Eu sei que não pode destoar-se da visão radicalizada, convertida em dogma, sem que se afirme primeiro, “condeno veementemente a invasão russa da Ucrânia”, o que faço, uma vez mais, sem constrangimento, mas admira-me que a UE não a tivesse previsto, depois dos antecedentes da Geórgia, da Crimeia e dos reiterados avisos de Putin.
Eu sei que Zelensky, PR da Ucrânia, tem mostrado uma coragem heroica, mas preferia que tivesse tido bom-senso, antes de sugerir, agora, estar disposto a deixar cair a adesão à NATO e a discutir o estatuto da Crimeia, Donetsk e Luhansk.
Eu sei que o PR ucraniano tem procurado estender a guerra a nível mundial para não ser derrotado sozinho, que apelou à declaração de interdição do espaço aéreo ucraniano, o que a Nato tem recusado por saber que, se abater aí o primeiro avião russo, pode iniciar a retaliação de impiedoso Putin com a guerra nuclear e a destruição do Planeta.
Do ponto de vista militar e dos jogos políticos e de confronto militar, os EUA e a NATO parecem-me desta feita um bocado tímidos. E o adjectivo é favor. O que deixa o tabuleiro todo para a Rússia de Putin.
Quando Lavrov diz na Turquia que a Rússia não deseja uma guerra nuclear, ele está implicitamente a ameaçar o Ocidente de que tal hipótese está em cima da mesa do Kremlin.
Quando foi da crise das ogivas nucleares soviéticas em Cuba, Kennedy impôs um bloqueio naval à ilha de Castro. Foi uma jogada de altíssimo risco, mas resultou, Os navios russos não puderam passar com o seu material nuclear a bordo. E Kennedy ganhou o jogo ao bluff comunista.
As actuais elites americanas não têm coragem para tanto. Nem no “no fly zone” sobre os céus da Ucrânia; nem sequer conseguem aceitar que os caças MIG21 polacos possam descolar dos aeroportos militares polacos para patrulharem os céus da Ucrânia.
Essa fraqueza é fatal, porque se Washington não quer ser destruída, o Kremlin tão pouco. Na prática, estamos a ser submetidos a bullying político-militar de uma potência que já não é o que era. Depois deste falhanço, ninguém mais vai confiar no chapéu de chuva americano. Porque não é credível. De facto, “América First”, com Biden ou com Trump (este que aliás tinha telhados de vidro com os russos), significa “a Europa que se lixe e que se desenrasque como puder”.
Neste relatório pode ler-se que o risco de que os conflitos bélicos existentes se estendam ao espaço vai aumentar à medida que a Rússia e a China intensificarem o desenvolvimento de armas anti-satélite (ASAT): “À medida que Estados como China e Rússia veem cada vez mais o espaço como um domínio de combate, as discussões multilaterais de segurança espacial assumem maior importância como forma de reduzir o risco de um confronto que afetaria a capacidade de cada estado de operar com segurança no espaço”.
Excerto do documento da ATA-US Intelligence Community
Na guerra, evidentemente, a informação tem de ser controlada e substituída pela propaganda.
Uma das vertentes essenciais de qualquer guerra é o controle da sua dimensão psicológica (Alberto João Jardim que o diga, porque esteve não sei quantos anos no poder, eleito sempre democraticamente, com o que aprendeu na tropa).
A eficácia da guerra psicológica pressupõe o controle da informação.
Os mecanismos são básicos e há muito conhecidos:
a) multiplicar as representações do inimigo, como animal, para o desumanizar (o lobo, se o inimigo tiver um exército ou um porco, se inimigo for um povo desarmado, como sucedeu com as representações dos judeus no regime nacional socialista);
b) publicar muitas fotografias de crianças a sofrer por causa das bombas do inimigo;
c) publicar outras tantas fotografias dos actos heróicos do amigo, da sua generosidade no tratamento do adversário capturado e do arrependimento deste depois de descobrir a verdade, pedindo muito perdão e apelando aos seus para descobrirem, como ele, que a sua guerra é injusta. E, claro está, proclamar todos os dias em grandes manchetes que os nossos ganham as batalhas todas e o inimigo está de rastos, prestes a render-se incondicionalmente.
A emoção não pode turvar a forma como vemos os russos. É intolerável que se tome a parte pelo todo. A oligarquia que beneficiou e enriqueceu à custa de uma autocracia corrupta é uma coisa, outra, bem distinta, é a esmagadora maioria da população. (…) As notícias de bulling a comunidades russas, o afastamento de agentes de cultura, desportistas e profissionais de outras áreas, e a censura ao canal Russia TV, não podem ter lugar em sociedades humanistas.
Passados mais de dez dias da invasão russa, a prioridade continua a mesma: a guerra na Ucrânia tem de acabar já. A todo o momento morrem pessoas, tanto civis como militares; cidades e infraestruturas são destruídas e mais e mais ucranianos deixam as suas casas com praticamente nada. É um cenário que acompanhamos ao minuto e que tem mobilizado apoios como antes não se viram em casos semelhantes.
Mas a emoção não pode turvar a forma como vemos os russos. É intolerável que se tome a parte pelo todo. A oligarquia que beneficiou e enriqueceu à custa de uma autocracia corrupta é uma coisa, outra, bem distinta, é a esmagadora maioria da população. Os russos também estão a sofrer, e muito, isto desde os soldados que combatem numa guerra que, provavelmente, não desejaram, até às pessoas de campos e cidades que têm a sua vida paralisada pelas sanções. As notícias de bulling a comunidades russas, o afastamento de agentes de cultura, desportistas e profissionais de outras áreas, e a censura ao canal Russia TV, não podem ter lugar em sociedades humanistas. Excetuando casos de incitamento ao ódio e à violência, a censura é sempre censurável, e a perseguição a pessoas com base na sua origem vai contra tudo o que são os nossos valores comuns.
Há que acabar com a guerra na Ucrânia. Há que dar uma oportunidade à paz para que centenas de milhares de ucranianos retomem as suas vidas.
As negociações de hoje poderão ter garantido a efectividade da resolução de corredores humanitários, já decididos na anterior ronda de negociações. Cada parte acusou depois a outra pela não abertura por razões da segurança.
O mundo espera que ambas as partes garantam o cessar-fogo e tomem as decisões políticas subsequentes para acabar com a guerra já.
Seria desejável que os residentes em cidades cercadas (ou não) possam por sua decisão abandonar as cidades para o número de vítimas da guerra não aumentar de forma significativa.
Seria do interesse dos grandes produtores de armamento que a guerra continuasse para se enriquecerem ainda mais.E para ainda mais terríveis consequências humanas.
Há muito que do ocidente, de catorze países têm sido canalizados para a Ucrânia aviões, mísseis, reforço da qualidade das antiaéreas, meios de precisão e de fogo pesado, formação militar e de sabotagem de cidadãos ucranianos. Este facto e a determinação da outra parte em cumprir os objectivos planeados com a invasão faz recear o arrastamento da guerra.
O pluralismo informativo tem que ser garantido. A manipulação da informação excedeu a que até agora tinha sido feita noutros conflitos.
O silenciamento de alguns jornais e canais de TV e a quebra de regras de jornalismo básico consolidou-se desde o primeiro dia como a principal arma de guerra.
Por isso teremos que continuar a luta dizendo sim à paz, não à guerra.
A Cruz Vermelha da China fornecerá um lote de suprimentos humanitários de emergência para a Ucrânia o mais rápido possível, disse o conselheiro de Estado chinês e ministro das Relações Exteriores Wang Yi em uma entrevista coletiva virtual na segunda-feira, à margem da quinta sessão da 13ª Assembleia Popular Nacional. em Pequim.
A situação na Ucrânia se tornou o que é hoje por uma variedade de razões complexas, e o que é necessário para resolver uma questão tão complexa é uma cabeça fria e uma mente racional, não adicionando combustível ao fogo que apenas intensifica a situação, disse Wang à coletiva de imprensa.
“A China acredita que quanto mais tensa a situação, mais importantes são as negociações. Quanto maior o desacordo, maior a necessidade de sentar e negociar”, disse ele.
A China está preparada para continuar desempenhando um papel construtivo para facilitar o diálogo pela paz e trabalhar ao lado da comunidade internacional quando necessário para realizar a mediação necessária, observou Wang.
As emoções tornam-nos humanos. Permitem-nos sentir indignação e solidariedade. Obrigam-nos a entender o que o governo da Rússia está a fazer na Ucrânia como um crime contra a humanidade e a fazermos chegar das formas que pudermos a nossa solidariedade àqueles que sofrem na pele as consequências desta agressão.
As emoções não podem tolher-nos o sentido crítico. É a razão que nos leva a concluir que a Rússia não tem o direito de violar a lei internacional. Que a propaganda do governo russo sobre a inexistência de uma nação ucraniana não é mais do que isso – propaganda para tentar justificar as atrocidades em curso.
O sentido crítico também nos obriga a perceber que a posição dos EUA e das maiores potências europeias é tudo menos desinteressada e inocente. Que não fizeram o que podiam para evitar o acumular de tensões que tornaram esta agressão inaceitável e ilegal mais justificável aos olhos dos muitos que na Rússia sofrem todos os dias na pele com o autoritarismo do seu governo – e que ainda assim têm relutância em condená-lo pela guerra que está a impor à Ucrânia.
Precisamos de indignação contra o governo russo e solidariedade com o povo ucraniano. Isto não tem de – não pode – impedir-nos de acusar os governos dos EUA e da UE de estarem a aproveitar o clima de indignação e de solidariedade para prosseguir os seus interesses económicos e de afirmação de poder, ainda menos quando isso custa a vida a ainda mais ucranianos e o sofrimento daqueles que na Rússia não são responsáveis pelo que o seu governo autocrático faz.
Nesta como em tantas outras guerras, temos de ser capazes de humanidade sem deixar de pensar pela nossa própria cabeça.
AIDA Es un nombre femenino que significa “visitante” o “regresando” es una ópera en cuatro actos con música de Giuseppe Verdi y libreto en italiano de Antonio Ghislanzoni, fue estrenada en el Teatro de Ópera del Jedive en El Cairo el 24 de diciembre de 1871 Y dirigida por Giovanni Bottesini.
En contra de la creencia popular, la ópera no se escribió para conmemorar la inauguración del Canal de Suez en 1869, ni tampoco para el Teatro de Ópera del Jedive en el Cairo y el mismo año.
Es cierto que A Verdi le pidieron componer una oda para la apertura del Canal, pero declinó la petición arguyendo que no escribía “piezas ocasionales”, más cuando Verdi leyó el argumento escrito por Auguste Mariette lo consideró como una buena opción y finalmente aceptó el encargo el 2 de junio de 1870.
O conflito ucraniano traz-me à memória os dois anos de guerra colonial, o sofrimento de quem participou, os mortos e estropiados de uma guerra injusta, de um e outro lado do conflito.
Poucos desejarão tanto a paz como os que foram obrigados a fazer a guerra.
Os próprios soldados russos se hão de interrogar por que motivo estão ali, já que os ucranianos têm a defesa dos seus haveres e vidas por que lutar, sem se interrogarem se teria sido possível evitar a destruição e o sofrimento de que os ucranianos são as maiores vítimas.
Quantos soldados alemães não terão sentido a inutilidade e injustiça da guerra para que o ditador nazi os enviou? Na guerra há quem ganhe, nunca os que servem de carne para canhão. E, neste caso, é todo o povo ucraniano, incluindo russos, a sofrer a demência belicista de Putin e da Nato.
O sofrimento do povo mártir da Ucrânia impede-me de ir mais longe na denúncia do seu governo, na condenação das duas partes, na análise dos extremismos que está a gerar, da manipulação da informação e de quem empurrou uns e outros para o conflito.
O respeito pelos mortos, dos dois lados, leva-me a refletir sobre o tema que me dilacera, porque, sem saber quando e como acabará a guerra, já foram vencidos os ucranianos, os russos, a UE, a paz e a compaixão.
Sentimos a negrura dos dias que hão de vir, enquanto nos comovemos com o sofrimento de quem foge, e de quem não pôde, sem precisar de encenações que matam a liberdade, a verdade e o espírito crítico.
A minha geração, nascida durante a guerra (1939/45), nunca ouvira a palavra “nuclear” com tão fortes arrepios e tanta desconfiança nos que decidem o destino da Humanidade.
A identidade ucraniana está a ser criada de forma sangrenta, cerzindo a sua diversidade étnica, religiosa e histórica nas fronteiras atuais. Com a invasão, Putin veio proporcionar à Ucrânia aquilo que lhe negava.
Não me conformo com a decisão do Conselho Europeu, na passada terça-feira, quando baniu as cadeias de informação russas do espaço mediático ocidental, à semelhança do que faz a Rússia. Quando as democracias não respeitam o pluralismo, incluindo os que são contra a democracia, entram no autoritarismo que as corrói.
Termino com uma frase do artigo habitual de Pacheco Pereira, ontem, no Público: ««Sim, a extrema-direita ucraniana é nazi, do mesmo tipo da extrema-direita russa.». Basta ver o critério policial racista para o embarque de quem foge da Ucrânia.
A história não é neutra, se fosse uma ferramenta seria um canivete suíço.
A invasão russa da Ucrânia tem motivado várias lições de história daquela região da Europa que nos contam o seu passado desde a antiguidade, mas os historiadores raramente falaram das duas invasões da Europa ocidental à Rússia, a de Napoleão e a de Hitler, eu nunca os ouvi.
Essa referência não é, contudo, a meu ver, já útil como instrumento de análise do presente. A invasão está a decorrer e assunto arrumado. O conflito irá terminar. É histórico que os conflitos terminam, mesmo a guerra dos romanos contra os parsas terminou ao fim de 300 anos, com a derrota de ambas as partes, diga-se, e a vitória de um terceiro império.
Mas há dois exemplos do passado mais recente que poderiam ter algum interesse para lidar com a situação presente e a de curto prazo, que evitasse, ou amenizasse o sofrimento de quem sempre sofre, os povos, aqueles que são ultrapassados pela história e pelos interesses que a fazem mover.
Um desses exemplos diz-nos respeito: As invasões francesas, napoleónicas, da Península Ibérica. A Espanha aceitou um rei francês, irmão de Napoleão e ser uma base francesa. Portugal também aceitou os franceses, mas os ingleses (com Wellington) vieram lutar contra eles em Portugal e parte dos portugueses apoiou-os. Quando os ingleses (tropas anglo-lusas) venceram nas linhas de Torres expulsaram os franceses (Massena) e os espanhóis aproveitaram para fazer o mesmo.
Os diversos países europeus, por falta de capacidade de dissuasão militar, são irrelevantes e impotentes!
Isto por:
1. Falta de visão e de capacidade política dos seus Dirigentes Políticos;
2. Bem como por falta de apoio da Opinião Pública em matéria de se construírem forças armadas capazes e fortes, que dissuadam o aparecimento de situações graves de potencial conflito, como a actual.
Opinião Pública essa que está dominada por pseudo-cientistas políticos e pseudo-filósofos, dos países ocidentais, que “decretaram” que se tinha atingido a “Paz Eterna de Kant” e que, portanto, os países ocidentais já não precisavam de Forças Armadas!
Aí está!
Enquanto os países ocidentais, Portugal incluído, não perceberem que têm que ter capacidades de dissuasão, Forças Armadas fortes e bem equipadas, o seu destino é o da submissão e irrelevância.
A REALIDADE
As Potências mundiais, EUA, Rússia e China tem sobrecapacidades militares e económicas para desrespeitarem o Direito internacional. É um facto. É a realidade.
E NENHUMA delas é inocente, pois sabem isto muito bem e á vez têm-no desrespeitado.
“A lavagem cerebral na EU continua, os Ucranianos passaram de temíveis mafiosos a anjos imaculados e coitados… Incrível os que se passa nos meios de comunicação nacional, a propaganda que por la se faz chega a ser imoral…” (Adriano Santos).
É assim, a memória das pessoas é em média de 2 meses.
E os decisores políticos sabem-no bem.
A UE no pós-1991 (queda do Muro de Berlim) em vez de atrair a Rússia, fez tudo para a afastar e provocar.
A U.E. e os EUA em vez de fomentarem a constituição do eixo Moscovo – Berlim – Paris – Londres – Washington que enfrentaria melhor a real ameaça, a China, fizeram tudo ao contrário.
Provocaram uma das três grandes potências mundiais.
E agora? A culpa é só de um lado?
Mais uma vez: Não há inocentes neste conflito, neste jogo de Geoestratégia.
Voici une image que l’on ne pensait pas voir de si tôt. Le président russe, Vladimir Poutine, partage une danse avec l’ancien président des Etats-Unis, Georges Bush. C’était en 2008.
Num post no FB, o embaixador Luís Castro Mendes escreve a propósito de uma prestação do historiador Fernando Rosas na CNN que este está a cometer o mesmo erro que foi o de Vasco Pulido Valente, noutro tempo: reduzir a análise da realidade ao precedente histórico e minimizar as diferenças do novo para magnificar as constantes do passado. O meu amigo David Martelo, historiador com vasta obra na área da polemologia faz uma excelente síntese do passado de conflito na Europa Central a que deu o título: CORTINADOS GEOPOLÍTICOS, sobre o conflito “que opõe atualmente a Rússia aos aliados da OTAN, localizada sobre a fronteira da Ucrânia”, mas essa história não explica o presente.
A História serve para tudo. O que quer dizer que serve de pouco. Há exemplos para todas as explicações. O passado pode ajudar a perceber o presente, mas sem entendemos o presente o passado serve de pouco. O Japão não percebeu que o presente tinha mudado com a arma atómica e teve uma terrível surpresa. Marcelo Caetano não percebeu que o Exército de 1974, após 14 anos de guerra colonial, não era o Exército que tinha partido para Angola em 1961 e teve a surpresa do 25 de Abril. A Revolução Francesa e a Russa são exemplos de surpresas por incapacidade de perceber que o presente não é uma evolução em linha reta do passado. São inúmeros os exemplos.
Mas a História tem constantes. Essas é que devem ser exploradas e estudadas para evitar surpresas. A constante da História é a luta pelo poder. É a luta por interesses à margem de qualquer referência moral. Não há luta de Bem contra o Mal.
A dita crise da Ucrânia é uma luta por interesses, mais uma. Os interesses da Rússia são claros e explícitos: Não quer ter inimigos acampados à porta! Os interesses dos Estados Unidos surgem camuflados com a mantra do costume da defesa da liberdade, uma canção esfarrapadíssima. Mas é possível lê-los: O interesse de Joe Biden surgir a meio do mandato como um presidente em guerra, um capitão América. O interesse dos Estados Unidos em obterem lucros diretos e indiretos com o aumento do preço do petróleo e do gás, dificultando a aquisição de gás russo pela Alemanha, principalmente, e proporcionando lucros às petrolíferas e aos aliados do Golfo, Qatar e Arábia Saudita. Congregar os países europeus à sua volta, para evitar tentações de autonomia. A lista é longa.
É destes interesses que se trata, a demonstração do poder de um império e o aviso a tentações de autonomia dos europeus. A NATO, referida por David Martelo, é uma confraria que tem um grão-mestre que paga, determina e pune rebeldes. A NATO são os Estados Unidos e uns apêndices.
Os países europeus representam na NATO o que as tropas de caçadores indígenas representavam para os exércitos coloniais, os landins de Moçambique, os askari do Tanganica, os gurkas da Índia: transmitem uma mensagem de unidade e igualdade, que é falsa, porque os comandantes e as armas são sempre do colonizador, do império, e servem os seus objetivos.
A NATO é, pois, uma entidade sofismática em que todos são iguais, mas um deles é mais igual do que todos os outros.
Na fronteira da Ucrânia jogam-se interesses. Os ucranianos são apenas os peões das nicas de mais um conflito. Quando os interesses estiveram equilibrados, regulados, os ucranianos passam à história, como já passaram os afegãos, os iraquianos, os sírios, os líbios, os venezuelanos, os equatorianos…
Ainda quanto à NATO, o turco Erdogan joga um papel duplo. Tem os seus interesses e está em condições de os negociar sem lhe acontecer o que aconteceu a Saddam Hussein, ou a Khadafi, ou até a Bin Laden. O francês Macron, também corre na sua pista. Quando se fala da NATO fala-se também de uma equipa com várias camisolas que se expressa através da voz de ventríloquo por um secretário-geral que tem autoridade sobre o motorista.
Quanto a Portugal, a NATO portuguesa tem sede em Washington. Estamos como os cães de água do Açores de Obama, ou como o sacristão das missas cujo papel é dizer ámen e servir a água e o vinho numa patina. Sendo assim e, como dizia Salazar, não podendo ser de outro modo está tudo bem. Vivemos numa sujeição inevitável que dispensa justificações do género que os ministros dos negócios estrangeiros costumam dar: defendemos princípios. Não, não defendemos, obedecemos e pronto!
MOSCOU — Em conversa por telefone com o chanceler alemão, Olaf Scholz, o presidente russo, VladimirPutin, afirmou que estava aberto ao diálogo com a Ucrânia sob a condição de que “todas as suas demandas fossem atendidas”. Na conversa, que durou cerca de uma hora e ocorreu por iniciativa da Alemanha, o presidente russo disse ainda esperar que a Ucrânia tome uma posição “razoável e construtiva” durante a próxima rodada de negociações, prevista para o fim de semana, segundo os negociadores de Kiev.
“A Rússia está aberta ao diálogo com o lado ucraniano e com todos que desejam a paz na Ucrânia. Mas com a condição de que todas as demandas russas sejam atendidas”, disse Putin, de acordo com um comunicado.
As demandas incluem o status neutro e não nuclear da Ucrânia, sua “desnazificação”, o reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia e a “soberania” dos separatistas nos territórios do Leste do país.
Scholz, por sua vez, pediu a Moscou que suspenda todas as ações militares imediatamente e permita o acesso à ajuda humanitária em áreas onde há combates. Na conversa, Putin negou que as tropas russas tenham bombardeado Kiev e outras cidades da Ucrânia e classificou essas acusações como “falsidades grosseiras”.
“As informações sobre o suposto bombardeio de Kiev e de outras grandes cidades são falsidades grosseiras e propagandísticas”, disse o russo, segundo o comunicado do Kremlin.
Desde antes do conflito, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, vem pedindo uma reunião com Putin — segundo ele, a única forma de colocar fim à guerra. O presidente russo, no entanto, endureceu o discurso contra Kiev e o Ocidente na quinta-feira. Ele afirmou que a “operação militar especial”, como chama a invasão ao país vizinho, segue como planejado e que acabará com “com essa anti-Rússia criada pelo Ocidente”, referindo-se à hostilidade de Kiev em relação a Moscou.
O primeiro dever de um governante é procurar a felicidade e o bem-estar do seu povo. A sua primeira preocupação deverá ser afastar o seu país dos horrores da guerra.
Independentemente da perversidade de Putin, Zelensky está a conduzir o seu povo para um massacre. O seu primeiro dever teria que ser assegurar as melhores relações de vizinhança com a Rússia, manter a liberdade e garantir o progresso do seu povo.
No final dos anos 30, depois de meses de guerra entre a Finlândia e a URSS (o Império Soviético de Stalin) estes dois países encontraram, através de negociações, um modus vivendi, um estatuto de neutralidade que a poupou aos horrores da II Guerra Mundial e lhe permitiu progresso e bem estar durante toda a Guerra Fria, que se prolonga até hoje.
Em Outubro de 1962, estivemos à beira da III Guerra Mundial porque a URSS decidiu instalar mísseis com ogivas nucleares em Cuba, o que levou os EUA a reagir energicamente para afastar esse perigo das suas cidades.
Reflexões em volta de 2 escritos de Kristin Kane e de Rui Miguel Godinho.
Não devem existir muitas escolas que tenham convidado em Portugal a embaixada dos EUA a homenagearem Martin Luther King mas a escola profissional que dirigi e onde fui diretor pedagógico fê-lo e recebeu muito bem quem lá esteve da embaixada nessa homenagem
Começo por aqui para que fique claro que tenho muito gosto em ter sido considerado freedom fighter pelos EUA (não não recebi um tostão só chatices e dois anos e tal proibido de trabalhar de ser remunerado de ser sócio de empresas e cooperativa e associações que fundara pela ONU pela UE e pelo Estado português eis o meu prêmio pelo meu combate anti soviético e anti russo e Ucraniano dada a sua ocupação militar de Angola, a par dos EUA, de 1975 até 2002) apesar de tudo porque era a Democracia e a Liberdade que estavam em jogo e por elas vale a pena lutar !
Gosto de Abraham Lincoln que homenageei escolhendo o para ter sido o meu nome maçónico no GOL até porque era correspondente de Karl Marx como gosto e votaria Obama e Sanders se fosse estadunidense como gosto de Malcom X e do seu combate pelos Direitos dos Negros estadunidenses.
Não sou comunista nunca fui sovietista tendo sido maoista e faço parte dos da geração que considerou a URSS social-imperialista e saudei a coragem de Gorbachev na sua tentativa de democratizar a URSS, ataquei Yeltsin pela sua submissão ao neoliberalismo estadunidense que quase destruiu a Rússia e fez dela um país onde se morreu à fome depois de ter chegado a ser episodicamente a primeira potência mundial.
A geopolítica não é monocromática, e a peça que se escreve no teatro da guerra em curso (um território que compreende a Ucrânia, mas que se expande por metade do mundo) tem mais bandido do que mocinho, e uma só vítima: as populações civis, mortas ou desterradas.
Por um imperativo moral, os socialistas não tergiversam na denúncia da invasão da Ucrânia, ao tempo em que se recusam a sancionar a política de guerra do Pentágono, nossa adversária tática e estratégica desde o fim da segunda guerra mundial.
A defesa da paz, tema caro ao humanismo socialista, implica a ativa condenação da guerra, necessidade do desenvolvimento capitalista, com a qual a Europa flagelou o mundo no século passado.
O pacifismo socialista, porém, considera as condições históricas, como demonstram o esforço dos trabalhadores russos no afã de consolidar a revolução de 1917 e derrotar 14 exércitos invasores, e o empenho da jovem URSS na guerra contra a ameaça nazifascista, e seu posterior engajamento nas lutas de libertação nacional e descolonização em todos os continentes, no curso do último século. Os socialistas, ao lado dos trabalhadores brasileiros defenderam o envio de tropas para os campos de batalha da Itália: a História dizia que a prioridade era derrotar o nazifascismo.
Os socialistas brasileiros sempre defenderam a autodeterminação dos povos e hoje, mais do que nunca, desconhecem justificativa para rever essas posições que, aliás, vêm norteando a política brasileira desde Rio Branco, enriquecida a partir das experiências de política externa independente formuladas por Afonso Arinos e San Tiago Dantas nos anos 60 do século passado, revista e enriquecida pela política “ativa e altiva” de Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia. Uma só vez, na República, o país desonrou essa história de altivez, quando, sob ditadura militar, misturou-se aos marines dos EUA que em 1965 invadiram a República Dominicana para depor o governo constitucional e democrático de Juan Bosch.
A soberania política e a integridade territorial de todos os países devem ser mutuamente respeitadas, e é evidente que uma soberania está sendo violada quando parte do território de uma nação livre e independente é invadida por tropas estrangeiras, como ocorre com a base de Guantánamo, em Cuba, ocupada pelos EUA.
Claro, também, que a integridade nacional é golpeada quando o território de um país soberano se vê cercado por instalações militares de potências declaradamente inimigas.
Em 1962, ao descobrir que a URSS havia instalado armas estratégicas no território cubano, os EUA decretaram o bloqueio naval da ilha, e colocaram o mundo à beira da hecatombe nuclear, afinal afastada pela negociação de um acordo que, assegurando os EUA que não invadiriam Cuba, criava condições para a URSS retirar seus mísseis. Como foi a norte-americana naquele então, é legítima a preocupação da Rússia de hoje com o que significaria, para sua segurança, o ingresso da Ucrânia na OTAN.
03/03/2022 |A inutilidade da moral para ler a guerra
Todas as guerras são condenáveis, a paz é um bem inestimável, todos os povos têm direito a escolher os seus destinos, todos os combates causam sofrimento, mortes, destruições e deslocações. A guerra é sempre uma amálgama de corpos, de sangue e de ruínas. Todos os seres humanos dotados de um mínimo de humanidade são contra a guerra. Contudo, a guerra é a mais antiga e continuada ação humana. A condenação moral da guerra nunca evitou a guerra, nem construiu a paz.
O primeiro dado de partida para a análise de qualquer guerra é não haver moral, mas apenas interesses. Os direitos dos povos e a moral não são elementos do jogo. Nunca são. Na Ucrânia não se defende a liberdade, nem o direito, como não se defenderam esses valores noutras invasões próximas de nós no tempo, a do Iraque, do Afeganistão, da Líbia, da Síria. Como não foram para os defender que se desencadearam as guerras no Vietname ou, mais atrás, as invasões da Hungria e da Checoslováquia. Como, ainda mais atrás, não foi pela defesa de valores morais que ocorreu a divisão da península da Coreia.
O segundo dado é o de a guerra ter como motivo a conquista de vantagens, ou a defesa de situações e de os pretendentes à conquista desses dois objetivos estarem dispostos a utilizar a violência para os alcançar. Não há guerra sem violência.
A explicação para os acontecimentos em curso na Ucrânia não se encontra em abordagens maniqueístas dos bons contra os maus, mas sim na geoestratégia, que tem influenciado de modo decisivo a política externa das grandes potências.
A compreensão dos acontecimentos presentemente em curso na Ucrânia exige um escrutínio dos factos, que vá para lá dos sound bites estridentes que confundem desinformação com informação, fazendo da verdade a primeira vítima da guerra, como uma vez alguém escreveu. De facto, estamos perante dois assuntos distintos, embora correlacionados: a proteção da população russa da Ucrânia, e a expansão da NATO para Leste, subsumindo-se o primeiro neste último.
A explicação não se encontra em abordagens maniqueístas dos bons contra os maus, mas sim na geoestratégia, que tem influenciado de modo decisivo a política externa das grandes potências.
Isso é bem visível no caso norte-americano. A política da contenção da União Soviética adotada por Washington, nos tempos da Guerra Fria, elaborada e desenvolvida por George Kennan, o arquiteto da estratégia americana para conter a União Soviética, fortemente inspirada nos trabalhos do geoestratega Nicholas Spykman, é um flagrante disso.
Mais recentemente, Zbigniew Brzezinski, conselheiro nacional de segurança do presidente Jimmy Carter, avançou no seu livro “The Grand Chessboard” (1997), com a teoria dos pivôs geopolíticos, considerando a Ucrânia um desses pivôs.
O conflito da Ucrânia levantou questões reveladoras da frágil camada de verniz racional que cobre o núcleo de interesses dos Estados e dos nossos amados líderes. A racionalidade é apenas uma versão do interesse. No fundo, os dirigentes políticos andam atrás da turba e a turba age à voz. Corremos à frente dos nossos tambores e cornetas.
O oferecimento dos dirigentes da Ucrânia parra entrarem como membros da União Europeia e a resposta dos dirigentes da União é exemplar do ponto de barganha em que os Estados se movem. Há uns meses a UE discutia as violações aos princípios do Estado de Direito pela Hungria e a Polónia. Agora, perante a Ucrânia são exemplos de comportamento democrático!
A Ucrânia aproveita a invasão Russa para fazer um ultimato moral: ou entramos para a União Europeia e para a NATO ou a União Europeia é cúmplice dos resultados do nosso interesse em pertencer a essas duas alianças que nos garantem negócios em segurança.
É uma atitude inteligente e reveladora de bom domínio das emoções alheias por parte do regime ucraniano. Ninguém na Europa da boa vida gosta de ver edifícios esventrados, multidões em fuga. Há que aproveitar enquanto as emoções estão a quente. Zelensky aproveitou.
Mas a adesão da Ucrânia à NATO e à União Europeia coloca a questão: porque não admitir, então, a Turquia na UE? O regime político da Ucrânia é mais “democrático” que o da Turquia? É que a Nato é, desde que Portugal se fez democrático, uma aliança de democracias… em tese, claro. A relação entre negócios e política na Turquia de Erdogan mais transparente que a dos oligarcas ucranianos com o regime chefiado por Zelensky?
Dir-me-ão, a Turquia é muçulmana, com uma religião de Estado determinante da política. Nesse aspeto é muito diferente do Estado teocrático da Polónia? E, já agora o Reino Unido também é uma teocracia… simpática, mas é… e saiu da UE, mas pertenceu ao clube vários anos…
Eu sempre fui contra a entrada da Turquia na União Europeia, mas perante esta febre de competidores para mostrarem que são cada um mais ucranianos que os outros, entendo que a Turquia deve ser admitida. E já agora e porque não a Bielorrússia? O Lukashenco é mais independente da Rússia do que o Zelensky dos Estados Unidos?
Juntemos num pacote, que fica mais económico, o Zelensky, o Erdogan e o Lukashenco. Haja algum coerência e não se levem as propostas muita sério até elas servirem para promover algum negócio.
Os cidadãos europeus merecem quem os dirige com tão elevados princípios.
George Kennan, indiscutivelmente o maior estrategista de política externa dos Estados Unidos, o arquiteto da estratégia americana de guerra fria. Já em 1998, ele advertiu que a expansão da OTAN era um “erro trágico” que deveria provocar uma “má reação da Rússia”.
Depois, há Kissinger, em 2014
Ele alertou que “para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro” e que o Ocidente, portanto, precisa de uma política que vise a “reconciliação”. Ele também foi inflexível que “a Ucrânia não deve aderir à OTAN”
Este é John Mearsheimer – provavelmente o principal estudioso geopolítico nos EUA hoje – em 2015:
“O Ocidente está levando a Ucrânia pelo caminho da primavera e o resultado final é que a Ucrânia vai ser destruída [… ] O que estamos fazendo é de fato encorajar esse resultado.”
Este é Jack F. Matlock Jr., embaixador dos EUA na União Soviética de 1987-1991, alertando em 1997 que a expansão da OTAN foi “o erro estratégico mais profundo, [encorajando] uma cadeia de eventos que poderia produzir a mais séria ameaça à segurança [ …] desde o colapso da URSS”
Este é o secretário de Defesa de Clinton, William Perry, explicando em suas memórias que para ele o alargamento da OTAN é a causa da “ruptura nas relações com a Rússia” e que em 1996 ele se opôs tanto a isso que “na força de minha convicção, considerei renunciar “.
Apostados em não reconhecer o seu declínio, desde a saída caótica do Afeganistão ao medíocre desempenho na pandemia, os EUA insistem em fugas para a frente, e nessa estratégia pretendem arrastar a Europa.
Boaventura de Sousa Santos in Público
25 de Fevereiro de 2022
A soberania da Ucrânia não pode ser posta em causa. A invasão da Ucrânia é ilegal e deve ser condenada. A mobilização de civis decretada pelo presidente da Ucrânia pode ser considerada um acto desesperado, mas faz prever uma futura guerra de guerrilha.
Putin deveria ter presente a experiência dos EUA no Vietnam: o exército regular de um invasor, por mais poderoso que seja, acabará por ser derrotado, se o povo em armas se mobilizar contra ele. Tudo isto faz prever incalculáveis perdas de vida humana inocente. Ainda mal refeita da pandemia, a Europa prepara-se para um novo desafio de proporções desconhecidas. A perplexidade perante tudo isto não poderia ser maior.
Por Fyodor Lukyanov, editor-chefe da Rússia em Assuntos Globais, presidente do Presidium do Conselho de Política Externa e de Defesa e diretor de pesquisa do Valdai International Discussion Club.
Fonte – RT
A intervenção militar da Rússia na Ucrânia marca o fim de uma época na situação global depois que o presidente Vladimir Putin lançou a ação na semana passada. Seu impacto será sentido nos próximos anos, mas Moscovo se posicionou para “tornar-se um agente de mudança fundamental para o mundo inteiro”.
A operação das Forças Armadas Russas na Ucrânia marca o fim de uma era. Começou com a queda da União Soviética e sua dissolução em 1991, quando uma estrutura bipolar bastante estável foi derrubada pelo que veio a ser conhecido como a “Ordem Mundial Liberal”. Isso abriu o caminho para os EUA e seus aliados desempenharem um papel dominante na política internacional centrada na ideologia universalista.
A crise se manifestou há muito tempo, embora não tenha havido resistência significativa das grandes potências que ficaram insatisfeitas com sua posição no novo campo de jogo político. De fato, por muito tempo (pelo menos uma década e meia), praticamente não houve oposição. Os países não ocidentais, nomeadamente a China e a Rússia, envidaram esforços para se integrarem na hierarquia.
Pequim conseguiu não apenas fazer isso, mas também aproveitou a situação para se firmar como jogador dominante. Moscovo, no entanto, saiu muito pior e levou mais tempo para se ajustar a essa nova ordem mundial e consolidar um lugar respeitável em suas fileiras.
Os economistas liberais neocons que gizaram a globalização e que através do dumping social e financeiro, das offshores e do aumento exponencial das desigualdades com a criação de uma casta de oligarcas, bilionários e outra gatunagem, acreditam agora no cerco económico á Rússia.
Esquecem-se q a China receberá no seu “leito de núpcias” cuidadosamente preparado, todo o potencial energético, de matérias primas essenciais e toda a tecnologia militar e espacial da Rússia.
Veremos a criação de um bloco, á escala planetária com mais recursos económicos, territoriais e demográficos. A China anexará finalmente Taiwan e desafiará a potência marítima (EUA) que mesmo com a sua “bielorussia”, leia-se UE á trela, terá que aceitar a primazia do bloco asiático.
Claro que isto é uma simples conjectura, nem lhe chamo análise para não ferir o academismo e arrogante sapiência dos comentadores (boa parte deles) que ouvimos na nossa CS. Mas se Deus me der alguns anos de vida logo verei se tinha ou não á data de hoje as ideias bem arrumadas.
Outro notável texto de Miguel Sousa Tavares de análise da Guerra na Ucrânia publicado no Expresso
Sim, invadiu. Vinte e quatro horas depois de ter insistido que estava ainda aberto a negociações “sérias e honestas”, Putin invadiu a Ucrânia e, pelo que se sabia até ontem à tarde, em larga escala.
Faço ideia da satisfação intelectual de tantos que passaram semanas a anunciar a invasão, às vezes parecendo mesmo desejá-la para poderem ver as suas previsões confirmadas. Não é o meu caso: sempre acreditei que Vladimir Putin não daria este passo extremo, com o qual tem muito mais a ganhar do que a perder, e que semanas e semanas de tensão a acumular-se eram pretexto e tempo suficiente para que os tão falados “esforços diplomáticos” conseguissem evitar uma guerra desta dimensão na Europa.
Porque, talvez ainda não tenham percebido bem, mas esta guerra não vai doer apenas aos ucranianos, com os seus mortos e o seu país ocupado, vai doer a todos na Europa e para além dela — e se a coisa ficar pela Ucrânia. Não tardará muito tempo até que aqui mesmo, em Portugal, o comum das pessoas se interrogue por que razão os que podiam não fizeram todos os esforços para evitar esta guerra e as suas consequências.
Em 19 de Janeiro passado, escrevi aqui isto: “Tudo o que a Rússia pede é a garantia de que nem a Ucrânia nem a Geórgia, nas suas fronteiras, vão aderir à NATO. Em troca, o que a NATO pode exigir à Rússia é a garantia de que não invadirá a Ucrânia. Custa assim tanto evitar a guerra?”
1. Não é admissível o silêncio sobre a invasão militar da Ucrânia pela Rússia, a maior operação bélica na Europa desde a II Guerra Mundial. Por mais previsível que fosse, não deixa de ser uma agressão, em grosseira violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, que só pode merecer condenação geral.
Só é de lamentar que a Ucrânia e a Nato tenham fornecido pretextos à Rússia para esta ofensiva, desde o abandono do estatuto de neutralidade ucraniana (que tinha sido condição explícita do reconhecimento da independência ucraniana por Moscovo), logo substituída pelo pedido de adesão à Nato (uma óbvia provocação à Rússia), até ao incumprimento do acordo de Minsk de 2015 sobre a autonomia dos territórios russófonos do leste da Ucrânia (que Kiev manteve sob constante assédio militar).
Quando se mora ao lado de um gigante ressentido, convém não lhe dar pretextos para a agressão.
Vários países europeus iluminaram os seus monumentos e edifícios principais com as cores azul e amarelo da Ucrânia e muitos cidadãos europeus colocaram tarjetas da mesma cor nas suas fotografias com os dizeres: Somos ucranianos!
É um respeitabilíssimo reflexo de emoção e de bons sentimentos, mas é sabido quanto os sentimentos e as emoções perturbam a razão. Esta reação de entidades e de pessoas comuns é a esperada perante como resultado das ações de condicionamento de emoções que estão em curso nesta guerra, como em todas, aliás. Os nossos líderes querem que nos vejamos como ucranianos e fazem os possíveis através das imagens dos dramas pessoais que transmitem nas TVs que é reconfortante estarmos do lado do Bem. Mas a opinião que temos a nosso respeito pode não corresponder à opinião dos outros. Há quem nos veja como bielorussos. Julgo que é assim que nos vêm os dois antagonistas deste conflito, os poderes reais em Washington e em Moscovo.
Há pouco, 17 horas de domingo 27 de Fevereiro, a presidente da Comissão Europeia e o Alto Comissário para as Relações Externas da União Europeia vieram afirmar, de forma criptada, evidentemente, que a União Europeia estava para os Estados Unidos como a Bielorrússia para a Rússia: A UE era um Estado Satélite, por isso se prestavam a colocar em prática um conjunto de medidas de apoio à manobra dos Estados Unidos neste confronto com a Rússia, que é o que está a ocorrer e tendo essas duas superpotências como protagonistas.
Acabei de ouvir às 17 h portuguesas uma intervenção da personalidade acima citada, político francês, do Partido Republicano, que, além de ter explicado o que significa a recente decisão de Putin (alerta da força de dissuasão), deixou muito claro as estreias saídas para a crise que neste momento existem.
As saídas, segundo Lellouche, não são diferentes das inicialmente existentes, mas ainda existem. Se não forem rapidamente negociadas, o fim que nos espera será difícil de contar.
Lembrou que Paris, Londres ou Berlim estão a 5 minutos de Moscovo.
E lembrou que tudo o que está a acontecer se sabia desde 2007.
Enfim, disse o que os nossos militares têm dito. Mas tem dúvidas que os americanos percebam. Já que na compreensão deles a Europa não significa para eles, o que significa para nós.
A diferença sobre o que se passou nesta entrevista|comentário é que os PIVOTS se remeteram aos “seus conhecimentos” e aprenderam o que lhes foi explicado.
Hoje existem dois confrontos principais: Ucrânia e China. Em ambos casos existem acordos regionais plausíveis. Todos sabem que o acordo plausível na Ucrânia é não deixar que se junte à Organização Tratado Atlântico Norte (OTAN). A saída viável para a Ucrânia é uma neutralidade ao estilo-austríaco que funcionou muito bem ao longo da Guerra Fria.
Foi permitido à Áustria estabelecer todas as ligações que quis a Ocidente e com a União Europeia. A única restrição era que não tivesse bases militares dos EUA e forças no seu território. A velha visão Atlantista da OTAN era que o seu propósito era manter a Alemanha em baixo, a Rússia fora e os Estados Unidos no comando. Hoje as negociações do presidente francês, Emmanuel Macron foram agressivamente atacadas nos EUA porque iam na mesma direcção — em direcção a um acordo pacífico negociado por europeus.
Para os EUA este tem uma enorme desvantagem: põe os EUA de lado e isso não pode ser. Os EUA devem tentar bloqueá-lo e assegurar de que há uma solução atlantista que estes liderem.
Imaginemos que voltamos a ver a Rússia a colocar bombas nucleares em CUBA, como em 1962. Assim, de surpresa, durante a madrugada, a pedido de Cuba, claro. Como reagiriam os USA?
Não zombar, nem lamentar-se, nem odiar, mas compreender.” BARUCH SPINOZA
HAJA BOM SENSO DE TODAS AS PARTES …. e PAZ !
O presidente Biden disse que penalidades mais severas se seguirão se Moscovo continuar sua agressão.
Estive a ver na SIC N o que fez Ricardo Costa, director-geral da Informação da estação, a um convidado, o Major General Raul Cunha, que apenas teve oportunidade de afirmar que é preciso olhar para os dois lados do conflito. Não conseguiu dizer mais nada tendo sido positivamente massacrado com uma intervenção irada, em alta voz, cortando ao interlocutor qualquer hipótese de sequer entrar na discussão. Uma intervenção pretensamente baseada na moralidade.
Estive a ver uma intervenção do Cor. Carlos Matos Gomes na mesma estação e a tentativa de crítica esboçada por Milhazes que, independentemente da sua boçalidade e da resposta que levou de Matos Gomes, vai exactamente no mesmo sentido da anterior.
Estive a ver, na RTP 3, a reacção que a brevíssima análise do Major General Carlos Branco mereceu ao “ciático” Carlos Gaspar, sempre tão cínico e assertivo na defesa de quanta porcaria os Estados Unidos fizeram desde o fim da II Guerra Mundial até hoje , descontrolando-o completamente até nos esgares faciais com que acompanhou sua balbuciada fúria, pretensamente fundada nos mesmos argumentos das duas anteriores.
Estive a ver na CNN a reacção quase animalesca de Sérgio Sousa Pinto a uma proposta de análise da situação ucraniana apresentada por António Filipe, igualmente fundada na mesma pretensa moralidade das anteriores.
Entre a chegada de Gorbachev ao poder em Moscovo (1985) e a dissolução da URSS (1991) assistimos a um acontecimento sem paralelo na história mundial: um império colocou à frente da sua própria sobrevivência, o interesse da humanidade, evitando uma guerra nuclear generalizada que conduziria a uma “destruição mútua assegurada” (mutual assured destruction).
A liderança de Gorbachev salvou a paz no mundo, mas com um custo doloroso para a o povo russo. Na nova Rússia, do centralismo estalinista e de economia planificada, transitou-se para um centralismo autocrático e para um capitalismo brutal e oligárquico. Entre 1991 e 1994 a esperança de vida na Rússia diminuiu 5 anos…
Do lado ocidental, depois da simpatia inicial por Gorby, ganhou a tese de que a Rússia tinha perdido a guerra-fria, podendo doravante ser ignorada. Apesar das promessas de que a reunificação da Alemanha não implicaria o alargamento para leste da NATO, a verdade é que esta se efectuou em duas fases principais (1999 e 2004), integrando uma dezena de aliados do ex-Pacto de Varsóvia, e mesmo ex-repúblicas soviéticas, como foi o caso dos Estados bálticos. Como brilhantemente percebeu José Medeiros Ferreira (ver seu artigo de 20-02-2007 no DN), num “discurso histórico” numa conferência de segurança em Munique (10-02-2007), Putin interrompeu 15 anos de “hibernação” russa: os interesses e a segurança da Rússia não poderiam continuar a ser ignorados nas decisões dos EUA e aliados. Contudo, em 2008, a Geórgia e a Ucrânia foram convidadas a aderir à NATO.
Pertenço ao imenso grupo de Europeus que estão desiludidos com a não- intervenção política da Comunidade Europeia no actual conflito Rússia – Ukrania.
E lembrei -me de De Gaulle , general, político e estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial e presidiu ao Governo Provisório da República Francesa de 1944 a 1946, a fim de restabelecer a democracia na França.
Foi eleito presidente de França e concedeu a independência a Argélia contra os colonos pieds-noirs e os militares franceses, o que motivou um dos atentados de que foi alvo em 8 de Setembro de 1961, pelo general Raoul Salan . Outros atentados foram em Paris, no ano de 1945, por atiradores furtivos alemães e outro em 22 de Agosto de 1962, quando o seu carro foi crivado de balas. Ainda em 1963, seria desbaratado um complô na Escola Militar para o matar.
Como se percebe, os Pethainistas que apoiaram Hitler tinham muita força anti – democrática, o Nazism continuava , como já sabemos. Até aos dias de Hoje.
Os sinos dobram em Kiev e ninguém apareceu no funeral de um país que comprometeu o futuro das democracias europeias e o bem-estar dos europeus. Os que lhe prometeram apoio temeram Putin e o espetro da guerra nuclear arrepiou a Europa.
A Nato, depois da extinção do pacto de Varsóvia, apesar do acordo de cavalheiros para não se expandir para os países dominados pela ex-URSS, não parou de cercar a Rússia e aumentar a zona de influência, acabando por sofrer um revés na Geórgia, com a Ossétia do Sul e a Abcásia amputadas.
Agora, com a credível suspeita da futura adesão da Ucrânia à Nato, o neonazi Putin, que se autointitulou libertador da Ucrânia neonazi, voltou a repetir aí a criação da república fantoche de Donbass depois de ter usado o mesmo expediente na Crimeia, em 2014.
O que há de novo e intolerável é a invasão da Ucrânia para tornar o próprio país em uma república fantoche, apelando aos militares para tomarem o poder que já conquistou. Não lhe faltarão apoiantes. É a sorte dos fortes contra os fracos.
Os sinos dobram em Kiev e ouve-se o choro e a raiva da impotência das democracias da Europa, cujas sanções à Rússia são também sansões contra si próprias.
“Fixai deste mundo a Europa, o sólido e imobilizado chão sobre o
qual desliza pacífica a europeia união para leste.”
Tendo em conta apenas o século XX as fronteiras de muitos países europeus, sobretudo do centro e do leste, foram desenhadas e redesenhadas várias vezes, resultando disso modificações políticas e sociais importantes. Isto ocorreu antes e depois da I.ª e da II.ª Guerra Mundial, bem como na sequência do colapso da União Soviética.
Mais modificações sobrevieram com os alargamentos sucessivos da União Europeia. Têm sido alteradas fronteiras externas, dissolvidas as internas, reemergiram velhas fronteiras, houve o estabelecimento de novas fronteiras. Um certo número de antigas regiões fronteiriças passou de fronteiras nacionais a regiões fronteiriças internas da União Europeia como um todo.
Muita gente viu-se perante mudanças que afectaram não só os quotidianos das suas vidas, mas também alteraram situações nos planos regional, nacional e europeu.
Num sentido político, os alargamentos da União Europeia mudam a natureza das relações entre Estados. Antes da adesão, eles eram tratados pela União como partes da sua política de relações externas, depois dela passaram a constituir questões internas, ainda que em muitos casos seja deficiente a política externa da União.
AVISO: esta análise não tem “sound bites” nem “estados de alma”, nem obedece a “desejos do políticamente correcto”, pelo que poderá ser desinteressante para os espíritos que vivem da “espuma do dia” e do “sensacional”.
Comecemos então:
O Presidente de França Emannuel Macron afirmou há dias algo que me parece de elementar lucidez:
– “esta crise não é sobre a Ucrânia, mas sim sobre a NATO e sobre a segurança da Rússia”.
Tenho escrito por diversas vezes, ao longo dos anos, que alguns dirigentes de países europeus e alguns dirigentes políticos dos Estados Unidos têm cedido demasiado ao “politicamente correcto” imposto pela esquerda, quer pela comunicação social, quer pelas redes sociais.
Numa palavra, os dirigentes políticos dos países ocidentais, com muito raras excepções, não têm um pensamento estratégico, nem uma visão do médio e longo prazo em práticamente todas as matérias, neste caso, sobre o desenho da política internacional e sobre a forma de estabilização do Sistema Internacional.
Vivem apenas do dia-a-dia, vivem da “espuma dos dias”, vivem dos “sound bites”, preocupando-se apenas em como vão aparecer nas notícias do dia seguinte, nos meios de comunicação social ou nas redes sociais.
Convido-vos agora a acompanhar-me numa análise que faço sobre a questão que agora vivemos no leste da Europa.
Hoje tudo é muito diferente em relação ao passado, mas também muita coisa é demasiadamente igual.
No final do século XIX, princípio do século XX, o incipiente operariado português concentrava-se em poucas fábricas dignas desse nome no Norte do país, em particular no Porto, e numa multidão de pequenas oficinas em Lisboa e Setúbal e nas principais cidades do país. Eram operários e operárias, tabaqueiros, têxteis, soldadores, conserveiros, corticeiros, mineiros, padeiros, alfaiates, costureiras, cinzeladores, cortadores de carnes verdes, carpinteiros, fragateiros, estivadores, carregadores, carrejonas no Porto, carvoeiros, costureiras, douradores, etc., etc. Havia uma multidão de criados e criadas, criadas “de servir”, e muito trabalho infantil em todas as profissões, em particular nas mercearias, onde os marçanos viviam uma infância muitas vezes brutal, dormindo na loja e carregando com cargas muito pesadas. Falei em operariado, mas na verdade, muito poucos correspondem ao conceito, porque se trata mais de artífices, trabalhadores indiscriminados, e em muitos casos com profissões hierarquizadas em que os aprendizes eram sujeitos a todos os abusos. Havia depois uma aristocracia operária, essencialmente entre os que faziam tarefas qualificadas e mais bem pagas, como era o caso dos tipógrafos, que sabiam ler e por isso tinham um mundo social diferente. Antero de Quental foi tipógrafo de passagem.
Deixo o campo de lado, em que a maioria dos portugueses ainda vivia, onde havia igualmente um território obscuro e pouco conhecido que despertou com a I República, os trabalhadores rurais alentejanos. Estes viviam uma vida violenta e esquecida no meio do deserto alentejano. Nos meios rurais vários grupos de trabalhadores vegetavam na mais negra miséria e vendiam o seu trabalho sazonalmente, nas vinhas do Douro, nos campos do Alentejo e Ribatejo como maltezes e ratinhos. O que de mau se pode dizer das cidades, pode-se dizer pior do campo ou das vilas piscatórias do litoral e mineiras do interior.
A economia do mundo operário centrava-se no salário muito escasso, na renda de casa, numa vila operária ou numa “ilha” se fosse no Norte do país, onde se amontoavam em condições higiénicas e sanitárias inimagináveis. A epidemia de cólera no Porto, e a habitual ocorrência de tifo, demoraram muito anos a lembrar os governantes do problema de insalubridade da “habitação operária” e deram origem aos bairros sociais no salazarismo.
Hoje o pensamento é um subproduto do futebol. O futebolês passou a linguagem filosófica. Aderindo então aos ventos do momento:
A “final four” é um torneio em que quatro equipas disputam uma classificação. Uma versão da final four apura os três primeiros e o quarto desce de divisão. O que se está a passar com a crise da Ucrânia é uma final four em que os dirigentes da União Europeia já decidiram que ficam em quarto lugar e deixam de participar nos jogos ao mais alto nível nas próximas temporadas
O que está em jogo na Ucrânia é decisivo para a União Europeia. Escrever e debater o papel da União Europeia neste confronto entre a Rússia e os Estados Unidos, tendo a China a observar, é decisivo em dois pontos: o político e económico (que papel para a União Europeia no Mundo?); e, principalmente, quanto à questão melindrosa e por isso raramente aflorada do conflito de civilizações.
Dirão alguns que se fala demais da Ucrânia, que a questão é da maldade intrínseca de Putin – e saem insultos, que são a negação do pensamento e a revelação da falta de argumentos: czar, filho de Estaline, soviético, facínora – e resmas de folhas de História para garantir que os russos veem aí, filhos dos comunistas sanguinários.
Na realidade:
A primeira questão que a Ucrânia coloca à UE é que o conflito assenta numa luta entre potências Estados Unidos e Rússia, com 3 vetores por parte dos EUA: (1) manutenção do dólar como moeda de troca internacional (a UE é o maior parceiro da Rússia e o segundo dos Estados Unidos); (2) o domínio militar em terra, no mar e no espaço (a Europa não tem poderio militar significativo em nenhum destes espaços); (3) por fim a questão energética (em particular o gás, de que a Rússia é um grande produtor e o coloca na Europa a 1/3 do preço do gás americano).
Ontem ouvi o general Arnaud na RTP1 a considerar Putin um mestre de estratégia e a explicar porquê. Existem portanto três tipos de “obcecados” por Putin e pela sua conduta politico- militar-diplomática e que passo a caracterizar;
1 – Os que admiram genuinamente Putin, gente radical de direita e extrema direita/esquerda para quem os sistemas autocráticos capitalistas são a solução para calar o Povo , espezinhar as Liberdades, como Bolsonaro, Trump, Orban , o chinoca o coreano, ;
2 – Os que desejariam que a Rússia fosse governada por um pusilânime como O Gorbachev ou por um bêbado como Yeltsin, que abrisse as pernas ao capitalismo predador ocidental, para que se apossasse das imensas riquezas russas o que teria acontecido sem o Putin ou um seu equivalente;
3 – Os que tal como os generais portugueses p.ex. o citado e o gen. Carlos Branco p. ex. procuram serenamente as causas, as motivações e as intenções do politico e não avacalham a discussão com sectarismos ideológicos que nada acrescentam à compreensão da crise. Procuro situar-me aqui;
4 – E por ultimo a legião de ignorantes, com uma amostra significativa nas redes sociais, que vêm a disputa de Poder à escala Global, Regional ou Local, com o sectarismo clubista e que disparam às cegas da bancada onde acriticamente se sentam.
O PSD vive hoje o paradoxo da escolha que já atingiu mortalmente o CDS: Ser neoliberal ou ser social.
O neoliberalismo é fruto dos anos 70, e a sua versão prática foi estabelecida para contestar o modelo do Estado de bem-estar social do pós Segunda Guerra. Uma das primeiras experiências neoliberais foi levada a cabo no Chile. O ditador chileno Augusto Pinochet entrou em contacto com professores da Escola de Chicago (Milton Friedman, p.ex), que recomendaram medidas pró-liberalização do mercado e diminuição do Estado. Entre medidas constavam a drástica redução da despesa pública, demissão em massa de funcionários, e a privatização de empresas estatais. As eleições de Margareth Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos no início dos anos 1980 foram indicativos desse fenómeno de instauração da lei da selva económica e social, darwinismo social, chamaram-lhe, vencem os mais fortes e ai dos vencidos, a pobreza é fruto da preguiça ou da ausência de espirito lutador, não há sociedade, apenas clientes e consumidores.
Todos os Estados, até mesmo os impérios, têm uma soberania limitada pela dos seus competidores. Contudo, a limitação da soberania do Estado Português tem características próprias, devido, por um lado, à sua pequena dimensão (um território de 89 mil km2), à diminuta população e à escassez de recursos e, por outro, a uma situação geográfica na fachada atlântica da Península Ibérica e da Europa continental, logo, possuidor de uma localização estrategicamente importante para as grandes potências europeias, como ligação do Atlântico Norte ao Mediterrâneo e à costa africana. Este quadro foi praticamente constante ao longo da história.
O Estado Português, dados os condicionalismos, foi desde a fundação o que podemos designar como um estado vassalo da potência marítima, a Inglaterra, e todos os momentos chave da sua história foram determinados por ela, desde logo a independência contra outros estados ibéricos e contra a tentativa de unificação peninsular. Os cruzados ingleses estiveram com Afonso Henriques na fundação do Reino, serão tropas inglesas que decidirão Aljubarrota, e será a uma inglesa, Filipa de Lencastre, que se deve a estratégia expansionista da ínclita geração. Será ainda a Inglaterra que viabilizará a restauração da soberania no processo iniciado em 1640 e que assegurará a independência na Guerra Peninsular, com Wellington a defender Portugal das tropas invasoras de Napoleão. Também serão os ingleses que introduzirão o liberalismo e a modernidade europeia em Portugal, que, a partir de 1822, conduzirão o processo de independência do Brasil e, que, na Conferência de Berlim, atribuirão as colónias a Portugal, complementares das suas. O colonialismo português começa pela mão dos ingleses. A instauração da República deve-se, em parte e ironicamente, aos ingleses, que tinham desencadeado fervores patrióticos com o Ultimato.
A questão da Ucrânia tornou-se uma farsa com farsantes rascas, que dá vontade de ir utilizando como divertimento. O homem mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos, o honorável Joe Biden, afirmou publicamente, que o ataque Russo iria ocorrer dia 16 de Fevereiro. Não aconteceu. Agora informa que “ Está convencido que o ataque à Ucrânia ocorrerá nos próximos dias”. Lê-se e não se acredita! O Presidente da super potência dominante que os Estados Unidos são, ou sabe e não diz, ou diz que não sabe: não está convencido de… . Quem pode estar convencido de… são os Marques Mendes, os opinadores de televisão. O chefe quando diz sim, podemos estar seguros que é sim. E não é apenas mais um tarálogo.
Os americanos já descobriram armas de destruição maciça no Iraque há 20 anos. Descobriram o Bin Laden sabe-se lá onde, o Saddam num buraco, o Kahdafi num esgoto, e até descobriram os planos de um jovem de 18 anos no bairro dos Olivais, que ia realizar um massacre numa sexta feira de manhã no Campo Grande, em Lisboa e não conseguem descobrir o dia do ataque das divisões blindadas russas, com apoio de artilharia, de aviação, com a inundação do espetro eletromagnético para comunicações?
Em 1964 – há quase 60 anos, foi estreado o filme Dr Strange Love – How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (como deixei de me aborrecer e me apaixonei por uma bomba), com Peter Sellers a representar o General Ripper, que fica maluco e prepara um plano para iniciar a Guerra Nuclear. As mais altas autoridades dos Estados Unidos e da União Soviética tentam deter um avião-bombardeiro cuja tripulação recebera ordens de lançar uma bomba nuclear na Rússia. Quase 60 anos passados temos um Presidente dos Estados Unidos que em vez de evitar a ação do general doido, quer mesmo lançar as bombas. O doutor Strangelove, apaixonado por bombas, está aos comandos dos Estados Unidos, com o apoio dos dirigentes europeus! Um progresso!
Aliás o Biden ainda dá uns ares do pantera cor-de rosa, ou ao doutor Strangelove.
Reeleito presidente da Câmara de Aveiro para um terceiro mandato, Ribau Esteves defende que o PSD deve “puxar pela sua costela popular” e assume que o partido deve estar disponível para fazer reformas com o PS. | Sofia Rodrigues e Manuela Pires( Rádio Renascença)
Isso acontece desde que temos consciência do mundo e sociedade em que vivemos mas o que é certo é que as circunstâncias actuais tornam mais relevante esta pergunta que foi mote de correspondência entre Einstein e Freud, dois convictos, activos e eminentes pacifistas.
“Existe alguma forma de livrar a Humanidade da ameaça de guerra?”.
É assim que Einstein, de Potsdam, na Alemanha, numa carta de 30/07/1932, interpela Freud.
Reconhecendo que “o objectivo habitual do seu pensamento” (a Física) “não lhe permite uma compreensão interna das obscuras regiões da vontade e do sentimento humano”, propõe a Freud a “elucidação do problema, mediante o auxílio do seu profundo conhecimento da vida instintiva do Homem”.
São tantas e tão variegadas as opiniões sobre o iminente ataque da Rússia à Ucrânia, que confesso a minha dificuldade em contribuir. Mas estou desde o início céptico sobre a possibilidade de um ataque – e suspeito que a sua iminência não passa de um mero recurso de intimação no âmbito de um processo negocial que é a um tempo político, diplomático, estratégico e económico. No fundo, é mais uma questão de eminência do que de iminência.
Permitam-me uma breve e limitada análise.
A GEOPOLÍTICA E A UCRÂNIA
O país onde a civilização russa (“Rus”) nasceu é hoje um nó geopolítico sobre o qual giram os interesses opostos de dois pólos de poder mundial – os EUA e aliados, a Rússia e aliados. De facto, a Ucrânia é um corredor entre a Europa ocidental e a Ásia, através do qual a Rússia faz passar uma parte importante da energia que exporta.
Apesar das muitas narrativas divergentes, trata-se de um Estado frágil, com problemas demográficos crescentes, cuja população se divide entre russófonos, a sul e leste, e ucranófonos, a norte, sem que haja uma correspondência perfeita entre russófonos e russófilos e entre ucranófonos e russófobos. Mas a tendência é essa, o que permitiu a fácil e quase não contestada internamente anexação da Crimeia.
A divisão tem mais a ver com o idioma usado, do que com a pertença étnica, que é a mesma.
E foi este o país que, ao anunciar a disponibilidade para considerar a adesão à NATO, despoletou a presente crise, como o anúncio da celebração de um acordo comercial aprofundado com a União Europeia em 2014 levou à invasão da Crimeia.
Os 11 deputados conquistados pelo PS, tendo o Livre recuperado o seu deputado, foram insuficientes para segurar na área da esquerda os 20 deputados que esta perdeu (BE-14 + CDU-6). Há agora mais 9 deputados na direita, com a agravante de o partido fascista ter mais 11 e os neoliberais mais 7, e ambos tinham 1 único deputado.
Resumindo, a esquerda perdeu para a direita 9 deputados e a direita democrática, depois dos deputados ganhos à esquerda e das trocas internas, perdeu mais 9 deputados (PSD – 1; CDS – 5; PAN – 3), para o partido neoliberal extremista e o fascista, que adicionaram ainda os 9 que a esquerda perdeu.
Aujourd’hui, comme en 2014, les Occidentaux présentent le président Poutine comme le coupable. John J. Mearsheimer, l’auteur de ce texte remarquable, rédigé en 2014, fait porter aux Etats-Unis et à l’UE la responsabilité de la crise ukrainienne. La racine du mal étant l’élargissement de l’OTAN. La Russie s’est opposée depuis les années 90 à cette stratégie visant à transformer l’Ukraine en un bastion de l’Occident à la frontière russe. Le coup d’Etat de 2014 a été la goutte de trop. Face au grave danger que représente cette nouvelle crise, les Etats-Unis et leurs alliés devraient répondre aux garanties mutuelles de sécurité que la Russie leur réclame depuis plus 20 ans, notamment en stoppant l’expansion de l’OTAN. [ASI]
Sous Barack Obama, Victoria Nuland a été porte-parole du département d’État avant d’assumer le rôle de secrétaire d’État adjoint pour les affaires européennes et eurasiennes. C’est dans ce rôle que Nuland a aidé à orchestrer le renversement d’un président démocratiquement élu de l’Ukraine, Viktor Ianoukovitch, en février 2014, qui a conduit à une guerre civile dans laquelle plus de 13’000 personnes sont mortes(*).
Paru en septembre/octobre 2014 sur Foreign Affairs, sous le titre Why the Ukraine Crisis Is the West’s Fault
Selon la doxa dominante en Occident, la crise ukrainienne peut être attribuée presque entièrement à l’agression russe. Le président russe Vladimir Poutine, selon cet argument, a annexé la Crimée en raison d’un désir de longue date de ressusciter l’empire soviétique, et il pourrait éventuellement s’en prendre au reste de l’Ukraine, ainsi qu’à d’autres pays d’Europe orientale. Selon ce point de vue, l’éviction du président ukrainien Viktor Ianoukovitch en février 2014 n’a servi que de prétexte à la décision de Poutine d’ordonner aux forces russes de s’emparer d’une partie de l’Ukraine.
Há quem não compreenda as dimensões racista, xenófoba, misógina ou globalmente autocrática – to name a few – do Chega. Pior: há quem as compreenda, compreendendo também as consequências que daí resultam, mas opta por desvalorizar e normalizar, por ódio à esquerda, por simpatia envergonhada pelo Chega ou por comungar do mesmo ideário. Ou por todos estes motivos. E mais alguns.
Daqui salta-se quase sempre para a vitimização. E uma das modalidades de vitimização mais comuns é esta: então e a extrema-esquerda? Quando me deparo com esta sobrevorização do papel de micropartidos como o MRPP ou o MAS, fico sempre perplexo. Bem sei que o MRPP defende a morte dos traidores, mas será que alguém os leva a sério? Têm relevância política? Recebem financiamento significativo que possa transformar estes partidos numa ameaça real? Não, não e não. Três vezes não.
Depois percebo que estão a falar do BE e o PCP. E pergunto-me, como pergunto a essas pessoas, quando me cruzo com elas, que ameaça representam estes dois partidos. Raramente obtenho uma resposta clara e objectiva. Só frases feitas e clichés. Aparentemente, o BE quer impor uma ditadura em que todos temos que ser gays. E quer sair da Europa. E do Euro. Raios, isto é uma grande ameaça! Imagino-os logo na rua, de cabeça rapada, a espancar transeuntes pelo seu europeismo. Fico até com algum medo, na medida em que sou acérrimo defensor da UE, e a seguir posso ser eu.
Desde os anos 80, as ideias económicas conhecidas por neoliberais tornaram-se dominantes em Portugal. A sua aplicação, em consonância com a integração europeia, modificou as estruturas económicas, mas registou fracos resultados no desenvolvimento do país. Como foi que essas ideias chegaram a Portugal, se difundiram e espalharam até se tornarem hegemónicas? E por que é tão difícil removê-las? Este filme procura responder as estas perguntas e questionar o futuro. Este trabalho tem o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT/MEC), através de fundos nacionais, e é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER, através do Programa Operacional Competitividade e Inovação – COMPETE2020, no âmbito do projeto RECON – Que ciência económica se faz em Portugal? Um estudo da investigação portuguesa recente em Economia (1980 à atualidade).
Num post no FB, o embaixador Luís Castro Mendes escreve a propósito de uma prestação do historiador Fernando Rosas na CNN que este está a cometer o mesmo erro que foi o de Vasco Pulido Valente, noutro tempo: reduzir a análise da realidade ao precedente histórico e minimizar as diferenças do novo para magnificar as constantes do passado. O meu amigo David Martelo, historiador com vasta obra na área da polemologia faz uma excelente síntese do passado de conflito na Europa Central a que deu o título: CORTINADOS GEOPOLÍTICOS, sobre o conflito “que opõe atualmente a Rússia aos aliados da OTAN, localizada sobre a fronteira da Ucrânia”, mas essa história não explica o presente.
A História serve para tudo. O que quer dizer que serve de pouco. Há exemplos para todas as explicações. O passado pode ajudar a perceber o presente, mas sem entendermos o presente o passado serve de pouco. O Japão não percebeu que o presente tinha mudado com a arma atómica e teve uma terrível surpresa. Marcelo Caetano não percebeu que o Exército de 1974, após 14 anos de guerra colonial, não era o Exército que tinha partido para Angola em 1961 e teve a surpresa do 25 de Abril. A Revolução Francesa e a Russa são exemplos de surpresas por incapacidade de perceber que o presente não é uma evolução em linha reta do passado. São inúmeros os exemplos.
A Dona Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso de hoje, profere a frase que serve de título a este escrito. É curiosa esta afirmação (ou não, vinda de onde vem!), quando o jornal para onde a senhora escreve, dizia há menos de uma semana, em grande título, “Tudo empatado. Voto de jovens decide eleições.” (Expresso de 28 janeiro 2022).
Afinal foram os velhos ou os novos que decidiram as eleições? Seja como for, foram seguramente os portugueses eleitores, maiores de 18 anos. É claro que a Dona Clara Ferreira Alves, quando escreve o que está em título, fá-lo de uma forma depreciativa, querendo com isto dizer, que foram os velhos dependentes do aparelho do Estado, que possibilitaram tal resultado. O tal “Portugal triste”, como ela escreve.
Volta a ser curioso, porém, que o jornal que lhe paga a avença, destacava na edição online de 31-01-2022, que a “Maioria absoluta de Costa foi à custa de 344.861 votos da esquerda.” É da sociologia política, que o voto à esquerda é, em regra, do eleitorado mais jovem. O eleitorado mais velho (como diz a Dona Clara), em regra, é mais conservador e tende a votar em partidos dessa matriz. Mas, com se disse, o intuito da Dona Clara Ferreira Alves, com aquela frase, tem outros objetivos, principalmente, a tentativa de denegrir a vitória incontestável do Partido Socialista. Tendo sido a senhora uma “santanista” e mais tarde uma “pafiosa”, é de acreditar que esta maioria absoluta do PS, lhe cause engulho senão mesmo urticária. Como tem o privilégio de usar uma tribuna semanal para afirmar o seu desconsolo e tendências, o resultado é que quem paga é o povo que, como diz uma ex-vice-presidente do PSD (Isabel Meirelles), “o povo português falhou”.
A “gerigonça” (um termo detestável, mas eficaz) constituiu uma aragem de frescura e de esperança no ambiente político português e europeu, que contrariava a ascensão do neoliberalismo nas suas várias vestes, mais bem comportado ou mais arruaceiro. A entrada na área do governo de um Estado da União Europeia de um partido caraterizado pela máquina de propaganda dominante como da esquerda radical e outro de estalinista, constituía um bom exemplo de que havia alternativa ao neoliberalismo, à destruição do estado social e à lei da selva. A geringonça era um bem comum dos progressistas, que fosse um fenómeno português devia ser motivo de especial cuidado na sua preservação e desenvolvimento.
O PCP e o BE não tiveram a largueza de vistas, a grandeza de perceber o que era fundamental: a esperança e a viabilidade de uma saída progressista para a ditadura neoliberal. Preferiram o pequeno, o que sendo importante, era menor perante o desafio, preferiram colocar-se de fora dessa batalha e voltar à segurança da “luta” por melhores salários e pensões, por horas de trabalho e dias de licença, como fazem há anos, rotineiramente, firmes e hirtos enquanto o mundo muda.
Há uma velha história da luta da águia e do corvo: a águia voa alto e vê longe. O corvo anda cá por baixo a debicar o que brilha, o corvo aproveita o olho da águia e coloca-se às suas costas, a águia, em vez de o enxotar, sobe até o corvo já não poder respirar e cair. Os romanos tinham uma frase que caraterizava a pequenez das pequenas coisas: de minimis non curat praetor – o pretor não trata de insignificâncias.
Em tempo de grandes batalhas, o PCP e o BE trataram de escaramuças e os portugueses perceberam.
Um blogueiro finlandês chocou o Facebook quando publicou este artigo: Você está perguntando sobre os resultados da “agressão” russa? Eles são os seguintes: metade da Europa e parte da Ásia obteve a sua cidadania das mãos deste Estado em particular.
Vamos nos lembrar de quem exatamente:
– Finlândia nos anos 1802 e 1918… (até 1802 nunca teve seu próprio estado).
– Letônia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).
– Estónia em 1918 (até 1918 nunca teve seu próprio estado).
– A Lituânia restaurou o seu estado em 1918 graças à Rússia.
– A Polónia restaurou o seu estado com a ajuda da Rússia duas vezes, em 1918 e 1944. A divisão da Polónia entre a URSS e a Alemanha é apenas por um curto período de tempo!
– A Roménia nasceu como resultado das guerras russo-turcas e tornou-se soberana pela vontade da Rússia em 1877-1878.
– A Moldávia como um estado nasceu dentro da URSS.
Na noite das eleições “ao lado de António Costa sentava-se Pedro Nuno Santos, o seu maior adversário interno e o que mais ameaça ou difere do seu legado ideológico.
O diretor de campanha de António Costa foi Duarte Cordeiro, um dos melhores amigos de Pedro Nuno Santos.
Como secretário-geral adjunto apresenta-se José Luís Carneiro, ex-braço direito de António José Seguro.
No penúltimo comício de campanha apareceu Manuel Alegre que nos últimos anos criticou mais vezes António Costa do que elogiou.
Apesar de muito aplaudido por muitos de nós sempre que desanca na Geringonça, Sérgio Sousa Pinto nunca esteve em causa nas listas do PS.
António Costa mostrou aos portugueses que sabia unir, sabia fazer pontes quer com os seus adversários internos quer externos.”
Quem escreveu este que é um dos melhores elogios a António Costa (e ajuda a compreender a facilidade com que tantos eleitores lhe deram a maioria absoluta, ainda que tenha contado mais a excelente prestação económica dos últimos 6 anos) foi Duarte Marques.
O antigo deputado do PSD (que eu não lia há mais de 10 anos) estava a desancar em Rui Rio precisamente por ter ‘secado’ as oposições internas, numa via diametralmente oposta à de Costa.
A forma, tão de direita, tão das direitas, a antiga em ciclo decrescente e as duas extremas que estão em ciclo crescente, como se olha para as eleições como se de um jogo se tratasse, em que se vence para esmagar o inimigo, como se olha para o Parlamento como um território a capturar e como se vê o Governo como uma ferramenta legal para açaimar e desapoderar todos os que não são da tribo é um dos Grandes Males da democracia.
“Assim se vê a força do PC!”, é um estribilho conhecido de todos. A força do PC, depois das eleições de domingo, é muito inferior à força que o PC tinha no parlamento antes da respetiva dissolução, que o PC ajudou a consumar. Como resultado, cada vez menos se vê a força do PC.
Ontem, na televisão, ouvi atentamente João Oliveira, um dos quadros mais salientes na vida parlamentar dos comunistas, nos últimos 15 anos, que não foi eleito como cabeça de lista do partido pelo distrito de Évora. Se alguém me dissesse, no sábado, que os comunistas deixariam de estar representados no alentejano círculo eleitoral de Évora eu “explicaria”, com facilidade, a implausibilidade desse cenário.
Esta não foi a primeira vez que o ator e ambientalista americano Harrison Ford fez um discurso forte e contundente. No ano passado, disse que “Nossa maior ameaça não é a crise climática. Mas as pessoas que estão no poder e não acreditam na ciência”. Há poucos dias, durante a abertura do Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), realizado em Marselha, na França, ele voltou a arrancar aplausos do público. Durante cinco minutos, falou com muita honestidade e demonstrou toda sua frustração perante o momento que vivemos.
No próximo domingo, o país vai ter de fazer uma escolha. Uma escolha entre um governo do Partido Socialista e um governo de direita. Os portugueses precisam, por isso, de conhecer os valores em que acreditam os partidos e as políticas que defendem para responder aos problemas do país. Vejamos algumas propostas emblemáticas que a direita apresenta aos portugueses.
– O líder do PSD defendeu num debate televisivo o regime misto de Segurança Social. Isto é, as pensões teriam uma parte financiada pelo sistema público e outra por um sistema de capitalização individual. Este sistema criaria dois problemas graves: primeiro, colocaria parte das pensões dos reformados na bolsa, correndo-se o risco de perder tudo como aconteceu com milhares de reformados americanos a seguir à grande crise financeira; segundo, provocaria um rombo nas contas públicas porque durante algumas décadas o Orçamento do Estado teria de financiar a parte das pensões, dos reformados atuais, que deixaria de ser financiada pelos descontos dos que hoje estão a trabalhar e a descontar. Esta proposta traduz uma determinada visão de sociedade.
– O CDS defende o cheque-ensino. Dizem-nos que isso daria a possibilidade às famílias da classe média de estudarem nos colégios dos ricos. Só não foi capaz de explicar que o que aconteceria era que os preços dos colégios mais caros subiriam na proporção do cheque-ensino e que assim continuariam reservados aos mais ricos. Teríamos colégios privados assim-assim para a classe média e continuaríamos a ter os melhores colégios só para os mais ricos. A única coisa que aconteceria era que o Estado passaria a ter menos dinheiro para melhorar a escola pública e pagar mais aos professores e passaria a financiar o negócio privado de educação. Mas esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.
– Já a Iniciativa Liberal quer convencer alguns jovens qualificados a defenderem o desmantelamento do Estado que lhes permitiu qualificarem-se e, enfim, defende uma taxa única de IRS. Isto é, defende uma reforma fiscal que devolveria mais dinheiro aos mais ricos e menos, ou nenhum, aos que ganham menos. Uma reforma fiscal que em vez de diminuir a desigualdade a aumentaria de forma grave. A redução do IRS para os mais ricos obrigaria a reduzir a oferta de serviços públicos de que beneficiam todos os portugueses – que, depois, teriam que ainda gastar dinheiro a comprar esses serviços no privado, sujeitando-se a todas as arbitrariedades. Também aqui o maior problema é que esta proposta traduz uma determinada visão da sociedade.
Camaradas e amigos, o que atravessa todas estas propostas da direita portuguesa é uma visão profundamente individualista da sociedade. É a ideia que as pessoas se interessam, aliás, se devem apenas interessar com as suas vidas; a ideia de sociedade de cada um por si, sem querer saber o que acontece aos outros. É por isso que dá tanta centralidade ao mercado; e é por isso que nunca fala de desigualdades. Acredita numa sociedade de vencedores e vencidos, em que o sucesso de alguns é o insucesso de muitos.
Swedish Prime Minister Olof Palme was fatally shot at point-blank range on one of the busiest streets in downtown Stockholm as he and his wife, Lisbet, were leaving a movie theater on Feb. 28, 1986.
BLUM LÉON
(1872-1950)
Haï et injurié de son vivant par ses adversaires politiques comme rare ment ce fut le cas dans la vie politique française, Léon Blum apparaît aujourd’hui, avec le recul du temps, comme un des acteurs principaux de l’évolution de la France vers la modernité et la justice sociale ; il est aussi à placer parmi les penseurs du socialisme français au XXe siècle.
Venu au socialisme au début du siècle, cet intellectuel marqué par l’affaire Dreyfus, « disciple » de Jaurès, eut la redoutable charge d’incarner le socialisme démocratique alors que les guerres mondiales et les totalitarismes semblaient entraîner l’Europe vers la barbarie. Souvent, les penseurs socialistes ont eu la chance de rester à l’écart des difficultés du pouvoir ; Blum fut contraint d’affronter les responsabilités suprêmes de chef de gouvernement en un moment dramatique, alors que la France était au bord de la guerre civile. Plus tard, prisonnier politique, déporté, il devint « le sage » de la résistance socialiste pendant la Seconde Guerre mondiale. À la fin de sa vie, il dut encore monter au créneau au temps de la guerre froide.
Daqui a um par de horas estarei a encerrar a campanha do LIVRE com um direto em várias plataformas nas redes sociais. Aí se farão as alegações finais. Por agora, algumas notas escritas a correr com reflexões que me suscitam estes últimos dias e horas.
As três coisas mais importantes numa campanha são honrar a democracia trazendo conteúdo e elevação para o debate; tratar os nossos concidadãos como adultos inteligentes que são; guardar serenidade e sentido de humor. Outros dirão se conseguimos fazê-lo.
O LIVRE trouxe desde o início uma mensagem clara sobre governabilidade, que se resumia numa frase: com uma maioria à esquerda seremos parte da solução, com uma maioria à direita seremos parte da oposição. Não mudámos essa mensagem uma única vez.
Outros partidos pediam-nos o voto para ficar tudo mais ou menos na mesma; agora sugerem-nos um voto útil ao mesmo tempo que admitem aliar-se à direita. O voto no LIVRE é útil para impedir uma maioria de direita e construir um futuro à esquerda.
Não sei o que passou pela cabeça do PS de António Costa para pedir uma maioria absoluta. Só a ideia de uma aliança com a direita seria pior. Era mesmo a única coisa que não se podia querer sem entrar em flagrante contradição com uma convicção firmada na última meia dúzia de anos. A memória democrática das maiorias absolutas em Portugal não é boa. Comprimiram a respiração do pluralismo, a efectividade de concertação social, o esforço e a disponibilidade para ceder com que se fazem acontecer caminhos novos.
O PS de António Costa tinha o bom património de não querer maiorias absolutas, mas mandou-o às ortigas. O resultado era previsível. É difícil encontrar algo que, à esquerda, desconforte mais o eleitorado de esquerda do que a vontade de maiorias absolutas. Absoluto e esquerda não rimam. E a autoridade moral de que o orçamento de estado foi injustamente chumbado não chega para tanto. Precisamente, este tanto que foi pedir uma maioria absoluta “malgré tout” é uma boa chave de leitura para ir percebendo o que terá corrido mal.
A campanha eleitoral chega ao fim. Entretanto, das longínquas fronteiras eslavas ecoam sons de guerra. A NATO está pronta, anuncia o seu secretário-geral. E em Portugal, o que se disse sobre essa eventualidade?
O SEXO DOS ANJOS OU A OPORTUNIDADE PERDIDA
28 de maio de 1453. Constantinopla, a capital do Império Bizantino, a pérola do Levante, o símbolo da Cristandade na fronteira oriental, está cercada por 80 mil turcos comandados por Mehmed II. O imperador Constantino XI, último de seu nome, resiste desesperadamente, à cabeça de 7 mil homens mal-armados.
Em concílio, enquanto os soldados morrem, na Santa Catedral de Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, os clérigos cristãos, hesicastas e místicos, reunidos no âmbito da Escola Patriarcal, discutem um assunto fundamental para o futuro da humanidade:
Faço parte de quantos – e somos muitos – gostam de ver o Partido Socialista à frente do governo do país. Tenho para mim que a esquerda democrática é a direção política que melhor corresponde à execução dos propósitos da nossa Constituição – e eu aprecio bastante o sábio equilíbrio, entre a retórica de Abril e o pragmatismo do bom senso, desse documento estruturante da nossa democracia.
Por isso, mesmo em tempos em que discordei do PS, votei quase sempre socialista – e digo “quase” porque me abstive algumas vezes. Em outras ocasiões, segui o sábio conselho de Alexandre O’Neill: “Ele não merece, mas eu voto PS”.
Nunca me arrependi, sequer por um instante, de ter votado socialista, pelo que me sinto também plenamente solidário – diria mesmo, politicamente co-responsável – com os erros cometidos pelos seus governos (todos, para que não fiquem dúvidas), em dois dos quais modestamente colaborei.
O PS tem, em regra, para o meu gosto, um modo democrático, participativo e pouco autoritário no exercício do poder que o afasta, para bem melhor, do seu principal adversário no mercado eleitoral.
CINTIA MARTINS é atleta do Sporting. Joga futebol, é talentosa e respeitada no clube por colegas, treinadores e dirigentes. Num jogo com a FUNDAÇÃO SALESIANOS, alguém a ofendeu, gritando “Macaca vai para a tua terra”.
Soube desta tristíssima notícia através dum post de Luís Osório. Junto-me à sua indignação e acrescento alguns dados e ideias.
Não só o CHEGA é um partido que tem alimentado o discurso racista em Portugal, como, provincianamente, procura normalizar-se a sua presença na nossa democracia. Um dos problemas que urgentemente o PS, o PSD e o PCP e o CDS – partidos que fizeram o regime democrático, fundando-o com Soares, Cunhal, Sá-Carneiro e Freitas do Amaral, – têm de resolver é este:
– não pactuar de forma alguma com o CHEGA. Há um princípio bíblico de que se deveriam lembrar: não se fazem festas a cobras. É responsabilidade de Costa e Rui Rio, de Chico e de Jerónimo de Sousa denunciar André ventura e condenar veementemente os comportamentos racistas, sexistas, xenófobos e machistas que vão fracturando a sociedade portuguesa.
Na campanha em curso, um dos méritos da forte exposição mediática dos candidatos do PSD, CDS, IL e CH tem sido a revelação das suas verdadeiras intenções: acabar o ajuste de contas com o 25 de Abril iniciado pelo Governo PSD/CDS em 2011.
Eu não me esqueço do que foram esses quatro anos:
— A subida brutal do IRS / a ominosa Contribuição Extraordinária de Solidariedade aplicada a todas as pensões de valor igual ou superior a mil euros / a retenção de 50% do subsídio de Natal de 2011 / os subsídios de férias pagos em duodécimos a partir de 2012 / a sobretaxa extraordinária de 3,5% / a tentativa, chumbada pelo Tribunal Constitucional, de impor um tecto à acumulação das pensões com pensões de sobrevivência / a demonização ideológica dos encargos com idosos / a privatização da TAP, EDP, REN, GALP, CTT / o encerramento de todas as escolas do primeiro ciclo com menos de 20 alunos / a redução das indemnizações por despedimento / o aumento dos passes sociais em 15% / a subida do IVA do gás e da electricidade / o congelamento das carreiras dos funcionários públicos / a eliminação de quatro feriados nacionais / a redução das férias / o aumento da carga horária de trabalho / a tentativa de aumentar a Taxa Social Única dos trabalhadores e baixar a dos patrões / a tentativa de privatizar a RTP e a Caixa Geral de Depósitos / a tentativa de rever a Constituição da República / etc.
A seu modo Não Olhem para Cima é uma reflexão sobre a fase terminal da era do niilismo em que há muito entrámos. Cuja porta de saída nos obriga a pensar se alguma vez a liberdade humana foi algo mais do que uma ilusão.
Quando em 15 de Outubro de 1940, O Grande Ditador, de Charlie Chaplin, estreou nas salas de cinema dos EUA não sei se o público terá sentido aquele libertar de tensão que esse imorredoiro e inspirado filme merece, quando apreciado a uma distância temporal conveniente. Nessa altura, apesar de os EUA não terem ainda entrado diretamente no conflito, os tambores de guerra ouviam-se já, tanto dos lados do Atlântico como das bandas agitadas do Pacífico. Apesar do desejo de paz, os cidadãos norte-americanos devem ter sentido alguma amargura perante a caricatura de Hitler, que na altura tinha a Europa a seus pés, com a exceção da Grã-Bretanha de Churchill.
Eu não gosto muito de recursos estilísticos, mas pelo que percebi desta analogia, o Dr. Rui Rio é um pénis flácido e o Dr. Cotrim é um comprimido que vai enrijecer esse mesmo pénis. Ele vai inscrever o Dr. Rui Rio no crossfit, é isso?
O Dr. Cotrim está sempre a dizer que quer pôr Portugal a crescer e que a IL é um estimulante reformista. Depois apresenta-se como um viagra. Toda a campanha da IL neste momento parece uma letra do Dr. Quim Barreiros chamada “Pô-lo a crescer” centrada no pénis do Dr. Rui Rio. Normalmente, nas canções do Dr. Quim Barreiros ele é o sujeito activo , é ele que quer cheirar bacalhaus, é ele que mama peitos de cabra, é ele que quer pôr e tirar o carro em garagens, mas no caso da IL a música é sobre um senhor malandreco que quer ajudar um amigo com disfunção eréctil, minando a 7Up dele com viagra ou estimulando-o com choques eléctricos. Ele só quer que o pénis privatizador funcione.
«Nunca escreves sobre política». É um comentário que oiço muitas vezes.
Talvez a minha relação com a política nunca tenha sido clara. Sou filho de dois oposicionistas do regime de Salazar (os meus pais, Manuel e Manuela, conheceram-se na sala de espera da PIDE, antes de serem submetidos a interrogatórios). Mas cresci num ambiente familiar bipolarizado: os meus avós (e logo o quarteto completo) veneravam «o Dr. Salazar» e pronunciavam a palavra «esquerda» com a mesma repugnância com que diriam (se dissessem tal palavra) «sífilis».
A minha mãe, por outro lado, pronunciava a palavra «direita» como se ela exprimisse a quinta-essência da maldade humana. À mesa, em casa dos meus avós maternos, os meus ouvidos de adolescente escutavam o meu avô a falar de esquerdistas e de «pederastas» (como ele dizia) como sendo a escória da humanidade. Depois comecei a perceber que ele evitava mais esse tipo de assunto quando estavam presentes a minha mãe e o meu tio (ambos esquerdistas convictos). Hoje pergunto-me se ele não estaria a fazer já, com o neto, uma forma de «gay conversion therapy». Seja como for, não resultou.
A Europa tem uma estrutura de segurança como nenhuma outra, incorporada numa intrincada teia de tratados, regras e instituições. Apesar da sua sofisticação, a ordem de segurança europeia não é um produto acabado, mas que está em constante revisão.
As estruturas de segurança da Europa foram construídas gradualmente, ao longo de várias décadas. As bases foram lançadas na Conferência de Yalta de 1945, onde o presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o líder soviético Joseph Estaline reorganizaram a Europa dividindo a região em esferas de influência, colocando a postura de segurança da Europa num patamar mais estável e previsível.
Nada contra o ‘Público’ ou contra a ‘RTP’, obviamente. Muito pelo contrário. Ambas são prestigiadas marcas de informação. Mas, neste caso, são meros clientes do CESOP (Universidade Católica).
Quero dizer que a sondagem que hoje publicam parece-me pouco credível. Por três razões, que retiro da respectiva ficha técnica:
1. 58 % das pessoas contactadas não quiseram responder. O que mostra uma % altíssima de voto “escondido” – ficando portanto fora dos resultados apurados. E que indicia também, fortemente, que o número de indecisos será superior aos 22% de NS/NR apurados entre os que aceitaram o contacto.
2. Das respostas obtidas apenas 44 % são de mulheres, o que está muito longe de corresponder à rácio de mulheres no universo eleitoral.
3. Todas as 1.456 entrevistas foram feitas através de telemóvel. Não tenho a certeza de que a vasta população mais idosa, principalmente fora dos centros urbanos, possa estar devidamente representada nessa amostra de respondentes exclusivos via telemóvel.
Respeito os profissionais de sondagens e não quero fazer leituras nem tirar nenhumas conclusões. A minha reserva é objetiva e funda-se exclusivamente nos três pontos citados.
Estamos assim: as direitas falam a uma só voz, as esquerdas desafinam umas contras as outras.
Tudo isto era tão, mas tão dispensável.
As campanhas de BE e CDU são lamentáveis: o objetivo de ambas é a desresponsabilização no chumbo do OE que precipitou estas escusadas eleições, e a reconquista de uma posição de compromisso com o PS, ao mesmo tempo que o atacam em cada frase.
A campanha do PS assenta numa única mensagem: a da continuidade do governo interrompido. Não discordo dela, mas acho-a arriscada. Talvez houvesse alternativa para uma proposta mais eficaz, que abrisse campo para uma narrativa de ajustes e melhorias. Costa está a brincar com o fogo. Ressentido, esticou a corda. Esperemos que não demais.
LIVRE e PAN fazem campanhas muito boas, dissonantes da esquerda que insiste em discursos de clivagem e prolonga a desresponsabilização, nos seus diferentes graus. Navegam no território do compromisso e apresentam propostas. Oxalá o eleitorado os recompense largamente.
À direita o contraste é total. PSD, CDS, IL e CH são partidos diferentes e com ambições diferentes. Mas trilham um mesmo caminho, têm um objetivo comum.
Nada de novo aqui: mesmo quando eram só PSD e CDS (e, vá, PPM em tempos mais recuados), as direitas uniam-se no mesmo caminho para governar. À exceção do paraíso (estou a falar dos melhores resultados económicos, sociais e políticos num período longo) que resultou da única vez em que se uniram para governar, as esquerdas sempre se caracterizaram pela desunião no momento-chave das eleições.
O resultado das eleições deste janeiro poderá ditar cenários muito diversos, mas é muitíssimo provável que continue a ser realidade uma maioria no Parlamento de deputados eleitos por partidos do centro-esquerda e esquerda. Ou seja: mantém-se a proposição de que a esquerda só não governará se não quiser.
Toda a campanha até agora reforça a ideia de que não quer. Temo que esta minha leitura não seja contrariada na noite do próximo dia 30.
Miyamoto Musashi e Sasaki Kojiro eram dois espadachins japoneses que se encontraram para um duelo final. Musashi fora escolhido para ganhar. Quando chegou foi rapidamente atacado por Kojiro, num movimento chamado Corte de Andorinha. No entanto, alguém de fora, antes de Kojiro atingir Musashi, desferiu-lhe um golpe sorrateiro que o matou. Os apoiantes de Kojiro indignaram-se, mas Musashi regressou ao seu barco e os organizadores recolheram o dinheiro das apostas. (História de um duelo no Japão sec XVII)
Os duelos são tão antigos como a humanidade e a nossa cultura, grega, assenta em duelos de deuses. Cada fação escolhia um deus/campeão e eles lutavam entre si. O vencedor matava o adversário e subjugava os seus apoiantes. Já existia a política espetáculo. O povo divertia-se, aplaudia o campeão, o imperador colocava-lhe uma coroa de louros e ia sentar-se, fortalecido, no trono! Ninguém lhe perguntava pelos atos do seu governo.
O que estamos a viver aqui em Portugal, como nos Estados Unidos, ou em França, ou no Brasil são adaptações viciadas do duelo e da política espetáculo. Agora, em vez da vitória ser a morte do adversário, (KO), foi criado o conceito de vitória por pontos. Esta tem várias vantagens, a menor é que os contendores derrotados podem ser reutilizados noutros espetáculos, a maior é que o organizador do duelo pode determinar o resultado, escolher o vencedor. Entretanto: o pagode entretém-se a discutir quem foi o vencedor e não vencedor de quê, ou porquê.
É esta a principal caraterística dos atuais duelos espetáculo: o empresário escolhe o vencedor e leva o povo a esquecer-se do que lhes propõem com a vitória! Os empresários são os patrões das televisões e as empresas clientes para a publicidade.
O resultado de qualquer debate é decidido por eles à partida e segundo as conveniências dos organizadores. O povo discute os vencedores nas tabernas, nos templos, nos barbeiros e até na rua!
Num duelo televisivo (político, de talentos, ou de orgias) o segredo está em dar uma aparência de seriedade à “coisa”. É o papel dos jurados, no momento do duelo e dos comentadores e dos figurantes que fazem o pretenso contraditório nos tempos a seguir, do off side.
1. Costa esteve melhor, pois conhece os dossiers e tem experiência governativa desde 1995. Em três ocasiões foi incisivo: quando confrontou Rio com declarações suas sobre o salário mínimo, que Rio disse ser erro gravíssimo; quando desmentiu Rui Rio mostrando a manchete do Expresso de Setembro de 2015, por ocasião do que o PS faria caso nas eleições a direita fosse minoritária; quando desmascarou Rio relativamente ao que, no programa do PSD, é o ataque à classe média a respeito do fim do serviço tendencialmente gratuito do SNS e que Rio quer ver mais nas mãos dos privados;
2. Costa mostrou-se sereno e Rio sempre um pouco mais histérico. Com certa ironia, Costa desmontou falácias do líder do PSD, como por exemplo a que diz respeito à TAP. A TAP não foi nacionalizada, como disse Rio, a TAP foi (e bem) salva pelo Estado e a empresa Barraqueiro, uma vez que 50% da TAP ficou nas mais desses dois accionistas;
3. Costa foi claro a respeito do que será o seu futuro político caso não tenha maioria. Vincou por 4 vezes a ideia: “Eu não viro as costas a Portugal”.
Eu tinha dito que ia deixar de ver os debates, mas não podia deixar de ver o duelo entre os dois maiores animais políticos destas eleições.
Animais políticos no sentido em que um babuíno a a atirar fezes em todas as direcções também é um animal. É por causa de pessoas como o Dr. Cabeça de Geleia e o Dr. Chicão que vale a pena acompanhar política.
Antes do debate, a dúvida era saber se o Dr. Chicão ia conseguir recuperar os eleitores que sempre foram do CHEGA mas tinham vergonha de o dizer em voz alta. O Dr Cabeça de Geleia começou por desejar um bom ano. A 12 de Janeiro. Se isto não é escandaloso, não sei o que é.
O Dr. Cabeça de Geleia lembrou que se o CDS não tivesse deixado de falar sobre parasitas sociais o CHEGA não precisava de existir, assumindo que o seu papel é ser uma espécie de banda de covers do Dr. Paulo Portas vintage. Está ali a ocupar aquele nicho tão essencial para a nossa democracia que consiste em acusar pobres de serem chulos e mandriões.
O primeiro debate de hoje foi entre o partido conhecido por defender os direitos dos animais e o partido que defende os direitos dos investidores bolsistas, que também são animais, mas com a diferença de que criam riqueza. Enquanto uma hiena não for capaz de investir em criptomoedas, é óbvio que vou estar do lado da IL.
O ambiente foi um dos principais temas do debate. O PAN apresentou a posição irracional de fazer alguma coisa para reverter as alterações climáticas. Teria maior apoio se fosse mais moderado. Ser totalmente contra as alterações climáticas é muito radical. Tem de ser mais centrista nesse assunto.
Felizmente estava lá o Dr. Cotrim Figueiredo, com a sua racionalidade, a afirmar que não se pode salvar o ambiente à custa da actividade económica. Há que ter noção das prioridades. Uma coisa é haver alterações climáticas, outra coisa é o Estado intervir para tratar desse problema. A IL não abdica dos seus princípios, intervenção estatal nunca. Se foi a mão humana a destruir o ambiente não deverá ser a mão humana a salvar o planeta. É só ver os índices de mercado e fazer uma análise SWOT do impacto da sobrevivência da Humanidade na economia.
Segundo o Dr. Cotrim Figueiredo, “enriquecer Portugal é uma boa política ambiental”. É verdade, sem tantos pobres a cheirar mal o ambiente fica melhor. O enriquecimento é o febreze da sociedade e não há melhor política ambiental do que baixar os impostos às pessoas para que elas possam investir em desodorizantes.
Num texto promovido por 31 personalidades, onde consta a assinatura do ex-dirigente comunista Carlos Brito, do capitão de abril Carlos Matos Gomes ou do ex-deputado do PS Pedro Bacelar de Vasconcelos, os signatários indicam que decidiram juntar-se para “promover o entendimento das forças de centro-esquerda e esquerda, visando constituir uma maioria parlamentar e um Governo que tenha como propósito a aplicação de medidas indispensáveis para a melhoria do bem-estar da população”.
Na petição, que visa criar uma “iniciativa de cidadãos” intitulada CORAGEM !, as 31 personalidades frisam que “esse entendimento deverá ser feito tendo como referência um compromisso programático, subscrito pelos partidos que se enquadram naquele espírito”, e deveria ter lugar “imediatamente após a realização das eleições de 30 de janeiro”, não estando “condicionado ao resultado obtido por cada partido”.
“Os critérios para a construção desse entendimento seriam o reconhecimento da sua relevância política, a boa-fé das partes envolvidas e o compromisso programático subscrito por elas”, frisa o texto.
O Plano de Recuperação e Resiliência de #Portugal foi aprovado, por unanimidade, pela #UE, permitindo transformar o nosso país, garantir uma economia mais competitiva e uma sociedade com mais e melhor emprego, digno e com direitos.
A Era dos Descobrimentos tornou Portugal num país poderoso. Outro país, Espanha, também se revelou influente. Um nome tornou-se numa referência, Fernão de Magalhães.
Ao longo da nossa história, com quase 900 anos, foram vários os momentos marcantes. No entanto, poucos momentos terão sido tão notáveis como a Era dos Descobrimentos.
Fernão de Magalhães (1480-1521)
Fernão de Magalhães foi um fidalgo da pequena nobreza, existindo diferentes versões que identificam locais de nascimento distintos. Uns defendem Trás-os-Montes, enquanto outros historiadores defendem que ele terá nascido no Porto.