EXTINÇÃO do Acto Fundador Otan-Rússia, assinado em 27 de maio de 1997 | Guerra da Ucrânia expõe reversão de caminho que acordo entre Rússia e Otan desenhou há 25 anos. Pacto eliminou vestígios da Guerra Fria e mirava aproximação de Moscovo e Ocidente, mas foi sepultado.

Renan Marra | SÃO PAULO

Os então presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin, de EUA e Rússia, em reunião sobre a Otan em Helsinque, na Finlândia – Alexander Tchumitchev – 21.mar.1997/TASS/Reuters

“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton.

“São novos tempos”, declarava Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, no dia da assinatura do primeiro acordo de cooperação econômica e militar depois da Guerra Fria entre a Rússia e a Otan, hoje em lados opostos na Guerra da Ucrânia.

O pacto, à época inesperado, foi chamado de Acto Fundador Otan-Rússia e assinado em 27 de maio de 1997, há 25 anos, eliminando formalmente os últimos vestígios da Guerra Fria oito anos depois da queda do Muro de Berlim.

Boris Ieltsin, na Presidência da Rússia, celebrou a aproximação com o Ocidente declarando que os mísseis nucleares de seu país —hoje trazidos à baila por figuras do regime de Vladimir Putin— não estariam mais direcionados para alvos de membros da Otan. A aliança militar liderada pelos EUA, por outro lado, comprometia-se a consultar Moscou na tomada de decisões e a não deslocar um grande contingente militar e armamentos nucleares para as fronteiras russas.

“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton sobre o acordo, em termos que hoje, à luz de declarações de Putin, soam deslocados. Anos antes, a aliança militar também teria se comprometido a não interferir no poderio nuclear russo nem se expandir para o Leste Europeu, onde estão ex-repúblicas soviéticas.

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Não foi por acaso | Carlos Branco, Major-general e Investigador do IPRI-NOVA | in Jornal Económico 19/05/2022

Ao contrário da Administração anterior, Biden vê a eliminação de Moscovo como um passo determinante e necessário antes da confrontação militar com a China, e assim dominar a Eurásia, o seu o último objetivo.

A expressão pertence a John Kirby, porta-voz do Pentágono, quando se referia à excelência do desempenho das forças armadas ucranianas no campo de batalha, resultante da preparação a que foram submetidas durante oito anos, pelos EUA e seus aliados (Canadá e Reino Unido). Uma série de declarações semelhantes proferidas por altos dirigentes norte-americanos ajudam-nos a compreender o que está verdadeiramente em jogo no conflito na Ucrânia.

Sem recorrer ao mais do que citado Brzezinski e às suas teorias do pivô estratégico, relembro os discursos de Joe Biden em que afirmava ser a expansão da NATO para os Estados Bálticos a única coisa que poderia provocar uma resposta hostil e vigorosa da Rússia, ou as suas mais recentes afirmações, em Varsóvia, apelando a uma operação de mudança de regime em Moscovo, o que na prática se traduz na intenção dos EUA substituírem Putin e o poder presentemente instalado no Kremlin por um regime subsidiário de Washington.

O confronto dos EUA com a Rússia é apenas um dos capítulos do projeto da afirmação hegemónica global de Washington, que visa, entre outros aspetos, afetar as relações da Rússia com Europa, e as veleidades europeias de autonomia estratégica, nomeadamente quebrar o comércio e o investimento bilateral com a Rússia e a China.

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Questão aos Sábios “Donos Disto Tudo | DDTs”

Dizem os sábios : todos os países têm direito a escolher as ligações/alianças/organizações a que querem pertencer.

Pois bem, entretanto, um país que queira entrar na NATO ou mesmo na UE tem de ser aceite por unanimidade.

Basta um membro dizer NÃO, para que esse suposto direito automático se NÃO aplique.

Mas, se for um vizinho, que irá eventualmente ficar com armas nucleares apontadas para si, logo ali pertinho, não poderá opor-se e tem de aceitar.

CAROS SÁBIOS, podem explicar DEVAGARINHO para nós entendermos bem ? – é que estamos mesmo confusos – o mundo está à beira de uma guerra nuclear, e nós, “povinho”, estamos nas mãos de alguns sábios “DONOS disto TUDO”, que tudo impõem, tudo comandam e tudo decidem, sempre ao lado do CMI (complexo militar industrial).

Observação: DONOS disto TUDO = DDTs

Desenho na prisão | Álvaro Cunhal 1953/1961

A tentativa dos países da UE de rejeitar os produtos energéticos russos é “suicídio económico”, disse o presidente russo, Vladimir Putin.

Humanismo | Cosmopolitismo | Globalismo »»» custará assim tanto aderirmos a estas três premissas? Será que a Humanidade não tem, de todo, inteligência e vontade para promover a paz? PORQUÊ? (vcs)

A tentativa dos países da UE de rejeitar os produtos energéticos russos é “suicídio económico”, disse o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma reunião sobre o desenvolvimento da indústria petrolífera. Segundo ele, Bruxelas está tomando decisões politicamente motivadas que, acima de tudo, prejudicam a própria economia da UE.

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Histórias da guerra – 3 | O BIGODES – um guarda costas e peras | por Agostinho Nogueira

Chamava-se, se bem me lembro, Joaquim Manuel Charrréu Charruadas – nome tipicamente alentejano como era o seu dono. Charréu, para os alentejanos, é um pássaro igual aos pardais do resto do país. Apesar de não constar do Dicionário, suponho que o nome vem da forma de se expressarem – mais parecida com um ralo do que com um rouxinol. Charruadas parece vir de charrua, instrumento que os alentejanos aprenderam a manusear a seguir à enxada, muito antes do trator, que, para o Bigodes, era feminino – uma tratoraaaa…

Na tropa toda a gente recebe um baptismo. Ali mesmo, sem padrinho nem madrinha, muitos passam a ser conhecidos pelo nome da terra donde vêem – havia o Setúbal, um mecânico não sei se mais habilidoso que maluco, ou vice versa, o Grândola que tinha o negócio das fotografias, o Brinches, o cabo Ferreira que era de Ferreira do Alentejo e morreu afogado a tomar banho no mar (azar dum gajo… ir para a guerra p´ra morrer afogado a tomar banho …) E havia ainda o SPM…iniciais de Serviço Postal Militar…porque o SPM da Companhia era o 2666…e aquele militar tinha esse número…

Para o Charreu Charruadas, sabe-se lá porquê, a imaginação colectiva ditou outra alcunha – era o jeep. Nunca soube a origem do apelido nem quem foi o primeiro que o chamou assim…devia fazer parte das NEP’s, como muitas outras coisas da tropa que eram só para fazer, não eram para entender…

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Há 50 anos, a 16 de maio de 1972, a polícia de choque invadia o Instituto Superior Técnico, à hora de almoço (à tarde seria a vez de Económicas). A resposta seria o grande salto em frente do movimento estudantil

Naquele tempo, nos idos de 70, o Instituto SuperiorTécnico, em Lisboa, tinha dois terrores: Análise (I e II) e Álgebra. A forma como as matemáticas avançadas eram ensinadas aos jovens estudantes de engenharia misturava um ambiente fabril oitocentista (anfiteatros sobrelotados, onde a matéria era dada à desfilada) com execuções em massa dignas de um matadouro: exames onde as taxas de reprovações eram estratosféricas, havendo salas inteiras em que apenas passavam duas ou três pessoas. 

Artigo Exclusivo para assinantes

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Alerta urgente! Está na hora de intervir! Políticos para a PAZ !

Personalidades Políticas que se consideram estar particularmente bem posicionadas para ajudar a encontrar o caminho da Paz, com Concórdia e Visão Humanista e Cosmopolita do Futuro da Humanidade. (vcs)

Political Personalities who are considered to be particularly well placed to help find the way to Peace, with Concord and a Humanist and Cosmopolitan Vision of the Future of Humanity. (vcs)

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Aristóteles à la minute resume a guerra da Ucrânia! | por Carlos Matos Gomes

A Odisseia de Homero vista por um agente de viagens. Há um invadido e um invasor. Um Mau e um Bom! Mas onde raio está o cavalo de Troia?

No século VIII a.C., Homero escreveu a Ilíada, apontada como o livro inicial da literatura ocidental, onde versava sobre a Guerra de Troia. O segundo livro, Odisseia, dava conta do que aconteceu depois da batalha, quando Ulisses tentava regressar.

Um dos seus aspetos mais notáveis da epopeia é o modo como está construída, com um início in media res, que foi reproduzido em inúmeras obras posteriores. Uma sofisticada técnica literária que permite entrar na metade da história, revelando os eventos que aconteceram antes através de memórias e flashbacks.

A Odisseia é uma narrativa política e histórica complexa, que que trata entre outros temas do papel da mulher na sociedade — Penélope; fantástico e que versa sobre a descoberta de outros mundos — Poseidon; do poder, do encantamento, da vingança — Ulisses.

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Há 77 anos | A vitória sobre o nazi/fascismo

Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se aos aliados ocidentais e, no dia seguinte, à URSS e seus aliados do Leste, terminando a maior e a mais trágica guerra de sempre, ainda que a Guerra só terminasse de jure com a posterior rendição do Japão.

Acabou nesse dia a 2.ª Guerra Mundial na Europa. Dez dias antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a amante, Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, e a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto.

O Alto Comando alemão, gorada a tentativa de assinar a paz com os aliados ocidentais, rendeu-se, sem condições, em 8 de maio de 1945. Nesse dia começou o fim do pesadelo que o nacionalismo, a xenofobia e o racismo provocaram, desde o dia 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia, perante a conivência de muitos polacos. A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, começou a guerra de expansão com fortes apoios em países invadidos. A Espanha, vítima da barbárie de Franco, vivia o medo, silêncio e luto de 1 milhão de mortos, desaparecidos e refugiados, e as ditaduras ibéricas sobreviveram à sua matriz nazi/fascista até à morte dos respetivos ditadores.

Quando parecem esquecidos os crimes do nazi/fascismo e o maior plano de extermínio em massa de que há memória, regressam fantasmas e surgem velhos demónios, como se o Holocausto não tivesse ocorrido e os fornos crematórios não tivessem assassinado milhões de judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, na orgia cruel de que a loucura nacionalista foi capaz.

O nazi/fascismo levou a guerra a África e à Ásia e, na Europa, não foram os europeus que o derrotaram, foram os EUA e a URSS que vieram esmagar a besta nazi contra a qual a coragem e abnegação dos resistentes foram impotentes.

Após a implosão da URSS, na improbabilidade de regresso dos partidos comunistas ao poder, deixou de haver desculpas para a extrema-direita e atenuantes para a xenofobia, o racismo, a homofobia, o antissemitismo e todos os crimes de ódio de que uma alegada supremacia rácica é capaz.

A capitulação alemã, 8 de maio de 1945, foi fundamental para a História mundial. Os historiadores comparam-na à Reforma Protestante e à Revolução Francesa. Recordar o nazismo é refletir sobre a violência do Estado, erradicar o antissemitismo e homenagear todas as vítimas que ao longo da história foram perseguidas por preconceitos religiosos, étnicos e culturais.

É urgente recordar a História porque a repetição da tragédia é já uma ameaça. Sente-se o despertar de demónios totalitários que originaram a maior tragédia do século XX.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

29 de Abril de 1945: II Guerra Mundial. O 7ºExército dos EUA liberta o campo de concentração de Dachau.

O campo de concentração de Dachau foi o primeiro criado pelo governo nazi. Heinrich Himmler, chefe da polícia de Munique, descreveu-o oficialmente como “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos”. Foi construído nas dependências de uma fábrica de munições abandonada, a cerca de 15 quilómetros a noroeste de Munique, no sul da Alemanha.

Dachau serviu como protótipo e modelo para os outros campos. Tinha uma organização básica, com prédios desenhados pelo comandante Theodor Eicke. Dispunha de um campo distinto, perto do centro de comando, com salas de estar, administração e instalações para os soldados. Eicke tornou-se ainda o inspector-chefe para todos os campos de concentração.

Cerca de 200 mil prisioneiros de mais de 30 países foram “hospedados” em Dachau, dos quais aproximadamente um terço era judeu. Acredita-se que mais de 35.600 prisioneiros foram mortos no campo, principalmente por doenças, má nutrição e suicídio. No começo de 1945, houve uma epidemia de tifo no local, seguida de uma evacuação em massa, dizimando boa parte dos prisioneiros.

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The Russell-Einstein Manifesto | Issued in London, 9 July 1955

Retirado do facebook | Mural de Ana Filgueiras

“Apelamos enquanto seres humanos para seres humanos:

Lembrem-se da vossa humanidade e esqueçam o resto” ❤️

A Diana Andringa, em tempo infelizmente oportuno, tem vindo a lembrar o Manifesto Russell-Einstein, lançado em Londres , por Russell e Einstein, a 9 de julho de 1955, em plena Guerra Fria. Um apelo humanista ao fim da guerra, e do fabrico e uso de armas de destruição maciça, assinado por onze importantes cientistas e intelectuais . Alertavam então a comunidade internacional para os perigos da proliferação de armamento nuclear, e aos líderes das principais potencias nucleares para a urgência de soluções pacíficas para os conflitos internacionais. É hora de o relembrar…

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Albert Einstein e Bertrand Russel:

“Here, then, is the problem which we present to you, stark and dreadful and inescapable: Shall we put an end to the human race or shall mankind renounce war?”

In the tragic situation which confronts humanity, we feel that scientists should assemble in conference to appraise the perils that have arisen as a result of the development of weapons of mass destruction, and to discuss a resolution in the spirit of the appended draft.
We are speaking on this occasion, not as members of this or that nation, continent, or creed, but as human beings, members of the species Man, whose continued existence is in doubt. The world is full of conflicts; and, overshadowing all minor conflicts, the titanic struggle between Communism and anti- Communism.
Almost everybody who is politically conscious has strong feelings about one or more of these issues; but we want you, if you can, to set aside such feelings and consider yourselves only as members of a biological species which has had a remarkable history, and whose disappearance none of us can desire.
We shall try to say no single word which should appeal to one group rather than to another. All, equally, are in peril, and, if the peril is understood, there is hope that they may collectively avert it.

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28/04/2022 | GUERRA NO LESTE DA EUROPA | Nota do Coordenador, Vítor Coelho da Silva

Após a visita do Secretário Geral da ONU, Engº António Guterres, a Moscovo e Kiev, torna-se evidente que os diversos intervenientes neste lamentável e inaceitável conflito, se mostram muito pouco empenhados num cessar-fogo imediato com consequente negociação para um acordo de PAZ, definitivo e duradouro. Deixando um apelo público à Rússia, Ucrânia, USA, NATO, UE e ONU e demais políticos mundiais empenhados numa solução urgente, clara e definitiva, informo que não serão colocados mais artigos visando este tema no Blogue das Culturas. Haja Paz, Concórdia e Visão Humanista do Futuro da Humanidade. (vcs)

PINTURA | PICASSO E AS POMBAS DA PAZ

O pesadelo da Jugoslávia, 23 anos depois | por Lisa Portugal

O coro hipócrita de muitos dos que agora choram lágrimas de crocodilo pela Ucrânia inclui os agressores da Jugoslávia.  

Alguns que agora se sentem tão chocados por haver “guerra na Europa” operaram ou foram cúmplices na bárbara destruição e desmembramento de um país europeu.  

Um deles é o amnésico António Guterres, então primeiro-ministro do nosso país, responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na «coligação» que bombardeou a República da Jugoslávia. 

A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos da aviação da NATO à Jugoslávia. Durante 78 dias, cumpriram 38 mil missões, das quais 11 mil de bombardeamento, com mais de 23 mil bombas e mísseis. 

Os bombardeamentos da NATO, que se iniciaram sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, lançaram entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um número indeterminado de mortos por cancros causados pelas radiações, e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas. 

Os ataques aéreos deixaram o país em ruínas, com milhares de mortos, incluindo civis, e dezenas de milhar de feridos, para além do desastre ambiental que provocou. 

Em 2019, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve a desfaçatez de afirmar, durante uma conferência com estudantes na Universidade de Belgrado, que os bombardeamentos da Jugoslávia em 1999 foram para «proteger os civis e travar o regime» do então presidente, Slobodan Milosevic. 

Neste ataque, ficou célebre a madrugada do dia 23 de Abril de 1999, quando a NATO bombardeou a sede da Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), em Belgrado, transformado em alvo militar a abater pelo facto de revelar a agressão à Jugoslávia e uma realidade não conforme com a que foi fabricada pelo Ocidente, nomeadamente evidenciando as consequências dos ataques da Aliança Atlântica a pontes, comboios, mercados e fábricas. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, que afirmou recentemente não fazer «qualquer sentido» a guerra na Ucrânia, sublinhando que a operação russa «viola a Carta das Nações Unidas e causará um nível de sofrimento que a Europa não conhece desde pelo menos a crise dos Balcãs dos anos 90», enquanto primeiro-ministro de Portugal foi responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na coligação que bombardeou a República da Jugoslávia, sob a hegemonia da NATO, dos EUA de Bill Clinton e do Reino Unido de Tony Blair. 

Foto: Guerra na Jugoslávia – invadida pelos EUA/NATO 

Retirado do Facebook | Murais de Lisa Portugal e José Luis Roquete

Blog: Ensinar História | Joelza Ester Domingues | Surge o nome “América” para o novo continente

Em 25 de abril de 1507, o mapa Universalis Cosmographia do cartógrafo alemão Martin Waldseemüller trazia, pela primeira vez, o nome “América” para designar as terras descobertas por Cristóvão Colombo quinze anos antes. O mapa publicado em mil cópias revolucionou a percepção das pessoas mostrando que as terras descobertas pelo navegador genovês era um Novo Mundo e não um apêndice da Ásia.

O mapa fazia parte do livro Cosmographiae Introductio (“Introdução à Cosmografia”) cujo título completo era: “Introdução à Cosmografia com certos princípios necessários de Geometria e Astronomia aos quais são adicionadas as quatro viagens de Américo Vespúcio e uma representação de todo mundo, como projeção esférica e superfície plana, incluindo terras que eram desconhecidas de Ptolomeu, e foram recentemente descobertas. De acordo com o título do livro, o autor utilizou como referência os relatos de Américo Vespúcio sobre suas viagens de exploração às novas terras. No capítulo IX da “Introdução à Cosmografia”, Martin Waldseemülle comentou a respeito das terras descobertas: “Hoje, essas partes do mundo – Europa, África e Ásia – foram mais plenamente exploradas, e uma quarta parte foi descoberta por Américo Vespúcio, como se pode ver nos mapas anexos. E, como Europa e Ásia receberam nomes de mulheres, não vejo razão para não chamar esta outra parte de Amerige, isto é, a terra de Amérigo, ou América, em honra do sábio que a descobriu”.

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Polge de Mira-Minde | a Mata de Minde

O Polge de Mira-Minde, a Mata de Minde como é localmente conhecido, constitui um património natural de execional importância integrado no Parque Natural Serra de Aire e Candeeiros.

Numa altura em que associações e grupos locais tentam levar a cabo uma melhor gestão deste espaço, Rui Gonçalves e Saúl Roque Gameiro, apresentam na CASA DA MEMÓRIA em Minde, uma exposição de fotografias e pinturas no sentido de valorizar e lembrar as potencialidades paisagisticas e lúdicas do Polge. | Imagens do passado e do presente a não perder. | Agradecemos a sua visita.

Le Grand jeu : cette autre Ukraine qui se prépare en mer de Chine… | Observatus Geopoliticus | in YETIBLOG.ORG

Alors que les yeux de la planète sont fixés sur l’Ukraine, l’autre bout de l’échiquier eurasien réunit petit à petit tous les ingrédients d’un futur conflit jumeau. N’acceptant visiblement pas le reflux impérial, la thalassocratie américaine semble en effet décidée à allumer des feux sur tout le pourtour du continent-monde.

Bras de fer en extrême-Orient

Mais avant d’y venir, quelques rappels sont nécessaires. Nous avons expliqué à de multiples reprises que les tensions en Extrême-Orient, coréennes par exemple, n’étaient elles-mêmes qu’un épisode d’un bras de fer bien plus vaste :

C’est de haute géostratégie dont ils s’agit. Nous sommes évidemment en plein Grand jeu, qui voit la tentative de containment du Heartland eurasien par la puissance maritime américaine (…) La guerre froide entre les deux Corées ou entre Pékin et Taïwan sont du pain béni pour Washington, prétexte au maintien des bases américaines dans la région.

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“É preciso ensinar a compreensão humana” | Edgar Morin | in Revista Prosa Verso e Arte

Nos acostumamos a acreditar que pensamento e prática são compartimentos distintos da vida. Quem pensa o mundo não faz o mundo e vice-versa. Mas, houve um tempo em que os sábios, eventualmente chamados de cientistas ou artistas, circulavam por diversos campos da cultura. Matemática, física, arquitetura, pintura, escultura eram matéria-prima do pensamento e da ação. A revolução industrial veio derrubar a ideia do saber renascentista e, desde o século 19, a especialização foi ganhando força.

Mas, sempre haverá quem nos lembre que a vida é produto de um contexto, de um acúmulo de vivências e ideias. Pense num filósofo que pegou em armas contra o nazismo para depois empunhar as ferramentas da retórica contra o stalinismo, que reconhece a importância dos saberes dos povos originais sem abrir mão de pensar e repensar a educação formal.

Com mais de 90 anos, o francês Edgar Morin, nascido e criado Edgar Nahoum no início do século 20, é um dos mais respeitados pensadores do nosso tempo. Com uma gigantesca produção literária, pedagógica e filosófica. Em tempos de radicalismos, Morin é herdeiro do melhor do humanismo francês. Em entrevista ao programa Milênio, Edgar Morin fala sobre o extremismo e o significado da educação na contemporaneidade. Leia abaixo:

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Teatro Romano de Palmira | Síria

Teatro romano de Palmira (em árabe: المسرح الروماني بتدمر) é um teatro romano na antiga cidade de Palmira, no Deserto Sírio. O edifício, nunca completamente concluído, foi construído no século II d.C.  As ruínas foram restauradas no século XX antes da Guerra Civil Síria (iniciada em 2011) era o local onde se realizavam os espetáculos do Festival de Palmira de Cultura e Artes.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_romano_de_Palmira

Ucrânia | por Rainer Matos-Franco

Internacionalista por El Colegio de México y maestro en Estudios de Rusia y Eurasia por la Universidad Europea de San Petersburgo. Colaborador frecuente en Istor (CIDE), Nexos, la Revista de la Universidad de México y Este País. Es autor de la Historia mínima de Rusia (México, El Colegio de México, 2017).

Não custa nada aprender, basta um pouco de paciência e vontade, além de curiosidade. Este texto foi traduzido do espanhol e terá por isso algumas imprecisões meramente gramaticais. (Rodrigo Sousa e Castro).

Rainer Matos-Franco

O que hoje é conhecido como “Ucrânia” reúne territórios muito diversos – em termos políticos, econômicos, sociais, culturais, religiosos e linguísticos – que formaram uma única entidade política até 1954, quando Nikita Khrushchev cedeu a maioria étnica República Autônoma da Crimeia Russa, a República Socialista Soviética da Ucrânia.

Mesmo nos últimos anos temos visto rearranjos territoriais mesmo naquele país, como a anexação da própria Crimeia à Rússia em março de 2014. A última região que foi incorporada à Ucrânia antes de 1954 foi o que é amplamente conhecido como Galícia em 1939, com a União Soviética invasão da Polônia pelo leste para “proteger” as minorias rutenas do avanço alemão do oeste.

Ao contrário da Ucrânia soviética entre 1917 e 1939, onde o conteúdo nacional foi impulsionado de cima com a política de nacionalidades ou Korenizatsiia – promovendo a cultura e a língua ucraniana para conter o nacionalismo –(Martin, 2001), as minorias políticas ucranianas na Polônia do entreguerras, que eram maioria em províncias como Volínia, se radicalizaram ao longo dos anos. Além da tentativa caótica e complicada de estabelecer uma Ucrânia independente durante a Guerra Civil Russa (1917-1921), o movimento nacionalista radical ucraniano nasceu na Polônia anos depois e logo optou pelo radicalismo. Desde 1929, foi fundada em Viena a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), um típico movimento fascista que buscava libertar-se do jugo polonês e, em segundo lugar, estabelecer laços com a nação ucraniana ampliada na Ucrânia soviética.

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Para quem acha que, por mau que seja, só há um culpado | Análise de Jaime Nogueira Pinto in (Observador)

Em 1815, no Congresso de Viena, os vencedores da guerra contra o Império napoleónico tiveram o cuidado de não humilhar a França, de fazer de conta que a Revolução e Napoleão eram os únicos culpados dos 25 anos de guerra na Europa, que esses anos de guerra e sofrimento não tinham nada a ver com o povo francês e que a restauração dos Bourbon curava as feridas passadas.

Cem anos depois, os vencedores da Grande Guerra fizeram do Tratado de Versalhes uma paz punitiva para a Alemanha e para o povo alemão, pondo a primeira pedra para o que seria a vertiginosa ascensão de Adolf Hitler.

Em 1945, as políticas seguidas com a Alemanha e o Japão vencidos foram diferentes. A Alemanha ficou dividida, mas como a Guerra Fria começou logo a seguir, soviéticos e ocidentais, depois dos primeiros tempos de brutal ocupação, tiveram o cuidado de tratar bem os “seus” alemães.

A vitória do Ocidente na Guerra Fria resultou da aliança de uma tríade – Reagan, Thatcher, João Paulo II – que, alimentando a resistência polaca, rearmando militarmente e usando o bluff da SDI-Guerra das Estrelas, forçou Gorbachev a “reformar” o sistema, retirando-lhe aquilo que o sustentava – o medo.

Assim, as Repúblicas Soviéticas, usando as suas constituições “independentes”, abandonaram uma estrutura que era mantida pela hegemonia do Partido Comunista e pelo sistema securitário. Porém, uma das preocupações nas negociações finais entre americanos e soviéticos foi a salvaguarda de um certo espaço livre entre as fronteiras da NATO e da Rússia.

O Presidente George H. Bush e os seus colaboradores, especialmente o Conselheiro Nacional de Segurança, general Brent Scowcroft, homens de formação realista, avessos a paixões ideológicas e conhecedores da História e da mentalidade russas, prepararam com toda a cautela o soft landing da URSS, percebendo que um Estado com semelhante poder militar e nuclear tinha de ser respeitado e bem tratado para não dar origem a fenómenos de ressentimento nacional de tipo hitleriano.

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O QUE SIGNIFICA DEFENDER A EUROPA? | por Slavoj Žižek | Opinião – DN

Após o ataque russo à Ucrânia, o governo esloveno imediatamente proclamou a sua prontidão para receber milhares de refugiados ucranianos. Como cidadão esloveno, senti-me não só orgulhoso como também envergonhado.

Afinal, quando o Afeganistão caiu para os talibãs há seis meses, esse mesmo governo recusou-se a aceitar refugiados afegãos, argumentando que eles deveriam ficar no seu país e lutar.

E há alguns meses, quando milhares de refugiados – principalmente curdos iraquianos – tentaram entrar na Polónia vindos da Bielorrússia, o governo esloveno, alegando que a Europa estava sob ataque, ofereceu ajuda militar para apoiar o vil esforço da Polónia para os manter afastados.

Em toda a região, surgiram duas espécies de refugiados. Um tweet do governo esloveno em 25 de fevereiro esclareceu a distinção: “Os refugiados da Ucrânia vêm de um ambiente que é no seu sentido cultural, religioso e histórico algo totalmente diferente do ambiente de onde os refugiados do Afeganistão estão a sair”. Após um clamor, o tweet foi rapidamente apagado, mas a verdade obscena foi divulgada: a Europa deve defender-se da não-Europa.

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Os militares e a análise da guerra no espaço público | Carlos de Matos Gomes

Esta guerra na Ucrânia é como todas a outras. É um facto político recorrente. Pode ser analisado recorrendo a métodos racionais ou emocionais. Para os militares esta guerra é analisada recorrendo à racionalidade. Qual é o objetivo da guerra: «Destruir o inimigo ou retirar-lhe a vontade de combater» (Clausewitz — A Guerra). Quando uma parte destrói o inimigo a guerra termina com uma rendição; quando uma parte entende que é mais ruinoso jogar no tudo ou nada, que perdeu o ânimo para combater a guerra termina por negociação. 

Os militares reconhecem a ineficácia de insultar os contendores, exceto para os implicados no fragor do combate e da batalha, como escape das ansiedades. Os militares também sabem que a análise de uma guerra não depende da bondade e ou maldade dos propósitos dos contendores, mas do seu potencial, o que inclui equipamento, treino, comando e combatividade. Os militares sabem que o resultado das guerras entre Atenas e Esparta, das invasões romanas, napoleónicas e nazis, a batalha de Trafalgar, ou de Lepanto, a ocupação das Américas e de África não foi determinado pela moral, nem pelos princípios da guerra justa, já de si um conceito bastante difuso, que hoje surge associado a um outro que é o do Direito Internacional, aplicado segundo as conveniências e os preconceitos, de forma amoral, porque hipócrita. 

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Norma Jeane Mortenson | Los Angeles

Nascida em Los Angeles, 1 de junho de 1926 — Brentwood, 4 de agosto de 1962) foi uma atriz, modelo e cantora norte-americana. Como estrela de cinema de Hollywood, é um dos maiores símbolos sexuais do século XX, imortalizada pelos cabelos loiros e as suas formas voluptuosas. Inicialmente, ficou famosa por interpretar personagens cômicos, tornando-se sucesso no cinema. Apesar de sua carreira ter durado apenas uma década, seus filmes arrecadaram mais de duzentos milhões de dólares até sua morte inesperada em 1962. Mais de cinquenta anos após sua morte, continua sendo considerada um dos maiores ícones da cultura popular.

Torquemadas do pensamento | José Goulão, 15.Mar.22

«A confraria transeuropeia de polícias de opinião deu finalmente corpo à assustadora profecia de George Orwell e criou o Ministério da Verdade». A violenta barragem há várias semanas em curso subiu exponencialmente de tom. Tom que, além de Orwell, evoca os tempos da Inquisição: qualquer heresia (ou qualquer recusa em condenar a heresia) conduzirá à fogueira. O que está em causa diz respeito a cada um de nós, e exige uma lúcida, determinada e combativa acção de resistência.

Passam por estes dias 19 anos sobre a segunda invasão do Iraque pelos Estados Unidos e outras potências da NATO, mantendo-se ainda a ocupação militar estrangeira do país. Uma guerra limpa, admirável sobretudo quando é apreciada de uma varanda de hotel de Bagdade, lançada por gente com plena sanidade mental, sustentada por razões de uma verdade inquestionável, sem crianças mortas, sem civis bombardeados, sem destruição da maior parte das infraestruturas do país, sem tortura nem chacinas, sem roubos de recursos naturais, sem jornalistas bombardeados de helicópteros como se fossem alvos de um jogo de computador, com espectaculares, cirúrgicos e inofensivos fogos-de-artifício lançados por máquinas de autêntica ficção científica. Um deleite para orgulhosos chefes políticos, inebriados jornalistas esgotando os arsenais de adjectivos e embasbacados telespectadores agarrados aos ecrãs, sorvendo a mais recente superprodução de Hollywood. Solidários com as vítimas? Uns esparsos milhares.

Que diferença dos tempos de hoje!

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Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003 | por Carlos Esperança

Cimeira das Lajes – Ilha Terceira, 16 de março de 2003

Na tarde de hoje, há 19 anos, na base das Lajes, teve lugar a cimeira da guerra onde, em macabra encenação, foi anunciada a invasão do Iraque.

George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar foram recebidos pelo mordomo luso, que fora a Londres ver as provas das armas químicas de Saddam Hussein, mentira que serviu de pretexto à agressão. Os sinistros cruzados já antes tinham decidido a invasão que ali fingiram acordar. Isso mesmo veio a ser confirmado num relatório parlamentar britânico.

Na Assembleia da República, em Portugal, o PSD e o CDS, então maioritários, votaram a participação no crime. Só não seguiu uma força militar, com desgosto de Paulo Portas, então ministro da Defesa, por oposição do honrado PR, Jorge Sampaio, invocando a sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas. A direita parlamentar e o seu governo avançaram então com um contingente da GNR.

Barroso, esse gigante da ética, videirinho e vil, havia de dizer, muito depois, que teve o apoio do PR, reincidindo em mais uma mentira que apenas reforçou a pusilanimidade do cúmplice.

Hoje, volvidos 19 anos, centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados são as vítimas doe crime cujos autores ficarão impunes.

Então, a Europa herdeira do Iluminismo, a Europa da cultura e das democracias em que me revejo, renunciou ao ideal de paz para ser satélite de interesses alheios e cúmplice de uma invasão idêntica à que ora sofre, por três líderes que a desonraram.

É por isso que a luta contra o esquecimento exige que se recordem os autores amorais da invasão que destruiu um país, destabilizou o Médio Oriente e perturba o Mundo.

Não podemos esquecer.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

Noan Chomsky, les médias et les illusions nécessaires | Long métrage, documentaire

Avram Noam Chomsky dezembro de 1928) é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, ensaísta histórico,crítico social e ativista político. Às vezes chamado de “o pai da linguística moderna”, Chomsky também é uma figura importante na filosofia analítica e um dos fundadores do campo da ciência cognitiva. É professor laureado de linguística na Universidade do Arizona e professor emérito do Institutode Tecnologia de Massachusetts (MIT), e é autor de mais de 150 livros sobre temas como linguística, guerra, política e mídia de massa. Ideologicamente, alinha-se ao anarco-sindicalismo e ao socialismo libertário.

Olá Charlot | Joffre Antonio Justino

Olá Charlot, aliás Charlie Chaplin, aliás expulso dos EUA por comunista!

(um Memo para António Barreto)

“ mais  de 10 mil pessoas perderam seus empregos devido à Era McCarthy. Além dos professores, estavam na mira funcionários públicos considerados ‘infiltrados’, sindicalistas e artistas.” ( BBC )

“Este livro é para lhe contar o que as mentes mestras por trás do comunismo têm planejado fazer com seu filho em nome da ‘educação’. Elas querem levá-lo do berçário, vestí-lo com um uniforme, colocar uma bandeira da foice e do martelo em uma mão e uma arma na outra, e enviá-lo para conquistar o mundo”.

Assim começa o livreto 100 coisas que você deveria saber sobre o comunismo e a educação, editado nos Estados Unidos, em 1948, pelo Comitê de Atividades Contra-Americanas, da U.S. House of Representatives – a Câmara dos Deputados americana. O material fazia parte de uma campanha de oposição a comunistas ou supostos comunistas dentro dos Estados Unidos, articulada pela direita americana, que durou cerca de uma década, entre os anos 40 e 50.” ( n citações redes sociais mundo fora)

Vale recordar Charlie Chaplin Alfred Hitchcock Orson Wells Dalton Trumbo Edward G. Robinson Pete Seeger Luis Buñuel enfim os  mais de 140 intelectuais atacados pelos macartistas por serem comunistas uns sim outros não em todo o caso em lógica fascizante!

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Pour Moscou, une “question de vie ou de mort” | in Courrier International | par Hu Xijin

Hu Xijin, ancien rédacteur en chef du journal nationaliste chinois Huanqiu Shibao, évalue sur son blog les différentes issues possibles de la guerre en Ukraine. Selon lui, quelle que soit la suite des événements, ce conflit aura un impact sur la Chine.

Alors que la situation en Ukraine reste très incertaine, on me demande souvent quelles en seront les conséquences sur le monde et sur la Chine. Certes, la guerre en elle-même va avoir un impact énorme. Mais c’est surtout de son issue que découlera véritablement le nouveau paysage mondial.

Cette guerre est en fait une violente riposte de la Russie à l’Otan. Cette dernière, en s’élargissant vers l’est, a comprimé l’espace de sécurité russe. Les objectifs de Poutine devraient donc être limités. Si la puissance nationale russe permet à ce dernier de “s’opposer” partiellement aux États-Unis et à l’Occident, une confrontation totale serait forcément au-dessus de ses forces.

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Guerra | Informação | Propaganda | por António Conceição

Na guerra, evidentemente, a informação tem de ser controlada e substituída pela propaganda.

Uma das vertentes essenciais de qualquer guerra é o controle da sua dimensão psicológica (Alberto João Jardim que o diga, porque esteve não sei quantos anos no poder, eleito sempre democraticamente, com o que aprendeu na tropa).

A eficácia da guerra psicológica pressupõe o controle da informação.

Os mecanismos são básicos e há muito conhecidos:

a) multiplicar as representações do inimigo, como animal, para o desumanizar (o lobo, se o inimigo tiver um exército ou um porco, se inimigo for um povo desarmado, como sucedeu com as representações dos judeus no regime nacional socialista);

b) publicar muitas fotografias de crianças a sofrer por causa das bombas do inimigo;

c) publicar outras tantas fotografias dos actos heróicos do amigo, da sua generosidade no tratamento do adversário capturado e do arrependimento deste depois de descobrir a verdade, pedindo muito perdão e apelando aos seus para descobrirem, como ele, que a sua guerra é injusta. E, claro está, proclamar todos os dias em grandes manchetes que os nossos ganham as batalhas todas e o inimigo está de rastos, prestes a render-se incondicionalmente.

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A “Ferreirinha”, a empresária de sucesso que foi também uma mãe para os mais carenciados | por Miguel Louro

Nascida em Godim, Peso da Régua, a 4 de julho de 1811, no seio de uma família abastada e ligada ao culto da vinha, D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como “Ferreirinha”, foi uma das empresárias portuguesas mais bem-sucedidas de sempre.

D. Antónia viria a enviuvar cedo, aos 33 anos, mostrando posteriormente uma vocação para ser empresária. Deste modo, viria a liderar a Casa Ferreira, fundada pelo seu avô, Bernardo Ferreira, tendo vindo a desenvolver grandes plantações de vinha, construído armazéns, empregado um grande número de pessoas como mão de obra e expandido o negócio da família, ao adquirir outras quintas, como as de Aciprestes, Porto e Mileu e inclusive fundado algumas, de que é exemplo a de Vale Meão. Desta forma, tornou-se uma figura de renome no que toca à produção e comércio de Vinho do Porto.

A “Ferreirinha” ficaria conhecida pela enorme preocupação e carinho com que tratava as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas, tendo também lutado incessantemente contra a falta de apoios aos produtores nacionais por parte dos sucessivos governos, que se revelavam mais interessados em adquirir vinhos espanhóis.

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VERDI, AIDA “MARCHA TRIUNFAL”

AIDA Es un nombre femenino que significa “visitante” o “regresando” es una ópera en cuatro actos con música de Giuseppe Verdi y libreto en italiano de Antonio Ghislanzoni, fue estrenada en el Teatro de Ópera del Jedive en El Cairo el 24 de diciembre de 1871 Y dirigida por Giovanni Bottesini.

En contra de la creencia popular, la ópera no se escribió para conmemorar la inauguración del Canal de Suez en 1869, ni tampoco para el Teatro de Ópera del Jedive en el Cairo y el mismo año.

Es cierto que A Verdi le pidieron componer una oda para la apertura del Canal, pero declinó la petición arguyendo que no escribía “piezas ocasionales”, más cuando Verdi leyó el argumento escrito por Auguste Mariette lo consideró como una buena opción y finalmente aceptó el encargo el 2 de junio de 1870.

Música | Aïda, Aida, Act II: Triumphal March

Artista | Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, Carl-August Bünte

As invasões e a História — lições não recordadas | Carlos de Matos Gomes

A história não é neutra, se fosse uma ferramenta seria um canivete suíço.

A invasão russa da Ucrânia tem motivado várias lições de história daquela região da Europa que nos contam o seu passado desde a antiguidade, mas os historiadores raramente falaram das duas invasões da Europa ocidental à Rússia, a de Napoleão e a de Hitler, eu nunca os ouvi.

Essa referência não é, contudo, a meu ver, já útil como instrumento de análise do presente. A invasão está a decorrer e assunto arrumado. O conflito irá terminar. É histórico que os conflitos terminam, mesmo a guerra dos romanos contra os parsas terminou ao fim de 300 anos, com a derrota de ambas as partes, diga-se, e a vitória de um terceiro império.

Mas há dois exemplos do passado mais recente que poderiam ter algum interesse para lidar com a situação presente e a de curto prazo, que evitasse, ou amenizasse o sofrimento de quem sempre sofre, os povos, aqueles que são ultrapassados pela história e pelos interesses que a fazem mover.

Um desses exemplos diz-nos respeito: As invasões francesas, napoleónicas, da Península Ibérica. A Espanha aceitou um rei francês, irmão de Napoleão e ser uma base francesa. Portugal também aceitou os franceses, mas os ingleses (com Wellington) vieram lutar contra eles em Portugal e parte dos portugueses apoiou-os. Quando os ingleses (tropas anglo-lusas) venceram nas linhas de Torres expulsaram os franceses (Massena) e os espanhóis aproveitaram para fazer o mesmo.

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O Acordo Plausível | Noam Chomsky

Hoje existem dois confrontos principais: Ucrânia e China. Em ambos casos existem acordos regionais plausíveis. Todos sabem que o acordo plausível na Ucrânia é não deixar que se junte à Organização Tratado Atlântico Norte (OTAN). A saída viável para a Ucrânia é uma neutralidade ao estilo-austríaco que funcionou muito bem ao longo da Guerra Fria.

Foi permitido à Áustria estabelecer todas as ligações que quis a Ocidente e com a União Europeia. A única restrição era que não tivesse bases militares dos EUA e forças no seu território.
A velha visão Atlantista da OTAN era que o seu propósito era manter a Alemanha em baixo, a Rússia fora e os Estados Unidos no comando.
Hoje as negociações do presidente francês, Emmanuel Macron foram agressivamente atacadas nos EUA porque iam na mesma direcção — em direcção a um acordo pacífico negociado por europeus.

Para os EUA este tem uma enorme desvantagem: põe os EUA de lado e isso não pode ser. Os EUA devem tentar bloqueá-lo e assegurar de que há uma solução atlantista que estes liderem.

Noam Chomsky

A EUROPA E AS SUAS FRONTEIRAS: DILEMAS CULTURAIS E GEOPOLÍTICOS | Ilídio do Amaral

EDITOR: ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

“Fixai deste mundo a Europa, o sólido e imobilizado chão sobre o

qual desliza pacífica a europeia união para leste.”

Tendo em conta apenas o século XX as fronteiras de muitos países europeus, sobretudo do centro e do leste, foram desenhadas e redesenhadas várias vezes, resultando disso modificações políticas e sociais importantes. Isto ocorreu antes e depois da I.ª e da II.ª Guerra Mundial, bem como na sequência do colapso da União Soviética.

Mais modificações sobrevieram com os alargamentos sucessivos da União Europeia. Têm sido alteradas fronteiras externas, dissolvidas as internas, reemergiram velhas fronteiras, houve o estabelecimento de novas fronteiras. Um certo número de antigas regiões fronteiriças passou de fronteiras nacionais a regiões fronteiriças internas da União Europeia como um todo.

Muita gente viu-se perante mudanças que afectaram não só os quotidianos das suas vidas, mas também alteraram situações nos planos regional, nacional e europeu.

Num sentido político, os alargamentos da União Europeia mudam a natureza das relações entre Estados. Antes da adesão, eles eram tratados pela União como partes da sua política de relações externas, depois dela passaram a constituir questões internas, ainda que em muitos casos seja deficiente a política externa da União.

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VIAGEM AO PASSADO POR CAUSA DO PRESENTE | por José Pacheco Pereira in Jornal Público | 22/12/2012 (nós, humanidade, não temos vergonha – vcs)

Hoje tudo é muito diferente em relação ao passado, mas também muita coisa é demasiadamente igual.

No final do século XIX, princípio do século XX, o incipiente operariado português concentrava-se em poucas fábricas dignas desse nome no Norte do país, em particular no Porto, e numa multidão de pequenas oficinas em Lisboa e Setúbal e nas principais cidades do país. Eram operários e operárias, tabaqueiros, têxteis, soldadores, conserveiros, corticeiros, mineiros, padeiros, alfaiates, costureiras, cinzeladores, cortadores de carnes verdes, carpinteiros, fragateiros, estivadores, carregadores, carrejonas no Porto, carvoeiros, costureiras, douradores, etc., etc. Havia uma multidão de criados e criadas, criadas “de servir”, e muito trabalho infantil em todas as profissões, em particular nas mercearias, onde os marçanos viviam uma infância muitas vezes brutal, dormindo na loja e carregando com cargas muito pesadas. Falei em operariado, mas na verdade, muito poucos correspondem ao conceito, porque se trata mais de artífices, trabalhadores indiscriminados, e em muitos casos com profissões hierarquizadas em que os aprendizes eram sujeitos a todos os abusos. Havia depois uma aristocracia operária, essencialmente entre os que faziam tarefas qualificadas e mais bem pagas, como era o caso dos tipógrafos, que sabiam ler e por isso tinham um mundo social diferente. Antero de Quental foi tipógrafo de passagem.

Deixo o campo de lado, em que a maioria dos portugueses ainda vivia, onde havia igualmente um território obscuro e pouco conhecido que despertou com a I República, os trabalhadores rurais alentejanos. Estes viviam uma vida violenta e esquecida no meio do deserto alentejano. Nos meios rurais vários grupos de trabalhadores vegetavam na mais negra miséria e vendiam o seu trabalho sazonalmente, nas vinhas do Douro, nos campos do Alentejo e Ribatejo como maltezes e ratinhos. O que de mau se pode dizer das cidades, pode-se dizer pior do campo ou das vilas piscatórias do litoral e mineiras do interior.

A economia do mundo operário centrava-se no salário muito escasso, na renda de casa, numa vila operária ou numa “ilha” se fosse no Norte do país, onde se amontoavam em condições higiénicas e sanitárias inimagináveis. A epidemia de cólera no Porto, e a habitual ocorrência de tifo, demoraram muito anos a lembrar os governantes do problema de insalubridade da “habitação operária” e deram origem aos bairros sociais no salazarismo.

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Eleições legislativas 2022 e as perdas da Esquerda

PS: 119 (+11); PSD 78 (-1); CH: 12 (+11); IL 8 (+7): CDU: 6 (-6) BE: 5 (-14); PAN: 1 (-3) ; L: 1

Os 11 deputados conquistados pelo PS, tendo o Livre recuperado o seu deputado, foram insuficientes para segurar na área da esquerda os 20 deputados que esta perdeu (BE-14 + CDU-6). Há agora mais 9 deputados na direita, com a agravante de o partido fascista ter mais 11 e os neoliberais mais 7, e ambos tinham 1 único deputado.

Resumindo, a esquerda perdeu para a direita 9 deputados e a direita democrática, depois dos deputados ganhos à esquerda e das trocas internas, perdeu mais 9 deputados (PSD – 1; CDS – 5; PAN – 3), para o partido neoliberal extremista e o fascista, que adicionaram ainda os 9 que a esquerda perdeu.

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Mão Invisível | uma história do neoliberalismo em Portugal | por Ricardo Paes Mamede

Desde os anos 80, as ideias económicas conhecidas por neoliberais tornaram-se dominantes em Portugal. A sua aplicação, em consonância com a integração europeia, modificou as estruturas económicas, mas registou fracos resultados no desenvolvimento do país. Como foi que essas ideias chegaram a Portugal, se difundiram e espalharam até se tornarem hegemónicas? E por que é tão difícil removê-las? Este filme procura responder as estas perguntas e questionar o futuro. Este trabalho tem o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT/MEC), através de fundos nacionais, e é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER, através do Programa Operacional Competitividade e Inovação – COMPETE2020, no âmbito do projeto RECON – Que ciência económica se faz em Portugal? Um estudo da investigação portuguesa recente em Economia (1980 à atualidade).

A Ucrânia — a NATO — Siga a dança | Carlos Matos Gomes

Num post no FB, o embaixador Luís Castro Mendes escreve a propósito de uma prestação do historiador Fernando Rosas na CNN que este está a cometer o mesmo erro que foi o de Vasco Pulido Valente, noutro tempo: reduzir a análise da realidade ao precedente histórico e minimizar as diferenças do novo para magnificar as constantes do passado. O meu amigo David Martelo, historiador com vasta obra na área da polemologia faz uma excelente síntese do passado de conflito na Europa Central a que deu o título: CORTINADOS GEOPOLÍTICOS, sobre o conflito “que opõe atualmente a Rússia aos aliados da OTAN, localizada sobre a fronteira da Ucrânia”, mas essa história não explica o presente.

A História serve para tudo. O que quer dizer que serve de pouco. Há exemplos para todas as explicações. O passado pode ajudar a perceber o presente, mas sem entendermos o presente o passado serve de pouco. O Japão não percebeu que o presente tinha mudado com a arma atómica e teve uma terrível surpresa. Marcelo Caetano não percebeu que o Exército de 1974, após 14 anos de guerra colonial, não era o Exército que tinha partido para Angola em 1961 e teve a surpresa do 25 de Abril. A Revolução Francesa e a Russa são exemplos de surpresas por incapacidade de perceber que o presente não é uma evolução em linha reta do passado. São inúmeros os exemplos.

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Branislav Hrvol | Você está perguntando sobre os resultados da “agressão” russa? | in Facebook

24 de dezembro de 2021

Um blogueiro finlandês chocou o Facebook quando publicou este artigo: Você está perguntando sobre os resultados da “agressão” russa? Eles são os seguintes: metade da Europa e parte da Ásia obteve a sua cidadania das mãos deste Estado em particular.

Vamos nos lembrar de quem exatamente:

– Finlândia nos anos 1802 e 1918… (até 1802 nunca teve seu próprio estado).

– Letônia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).

– Estónia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).

– A Lituânia restaurou o seu estado em 1918 graças à Rússia.

– A Polónia restaurou o seu estado com a ajuda da Rússia duas vezes, em 1918 e 1944. A divisão da Polónia entre a URSS e a Alemanha é apenas por um curto período de tempo!

– A Roménia nasceu como resultado das guerras russo-turcas e tornou-se soberana pela vontade da Rússia em 1877-1878.

– A Moldávia como um estado nasceu dentro da URSS.

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PORTUGAL | WIKIPÉDIA

Portugal, oficialmente República Portuguesa, é um país soberano unitário localizado no sudoeste da Europa, cujo território se situa na zona ocidental da Península Ibérica e em arquipélagos no Atlântico Norte. O território português tem uma área total de 92 090 km², sendo delimitado a norte e leste por Espanha e a sul e oeste pelo oceano Atlântico, compreendendo uma parte continental e duas regiões autónomas: os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Portugal é a nação mais a ocidente do continente europeu. O nome do país provém da sua segunda maior cidade, Porto, cujo nome latinocelta era Portus Cale.

O território dentro das fronteiras atuais da República Portuguesa tem sido continuamente povoado desde os tempos pré-históricos: ocupado por lusitanos e por celtas, como os galaicos, foi integrado na República Romana e mais tarde anexado por povos germânicos, como os suevos e os visigodos. No século VIII, as terras foram conquistadas pelos mouros. Durante a Reconquista cristã foi formado o Condado Portucalense,  estabelecido no século IX por Vímara Peres, um vassalo do rei das Astúrias. O condado tornou-se parte do Reino de Leão em 1097, e os condes de Portugal estabeleceram-se como governantes independentes do reino no século XII, após a batalha de São Mamede. Em 1139 foi estabelecido o Reino de Portugal, cuja independência foi reconhecida em 1143. Em 1297 foram definidas as fronteiras no tratado de Alcanizes, tornando Portugal no mais antigo Estado-nação da Europa com fronteiras definidas. Nos séculos XV e XVI, como resultado de pioneirismo na Era dos Descobrimentos (ver: descobrimentos portugueses), Portugal expandiu a influência ocidental e estabeleceu um império que incluía possessões na ÁfricaÁsiaOceânia e América do Sul, tornando-se a potência económica, política e militar mais importante de todo o mundo. O Império Português foi o primeiro império global da História e também o mais duradouro dos impérios coloniais europeus, abrangendo quase 600 anos de existência, desde a conquista de Ceuta em 1415, até à transferência de soberania de Macau para a China em 1999. No entanto, a importância internacional do país foi bastante reduzida durante o século XIX, especialmente após a independência do Brasil, a sua maior colónia.

Com a Revolução de 1910, a monarquia foi abolida, contando entre 1139 e 1910, com 34 monarcas.

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal

Harrison Ford at IUCN Congress | 03/09/2021

“É difícil ler as manchetes e dizer aos filhos que está tudo bem. Não está tudo bem”, desabafa Harrison Ford | in https://www.pensarcontemporaneo.com

Suzana Camargo / Conexão Planeta

Esta não foi a primeira vez que o ator e ambientalista americano Harrison Ford fez um discurso forte e contundente. No ano passado, disse que “Nossa maior ameaça não é a crise climática. Mas as pessoas que estão no poder e não acreditam na ciência”. Há poucos dias, durante a abertura do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), realizado em Marselha, na França, ele voltou a arrancar aplausos do público. Durante cinco minutos, falou com muita honestidade e demonstrou toda sua frustração perante o momento que vivemos.

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Pedro Nuno Santos no Comício em Aveiro | Legislativas 2022 | Discurso escrito + Discurso em vídeo

Deixo-vos o meu discurso ontem em Aveiro:

Caros camaradas e amigos,

No próximo domingo, o país vai ter de fazer uma escolha. Uma escolha entre um governo do Partido Socialista e um governo de direita. Os portugueses precisam, por isso, de conhecer os valores em que acreditam os partidos e as políticas que defendem para responder aos problemas do país. Vejamos algumas propostas emblemáticas que a direita apresenta aos portugueses.

– O líder do PSD defendeu num debate televisivo o regime misto de Segurança Social. Isto é, as pensões teriam uma parte financiada pelo sistema público e outra por um sistema de capitalização individual. Este sistema criaria dois problemas graves: primeiro, colocaria parte das pensões dos reformados na bolsa, correndo-se o risco de perder tudo como aconteceu com milhares de reformados americanos a seguir à grande crise financeira; segundo, provocaria um rombo nas contas públicas porque durante algumas décadas o Orçamento do Estado teria de financiar a parte das pensões, dos reformados atuais, que deixaria de ser financiada pelos descontos dos que hoje estão a trabalhar e a descontar. Esta proposta traduz uma determinada visão de sociedade.

– O CDS defende o cheque-ensino. Dizem-nos que isso daria a possibilidade às famílias da classe média de estudarem nos colégios dos ricos. Só não foi capaz de explicar que o que aconteceria era que os preços dos colégios mais caros subiriam na proporção do cheque-ensino e que assim continuariam reservados aos mais ricos. Teríamos colégios privados assim-assim para a classe média e continuaríamos a ter os melhores colégios só para os mais ricos. A única coisa que aconteceria era que o Estado passaria a ter menos dinheiro para melhorar a escola pública e pagar mais aos professores e passaria a financiar o negócio privado de educação. Mas esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.

– Já a Iniciativa Liberal quer convencer alguns jovens qualificados a defenderem o desmantelamento do Estado que lhes permitiu qualificarem-se e, enfim, defende uma taxa única de IRS. Isto é, defende uma reforma fiscal que devolveria mais dinheiro aos mais ricos e menos, ou nenhum, aos que ganham menos. Uma reforma fiscal que em vez de diminuir a desigualdade a aumentaria de forma grave. A redução do IRS para os mais ricos obrigaria a reduzir a oferta de serviços públicos de que beneficiam todos os portugueses – que, depois, teriam que ainda gastar dinheiro a comprar esses serviços no privado, sujeitando-se a todas as arbitrariedades. Também aqui o maior problema é que esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.

  • Camaradas e amigos, o que atravessa todas estas propostas da direita portuguesa é uma visão profundamente individualista da sociedade. É a ideia que as pessoas se interessam, aliás, se devem apenas interessar com as suas vidas; a ideia de sociedade de cada um por si, sem querer saber o que acontece aos outros. É por isso que dá tanta centralidade ao mercado; e é por isso que nunca fala de desigualdades. Acredita numa sociedade de vencedores e vencidos, em que o sucesso de alguns é o insucesso de muitos.
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O PS é herdeiro de Leon Blum e Olof Palme e não de Trótski e Lenine | Manuel Alegre | 28.01.2022 | O que é a Social-Democracia

Swedish Prime Minister Olof Palme was fatally shot at point-blank range on one of the busiest streets in downtown Stockholm as he and his wife, Lisbet, were leaving a movie theater on Feb. 28, 1986.

BLUM LÉON

(1872-1950)

Haï et injurié de son vivant par ses adversaires politiques comme rare ment ce fut le cas dans la vie politique française, Léon Blum apparaît aujourd’hui, avec le recul du temps, comme un des acteurs principaux de l’évolution de la France vers la modernité et la justice sociale ; il est aussi à placer parmi les penseurs du socialisme français au XXe siècle.

Venu au socialisme au début du siècle, cet intellectuel marqué par l’affaire Dreyfus, « disciple » de Jaurès, eut la redoutable charge d’incarner le socialisme démocratique alors que les guerres mondiales et les totalitarismes semblaient entraîner l’Europe vers la barbarie. Souvent, les penseurs socialistes ont eu la chance de rester à l’écart des difficultés du pouvoir ; Blum fut contraint d’affronter les responsabilités suprêmes de chef de gouvernement en un moment dramatique, alors que la France était au bord de la guerre civile. Plus tard, prisonnier politique, déporté, il devint « le sage » de la résistance socialiste pendant la Seconde Guerre mondiale. À la fin de sa vie, il dut encore monter au créneau au temps de la guerre froide.

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O SEXO DOS ANJOS OU A OPORTUNIDADE PERDIDA | Paulo Sande

A campanha eleitoral chega ao fim. Entretanto, das longínquas fronteiras eslavas ecoam sons de guerra. A NATO está pronta, anuncia o seu secretário-geral. E em Portugal, o que se disse sobre essa eventualidade?

O SEXO DOS ANJOS OU A OPORTUNIDADE PERDIDA

28 de maio de 1453. Constantinopla, a capital do Império Bizantino, a pérola do Levante, o símbolo da Cristandade na fronteira oriental, está cercada por 80 mil turcos comandados por Mehmed II. O imperador Constantino XI, último de seu nome, resiste desesperadamente, à cabeça de 7 mil homens mal-armados.

Em concílio, enquanto os soldados morrem, na Santa Catedral de Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, os clérigos cristãos, hesicastas e místicos, reunidos no âmbito da Escola Patriarcal, discutem um assunto fundamental para o futuro da humanidade:

Que sexo têm os anjos?

SOAM OS TAMBORES DE GUERRA

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CINTIA MARTINS | RACISMO | DESPORTO | EDUCAÇÃO | POLÍTICA | António Carlos Cortez

CINTIA MARTINS é atleta do Sporting. Joga futebol, é talentosa e respeitada no clube por colegas, treinadores e dirigentes. Num jogo com a FUNDAÇÃO SALESIANOS, alguém a ofendeu, gritando “Macaca vai para a tua terra”.

Soube desta tristíssima notícia através dum post de Luís Osório. Junto-me à sua indignação e acrescento alguns dados e ideias.

Não só o CHEGA é um partido que tem alimentado o discurso racista em Portugal, como, provincianamente, procura normalizar-se a sua presença na nossa democracia. Um dos problemas que urgentemente o PS, o PSD e o PCP e o CDS – partidos que fizeram o regime democrático, fundando-o com Soares, Cunhal, Sá-Carneiro e Freitas do Amaral, – têm de resolver é este:

– não pactuar de forma alguma com o CHEGA. Há um princípio bíblico de que se deveriam lembrar: não se fazem festas a cobras. É responsabilidade de Costa e Rui Rio, de Chico e de Jerónimo de Sousa denunciar André ventura e condenar veementemente os comportamentos racistas, sexistas, xenófobos e machistas que vão fracturando a sociedade portuguesa.

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Baruch Spinoza | WIKIPÉDIA | Biographie, origines et débuts

Baruch Spinoza naît le 24 novembre 1632 dans une famille appartenant à la communauté juive portugaised d’Amsterdam, à l’époque « ville la plus belle et singulière d’Europe »p 2. Il tient de son grand-père maternele son prénom « Baruch », Bento en portugais, qu’il latinise en Benedictus, « Benoît », et qui signifie « béni » en hébreu.

À cette époque, la communauté juive portugaise d’Amsterdam2 est composée de Juifs expulsés ou réfugiés des villes ou pays alentourf mais majoritairement de conversos, « nouveaux-chrétiens »g convaincus mais suspectés, hésitants ou contraints — ces derniers étant appelés marranes4 (qui veut initialement dire « porcs »), c’est-à-dire des Juifs de la péninsule Ibérique convertis de force au christianisme, mais ayant pour la plupart secrètement maintenu une certaine pratique du judaïsme (crypto-judaïsme). Confrontés à la méfiance souvent féroce des autorités, particulièrement de l’Inquisition, et à un climat d’intolérance envers les convertis4, un certain nombre d’entre eux, volontaires ou forcés, ont quitté la péninsule Ibérique et sont revenus au judaïsme lorsque cela était possible, comme aux Provinces-Unies (actuels Pays-Bas) au xviie siècle, terre réputée pour sa plus grande tolérance.

La lignée paternelle de Spinoza est vraisemblablement d’origine espagnoled, soit de la région connue en Castille-et-León comme Espinosa de los Monteros, soit de celle qu’on appelle Espinosa de Cerrato, plus au sud. Les Spinoza ont été expulsés de l’Espagne en 1492, après que Ferdinand d’Aragon et Isabelle de Castille eurent imposé aux musulmans et aux juifs de devenir chrétiens ou de quitter le royaume, en vertu du décret de l’Alhambra du 31 mars 1492année cruciale. Les Spinoza décident de s’installer au Portugal, moyennant paiement exigé à l’arrivée par les autorités portugaises4,h mais ils sont rapidement obligés de se convertir au catholicisme pour pouvoir rester dans le pays. En effet, après le mariage de Manuel Ier du Portugal avec Isabelle d’Aragon en 1497, le monarque ordonne lui aussi l’expulsion des juifs de son pays (« le baptême ou l’exil »). Néanmoins, afin de ne pas priver le Portugal de l’apport des Juifs qui occupaient des positions importantes dans la société (médecins, banquiers, commerçants, etc.), il se ravise et ordonne un vendredi des baptêmes forcés pour le dimanche suivant : à peu près cent vingt mille Juifs sont alors convertis au catholicisme en quelques jours, avec, à présent, interdiction d’émigrer4. Ce décret ne sera assoupli qu’en 1507, après le massacre de Lisbonnei. Les Spinoza et leurs coreligionnaires ont pu vivre à peu près en paixj dans le pays jusqu’à ce que l’Inquisition s’y implante véritablement sur ordre papal, environ quarante ans plus tard5.

Le grand-père de Baruch, Pedro, alias Isaac Rodrigues d’Espinoza, né en 1543, est originaire de Lisbonne et s’est installé à Vidigueira, la ville natale de son épouse6, Mor Alvares, avec laquelle il a eu trois enfants dont Miguel Michael, le futur père du philosophe. Sans doute accompagné de sa sœur Sara7 et de sa propre famille, Pedro Isaac, « effrayé par les arrestations inquisitoriales », quitte le Portugal en 1587 pour venir à Nantesk et y rejoindre son frère Emanuel Abrahaml, le grand-oncle du futur Baruch, déjà réfugiém (la présence d’Emanuel Abrahamn y est attestée en 1593). Pedro Isaac n’y est pas resté, probablement parce que le judaïsme était officiellement interdit à Nantes et qu’il y régnait, là aussi, une certaine hostilité envers les marranes8 et des sentiments fréquemment contrastés voire agressifs envers les Portugais (ou les Juifs dits portugais)o,9. Apparemment expulsé de Nantes avec sa famille et son frère Emanuel Abraham, en même temps que tous les autres Juifs de la ville, en 1615p, Pedro Isaac gagne alors Rotterdam des Provinces-Unies dans l’actuelle Hollande méridionale, où vit déjà une partie de la diaspora juive portugaise. Il y décède en 1627q. À l’époque, les Provinces Unies font partie d’un ensemble de lieux appelés « terres de liberté » voire « terres de judaïsme », c’est-à-dire des cités où le judaïsme est soit officieusement toléré donc restreint (comme à Anvers), soit franchement accepté et où les juifs sont reconnus comme tels ; ainsi, AmsterdamHambourgVeniseLivourne ou une partie de l’Empire ottoman (SmyrneSalonique10, où nombre de marranes et « nouveaux chrétiens »4, ces juifs contrariés, en profitent pour se convertir à leur religion d’origine.

Le père de Baruch, Miguel alias Michael, né à Vidigueira (Alentejo) au Portugal en 1588, est un marchand réputé dans l’import-export de fruits secs et d’huile d’olive, et un membre actif de la communauté (synagogue, œuvres de bienfaisance et écoles juives) qu’il aide à se consoliderr. La mère de Baruch, Ana Debora Marques, épousée en secondes noces, vient elle aussi d’une famille juive séfarade d’origine espagnole et portugaise11 de Porto et Ponte de Limas, et meurt alors que Baruch Spinoza n’a pas six ans. À l’adolescence, il perd aussi son demi-frère aîné, Isaac, et un peu plus tard sa belle-mère Estert qui l’avait élevé. De sa fratrie nombreuse, Baruch ne gardera à l’âge adulte que sa sœur ainée Rebecau.

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AS ORIGENS | A albergaria de Minde | 20 de Janeiro de 1165 | por Abílio Madeira Martins

Nos recuados tempos da fundação da monarquia a região montanhosa denominada Maciço Calcário Estremenho era certamente o que, nos tempos atuais, se poderia chamar um maravilhoso e genuíno parque natural.

Poderiam considerar-se como povoados demarcantes de toda essa vasta área, então praticamente despovoada, as vilas de Alcobaça, Aljubarrota, Porto de Mós, Ourém, Torres Novas e Alcanede que balizavam um perímetro de mais de 120 quilómetros, e entre elas a espessura dos matos ou o escalvado dos fraguedos onde o chão minguava, intercalados com a exuberância dos bosques que preenchiam as pregas e os covões de terra funda, quais oásis disseminados pelo imenso manto verde do corpo da serrania.

Era preciso que esta enorme cadeia rochosa, a servir de barreira às ligações entre o norte e o sul, o litoral e o interior, se tornasse mais fácil de transpor por quem, se viesse a meter pelas suas brenhas.

Foi o reconhecimento dessa necessidade que levou o rei D. Afonso Henriques a decretar a criação de albergarias em lugares estratégicos do maciço com vista a darem poiso e apoio aos transeuntes nos trajetos viáveis indicados pela conjugação de vales e portelas. Daí a fundação da albergaria de Minde, por carta régia desse mesmo rei, datada de 20 de Janeiro de 1165 no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Esta carta que, com alguma lógica , se pode considerar a certidão de nascimento de Minde como povoação, confere-lhe, portanto, existência institucional desde os primeiros anos da monarquia.

in Martins, Abílio Madeira, “A herança de Dom David”. Folheto Edições e Design, 15-17

Retirado do Facebook | Mural de Junta de Freguesia de Minde

O Doutor comenta os debates | Jovem Conservador de Direita

O primeiro debate de hoje foi entre o partido conhecido por defender os direitos dos animais e o partido que defende os direitos dos investidores bolsistas, que também são animais, mas com a diferença de que criam riqueza. Enquanto uma hiena não for capaz de investir em criptomoedas, é óbvio que vou estar do lado da IL.

O ambiente foi um dos principais temas do debate. O PAN apresentou a posição irracional de fazer alguma coisa para reverter as alterações climáticas. Teria maior apoio se fosse mais moderado. Ser totalmente contra as alterações climáticas é muito radical. Tem de ser mais centrista nesse assunto.

Felizmente estava lá o Dr. Cotrim Figueiredo, com a sua racionalidade, a afirmar que não se pode salvar o ambiente à custa da actividade económica. Há que ter noção das prioridades. Uma coisa é haver alterações climáticas, outra coisa é o Estado intervir para tratar desse problema. A IL não abdica dos seus princípios, intervenção estatal nunca. Se foi a mão humana a destruir o ambiente não deverá ser a mão humana a salvar o planeta. É só ver os índices de mercado e fazer uma análise SWOT do impacto da sobrevivência da Humanidade na economia.

Segundo o Dr. Cotrim Figueiredo, “enriquecer Portugal é uma boa política ambiental”. É verdade, sem tantos pobres a cheirar mal o ambiente fica melhor. O enriquecimento é o febreze da sociedade e não há melhor política ambiental do que baixar os impostos às pessoas para que elas possam investir em desodorizantes.

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RAZÃO VERSUS FÉ, UMA DIALÉCTICA DA IDADE MÉDIA (1) | António Galopim de Carvalho

Situada entre aproximadamente os séculos V e XV, a IDADE MÉDIA foi um tempo de alastramento do cristianismo e da vida cultural na Europa ocidental, sobretudo através do surgimento de mosteiros da Ordem dos Beneditinos. Seguidores de São Bento de Núrcia (480-547), os monges desta comunidade cristã, iniciadores do movimento monacal, foram os herdeiros da cultura latina e os depositários do essencial do saber do mundo antigo. Estão entre eles os criadores do enciclopedismo, com destaque para Santo Isidoro de Sevilha (570-636) que nos deixou “Etymologiae sive origines”, publicado oito séculos depois, em 1483. Durante este período, o estudo e o ensino transitaram dos mosteiros e conventos para as chamadas escolas catedrais, criadas por toda a Europa, estas que, por seu turno, foram os embriões das universidades nos centros urbanos mais importantes (Salermo, Bolonha, Paris, Oxford, Montpelier, Arezzo, Salamanca, Pádua, Orleães, Roma, Siena, Lisboa, entre muitas outras), privilegiando o ensino de disciplinas como teologia, gramática, retórica, dialéctica (lógica), aritmética, geometria, astronomia, direito, medicina e música.

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RAZÃO VERSUS FÉ, UMA DIALÉCTICA DA IDADE MÉDIA (2) | António Galopim de Carvalho

Visto como o mais ilustre professor da Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, o filósofo e alquimista dominicano alemão Albrecht von Bollstädt (1206-1280), o “Doctor Universalis”, é conhecido entre nós por Alberto, o Grande ou Alberto Magno e, também, por “Maître Aubert”, ou simplesmente “Maubert”. Lembrado como o maior filósofo e teólogo cristão da Idade Média, Alberto Magno foi também figura de grande prestígio no mundo da ciência do seu tempo, em domínios mais tarde incluídos na química e na mineralogia, que realizou na sua qualidade de alquimista. Após concluir os seus estudos em Pádua e em Paris, Alberto optou pela vida religiosa, ingressando na Ordem de São Domingos, em 1223, tendo chegado à dignidade de Bispo de Regensburgo (Ratisbona).

Tendo estudado o pensamento de Aristóteles e de Averróis, produziu uma das mais importantes sínteses da cultura medieval e defendeu a coexistência pacífica da ciência e da religião, tendo sido o primeiro a aplicar as ideias do fundador do Liceu de Atenas no pensamento cristão. Mas não se limitou a repetir a obra do “Estagirita” (Aristóteles nasceu em Estagira, antiga cidade da Macedónia, na Grécia). Procurou recriá-la com a sua própria experiência e as suas observações. No propósito de subordinar o aristotelismo à fé cristã, o Papa Gregório IX incumbiu Alberto Magno dessa árdua tarefa. Em resultado do seu trabalho, a física e a metafísica, a lógica, a ética, a psicologia e a política de Aristóteles passaram a fazer parte da escolástica.

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2022 | António Carlos Cortez

– ameaça de guerra na Ucrânia

– conflito entre China e EUA por causa de Taiwan

– desastre humanitário no Iémen

– multiplicação dos eventos climáticos extremos

– Índia e China não cumprem na íntegra o protocolo de Quioto

– continuação de ataques terroristas

– continuação de crimes com armas de fogo em estabelecimentos de ensino, seja nos EUA, na Rússia ou em França

– ameaça da extrema-direita vir a ser poder em França

– ameaça de guerra no médio-oriente devido às tensões sobre o nuclear no irão e a questão israelo-palestiniana

– em África o perigo de fome de proporções bíblicas, da Etiópia à Eritreia, do Níger à Somália milhões poderão morrer

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Fernão de Magalhães | um herói de Portugal para o mundo | A Era dos Descobrimentos | in Ncultura

A Era dos Descobrimentos tornou Portugal num país poderoso. Outro país, Espanha, também se revelou influente. Um nome tornou-se numa referência, Fernão de Magalhães.

Ao longo da nossa história, com quase 900 anos, foram vários os momentos marcantes. No entanto, poucos momentos terão sido tão notáveis como a Era dos Descobrimentos.

Fernão de Magalhães (1480-1521)

Fernão de Magalhães foi um fidalgo da pequena nobreza, existindo diferentes versões que identificam locais de nascimento distintos. Uns defendem Trás-os-Montes, enquanto outros historiadores defendem que ele terá nascido no Porto.

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Os 13 Reis Suevos que governaram Portugal antes de D. Afonso Henriques | in VortexMag

A história que aprendemos na escola é que o nosso país começou por ser um condado pertencente a Castela, o Condado Portucalense, governado por D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro Rei de Portugal. Mas se recuarmos uns séculos, há muito ainda por contar. Portugal começou por ser a Lusitânia, que depois foi anexada pelos Romanos. Após alguns séculos de domínio Romano, a zona que hoje corresponde a Portugal foi invadida por tribos germânicas, os Suevos e os Visigodos.

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EDSON ARANTES DO NASCIMENTO | PELÉ “Não posso ser um novo Pelé. Ele é o único que ultrapassa os limites da lógica” | by Johan Cruyff

Tal como Messi, CR7 e Neymar nos dias de hoje, Johan Cruyff, que faleceu em 24/3/2016, aos 68 anos, também foi um dos muitos gênios do futebol que ao longo da história foi comparado a Pelé, e tal como nos dias de hoje, naquela época muitos diziam que Cruyff era “melhor que Pelé”, “o melhor de todos os tempos”, “o melhor da história” e etc, etc, etc,…

Realmente Cruyff foi um dos melhores da história do futebol, melhor jogador europeu do século XX, mas tal como Maradona, Eusébio, Di Stéfano, Romário e tantos outros, foram comparados ao Rei mas nunca conseguiram pelo menos chegar perto do patamar de Pelé.

A única vez em que se enfrentaram, foi no dia 1 de setembro de 1974 em Cadiz na Espanha, em jogo válido pelo troféu Ramon de Carranza, um mês antes do jogo de despedida de Pelé do futebol brasileiro. O Barcelona venceu o Santos FC por 4 x 1.

Cruyff, tal como outros gênios do futebo como Zico, Puskas ou Di Stéfano, nunca teve a sorte de vencer uma Copa do Mundo, mas escreveu seu nome na história do futebol com letras de ouro.

Pedro Hispano | o português mais poderoso de sempre | in vortexmag

Quem foi Pedro Hispano? O português mais poderoso de sempre viveu na Idade Média e foi o Papa João XXI. Conheça a sua história e como chegou a Papa.

A 20 de setembro de 1276, Pedro Julião (ou Pedro Hispano, como também era conhecido) foi coroado com o nome de Papa João XXI, uma semana depois da sua eleição para o papado, em Viterbo. Esta votação esteve envolvida nalguma agitação, já que o seu predecessor, Adriano V, tinha falecido prematuramente, pouco mais de um mês após a sua eleição.

Numa altura em que na Europa prevaleciam os conflitos e guerras entre vários pequenos reinos e com a ameaça dos muçulmanos à porta, ser Papa significava ser a pessoa mais poderosa do mundo naquela época. Reis, nobres e povo… todos deviam obediência ao sumo pontífice. Era ele quem ditava as leis, estabelecia as regras e mediava conflitos.

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Albert Einstein | Leçon de vie

Un jour, Albert Einstein a écrit sur tableau :

9 x 1 = 9

9 x 2 = 18

9×3 = 27

9×4 = 36

9×5 = 45

9 x 6 = 54

9 x 7 = 63

9 x 8 = 72

9 x 9 = 81

9 x 10 = 91

Le chuchotement a soudainement commencé dans la salle parce qu’Einstein s’est trompé.

La bonne réponse est : 9×10=90

Tous ses élèves se moquaient de lui. Einstein a attendu que tout le monde se taise et a dit: “Même si j’ai résolu neuf problèmes correctement, personne ne m’a félicité. Mais quand j’ai fait une erreur, tout le monde a commencé à rire.”

“Cela signifie que même si une personne réussit, la communauté remarquera sa moindre erreur et elle l’aimera. Alors ne laissez pas la critique détruire vos rêves. La seule personne qui ne fait jamais d’erreurs est celle qui ne fait rien.”

O homem Massa | Günther Anders | ′′ A obsolescência do homem ′′ 1956 | via Manuel Tavares

Foi em 1956 que o filósofo judeu alemão Günther Anders escreveu essa reflexão premonitória:

′′ Para sufocar antecipadamente qualquer revolta, não deve ser feito de forma violenta. Métodos arcaicos como os de Hitler estão claramente ultrapassados. Basta criar um condicionamento coletivo tão poderoso que a própria ideia de revolta já nem virá à mente dos homens. O ideal seria formatar os indivíduos desde o nascimento limitando suas habilidades biológicas inatas…

Em seguida, o acondicionamento continuará reduzindo drásticamente o nível e a qualidade da educação, reduzindo-a para uma forma de inserção profissional. Um indivíduo inculto tem apenas um horizonte de pensamento limitado e quanto mais seu pensamento está limitado a preocupações materiais, medíocres, menos ele pode se revoltar.

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O 25 de Novembro e a sua novembreza | Carlos Matos Gomes

Escrevi há poucos dias um texto sobre o evento de apresentação do franchising português da CNN, realizado no edifício dos Jerónimos, na parte ocupada pelo Museu Arqueológico. Considero que os monumentos nacionais, evocadores do passado, podem e devem ser utilizados para eventos marcantes do presente. E o que se comemorava a 22 de Novembro é marcante em termos de apresentação e representação de um novo poder, da novembreza.

Não tive uma palavra de expetativa sobre o produto que vai entrar no mercado. Portugal é um pequeno país, não produz acontecimentos de relevo mundial, vive uma cómoda paz, felizmente. As notícias sobre Portugal serão sempre casos menores. A primeira página do tabloide Correio da Manhã, ou do site do Sapo explicam a nossa insignificância. Sem ovos não se fazem omeletas e a estação CNN Portugal não fará o milagre de nos colocar no centro de um universo de manipulação informativa, a não ser em caso de grande catástrofe. Espremerá até à última gota os pequenos frutos locais (ia a escrever furtos e também se adequava). A notícia importante no happening dos Jerónimos foram os seus convidados, que se entrevistaram uns aos outros, mesmos os exilados por terem cometido excessos ao trepar.

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PORTUGAL-BRASIL: RAÍZES DO ESTRANHAMENTO | Carlos Fino

EM DESTAQUE NO MUNDO LUSÍADA

Jornalista Carlos Fino lança obra “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”.

Nova obra do jornalista português traz 500 páginas profusamente ilustradas com imagens de caráter histórico sobre a complexa relação Portugal-Brasil.

Da Redação do “Mundo Lusíada” – um dos principais jornais da comunidade portuguesa no Brasil:

Uma tese de doutoramento em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e pela Universidade de Brasília do jornalista português residente no Brasil, Carlos Fino, deu vida ao livro “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”.

Segundo o autor, a força da relação Brasil-Portugal por via da história, do sangue e da língua, por um lado, contrasta com a permanência de um sentimento de estranhamento e incomunicação. Confrontado com estas duas realidades contraditórias, quis aprofundar o estudo dessas razões.

Em mais de 500 páginas profusamente ilustradas com imagens de caráter histórico sobre a complexa relação Portugal-Brasil, o autor estuda nesse passado comum as razões de um estranhamento e (in)comunicação, como por exemplo, cita um “sentimento antilusitano” que existe disseminado no Brasil.

O livro está em fase de pré-lançamento nos dois países pela Editora LISBON BOOKS – Livraria Atlântico.

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Terras da Beira | Jornal do Fundão, 21-09-2006 e Pedras Soltas (Ed. 2006) | Carlos Esperança

São cada vez mais os mortos que povoam os cemitérios e menos os vivos que restam. Os jovens saíram pelas estradas que invadiram o seu habitat. Fugiram das courelas que irmãos disputavam à sacholada e à facada, dos regatos que secaram a caminho das hortas, da humidade que penetrava as casas e os ossos, e da pobreza que os consumia.

Não há estímulo para permanecer. Não se percebe que as penedias tivessem custado vidas na disputa da fronteira, que homens se tivessem agarrado aos sítios e enchido de filhos as mulheres que lhes suportavam o vinho, a rudeza e os maus tratos.

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MINDE | INAUGURAÇÃO DO MUSEU ROQUE GAMEIRO | 21 Novembro DE 1970

FOI HÁ 51 ANOS QUE FOI INAUGURADO O MUSEU ROQUE GAMEIRO Em 21 de Novembro de 1970 Minde vivia momentos de grande agitação. Foi inaugurado o MUSEU ROQUE GAMEIRO e Minde recebeu a presença do Senhor Presidente da República, Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz.

Os membros da Junta de Freguesia de Minde eram Lourenço Coelho Anjos da Silva, seu Presidente, Manuel da Silva Micaelo e João Almeida Mengas, que lideraram o grupo que se empenhou com grande bairrismo na concretização deste belo projecto. O Presidente da Câmara era o Sr. José Maria Baptista. Recordamos também o Senhor Rogério Venâncio, figura ímpar e marcante da Cultura de Minde, sempre disponível e activo na colaboração com a Junta de Freguesia, tal como todos os membros da Comissão Instaladora do Museu Roque Gameiro. Os Mindericos estiveram orgulhosamente presentes na recepção ao Sr. Presidente da República, na inauguração e no almoço de confraternização que se seguiu. Liderava a Banda da Sociedade Musical Mindense o Sr. Padre Mário Marques dos Anjos, que acompanhou o desfile da população na recepção ao Sr. Presidente da República. Foi bonito. O Pintor Alfredo Roque Gameiro, que nasceu na casa onde foi inaugurado o Museu em 4 de Abril de 1864, tendo falecido em 4 de Agosto de 1935, é considerado o maior pintor aguarelista português.

21-11-2021 | Vítor Coelho da Silva

JORNAL DE MINDE | NOVEMBRO DE 1970

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Biografía Ludwig Van Beethoven

Beethoven pese a la profunda desesperanza que experimentó se inspiró para realizar la sinfonía cumbre de su carrera, la novena, apasionada y optimista, fue escrita por un Ludwig sordo que no podía vencer la miseria de la vida diaria, la finalizó basándose en el poema “Oda a la alegría” de Schiller que era un elevado himno a un Dios virtuoso y la hermandad entre todos los hombres. Enfermo, intentó escribir una décima sinfonía en un último gesto de poder ante la adversidad pero su propia imperfección heredada lo venció, ¿lo volveremos a ver? eso queda entre Jehová Dios y usted.

El mejor baile de pareja de la Historia | Eleanor Powell y Fred Astaire

Nunca volvieron a bailar juntos. Pero cuando lo hicieron, en 1940, se escribió la mejor página de la historia del baile. Eleanor Powell y Fred Astaire parecían la sombra de cada uno. Él nunca tuvo una pareja más competitiva y perfecta. Ella era él. Aquí les vemos al son del Begin the Beguine, la inmortal melodía de Cole Porter. Comenta brevemente la escena Frank Sinatra.

Un seguidor de este canal opina que Rita Hayworth era mejor bailarina que Eleanor Powell, y que bordó la Bossa Nova junto a Fred Astaire.

Quiero, al hilo de esto, matizar varias cosas: Rita tenía buen tipo y bailaba muy dignamente, pero nunca fue –para los estudios de cine– una experta del baile, como sí Eleanor Powell, quien, como Fred Astaire, Donald O’Connor, Ray Bolger, Gene Kelly, Vera-Ellen y otros grandes, se especializaron en ello. Cada cual en lo suyo. Es verdad que Fred sintió a Rita como su mejor pareja de baile, pero ella no puede competir con la maestría de la Powell en esta escena. Además, nunca bailaron la Bossa Nova juntos Fred y Rita, aunque se le haya puesto después esta melodía a alguna secuencia con ambos.

Rita Hayworth bailaba con mucho estilo, pero en este ámbito solo nos la dejaron conocer a medias.

En realidad, Eleanor Powell no formó pareja con Fred Astaire. Solo bailaron juntos en esta ocasión. Puede que Fred la tuviera mucho respeto, dada la altísima perfección de ella. Además, Eleanor se retiró pronto del mundo del espectáculo para convertirse en señora de Glenn Ford. Estoy de acuerdo con que Astaire tuvo otras buenas parejas, la más elegante, sin duda, Cyd Charisse, maravilla clásica en sus piernas infinitas. Cyd venía de otro estilo, el ballet clásico, lo mismo que Leslie Caron (quien acompañó a Fred en “Papá piernas largas”), y eso aportaba mucha clase al ritmo de temas como “Bailando en la oscuridad” (Dancing in the Dark), de “The Band Wagon” (1953).

História da minha viagem rumo ao socialismo | Helena Pato

Em 1964, com o fascismo no seu pleno, eu tinha 25 anos, ia a caminho de me tornar uma marxista-leninista convicta e militava fervorosamente nas fileiras do PCP. Para mim era sagrada a frase «um terço dos países do mundo e dois terços da humanidade vivem em regimes socialistas» e nunca duvidava de que o Socialismo seria o destino de toda Humanidade. Lembro-me de que sonhava com a oportunidade de, alguma vez no futuro, poder conhecer de perto o mais avançado desses países, a «pátria-mãe» das sociedades sem classes. Não havia de morrer sem ver o socialismo com os meus próprios olhos. O dia em que me comunicaram que iria integrar a delegação portuguesa ao Fórum da Juventude, em Moscovo, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Éramos dez – apenas duas raparigas – e nem todos militantes do partido. Saídos quase todos de Portugal e a conta- -gotas, concentrámo-nos, na maioria, em Paris. Aí se planeou cuidadosamente essa viagem à União Soviética e aí ficou (em turismo) um dos companheiros, ido de Lisboa, desistente por na reunião preparatória se ter apercebido do risco de ser preso no regresso ao país.

A 13 de Setembro, ainda era Verão na Europa ocidental, voei sozinha para Moscovo e trajada tão primaveril quanto me pedia a minha alma, pois não houve por perto uma criatura informada ou sensata, que me desse um lamiré acerca do frio rigoroso que, por essa altura, já se fazia sentir nas redondezas dos Montes Urais. Nevava quando desci a escada do avião, e não exagero se disser que a temperatura rondava os 15 graus negativos. Atravessei a pista em sandálias, de manga curta e casaquinho de malha, envolvida pela aba do casaco de pele de raposa, que vestia a opulenta cama rada russa, destacada para me receber na pista do aeroporto. Poucos minutos depois, colada à Elena – assim se chamava –, eu entrava, superprotegida, num sonho, numa história fantástica, construída nas muitas leituras de romances de Gorki e nos manuais de Lenine. No balcão da polícia ouvi falar russo pela primeira vez e o vozear dos funcionários transportou-me para as canções populares da revolução de 1917. «O socialismo começou aqui!» – pensei, enquanto a minha simpática acompanhante recusava, no tom firme do poder, a entrega do meu passaporte à polícia, facultando-lhes uma folha à parte, dobrada em quatro, destinada a ser carimbada, conforme o combinado entre a funcionária do meu partido e a Embaixada Soviética em Paris. Tudo muito bem delineado, já que, era sabido, carimbo de entrada num país socialista dava prisão pela PIDE no regresso a Portugal. Os enormes prédios na ampla e longuíssima avenida que percorri após a saída do aeroporto – primeiro eu e, nos dias seguintes, os restantes jovens portugueses – deixaram-nos embasbacados: naturais de um Portugal pobre e provinciano, nunca víramos nada as sim, e o nosso olhar estava particularmente desperto para admirar as glórias do socialismo.

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