Preferia a labareda
entre as dunas inventadas
quando a noite sobrava na ressaca
e preenchia a sede da raiz.
Vinha inteiro
aberto tanto à chuva temporária
como ao abrigo do desejo.
E pulsavam sinais indestrutíveis
de fecundo enleio
mesmo que a ternura
fosse chegando desfolhada
pétala a pétala.
Lembro a sedução latejante
no espaço bordado pela respiração
à espera do ritmo coreográfico
das palavras cálidas
um esperar de corpo nu
pela acendalha colorida.
Num coro delicado de alaúdes
as marés vivas decantavam a luz
reflectida no olhar
e uma estrela preparava cada noite
o céu do dia seguinte.
Assim era tão fácil
bordar frases na reinvenção do amor
que apetecia nascer repetidamente
em cubos de néctar
e silêncio.
Maria Helena Ventura – INTERTEXTO SUBMERSO
Tela ousada, como todas as do neocubista GEORGY KURASOV
É de prever, sem margem para grandes dúvidas, uma grave crise económica, financeira e social no nosso próximo futuro. Razão porque as decisões a assumir pelo Governo e pelas oposições e a correcção dos investimentos a realizar, assumem uma importância determinante, sem margem para mais erros. O texto encomendado pelo Governo ao Dr. António Costa Silva resultou num catálogo de ideias, que não apresentam uma estratégia coerente, nem faz as escolhas necessárias.
Uma estratégia nacional
Foi no ano de 2003 que trabalhei com o Professor Veiga Simão e o Dr. Jaime Lacerda numa síntese estratégica que foi publicada pela AIP como parte do documento que ficou conhecido como a Carta Magna da Competitividade. Síntese que se baseou na experiência japonesa de 1946 de concisão e que resultou no seguinte:
D. Álvaro Gonçalves Coutinho – conhecido por Magriço por causa da sua figura débil – foi celebrizado numa passagem d’Os Lusíadas, que destaca a sua coragem entre os Doze de Inglaterra, cavaleiros portugueses que, no reinado de D. João I, participaram num combate que visava lavar a honra de doze damas ofendidas e do qual saíram vencedores.
Porém, mesmo tratando-se de um cavaleiro de linhagem na Corte do Mestre de Avis, o Magriço não aceitou que o seu monarca lhe negasse casamento com a mulher que amava, partindo para a Borgonha onde lutou por mais de uma década entre os pares de João Sem Medo, que o considerou um dos mais destemidos guerreiros que alguma vez o haviam servido.
Aventureiro, defensor de causas justas e sempre na senda de glória para os seus amos, Álvaro Coutinho foi também um filho segundo, afastado da herança paterna, um homem amargo a quem a memória da desfeita do rei nunca abandonou, um guerreiro sem medo da morte, um ancião que resistiu à peste e se tornou uma espécie de eremita no fim da vida.
Língua Mátriajunta mais de uma dezena de contos inéditos de autores de todos os países lusófonos, um volume que reúne algumas das melhores vozes da literatura em português.
Mia Couto (Moçambique), João Tordo (Portugal), Milton Hatoum (Brasil), Teolinda Gersão (Portugal), David Capelenguela (Angola), Luís Cardoso (Timor-Leste), Luís Carlos Patraquim (Moçambique), Ngonguita Diogo (Moçambique), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), Patrícia Reis (Portugal), Vera Duarte (Cabo Verde), Waldir Araújo (Guiné-Bissau).
Corria o Ano da Graça de 1961. A Covilhã vivia mais uma crise dos lanifícios, daquelas que ciclicamente lhe batiam à porta, que atirava inúmeros operários para o desemprego e os fazia regressar às aldeias de origem a que tinham ficado vinculados pela courela que sempre teimaram em amanhar nos dias de folga.
Os carros de luxo eram o mais evidente sinal exterior de riqueza que camuflava a falência que se avizinhava na fábrica do proprietário. O jogo era a perdição de muitos e o sonho de riqueza nunca realizado de quase todos. Pululavam os casinos clandestinos onde se perdiam fortunas e aconteciam desgraças cujo eco chegava às conversas sussurradas em surdina no Largo do Pelourinho e no Café Montalto.
Il est venu, par le passé, seul, pour le travail, comme en un improbable repérage.
Il y avait pensé à ce lieu depuis leur baiser inouï, comme un cinéaste avant le tournage de la première scène d’un grand film.
Elle lui fait comprendre, dès la réception, qu’Il ne s’est pas trompé, le décor est à la hauteur de l’idée qu’Elle s’en faisait.
A cet instant, leur attention ne se porte pas encore sur l’escalier menant à cette alcôve qui accueillera leurs délicieux ébats.
L’empreinte de leurs coeurs tout doucement s’inscrit dans ce décorum..
Dès la porte franchie, Ils ne peuvent y tenir, il leur faut s’embrasser, se dévorer comme Ils se sont mangés du regard, ce midi-même, déjà, chez Elle, après son arrivée presqu’informelle, sous des regards qui les forcèrent à se taire.
None of us are getting out of here alive, so please stop treating yourself like an after thought. Eat the delicious food. Walk in the sunshine. Jump in the ocean. Say the truth that you’re carrying in your heart like hidden treasure. Be silly. Be kind. Be weird. There’s no time for anything else.
Para não complicar a discussão cuja decisão envolve a vivência, sensibilidade e crenças de cada um, evito a distinção entre eutanásia, suicídio assistido e distanásia para fazer a pergunta que importa: decidir a morte sem sofrimento é um direito individual ou crime?
A resposta é perturbada pelo ruído mediático recuperado da discussão do direito à IVG, capaz de impedir a reflexão serena e de intimidar a tomada de posição a favor ou contra. E dela depende a descriminalização de quem prestar auxílio a quem decida morrer.
A vida é um direito que a direita religiosa impõe como obrigação. Ninguém é obrigado a pedir, para si, uma ‘morte doce’, mas o que está na lei atual, na tentativa de contrariar o direito individual, é a proibição a todos daquilo a que ninguém será obrigado.
Numa linguagem clara, atraente, nada académica, este livro mostra-nos o que podemos aprender com Espinosa, o filósofo cuja família teve de fugir de Portugal para escapar às malhas da Inquisição.
Espinosa dedicou a sua vida à filosofia. Com que objetivo? Descobrir «o gozo de uma alegria suprema e incessante». Construiu uma obra inovadora: em meados do século xvii, foi o precursor do Iluminismo e das nossas democracias modernas, bem como da aliança entre liberdade e razão. Espinosa não esteve apenas muito à frente do seu tempo – mas também do nosso: foi o pioneiro de uma leitura histórica e crítica da Bíblia, o fundador de uma «psicologia das profundezas», o grande mestre da filologia, o criador da sociologia e da etologia – e, acima de tudo, o inventor de uma filosofia baseada no desejo e na alegria, que alterou radicalmente a nossa conceção de Deus, da moralidade e da ideia de destino.
O livro é um relato dos ensinamentos do filósofo, aplicados à nossa vida e à nossa busca da felicidade. É esse o milagre de Espinosa.
Mayflower Day celebrates the date the Mayflower sailed from Plymouth, England to soon to become America. On September 16, 1620, 102 men, women, and children set sail from Plymouth, England. Their destination was the settlement in Virginia, where they could have religious freedom, and continue using their native language, culture, and customs. Every Mayflower Day, we commemorate these brave, early settlers. They were the very first immigrants, and helped to pave the way for millions more to follow, in search of freedom and the dreams and promises of a New World.
Segundo o governo alemão, o político russo pró-ocidental Alexei Navalny foi envenenado com “Novichok”, uma substância neurotóxica. Políticos e comunicação social (OCS) ocidentais, sobretudo na Alemanha, apontaram unanimemente e sem reservas Putin como o mandante do envenenamento. Altos dirigentes alemães subiram a parada e acusaram o “sistema de Putin” de ser um “regime agressivo, sem escrúpulos que recorre à força para impor os seus interesses por meios violentos desrespeitando as boas normas de comportamento internacional.
Embora não disponha de informação privilegiada sobre o assunto, não posso deixar de considerar intrigante o acontecimento e os desenvolvimentos que se seguiram. É preocupante a ausência de interrogações sobre algo tão perturbador cujo momento em que ocorre sugere, independentemente de quem estiver por detrás, uma operação política de alto calibre.
Quando nos interrogarmos sobre quem poderia ter sido o mentor do envenenamento surgem três suspeitos, mas apenas dois têm a ganhar: o grupo de oligarcas apoiados pelos EUA, que se opõe a Putin e defende o desmembramento e a regionalização da Rússia, agências de espionagem estrangeiras e o próprio Putin. Não podem ser deixados de fora os inimigos internos do Kremlin, nomeadamente o grupo de oligarcas que compete com Putin, empenhado em o desacreditar. Navalny tem relações com esses grupos e ligações a grupos organizados de extrema-direita.
Sabem lá os trogloditas o que é amar, o que é a sedução mútua entre iguais, o que é um barco que navega o mar, sem a quilha magoar as águas que se abrem para o acariciar!
Eles sabem lá o que é o amor entre pessoas livres! Ignoram a beleza da rosa, o perfume que exala, o deleite de descobrir, pétala a pétala, o androceu e o gineceu dos corpos que se fundem na dádiva recíproca do amor que só a liberdade consente!
Em entrevista ao Expresso, Maria do Céu Antunes antecipa a “Agenda de Inovação para a Agricultura 2030”, um plano estratégico a dez anos que traça metas ambiciosas que podem mudar a face do sector. Entre elogios à resiliência dos produtores perante o impacto da pandemia e as críticas que têm sido feitas às falhas estruturais que continuam por resolver.
Do seu gabinete no ministério da Agricultura, em plena Praça do Comércio, Maria do Céu Antunes observa a azáfama de início de setembro, que não se equipara ao que se assistia no pré-pandemia. Todos os sectores foram duramente afetados pela covid-19, agricultura inclusive, com a disrupção das cadeias de distribuição a deixar muitos produtores com dificuldades em escoar o fruto do seu trabalho. Debaixo de um quadro em que as ceifeiras se destacam, a ministra da Agricultura sentou-se para uma conversa com o Expresso na semana em que (amanhã, sexta-feira, 11 de setembro), vai apresentar na Agroglobal (maior feira profissional do sector, que conta com o apoio do Expresso) a Agenda de Inovação para a Agricultura 2030, numa altura em que a incerteza ainda é grande.
08-09-2020 | Signatários pedem criação de mecanismos que permitam a participação dos cidadãos na recuperação de Portugal face aos impactos da pandemia de Covid-19.
A crise pandémica que o mundo está a viver criou ou agravou profundos problemas económicos e sociais, impondo aos Estados e às sociedades a urgência de mobilizar investimento público e privado para a recuperação económica.
Em Portugal, este esforço de recuperação mobilizará muitos recursos nacionais assegurados pelos cidadãos, através do pagamento dos seus impostos, complementados com fundos significativos do plano de recuperação da União Europeia e do orçamento europeu para o período 2021-2027.
A gestão destes recursos impõe ao Estado e à sociedade portuguesa uma enorme responsabilidade na condução de um programa eficaz de auxílio às famílias, aos trabalhadores e aos setores de atividade mais afetados pela pandemia, bem como à reestruturação e relançamento da economia portuguesa. O sucesso deste programa só se alcançará com o compromisso e o contributo de todos, desde os órgãos de soberania aos partidos políticos, à Administração Pública e à sociedade civil.
Os avanços da ciência levados a cabo por Da Vinci (1452-1519) e Galileu (1564-1542), em Itália, no Renascimento, e por Nicolau Steno (1638-1686), na Dinamarca, e Isaac Newton (1643-1722), em Inglaterra, na chamada Revolução Científica de século XVII, e o espírito de abertura ao conhecimento fomentado pela exploração do mundo desconhecido pelos navegadores portugueses e espanhóis, foram importantes para a eclosão de uma corrente intelectual a que foi dado o nome de Iluminismo. Entre os seus precursores destacam-se os grandes defensores do Racionalismo, entendido como uma atitude mental, ou linha de pensamento que aponta a razão, ou seja, o raciocínio lógico como o caminho para se alcançar a verdade. Entre eles sobressaem o francês René Descartes (1596-1650), o alemão Gottfried Leibniz (1632-1677), o holandês de origem portuguesa Bento Spinoza (1632-1677) e os ingleses Thomas Hobbes (1588-1679) e John Locke (1632-1704), estes dois últimos focalizados no pensamento social e político.
Se a História se repetisse, o destino estaria traçado. A abulia da democracia tem condições para se ampliar, transformando-se numa nova forma de política. É o abismo do nosso tempo.
Em julho de 2017 — foi só mais um episódio de uma lista já entediante —, o Presidente norte-coreano Kim Jong-un confirmou o lançamento de um míssil. Como era o dia da comemoração da independência dos EUA, dedicou o evento aos “bastardos americanos”, para que “saíssem do tédio”, e ao seu Presidente, o “demónio nuclear” e “cão raivoso”. Trump respondeu com um tuíte amável: “Porque é que Kim Jong-un me insulta chamando-me ‘velho’, se eu NUNCA lhe chamaria ‘pequeno’ e ‘gordo’? Ora bem, eu tento tanto ser seu amigo — e talvez um dia isso aconteça!” Aconteceu, mas isso até nos será razoavelmente indiferente, dado sabermos que se podem abraçar numa manhã como continuar estes jogos florais com ameaças tonitruantes nessa mesma tarde. E depois a saga continuou: que sou um “supergénio”, que os cientistas “ficam espantados por eu saber tanto sobre o vírus” (por ter um dia conversado com um tio professor universitário que morreu há 35 anos), que “pedi aos meus que testassem menos”… E isto é só uma amostra. Podemos tratar esta enxurrada como se nos fosse alheia, nada mais do que um recreio banal, entre tantos outros de um universo sem bússola, promovido por um Presidente que tem feito milhares de tuítes deste jaez durante o seu mandato. Mas talvez seja tempo de levar a sério a charada e de enfrentar a questão mais difícil: terá Trump sido eleito apesar desta prosápia ou graças a ela?
The Art of Jack Vettriano ( Scottish painter, born 1951 ) – The Singing Butler, 1992.
The Singing Butler is an oil-on-canvas painting made by Scottish artist Jack Vettriano in 1992. It sold at auction in 2004 for £744,800, which was the record at the time for any Scottish painting, and for any painting ever sold in Scotland. Reproductions of The Singing Butler make it the best-selling art print in the UK.
The painting measures 28 inches (710 mm) by 36 inches (910 mm). It depicts a couple dancing on the damp sand of a beach on the coast of Fife, with grey skies above a low horizon. To the left and right, a maid and a man hold up umbrellas against the weather. The dancers wear evening dress: a dinner jacket and a red ball gown; the woman also wears long red gloves but appears to have bare feet. The butler is also formally dressed, while the maid wears a white apron and clutches her hat.
As a contemporary cultural icon, The Singing Butler has been compared to Grant Wood’s American Gothic. Vettriano has described the painting as an “uplifting fantasy” and chose the subject after being complimented on his paintings of beaches. He added the servants to balance the composition.
His work has been widely criticised by art critics, but is popular with the public. The Singing Butler has been criticised for its uneven finishing, inconsistent lighting and treatment of wind, and for the odd position of the dancers. The dancers’ pose is reversed from a normal closed dance hold. Usually, with the man leading, his left hand would hold the woman’s right hand, and he would place his right hand on or below the woman’s left shoulder blade, while she places her left hand on his right arm, just below the shoulder.
The original painting was sold at auction in August 2003 for £90,000, and then sold to a private collector in April 2004 for £744,800, a Scottish record at that time. After the painting was sold, it was reported that Vettriano had used an artists’ reference manual, The Illustrator’s Figure Reference Manual, as a basis for the figures (the female figure in the reference work is actress Orla Brady). Vettriano retorts that Francis Bacon had the same book in his studio, and that Picasso said that some artists borrowed but he stole.
Another version of the painting, Dancer in Emerald, omits the maid, while the female dancer wears a green dress. Both were included in Vettriano’s first London exhibition, God’s Children, at the Mall Galleries in October 1992.
The original painting of The Singing Butler was displayed at Aberdeen Art Gallery in February 2012, the first public exhibition for 20 years.
Agora que as férias de Verão e as eleições do CC estão terminadas, (resultados aqui), queremos voltar ao activismo e à actividade política. Relativamente ao último ponto, o Conselho de Validação aprovou a criação de um novo pilar relativo a “Paz e Políica Internacional”, que será desenvolvido em deliberação com todos os DIEMers, de acordo com o nosso modelo habitual para os documentos políticos:
AVANTE I Se nos víssemos como os outros nos vêem ficaríamos arrepiados, ou talvez irados, furiosos, prontos para a guerra. E vice-versa. Mas é neste vice-versa que há todo o Trabalho a fazer. Por estes dias sombrios, o PCP é “julgado” pelos seus actos públicos. É gozado pela sua festa ao arrepio da sanha do distanciamento social.
Tenho memória de um político à Lincoln, digamos assim, ou como imaginamos o pai fundador da América moderna. Chamava-se Manuel Gírio, era comunista afectivo de matriz cristã e seguidor do deus do esparguete, e nunca ocupou um cargo público notável. Foi dramaturgo e poeta mais do que tudo, como o defunto Vaclav Havel. Agora, nesta hora de suspense pandémico, esperamos um Messias goês, um dirigente com nome e feições e bravura de índio, um padre lírico ou um corajoso activista? Eu espero duas ou três coisas de um governo, governante ou líder, para me sentir pacificado com a ideia de nação valente, e voltar a ter esperança na ressurreição da ideia de pátria, além de me contentar com os gozos da língua e da escrita. Uma delas é simples: derrubar a ditadura mental.
Estou profundamente desiludido com esta cedência da JSD ao bullying betofóbico que denunciei na minha última publicação. Isto é e renúncia a um dos elementos fundamentais da identidade da JSD: o caqui. Substituir calças caqui por calças de ganga é um golpe na dignidade indumentária da direita. As calças de ganga são populares entre a esquerda porque não se nota quando não são lavadas. Uma pessoa que veste caqui está a exibir a sua higiene e limpeza moral. Usar calças beige é uma metáfora para a nossa forma de estar na política. Não são completamente brancas, porque não somos fundamentalistas nem queremos parecer que andamos em boys band. São beige, porque deixam algum espaço cromático para cinzentos morais, inevitáveis neste Mundo complexo, mas ainda assim com pureza moral quanto baste para salvar a sociedade da perversão da esquerda.
Esta atitude lamentável da JSD demonstra que, basta a esquerda querer, que conseguirá fazer qualquer dirigente da JSD usar rastas e crocs via bullying. Estou a imaginar no futuro um destes jovens a trocar o fato e gravata por roupa de palhaço só para a Dra. Catarina Martins não se rir deles. São estas jovens que queremos a impor austeridade no futuro? Não esperava isto da JSD, uma instituição que já teve líderes tão carismáticos como alguns dos quais agora não me lembro.
O outdoor continua excelente. A troca de calças é que é uma das maiores desilusões da minha vida. Não se negoceia com terroristas betofóbicos que oprimem pessoas só porque transmitem uma imagem de sucesso.
Estejam atentos que, ainda hoje, sairão novidades sobre o tão esperado número 2 da Le Docteur sobre educação, onde, entre outras coisas, falo sobre os perigos da betofobia.
Excelente iniciativa destes jovens da JSD. Finalmente uma fotografia de jovens da JSD em que os seus dirigentes parecem mesmo jovens, porque estão de máscara e não se vêem as rugas. Estes guerreiros vestiram as suas armaduras de combatentes contra o comunismo, calças beige e camisa para os generais e pólo para os estagiários, e içaram um cartaz em frente à festa do Avante.
Tenho visto muitos ataques betofóbicos a propósito desta imagem e é muito triste que haja pessoas a serem discriminadas por terem aspecto de quem tem sucesso. A betofobia poderá ter efeitos gravíssimos: se continuarem a hostilizar assim pessoas que se vestem bem, poderá chegar um dia em que não conseguiremos distinguir um homem de sucesso de um sem-abrigo. E poderá levar a situações absurdas que nos levem a fazer networking com alguém que não vale a pena, porque toda a gente se veste de forma proteger-se de ataques betofóbicos. Por acaso, o tema da betofobia será abordado com mais profundidade no número 2 da Le Docteur que será anunciado este fim de semana.
Muitas pessoas acusam-nos de sermos incoerentes por termos defendido o fim do confinamento pelo bem da economia e agora sermos contra um evento. Isso é ridículo. Temos de saber analisar as diferenças. Uma pessoa que apanhe covid na feira do livro, em Fátima ou no grande prémio de F1 é um dano colateral infeliz da necessidade imperiosa de abrir a economia. Uma pessoa que apanhe no Avante é mais uma entre milhões de vítimas do comunismo. Apanhar covid pela economia é um acto heróico, mas, como liberais, temos o dever de evitar ao máximo as vítimas do comunismo.
É claro que, apesar de tudo, o comunismo continua a ser a pior doença que se pode apanhar na Festa do Avante. E a festa do Avante até pode ter pontos positivos, já que, se correr mal, pode ser uma excelente oportunidade para derrotar o comunismo de vez. Em vez de pendurarem cartazes, os jovens da JSD podiam apanhar covid e iam para a festa do Avante começar um surto. Temos de combater o comunismo a todo o custo, nem que tenhamos de usar jovens da JSD como armas biológicas.
Jaguar é o mais recente livro de poesia de António Carlos Cortez publicado na Dom Quixote e o autor estará este sábado, dia 5, na Feira do Livro de Lisboa para o autografar. A partir das 17h00 na Praça Leya.
Uma das definições de tolerância é a qualidade de aceitar opiniões opostas às suas. A intolerância será, então, o oposto disso.
Aceitar aquilo que não se quer, ou ouvir com paciência opiniões diferentes das suas, são consideradas habitualmente virtudes necessárias para a convivência numa sociedade democrática. Mas são mais do que isso, são condições necessárias para viver em sociedade.
A intolerância radica no conceito da superioridade, e é habitualmente embrulhada em argumentos de ordem moral. Os intolerantes consideram-se superiores por serem portadores ou fomentadores do Bem. A falácia dos intolerantes é a de eles não tolerarem o Mal que são os outros.
A colonização e o colonialismo, com as suas componentes clássicas de “civilizacionar “ e cristianizar , são exemplos clássicos da intolerância. Os colonizadores não toleravam as ideias dos outros, nem os comportamentos dos outros, nem a cor da pele dos outros, a tal ponto não os toleravam que nem os consideravam seus semelhantes, seres humanos. Os colonialistas — que são uma espécie distinta dos colonizadores — entendiam os habitantes das colónias como um produto a ser explorado como qualquer outra, uma matéria-prima. Nada mais. Por isso os colonialistas belgas cortavam os braços aos negros do Congo que não produziam o que fora determinado, por isso os colonialistas da Diamang, em Angola, substituíam anualmente os “contratados” que sofriam acidentes com as vagonetas do cascalho por outros arrebanhados pelos agentes das administrações coloniais.
Manifesto posto a circular na quinta-feira alega que a ética não pode ser sujeita a objeção de consciência e critica os que defendem que disciplina seja opcional.
Cerca de 500 pessoas já assinaram o documento “Cidadania e desenvolvimento: a cidadania não é uma opção” que rejeita a possibilidade de evocar a objeção de consciência (dos pais) para que os alunos do 2.º e 3. º ciclos não frequentem a disciplina.
“É uma tomada de posição pública ao ataque a uma disciplina que é fundamental para a educação dos jovens e para a criação de uma sociedade melhor”, afirmou Helena Ferro de Gouveia, uma das autoras do manifesto que conta com o apoio de Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Teresa Pizarro Beleza, Daniel Oliveira, Alexandre Quintanilha, Catarina Marcelino, Miguem Somsen, entre professores, políticos, jornalistas, médicos, investigadores, deputados e organizações nacionais e locais.
“A ciência e ética estão na base da educação”, afirma o documento que defende que disciplinas como Cidadania ajudam os alunos “a distinguir entre o que é ideologia e o que é conhecimento”.
Depois do jantar, os homens saíam a caminho dos seus interesses. Fossem ricos, remediados ou pobres, a regra era essa. As mulheres ficavam em casa. De muitas delas, a única distração era ficarem à janela a ver quem passasse ou a falar com a vizinha da frente. Prisioneiras das responsabilidades que, tradicionalmente, lhes eram atribuídas pela tradição e pelo regime, continuavam no exercício das tarefas domésticas, costurar e, ao mesmo tempo, a cuidar dos filhos. Destes, os mais pequenos faziam os trabalhos da escola ou brincavam, muitas vezes na rua, à porta da casa, sempre aberta. Nas famílias sem posses para terem criadas, competia também às filhas com idade para ajudar, levantar a mesa, lavar a loiça, arrumar a cozinha e o mais que fosse preciso.
Eram as mães que, contra elas próprias, educavam as filhas e os filhos a perpetuarem os hábitos da sociedade machista em que cresci e me fiz homem, numa vivência estimulada pela Igreja e pelo poder político da época. Jovem casadoira, qualquer que fosse a sua condição, já sabia que o seu lugar ia ser no lar ou no “ninho”, como algumas e alguns gostavam de dizer. Ao contrário das mulheres do campo, eram poucas as da cidade com trabalho fora de casa.
No mundo rural não era assim. Pobres por condição e tradição, mães com ou sem filhos e raparigas adolescentes tinham mesmo de trabalhar sempre que as oportunidades surgissem e essas oportunidades eram, sobretudo, a monda, a ceifa e a apanha da azeitona.
To mark what would have been Michael Jackson’s 62nd birthday, director Spike Lee has released a 2020 version of his music video for the singer’s “They Don’t Care About Us.”
The new visual for “They Don’t Care About Us (2020)” incorporates scenes and outtakes from Lee’s original two videos for the HIStory: Past, Present and Future, Book I single — both the Brazil version and the prison-set one that examined police brutality — with footage from George Floyd protests from around the world.
“Great protest songs can’t get old, stale or non-relevant because the struggle still continues.That’s why THEY DON’T REALLY CARE ABOUT US is the anthem during this chaotic, pandemic world we are all living in,” Lee said in a statement.
“To celebrate Michael Jackson’s born day, we have made the THEY DON’T REALLY CARE ABOUT US 2020 short film to continue the struggle for equality for all. That’s the truth, Ruth. Be safe.”
Tudo ficará como dantes
no tumulto da existência
menos o essencial…
O corpo que domava o meu
em ímpetos de fogo
e plantava bem dentro da terra
o gotejar do afecto
fica-me nos olhos
em narrativa sem continuidade…
E as mãos frementes
em coreografias de abraços
mais não podem fazer
do que alongar-se
até ao infinito do adeus.
Vêm aí os Robertos! Gritava o meu irmão Mário, ofegante de dois andares a subir de um pulo, vindo da rua. Era assim que nós nos referíamos a esta herança cultural portuguesa que é o teatro de fantoches ou de marionetas, dito “de luva”. Descemos de um salto e, já na rua, a correr, ouvíamos a voz de “palheta” do bonecreiro. Lá estavam eles, gesticulando, no topo de uma guarita instalada naquele passeio mais alargado da Rua João de Deus, em frente da mercearia do Anselmo, rodeada por uma muito razoável assistência de miúdos e graúdos. Já montada, a guarita era uma armação de madeira forrada com chita barata, a fazer as vezes de palco virado a todos os quadrantes.
De pé, escondido lá dentro, o bonecreiro, falando sem parar, manipulava os figurantes, simples bonecos ou fantoches reduzidos a uma tosca cabeça de pau, vistosamente pintada, agarrada a um meio corpo que não era mais do que a respectiva roupa. Diz-se fantoches “de luva” porque o operador mete o dedo indicador na cabeça do boneco e usa o polegar e o dedo médio para fazer os braços, enfiando-os nas mangas terminadas por mãos igualmente vistosas. Testemunho de uma das tradições mais antigas das artes cénicas europeia e portuguesa julga-se ter ido buscar heróis populares ao oriente.
1 – Disse-me um médico amigo que o seu bastonário recebe o vencimento do Estado, a pingue remuneração da função, além de chorudas regalias, e está autorizado, pela OM, a exercer medicina privada. Apenas não usufrui o direito de substituir os sindicatos e de se dedicar à carreira político-partidária, em competição com a sua homóloga enfermeira. O que faz.
Surpreende-me, quem teve a confiança dos pares, que seja tão lento a pensar. Depois de ter declarado que a reunião com o PM decorreu em ambiente de cordialidade mútua e que aceitou as explicações e o elogio a toda a classe médica, soube que nas redes sociais se afirmava que teve entradas de leão e saída de sendeiro. Então, rugiu como entrou e portou-se como foi acusado de ter saído.
“Demiti-me hoje da Ordem dos Médicos e devolvi a medalha de mérito que há anos me pediram que aceitasse e me agradeceram com elegância ter aceite. O meu pai costumava citar uma frase de Herculano a propósito de Garrett, dois escritores que muito admiro: “por meia dúzia de moedas o Garrett é capaz de todas as porcarias menos de uma frase mal escrita.” E recebi uma carta mal escrita, que talvez pretendesse ser irónica e era apenas pateta e com dois erros de português, que me obrigou, naturalmente, a esta tomada de posição que, embora não faça Medicina há muitos anos, me entristeceu.
A nossa civilização — e a nossa civilização é o capitalismo — assenta na produção e no consumo, tendo por pressuposto a irracionalidade dos recursos ilimitados. O capitalismo tem na base duas ideias força: laissez faire, laissez passer, liberdade absoluta para extrair recursos, para os transformar e para os vender. E: tudo o que pode ser produzido pode ser consumido, crença cega da capacidade de extração de produtos, sem olhar a meios nem a consequências, e crença cega na capacidade de absorção do que é produzido, seja pela natureza, seja pela sociedade.
Destes dois princípios surge como natural o irracional, mas sagrado vocábulo do “crescimento”. Todos os anos, os iluminados das altas instâncias internacionais e nacionais que nos governam, referem que “crescemos” mais uns tantos por cento. Jamais alguém refere a irracionalidade do crescimento contínuo. A história da Ilha da Páscoa, em que os habitantes todos os anos cortavam mais árvores (cresciam)para fazerem mais estátuas de deuses porque necessitavam de mais deuses para terem mais árvores para cortar e assim sucessivamente até a Ilha ficar inabitável.
para que a esquerda (ou a direita) se unissem era preciso maturidade e atenção ao mundo histórico e não apenas os activistas servirem-se dos ‘debates’ para se auto-promoverem ou se engatarem, como o texto mostra. O que não é provável quando N > M e E > I (narcisismo maior do que maturidade e exibicionismo maior do que inteligência).
OPINIÃO (Senhora cá de Casa Okupada)
O ano é 2035, ou melhor, 15 d.R.: depois da Revelação. Toda a superfície do antigo território português foi reconquistada aos fluxos necrófagos do capital numa insurreição fulminante e invencível. Com a implosão do Estado, vive-se a anarquia e a greve perpétua: a população divide-se entre comunas mais ou menos estáveis e grupos flutuantes de afinidades, quase todos dedicados à organização de orgias cada vez mais imaginativas. A ciência, livre dos ditames do complexo industrial-farmacêutico-militar, desenvolve-se de um modo avassalador e em benefício da humanidade: prevê-se que no ano seguinte um grupo de investigadores consiga finalmente ressuscitar a consciência de Arnaldo Matos, que será implantada em milhões de máquinas de combate feitas de cortiça e incumbidas da missão de libertar o planeta da Forma-Putedo. A FUA ainda existe: ocupa-se a fazer manifestações com uma dimensão puramente ritual, o referente esquecido no passado de opressão e miséria. O maior desafio de toda a comunidade do antigo território português já não é político, é logístico: ninguém sabe como tratar e escoar adequadamente as quantidades industriais de canábis que as hortas comunitárias produzem. Continua a escrever-se péssima poesia por todo o lado.
A minha conhecida condição de ateu não me conduziu ao combate primário às crenças e, jamais, aos crentes que se limitam a viver a fé sem buscarem impô-la pela violência.
Isso não significa que não combata as instituições com poder, que, na minha perspetiva, sejam danosas para a democracia e os direitos humanos. É frequente visar, como tal, as religiões. Combatê-las é um efeito colateral da minha luta pela liberdade.
Em Portugal, apenas as religiões do livro têm representação que mereça atenção. Vale a pena lembrar a origem hebraica do Antigo Testamento (AT), fonte dos 3 monoteísmos e só assim designado pelos dois credos posteriores, cristianismo e islamismo que, tendo aí a origem, consideram respetivamente Cristo e Maomé, também como fontes da vontade divina.
O cristianismo, primeira cisão com êxito do judaísmo, surgiu da utilidade para a coesão do Império Romano pelo imperador Constantino. Paulo de Tarso teve a ideia genial de transformar o Deus de Israel em Deus global e fazer dele o salvador universal, apesar de o Homo Sapiens existir há 350 mil anos, sem salvação até há cerca de 6 mil.
O mês passado iniciamos o processo de renovação do nosso Coletivo Coordenador (CC). Candidatos da Europa e fora dela colocaram as suas declarações pessoais e vídeos aqui.
Estes candidatos são todos “DiEMers” empenhados que querem avançar e trabalhar intensivamente para que o nosso movimento progrida e se expanda para atingir os objetivos propostos.
Agora é a tua vez de participares neste processo democrático importante para o DiEM25: vota nos candidatos que sentes que irão guiar da melhor forma os próximos meses.
Podes votar a partir de agora até ao dia 28 de Agosto às 23:59pm aqui.
Faz com que a tua voz seja ouvida! Carpe DiEM25!
Luis Martín Coordenador de Comunicações do >>DiEM25
O propósito desta homenagem a Machado de Assis, mais que lembrar o centenário de sua morte, é fazer com que a sua obra completa chegue a qualquer usuário internet, em edições confiáveis e gratuitas. Resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público – a biblioteca digital do MEC – e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Lingüística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina, o projeto teve como propósito organizar, sistematizar, complementar e revisar as edições digitais até então existentes na rede, gerando o que se pode chamar de Coleção Digital Machado de Assis.
[artigo de Umberto Eco na “Bustina di Minerva”, do L’ Espresso, em 28.Outubro.2011]
<*Silvio detesta todos os comunistas, Bossi todos os sulistas, da mesma maneira que Appelius tinha aversão a todos os ingleses. Porque o ódio é um sentimento que, de uma só vez, abraça multidões imensas. E por isso, é fácil e satisfatório. Ao passo que o amor é selectivo e, portanto, mais difícil*>.
Nos últimos tempos escrevi sobre o racismo, sobre a construção do inimigo e sobre a função política do ódio pelo Outro ou o Diferente. Julgava ter dito tudo, mas numa recente discussão com o meu amigo Thomas Stauder emergiram (e são daqueles casos em que nenhum de nós se lembra quem dos dois disse o quê, mas as conclusões coincidiam) alguns elementos novos (ou, pelo menos, novos para mim).
Hace unas semanas tuve la sorpresa de ver como un artículo mío escrito hace muchos años se convertía en viral. De pronto, empezaron a llegarme notificaciones de sitios tan dispares como Cuba, Alemania o Nueva Zelanda. Por supuesto, fue una gran alegría y agradezco desde aquí a todos los que lo retuitearon y glosaron. Los comentarios que suscitó eran todos positivos, lo que no deja de ser increíble en tiempos en los que hasta las reflexiones del más elemental sentido común desatan las iras de haters u odiadores. El artículo del que hablo se llama El mundo es de los mediocres y en él me maravillaba de que personas que no son inteligentes ni preparadas, tampoco talentosas y ni siquiera trabajadoras o perseverantes alcanzan metas más elevadas que otras que sí lo son. Por supuesto, la hegemonía de los mediocres no es un fenómeno nuevo. El artículo anterior hablaba de Stalin, al que su correligionario Trotski desdeñosamente tachó de «mediocre y oscuro» solo para comprobar con estupor cómo Stalin no sólo lograría acabar con él, sino que incluso hizo palidecer al mismísimo astro rey de la revolución, el camarada Lenin. ¿Cómo? Simplemente, con una eficaz combinación de atributos y tácticas que los mediocres manejan como nadie. Un mediocre, antes de llegar arriba, vuela bajo el radar para no despertar suspicacias, es maestro en el arte de hacer la pelota y, sobre todo, en practicar el ‘divide y vencerás’. Cuando por fin lo logra, lo lógico sería pensar que modificaría su conducta volviéndose menos mediocre. Pero no. Puesto que sabe que no puede hacerse amar, decide hacerse temer y, para preservar su posición, se rodea de una nueva cohorte de otros mediocres que le sirven de guardia pretoriana e impiden el paso a personas de talento. Así suele producirse la irresistible ascensión del Homo mediocris. Como, según Mark Twain, la historia no se repite pero rima (e incluso se autoparodia, añadiría yo), ahora tenemos la versión 2.0 de Iósif Stalin en Nicolás Maduro, por ejemplo. Si Stalin logró sojuzgar a fuerza de sangre y hambre a millones y millones de rusos, Maduro, más burdo y aún más mediocre que él, logra otro tanto con idéntico sistema e igual éxito.
A introdução do voto como elemento legitimador do poder, que ocorreu com as revoluções liberais na Europa no século dezanove, constituiu um ganho civilizacional inegável, mas não colocou o poder nas mãos do povo. A intenção não era essa, mas sim alterar os grupos detentores do poder. O voto seria como foi e é o sistema de controlo desse novo poder. Um sistema virtuoso, diga-se, se comparado com o poder senhorial de casta, do Antigo Regime, mas devidamente armadilhado para não ameaçar os seus criadores e usufrutuários.
A sociedade liberal era e é um mercado e o voto passou a ser uma mercadoria. A questão central da política era e é a de convencer clientes a comprar um produto. Um produto especial, mas um produto. Uma atividade mercantil, mas digna e respeitável se praticada respeitando o princípio da igualdade e da livre concorrência. A questão é a da natureza corrupta do poder e este, que é um exercício de domínio, não pôde, nem pode, ficar à mercê de vontades livres.
VISÃO ESTRATÉGICA PARA O PLANO DE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DE PORTUGAL 2020-2030
Esta Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social 2030 visa essencialmente responder à questão: o que fazer no day after?
Não vamos ter ilusões: a crise sanitária causada pela doença COVID-19 traz consigo uma profunda recessão económica que tem características globais e que vai ferir profundamente a nossa economia. E é importante por um lado elencar as características e consequências da crise e o que Portugal pode fazer para responder, e por outro, definir alguns princípios orientadores das políticas públicas, antes de abordar na parte final os diferentes setores da economia e elencar algumas ideias e projetos que podem ser estruturantes para a reconstrução do país.
As circunstâncias. A transição da Espanha para um regime de democracia liberal na Europa é fruto de circunstâncias e não do ato mais ou menos voluntarista de um homem, ou mesmo de um conjunto de homens. Com Juan Carlos de Bourbon, ou com outro qualquer na chefia do Estado, a Espanha entraria no clube das democracias europeias ocidentais quando teve de entrar.
Em 1975 a Espanha apresentava-se como a última ditadura europeia, herdeira dos fascismos da antes da Segunda Guerra Mundial. As ditaduras portuguesa e a grega caíram em 1974, uma em Abril e a outra em Junho. Das três ditaduras da Europa Ocidental, a da Espanha era a que dominava um estado com a maior população e o de maior importância política e económica. Após a descolonização das colónias de África por Portugal, a Espanha não podia continuar a ser uma ditadura quer por questões económicas europeias, quer para favorecer os interesses europeus e especialmente norte-americanos na América Latina, onde tradicionalmente tinha uma influência significativa, assim como com o mundo árabe. A Espanha tinha de abandonar o grupo dos estados “párias” europeus e integrar o clube dos que se consideravam os de bons princípios. Juan Carlos foi declarado rei de Espanha em 22 de Novembro de 1975, apenas após a morte de Franco, que morreu ditador e generalíssimo.
3 ago 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.
🧭 Ulrich Beck é o intelectual pandémico mais importante do mundo
Se só puderes ler um artigo hoje, lê este: é muito, muito bom.
Quanto mais sabemos, mais nos damos conta de que não somos os únicos a julgar. Cada parte interessada está a escolher e a escolher as suas fontes. É uma exposição esclarecedora, mas também chocante, de como a salsicha do conhecimento moderno é verdadeiramente feita. E, como Beck nos lembra, “não seria tão dramático e poderia ser facilmente ignorado se não se tratasse apenas de perigos muito reais e pessoais“
Foi nas colónias gregas da Ásia Menor, mais precisamente na Jónia, entre os séculos VII e VI a.C., que encontramos as primeiras manifestações de um pensamento dotado de exigência e compreensão racional.
Foi aqui que alguns dos seus habitantes mais letrados esboçaram as primeiras tentativas de explicar o mundo que os rodeava sem recorrerem à mitologia, o que era a prática comum da época. Só meio século, depois, Pitágoras (circa 570-495 a.C.) deu o nome de “filosofia” a essa atitude mental.
Nascido em Mileto, cidade desta colónia, Thales (c. 623-546 a.C.) terá sido o primeiro pensador a romper com o ponto de vista religioso e, como tal, o primeiro filósofo ocidental. Foi o surgir de um pensamento que virou costas à tradição mítica de deuses e heróis e começou a fundamentar-se nas realidades observadas no dia-a-dia. Dito de outra maneira, a experimentação quotidiana conduziu à laicização do conhecimento e à sua condução no caminho do racional.
Dentro deste espírito, surgiram, nas Escolas gregas dos séculos VI e V a.C, como a de Mileto, as primeiras ideias, ditas filosóficas, como o embrião de uma ciência teórica, meramente especulativa, sem qualquer apoio experimental. Estas escolas foram comunidades de pensadores (Tales, Anaximandro, Anaxágoras e Heráclito, entre outros), cujas ideias, muitas vezes divergentes, foram os primeiros passos na procura do conhecimento no mundo ocidental. Dizemos ocidental porque havia outros a oriente, não menos importantes, nomeadamente, na índia, na Mesopotâmia, na Pérsia e na China que, diga-se, tiveram influência na cultura grega.
Em 3 de agosto de1968, um inseto coleóptero atingiu a apoteose na cadeira que ajudou a desconjuntar. O caruncho foi o artífice da inestimável tarefa que marcou o início do fim do ditador, que vegetou ainda até ao dia 27 de julho de 1970. Faz hoje 50 anos.
Por mérito próprio ou ansiedade de um povo, o caruncho tornou-se o celebrado autor da queda da cadeira que arrastou o mais longevo ditador europeu do século XX. Ignora-se o número de anos e de insetos cuja vocação xilófaga os conservou no interior da cadeira onde o biltre repousava, no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e, prostrado aos pés, um calista lhe tratava regularmente os calos.
Nesse dia, o sádico ditador tornou-se um decadente ator de comédia. Presidiu a supostos Conselhos de Ministros onde os cúmplices do seu último Governo iam como figurantes. Lentamente, foi-se esquecendo de quem era e dos crimes de que foi responsável.
As memórias do cruel massacre de Batepá, em S. Tomé; da pedofilia dos ministros que não permitiu julgar; das prisões, degredos, perseguições, demissões e assassínios de adversários; da tortura de presos e da tragédia da guerra colonial, foram-se esvaindo de um corpo já sem cérebro do tirano sem princípios.
A Pide, a Legião, a GNR e os Tribunais Plenários continuavam a funcionar; nas prisões, a tortura mantinha-se; nos jornais, a censura prévia permanecia; nas prisões políticas, os espancamentos, a tortura do sono, a estátua, as queimadelas de cigarros e eletrochoques não pararam. O País continuou a coutada de alguns. O analfabetismo e a mortalidade infantil e materno-fetal competiam com países do terceiro mundo. Nem os funcionários públicos tinham qualquer assistência médica ou medicamentosa, e eram injustificadas as faltas, por motivo de parto, às mães solteiras.
Em Minima Moralia, o filósofo alemão Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, interrogava-se, após o final da II Guerra Mundial e de ter sofrido o desterro provocado pelo nazismo, por que razão “a humanidade, em vez de subir a um estado verdadeiramente humano, se afundara numa nova espécie de barbárie.”
Adorno considerava como determinantes do embrutecimento da vida e da perda do convívio social, caraterísticos do nazismo, o esquecimento histórico dos homens.
O que nos leva a repetir os erros?
Hoje, como antes da ascensão do nazismo, vivemos tempos de perigosos esquecimentos. A vida social, escreveu premonitoriamente o filósofo alemão, após se ter deslocado para o âmbito do mundo privado, encontra-se reduzida à esfera do mero consumo. A sociabilidade pouco mais é que um apêndice do processo de produção material, uma indústria.
Biografia do filósofo alemão permite rastrear as grandes polêmicas intelectuais do último meio século. Suas críticas à amnésia a respeito do passado nazista fizeram dele uma consciência moral da Europa.
Em novembro de 2004, Jürgen Habermas viajou ao Japão para receber o Prêmio Kyoto, convocado por uma empresa de tecnologia e dotado de 800.000 euros. Deu duas conferências lá. A primeira foi dedicada ao livre arbítrio e à responsabilidade do ser humano. Na segunda atendeu ao pedido de seus anfitriões: “Por favor, fale sobre o senhor”. Foi a primeira vez que o fez em público. Tinha 75 anos e estava a 9.000 quilômetros de casa. Lá ele se lembrou das dolorosas operações no palato que fez na infância em sua cidade, Düsseldorf, para tentar corrigir uma fissura congênita que marcou para sempre sua pronúncia. Também lembrou a “sensação de vulnerabilidade” que isso lhe causava. Depois falou da outra grande ferida que marcou sua vida, um passado pouco exemplar do qual sua família fez parte: os pais o alistaram aos 10 anos de idade na Juventude Hitlerista e o pai, filiado ao partido nazista, acabou nas cadeias norte-americanas como prisioneiro de guerra. E claro, falou sobre o que o fez mudar da medicina, sua primeira vocação, para a filosofia: a impressão causada pelos crimes descritos nos julgamentos de Nuremberg, a falta de autocrítica de seus compatriotas e o medo de que a Alemanha recaísse no delírio que partira pela metade a história da humanidade.
Traitée de "fucking bitch" par un membre du Congrès américain qui s'était ensuite "excusé" en citant sa femme et ses filles, Alexandria Ocasio-Cortez n'a pas laissé passer l'occasion pour réagir. Voici sa réponse. pic.twitter.com/q5gv9UEkag
O prazer da grande escrita e a expetativa de uma história que vive num triângulo que também é território meu, O Continente, os Açores e África, o tempo da ditadura, da guerra, do 25 de Abril, da descolonização, das lutas pelo futuro.[Carlos Matos Gomes}
23 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Ana Roque, Luis Grave, Nuno Andrade Ferreira.
💉 Três portuguesas contam a corrida à vacina pelas suas empresas
Há agora 163 vacinas em desenvolvimento para o novo coronavírus. O número não pára de crescer de dia para dia. À etapa dos ensaios em pessoas já chegaram 23 dessas vacinas experimentais. Mas quando chegará ao fim a corrida e teremos mesmo uma vacina? Os primeiros resultados dos ensaios começam a sair: a empresa Moderna fê-lo na última semana e a equipa de Oxford fá-lo-á esta segunda-feira.
Isto é a sério, apesar das gargalhadas e dos piscar de olho!
De repente as televisões caíram no centro da informação. Competem com as sociedades do futebol no toureio das opiniões públicas. Fabricam-se estrelas, dá-se lustro a velhos castiçais. Um setor que há um mês se apresentava falido, de barrete na mão, na sopa dos subsídios do Covid, surge, num estalar de dedos, na reabertura do mercado a fazer contratações milionárias para o entretenimento, o puro, o da alienação direta das classes mais fáceis de iludir, e o do entretenimento mais sofisticado, a do infoentretenimento, a falsa ou manipulada informação servida com aparência de seriedade e agradabilidade, com a papinha feita às classes médias. Um processo de infantilização!
Não há improvisos nem espontaneidade em movimentos desta envergadura. Alguém está por detrás desta ampla e velha manobra de pão e circo para adormecer o povo. E alguém está a investir nesta farandolada. A farandolada, a velha designação das atuações de saltimbancos e vagabundos, tem uma finalidade e antecipa o futuro. A Fox, americana e a Record, da IURD, a subida ao poder de Trump e de Bolsonaro são modelos inspiradores para a nova TVI.
A agitação no vespeiro das Têvês tem um motivo: o Poder! Veremos que resposta dará a SIC, porta-voz da velha ordem.
20 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.
🔮 Preparar as novas gerações para os desafios de um mundo em mudança
Como combater as alterações climáticas? Como assegurar que tecnologias como a Inteligência Artificial e a robótica servem os cidadãos em vez de se servirem deles? Como garantir a segurança e a privacidade nas redes? Como impedir pandemias e crises humanitárias de diversas ordens? Como continuar a crescer sem comprometer as futuras gerações?
É estranho termos tão poucos laços com a natureza, com os insectos, com a rã saltitante e com o mocho que pia por entre os outeiros, chamando a sua companheira. Nunca demonstramos ter uma certa simpatia por todos os seres vivos da Terra. Se pudéssemos estabelecer uma relação intensa com a Natureza, nunca mataríamos um animal para saciar o nosso apetite, nunca feriríamos nem dissecaríamos um macaco, um cão, uma cobaia para nosso proveito. Encontraríamos outras formas de cicatrizar as nossas feridas, curar os nossos corações.
O ser humano matou e continua a matar milhões de baleias e tudo o que obtemos desse massacre pode ser conseguido por outros meios. Mas, ao que parece, o Homem gosta de matar, gosta de matar o veado em fuga, a gazela maravilhosa e o elefante pujante. Adoramos matar-nos uns aos outros. Esta chacina humana nunca se deteve em toda a história da vida do Homem na Terra. Se conseguíssemos – e é imperativo fazê-lo – estabelecer uma relação profunda e duradoura com a Natureza, com as árvores, os arbustos, as flores, a erva e as nuvens velozes, nunca mais massacraríamos outro ser humano, por motivo algum.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o português António Guterres, pediu hoje que o mundo crie um “Novo Contrato Social para uma nova era” e um Novo Acordo Global para combater desigualdades.
António Guterres discursou em direto, de forma virtual, para a Fundação Nelson Mandela, uma instituição da África do Sul, na comemoração do nascimento do histórico ativista pelos direitos humanos, premiado com o Nobel da Paz em 1993 e Presidente da nação sul-africana entre 1994 e 1999.
Partindo de desigualdades que não se resumem ao poder económico, mas que se observam a nível social e nas relações de poder, António Guterres disse que chegou a altura de preparar um futuro centrado em solidariedade, convidando todos a pensarem num “Novo Contrato Social” para políticas de trabalho, emprego, educação ou segurança social.
Para o sustentar, deverá ser criado também um Novo Acordo Global, acrescentou Guterres, baseado numa “globalização justa”, “vida em balanço com a natureza” e atenção aos “direitos das gerações futuras”.
O quadro de El Greco na Colecção Frick de Nova Iorque, que representa Jesus a expulsar os vendilhões do templo, deu-me recentemente que pensar por duas razões.
A primeira foi a notícia lida algures de que, estando comprovado que a contemplação de grandes obras de arte aguça e refina a capacidade de atenção, existem hoje iniciativas em grupos profissionais que ninguém esperaria (como o exército ou a polícia nos EUA) programadas para ensinar futuros militares a analisar obras de arte e a memorizar os seus pormenores. Um grupo de futuros polícias foi levado, pois, à Colecção Frick de Nova Iorque, onde uma professora de História de Arte lhes propôs a análise do quadro de El Greco que vêem na imagem. A professora perguntou ao grupo o que achavam do quadro. Um dos futuros polícias disse imediatamente que mandaria prender «the guy in pink, because he’s causing all the trouble».
Uma segunda ocasião que me pôs a pensar no quadro de El Greco foi o visionamento de uma conferência proferida pelo brilhante director da Colecção Frick, Xavier Salomon (cujos vídeos no YouTube vos recomendo vivamente). Falando deste quadro, o Dr. Salomon explicou que representava um episódio do Evangelho de Mateus. Na verdade, Jesus expulsa os vendilhões do templo em cada um dos quatro Evangelhos, mas a cena pintada por El Greco não representa o episódio de Mateus, mas sim o de João. Pois é só no Evangelho de João que Jesus expulsa os vendilhões à chicotada. A passagem de João tem um carácter individual por várias razões: uma delas é que nos dá a única ocorrência no Novo Testamento da palavra «phragéllion» (φραγέλλιον), «chicote».
Vivemos e revivemos entre o “Lá vamos cantando e rindo, levados, levados sim!”, do hino da Mocidade Portuguesa e “o quem canta o seu mal espanta”. Os vendedores desta banha de cobra sacam os seus melhores trunfos para nos manter mansos. Cumprem o seu papel.
A realidade portuguesa é a de uma gravíssima crise, com a destruição de cerca de 15% do Produto Interno Bruto, com o turismo, que até fora a locomotiva da nossa economia de Disneylândia, agora em agonia, a exposição das fragilidades de uma sociedade de jovens precários, da UBER à venda de serviços médicos à hora e ao Alojamento Local, de velhos encafuados em lares ilegais, um desemprego de que não se conhece a verdadeira dimensão, fome nas classe médias, aumento exponencial de mortes por quebra de rotinas de prestação de serviços de saúde, mobilizadas para a pandemia, isto num sistema mundial desregulado, em que o nosso império tem à frente um imperador louco, e a União Europeia a que pertencemos está sujeita à mesquinhez de um agiota holandês e aos humores de um magarefe húngaro.
Esta é, em traços muito gerais, a nossa situação. Espero que não seja tão má. Descobrimos, com falso espanto, que em Julho de 2020 estamos como em Março de 1975, quando foi indispensável nacionalizar a banca e, por arrastamento, boa parte das empresas endividadas e inviáveis. Quando descobrimos a podridão de um sistema financeiro e económico assente em areias movediças e que flutuava sobre uma camada espuma com aparência rochosa.
I have composed a short piece of Music called ‘Natalia.’ I watched my first ballet in Dec 2018 and have been hooked since. I saw Natalia in ‘Pure Dance’ at Sadlers Wells last October and wrote this with her grace, elegance and beauty in mind. If Natalia sees this and wants to choreograph a dance to it? (day dreaming again) !!
Eu gosto muito do meu país, mas não tenho muitas ilusões sobre ele. É um país atrasado, pouco desenvolvido, sem massa crítica, pouco culto, sem grande qualificação da mão-de-obra, muito dependente de vagas de superficialidade, onde a maioria das pessoas trabalha duramente para não receber sequer o mínimo vital, sem vida cívica autónoma do Estado, com uma economia débil, desindustrializado, com uma agricultura desigual, pouco cosmopolita, com muitos aproveitadores e alguns bandidos, mas aí como os outros.
É um país que cada vez menos tem autonomia política, dependente da transferência dos centros de decisão para Bruxelas. Aquilo em que somos melhores não coloca o pão no prato ao fim do dia, como agora se diz. Temos uma língua e uma literatura de valor universal, a melhor obra dos portugueses, mas ninguém come literatura. E temos uma democracia que é um valor que só quem sabe o que é ditadura percebe qual é. É mau? Não é mau, há muito pior, mas é sofrível, e sofrível não permite andar por aí a bater em pandeiretas.
It’s time to stop talking about waves of coronavirus. This is a long, lingering epidemic that is only just getting started.
Since the pandemic began, the threat of a second, deadlier wave of coronavirus has captured the public imagination. The fear, which provokes viral Facebook posts and influences government strategy, is that this pandemic will follow a trajectory similar to that of the 1918 Spanish flu. Two-thirds of the 50 million who died would do so from October to December 1918, during a so-called “second wave”. But this fear may be misdirected. T he world is still yet to hit the peak of the first wave. And, until we get a vaccine, it likely never will.
Across the world, the pandemic is still accelerating. The first case was reported in China in late December. It took three months from that date to reach one million cases. The leap from 12 million cases to 13 million cases took just five days. A Reuters tally puts the total number of dead at 570,000. Daily deaths peaked in mid-April at 10,000 a day; since then they have hovered around the 5,000 mark.
Quem conseguir ligar-se à música de Beethoven terá o privilégio de enfrentar algumas das maiores proezas criativas, intelectuais e sensíveis do mundo da música.
Por Guilherme de Alencar Pinto.
Tudo estava previsto para que este fosse o ano de Beethoven. Com a pandemia em andamento, os 250 anos do nascimento do pobre Ludwig vão tendo como principal celebração o som de “Para Elisa”, desafinado, nos camiões de distribuição de gás que cruzam as ruas semi-vazias. Contudo, nada nos impede de aproveitar este quarto de milénio (que se cumpre no final do ano) para resumir o que nos trouxe um dos compositores que mais contribuiu para definir o nosso vínculo com a arte.
Ludwig van Beethoven (1770-1827) é talvez o compositor mais influente na história da música. A partir do século XX, a música popular alcançou uma massificação inatingível no seu tempo, mas nesta o influenciador era a interpretação, não a composição, e, além disso, a grande segmentação desse setor impediu que uma figura se destacasse, o que era possível na cultura eurocêntrica do século XIX.
Apenas Wagner (1813-1883) pode fazer-lhe mossa, mas é de notar que a idolatria suscitada por este foi sempre potenciada por uma controvérsia ardente, enquanto o caso de Beethoven é mais parecido com o do seu quase contemporâneo Artigas [NT: militar e político sul-americano, herói das independências argentina e uruguaia], ou seja, tornou-se uma figura quase intocável e reivindicada por todos (na famosa controvérsia entre Wagner e Brahms, ambos fundamentavam as suas posições evocando Beethoven).
A Lição de Anatomia do Dr. Tulp é uma pintura a óleo sobre tela de Rembrandt, pintada em 1632. É uma de suas obras mais famosas e revolucionárias.
A obra retrata uma aula de anatomia do doutor Nicolaes Tulp. O corpo que aparece no quadro é de um marginal que havia sido condenado à morte por assalto a mão armada no dia anterior à lição. Lições de anatomia realmente existiam e aconteciam em anfiteatros, dadas por doutores anatomistas.
Algumas curiosidades sobre esta obra:
O nome do pintor e a data da conclusão da pintura podem ser vistos num quadro de avisos pendurado na parede ao fundo do laboratório de anatomia. Rembrandt, para não macular sua bela obra, preferiu não colocar sua assinatura como se faz usualmente.
O aluno mais próximo do Dr Tulp tem à mão uma folha de papel, na qual imaginava-se que estavam escritos os nomes dos músculos do antebraço que estão a ser mostrados, impressão que se desfaz quando se percebe que, imediatamente acima do chapéu do Dr. Tulp, há uma pincelada com o número 1. Assim, o primeiro nome da lista é o do Dr. Tulp, os outros sete números correspondem ao nome dos alunos presentes na aula.
O corpo dissecado pertencia a Adriaan Adriaans, também conhecido por Aris Kint, um ladrão que havia sido enforcado por roubo. Estudiosos da pintura acreditam que o braço esquerdo pintado não é o braço de Aris Kint, mas de um outro cadáver previamente dissecado por Tulp (É bastante perceptível que o antebraço esquerdo é maior que o direito).Segundo mostrou o raio X da pintura, inicialmente a mão direita do cadáver não tinha dedos. Rembrandt pintou-a posteriormente com base na mão de outra pessoa (É uma mão delicada, com unhas bem cortadas, nada lembrando a de um ladrão). Considera-se a possibilidade de Aris Kint ter tido a mão cortada quando ainda vivo, pois no século XVII, em algumas situações, havia na Holanda a prática jurídica de se amputar a mão do ladrão como pena prévia à pena capital.
A Lição de Anatomia do Dr. Tulp está exposta no Museu Mauritshuis, em Haia, na Holanda. A casa onde funciona o Museu pertenceu ao colonizador Maurício de Nassau.
Há, na ofensiva desembestada da direita contra o controlo público da TAP, um rancor que contrasta curiosamente com a pedinchice de financiamento sempre que esta ou outra empresa cai em dificuldades. Se a chuva de dinheiro se limitasse a salvar Neeleman, que aliás parece ter pouco que o recomende, a considerar as provas que deu nestes anos, cantariam os anjos no céu. Se esse dinheiro fosse somente uma carita transição para a venda à Lufthansa, como mandam as leis do mercado, era um sacrifício em prol do destino, mas aleluia que o mercado está salvo.
Agora o Estado querer dirigir a empresa que comprou, haver uma companhia de bandeira em Portugal e não se desbarretar perante a soberania alemã, isso é um atrevimento, que levanta no mesmo fervor espíritos tão diversos como Júdice, Figueiredo e Rangel. Vai ser caro, anunciam, lúgubres; se pagassemos abdicando do direito de exigir a adaptação da empresa às necessidades de Portugal, então seria um fulgurante negócio, como está bom de ver. É de notar que, entre os que agora se indignam com o custo, estão alguns dos que advogaram, intermediaram, consultoraram ou aplaudiram negócios como a privatização dos CTT, da EDP, da REN e outros esplêndidos contratos que acomodaram fortunas, são portanto especialistas de cartilha passada em questões de gestão da coisa pública.
8 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.
💉 Vacina para o coronavírus: Estamos perto de encontrar uma? O que está a acontecer
Vacinas para prevenir o COVID-19 estão a ser desenvolvidas a um ritmo recorde. Neste artigo pode encontrar tudo o que precisa de saber acerca do progresso que foi feito até agora contra esta doença potencialmente fatal.
O artigo inclui notícias recentes sobre os candidatos a vacinas a ser desenvolvidos em vários países, as investigações mais promissoras, mas também reflecte sobre as dificuldades e as várias fases antes de uma aprovação generalizada, ou a probabilidade de não se conseguir uma vacina.
1 jul 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, JL Andrade.
🖐️ A política pandémica da Europa: como é que o vírus mudou a visão do mundo
A crise da covid-19 é provavelmente a maior experiência social das nossas vidas. Não sabemos quando ou como irá terminar. É ainda demasiado cedo para prever como irá mudar radicalmente a forma como os europeus vêem as suas próprias sociedades. Mas já podemos ver que a pandemia transformou a forma como os europeus vêem o mundo para além da Europa, e – como consequência – o papel da União Europeia nas suas vidas.
Nas fases iniciais da crise, a política foi suspensa, e a opinião pública ficou atrás das acções dos governos nacionais. Os cidadãos foram enviados para o exílio interno nas suas próprias casas, muitos paralisados pelo medo e pela incerteza. Os governos avançaram rapidamente para introduzir medidas de emergência para impedir a propagação da doença, apoiar os sistemas de saúde, e salvar postos de trabalho e empresas do colapso.
Na próxima fase da crise, à medida que os governos angariarem vastas somas de dinheiro para financiar uma recuperação, terão de ter em conta a política. Não será suficiente desenvolver as políticas certas; os governos e os líderes da UE também terão de encontrar a linguagem e os quadros adequados para ganhar o apoio do público para as suas políticas. Para o fazerem, terão de compreender como a covid-19 mudou – ou não – os receios e expectativas do público.
30 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.
👷🏾 O Manifesto da ‘Main Street’: precários de todos os países, uni-vos!
Os protestos históricos que varreram a América estavam atrasados, não apenas como uma resposta ao racismo e à violência policial, mas como uma revolta contra a plutocracia entrincheirada.
O novo proletariado – o precariado – é agora revoltante. Parafraseando Marx e Friedrich Engels no Manifesto Comunista: “Deixem as classes plutocratas tremer perante uma revolução do Precariado. Os precários não têm nada a perder a não ser as suas correntes. E têm um mundo a ganhar. Trabalhadores precários de todos os países, uni-vos!‘
29 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque, Luis Grave, JL Andrade.
🦠 Como o vírus ganhou
Começou pequena. Um homem perto de Seattle teve uma tosse persistente. Uma mulher em Chicago teve febre e falta de ar.
Surgem surtos invisíveis em todo o lado. Os Estados Unidos ignoraram os sinais de aviso. Analisámos padrões de viagem, infecções ocultas e dados genéticos para mostrar como a epidemia se tornou descontrolada.
Um relato interativo de impressionante qualidade, com eficazes visualizações de dados, mostra-nos como os EUA perderam contra a pandemia.