrario, todo seguirá siendo exactamente igual.
El más influyente de los narradores franceses de la actualidad publica este lunes una carta en la que reflexiona sobre las consecuencias del coronavirus. El impacto del confinamiento en la escritura, la confirmación de la tendencia de una “obsolescencia en las relaciones humanas” o la disimulación de los muertos son algunos de los temas que aborda, lo que le lleva a decir que el día después el mundo “será el mismo, solo que un poco peor”.
A contramano de quienes vaticinan que ya nada será igual, que la pandemia es una oportunidad para replantearse el mundo y salir mejores, Michel Houellebecq (1956) responde con una risita desesperada que echa por tierra cualquier esperanza.
En una carta titulada “Un poco peor”, el narrador francés resume el estado del mundo tal como lo ve después de la convulsión provocada por la COVID-19.
O direito ao contraditório e ao ruído | Carlos Esperança
Gosto de quem exerce o legítimo direito de discordar das minhas posições invocando o gosto de pensar pela própria cabeça, na insinuação subliminar de que eu penso com uma cabeça alheia.
Aprecio a alegação contra a denúncia dos crimes cometidos por Hitler, Franco, Pinochet ou Salazar com perguntas retóricas sobre os de Mao, Estaline, Enver Hoxha ou Pol Pot, como se alguma vez tivessem defesa uns ou outros.
Agrada-me o argumento irritado, quanto à denúncia de crimes cometidos por militantes de um qualquer partido, com o desfiar do rol de delinquentes de um partido concorrente, como se a bondade partidária se medisse pela conduta dos militantes.
Regozijo-me com a amnésia dos admiradores de Cavaco, Passos e Portas, que os julgam salvadores da Pátria e responsabilizam o governo anterior pelas suas malfeitorias, como se a crise financeira mundial de 2008 não tivesse existido, e ignorando que a falência de um Estado ou de uma empresa (bancarrota) não se confunde com a fissura numa banca da praça do peixe (banca rota), como há uma década vêm escrevendo.
Mas nada me extasia tanto como os ataques irritados a qualquer governo que não inclua o PSD e o seu apêndice de serviço, o CDS. Há quem, na sua crença, pense que Cavaco é um intelectual e Passos Coelho um académico. É mais um motivo para minha diversão.
Finalmente, resta-me recordar à direita truculenta a satisfação manifestada pela eleição de Bolsonaro, por Paulo Portas, Nuno Melo, Assunção Cristas, André Ventura e Luís Nobre Guedes, para não falar da carta de felicitações que Santana Lopes lhe enviou.
Carlos Esperança
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança
21) – C19 Upshot | No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidade, Así será el día después del Covid-19, según los expertos de la mayor universidad presencial de España | Paulo Querido
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Como era Portugal antes da Democracia? | António Barreto e Joana Pontes
Montagem para utilização didáctica em aulas de História realizada a partir de extractos da série Portugal, um Retrato Social, de António Barreto e Joana Pontes.
Sobre o significado da gratidão | António Sampaio da Nóvoa
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