O primeiro-ministro defendeu hoje que um alargamento da União Europeia vai exigir uma reflexão sobre a “futura arquitetura institucional e orçamental”, dizendo esperar que todos estejam conscientes desse caminho coletivo.
António Costa e o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Tiago Antunes, receberam hoje durante todo o dia os partidos com representação parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, em que se discutirão as candidaturas à adesão à União Europeia da Ucrânia, República da Moldova e Geórgia.
No final, o primeiro-ministro anunciou que Portugal irá acompanhar o parecer da Comissão Europeia para que seja concedido à Ucrânia e à Moldova o estatuto de país candidato à União Europeia, mas fez questão de deixar alguns alertas.
“Esta perspetiva de futura integração, não só da Ucrânia e Moldova, mas também dos países dos Balcãs ocidentais, exige uma reflexão sobre a futura arquitetura institucional e orçamental da União Europeia, de forma a criar boas condições para termos uma UE forte, unida, capaz de cumprir os seus objetivos e acolher novos países candidatos”, defendeu.
Agora querem que acabe. E vão rogar ao Zelensky de joelhos. Não é bonito de se ver.
PROFISSIONALISMO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL FALAR VERDADE, não mentir !
O PÓS-GUERRA QUE AÍ VEM| Não será de admirar que António Costa venha a ter papel fulcral no futuro da União Europeia. Tem Humanismo e InteligênciaNegocial.
Em mais uma inadmissível tentativa de CENSURA, o FB não deixa transcrever o link da revista Strategic Culture em que vem este artigo, mas fazendo a tradução, sem o link – como fizemos – é possível levá-lo ao conhecimento dos leitores. Aqui fica, portanto. Leia, antes que o bloqueiem:
“A Europa agora está presa “até às goelas” com amplas sanções económicas à Rússia e incapaz de enfrentar as consequências.
Emmanuel Macron irritou muita gente (assim como Kissinger fez no WEF), quando disse: ‘não devemos humilhar Vladimir Putin’, porque deve haver um acordo negociado.
Esta tem sido a política francesa desde o início desta saga. Mais importante, é a política franco-alemã e, portanto, pode acabar também por tornar-se política da UE.
A qualificação “pode” é importante – como na política da Ucrânia, a UE está mais rancorosamente dividida do que durante a Guerra do Iraque. E em um sistema (o sistema da UE) que insiste estruturalmente no consenso (por mais que ele seja fabricado), quando as feridas são profundas, a consequência é que uma questão pode travar todo o sistema (como ocorreu no período que antecedeu a guerra do Iraque). Ora a verdade é que as fraturas na Europa hoje são mais amplas e mais amargas (ou seja, acerbadas pelas forças do Estado de Direito).
Embora o rótulo “realista” tenha adquirido (nas circunstâncias atuais) a conotação de “apaziguamento”, o que Macron simplesmente está dizendo é que o Ocidente não pode e não irá manter seu atual nível de apoio à Ucrânia indefinidamente.
(Eu leio italiano, mas como há quem o não faça, deixo a tradução do Google da resposta sobre a Ucrânia. Resposta integral, obviamente)|Malou Delgado Rainho
“Para responder a esta pergunta temos que nos afastar do padrão normal “Chapeuzinho Vermelho”: Chapeuzinho Vermelho era bom e o lobo era o mau. Não há bons e maus metafísicos aqui, de forma abstrata. Algo global está surgindo, com elementos muito entrelaçados. Alguns meses antes do início da guerra, conheci um chefe de Estado, um homem sábio que fala pouco, muito sábio mesmo. E depois de falar sobre as coisas que ele queria falar, ele me disse que estava muito preocupado com o andamento da OTAN. Perguntei-lhe por que, e ele respondeu: “Eles estão latindo nos portões da Rússia. E eles não entendem que os russos são imperiais e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles”. Ele concluiu: “A situação pode levar à guerra”. Esta era a opinião dele. A guerra começou em 24 de fevereiro. Aquele chefe de estado foi capaz de ler os sinais do que estava acontecendo.
Um dia de 1997, em Lisboa, durante uma reunião do conselho de ministros, António Guterres deu conta da surpresa que tinha tido, numa sua recente visita à Polónia, ao constatar que todos os seus interlocutores locais estavam convencidos de que Portugal iria ser o país que mais dificuldades iria criar aos futuros alargamentos da União Europeia. E, voltando-se para o secretário de Estado dos Assuntos Europeus que eu então era, e que ali estava ocasionalmente por qualquer razão de agenda, alertou: “Espero que, em Bruxelas, os nossos funcionários clarifiquem bem a nossa posição”. Aquela perceção não era apenas polaca: muitos dos países do centro e do leste europeu estavam sinceramente convencidos que iriam encontrar em nós um grande obstáculo à sua pretensão de se juntarem à União.
A lógica dos interesses apontava, de facto, para que Portugal tivesse uma posição muito defensiva no tocante ao efeito, quer em matéria de fundos, quem em termos de vantagens competitivas, que a presença de um elevado número de novos parceiros iria implicar. Mas António Guterres via um pouco mais longe: o alargamento era um irrecusável objetivo estratégico da Europa “deste lado”, o qual, desde o final da Guerra Fria, entendia como imperativo conseguir dar resposta ao anseio de muitos Estados “do outro lado”, recém-libertos da tutela soviética, que pretendiam ancorar a sua liberdade e o seu desenvolvimento no quadro de um projeto que, durante décadas, lhes fora mostrado como paradigma de modelo exemplar de cooperação e de integração económica e, cada vez mais, de cidadania e de valores comuns, que os “critérios de Copenhague” haviam entretanto consensualizado.
Estava a ler textos sobre a “guerra da comunicação” em que estamos envolvidos, felizmente sem os custos em sangue e destruição da que ocorre na realidade do campo de batalha, na Ucrânia. Parti de um filósofo cujo pensamento conhecia um pouco, Paul Virílio, francês, autor de livros sobre as tecnologias da comunicação, e deste cheguei a um outro, desconhecido, Slajov Zizek, esloveno. Paul Virílio, com formação base em arquitetura, define a sociedade da informação como perigosa, já que a informática nos leva à perda da noção da realidade ao proporcionar uma quantidade gigantesca de dados. É sobre a relação entre a realidade e a imagem que dela nos é transmitida que se travam hoje os combates da informação, desinformação, manipulação que nos são apresentados pelos meios de comunicação, que pretendem camuflar a sua qualidade de armas, atrás de um colete com a palavra PRESS, de uma direção editorial, ou de pastores com a pele de comentadores .
Para Zizek, com formação em sociologia, professor nas universidades de Lubiana e de Londres, o “real” é um termo que corresponde a um conceito enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo que não pode ser simbolizado, isto é, expresso com palavras ou com imagens. Só existe como abstrato. Para Žižek, a realidade tem a estrutura de uma ficção. Ou seja, acaba sendo apenas uma espécie de interpretação da “coisa em si”. Há quem não se limite a interpretá-la, mas a fabrique.
O conflito geopolítico e ao mesmo tempo tribal que decorre presentemente na Ucrânia criou um novo (ou velho?) fenómeno, cada vez mais inegável e incontornável: o recurso, por parte das democracias, a métodos fascistas, a fim de imporem os seus pontos de vista e conquistarem “simpatias” para a sua causa. É o que eu chamo de “demofascismo”.
A recusa liminar em discutir a complexidade da situação na Ucrânia e em reconhecer que a história não começou no dia 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu o país vizinho, foi a primeira manifestação desse fenómeno.
Seguiu-se-lhe a onda de russofobia que assolou o Ocidente, com a discriminação de todo e qualquer cidadão russo, o cancelamento de artistas e desportistas, a proibição de obras literárias russas nas escolas e outras aberrações.
“O recurso, por parte das democracias, a métodos fascistas, a fim de imporem os seus pontos de vista e conquistarem “simpatias” para a sua causa. É o que eu chamo de “demofascismo”.
O jornalista Leonardo Attuch entrevista o correspondente internacional Pepe Escobar sobre os fatos mais importantes da conjuntura internacional.
0:00 Boas vindas
1:30 Grande mídia já usa a expressão império do caos
10:00 Brasil está sofrendo terapia de choque neoliberal, como fizeram com a Rússia nos anos 90
16:00 O Brasil e o Sul Global estão sendo destroçados. O capitalismo financeiro e a espoliação das riquezas naturais são insustentáveis. A equação é novamente socialismo ou barbárie
19:00 O desespero das elites só aumenta
23:00 Newton, Locke e Adam Smith configuram o nosso mundo ocidental. Este mundo pressupõe dominação
30:00 China e Rússia estão quebrando a hegemonia americana. O que conta não é o consumo, é a produção. Se você produz, você é senhor do seu destino
34:00 O darwinismo social é a consequência do neoliberalismo
38:00 BRICS terão novos atores do Sul Global
39:00 Revoluções coloridas substituíram golpes de estado
45:00 Não um consenso em Washington sobre como conduzir esta guerra
48:00 Os Estados Unidos são um instrumento, um meio para um fim
51:00 Os ucranianos já perderam a guerra e só falta levantar a bandeira branca
55:00 O estágio 3 da Operação Z será chegar a Odessa, o que significa o Mar Negro inteiro
59:00 A questão é quem vai pagar o pato
1:06:00 Crise alimentar é derivação das sanções contra a Rússia
1:10:00 Verdes tentaram colocar Merkel como bode expiatório. Indústria alemã está sendo destruída. França e Alemanha estão em desespero
1:23:00 Financeirização provocará miséria generalizada no Sul Global
1:29:00 Haverá novas tentativas de desestabilização e golpe na América Latina. Mas Rússia e China vão disputar a América Latina no longo prazo
1:38:00 China aspira chegar a um socialismo real
1:43:00 Os chineses querem construir o império da harmonia
1:51:00 Orban é um dos poucos que enxerga o big picture
1:55:00 Lula é uma marca global e tudo o que ele falar será importante. Nosso salto será enorme. Mas até que ponto vai sua margem de manobra?
A guerra na Ucrânia demonstrou que a União Europeia não tem interesses estratégicos próprios a nível global, que é um anexo dos EUA! Sendo assim para que servem os seus exércitos? Como forças auxiliares? Como forças de segurança interna? Guardas fronteiriços na nova cortina de ferro, a Leste e nas velhas, no Médio Oriente e Magreb? E qual a posição de Portugal?
Antes de alguém, ou de alguma entidade se lançar numa empresa é (devia ser) obrigatório definir os seus objetivos, o que pretende e depois reunir os meios para os atingir. A União Europeia não tem objetivos definidos enquanto ator político mundial, para quê os meios, ou mais meios?
Se a União Europeia tinha, ou teve pretensões a ser uma grande potência, com uma estratégia própria, global, deveria ter-se dotado de uma capacidade militar credível (já sabemos que não quer ser e que a NATO — os EUA — não deixa). Para ser uma grande potência teria de dispor de um arsenal nuclear credível, com lançadores terrestres, aéreos, navais e espaciais. Onde os iria colocar? Ao lado dos americanos? Seguiria o caminho de De Gaulle construir uma force de frappe nuclear e apontada atodas as direções? Está fora de questão nos dias de hoje, de submissão.
Voltando aos primórdios da união de facto, ou do casamento forçado entre a NATO e a UE.
As causas longínquas do que, com a guerra da Ucrânia, se veio a revelar um inultrapassável conflito, com um vencedor e um vencido, os EUA vitoriosos e a União Europeia destroçada (apesar de se agitar), encontram-se na entrada dos EUA na II Guerra Mundial
Os Estados Unidos entraram na II GM e intervieram na Europa não por motivos ideológicos (defesa da democracia, ou dos direitos do homem, ou de uma civilização), mas por motivos de interesse estratégico, de substituição da Europa (a Inglaterra) como centro do mundo. Esse estatuto de potência imperial implicava, à semelhança da Inglaterra imperial e colonial (sua antecessora), dispor de supremacia marítima e aérea, de dominar o sistema de trocas comerciais e o financeiro, de, em suma, substituir a Royal Navy pela US Navy (mais a USAF), substituir a libra pelo dólar, a City por Wall Street. A língua inglesa manter-se-ia o latim do novo império.
No meio da deliberada confusão com que somos entontecidos, regressar ao básico, aos antecedentes esquecidos, ajuda a compreender o presente. Talvez ajude ir às razões e interesses que estiveram na origem da fundação da NATO.
As alianças político-militares são uma entidade tão antiga quanto a existência de sociedades politicamente organizadas. Goste-se ou não, algumas dessas alianças permitem a existência de pequenos estados com soberanias limitadas. Portugal não seria um estado soberano sem a aliança com a Inglaterra desde a sua fundação. A aliança luso britânica foi, apesar dos desequilíbrios, mutuamente vantajosa. Sem ela Portugal teria sido englobado nas monarquias ibéricas em 1383, não teria recuperado a soberania em 1640, teria sido dividido entre a Espanha e a França em 1814.
* Guy Mettan é cientista político e jornalista. Iniciou sua carreira jornalística no Tribune de Genève em 1980 e foi seu diretor e editor-chefe em 1992-1998. De 1997 a 2020, foi diretor do “Club Suisse de la Presse” em Genebra. Atualmente é jornalista e escritor freelancer.” | (via Joaquim Matos)
No momento em que se começa a vislumbrar uma possível solução para o conflito na Ucrânia (neutralidade e desmilitarização parcial do país, entrega do Donbass e da Crimeia), os antecedentes do conflito começam a ser melhor compreendidos.
No entanto, não se espera que aconteça um rápido cessar-fogo: os americanos e os ucranianos ainda não perderam o suficiente e os russos ainda não ganharam o suficiente para cessar as hostilidades.
Mas antes de ir mais longe, gostaria de convidar aqueles que não partilham da minha visão realista das relações internacionais a não seguirem em frente na leitura. O que se seguirá não lhes agradará e evitarão o azedume estomacal e o tempo desperdiçado a denegrir-me.
Com efeito, penso que a moralidade é um péssimo conselheiro em geopolítica, mas que se impõe em matéria humana: o realismo mais intransigente não nos impede de actuar, incluindo no tempo e no dinheiro como eu, para aliviar o destino das populações testadas pelos combates.
As análises dos peritos mais qualificados (em particular dos americanos John Mearsheimer e Noam Chomsky), as investigações de jornalistas como Glenn Greenwald e Max Blumenthal, e documentos apreendidos pelos russos – a intercepção de comunicações do exército ucraniano a 22 de janeiro e um plano de ataque apreendido num computador abandonado por um oficial britânico – mostram que esta guerra foi inevitável e muito improvisada.
A ex-chanceler alemã Angela Merkel participou há dias numa palestra em Berlim organizada pela editora Aufbau e transmitida pela televisão nacional de que os meios de comunicação retiraram um título: Angela Merkel já sabia que Putin queria destruir a Europa!
Não faço ideia se Angela Merkel terá de facto feito a afirmação e, menos ainda, em que contexto. Mas tomando como boa a transcrição e descontextualizada, o que sempre uma forma de manipulação, de colocar alguém a dizer o que convém ao citador há que pensar na afirmação. Independentemente da consideração intelectual e da experiência política de Angela Merkel esta afirmação deve ser sujeita ao crivo da crítica.
Assim a “seco” a afirmação é a-científica e a-histórica. É uma frase empírica, vulgar e que podia ser adequada a uma conversa de pé da porta. Angela Merkel é uma cientista e é culta, conhece a história do mundo e da Europa, em particular.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, alertou hoje em Estrasburgo que qualquer ação do Reino Unido para alterar unilateralmente o estatuto pós-‘Brexit’ da Irlanda do Norte seria “profundamente prejudicial”.
Num discurso no Parlamento Europeu, Martin condenou a intenção de o Governo britânico legislar para contornar a obrigatoriedade de controlos aduaneiros e burocracia adicional a bens que circulam entre o Reino Unido e a Irlanda do Norte.
“Qualquer ação unilateral para rejeitar um acordo solene seria profundamente prejudicial, marcaria um ponto baixo histórico que apontaria para um desrespeito dos princípios essenciais das leis que são a base das relações internacionais. E não beneficiaria absolutamente ninguém” vincou.
O chefe de Governo irlandês defende “maneiras de melhorar a operacionalidade do protocolo”, mas considera que Londres só tem feito esforços de má-fé para enfraquecer um tratado ao qual aderiu livremente, o que lamenta.
“Em vez de criar uma atmosfera construtiva, vimos tentativas de bloquear acordos ou introduzir novos problemas”, criticou.
A Irlanda do Norte é a única região do Reino Unido que partilha uma fronteira terrestre com um país membro da UE, a República da Irlanda, o que implicou atenção especial durante o processo de saída britânica da União Europeia (UE).
Na primeira entrevista desde que deixou o cargo de chanceler da Alemanha, Angela Merkel diz ter feito todos os possíveis para evitar o conflito na Ucrânia. Mas já sabia que o Presidente russo “queria destruir a Europa”.
A ex-chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu esta terça-feira (07.06) que já se questionou se poderia ter sido feito mais para evitar a invasão russa da Ucrânia que começou a 24 de fevereiro.
Ainda assim, quando faz uma retrospetiva dos 16 anos de governação, Angela Merkel fala com “tranquilidade” por saber que fez o possível para evitar a situação atual e sublinhou que tem total confiança na gestão do seu sucessor, Olaf Scholz.
“Penso que esta situação já é uma grande tragédia. Poderia ter sido evitada, e é por isso que continuo a fazer-me estas perguntas, mas não consigo imaginar não ter confiança no atual governo federal”, afirmou.
*About the Author – Gordon M. Hahn, Ph.D., is an Expert Analyst at Corr Analytics, http://www.canalyt.com and a Senior Researcher at the Center for Terrorism and Intelligence Studies (CETIS), Akribis Group, www.cetisresearch.org.
O russo-ucraniano é obrigado a colocar pressão política na solidariedade interna do regime russo, bem como na solidariedade estado-sociedade, mas apenas a longo prazo e apenas em condições de fracasso na guerra.
A cultura política russa valoriza muito a solidariedade política nacional do país, e qualquer declínio na solidariedade provavelmente será uma perspectiva de longo prazo, mesmo em tempos de guerra, dada a extensão em que o presidente russo Vladimir Putin conseguiu restaurar a cultura tradicional da Rússia induzida pelo autoritarismo, após as divisões ocorridas durante o colapso soviético e que se estenderam por toda a década de 1990.
A nossa Grande História desta semana centra-se no Quad, o agrupamento dos EUA, Japão, Austrália e Índia, e a provável defesa de Taiwan no futuro dos avanços da China. O nosso correspondente diplomático Ken Moriyasu salienta que, do ponto de vista norte-americano, o envolvimento da Índia é de extrema importância para conter a China e que a visita do Presidente norte-americano Joe Biden a Tóquio foi bem sucedida nesse sentido.
Pessoalmente, estou impressionado com uma citação do livro do cientista político Samuel Huntington “O Choque das Civilizações e a Reprodução da Ordem Mundial”, em que escreve: “O que o Ocidente vê como ‘universal’, o não-Ocidente vê como ‘Ocidental’.” Penso que este ponto é o calcanhar de Aquiles da estratégia de Biden.
Concordo com a opinião de Bilahari Kausikan, antigo secretário permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Singapura. Ele diz: “Nem todos os países desta região acham todos os aspetos da democracia ocidental universalmente atraentes, nem acha todos os aspetos do autoritarismo chinês universalmente abomináveis.” Como Bilahari observou: “O mundo é um lugar muito mais complexo.”
Em 24 de fevereiro, o presidente Vladimir Putin da Rússia ordenou a invasão da Ucrânia. As forças russas atacaram em várias frentes, apenas para encontrar resistência feroz. Em resposta, o exército russo mudou de marcha. Agora está avançando lenta e metodicamente, executando uma guerra de atrito contra o exército ucraniano. As perspectivas para a Ucrânia são sombrias. A Rússia parece certa de alcançar a vitória, embora com pesadas perdas e danos maciços à infraestrutura e à população da Ucrânia.
Enquanto isso, o Ocidente não ficou ocioso. A Rússia é agora o país mais sancionado do mundo. Tropas ucranianas estão treinando nas instalações da OTAN na Alemanha. Os Estados Unidos transmitem regularmente informações aos militares ucranianos. Há rumores persistentes de conselheiros da OTAN operando com tropas ucranianas em combate. O governo Biden também forneceu bilhões de dólares em assistência militar, culminando em um pacote de ajuda de US$ 40 bilhões.
Mesmo assim, é improvável que o apoio da OTAN impeça uma vitória russa.
Quando um dirigente político apresenta a necessidade de aumentar as despesas militares para os 2% do PIB está a considerar-nos implicitamente 98% estúpidos por acreditamos nele.
Os Estados Unidos, o secretário-geral da NATO e os ministros da Defesa da NATO têm estado a apresentar como necessidade essencial de defesa dos países da Aliança contra a ameaça russa um valor mínimo de 2% do PIB de cada Estado para despesas ditas com a defesa.
É uma falácia – O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega.
Tudo indica que a Rússia, para travar o reforço de material militar do ocidente à Ucrânia, vá aumentar os ataques de mísseis a linhas ferroviárias e às instalações, cada vez mais civis e situadas em áreas civis, que são utilizadas para esconder esse armamento. A probabilidade desses ataques, oriundos de longa distância, poderem ser menos precisos, tendo civis como “colateral casualties”, é assim cada vez maior.
Relembra-se que a Ucrânia quer aderir à NATO, mas já terá percebido que isso é difícil. Desde o primeiro momento, foi objetivo nunca escondido por Kiev tentar envolver a NATO no conflito. Isso sucedeu, como se recordará, quando pediu que a organização impusesse uma zona de exclusão aérea sobre o seu território, o que foi negado pelos EUA e por alguns aliados sensatos dentro da NATO, porque isso poderia conduzir à guerra Rússia-NATO, com todas as consequências daí decorrentes, que só alguns insconscientes desprezam.
Atenta a evolução da guerra, e não querendo estar a chamar os demónios, arrisco dizer que pode estar a aproximar-se um momento em que a Ucrânia (com os seus amigos NATO do Leste, que, como se sabe, são mais papistas do que o papa e têm, dentro da organização, uma linha discretamente favorável a um envolvimento militar mais ousado) arrisque produzir um incidente grave, para poder justificar um maior envolvimento da NATO. O pior é que pode dar-se o caso de isso também convir à Rússia, na lógica do quanto pior melhor. Nessa altura, é tempo de alguns, por cá, irem a Fátima. E por lá procurarem o segredo da conversão da Rússia…
“A guerra mundial do pão já está em marcha e temos de a parar. Arriscamo-nos a ter instabilidade política em África, a haver proliferação de organizações terroristas, a ter golpes de Estado. É isto que pode produzir a crise dos cereais que estamos a viver”, Luigi de Maio, ministro de Negócios Estrangeiros de Itália
Trata-se de uma pura matéria de propaganda usada por russos e ucranianos uns porque invadiram a Ucrânia quando deveriam ter-se quedado por Donetz e Lugansk para proteger essas repúblicas e os outros por terem criado esta guerra desde 2014 e Odessa, de novo irá entrar para a História com um ato de genocidio nazi desde 02.05.2014 que irá entrar na História ( espero que com filme da qualidade equivalente ao de Eisenstein, o Couraçado de Potemkine) do longo prazo como a data de início desta guerra, local, globalizada por via da venda de armamento e de mercenários na realidade para ambas as partes dando uma má razão para o termo antigo e ecológico – Glocal !
Mas não,não estamos a viver a guerra mundial do pão, e não os afetados não são somente os Africanos, estamos a ver uma guerra mundial, do pão ou não, ela afeta uma parcela importante do mundo diretamente, no campo de uma parte da elite dominante a norte europeia e no restante indiretamente via o aumento do custo de armamento, a degradação ambiental regional, abrangendo 3/5 países, com os mares locais pejados de minas, espaços urbanos destruídos em 3 países de forma brutal e em dois de baixo perfil!
Os efeitos perversos das sanções significam custos crescentes de combustível e alimentos para o resto do mundo – e crescem os temores de uma catástrofe humanitária. Mais cedo ou mais tarde, terá de se chegar a um acordo.
Já se passaram três meses desde que o Ocidente lançou sua guerra económica contra a Rússia, e não está indo conforme o planeado. Pelo contrário, as coisas estão indo muito mal.
As sanções foram impostas a Vladimir Putin não porque fossem consideradas a melhor opção, mas porque eram melhores do que os outros dois cursos de ação disponíveis: não fazer nada ou se envolver militarmente.
O primeiro conjunto de medidas económicas foi introduzido imediatamente após a invasão, quando se supôs que a Ucrânia capitularia em poucos dias. Isso não aconteceu, com o resultado de que as sanções – ainda incompletas – foram gradualmente intensificadas.
Não há, no entanto, nenhum sinal imediato de que a Rússia saia da Ucrânia e isso não é surpreendente, porque as sanções tiveram o efeito perverso de aumentar o custo das exportações de petróleo e gás da Rússia, aumentando massivamente sua balança comercial e financiando seu esforço de guerra.
Nos primeiros quatro meses de 2022, Putin pode ostentar um superávit em conta corrente de US$ 96 bilhões (£ 76 bilhões) – mais que o triplo do valor do mesmo período de 2021.
Alain de Benoist, filósofo francês que é um dos fundadores da Nova Direita. Editorial da revista “Éléments” sobre a guerra na Ucrânia – (via Alfredo Barroso).
É evidente que não se pode dizer que «não se faz a guerra contra a Rússia» e, ao mesmo tempo, decretar contra a Rússia sanções com uma dimensão sem precedentes, e promover publicamente uma «guerra económica e financeira total à Rússia» (declaração do ministro das finanças da França, Bruno Le Maire), e fornecer armas aos Ucranianos.
Os Europeus aceitaram docilmente decretar contra a Rússia sanções de que serão eles as primeiras vítimas, de tal modo são contrárias aos seus próprios interesses, designadamente os energéticos e industriais (a Rússia é mais auto-suficiente do que a Europa).
Por outro lado, ao aceitarem fornecer à Ucrânia armas pesadas e aviões, não com a intenção de restabelecer a paz mas com o objectivo de prolongar a guerra, os países ocidentais assumiram o gravíssimo risco de serem considerados como cobeligerantes.
Não é preciso ser praticante de artes marciais orientais para compreender que num combate temos de ser capazes, não apenas de antecipar os golpes do adversário, mas também de evitar que a desmesura da nossa resposta possa favorecer o nosso oponente. A questão da análise das sanções energéticas à Rússia carece, claramente, de uma avaliação de risco.
Desde pelo menos 2007, quando a Comissão Europeia (CE) lançou a sua estratégia de Energia e Clima, que o tema da dependência europeia da Rússia em combustíveis fósseis (carvão, crude e gás natural) era objeto de ponderação crítica.
Países como a Alemanha foram frequentemente alertados para o perverso efeito retardador que essa dependência implicava para uma descarbonização mais rápida, assim como para o risco de uma eventual rutura de abastecimento poder ser usada como chantagem política pelo Kremlin.
Hoje, a situação inverteu-se. Com a invasão russa da Ucrânia é a UE que pretende cortar amarras com os fornecimentos russos, de modo a enfraquecer financeiramente o esforço de guerra de Moscovo.
Em um ponto do romance “Sign of the Four”, o inimitável detetive de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, explica e demonstra ao Dr. Watson seu método de observação e dedução.
Confrontado com uma circunstância aparentemente inexplicável, o Dr. Watson fica totalmente perplexo. Ele simplesmente não consegue entender como o evento em questão aconteceu, dados os fatos como ele os entende e as leis da natureza. Um pouco irritado com a perplexidade de seu companheiro, Holmes mais uma vez compartilha com ele a chave metodológica para resolver todos esses mistérios: “Quando você elimina o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade”.
E a verdade é que, uma vez eliminados todos os cenários impossíveis, o resultado menos improvável da guerra na Ucrânia é uma vitória russa.
NOTA: É lamentável ter acontecido. Esta intervenção militar jamais deveria ter sido realizada. Teria havido tempo antes de começar para conversarem e chegarem a um acordo. Alguém “empurrou” para esta situação. E pelos vistos, esse alguém, está a tentar prolongar o conflito para – e cito – enfraquecer a capacidade militar da Russia. Outro erro. Lembra-se o acordo assinado por Yeltsin e Bill Clinton em 1997. Continuamos a pensar que De Gaulle e outros tinham razão – EUROPA DO ATLÂNTICO AOS URAIS. Talvez ainda se vá a tempo se houver humildade pelos que de facto e na realidade comandam as decisões estratégicas, quer dum lado do Atlântico a oeste, quer do outro, a leste.
La guerre en Ukraine occupe une place prépondérante dans les médias internationaux. Au détriment d’autres conflits, pourtant parfois plus longs, sur le continent africain.
Le 3 juin 2022, cela fera 100 jours que la Russie a commencé à envahir l’Ukraine. Ce conflit a des répercussions économiques dans le monde entier et il accapare l’attention de la plupart des médias. Pourtant, la guerre en Ukraine est loin d’être la seule qui fait rage actuellement… en Afrique, par exemple, une dizaine de conflits, plus discrets sur le plan médiatique, font des victimes chaque jour depuis parfois des décennies.
Sandrine Blanchard a donc demandé à Tom Peyre-Costa, référent pour l’Afrique centrale et de l’ouest au Conseil norvégien pour les réfugiés pourquoi la guerre en Ukraine avait tendance à éclipser les conflits du continent africain.
Des blessés, des morts, des populations déplacées, des familles déchirées, des viols et autres crimes… c’est la réalité de la guerre où qu’elle ait lieu.
“A Comissão Europeia fez hoje [quarta-feira, 1 de junho] uma avaliação positiva do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia“, adianta a entidade liderada por Ursula Von der Leyen, em comunicado, sinalizando que em causa estão “23,9 mil milhões de euros em subvenções e 11,5 mil milhões de euros em empréstimos ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência”.A Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da Polónia, no valor de cerca de 36 mil milhões de euros, mas com condicionantes. Bruxelas avisa que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer as reformas ao sistema judicial pedidas pela União Europeia para estar em conformidade com os padrões europeus do Estado de Direito.
Contudo, Bruxelas sinaliza que o dinheiro só chegará efetivamente à Polónia se o Governo fizer reformas no sistema judicial, que são fundamentais “para melhorar o clima de investimento e criar as condições para uma implementação efetiva do plano de recuperação e resiliência”. “A Polónia precisa de demonstrar que essas metas são cumpridas antes que qualquer desembolso possa ser feito”, acrescenta a Comissão Europeia.
Simon Jenkins | Longe de obrigar a Rússia a sair da Ucrânia, eles estão causando grande sofrimento em todo o mundo à medida que os preços de alimentos e energia sobem.
Seis Milhões de famílias na Grã-Bretanha enfrentam a possibilidade de apagões matutinos e noturnos neste inverno para manter as sanções contra a Rússia, assim como os consumidores em toda a Europa. Isso apesar de a Europa ter investido cerca de US$ 1 bilhão por dia na Rússia para pagar o gás e o petróleo que continua a consumir. Isso parece loucura. As propostas da UE para suspender os pagamentos estão compreensivelmente opostas por países próximos à Rússia e fortemente dependentes de seus combustíveis fósseis; A Alemanha compra 12% de seu petróleo e 35% de seu gás da Rússia, números muito maiores na Hungria.
Afinal quem representa o maior perigo: a Rússia, a China ou os Estados Unidos? Nesta entrevista ao Expresso centrada na guerra na Ucrânia, o filósofo norte-americano Noam Chomsky garante que a propaganda russa é uma “piada”, que a “ameaça chinesa” é o facto de a China “existir” e que o Estado mais beligerante e que comete as maiores “atrocidades” é mesmo aquele onde nasceu, os EUA.“Somos mais totalitários do que a União Soviética, mas isso é considerado ‘democracia’ e alto padrão de ‘moralidade'”, sublinha.
Wrap up — as reuniões (os meetings) da Europa terminam habitualmente com uma cerimónia de despedida — uns copos, umas tapas e umas palavras de circunstância — que se designa wrap up.
António Costa vai à Hannover Messe a maior feira de tecnologia industrial do mundo, em que que Portugal será, pela primeira vez, país parceiro. Não é difícil ser suficientemente realista para considerar que vai a uma wrap up pelo papel que a Alemanha desempenhou na Europa e no mundo após o final da Segunda Guerra.
A Feira de Hanôver realiza-se desde o fim da II Guerra Mundial e a sua importância acompanhou o papel da Alemanha como locomotiva europeia e grande potência industrial. Este papel deve-se a condições de organização interna da Alemanha (RFA e depois unificada), à opção pela indústria pesada e pelos produtos de alto valor acrescentado, mas também à sua localização geográfica, no centro da Europa, fazendo de placa giratória entre a Europa Ocidental e a Oriental.
A Europa do pós-guerra assentou numa parceria franco-alemã. Em que, de forma muito simples, a Alemanha fazia de formiga e a França de cigarra. Após o fim da Guerra Fria a Alemanha também tomou os novos países “democráticos” do Leste a seu cargo, em particular a Polónia. Em parte o sucesso e o vigor da Alemanha deve-se a uma relação de mútuas vantagens com a Rússia, que fornecia a energia para a Alemanha a baixo custo e também matérias-primas essenciais, materiais ferrosos e cereais. A Alemanha é (era) o maior parceiro da UE com a Rússia (o maior investidor), a Rússia fornecia 41% do gás e 34% do petróleo. O novo gasoduto Nordstream permitiria a Alemanha importar gás da Rússia sem passar pela Ucrânia, nem pela Polónia, nem pelos Estados Bálticos (curiosamente os mais agressivos contra a Rússia).
A guerra da Ucrânia destruiu esta estratégia alemã e russa de criar um novo espaço económico e político no centro da Europa, entre a China e os Estados Unidos. Só motivos exteriores muito fortes podem justificar a intervenção — a invasão — da Rússia na Ucrânia e a morte no ovo desta nova entidade. Esta guerra só aproveita aos Estados Unidos e, por tabela, à China. Cherchez la femme.
Ricardo Nuno Costa| Entrevista sobre as guerras da Síria e da Ucrânia e o perigo real de guerra termonuclear na actualidade política internacional, com o coronel retirado do Exército norte-americano, senador Richard Black. Entrevista em inglês, da Executive Intelligence Review, do Instituto Schiller, com subtítulos em português.
O presidente russo, Vladimir Putin, em conversa telefónica com seu colega francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz, confirmou que Moscovo está pronta para continuar as negociações de paz com Kiev, disse o serviço de imprensa do Kremlin neste sábado.
” Vladimir Putin confirmou que a Rússia está aberta a retomar o diálogo”, disse o comunicado. Putin, enfatizou no entanto o perigo de fornecer ainda mais armas ocidentais à Ucrânia, alertando para os riscos de mais desestabilização da situação e agravamento da crise humanitária”.
Problemas com alimentos
Problemas com o abastecimento de alimentos foram causados por sanções anti-Rússia e outros erros do Ocidente, disse o presidente russo no decorrer da conversa telefónica.
Os então presidentes Bill Clinton e Boris Ieltsin, de EUA e Rússia, em reunião sobre a Otan em Helsinque, na Finlândia – Alexander Tchumitchev – 21.mar.1997/TASS/Reuters
“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton.
“São novos tempos”, declarava Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, no dia da assinatura do primeiro acordo de cooperação econômica e militar depois da Guerra Fria entre a Rússia e a Otan, hoje em lados opostos na Guerra da Ucrânia.
O pacto, à época inesperado, foi chamado de Acto Fundador Otan-Rússia e assinado em 27 de maio de 1997, há 25 anos, eliminando formalmente os últimos vestígios da Guerra Fria oito anos depois da queda do Muro de Berlim.
Boris Ieltsin, na Presidência da Rússia, celebrou a aproximação com o Ocidente declarando que os mísseis nucleares de seu país —hoje trazidos à baila por figuras do regime de Vladimir Putin— não estariam mais direcionados para alvos de membros da Otan. A aliança militar liderada pelos EUA, por outro lado, comprometia-se a consultar Moscou na tomada de decisões e a não deslocar um grande contingente militar e armamentos nucleares para as fronteiras russas.
“A Otan vai trabalhar junto com a Rússia, não contra ela”, disse Clinton sobre o acordo, em termos que hoje, à luz de declarações de Putin, soam deslocados. Anos antes, a aliança militar também teria se comprometido a não interferir no poderio nuclear russo nem se expandir para o Leste Europeu, onde estão ex-repúblicas soviéticas.
‘I think we need a neutral Ukraine. Not one that is too much of a Russian or Western satellite.’ Freddy Gray discusses Henry Kissinger saying Ukraine must push for peace even at the cost of territorial compromise while attending the World Economic Forum meeting in Davos.
Voo perto da Coreia do Sul e do Japão foi primeira ação do tipo desde Guerra da Ucrânia | Igor Gielow
FOLHA DE SÃO PAULO
China e Rússia deram um recado militar ostensivo aos EUA ao longo desta terça (24), enquanto o presidente Joe Biden se reunia no Japão com aliados contrários a Pequim na região do Indo-Pacfíco.
Ao menos dois Tu-95 russos e dois H-6K chineses, ambos bombardeiros com capacidade de emprego nuclear, foram escoltados por dois caças Su-30SM russos em um voo de 13 horas sobre o mar do Japão, passando pela Zona de Identificação de Defesa Aérea de outro aliado americano, a Coreia do Sul, que foi visitada por Biden no fim de semana.
A zona não é o espaço aéreo, mas uma área em que aviões se identificam para evitar mal-entendidos de intenções. O grupo seguiu de lá para perto das fronteiras japonesas. Tanto Seul quanto Tóquio enviaram caças F-2 e F-15, respectivamente, para acompanhar o movimento. Não houve incidentes, mas o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, considerou o episódio “grave”.
Milley fez a revelação durante uma conferência de imprensa conjunta com o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, após uma reunião virtual com autoridades de 47 países aliados, para discutir a assistência militar à Ucrânia.
O general explicou que tanto ele como o chefe do Pentágono estão focados em controlar riscos e em evitar uma possível escalada com a Rússia, nomeadamente através da retoma de “comunicações a nível militar”, incluindo telefonemas com altos responsáveis militares russos.
O chefe do Estado-Maior dos EUA indicou que este é um passo “significativo” e que “vale a pena”, sublinhando que o seu país continua “comprometido” no seu apoio à Ucrânia.
Washington tem apoiado Kiev com assistência militar e humanitária para combater a invasão russa iniciada em 24 de fevereiro.
Bruxelas, 23 mai 2022 (Lusa) – O vice-presidente executivo da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis defendeu hoje que, como Portugal é um “país muito endividado”, deve ter uma “política orçamental prudente”, com limite das despesas correntes, e investimentos na área da energia.
“Portugal é um país muito endividado e, por isso, a nossa recomendação é a de assegurar uma política orçamental prudente, em particular limitando o crescimento das despesas correntes financiadas a nível nacional abaixo do crescimento potencial do PIB a médio prazo”, afirmou Valdis Dombrovskis.
Em entrevista a um pequeno grupo de meios europeus em Bruxelas, incluindo a Agência Lusa, o responsável no executivo comunitário pela pasta de “Uma economia que funciona para as pessoas” acrescentou que isto é algo que a Comissão “já assinalou anteriormente”.
Na atual fase do discurso ocidental sobre a guerra na Ucrânia os dirigentes políticos transmitem a mensagem de, após a guerra, a situação na UE voltar ao passado: não haverá inflação, desemprego, a energia será barata, a União Europeia continuará a vender os seus produtos de alto valor acrescentado no mercado mundial — apesar de a energia vinda dos EUA ser muito mais cara — o estado de bem-estar com serviços de saúde e de previdência social vai ser sustentável, mesmo que as despesas com armamento cresçam e as exportações diminuam…
O discurso dos políticos europeus aos crentes das suas nações lembra a afirmação de Aristóteles há 2500 anos: o tempo não existe, uma vez que nem o passado, nem o futuro realmente existem, o passado porque já passou, o futuro porque ainda não é. O presente, por sua vez, é momentâneo, fugaz, imediatamente se torna passado. Mas para os atuais dirigentes políticos europeus não existe o problema da aporia, o “caminho inexpugnável, sem saída”, o paradoxo, a contradição entre o tempo e o movimento. Para Aristóteles é o movimento que organiza o tempo, para os atuais dirigentes políticos a verdade é a falácia que impingem aos europeus de que, apesar do movimento que entretanto ocorreu (com a invasão sobre vários eixos do território, o tempo parou na Ucrânia e arredores. A guerra na Ucrânia, para eles, não vai ter consequências. O presidente português chegou a afirmar que até vamos ganhar com ela. Vamos ficar melhor!
Presidente ucraniano baixou as expectativas do povo ucraniano e defendeu a via diplomática como única solução capaz de terminar “definitivamente” o conflito. Mas exigiu pré-compromisso de que Rússia não matará militares de Azovstal para retomar negociações.
Apesar das vitórias destas semanas no terreno, apesar das aparentes fraquezas das forças militares russas, o Presidente da Ucrânia defendeu este sábado que a guerra “só terminará definitivamente pela diplomacia” e admitiu há requisitos necessários à paz que só poderão ser alcançados por esta via.
“Discussões entre a Ucrânia e a Rússia, sem dúvida, ocorrerão”, afirmou Volodymyr Zelenskiy numa entrevista a um canal de televisão ucraniano. “Sob que formato eu não sei – com intermediários, sem eles, num grupo mais alargado, a nível presidencial. Mas a guerra será sangrenta, haverá luta e só terminará definitivamente pela diplomacia.”
Peter Scott, âncora da RT: Juntando-se a nós agora está Michael Hudson, economista e autor de “Super-Imperialism” e do recém-publicado “Destiny of Civilization”. Bem-vindo ao programa, Michael.
Michael Hudson: É bom estar de volta.
PS: Digamos que todos esses programas europeus como o Programa REPOWER entrem em vigor, como você espera que a posição da UE esteja no palco depois disso?
MH: Bem, a posição da UE será espremida economicamente. Ele estava tentando ser uma potência na economia mundial, mas no último mês o euro vem caindo constantemente em relação ao dólar e está a caminho de um dólar por euro. Isso porque está tendo que pagar muitas divisas por energia, por comida, por armas. Está encolhendo em termos de outras economias.
PS: Qual você acha que será a posição da UE em relação a potências como a China?
MH: Bem, obviamente está fora do jogo. Em vez de colocar seus próprios interesses em primeiro lugar, está realmente colocando os interesses dos EUA em primeiro lugar. Está agindo mais como um satélite dos Estados Unidos do que tentando seu próprio destino. Todo o plano da UE, há 20 anos, era enriquecer investindo na Rússia, investindo na China e numa troca mútua. E agora está decidido a parar com isso. Os EUA absorveram a Europa. A guerra na Ucrânia é uma guerra dos EUA principalmente para puxar a Europa para a órbita dos EUA, impedir transações europeias com a Rússia ou a China. Assim, a Europa Ocidental está sendo deixada de fora, enquanto Rússia, China e Eurásia estão indo com o resto da Ásia. A Europa vai simplesmente ficar para trás. Está perdendo seus mercados de exportação,
Ao contrário da Administração anterior, Biden vê a eliminação de Moscovo como um passo determinante e necessário antes da confrontação militar com a China, e assim dominar a Eurásia, o seu o último objetivo.
A expressão pertence a John Kirby, porta-voz do Pentágono, quando se referia à excelência do desempenho das forças armadas ucranianas no campo de batalha, resultante da preparação a que foram submetidas durante oito anos, pelos EUA e seus aliados (Canadá e Reino Unido). Uma série de declarações semelhantes proferidas por altos dirigentes norte-americanos ajudam-nos a compreender o que está verdadeiramente em jogo no conflito na Ucrânia.
Sem recorrer ao mais do que citado Brzezinski e às suas teorias do pivô estratégico, relembro os discursos de Joe Biden em que afirmava ser a expansão da NATO para os Estados Bálticos a única coisa que poderia provocar uma resposta hostil e vigorosa da Rússia, ou as suas mais recentes afirmações, em Varsóvia, apelando a uma operação de mudança de regime em Moscovo, o que na prática se traduz na intenção dos EUA substituírem Putin e o poder presentemente instalado no Kremlin por um regime subsidiário de Washington.
O confronto dos EUA com a Rússia é apenas um dos capítulos do projeto da afirmação hegemónica global de Washington, que visa, entre outros aspetos, afetar as relações da Rússia com Europa, e as veleidades europeias de autonomia estratégica, nomeadamente quebrar o comércio e o investimento bilateral com a Rússia e a China.
O jornalista Leonardo Attuch entrevista o correspondente internacional Pepe Escobar sobre os fatos mais importantes da conjuntura internacional0:00 Boas vindas 5:00 Pepe explica por que a Rússia não qualifica a ação militar na Ucrânia como uma guerra 8:00 Imagem da semana foi a rendição em Mariupol 12:00 Está impossível falar sobre a guerra na Europa. A dissolução da União Europeia é flagrante e será muito mais rápida. A União Europeia está totalmente subjugada à OTAN. São vassalos subjugados aos Estados Unidos.
————
24:00 Informações sobre laboratórios biológicos serão reveladas ….. 29:00 Pode haver uma conexão entre a covid-19 e os laboratórios biológicos da Ucrânia. Tudo isso será levado ao conselho de segurança da ONU.
————
5:00 Rússia abriu uma caixa de Pandora que coloca o Sul Global na mesa da geopolítica 39:00 Metade dos compradores de energia já abriu contas em rublos 45:00 Os russos não têm a menor intenção de tirar o pé do freio 50:00 O apoio chinês à Rússia se dá nas sombras. É o fim do sistema multipolar 53:00Expansão da OTAN é uma palhaçada1:00:00 Em vez de finlandização da Ucrânia, estamos tendo a ucranização da Finlândia. E a guerra não está custando nada para a Rússia 1:09:00 A Ucrânia não tem mais soldados e a economia russa é impermeável 1:19:00 Zelensky é um bonequinho, diz Escobar 1:24:00 O mundo estará totalmente dividido entre OTAN e o resto 1:38:00 EUA podem tentar impor a agenda da OTAN ao governo Lula. 1:39:00 Erdogan está se revelando um exímio equilibrista.
Dizem os sábios : todos os países têm direito a escolher as ligações/alianças/organizações a que querem pertencer.
Pois bem, entretanto, um país que queira entrar na NATO ou mesmo na UE tem de ser aceite por unanimidade.
Basta um membro dizer NÃO, para que esse suposto direito automático se NÃO aplique.
Mas, se for um vizinho, que irá eventualmente ficar com armas nucleares apontadas para si, logo ali pertinho, não poderá opor-se e tem de aceitar.
CAROS SÁBIOS, podem explicar DEVAGARINHO para nós entendermos bem ? – é que estamos mesmo confusos – o mundo está à beira de uma guerra nuclear, e nós, “povinho”, estamos nas mãos de alguns sábios “DONOS disto TUDO”, que tudo impõem, tudo comandam e tudo decidem, sempre ao lado do CMI (complexo militar industrial).
Dizem os sábios : todos os países têm direito a escolher as ligações/alianças/organizações a que entenderem querer pertencer. Pois bem, entretanto, um país que queira entrar na NATO ou mesmo na UE tem de ser aceite por unanimidade. Basta um membro dizer NÃO, para que esse suposto direito automático não se aplique.(Se for um vizinho, que vai ficar com armas nucleares à porta, não pode recusar). PODEM EXPLICAR DEVAGARINHO PARA EU ENTENDER BEM E CLARAMENTE? é que estou mesmo confuso – e o mundo à beira de uma guerra nuclear !!!!!!!!!!!!!!!!
Humanismo | Cosmopolitismo | Globalismo »»» custará assim tanto aderirmos a estas três premissas? Será que a Humanidade não tem, de todo, inteligência e vontade para promover a paz? PORQUÊ? (vcs)
A tentativa dos países da UE de rejeitar os produtos energéticos russos é “suicídio económico”, disse o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma reunião sobre o desenvolvimento da indústria petrolífera. Segundo ele, Bruxelas está tomando decisões politicamente motivadas que, acima de tudo, prejudicam a própria economia da UE.
No mês passado, partilhei convosco algumas notícias dolorosas Vítor: o nosso movimento estava numa situação difícil, e precisámos urgentemente de pedir a vossa ajuda para cobrir o nosso orçamento mensal. Graças à incrível generosidade de DiEMers de toda a Europa, conseguimos fazer face às nossas despesas de Abril a tempo!
Isto só aconteceu porque a nossa comunidade reagiu rapidamente realizando generosos donativos únicos. Sentimo-nos honrados com a tua generosidade. Orgulhamo-nos de ser financiados a 100% pela base. No entanto, continua a ser importante manter um fluxo constante de donativos mensais recorrentes. Mas estamos quase lá!
10 euros pode não parecer muito, mas quando centenas de pessoas contribuem apenas com alguns euros por mês, conseguimos ter um orçamento estável para planear os nossos recursos de forma eficaz. E como estamos a tentar derrotar o estabelecimento com uma fracção do dinheiro que têm nos bolsos, as pequenas e constantes contribuições são a força vital do nosso movimento.
Pequenas contribuições mensais mantêm o DiEM25 próspero e capaz de fazer o trabalho árduo necessário para divulgar a nossa mensagem, treinar a nossa base ativista, construir partidos MERA25 para concorrer a eleições em toda a Europa, e lançar campanhas no nosso continente e fora dele.
Carpe DiEM!
Ivana Nenadovic >> Coordenação de Finanças e Eventos do DiEM25
PS: Queres dar um donativo único para ajudar o DiEM25? Carrega aqui!
For the first time in decades, it’s hard to ignore the threat of nuclear war. But as long as you’re far from the blast, you’re safe, right? Wrong. In this sobering talk, atmospheric scientist Brian Toon explains how even a small nuclear war could destroy all life on earth — and what we can do to prevent it.
A professor in the Department of Atmospheric and Oceanic Sciences at the University of Colorado-Boulder, Brian Toon investigates the causes of the ozone hole, how volcanic eruptions alter the climate, how ancient Mars had flowing rivers, and the environmental impacts of nuclear war.
He contributed to the U.N.’s Nobel Peace Prize for climate change and holds numerous scientific awards, including two NASA medals for Exceptional Scientific Achievement. He is an avid woodworker. This talk was given at a TEDx event using the TED conference format but independently organized by a local community.
” (…) Is the relationship so adversarial that there is no hope of composing even parts of it? And therefore, must every issue be dealt with in terms of relative position, and therefore, it’s the best hope of restraint, self restraint of leaders on both sides.”
Pepe Escobar(1954) é um jornalista e analista geopolítico brasileiro. Sua coluna “The Roving Eye” para o Asia Times discute regularmente a “competição multinacional pelo domínio sobre o Oriente Médio e a Ásia Central”.
Por Pepe Escobar, postado com permissão do autor e cruzado com The Cradle
As narrativas ocidentais retumbantes e diárias sobre “vitórias ucranianas” e “derrotas russas” sustentam a falta de uma Grande Estratégia real e coesa contra Moscovo.
Guerras não são vencidas com tácticas e narrativas – elas exigem uma Grande Estratégia. A Rússia tem um plano mestre por trás de suas operações militares na Ucrânia, mas o Ocidente tem um?
Embora todos conheçamos Sun Tzu, o general chinês, estrategia militar e filósofo que escreveu a incomparável Arte da Guerra, menos conhecido é o Strategikon, o equivalente bizantino na guerra.
Bizâncio do século VI realmente precisava de um manual, ameaçado como estava do leste, sucessivamente pela Pérsia sassânida, árabes e turcos, e do norte, por ondas de invasores das estepes, hunos, ávaros, búlgaros, semi-nómadas turcos pechenegues e magiares.
Il y a une petite odeur d’ex-Yougoslavie dans cette guerre ukrainienne. Souvenez-vous, c’était il y a trente ans à peine. Le mur de Berlin s’était effondré deux ans plus tôt. Plus au sud, la Yougoslavie, née de l’effondrement de l’empire austro-hongrois et proche culturellement de la Russie, craquait de partout.
Trente ans plus tard, le sang coule à nouveau sur les débris du monde communiste. Trente ans plus tard, une jeune nation défend à nouveau son indépendance des anciens empires. Hier la Slovénie, la Croatie et la Bosnie-Herzégovine. Aujourd’hui l’Ukraine. Comme l’écrit Jean Quatremer dans Libération, ce conflit est en quelque sorte un conflit « gelé » directement surgi du passé. Tout se passe comme si, pour se protéger des avancées de l’OTAN, Poutine menait avec quelques décennies de retard les guerres qui auraient dû avoir lieu au moment de l’effondrement du bloc soviétique.
Mais, il y a une différence de taille entre 1991 et 2022. Le géant américain ayant opéré son virage stratégique vers le Pacifique et la Chine, il est dorénavant hors de question que l’OTAN intervienne directement comme le fit Bill Clinton en ex-Yougoslavie. On peut même se demander si le président américain n’a pas précipité cette intervention en révélant publiquement que jamais il ne risquerait la vie d’un seul G.I. pour sauver Kiev, et encore moins Kharkov, Marioupol ou Odessa. En diplomatie, on ne sort de l’ambiguïté qu’à ses propres dépens.
Está muito difundida a teoria que o escritor Lourenço Mutarelli ficcionou num romance a que deu o título:A arte de produzir efeito sem causa (2008). Uma reflexão acerca dos fenómenos da desrazão (da ilógica) e do nonsense. Uma tese sobre o absurdo, que renega o princípio lógico da causalidade, que determina que todo efeito deve ser consequência de alguma causa.
A afirmação muito explorada de que na Ucrânia ocorre uma invasão determinada por um imperador louco, assenta na crença de que os grandes fenómenos sociais, como uma grande guerra, uma grande revolução, um fenómeno de domínio como o colonialismo, ou a escravatura, por exemplo, podem não ter outra causa se não o impulso emocional e descontrolado de um homem. Há até historiadores e cientistas ditos sociais que defendem com arreganho a tese de que há uma invasão sem causa, apenas determinada por um ser diabólico que habita um palácio assombrado, com enormes mesas e tetos altos!
As centrais de manipulação de massas, que existem com vários nomes, umas públicas, diretamente dependentes dos Estados e outras privadas: Agências de Comunicação, de Relações Publicas, de Publicidade, com assessores contratados entre antigos políticos ou jornalistas avençados, conseguiram fazer passar a mensagem de que a Rússia tinha invadido a Ucrânia sem razão, apenas por puro imperialismo ou paranoia de um antigo agente do KGB apoiado por um sinistro Rasputine, a que foi dado o nome de Lavrov!
O presidente chinês, Xi Jinping, pediu hoje ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que promova uma “perceção correta” da China na União Europeia (UE) e evite o confronto entre blocos, que considerou representar uma ameaça à segurança e estabilidade.
Em conversa telefónica, a primeira desde a reeleição de Macron, no mês passado, Xi transmitiu ao seu homólogo querer que a França “incentive uma perceção correta da China na UE e trabalhe na mesma direção, gerindo diferenças e construindo uma maior cooperação comercial e de desenvolvimento ‘verde’ e digital”.
De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Xi Jinping também expressou a Macron esperança de que França — enquanto país que detém a presidência rotativa do bloco europeu – desempenhe um papel positivo no desenvolvimento das relações China-UE.
Personalidades Políticas que se consideram estar particularmente bem posicionadas para ajudar a encontrar o caminho da Paz, com Concórdia e Visão Humanista e Cosmopolita do Futuro da Humanidade.(vcs)
—
Political Personalities who are considered to be particularly well placed to help find the way to Peace, with Concord and a Humanist and Cosmopolitan Vision of the Future of Humanity.(vcs)
Clique no título para comentar | Click on title to comment
Em sua videocoluna para a DW, Pepe Mujica fala sobre a responsabilidade da Europa em relação à guerra na Ucrânia e afirma que o Velho Continente não aprendeu com as guerras do passado. Segundo Mujica, a dissolução mal feita da Guerra Fria e a inércia europeia ao observar a expansão da Otan em direção ao Leste Europeu permitiu a germinação do conflito atual.
“Hoje temos uma Europa pálida, que não soube continuar com o processo que havia sido iniciado com [Charles] De Gaulle, com [Konrad] Adenauer, de construir uma paz longa e duradoura que obviamente tinha que chegar aos Urais”, disse Mujica. “E agora a Europa está em conflito porque mais uma vez caímos na doença do nacionalismo.”
Mujica reafirma que a guerra na Ucrânia impacta o mundo inteiro e que as consequências são sentidas até mesmo em regiões longínquas do conflito. “A Europa tem uma responsabilidade gigantesca. Seria bom que ela tenha a coragem de assumir isso”, concluiu.
A Odisseia de Homero vista por um agente de viagens. Há um invadido e um invasor. Um Mau e um Bom! Mas onde raio está o cavalo de Troia?
No século VIII a.C., Homero escreveu a Ilíada, apontada como o livro inicial da literatura ocidental, onde versava sobre a Guerra de Troia. O segundo livro, Odisseia, dava conta do que aconteceu depois da batalha, quando Ulisses tentava regressar.
Um dos seus aspetos mais notáveis da epopeia é o modo como está construída, com um início in media res, que foi reproduzido em inúmeras obras posteriores. Uma sofisticada técnica literária que permite entrar na metade da história, revelando os eventos que aconteceram antes através de memórias e flashbacks.
A Odisseia é uma narrativa política e histórica complexa, que que trata entre outros temas do papel da mulher na sociedade — Penélope; fantástico e que versa sobre a descoberta de outros mundos — Poseidon; do poder, do encantamento, da vingança — Ulisses.
O custo de vida, a inflação, os baixos salários, a pandemia, o encerramento de empresas a exploração desenfreada de imigrantes ( os mais escuros e ou de língua latina sul americana) só por si justificavam uma Frente Insubmissa.
Mas temos muitas mais razões para procurar aprender com Mélenchon porque na realidade vivemos num único planeta entre toda a nossa diversidade.
Tenho aprendido ainda mais sobre este mundo único, entre gente boa Bahai, que recusam a intervenção política, mas realmente nada como regressar aos dias internacionalistas e repensar em vez de rejeitar a Globalização.
As Esquerdas em Portugal entraram quase todas em circuito derrotista, umas, e em lógicas de caridadezinha feita, outras, e todas estas em absoluta submissão a uma democracia linha direitista expansionista estadunidense, este sr. Biden cujo problema não é ter dificuldade em andar (eu tenho), mas sim em pensar ( eu lá me vou esforçando).
As Esquerdas acima, fingem desconhecer que a inflação e o aumento do custo de vida vem da guerra na Ucrânia, e da venda de armas ( ultra concentração da riqueza) como há muito não se via !
Sobre as razões da desordem do mundo, o nosso Padre António Vieira (1608-1697) soube definir com clareza, não só as duas categorias principais que permitiriam substituir o caos pela ordem como também a respetiva prioridade entre elas: “Abraçaram-se a justiça e a paz, e foi a justiça a primeira que concorreu para este abraço. Porque não é a justiça que depende da paz (como alguns tomam por escusa) senão a paz da justiça” (Sermão ao Enterro dos Ossos dos Enforcados).
A tese de que é à justiça que cabe criar as condições para a paz, parece ser confirmada tanto pela razão como pela longa experiência da história doméstica dos povos. A injustiça praticada por classes e fações sobre outras pode conviver, temporariamente, numa aparente ausência de conflito, mas nunca como uma paz solidamente ancorada. Contudo, já no plano internacional essa regra não se aplica universalmente. Vejamos o caso da guerra que nos tira o sono. A invasão russa da Ucrânia configura o crime de agressão de um Estado a outro, curiosamente, introduzido no direito internacional depois da II guerra mundial pela ação do jurista soviético Aron Trainin (1883-1957).
A Operação Z é a primeira salva de uma luta titânica: três décadas após a queda da URSS, e 77 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, após uma avaliação cuidadosa, o Kremlin está a rearranjar o tabuleiro de xadrez geopolítico para acabar com a hegemonia unipolar da “nação indispensável”. Não admira que o Império das Mentiras tenha ficado completamente louco, obcecado em expulsar completamente a Rússia do sistema Ocidental.
Os Estados Unidos e os seus cachorros da OTAN não conseguem lidar com a sua perplexidade quando confrontados com uma perda espantosa: já não há direito de permitir o uso exclusivo da força geopolítica para perpetuar “os nossos valores”. Acabou-se a Dominação de Largo Espectro.
O Estado Profundo dos EUA está a explorar plenamente o seu plano de ação na Ucrânia para mascarar um ataque estratégico à Rússia. O “segredo” era forçar Moscovo a entrar numa guerra intra-eslava na Ucrânia para quebrar o Nord Stream 2 – e assim o fornecimento à Alemanha dos recursos naturais russos. Isto acabaria – pelo menos num futuro previsível – com a perspetiva de uma ligação russo-alemã bismarckiana que levaria os EUA a perderem o controlo da massa terrestre eurasiática que vai do Canal da Mancha ao Pacífico, a favor de um pacto emergente China-Rússia-Alemanha.
Esta é a minha Europa, não como a queria, mas a que resta do sonho visionário, daquele projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes e do maior desastre de origem humana de toda a História.
O Dia da Europa, criado em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, precursora da União Europeia.
Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebra o dia das Europa em ambiente lúgubre, bem diferente do que merecia, a estimular uma guerra nas suas fronteiras em vez de lutar pela paz.
A convicção de que a UE é um espaço civilizacional de que nos devemos orgulhar, fator de paz e de progresso, oásis democrático onde a justiça social e a laicidade dos Estados devem ser aprofundadas, tornou-me um europeísta militante, grato pela notável postura deste espaço civilizacional onde o aprofundamento da integração económica, social e política é vital para a sobrevivência coletiva.
[Tradução de parte de um artigo que espelha uma visão muito possível de se concretizar]
Para os geostrategistas, Taiwan será provavelmente o próximo alvo. O mundo está à beira de uma nova Guerra Fria ou talvez de uma nova guerra mundial, que nem sequer será um pouco fria: será sim nuclear e terminal, podendo representar o ponto final para a humanidade.
É este o preço de lutar pela “democracia e liberdade” (um chavão que esconde o facto de que milhares são carne para canhão ao serviço dos interesses corporativos dos EUA e do “Ocidente”). Trata-se de enfraquecer a Rússia e também de estimular a sua própria indústria militar, e para alcançar isso, Washington continua a subjugar os europeus, obrigando-os a apoiar as suas directivas, mesmo que possam sofrer um bombardeamento nuclear da Rússia, ao mesmo tempo que já estão a ficar sem gaz, trigo, outros cereais e alimentos, além de outros bens.
Alguns geostrategistas afirmam que para os EUA esta é uma “proxy-war”, uma guerra que é feita por uma espécie de executor substituto: são os EUA contra a Rússia, mas usam a Ucrânia como executor e campo de aniquilação, para o qual aplicam a ultradireita neonazi no governo (aí colocada com o apoio, financiamento e direcção da CIA e da OTAN). Mas isto não se limita à Ucrânia, fazendo parte de uma ofensiva maior, de alcance global e voltada para a China e os seus possíveis aliados.
Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se aos aliados ocidentais e, no dia seguinte, à URSS e seus aliados do Leste, terminando a maior e a mais trágica guerra de sempre, ainda que a Guerra só terminasse de jure com a posterior rendição do Japão.
Acabou nesse dia a 2.ª Guerra Mundial na Europa. Dez dias antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a amante, Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, e a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto.
O Alto Comando alemão, gorada a tentativa de assinar a paz com os aliados ocidentais, rendeu-se, sem condições, em 8 de maio de 1945. Nesse dia começou o fim do pesadelo que o nacionalismo, a xenofobia e o racismo provocaram, desde o dia 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia, perante a conivência de muitos polacos. A Alemanha, ignorando o tratado de Versalhes, começou a guerra de expansão com fortes apoios em países invadidos. A Espanha, vítima da barbárie de Franco, vivia o medo, silêncio e luto de 1 milhão de mortos, desaparecidos e refugiados, e as ditaduras ibéricas sobreviveram à sua matriz nazi/fascista até à morte dos respetivos ditadores.
Quando parecem esquecidos os crimes do nazi/fascismo e o maior plano de extermínio em massa de que há memória, regressam fantasmas e surgem velhos demónios, como se o Holocausto não tivesse ocorrido e os fornos crematórios não tivessem assassinado milhões de judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, na orgia cruel de que a loucura nacionalista foi capaz.
O nazi/fascismo levou a guerra a África e à Ásia e, na Europa, não foram os europeus que o derrotaram, foram os EUA e a URSS que vieram esmagar a besta nazi contra a qual a coragem e abnegação dos resistentes foram impotentes.
Após a implosão da URSS, na improbabilidade de regresso dos partidos comunistas ao poder, deixou de haver desculpas para a extrema-direita e atenuantes para a xenofobia, o racismo, a homofobia, o antissemitismo e todos os crimes de ódio de que uma alegada supremacia rácica é capaz.
A capitulação alemã, 8 de maio de 1945, foi fundamental para a História mundial. Os historiadores comparam-na à Reforma Protestante e à Revolução Francesa. Recordar o nazismo é refletir sobre a violência do Estado, erradicar o antissemitismo e homenagear todas as vítimas que ao longo da história foram perseguidas por preconceitos religiosos, étnicos e culturais.
É urgente recordar a História porque a repetição da tragédia é já uma ameaça. Sente-se o despertar de demónios totalitários que originaram a maior tragédia do século XX.
O jornalista e escritor diz ao DN que o conflito na Ucrânia marca uma nova desordem global e o regresso da competição geopolítica ao palco mundial, após 30 anos de rara ausência. Fala ainda do papel da China, das dúvidas sobre o embargo à energia russa e de como a resposta americana pode mudar em 2024, com o fantasma de Trump sobre a mesa.
Apresentador do programa GPS na CNN e colunista do Washington Post sobre política internacional, Fareed Zakaria vai ser o principal orador da QSP Summit, conferência de gestão e marketing que decorrerá no Porto em junho (28 a 30), e concedeu uma entrevista telefónica ao DN para abordar os desenvolvimentos da guerra na Ucrânia.
Temos já 70 dias de guerra na Ucrânia e muito aconteceu desde finais de fevereiro, desde o reforço da NATO à mudança na política de defesa na União Europeia ou à disrupção no mercado de energia… É toda uma nova ordem global que está em jogo na Ucrânia?
Eu diria mais que está em jogo uma nova desordem global. Porque o que está a acontecer é que a ordem mundial pós-Guerra Fria foi rompida. E essa ordem estava baseada na ideia de que não havia nenhuma grande disputa geopolítica entre as maiores potências mundiais. Os países mais poderosos do mundo não estavam em competição geopolítica ativa. Nos anos 90, a Rússia era um caixote do lixo, a economia tinha contraído uns 50%, a China valia 1% do Produto Interno Bruto mundial e as outras grandes potências eram aliadas próximas dos EUA: Alemanha, França, Japão, Reino Unido… Foi um período muito pouco usual na História. E permaneceu durante 30 anos, apesar de a China ter crescido e de a Rússia ter reerguido a sua economia, porque o domínio dos EUA era muito evidente.
“A segurança é um pré-requisito para o desenvolvimento; e a Humanidade é uma comunidade de segurança indivisível” – afirmou o Presidente chinês, Xi Jinping, no discurso que proferiu, por videoconferência, na cerimónia de abertura da Conferência Anual de 2022 do Fórum do Boao para a Ásia (na quinta-feira, dia 21).
“Xi Jinping propôs uma iniciativa de Segurança Global, propondo-se contribuir, “com a sabedoria e a experiência chinesa”, para enfrentar as mudanças sem precedentes que ocorrem no Mundo.
Analisando os cinco discursos feitos pelo Presidente chinês, desde 2013, no Forum de Boao para a Ásia, verifica-se que “segurança” tem sido sempre uma palavra-chave.
No Forum deste ano, as questões de segurança são ainda mais evidentes, por causa da situação internacional – referem os dirigentes chineses, apontando “a eclosão da crise na Ucrânia, devido à contínua expansão da NATO”, até à formação, pelos Estados Unidos, de grupos de interesses. E acrescentam que a paz está a tornar-se cada vez mais frágil, mas também mais preciosa para o Mundo.
O Papa Francisco afirmou que quem andou a atear fogueiras à porta dos vizinhos é responsável pelas más respostas dos vizinhos — em claro, falava da Ucrânia de Zelenski e das provocações que fez à Rússia a mando dos Estados Unidos. Uma pedrada no charco das breaking news. Rapidamente abafada. Também tu, Francisco?
Lula da Silva, candidato à presidência do Brasil, deu uma entrevista à revista Time onde a propósito da guerra na Ucrânia afirmou que Zelenski é tão culpado pelo conflito quanto o presidente russo Vladimi Putin. Em resposta ao repórter, que afirmou que Zelensky não quis a guerra, que a guerra foi até ele, Lula respondeu: “Ele [Zelensky] quis a guerra. Se ele não quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim. Eu fiz uma crítica ao Putin quando estava na Cidade do México, dizendo que foi errado invadir. Mas eu acho que ninguém está procurando contribuir para ter paz. As pessoas estão estimulando o ódio contra o Putin. Isso não vai resolver. É preciso estimular um acordo.”
Os fazedores de opinião na Europa deitaram as mãos aos cabelos. Já li por aqui nas redes afirmações de antigos adeptos do papa e de Lula a rasgarem os cartões de sócios. Estavam enganados com estes dois apóstolos: são filhos de satanás disfarçados!
Pensando, antes de murmurar abrenúncio:
O Papa Francisco e Lula são duas personalidades do que se designou Terceiro Mundo, dois latino-americanos, que têm uma visão do mundo anti-imperialista e conhecem bem a estratégia dos Estados Unidos — o apoio às ditaduras sul americanas, a violenta exploração de recursos, a elevação de criminosos e ditadores aos mais altos postos da política das suas colónias sul-americanas. A pulsão totalitário do império mundial. Nem o argentino Bergoglio, agora papa, nem o brasileiro Lula têm qualquer ilusão sobre a bondade das intervenções dos EUA em qualquer parte do mundo. Sabem que Zelenski é apenas mais uma marioneta entre tantas que conheceram, Somoza, Videla, Figueiredo, Pinochet… se quisermos ir mais longe, Mobutu, do Congo, os Saud da Arábia, o Marcos das Filipinas…
Acresce, quanto a Lula. A sua declaração faz todo o sentido em termos dos interesses do Brasil (curiosamente não são distintos dos que os militares que ainda apoiam Bolsonaro defendem): O Brasil é a grande potência regional da América do Sul e quer continuar a ser, o que implica ser liderante, ser o mais autónoma possível dos Estados Unidos. O Brasil pretende continuar a pertencer ao grupo dos BRIC, as grandes potências do próximo futuro — Brasil, Rússia, India, China, Africa do Sul — que representam cerca de ¾ da população mundial. Lula quer para o Brasil a liberdade de decisão estratégica que a União Europeia abdicou de ter, submetendo-se de pés de mãos aos EUA. É raiva (não acredito em vergonha) a origem do escarcéu que os órgãos de manipulação ocidentais estão a fazer contra Lula. Com acompanhamento de algumas personalidades (portuguesas) que vêm a política como um conjunto de atos piedosos. Infelizmente a piedade não é um valor na política! Nenhum dos portugueses que é costume citar como grandes portugueses se distinguiu pela piedade, Afonso Henriques, Pedro, o cru, João II, Afonso de Albuquerque, o Marquês de Pombal, Salazar… O mais estranho piedoso da História de Portugal foi o jovem Sebastião, que desfez a nossa ideia de independência!
Quanto ao Papa. O Papa Francisco é o primeiro chefe de uma Igreja Mundial originário de fora da Europa. Ele pretende que o catolicismo sobreviva ao neoliberalismo — o sistema imposto pelos EUA — e ao islamismo — a religião que mais cresce no planeta. Um caminho minado. O papa católico não pode colocar o catolicismo ao serviço do complexo militar industrial dos EUA, do Pentágono, de Wall Street ou do quartel general de Bruxelas da NATO. Ele não pode aparecer aos olhos do mundo como um chefe da religião dos brancos europeus e americanos contra a Rússia.
Francisco não pode ser uma nova versão papa polaco Wojtyla (JPII) ao serviço da estratégia americana contra a URSS nos anos 80 do século passado e não pode perder o tal Terceiro Mundo que aspira a relações equilibradas entre potências, porque essa relação de equilíbrio de poderes lhe é vantajosa… A guerra da Ucrânia ameaça romper um relativo equilíbrio de poderes. Um sistema triangular é uma aspiração razoável dos povos de todo o mundo, que o Papa defende…
Os americanos entendem que o que é bom para a América é bom para o mundo. É um convencimento que não corresponde à realidade presente nem à que se afigura num futuro próximo, mas eles são assim e vêem-se assim. Alguns europeus continuam a ver-se como o centro da civilização planetária. Viajam pouco. Bruxelas não é o centro do mundo. Londres ainda menos.
Os europeus já não contam (ou contam muito pouco) para o mundo para o qual o papa Francisco e Lula da Silva falam. Ambos sabem quem é o Deus desta guerra… é para ele que estão a falar.
Para os interessados o link do Jornal Globo com as declarações de Lula da Silva:
NOTA DO COORDENADOR DO SITE (que me perdoe o Carlos Matos Gomes): tomei a liberdade de colocar 4 fotos de oito personalidades de projeção mundial no final do texto.
Porquê?
Porque penso que são as pessoas indicadas e mais bem posicionadas neste momento para ajudar a encontrar rapidamente o caminho da Paz, com Concórdia e Visão Humanista e Cosmopolita do Futuro da Humanidade. (vcs)
O comunista António Filipe escreve uma carta a Daniel Oliveira para contestar as críticas que este fez ao PCP por causa da posição sobre a Ucrânia.
Meu caro Daniel Oliveira,
Desde muito jovens que somos militantes de muitas causas e que nos cruzamos nesta vida. Encontramo-nos acidentalmente com alguma frequência, trocamos impressões com enorme cordialidade sobre os mais variados assuntos, fundamentalmente sobre a vida política, que acompanhamos apaixonadamente. Sabemos do que cada um de nós vai escrevendo e dizendo em público. Temos imensos amigos comuns e creio poder dizer que somos amigos. Concordamos muitas vezes e discordamos outras tantas, mas temos em comum o facto de, como escreveu José Fanha, trazermos o mês de abril “a voar dentro do peito”.
“ A concentração de poder económico em meia dúzia de pessoas teria, cedo ou tarde, consequências políticas sérias. A capacidade de companhias, como a Amazon, a Apple, a Microsoft, o Facebook ou o Twitter, abafarem a possibilidade de empresas do setor fazerem concorrência foi só o princípio (e como noutros momentos da História não faltaram avisos) de um controlo assustador. Ninguém pode admirar-se se o próximo passo for a conquista do poder político, e, para isso, nada mais eficaz do que controlar a opinião, gerar desejos, criar perceções. Dinheiro não é problema.”
Francisco disse que a NATO “ladrou” à porta da Rússia e que isto pode ter provocado a invasão da Ucrânia. Quanto à visita aos países em guerra, o Papa explicou que primeiro quer ir a Moscovo e referiu que sente que não tem de ir à Ucrânia.
“Ele [Zelensky] fica se achando o rei da cocada, quando na verdade deveriam ter tido conversa mais séria com ele: ‘Ô, cara, você é um bom artista, você é um bom comediante, mas não vamos fazer uma guerra para você aparecer’. E dizer para o Putin: ‘Ô, Putin, você tem muita arma, mas não precisa utilizar arma contra a Ucrânia. Vamos conversar!'”
De um lado, petróleo e gás para manter a economia da Alemanha, a maior da Europa, rodando. Do outro, muito dinheiro – que virou uma das mais importantes fontes de renda para a Rússia, um país hoje alvo de muitas sanções. Alemanha e a Rússia criaram uma grande interdependência econômica nas últimas décadas. Mas, agora, com a guerra na Ucrânia, essa relação está sendo colocada em xeque. A repórter Nathalia Passarinho conta neste vídeo quais são as origens históricas dessa relação, a delicada situação econômica que aproxima os dois países e como eles têm se posicionado atualmente.
“Apelamos enquanto seres humanos para seres humanos:
Lembrem-se da vossa humanidade e esqueçam o resto”
A Diana Andringa, em tempo infelizmente oportuno, tem vindo a lembrar o Manifesto Russell-Einstein, lançado em Londres , por Russell e Einstein, a 9 de julho de 1955, em plena Guerra Fria. Um apelo humanista ao fim da guerra, e do fabrico e uso de armas de destruição maciça, assinado por onze importantes cientistas e intelectuais . Alertavam então a comunidade internacional para os perigos da proliferação de armamento nuclear, e aos líderes das principais potencias nucleares para a urgência de soluções pacíficas para os conflitos internacionais. É hora de o relembrar…
—— /// ——
Albert Einstein e Bertrand Russel:
“Here, then, is the problem which we present to you, stark and dreadful and inescapable: Shall we put an end to the human race or shall mankind renounce war?”
In the tragic situation which confronts humanity, we feel that scientists should assemble in conference to appraise the perils that have arisen as a result of the development of weapons of mass destruction, and to discuss a resolution in the spirit of the appended draft. We are speaking on this occasion, not as members of this or that nation, continent, or creed, but as human beings, members of the species Man, whose continued existence is in doubt. The world is full of conflicts; and, overshadowing all minor conflicts, the titanic struggle between Communism and anti- Communism. Almost everybody who is politically conscious has strong feelings about one or more of these issues; but we want you, if you can, to set aside such feelings and consider yourselves only as members of a biological species which has had a remarkable history, and whose disappearance none of us can desire. We shall try to say no single word which should appeal to one group rather than to another. All, equally, are in peril, and, if the peril is understood, there is hope that they may collectively avert it.
O coro hipócrita de muitos dos que agora choram lágrimas de crocodilo pela Ucrânia inclui os agressores da Jugoslávia.
Alguns que agora se sentem tão chocados por haver “guerra na Europa” operaram ou foram cúmplices na bárbara destruição e desmembramento de um país europeu.
Um deles é o amnésico António Guterres, então primeiro-ministro do nosso país, responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na «coligação» que bombardeou a República da Jugoslávia.
A 24 de Março de 1999 iniciaram-se os bombardeamentos da aviação da NATO à Jugoslávia. Durante 78 dias, cumpriram 38 mil missões, das quais 11 mil de bombardeamento, com mais de 23 mil bombas e mísseis.
Os bombardeamentos da NATO, que se iniciaram sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, lançaram entre dez a 15 toneladas de urânio empobrecido, que provocaram um número indeterminado de mortos por cancros causados pelas radiações, e fizeram aumentar cinco vezes os casos relacionados com doenças oncológicas.
Os ataques aéreos deixaram o país em ruínas, com milhares de mortos, incluindo civis, e dezenas de milhar de feridos, para além do desastre ambiental que provocou.
Em 2019, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, teve a desfaçatez de afirmar, durante uma conferência com estudantes na Universidade de Belgrado, que os bombardeamentos da Jugoslávia em 1999 foram para «proteger os civis e travar o regime» do então presidente, Slobodan Milosevic.
Neste ataque, ficou célebre a madrugada do dia 23 de Abril de 1999, quando a NATO bombardeou a sede da Rádio e Televisão da Sérvia (RTS), em Belgrado, transformado em alvo militar a abater pelo facto de revelar a agressão à Jugoslávia e uma realidade não conforme com a que foi fabricada pelo Ocidente, nomeadamente evidenciando as consequências dos ataques da Aliança Atlântica a pontes, comboios, mercados e fábricas.
António Guterres, secretário-geral da ONU, que afirmou recentemente não fazer «qualquer sentido» a guerra na Ucrânia, sublinhando que a operação russa «viola a Carta das Nações Unidas e causará um nível de sofrimento que a Europa não conhece desde pelo menos a crise dos Balcãs dos anos 90», enquanto primeiro-ministro de Portugal foi responsável pelo envolvimento de tropas portuguesas na coligação que bombardeou a República da Jugoslávia, sob a hegemonia da NATO, dos EUA de Bill Clinton e do Reino Unido de Tony Blair.
Foto: Guerra na Jugoslávia – invadida pelos EUA/NATO
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta quinta-feira que “uma guerra no século XXI é um absurdo”, durante uma visita a Borodianka, nos arredores da capital da Ucrânia, perante um cenário de casas em ruínas.
Borodianka é uma das localidades onde os ucranianos acusam os russos de terem cometido crimes durante a ocupação da região em março.
Na sua primeira visita à Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, António Guterres tem encontro marcado para esta tarde com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tendo visitado também durante a manhã as localidades de Bucha e Irpin.
Em Bucha, o secretário-geral das Nações Unidas sublinhou a importância de uma investigação sobre a eventuais crimes de guerra.
26/04/2022 | Na conferência conjunta com Lavrov realizada em Moscovo e há pouco terminada, retive a seguinte afirmação de António Guterres, talvez as mais importantes e surpreendentes produzidas nos últimos dois meses: «compreendo as preocupações russas» [a respeito do incumprimento pela Ucrânia dos acordos assumidos e não cumpridos por Kiev em Minsk].
Guterres toca no equilíbrio do sistema internacional, frisando que a paz no mundo multipolar depende do aprofundamento do multilateralismo, ou seja, reconhece que a instabilidade presente resulta do não reconhecimento [pelos EUA, outrora potência unipolar] da realidade de hoje.
Quanto às declarações de Lavrov a respeito da inquietante presença de grupos e elementos extremistas nas fileiras das forças ucranianas, Guterres nada disse, como que reconhecendo um fundo de razoabilidade em tais acusações russas.
A classe diplomática (dos EUA) esqueceu completamente as advertências de “George Washington” sobre relações especiais com nações estrangeiras.
O governo Biden está apostando tudo na Ucrânia. As autoridades (americanas) estão abandonando cada vez mais a cautela necessária para evitar que os Estados Unidos se tornem co-beligerantes contra a Rússia.
Sucedem-se carregamentos de armas para Kiev e as entregas já se fazem abertamente. É importante ressaltar que o governo mudou seus objetivos de “ajudar a Ucrânia” para “enfraquecer a Rússia”.
Tanto o presidente George Washington quanto o secretário de Estado John Quincy Adams alertaram os americanos sobre este tipo de comportamento. No entanto, já não é a primeira vez nos últimos anos que isto acontece nos EUA. Os funcionários parece que se esquecem de qual o país que deveriam representar.
Em agosto de 2008, os EUA aproximaram-se do limite com a Rússia sobre a república da Geórgia. Depois de tirar vantagem da fraqueza de Moscovo no pós-Guerra Fria, empurrando a OTAN cada vez mais para o leste e desmantelando a Iugoslávia no conflito sobre Kosovo, o governo George W. Bush prometeu adicionar a Ucrânia e a Geórgia à aliança “transatlântica”.
Uma das mais conhecidas e absurdas separações políticas foi a que separou o império romano cristão do Ocidente (Roma) do império romano cristão do Oriente (Constantinopla) no século IV por causa da célebre e decisiva questão que ficou conhecida como a “Querela Trinitária”. Discutida no concílio de Niceia.
Os cristãos dividiram-se, em termos muito simples, por causa de uns duvidarem da divindade do Espirito Santo e considerarem o Pai superior ao Filho, e outros considerarem a unidade da Trindade.
A pergunta de sempre e até hoje é: Afinal separaram-se porquê se eram iguais e tinham a mesma visão do mundo com início numa semana de sete dias, no mesmo Deus que mandara Abraão sacrificar o filho só para lhe testar a obediência, entre tantos outros factos extraordinários, aos quais pouco alterava haver um Deus em três ou três num Deus?
Hoje, perante o comportamento do Reino Unido e da União Europeia quanto ao decisivo e de consequências não imaginadas conflito que tem lugar na Ucrânia, a pergunta, a minha pergunta, é, porque saiu do Reino Unido da União Europeia, ou: porque não aceitou a União Europeia as condições do Reino Unido para este permanecer no clube?
O termo “classes médias” não tem uma definição universal, mas sabemos que nas modernas sociedades são elas que pagam as contas. São os explorados de boa vontade e animados com a fé de serem colaboradores dos ricos.
A classe média é um grupo social em que o trabalho foi substituído pela colaboração. A doutrina do neoliberalismo separou os seus elementos dos trabalhadores (assalariados) ao convencê-los que o seu bem-estar futuro se deve à sua iniciativa individual, à sua agressividade, à sua disposição para fazerem tudo, à certeza de que os fins justificam os meios, da inutilidade de ações coletivas, de políticas sociais, da solidariedade.
O medo que o comunismo conquistasse os trabalhadores e as classes médias europeias fora a razão da criação do estado de social na Europa, conduzido pelas sociais-democracias e pelas democracias cristãs. Uma das causas da II Guerra Mundial, da ascensão do nazismo e da complacência da Inglaterra e dos EUA foi o medo que o comunismo destronasse o regime de domínio dos patrões. O fim da URSS ditou o fim desse medo e abriu caminho ao neoliberalismo, ao fim do Estado social a que estamos a assistir, juntamente com o fim dos partidos tradicionais na Europa continental.
A ida de Boris Johnson a Kiev, ao encontro de Zelensky, põe a nu alguns factos que não nos podem escapar.
A versão oficial é a de que Boris foi à Ucrânia num avião britânico, tendo provavelmente aterrado num aeroporto militar polaco próximo de Lublin. E que depois tomou um comboio normal ucraniano até Kiev.
E ninguém soube antes de nada. Nem mesmo uma das toupeiras de Moscovo infiltradas nos altos meios britânicos, coisa que tem imensa tradição. E por que foi às escondidas, enquanto Ursula von ser Leyen foi esta semana às claras? E tudo correu bem.
Além destes casos, há ainda o de Zelensky. A inteligência militar russa também sabe onde ele está e podia acabar com ele, caso quisesse.
Ora nada disso acontece. Porque há uma espécie de entendimento secreto entre as várias potências envolvidas para se conterem nos seus limites. Só pode.
É importante não acreditar em tudo o que se vê e se relata. Nada disto bate certo. E há quem saiba já como este drama vai acabar, embora faltem os pormenores.
“O presidente Biden e o partido único da política externa, estão restaurando a condição estratégica que Washington temia em 1940.
Os americanos acham difícil determinar se as decisões políticas do governo Biden em relação à Ucrânia são produto de uma estratégia deliberada, incompetência extraordinária ou alguma combinação de ambos. Ameaçar a Rússia, uma potência com armas nucleares, com mudança de regime e, em seguida, anunciar uma política de armas nucleares que permite o uso de armas nucleares nos Estados Unidos sob “circunstâncias extremas” – respondendo a uma invasão por forças convencionais, ataques com armas químicas ou biológicas – sugere que o presidente Biden e seu governo realmente estão fora de contato com a realidade.
Os eleitores americanos compreendem instintivamente a verdade de que os americanos não têm nada a ganhar com uma guerra com a Rússia, declarada ou não. Uma curta viagem a quase qualquer supermercado ou posto de gasolina nos Estados Unidos explica o porquê. Na semana passada, a inflação atingiu seu ponto mais alto em quase 40 anos e os preços da gasolina dispararam desde o início do conflito na Ucrânia.
Graças à disseminação ininterrupta da mídia ocidental de imagens desfavoráveis dos líderes russos e seus militares, parece que o presidente Biden é capaz de adotar qualquer narrativa que se adeque ao seu propósito. No entanto, obscurecer as verdadeiras origens desse trágico conflito – a expansão da OTAN para o leste para incluir a Ucrânia – não pode alterar a realidade estratégica. Moscovo não pode perder a guerra com a Ucrânia mais do que Washington poderia perder uma guerra com o México.
A guerra de anos prevista pelo general Mark Milley é uma Segunda Guerra Fria que arrisca a Terceira Guerra Mundial. Não é do interesse da América prolongar este conflito.
Falando da guerra de sete semanas na Ucrânia desencadeada por Vladimir Putin, o general Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto, está nos alertando para esperar uma guerra que dure anos.
“Acho que este é um conflito muito prolongado… medido em anos”, disse Milley ao Congresso. “Eu não sei se uma década, mas pelo menos anos, com certeza.”
Como nossa primeira resposta, disse Milley, devemos construir mais bases militares na Europa Oriental e começar a girar as tropas dos EUA dentro e fora.
No entanto, isso soa como uma receita para uma Segunda Guerra Fria que a América deveria evitar, não lutar. Pois a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, embora um objetivo declarado da política dos EUA, não é um interesse vital dos EUA para justificar o risco de uma guerra calamitosa com a Rússia.
A prova dessa realidade política está nos fatos políticos.
Durante 40 anos da Guerra Fria, a Ucrânia foi parte integrante da União Soviética. Em 1991, Bush I advertiu os secessionistas ucranianos, que queriam romper os laços com a Rússia, a não se entregarem a tal “nacionalismo suicida”.
E embora tenhamos trazido 14 novas nações para a OTAN depois de 1991, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama nunca trouxeram a Ucrânia.
25/03/22 – Ucrânia completou um mês de seu território invadido pela Rússia. Analistas do mundo inteiro convergem em pontos fundamentais: não há milagres em guerras. Se a OTAN não pode ajudar a Ucrânia, simplesmente os ucranianos estão jogados à própria sorte.
O Triunfo da Morte (c.1562) de Bruegel, o Velho (1525-1569). Óleo sobre madeira, 117 x 162 cm, Madrid, Museu do Prado, Sala 025.
“Alguma coisa de estranho se deve estar a passar comigo: eu olho para as notícias e as imagens de Bucha e a minha primeira e única reacção é pensar: “É preciso evitar a todo o custo que isto se volte a repetir. É preciso parar imediatamente com esta guerra sem sentido, com a destruição de cidades e casas, com a morte de civis e crianças, em nome de nada que o justifique. Como é possível, estarmos a assistir a isto, dia após dia, sem que os dirigentes mundiais façam o possível e o impossível para acabar com este pesadelo?”
Mas parece que só eu e uma minoria de ‘pacifistas’ — que agora é um termo pejorativo — pensamos assim. Logo após a difusão das imagens mostradas pelos ucranianos à imprensa ocidental, os principais dirigentes dos países da NATO reagiram imediatamente com a promessa de enviar mais armas para a Ucrânia e decretar mais sanções à Rússia, enquanto que o secretário-geral da NATO, Stoltenberg, dizia anteontem duas coisas reveladoras:
uma, que há vários anos que a NATO vem dotando a Ucrânia de armamento sofisticado e treinando as suas Forças Armadas, o que quer dizer que já a tratava como membro de facto e já esperava a guerra; e
outra, que as opiniões públicas deveriam estar preparadas para uma guerra longa de meses ou até mesmo de anos — música para os ouvidos dos fabricantes de armas, já sobrecarregados com encomendas para que cada país membro cumpra os 2% do PIB em despesas militares.